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Experimento 4: Cálculo e preparo de soluções envolvendo soluto sólido

1 – Introdução:
O estudo das soluções tem fundamental importância na físico-química, visto que as
substâncias químicas nem sempre são encontradas ou utilizadas puras pelo homem, quer na sua
vida diária, nas indústrias ou laboratórios.
As misturas empregadas no cotidiano podem ser qualificadas e também quantificadas.

1.1 – Misturas Heterogêneas Grosseiras ou Suspensões:


São constituídas por mais de uma fase, sendo que as partículas podem ser grandes
aglomerados de átomos, moléculas ou íons, com tamanho médio maior que 100 nm, visíveis a
olho nu ou ao microscópio óptico, que se sedimentam espontaneamente ou numa centrífuga
comum, separadas por filtração simples como, por exemplo: as misturas de água e areia, água de
café, poeira no ar, etc.

1.2 – Misturas Heterogêneas Coloidais ou Colóides:


São formadas em geral por duas fases onde as partículas dispersas são constituídas por
aglomerados de átomos, íons ou moléculas de tamanho médio entre 1 e 100 nm, visíveis apenas
ao ultramicroscópio, que se sedimentam em ultracentrífugas e separam-se por ultrafiltração, como
por exemplo: geléia, gelatina, maionese, água e amido, aerossóis, etc.

1.3 – Misturas Homogêneas ou Soluções:


São sempre unifásicas, sendo que as partículas dispersas são constituídas por átomos,
íons ou moléculas de tamanho médio até 1 nm, não podendo serem visualizadas ao
ultramicroscópio, sedimentadas ao ultracentrifugador ou separadas por ultrafiltração. São
exemplos de soluções: ouro 18 quilates, água do mar, água potável, álcool combustível e
hidratado, ar atmosférico não poluído.
As soluções apresentam:
SOLUTO: parte dispersa: é geralmente o componente em menor proporção (pode haver mais de
um soluto na solução).
SOLVENTE: parte dispersante: é em geral o componente em maior proporção na solução.

Podem ser classificadas:


1) Quanto à natureza do soluto em:
NÁO-ELETROLÍTICAS OU MOLECULARES: apresentam moléculas dispersas e não
conduzem a corrente elétrica.
ELETROLÍTICAS OU IÔNICAS: apresentam íons dispersos e conduzem a corrente elétrica.
2) Quanto à relação soluto / solução em:
CONCENTRADAS: apresentam grande proporção de soluto em relação à solução.
DILUÍDAS: apresentam pequena proporção de soluto em relação à solução. São consideradas
diluídas as soluções de concentração até 0,1 mol/L.

2 – Concentrações das Soluções:


Expressar a concentração de uma solução é sempre necessário, para se relacionar a quantidade de
soluto no solvente ou na solução.
Concentração: quantidade de soluto
quantidade de solução

As principais formas de expressar essas concentrações são:

2.1 – Concentração Comum ou g/L:


Relaciona a massa em gramas do soluto e o volume, em litros, da solução.
Concentração: massa de soluto (g)
Volume de solução (L)

Ex. Solução aquosa de NaOH 40 g/L, significa que há 40 g do soluto NaOH em um litro da
solução.

2.2 – Concentração em Quantidade de Matéria (mol/L):


É a forma mais usual dos químicos expressarem as concentrações das soluções. Indica a relação
entre o nº de mols do soluto e o volume da solução em litros.
Concentração: mols de soluto
Volume de solução (L)

Ex. Solução 0,5 mol/L de HCl, significa que há 0,5 mol de ácido clorídrico em cada litro de
solução.

2.3 – Percentagem em Massa/Volume (% m/v):


Solução aquosa de NaOH 10% (m/v) significa que há 10 gramas do soluto em 100 mL da solução.

2.4 – Percentagem em Volume (% v/v):


Solução aquosa de Etanol 10% (v/v) significa que há 10 mL do soluto em 100 mL da solução.

3 – Materiais Permanentes e Reagentes:


- Espátula.
- Bastão de vidro.
- Copo de Becker.
- Funil.
- Balão volumétrico.
- Vidro de relógio.
- Bureta volumétrica de 50 mL.
- NaCl
- KMnO4
- CuSO4

4 – Procedimento Experimental:
4.1 – Preparar 100 mL uma solução aquosa de concentração de NaCl de concentração 1,6 g/L.
4.2 – Preparar 50 mL de uma solução aquosa de concentração de KMnO4 de concentração 0,5
mol/L.
4.3 – Preparar 50 mL de uma solução aquosa de concentração de CuSO4 de concentração 15 %
(m/v).

5 – Questões:
Apresentar todos os cálculos utilizados na preparação das soluções anteriores.
Experimento 6: Determinação gasométrica de pureza do carbonato de sódio (Na2CO3).
Introdução
Gases e substâncias voláteis são encontrados em materiais farmacêuticos principalmente
sob a forma de gases anestésicos ou como propelente em aerossóis. Sendo assim, é importante
para o farmacêutico entender a aplicação dos princípios físico-químicos na formulação de
aerossóis. Os fatores que governam a solubilidade dos gases nos líquidos podem ser estendidos
para compreensão da solubilidade de gases anestésicos nos sistemas solventes complexos de
sangue e tecidos.
Uma das aplicações da teoria dos gases ideais na prática é do doseamento gasométrico de
substâncias que, quando decompostas em meio ácido, liberam gás. Nesse sentido podemos citar
substâncias utilizadas na formulação de medicamentos para combater a acidez estomacal.
Frequentemente deseja-se saber o quanto de impureza existe em uma substância (não
apenas uma classificação do tipo “pura” ou “impura”), para então, purificá-la, se necessário.
Para se obter o grau de pureza de um composto, costuma-se envolvê-lo em uma reação
química específica, cuja estequiometria seja conhecida e cujos produtos podem ser medidos
convenientemente. Assim, dada uma massa conhecida de um composto, pode-se prever a
quantidade de produtos formados. A diferença entre o previsto e o obtido experimentalmente nos
permite calcular a porcentagem de substância que havia na amostra.
Por exemplo, carbonato de sódio reage com ácido, a frio, desprendendo gás carbônico,
segundo a equação:

Na2CO3(s) + 2 HCl(aq) → 2NaCl(aq) + CO2(g) + H2O()

Se o gás carbônico for convenientemente coletado, o seu volume (à temperatura e pressão


conhecidas) permite que, usando a lei dos gases e a equação química correspondente à reação, se
determina o teor de carbonato de sódio (Na2CO3) na amostra que se colocou em contato com o
ácido.
Caso seja identificada a presença de certa quantidade de impurezas, este composto poderá
ser purificado por uma técnica de purificação de sólidos denominada de recristalização (consultar
apostila ou livro de química orgânica experimental).

Objetivo
Determinação da pureza do carbonato de sódio (Na2CO3), através do volume de gás carbônico
(CO2) gerado pela sua reação com uma solução de ácido forte.

Materiais
Balança semi-analítica, kitassato de 125 mL, tubo de vidro pequeno (em “V” ou ângulo
de 90º), béquer de 1000 mL, proveta de 100 mL (vidro), pipetas graduadas, rolha que vede bem
o kitassato, suporte universal com garra, mangueira de borracha, carbonato de sódio (Na2CO3),
papel manteiga, solução de ácido clorídrico (HCl) 6 mol/L (preparada um pouco antes do
experimento).

Procedimento Experimental (Observe a figura 1 a seguir!)


Suporte universal
com garra

Proveta de 100 mL
com água

Frasco de kitasato

Solução
Carbonato de sódio - - - - - -
de HCl - - - - -
(Na2CO3) .. . .. .. .. .. .. ... .. - -- - - -
. . . . . . . . . . .. - - - -
- Béquer com água
- - - - - - -
- - - - - - -
- - - -
- - - -
- -
-
- - - -

Agitador magnético
(Opcional)

Figura 1 – Esquema de montagem dos equipamentos para a coleta de um gás.


1 – Coloque no interior do kitassato, cuidadosamente, 20,0 mL de HCl 6 mol/L.
2 – A seguir, com um papel “manteiga”, pese 0,320 g de Na2CO3, anote a massa exata e reserve-
a com cuidado para não haver perda de reagente.
3 – Pegue um béquer de 1000 mL e encha-o com água até aproximadamente a marca de 650 mL.
4 – Pegue uma proveta de 100 mL e encha-a completamente com água. Inverta-a e mergulhe-a na
água do béquer. Verifique se não restaram bolhas de ar no fundo da proveta. Caso haja bolhas,
repita o procedimento até que não sobre qualquer bolha; a seguir fixe a proveta com uma garra
a um suporte, como ilustrado na figura 1.
5 – Introduza um tubo de vidro, previamente entortado, no interior da proveta invertida e conecte-
o, com uma mangueira de borracha, ao frasco kitassato.
6 – Incline o frasco de kitassato até que a solução ácida entre em contato com a amostra de
carbonato. Após o final da reação, aguarde algum tempo (pelo menos 5 minutos) pra que o gás
recolhido entre em equilíbrio térmico com o ambiente.
7 – A seguir, subindo ou descendo a proveta, iguale os níveis interno e externo da água, igualando
dessa forma a pressão interna à pressão externa (pressão atmosférica) e então leia com o máximo
de precisão, o volume de gás aprisionado no interior da proveta.
 Anote a temperatura e a pressão atmosférica no laboratório.

 Lembre-se que o gás carbônico foi recolhido sob a água e, portanto, contém vapor d’água em
equilíbrio com água líquida. A tabela 1 apresenta valores de pressão de vapor da água para
diferentes temperaturas.
Pexterna = Pinterna
Patmosférica = Pinterna
Patmosférica  PCO2  PH 2O
Obs.: Para a cidade de Uberaba-MG utilizar Patmosférica = 695 mmHg.
Tabela 1 – Valores da pressão de vapor d’água em diferentes temperaturas.
Temperatura (oC) Pvapor d’água (mmHg) Temperatura (oC) Pvapor d’água (mmHg)
10 9,209 23 21,068
11 9,844 24 22,377
12 10,518 25 23,756
13 11,231 26 25,209
14 11,987 27 26,739
15 12,788 28 28,349
16 13,634 29 30,043
17 14,530 30 31,824
18 15,477 31 33,695
19 16,477 32 35,663
20 17,535 33 37,729
21 18,650 34 39,898
22 19,827 35 42,175
Fonte: Weast, R. C. (Ed.); “Handbook of chemistry and Physics”. 75ª. Ed. Cleveland (OH), CRC Press, 2005.

Tratamento dos Resultados


 Etapas de cálculo para a determinação da pureza do carbonato de cálcio
A partir da pressão total da mistura gasosa (CO2 + vapor d’água) coletada e da pressão de vapor
da água na temperatura medida, e usando a Lei de Dalton das pressões parciais, determine a
pressão parcial do CO2. A seguir, conhecidos o volume ocupado pelo gás coletado, sua
temperatura e sua pressão, utilizando a Lei dos Gases Ideais, calcule o número de mols de CO2
coletado. Utilizando a equação química balanceada para a reação de carbonato de sódio com ácido
clorídrico, determine o número de mols de Na2CO3 que reagiu. Determine então a porcentagem
em massa de carbonato de cálcio, admitindo que a massa original pesada corresponda a 100%.

Referências Bibliográficas
ATKINS, P. W. Fundamentos de Físico Química, 3ed., Rio de Janeiro, Livros Técnicos e
Científicos, 2001.
SILVA, R. R; BOCCHI, N.; ROCHA-FILHO, R. C. Introdução à Química Experimental. São
Paulo, McGraw-Hill, 1990.
NETZ, P. A.; ORTEGA, G. G. Fundamentos de Físico-Química: Uma abordagem conceitual
para as ciências farmacêuticas. Porto Alegre, ARTMED, 2002.
ATTWOOD, D.; FLORENCE, A. T. Physicochemical Principles of Pharmacy, 3rd. Edn.
Palgrave, London, 1998.