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Faculdade Metropolitana São Carlos

CURSO DE BACHARELADO EM MEDICINA


BIOESTATÍSTICA

IEstatística
NTRODUÇÃO
À
Básica
BIOESTATÍSTICA

Prof.ª Carla Mª de Almeida Moraes Bastos AULA 01


CONCEITOS PRÉVIOS

Na vida cotidiana existem vários fatores que podem estabelecer


várias decisões. Às vezes, quando não se identifica o fator, toma-se
uma decisão à partir de uma intuição. Para traduzir conhecimentos
de um fenômeno analisado, há uma necessidade de controlar,
manipular e medir as variáveis, que são consideradas relevantes em
traduzir as informações.

Algumas das informações obtidas de conhecimentos podem gerar


uma dificuldade, pois a ciência não conhece a realidade, ela a
representa por meio de modelos e teorias de diversos estudos.
Um ramo do conhecimento que aspira dificuldades da universalidade
das explicações científicas e que implica na padronização dos dados
é a avaliação estatística das informações.
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Principais razões para se destacar a necessidade do uso e
do conhecimento das técnicas estatísticas na investigação
científica:
▪ A ampla diversidade dos métodos estatísticos
encontrados na literatura;
▪ A vasta aplicação de metodologias de análise nos
estudos biológicos;
▪ A integração da estatística como ciência na essência do
método científico.

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Para a estatística a pesquisa tem significado se
conhecermos o verdadeiro problema sobre o
universo que elegemos, quanto às variáveis e às
metodologias de análises.

A coleta, o processamento, a interpretação e a


apresentação de dados numéricos pertencem todos ao
domínio da Estatística.

Essas atribuições compreendem desde o cálculo de pontos em


esportes, a coleta de dados sobre nascimentos e mortes, a
avaliação da eficiência de produtos comerciais, até a previsão
do tempo.
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BI O E S T A T Í S T I C A e prática clínica

A Bioestatística é a aplicação de estatística ao campo


biológico e médico. Ela representa o conjunto de
metodologias estatísticas utilizadas no tratamento da
variabilidade existente nas ciências médicas e biológicas.
Portanto, a Bioestatística fornece respaldo para decisões
acertadas na presença da incerteza, ou seja, é o planejamento
e a análise de estudos médicos e biológicos.

Ela é essencial ao planejamento, coleta, avaliação e


interpretação de todos os dados obtidos em pesquisa na
área biológica e médica. É fundamental à epidemiologia, à
psicologia social e à medicina baseada em evidência.

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▪ Até o segundo quarto do século XX, o tratamento médico teve
pouco efeito positivo sobre quando, ou inclusive se, pessoas
doentes se recuperariam.

▪ Com a descoberta de caminhos para reverter as deficiências


bioquímicas que causam algumas doenças e o desenvolvimento
de fármacos anti-bacterianos, tornou-se possível a cura de
pessoas doentes.

▪ Esses sucessos pioneiros e o otimismo terapêutico que geraram


estimularam a comunidade científica biomédica a desenvolver um
promotor de agentes mais poderosos para tratar doenças
cardíacas, câncer, desordens neurológicas e outras enfermidades.
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Devido a fatores como a variabilidade biológica natural entre
pacientes, em geral não se pode concluir que alguma terapia foi
benéfica com base em simples experiência.

A Bioestatística oferece as ferramentas para transformar a


experiência clínica e laboratorial em afirmações quantitativas
sobre se e quanto um tratamento ou procedimento afeta um
grupo de pacientes. Portanto, a evidência coletada e analisada
utilizando métodos bioestatísticos pode afetar potencialmente
não somente a maneira pela qual os clínicos escolhem praticar
sua profissão, mas, também, quais opções estão à sua
disposição.

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A participação inteligente nessas decisões requer um
entendimento de métodos e modelos bioestatísticos que
permitirão avaliar a qualidade da evidência e a análise da
evidência utilizada para embasar uma posição ou outra.

Com a crescente utilização da estatística na prática da


medicina e de outras áreas biológicas, faz-se necessário o
seu constante conhecimento por profissionais da área da
saúde, ficando evidente que a Estatística Médica se
constitui nos fundamentos da Medicina Quantitativa.

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As metodologias estatísticas são cada vez mais
necessárias no estudo de situações em que as
variáveis de interesse estão sujeitas a variações
aleatórias. Portanto, torna-se necessário, para a
realização de estudos clínicos, a escolha adequada de
uma metodologia capaz de tratar tal variabilidade.
Portanto, os métodos estatísticos representam
estratégias de solução de problemas na área da
pesquisa médica.

Ancorados nos conhecimentos substantivos da área médica e


da estatística, os profissionais beneficiam-se de uma visão
estruturada da metodologia da pesquisa.
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DADOS BIOMÉTRICOS

A Biometria (do grego Bios=vida, metron=medida),


dentro da área biológica e médica é compreendida
como a ciência que estuda as medidas de seres vivos.
Ela representa a utilização de características biológicas
em mecanismos de identificação. Ou seja, é a ciência
da tecnologia de medição e análise de dados
biológicos.

As informações obtidas baseadas nos elementos que


constituem a população ou a amostra são denominadas
tecnicamente de dados biométricos.

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Os dados relativos a indivíduos podem ser coletados tanto
diretamente pelo pesquisador, como por meio de declarações
feitas pelos próprios indivíduos. Para que se obtenham essas
informações o pesquisador pode fazer um questionário com
perguntas para serem respondidas por escrito, ou fazer
entrevistas. Assim, por exemplo, os dados a respeito do estado
de saúde de um indivíduo podem ser obtidos tanto mediante
exame físico como por meio de declarações prestadas pelo
próprio indivíduo (anamnese). Um mesmo elemento pode
fornecer diversos dados. Assim, por exemplo, os pacientes de
uma clínica fornecem os dados relativos a sexo, profissão, etc.,
além de dados relativos ao diagnóstico e tratamento.
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▪ Após o levantamento de dados, isto é, após a operação de
coleta do material básico para descrição e posterior análise das
características de uma população, há a necessidade de os
dados e os resultados obtidos serem dispostos de uma forma
ordenada e resumida, a fim de auxiliar o pesquisador na
análise dos mesmos.

▪ Os dados coletados nas áreas médicas e biológicas podem


ser classificados em dados quantitativos e qualitativos.

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Não é possível encontrar no mundo duas coisas exatamente
iguais. Portanto, não é possível garantir que dois experimentos
estatísticos sejam exatamente iguais, de tal forma que será
sempre impossível a reprodução exata dos resultados obtidos. As
informações obtidas serão variáveis, em menor ou maior grau, e
o erro experimental estará sempre presente. Desse modo, serão
numerosos resultados que variam entre si, levando em
consideração a dimensão do erro experimental.

Todas as generalizações obtidas tendem a não ser absolutamente


precisas; elas devem levar em consideração o erro experimental
e a existência do elemento da incerteza. Essa incerteza é
característica do raciocínio indutivo, e a grande questão é a
consideração desta incerteza nos processos experimentais.
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Quando se considera a questão da incerteza na área biológica,
depara-se com a problemática relacionada com a variabilidade
proveniente dos organismos vivos e suas partes.

Há grande influência de fatores genéticos, ambientais e de


desenvolvimento, de tal modo que não é possível a reprodução
exata de nenhuma situação do sistema. Isto torna evidente a
necessidade do estabelecimento de uma experimentação
calcada em bases sólidas e coerentes, para que todas as
variações existentes possam ser levadas em conta e para que
a acurácia dos experimentos seja a maior possível, dando
assim, a credibilidade necessária às informações obtidas.
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APLICAÇÕES DA BIOESTATÍSTICA

As ciências da saúde utilizam a estatística como instrumento


para a análise de fenômenos biológicos desde o século XVII. A
partir daí, muitos conceitos e mudanças surgiram, causando
uma reviravolta no conhecimento.

De um lado, os estatísticos iniciaram o desenvolvimento de


técnicas e de outro, os profissionais das áreas médicas e
biológicas, passaram a enfatizar a mensuração como forma de
análise científica, trazendo sofisticação às análises
quantitativas.

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A crescente utilização da Estatística como ferramenta na
análise de fenômenos biológicos foi apoiada pelo crescimento
da atividade científica em todos os campos do conhecimento e
pela revolução tecnológica, devido, principalmente, ao uso de
computadores modernos. A alta tecnologia foi, então, decisiva
e fez com que a Estatística se tornasse mais acessível aos
pesquisadores dos diferentes campos de atuação.

Atualmente, os equipamentos e softwares permitem a


manipulação de grande quantidade de dados, o que veio a
dinamizar e viabilizar o emprego dos métodos estatísticos na
avaliação de fenômenos. Gráficos e tabelas são apresentados
na exposição de resultados das empresas.
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Com a velocidade da informação, a Estatística passou a ser
uma ferramenta essencial na produção e disseminação do
conhecimento. O grau de importância atribuído à Estatística é
tão grande, uma vez que, a maioria das hipóteses científicas,
independentemente da área, precisa passar por um estudo
estatístico para ser aceita ou rejeitada, como é o caso do teste
de novos medicamentos.

Na área médica, por exemplo, nenhum medicamento pode ser


disponibilizado para o mercado se não tiver sua eficácia
estatisticamente comprovada.

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O grande volume de informações produzidas pelo mundo
moderno (pesquisas por amostragem, censos, internet) precisa
ser analisado adequadamente. Essas análises utilizam as mais
variadas técnicas estatísticas. A rigor, onde houver incerteza
esta ciência pode ser empregada. Desse modo, todas as áreas
do conhecimento humano a requerem como instrumento de
análise de dados.

Na área da saúde, a aplicação de técnicas estatísticas


(bioestatística) permitiu a identificação de situações críticas e
atuação no controle dessas situações, desempenhando papel
crucial no estudo e incidência de doenças.
Alguns exemplos da utilização da estatística nas áreas médicas
e biológicas (Bioestátistica) serão descritos a seguir.
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O USO DA ESTATÍSTICA NO CONTROLE DAS
INFECÇÕES HOSPITALARES

Nos hospitais e sistemas de saúde, em geral, ocorrem


complicações infecciosas, que interferem no bom estado de
saúde buscado por todos os indivíduos. Essas complicações
infecciosas são denominadas de infecções hospitalares (IHs) e
representam um grave problema da saúde mundial, levando
ao aumento da morbidade e mortalidade entre os pacientes,
ocasionando na elevação dos custos hospitalares.

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A UTILIZAÇÃO DA ESTATÍSTICA NA
EPIDEMIOLOGIA

▪ Análise dos dados epidemiólogicos pela utilização do método


estatístico indutivo quantitativo, que está diretamente
relacionado com a questão da causalidade e evolução;

▪ Análise e caracterização quantitativa da situação da saúde


das populações selecionadas nos estudos por meio de
levantamentos relacionados com dados de saneamento básico,
moradia, nutrição, etc.;

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▪ Utilização de modelos estatísticos para o estudo do agente
causal e os fatores ambientais relacionados com a sua
transmissão;

▪ Estudo estatístico relacionado com a interação entre fatores


ambientais e a doença analisada em questão;

▪ Utilização da inferência estatística nos testes de hipóteses;

▪ Utilização da teoria da decisão.

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UTILIZAÇÃO DA ESTATÍSTICA NA
ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR

▪ A estatística é utilizada para coletar, apurar, analisar e


interpretar os dados informativos dos pacientes, para que
possa haver a realização da pesquisa clínica;
▪ Realização do controle de admissões, transferências, altas,
óbitos e cirurgias;
▪ Realização de estimativas e ajuste de modelos de tempo de
vida;
▪ Folha de verificação.

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➢ Estratificação

São consideradas fontes de variação: pacientes,


especialidades, médico e tipo de cirurgia. Portanto, pacientes
atendidos por diferentes médicos e diversas especialidades,
sendo submetidos a determinado tratamento clínico
apresentam diferenças entre si. Diante disso, só podem ser
estabelecidas características de qualidade em relação a
tratamento ou cirurgia se estes forem de mesma origem,
atendidos em uma mesma especialidade, pelo mesmo
profissional e submetidos ao mesmo tratamento.

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Estratificar é agrupar elementos com as mesmas
características, ou seja, itens iguais ou muito semelhantes,
tendo causas e soluções comuns.

A estratificação é uma ferramenta importante, mas precisa ser


usada antes da coleta de dados. Tem-se, por exemplo, o
interesse em determinar certo tipo de doença de pacientes que
vão a óbito. Logo, é necessário estratificar por óbitos,
enfermaria e especialidade.

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REFERÊNCIAS

CALLEGARI-JACQUES, S. M. Bioestatística: princípios e aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.


(Acervo Digital da FAMESC).

GLANTZ, Stanton A. Princípios de Bioestatística. 7 ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. (Acervo
Digital da FAMESC).

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