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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

PROVA NACIONAL PARA MÉDICO EM


ESPECIALIZAÇÃO
2010
LEIA ATENTAMENTE TODAS AS INSTRUÇÕES ABAIXO
INSTRUÇÕES:
1) Não abra o caderno de questões antes da autorização oficial.
2) Seu cartão de respostas está identificado na parte superior com seu nome e número de inscrição na
SBA. Confira agora todos os seus dados.

3) Não escreva na área assinalada como IDENTIFICAÇÃO no esquema acima.


4) As respostas devem ser marcadas na área da questão correspondente com caneta esferográfica azul
ou preta (ponta grossa).
Marcação correta: Marcação incorreta: 

5) O caderno de questões possui 120 (cento e vinte) questões de escolha simples (uma única opção
correta). Leia as orientações sobre cada tipo de questão antes de respondê-las. Todas admitem
apenas uma opção correta (A, B, C, D).
A opção E – não sei deve ser utilizada quando você não souber a resposta correta e não quiser tentar
acertar por adivinhação (“chutar”). Tanto uma opção incorreta quanto a “E - não sei” serão
consideradas erradas para o cálculo de sua nota na prova nacional.
6) Assinale no cartão apenas uma opção para cada resposta. Questões com mais de uma resposta
assinalada, marcadas incorretamente ou com rasuras, não serão consideradas.
7) Não dobre, amasse ou rasgue seu cartão de respostas.
8) O candidato poderá usar o caderno de questões como rascunho podendo levá-lo consigo ao final da
prova, após a devolução do cartão de respostas.
9) Somente serão permitidas perguntas referentes a possíveis erros gráficos e essas dúvidas deverão ser
dirigidas aos supervisores da prova. Evite perguntas sobre o conteúdo das questões.
10) A prova terá duração de quatro horas.

COMISSÃO DE ENSINO E TREINAMENTO


– Ana Maria Menezes Caetano
– Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho
– Ana Maria Vilela Bastos Ferreira
– Oscar César Pires
– Rosa Inês Costa Pereira
– Roberto Cesar Pontes Ibiapina

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

PROVA NACIONAL / 2010

PONTO 13 – Farmacologia dos Anestésicos Inalatórios

1- Na farmacodinâmica dos anestésicos inalatórios:

A) a concentração alveolar mínima (CAM) acordado menor que de outros anestésicos inalatórios explica a rápida
recuperação obtida com o desflurano
B) o coeficiente de partição é a relação entre a massa desse agente em dois meios quando se processa o equilíbrio
C) ocorre redução lenta na fracional alveolar com os agentes de baixa solubilidade sanguínea durante sua eliminação
D) a CAM de 104 vol% do óxido nitroso confere sua característica de indução rápida
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
O que explica a rápida indução e recuperação dos pacientes usando Desflurano é seu baixo Coeficiente de partição
sangue/gás(0,42) e não a sua CAM Acordado. Coeficiente de partição é a relação entre a massa desse agente em dois
meios quando se processa o equilíbrio (mesma pressão parcial). Durante a eliminação de um agente inalatório ocorre
uma redução mais rápida na fracional alveolar com os agentes de baixa solubilidade sanguínea. O que influencia a
velocidade a indução é o coeficiente de partição sangue/gás.

Referência:
Ebert TJ, Schmid PG – Inhaled Anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 413-443.
Amaral JLG – Farmacocinética dos Anestésicos Inalatórios, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS –
Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 781-790.

2- ANULADA

Ponto 13 Farmacologia dos Anestésicos Inalatórios

3- Efeito da ventilação e da perfusão pulmonares na captação dos anestésicos inalatórios:

A) a diminuição na fração inspirada (FI) eleva a fracional alveolar do anestésico (FA)


B) a velocidade de elevação da fracional alveolar tem relação direta com o coeficiente solubilidade sangue /gás
C) em ventilação fixa o aumento de débito cardíaco diminui mais rapidamente a concentração alveolar dos agentes
menos solúveis
D) a redução na diferença arteriovenosa do anestésico aumenta concentração alveolar
E) não sei

Resposta D
Nível de Dificuldade – difícil

Comentário:
A captação pulmonar é uma função do coeficiente de solubilidade do agente, do débito cardíaco e da diferença de
pressão arterio-venosa do anestésico. A redução em qualquer um desses fatores resulta no aumento da concentração
alveolar. Diminuição da ventilação diminui a fracional alveolar. A velocidade de elevação da fracional alveolar em
relação a fracional inspirada mantém uma correlação inversa com o coeficiente de solubilidade no sangue. Agentes
poucos solúveis proporcionam uma rápida elevação da relação FA/FI, o que significa uma indução mais rápida. Com a
ventilação fixa um aumento do débito cardíaco tem influência na diminuição da concentração alveolar, diminuindo a
velocidade de aumento da relação FA/FI sendo mais proeminente esse efeito para agente mais solúveis.

Referência:
Ebert TJ, Schmid PG – Inhaled Anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 413-443.
Amaral JLG – Farmacocinética dos Anestésicos Inalatórios, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS –
Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 781-790.

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Ponto 22 – Sistemas de Administração de Anestesia

4- Sistema respiratório avalvular, com tubo corrugado entre o paciente e o balão, sem absorvedor alcalino, com
entrada do fluxo de gases frescos próxima ao balão e escape próximo ao paciente, segundo a classificação de
Mapleson:

A) A
B) B
C) C
D) D
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
No sistema de Mapleson A o fluxo de gases frescos (FGF) fica próximo ao balão e o escape fica próximo ao paciente.
No Mapleson B o FGF e o escape ficam próximos ao paciente. O sistema de Mapleson C não possui tubo corrugado.
No sistema de Mapleson D e F o FGF fica próximo ao paciente e o escape próximo ao balão.

Referência:
Riutort TK, Brockwell RC, Brull SJ, Andrews JJ – The Anesthesia Workstation and Delivery Systems, em: Barash PG,
Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins,
2009; 644-694.

Ponto 23 - Anestesia Inalatória

5- Correspondência correta entre coeficiente de partição sangue/gás e anestésico inalatório:

A) 0,45 – óxido nitroso


B) 0,47 – desflurano
C) 0,65 – sevoflurano
D) 1,40 – halotano
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Coeficiente de partição sangue/gás: óxido nitroso = 0,47; halotano = 2,50; isoflurano = 1,40; Desflurano = 0,45 e
sevoflurano = 0,65

Referência:
Forman AS, Mashour GA – Pharmacology of inhalational anesthetics, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-
Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 739 – 766.

Ponto 22 - Sistemas de Administração de Anestesia

6- Temperatura na qual a pressão de vapor do desflurano se iguala à pressão atmosférica de 760mmHg:

A) 56,5º C
B) 50,2º C
C) 48,5º C
D) 22,8º C
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A pressão de vapor de um agente inalatório varia com a temperatura. O ponto de ebulição de um líquido é definido
como a temperatura na qual a pressão de vapor se iguala à pressão atmosférica. A 760mmHg, os pontos de ebulição
para o desflurano, isoflurano, halotano, enflurano e sevoflurano são respectivamente 22,8º C, 48,5º C, 50,2º C, 56,5º C
e 58,5º C.

Referência:

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Brockwell RC, Andrews JJ - Inhaled Anesthetic Delivery, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP,
Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 667-718.

Ponto 23 - Anestesia Inalatória

7- Aumenta a concentração alveolar mínima dos anestésicos inalatórios:

A) uso crônico de carbonato de lítio


B) intoxicação aguda por anfetamina
C) intoxicação aguda pelo álcool
D) administração concomitante de lidocaína
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A CAM é relativamente imutável no que se refere a espécie, sexo ou duração da anestesia. Não é alterada pelo hipo ou
hipertireoidismo e diminui com a idade. A CAM aumenta no alcoolismo crônico e diminui na intoxicação aguda pelo
álcool. A CAM aumenta na intoxicação aguda pela cocaína e na hipernatremia.

Referência:
Ebert TJ, Schmid P – Inhaled Anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical
Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 413-443.

Ponto 22 – Sistemas de Administração de Anestesia

8- Fluxo de mínimo admissão de O2 a 100% (mL.kg-1.min-1) em anestesia inalatória com fluxos basais de gases:

A) 2
B) 4
C) 6
D) 8
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
O FGF mínimo de O2 necessário corresponde ao consumo metabólico de oxigênio do paciente, ou seja 3 a 4 mL.Kg-
1.
min-1.

Referência:
Torres MLA, Carlos RV - Aparelhos de anestesia: componentes e normas técnicas, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP. 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 163-175.

PONTO 8 – Sistema Nervoso Central e Autônomo

9- No sistema nervoso autônomo:

A) a estimulação da medula supra-renal resulta em liberação predominante de noradrenalina


B) o principal responsável pela neurotransmissão adrenérgica é a adrenalina
C) os neurônios pós-ganglionares simpáticos são adrenérgicos em todos os órgãos efetores
D) a acetilcolina é liberada em todas as fibras pós-ganglionares parassimpáticas e em algumas simpáticas
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade – Fácil

Comentário:
Os neurônios pré-ganglionares simpáticos e parassimpáticos são colinérgicos. O principal responsável pela transmissão
adrenérgica é a noradrenalina. A supra-renal quando estimulada tem uma maior liberação de adrenalina(80%) do que
Noradrenalina(20%). Os neurônios pós-ganglionares simpáticos são adrenérgicos na maioria dos órgãos efetores,
sendo que nas glândulas sudoríparas e músculo liso vascular dos músculos esqueléticos são colinérgicos. A acetilcolina
é liberada em todas as fibras pós-ganglionares parassimpáticas e em algumas simpáticas.

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Referências
Johnson JO, Grecu L, Lawson N – Autonomic Nervous System, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical
Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 326-368.
Pires OCP, Posso IP – Anatomia do Sistema Nervoso Autônomo, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira
CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 323-328.
Pires OCP, Posso IP – Fisisologia do Sistema Nervoso Autônomo, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira
CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 329-337.

10 - ANULADA

PONTO 12 – Farmacologia dos Anestésicos Venosos

11- Os benzodiazepínicos:

A) exercem ação anticonvulsivante ligando-se à subunidade α2 do receptor GABA


B) induzem a aumento significativo da síntese microssomal hepática
C) ativam o receptor GABA levando ao fechamento dos canais de cloro
D) apresentam redução de efeito em uso crônico
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade Fácil

Comentário:
Sedação, amnésia anterógrada e propriedades anti-convulsivantes são mediadas pela ligação dos benzodiazepínicos a
subunidade α1 do receptor gabaérgico, enquanto ansiólise e relaxamento muscular são mediadas por sua ligação a
subunidade α2. Com a ativação do receptor GABA abrem-se os canais de cloreto tornando a célula hiperpolarizada e
resistente à excitação neuronal. Os benzodiazepínicos não induzem ao aumento da síntese microssomal hepática e sua
administração crônica não leva ao metabolismo acelerado de outras substâncias. Existe tolerância com uso crônico de
benzodiazepínicos onde há um fenômeno de down-regulation com redução na ligação de receptores e no efeito destes.

Referência:
White PF, Eng MR – Intravenous Anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 444-464.
Santos ETM – Benzodiazepínicos, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia
SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 275-284.

PONTO 12 – Farmacologia dos Anestésicos Venosos

12- O etomidato:

A) causa liberação de histamina


B) tem meia-vida de distribuição de 5 a 10 minutos
C) inibe a função plaquetária
D) tem baixa taxa de extração hepática
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – difícil

Comentário:
O etomidato diminui a excitabilidade neuronal facilitando o efeito inibitório pós-sináptico, pela ativação do sistema gaba.
A meia-vida de distribuição do etomidato é de 2 a 4 minutos, tem alto índice de extração hepática sendo diretamente
proporcional ao fluxo sangüíneo hepático com clearence de 18 a 25 ml.kg-1.min-1. O etomidato inibe a função
plaquetária aumentando o tempo de sangramento. Não causa a liberação de histamina e pode ser usada em pacientes
com vias aéreas reativas.

Referência:
Oliveira CRD, Elias L – Hipnóticos Não-barbitúricos, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado
de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 291-305.
White PF, Eng MR – Intravenous Anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 444-464.

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Ponto 24 - Anestesia Venosa

13- O propofol causa:

A) aumento da mobilização intracelular de cálcio


B) inibição da vasoconstrição hipóxica pulmonar
C) inibição da peroxidação lipídica
D) abolição dos potenciais evocados auditivos
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Os efeitos depressores cardiovasculares do propofol são mais intensos que os do tiopental. O propofol pode produzir
broncodilatação secundária à inibição da mobilização intracelular de cálcio. Não inibe a vasoconstrição hipóxica
pulmonar. Seu efeito neuroprotetor deve-se em parte à atividade antioxidante por inibição peroxidação lípídica. Embora
produza uma diminuição no componente inicial dos potenciais evocados somato-sensitivos e motores, não altera os
potenciais evocados auditivos.

Referência:
Reves JG, Glass PSA, Lubarsky DA,McEvoy MD, Martinez-Ruiz R – Intravenous Anesthetics, em: Miller RD, Eriksson
LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 719-768.

Ponto 24 - Anestesia Venosa

14- Opióide que apresenta o maior efeito sedativo:

A) alfentanil
B) sufentanil
C) remifentanil
D) fentanil
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Um dos efeitos dos opióides é determinar a redução da dose da droga hipnotica. Em geral, os opióides possuem
sinergismo com os hipnoticos, porém esta ação é mas acentuada com o sufentanil que possui, dentre os opióides, o
maior efeito sedativo.

Referência:
Caetano AMM, Nora FS, Duval Neto GF, Vianna PTG - Anestesia Intravenosa técnicas e indicações, em: Tardelli
MA,Cavalcanti IL,Jorge JC,Turazzi JC et al - Curso de Educação Continuada à Distância em Anestesiologia,SBA,Rio de
Janeiro,2001;29-42.

Ponto 41 – Anestesia em Pediatria

15- Mantém a patência do ductus arteriosus durante a vida intrauterina:

A) PO2 do sangue venoso


B) tromboxane A2
C) pH
D) óxido nítrico
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Durante a vida intrauterina, a maior parte do débito cardíaco do feto é direcionada da placenta para a aorta descendente
através do forâmen oval. O sangue desoxigenado que entra pela veia cava superior é direcionado tanto para a artéria
pulmonar quanto para o ductus arteriosus (DA), que é mantido patente pela baixa PO2 do sangue venoso. A partir da
ligadura do cordão umbilical no nascimento, a placenta é removida da circulação fetal e o sangue passa a ser oxigenado
no pulmão do neonato. A exposição das células do DA ao sangue mais oxigenado é o principal responsável pelo seu
fechamento funcional. A PaCO2 e o pH do sangue não influenciam a patência do DA. O óxido nítrico e a PGI2 são

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responsáveis pela redução da resistência vascular pulmonar que ocorre logo após o nascimento. O tromboxane A2 não
atua sobre o DA, embora possa aumentar a resistência vascular pulmonar em caso de infecções estreptocócicas. A
PGI2 e a PGE2 também mantém o DA patente.

Referência:
Hall S, Suresh S – Neonatal anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1171-1205.
Zwass MS, Gregory GA – Pediatric and neonatal intensive care, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish
JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2653-2703.

Ponto 41 – Anestesia em Pediatria

16- Característica do sistema cardiovascular do neonato:

A) a contratilidade do miocárdio é o principal determinante do débito cardíaco


B) o tônus autonômico predominante é o parassimpático
C) o débito cardíaco normalizado pelo peso corporal é menor que o do adulto
D) os sarcômeros do miocárdio desenvolvem menor tensão contrátil do que os do adulto
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
O neonato apresenta como características do sistema cardiovascular: dependência da freqüência cardíaca para
manutenção ou aumento do débito cardíaco. O tônus parassimpático predomina no neonato, o que o expõe a maior
propensão a bradicardia durante manobras de intubação traqueal, tração visceral e hipóxia. O débito cardíaco
normalizado pelo peso corporal é maior no neonato do que no adulto, como conseqüência do maior consumo de
oxigênio por unidade de peso corporal. O miocárdio do neonato é imaturo e possui menos células por unidade de área
do que o miocárdio adulto e as relações comprimento-tensão diferem das do adulto, entretanto, os sarcômeros são
ativos e desenvolvem a mesma força contrátil do que os do miocárdio adulto.

Referência:
Hall S, Suresh S – Neonatal anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1171-1205.
Wetzel RC – Evaluation of children, in: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM – Anesthesiology, New
York, McGraw Hill Medical, 2008; 310 – 339.

Ponto 41 – Anestesia em Pediatria

17- Em comparação com adultos, no neonato:

A) as concentrações alveolares mínimas dos anestésicos voláteis são menores


B) o volume aparente de distribuição dos bloqueadores neuromusculares é menor
C) o sistema P-450 possui menor capacidade enzimática
D) a concentração de albumina no plasma é maior
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Em comparação ao adulto, o neonato a termo apresenta maior percentagem de água corporal (70 – 85% versus 60% no
adulto); menor concentração de albumina e glicoproteína ácida alfa-1, o que implica em maiores percentagens de droga
livre; menor capacidade enzimática do sistema P-450; e menor taxa de filtração glomerular. Em conjunto, estas
características implicam em maiores volumes de distribuição, menores taxas de metabolismo e excreção de fármacos.
Entretanto, a concentração alveolar mínima dos anestésicos voláteis é similar à do adulto.

Referência:
Yaster M, Rossberg MI - Anesthesia for newborn surgical emergencies, in: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF,
Zapol WM – Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1502 - 1519.
Hall S, Suresh S – Neonatal anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1171-1205.

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Ponto 41 – Anestesia para Cirurgia Torácica

18- Efeito da hipocapnia durante ventilação monopulmonar:

A) aumento da resistência vascular no pulmão ventilado


B) acentuação do reflexo de vasoconstrição hipóxica no pulmão não ventilado
C) aumento da PaO2
D) atelectasia de absorção
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
Durante ventilação monopulmonar a PaCO2 deve ser mantida em torno de 35 ± 3 mmHg. Hipocarbia associa-se com
aumento da resistência vascular pulmonar no pulmão dependente, inibição do reflexo de vasoconstrição hipóxica no
pulmão não ventilado, aumento do shunt intrapulmonar e diminuição da PaO2. A atelectasia de absorção está
relacionada ao uso de oxigênio a 100% durante ventilação monopulmonar. Como hipocarbia resulta de hiperventilação,
a pressão intra-alveolar está aumentada.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for thoracic surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1032-1072.
Weiss SJ, Ochroch EA – Thoracic anesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1213-1283.

Ponto 41 – Anestesia para Cirurgia Torácica

19- Situação em que a intubação com tubo de duplo-lumen pode ser dispensada:

A) lavagem pulmonar
B) bolha gigante unilateral
C) fístula broncopleural
D) esofagectomia
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A separação ventilatória dos pulmões com o uso de tubos de duplo lúmen tem indicação absoluta quando: a) há risco de
contaminação do pulmão sadio (infecção, hemorragia); b) a distribuição da ventilação tem que ser controlada (fístulas
broncopleurais, abertura cirúrgica de uma via aérea calibrosa, bolha ou cisto gigante unilateral); c) há indicação de
lavagem pulmonar, como na proteinose alveolar. As indicações são relativas em lobectomias média e inferior, ressecção
esofágica ou procedimentos sobre a coluna vertebral torácica.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for thoracic surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1032-1072.
Weiss SJ, Ochroch EA – Thoracic anesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1213-1283.

Ponto 41 – Anestesia para Cirurgia Torácica

20- Efeito da aplicação de pressão positiva ao final da expiração (PEEP) ao pulmão ventilado durante ventilação
monopulmonar que pode resultar em redução da PaO2:

A) aumento da pressão sobre vasos intra-alveolares


B) aumento da relação ventilação/perfusão
C) aumento do volume residual
D) diminuição da resistência vascular pulmonar
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Médio

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Comentário:
A aplicação de pressão positiva ao final da expiração (PEEP) ao pulmão ventilado durante ventilação monopulmonar
aumenta o volume residual, a capacidade residual funcional (CRF) e a relação ventilação/perfusão. Estes efeitos se
acompanham de compressão de pequenos vasos intra-alveolares, com conseqüente aumento da resistência vascular
pulmonar. Em pacientes cuja CRF é baixa, os efeitos ventilatórios da PEEP costumam predominar sobre os efeitos
circulatórios. Entretanto, em pacientes cuja capacidade residual funcional é normal, o aumento da resistência vascular
pulmonar pode ocasionar o desvio de sangue para o pulmão não ventilado, causando redução da PaO2.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for thoracic surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1032-1072.
Weiss SJ, Ochroch EA – Thoracic anesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1213 - 1283.

Ponto 41 – Anestesia para Cirurgia Torácica

21- Valor acima do qual a pressão positiva contínua na via aérea (CPAP), em cmH2O, aplicada ao pulmão não
ventilado durante ventilação monopulmonar, causa distensão pulmonar e dificulta a cirurgia:

A) 10
B) 15
C) 20
D) 25
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
A aplicação de pressão positiva contínua na via aérea (CPAP) ao pulmão colapsado durante cirurgia monopulmonar é a
forma mais eficaz de aumentar a PaO2. Valores entre 5 e 10 cmH2O são os mais eficazes, porque aumentam
significativamente a PaO2, sem interferir com a exposição cirúrgica. Valores iguais ou superiores a 15 cmH2O associam-
se com distensão pulmonar, interferência no campo cirúrgico e efeitos hemodinâmicos, devendo ser evitados.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for thoracic surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1032-1072.
Weiss SJ, Ochroch EA – Thoracic anesthesia, in: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM – Anesthesiology,
New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1213 - 1283.

Ponto 41 – Anestesia para Cirurgia Torácica

22- Complicação pós-operatória mais prevalente em pacientes submetidos a toracotomia:

A) síndrome de baixo débito


B) hemorragia pulmonar
C) atelectasia
D) embolia pulmonar
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Atelectasia é a complicação mais frequente e principal causa de morbidade pós-operatória, ocorrendo em até 100% dos
pacientes submetidos a toracotomias. Outras complicações da cirurgia torácica estão relacionadas aos sistemas:
cardiovascular (baixo débito, disritmias, hipertensão e isquemia do miocárdio), respiratório (êmbolos, fístula
broncopleural, empiema e hemorragia pulmonar) e nervoso.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for thoracic surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1032-1072.

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

PONTO 1 - Ética Médica e Bioética. Responsabilidade Profissional do Anestesiologista

23- O Código de Ética Médica estabelece que:

A) pesquisa médica pode ser realizada em sujeitos dependentes ou subordinados ao pesquisador


B) o pesquisador pode atribuir-se autoria exclusiva de trabalho realizado por seus subordinados
C) sendo o sujeito de pesquisa menor de idade necessita-se de seu consentimento na medida de sua compreensão
D) placebos podem ser utilizados em pesquisa com seres humanos havendo tratamentos eficazes
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O Novo Código de Ética Médica em seu Capítulo XII versa sobre Ensino e Pesquisa Médica e nos diz que é vedado ao
médico: Art. 101. Deixar de obter do paciente ou de seu representante legal o termo de consentimento livre e
esclarecido para a realização de pesquisa envolvendo seres humanos, após as devidas explicações sobre a natureza e
as conseqüências da pesquisa. Parágrafo único. No caso do sujeito de pesquisa ser menor de idade, além do
consentimento de seu representante legal, é necessário seu assentimento livre e esclarecido na medida de sua
compreensão. Art. 104. Deixar de manter independência profissional e científica em relação a financiadores de pesquisa
médica, satisfazendo interesse comercial ou obtendo vantagens pessoais. Art. 107. Publicar em seu nome trabalho
científico do qual não tenha participado; atribuir-se autoria exclusiva de trabalho realizado por seus subordinados ou
outros profissionais, mesmo quando executados sob sua orientação, bem como omitir do artigo científico o nome de
quem dele tenha participado. Art. 105. Realizar pesquisa médica em sujeitos que sejam direta ou indiretamente
dependentes ou subordinados ao pesquisador. Art. 106. Manter vínculo de qualquer natureza com pesquisas médicas,
envolvendo seres humanos, que usem placebo em seus experimentos, quando houver tratamento eficaz e efetivo para
a doença pesquisada.

Referência:
Resolução CFM Nº 1931/2009 Código de Ética Médica, Capítulo XII

PONTO 1 - Ética Médica e Bioética. Responsabilidade Profissional do Anestesiologista

24- De acordo com Resoluções e Pareceres do Conselho Federal de Medicina no âmbito da Anestesiologia:

A) médico preceptor pode se responsabilizar por atos anestésicos simultâneos, desde que haja um médico residente
em cada ato
B) a alta da sala de recuperação pós-anestésica é de responsabilidade exclusiva do médico anestesiologista
C) o anestesiologista é o responsável por assegurar as condições mínimas para realizar a anestesia na instituição de
saúde
D) o médico anestesiologista que realizar a avaliação pré-anestésica tem que ser o mesmo que administrará a
anestesia
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
É ato atentatório à ética médica a realização simultânea de anestesias em pacientes distintos pelo mesmo profissional,
ainda que seja no mesmo ambiente cirúrgico; “O residente em processo de aprendizado segundo as normas do
programa de residência médica, tem direito a um preceptor que o oriente e esse preceptor não pode exercer essa
atividade em duas ou mais salas simultaneamente sem resvalar numa infração ética. É o que ensina o Prof. Genival
Veloso de França em seu livro Direito Médico, ao definir "Responsabilidade Derivada ou Responsabilidade Compartida".
Nela, cada membro de uma equipe médica carrega consigo a co-responsabilidade por atos médicos executados no
âmbito da instituição prestadora da assistência médica”. Portanto o preceptor não pode ser co-responsável em dois atos
simultâneos sem ferir a Resolução nº 1802/06 e o Código de Ética Médica. Para a prática da anestesia, deve o médico
anestesiologista avaliar previamente as condições de segurança do ambiente, somente praticando o ato anestésico
quando asseguradas as condições mínimas para a sua realização.Entende-se por condições mínimas de segurança
para a prática da anestesia a disponibilidade de: Monitoração contínua da ventilação, incluindo os teores de gás
carbônico exalados nas seguintes situações: anestesia sob via aérea artificial (como intubação traqueal, brônquica ou
máscara laríngea) e/ou ventilação artificial e/ou exposição a agentes capazes de desencadear hipertermia maligna. É
responsabilidade do diretor técnico da instituição assegurar as condições mínimas para a realização da anestesia com
segurança. A alta da SRPA é de responsabilidade exclusiva do médico anestesiologista. O médico anestesiologista que
realizar a avaliação pré-anestésica poderá não ser o mesmo que administrará a anestesia.

Referência:
Resolução CFM N.º 1931/2009 Código de Ética Médica
Resolução CFM 1802/06

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Parecer CFM 32/1995

PONTO 2- Organização da SBA, Cooperativismo e SUS

25- Compete à Assembléia de Representantes (AR) da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA):

A) eleger membros de comissões permanentes


B) aprovar as contas da SBA
C) alterar o estatuto da SBA
D) após eleger, nomear a Diretoria da SBA
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
A AR ocorre sempre por ocasião do Congresso Brasileiro de Anestesiologia, podendo ser convocada
extraordinariamente pela Diretoria da SBA ou a pedido de, pelo menos, metade mais uma das Regionais e/ou 1/3 (um
terço) dos Membros Ativos. A Eleição do Conselho Fiscal, aprovação das contas e alterações do Estatuto são de
competência da Assembléia Geral. A AR é responsável pela eleição dos membros das Comissões Permanentes, do
Editor-Chefe e Co-Editor da Revista Brasileira de Anestesiologia, do Secretário do Conselho de Defesa Profissional, e
os Comitês. A eleição da Diretoria é de competência das Assembléia Geral. A AR terá três Grupos de Trabalho
constituídos cada um deles pelo Diretor de Departamento da área e por quatro Representantes designados pelo
Presidente da Mesa: I - Grupo de Trabalho de Assuntos Administrativos.; II - Grupo de Trabalho de Assuntos Éticos e de
Defesa Profissional; III - Grupo de Trabalho de Assuntos Científicos e Ensino e Treinamento.

Referência:
Estatuto da Sociedade Brasileira de Anestesiologia www.sba.com.br

Ponto 3 – Risco Profissional do Anestesiologista

26- A privação de sono durante a prática anestésica:

A) interfere no humor mantendo o julgamento clínico


B) aumenta a probabilidade de lesão percutânea do anestesiologista
C) leva a maior vulnerabilidade a acidentes das 10 às 14h
D) diminui o tempo de reação do profissional aos estímulos
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentários: A Cultura médica considera a sobrecarga de trabalho uma virtude. Talvez mais do que qualquer outra
especialidade médica, a prática da anestesia requer uma vigilância e ações imediatas em situações que envolvem
ameaças a vida do paciente. Como a privação do sono afeta os profissionais e quais danos traz no atendimento é objeto
de estudos, muitos feitos com residentes. Eles mostram alterações cognitvas, distúrbios psicomotores, do humor, com
queda no de atenção, concentração e vigilância. Aumenta o tempo para reagir aos estímulos. A fadiga e o estresse
acumulados contribuem para o quadro. Fatores adicionais como relacionamento conflituoso com colegas,
responsabilidades administrativas adicionais, como chefia de plantão ou condições de trabalho com poucos recursos
materiais e humanos, além de problemas pessoais e financeiros, associam-se para acentuar a fadiga e o estresse.
Maior incidência de depressão é encontrada. A vulnerabilidade ao sono é mais presente de 2 a 7h da manhã e no meio
da tarde, sendo maior a probabilidade de erros nesse período. Além dos problemas que podem afetar o paciente, o
próprio profissional sujeita-se a riscos como processos éticos e legais, acidentes com objetos perfurocortantes durante o
trabalho e automobilísticos pós-plantão.

Referência:
Nicolau D, Arnold III WP – Environmental Safety Including Chemical Dependency, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Kronish-Wiener JP, Young WL – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 3053-3073.
Braz JRC, Vane LA, Silva AE – Risco profissional do Anestesiologista em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB,
Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 69-76.

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PONTO 3 – Risco Profissional do Anestesiologista

27- No abuso e dependência de drogas entre anestesiologistas:

A) autoestima elevada e controle ao acesso às drogas favorecem o abuso


B) álcool, cocaína e maconha são as drogas mais utilizadas
C) o tempo de detecção do abuso é inversamente proporcional à potência da droga
D) afastamento das atividades profissionais é opcional e pode ser parcial
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
O abuso de álcool e de drogas como benzodiazepínicos e principalmente opióides são mais comuns entre os médicos
que o uso de drogas ilícitas. Baixa autoestima, estresse, ansiedade e facilidade de obtenção contribuem para o uso de
drogas. Um controle rígido ao acesso dificulta o uso. Em situação de dependência de drogas o anestesiologista deve
ser afastado totalmente de suas atividades encaminhado para tratamento com retorno lento, gradual com
acompanhamento. O tempo de detecção do abuso de drogas é inversamente proporcional a potência da substância
utilizada. Quanto mais potente a droga menos tempo para detectar a drogadição. O uso de sufentanil é geralmente
detectado (1-6meses) mais rápido que do Fentanil (6-12meses), que do abuso de Álcool (pode levar anos).

Referência:
Nicolau D, Arnold III WP – Environmental Safety Including Chemical Dependenc, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Kronish-Wiener JP, Young WL – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010;3053-3073.
Braz JRC, Vane LA, Silva AE – Risco profissional do Anestesiologista, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB,
Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 69-76.

Ponto 20 - Metodologia Científica

28- Teste destinado a comparar uma variável intervalar de distribuição normal entre dois grupos independentes:

A) t de Student
B) qui-quadrado
C) Mann-Whitney
D) regressão linear
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Variáveis intervalares de distribuição normal devem ser comparadas, entre grupos independentes, pelo teste t de
Student. O teste do qui quadrado testa a associação entre duas variáveis categóricas. O teste de Mann-Whitney
compara grupos independentes quanto a variáveis ordinais (não paramétricas). O teste de Kolmogorov-Smirnoff é
utilizado para testar a normalidade da distribuição de uma amostra. A regressão linear testa a associação de variáveis
normalmente distribuidas em um grupo, série ou coorte.

Referência:
Rosenbaum SH - Statistical methods in anesthesia, em: Miller RD - Miller’s Anesthesia,7th ed, Philadelphia, Churchill
Livingstone Elsevier, 2010: 3075-3084. Pace NL - Experimental design and statistic, em: Barash PG, Cullen BF,
Stoelting RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins,
2009:192-205.

Ponto 20 - Metodologia Científica

29- Ao se estudarem os fatores de risco para a ocorrência de arritmias cardíacas no período transoperatório e
estabelecer um nexo causal entre fator e desfecho, considera-se o delineamento de estudo mais apropriado:

A) caso-controle
B) coorte prospectivo
C) série de casos
D) estudo transversal
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade – Média

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Comentário:
Nos estudos de coorte, um grupo de pessoas exposto aos fatores de risco é acompanhado por determinado tempo. Um
aspecto importante do estudo de coorte é a sequência temporal que fortalece a inferência do fator causal sobre o
desfecho. Os demais tipos de estudos apresentados são menos eficientes que o coorte para estabelecimento de nexo
causal.

Referência:
Pace, NL – Experimental Design and Statistics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia. 6th Ed, Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 192-205.

Ponto 17- Bloqueio Subaracnóideo e Peridural

30- A meningite asséptica relacionada à raquianestesia:

A) inicia-se após 72 horas da punção


B) apresenta-se com baixa concentração de glicose no líquido cefalorraquidiano
C) pode ser causada por proteínas introduzidas na punção
D) apresenta-se com baixa concentração de proteínas no líquido cefalorraquidiano
E) não sei

Resposta C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Quando relacionada a anestesia subaracnóidea, a meningite asséptica tem início dentro de 24h após punção, com
curso benigno e autolimitado (duração de até 1 semana). Pode ser ocasionada por contaminação com detergente,
antisséptico, presença de sangue e proteínas introduzidas no espaço subaracnóideo pela punção e conservantes. O
liquor apresenta-se turvo, com polimorfonucleares, proteínas elevadas, mas com glicose normal.

Referência:
Ganem EM – Complicações Neurológicas determinadas pela Anestesia, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB,
Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 2025-2032.
Bittner EA, Grecu L, Geroge E – Postoperative Complications, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM -
Anesthesiology, New York, Mc Graw Hill Medical, 2008; 1700-1715.

PONTO 14 – Farmacologia dos Anestésicos Locais

31- Na farmacocinética dos anestésicos locais:

A) agentes mais lipossolúveis apresentam níveis plasmáticos menores


B) a taxa de absorção sistêmica depende da concentração
C) uso de vasoconstritores aumenta a taxa de absorção
D) os aminoesteres apresentam maior absorção no hepatopata
E) não sei

Resposta A
Nível de Dificuldade – Fácil

Comentário:
A Absorção sistêmica de anestésicos locais depende do local de injeção, da dose, de propriedades intrínsecas da droga
e da adição de vasoconstritores. Não depende da concentração da solução e da velocidade de injeção. Anestésicos
mais potentes com maior lipossolubilidade atingem níveis plasmáticos menores. Anestésicos Locais tipo Aminoesteres
são hidrolizados por colinesterases plasmáticas, e não dependem de metabolização hepática.

Referência:
Liu SS, Lin Y – Local Anesthesics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia,
2009; 531-548.
Pereira RIC – Farmacologia dos Anestésicos Locais, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado
de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 1141-1148.

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PONTO 14 – Farmacologia dos Anestésicos Locais

32- Na toxicidade sistêmica dos anestésicos locais:

A) convulsões diminuem a depuração dos anestésicos


B) diminuição da PaCO2 potencializa a neurotoxicidade
C) barbitúricos diminuem o limiar convulsivante
D) agentes menos lipossolúveis são mais cardiotóxicos
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
O Nível de toxicidade é dose-dependente. Durante a convulsão há uma diminuição na eliminação dos anestésicos locais
com redução da depuração e aumento no t1/2β. No coração os anestésico locais agem no sistema de condução e
deprimem o miocádio No tratamento mantém-se a oxigenação e ventilação, evitando-se acidose, hipercarbia e hipóxia
que aumentam a toxicidade. Tratamento farmacológico para cessar a convulsão pode ser necessário, principalmente
houver dificuldade de manter ventilação. Pode-se usar Tiopental ou Midazolam drogas que elevam o limiar
convulsivante. Agentes mais potente e portanto mais lipossolúveis como a bupivacaína são mais cardiotóxicos.

Referência:
Liu SS, Lin Y – Local Anesthesics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia,
2009; 531-548.
Pereira RIC – Farmacologia dos Anestésicos Locais, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado
de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 1141-1148.

PONTO 17 – Bloqueios Subaracnóideo e Peridural

33- Nos bloqueios do neuroeixo realizados em adultos saudáveis:

A) o volume corrente diminui com bloqueio ao nível de T4


B) náuseas e vômitos ocorrem com o aumento da peristalse
C) há diminuição na filtração glomerular com bloqueio acima de T10
D) débito cardíaco diminui devido ao aumento da pós-carga
E) não sei

Resposta B
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Em adultos saudáveis o volume corrente não se altera e há uma pequena diminuição na capacidade vital em bloqueios
espinhais extensos. Náuseas e vômitos podem ocorrer na vigência de hipotensão, mas podem ter origem num aumento
da peristalse devido ao bloqueio simpático com predomínio do parassimpático. Nesses casos o tratamento é com
atropina. O fluxo sanguíneo renal quase não se altera e portanto o bloqueio do neuroeixo causa mínima alteração da
função renal. Com o bloqueio simpático ocorre uma diminuição da Pós-carga.

Referência:
Brown DL – Spinal, Epidural and Caudal Anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-Wiener JP, Young
WL – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010;
Cangiani LM, Lutti MN, Cangiani LH, Esteves LO – Anestesia Subaracnóidea, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB,
Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;1163-1192.
Côrtes CAF, Sanchez CA, Oliveira AS – Anestesia Peridural, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS –
Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 1193-1215.

Ponto 25 – Bloqueios Periféricos

34- Nervo a ser bloqueado para produzir anestesia na pele da região entre o primeiro e segundo pododáctilos:

A) fibular profundo
B) tibial
C) safeno
D) fibular superficial
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade – Fácil

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


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Comentário:
No pé, o bloqueio do nervo tibial produz perda da sensibilidade na região plantar, o bloqueio do nervo sural produz
perda da sensibilidade na região lateral, o bloqueio do nervo safeno produz perda da sensibilidade na região medial, o
bloqueio do nervo fibular superficial produz perda da sensibilidade na região dorsal e o bloqueio do nervo fibular
profundo produz perda da sensibilidade na região entre o primeiro e segundo pododáctilos.

Referência:
Wedel DJ, Horlocker TT – Peripheral Nerve Blocks, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF et al – Anesthesiology,
McGraw Hill Medical, 2008;1025-1052.
Wedel DJ, Horlocker TT – Nerve blocks, em Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s
Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1639–1674.

Ponto 25 - Bloqueios Periféricos

35- O tronco superior do plexo braquial é formado por raízes de:

A) C3-C4
B) C5-C6
C) C7
D) C8-T1
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: FÁCIL

Comentário:
O tronco superior é formado por C5-C6, o médio C7 e o inferior de C8-T1.

Referência:
Wedel DJ, Horlocker TT – Nerve blocks, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s
Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1639–1674.

Ponto 32 – Anestesia Em Ortopedia

36- Em cirurgias na coluna vertebral:

A) a succinilcolina é contra-indicada até 48 horas após trauma raquimedular


B) potenciais evocados somato-sensitivos monitoram os territórios supridos pela artéria espinhal anterior
C) pode ocorrer neuropatia isquêmica do nervo óptico quando realizadas em decúbito ventral
D) há risco de embolia aérea laminectomias porque o campo cirúrgico está abaixo do nível cardíaco
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
A administração de succinilcolina é considerada segura dentro das primeiras 48h após trauma raquimedular. Os
Potenciais Evocados Somato-sensitivos (PESS) apenas monitoram as vias sensitivas, supridas pela artéria espinhal
posterior. Dados da literatura confirmam que a neuropatia isquêmica do nervo óptico é a causa mais comum de perda
da visão após cirurgia de coluna em posição de decúbito ventral. Há risco de embolia aérea em laminectomias deve-se
ao fato do campo operatório estar acima do nível do coração.

Referência:
Wedel DJ, Horlocker TT – Anesthesia for Orthopaedic Sugery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK,
Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1375-1392

Ponto 32 – Anestesia em Ortopedia

37- É sinal maior da síndrome da embolia gordurosa:

A) hipertermia
B) convulsão
C) presença de êmbolos gordurosos na retina
D) hipoxemia
E) não sei

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


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Resposta: D
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
São sinais maiores de síndrome de embolia gordurosa: gênero masculino, idade entre 20 e 30 anos, choque
hipovolêmico, instrumentação medular e artrite reumatóide. Os sinais maiores compreendem: hipoxemia, presença de
petéquias na região axilar e/ou subconjuntival e depressão do sistema nervoso central. Os sinais menores incluem:
hipertermia, taquicardia e presença de êmbolos gordurosos na retina.

Referência:
Wedel DJ, Horlocker TT – Anesthesia for Orthopaedic Sugery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK,
Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1375-1392.

PONTO 7 – Equipamentos

38- Na oximetria de pulso:

A) a presença de hemoglobina fetal interfere na leitura


B) a medida de dois comprimentos de ondas permite identificar a carboxihemoglobina
C) a presença de icterícia subestima a SpO2 em aparelhos que analisam vários comprimentos de onda
D) a presença carboxihemoglobina subestima a SpO2
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Difícil

Comentário:
A Hemoglobina Fetal não interfere na leitura do oxímetro de pulso. Os aparelhos mais recentes que analisam vários
comprimentos de onda permitem fazer leitura da taxa Hemoglobina, Carboxihemoglobina e Metemoglobina, além de
recursos que diminuem a interferência da movimentação do paciente e melhoram a leitura mesmo em situações de
baixa perfusão periférica. Os oxímetros de pulso tradicionais analisam apenas dois comprimentos de onda que
permitem leitura da HbO2 e Hb reduzida, calculando a SpO2. A Carboxihemoglobina superestima a fração de
hemoglobina dispo para transporte de O2. A icterícia não interfere na oxímetria de pulso tradicional, no entanto em
aparelhos que analisam múltiplos comprimentos de onda pode diminuir SpO2 e elevar discretamente COHb e MetHb.

Referência:
Eskaros SM, Papadakos PJ, Lachmann B – Respiratory Monitoring, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-
Wiener JP, Young WL - Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1411-1441.
Greenberg SB, Murphy GS, Vender JS – Standard Monitoring Techniques, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 697-714.

PONTO 7 - Equipamentos

39- Na monitorização do CO2 expirado:

A) o gradiente PaCO2 – PETCO2 diminui com aumento do tempo expiratório


B) durante manobra de ressuscitação cardiopulmonar uma PETCO2 = 20mmHg indica inadequação da circulação
C) a diminuição da relação ventilação-perfusão resulta em aumento do gradiente PaCO2 – PETCO2
D) a PETCO2 está elevada na tireotoxicose
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Vários fatores podem interferir na acurácia da monitorização da PETCO2, incluindo alterações nos parâmetros
ventilatórios, como aumento do tempo expiratória durante ventilação mecânica, levando a um aumento no gradiente
PaCO2-PETCO2, que normalmente alcança 5-10mmHg. A identificação de CO2 no gás expirado durante Ressuscitação
Cardiopulmonar indica quanto ao retorno da circulação. A perfusão na ausência de ventilação(shunt), não afeta
significativamente o gradiente PaCO2-PETCO2. A hipertemia, tireotoxicose e sepsis elevam a ETCO2 por um aumento
na produção de CO2.

Referência:
Greenberg SB, Murphy GS, Vender JS – Standard Monitoring Techniques, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 697-714.

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

Eskaros SM, Papadakos PJ, Lachmann B – Respiratory Monitoring, em: Miller RD Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-
Wiener JP, Young WL, – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1411-1441.

Ponto 7 - Equipamentos

40- Na Monitorização da profundidade anestésica:

A) o valor desejado do índice bi-espectral (BIS) durante anestesia geral varia entre 50-70
B) o uso de bloqueador neuromuscular diminui o valor do BIS
C) a monitorização do componente hipnótico da anestesia com o BIS garante a ausência de despertar
D) há estreita correlação entre EEG convencional e os sinais clínicos da anestesia
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade – Difícil

Comentário:
O valor numérico do Bis desejado durante uma anestesia geral e compatível com hipnose adequada deve estar entre
40-60. A Monitorização com BIS diminui a incidência de despertar, mas como todo monitor é sujeito a falhas e nunca
deve ser usado como medida isolada, devendo-se integrar os dados clínicos e outros com SEF e Taxa de Supressão na
análise dos casos. O EEG é um contínuo, responsivo, não invasivo monitor da função cerebral mesmo com paciente
inconsciente e não responsivo. Contudo o EEG não é um significativo monitor da profundidade anestésica havendo
discrepância entre os sinais clínicos de avaliação encontrados e padrões de EEG correspondentes, principalmente na
indução e emergência da anestesia. As alterações nos padrões de EEG não são estritamente relacionadas com as
alterações da profundidade anestésica induzidas pelo manuseio de drogas. É sabido de longa data que flutuações na
tensão muscular e nos estímulos tônicos oriundos dos fusos neuromusculares contribuem para a estimulação do
sistema nervoso central. Múltiplos estudos têm demonstrado que os rrelaxantes musculares parecem aprofundar a
anestesia. Messner e colaboradores administraram succinilcolina a voluntários acordados e observaram redulções do
valor do BIS a 33. Eknam e colaboradores também demonstraram que a resposta do BIS a estímulos n[óxicos aplicados
aos pacientes é afetada pelo grau de bloqueio neuromuscular.
Referência:
Gelb AW, Leslie K, Stanski DR, Shafer SL – Monitoring the Depth of Anesthesia, em; Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Kronish-Wiener JP, Young WL, – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1229-1265.

Ponto 21 – Monitorização

41- A redução da amplitude da pressão de pulso durante a fase inspiratória do ciclo respiratório do paciente em
ventilação mecânica pode ser usada para diagnosticar:

A) redução da resistência vascular periférica


B) aumento da resistência vascular pulmonar
C) hipovolemia
D) insuficiência cardíaca
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
A variação da pressão de pulso em pacientes sedados sob ventilação mecânica constitui um método auxiliar no
manuseio da reposição volêmica, pois reduções da pressão de pulso maiores que 10 mmHg durante a fase inspiratória
do ciclo respiratório indicam hipovolemia. A variação da pressão de pulso não é um parâmetro útil para o diagnóstico de
hipoxemia, alterações da resistência vascular periférica ou da resistência vascular pulmonar.

Referência:
Greenberg SB, Murphy GS, Vender JS – Standard Monitoring Techniques, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 697-714.

Ponto 21 – Monitorização

42- Reduz a PETCO2:

A) calafrios
B) infusão de bicarbonato de sódio
C) febre
D) aumento do espaço morto fisiológico

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Condições que aumentem a ventilação de áreas não perfundidas, tais como a embolia pulmonar, resultando em
aumento do espaço morto fisiológico, diminuem os valores da PETCO2. Desclampeamento aórtico, infusão de
bicarbonato de sódio e condições que aumentem o metabolismo (calafrios e febre) promovem aumento transitório da
PETCO2. O aumento do débito cardíaco não altera ou aumenta a PETCO2 dependendo do estado hemodinâmico
prévio(ex. parada cardíaca).

Referência:
Greenberg SB, Murphy GS, Vender JS – Standard Monitoring Techniques, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 697-714.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

43- A barreira hematoencefálica permite o fluxo transcapilar de:

A) gás carbônico
B) sódio
C) potássio
D) glicose
E) não sei

Resposta: A

Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A barreira hematoencefálica é conseqüência da estrutura histológica dos capilares encefálicos, que apresentam poros
com diâmetro médio de 8Å, junções intercelulares fechadas e presença de astrócitos. A barreira hematoencefálica
impede o fluxo livre entre o parênquima cerebral e os capilares de íons (Na+, K+, Ca++, Mg++); de moléculas polares
(glicose, aminoácidos, manitol); e de macromoléculas (proteínas). A barreira não impede o fluxo de gases, anestésicos
voláteis, compostos lipossolúveis e água. A glicose é transportada para dentro do parênquima cerebral por transporte
facilitado (sem gasto de energia) e outras substâncias requerem transporte ativo.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Cerebral physiology and the effects of anesthetic drugs, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 305-339.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

44- Pode ser utilizado para ativar convulsões durante eletroencefalografia intraoperatória em cirurgias para
tratamento de epilepsia:

A) propofol
B) etomidato
C) isoflurano
D) tiopental
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Durante eletroencefalografia transoperatória em cirurgia para tratamento de epilepsia, a administração de pequenas
doses de etomidato (0,1 mg.kg-1) causa a ativação seletiva de focos quiescentes, enquanto doses maiores, podem levar
a convulsão generalizada. O propofol, o tiopental e o midazolam abolem a atividade elétrica de focos epilépticos.
Embora raros casos de convulsão tenham sido relatados durante e após a administração de isoflurano, sua ação sobre
focos epilépticos é depressora, podendo ser utilizado para o controle de estado de mal epiléptico.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Cerebral physiology and the effects of anesthetic drugs, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 305-339.

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White PF, Eng MR – Intravenous anesthetics, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 444-464.
Kincaid MS, Lam AM – Anesthesia for neurosurgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1005-1031.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

45- Paciente vítima de hemorragia subaracnóidea apresenta-se sonolento, confuso e com paresia em um
membro superior. Sua classe na classificação de Hunt e Hess do estado neurológico após hemorragia
subaracnóidea é:

A) I
B) II
C) III
D) IV
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A classificação de Hunt e Hess do estado neurológico após hemorragia subaracnóidea possui 5 classes:
I – assintomático, ou com cefaléia mínima e leve rigidez nucal;
II – cefaléia moderada a forte, rigidez nucal e sem déficits outros que paralisia de nervos cranianos;
III – sonolência, confusão ou déficits focais leves;
IV – estupor, hemiparesia moderada a grave, rigidez de descerebração precoce e distúrbios vegetativos;
V – coma profundo, rigidez de descerebração, aparência moribunda.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Cerebral physiology and the effects of anesthetic drugs, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 305-339.
Todd M, Warner DS, Maktabi MA et al - Neuroanesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1081 – 1139.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

46- Aumenta a pressão intracraniana:

A) óxido nitroso
B) lidocaína
C) dexmedetomidina
D) etomidato
E) não sei

Resposta: A

Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A lidocaína, o midazolam, a dexmedetomidina e o etomidato diminuem a taxa de consumo de oxigênio do cérebro, o
fluxo sanguíneo cerebral e a pressão intracraniana. O óxido nitroso aumenta a taxa de consumo de oxigênio do cérebro
e o fluxo sanguíneo cerebral. Por isto, aumenta a pressão intracraniana. Estes efeitos devem-se, pelo menos
parcialmente, à estimulação adrenérgica induzida pelo fármaco.

Referência:
Todd M, Warner DS, Maktabi MA et al - Neuroanesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1081 – 1139.
Patel PM, Drummond JC – Cerebral physiology and the effects of anesthetic drugs, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 305-339.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

47- Pode causar aumento da pressão intracraniana em pacientes neurocirúrgicos após administração de
atracúrio em doses clínicas para facilitar a intubação traqueal:

A) laudanosina

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B) glutamato
C) histamina
D) acrilato
E) não sei

Resposta: C

Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Reduções significativas da pressão de perfusão cerebral têm sido observadas em pacientes que receberam
bloqueadores neuromusculares que causam liberação de histamina, como a d-tubocurarina e o atracúrio em doses
altas, como as necessárias para facilitar a intubação traqueal, ou em doses menores administradas rapidamente. Estes
fármacos devem ser evitados em pacientes com hipertensão intracraniana porque a histamina liberada durante a
administração do fármaco reduz a pressão arterial média, por vasodilatação direta e aumenta a pressão intracraniana,
por vasodilatação de vasos intracerebrais reduzindo, desta forma, a pressão de perfusão cerebral. O cisatracúrio não
apresenta este efeito porque libera quantidades muito menores de histamina do que o atracúrio.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Cerebral physiology and the effects of anesthetic drugs, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher
LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 305-339.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

48- Técnica anestésica adequada para manutenção da anestesia em cirurgia de escoliose com monitorização de
potenciais evocados motores:

A) Ar/O2/midazolam/alfentanil
B) N2O/O2/sevoflurano/alfentanil
C) Ar/O2/isoflurano/remifentanil
D) N2O/O2/propofol/remifentanil
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Os potenciais evocados motores são muito sensíveis aos efeitos depressores dos anestésicos inalatórios, incluindo o
N2O. Estes devem ser evitados. Os opióides e os benzodiazepínicos têm efeitos negligenciáveis sobre as respostas aos
potenciais evocados e são as drogas de escolha. O propofol e o tiopental, embora atenuem as respostas, não as
bloqueiam e podem ser utilizados.

Referência:
Kincaid MS, Lam AM – Anesthesia for neurosurgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1005-1031. pp1011-1012
Keifer JC, Borel CO – Intraoperative neurologic monitoring, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 598-618.

Ponto 43 – Anestesia para Neurocirurgia

49- Situação caracterizada por elevada saturação de oxigênio venosa do sangue do bulbo da veia jugular
interna (SvjO2):

A) hiperventilação
B) hipertensão intracraniana
C) baixa pressão de perfusão cerebral
D) hiperemia cerebral
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
A saturação venosa de oxigênio do sangue do bulbo da veia jugular interna (SvjO2) é um indicador da taxa de extração
de oxigênio global do cérebro. Em indivíduos normais, em repouso, os valores estão entre 55 e 75%. Valores abaixo de
50% por mais de 5 minutos caracterizam a “dessaturação jugular” e ocorre em situações de hiperventilação, hipertensão
intracraniana, redução da pressão de perfusão cerebral e em isquemia focal ou generalizada do cérebro. A hiperemia

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cerebral, que pode ocorrer durante cirurgias para tratamento de malformações arteriovenosas ou em endarterectomia
de carótida, caracteriza-se por alta SVjO2 acompanhada de hipertensão intracraniana.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Neurosurgical anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young
WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2045-2087.
Kincaid MS, Lam AM – Anesthesia for neurosurgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1005-1031.

Ponto 47 - Anestesia em Pediatria

50- Sinal precoce de bloqueio subaracnóideo total no recém-nascido:

A) aumento da frequência cardíaca


B) redução da saturação periférica de oxigênio
C) diminuição do tônus do esfíncter anal
D) perda de movimento em membros inferiores
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
O recém-nascido, por imaturidade do sistema nervoso, não possui tônus autonômico. Por esta razão não desenvolve
hipotensão arterial quando submetido a bloqueio subaracnóideo. Bloqueios subaracnóideos altos manifestam-se por
insuficiência respiratória e dessaturação da oxi-hemoglobina. Perda de movimento de membros inferiores e
relaxamendo do esfíncter anal são sinais de bloqueio de raízes lombares e sacrais.

Referência:
Hall S, Suresh S – Neonatal anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1171-1205.

Ponto 46 – Anestesia em Geriatria

51- É menor no cérebro de um indivíduo hígido de 80 anos em comparação a um de 40 anos:

A) autorregulação do fluxo sanguíneo


B) funcionamento da barreira hematoencefálica
C) consumo de oxigênio
D) concentração de serotonina
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O cérebro do indivíduo idoso caracteriza-se por menor massa tecidual, especialmente de substância branca e por
redução dos níveis de neurotransmissores, como dopamina, acetilcolina e serotonina. A autorregulação do fluxo
sanguíneo cerebral, o funcionamento da barreira hematoencefálica, a taxa de consumo de oxigênio e a resposta
vasoconstritora à hipocapnia permanecem inalteradas.

Referência:
Rooke GA – Anesthesia for the older patient, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;876-888.
Sieber FE, Pauldine R – Geriatric anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL -
Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2261-2276.

Ponto 46 – Anestesia em Geriatria

52- É maior em um indivíduo hígido de 80 anos em comparação a um de 40 anos:

A) responsividade do receptores muscarínicos


B) níveis plasmáticos de noradrenalina
C) responsividade dos receptores adrenérgicos beta
D) responsividade dos receptores adrenérgicos alfa
E) não sei

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Resposta: B
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
As principais alterações do sistema nervoso autônomo do paciente idoso são a atrofia das glândulas adrenais, dos
neurônios das vias simpatoadrenais e a diminuição da responsividade dos receptores adrenérgicos beta. Os níveis
plasmáticos de noradrenalina são 2 a 3 vezes maiores em um indivíduo idoso do que no jovem, em repouso, durante o
sono e durante o exercício.

Referência:
Rooke GA – Anesthesia for the older patient, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;876-888.
Sieber FE, Pauldine R – Geriatric anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL -
Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2261-2276.

Ponto 29 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Urinário

53- Determinante da pressão de filtração glomerular:

A) pressão venosa central


B) pressão capilar glomerular
C) constante de ultrafiltração
D) permeabilidade capilar glomerular
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Os dois maiores determinantes da pressão de filtração glomerular são pressão capilar glomerular (Pgc) e pressão
oncótica glomerular. A Pgc é diretamente relacionada à pressão da artéria renal e é influenciada pelo tônus das
arteríolas aferente e eferente.

Referência:
Stafford-Smith M, Shaw A, George R and Muir H –The Renal System and Anesthesia for Urologic Surgery em: Barash
PG, Cullen BF, Stoelting RK et al – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1346-
1374.

Ponto 29 - Fisiologia e Farmacologia do Sistema Urinário

54- Em pacientes com insuficiência renal crônica terminal comparados a pacientes com função renal normal:

A) o volume de distribuição do rocurônio está diminuído


B) o clearance plasmático do vecurônio está diminuído
C) a dose do vecurônio para intubação deve ser reduzida
D) a duração de ação do rocurônio aumenta
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Em pacientes com insuficiência renal crônica terminal, o rocurônio tem o volume de distribuição e a meia-vida de
eliminação aumentados, sem redução no clearance nem prolongamento significativo da duração do
blqeioneuromuscular e do retorno à ventilação espontânea. O vecurônio apresenta redução do clearance plasmático e
aumento da meia-vida de eliminação, aumentando a duração de ação da dose de intubação em 50%. A fração livre do
tiopental está aumentada.

Referência:
Stafford-Smith M, Shaw A, George R and Muir H –The Renal System and Anesthesia for Urologic Surgery em: Barash
PG, Cullen BF, Stoelting RK et al – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1346-
1374.
Naguib M, Lien CA – Pharmacology of muscle relaxants and their antagonists, in Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 859 – 911 pp898

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Ponto 30 – Anestesia em Urologia

55- Na ressecção transuretral de próstata:

A) a incidência de isquemia miocárdica é mais frequente durante a anestesia geral


B) Na+ sérico entre 120 e 135 mEq.L-1 deve ser tratado com restrição de fluidos e diuréticos de alça
C) Na+ sérico abaixo de 120 mEq.L-1 deve ser tratado com infusão de NaCl a 3% à velocidade de 300mL.h-1
D) a infusão de NaCl a 3% deve ser interrompida quando o Na+ sérico atingir 135 mEq.L-1
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A incidência de isquemia miocárdica perioperatória em RTU não está relacionada à escolha da anestesia. Sangramento
anormal ocorre em menos de 1% dos procedimentos. Sintomas leves de hiponatremia (Na+ sérico maior que 120mEq.L-
1
) devem ser tratados com restrição de fluidos e diuréticos de alça. Sintomas graves de hiponatremia (Na+ sérico menor
que 120mEq.L-1) devem ser tratados com infusão de NaCl a 3% a velocidade de infusão menor que 100mL.h-1. A
infusão de NaCl a 3% deve ser interrompida quando o Na+ sérico maior que 120 mEq.L-1.

Referência:
Stafford-Smith M, Shaw A, George R and Muir H –The Renal System and Anesthesia for Urologic Surgery em: Barash
PG, Cullen BF, Stoelting RK et al – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins 2009; 1346-
1374.

Ponto 29 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Urinário

56- Relação correta diurético - local de ação:

A) furosemida – túbulo contornado distal


B) espironolactona – alça de Henle
C) amilorida – túbulo proximal
D) hidroclorotiazida- túbulo contornado distal
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Os diuréticos que atuam no túbulo proximal são inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida) e os diuréticos
osmóticos (manitol). A furosemida atua na alça de Henle. Amilorida, triantereno e espironolactona atuam nos ductos
coletores. Os diuréticos tiazídicos (ex: hidroclorotiazida) atuam no túbulo contornado distal.

Referência:
Stafford-Smith M, Shaw A, George R et al – The renal system and anesthesia for urologic surgery. em: Barash PG,
Cullen BF, Stoelting RK, et al – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelpha, Lippincott Williams & Wilkins, 2009, 1346-
1374

Ponto 36 - Anestesia Ambulatorial

57- Associa-se a maior prevalência de internação não programada em pacientes submetidos a cirurgias
realizadas em regime ambulatorial:

A) náuseas/vômitos
B) sangramento
C) dor
D) retenção urinária
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Náuseas e ou vômitos, além de serem os efeitos adversos mais freqüentes na sala de recuperação pós-anestésica, são
também a causa mais comum de prolongamento do período de observação e de internações não programadas de
pacientes submetidos a cirurgias realizadas em regime ambulatorial.

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Referência:
Lichtor J L – Ambulatory Anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK RK, Cahalan MK, Stock MC – Clinical
Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;832-846.

Ponto 35 – Anestesia para Oftalmologia

58- A pressão intra-ocular:

A) é considerada elevada quando acima de 15 mmHg


B) é mais afetada por alterações da pressão venosa do que da pressão arterial
C) aumenta na hipotermia
D) permanece inalterada durante laringoscopia precedida de anestesia tópica da laringe
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
PIO acima de 22 mmHg é considerada aumentada. É mais afetada por alterações da pressão venosa do que da
pressão arterial. A anestesia tópica da laringe atenua as respostas sistêmicas associadas à laringoscopia, mas não
previne o conseqüente aumento da PIO. A hipotermia diminui a PIO porque mesmo aumentando a viscosidade do
humor aquoso diminui sua formação.

Referência:
McGdrick KE, Gayer SI – Anesthesia for Ophthalmologic Surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al- Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1321-1345.

Ponto 35 - Anestesia para Oftalmologia

59- Durante anestesia geral para reoperação de cirurgia para fixação de retina, há menos de dez dias, com
injeção intravítrea de hexafluoreto de enxofre (SF6) deve-se evitar:

A) propofol
B) isoflurano
C) óxido nitroso
D) manitol
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Estes pacientes devem ser manuseados da mesma maneira que os que se submetem a cirurgia intraocular. No entanto,
o óxido nitroso deve ser evitado em pacientes que necessitem de anestesia geral num período de 3 a 4 semanas após a
injeção de gases intravítreos. O hexafluoreto de enxofre (SF6) é um gas inerte, insolúvel na água, pouco difusível,
utilizado para manter a retina posicionada após sua fixação cirúrgica. O SF6 permanece na cavidade vítrea por até 10
dias. O óxido nitroso é 117 vezes mais difusível que o SF6 e rapidamente entra na bolha de gás, expandindo-a em até 3
vezes, o que aumenta a pressão intraocular e pode causar isquemia de retina.

Referência:
McGoldrick KE, Gayer S – Anesthesia for Ophthalmologic Surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical
Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, 2009; 1321 – 1345.

Ponto 49- Anestesia para Procedimentos Fora do Centro Cirúrgico

60- Paciente submetido colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. A medicação pré-anestésica constou


de atropina. A anestesia foi induzida com alfentanil e propofol. Atracúrio foi utilizado para facilitar a intubação
traqueal e a anestesia foi mantida com sevoflurano. A manometria do esfíncter de Oddi mostrou aumento da
pressão do esfíncter. Dentre os fármacos utilizados, assinale o que pode ter sido responsável por este achado:

A) propofol
B) alfentanil
C) atropina
D) atracúrio
E) não sei

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Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Fármacos que aumentam a pressão do esfíncter de Oddi devem ser evitados em anestesia para
colangiopancreatografia retrógada endoscópica. Estes incluem os opióides, especialmente a morfina, fentanil e
alfentanil. Glucagon, atropina, glicopirrolato, nitroglicerina e hioscinamina diminuem a pressão no esfíncter de Oddi. O
naloxone reverte o espasmo do esfíncter induzido por opióides. A meperidina aumenta a pressão nas vias biliares, mas
reduz a freqüência das contrações do esfíncter de Oddi. Os bloqueadores neuromusculares e os anestésicos inalatórios
não aumentam a pressão no esfíncter de Oddi.

Referência:
Souter K – Anesthesia provided at alternative sites, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 861–875.
Slodzinski M, Merrit WT - Anesthesia for gastrointestinal surgery, em Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol
WM – Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1314 – 1337.

Ponto 49 - Anestesia para Procedimentos fora do Centro Cirúrgico

61- Efeito da eletroconvulsoterapia prevenido pela administração de succinilcolina:

A) bradicardia
B) hipotensão arterial
C) sialorréia
D) fraturas
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A eletroconvulsoterapia provoca bradicardia e hipotensão, seguidas de taquicardia e hipertensão. A estimulação
parassimpática causa sialorréia, que pode ser prevenida pela administração prévia de atropina. Os efeitos
musculoesqueléticos incluem mialgias e fraturas, decorrentes das contrações tônico-clônicas desencadeadas pela
aplicação da corrente elétrica no cérebro. A succinilcolina é administrada durante estes procedimentos para evitar a
ocorrência de fraturas, mas pode produzir mialgias pelas fasciculações musculares que precedem seu efeito. A
administração de cetorolaco está indicada para prevenir ou atenuar a mialgia que se segue à eletroconvulsoterapia.

Referência
Souter K – Anesthesia provided at alternative sites, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK, Stock MC –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 861–875.

Ponto 33 - Anestesia para Cirurgia Abdominal

62- No obeso mórbido observa-se a seguinte alteração:

A) redução do consumo de oxigênio


B) aumento da complacência pulmonar total
C) aumento da capacidade residual funcional
D) aumento do trabalho respiratório
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Na obesidade ocorre aumento da demanda metabólica ocasionando aumento do consumo de oxigênio e da produção
de gás carbônico. O aumento do Índice de Massa Corpórea (IMC) está associado a um declínio exponencial da
complacência pulmonar total. Ocorre aumento do trabalho respiratório decorrente da ineficiência da musculatura
respiratória e da redução das complacências pulmonar e torácica. A obesidade está associada à redução da capacidade
residual funcional e do volume de reserva expiratório.

Referência:
Simoni RF - Anestesia para Cirurgia Bariátrica. em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de
Anestesiologia SAESP. 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006: 1595-1614.

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Ogunnaike BO, Whitten CW – Anesthesia and Obesity, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK, Stock MC
- Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1230-1246.

Ponto 34 – Anestesia para Otorrinolaringologia

63- Contra-indicação para cirurgias otorrinolaringológicas em regime ambulatorial

A) síndrome da apnéia obstrutiva do sono


B) alergia aos antiinflamatórios não esteroidais
C) cirurgia otorrinolaringológica prévia
D) déficit auditivo grave
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A síndrome da apnéia obstrutiva do sono pode levar a complicações como hipertensão pulmonar, disfunção ventricular
direita, hipoxemia e arritmias. Pacientes portadores desta síndrome são muito sensíveis a fármacos sedativos e
analgésicos opióides. Assim, exigem cuidados especiais no pós-operatório, descartando a possibilidade de serem
submetidos a cirurgias em caráter ambulatorial. Alergias, cirurgias prévias e déficit auditivo não contra-indicam
procedimentos ambulatoriais.

Referência:
Ragan B - Anesthesia for Otorhinolaryingolic (Ear, Nose, and Throat) Surgery, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman
MF et al – Anesthesiology, 1st Ed, New York, McGraw Hill, 2008; 1588-1607.

Ponto 33 - Anestesia para Cirurgia Abdominal

64- Aumento súbito da PETCO2, seguido de redução abrupta, hipoxemia e hipotensão arterial, em
colecistectomia videolaparoscópica, sugere:

A) pneumotórax por CO2


B) intubação seletiva por mobilização da sonda traqueal
C) enfisema subcutâneo
D) embolia gasosa
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A embolia gasosa pelo CO2 insuflado é o mais temido e perigoso evento adverso relacionado à videolaparoscopia,
verificando-se resposta bifásica da EtCO2, com aumento rápido inicial seguido de redução abrupta, redução da PaCO2,
taquicardia, arritmias, aumento da pressão venosa central, alteração das bulhas cardíacas, hipoxemia, aumento do
espaço morto fisiológico e hipotensão arterial. Pneumotórax por CO2, enfisema subcutâneo, intubação seletiva por
mobilização da sonda traqueal e broncoespasmo cursam com aumento da EtCO2.

Referência:
Cunnigham AJ, Dowd N - Anesthesia for minimally Invasive Procedures, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK
Clinical Anesthesia. 5Th, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2005; 1062- 1063.

Ponto 33 - Anestesia para Cirurgia Abdominal

65- Em pacientes portadores de síndrome carcinóide:

A) deve-se suspeitar de liberação de serotonina quando há diminuição do inotropismo e do cronotropismo cardíacos


B) o quadro clínico inclui broncoconstrição, diarréia, hipotensão, rubor facial e de tronco superior
C) a confirmação diagnóstica é feita pela dosagem sérica de histamina.
D) a valva mitral é a mais frequentemente acometida
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


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A serotonina aumenta o inotropismo e cronotropismo cardíacos. O quadro clínico inclui broncoconstrição, diarréia,
hipotensão e comprometimento cardíaco e rubor facial e de tronco superior. No acometimento cardíaco, são
encontrados depósitos de material fibroso no endocárdio das câmaras direitas. A confirmação diagnóstica é feita pela
excreção urinária de 5-HIAA (ácido 5-hidroxi indol acético).

Referência:
Ogunnaike BO, Whitten CW – Gastrointestinal Disorders, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Cahalan MK, Stock
MC – Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1221-1229.

Ponto 33 – Anestesia para Cirurgia Abdominal

66- Durante cirurgia vídeo-laparoscópica com pneumoperitônio e posição de cefalodeclive ocorre:

A) aumento do débito urinário


B) diminuição do gradiente artério-alveolar de CO2
C) diminuição da relação artério-alveolar de oxigênio
D) diminuição da atividade da renina plasmática
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
O pneumoperitônio com CO2 determina diminuição de cerca de 50% do fluxo plasmático renal e da fração de filtração
glomerular e do débito urinário. Ocorre aumento da liberação de catecolaminas, de cortisol e de vasopressina. O
gradiente artério-alveolar de CO2 permanece inlterado. O pneumoperitônio causa atelectasias pulmonares, agravadas
pela posição de céfalo declive com conseqüente redução da relação artério-alveolar de oxigênio. O sistema renina-
angiotensina II é ativado contribuindo para o aumento da pós-carga cardíaca.

Referência:
Joris J _ Anesthesia for Laparoscopic Surgery, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL -
Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2185-2202

Ponto 37 – Anestesia e Sistema Endócrino

67- Aumenta no paciente portador de hipotireoidismo sintomático:

A) o volume da língua
B) a velocidade de esvaziamento gástrico
C) a resposta ventilatória ao CO2
D) o clearance da água livre
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
No paciente portador de hipotireoidismo sintomático, o volume da língua costuma aumentar, tanto pela própria doença,
quanto por amiloidose eventualmente associada. Esta alteração pode dificultar a intubação traqueal e deve ser
ativamente pesquisada durante a avaliação pré-anestésica. O esvaziamento gástrico, a resposta ventilatória ao CO2 e à
hipóxia, a freqüência cardíaca e o clearance de água livre estão diminuídos no hipotireoidismo, voltando a valores
normais após o início do tratamento com levotireoxina.

Referência:
Roizen MF, Fleisher LA – Anesthetic implications of concurrent diseases, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1067-1149.

Ponto 37 – Anestesia e Sistema Endócrino

68- Fármaco indicado para controlar taquicardia sinusal (FC=140 bpm) em paciente portador de hipertireoidismo
submetido a uma cirurgia de urgência:

A) lanatosídeo C
B) amiodarona
C) propiltiouracil
D) esmolol

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


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E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A taquicardia é uma das manifestações do hipertireoidismo não controlado. Idealmente, pacientes portadores de
distúrbios da função tireóidea devem ser submetidos a cirurgia em condição eutireóidea. Entretanto, em situações de
urgência, os betabloqueadores são as drogas de escolha para o controle da freqüência cardíaca no período
perioperatório. Se o paciente é portador de insuficiência cardíaca, a dose do betabloqueador deve ser diminuída e
fracionada. A amiodarona pode desencadear crise tireotóxica e deve ser evitada tanto em pacientes portadores de hipo
quanto de hipertireoidismo. Os digitálicos e a lidocaína não têm indicação para controle de taquicardia sinusal. O
propiltiouracil não é indicado para reduzir a freqüência cardíaca.

Referência:
Roizen MF, Fleisher LA – Anesthetic implications of concurrent diseases, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1067-1149.

Ponto 38 – Anestesia em Urgências e no Trauma

69- Em paciente submetido a uma transfusão perioperatória de grande volume (20 unidades) de concentrado de
hemácias, associa-se com menor probabilidade de morte:

A) relação PaO2/FiO2 menor que 150


B) temperatura menor que 34º C
C) pH menor que 7,0
D) potássio sérico menor que 6 mEq.L-1
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Em pacientes que necessitam de transfusão maciça de concentrado de hemácias, foram identificados os seguintes
fatores que se diferenciaram entre os que sobreviveram e os que morreram:
(1) necessidade de clampeamento aórtico para controlar a hemorragia
(2) uso de fármacos inotrópicos
(3) tempo com pressão arterial sistólica acima de 90 mmHg
(4) tempo na sala de operações
(5) temperatura menor que 34º C
(6) débito urinário
(7) pH menor que 7,0
(8) relação PaO2/FiO2 menor que 150
(9) PaCO2 maior que 60 mmHg
(10) potássio sérico maior que 6 mEq (ou mM).L-1
(11) calcemia menor que 2mM.L-1

Referência:
Dutton RP, McCunn M, Grissom TE – Anesthesia for trauma, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish
JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2277-2311.

Ponto 38 – Anestesia em Urgências e no Trauma

70- Achado laboratorial característico da intoxicação por citrato:

A) hipopotassemia
B) hipocalcemia
C) hipofosfatemia
D) hipomagnesemia
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:

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A transfusão rápida de sangue estocado pode causar intoxicação por citrato, caracterizada por hipotensão arterial
refratária à administração de fluidos e hipocalcemia. A medida dos níveis plasmáticos de cálcio ionizado deve ser
rotineira em pacientes submetidos a transfusões maciças de sangue e cálcio deve ser administrado, se necessário.

Referência:
Dutton RP, McCunn M, Grissom TE – Anesthesia for trauma, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish
JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2277-2311.

Ponto 38 – Anestesia em Urgências e no Trauma

71- Durante o tratamento de paciente portador de traumatismo cranioencefálico grave (escore na escala de
Glasgow menor que 8) deve-se evitar:

A) pressão de perfusão cerebral maior que 50 mmHg


B) PaCO2 menor que 30 mmHg
C) ressuscitação hídrica com solução salina hipertônica
D) pressão arterial média maior que 70 mmHg
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Em pacientes portadores de trauma cranioencefálico, redução da PaO2 abaixo de 60 mmHg aumenta em
aproximadamente duas vezes a mortalidade. A PaCO2 deve ser mantida entre 30 e 35 mmHg para evitar reduções
críticas da perfusão cerebral e dano isquêmico secundário. O controle da hipertensão intracraniana só deve incluir
períodos curtos de hiperventilação com PaCO2 = 30 mmHg caso falhem outras manobras: sedação, bloqueio
neuromuscular, diuréticos osmóticos, coma barbitúrico ou drenagem liquórica. A ressuscitação hídrica precoce e a
administração de inotrópicos ou vasopressores deve ter como meta a manutenção da pressão arterial média acima de
70 mmHg. A solução salina hipertônica pode ser utilizada com vantagens sobre as isotônicas. A meta da pressão de
perfusão cerebral é a faixa entre 50 e 70 mmHg.

Referência:
Dutton RP, McCunn M, Grissom TE – Anesthesia for trauma, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish
JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2277-2311.

Ponto 37 – Anestesia e Sistema Endócrino

72- Manifestação clínica de neuropatia autonômica diabética:

A) hipotensão postural
B) sudorese
C) aumento da frequência cardíaca durante a inspiração
D) bradicardia durante repouso
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A neuropatia autonômica diabética manifesta-se por anidrose, saciedade precoce, atenuação ou ausência de variação
da freqüência cardíaca durante a inspiração, taquicardia em repouso, hipotensão postural e diarréia noturna. Pacientes
com estes sintomas podem apresentar gastroparesia, isquemia miocárdica sem dor e parada cardíaca durante a
anestesia.

Referência:
Roizen MF, Fleisher LA – Anesthetic implications of concurrent diseases, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1067-1149.

Ponto 28 – Hemostasia e Anticoagulação

73- Fator de coagulação cuja concentração diminui precocemente em paciente com doença hepática crônica:

A) VII
B) VIII
C) IX

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D) XI
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade – Difícil

Comentário:
A doença hepática crônica está associada às 3 fases da hemostasia (primária, coagulação e fibrinólise) resultando em
diminuição da síntese de quase todos os fatores de coagulação, com exceção do fator VIII. O fator VII é o primeiro a
apresentar níveis reduzidos.

Referência:
Drummond JC, Petrovitch CT, Lane TA – Hemostasis and Transfusion Medicine, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting
RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 369-410.

Ponto 27 – Reposição Volêmica e Transfusão

74- Contra-indicação para participação em programa de transfusão autóloga de sangue:

A) idade ≥  65  anos  


B) comunicação interventricular
C) hematócrito acima de 35%
D) angina instável
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
São contra-indicações para participação de programa de transfusão autóloga: evidência de infecção e risco de
bacteremia, cirurgia agendada para correção de estenose aórtica, angina instável, episódio convulsivo recente, infarto
do miocárdio ou acidente vascular cerebral em período inferior à seis meses, doença cardíaca cianótica, hipertensão
arterial não controlada e hematócrito inferior à 33%. Idade não contra-indica transfusão autóloga.

Referência:
Goodnough LT, Monk T – Autologous Transfusion, Recombinant Factor VIIa, and Bloodless Medicine, em: Miller RD,
Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1781-1793.

Ponto 27 – Reposição Volêmica e Transfusão

75- Nas soluções de hidroxietilamido:

A) a osmolaridade é próxima de 310 mOsm.L-1


B) aumenta o tempo de protrombina
C) as moléculas mais pesadas são degradadas por hidroxilases hepáticas
D) as doses clínicas recomendadas são de 5 a 10 mL.kg-1
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
É uma solução colóide sintética com pH = 5,5 e osmolaridade = 310mOm/L. Cerca de 80% dos seus polímeros estão
entre 10.000 e 2 milhões de daltons. As moléculas mais pesadas são degradadas pela amilase e estocadas no sistema
retículo endotelial. O volume clínico recomendado é 20mL/kg. Em altas doses produz efeitos dilucionais similar aos
outros expansores reduzindo os níveis de Fator VIII:C e vW prolongando o Tempo de Tromboplastina Parcial(TTPa).

Referência:
Kaye AD, Riopelle JM – Intravascular Fluid and Electrolyte Physiology, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-
Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1705-1737.

Ponto 26 – Equilíbrio Hidroeletrolítico e Ácido-Base

76- Deve-se corrigir o cálculo do anion gap (hiato iônico) na presença de:

A) hipotermia

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B) hipotireoidismo
C) hipoglicemia
D) hipoalbuminemia
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: DIFÍCIL

Comentário:
A determinação do “anion gap”(hiato iônico) é utilizada para análise da acidose metabólica. Cerca de ¾ do hiato iônico
consiste de albumina. Na presença de hipoalbuminemia é essencial que seja feita a correção acrescentando-se ao valor
calculado do anion gap, 2 vezes a diferença entre o valor real da albumina sérica e o padrão normal de 4g/L.
Referência:
Prough DS, Funston JS, Svensém CH, Wolf SW – Fluids, Electrolytes, and Acid-Base Physiology, em:: Barash PG,
Cullen BF, Stoelting RK et al – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelpha, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 290-325.

Ponto 26 - Equilíbrio Hidroeletrolítico e Ácido Básico

77- Calcule o anion gap com os seguintes dados de gasometria arterial e dosagem de eletrólitos: pH = 7,25, BE
= -15,5 mEq.L-1, HCO3- = 10 mEq.L-1, PaCO2 = 23,4, Cl- = 105 mEq.L-1 e Na+ = 135 mEq.L-1:

A) 40
B) 30
C) 20
D) 14,5
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O hiato Iônico (anion gap) é a diferença entre os cátions e os ânions medidos no plasma. Valores normais variam de 9 a
15 quando são considerados apenas o sódio, cloro e o bicarbonato: O calculo do valor normal é = Na+ - (Cl- + HCO3-) =
140 – (105 + 24) = 11 A literatura também tem publicações que somam o potássio ao sódio e o valor normal pode ser
considerado 16 nesses casos.

Referência:
Ramos MS – Equilíbrio Àcido-Base, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB et al – Tratado de Anestesiologia SAESP,
Volume 1, 6a Edição, São Paulo, Editora Atheneu, 2006; 921-931.

Ponto 28 – Hemostasia e Anticoagulação

78- Mecanismo de ação antiadesão plaquetária do tirofiban:

A) inibição da ciclo-oxigenase
B) inibição da fosfodiesterase
C) antagonismo de receptores de difosfato de adenosina (ADP)
D) bloqueio de receptores de glicoproteína IIb/IIIa
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
O mecanismo responsável pelo efeito antiadesão plaquetária da aspirina é a inibição da ciclo-oxigenase. A inibição da
fosfodiesterase é o mecanismo de ação do dipiridamol. A ticlopidina e o clopidogrel são antagonistas de receptores de
ADP. O abciximab, o tirofiban e o epfibatide inibem a adesão plaquetária por bloqueio de receptores de glicoproteína
IIb/IIIa. O warfarin inibe a síntese de fatores de coagulação dependentes da vitamina K.

Referência:
Drummond JC, Petrovitch CT, Lane TA – Hemostasis and Transfusion Medicine, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting
RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 369-410

Ponto 26 - Equilíbrio Hidroeletrolítico e Ácido Básico

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79- O movimento de água entre dois meios com diferentes concentrações de solutos e separados por uma
membrana semipermeável é chamado de:

A) osmolaridade
B) tonicidade
C) osmose
D) osmolalidade
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
Osmose é o movimento real de água causado por diferença de concentração. Osmolaridade é uma expressão do
número de partículas osmoticamente ativas por litro de solvente.Osmolalidade é uma medida do número de partículas
osmoticamente ativas por kilograma de solvente.Tonicidade se refere a redistribuição de água do FIC para o FEC.
Pressão osmótica é a pressão necessária para impedir o movimento do solvente para outro espaço fluídico.

Referência:
Martins VF, Zuccolotto EB. Equilíbrio Hidroeletrolítico.In Tratado de Anestesiologia SAESP. Editores Luiz Marciano
Cangiani ...[et al]-6ªEd São Paulo: Editora Atheneu, 2006:908.

80 - ANULADA

Ponto 26 – Equilíbrio Hidroeletrolítico e Ácido-Base

81- Hipopotassemia pode ocorrer com o uso de:

A) ciclosporina
B) agonistas adrenérgicos beta2
C) antiinflamatórios não esteróides
D) inibidores da enzima de conversão da angiotensina
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A hipopotassemia pode resultar da redistribuição do espaço extracelular para o intracelular (potássio corporal normal)
ou de depleção crônica do potássio total. A hipopotassemia por redistribuição pode ocorrer nos casos de alcalose
metabólica ou respiratória, uso de beta2 agonistas, xantinas, sobrecarga de carbohidratos em pacientes não diabéticos,
etc. As causas de hipopotassemia por depleção incluem aquelas associadas à perda de potássio por via renal
(diuréticos de alça ou osmóticos, penicilina e seus derivados, aminoglicosídeos) ou por via gastrintestinal (vômitos e
diarréia). Causas raras de hipopotassemia incluem Síndrome de Cushing, cirrose e nefrose. Ciclosporina, digital,
heparina, antiinflamatórios não esteróides e inibidores da enzima de conversão da angiotensina podem levar à
hiperpotassemia.

Referência:
Prough DS, Funston JS, Svensén CH, Wolf SW – Fluids, Electrolytes, and Acid-Base Physiology, em: Barash PG,
Cullen BF, Stoelting RK et al- Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 290-325.

PONTO 15 – Transmissão e Bloqueio Neuromuscular

82- Altera a transmissão neuromuscular:

A) diazepam
B) etomidato
C) midazolam
D) isoflurano
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade Médio

Comentário:

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Vários fármacos podem alterar a farmacocinética e/ou farmacodinâmica dos bloqueadores neuromusculares. O principal
achado é um aumento na duração de ação. Efeitos do diazepam sobre o relaxamento muscular decorrem da ação sobre
neurônios espinhais e internunciais e não sobre a junção neuromuscular. Etomidato potencializa a ação dos relaxantes
pela manutenção de boa perfusão sanguínea muscular durante seu uso devido a estabilidade hemodinâmica obtida.
Midazolam é semelhante ao diazepam. Anestésicos Inalatórios deprimem o impulso nervoso e diminuem a sensibilidade
da membrana pós-sináptica, havendo diminuição na liberação de acetilcolina e alteração da estrutura lipídica juncional.

Referência:
Potério GMB, Braga AFA, Monhoz DC, Braga FSS – Bloqueio Neuromuscular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 523-534.
Donati F, Bevan DR – Neuromuscular Blocking Agents, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia
6th Ed, Philadelphia, 2009; 498-530.

PONTO 15 – Transmissão e Bloqueio Neuromuscular

83- Modifica o bloqueio neuromuscular no idoso:

A) aumento de água corporal


B) maior atividade da colinesterase plasmática
C) maior depuração plasmática
D) menor volume muscular
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade Fácil

Comentário:
No idoso os seguintes fatores modificam as características do bloqueio neuromuscular: menor número de receptores na
placa motora, menor volume muscular, diminuição da água corporal, diminuição do volume de distribuição, menor
clearence plasmático e diminuição das funções renais e hepáticas. Em função disso os idosos são mais sensíveis aos
bloqueadores neuromusculares não despolarizantes. Nos idosos a atividade da colinesterase plasmática está diminuída
o que altera também a sensibilidade aos despolarizantes.

Referência:
Potério GMB, Braga AFA, Monhoz DC, Braga FSS – Bloqueio Neuromuscular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 523-534.
Donati F, Bevan DR – Neuromuscular Blocking Agents, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia
6th Ed, Philadelphia, 2009; 498-530

PONTO 15– Transmissão e Bloqueio Neuromuscular

84- Na reversão do bloqueio neuromuscular:

A) o sugammadex aumenta os níveis de acetilcolina


B) a eficácia do sugammadex depende da profundidade do bloqueio
C) o sugammadex é mais efetivo no antagonismo do rocurônio
D) a fisostigmina liga-se ao bloqueador neuromuscular
E) não sei

Resposta C
Nível de Dificuldade Fácil

Comentário:
Fisostigmine e Edrofônio têm ação anticolineterásica, aumentando os níveis de acetilcolina,que compete com o
bloqueador neuromuscular. O sugammadex age ligando-se diretamente ao bloqueador neuromuscular, tem ação em
bloqueios profundos dependendo da dose e é efetivo na reversão do bloqueio ocasionado pelo rocurônio mais que pelo
vecurônio.

Referência:
Potério GMB, Braga AFA – Bloqueio Neuromuscular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado
de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 523-534.
Donati F, Bevan DR – Neuromuscular Blocking Agents, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia
6th Ed, Philadelphia, 2009; 498-530

Ponto 9 Fisiologia e Farmacologia do Sistema Cardiocirculatório

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85- No potencial de ação cardíaco:

A) a repolarização ventricular corresponde ao final da fase 2 e toda fase 3


B) a fase 1 corresponde ao segmento ST no eletrocardiograma
C) o potencial de repouso no nó sinoatrial é menor que -80mV
D) a fase 4 corresponde ao influxo de Na+
E) não sei

Resposta A
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
A repolarização ventricular corresponde a o fim da fase 2 e toda fase 3. O segmento ST reflete a fase de platô. O
potencial de repouso no Nó Sinoatrial é menos negativo que nas outras células cardíacas, ficando em torno de -60 a -
70mV. Na fase 4 do potencial de ação há e fluxo lento de Na+ e Ca++ até atingir o limiar de despolarização.

Referência:
Kampine JP, Stowe DF, Pagel OS – Cardiovascular Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, StoeltingRK –
Clinicall Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 209-232.
Auler JOC, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovascular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;575-588.

Ponto 9 Fisiologia e Farmacologia do Sistema Cardiocirculatório

86- Redução do débito cardíaco pode ser tratada com:

A) hidratação vigorosa em paciente com volume diastólico final elevado


B) vasoconstritores em paciente com aumento de pós-carga
C) inotrópicos em paciente com disfunção sistólica
D) vasodilatadores em paciente com diminuição de pré-carga
E) não sei

Resposta C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
O Débito Cardíaco é a quantidade de sangue bombeado a cada minuto, sendo portanto um produto de volume sistólico
e frequência cardíaca. O Débito é uma função da pré-carga, pós-carga, contratilidade e frequência cardíaca. O
entendimento e diagnóstico de qual desses componentes ou se mais de um deles pode estar envolvido para a queda do
débito cardíaco é essencial no manuseio adequado do paciente. O Valor encontrado de débito deve ser indexado a área
corporal. Diminuição de débito compensada com aumento na taxa de extração de 02 com valores acima de 30%, deve
ser tratada pois acima desse valor inicia-se metabolismo anaeróbio. Na queda do Débito associada com aumento de
pós-carga o uso de vasoconstritores aumentaria ainda mais esse componente do débito podendo agravar o quadro.
Vasodilatadores são indicados quando mantida a pressão arterial o paciente cursa com queda do Débito associada a
pressões de enchimento elevadas, sendo deletério seu uso num paciente com diminuição de pós-carga, que deve ser
tratado inicialmente com reposição volêmica. Agentes inotrópicos agem aumentando a contratilidade e devem ser
usados em pacientes com disfunção sistólica. Em pacientes com alto volume diastólico final do Ventriculo Esquerdo o
tratamento do baixo débito cardíaco com hidratação vigorosa pode ser deletéria principalmente sem monitorização
adequada. Aumentos de volume diastólico final de ventrículo esquerdo elevam a tensão na parede ventricular,
aumentam a pós-carga e podem induzir a falência cardíaca.

Referência:
Kampine JP, Stowe DF, Pagel OS – Cardiovascular Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 209-232.
Galas FRB, Haijar LA, Yamaguchi T- Fisiopatologia do sistema Cardiovascular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 601-613.

Ponto 9 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Cardiocirculatório

87- Na regulação do fluxo sanguíneo coronariano e do consumo de O2 pelo miocárdio:

A) vasodilatação coronariana durante o exercício é causada predominantemente pela estimulação de receptores beta-
adrenérgicos
B) durante a contração isovolumétrica ocorre diminuição do consumo e aumento da oferta O2 para o miocárdio
C) durante a sístole aumenta a perfusão subendocárdica
D) durante exercício físico extenuante ocorre aumento discreto a taxa de extração do O2 pelo miocárdio
E) não sei

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Resposta D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O coração tem a maior taxa de extração entre órgãos com valores entre 75 a 80%. Durante o exercício o mecanismo
mais importante que leva a vasodilatação coronariana é a ação de fatores metabólicos locais. Durante contração
isovolumétrica aumento na tensão da parede do ventrículo esquerdo, leva a aumento no consumo e diminuição na
oferta de O2 ao miocárdio. O aumento da pressão ventricular durante a sístole, com valores maiores que a pressão na
raiz da aorta, pode causar diminuição do fluxo sanguíneo coronariano, principalmente para as regiões subendocárdicas,
com possibilidade de isquemia.Como a taxa de extração pelo miocárdico é próxima do máximo em condição de
repouso, ela não pode ser substancialmente aumentada durante o exercício.

Referência
Kampine JP, Stowe DF, Pagel OS – Cardiovascular Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 209-232.
Auler JOC, Messias ERR, Galas FRBG – Fisiologia do Sistema Cardiovascular, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;575-588.

Ponto 9 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Cardiocirculatório

88- No tratamento da hipotensão arterial:

A) levosimendan é um potente inotrópico que age inibindo a fosfodiesterase


B) milrinona é indicada em pacientes que apresentam diminuição da resistência vascular periférica
C) metaraminol é um agonista adrenérgico de ação mista
D) fenilefrina é um agonista adrenérgico de ação indireta
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Levosimedan é um potente inotrópico que promove a liberação do Cálcio do retículo sarcoplasmático. A milrinone tem
atividade inotrópica positiva e vasodilatadora, não tendo boa indicação em casos de hipotensão com queda de
resistência Vascular periférica. O metaraminol é uma catecolamina sintética de ação mista. A Fenilefrina é um agonista
alfa-adrenérgico de ação direta. A dobutamina não é agonista de receptores dopaminérgicos.

Referência:
Slulitel A – Vasopressores, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP,
6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 523-534.
Kampine JP, Stowe DF, Pagel OS – Cardiovascular Anatomy and Physiology, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 209-232.

Ponto 42 – Anestesia e Sistema Cardiovascular

89- Antagoniza a ação da adenosina no nó atrioventricular:

A) carbamazepina
B) teofilina
C) dipiridamol
D) fenobarbital
E) não sei

Resposta: B

Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário:
A adenosina é usada para o tratamento de taquidisritmias supraventriculares. Seu efeito é de início rápido e de curta
duração. Sua administração pode acompanhar-se de hipotensão arterial, rubor, cefaléia, broncospasmo, dispnéia e
aumento da pressão intracraniana. A teofilina e outras metilxantinas antagonizam receptores de adenosina, atenuando
os efeitos eletrofisiológicos sobre o nodo atrioventricular e a broncoconstrição induzidos por adenosina. A
carbamazepina e o dipiridamol potencializam a ação da adenosina, cuja dose deve ser reduzida na vigência de
tratamento com estes fármacos. O verapamil retarda a condução AV, sendo a alternativa como segundo tratamento de
taquidisrritmias supraventriculares. Não se conhecem interações do fenobarbital com a adenosina.

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

Referência:
McGlinch BP, White RD – Cardiopulmonary resuscitation: basic and advanced life support, em: Miller RD, Eriksson LI,
Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2971 –3001.
Nicoara A, Abel M, Bronheim D, Thys D – Cardiovascular drugs, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol
WM – Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 918 – 953.
Glick DB – The autonomic nervous system, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL -
Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 261 –304.
Johnson JO, Grecu L, Lawson NW – Autonomic nervous system, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 326 – 368.

Ponto 42 – Anestesia e Sistema Cardiovascular

90- Agonista seletivo de receptores dopaminérgicos tipo 1 (DA1)

A) fenoldopam
B) levosimendan
C) dobutamina
D) dopamina
E) não sei

Resposta: A

Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
O fenoldopam é o primeiro agonista seletivo de receptores dopaminérgicos tipo 1. Está aprovado para tratamento de
curta duração de hipertensão arterial grave em pacientes hospitalizados. É mais potente que a dopamina em receptores
DA1, mas, ao contrário desta, não estimula receptores receptores dopaminérgicos tipo (DA2), alfa ou beta adrenérgicos.
O losartan é um antagonista de receptores de angiotensina 2. O levosimendan exerce efeito inotrópico positivo
aumentando a sensibilidade dos miócitos ao cálcio, por ligar-se à troponina; seu efeito vasodilatador deve-se à abertura
de canais de potássio dependentes de ATP na musculatura lisa vascular. A dobutamina é um agonista de receptores
beta-1 adrenérgicos, com efeitos alfa adrenérgicos, que limitam o aumento de freqüência cardíaca em relação aos
agonistas beta adrenérgicos puros.

Referência:
Nicoara A, Abel M, Bronheim D, Thys D – Cardiovascular drugs, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol
WM – Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 918 – 953.
Vincent JL – Hemodynamic support of the critically ill patient, em Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1841 – 1872.
Johnson JO, Grecu L, Lawson NW – Autonomic nervous system, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 5th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 326 – 368.

Ponto 42 - Anestesia e Sistema Cardiovascular

91- Na anestesia geral de paciente portador de tamponamento cardíaco deve-se evitar:

A) administração de líquidos intravenosos antes da indução


B) fármacos inotrópicos
C) ventilação espontânea
D) bradicardia
E) não sei

Resposta: D

Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O tamponamento cardíaco ocorre quando o volume de líquido no saco pericárdico aumenta e comprime o coração,
comprometendo o débito cardíaco. A tríade de Beck caracteriza o tamponamento cardíaco: pressão arterial baixa,
pressão venosa jugular aumentada e abafamento de bulhas cardíacas. Quando indicada a anestesia geral, devem-se
tomar as seguintes precauções para evitar colapso circulatório: infundir líquidos venosos antes da indução, evitar
ventilação mecânica com altos volumes correntes, evitar fármacos depressores do miocárdio. Deve-se evitar
bradicardia, já que a taquicardia é o mecanismo responsável pela manutenção do débito cardíaco. Ventilação
espontânea ou controlada com baixo volume corrente e alta freqüência estão indicadas. A cetamina evita a depressão
miocárdica e a bradicardia indesejáveis no manuseio destes pacientes.

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

Referência:
Nussmeier NA, Hauser MC, Sarwar MF et al – Anesthesia for cardiac surgical procedures, em: Miller RD, Eriksson LI,
Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1889- 1975.

Ponto 42 - Anestesia e Sistema Cardiovascular

92- Caracteriza o atordoamento do miocárdio observado após uma sequência de isquemia e reperfusão:

A) necrose miocárdica
B) irresponsividade a fármacos inotrópicos
C) alta concentração intracelular de radicais superóxido
D) ausência de fluxo coronariano
E) não sei

Resposta: C

Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O atordoamento do miocárdio é uma das possíveis respostas do miocárdio à isquemia. O fenômeno foi descrito em
1975, como uma disfunção miocárdica que dura diversas horas após a ocorrência de um breve episódio de isquemia
(angina, parada cardíaca durante circulação extracorpórea, após a administração de terapia trombolítica). Não há
necrose, embora lesão miofibrilar reversível esteja presente. O fluxo coronariano regional está mantido (reperfusão) e o
miocárdio responde a inotrópicos. Os mecanismos intracelulares responsáveis pela lesão miofibrilar e pela disfunção
miocárdica são: (a) o acúmulo de espécies reativas de oxigênio, como os radicais superóxido e peróxido de hidrogênio e
(b) a sobrecarga de cálcio intracelular.

Referência:
Bigatello LM, Hellman J, Liu D et al – The pathophysiology of critical illness, em Longnecker DE, Brown DL, Newman
MF, Zapol WM – Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1738 – 1753.

Ponto 42 - Anestesia e Sistema Cardiovascular

93- O balão intra-aórtico:

A) aumenta o consumo de oxigênio pelo miocárdio durante a sístole ventricular


B) aumenta a pressão de perfusão coronariana durante a sístole ventricular
C) diminui o fluxo anterógrado na aorta distal durante a diástole ventricular
D) aumenta a pressão diastólica aórtica proximal
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O balão intra-aórtico é um dispositivo de suporte circulatório. Consiste de um balão de 25 cm ligado a um cateter
vascular que é posicionado na aorta descendente entre a emergência da artéria subclávia esquerda e os óstios das
artérias renais. Utiliza o princípio de contrapulsação sincronizada, de forma que é inflado durante a diástole e desinflado
durante a sístole ventricular esquerda. Desta forma, aumenta a pressão diastólica na aorta proximal e, por
conseqüência, a pressão de perfusão coronariana durante a diástole. Da mesma forma, aumenta o fluxo anterógrado de
sangue na aorta distal durante a diástole ventricular, facilitando a ejeção de sangue durante a próxima sístole
ventricular, melhorando assim o débito ventricular e reduzindo o consumo de oxigênio do miocárdio.

Referência:
Skubas NJ, Lichtman AD, Sharma A, et al – Anesthesia for cardiac surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK,
Calahan MK, Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1073–1107.

Ponto 42 – Anestesia e Sistema Cardiovascular

94- Durante o posicionamento de um cateter atrial direito, utilizando a derivação DII do eletrocardiograma e o
eletrodo de membro inferior esquerdo (positivo) adaptado ao guia do cateter, a observação de ondas P
bifásicas, com complexos QRS e ondas T negativas indica que a extremidade do cateter está localizada:

A) na veia cava superior


B) no ponto médio do átrio
C) na veia cava inferior

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

D) no ventrículo direito
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O posicionamento de cateter venoso dentro do átrio direito destina-se à aspiração de ar, no caso de ocorrência de um
embolismo aéreo em paciente submetido a procedimento neurocirúrgico sobre estruturas da fossa posterior,
especialmente se em posição sentada. Uma das modalidades de posicionamento da extremidade do cateter no ponto
médio do átrio direito, ou seja, aproximadamente 2 cm abaixo da junção da veia cava superior com o átrio direito, é a
eletrocardiografia. Nesta técnica, um cateter preenchido com solução salina pode servir de eletrodo intracavitário. O
guia do cateter também pode ser utilizado. O monitor é ajustado na derivação DII e o cabo positivo do membro inferior
esquerdo é ligado ao cateter ou ao guia metálico. Durante a introdução, observam-se as configurações das ondas P,
dos complexos QRS e das ondas T. Enquanto o cateter está na veia cava superior, até a sua junção com o átrio direito,
as ondas P, os complexos QRS e as ondas T são negativas. Quando a extremidade do cateter atinge o ponto central do
átrio direito, as ondas P tornam-se bifásicas, com complexos QRS e ondas T negativas. Se o cateter migra para a veia
cava inferior, observam-se ondas P positivas, com complexos QRS e ondas T negativas. Se a extremidade do cateter
passa a valva tricúspide, observam-se ondas P positivas, complexos QRS negativos e ondas T positivas.

Referência:
Patel PM, Drummond JC – Neurosurgical anesthesia, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young
WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2045-2087.
Todd M, Warner DS, Maktabi MA et al - Neuroanesthesia, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 1081 – 1139.

Ponto 42 – Anestesia e Sistema Cardiovascular

95- Alterações metabólicas que se seguem ao clampeamento da aorta abdominal acima da emergência das
artérias renais:

A) aumento da produção de CO2


B) aumento da saturação da oxihemoglobina no sangue venoso misto
C) aumento da taxa de extração de oxigênio
D) acidose respiratória
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Durante o período de clampeamento da aorta abdominal ocorrem as seguintes alterações metabólicas: diminuição do
consumo de oxigênio total e da produção de CO2; diminuição da taxa de extração do oxigênio e aumento da saturação
da hemoglobina do sangue venoso misto; aumento dos níveis plasmáticos de catecolaminas; alcalose respiratória;
acidose metabólica.

Referência:
Norris EJ – Anesthesia for vascular surgery, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young WL -
Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 1985-2044.

96 - ANULADA

Ponto 19 – Recuperação Anestésica

97- Paciente respirando normalmente ar ambiente, mantendo SpO2>92%, sonolento, mas responsivo aos
chamados, com pressão arterial 30 mmHg acima da pressão arterial pré-operatória (100mmHg) e movendo duas
extremidades. Escore de Aldrete modificado:

A) 5
B) 6
C) 7
D) 8
E) não sei

Resposta: C

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

Nível de Dificuldade: Médio

Comentário: O Escore Modificado de Aldrete apresenta o seguinte critérios:

Referência:
Fowler MA, Spiess BD – Post Anesthesia Recovery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th
Ed, Philadelphia, 2009; 1427.
Grecu LA, Bittner EA, George E – Recovery for the Healthy Patient, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol
WM - Anesthesiology, New York, Mc Graw Hill Medical, 2008; 1688-1699

Ponto 4 – Avaliação e Preparo Pré-Anestésico

98- Paciente masculino, 58 anos, portador de diabetes mellitus tipo II e angina estável, ambas com adequado
controle medicamentoso. Última avaliação cardiológica há 6 meses. Candidato a colecistectomia
videolaparoscópica. Conduta:

A) liberar para a cirurgia


B) liberar para o procedimento se capacidade funcional maior que 4 MET (taxa de equivalente metabólica)
C) solicitar um teste ergométrico de esforço
D) indicar cateterismo cardíaco
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade Médio

Comentário:
Na ausência de uma Condição Cardíaca ativa(Angina III ou IV, Arritmias graves, Doença Valvular Grave, NYHA III ou
IV, etc) e com proposta de cirurgia com risco intermediário, o próximo passo é avaliar a capacidade funcional. Com boa
capacidade funcional (>4MET) encaminhar para a cirurgia sem exames adicionais.

Referência:
Hata TM, Moyers JR – Preoperative patient assessment and management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, 2009; 569-597.
Ortenzi AV - Avaliação Pré-anestésica, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de
Anestesiologia SAES, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 1015-1033.

PONTO 4 – Avaliação e Preparo Pré-Anestésico

99- Na solicitação de exames complementares pré-operatórios:

A) hemoglobina e hematócrito são obrigatórios para todos os pacientes


B) uréia e creatinina são obrigatórios para paciente acima de 60 anos
C) exames feitos até seis meses antes da cirurgia podem ser aceitos
D) tempo de protrombina é obrigatório em pacientes escalados para bloqueios espinhais

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Dosagens de hemoglobina e hematócrito não são sugeridos como o padrão mínimo pré-operatório,mas em cirurgias
com risco de sangramento,levando-se em conta o tipo e porte cirúrgico, hepatopatias, extremos etários, história de
anemia, tabagismo, nefropatias,uso de quimioterápicos e anticoagulantes. Dosagens de uréia e creatinina são
importantes em pacientes acima de 75 anos ou com doenças cardiovasculares, do sistema nervoso central, renais,
diabéticos e em uso de diuréticos. A história clínica de diátese hemorrágica, doenças hepáticas, doenças renais, porte
da cirurgia, síndromes disabsortivas ou desnutrição, assim como o uso medicamentos anticoagulantes ou
quimioterápicos servem de orientação para solicitação de TAP e TPTa. O prazo de seis meses antes da cirurgia é
aceitável se a história clínica do paciente não mudar de maneira significativa.

Referência:
Hata TM, Moyers JR – Preoperative patient assessment and management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 583-585.
Fischer SP, Bader AM, Sweitzer B – Preoperative Evaluation, em: Miller RD Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-Wiener
JP, Young WL, – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010;1001-1066.
Ortenzi AV - Avaliação Pré-anestésica, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de
Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 1015-1033.

Ponto 4 – Avaliação e Preparo Pré-Anestésico

100- Paciente feminina de 25 anos escalada para implante de prótese mamária. Não ingeriu alimentos sólidos
nas últimas 10 horas antes do horário marcado para a cirurgia. Entretanto, duas horas antes do procedimento,
ingeriu 150 ml de água. Conduta:

A) realizar o procedimento
B) adiar cirurgia por 6 horas
C) adiar cirurgia por 4 horas
D) administrar metoclopramida e adiar por 2 horas
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade – Fácil

Comentário:
O tempo de jejum adequado pra prevenir complicações com aspiração pulmonar é variável e depende de fatores como
idade do paciente, tipo de alimento ou líquido ingerido. No caso em questão podemos encaminhar a paciente ao centro
cirúrgico e realizar o procedimento, sem necessidade profilaxia medicamentosa.

Referência:
Hata TM, Moyers JR – Preoperative patient assessment and management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009;583-585.
Fischer SP, Bader AM, Sweitzer B – Preoperative Evaluation, em: Miller RD Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-Wiener
JP, Young WL – Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010;1001-1066.

Ponto 19 – Recuperação Anestésica

101- Em paciente com episódio de vômito na SRPA:

A) relação T 4/T 1 = 0,8 na sequência de quatro estímulos garante reflexos protetores ativos
B) respiração espontânea indica reflexos de proteção de via aérea ativos
C) cefalodeclive dificulta a aspiração do vômito
D) ranitidina aumenta o tônus do esfíncter esofagiano inferior
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Respiração espontânea e relação T 4/T 1 <0,9 não são garantias de que não haja bloqueio neuromuscular residual. Com
Relação de TOF T 4/T 1 >0,9 é que temos reflexos protetores competentes. Hipotensão, hipoxemia e acidose aumentam a
incidência de Vômitos. Hidratar e fornecer O2 suplementar são medidas eficazes em pacientes com náuseas e vômitos.
Após o episódio de vômito deve-se evitar elevar a cabeça do paciente principalmente se estiver sonolento, pois a

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PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

presença de conteúdo gástrico na orofaringe aumenta a possibilidade de aspiração, sendo indicada posição de
cefalodeclive. O uso de bloqueador H2 como a ranitidina não altera o tônus do esfíncter esofagiano inferior.

Referência:
Fowler MA, Spiess BD – Post Anesthesia Recovery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th
Ed, Philadelphia, 2009; 1421-1443.
Pires OC, Constantino E – Complicações Respiratórias, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS –
Tratado de Anestesiologia, SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;1989-2003.

Ponto 50 - Dor Aguda e Inflamação

102- A dor aguda causa diminuição da secreção de:

A) catecolaminas
B) cortisol
C) vasopressina
D) insulina
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A dor aguda causa muitas alterações orgânicas, tais como: respiratórias, gastrointestinais e urinárias. Causa, também,
alterações metabólicas e neuroendócrinas. A dor estimula o hipotálamo, determinando o aumento da secreção de
catecolaminas e dos hormônios cortisol, ACTH, vasopressina, aldosterona e angiotensina II. Causa também aumento do
fator inflamatório interleucina I. Os hormônios anabólicos insulina e testoterona estão diminuídos.

Referência:
Posso IP, Romanek RM, Awade R et al. – Princípios de tratamento da dor aguda, em: Cangiani LM, Posso IP, Poterio
GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, 6a Ed, São Paulo, Editora Atheneu, 2006; 427-450

Ponto 50 – Dor Aguda e Inflamação

103- No tratamento da dor aguda perioperatória, a analgesia peridural apresenta benefícios cardiovasculares
quando administrada por pelo menos:

A) 6 horas
B) 12 horas
C) 24 horas
D) 48 horas
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
A analgesia peridural é componente crítico na abordagem multimodal da dor perioperatória. Os benefícios
cardiovasculares não ocorrem em menos de 24 horas. Apesar de não ser estabelecido um tempo ideal de tratamento,
recomenda-se uma manutenção desse tipo de analgesia por 2 a 4 dias.

Referência:
Macres SM, Moore PG, Fishman SM - Acute pain management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK et al - Clinical
Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1473-1504.

Ponto 51 - Dor Crônica

104- Mecanismo de ação da gabapentina:

A) antagonista de canais de sódio


B) antagonista de canais de cálcio voltagem-dependentes
C) agonista de receptores GABA-A
D) bloqueador da recaptação de serotonina
E) não sei

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Resposta: B
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O tratamento da dor crônica envolve o uso de fármacos com diferentes mecanismos analgésicos. A gabapentina é um
análogo do GABA, destituído de ação GABAérgica, que se liga às subunidades alfa1-delta1 (11) dos canais de cálcio
sensíveis à voltagem dos neurônios das vias aferentes da dor, bloqueando a entrada de cálcio na célula. A lidocaína, a
mexiletina e a carbamazepina agem principalmente através do bloqueio de canais de sódio. Topiramato é um exemplo
de droga agonista de receptores GABA-A. Os antidepressivos bloqueiam a recaptação de serotonina e de noradrenalina
no sistema nervoso central. A clonidina e a dexmedetomidina atuam como agonistas de receptores adrenérgicos alfa-2.

Referência:
Benzon HT, Hurley RW, Deer TR – Chronic pain management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1505-1531.
Huntoon MA – Medical management of chronic pain, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol WM –
Anesthesiology, New York, McGraw Hill Medical, 2008; 2042-2071.

PONTO 5 - Vias Aéreas

105- Em situação de via aérea difícil:

A) após indução anestésica, havendo insucesso na intubação traqueal, deve-se aprofundar o plano anestésico
B) a melhor opção é a indução em sequência rápida
C) dificuldade de ventilação sob máscara facial pode ser encontrada nos pacientes com história de roncos.
D) a classificação de Mallampati apresenta alta especificidade
E) não sei

Resposta: C
Nível de Dificuldade – Médio

Comentário:
Na visita pré anestésica sendo avaliada uma via aérea difícil, deve-se pensar na possibilidade de intubação com o
paciente acordado aceitar o procedimento proposto. São fatores de risco independentes na previsão de uma ventilação
difícil: presença de barba espessa; obesidade; ausência de dentes; idade > 55anos e história de roncos. Nenhum teste
de avaliação das vias aéreas deve ser usado isoladamente. A associação dos vários testes como: Mallampati;
distâncias Tireomentoniana ou Tireoesternal; abertura da boca; extensão do pescoço é que permite maior
especificidade na detecção da via aérea difícil. Havendo disponibilidade de um dispositivo supra-glótico como a máscara
laríngea e não havendo contraindicação, esta seria a primeira opção para situações emergenciais com potencial risco a
vida do paciente, devido a sua fácil inserção e pronto restabelecimento da ventilação.
Rosenblatt WH, Sukhupragarn W – Airway Management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia
6th Ed, Philadelphia, 2009; 751-792.

Referência:
Ortenzi AV - Avaliação Pré-anestésica, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de
Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 105-1033.

PONTO 10 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Respiratório

106- Na espirometria:

A) a capacidade vital normal do adulto hígido é de 60 ml.kg-1 (+/- 20%)


B) a capacidade vital é a soma dos volumes de reserva inspiratório, corrente, de reserva expiratória e residual
C) a capacidade residual funcional correlaciona-se com a capacidade de tossir e respirar profundamente
D) a capacidade residual funcional diminui nas doenças obstrutivas das vias aéreas
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade – Difícil

Comentário:
A Capacidade Vital é de 60ml.kg-1, com variações de 20% nos pacientes saudáveis, tendo boa correlação com a
capacidade de tossir e respirar profundamente. Constitui-se da soma dos Volumes de Reserva Inspiratório, Corrente, de
Reserva Expiratória. A Capacidade residual funcional aumenta nas doenças obstrutivas das vias aéreas, por aumento
do volume residual

Referência:

Sociedade Brasileira de Anestesiologia


PROVA NACIONAL PARA ME / 2010 CET

Ault ML, Stock C – Respiratory Function, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 233-255.
Hedenstierma G – Respiratory Phisiology, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-Wiener JP, Young WL, –
Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 361-392.

Ponto 10 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Respiratório

107- Considerando a ventilação e a perfusão pulmonares:

A) o espaço morto anatômico é igual 5 ml.kg-1 do peso corporal


B) aumento do débito cardíaco causa aumento do espaço morto fisiológico
C) hipóxia alveolar causa vasodilatação pulmonar
D) administração de O2 a 80% associa-se a diminuição da relação ventilação-perfusão
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O volume espaço morto anatômico é em torno de 2ml.kg-1 de peso. Causa comum de aumento súbito de espaço morto
fisiológico é diminuição do débito cardíaco. A Hipóxia alveolar leva a vasoconstrição pulmonar. Uso de elevadas
concentrações de O2 pode ocasionar atelectasias, causa comum de diminuição da relação ventilação-perfusão.

Referência:
Ault ML, Stock C – Respiratory Function, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 233-255.
Hedenstierma G – Respiratory Phisiology, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Kronish-Wiener JP, Young WL–
Miller´s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 201O, 361-392.

Ponto 10 – Fisiologia e Farmacologia do Sistema Respiratório

108- No tratamento do broncospasmo:

A) esteróides causam broncodilatação


B) na crise aguda o salbutamol é mais eficaz que o salmeterol
C) brometo de ipratrópio apresenta ação broncodilatadora  mais  potente  do  que  agonistas  β2-adrenérgicos
D) cromoglicato é indicado para tratamento da crise aguda
E) não sei

Resposta: B
Nível de Dificuldade – Fácil

Comentário:
Os esteróides não são broncodilatadores verdadeiros. Eles agem diminuindo o edema de mucosa e prevenindo a
liberação de substâncias broncoconstritoras, com isso diminuem a obstrução das vias aéreas. O cromoglicato de sódio
estabiliza os mastócitos, inibindo sua degranulação e diminuindo a liberação de histamina. Sendo indicado na
prevenção do broncospasmo. Os agonistas β 2-adrenérgicos de ação curta como o Salbutamol são os fármacos de
escolha no tratamento das crises agudas de broncospasmo.

Referência:
Neustein SM, Eisenkraft JB, Cohen E – Anesthesia for Thoracic Surgery, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 1032-1072.
Ault ML, Stock C – Respiratory Function, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 233-255.
Hata TM, Moyers JR – Preoperative patient assessment and management, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK –
Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 583-585
Amorim RB – Farmacologia Respiratória, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de
Anestesiologia SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006; 743-748.

Ponto 52 – Suporte Ventilatório

109- Volume corrente, em mililitros por quilo de peso ideal, associado com redução de mortalidade em
pacientes portadores de síndrome de angústia respiratória do adulto (SARA):

A) 6
B) 8

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C) 10
D) 12
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Um estudo sobre ventilação mecânica em pacientes com SARA, publicado em 2000 pelo Instituto Nacional de Saúde
dos EUA é considerado definitivo para a indicação do padrão ventilatório associado com redução da mortalidade. Neste
estudo, pacientes ventilados com 12 mL.kg de peso ideal-1 tiveram mortalidade de 40%, enquanto pacientes ventilados
com volume corrente de 6 mL.kg de peso ideal-1 tiveram taxa de mortalidade de 31%. O grupo de baixo volume corrente
também apresentou maior número de dias fora do ventilador e sem falências de órgãos. O nível de evidência deste
estudo controlado, prospectivo, multicêntrico e de alocação aleatória é I.

Referência:
Grasso S, Mascia L, Ranieri VM – Respiratory care, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA, Wiener-Kronish JP, Young
WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2879-2897.
Treggiari MM, Deem S – Anesthesia and critical care medicine, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1444-1472.

Ponto 52 – Suporte Ventilatório

110- Critério para o diagnóstico de síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA):

A) pressão de oclusão de artéria pulmonar maior que 18 mmHg


B) início insidioso
C) hipercarbia
D) relação PaO2/FiO2 menor que 200
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
Os critérios para diagnóstico de SARA foram adotados em um consenso americano-europeu, em 1994 e são os
seguintes: causa identificável, início agudo, hipoxemia (definida como PaO2/FiO2 ≤  200),  infiltrados  difusos  bilaterais  na  
radiografia de tórax e pressão de oclusão da artéria pulmonar ≤  18  mmHg,  ou  ausência de sinais clínicos de hipertensão
atrial esquerda.
Treggiari MM, Deem S – Anesthesia and critical care medicine, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1444-1472.

Referência:
Liu L, Gropper MA – Overview of anesthesiology and critical care medicine, em: Miller RD, Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish JP, Young WL - Miller’s Anesthesia, 7th Ed, Philadelphia, 2010; 2845-2867.

PONTO 18 – Complicações da Anestesia

111- O teste de contratura muscular desencadeado por cafeína ou halotano é indicado:

A) em casos de parada cardíaca inexplicada durante anestesia


B) em parente de primeiro grau de paciente que apresentou episódio sugestivo de hipertermia maligna e tem contra-
indicação à realização da biópsia muscular
C) em criança com 18 kg que apresentou episódio de hipertermia maligna
D) na fase aguda do evento após estabilização do quadro com dantrolene
E) não sei

Resposta B
Nível de Dificuldade: Difícil

Comentário: O Teste de contratura muscular desencadeado pela cafeína e pelo halotano continua sendo o padrão ouro
para confirmação diagnóstica da Hipertemia Maligna. Nenhum outro Teste o substitui com a mesma sensibilidade e
especificidade se realizado conforme protocolos adequados. Ele deve ser evitado em pacientes em uso de dantrolene,
bloqueadores de canal de cálcio e em crianças abaixo de 20kg, pois não tem massa muscular suficiente. Parada
Cardíaca inexplicada em paciente sob anestesia geral, principalmente sem rabdomiólise não é indicação para o teste.
Em caso de impedimento para realização do teste em paciente que apresentou episódio de hipertermia maligna, é
indicação formal realizá-lo em parente de primeiro Nível do paciente.

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Referência:
Simões CM – Hipertemia Maligna, em: Cangiani LM, Posso IP, Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia,
SAESP, 6ª Ed, São Paulo, Atheneu, 2006;1979-1988.
Rosenberg H, Brandom BW, Sambughin N – Malignant Hyperthermia and other Inherited Disorders, em: Barash PG,
Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia, 2009; 598-621.

Ponto 18 -Complicações da Anestesia

112- Profilaxia de náuseas e vômitos pós-operatórios em paciente feminino, não fumante, com história de
cinetose:

A) dexametasona
B) metoclopramida
C) metoclopramida e ondansetron
D) dexametasona e ondansetron
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade - Média

Comentário: Fatores ligados ao paciente(história anterior de NVPO, gênero feminino e não fumante) indicam a profilaxia
com mais de um medicamento podendo-se usar dexametasona ou droperidol, associando-se um antagonista do
receptor 5HT3 de serotonina. Nesses casos a Anestesia Venosa Total é superior a inalatória. Medidas adicionais como
hidratação adequada e uso de acupuntura(Ponto P6) são eficazes. Náuseas e Vômitos pós-operatórios continuam
sendo a principal causa de retardo de alta na SRPA e hospitalar em caso de cirurgia ambulatoriais.

Referência:
Lichtor LJ – Ambulatory Anesthesia, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed, Philadelphia,
2009; 833-846.
Grecu LA, Bittner EA, George E – Recovery for the Healthy Patient, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF, Zapol
WM - Anesthesiology, New York, Mc Graw Hill Medical, 2008; 1688-1699

PONTO 16 – Parada Cardíaca e Reanimação

113- Na fibrilação ventricular:

A) a dose de vasopressina utilizada é de 40UI


B) a adrenalina é usada na dose de 0,1 mg.kg-1 a cada 3 a 5 minutos
C) com acidose respiratória associada é indicado bicarbonato de sódio
D) é indicado choque de 360J com desfibrilador Bifásico
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade - Médio

Comentário:
A Vasopressina em dose única de 40UI IV substitui a primeira ou segunda dose de adrenalina. A Adrenalina é o
fármaco mais importante sendo usada na dose 1 mg a cada 5min. Altas doses de adrenalina da ordem de 0,1 mg.kg-1,
são controversas e prejudiciais,elevando a mortalidade. O bicarbonato é contraindicado em casos de acidose
respiratória, sendo usado em casos de hiperpotassemia ou sobrecarga de antidepressivos tricíclicos. Choque de 360 J é
aplicado quando o desfibrilador é monofásico, em caso de ser bifásico é de 200J.

Referência:
Otto CW – Cardiopulmonary Resuscitation, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 1532 – 1548.
American Heart Association, Circulation, 2005;112:IV-150-153

PONTO 16 - Parada Cardíaca e Reanimação

114- Conduta que pode ser utilizada para proteção cerebral após ressuscitação cardiorrespiratória bem
sucedida:

A) hiperventilação
B) corticóides
C) anticonvulsivantes profiláticos

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D) hipotermia leve
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade - Difícil

Comentário:
A hiperventilaçâo rotineira dos pacientes pós –RCP é desencorajada ( classe III ). Em alguns períodos em pacientes
selecionados pode ser instituída. O uso precoce e rotineiro de corticosteróides para o tratamento da insuficiência
adrenal associada à PCR não é recomendado. O uso de anti-convulsivantes e anti-térmicos é considerado classe IIa no
tratamento do processo já estabelecido ou na prevenção de recorrências. O uso profilático rotineiro ainda carece de
fundamentação científica. A hipotermia leve ( >33°C) tanto espontânea (permissiva) como induzida tem se mostrado
extremamente promissora em determinados casos de PCR. É normalmente bem tolerada, sem risco significativo de
complicações e benéfica na proteção cerebral. O Reaquecimento dever ser lento( em torno de 0,3oC por hora) onde não
deve-se usar métodos ativos.

Referência:
Otto CW – Cardiopulmonary Resuscitation, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 1532 – 1548.
American Heart Association, Circulation, 2005;112:IV-150-153

PONTO 16 - Parada Cardíaca e Reanimação

115- Na parada cardiorrespiratória da gestante:

A) as cargas de desfibrilação são menores que nas não grávidas


B) idade gestacional de 20 semanas indica a retirada fetal
C) a retirada do feto deve ser feita em até 6 minutos após a parada cardiorrespiratória
D) intubação traqueal deve ser imediata
E) não sei

Resposta D
Nível de Dificuldade – Difícil

Comentário:
Na parada cardiorrespiratória na paciente gestante a expansão volêmica deve ser vigorosa. O Suporte Avançado à Vida
é semelhante ao da paciente não grávida, inclusive as cargas de desfibrilação. Até 20 semanas a manobra de desvio do
útero para esquerda não é realizada, pois ainda não há compressão aorta-cava importante. Em Gestante com evolução
desfavorável durante PCR com idade gestacional superior a 24 semanas, deve-se realizar cesariana em até 4 minutos
de RCP. Diferente de outras situações a intubação precoce deve ser realizada nas gestantes devido a possibilidade de
aspiração pulmonar.

Referência:
Otto CW – Cardiopulmonary Resuscitation, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK – Clinical Anesthesia 6th Ed,
Philadelphia, 2009; 1532 – 1548.
American Heart Association, Circulation, 2005;112:IV-150-153

Ponto 45 – Choque

116- Fármaco de primeira linha para tratamento da hipotensão no choque séptico:

A) dobutamina
B) vasopressina
C) dopamina
D) noradrenalina
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
A noradrenalina é o fármaco de primeira escolha para o manuseio farmacológico cardiovascular do choque séptico
porque aumenta a resistência vascular periférica, anormalmente baixa no choque séptico, e, assim, melhora a perfusão
visceral e aumenta o consumo de oxigênio, reduzindo os níveis de lactato. A noradrenalina aumenta a resistência
vascular pulmonar e renal, mas não causa lesão renal, se sua administração for acompanhada de adequada hidratação
e manutenção do volume plasmático efetivo. Este último não é afetado pela administração de noradrenalina. A
dopamina, embora apresente efeito inotrópico e aumente a oferta de oxigênio, diminui a perfusão visceral na vigência

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de choque séptico. Em baixas doses, não altera a função renal ou a sobrevida de pacientes críticos. A dobutamina deve
ser utilizada quando há evidências de diminuição da função miocárdica, como no choque cardiogênico. A adrenalina,
utilizada isoladamente para o tratamento do choque séptico, reduz a perfusão visceral apesar de aumentar o débito
cardíaco e o transporte de oxigênio. Pode ser a primeira escolha em pacientes que não respondam à noradrenalina. A
vasopressina produz efeitos semelhantes aos da noradrenalina podendo ser administrada em combinação.

Referência:
Treggiari MM, Deem S – Anesthesia and critical care medicine, em: Barash PG, Cullen BF, Stoelting RK, Calahan MK,
Stock MC – Clinical Anesthesia, 6th Ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009;1444-1472.

Ponto 31 - Anestesia em Obstetrícia

117- Mulher, 30 anos, apresenta dor lombar com irradiação para ambos os membros inferiores e sensação de
queimação em nádegas com reflexos e sensibilidade preservados 16 horas após cesárea eletiva sob anestesia
subaracnóidea. O quadro clínico sugere:

A) síndrome da cauda equina


B) aracnoidite adesiva
C) abscesso peridural
D) sintomas neurológicos transitórios
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Média

Comentário:
Quadro de dor lombar, com ou sem irradiação para um ou ambos os membros inferiores e sensação de queimação ou
câimbras, com reflexos e sensibilidade preservados, é sugestivo de sintomas neurológicos transitórios. Os sintomas
geralmente não duram mais que sete dias, embora existam relatos de casos com duração de até seis meses.

Referência:
Tsen LC – Anesthesia for Obstetric Care and Gynecologic Surgery, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF et al –
Anesthesiology, 1st Ed, New York, McGraw Hill, 2008; 1471-1501

Ponto 31 – Anestesia em Obstetrícia

118- Paciente feminina, 25 anos, grávida a termo, respirando espontaneamente em ar ambiente, apresenta os
seguintes parâmetros na gasometria arterial: PaCO2 = 30 mmHg; PaO2 = 103 mmHg; HCO3- = 19 mEq.L-1;
excesso de bases = -3 mEq.L-1; pH = 7,44. Os resultados sugerem:

A) ventilação alveolar aumentada


B) alcalose metabólica compensada
C) hipoventilação
D) acidose metabólica
E) não sei

Resposta: A
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
As gestantes normais a termo apresentam aumento da ventilação alveolar e alterações dos volumes pulmonares que
reduzem a PaCO2 e elevam a PaO2, induzindo alterações no equilíbrio ácido-base que favorecem uma maior eficiência
da transferência gasosa entre o sangue e o ar alveolar. Todos os dados laboratoriais apresentados são normais na
gestação a termo e a alcalose respiratória é típica desta fase. A compensação se faz por aumento da excreção renal de
bicarbonato.

Referência:
Cavalcanti FS. Considerações fisiológicas sobre a gestante e implicações na anestesia, em: Cangiani LM, Posso IP,
Potério GMB, Nogueira CS – Tratado de Anestesiologia SAESP, São Paulo, Atheneu, 2006; 1759-1782.
Braveman FR, Scavone BM, Wong CA and Santos AC – Obstetrical Anesthesia em: Barash PG, Cullen BF, Stöelting RK
RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009; 1137-1170

Ponto 31 – Anestesia em Obstetrícia

119- Em gestantes com histórico de abuso de cocaína:

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A) o uso crônico associa-se com aumento do consumo de agentes anestésicos


B) intoxicação aguda diminui a concentração alveolar mínima (CAM) dos anestésicos inalatórios
C) ocorre aumento da resposta pressora à efedrina
D) ocorre aumento da sensibilidade aos efeitos arritmogênicos dos anestésicos halogenados
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Médio

Comentário:
O uso crônico de cocaína pode diminuir a necessidade de agentes anestésicos e a intoxicação aguda aumenta a CAM.
Pode haver aumento de sensibilidade aos efeitos arritmogênicos dos halogenados. A hipotensão é resistente ao
tratamento com efedrina devido à depleção de catecolaminas.

Referência:
Braveman FR, Scavone BM, Wong CA and Santos AC. Obstetrical Anesthesia em: Barash PG, Cullen BF, Stöelting RK
RK, Cahalan MK, Stock MC - Clinical Anesthesia, 6th ed, Philadelphia, Lippincott Williams & Wilkins, 2009, 1137-1170.
Gaiser R. Evaluation of the pregnant patient, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF et al – Anesthesiology –
McGraw Hill Medical, 2008; 358-373.

Ponto 31 - Anestesia em Obstetrícia

120- A adição de bicarbonato de sódio à solução de anestésico local, em bloqueio peridural para cesárea, tem
como objetivo principal a redução:

A) da intensidade do bloqueio simpático


B) do nível do bloqueio sensitivo
C) da intensidade do bloqueio motor
D) da latência do bloqueio sensitivo
E) não sei

Resposta: D
Nível de Dificuldade: Fácil

Comentário:
Em bloqueio peridural para cesárea, a adição de bicarbonato de sódio à solução de anestésico local promove redução
significativa da latência do bloqueio sensitivo.

Referência:
Tsen LC – Anesthesia for Obstetric Care and Gynecologic Surgery, em: Longnecker DE, Brown DL, Newman MF et al –
Anesthesiology, 1st Ed, New York, McGraw Hill, 2008; 1471-1501

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