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Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE

Caracterização morfométrica e delimitação da bacia hidrográfica do Córrego


Samambaia – GO a partir de dados do SRTM

Rávila Marques de Souza1


Klebber Teodomiro Martins Formiga2
Aldrei Marucci Veiga3

1
Universidade Federal de Goiás – UFG/PPGEMA
Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Meio Ambiente
Campus I. 74001-970 – Goiânia – GO, Brasil
ravilamarques@hotmail.com

2
Universidade Federal de Goiás – UFG
Campus I. 74001-970 – Goiânia – GO, Brasil
klebber.formiga@gmail.com

3
Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Rua 148, n. 485, 74140-170 – Goiânia – GO, Brasil
aldreimarucci@yahoo.com.br

Abstract. The present article has as objective show boundary and morphological
characterization of the watershed of córrego Samambaia, located in Goiânia City- TO, state of
Goiás. Therefore, a Digital Elevation Model (DEM) from the SRTM (Shuttle Radar
Topography Mission) mission was processed using the ArcGIS SIG-software for the
extracting of principal morphometric parameters and boundary. The contribution area was
found to be 32,67 km², with a perimeter of 29,78 km. The watershed has an elongated form, a
coefficient of compacity of 1,45 an index of circularity of 0,46, not favoring flood, and
drainage density of 0,695 km/km², average slope of the watershed of 2,93% while your main
stream, córrego Samambaia, has a value of 1,14%, the average elevation of the watershed is
775 m, the concentration time obtained by two methods, Tsuchiya methods and direct
methods, obtaining values equal to 75,41 and 76,32 minutes, respectively. DEM processing
has shown to be highly efficient for watershed parameterization watershed study.

Palavras-chave: hydrographic basin, DEM, morphometry, SIG, bacia hidrográfica, modelo


digital de elevação, morfometria, sistema de informação geográfica.

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1. INTRODUÇÃO
Nos estudos em que a variabilidade espacial inerente aos problemas hidrológicos e aos
recursos hídricos, tem-se considerado o uso dos Sistemas de Informação Geográfica como
metodologia promissora, com o objetivo de fornecer dados distribuídos espacialmente nas
bacias hidrográficas.
A aplicação de modelos hidrológicos em nível de bacias hidrográficas com auxílio dos
SIG pode constituir um avanço quantitativo na caracterização dos parâmetros hidrológicos.
De acordo com Johnson (2009), os SIG fornecem um rico conjunto de funções que executam
análises usando atributos de dados espaciais, em muitos casos, essas funções fornecem
recursos sem precedentes, que são de difícil e demorada mensuração se realizadas
manualmente.
A topografia é o principal fator determinante nos processos de transporte de materiais,
desta forma, os modelos que tratam da distribuição das águas na bacia hidrográfica, requerem
dados baseados nas características físicas desta bacia, tais como, limites da bacia e sub-bacias,
inclinação, comprimento, largura, forma de declive, orientação das vertentes, características
dos planos e dos canais de drenagem. Esses atributos podem ser computados, através de um
MDE (modelo digital de elevação), usando-se uma variedade de técnicas (Moore et al, 1991).
Araújo et al. (2009) destaca que a delimitação de uma bacia hidrográfica é um dos primeiros e
mais comuns procedimentos executados em análises hidrológicas ou ambientais. Com o
advento e consolidação dos Sistemas de Informação Geográfica e, conseqüentemente, o
surgimento de formas digitais consistentes de representação do relevo, como os modelos
digitais de elevação (MDEs), a delimitação de bacias tem se tornado cada vez mais precisa.
O delineamento e a caracterização física das bacias hidrográficas e da sua rede de
drenagem é uma etapa fundamental em análises hidrológicas, de maneira que Engman (1996)
afirma que o gerenciamento integrado dos recursos hídricos depende da disponibilidade de
dados adequados para a construção e validação de modelos representativos dos processos
hidrológicos.
A bacia do córrego Samambaia foi redelimitada com base nos dados altimétricos SRTM e
emprego do ArcGis (ESRI). Diante do exposto, o presente artigo apresenta a delimitação da
bacia hidrográfica do córrego Samambaia, assim como de suas características morfológicas.

2. METODOLOGIA DO TRABALHO
2.1 Descrição da Área de Estudo

A bacia hidrográfica do córrego Samambaia está localizada ao norte do município de


Goiânia, entre as coordenadas geográficas 16°31’43,50’’ e 16°36”19,82” de latitude sul e
49°14’5,78” e 49°17’11,10’’ de longitude oeste, com área total de aproximadamente 32,67
km2. A foz do mesmo encontra-se junto ao Rio Meia Ponte, localizada na área do Campus
Samambaia da Universidade Federal de Goiás. A Figura 1 apresenta a localização da área de
estudo.
A bacia é considerada rural, apesar de atualmente está passando por processo de
urbanização. Este processo é visível em vários pontos da bacia, com maior intensidade na
margem esquerda do Córrego Samambaia.
Em termos pedológicos, a área é constituída maioritariamente por latossolo vermelho
escuro, associado à latossolo roxo, ambos com textura argilosa ou muito argilosa, relevo
plano e suave ondulado.

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Figura 1 – Localização da bacia do córrego Samambaia.

2.2 Aquisição de Dados

O mapa de elevação do terreno fornece a base para o cálculo da declividade entre células
adjacentes e esta determinará os caminhos a serem percorridos pela água e qual a área drenada
por cada rio. O mapa de elevação do terreno pode ser obtido por meio dos modelos digitais de
elevação – MDE, que são representações matriciais do terreno com valores de altimetria para
cada elemento de área (Lima, 2011).
Existem diversas fontes para obtenção de um MDE, como por exemplo (Lima, 2011):
• ETOPO1 - Global Relief Model, produzido pela National Oceanic and Atmospheric
Administration (NOAA), o qual possui resolução de 1 grau de latitude e longitude.
• ASTER GDEM – Global Digital Elevation Model Advanced Spaceborne Thermal
Emission and Reflection Radiometer, produzido por uma parceria entre o governo do
Japão e a National Aeronautics and Space Administration (NASA), com resolução
espacial de 30 m.
• SRTM – Shuttle Radar Topography Mission, um projeto internacional liderado pela
National Geospatial-Intelligence Agency (NGA) e pela NASA, possui resolução
espacial de 90 m para o globo e resolução de 30 m para o território dos Estados
Unidos.
Neste estudo a delimitação da bacia e a extração das características físicas da bacia foram
determinadas a partir do modelo digital de elevação (MDE), com resolução espacial de 90 m,
proveniente dos dados do SRTM, obtido do banco de dados da Embrapa – CNPM (Miranda et
al., 2005).
Para a composição de toda a área de estudo, foi necessário baixar apenas um dado SRTM
compatível com a folha na escala 1:250.000, sendo a folha SE-22-X-B.

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2.3 Delimitação da Bacia do Córrego Samambaia

Fez-se uso do sofware ArcGIS 9.3, aplicativo ArcMap, considerado o módulo central e
fundamental no ArgGIS, visto que nele que foram confeccionados e manipulados os mapas.
Após a instalação da barra de ferramentas Hidrology e sua ativação, utilizou-se os
seguintes comandos:
• Fill: preencher a superfície do raster removendo pequenas imperfeições;
• Flow Direction: avaliação de direção de fluxo;
• Flow Acumulation: cálculo do fluxo acumulado;
• Watershed: delimitação da bacia;
• Raster to Features: transformação para polígono.
Com o polígono da bacia delimitado, utilizou-se o comando Stream Network para traçar
automaticamente a rede hidrográfica, com o posterior corte através do comando Clip.
Para a análise morfométrica da bacia hidrográfica foram utilizados os parâmetros
apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 – Parâmetros selecionados para a análise morfométrica.


Parâmetro Descrição Equação

P
K  = 0,28 (1)
Está associado à suscetibilidade √A
Coeficiente de
de enchentes na bacia, e foi
Compacidade
obtida com base na equação Kc: coeficiente de compacidade;
P: perímetro (m);
A: área de drenagem (m2).

A
Refere-se à relação entre o a área I = 12,57  (2)
Índice de da bacia e a área do circulo de P
Circularidade perímetro igual ao da área total
Ic:índice de circularidade;
da bacia.
P: perímetro (m);
A: área de drenagem (m2).

A
Este índice deve ser utilizado na K =  (3)
comparação de bacias de áreas L
Fator de Forma semelhantes. É também um
Kf: fator de forma;
indicativo da possibilidade de
P: perímetro (m);
enchentes
L:comprimento do curso principal
da bacia (m).

Este índice constitui um L


D = (4)
indicativo muito importante do A
escoamento superficial da água,
Densidade de
o que reflete uma maior ou Dd: Densidade de drenagem
drenagem
menor intensidade dos processos (m/m2);
erosivos na esculturação dos L: o comprimento total dos cursos
canais. da bacia (m);
A: área de drenagem (m2).

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Método de Tsuchiya (1978)


Obtido a partir do emprego de
dois métodos o direto, L
t  = 0,83 (5)
Tempo de
calculando explicitamente todos S ,
os tempos do escoamento em
concentração
todos os percursos da bacia, e o tc: tempo de concentração (min);
método empírico proposto por S: declividade do talvegue (m/m);
Tsuchiya em 1978. L: comprimento do talvegue
(km).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A delimitação da bacia hidrográfica do córrego Samambaia e de sua rede de drenagem foram


obtidas em função do modelo digital de elevação adotado no trabalho (SRTM). Nas Figuras 2 é
possível visualizar os limites e a rede de drenagem da bacia hidrográfica em estudo.

Figura 2 - Mapa dos limites da bacia (a) e rede de drenagem (b) da bacia hidrográfica do
córrego Samambaia a partir do MDE.

Na Tabela 1 são apresentados os resultados da caracterização morfológicas da bacia em


estudo.
A bacia hidrográfica é um elemento básico para a geração de modelos de predição do
escoamento, neste contexto a bacia do córrego Samambaia pertencentes ao município de
Goiânia- GO apresenta área de drenagem de 32,67 Km² com perímetro de 14,06 Km,
caracterizando uma bacia de pequeno porte.
O coeficiente de compacidade observado foi de 1,45. Segundo Cardoso et al. (2006) um
coeficiente mínimo igual à unidade corresponderia a uma bacia circular e, para uma bacia
alongada, seu valor é significativamente superior a 1. Uma bacia será mais suscetível a
enchentes mais acentuadas quando seu coeficiente for mais próximo da unidade. Em relação

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ao índice de circularidade e fator de forma, observa-se que os valores foram iguais a 0,32 e
0,037, respectivamente.
Desta forma, a partir dos três parâmetros analisado pode-se constatar que a bacia
apresenta forma mais alongada, conforme pode ser visualizado na Figura 3, não favorecendo a
inundação e topologia favorável ao escoamento superficial quando esses parâmetros são
considerados isoladamente e em condições normais de precipitação.

Tabela 2 – Características da bacia hidrográfica do córrego Samambaia.


Características Físicas Unidade de Medida Resultados
Área de drenagem Km2 32,67
Perímetros Km 29,78
Comprimento do rio principal Km 10,92
Comprimento total dos canais Km 22,74
Coeficiente de compacidade -- 1,45
Índice de circularidade -- 0,46
Fator de forma -- 0,037
Declividade média da bacia m/m 0,0293
Declividade média do rio 0,0114
m/m
principal
Densidade de drenagem Km/km2 0,695
Altitude média da bacia m 775
Tempo de concentração (tc) 75,41
minutos
(Método de Tsuchiya)
Tempo de concentração (tc)
minutos 76,32
(Método direto)

O relevo de uma bacia tem forte influencia sobre os fatores hidrológicos, pois a velocidade do
escoamento superficial e consequentemente o tempo de concentração são determinados pela
inclinação do terreno.
A declividade média de uma bacia hidrográfica tem elevada importante no escoamento
superficial da água, dentre outros processos. Desta forma, verifica-se que a bacia do córrego
Samambaia apresenta declividade média igual 2,93% enquanto seu curso principal, o córrego
Samambaia, apresenta valor igual a 1,14%. Conforme a classificação do IBGE (2007), essa a
bacia pode ser considerada como de relevo plano, uma vez que sua declividade é inferior a
3%.
Quanto ao tempo de concentração, que representa o tempo em que toda a área da bacia
estará contribuindo para o escoamento, desde que a duração da chuva excedente seja no
mínimo igual ao tempo de concentração, foi obtido através de dois métodos, o método de
Tsuchiya e o método direto, obtendo-se valores iguais a 75,41 e 76,32 minutos,
respectivamente. O tempo de concentração tem relação com o fato da forma da bacia se
afastar da forma de uma circunferência, o que retarda o tempo de concentração, além de
outros fatores.
É importante salientar que o tempo de concentração de uma bacia hidrográfica,
principalmente, no caso de pequenas bacias urbanas, é um parâmetro importante para a
estimativa de vazões de cheia.
O mapa altimétrico é a representação do relevo médio de uma bacia, mostrando a
variação da elevação de vários terrenos na área da bacia. Esse mapa para a bacia do córrego

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Samambaia pode ser visualizado na Figura 3, onde se observa que a área de drenagem está
compreendida entre as 702 a 878 m, sendo que grande parte da área se localizam entre as
altitudes de 702 a 768 m, apresentando altitude média de 775 m. Ressalta-se que o mapa
altimétrico foi construído a partir dos dados do MDE oriundo do SRTM.

Figura 3 - Mapa altimétrico para a bacia do córrego Samambaia.

4. CONCLUSÕES
Diante dos resultados, pode ser concluir que a bacia hidrográfica do córrego Samambaia é
uma bacia pequena, com área de drenagem de 32,67 Km2 com forma alongada, que pode ser
comprovado pelos valores obtidos quanto ao coeficiente de compacidade (1,45), fator de
forma (0,037), e índice de circularidade (0,46), não favorecendo a inundação quando esses
parâmetros são considerados isoladamente e em condições normais de precipitação.
Ressalta-se que análise morfológica é essencial na delimitação de bacias hidrográficas,
por meio dessa análise torna-se possível a construção modelos hidrológicos e uma diversidade
de cálculos matemáticos envolvendo a bacia hidrográfica, além de revela o comportamento da
bacia perante as precipitações.
Com relação à declividade média encontrada para a bacia o valor foi de 2,93%,
caracterizando o relevo como plano e com baixa capacidade de drenagem, comprovada pela

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densidade de drenagem igual a 0,695 Km/Km2 . Vale destacar que altitude média da bacia é
de 775 m.
Por fim, ficou comprovado que o uso das geotecnologias como o MDE e o SIG
possibilitou, sem dúvida, um levantamento mais rápido e detalhado da bacia hidrográfica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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