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Artigo submetido ao Curso de Engenharia Civil da UNESC -

Como requisito parcial para obtenção do Título de Engenheiro Civil

AVALIAÇÃO DA SUBSTITUIÇÃO DO AGREGADO MIÚDO NATURAL


(AREIA) PELO AGREGADO MIÚDO DE BRITAGEM (PÓ DE PEDRA)
QUANTO ÀS CARACTERISTICAS MECÂNICAS DO CONCRETO
Lucas Felipe de Matos (1), Patrícia Montagna Allem (2), Jorge Henrique Piva (3)

UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense


(1) lucas_felipe.matos@hotmail.com (2) patricia.allem@hotmail.com (3) jhpiva@gmail.com

RESUMO

Visando contribuir para o estudo dos efeitos oriundos da substituição do agregado


miúdo natural pelo de britagem quanto às características do concreto de cimento
Portland, este trabalho estuda a utilização de dois materiais originados do processo
de britagem: o pó de pedra basáltica e o pó de pedra granítica. Para tanto foram
realizados ensaios normatizados para a caracterização dos materiais segundo a
NBR 7211/2011. Para a análise das características mecânicas foram
confeccionados 12 corpos de prova prismáticos de 10x10x35cm sendo que se
utilizou três traços para realização do trabalho: um traço de referência, um traço com
a substituição da areia pelo pó de pedra basáltica e um traço com a substituição da
areia pelo pó de pedra granítica. Os ensaios de caracterização mostraram a grande
diferença entre os agregados originados de britagem e o agregado natural,
principalmente quanto à granulometria e a quantidade de material pulverulento
presente nos agregados britados. Durante a confecção dos concretos, observou-se
o alto consumo de água por parte dos pós de pedra, o que acarretou na
necessidade de utilização de aditivo plastificante para manter o mesmo slamp
alcançado no traço realizado com o agregado natural. Outro fato característico do
uso do pó de pedra basáltica como agregado miúdo é a aparente falta de argamassa
da mistura, o que ocasionou dificuldade de adensamento do concreto nos moldes
dos corpos de prova. Quanto à resistência a compressão, os resultados mostram
uma queda de 14% da resistência quando utilizado o pó de pedra granítica, já o
concreto confeccionado com o pó de pedra basáltica apresentou uma queda menos
acentuada, da ordem de 6%.

Palavras-Chave: Agregado miúdo, pó de pedra granítica, pó de pedra basáltica,


substituição.

1 INTRODUÇÃO

É conhecido que a construção civil tem papel significativo no desenvolvimento


humano. Ao longo de milhares de anos moldamos o nosso meio ao nosso gosto e
necessidade, sempre com a ajuda deste que é maior setor de consumo de recursos
naturais da atualidade.
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No Brasil, a cultura da utilização do concreto armado como estrutura para suas


edificações causa preocupação devido aos materiais de origem natural utilizados na
sua fabricação. Com quase 70% do volume total do concreto, os agregados
possuem papel fundamental em sua composição, entre eles destaca-se a areia,
agregado miúdo utilizado em larga escala pela construção civil (MENOSSI, 2004).
Os agregados possuem custo muito inferior ao cimento, porém a economia não é a
única qualidade deste item. Por muito tempo eles foram classificados como
fisicamente inertes ao concreto, entretanto, com o avanço das pesquisas na área,
percebeu-se que, além de possuírem baixo custo, muitas características do concreto
estão diretamente relacionadas com o tipo e as características dos agregados
utilizados (NEVILLE, 1997).
Ainda segundo Menossi, este material de origem natural geralmente é extraído
próximo a rios e lagos, e a constante preocupação com a preservação ambiental tem
incentivado a busca por alternativas para a substituição deste agregado miúdo
natural por alternativas sustentáveis.
A utilização do pó de pedra como agregado miúdo não é recente, todavia a fácil
extração e a abundância de agregados miúdos naturais (areias) fizeram com que
este material fosse menos utilizado. Hoje, com novas leis ambientais, a alta procura,
a necessidade de concretos mais resistentes e o alto custo do transporte em
território nacional fazem com que os olhos se voltem para a utilização do pó de
pedra como agregado miúdo (WEIDMANN, 2008).
O trabalho realizado por Rômulo Tadeu Menossi, mostra a viabilidade de utilização
deste material, haja vista que o mesmo alcançou resultados satisfatórios quanto ao
aumento da resistência a compressão em concretos confeccionados com este
material, entretanto, as diversas características incomuns deste material, como sua
granulometria, podem apresentar variações significativas nos resultados obtidos.
Mehta e Monteiro (2008), apresentam diversos motivos para se analisar a
granulometria e a dimensão máxima dos agregados miúdos, dentre eles, o mais
importante é a sua influência sobre a trabalhabilidade do concreto.
Segundo Sbrighi Neto (2011), a composição granulométrica do agregado miúdo
interfere diretamente na relação água cimento da pasta, agregados miúdos muito

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grossos podem produzir misturas de concreto ásperas e não trabalháveis, enquanto


as muito finas aumentam o consumo de água da mistura.
Este trabalho tem por objetivo estudar o comportamento do concreto quando
substituído o agregado miúdo natural pelo agregado miúdo de britagem na
confecção de concreto de cimento Portland, visando contribuir para o aumento do
conhecimento e da segurança quanto à utilização deste material na região de
Criciúma/SC.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Os corpos de prova utilizados foram desenvolvidos de forma a proporcionar a


realização de todos os ensaios com o mesmo exemplar visando melhor
caracterização dos resultados. As dimensões características destes, respeitam o
determinado pela NBR 5738/2015.
O trabalho consiste na confecção de 12 corpos de prova prismáticos de concreto,
sendo 4 corpos de prova de referências com concreto de agregados convencionais
(brita, areia e cimento), 4 corpos de prova com concreto confeccionado com a
substituição da areia pelo pó de pedra granítica (brita, pó de pedra granítica e
cimento) e 4 corpos de prova com concreto confeccionado com a substituição da
areia pelo pó de pedra basáltica (brita, pó de pedra basáltica e cimento). O
fluxograma do programa experimental é apresentado na Figura 1.

Figura 1: Fluxograma

Fonte: Do autor, 2017.

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2.1 MATERIAIS

Os materiais de análise, pó de pedra granítica e pó de pedra basáltica, utilizados


neste artigo foram obtidos comercialmente na região de Araranguá e São José no
estado de Santa Catarina. O cimento Portland CP-IV 32, o agregado miúdo natural,
o agregado graúdo de basalto e o aditivo plastificante, TECFLOW 7000, foram
disponibilizados pelo Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPARQUE
UNESC. A figura 2 apresenta os materiais em análise: a) pó de pedra granítica e b)
pó de pedra basáltica.

Figura 2: Materiais em estudo

a) b)

Fonte: Do autor, 2017

2.2 MÉTODOS

2.2.1 Caracterização dos materiais

Os materiais utilizados foram previamente secos em estufa e resfriados a


temperatura ambiente para posterior realização dos ensaios de caracterização. Não
houve diferenciação quanto aos ensaios realizados para cada material, haja vista
que o intuito do trabalho é a utilização dos pós de pedras como agregado miúdo do
concreto, característica que a areia já possui. Visando obter completo entendimento

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dos agregados em estudo, foram realizados ensaios laboratoriais normatizados no


Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPARQUE UNESC. Foram
determinadas as curvas granulométricas dos materiais através do ensaio
preconizado pela instrução normativa NBR NM 248; As quantidades de torrões de
argila e materiais friáveis foram determinadas através do ensaio preconizado pela
norma NBR 7218/2010; A quantidade de material fino foi determinada através do
ensaio preconizado pela instrução normativa NBR NM 46; As massas especificas
foram determinadas através do ensaio preconizado pela instrução normativa NBR
NM 52, aonde também foi possível a determinação da absorção de água de cada
material.

2.2.2 Traço do concreto

Visando maior contato com a realidade das obras de pequeno porte, optou-se pela
utilização do traço 1:3:3 mantendo o slamp característico de 10±2cm para os três
grupos. Durante a confecção dos concretos, percebeu-se que a relação
água/cimento de 0,70 utilizada por Menossi em seu trabalho e inicialmente proposta
para este, não corresponderia às expectativas iniciais de não adicionar aditivo
plastificante aos traços realizados com os pós de pedras, haja vista que o traço de
referência ficou inutilizável devido ao excesso de água na mistura, ocasionando
assim, a segregação dos agregados e da pasta cimentícia. Através da adoção do
método empírico, foi adicionada a quantidade necessária de aditivo para que o
slamp característico de todos os grupos permanecessem o mesmo.

2.2.3 Determinação da resistência à tração na flexão de corpos de prova


prismáticos

O ensaio de flexão a três pontos realizado no Laboratório de Ensaios Mecânicos da


UNESC possibilitou obtenção da resistência à tração do concreto na flexão. A NBR
12142/2010 apresenta os parâmetros aos quais os corpos de prova devem ser
submetidos para realização do ensaio. O equipamento utilizado foi uma prensa
eletromecânica, microprocessada, da marca EMIC de modelo DL10000 com uma

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capacidade de carga de 100KN junto ao computador com software TESC - Test


Script a qual dá a possibilidade de obtenção dos resultados procurados.

2.2.4 Ensaio de compressão axial

O ensaio foi realizado no Laboratório de Materiais de Construção Civil do Iparque


UNESC para obtenção da resistência característica a compressão, conforme
demonstrado na figura 3. A norma europeia CSN EN 12390-3 – “Testing hardened
concrete - Part 3: Compressive strength of test specimen” apresenta os parâmetros
aos quais os corpos de prova devem ser submetidos para a realização do ensaio.
Após a ruptura dos CPs, as metades originadas no processo foram ensaiadas à
compressão axial utilizando as faces laterais dos mesmos. Para realização do
ensaio foi utilizada uma prensa hidráulica da marca EMIC modelo PC200CS, com
capacidade máxima de 200 toneladas, junto a um computador com o software TESC
- Teste Script.

Figura 3: Ensaio de compressão axial

Fonte: Do autor, 2017.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 CARACTERIZAÇÃO DOS AGREGADOS MIÚDOS

3.1.1 Composição granulométrica


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A figura 4 apresenta as curvas granulométricas dos agregados miúdos utilizados no


trabalho.

Figura 4: Distribuição granulométrica dos agregados miúdos

Fonte: Do autor, 2017.

Podemos perceber as diferentes características dos materiais utilizados a partir da


distribuição granulométrica. Como visto na figura, a areia natural possui sua faixa
granulométrica dentro dos limites estabelecidos pela NBR 7211/2011, porém,
apresenta uma variação muito grande, indo do limite ótimo superior, na peneira de
abertura de malha igual a 0,60mm, ao limite inferior, na peneira 1,18mm, o que
caracteriza a falta de partículas desta dimensão.
O pó de pedra Basáltica apresenta excesso de partículas de dimensões de 2,36mm
e 1,18mm, não apresentando assim, uma distribuição uniforme, além de estar fora
dos parâmetros estabelecidos pela NBR 7211/2011 para os limites granulométricos
dos agregados miúdos.
Quanto ao pó de pedra granítica, percebemos uma distribuição uniforme apesar de
estar fora dos limites ótimos da norma. Segundo Mehta e Monteiro (2008), os
agregados de granulometria contínua, que não apresentam excesso ou deficiências
de partículas de qualquer dimensão, produzem as misturas de concreto mais
trabalháveis e econômicas, entretanto deve-se avaliar as demais características, tais
como a dimensão máxima característica e o modulo de finura do agregado, como
vemos na tabela 1.
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Tabela 1: Modulo de finura e diâmetro máximo dos agregados miúdos


Pó de pedra
Ensaios Areia Pó de pedra granítica
basáltica
Diâmetro Máximo (mm) 2,40 4,78 4,78
Módulo de Finura 2,37 3,39 2,80
Fonte: Do autor, 2017.

Ainda segundo Mehta e Monteiro (2008), a relação entre o módulo de finura e a


granulometria do agregado é de igual proporção, ou seja, quanto maior o modulo de
finura, mais graúdo é o agregado. É o que vemos para o pó de pedra Basáltica, que
apresenta um elevado módulo de finura ao mesmo tempo em que apresenta uma
curva granulométrica acima dos limites de norma. Já a relação entre o módulo de
finura da areia e do pó de pedra Granítica, é mais próxima, o que significa que, em
teoria, as características do concreto no estado fresco, quando utilizado estes
materiais, seriam parecidas, não fosse a dimensão máxima característica do pó de
pedra ser maior que a dimensão característica da areia. Entretanto, segundo Mehta
e Monteiro (2008), de maneira geral, quanto maior a dimensão máxima
característica, menor é a área superficial a ser coberta pela pasta de cimento, o que
significaria uma redução no custo de fabricação do concreto, porém, a presença de
substâncias deletérias, como materiais finos passantes na peneira de número 200,
pode interferir de maneira significativa na quantidade de pasta de cimento
necessária para cobrir todos os agregados.

3.1.2 Substâncias deletérias

As substâncias deletérias presentes nos agregados, dependendo da quantidade,


interferem diretamente nas características do concreto, seja no estado fresco ou
endurecido (NEVILLE, 1997).
Agregados oriundos de jazidas eólicas ou de leito de rio podem apresentar materiais
finos argilosos e orgânicos, difíceis de serem removidos das partículas duras de
quartzo e que podem interferir nas reações químicas de hidratação do cimento
(NEVILLE, 1997).

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O pó de pedreira, encontrado em materiais oriundos de britagem, formado através


da fragmentação da rocha mãe, pode formar películas semelhantes às formadas por
argila como também pode aparecer na forma de partículas soltas e, devido à grande
área de molhagem, aumentam a demanda de água da mistura (NEVILLE, 1997). A
tabela 2 apresenta os resultados dos ensaios realizados segundo instruções
normativas.

Tabela 2: Substâncias deletérias presente nos materiais


Pó de pedra Pó de pedra
Ensaios Areia
basáltica granítica
Pulverulento passante na
peneira 75µm por lavagem 1,00 15,75 9,84
(%)
Torrões de argila e
0,87 1,89 0,64
materiais friáveis (%)
Fonte: Do autor, 2017.

Para agregados oriundos de jazidas naturais, a NBR 7211/2011 determina a


quantidade máxima de material passante na peneira com abertura de malha de 75
µm, como sendo 3% para concretos submetidos ao desgaste superficial e 5% para
concretos protegidos do desgaste superficial. Assim sendo, vemos que o agregado
natural estudado não ultrapassa tais limites.
De acordo com a NBR 7211/2011, a quantidade de material fino passante na
peneira com abertura de malha de 75 µm para agregados provenientes de britagem
de rochas pode atingir o valor de 10% para concretos submetidos a desgaste
superficial, e 12% para concretos protegidos de desgaste superficial, desde que seja
possível comprovar por apreciação petrográfica que os grãos constituinte acima de
150 µm não gerem finos que interfiram nas propriedades do concreto, como
micáceos, ferruginosos e argilominerais expansivos.
Apesar do significativo aumento permitido por norma, apenas o pó de pedra
granítica obedece tal especificação, enquanto que o pó de pedra basáltica
ultrapassa tal limite.
A alta quantidade de água de molhagem necessária para envolver este material, faz
com que seja necessário o aumento da quantidade de água e consequentemente de

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cimento na mistura, o que, além provocar o aumento no custo de fabricação,


aumenta a retração e a permeabilidade do concreto (MENOSSI, 2004).
Os materiais friáveis, em sua maioria constituídos de madeira, argila ou carvão,
podem ocasionar falhas na superfície do concreto devido a sua baixa resistência
mecânica (WEIDMANN, 2008). A norma NBR 7211/2011 estabelece o limite de 3%
para os agregados miúdos, sendo assim, todos os materiais analisados respeitam a
normatização, apesar de o pó de pedra basáltica ter apresentado o valor mais
elevado, talvez devido aos materiais finos aderidos à superfície das partículas
maiores e que, com o processo de lavagem, acabaram saindo por via úmida e
interferindo nos resultados.
Mesmo sabendo das interferências ocasionadas pela presença destes materiais, foi
optado pela não retirada dos mesmos uma vez que o intuito do trabalho é a
utilização do material como ele sai do processo de britagem.

3.1.3 Absorção de água e massa específica

Segundo Sbrighi Neto (2011), a quantidade máxima de absorção de água do


agregado está relacionada com a porosidade do mesmo, que por sua vez está
relacionada com a aderência entre o agregado e a pasta cimentícia (SBRIGHI
NETO, 2011).
Mehta e Monteiro (2008) apresentam a definição para os três estados de saturação
dos agregados. Quando todos os poros permeáveis estão saturados, mas o
agregado não apresenta uma camada de água em sua superfície, dá-se o nome a
essa condição de saturado superfície seca (S.S.S.); quando o agregado está
completamente saturado, apresentando uma camada de agua adsorvida a sua
superfície, dizemos que o agregado está saturado. Quando o agregado está na
condição seca em estufa, entendemos que toda a água presente foi eliminada
através de aquecimento a 100ºc em estufa.
A tabela 3 apresenta os resultados dos ensaios realizados para determinação da
absorção e massas específicas de agregados miúdos de acordo com a NBR NM 52.

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Tabela 3: Resultado dos ensaios de caracterização


Pó de pedra
Ensaios Areia Pó de pedra granítica
basáltica
Absorção de água (%) 0,39 1,56 0,79
Massa Específica Seca (g/cm³) 2,36 2,48 2,36
Massa Específica S.S.S. (g/cm³) 2,37 2,52 2,38
Massa Específica (g/cm³) 2,39 2,58 2,40
Fonte: Do autor, 2017.

Os resultados salientam o efeito da quantidade de finos presentes no material, uma


vez que seguem o mesmo padrão percebido no ensaio anterior, vemos que a água
de molhagem está relacionada com a quantidade de finos presentes no material,
que por sua vez influência na trabalhabilidade do concreto fresco, uma vez que,
durante a concretagem, o concreto confeccionado com o pó de pedra basáltica
apresentou a pior situação com relação a essa característica.

3.1.4 Trabalhabilidade das misturas

Após a caracterização dos materiais, foi realizado o ensaio experimental para


determinação da relação água/cimento necessária para que o traço de referência
apresentasse o slamp de 10±2 cm, onde se obteve o valor de 0,63. A partir daí, foi
realizada a mistura dos demais traços do trabalho obedecendo-se esta relação e o
slamp atingido.
Para a mistura realizada com o pó de pedra granítica, percebeu-se que o concreto
apresentava um slamp de 2 cm quando somente utilizada a água prevista para o
traço. Quanto às características do concreto, percebeu-se uma textura mais áspera
que a referência, possivelmente devido aos finos presentes no material. Adicionou-
se, então, aditivo plastificante para que fosse atingido o slamp de 10±2 cm.
Para a mistura realizada com pó de pedra basáltica, percebeu-se que o concreto
ficaria inutilizável sem a adição de aditivo plastificante, uma vez que a mistura
apresentou um slamp zero. Para se alcançar o slamp desejado, a quantidade de
aditivo plastificante utilizada foi quase o dobro da quantidade utilizada no traço
realizado com pó de pedra granítica.
A tabela 4 apresenta as características de cada traço realizado.

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Tabela 4: Características dos traços utilizados


Agregado Agregado
Corpos de prova Grupos Cimento A/C Aditivo
Miúdo Graúdo
Referência 1 3 3 0,63 0
Pó de pedra
Corpos de prova 1 3 3 0,63 10,2 g
basáltica
10x10x35cm
Pó de pedra
1 3 3 0,63 5,5 g
granítica
Fonte: Do autor, 2017.

Observou-se durante a moldagem dos corpos de prova, os diferentes níveis de


argamassa alcançados com cada traço. Para o traço realizado com pó de pedra
granítica observou-se uma leve dificuldade de adensamento do concreto quando
comparado com o traço de referência, já para o traço realizado com pó de pedra
basáltica, a aparente falta de argamassa na mistura gerou um concreto “áspero” e
difícil de adensar.

3.1.5 Ensaios mecânicos

Após a cura úmida por 28 dias, foram realizados os ensaios de flexão a três pontos,
para determinação da resistência a tração na flexão, e posteriormente para
determinação da resistência à compressão. A figura 5 apresenta os resultados
obtidos para o ensaio de flexão a três pontos.

Figura 5: Média dos resultados do ensaio de flexão a três pontos

Fonte: Do autor, 2017.

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Podemos perceber um aumento de 4,53% na resistência à tração do concreto


confeccionado com o pó de pedra granítica, enquanto que o concreto com pó de
pedra basáltica apresentou uma redução de 3,46%.
Logo após a realização do ensaio de flexão, as partes restantes do processo foram
ensaiadas a compressão axial. A figura 6 demonstra a média dos resultados obtidos.

Figura 6: Média dos resultados do ensaio de compressão axial

Fonte: Do autor, 2017.

Percebe-se que, mesmo apresentando uma quantidade superior de material


pulverulento, o pó de pedra basáltica produziu um traço com resistência superior ao
traço com pó de pedra granítica, e muito próxima à resistência alcançada com o
traço de referência.
Analisando os resultados obtidos por Rômulo Tadeu Menossi, onde se observou
uma significativa melhora na resistência à compressão dos concretos
confeccionados com o pó de pedra basáltica, percebe-se que a composição
granulométrica do material utilizado por ele é mais fina que a composição de ambos
os materiais utilizados neste trabalho, fato que pode ter ocasionado resultado
diferente.

3.1.6 Análise de variância

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Os dados obtidos com os ensaios de tração na flexão e compressão foram


organizados e submetidos a uma análise estatística de variância (ANOVA) com o
auxílio do software Microsoft Excel.
O valor p obtido no método está relacionado com a significância dos resultados
obtidos. Caso o valor p seja maior ou igual a 0,05, significa que as amostras podem
ser consideradas iguais com 95% de precisão, caso contrário, as amostras podem
ser consideradas diferentes com o mesmo nível de confiança. Isso é confirmado
quando analisamos o valor F, onde este, quando menor que F crítico, confirma o
grau de igualdade das amostras, não havendo variação significativa.
A tabela 5 apresenta as análises estatísticas realizadas para os resultados obtidos
através do ensaio de flexão.

Tabela 1: Resultados ANOVA para o ensaio de flexão


Entre a referência e o pó de Entre a referência e o pó de Entre os pós de
pedra basáltica pedra granítica pedras
Valor p 0,381 0,421 0,162
F 0,892 0,745 2,534
F crítico 5,987 5,987 5,987

Fonte: Do autor, 2017

Mesmo com a curva granulométrica do pó de pedra basáltica fora dos limites


recomendados pela norma, de acordo com a análise estatística, os resultados não
apresentam diferença significativa entre os traços em estudo, ou seja, a substituição
do agregado natural, pelo pó de pedra basáltica e granítica, não afetou a
propriedade de resistência à tração do concreto.
A tabela 6 apresenta as análises estatísticas realizadas para os resultados obtidos
através do ensaio de compressão axial.

Tabela 6: Resultados ANOVA para o ensaio de flexão


Entre a referência e o pó de Entre a referência e o pó de Entre os pós
pedra basáltica pedra granítica de pedras
Valor p 0,319 0,016 0,237
F 1,182 10,881 1,723
F crítico 5,987 5,987 5,987
Fonte: Do autor, 2017

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Analisando os valores obtidos através da análise estatística, observamos que


apenas o traço realizado com o pó de pedra granítica apresenta variação
significativa com relação ao traço de referência. Já para o traço realizado com o pó
de pedra basáltica, a análise estatística demonstrou que não há diferença
significativa entre os resultados.

4 CONCLUSÃO

As conclusões aqui apresentadas limitam-se aos materiais utilizados nesta pesquisa,


desta forma, através dos ensaios realizados e resultados obtidos, pode-se concluir
que:
 A caracterização destes materiais mostrou o principal motivo de não serem
utilizados em larga escala como agregados miúdos para o concreto. O alto
nível de partículas finas reflete na necessidade de aumento do consumo de
água e conseguintemente de cimento, deixando-o assim, mais oneroso.
 O principal fator que diferencia o concreto realizado com o agregado natural
com os de britagem, é a elevada dificuldade de adensamento da mistura
devido ao aparente baixo teor de argamassa, o que pode acarretar em falhas
de concretagem, além de dificultar o seu transporte através de bombas
pneumáticas.
 Quando se pensa em simplesmente substituir o agregado natural pelo de
britagem, o pó de pedra granítica é o que mais se assemelha pois, apesar de
apresentar uma redução na resistência a compressão, não evidencia na
mesma proporção, a aparente falta de argamassa no traço realizado com pó
de pedra basáltica.
 O pó de pedra basáltica, apesar de apresentar características não aceitas
pelas normas em vigência, alcançou resistências mecânicas muito próximas
das alcançadas com o agregado natural, quando empregado no concreto.
 Por fim, pode-se afirmar com 95% de certeza, que os concretos realizados
com pó de pedra basáltica são iguais aos concretos realizados com areia no

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que diz respeito às características mecânicas de tração na flexão e


compressão
 O concreto realizado com o pó de pedra granítica, apresentou significativa
redução de sua resistência à compressão.

4.1 Sugestões para trabalhos futuros

Determinar o traço específico para cada material estudado neste artigo, afim de se
comparar o teor ótimo de argamassa e o aumento na quantidade de cimento com
relação aos traços realizados com agregados convencionais.
Verificar o efeito fíler causado pelos finos presentes nos pós de pedras e se estes
influenciam nas resistências mecânicas do concreto ao longo do tempo.

5 Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5738: Concreto —


Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova. Rio de Janeiro, 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7211: Agregados para


concreto - Especificação. Rio de Janeiro, 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12142: Concreto —


Determinação da resistência à tração na flexão de corpos de prova prismáticos. Rio
de Janeiro, 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7218: Agregados –


Determinação do teor de argila em torrões e materiais friáveis. Rio de Janeiro, 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 248: Agregados -


Determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 52: Agregado


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Janeiro, 2009.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 46: Agregados –


Determinação do material fino que passa através da peneira 75 µm por lavagem. Rio
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 67: Concreto -


Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. Rio de Janeiro,
1998.
UNESC- Universidade do Extremo Sul Catarinense – 2017/02
17
Artigo submetido ao Curso de Engenharia Civil da UNESC -
Como requisito parcial para obtenção do Título de Engenheiro Civil

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Resistência à compressão dos corpos de prova de ensaio. Portugal, 2003

MEHTA, P. Kumar; MONTEIRO, Paulo J. M.. Concreto: Microestrutura,


Propriedades e Materiais. São Paulo: Ibracon, 2008. 673 p. Tradução de Cristina
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