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dos povos originários

DISCIPLINA: Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império


PROFESSOR: Dra. Ana Paula Campos Gurgel
sumário
Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
sumário
1. INTRODUÇÃO
2. ALDEIAS
3. TIPOLOGIAS HABITACIONAIS
4. MATERIAIS E TÉCNICAS CONSTRUTIVAS
5. ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA BASEADA NA CULTURA INDÍGENA
6. REFERÊNCIAS

Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
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Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
Cerca de
3 milhões
de pessoas
habitavam o

Brasil
na época do
“descobrimento”

Dança dos Tapuios (Albert Eckout-Séc XVII)


De acordo com Darcy Ribeiro, cerca de 80 povos indígenas desapareceram no Brasil no século XX.

No entanto, este quadro começou a dar sinais de mudança nas últimas décadas do século passado.
O contingente de brasileiros que se considerava indígena cresceu 150% na década de 1990. O ritmo de
crescimento foi quase seis vezes maior que o da população em geral. O percentual de indígenas em relação à
população total brasileira saltou de 0,2% em 1991 para 0,4% em 2000, totalizando 734 mil pessoas. Houve um
aumento anual de 10,8% da população, a maior taxa de crescimento dentre todas as categorias, quando a média
total de crescimento foi de 1,6%.
O censo demográfico de 2010
realizado pelo IBGE constatou que
atualmente há no Brasil cerca de
817.963 indígenas.

Desse total, 502.783 encontram-se


na zona rural e 315.180 habitam os
centros urbanos.

https://indigenas.ibge.gov.br/mapas-indigenas-2.html
O censo demográfico de 2010
divulgou a existência de 305
etnias diferentes no Brasil e 274
línguas indígenas (com exceção
das línguas originárias de outros
países).

A etnia com o maior número de


indígenas é a etnia Tikúna, com
cerca de 46 mil índios.

https://indigenas.ibge.gov.br/mapas-indigenas-2.html
Marc Ferrez. Índios Bororo, c. 1880
Dividiam-se em quatro principais grupos
linguístico-culturais:
• tupi
• jê
• Aruaque
• caraíba
Frente à grande diversidade das culturas indígenas no
Brasil, seria impossível estudar cada uma em particular,
devido também (e principalmente) à precariedade dos
dados disponíveis.

Uma tradição construtiva singular não


significa que resulte em uma única solução
arquitetônica.
Com o passar do tempo e o ganho de experiência, o
constante aumento no domínio dos materiais e das técnicas
percorreu um caminho inevitável no qual as formas
arquétipas deram origem a uma série de variantes,
resultando num número incontável de soluções.
Maloca dos índios Curutu - Alexandre Rodrigues Ferreira Viagem Filosófica (1783-1792)
Muitos tipos de aldeias podem ser encontrados entre as
tribos, apesar de muitas terem desaparecido ou
mudado devido ao contato com colonos invasores.

Diversas culturas se desenvolveram e evoluíram sem


influências umas das outras;

Surgem vários tipos de organizações urbanísticas


indígenas no país que podem ser divididas em dois
grandes grupos: habitações unitárias e habitações
múltiplas.
As terras indígenas (TIs) somam 721
áreas, ocupando uma extensão total de
117.427.323 hectares (1.174.273 km2).

13.8% das terras do país são


reservados aos povos
indígenas.
A maior parte das TIs concentra-se na
Amazônia Legal: são 424 áreas,
115.344.445 hectares, representando
23% do território amazônico e 98.25% da
extensão de todas as TIs do país.

O restante, 1.75% , espalha-se pelas


regiões Nordeste, Sudeste, Sul e
estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.
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Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
As formas de organização das
aldeias indígenas são distintas de
um povo para outro:
• algumas tribos preferem construir
suas aldeias em forma de ferradura
• outras optam pela forma circular
• outros, ainda, constroem uma única
habitação coletiva

Quando os colonizadores chegaram ao Brasil, várias tribos


indígenas eram inimigas entre si. A gravura de Theodore de
Bry, de 1593, registra um episódio de combate entre elas.
Domínio público. In: Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden
CRITÉRIOS CULTURAIS INDÍGENAS PARA A LOCALIZAÇÃO DAS ALDEIAS

• proximidade de água límpida e piscosa (distante não mais do que 1000 metros de um curso d’água)
• Mas não pode ser adjacente à água – para evitar ataques surpresas, pois o barulho da água poderia
ocultar uma aproximação
• proximidade terras propícias para o cultivo (solo fértil e sem formigas),
• proximidade de matérias-primas e combustível (madeira, lenha, cipós etc.),
• distanciamento de antigas malocas (sobretudo aquelas que foram abandonadas após o falecimento de
seu chefe), de poços e águas profundas
• sítio plano
• localizado na parte mais alta para facilitar a drenagem do terreno
• o chão deve ser argiloso – para danças e cerimônias - chão arenoso ou rochoso machuca o pé
COMO AS ALDEIAS SÃO FORMADAS
Cerimônia religiosa de índios tupinambás em gravura de Theodor de Bry
Tupinambás é um povo indígena
brasileiro que, por volta do século
XVI, habitava a costa brasileira
desde a margem direita do rio São
Francisco até o Recôncavo Baiano

“... formadas por quatro a oito


casas retangulares, agrupadas ao
redor de uma praça quadrada.

A maior parte delas era


fortificada com uma cerca dupla
ou tripla e vários fossos, cheios
de lanças um pouco
queimadas.”

(VAN LENGEN, 2013, p. 30)


Os tupinambás moravam em
malocas. Cada grupo local ou "tribo"
tupinambá se compunha de cerca de
6 a 8 malocas. A população dessas
tribos girava em torno de 200
indivíduos, mas podia atingir até
600.

A vida dos grupos locais ou mesmo


de "nações" Tupi girava em torno da
guerra, da qual faziam parte os
rituais antropofágicos.

A guerra e os banquetes
antropofágicos reforçavam a
unidade da tribo: por meio da guerra
era praticada a vingança dos
parentes mortos, enquanto o ritual
antropofágico significava para
todos, homens, mulheres e crianças,
a lembrança de seus bravos. O dia da
execução era uma grande festa.
Indígena com Enduape apontando para Hans Staden,
amarrado.

Hans Staden e os chefes tupinambás sob o luar de Ubatuba.


A aldeia Kaiapó é circular, um anel constituído pelas
unidades residenciais.

A casa da aldeia Kaiapó é um barracão retangular


com área aproximada de 4 x 8 m, mas pode variar
bastante, segundo o número de famílias que aí
vivem. Não há divisões internas. Três paredes são
fechadas com palha de babaçu e a frente fica aberta
para o pátio.
A palha do teto chega a pouca distancia do chão.

As casas pertencem às mulheres. Sob o mesmo teto


vivem várias famílias nucleares, relacionadas pelo
lado materno, como, por exemplo, uma mulher de
idade, suas filhas e os maridos e filhos destas. Desde
modo, uma mulher kaiapó nasce, vive e morre na
mesma casa, unidade residencial que possui o seu
lugar certo no círculo das casas. Os homens, pelo
contrário, aos oitos ou dez anos passam a viver na
casa dos homens e, após o casamento, mudam-se
para a casa da família da esposa.
Foto aérea da aldeia circular dos Mekrãgnoti, tendo ao centro a casa dos homens. Foto: Gustaaf Verswijver, 1991.
Os Zo'é vivem nas profundezas da floresta amazônica e
constroem casas no meio de suas roças, onde cultivam
muitos vegetais e frutas como a mandioca e a banana
Localizados numa área
de refúgio, entre os
rios Cuminapanema e
Erepecuru, norte do
Pará, os Zo'é
procuraram manter-se
afastados tanto dos
povos indígenas
vizinhos, que
consideram inimigos,
quanto dos brancos,
que conheciam através
de contatos
intermitentes.

Entraram para a
história como um dos
últimos povos
"intactos" na
Amazônia.
devido às difíceis condições de acesso e à inexistência de
programas estaduais ou federais de desenvolvimento na
região norte do Pará, a área continua relativamente
preservada
Aldeia Xavante tradicional.

Na área central se desenvolve a vida social da


comunidade.
A aldeia Xavante é circular,
tendo como ponto central o
pátio – onde se destaca o
warã, ponto de encontro
diário do conselho dos
homens maduros – espaço
eminentemente público e
jurídico, cenário dos grandes
rituais.

Esse espaço é circundado por


um caminho amplo, que
passa defronte às portas das
casas, estabelecendo,
portanto a mediação física
entre o espaço central
associado aos homens e a
esfera doméstica, domínio
das mulheres.
A aldeia Yanomami é uma casa de
forma circular ou poligonal de diâmetro
entre 20 e 40 metros.

Essas grandes casas comunais circulares


chamadas de yanos ou shabonos. Algumas
podem acomodar até 400 pessoas.

A parte superior é aberta para permitir a


penetração da luz solar e a saída da
fumaça. Essa abertura coincide
internamente com a “praça central” da
aldeia, onde se realizam cerimônias e
pajelanças.

Na periferia da casa moram as famílias,


cada uma com seu próprio fogo e redes.

A aldeia-casa dura apenas um ou dois anos;


após esse período é reconstruída em outro
lugar.
Tribo indígena Yanomami que
vive isolada na Amazônia, em
Roraima

Segundo Dário Kopenawa


Yanomami, vice-presidente da
Hutukara, a tribo é denominada
Moxihatëtëa e fica na
circunscrição do município de
Alto Alegre na Terra Indígena
Yanomami, no Norte do estado,
a 1h30 de voo de Boa Vista.
Nela, vivem índios que recusam
contato até com outros
indígenas.

Foto: Marcos Wesley/CCPY, 2005


Vista aérea da aldeia Demini do povo Yanomami, Amazonas.

Foto: Marcos Wesley/CCPY, 2005


Comunidade Piaú, região de Toototobi, na Terra Indígena Yanomami - Roraima

Foto: Inaê Brandão/G1 RR


Detalhe da maloca
Balaú (AM).

Foto: Carlo Zacquini, 1994


Entre os Bororo, a unidade
política é a aldeia (Boe Ewa),
formada por um conjunto de
casas dispostas em círculo,
tendo no centro a casa dos
homens (Baito).

Ao lado oeste do Baito


encontra-se a praça cerimonial,
denominada Bororo, local das
mais importantes cerimônias
dessa sociedade.

Mesmo nas aldeias em que as


casas estão dispostas de modo
linear por influência dos
missionários ou agentes do
governo, a circularidade da
aldeia é considerada a
representação ideal do espaço
social e do universo
cosmológico.

Foto: Sylvia Caiuby Novaes, 1971


“Mesmo nos
acampamentos
temporários, o centro
é constituído por uma
grande cabana
retangular – a casa dos
homens, a oficina e a
sala de cerimônias,
que serve também
como dormitório dos
solteiros.

As casas familiares são


distribuídas numa
circunferência da qual
a casa dos homens é o
centro.”

(VAN LENGEN, 2013, p.


29)

Foto: Sylvia Caiuby Novaes, 1971


Foto: Kim-Ir-Sem, 1985
O Parque Indígena do Xingu engloba, em sua porção sul,
a área cultural conhecida como alto Xingu, formada
pelos povos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro,
Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Trumai, Wauja
e Yawalapiti .

A despeito de sua variedade linguística, esses povos


caracterizam-se por uma grande similaridade no seu
modo de vida e visão de mundo. Estão ainda articulados
em uma rede de trocas especializadas, casamentos e
rituais inter-aldeões.

Entretanto, cada um desses grupos faz questão de


cultivar sua identidade étnica e, se o intercâmbio
cerimonial e econômico celebra a sociedade alto-
xinguana, promove também a celebração de suas
diferenças.
A aldeia Kamaiurá
segue o modelo
alto-xinguano, com
casas dispostas
mais ou menos
circularmente,
cobertas de sapê,
de teto
arredondado até o
chão.

Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá


Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
No centro do espaço circular encontra-
se um pátio ou “praça” (hoka´yterip)
para a qual convergem os caminhos,
conduzindo tanto às moradias como
aos lugares públicos, e onde se ergue a
casa das flautas (tapuwí),
atravessada medianamente pelo
“caminho do sol”.

Instrumentos de destaque na cultura


Kamaiurá, as flautas (jakui) só podem
ser vistas e tocadas por homens.

Em frente a casa das flautas e


orientado para o leste, está o banco da
roda dos fumantes, onde se reúnem os
homens para contar os
acontecimentos do dia ou para discutir
assuntos específicos - como a
preparação de uma pesca coletiva,
participação na construção de uma
casa, limpeza coletiva da praça, ou
preparo de uma festa próxima.
CASA DAS FLAUTAS (tapuwí)

Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá


Centro de informações, lugar público, social e masculino por excelência, essa praça é o local onde são recebidos, com
discursos públicos, os mensageiros oficiais das outras aldeias, onde se realizam as lutas corporais do Huka-Huka, os
cerimoniais intergrupais e a maioria dos rituais e festas da própria aldeia. É lá também que, entre homens, se faz a
distribuição de comidas (peixe, beiju, mingau, pimenta, bananas), geralmente em pagamento a serviços prestados (por
ocasião da construção de uma casa ou da queimada, limpeza ou plantio comunitário de uma roça), ou simples
retribuição do “dono” de uma festa para os que daquela participam.
É ainda lá que se enterram os mortos.
Já a casa constitui um local de meia escuridão e de privacidade, sendo ao mesmo tempo um lugar aberto e,
fundamentalmente, o domínio das mulheres e das crianças. Em suas laterais habitam várias famílias nucleares e
aparentadas, sendo a sua parte central de uso compartilhado, onde ficam os fogos e os depósitos de alimentos.

Aldeia kamaiurá. Foto: Carmen Junqueira, 1972.


Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
As diversas fases de construção de uma casa kamaiurá. Foto: Carmen Junqueira, 1972
Foto do francês Olivier Boëls na exposição "Yawalapiti – Entre tempos", sobre tribo que habita Parque Indígena do Xingu
Planta de implantação da aldeia Yawalapiti, em 1978 (Autoria de Cristina Sá).
“A aldeia xinguana é um círculo de casas, formando um
grande pátio, no centro do qual fica a sepultura, assinalada
por uma cerquinha baixa. Junto à sepultura, ligeiramente
afastada do centro do pátio, fica a casa dos homens
ou casa das flautas, proibida às mulheres e que tem em
frente um grande tronco descascado, onde os homens
sentam e ficam conversando, geralmente à tardinha, quando
não têm nada para fazer. Bem afastada do centro fica a
gaiola do gavião real.

São áreas particulares, de propriedade exclusiva do grupo


doméstico, isto é, das pessoas que habitam uma casa, parte
do terreno adjacente e dos caminhos que a ela conduzem,
principalmente dos caminhos que conduzem à porta dos
fundos, isto é, os caminhos exteriores. Qualquer pessoa que
não pertença ao grupo doméstico de uma determinada casa
deve-se fazer anunciar antes de entrar nessas áreas
particulares, a menos que esteja acompanhada por um
adulto do grupo. Somente as crianças têm uma relativa
liberdade de movimentos, podendo entrar em qualquer das
casas.”

Planta de implantação da aldeia Yawalapiti, em 1978 (Autoria de Cristina Sá).


Os Marúbo
vivem no alto
curso dos rios
Curuçá e Ituí, da
bacia do Javari,
na Terra
Indígena Vale do
Javari, junto
com os Korubo,
Mayá, Matis,
Matsés,
Kanamari, Kulina
Pano, entre
outros povos
isolados.
Quem chega pela
primeira vez a um
lugar habitado pelos
Marúbo cometerá um
engano se tentar
estimar a população
pelo número de
construções. Na
verdade, a única
construção habitada
é a casa oblonga que
está no centro, no
alto da colina,
coberta de palha de
jarina da cumeeira ao
chão. Aí os
moradores dormem,
preparam alimentos,
comem, recebem
visitas, entoam
cânticos de cura,
assistem ao xamã.

Foto: Delvair Montagner, 1978


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Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
DEFINIÇÕES

MALOCA: casa comunal familiar.

OCA: Do tupi guarani “oka” – cobrir, tapar, roca – casa do bicho. Cabana indígena.

TABA: É uma habitação indígena um pouco menor do que a oca, é um termo mais usado nas tribos da
Amazônia, de origem tupi-guarani. Também serve para designar um aldeamento indígena, podendo
chegar à 400 pessoas .

TAPERA: Uma tapera é um conjunto de habitações indígenas que foi abandonado pelos índios que ali
viviam, em tupi significa “aldeia extinta”. A tapera geralmente encontra-se em ruínas e ocupada pelo
mato.
TIPOS DE PLANTA
TIPOS DE PLANTA

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Xavante –
planta baixa
circular, corte e
fachada

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Xavante
TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó
TIPOS DE PLANTA

Maloca,
habitação
dos índios
Ticuna

Foto: FRISCH, Albert c.1867


TIPOS DE PLANTA

Habitação dos
Hixkaryana,
aldeia Torre,
Terra Indígena
Nhamundá
Mapuera,
Amazonas.

Foto: Ruben Caixeta, 2010


TIPOS DE PLANTA

Casas subterrâneas
do povo Kaingang
TIPOS DE PLANTA

Casas subterrâneas
do povo Kaingang
Ainda que, em um número
significativo de sítios
arqueológicos se encontrem
casas subterrâneas isoladas, é
comum encontrar-se conjuntos
dessas casas, seja formando
pares, seja formando
verdadeiras aldeias de mais de 5
casas, sendo vários os
agrupamentos entre 8 e 10
delas, e havendo, mesmo, casos
de mais de 20 casas em um
mesmo lugar. O espaçamento
entre essas casas varia de 1 a 10
metros, em média.
TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó.
Planta baixa
elíptica
- estrutura.
Diversas variantes.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó.
Corte transversal,
diversas variantes.
E fachada frontal
(topo).
Apud Frikel 1973

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Oca dos índios


Mehinakus na
Fazenda Catuçaba

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

"A casa xinguana (em Yawalapití, casa


= pah) é comparada ao corpo humano
ou animal, de sexo masculino (homem
= ârina ). Para que permaneça em
equilíbrio, na posição correta, ou seja,
em pé, deve ter bons pés plantados no
chão, e pernas firmes. Daí os esteios
principais da casa - aqueles dispostos
nos focos -centrais de uma elipse -
serem chamados 'pernas da casa'
(walapah ou pahkati)”

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

SÁ &CORREA, 1979 /TRONCARELLI, 2019.


TIPOS DE PLANTA

TRONCARELLI, 2019.
TIPOS DE PLANTA

Um elementos vertical,
vazado, que parte do
fechamento superior da
cobertura - destinado ao
escapamento da fumaça
interior produzida durante
a noite pelas fogueiras
junto às redes, bem como
para a penetração da luz
diurna no interior da
construção - é chamado de
'dentes da casa' (dentes =
tsêw'a). Lateralmente, e
acima deles, são dispostos
os brincos (brincos =
tsiriti).
COSTA & MALHANO, 1986.
TIPOS DE PLANTA
TIPOS DE PLANTA
TIPOS DE PLANTA
TIPOS DE PLANTA

Aldeia yawalapiti.

Foto: Eduardo Viveiros de Castro, 1977.


TIPOS DE PLANTA

Aldeia yawalapiti.
TIPOS DE PLANTA

Aldeia yawalapiti.
TIPOS DE PLANTA

Construçao de casa na
Aldeia Yawalapiti
TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyo
Planta baixa, semi-elíptica (ou em elipse incompleta),
estrutura; encaibramento; corte longitudinal.
Apud Frikel 1973:23/25

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyo

Foto: Denise Fajardo Grupioni, 2001.


TIPOS DE PLANTA

Antiga casa-aldeia
Tukâno.
Estrutura e
encaibramento.

Apud Roth 1924

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Antiga casa-aldeia
Tukâno.
TIPOS DE PLANTA

Antiga casa-aldeia
Tukâno.
Cortes e fachadas

Apud Roth 1924

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Antiga casa-aldeia
Tukâno
TIPOS DE PLANTA

Antiga casa-aldeia
Tukâno
TIPOS DE PLANTA

Casa Tiriyó
Planta baixa retangular
Estrutura, encaibramento e Fachada frontal.

Apud Frike l 1973

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA
TIPOS DE PLANTA

Antiga casa Karajá.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Habitação Karajá.
Casa de palha
pseudo-
tradicional. Ilha do
Bananal 1981.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Habitação Karajá.
Casa de palha
pseudo-
tradicional.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Moradia
Mundurukú comum
em aldeias como as
localizadas na
cidade de Itaituba,
PA
TIPOS DE PLANTA

Aldeia Munduruku

Foto: Protassio Frikel, década de 1950.


TIPOS DE PLANTA

Aldeia Munduruku
no rio Canumã.

Foto: Ezequias Heringer Filho, 1982.


TIPOS DE PLANTA

Aldeia-casa Yanoámami.
Planta baixa - estrutura.
Apud Chagnon 1977

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Aldeia-casa Yanoámami.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Aldeia-casa Yanoámami.
TIPOS DE PLANTA

Aldeia-casa Yanoámami.
TIPOS DE PLANTA

Casa-aldeia Marúbo.
Planta baixa decagonal - estrutura.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa-aldeia Marúbo.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa-aldeia Marúbo.

COSTA & MALHANO, 1986.


TIPOS DE PLANTA

Casa-aldeia Marúbo.

Foto: Milton Guran, 1988.


TIPOS DE PLANTA

Casa-aldeia Marúbo.

Vista aérea da aldeia Maronal, dos índios Marubo. Foto: Paulo Liebert/AE
TIPOS DE PLANTA

Casa
Xavante

Vista aérea da aldeia Maronal, dos índios Marubo. Foto: Paulo Liebert/AE
ABRIGOS TEMPORÁRIOS
Nos acampamentos temporários, construídos
durante as expedições de caça, por exemplo, a casa
é mais simples, pois há somente o espaço
necessário para cobrir as redes.

Esse tipo de casa é também construído perto das


roças para acolher a mãe e o filho recém-nascido ou
perto das casas permanentes, para servir de
cozinha (ISA, 2010).
ABRIGOS TEMPORÁRIOS
ABRIGOS TEMPORÁRIOS
Casas de caça yanomami
ABRIGOS TEMPORÁRIOS
ABRIGOS TEMPORÁRIOS

Foto: QUEIROZ, Anastacio, 1930


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Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
Geralmente as técnicas e materiais empregados se
assemelham entre as tribos.

O que difere algumas vezes são as formas aplicadas e o mais


importante a adaptação que a tecnologia sofreu em relação a
região climática que a tribo esta inserida, pois encontra
realidades diferentes de composição natural, e
consequentemente na disponibilidade de materiais
diferentes e condições metrológicas diferentes que
interferem e ditam a forma e o emprego da tecnologia.

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO
• Madeiras
• folhas de palmeira
• fibra do cipó
• fibra do sapé
AMARRAÇÃO: conjunto de procedimentos técnicos para
fixação dos diferentes elementos construtivos – de
estrutura ou de revestimento.

• entrelaçamento das peças em madeira feito com cipó


• encaixe lateral: os paus são ligeiramente escavados para a
obtenção de melhor ajustamento
• encaixe de topo: quando uma peça horizontal é fixada
acima de outra vertical
• as diferentes técnicas podem ser usadas ao mesmo tempo
COSTA & MALHANO, 1986.
Povo Cinta Larga
A disposição das folhas é
uma tarefa importante.

Chuvas fortes são


frequentes, logo a
cobertura deve estar bem
entrelaçada para que se
torne impermeável.

COSTA & MALHANO, 1986.


Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
COSTA & MALHANO, 1986.
Fonte: Manual de Arquitetura Kamayurá
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Arquitetura e Urbanismo no Brasil Colônia e Império - Arquitetura dos povos originários do Brasil - Dra. Ana Paula Campos Gurgel
Restaurante Chapéu de Palha, Manaus 1967
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
• Localizado em
Adrianópolis, Manaus.
Construído com madeira
natural com encaixes
simples, cobertura de palha
entrelaçada, concreto
armado para as sapatas.
• Os materiais usados foram:
Troncos roliços de
Aquariquara, e cobertura
em palha de palmeira Buçu,
alvenaria e concreto.
• O terreno tinha área de
2.400 m2 e o restaurante
uma área de e 78,50 m2.
• Esse restaurante já foi
demolido.
Restaurante Chapéu de Palha, Manaus 1967
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Centro de Proteção Ambiental de Balbina. AM, 1988.
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Centro de Proteção Ambiental de Balbina. AM, 1988.
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Centro de Proteção Ambiental de Balbina. AM, 1988.
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Centro de Proteção Ambiental de Balbina. AM, 1988.
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Centro de Proteção Ambiental de Balbina. AM, 1988.
Severiano Mario Porto (1928-vivo)
Ekó House
O conceito da habitação se inspira
na diversidade e na pluralidade da
cultura brasileira.

Segundo os responsáveis, a
herança indígena é tomada como
ponto de partida, como matriz do
mosaico cultural que mantém uma
unidade na identidade nacional.
Daí que vem o nome "Ekó",
original da língua Tupi-Guarani, que
significa "viver" ou "modo de
viver".

A equipe brasileira que projetou a


casa, intitulada Team Brasil, foi
coordenada pela Universidade
Federal de Santa Catarina e a
Universidade de São Paulo – com
apoio da Unicamp, UFRJ, UFRN e
IFSC.
Ekó House
Ekó House

O Team Brasil escolheu com cuidado as tecnologias e materiais utilizados para criar uma casa para uma sociedade
mais sustentável. Buscando a sustentabilidade humana, o time se acercou do projeto arquitetônico como uma
ferramenta de pesquisa para explorar as vantagens de combinar soluções locais e tradicionais com recursos de
alto desempenho tecnológico. A combinação dos elementos busca expressar uma linguagem arquitetônica
enraizada na cultura brasileira e nos recursos naturais.
Centro de Convenções de Bonito/MS
Centro de
Convenções de
Bonito/MS
Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá

O projeto
arquitetônico do
Centro é de autoria
de José Afonso
Botura Portocarrero,
arquiteto, professor
da Universidade
Federal de Mato
Grosso (UFMT) e
Doutor em
habitações
indígenas brasileiras.
Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá

Em formato ogival, o edifício


foi fundamentado na cultura e
casas indígenas dos povos do
Xingu (especificamente do
povo Yawalapiti), consideradas
exemplares em termos de
arquitetura bioclimática.

O processo de construção
incluiu a participação de
mulheres, reaproveitamento
de resíduos (madeiras, pedras,
etc.) e o projeto se adaptou ao
terreno em declive, evitando a
terraplanagem e preservando
a vegetação nativa.
Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá
A cobertura do prédio possui
a forma aerodinâmica das
casas xinguanas, e a partir
das camadas de palha
usadas nas mesmas, o
arquiteto projetou duas
cascas de concreto
independentes entre si,
criando um colchão de ar
entre elas, visando
proporcionar redução da
temperatura no interior do
edifício.

Por entre essas camadas


também escorre a água das
chuvas, a qual será
conduzida para
reservatórios para posterior
reaproveitamento.
Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá

Venceu o prêmio
BREEAM Awards
2018 como o
melhor edifício
sustentável das
Américas

O formato do
prédio aproveita
a orientação do
sol (nascente-
poente),
contemplando
beirais que
permitem o
conforto
térmico.
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Sede do Instituto Socioambiental – São Gabriel da Cachoeira, AM (2000)
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Sede do Instituto Socioambiental – São Gabriel da Cachoeira, AM (2000)
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Sede do Instituto Socioambiental – São Gabriel da Cachoeira, AM (2000)
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Sede do Instituto Socioambiental – São Gabriel da Cachoeira, AM (2000)
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), São Gabriel da Cachoeira/AM.
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), São Gabriel da Cachoeira/AM.
ESCRITÓRIO BRASIL ARQUITETURA
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), São Gabriel da Cachoeira/AM.
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