Você está na página 1de 8

1.

Generalidade sobre aplicação industrial de enzima

A aplicação de bioprodutos em processos tecnológicos tem crescido


exponencialmente nos últimos anos. Dentre esses produtos, as enzimas são
biocatalisadores produzidos por diferentes células que apresentam elevada
especificidade e versatilidade relativa a substratos sob condições brandas de
reação; diminuem a energia de ativação e, por conseguinte, impulsionam a
velocidade das reações, além de serem biodegradáveis e inócuas aos seres
vivos quando comparadas aos catalisadores químicos (JOO, CHANG, 2005).
A estabilidade é um parâmetro importante, pois determina a viabilidade
econômica da aplicação de uma enzima num processo industrial. Elevada
estabilidade é considerada, geralmente, como uma vantagem econômica devido
ao reduzido volume de enzimas. As enzimas estáveis permitem o uso de
elevadas temperaturas no processo, o que pode ter efeitos benéficos sobre as
taxas de reação, solubilidade ao reagente e o baixo risco de contaminação
microbiana (EIJSINK et al., 2004).
As empresas que se destacam na aplicação de enzimas atuam no ramo
de diagnósticos, seguido da indústria alimentícia, bebidas e produtos médico-
hospitalares. Insumos enzimáticos são também utilizados em atividades
relacionadas ao meio ambiente e produção de: tecidos, couro, papel e celulose,
ração animal, produtos químicos e veterinários, saneantes e cosméticos (SILVA,
2013).

2. A biologia molecular e produção de enzimas de interesse comercial

A busca de microrganismos que possam produzir essas enzimas é


constante e várias técnicas de biologia molecular estão disponíveis hoje para
utilização nesse processo. Talvez a maior dificuldade da indústria seja encontrar
enzimas que possam suportar algumas condições industriais como variação de
temperatura e pH. Nesse contexto, existe um aumento mundial no consumo de
enzimas industriais. O Brasil, hoje, é um país essencialmente importador de
enzimas, além de apresentar um uso ainda reduzido de enzimas em processos
industriais quando comparado com outros países. Assim, a inserção e
consolidação do Brasil como produtor de tecnologia enzimática faz-se
necessário (SENAI, 2009).
Há milhares de anos, as enzimas vêm sendo utilizadas em processos
tradicionais. Esses biocatalisadores podem ser extraídos de tecidos animais,
vegetais e de microrganismos. Embora as enzimas obtidas de fontes vegetais e
animais sejam muito utilizadas, as de origem microbiana são mais utilizadas por
várias razões como, por exemplo: produção independente de fatores sazonais,
possibilidade da utilização de substratos baratos como os resíduos agrícolas e o
fato de o rendimento na produção poder ser elevado a partir da otimização das
condições nos processos fermentativos por mutações ou a partir da tecnologia
do DNA recombinante (SENAI, 2009).

3. Imobilização de Enzimas

A imobilização consiste no confinamento da enzima em um suporte sólido


para posterior reutilização do biocatalisador, tornando o processo menos
oneroso. Em geral, a imobilização oferece uma série de vantagens e as razões
para a escolha de um derivado imobilizado variam de aplicação para aplicação,
incluindo a utilização da atividade catalítica por um maior período de tempo, a
possibilidade de operação contínua do processo, com maior facilidade de
controle, a facilidade de separação do produto final, a facilidade de interrupção
da reação, em um nível desejado, pela remoção da enzima, caso o processo
seja batelada, ou ajuste do tempo de residência se é usado um reator contínuo.

4. Aspectos de legislação e regulamentação do uso industrial de enzimas

As enzimas são amplamente utilizadas no processamento de alimentos e


em outros ramos da indústria manufatureira. Muitos produtos alimentícios
consumidos diariamente, entre os quais o pão e o queijo, são feitos com a
colaboração desse tipo especial de proteína. Como suplemento de ração animal,
desempenham importante papel por reduzirem a produção de resíduos.
Também se empregam em muitas atividades industriais, como na indústria de
produtos de limpeza, no processamento da polpa e do papel, na preparação têxtil
e em aplicações médicas onde, com frequência, substituem compostos ou
processos químicos
As enzimas tornaram-se indispensáveis para a produção de muitos
produtos. Produz-se quantidade cada vez maior dessas enzimas com o auxílio
de microorganismos geneticamente modificados. Devido a seu enorme
potencial, os cientistas e tecnólogos buscam constantemente novas enzimas em
muitos organismos e meios ambientes diferentes. Muitos processos atuais
poderiam ser facilitados com enzimas.
Dessa forma, têm-se a resolução ANVISA/DC Nº 54 de 07/10/2014, na
qual dispõe sobre o Regulamento Técnico sobre enzimas e preparações
enzimáticas para uso na produção de alimentos em geral.

5. Enzimas de interesse ambiental

As enzimas são utilizadas em uma extensa gama de setores, incluindo a


saúde humana e animal, a indústria química e alimentícia, a agricultura, a
energia e o saneamento ambiental. Os processos catalisados por enzimas são
geralmente mais rápidos, eficientes, e também, é destacável o papel estratégico
que a enzimologia desempenha para o desenvolvimento sustentável. Com a
crescente demanda por tecnologias limpas, bem como o interesse pelo uso de
recursos renováveis e os desafios da mudança climática global, é possível prever
um desenvolvimento ainda mais promissor para utilização de enzimas.

6. Fitoextração

A fitoextração é um processo de remediação pelo qual algumas


variedades de plantas acumulam nos seus tecidos os contaminantes extraídos
do solo, sedimentos, água ou do ar, sem ocorrer nenhum tipo de degradação
dos mesmos. A fitoextração, também chamada de fitoacumulação, envolve a
absorção de contaminantes através das raízes e posterior translocação dos
mesmos às folhas pelo xilema da planta. Assim, o objetivo da fitoextração é a
limpeza in-site do meio contaminado de forma a retirar o contaminante e, se
possível, reaproveitar os elementos que tenham utilidade nos processos
produtivos atuais.
De forma geral, a técnica de fitoextração é apropriada e atualmente
utilizada para a remediação de áreas contaminadas com metais, utilizando
plantas com grande capacidade acumulativa, chamadas de plantas
hiperacumuladoras.

7. Fitoestimulação

Na fitoestimulação corre a liberação de aminoácidos e polissacarídeos


pela raiz, que caracteriza um estímulo para a atividade microbiana. Os
compostos produzidos têm a capacidade de degradar outros componentes do
solo, conferindo à planta, muitas vezes a aptidão rizosférica para a
biorremediação, por apresentar grande concentração de microrganismos.
A fitorremediação possui um melhor funcionamento em locais que
possuem baixas e médias concentrações de poluentes. As plantas poderão
remover químicos do solo, por meio das raízes. As raízes podem crescer muito
dentro do solo e desta forma podem penetrar e alcançar poluentes em áreas
profundas do solo. Uma vez que o poluente entra no sistema interno das plantas,
eles podem ficar armazenados nas raízes, caule e folhas. Podem também
causar mudanças químicas no poluente, fazendo com que este apresente
posteriormente um baixo perigo. Os poluentes podem ser transformados em
gases através do processo de respiração das plantas.

8. Fitodegradação

Define-se como fitodegradação a técnica de fitorremediação que utiliza o


metabolismo da planta e microrganismos da rizosfera para conseguir a quebra
de contaminantes. Estes mecanismos podem acontecer internamente, através
de processos metabólicos, ou externamente, por enzimas produzidas pela
própria planta no solo. As plantas também produzem compostos que ajudam no
transporte, armazenamento e metabolismo dos contaminantes. A fitodegradação
é uma técnica comumente usada na remediação de contaminantes orgânicos,
porém, também são conhecidos seus efeitos remediativos em alguns compostos
inorgânicos que fazem parte do solo.
Esta técnica é aplicável para contaminantes de origem orgânica já que
estes são compostos móveis nas plantas. Assim, as enzimas interagem com os
elementos contaminantes, mineralizando sua estrutura completamente ou
degradando-os a compostos intermediários estáveis que podem ser
transportados e armazenados na própria planta.

9. Fitoestabilização

A técnica de utilização de plantas para estabilizar ou imobilizar os


poluentes no solo, prevenindo a migração do mesmo por perdas do solo via
erosão ou lixiviação é chamada de fitoestabilização. Os processos de
estabilização do contaminante dependem da incorporação do composto na
lignina ou no húmus do solo e na precipitação do mesmo na rizosfera da planta
por meio da humificação ou ligações covalentes irreversíveis.
Esta técnica é atualmente utilizada e aprovada para a remediação de
áreas de minas, não sendo recomendada em áreas urbanas e industriais, sendo
mais apropriada em áreas extensas e tendo uma maior eficiência em solos com
maior textura e com conteúdo de matéria orgânica elevado.

10. Biodegradação utilizando microrganismos

A biodegradação consiste no processo natural de transformação de


compostos orgânicos em compostos simples. Ocorre no meio ambiente pela
ação de seres vivos, sobretudo os microscópicos (bactérias, fungos e algas) e é
fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. Os microrganismos que atuam
nesse processo são chamados de decompositores e utilizam parte da matéria
orgânica contida no material biodegradável como fonte de nutrientes para a
realização de suas atividades metabólicas. A outra parte desta matéria é
devolvida ao meio na forma de compostos mais simples, como gás carbônico,
nitratos e fosfatos, e são utilizados novamente pelos seres vivos produtores ou
reintroduzidos nos ciclos biogeoquímicos.
11. Imobilização de microrganismos

Uma das alternativas encontradas para manipular a estrutura morfológica


de microrganismos é a imobilização celular (IC), de maneira que seja preservada
a atividade catalítica desejada, para aplicação tanto em escala de laboratório
quanto industrial. A IC consiste no confinamento físico das células em uma
região definida de espaço, na qual são mantidas suas atividades catalíticas em
processos de operação contínua ou descontínua possibilitando a reutilização das
mesmas. A maioria dos processos fermentativos industriais convencionais utiliza
células livres em suspensão, porém o uso de microrganismos imobilizados (MI)
permite um aumento da produtividade devido à elevada concentração de células.
Os processos que empregam MI podem ser realizados em espaço físico
menor, como em biorreatores, ocorrem em ambientes com maior atividade de
água e permitem melhor controle de contaminações.

12. Tecnologias de biorremediação

A biorremediação é um processo de tratamento no qual organismos vivos,


geralmente microrganismos ou plantas, são utilizados tecnologicamente para
remover ou reduzir poluentes no ambiente. Pode ser aplicado em águas
superficiais e subterrâneas, bem como em solos e resíduos industriais, em
aterros, áreas de contenção.
Embora existam tecnologias de despoluição que utilizem processos
físicos e/ou químicos, o método biológico vem se mostrando a maneira mais
ecologicamente adequada e eficaz, além de ser em geral mais barata.
Para que uma técnica de Biorremediação funcione com efetividade,
devem ser cumpridas várias condições:
Os resíduos devem ser susceptíveis à degradação biológica e estar
presentes sob uma forma física acessível para os microrganismos; Os
microrganismos apropriados devem estar disponíveis; As condições ambientais
– tais como pH, temperatura, nível de oxigênio, Capacidade das enzimas da
célula de atuarem sobre o poluente – devem ser adequadas.
Dessa forma, tecnologia de biorremediação apresentam atualmente um
crescimento rápido, sobretudo em colaboração com a engenharia genética.
REFERÊNCIAS

BRUM, Juliana, et al. Biorremediação e Fitorremediação. Diponivel em:


<http://www.ufjf.br/baccan/files/2012/11/Seminario_Biorremedia%25C3%25A7
%25C3%25A3o_Fitorremedia%25C3%25A7%25C3%25A3o.pdf>. Acesso em:
16 de agosto de 2019.

COVIZZI, Luiz Gustavo et al. Imobilização de células microbianas e suas


aplicações biotecnológicas. Semina: Ciências Exatas e Tecnológicas, v. 28,
n. 2, p. 143-160, 2007.

EIJSINK, V. G. H.; BJØRK, A.; GÅSEIDNES, S.; SIREVÅG, R.; SYNSTAD, B.;
BURG, B. van den; VRIEND, G. Rational engineering of enzyme stability.
Journal of Biotechnology, v. 113, p. 105, 2004.

_____, Enzimas: ferramentas indispensáveis num mundo vivo, Disponivel


em :<https://cib.org.br/wp-content/uploads/2011/10/fbci12port.pdf> Acesso
em:16 de agosto de 2019.

JOO, H. S.; Chang, C. S. Production of protease from a new alkalophilic


Bacillus sp. Process Biochemistry, v.40, p.1263-1270, 2005.

MENDES, Adriano A. et al. Aplicação de quitosana como suporte para a


imobilização de enzimas de interesse industrial. Química Nova, v. 34, n. 5, p.
831-840, 2011.

MONTEIRO, Valdirene Neves; DO NASCIMENTO SILVA, Roberto. Aplicações


industriais da biotecnologia enzimática. Revista processos químicos, v. 3, n. 5,
p. 9-23, 2009.

MEJÍA, Paulo Víctor Laguardia et al. Metodologia para Seleção de Técnica de


Fitorremediação em Áreas Contaminadas. Revista Brasileira de Ciências
Ambientais (Online), n. 31, p. 97-104, 2014.

SENAI. Departamento Regional de Goiás - v.3, n.5 (jan/jun, 2009). Goiânia:


SENAI/DR. Gerência de Educação Profissional / Faculdade de Tecnologia
SENAI Roberto Mange, 2009. v.: il.
SILVA, Elisângela da. Estabilização de proteases para aplicação
tecnológica / Elisângela Teixeira da Silva ; orientador Alexandra Amorim
Salgueiro, 2013. xii, 68 f. : il.

UFJF. Fitorremediação De Solos Contaminados. Disponível em:


<http://www.ufjf.br/baccan/files/2012/11/Semin%C3%A1rio-
Fitorremedia%C3%A7%C3%A3o-de-solos_2S2015.pdf>. Acesso em 16 de
agosto de 2019.