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Direito Civil

Lei introdutória ao Código Civil


- Artigo
Em qualquer legislação, é regra que: do 1º ao 9º artigo, sua escrita e leitura seja
ordinal, e do 10 em diante cardinal.

- Parágrafo
A função do parágrafo é exemplificar, restringir, complementar, dar salvo disposição
ao artigo.

- Incisos
São representados por números romanos e tendem a relacionar, facilitar a
compreensão, destacar, enumerar razões ou quaisquer outras formas de finalidade
sobre o parágrafo.

- Alínea
Mesma função que o inciso, mas sua ação é normalmente sobre os incisos, e não os
parágrafos.

Ex: Obs. ERRADO


§ único
Art. 206; §3º; VII; “b” CERTO
Parágrafo único
Leitura: artigo duzentos e seis, parágrafo terceiro, inciso sétimo, alínea b.

Art. 206 __________________


_________________________
(...)
§3º ______________________ Modelo de petição onde se deseja fazer a
_________________________
(...) reprodução exata do artigo, que na Itália tem
VII ______________________ uma sigla que é utilizada aqui: SIC que
_________________________
(...) significa “conforme escrito no original”
b) _______________________
_________________________

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- Lei

Importante: quando uma lei é publicada oficialmente, ela entra em vigência 45 dias
após sua publicação, salvo disposição quando a própria lei se discrimina um prazo
para entrar em vigor.
Enquanto a Lei não entra em vigor, o período que ela aguarda é chamado de
Vacacio Legis
Ou vacância, como exemplo, no artigo 2.044, onde o Código Civil expressa que só
entrará em vigor um ano após sua publicação. Todo o ano que ele não esteve em vigor,
ele esteve em Vacacio Legis.

Obs. “Data Vênia” significa “dado o respeito”. Expressão que se utiliza para dar
elegância e respeito ao se discordar ou até ofender outra pessoa:
“Data vênia você é um ignorante nesse assunto”

Quando uma Lei é publicada com incorreção (errada), ela pode e deve ser redigida
quando não tiver entrado em vigor, e ser republicada com nova data de vigência
Agora, quando uma Lei que está em vigor apresenta algum erro, a Lei é corrigida, mas
retorna como uma lei nova. Ou seja, para fazer a correção de uma lei vigente, se
formula uma nova lei que irá revoga-la e entrará em vigor no seu lugar.

Obs. As leis que sobre a correção de outras leis, se referem somente as PUBLICADAS
OFICIALMENTE (Diário Oficial), e não as publicadas erroneamente em qualquer
outro veiculo de comunicação (Ex: www.planalto.gov.br)

Para a publicação de uma Lei, existe uma hierarquia que deve ser seguida:
União
Estado
Município
Quando uma lei é feita pelo legislador de um município ela pode entrar em vigor
contanto que não entre em contrario com uma lei estadual ou federal, e uma lei
estadual não pode ter conflito com uma lei federal.
As únicas leis que podem ser legisladas e que não dão relevância a conflitos entre leis
de hierarquia superior são as leis Ambientas.
Existem dois tipos de leis, ou normas: As normas Gerais e as Normas Especiais.

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As normas especiais sempre irão contornar as normas gerais, por serem mais
específicas com relação a um determinado assunto.

-Leis de Vigência Temporária


Normalmente, as leis de vigência temporária se destinam a tempos de guerra ou crise,
onde seu vigor tem prazo específico de início e fim

-Revogação

Revogação Expressa Total (AB-ROGAÇÃO)


Parcial (DERROGAÇÂO)

Tácita
Incompatível Quando uma nova lei entra em
vigor e gera conflito, contrária,
incompatibilidade com algum
artigo de uma lei anterior, a nova
lei revoga automaticamente o
antigo artigo”.

Regulação Integral de Matéria “Quando uma nova lei age sobre


uma matéria integral já existente
ela a revoga, ou seja, se uma lei
sobre o pagamento de obrigações
fosse criada hoje, ela revogaria
todo o capitulo I do titulo III do
Código Civil.

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- Repristinação

A repristinação ocorre quando uma lei revogada volta a vigorar.


Ex. Lei X Lei Z Lei Y

Digamos que a lei Porem, a lei Z foi revogada


X foi sofreu uma pela lei Y. Com isso, a lei X
revogação tácita não volta a entrar em vigor,
Integral pela lei Z por já ter sido revogada
anteriormente. Para a
repristinação da lei X ocorrer,
a lei Y deve declarar que ela
volta a vigorar.
- Quanto a Lei omissa (lacuna na Lei)
Quando existe uma lacuna na Lei, o juiz deve sempre recorrer as fontes, que seguem
uma hierarquia: Analogia
Costumes
Princípios gerais do direito (solidificado com a história do homem).
Analogia: a analogia é a utilização de uma lei que se aproxime da lacuna existente. Na
falta de legislação existe duas formas de analogia: Integração Normativa
“Integrar uma norma já existente que se
Obs. O caso dos bondes, quando não existia
uma legislação que se aplicava a eles. Quando assemelhe ao caso em questão. Ex. dos
era necessário uma norma jurídica, utilizava-
bondes de Pontes Mirandes.
se a legislação dos trens. No caso, ocorria uma
interação Normativa.

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Integração Extensiva

Ex. No art. 25 que diz respeito quanto à


ausência de uma pessoa, ele assiste somente o
cônjuge, parceira e família, porém, nos dias
atuais, já é possível construir patrimônio em
menos de dois anos. Então, no caso da
ausência de alguém, através de uma interação
Extensiva, é possível o companheiro ser o
curador dos bens do ausente.

“Quando a legislação abre uma brecha


para a extensão em uma lei que não cobre
totalmente um caso. Ex. art. 25 no código
civil que não da assistência aos
companheiros (convívio menor de 2 anos
sem prole).

Costumes
Secumdum Legem “É um costume tão conhecido e aceito na
sociedade que se transformou em lei. Ex.
o assento reservado nos trens e ônibus
para pessoas idosas, deficientes físicas e
gestantes”
Praeta Legem “É um costume que não é lei, mas pode
ser utilizado para uma complementação de
lei ou ser considerado pela lei. Ex. a fila
do ônibus, onde não é obrigatório por lei
formar fila, mas por costume, se faz.”
Contra Legem “É um costume anticonstitucional que é
aceito na sociedade e acaba por não
receber punição. Ex. a farra do boi que é
contra as leis de defesa do animal, mas é
realizada todo o ano por costume.

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Princípios Gerais do Direito
“Tem origem na história, em Grécia e Roma, onde Obs:

surgiu o Direito Natural. O Direito Natural não precisa ser “Dura lex ged lex”
regrado ou legislado, ele vem do bom senso, do equilíbrio, do Significa:
sentimento”. A lei é dura mais é lei.
“Quando é necessário recorrer aos princípios
básicos do Direito, deve-se sempre ser levado em consideração o art. 5º do código civil onde
está declarado que sempre devemos seguir em pro dos ‘Fins Sociais’ e das exigências do bem
comum. Em resumo, sempre agir com Boa Fé.”

- Art. 6º Quanto às leis novas.


§ 1º Ato jurídico perfeito
Diz-se perfeito porque já está consumado segundo a lei vigente, significando
que mesmo que haja uma alteração na lei, o ato ainda terá validade. Ex:
Na vigência atual, um garoto de 16 anos pode fazer um testamento. Se o
mesmo o fizer, será consumado um ato jurídico perfeito, o que implica que no
caso do limite para se alcançar à maioridade se alterar para 21 anos, o
testamento do garoto ainda terá validade.
§ 2º Direito adquirido
São direitos que se exercem baseando-se na legislação em vigência. Quando a
legislação se altera, o direito adquirido é anulado.
Obs: O Direito adquirido entra em conflito com a EXPECTATIVA DE
DIREITO. Em resumo, expectativa de direito é a presunção de um direito que
se irá exercer a partir de algo ou conseqüência. Um exemplo de tal é o direito a
aposentadoria. Em 2003 uma emenda aumentou o tempo que uma pessoa se
aposenta para cinqüenta e seis anos. Ela possuía uma expectativa de direito
quanto a um benefício, mas com a alteração da lei vigente, esse direito foi
alterado.
§ 3º Coisa Julgada
É a decisão judicial de algum processo sobre um determinado fato. Sendo que a
Coisa
Obs. Julgada
Quando decorre
uma mãeentre duas uma
consegue ou mais partes
pensão em um ela
alimentícia, processo,
se apóiauma
no vez
dada
fatoàdedecisão do juiz,
não poder arcarecom
o Supremo
todas as Tribunal
despeças apoiar talIsso
do filho. decisão,
é umatal fato não
Coisa
Julgada, não se pode recorrer a tal decisão, mas se de repente a mãe ganha
na loteria e fica rica, o fato muda, ela já pode arcar com as despesas do 6
filho, por tanto o pai pode recorrer contra o pagamento da pensão.
poderá mais ser discutido, gera uma obrigação ou ato IMUTAVEL. Em resuma,
uma decisão que não comporta reforma.

Obs.: Ato Jurídico é qualquer ato de obrigação ou declaração de vontade.

Código Civil
Das pessoas Naturais
Da personalidade e da capacidade
- Art. 1º
O art. 1º se relaciona a pessoas, porem, que fique claro que pessoa não é
necessariamente humano, e sim qualquer individuo com qualidades de Direito; tem se
o reconhecimento de Direitos e deveres.

- Art 2º
Inicio (nascimento com vida)
Pessoa Natural
Termino (morte)
Obs. só o fato de ter se um nascimento com vida gera efeito jurídico

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Exemplo de hereditariedade quanto ao nascimento de prole:
Maria (R$ 1.000.000,00) e João (R$ 20,00) se casão em um regime de
comunhão imparcial, e com isso, tem-se três hipóteses:
1º mãe morre no parto e filho nasce com vida; Filho é milionário
2º mãe morre no parto e filho é natimorto; os pais da mãe são milionários
3º mãe morre no parto e filho nasce com vida, mas morre dês segundos de pois; pai é
milionário.

Obs. existe uma expectativa de direito quanto ao nascituro, que é o filho que se
encontra na mãe e a lei preserva os seus direitos por ter a expectativa de
nascimento com vida.

- Art. 3º
Quanto à incapacidade de exercer os atos civis pessoalmente
§ menores de 16 anos
§ enfermos que não possuem discernimento para a prática desses atos (doentes
mentais)
§ Quanto aos que não podem expressar sua vontade, como no caso dos mudos sem
uma educação especial, os que estão em coma, etc.

- Art. 4º
Incapacidade relativa, não podendo exercer certos atos.
I – Os maiores de 16 e menores de 18 anos.
II – deficientes mentais com discernimento reduzido; ébrios habituais (bêbados);
viciados em tóxicos.
III – Excepcionais sem capacidade mental completa é o mesmo do inciso II quanto à
deficiência mental
IV – Pródigos são pessoas que dilapidam seu próprio patrimônio, sendo incapazes
apenas a fins patrimoniais.
§ Único – se refere aos índios, e sua legislação não se encontra no código civil.

- Art. 5º

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Cessará a incapacidade dos atos civis aos 18 anos, e para os menores e maiores de 16
os seguintes casos:
I – Emancipação 1º hipótese “através de instrumento pelos pais onde
........................ independente a homologação do juiz”
2º hipótese “por sentença do juiz após ouvir o tutor na
ausência dos pais”
II – Pelo casamento, tendo em vista que para se casar quando menor é necessário a
autorização do pais.
III – Emprego publico efetivo, que representa qualquer tipo de cargo publico.
IV – conclusão de Ensino Superior, hipótese remota no Brasil pois todas as instituições
de Ensino Superior pedem conclusão de ensino médio.
V – Economia própria através de estabelecimento civil ou comercial, relação de
emprego; diferente de ganhar na loteria pois não teria rendimento através de atividade,
por tanto é patrimônio.
Obs. Estabelecimento civil Lavar roupa
Estabelecimento Comercial Vender roupa

- Art. 6º
Com relação ao termino da vida e sua sucessão, onde em certos casos pode ser
presumida a morte de um ausente e autorizada por lei a sucessão definitiva.

- Art. 7º
A morte pode ser presumida sem a declaração de ausência em certos casos.
I – Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida (Queda
de um avião sem sobreviventes)
II – Em casos de guerra e a pessoa não for encontrada dois anos após o termino da
guerra.
Obs. Se estourasse uma guerra civil nos morros do Rio de Janeiro, essa lei poderia ser
utilizada através de analogia e integração extensiva.

- Art. 8º
Morte simultânea, comorientes são as pessoas que se decretou a morte simultânea.

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Exemplo:
A mãe morre com o filho em um acidente de carro, e não existe possibilidade de saber
qual dos dois morreu primeiro, decreta-se morte simultânea. Isso é importante porque
no caso de morte simultânea em um casamento de regime da comunhão imparcial, o
pai não terá nada da mãe, pois a mãe não passou sua herança para o filho.

- Art. 9º
Quanto aos Registros Públicos.
I – Os nascimentos, casamentos e óbitos.
II – A emancipação por outorga dos pais ou sentença do juiz.
III – A interdição por incapacidade absoluta ou relativa (doenças mentais)
IV – Declaração de ausência ou de morte presumida.

-Art. 10
Averbação em registro publico (não se lança um registro novo no livro, faz se uma
averbação, uma “anotação” em sua margem).
I –Quanto à anulação ou nulidade de casamentos, divórcio, a separação judicial e o
restabelecimento da sociedade conjugal.
Obs. Nulidade não gera efeito desde o seu inicio (irmã casa com irmão); anulabilidade
teve efeito, porem pode ser anulado por alteração de algum fato desconhecido (mulher
se casa com um impotente sexual, pode anular o casamento).
II – Quanto a reconhecimento de paternidade; aqui, um ato extrajudicial é o homem
fazer o reconhecimento da paternidade voluntariamente, sem uma presença judicial.
III – Quanto à adoção de uma criança; o ato extrajudicial aqui apontado seria a mãe
doar seu filho para outra pessoa voluntariamente.

Dos Direitos da Personalidade


- Art. 11
O direito de personalidade é pessoal e intransferível, pois são irrenunciáveis (em
outras palavras, não se pode decidir o que se faz com ele, não se pode optar a não
telo).

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Ex. Quando uma pessoa cassada é traída, ela pode pedir divórcio sem que a outra parte
entra com um processo de danos morais.
Os Direito de personalidades são imprescritíveis, ou seja, não se prescreve.

Obs. Os Direitos de personalidades são intransferíveis EXETO por herança:


Patrimonial Dano Material (quando a lesão aos direitos de personalidade
herdados prejudica materialmente o herdeiro).
Dano Moral (quando os direito de personalidade herdados são
violados e o herdeiro é prejudicado moralmente)
* O prazo limite para reclamar os direitos de personalidade patrimonial é de três anos

- Art. 12
Uma vez lesado, pode-se exigir que cesse a ameaça, ou lesão, a direito da
personalidade, e reclamar perdas e danos sem interferir em outras sanções prescritas na
lei.
§ Na morte de uma pessoa, terá legitimação para com a sanção prescrita neste artigo o
cônjuge, ou qualquer parente em linha reta (Avos, pais, filhos, netos) ou colateral (Tio,
primos, sobrinhos) até o quarto grau.

- Art. 13
Salvo por exigência médica, o ato de disposição do próprio corpo é defeso por lei,
quando importar diminuição permanente da integridade física, mutilação ou contrariar
os bons costumes.
Em resumo, não se pode amputar um braço por uma simples vontade, somente em
casos onde a amputação seja uma exigência medica.
§ único: Quanto a transplantes que envolvem mutilação do corpo, uma lei
especial irá prescrever sobre tal, não se esquecendo que é a doação e
não a venda de órgãos que está legitimada.

- Art. 14
A disposição gratuita do corpo, no todo ou em parte, é valido para depois de sua morte.
§ Único: A disposição do corpo pode ser revogada a qualquer momento.

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- Art. 15
O Direito a uma morte digna. Quando uma cirurgia coloca em risco a vida do
indivíduo, ou trará conseqüências indesejáveis (ficar em estado vegetativo), o mesmo
tem o direito de decidir se fará ou não a cirurgia.

- Art. 16
Todos têm o direito de ter um nome, composto por:
Nome: Danrry Germano Bridi
Sobrenome: Bridi
Prenome: Danrry
Obs: Ao completar 18 anos, durante um ano, pode se alterar o nome sem justificativa.
Após este prazo, a alteração do nome deverá vir acompanhado de justificativa
plausível.

- Art. 17
O nome do indivíduo é protegido por lei. Não pode ser empregado por outrem, mesmo
sem intenção difamatória, em representações e publicações que o exponha ao desprezo
público.

- Art 18
Idem ao artigo 17, onde não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial (ou
qualquer fim comercial).

- Art. 19
Os pseudônimos adotado para atividades lícitas (permitidas por lei) gozam da proteção
que se dá ao nome. Exemplo: o pseudônimo Pelé é protegido pela lei.

- Art. 20
Salvo se autoridades, a administração da justiça ou a manutenção da ordem pública a
divulgação de escritos; a transmissão da palavra; a publicação, exposição ou utilização
da imagem de uma pessoa poderão ser proibidos, a seu requerimento e sem prejuízo da
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indenização que couber, se lhe atingirem a HONRRA, a BOA FAMA, ou a
RESPEITABILIDADE, ou se destinarem a fins comerciais.
No caput, as autoridades, administradores judiciais e a ordem pública utilização a
imagem para demonstrar a sociedade que existe punição. Por exemplo: uma pessoa
sendo presa.
§ Único No caso dos ausentes ou mortos, a parte legitima para requerimento
dessa proteção não inclui os colaterais, somente os ascendentes, descendentes e
cônjuge.

- Art. 21
A vida privada da pessoa é inviolável. Quando a vida privada se torna pública, cabe ao
juiz, a requerimento do interessado, fazer com que cesse ou impedir o ato contrário a
está norma.
Obs. Não confunda vida privada com vida pública.

Da Ausência (Da curadoria dos bens do Ausente)


- Art. 22
Desaparecendo uma pessoa do seu domicilio sem dela haver notícia, SE não houver
deixado representante ou procurador, o juiz nomeará, a requerimento de qualquer
interessado ou do Ministério Público, um curador e declarará a ausência.
Obs. Qualquer pessoa pode se interessar pela ausência de um indivíduo, um
cobrador, devedor, família, porém, o juiz que determinará o curador para tomar
posse das responsabilidades e dos bens do ausente.
EXCLUDENTE – Representante/Procurador

- Art. 23
A ausência também será declarada ou se nomeará curador quando o ausente deixar
mandatário que não queira ou não tenha poder suficiente para exercer ou continuar o
mandato
Obs: No art. 22, existe um excludente que bloqueia a declaração de ausência,
mas neste artigo, o excludente não existe, portanto, se nomeará curador.

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- Art. 24
O juiz tomará os cuidados conforme as circunstâncias, e utilizará do que for aplicável
no dispositivo a respeito dos tutores e curadores. E fixar-lhe-á os poderes e obrigações.

- Art. 25
O cônjuge do ausente será o legítimo curador, sempre que não esteja separado
judicialmente ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência.
Obs: Separado de fato significa uma separação não judicial, mas onde o
cônjuge sai de casa por mais de dois anos e rompe com a relação.
§ 1º Na falta de cônjuge, os legítimos curadores são primeiramente os pais, depois os
descendentes, desde que não exista impedimento que os impeça de exercer o cargo.
§ 2º Na ordem dos descendentes, primeiro os mais próximos (filhos) precedem os mais
remotos (netos, bisnetos, etc).
§ 3º Na falta de cônjuge, ascendentes ou descendentes, compete ao juiz a escolha de
qualquer pessoa para a curadoria dos bens do ausente.
(Da Sucessão Provisória)
- Art. 26
Decorrido 1 ano de arrecadação dos bens do ausente sem ele ter deixado representante
ou procurador, ou três anos tendo ele deixado procurador ou representante, poderão os
interessados pedir que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão de
bens.

- Art. 27
Para o efeito do artigo anterior, considerar-se-á interessados somente os:
I – O cônjuge não separado judicialmente. (obs. O cônjuge separado de fato
pode requerer a que se abra a sucessão provisória).
II – Os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários. (Obs. Os herdeiros
presumidos são os NASCITUROS, ou seja, os filhos que estão para nascer).
III – Os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente da sua morte.
(São eles os usufrutuários).
IV – Os credores de obrigações vencidas e não pagas.

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- Art. 28
A sentença que determinar a abertura provisória dos bens do ausente só vigorará 180
dias depois de publicada pela imprensa; Passando este prazo em julgado, proceder-se-á
a abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens como se o
ausente fosse falecido.
Exemplo
01.01.2002 ----------- 01.01.2003 ----------------- 01.02.2003 ------ 30.07.2006

Marido é dado Esposa pede a Sentença Efeito depois de


como ausente e sucessão provisória publicada 180 dias da
esposa fica (processo; onde se publicação; aqui
sendo curadora faz o inventário e a se faz a partilha
dos bens. verificação se existe dos bens e leitura
testamento). do testamento.

§ 1º É dever do Ministério Público atuar nos direitos dos ausentes; sendo


assim, decorrido o prazo do artigo 26 (1 ano sem representante ou 3 anos com
procurador), cabe ao Ministério Público requerer a sucessão provisória.
§ 2º Quanto a Herança Jacente; Não comparecendo herdeiro ou interessado em
requerer o inventário até trinta dias depois de passado em julgado (depois de
publicado, depois de 180 dias, ai entra esses trinta dias), proceder-se-á a
arrecadação de acordo com a forma estabelecida nos art. 1.819 a 1.823.

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Obs: Herança jacente é quando um indivíduo morre e não existe nenhum
herdeiro ou interessado conhecido. A herança que fica nesta brecha, é a herança
jacente.

- Art. 1.819
Falecendo alguém sem deixar testamento nem herdeiro legítimo notoriamente
conhecido, os bens da herança, depois de arrecadados ficarão sobre a guarda e
administração de um curador, até a sua entrega ao sucessor devidamente habilitado
ou declaração de vacância.

- Art. 1.820
Feito todas as diligências de arrecadação e todos os processos necessários quanto ao
ultimato do inventário, decorrido um ano de sua primeia publicação, sem que haja
herdeiro habilitado, ou penda habilitação, a herança será declarada vacante.

- Art. 1.821
Os credores terão direito a quitação da divida nas limitações das forças da herança

- Art. 1.822
A declaração de vacância não prejudicará os herdeiros que se habilitarem
legalmente, porém, passados cinco anos da abertura da sucessão, os bens
arrecadados passarão ao domínio do Município,do Distrito Federal ou da União.
§ Único – Os colaterais ficarão fora da sucessão quando a herança for declarada
vacante.

- Art. 29
No caso de haver bens móveis sujeitos ao extravio ou a deterioração, o juiz, se achar
necessário, ordenará a conversão para imóveis ou em títulos garantidos pela União.
Obs. Bens móveis que entram nessa distinção seria um boi, ou qualquer coisa que
possa ser dilapidada durante o processo.

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- Art. 30
Para o herdeiro se ter a posse dos bens do ausente darão garantias da restituição deles,
através de penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos.
Obs: Penhor – A garantia que se oferece através de bens móveis
Hipoteca – Garantida oferecida através de bens imóveis
§ 1º Aquele que tiver direito a posse provisória e não poder arcar com as garantias
prevista neste artigo será excluído, mantendo-se os bens que lhe caberiam com o
curador ou com outro herdeiro que preste esta garantia.
§ 2º Ascendentes, descendentes e o cônjuge, uma vez provada sua qualidade de
herdeiro não precisará pagar as garantias estipuladas por este artigo para entrar com a
posse dos bens do ausente.

- Art. 31
Os imóveis do ausente só poderão ser alienados (transmitidos) ou hipotecados para
lhes evitar ruína mediante a autorização do juiz. Com exceção quando for por
desapropriação.

- Art. 32
Empossados nos bens do ausente, os sucessores provisórios representarão ativamente e
passivamente o ausente, de modo que corra contra e por eles as ações pendentes.
Obs. Representação Ativa – Autor da ação
Representação Passiva – Réu da ação
Ação/Juiz

Pólo ativo Pólo passivo

- Art. 33
Os descendentes, ascendentes ou cônjuge que for sucessor provisório, fará seus todos
os frutos e rendimentos dos bens que a este couberam; os outros sucessores deverão
capitalizar 50% desses frutos e rendimentos segundo disposto no artigo 29, de acordo
com o representante do Ministério Público e prestar constas anualmente ao juiz

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Obs: Fruto é algo que se pode retirar de algo sem que ele perca suas
características originais.
Produto é o valor que o bem oferece a medida que perde
gradativamente seu valor
§ Único Se o ausente aparecer e ficar provado que sua ausência foi voluntária e
injustificável, ele perderá sua parte nos frutos e rendimentos (os 50%
capitalizados) para seus sucessores.

- Art. 34
O excluído da posse provisória, de acordo com o artigo 30, justificando falta de meios,
poderá requerer que lhe seja entregue metade (25%) dos rendimentos do quinhão que
lhe tocaria.

- Art. 35
Se durante a posse provisória seja provada a época exata que o ausente veio a falecer,
considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão dos bens em favor dos herdeiros daquela
época.
Exemplo:
2000 -------------------------- 2003 --------------------------2004
Um indivíduo Declarado Esposa fica
desaparece, ausência e como
porém, deixa iniciado a curadora
curador que sucessão sem prestar
tome conta de provisória garantia.
seus bens. dos bens

Porém, fica provado que o marido dela morreu em 2001, onde era o antigo código
civil que estava em vigência. Nesse caso, a esposa perde todos os direitos à herança
para o pai do falecido porque o código de 1916 previa que o cônjuge não tem direitos
a herança.
- Art. 36
No caso do ausente aparecer, ou ficar provada sua existência, depois de estabelecido a
posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando
obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu
dono. (Dever de guarda).

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(Da sucessão definitiva)
- Art. 37
Dez anos após a passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão
provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento
dos cauções prestados (garantias;capitalizações).

- Art. 38
A sucessão definitiva também pode ser requerida provando-se que o ausente conta
oitenta anos e que o mesmo já se encontra a mais de 5 anos ausente.

- Art. 39
No caso do ausente regressar durante os dez anos seguintes a abertura da sucessão
definitiva, ou algum dos descendentes ou ascendentes reclamar a posse da sucessão
definitiva, só haverão os bens no estado em que estiverem, os sub-rogados em seu
lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens
alienados (transmitidos) depois daquele tempo.
Obs. Bens sub-rogados são os bens que se obteve através do patrimônio do
ausente, um exemplo seria vender a casa do ausente e comprar um
apartamento, o apartamento seria um bem sub-rogado.
§ Único Se nos dez anos a que se refere este artigo não houver interessados na
sucessão definitiva, nem o ausente retornar, todos os bens arrecadados passaram para o
Município, ou o Distrito Federal ou a União.

2º SEMESTRE
Bens
- Introdução
Conceito Filosófico: tudo que possa proporcionar ao homem qualquer satisfação, tanto
material quanto imaterial.

19
Conceito Jurídico: valores materiais ou imateriais que podem ser objetos de uma
relação de direito e possuam valor econômico (só interessa ao Direito as coisas suscetíveis de
apropriação exclusiva pelo homem).
Coisa: é o gênero enquanto os bens são a espécie. Coisas são tudo o que existe na
natureza com exceção das pessoas.
Patrimônio: Acervo de bens que podem ser convertidos em dinheiro composto por
todo ativo e passivo de um indivíduo.
Obs. Antigamente vigorava a teoria realista, onde só poderia ser considerado o ativo de uma
pessoa, porém hoje em dia temos a teoria subjetiva que uni o ativo ao passivo.
Patrimônio negativo é quando o patrimônio passivo supera o ativo.

- Bens Imóveis
Bens imóveis são as coisas que não podem ser transportadas sem destruição de um
lugar para outro.
Bens Imóveis por natureza: o solo, o espaço aéreo e o subsolo.
Bens Imóveis por acessão física: coisa incorporada não pode ser retirada sem que aja
dano. É todo o trabalho produzido pelo homem como plantações, construções.
“Art. 79 São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou
artificialmente”.
Obs. Solo incorpora todo o espaço aéreo e o subsolo com as limitações do artigo 1229: A
propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e
profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades
que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha
ele interesse legítimo em impedi-las.
Bens imóveis por determinação legal: uso real (uso fruto de bens); ações (judiciais);
sucesso aberta (conjunto de bens deixados pelo decujos, tanto imóveis quanto móveis).
“Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
II - o direito à sucessão aberta”.

“Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:

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I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade,
forem removidas para outro local;
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se
reempregarem”.

- Bens Móveis
São bens móveis por sua natureza são os semoventes, que são bens suscetíveis de
movimento próprio (animais), enquanto os que se referem à força alheia são os propriamente
ditos.
“Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção
por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-
social”.
Já os móveis por determinação legal são todas as coisas que não são suscetíveis a
alteração de sua substância que tenham valor econômico. Os direitos reais (que agregam as
hipotecas, penhor ou alienação fiduciária em garantia) por exemplo. Ou os direitos autorais de
imagem ou pessoa salvos no inciso III.
“Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:
I - as energias que tenham valor econômico;
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações”.
Obs. Móveis por antecipação: uma arvore que vai ser usada para o corte é um bem móvel
por antecipação em virtude de que sua capacidade de imóvel possui prazo de validade.
“Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem
empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade
os provenientes da demolição de algum prédio”.

- Bens Fungíveis e Consumíveis


Bens fungíveis são aqueles que podem ser substituídos sem a alteração do seu valor
tanto econômico quanto sentimental. Por exemplo: uma saca de arroz é um bem fungível,
enquanto uma obra de Picasso é um bem Infungível.
Obs. Dependendo da natureza da coisa, as partes podem tornar um bem fungível em um
bem infungível.

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“Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma
espécie, qualidade e quantidade”.
Bens consumíveis de fato são aqueles que sua finalidade se esgota após o uso. Bens
consumíveis de direito são os bens que serão alienados, como um livro para uma livraria.
Obs. Quando o bem admite uso reiterado sem destruição de sua substância são bens
inconsumíveis.
“Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata
da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à
alienação”.

- Bens Divisíveis e Indivisíveis


A relação de divisibilidade é dependente de cada parte do todo ser: autônoma, ter a
mesma qualidade e espécie e não poder ter diminuição em seu valor quando vendido
separadamente.
“Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua
substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se
destinam”.
Temos dois tipos de bens indivisíveis: Por natureza (não podem ser fracionados, como
um carro ou um relógio) e por determinação legal ou das partes (quando defeso em lei ou em
contrato, um bem deixa de ser divisível para ser um indivisível).
“Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por
determinação da lei ou por vontade das partes”.

- Bens Singulares e Coletivos


Bens singulares são aqueles que mesmo quando entre vários outros bens, pode ser
considerado por si só. Um livro por exemplo.
“Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si,
independentemente dos demais”.
Bens coletivos ou universalidades são sempre tidos pelo todo, e não somente por si.
Um carro é um bem singular, mas a direção do carro é uma universalidade. Uma biblioteca é
um bem coletivo.

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Temos aqui duas classificações de universalidades: De fato (conjunto de bens
singulares corpóreos, homogêneos, ligados pela vontade humana para um fim) e os de Direito
(bens singulares, não necessariamente corpóreos, heterogêneos, que a norma jurídica da
umidade para produzir certos efeitos jurídicos, como por exemplo: as heranças ou os direitos
autorais).
Obs. Os bens coletivos podem fazer parte de ações e relações jurídicas. Uma biblioteca
pode ser vendida como um bem coletivo, e não apenas livro por livro.
“Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que,
pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária”.
“Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto
de relações jurídicas próprias”.
“Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de
uma pessoa, dotadas de valor econômico”.

- Bens Reciprocamente Considerados


A consideração quanto a bens principais de bens acessórios, sendo que o primeiro não
desaparece pela a extinção do segundo. Quanto ao segundo, salvo disposição em contrário,
segue o destino do principal.
“Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente;
acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”.
Diferente de pertenças, que não são acessórios, mas destina-se ao uso, serviço ou
aformoseamento (tornar formoso, embelezar) de outro bem. Desde que não constitua com o
bem parte integrante.
“Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se
destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de
outro”.
Quanto aos negócios jurídicos referentes aos bens principais, salvo disposição em
contrário, não abrange as pertenças, como por exemplo: a mobília de uma casa alienada não
se incorpora na venda.
“Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não
abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de
vontade, ou das circunstâncias do caso”.

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No caso dos frutos e produtos, mesmo quando ainda juntos ao bem, podem ser objetos
de relações jurídicas, sempre diferenciando: Frutos naturais (aqueles que decorrem da
natureza) dos frutos civis (que são os juros) e dos Frutos industriais (produtos
industrializados, intervenção humana).
“Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos
podem ser objeto de negócio jurídico”.
Benfeitorias são as obras ou despesas que provem dos bens, e são classificadas pela lei
como voluptuárias, úteis ou necessárias, conforme se prescreve a seguir:
“Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso
habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se
deteriore.”
Caso o bem esteja locado, os melhoramentos ou acréscimos a ele sem a vontade ou
intervenção do proprietário não serem consideradas benfeitorias.
“Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos
sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor”.

- Bens Públicos e Particulares


“Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual
for a pessoa a que pertencerem”.
O código civil classifica os bens públicos pela sua destinação, e quando se refere aos
bens públicos dominicais é para a proteção de suas terras devolutas (terrenos vazios ou
propriedades que não são usadas para administração como fazendas).
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal,
inclusive os de suas autarquias;

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III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de
direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas
entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os
bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado
estrutura de direito privado.
As principais características dos bens públicos são sua inaliebilidade e sua
imprescritividade, ambos defeso no código.
“Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei
determinar”.
Os únicos bens públicos que podem ser alienados são os dominicais, tendo que quando
se transfere um bem público para um privado faz-se uma desafetação. E vale lembrar que é
possível mudar a classificação dos bens públicos.
“Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as
exigências da lei”.
“Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”.
Apesar de serem de uso público, as entidades que administram sua posse podem
cobrar para o ingresso e os serviços oferecidos, conforme sua finalidade.
“Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído,
conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração
pertencerem”.

Fatos Jurídicos
- Fato jurídico em sentido estrito
São atos da natureza que geram efeitos jurídicos. Ex.: abandono de álveo (braço de
rio); ou o nascimento e a morte.
- Ato jurídico
Conduta de um sujeito de direito relevante para o direito.
 Negócio Jurídico: propósito negocial = se o agente quiser criar situações jurídicas

 Ato jurídico meramente licito auto jurídico em sentido estrito. (Ex.


reconhecimento de paternidade não possui propósito negocial algum).

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Obs. Ato jurídico  Fato jurídico

- Fato jurídico em sentido amplo


É todo o acontecimento da vida relevante para o direito, mesmo que ilícito. Podem ser
causados por sujeitos de direito ou não.

- Interpretação do negócio jurídico


C.C. art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nela
consubstanciada do que ao sentido literal da palavra.
Equivale ao conjunto interpretado, e não necessariamente pelo sentido literal de uma
palavra.
C.C art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os
usos do lugar de sua celebração.
Em suma, presume-se boa-fé! E em caso de obscuridade e pontos duvidosos, os usos e
costumes de cada localidade de celebração do negócio deveram ser levados em consideração.
C.C art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o
autorizem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.
Provérbio popular, quem cala consente.
C.C art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renuncia interpretam-se estritamente.
Negócio jurídico benéfico é quando uma das partes apenas se sacrifica, enquanto a
outra recebe os benefícios. Ex. doação. Renuncia e a renuncia de qualquer direito.
Nesses casos, deve ser feito uma analise de forma restrita, diferente de outras formas
de negócio jurídico.

- Representação
Representação é uma outorga de poderes para aprática de atos da vida civil nos limites
da lei ou da procuração
C.C art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interesse do
representado.
Temos que por lei, os que praticam a representação são: os pais, tutores e curadores
nomeados por juiz. Já os nomeados pelo interessado são os procuradores.

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C.C art. 116. A manifestação de vontade, nos limites de seus poderes, produz efeitos
em relação ao representado.
Quando os limites outorgados são compridos pelo representante geram-se efeitos
jurídicos contra o representado.
C.C art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico
que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo
Quando celebrado um negócio jurídico do representando para com ele mesmo, este
negócio é anulável. Obs. Anulável  Nulo
Parágrafo Único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio
realizado por aquele em que os poderes houverem sido subestabelecidos.
Do representante que transmite seus poderes para outrem, e desse modo
subestabelecendo seus poderes, será sucessível de anulabilidade o negócio jurídico realizado
com o representante inicial.
C.C art. 118. O representante é obrigado a provar as pessoas, com quem tratar em
nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o
fazendo, responder pelos atos que a estes se excederem.
Nos casos dos poderes outorgados pelo representado serem menores do que os atos
jurídicos realizados pelo representante, a responsabilidade recai sobre o autor do negócio.
C.C art.119. É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de
interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com
aquele tratou.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da
cessação da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste
artigo.
O problema aqui é provar o conhecimento de quem tratou com o representante. Pois
somente será anulado o negócio jurídico que não estiver de acordo com os interesses do
representado quando o contratante tiver ciente de tal.
Nesses casos, tem-se 180 dias para fazer valer o seu direito e anular o negócio.
Da condição, do Termo e do Encargo
- Introdução

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São acidentais no negócio jurídico, sua introdução é facultativa. Elementos que são
reconhecidos nos atos de natureza patrimonial em geral, não sendo aceito em casos especiais.
Ex. aceitação e renuncia de herança.
Os elementos acidentais não podem fazer parte dos atos de caráter pessoal, como
direito de família.

- Condição
É uma cláusula inserida no negócio que subordina a eficácia do mesmo a um evento
futuro e incerto. Portanto, como requisito para ser considerado uma conclusão temos:
futuridade e incerteza.
C.C art. 121. Considera-se condição a clausula que, derivando exclusivamente da
vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
C.C art. 122. São licitas, em geral, todas as condições não contrária à lei, à ordem
pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo
o efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.
As condições que tem respaldo na lei são simplesmente aquelas que não a contrarie,
mesmo aquelas que cessem com todo o negócio jurídico.
C.C art.123. Invalidam os negócios jurídicos que lhe são subordinados:
I – as condições físicas ou juridicamente impossíveis quando suspensivas.
Condição suspensiva é aquela que impede o efeito do negócio ate a sua
realização. Ex. é invalidado um negócio jurídico que tenha como condição
anular uma cláusula pétrea alguém ou acender um fósforo em baixo d’água
II – as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita.
Matar alguém ou roubar alguém como condição invalida o negócio
III – As condições incompreensíveis ou contraditórias.
C.C art. 124. Tem-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas e
as de não fazer coisa impossível.
C.C art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva,
enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.
Voltando a questão de condição suspensiva que mantém o direito que será adquirido
em vinculo a realização da clausula.

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C.C art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente
esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com
ela forem incompatíveis.
Caso alguém disponha algo sob a condição suspensiva, e fizer novas disposições sobre
o disposto sem a realização da condição, não terão valor. Isso porque com a realização da
condição suspensiva, a eficácia retroage para a data que foi realizado o negócio.
C.C art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o
negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.
Condição resolutiva é aquela que mantém o negócio jurídico até sua concretização.
Ex. sua tia lhe enviará todo o mês R$5.000,00 enquanto você cursar a faculdade de direito.
Com a realização do evento futuro e incerto se encerra a condição.
C.C art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o
direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a
sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados,
desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-
fé.
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo
implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao
contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem
aproveita o seu implemento.
Exemplo. X se propõem a pagar a Y R$30.000,00 se no dia 16/10 as ações da empresa
A chegar ao valor B. Condição maliciosa = dolo.
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou
resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo.
Direito eventual é a expectativa de direito, e para o portador da expectativa do direito é
permitido praticar atos para conserva-lo, como reformas.

- Termo
Clausula inserida no negócio jurídico que subordina a eficácia do negócio jurídico,
sendo um evento futuro e certo.
Porém, há duas espécies de termos, os termos certos e os incertos. Quanto aos certos,
são aqueles que reportam a uma data do calendário ou lapso de tempo definida (contrato de

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locação – entra em vigor dia X). Já os termos incertos, são certos quanto a sua concretização,
mas incertos quanto a sua data (a morte).
Do termo inicial, suspensivo e “dies a quo” tem-se que são relativos a eficácia do
negócio. Celebrado o contrato, a eficácia tem seu inicio no termo inicial/suspensivo/”dies a
quo”
Já o momento em que cessará os efeitos do negócio fica ligado aos termos
finais/resolutivos/”dies ad quem”
Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.
Diferente da condição, ao portador do contrato onde existe um termo inicial, o
exercício do direito é suspendido até a sua realização, porém, a expectativa do direito já é real,
e com isso a aquisição do direito já esta vinculada ao contratante.
Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os
prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento.
Termo é a data que inicia e termina a eficácia do negócio jurídico, diferente de prazo,
que é o período em si de eficácia.

Termo inicial Termo final


“A quo” Prazo “Ad quo”
20/11/2006 20/11/2008

§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o


seguinte dia útil.
§ 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no
imediato, se faltar exata correspondência.
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.
Do como realizar os termos.
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos,
em proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das
circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os contratantes.
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo
se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.

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Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à
condição suspensiva e resolutiva.
Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando
expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.
Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o
motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO


- Introdução
Seis defeitos tornam o negócio jurídico anulável: erro, dolo, coação, estado de
perigo, lesão e fraude contra credores (CC, art. 171, II).
Um defeito faz com que o negócio jurídico seja nulo: simulação (CC, art. 167).

- Erro
No erro o agente engana-se sozinho.
O erro que torna o negócio jurídico anulável é: substancial (ou essencial),
escusável, real ou acidental.
Erro substancial: recai sobre circunstâncias e aspectos relevantes do negócio. Se o
agente conhecesse a realidade, não celebraria o negócio jurídico (CC, art. 139).
Ex: Compra um relógio de aço, pensando ser de prata.
Erro escusável: é o erro justificável, desculpável. Deve-se empregar uma diligência
ordinária, (CC art. 138).
Erro real: efetivo, causador de real prejuízo ao interessado.
Ex: Erro sobre ano de fabricação do carro (erro real, mas indesculpável).
Erro acidental: é o erro que se refere a circunstâncias de menor importância e que
não acarretam efetivo prejuízo. Se a realidade fosse conhecida, mesmo assim o negócio
seria realizado.
Ex: Pessoa quer comprar carro escuro. Compra azul escuro, pensando ser preto. (NÃO
ANULA O NEGÓCIO JURÍDICO)

- Dolo

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Dolo é o artifício malicioso para induzir alguém à prática de um ato que lhe é
prejudicial, mas proveitoso ao autor do dolo ou a terceiro.
O dolo que torna o negócio jurídico anulável é o principal (CC, art. 145). Consiste
na causa determinante da celebração do negócio jurídico. Se o agente conhecesse a
realidade, não tivesse sido enganado ele não celebraria o negócio.
Existe, também o dolo acidental. É o dolo que recai sobre aspectos secundários do
negócio jurídico. Se o agente não tivesse sido enganado, o negócio também seria realizado,
embora de outra forma. Conseqüência: não anula, mas obriga à satisfação das perdas e
danos.

- Coação
É toda ameaça ou pressão que obriga a pessoa a realizar um ato que não praticaria
por livre e espontânea vontade.
Obs: Se a coação é absoluta ou física, não ocorre manifestação de vontade e o
negócio jurídico é inexistente.
Ex: Colocação da impressão digital do analfabeto no contrato, agarrando seu braço à força.
A coação que torna o negócio jurídico anulável deve ser a causa do ato. (sem a
ameaça, o negócio não seria realizado), grave (considerando o caso concreto – CC, art.
152), injusta (ilícita, contraria ao direito), de dano atual ou iminente e que constitua
ameaça de prejuízo à vítima, seus bens ou pessoas de sua família.

- Estado de Perigo
CC, art.156 : Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da
necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra
parte, assume obrigação excessivamente onerosa.
Parágrafo Único: Tratando - se pessoa não pertencente à família do declarante, o
juiz decidirá segundo as circunstâncias.
Elementos:
* obrigação excessivamente onerosa;
* medo causado pela necessidade de “salvar a si mesmo” ou “salvar pessoa de sua
família” de grave risco existente.

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Ex: Antônia promete entregar ao médico Bento seu único imóvel, caso ele salve a
vida de seu marido que está tendo um ataque cardíaco na rua.

- Ato Ilícito
Art. 186, A responsabilidade subjetiva tem por base a comprovação da culpa ou
dolo do lesante, o que se verifica pela constatação de ter havido, no caso de culpa,
imprudência, negligência ou imperícia (Ex: cirurgião quando atinge um órgão vital por
falta de habilidade) no comportamento lesivo, estabelecendo uma relação de causalidade
entre a conduta e o resultado danoso.
Dolo, o sujeito atua deliberadamente para produzir o dano ou assume o risco pelo
resultado lesivo.
Art.187,CC, Abuso de poder: Ato originariamente lícito mas exercido fora dos
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
Ex: clube de dança prejudicando o sossego.
Art.188,CC
I – Requisitos para verificação da legítima defesa:
a) agressão atual ou iminente;
b) agressão injusta;
c) uso moderado dos meios para repelir a agressão.
Ex: matar o cão de raça pertencente ao vizinho quando este tenta avançar em seu
filho.
II – Embora a lei declare que o ato praticado em estado de necessidade não é um
ato ilícito, nem por isso libera quem o pratica de reparar o prejuízo que causou.
Se um motorista atira o seu veículo contra um muro, derrubando-o, para não
atropelar uma criança que, inesperadamente, surgiu-lhe à frente, o seu ato, embora lícito,
não o exonera de pagar a reparação do muro.
Entretanto, o evento ocorreu por culpa in vigilando do pai da criança, que é
responsável por sua conduta. Assim, embora tenha que pagar o conserto do muro, o
motorista terá ação regressiva contra o pai do menor para se ressarcir das despesas
efetuadas.

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- Lesão
Ex: Maria Helena Diniz p.398 – Alguém está prestes a ser despejado e procura
outro imóvel para morar, cujo proprietário, mesmo não tendo conhecimento do fato, eleva
o preço do aluguel.
Obs: O contrato poderá ser anulado mesmo que o outro contratante não tenha tido
conhecimento das condições de necessidade ou inexperiência do lesado.
Diferença básica: lesão (não se exige que a outra parte saiba da necessidade ou
inexperiência do lesado) diferente de estado de perigo (exige conhecimento da necessidade
do outro salvar-se ou pessoa da sua família).
Art.157, parágrafo 2o - admite suplemento ou redução do proveito.

Fraude contra Credores


- Conceito
É a prática maliciosa, pelo devedor, de atos que desfalquem seu patrimônio, com o
objetivo de livrá-lo do pagamento dos credores.
A fraude compõe-se de dois elementos: um objetivo (a realização do ato) e um
subjetivo (a intenção de fraudar, a má fé, o intuito de prejudicar terceiros).
Obs: Em alguns casos, conforme estudaremos, a lei presume o intuito fraudulento.
A fraude contra credores só será caracterizada se o devedor já for insolvente
(passivo é maior que ativo) ou ele torna-se insolvente em razão de seus atos que
comprometem seu patrimônio.

- Hipóteses de fraude contra credores:


a) Atos de transmissão gratuita (doação) e de remissão (perdão) de dívidas:
Art158, C.C: A lei presume a existência do intuito fraudulento.
Obs: O estado de insolvência é objetivo (existe ou não independentemente do
conhecimento ou não do insolvente).
É irrelevante o fato do donatário estar ciente ou não da insolvência do doador.
b) Contratos onerosos:

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Art.159,CC: Se o adquirente ignorava a insolvência do vendedor, nem podia, com
diligência ordinária, descobri-la, vale o negócio celebrado.
E se o adquirente estava de má fé, ou seja, sabia que o devedor estava ou ficaria
insolvente o negócio poderá ser anulado.
Obs: A lei (Art159,CC) presume a má-fé do adquirente quando a insolvência do
alienante for notória (títulos protestados), ou quando houver motivo para ser conhecida
pelo adquirente (Ex: contrato de compra e venda de um bem a um parente, venda por
preço vil, venda de todos os bens).
c) Pagamento antecipado de dívidas
Art.162,CC: Frustra a igualdade que deve haver entre os credores quirografários.
Assim os demais credores podem ajuizar ação para tornar sem efeito o pagamento
antecipado, determinando que o beneficiado reponha o que recebeu.
Obs: A lei presume o intuito fraudulento.
d) Outorga fraudulenta de garantias (hipotecas,penhor)
Art.163.CC: Coloca o que recebeu a garantia de forma fraudulenta em posição mais
vantajosa que os demais credores e isso é errado.
Art.165,p.u.,CC (O que se anula é somente a garantia; o credor retorna à condição
de quirografário).
Obs: A lei presume o intuito fraudulento.

- A fraude ainda não ultimada


Art.160, CC: Obs: O preço deve ser justo, pois, caso contrário, causaria prejuízo
aos credores quirografários.

– Presunção de boa-fé
Art.164,CC: Assim, o dono de uma loja, não fica pelo fato de estar insolvente,
impedido de continuar a vender as mercadorias expostas nas prateleiras de seu
estabelecimento. Não poderá, contudo, alienar o pp. estabelecimento.
Os atos fraudulentos são anuláveis através da ação revocatória ou pauliana.
Entretanto, só estão legitimados a interpor tal ação os credores quirografários que já
o eram ao tempo da insolvência (Art.158, parágrafo 2º).

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Deve ser intentada pelos credores contra o devedor e contra os beneficiários do ato
fraudulento (Art.161).
Art.165,CC – O patrimônio do devedor se restaura.
Os bens alienados voltam ao patrimônio do devedor; as garantias concedidas se
extinguem e os pagamentos antecipados são devolvidos.

Invalidade do negócio jurídico


- Conceito
Nulidade ou invalidade é a sansão imposta pela norma jurídica aos atos e negócios
praticados em contrariedade à lei, privando-os de direitos jurídicos.
São duas as espécies de nulidades: absolutas e relativas.
A absoluta impede que o ato jurídico gere efeitos que normalmente lhe
pertence,como se nunca tivesse existido; a relativa ou anulabilidade permite que o ato
jurídico gere efeitos, se não for requerida a sua anulação, ou se ele for convalidado.
A lei distingue entre negócios nulos e anuláveis. Estes se referem aos vícios (erro,
dolo, coação, fraude contra credores, lesão e estado de perigo) e aos atos praticados pelos
relativamente incapazes.
São nulos os seguintes negócios:
Art.166,I – art.5º,CC
Art.166,II – Já estudado, quando tratamos dos elementos constitutivos do negócio jurídico.
Ex: compra e venda do bem público de uso comum do povo.
Art.166,III
Art.166,V – Juiz de paz não fala as palavras obrigatórias para a celebração do casamento.
Art.166,IV – Ex: compra e venda de bem imóvel por escritura particular.
Art.166,VI –
Art.166, VII – Ex: Contrato firmado por absolutamente incapaz.
Art.168
Art.169

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- Nulidade diferente de Anulabilidade
Nulidade (é de ordem pública; não pode ser ratificada ou suprida pelo juiz)
diferente de Anulabilidade (é de interesse privado: pode ser ratificada (confirmada) ou
suprida pelo juiz, a requerimento das partes; faz desaparecer os vícios.
Nulidade: Pode ser decretada pelo juiz, sem provocação das partes (de ofício).
Anulabilidade: Só pode ser decretada mediante provocação da parte interessada.
Nulidade: A sentença que a declara produz efeitos “ex tunc” (retroage à data da
celebração do negócio, para lhe negar efeitos).
Anulabilidade: A sentença que a declara produz efeitos “ex nunc” (não opera antes
de julgado por sentença).
Nulidade: Pode ser alegada por qualquer interessado, pelo juiz ou pelo MP.
Anulabilidade: Só pode ser alegada pelas partes interessadas.
Nulidade: É imprescritível.
Anulabilidade: Sofre decadência.

Simulação
- Conceito
É uma declaração falsa da vontade, visando aparentar negócio diverso do negócio
realmente desejado.
Aparenta-se o que não existe. Ex: emissão de títulos de crédito em favor de amigos
e posterior dação em pagamento de bens, desses títulos, por marido que quer se separar da
esposa e subtrair da partilha tais bens (simulação absoluta).
Dissimulação: Omite-se o que é verdadeiro. (simulação relativa)
Ex: as partes passam a escritura por preço inferior ao real.
Art.167 “caput” ,CC – No exemplo da escritura pública lavrada por valor inferior
ao real, anulado o valor aparente, subsistirá o real, dissimulado, porém lícito.
Art. 167, parágrafo 1º
I – Ex: homem que finge vender bem a terceiro, mas na verdade é para sua esposa.
II – Ex: contrato de compra e venda de um bem em que se diminui o valor real
deste;
III – contrato com uma determinada data, mas realizado em outra, anterior ou
posterior.
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Prescrição e Decadência
- Conceito de prescrição
Em virtude da inércia do titular durante o prazo determinado por lei. O titular do
direito subjetivo violado não exerce sua pretensão em juízo no prazo legal.
Requisitos:
a) inércia do titular, ante a violação de um dir. seu.
b) decurso do tempo fixado em lei.
Pretensões imprescritíveis principais:
a) as que dizem respeito ao estado das pessoas (estado de filiação, situação
conjugal)
b) as que protegem os direitos da personalidade (vida, intimidade)
Alguns artigos referentes à prescrição: Art. 192,CC.
Além dos casos dos artigos 197 e 199, se a ação depender de apuração de fato no
juízo criminal, não ocorrerá a prescrição (art.200)

- Prazos de Prescrição e Decadência


Obs: prazos de prescrição são unicamente os taxativamente listados na Parte Geral,
nos artigos 205 (regra geral) e 206 (regras especiais), sendo de decadência todos os demais,
estabelecidos como complemento de cada artigo que rege a matéria, tanto na Parte Geral
como na Especial.

- Conceito de Decadência
É o perecimento do próprio direito pelo não-exercício durante o prazo determinado
em lei. A não ser por expressa disposição legal em casos específicos, os prazos de
decadência correm contra todos (não se suspende ou se interrompe – art.207)
Possibilidade de estitulação contratual (art.211) – contanto que não seja diminuído.
Exemplos de prazo de decadência:
- 4 anos no art. 178 para vícios;
- 2 anos para os demais casos de ato anulável (art.179).

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