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Projeto

PERGUNIE
E
RESPONDEREMOS
ON-LlNE

Apostolado Veritatls Splendor


com autorização de
Dom Estêvão Tavares Bettencourt, osb
(in mamariam)
APRESENTAÇÃO
DA EDiÇÃO ON-LINE
Diz SAo Pedro que devemos
8star preparados para dar a razão da
nossa esperança a lodo aquele que no-Ia
pedir (1 Pedro 3 ,15).
Esta necessidade de darmos
conta da nossa esperança e da nossa fé
hoje é mais prememe do Que outrora,
visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrárias à fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crença cat6lica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.
Eis o que neste 5119 Pergunte e
Responderemos propOe aos seus leitores:
aborda questões da atualidade
controvertidas, elucidando-as cio ponto de
vlsta costão a fim de que as dúvidas se
." dissipem e a vivência católica se fonaleça
_. ~ no Brasil e no mundo. Queira Deus
abençoar este trabalho assim como a
equipe de Veritatls Splendor que se
encarrega do respectivo s118.
Rio de Janeiro, 30 de Julho de 2003.
Pe. Estevão Bettencourt, OS8

NOTA DO APOSTOLADO VERrTATlS SPLENDOR

Celebramos convênio com d. Estevão Bettencourt e


passamos a disponlbJJJzar nesta área , o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico . filosófica MPergunte e
Responderemos·, que conla com mais de 40 anos de publicação.
A d. Estêvão Bettencourt agradecemos a confiaça
depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
Sumário

"CREro NA RESSURRErçAO DOS MORTOS" •• . •• ,.... . . . ... .. . 353

No Ano Inte"tlClOMr d, CII... ~:


OS DIREITOS !lA. CRIANÇA . .... . .. . . ....... .. . .. ...... . .... . . 35'
AI rlqlMz •• do crl.tlo:
OS DONS DO ESP!RITO SANTO .... . .... .. .. . .. . .... • . . • _. .. . 365

a.nUtlon.1s !
PROFECIAS DE IMINENTE FIM DO MUNOO ..... . • ...•. , ... ... , 378

"O qu. o olho nio ,lu . . . "


" REFLEXOE$ SOBRE VIDA APOS A VIDA" • ...... . ...... • .... . . 392

LI VROS EM ESTANTE ................... . .. . ... . . .... .. .... . . 394

COM AIPROVAÇÃO ECI.ESIASTlCA

• • •
NO PROXIM ·O HOMERO:

c Criação • mito» por O. lorelr., - Justic;a o riginal : exi5tiu? Que


serjo? - cMonic:lImios, prisões e conventOs. por E. Goffman. -
cO m'Uogr. do fe, :. (filme I . _ cCreio no rossurraiçao dos mo rlo l:'.

x ---
. PERGUNTE E RESPONDEREMOS .
Número avulso de qualquer mês . . . , . . , . .. . Cr$ 18,00
Assinatura anual .,. .. .... . ... . .. . . ... ... ... Cr$ 180,00

DIreçãO o Redação de Estêvão Bettenoourt O . S. B.


AOI'IIINlSTRAÇAO REDAÇAO DE PB
Livraria n ....lonArIa Ed Itora CaIxa Postal 2.686
RU& 1tlhleo, lU':B (Cutelo)
20.«11 Rio de Janeiro (RJ) 20 .000 RI., de .Janeiro (RI)
TeL: 2U-OOãO
_ _ o- •

"CREIO HA RESSURREiÇÃO DOS MORTOS


A S. Igreja, por mel. da Congregação para a Dou1~:-4~.
Fé, ""uve por bem publicar aos 17/05/79 uma Carta-Irei
,
sobre algumas questões referentes à escatologia ou à consu·
mação do homem e do mundo.
A oportunidade desse dOCl.lJ'ilento se depreende do fato de
que numerosas teorias, disseminadas por livros, conferências e
cursos, vêm atenuando ou desfigurando nos fiéis as concepções
genuinamente cristãs sobre tais assuntos. Alguns chegam a
perguntar: 'haverá. alguma coisa para além da morte? Subsis·
tlrã algo de nós mesmos ou espera·nos o nada? - Ora a res-
posta que se dê a tais perguntas, é de importâncIa capital para
a orientação da vida presente; o significado desta depende, ine.
gavelmente, da maneira como se conceba o além,
Eis por que vamos, a seguir, transcrever a parte principal
da referida Carta, Que em próximo número publicaremos na
integra, acompanhada de comentáno,
c EdI::! Sagradl::! Congre,gacão, ,q uo tem a responsabilidado d.
promover e de defender o doutrino do fé, propõe· se hoje recordar
aquilo que CI Igreja ensina, em nome cle Cr1sto, especialmente quanto
CIO que sobrevém entre o morte do cristão e o ressurreição univenol.
I' A Igreja .crê numa reuurreh:ão dos mortos (cf. Símbolo
dOI Ap6stolo,'.
21 A Igreja entende esla renurrelçõo referida 00 homêm
lodo; ello. para 61 eleitos, não é outra coila senão G exlen,So 001
homens da pr6prio renurreiçõo de Cristo.
31 A Igreio ofirmo o ,obre..,ivan~ia e o subsistindo. depois
do morte, de um elemento espiritual, dotado de consclênclo e de
vontade, de 101 modo que o .... hwnana sub,llIa, Paro designar •.,:.
elemento, Q Igreja emprego a palavra alma, conlagroda pela uso
que dela fa:r:.em o So;roda Esaitura .. o Tradição. Sem Ignorar que
elte termo fi, tornado nca Blblia em diversos tig nUicados, Elo julga 0

não obstante, que não exisle q\lal,quer ra:r:.ão séria paro o re je'itor
e considera mesmo ser ablolulamente indispensáyel um instrumill'nto
verbo I poro sUlter o fé d(u cristóos,
41 A 'Igrela exclui todos cu formal de pensamento e de u·
prenSo que, se adotados, lornoriom absurdos ou in1ntel~grvels a sua
oração, os .eul riJos fúnebres e o seu culto dos mortal, realidade.
que, no lua substância, eonstiluem lugares leol6glçol,
51 A Igrela, em conformidade com o Sagrada Elcritur(l, esper(l
'0 glorioso manifestação de Nono Senhor Jesus Cristo' (cf. Consli-

- 353-
lulç60 O.. V-muml, que Elo considero como distinlo e diferido em
,elo(So à.quclo condiçõo próprio do homem imediatamente depois
do morte.
6) A Igreja, ao expor Q suo doutrino IGbr. a sorte do homem
d~poi, da morte, exclui qvolqyer explicaç60 que tirona o sev 58n·
lido" Assuncõa de Nona Sen},oro, naquilo que esla tem de único,
ov seja falo de ser o glorificação corporal do Virgem Santíssimo
uma antecipação do .glorificocõo que esl6 destinado o lodos os
oulros eJallos,
7] A Igr~ia, em adesão fi.1 ao Novo Testamenlo e ô Trad ição,
ac;;rcdilo na felic;;idode dos Ivstos qutl ' ellarão um dia com Cristo'.
Ao me smo tempo, Elo crê numa pena que h6 de cosligar poro sem·
pre o pec;;ador que for privado do visão de Oeus, e ainda no reper·
cussão desto peno em lodo o ser do mesmo pecador. E, por fim,
Elo crê existir paro os eleilos uma eventual purincoclio prévio à
visão de Dltlls, o '11101 no entanto é obsolulgmCl'llo divena da peno
dos condenados. E isto o .~u. o Igreja entend. quando falo de
Inferno e d. Purgatório.
Pelo que respeito ti c;;ondiçõo do home", depois do morte, h6
que precover·se florriculormenle conlro o perigo d. representações
fundados apenas no imo,g;noçõo e arbitrários, porqUe O eXGêUO dOI
mesmas entro eM grande porte nas difieuldades que muitas vexes
a fé cristã encontro. No enlanto, os imagen. de que se serve o
Sagrada EJerilura merocem lodo o re1pello. Meu é preciso cap10r o
.eu sentido profundo, evitando o rilco de OI atenuar demasigda.
mente, o que equivale não raro a esvazior do próprio lubstóné'ia OI
realidadel que são indicados por tais imog.,u~.
Voltaremos ao assunto. Por ora interessa realçar algo do
conteúdo do item 7.
o cristão espera. para depois da morte, o encontro com
Deus face.a·face,. ' . com Deus que já é conhecido e cuja pre·
sença já é dcsfl'Ulada no decorrer m~smo da. prês:mtc J)êrcgrl.
nação. Esse encontro SC1'õÍ o. resposta n todas as nspiril\::ôcs do
ser humano, nada ficando por desejar. Deus, porém, serA sem·
pre novo para. a criatura, pois Ele só não é novo para si m~smo;
Ele provocard uma Celiz admlra'Wão, que não conheccl'á suces·
lSão de tempos.
Possa a consclência destas verdades penetrnr mals e mais
no intimo de cada leitor, a fim de estruturar a sua conduta
cotidiana. Seja esta realmente um anteg020 da vida eterna,
pois hã continuidade entre a vida presente c aquela que nós.
chamamo3 a vida. futural
E .D .
- 354
·PERCiUHTE E RESPONDEREMOS lO
Ano XX - N' 237 - Setembro de 1~

No Ano InternacIonal da Cri.~:

os direitos da criança
Em alnte.. : o "'no Intarnaclona' da Criança proclamado pala ONU
par. 1979 deve 8vlvar na oplnllo publica. conaclancla dos graves proble-
mas por que passam •• criança tanto nos palse. subdesenvolvidos qUinto
no. povo. rlcOI. Naquela• • falia da devida ,rlmfntaçao ocasione doença
8 morta prematura: al6m do que•• Insuflelanl. eacolartuç'o a o Itllbllho
p.ado, Inap to aos menores. alo nagelol dolor08Ol. Nos pais" dl.IUVOI-
\lIdos, OI paqueno! .10 vitimas prlnelpalmente do esfacalamenlo d, 'aml-
111, que facllmante rtdurMla em crlmlnaUdada dOI filhos; • criança 6. nlo
raro, lida como Ind•••jada • Incomoda, porque diminui a.
po..lbllldadn
da gozo a pluar por paria dos pai,.
Oevemos. I..."r em conla tlmb«n os filhos dos emlgre"I_, nlo reTO
au/eltos a s er descaractarlzados pelo a/alama ed ucacional da p,ilrla que os
hospeda.
Ora ta/a condlç6n de axlstêncla da crlançe em noNOS dias nlo alo
nem cristAs nem humanas. Preclsamente a 11m de lhas lazar frenle, a
OrganlzaçAo das NaçOes Unidas promulgou em 20/11/59 a Declaraçlo doa
Olrallo. da Crlanç•. A ."11 a Igre/e acmcentou o direito de nasce r, que
a p,",tlca do abor1o racusa 1 criança.
A 11m de remediar radrcalmenta 1 ,lIuaçfo da criança em nonos
dia., f.r.6-Ia mister reforma, a mentalidade dos homens e dos povoa, que
.e preocupam axcaaslvamenle com armas a com o tet lI'IaI. (em det~
mento dO se, INIIs). Enquanto eatll 110 ,'meJldl conve..lo nlo Qcornl, ,
PI'I deselar que .a mulllpllCluam aa ob,.. 1.,lslanclal. 1 Inl'ncle. como
.1110 • UN1CEF (da car"a, Inlamaclonar ralgo) a oa organr.mos católicos
dI atendlmanto és crianças li ls pauoa. carantes em geral : Obra dll
Inllncla MlJelon'rla, Carlla. Inlemaclonal, Cor Unum, Ad.,.nlll, Mlaeraor . ..
Possam elles modeloa ausc/lar a generosidade do povo braallelro, em
cujo aelo mulllcS6ea de crianças padem auxilio I

• • •
Comeutá.rlo: Aos 2lJ12nS, a Assembléia Geral das Na-
ções Unidas proc1amou o ano de 1979 cAno Internacional da
Crlan9B~. Vjsava assim despertar o Interesse dos Governos
e da opinião púbUca em geral pan os graves problemas de que
-355 -
4 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS' 237/1979

sofrem OS pequeninos no mundo inteiro, mesmo nos países


desenvolvltlos.
A oportunIdade dessa proclama.ção nos leva a procurar
tomar conscii!ncia da situação das crianças em nossos dias
assim como das providências mais adequadéls e urgentes em
favor das mesmas.

1. A situa~ das crianças hole


Distinguiremos os palses em via de desenvolvimento e os
países desenvolvidos.

1 .1. POy" em vkJ. d. dnenvolvlmento


Compreende·se que nos paises em vias de desenvolvimento
a situação das crianças seja parUcuJarmenle aflltiva, pois estas
constituem a parte mais desprotegida de toda a populaÇão.
Na verdade, a criança ai é flagelada antes mesmo que
nasça. visto que a carência alimentar da genltora exerce sobre
ela seus eleitos negativos; a criança insuficientemente nutrida
durante a gestação corre o perigo dê não se desenvolver nor.
malmente e, wna vez nascida. é sujeita a próximo perigo de
morte. A Organização Mundial da Saúde prevê que, dos 122
milhões de crianças nascidas em 1978, 12 milhões perecerão
antes do flm de 1979.
Dado, porem, que escapem da morte no seu primeIro ano
de existência, as crianças dos países subdesenvolvidos estio
expostas à tome e, por conseguinte, lã. doença e, mais, à pró·
pria morte precoce (multas moléstias que não são mortais em
crianças bem nutridas. provocam a morte nos casos de sub·
alimentação) •
Sabe-se que a insullelente alimentação prejudica o sistema
nervoso e. especialmente, o cérebro, acarretando depressão
nervosa e pslquica; produz: outrossim fraqueza generalizado,
pouca resistência às doenças e aos micróbios, exíguo rendi·
mento no trabalho e envelhecimento precoce. Por outro lado.
a má alimentação, carente de proteinas, vitaminas e sais mIne·
raIs, é cawa de graves moléstias como o beri·béri, a cegUeira
total e incurável, o raquitismo, o lm'nshIorkor . . . que, se não

-356-
os DmEITQS DA CRIANÇA li

levam à morte, deixam o organismo comballdo. A Organização


Mundial da Saúde declarava aos 7/ 04 / 79:
"Sele molésUas matam lodoa os an~s. no m'undo, mais de dez mllh(lu
de crianças, . ambora par. ui, dalo exJsla vacina eflcll, ao pUla que •
"tlml poderia ser evJtada medlanle malhor dblrlbulçlo da5 Ilgullll " poli-
v-I._ As se.. mo"sllas qua pode"lm ser afa.tadas por melo de vacina.
alo .. dlllerla, a coqueluche, O télano, " o ..,ampo, a poliomIelite e .a
tuberculose. Elias metam anualmenta cln~ mllMas da crIanças" pro~
cllndo em outras Invalide: permanente, como a cegu,l,a , a paralisia paI'"
elat ou tOI.I, o relardamento mantal, elc. A vaclnaçlo d •• crianças contra
ossa. mOléstias custaria multo menos do que , guio para lentar curar
os doentes assim afetados. A comunidade InternacIonal 8$16-se esforçando
par. conseguir . . " providenciar a vacina de todas as crIança. contra essas
sais moléstias, mas tal medida nlo poder' .alvar os pequenlnot que, erri
virtude da carlncla allmentl' da SUH miaI, nlscarem com menot de
dois quilos fi melo".

Note-se ainda que aos flagelos da fome e da doença, para


as crianças doa palses subclesenvolvldos, se acrescentam as
ameaças do analfabetismo e do trabalho pesado, inadequado à
idade intanW. Jt partlcularmente dolorosa a eondicão das
meninas, seja porque em alguns paises são menos consideradas
do que os meninos, seja porque em muitas regiões da Africa
persistem costumes cruéis, como a mutilação dos órgãos se-
xuais ... , costume para o qual alertou recentemente um Con·
gresso da Organização MundJal da Saüde em I(hartoum (Sudã) .

1 . 2" PO'lO, dosenvolvldol

Nos palses industIiallzados, a situação das crianças não ê


tão dramática. Ao contrárlo, no tocante à alimentação, ao ves-
tuãlio, ao at-endJmento médico, à escola, .às diversões, a situa·
ção em geral ~ boa ou mesmo. em alguns casos, esmerada~
!'.Zuitas crinnças de tais paises são superaUmentadas e gozam
de diversas chances de escolarizac;ão e aprendizagem, cornq
também de grande variedade de diversões. Todavia quem se
debruça de mais perto sobre a realidade social dos povos desen-
volvidos, verifica graves carências que afetam especialmente
as crianças.
a) Em primeiro lugar, seja mencionada a prática do
aborto legal ou clandestino. Se nos paises subdesenvolvidos
morrem de fome anualmente milhões de crianças, é possível
que nos países desenvolvidos Igual número de crianças morra
antes de nascer. E note-se qUe ~ tendência das diversas legis-
~~~-::<:Y":_
-357-
e cPERGUNTE E RESPONDEREMOS_ 237/l9'l9

!açOes leva a ampliar ·cada. vez :ma1s os casos de aborto clegab,


como se este fosse um direito da mulher, quando na verdade
nAo existe direito de matar um inocente!

b) Em segundo lugar, as crfanças dos paJses desenvolvi·


dos aio afetadas por outras carências como a da moradia 00-
eua, a da mãe que trabalha enquanto os fUhos são pequenos,
a do divórcio e - mais - o alcoolismo, as drogas, o consu-
mismo desenfreado, a violência, â agressivldade .. _

Na verdade, os apartamentos modernos são dispostos de


modo a só poder abrigar familias de dois ou três tuhos, os
quais dificilmente gozam de ãrea para brincar ou Jogarj só
resta a alternatlva. da rua com os perigos tisicos e morais que
esta acarreta. Por sua vez, o trabalho profissional da mulher
que tenha crianças pequenas, se de um lado pode ser neces·
sárlo, de outro lado subtrai b crianças. durante longas horas
do dia, a presença e o afeto lnsubstltu1veis de sua mãe.

TodavIa é certo que os maiores danos para as erianças são


provocados pelo esIncelamento da fanúlla. tão freqüente nas
sociedades industrlal1z&du; nestas cerca da metade dos casa·
mentos tennlna em divórcio; também ai é elevado o número
de separações legais e de uniões maritais dcsUtuIdas de qual-
quer vincu10 conjugal. Ora as vitimas mais atingidas por tais
ocorrências são os filhos. Não é sem razão que a crimlnali-
dade incide com ma is freqüência nos fllhos de famllias divor-
ciadas ou mal eonsUluldas.

Sabe.se também quão grande é & Influência do alcoolismo


e das drogas no nascimento de cr1ancas com taras fislcas ou
psfquJcas. Quanto 80S meios de comunicação social, benemé-
ritos por sua capacidade de unir 05 homens entre si, são Em
parte responsáveIs pela difusão de Imagens E modelos que
deformam as crianças, tomando-se, para estas, escolas de vio-
lência, crueldade e desed ucação sexual.
Acontece. em suma, que a soeledade Industrial, baseada
sobre o blnõmlo cprodução-consumo_, vê na er1ança um con-
IIIUIIlIdor em potencial e, por isto, nlo hesita em despertar nela
toda espécie de desejos e necessidades art1ficlals; explora-a não
para que seja mais humana, ou seja , mais propensa a servir
aos outros, mas, sim, para avivar nela as tendências naturais
ao egolsmo e 60 hedonismo possessivo.
-358-
os DIREITOS DA CRIANÇA 7

c) Dentre todos, o aspecto mais grave do problema da


criança na sociedade industrIal moderna é a difusão 'da men·
talidade segundo a qual os filhos são um peso e um impedi-
mento à liberdade. em vez de serem a expressão viva do amor
dos pais. Com efeito, em certas famHias as crian;as percebem
que não foram acolhidas por seus genitores, enquanto certos
Estados consIderam cada crian;a que nasce. ~rno mais um
conviva que rivalizará ~m outros em tomo da precê.ria mesa
da vida.

Sem dúvida, ainda há famílias que aceitam todos os filhos


que Deus lhes dá, Todavia a sociedade e o Estado nem sem-
pre as apolam. O pai de faroilia numerosa encontra obstáculos
para conseguir emprego, pois multas empresas recusam fun-
cionârios Que tenham mais de dois ou três filhos. Em conse·
qüêncla, a crIança é vista por não poucos casais comO . des·
mancha-prazer.. , segundo diziam os blspos da Bélgica em De-
claração conjunta referente ao Ano da Crianca (dezembro
de 1978):
"A procura do dinheiro, do prazer., da comodidade leva certas
ramlUa, a considerar a criança como uma parcele, enlre outras, do orça'
mento lamurar, pareel. que li! obj8l0 d. frios calculos" ("La DocumenlaUon
CathoUque" 21101179, col. 92.

Com outras palavras: a crianota não raro é considerada


como alguém Que incomoda, impõe sacrifícios, Impede ou res·
tringe a liberdade de movimento e as possibilidades de gozar
o vida, constituindo um peso indesejado no balanço doméstico.
Disto se segue a limitação dos na.sclmentos a um 56, ou então
o aborto (aborto que freqUentemente é praticado por mulhe·
res de boas condições financeiras, que não querem ter mais de
um ou dois filhos).

d) pjor ainda se toma a situaçáo da criança, se ela é


um excepcional físico ou ps:quico (mongoI6ide, retardado men-
tal, paralítico . .. ). Mesmo que encontre acolhida por parte
dos genltores, tal erIança dificilmente é aceita pela sociedade;
tenham-se em vista as dificuldades existentes para colocar
essa criança em escola adequada,
e) Merecem especial menção ainda os filhos de emigran-
tes. Alguns paises não permitem que o emigrante possa levar
consigo a esposa e os filhos. Outros palses obrigam as crian-
ças imigrantes a se adaptar às estruturas da educação local,

- 359-
8 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS, 237/1979

não lhes concedendo a possibilidade de ter escolas próprias


onde possam aprender a Ilngua materna e receber a formação
correspondente às tradições culturais da sua pátria de origem.

Ainda outro mal aflige as crianças emigrantes: o traba-


lho em menor idade. ConConne estatistica do eBureau Inter-
national du Travail., os menores com menos de qult12e anos
que trabalham no mundo, são 52 mIlhões (29 na ÁSia do Sul,
10 na Arrica, 9 na Asia Orientai, 3 na América Latina, e 1 nos
palses desenvolvidos cuja economia esteja baseada no comér-
cio); dessas crian;as, 42 milhões trabalham na agricultura e
10 em pequenas lojas e fábricas. Sabe.se, de resto, que não
raro o trabalho dos menores de Idade é realizado em circuns-
tâncias incOmodas e pobremente remunerado.
Eis, em grandes linhas, os aspectos negativos da situação
da crianca no mundo de hoje. Procuremos agora refletir sobre
tal quadro.

2. Po.nderendo ...
Tais condicões de existência da criança não são nem cris-
tãs nem mesmo humanas. Estão em choque não só com os
dItames do Evangelho c os ensinamentos da Igrêja, mas tam·
bêm com os sentimentos mais espontAneos do ser humano. Es·
teso aliás, encontraram a S'...a expressão na Declaração dos Di-
reitos da Criança.
Com efeito, aos 20/ 11 / 1959, a Assembléia Geral das Na-
ções Unidas aprovou uma Declaração - Wlanimemente confir-
mada pela 2t- Conferência Internacional dos Direitos do Homem
(Teerã 1968) - que professa em dez pontos os direitos que
chão de scr reconhecidos a todas as crianças, sem exceção
alguma;,. Eis o texto respectivo, que significa um passo im-
portante em demanda do pleno humanismo a que aspiram (ao
menos, em teorla) todos os povos:
61'r1nclplo l' ~ A erian.;a g028" da todos os dlreUos enunciados
neela Deelalaçao. Todas aI crlellnÇ8s, ablolutamente sem qualqulr exceelo •
.. rio credor•• deste. dlreltol, u m dlstlnçJo ou dlscrlmlnl,lo por motivo
da reça, SIXO, IIngua, rellgllo. oplnllo pollllca oU de outra "atureza, origem
n.clonal ou social. riqueza, nalclmenlo ou quelquer oull'l condlçlo, quer
'U8, Quer da aua famm •.
Principio Z!': A criança gOlar6 de p roteçlo espacial a aar-Ihe-Io
proporcionada. oportunldedes a facilidades por tel e por out,os meios, a
fim de lhe facuUar o desenvolvimento Ullco. mental. mOf.l. " plrllual fi

- 360-
os DIREITOS DA CRIANCA 9

social d. 10rma Sadia e normal a em condlçO.. de liberdade e dl;nklade.


Na promulgaç'o de leis qua visem a este obj.Uvo. ·Iev.r.....lo em conta.
sobretudo, os int.ressas luperlores d. criança.
Principio 39: Desde c nuclmantc, lodl criança lar' direito a um
noma a a ume nacionalidade,
Principio ~: A Cllança Gour' dos ben.'lclos d. prevldêncl. 10(;1.1.
Te" dllel10 a crescer e dasenvolver-se com aaúde. Em vista disto, tinto
l criança como • mie •• tlo proporcionados cuidados m6dlcos a proleç1a
social adequado, principalmente no. perlodos pré-neta' • pOsoflatal. A
criança ter' direito a alimentaçlo, moradia, "creeçlo e cuidados mildleoa
oportuno•.
Principio $': A criança Incapaclteda Ilelca ou mentalm.nle ou
que Iof te da alguma Inadaptaçlo lcelal, tem o dlr8lto de recaber o trat..
menlo, a educaçlo e oa cuidados ..pedais de que precisa am virtude
do sau .. tado a da sua condlçlo.

Pllncfplo Pata o d ...nvolvlmenlo completo e harmonla-o de
eua pel1lonalldade. a criança ~1I8Çlsa de amor a compraenalo. Crl.,-se·6.
&ampr. Que po ..lvel, sob os culdadoa • a ra.ponsabllldad. dOI palll •
sempre num ambiente do .Ielo e segurança moral e mal"lal: Uivo clt-
cUMISncla, excapclonal., a crl8t'lça da tenra Idade nJo aan1l apartada da
sua mie, À ~ocledado a l i autorld.de~ caberlo a obrlgaçlo de propor-
cionar cuidados elpecials às crianças Iam 'amllla e 6.Queles que cereC8-
rem do melo' I<lequadoa. de lubslstêncle. ê desa)'vel I prallaçlo de ajuda
oflclal ou da oulr. natureza para a manuranç'o dos 'lIhos de lamUla
numarosas.
Prlaclplo .,.: A criança ler6 dlrollo • recebar educaçlo, que I""
gratuita e obrlgatorla 1'.10 manos no grau primAria, Ser-lh ..' proporcionada
LIma educaçlo capaz da promover a aua cultura geral a de capeel"·la a,
am condlçOM da Iguel, oportunldadea, desenvolver as lU. . .pUde.a•• sua
capacidade de emlllr Jul:t:o • o SAU semo da respol'lllbllldada moral •
social. a a torn.r-sa um membro ÍI!II da aocledl<l•. Os auperlores Intaressas
da crIança .seria a diretriz a nol1ear os responúvels peta sua aducaçlo
• orlenleçloõ .sla reaponsablUdada cabe, em prImeiro lugar, aos pall. A
criança ter! ampla oportunidade p.ra brlncet e divertir-se, vlsanelo aOl
pro~alloa mesmo. de sua aducaçlo: a socledada • as autoridades pClbtlcn
empenhar-se'lo em promover o gozo deste dlrello.
Principio r.: A criança IIgurer6. em quaisquer clrcunstancles, antre
os pllmalros a recaber proleçto e IOCOrro,
Principio 9f: A criança de .... aer protegida conl"" qualsqua, lormal
de nagllg6ncla, crueldade a axploraçlo, Nlo aaril Jamais objeto de "'fleo,
50b Qualquer forma, Nlo .41'" permllldo l crlença empregar-se enl" da
uma Idade mlnlma corwenlenle; d. nenhuma lo,,"e sa'" lavada .. ou
sar-Ih.·, pennllldo, empenhar-se em qualquer ocupaçlo ou emprago qua
Ih., praludlque a laude ou e aducaçlo, ou crue InterfIra em seu desenvol-
vimento 1lslco. montai ou motal.
PrIncipio 1Of: A criança goz'tl d, ptoteç!o contre atos que pol-
Iam .u,çllar dlsç,lmlnaçlo racial, rang'ola ou d. qualquer outra netureza.
Cllar-se·' num ambiente da compreendo, de toler6ncla. de amlzado
antre OI povo•. da paz o de Iralernldllde unrV8~el, em plena conlcllncla

- 361 -
10 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS. 237/1979

de que o seu esforço e a sua aplldlo devem "r pOllo. a ,e",lço da


MU' umalh.nles".

o reconhecimento de tais artigos por parte dos povos em


geral não signifiea que sejam apenas estes os direitos ~
cl'itlnca. A Igreja lhes acresccntn, em nome tanto do Evange.-
lho como da l(!i natural, cO direito à vida. à vcrd<l:de c DO
amor» (Paulo VI). Assim, por exemplo, se exprimia o Papa
João Paulo n aos 13 /01/79, dlrigindo.se ao Comitê dos Jorna·
listas Europeus para os Direitos da Criança:
"". Senl. a. julga que se pode I.mbem lalar dos direitos da crl.nça
desde a sua eoncelçlo no selo matarno. marecen~o p.rtlcular mençlo o
dlrello l vida, pai. a exp,rl6ncle moslre sampre m.ls que /I; criança pre-
cisa de e.pael.1 proteçlo, da I.to e de dIreito, anles mesmo que nuca.
Poderlemos Insl.Ur t.m~m no direIto da crIança a nucar em verdadeira
famllla, porque li de Importêncla capItal, para ,Ia, qua pOSIa benellcl'Mle,
desde o Inicio, da cotaboraçlo do pai a da mie unidos em ma'rlm6nl0
lndlssolüvel.

A criança deve lamMm ser educada na tua lamlllt, pois os tlenllores


alo os seus primeiros 11 prIncipais educadore.. Isto" exIgIdo paio clima
de efelo e de segurança moral e mal.,lal que e psicologIa da criança
requer . ..

A crl.nça lem outrossim dlrello a verdada a e uma ascola que leve


em conta 09 valor85 éllcos lundamentals e lorne pos.slve' um. educ:açlo
espiritual, em eonlormldada com a IIII.çlo religiosa da crIança, com a
orl8nllçlo legl1imamenle desajada por .aus genltoras li com as axlgi8nclu
de uma llberd.de de consciêncIa bem compreendld• . Para "sulr"lr desta,
deve o Jovem sar prej)arado e formado duranla a InlAnela • a adol ••ctncla.
t normal que a Igreja manlfesle li propugne as su.s responsabilidades
sobre 'ai ponto" ("L'OsseNalor. Romano" 14/01/79) .
A Igreja fundamenta a sua preocupatão com os direitos
da crianca sobre o fato de que esta não existe para o serviço
dos adultos nem deve ser .subordinada no prazer e aos Inte-
resses destes, mas é uma pessoa humana. A criança também
nâo é apenas um adulto em miniatura que vale em vista do
que seri. amanhã; Ao contrário. diz a mensagem cristã, tem
valor Inestlm6.vel B criança cOmo tal, na med1da em que é pes-
soa humana e não enquanto 6 um adulto em potencial. Afir-
mava Pau1o·VI:
"A Inflncl ... uma IaM essenctal da vida humene. Toda crlanea 'em
o dIreito de viver plenamant•• s"a Inflnela a de produzir uma conlrlbulçlo
originai 6 humanlzaçlo, ao desenvolvlmen'lo li a ranovaçlo d. socled.da".

::t:: principalmente com o olhar de Cristo que a Igreja con-


sidera as cr1an~as. ,Jesus dizia: cDeixat as erlanças virem a

- 362-
os DIREITOS DA CRIANÇA u
mim. Não as tmpeçais, pois delas é o Reino de Deus:. (Me
10,14); esse seu carinho, Jesus o exprimia abraçando e aben~
çoando os pequeninos. Guiada pelos ensinamentos do Divino
Mestre, a Igreja, através dos séculos, criou obras de atendi-
mento às eriancas. principalmente às abandonadas e às sofre-
doras; tenham.se em vista as numerosas escolas, creches, orfa-
natos, institutos de recuperação. hospitais infantis ... ainda
hoje mantidos por Congrega~ões Religiosas. Com vIstas espe.
clais ao Tereeiro Mundo, existe a chamada cObra Pontifícia
da Santa InfAncia:. ou, hoje, cObra da Infância Mlssionâria:.,
fundada em 1843 no Intuito de salvar as crianças mediante as
crianças, ou seja, incitando as crian;as dos paises desenvolvi-
dos a ajudar os seus semelhantes do Terceiro Mundo. Esta
Obra sustenta atualmente a fonnação de 7 milhões de crian-
ças em noventa paises do mundo.
Perguntemo.nos agora:

3. E que fazer hoJe em ãlO ?


O Ano Intc rnacJonal da Criança não pode limitar-se ape-
nas à verificação de si tuações. Deve também procurar ievar·
.Jhes remédio, Incentivando quanto já se faz em prol da criança
no mundo e suscitando O()vas iniciativas em favor da mesma.
~ certo que, para resolver radlcahnente o problema da
fome e da mortandade InfanUI. será necessário mudar a -nen-
taUdade dos povos em geral e converter os homens a urna vida
mais humana e mais cristã. Com efeito; hã duas fontes de
despesas no orçamento geral das nações: que poderiam ser cano
celadas em vista de atendimento mais adequado às crlancas
necessitadas: as despesas com os annamentos bélicos c: o con·
swnismo provocado pela estima do ter mais (em detrimento
do sQr mais). Somente com annas bélicas os povos gastaram
400 bilhócs de dólares em 1978! E tais armas foram forneci·
das, em parte, a povos subdesenvolvIdos que, por sinal, parecem
ciosos (forçadamente ciosos . .. ) de armar-se para a guerra.
Diz sabiamente o Papa João Paulo II em sua ancicllca cR,e.
demptor Rominis:..!
"Em V'H do pio. da aJucla cullurI' a novos Eslados e NlçOtos qua
esllo • despertar para a vida Indllpandllnte, algumas VllI:flS .a lhe. ole,..
cem, nlo fIIfO com abundAncla, armas modernas e meios de deslrulçlo,
postos ao serviço de conllllol armadO$ e de guerras, qUI nlo 1110 tinto
uma exigência da dafesa dos SIUS Justos direitos fi da l ua soberania

-363 -
12 j!PERGUN'I'E E RESPONDEREMOS:. 2TI/1919

quanto sobretudo um. lorma de 'c:hluvll'll,mo', de Impclnallamo a de "ao-


colonlallsmo de vtrlo. gêneros. Todos sabemo8 bem qua ea zqnas de
miséria ou de foma que IIxls'em no nosso globo, poderiam ..r fertilizadas
num breve espaço de tempo, l a OI glgantesc:os Investlmonlos para OI
annamentol, que servem para a guarra e par. a dettrulçlo, tivessem lIdo
em contr.partlda com.oerUdos a m InvelUmentos para a Illmentaçlo, que
.ervem para a vida" (n9 1&).
Parece dIfícil, se não Impossivel, coibir a corrida anna·
mentista a que se refere o S. Padre. Todavia nem por isto é
licito aos cristãos cruzar os braços diante do desafio que a
infância abandonada levmta para a humanidade. Eis por que
se faz necessário mulUplicar as obras assistenciais, que ten·
dem a minoror os flagelos dos quais sofrem as crianças; em-
bora tais recursos não resolvam o problema pela raiz, são
indispensé,veis para evitar que maior número de pequeninos
seja vitimado pela fome, pela doença e pela morte. Em ãmbito
internacional existe a UNICEF (Unlted Natloll5 IntemationaJ
Cbildren's Emergenc)' Fund) , organização destinada a ajudar
as crlan-;as carentes. Ao receber o diretor desta. entidade doIs
meses antes de morrer, Paulo VI quiS incentivar tão benemé-
rita obra, João Paulo lI, por sua vez, dirIgiu-se aos jornalls·
tas eUl'opeus aos 13/01179 nestes termos:
"A 5anla s. 1'1'0 se "alllfaz apenas com um olhar Interessado e
.lm~lIco sobre qlJlnlO di vitldo vlor I Eef lello em 1919 . . . Ela estA
pronta a encorajer 'udo o quo lor prolelado e relll18do para o verdadeiro
bem dai crlgnças. pois eSlas conautuem uma populaçlo Imanaa, que pre-
cisa de proleç!o e de promoçlo particulares, dada a precarladade du
suas condl~" ("L"Osservalor, Romno", 14/ 01179) .

A própria Igreja procura intervir no encaminhamento de


alIvio para os menores carentes mediante as suas instituic:ães
misslonArlas e seus organismos internacionais de ajuda aos
necessitados (Cor Unum, 0arIta.s Inl<>mallonalls, Obra d. In-
fância Missionária. BlCESODEPAX em colaboração com o
Conselho Mundial das Igrejas) ; além do que existem institui-
ções de caráter nacional dotadas da mesma finalidade, como
são CaIrltas Nacional, All5ereor. Adven18.~ Mãos Estendidas,
Aldo l To_te Dét..e... (A .T .D . ) ...
Possam estes modehJs despertar também no Brasil viva
consciência do problema da criança carente e suscitar apOs-
tolos que se empenhem por socorrê-la em suas necessidades
não somente materiais, mas também espirituais!
Esle artigo segue de parto o editorial '" crlltlanl neU'Anno Inleml-
zlonal8 dei Bamblno", di ......Ist. "La eM"à Callollca", .,. 3093, 5/05/t979,
pp, 209-218.

-364 -
As riquezas do crtltlo :

os dons do espírito santo

Em .Intese: Os dons do Eaplrlto Santo s'o como qUI "rectptores"


apto! a c:ap1ar os Impulsos do EsplrUo medl.nla os quais o c:,IIIIo se
encamlnh. para I petfelç,o em aslUo novo ou cem a ellel.cla qua a
próprio Deua lha conlarl. Possibilitam ao crllllo tar • Intulçla profunda
do "gn'llcldo das .... 'd.d •• reyel.daa por OeuI assim como de cada cria-
tur•. Proporcionam lambem lomadas de .mude que nem. rulo nalura!
nam •• vlrtude$ lIumana. , aujellas sampre a lIesUsçOes e falhas, conse-
guiriam Indicar ou eletiva,.
Par. Uustrar o qua do os dona, pod••e racorrer I; Im.glm da um
b.rco que n.voga : SI " movido a remoa, avança lenta e penos.mente,
com grande esforço para oa remadoret. Ca!o, peitem, eslos desdobrem
.s velas do b.rco para quo capta o sopro dos ventos favor'vel., os rama-
dores descansam e o barco progride em estilo novo segundo velocidade
"sobre-humana". - Ora o barco movido ao sopro do vento que bala
contra aI velas, • Imagem do cllstAo Impelido pelo Esplrilo, segundo me-
didas divinas, para a meia da 'ua ,.ntlllcaçlo.
Os dons do Esplrllo Santo do sale, "gundo a habituai ~.n.1o do.
leOlogos : sabsdorla, entendlmenlo .• clGnçla, conselho. forteleu, pled.da,
tlmor de DeuI. P.ra .. banallclar da .çlo do Eaplrlto S.nto. o crlatao deve
dl.por.... de du .. manalr•• prlnclpall: a) cultivando o amor, pois' o
amor que propicia aflnld.de com Deu. I. por çonsaguln1e, tOmll o crlatlo
.plo a .er movido pelo Eaplrlto da Deu.; b) procurando Jamels dizer um
Nlo cOAlelente e voluntlirlo 6. In.plraçllee do e:.plrlto. Quem se Icostuma
a viver assim, era.c. m.ls velozm.nt. na sua estatura d.llnlllva e sa
conllgura mais fielmente ao Cristo Jesus.

• • •
Comentário: Em nossos dJas a renovacão da oração e da
esplritualidade cristãs apela freqUentemente para a ação do
EspIrlto Santo nos corações, Muitos fiéis se tomam CQllSclen-
tes de que «ntnguém pode dizer 'Jesm: Cristo é o Senhor'
senão sob a moção do Esphito Santo (cf. leor 12,3); sabem
cada V~ melhor que dodos os que são movidos pelo Esplrito
de Deus. são filhos de Deus» (d. Rm 8.14). A consciência
destas verdades vem despertando cada vez mais a atenção
para a teologia espiritual. 1::. pois, o momento de procurarmos
conhecer melhor as maneiras como o Espirito Santo age nos
corações, descrevendo os seus dons e o significado destes na
vida dos filhos de Deus.
-365-
14 .PERGUNTE E RESPONDEREMOS,. 237/1979

1. Que são OI dom do Espirito Santo ?


1 . De InIcio, é preciso propor a distinção que a Teologia
costuma fa:zer entre dons e carismas (embora a palavra chá-
risma. em grego signifique dom).
Por earbmns entendem-sC' graças especiais pelas quais o
Esplrito Santo torna os cristãos aptos a tarefas e funções que
contribuem para o bem ou o serviço da comunidade: assim
seriam o dom da profecia, o das curas, o das Hnguas, o da
interpretação das lInguas . . . Os carismas têm por vezes (não
sempre) índole extraordinária, como no caso de certas curas
ou da glossolalia.
Por dons compreendem-se faculdades outorgadas ao cris·
tão para seguir mais seguramente os impulsos do Espirlto no
caminho da perfeição espiritual. Os dons e seus efeitos são
discretos, não chamando a atenção do públleo por facanhas
portentosas.
2. Para entender melhor o que sejam os dons do Esp[·
rito, recorramos a uma analogia:
Quando u!na criança nasce para a vida presente, é dotada
por Deus de tudo que é necessário à sua existênela hwnana:
recebe, sim, um organismo completo e uma alma portadora de
faculdades tipicas do ser humano. Como se compreende, esse
conjunto ainda n60 está plenamente desenvolvIdo quando o
bebê vem ao mundo, mas é certo que a criança possui tudo
que constitui. a p~ssoa humana.
Ora algo de onãlogo se dâ na vida espiritual. Diz-nos Je-
sus que renascemos da água e do Espirito Santo pelo batismo
(cf. .10 3.5) . Este renascer Importa receber uma vida nova, a
vida dos tuho:; de Deus, trazida pela graCa santificante. Essa
vida nova tem suas faculdadl!S próprias, que são:
1) as virtudes Infusas
a) teologais (fé, esperanCB. caridade): virtudes que
nos põem em contato imediato com Deus;
b) morals (prudência, justiça, temperança, forta-
leza) : virtudes que orientam o comportamento
do cristão frente aos vaJ()res deste mundo;
2) os dons do Espírito Santo, .receptáculou próprios
para captar as moções do Esp~rlto Santo.

-366 -
os DONS 00 ESPlRITO SANTO

Importa salIentar bem a diferença entre as virtudes infu·


sas e os dons do Espir.lto santo.
As virtudes lnfusas são ditas lnfusas porque não aJqu1rl-
das pelo homem. Sio princlplos de reta acão outorgados ao
crtstAo juntamente com a grata santlflcante, para que se com·
porte não apenílS como ser racional, mas como filho de Deus,
elevado à crdem sobrenatural!. Os critérios de conduta do
cristão são as grandes verdades da fé ou da ordem sobrena.
tural (que nem sempre coincidem com os da razão); por isto
é que, ao renascer como filho de Deus, todo homerr recebe os
respectivos princípios de conduta nova, que são c.:; virtudes
Infusas. Destas, três se orientam diretamente para Deus (a f~,
a esperança é a earldade) e quatro se orientam para o reto
uso dos bens deste mundo (prudênCia, justlca. temperanca. for-
tal(!28.). Quando o cristão age mediante as virtudes infusas,
é ele mesmo quem age segundo moldes humanos, limitados,
lutando contra os obstáculos que geralmente a prática do bem
encontrai de maneira lenta e trabalhosa o cristão cresce na
fé, na caridade, na temperança, na fortal eza .. . , estando sem-
pr-e sujeito a contradizer-se ou a cometer um ato incoerente
com tais virtudes.
t: sobre este fundo de cena que se devem entender os
dons do Esplrlto Santo. Estes podem ser comparados a facul-
dades novas ou cantenas~ que nos permitem apreender mO·
ções do Espírito Santo em virtude das quais agimos segunda
um estilo novo. cerulro. flnne, sem hesltacão alguma e com
toda n clarividência. Esta afirmacão pode·se tornar mais clara
mediante algumas comparacÕes:
a) Imaginemos um barco que navega a remos. .. Adian-
ta-se lentamente e com grande esforço e fadiga por parte dos
remadores. Caso, porém. este barco tenha velas dobradas.
admitamos que os remadores resolvam desdobrá-las. a fim de
captar o vento Que lhes é favorável. Em conseqüência, os maru-
jos d~xarão de remar, e o mesmo barco serã movido a veloci-
dade csobre.humana~. de maneira nova e multo mais veloz do
que quando movido a remos.
Ora o «mover·se a remos» C()rresponde ao esforço humano
(sempre prevenido pela graca) para progredir na prâtica do
1Sob:enahnal "'O ou.r dizer portenl"o ou meravnhoso, mas dulgna
o que ultrapassa as e:dgAnclas de qualquer nalurezA crIada.... o que â
dado grlltullamllnlo por Deus, é sobrenatural, porta"lo, li elevaçlo do
homem .. flJlaçlo divina ou 6 comunhlo de vida com o próprio Deus.

-367-
16 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS:. 237/ 1979

bem mediante as virtudes infusas. O cdelxar-se mover pelo


vento Que bate nas velas desdobradas:.. C<lrresponde ao pro-
gresso provocado pela ação direta do Espírito Santo, que move
os seus dons (= velas) em nõs; progredimos então muito mais
rapidamente segundo um estilo novo.
b) Eis outra comparação: admitamos um pintor genial
que se dispõe a r ealizar uma obra-mestra. Para iniciar, ele
confia aos discipuJos mais adiantados o trabalho de preparar a
tela, combinar as cores e esquematizar o quadro. Quando tudo
está preparado e come-;a a parte mais Importante da obra. o
próprio mestre traça as Unhas finíssimas de sua obm, reve-
lando o seu gênio e cristalizando 8 sua inspiração. - De Ma-
neira an6loga, o Espirito traça no Intimo de cada cristão a
imagem do Cristo Jesus. Os inicias desta taN'fa, Ele os realiza
mediante a nossa colaboração, permitindo-nos agir segundo os
nossos moldes humanos (ou mediante as virtudes infusas).
Quando, porém. se trata dos traços mais tipicos do Cristo na
alma humana, o próprio Espírito assume a tarefa de os deli-
near utilizando instrumentos especialmente finos e precisos.
que são seus dons.

Exemplllleendo. diremos: o homem Jll1Jd.nle que, par. • orlenlaçlo


de lSeus alas, só dispusesse de suu qualidades nolurols a da virtude
Inluaa da prudência, acertaria realmenle, mas com grande lenlldlo, dapols
da 'I6rlu Ienlall'lM. A prudência humana " Insegur. 11 11m Ida, mesmo
quando acarta. - Ao conlr6rlo. quem age sob o Innuxo do dom do can-
aelho, que corresponde .. 'Ilrtude da prudêncle. descobre d. maneira rA-
plda, certeira li IIrme o quo dll'lll lazer am cada caso.
!f!!lW'.!J'~i~Oo('I', .... ,·...,... ~ ~ . ,. , \. . . '. .~ "1
Eis outro exemplo: quando o cfllllo se eleva, pela luz da f6, ao
conhecimento de Deua, ele o faz de maneira Imperfeita li laboriosa, recor-
rendo a Imagens que no, ao mesmo lempo, claru li obscur... - Dado,
porém, que o cllsllo seja movido pelo Eapfrllo medlanle OI dons da
.abadorla e In~1I9Incla. ele contempla Daua e seu plano u''IlfIco numa
'''clda concatenaçlo de Idéias. em poucos Inslanlas e com ",ande sabor
. spllUual (em vez dos eslor;os exigidos pala virtude da lé) .

As nonnas das virtudes sâo diferentes das normas dos


dons. Quem age sob o Innuxo das virtudes, segue a nonna do
homem iluminado pela luz: de Deus. Mas quem age sob o
lntIuxo dos dons do Espírito, segue a norma do própriO Deus
participada ao homem.
3. Note ·se que os dons do Esplrito não sio prlvil~glo dos.
santos. Todos os cristãos os recebem no Batismo. Nem são
necessários apenas para as grandes obras, mas tomam-se indis-
pensáve1s Ià. santificação do cristão mesmo na vida cotidiana.
-368-
os DONS 00 ESPIRITO SANTO )7

o eristão pode permitir cada vez mais a ação do Espírito


Santo em sua vida medJante os dons, caso se dedique especial-
mente ao cultivo das virtudes (principalmente da caridade) e
se torne mais e mais dócil às inspirações do Espírito SUnto.
A prática do D.mor é importante, pois é O amor que nos comu-
nica particulnr afinidade com Deus. adaptando·nos ao modo
de agir do próprio Deus.
Procuremos agora penetrar no sentido próprio de cada um
dos dons do Espirito.

2. Os dons em particular
A Tradição cristã costwna enunciar sete dons do Espirito,
baseando·se no texto de Is 11.1-3 traduzido para o grego na
versio dos LXX:
"18rotar' uma \/ara do tronco de Jess6
E um rebento germInarA das I UH raIzes.
'E repousará sobre .Ie o esplrllo do Senhor:
Esplrito de labedorla e entendimento,
Consell;o e Jortaleza,
Cllnela li lamor de DêUl,
~PI.dad ......

O texto original hebraico. em lugar de piedade. dá a ler:


cSua inspiração estará no temor do Senhor:.. Enumerando sei"
ou sete dons do Espirito. o texto biblico não tenciona esgotar
a realidada dos mesmos: estes são tantos Quantos se fazem
neccssârios para que o Espírito leve o cristão à perfeição defJ-
nitlva. Os sete dons enumerados pelo texto dos LXX e pela
Tradição vêm a ser, sem dúvida. os principais. Distingamo--los
de acordo com a facuIdade humana em Que cada Qual se situa:
Intelecto; ciência, entendImento, sabedoria, conselho.
Vontade: piedade.
ApeUte 1rasc:ivel: fortaleza.
Apetite de óOblç:L: temor dê Deus.
Passemos agora à análise de cada qual de per si.

2 . 1. Cllnda
A ciência humana perscruta o universo e seus fenômenos,
procurando as causas Imediatas destes e concatenando. as entre
si para ter uma explicação mais ou menos clara da realidade.

- 369-
18 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS:. 237/1979

Ora o dom da ciência, embora não defina a natureza. e as


propriedades rl$lcas ou químicas de cada criatura, faz que o
cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de Deus;
vê cada criatura. como reflexo da sabedoria do Criador e como
aceno ao Supremo Bem.
Mais: O dom da ciência leva o homem a compreender, de
um lado, o vestigio de Deus que há em cada ser criado, e, de
outro lado, a exigüidade ou insuficiência de cada qual.
Vestígio de Deus . .. São Francisco de Assis soube ouvIr
e proclamar o canto das criaturas 80 Senhor. As !Iores, as
aves, a água, o fogO', o sol. .. tudo lhe falava de Deus; tudo
lhe era ocasião de contemplar e amar a Deus.
ExlgU1dade. .. Toda criatura, por maIs bela que seja, é
sempre limltacla e insuficiente para o coração humano. Este
foi feito para o Bem Infinito e só neste pode repousar. Perce·
bendo isto após uma vida leviana, multas homens e mulhe·
res se converteram radicaJmente a Deus. Tal foi o caso de
S. Francisco Borja (t 1572), que, ao contemplar o cadáver da
rainha Isabel, exclamou: cNão voltarei a servir a um senhor
qUe possa morrer!:. Tal foi outrossim o caso de S. Silvestre
(t 1267) ... Estes cometeram a «loucura:. de tudo deixar a
fim de possuir mais plenamente uma só colso.: o Reino de Deus
ou a presença do próprio Deus.
a dom da ciência ensina também a reconhecer melhor o
significado d'J sofrimento c das humilhaçõesi estes «contra·
-valores,., no plano de Deus, têm o valor de escola que liberto.
e purifica o homem. Configuram o cristão a Jesus Cristo,
outorgando. lhe um penhor de participação na glória do pro.
prio Senhor J esus. Se não fora (l sofrimento, muitos e muitos
homens não sairiam de sua estatura anã e mesquinha, ...
nunca atingh'lam n plenitude do seu desenvolvimento espiritual.
São estes al~ dos frutos do dom da ciência.

2.2. Entendimento 0\1 Infollgfncla


A palavra cl.ntellgência:. é, segundo algUns, derivada de
lateIIe~rc = intusJegere. ler dentro, penetrar a fundo.
Na ordem natural. entendemos (IntcUigimU5) quando cap-
tamos o ãma~o de alguma realidade. Na linha du fé, parale-
lamente entender é penetrar, ler no intimo das verdades reve-
ladas por Deus, ê ter a intuição do seu signif.lcado profundo.
-370-
OS OONS 00 ESPlRITO SANTO 19

Pelo dom do entendimento, o cr1stáo contempla com mais


lucidez o nústério da SS. Trindade, o emor do Redentor para
com os homens, o sJgnificado da S. Eucaristia na vida cristã .. .
A penetracão outorgada pelo dom da intellgêncla (ou do
entendimento) difere daquela que o teólogo obtém mediante o
estudo; esta é relativamente penosa e lenta; além do que, pode
ser alcançada por Quem tenha acume intelectual, mesmo Que
não possua grande amor. Ao contrário, o dom da intelisfulcia
é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e liPloran·
tes, desde que tenham grande amor a Deus.
Para ilustrá.lo, conta·se que um irmão leigo franciscano
disse certa vez: a S. Boaventura (t 1274), o Doutor Seráfico:
.Felizes vós, homens doutos, que podeis amar a Deus multo
mais do que nós. os Ignorantes!. Respondeu-lhe Boaventura:
.Não é a doutrina alcançada nos livros que mede o amor; uma
pobre velha ignorante pode amar a Deus mais do que wn
grande teólogo, se estiver unJda a Deus». O innão compreen-
deu a lição e saiu gritando pelas ruas: cVelhinha ignorante,
você pode amar a Deus mais do que o mestre Frei Boaven-
tura !~

o Innão dizia a. verdade. Na ordem natural, é compreen-


s ivel que o amor brote do conhecimento. Nll ordem sobrena-
turo.l, porem, pode acontecer o inverso : e o amor que abre os
olhos do conhecimento. Os que mais amam a Deus, são os que
mais profundamente dissertam sobre Ele.
Como frutos do dom do entrmdlmenlo, podemos enunciar
as Intuições das verdades da fé Que são concedidas a multas
cristãos durante o seu reUro espiritual ou no decurso de \lma
leitura inspirada pelo amor a DeUs. O . renascer da ãgua e do
Esplrito:t, a Imagem da videira e dos ramos, o cscgulr a
Cristo, .. _ tomam então clareza nova, apta a transfonnar a
vida do cristão.
O dom do entendimento manifesta também o horror do
pecnc'lo e a vastidão da misêrla humana. Por mais paradoxal
que paro(':l. ê preciso observar que os santos, quanto mais se
aproximaram de Deus (ou quanto mais foram santos), mais
tiveram consciência do seu pecado ou da sua distância daquele
que é três vezes santo.
Em suma, o dom do entendimento faz ver melhor a san-
tidade de Deus, a Infinidade do seu amor, o significado dog

- 371-
20 .P~CUNTE E RESPONDEREMOS~ 237/J979

seus apelos e também .. . a pobreza, não raro mesquinha, da


criatura Que se compraz em si mesma em vez de aderIr cora·
josamente ao Criador.

2 .3 . O dom da IObedor.a
Na ordem natural do conhecimento, a Inteligência humana
não se contenta com noçOes Isoladas, mas procura reunir suas
concepções numa stntese sistemática, de modo a coneatenâ-las
numa visão harmoniosa. A mente humana procura atingir os
primeiros princípios e as causas supremas de toda a realidade
que ela conhece.
Ora a mesma sistematização harmoniosa ocorre tambem
na ordem sobrenatural. O dom da ciência e o do entendimento
já proporcionam uma penetração profunda no significado de
cada criatura e de cada verdade revelada respectivamente; ofe.
recem também uma certa síntese dos Objetos contemplados,
relaclonando-as tom o Supremo Senhor, que é Deus. Todavia
o dom Que, por excelência, efetua essa sintese harmoniosa e
unitãria, é o da sabedoria. Esta abrange todos os conhedmen·
tos do cristão e os põe diretamente sob a luz de Deus, mos-
trando 8 grandeza do plano do Criador e a insondabilldade da
vida daquele que é o Alfa e o Omega de toda a criação.
Mais: o dom da sabedoria nao realiza n sintcsc dos conhe-
cimentos da te em tennos meramente Intelectuais. Ele ofe-
rece um conhecimento sápldo ou saboroso da verdade l . . .
Saboroso ou deleitoso. porque se deriva da experiência do pro.
prio Deus feita pelo cristão ou da afinidade que o cristão adquire
com o Senhor pelo fato de mais a mais amar a Deus. Uma
comparação ajudará a compreender tal proposltão: para conhe·
cer o sabor de uma laranja, posso consultar, Intelectual e cien-
tificamente, os tratados de BotAnicaj terei assim uma no;ão
aproximada do Q\1C seja esse sabor. Mas a melhor via para
comeguir o objetivo será, sem dúvida. a experiência da própria
laranja Que se faz pelo paladar. Os resultados do estudo mero-
mente intelectual são frios e abstratos, ao passo qUe as vanta-
gens da experiência são concretas e saborosas.
Ora, na verdade, os dons da cléneia e do entendimento
fazem.nos conhecer principalmente por via de amor ou de afio
nldade com Deus. Todavia é o dom da sabedoria que, por
'A palavra ubeclOrll vem da aablr, d.'lvldo do v.r1Io '8Uno "'10,
que significa "ler gOllo de ... .. - O vocl.bulo portuguO. sabor se 011-
gln. do 1IIIno .apor, que 41 d. meama '11% qUI ..pare.

-372 -
os OONS 00 &SPtRrrO SANTO
excelência, resulta dessa conaturaUdade ou famillaridade com
o Senhor. Ele se exerce na proporção da intima união que o
cristão tenha com o Senhor Deus. cO dom da sabedoria faz-
-nos ver com os olhos do Bem-amado », dizia um grande mís-
tiCOj a partir da excelsa atalaia que é o próprio Deus, contem-
plamos todas as coisas quando usamOS o dom da sabedoria.
Estas verdades dão a ver quanto nesta vida importa O
amor de Deus. 1: este que propicia o conhecimento mais pers-
picaz e saboroso do mesmo Deus (o que não quer dizer que
se possa menosprezar o estudo, pois, se o Cria.dor nos deu a
inteligência, foI para que a apliquemos à verdade por excelên-
cia, que é Deus). Aliás, observam muito a propósito os teó-
logos: veremos a Deus face·a-face por toda a eternidade na
proportão do amor com que o tlvennos amado nesta vida. O
grau do nosso amor, na hora da morte, será o grau da nossa
vlsio de Deus na vIda eterna ou por todo o sempre. ::e por Isto
que se dIz Que o amor é o vinculo ou o l'1m1ate da perfeição
(cf'. C1 3,14). ..No ocaso de sua vida, cada um de nós será
Julgado na buse do amor:t, diz S. João da Cruz.

2.4 . Conselho
AfIrmam OS teólogos que Deus não delxa faltar às suas
criaturas o que lhes é necessârio, nem é propenso a dons
supérfluos, pois Deus tudo faz com número, peso e medida
(cf. Sb 11,20) . Em tudo resplandece a sua sabedoria. Por Isto
é que Deus é providente, cu seja. Ele providencia os meios
para que cada crIatura chegue retamente ao seu fim devido.
Ora acontece que, para reallzarmos detennlnada atividade,
exercemos um processo mental que tem por objetivo examinar
cuidadosamente não s6 a conveniência dessa atividade, mas
também todas as circunstAncias em que ela se deve desenrolar.
Muitas Vl'2eS esse processo se efetua sem que dele tomemos
plena consciência. Quando, POrem. nos vemos diante de uma
tarefa rara ou mais exigente do Que as de rotina, o processo
deliberativo é mais intenso e, por isto, se torna mais cons-
cientej n mente se esforça por ver claro e fazer a opção mais
adequada, sem que, porém. o consiga de Imediato. Não raro
ê necessário recorrer ao conselho de outra pesSOa mais expe-
rimentada.
~ por efeito da virtude (natural e infusa) da prudência
que cada cristão delibera sobre o que deve e não deve f.a.zer.
1: a prudência que ávalla os meIos em vista do respectivo fim.
- 373-
22 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS' 23i/1979

Pois bem. Em coJTeSPOndêncla à virtude da prudência.


existe um dom do Espírito Santo, chamado . dom do conse-
lho,. Este permite ao crJstão tomar as decisões oportunas sem a
fadjga e a insegurança que muitas vezes caracterizam as deli-
berações da virtude da prudência. :Esta por sI não basta para
que o cristão se comporte Id altura da sua vocação de filho de
Deus, .. _ vocação que ex.ige simultaneamente grande cautela
ou circunspecção e extrema audácia ou coragem. Nem sempre
a virtude humana entrevê nitidamente o modo de proceder
entre polos antitéticos. A criatura, limitada como é, nem sem-
pre consegue conhecer adl!Quodarncntc o momento presente.
menos ainda e opta a prever o futuro e _ aInda - sente difi-
culdade em aplicar os conhecimentos do passado à compreen-
são do presente e ao planejamento do futuro. E preciso, pois,
que o bpirito Santo, em seu divino estilo, lhe Inspire a reta.
maneira de agir no momento oportuno e exatamente n05 ter-
mos devidos.
Assim o dom do conselho aparece como um regente de·
orquesu-a que coordena divinamente todas as faculdades do·
cristão c as incita a uma atividade hannoniosa e equilibrada,
Imagine-se com que clrcunspeccão (cautela e audácJa) um
maestro rege os múltiplOS instrumentos de sua orquestra: assi-
nala a cada qual o momento precioso em que deve entrar e 0$.
matizes que deve dll.r :l sua mclodi3. Assim Ca7. o Espirito me·
diante o dom do conselho em cada cristão.
Diz a Escritura que há um tempo ex.ato para cada ativi-
dade I; fora desse momento preciso, o que c oportuno pode
tomar-se inoportuno. Ora nem sempre é Câcil discernir se é
1 E~ o texto da EeI 3,1-8:
"Todas as. col, ., I~m o seu tempo, o tudo o que olll,'e deb,alxo dos-
du. tem a sua hora.
H' tempo para nascer, e tempo para morrer.
Tempo para plantar, " lempo para atrancar o que S8 plantou,
Tampo para malar" e tampo par. dar "lIda.
Tempo para de.trulr. e tempo par. edUlcar.
Tempo para ehorar, 8 tempo par. rlt,
Tempo para se ami'r, e tempo para dançar.
Tampo para e,palhar pedras, a tempo par. 8$ aluntar.
Tempo para dar abraços. e tampo par. 58 alaslar deles.
Tempo para adq1Jlrlr, 8 tempo para perdar.
Tempo para guardar, a tempo para .Ur.r lor • .
Tempo par. lasgar. • tempo par. eoser,
Tempo para calar, 8 tampo para lal.r,
Tempo par. amar. e tempo para odiar.
Tempo par. 8 guerr., e tempo para. plll.".

- 314-
OS DONS DO ESP1RlTO SANTO 23

oportuno falar ou calar, ficar ou partir, dizer Sim ou dizer Nãlo.


Nem as pessoas prudentes, após muito refletir, conseguem
definir com segurança o que convém fazer. Ora ê precisa.
mente para superar tal dificuldade Que o Espírito move o cris·
tão mediante o dom do conselho.

2 . 5. Piedade
Todo homem é chamado a viver em sociedade, relacio-
nando·se com Deus e com os seus semelhantes. Requer-se que
esse relacionamento sela reto ou justo. Por isto a virtude da
justiça rege as relações de cada ser humano, assuminda diver-
!ws nomes de acordo com o tipo de relacionamento que ela deve
orientar: é jtLSUça. propriamente dlt8y sempre que nos relacio-
namos com aqueles a quem temos wna dívida rigorosa; a jus·
tiça se torna reU~ desde que nos voltemos para Deusi é·
piedade, se nos relacIonamos com nossos pais, nossa familla ou
nossa pátria; é gratidão. em relacão aos benfeitores.
Ora há um dom do Espírito que oriente. divinamente todas
as relações que temos com Deus e com o próximo, tornando-as.
mais profundas e perfeitas: é precisamente o dom da piedade•.
São Paulo implicitamente alude a este dom quando escreve:
«Recebestes o esplrito de adoção filial, pelo qual bradamos:
'Ab:i. ó Pai'lI (Rm 8,15). O Espirito Sonto, mediante o dom da
piedade, nos Caz, como filhos adotivos, reconhecer Deus como·
PaI.
E , pelo fato de reconhecermes Deus como Pai, considera·
mos as criaturas com olhar novo, inspirado pejo mesmo dom
da piedade.
Exami.nemos de mais perto os efeitos do dom da piedade.
Frente o. Deus e le nos leva a superar as relaÇÕC:s de cdar
c receber,. que caracterizam a religiosidade natural; leva a não
considerar tanto os benefícios recebidos da parte de Deus, mas,
muito mais, c fato de que Deus é sumamente santo c sábIo:
«Nós vos damos graças por wssa grande glória,., diz a Igreja
no hino da Liturgia cucruistlcai é, sim, próprio de um filho-
olhar a honra e a glória de seu pai, sem levar em conta os .
beneficios que ele possa receber do mesmo. ~ o dom da pie-
dade que leva os santos a desejar, acima de tudo, a honra e a
glória de Deus c... para que em tudo seja Deus glorificadoll,
diz São Bento, ao passo que S. Inácio de Loiola exclama:
«. . . para a maior glória de I>ew,.. É também o dom da pie· ·
dade que desperta no cristão viva e inabalável confiança em

- 315-
U cPERGUNTE E RESPONDEREMOS. 231/1979

Deus Pai, .. . confiança e entrega das quais di testemunho


S. Teresinha de Lisieux na sua doutrina sobre a infância espi-
ritual.
O dom de piedade nAo incita os cristãos apenas a cum·
prir seus deveres para com Deus de maneira filiai, mas leva·os
também a experimentar interesse fraterno para com todos os
seus semelhantes. Tipico exemplo deste sentimento encontra·se
na vida de S. Francisco de Assis: quando este, certo dia, so·
nhando com as glórias de um cavaleiro medieval, avistou um
leproso, sentiu·se Impelido a superar qualquer repugnância e
a dar-lhe o ósculo que exprimia a fraternidade de todos 09
homens .entre sI.
O dom de piedade, tornando o cristão consciente de sua
Inserção na familla dos filhos de Deus, move·o a ultrapassar
as categorias do direito e do dever, a fim de testemunhar uma
generosidade que não regateia nem mede esforços desde que
sirva aos irmãos. :eO Que manifesta o Apóstolo ao escrever:
«Quanto a mim, de bom grado me despenderel. e me despen.
derei todo InteIro, em vosso favor. (2Cor 12,15) .
2 .6. Fortaleza
A fidelidade à vocacão cristã depara-se com obstáeu1os
numerosos, alguns provenientes de fora do cristão; outros. ao
contrário, do seu Intimo ou das suas paixões. Por Isto diz O
Senhor que «o Reino dos céus sofre violência dos que querem
entrar, e violentos se apoderam dele~ (Mt 11,12).
Ora. em vista da necessidade de coragem e magnanimi-
dade que Incumbe ao cristão, o Esplrlto lhe dá. o dom da for-
taleza. Esta nem sempre consiste em realizar fa~anhas vul-
tosas e admiradas pelo público, mas não raro implica paciên-
cia, perseverança, tenacidade, magnanimidade sllenciosas .. .
Pelo dom da fortaleza, o Esplrito Impele o cristão não apenas
àqullo que as rorças humanas podem a lcançar, mas tamMm
àqulJo que a força de Deus atinge. ~ essa forca de Deus quE!
pode transfonnar os obstáculos em meios; é ela Que assegura
tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais tonnentosas. Foi
ela que Inspirou a S. Francisco de Assis palavras tão signifi-
cativas quanto estas: drmão Leão, a perfeita alegria consiste
em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por n6s~.
2 .7, remor de Deu.
Para e ntender o significado deste dom, distingamos diver-
sos tipos de temor: a) o temor covarde ou da covardia; b) ,0
-376-
os DONS DO ESPUtl'TO SANTO

temor servIl ou do castJgoj c) o t emor filial. Este consiste na


repl1.gnãncla 'lue o cristão experimenta diante da perspectiva
de poder·se afastar de Deus ; brota das proprlas entranhas do
amor. Não se concebe o amor sem este tipo de temor.
Com outras palavras: as virtudes afastam, sJm, o cristão
do pecado, ajudando·o a vencer as tentações. Isto, porém,
acontece através de lutas, hesitações e, não raro, deficiências.
Ora pelo dom do temor de Deus a vitória é rápida e perfeita,
pois então é o Esplrlto que move o cristão a dizer Não à
tentação.
O dom do temor de Deus se prende inseparavelmente à
virtude da humildade. Esta nos faz conhecer nossa miséria;
Impede a presun~ão e a vã glória, e assim nos t oma conscien-
tes de que podemos ofender a Deus; daí surge o santo temor
de Deus. O mesmo dom também se liga à virtude da tempe-.
rança ; esta modera a concupiscência e os impulsos desorde·
nados do coração; com ela converge o temor de Deus, que~ por
impulso de ordem superior, modera os apetites Que poderiam
ofender a Deus.
Os santos deram proVA~ sens!veis de santo temor de Deus.
Tenha·se em vista S. Luis ae GoJ\2tlga. Que, conforme se nnrra,
derramou copiosas lágrimas certa vez quando teve que con-
fessar suas faltas,. '. faltas que, na verdade, dificilmente pode·
r iam s(!r tidas como pecados. Para o santo, essas pequeninas
faltas eram sinais do perigo de poder um dia afastar·se de
Deus. Ora, para quem ama, qualquer perigo deste tipo tem
Importância.
E is. em grandes linhas, o significado dos dons do Espírito
Santo na vida cristã. São elementos vaUosos para o progresso
interior, elementos que o Espírito mais e mais utlllza, se o
cristão procuro. amar r ealmente a DêUS e ao próximo e jamais
dizer um Não consciente às InspIrações da graça.
Blbllogra1la :
FALVO 5 ., A hora do Eapl'lIo Sa nlo. Ed. Paul/nas. 510 Paulo 1915.
KONG H.• 8AANO P. e outros, A erped6ncla do Elphlto sanlo. Ed.
Vozes, Pe trópolis 1919.
LIMA VAZ, H. G . • outro., O ESPIRITO 8ANTO. Ed. Vozes, Peltó-
poli. 1973. .
MARnNEZ. L M., O. dona do Elplrtto Santo. Ed. Paullnn. Sto
Paulo 197ft
Idem, Os 'rulOl do Esplrllo Samo. Ed. Paullnas, 510 Paulo 1916.
Idem. A
Paulo 1978.
t., do Esplrllo: .. bem-lWanturlftçu. Ed. Paullnu. 510
SCHEEBEN. M. J ., O Elplrtlo Sanlo, Ed. Loyola, 510 Paulo 19n.
SMET, W., Eu r.~ um mundo novo. Ed. loyOla, SIo Paulo 1S78.

-371 -
Sensacionais I

profecias de iminente fim do mundo

Em ,Inlell: o presente Irtlgo relere onle re'l.laçlies ou "rofecle.


coneern.nl" ao "pr6xlmo" fim do mundo, Transmitem noticias minuciosas
e espentosa • respeito de calamldada. que e5tarlam pera .e de ••ncadear
°
em breve lobre genere humano.

1\ propósUo de lals mensagens, o~erve-!e :

1) ~ rillda • Iltamente Importante a exort~ao .. oraçlo ... penl'


tincla. E.ta merece dócil alençao da plrte dos crlstaos.
2) Quanlo ao anOnclo de delas fi calamidades relerenlO! lo 11m do
mundo, dlrl8-le nolar que conlrarll ao teor e ao esUlo da Revellç.lo bl-
bllca. Ella • multo sObrl. nesle plrUeUllf: Jelua recusou· •• explicita-
mente a reveler I data do Juizo final (cl, Me 13,32).
3) Sobro F'tima e lIeu segredo, pouco se pode dizer de .eguro.
poli as comunlcaçOes fellas por Ir. Lücla distam ~ anos du apa/lçO., d3.
Virgem: os e.ludlOSos Julgam dlllcU distinguir o que nessal menlagens de
Ir. LUcia provenha proprlamento de Mlrla 53. e o quo haja $ldo acnlscen-
lado pela vidente em seu fervor.
4) As noticias de iminente 11m do mundo correspondem, de carto
modo. 111 uM anseio psicológico a esponlAnao dos homens contemportneos.
MuH .. passoas, verlllcando quo as coisas vlo mal. julgam que "sO Oaus
pode dar um lelto~. Na verdade. porém, dluo o Sonhor: "Tempo vir' 0111
que desejareis var o dia do Filho do Homem, e nAo o verels" (Lc 17, 22) .
Estas p.llms prevêem tampos dlllclIls pata os crlsllos, sem qUI todavia
a Senhor Interven!',. drasticamente na hlslOrle para allvlar-Ihel • lorla,
Por conseguinte, 850 "profecias" em pauta mamcem conslderaçlo 1110
.omanle nll medida em que corroboram a aegulnto menslge:n dallltulda de
data • descrlçees minuciosas : "0,.1 e fazel penitência pelos vossos
pecados!"
• • •
Comentário: Não são raras as vozes que se levantam hoje
em dia para predizer a proximidade do fim da munda. Descre-
vem com minúcias os traços C2tastróficos que deverão carac·
terizar a conswnação da história e quais os meios de escapar
às grandes calamídades que então se desencadearão sobre os
homens. Para fazer valer a sua autoridade, referem·se a
visões e revelac6es do Senhor ou da Virgem 5S. a tal ou tal
vIdente.
- 378-
PROFECIAS DE FIM DO MUNDO 2'1

Em conseqUênclu, muitas pessoas Indagam, perplexas, a


respeito do significado e do peso que possam ter tais predições.
J:: o que vamos examinar nas páginas subseqUentes: exporemos
primeiramente o conteúdo de algumas das profeclas mais em
voga; depois rt-fletiremos sobre as mesmas à luz de critérios
teológjcos.
1. Que dizem as profecias?
Recensearemos onze profecias dentre as que nas tê.' ll che-
gado às mãos a partir das mais diversas procedências '.

1. 1. No ano 2000
Colhemos de folhas datUografadas a seguinte crevela·ção»
de um católico praticante:
"Contclenllz...e o leitor li medIte um pouco sobre a hlal6rll da
humanidade e verlllque desde Abrelo ale Moisés, ou sela, delde 2000
até 1570, anlel d. vInda de J .IUI Cristo. Oa 1570 para 2000 810 exa'a-
mente 430 lnol. Ilto 6. Quando JUUI Crlslo velo ~ terra p.la prlmelr.
vez. (ITel).
Ao verlllcarmos Qua d. 1570 para 1979 110 409 anol, laçamoa a dllt-
tençl entr. "30 e 409; o Que obteremos? exatamente 20 anos et par.
maior surprosa, .... /.mos 11. dlfer.nç. de 1979 pare 2000 - 21 anos. lato é,
em 2000, QuandO poder' le.llzar-se e s.gunda ... Inda di Nono Senhor Jasus
Cristo A terra para Julga, os vlvol a OI morta., contonne esIA escrito n.
Oraçlo da Prollaslo da F6 rozoda pelos católicos do mundo InteIro: ·C,..lo
om um só Deu., Pai todo-poderoso, Crtador do céu e d. terra •. , Ranua-
ellou ao lercelro dia, conforma u Escrituras e subiu aos céus, onde "ti
senlado * dIreita do PII E DE NOVO HA DE VIR EM SUA GLÓRtA, PARA
JULGA.R OS VIVOS E OS MORTOS, E o SEU REltoI0 NAO TEAA FIM' ",

A propósito desejamos observar:


A cronologia de Israel mais apurada e recente assinala,
como época de Abraão, o sreulo XVTIr a . C. (em cerca de 1850
terá Abra50 chegado n Canaã; cf. Gn 12); a data do ::exodo e
da obra de Moisés é o ano de 1250 aproximadamente. Diante
desta computação, vê·se que já não têm sentido os cálculos da
. profecia:. atrás citada; desmoronam por completo.
Aliás, h6. diversas vias para predizer o fim do mundo em
2000, das quais dMtaeamos ainda a 5egtllntc: aos seis dias da
l Nlo nOI SIrI; pOSSlvol Idenmlcar com precIsA0 as fontes que
adul.lmos, porque reclbemos lals noUclu em folha. polleopladas que
nem sempre citam com a devida claroza o documentário em eauS8.

-379 -
28 <PERGUNTE E RESPONDEREMOS> 23711979

criação devem corresponder seIs milênios da história da hwna·


nidade. visto que mil anos dos homens equivalem a um dia
para Deus (cf. 2Pd 3,8). Ora, dizem, Adão foi criado 4000
anos antes de Cristo. Após Cristo estão para encerrar-se dois
milênios; em 2000 terminarâ o sexto milênio da história da
humanidade. Donde se depreende que o mundo há de acabar
então, para que o gênero humano entre no grande repouso do
Senhor ou no sru sétimo dia.
Ora também esta profecia é falsa a mais de um titulo:
- a secção de Gn 1.1-2,4a não tenciona indicar o número
de dias ou de eras em que haja sido criado o mundo. mas tem
em mira aludir à semana de trabalho do homem a fim de
incutir o repouso do sétimo dia, como se este tivesse sido
observado pejo proprlo Deus;
- não se pode dizer que o gênero humano tenha surgido
sobre a terra 4000 anos antes de Cristo. A ciência contradiz
frontalmente a esta suposição.
Passemos agom a outra profecia:

1 .2 . Trevo$, trovcwdo$ e luz ...


A estigmatizada Marie Julle Jahenni (Departement Loire.
França) terá Jesus manifestado o seguinte:
"Dov-Y(lS um .Inal: eu virei como um trovAo talrlvel .obre esle
mundo peeamlnoso, numa nolto de Irlo Inverno e nesse noite tio Iria um
vento quanta sopulri, leguldo de chuva de pedra, li de retlmp.gos, que
.. preclpUarlo lobre o povo, sobra este povo que nlo quer acredltlr
em mim . . .
o 81 seri envenen.do por glses venenosos, enxorre a ume !umeça
que mata. Enviar' uma t.m~etade quo aubarA cem todas as casas que
• aabeaorla doa homenl construiu. NeMI nol1e vireI par. acaba, com
ai cldadel do pecitclo,' Clhlo os plano, da. aml:llçCles humana •. AI de ...Os.
cheio. de podrldlo, que tendes • coreg.m de ma Insult.r I
Enqu.nto o m.u Anjo d. Morta com . . .pad. da minha JUltlç. arru.r
08 Infl.II, procú,arl vlng.'.... cal, • •obr. OI lu.tol. mas eu voe ql,I"IIIO
d.r um 111'1.1 que Indica O principio d.,". calamidades.
Num. noIte d. klverno. qUlndo owird.. que no mundo rolam as
trovoada,. de 'arma que as montanhas tremem, '.ct..l •• portas e lanel ..
li <:-oloc.l panos nas br.chas, enio olhela para os mais horrlvel. horror8111
que J.m.ls Ilouve. DeuI limpe ri • terra. E OI que restaram .. rio apenas
uma terça palie d. humanidade, o rebal'lho que I. consaNOU lIe1. Raunl·

-380-
PROFECIAS DE FIM DO MUNDO 29

"""OS diante cio meu CNc:JflXO, chamai vosso. proletores: 510 Mlgual. 810
José, o Anjo da Guarda, coloca~ debaixo de proleçlo da minha Mie
e nlo tenhais mado. Eseulal novamenle o <lue disse: acandal valu bentas
• rezal °terço, porque o terço ti 8 ~spada maIs aguda da minha Mie.
Tende peneveranç., "lo desanimeIs. Slo tr" dIas de Irevas. !Após este,
Ir', dias .. urgirA a paz para vós., e °
aol lIumlnera novamenla e aquecer'
a le"a. Sarl! uma dealrulçlo anorma, s6 Ilcarlo as casas onde estavam
os meuI. êu, YOS$O Deus, taral limpado ludo. Uma tarça pane da humanl-
d.da .e salvar" Os que IIcarem, deva rio agradacer 1\ SS. Trlndede pela
prOleçlo concedida e hlo de Iouv.r li Deus. Haver' um . ó rebanho, um
.0 paliar, uma só Ig re/a.
.•. C..irlo doi, /Ull" aob,.. li larr •. Um cal"" da larra: ;ueflU,
,.volu9"a. a outra. da.graç ••. Oulro lul%. cairá do du aobre o mundo
Inlelro: uma asculldlo ten/vel, Irês dlaa a Irta noUa •. Nas •• tlculldlo •• r'
Impoaalvel ver alguma col.l. Essa escurldlo ler' acompanh.da de pesU-
16ncl. dos areI. Oepoll do lercelro dia as ondas do ma r ae lavanla rio a
cem mllro. de allula • lavarlo a pas:llllncla. Só velas bentu iluminaria.
A b.nçl.o do padre. a bençAo de Jesu....

Por ora, abstemo-nos de comentários.

1.3. Trevas li morta

o
c:A1manaQue Dustrado das Familias Católicas Brasilei-
ras~ à p. 85 (sl!m data nem número de ediç ão nas folhas utili-
zadas) publicou n :>cguinlc notícia :
"Chorando. a Sanll..lma VI'lIem anuncIa 70 horas de 1ravu, dell"'.-
reeendo 75 % di humlnldade.

Oplnllo do Cansor Diocesano, O6na5lo Francisco Manfred l : 'Nlo


n' nada contra e 16 • a Moral'.

o ditame diocesano vem com dala de 12 de Junho d~ 19118 e asl-


nalura do bispo de San Juan Dom Arldlno Aodrfguel Y O lmoa".

Segundo parece, a revelação em pauta foi dirigida a uma


Religiosa estigmatizada na ltá1ia, na sexta-feira santa 16 de
abril de 1954.
Eis outros trechos da mensagem transmitida a essa Innã
pela Virgem SS.:
"O. homans vivem obsllnados nos .aUI pecados. estA mullo próxima
a Ira de Deus. Grande. celamldades, "''Ioluç6n .. ngrentas, furac6es lem-
....1. logo 'Ilrlo por lobre a terra I OI rios e o. mares Iransbordarla.
Proclama, grita em voz alie. até que OI secerdotes de Deu. ouçam
a minha voz paJa que avisem A humanldlde qUI °
castigo asl' mullo· perto

-381-
30 .PERGUNTE E RESPONDEREMOS' 237/1979

• que, I. o. homens nlo I. voltarem para Deu, eom a oraçlo. a penI-


tência, o mundo I.r' IIf\Çado numa nova. lenlblllsslma gUllllrll, A. ermaa
mal. morllflra. dlstrulrlo os povc. a el naç6es.

Nuvens como rt'lmpago. penelr1nle, de fogo do ~u e um. lem-


pfltade de fogo celrlo sobra e larra. Esle cellgo, Jemals vI.'o
na hfstórla
da humanidade, dura" setanta horas. O. ateU! I.rlo contundido. a .n~
quOados. Mullos le plrderlo, porque se detém na obsllnaçlo dos seUl
plÇ4dos. V.r......ntlo o poder ds tUl .obre a 'elTa. Nlo Aque sllanctou
porque 18 aproximem u hora. da, Ireva. e do abandono. tncl1no-ml sobra
o mundo, tlndo em auspenslo a Justiça da DauS. De oulr. lorll"l', est••
coisas )6 'erram acontecido. Ofaç6es e penlllnclas .10 nace.urlu, porqu.
o. homan. devam voItar48 para Deu. e para o meu Coraçlo Imaculado.
Eu qUI sou a medianeira enlra Deus e os homens e, por esll melo, parti
do mundo I8r6 salva. Proclama, bradando est.s coisas 11 lodos, como o
mesmo eco de minha VOL AnullCla porque 1$10 aJudarll a salvar multu
almas e Impedir multa dastrulçlo na IgreJa e no mundo".

Eis Dutra profecia:

1.4. Uma apari-são: haver6 pragas o guarras

A revista franciscana 4:Eco Scrâfico», de abril de 1947,


publicou um artigo de Frei Faustlno Wessoly O.F.M ., que se
referia às ap;lrit;ÕCs de !H~~dc (Alemanha), divulgadas pelo
jornal «Das Neue Volk> de 15/08/ 1946.
Conforme Frei FausUno, a Santa Mãe de Deus em Heede
apareceu por C<!m VC7.CS n meninas em idade escolar, man-
dando, através das m~mns. mensagens ao Papa, Eis o depoi·
mento de Frei Faustino:
"Eu me ençontraya em Alllottng, dlebl'O aentu!rlo a lugar de pe'"
grlnaçlo da eay}a rl. Num 51rmlo domInical, no tempo da Ouaresma, o
vlgll,lo Pe. Josó Engelhar! disse o s"'gulnte : 'Uma noUcla digna da rã no.
vem do Nortl!! dI!! Alemanh.: em Heede, aldeia cãleobro petas apadçoes da
Jovens que viram Nossa Senhora. E Islo sa verifica ti,
No... Sanhora. apareco agora Nosao Senhor em pessoa 8 uma das quatro
vIIrfos mese.'. O
Revmo. VigA rio da A1ttotlng, homem prudente, continuou assim: 'Eu me
Informa' mlnuclosamlnte • 'aspallo dassas aparlçClas no pr6prlo lugar, a,
. ó depois de me ler convancldo da varacldade dos f.,os, tomei a rlsolu-
çl0, como Impo.ta pera colncldOncla, de publlcA·los'.
O bl.po de 03nabruck - continuou o vIg6rlo -, lO recebar nOllclas
das aOlllçl5os, enylou .0 luoar doi. dOI!! seu•• acerdola. conhacldos como
contrllrlos e çrl1lcOJ em acre<lller :semelhantes noticias, como vlgA,'o a
coadJulor. Foram Incumbldoa da Invesllgar mlnuclosamenle e ,alalar. E os
resultados? Eu mesmo recabl uma carla do vlgllrlo de Heeda, na qual ele
me escreve : 'Temo. em mllo testemunhos InelutáveIs de veracidade dai
aparlçC\e. da Nosso Senhor'. Ambos, 1o'lgllrlo e coadJutor, esllo portenlo
convanctdos (consldarando sua primeira Inc,edutldede em matéria da

- 382-
PROFECIAS DE FIM 00 MUNDO 31

eparlç6ea) de quo aI. aparlÇ6" em Heede alo ume. realidade. E qual o


contaíado do comunlcaç&fta da Nosao $onnor? Eis o que diz:

O! homens nlo owll'lm mInha Mie. quando lhes apareceu em Fêl1ml.


recomendando quo !I&estlern penitencIe.. Na OUlm. hora 'lanho eu mesmo
psra prevenir e exorlar a humanldada. Os tempos 510 multo sérios ... Os
homens deyem lazer penltAncla. alnlar..o de todo o coraçlo dos IOUS
pecados. dovem reur. a rezer multo. a 11m de que se aplaque a Ira de
Deus. Pattlculatmsnta SI. da'le rezar multo o Rodtlo. Ests oraçio • multo
poderon aos olhos de Oau •. O. divertimentos e convarsaç&es davem .sr
reslrln"ldO$.

Quando em 21 de oulubro de 1945 esta'la por reaUtar~se em Heade


uma sas,lo de baile. Nosso Senhor comunIcou a Greta Ganslert. agra·
clada vidente. o .egulnle recado: 'Olzo ao pAroco quo eu ordeno que
nlo se deve reallzer o baile. O '1lgArlo tem que publicar na Igreja. AI dos
pais que. nlo obstante, manda,em para 16 as auas. Illhaa I Tarlo que
prestar um dia aaverbalma. cont..•.

o PI. Vlgêrlo publicou asla ordem da Nosso Senhor na Igreja ti o


rasullado foi qua ninguém .a alravlu I Ir àqUlla baile. EstEl, porl.nlo, nlo
se ,e.l1.tou. apesar da todas u praptlraçOes leltas. Para ° futuro. nin-
guém mais te\f8 a oUlfldla de r.allz.r nassa per6qula qualquer baila.
N. Sontlor ha'lla dito lamb6m ; 'Eu quero que Heede seja uma par6qula
modelar. Todos os ebusos daverlo IIIr abolidos e os habUant.a devem
dar bons exemplo. 80. per.grlnos·,

Ol.t Frei Wessoty: 'Repelidas V82.18 Deus nos lem prevenido. por
maio de um ..ntq e da aua própria mia. que flzésslmos penltencla. Pola
nos aguardam terr''1.I. prO\laçe . . .m tampo multo p,oxlmo. Nllto •• an·
quadram ., profecias dos tempos passados 8 modernos. Grande parta
dessal terrl.... I' acontecimento. Já s. realizou, mas o pior esta para vir.
O que '01 que Nosso Senhor r.....lou • bem-eventurada Ana Talg!? - 'P,..
gas ter,esl,,, viria primeiro: .. nu sarlo t8"lvals. mas 111'10 abreviado
• mUlgadas pel. penll6nc:la a oraçto da muitos mWhOlls de homal\$. Hayerá
grendes gue"as nas qual. mllh6ft de homens perecerlo pelo ferro. Depois
dessas plagas tarreslr .., '1trlo as celeslas, que calrlo unlcamenle sobre
os ImpenUentes. Eales c.trlOOS latlo Iremendos I nada os mitiga'*. ma
s. cumpriria com lodo o ,Igor' ",

Passemos 8.(:ora a mais outra famosa proCecia,

1 .S . E o segredo d. F6lima ?

As aparições de FátJma, ocorridas em 1917, terão reve-


lado a Lucia um segredo a respeito da futura sorte da huma-
nidade,

Em 1960, esperava·se que ta1 mensagem fosse manifes-


tada ao mundo inteIro - o que não ocorreu. Todavia em 1965

-383-
32 cPERGUNrE E RESPONDEREMOS:. 237nm
o jornal alemão .Neues Europa:., de Stuttgart, publicou a men-
sagem, até então seereta, de Fátima, a1egando tê-Ia recebido
do Vaticano. O texto de .Neues Europa:. foi publicado por
outros grandes jornais europeus, sem que o Vátlcnno jamais
emitisse algum desmentido ou sentenca contrária. Eis alguns
tópIcos do famoso texto:
"Sobra toda a humanidade vir! um grande casllgo, nem hole, nem
amanhl, mas na legunda melada do século XX. O que eu expralHl am La
Sale1le alravdl dai crlançal MelAnla o Maxlmlno. repilo hola dIante dll ti:
a humanidade prevaricou (a tomou-se crlmlnou), e o presente que lhe
dei foi pisado 1108 pb•

. .. O mundo '8t' em estartores. A granda, grande guerra cal n.


&ellunda melada do dculo XX. Fogo e fumaça calrlo do c:tu • tudo o
Que Bstava em p6 rulrã. e mllhOes e mllhOes de criaturas humanas par-
darlo a vida da uma hore para oulra, 11 OI que ainda Uc.rem vivo. Inve-
jarlo 08 que tiverem morrldo. Par. onde quer qua .a olhe na terra Inlelra,
..,.r-5&-lo tribulaçlio, miséria e morta em lodOl os palSBS ...

o lempo dos lempos aproxlma-se, o 11m de todoa OI fina".

Mais: em setembro de 1961, a revista italiana. cMessagêro


del Cuore di Maria:. publicou um 3.rtigo do Pc. Agostinho Fuer.
tes, do qual vão extraldos aqui alguns dizeres:
"Eu vos trago uma noltcla multo Importanta de F't1ma. O Sanlo Padre
permlllu","e visitar LúcIa, E ala me recebeu cheia de Irbteza. Perecia-me
emagrecida 11 aballda." LogG que me viu, dlsae-me: 'Pôildre, a MaClona eslé
InsaUsfelta, JlGTque ninguém !UI Impor1ou çom • ,ua mensagem de 1911.
Nem os bons nem os mau. .e deixam dirigir por ela , ..
Crela·ma, pedra, o Sanhor Deus castigam o mundo dentro de pouco
tempo. O cesllgo "16 às por1le. Vlré logo. Padre. procure Im.glnar o
maior sorrlmenlo corporal passlvel, e .quanta. alma. cairia no Infemo, I
lalo econtaceri sa nlo &e re!.r. SI nio flur penitência.
" Rllssla lIerl. o agullhlo eacolhldo por Deus para castigar a huma-
nidade, se n6, com as nos..a oraç~ 11 os nossos sacramentos. nlo lhe
alcançarn'lOS a graça da CGI'IV8rslo ... O QUIt mais entristece os coraç.:les
de Jesua e Maria•• a queda da almas dOI Re1lGl05O$ e doa pAdre• ...
Satal'lfll .a apodararl. da. alma. conllgradae; ele tente e.slragi-In
pant, dana manel,., levar as outraa 11 Impenlllncla IIn.1, " Mie de Deus
di... expressamente: 'Nós no. aproximamo. do. Ottlmo. dI •••. Ela ma
disse 1'10 Irls vezes ... OI ültlmos meios de aalvaçlo d.dcs ao mundo
.10 o terço e a devoçlo 10 Coraçlo de Marle, depois da 10008 OI outros
maio. de Mlvalilo llrem .Ido a.goladoll e de. prelado. paIOl homen.".
;',..1<
Sobre Fátima proporemos algumas noticiaS e considera-
ções a mais na segunda parte deste artigo, pp. 3S9s.

-384-
PROFECIAS DE FIM DO MUNDO 33

1 .6. Alr6s da Cortina d. mo


Também nos paises comunistas diz-se terem ocorrido apa-
rio5es da Virgem S5., que propõem mensagens ameaçadoras
aos pecados da humanidade.
Na Lituânia. (diocese de Per:.evezys) . por exemplo, Nossa
Senhora ter·se-á manifestado visivelmente a uma jovem de
dezoito anos, que, por isto, foi denunciada às autoridades comu-
nistas. No local das aparições. os fiéis ergueram wn a!tarj
Inexplicavelmente todos os que tentaram destrui-lo nada con·
seguiram, mas, ai) contrário, foram punidos. A mensagem
transmitida pela vidente é semelhante à de Fátima, Lourdes e
Garabandal, pois exorta os 'homens à oração e à penitência.
Na Eslováquia, a ~Idade de Turzovka, com seus 3.000
habitantes, foi também teatro de aparições marianas. A Vir.
gem SS_ ai aparecru a um pai de famllia de 42 anos, guarda
nor'estal, chamado Matous Lasuta. Este toi preso como visio-
nário aluçinado e doentioj logo, porém, as autoridades chega-
ram à conclusão de que era homem normal. O escrItor Er-
nesto Kratzcr falou pessoalmente com diversas pessoas proce-
dentes da Eslovãqula, as quais afirmaram ter vfsto um mira-
culoso fenônleno do soL e até mesmo Q pr6prla Virgem SS. As
pcrcgrinaÇ'Ões a 'I\lrzovka são incessantes apesar de ocorrerem
em território comunista. A mensagem se assemelha à de outras
aparições : pede oracáo e penitência. em vista. de flagelos iml·
ncntes, que estão para se desencadear sobre a humanidade.
Maria Santlssima é para o mundo de hoje o que a arca foi
para Noé e sua famllia.
Sobre Tu1'2ovka existem duas publicacôes: uma se deve
ao Pe. João Schmld, passlonista, que reside no convento dos
Pnssionistas em Schwarzenfeld (O 8472), Alemanha. A outra é
do escritor Carlos Wagner, distribulda pela. Livraria M. Hauss-
ler de Viena (Austria).

1 .7 . A menSCIgeftt dt:I S.nhara 1:1. Todas OI Poval


Sob o titulo de Senhora de Todos O!J PovOr5, diz-se quI?' a
VIrgem SS. apareceu a uma vidente em Arnsterdam (HOlanda)
a partir de 1945. Essa pessoa teve como confessor e diretor
espiritual, desde 1918 até 1967 (quando morreu), o frade doml.
nicano Padre Frehe. Através da vidente. Maria SS. teria trans.

-385 -
34 cPERCUNTE E RESPONDEREMOS, 237/1979

mltido sérIas advertências a respeito dos graves acontecimen.


tos que vêm marcando os nossos tempos. Haverá também
ditado uma oração que traz aprovação eclesiástica e já foi tra·
duzida para trinta e duas linguas.

1 . 8. Ollfras aparições

Entre outras, vêm ao caso ainda as aparições da Santis·


mma Virgem a uma Ir. Romana a partir de 1946. Em um de
seus êxtases, a vidente viu uma chuva de fogo a cair sobre a
Rússia. Esclamou:
"'VIrgem Sentlsll me . Slr' e bombe al6mlce 7
- N1o, ,.10 lerl. bomb. elOmlea: nto ha ver' guerra.
_ Mes por Qua vejo muUas das pessoas que passam pela. NU
calrem fulmlnadas'1 • •• a oulras ~tgulrem Uestls?
- Ah, .. um castigo especial para os maus a para os Im pio ....

Flnalmente menclona.se Teresa Neumann, a estigmatizada


de Konnersreuth, que transmitiu a seguinte mensagem de
Cristo:
''Tenho lido InsuUado pelos pecadoll da humanidade. O casllgo 6
Inevl"ve!. Se me pedet Que sal.... almas no ultimo memanto, a.UslaH..el.
Até aquI as almas Jlcrlllcadu quO vIvem em cada parOqula, dellvaram o
castigo; ago,a, porém, ,.pa.açlo " nlo é lullclente; vlr6 o casllgo ceno
e inavlt'vel. VIu!! repentlnamanl." (trecho trenscrlto do "Almanaque lIus--
Irado da hmUlu Catotle .. 8I1sll.lIas").

Pergunta.se alora:

2. Qu. dizer a prop65lto?


Proporemos quatro obsl?rvacól?s:

2.1 . Oração. p.nll'ncla


As mensagens mencionadas são todas vãlldas na medida
em que exortam os homens à oração e à penitência. Diante da
situa.ção moral e material que aflige a humanidade de nossos
dias, O cristão sente· se obrigado n praticar, com zelo especial,
-386 -
PROFECIAS DE FIM 00 MUNDO 35

a oração, que pede a Deus as gnlças que o mundo não pode


dar a si mesmo, e a penitência, em expIação dos pecados da
humanidade.
Pode.se, porém, duvidar da autenticidade das previsões
referentes à proximidade do fim do mundo e de acontecimentos
cíltastróficos sobre a terra. Se alguém quer dar crédito a tais
profecias, não peca contra a fé, pois, a rigor, tais predições
nada têm de herêtjco. Acontece, porém, que, sempre que um
cristão é interpelado por uma noticia milagrosa ou portentosa.
deve procurar as credenciais aptas a autenticar tal noeela.
Ora realmente essas credenciais, nos casos em pauta, nem
sempre são sólidas. ~ o que se depreenderá das considerações
subseqüentes.

2 . 2. Revelesões particulare,

A teologia distingue entre revo~o pública de Deus aos


homcns e revela.ç.õa9 parilculares.
Pela rovelaçio púbUca o Senhor comunica aos homens as
grandes verdades da fé e as linhas do seu plano salvifico. En.
cel'l'Ou·se cste processo com a vinda de Cristo e a geracAo dos
ApóstOlos (cf. Consto cOei Verbum. "' 4). Todos os cristãos
aceitam a Revelação pública pelo fato mesmo de professarem
o Credo.
Após Jesus Cristo só pode haver na Igreja revelações par.
ticuJares. Isto 6, comunicações cujo teor não se Impõe como
objeto de fé a todos os fiéis. O leque das revelações parti.
culares tem·se ampliado nos últimos decênios; numerosos são
os casos relatados por crIanças. jovens, adultos, Religiosos, a
tal ponto que é preciso aplicar·lhes o senso critico a fim de
se disUnguJr l1e fenômenos e1uclnat6rJos e doentios wna pos-
sivel comunicação de Deus aos homens. A S. Igreja tem·se
pronunciado mesmo sobre a1guns casos de pretensas revela~ôes
particulares. negando a autenticidade das mesmas, ou seja,
reduzlndo·as a fen6menos meramente hwnanos ou doentios.
ral foi o caso de CarabandaJ, El Palmar de Troya ... (cf. PR
208/ 1977, pp. 153.163).
Quais seriam os critérios de autenticidade de determinada
revelação particular?
- Entre outros, assinalam-se
-387 -
36 t:PERGUNrE E RESPONDEREMOS~ 237f1979

a) o teor da doutrina revelada seja condizente com as


verdades da ré. Ora, entre outros casos, notamos que isto não
ocorre exatamente no caso do mensagem de Nossa Senhora
de Todos os Povos, como se pode depreender da análise publi.
cada em PR 161/ 1973, pp. 222-232.
b) O esUlo das autênticas revelações ou profecias é sem·
pre sóbrio. A menção minuciosa e prec1sa de aconteciment()s
(tragédias, calamidades ... ) foge ao que se dA nas profecias
biblicas; corresponde, antes, a uma .atitude psicológica do cida.
dã!) contemporâneo do que a wna revelação divina; forn~
devaneio à fantasia e satisfação à curiosidade, mas não cos-
twna ter a autenticidade das verdadeiras profecias. Ora veri·
fica·se que a grande maioria das profecias citadas neste artigo
têm caracterjsUcas minuciosas e sensacionalistas (ano 2(X)(),
trovão em noite de fri o Inverno, uso de velas bentas, morte
de 2/ 3 da humanidade, escuridão de três dias e três noites,
ondas do mar a cem metr<>s de altura, tempestade de fogo
sobre a terra durante setenta horas . .. ).
c) Sabe-se outrossim que o Senhor J esus recusou explicl·
tamente revelar nos d1scipulos a data do fim do mundo. Afir·
mava Ele ao se despedir dos ApOstolos: «Não compete a vós
conhecer os tempos e os momentos que o Pai iem em seu
poder~ (At 1,7) . Mais ainda: dizia Jesus que « 8 l'êSpelto
daquele dia e daquela hora ninguém sabe coisa alguma a nio
ser o Pata (cf. Mc 13,32) - o que ~m evidencia que n ão
estava em sua missão de Doutor dos homens revelar a data
do juízo final.

Em conseqüência. e difícil admitir que O Senhor Jesus


esteja revelando tal data atravts de mensagens particulares.
Quanto à aprovação eclesiástica concedida ao texto de
tais revelações ou a ornç6es que lhes estão associadas, não quer
dizer que a Igreja confirme tais mensagens com n nutorldadc
do $Cu magistérIo. Apenas significa que o censor ec1eslâ!ltlco
nada vIu de heretIco em tais textos. A rigor, pois, não é Un-
posslvel que as mensagens respectivas tenham sido reveladas
pelo Senhor Deus. Hã, porem. distância multo grande entre
«não ser impossíveh e «ocorrer de fato:. ou «ser fato l'e8b.
De modo especial, digamos algo sobre

- 388-
PROFECIAS DE FIM DO MUNDO

2 .3 . O segredo de fátima

As aparições de Fátima deram-se em 1917. A história


das mesmas, a princIpio, era conhecida apenas através do
inquérito realizado pelo Cônego Formigão em setembro-outu-
bro de 1917. Acontece, porém, que, aproxImando-Sé o 25.
aniversário das aparicÕes (1917-1942), a vidente Lú(!Ia (no
Carmelo, Ir. Maria LúcIa do Coracão Imaculado) enriqueceu
a narrativa contando ratos outrora não divu1gados e fazendo
apelo a novos comunIcações do Alto. Em conseqüência, as
revelações de Fátima .la mundo t~m-sc Ccito por etapas suces-
sivas, sendo que nas últlmas alguns autores julgam dificU dis-
cernir os ponnenores que pertencem estritamente ao teor da
mensagem daqueles que a vidente acrescentou em seu santo
fervor (cf. H_ Marechal, !ImoriaJ eles Appmi.tions de la. V1erge
dn.ns l'2gUse. Paris 1957, p. 146) . 1: multo Importante observar
este fato, pois taz suspeitar que nem todos os dizeres das
revelações de Fátima se devem à Virgem MarIa, já que são,
em parte, redutlvels à Ir. Lúcia.
Quanto ao segredo de Fátima, ele se prende li terceira
aparição de Nossa Senhora, verificada aos 13 de julho de 1917.
Instada pelo bispo de Lelria às vésperas do 25t aniversárjC)
das aparlçóe9, Lucia disse ter obtido licença do céu para comu-
nicar o segredo num relato de Quinze pá.glnas datado de
31108/1941: & men58Kem do segredo consta de três parte.,
duas d6ls quais feram Imediatamente reveladas; a terceira,
porém, ficaria contlda em envelope lacrado, sobre o qual se
lia : _Não abrir antes de 1960,; interrogada sobre o motivo-
desta restriç.ll.o, Lúcia respondeu ~mpre: «A SS. Virgem o-
quer assim,.
A primeira parte do segredo compreendia uma visão do.
Inferno: Lílcla, Francisco e Jaclnta perceberam como que
um grande mar de fogo e, nele mergulhados. os demônios e
as almas. - Trata-se de wn quadro figurado, cheio de ima-
gens literários adaptadas à capacidade perceptiva das crianças..
A segundél parte do segredo predizia o fim da guerra
mundial de 1914-1918 e o começo de outra pior sob o reinado
de Pio XI. E acrescentava:
"Quando IIlrdos uma noUe alumiada por uma luz. desconhecida, .abal
que • o grande sinal qUI Oeul VOI d6. dI qUI vai I punir o mundo da
seus crlmlS por ml lo ela gUllrra, da fomll 11 ell f)lrallgulçOls • 19(aja e ·
ao Sanlo Padre.

-389 -
38 ePERGUNTE E RESPONDEREMOS:a 237/1979

Para imp&dlr, virei a pedir a consegfAçlo da A"uia a meu Ima-


culado Coraçlo e A comunhlo reparadora nos primeiros 6ãbados.
Se atenderem ao meu pedido, a Ruasla converter-se·a, e terlo paz:
se nlo, e8palhar' aeus erroa pelo mundo, promovendo guerrall e perll811ul-
ÇÕH 1\ Igre!a. 0' bom serlo mar1[rl:tados: o Santo Padre teri multo qUI
sofrer; viria naçO" s.rlo .nlqullaClu • •.
Por fim. o mau Imaculado CoraçAo IrlunlarA!".
A propósito. observemos : a guerra Que d~vla começar sob
Pio. XI. na verdade só comctOu em 1939. isto é. sob o Papa
PIo XII !
Ouanto à terceira parte do segredo, Que devia ficar oculta
até 1960, não foi objeto de divulgação oficial por parte da S.
Im'cja nem em 1960 nem depois. As noticias diVUlgadas pelos
jornais em 1965 como autêntlca revelat'ão do segredo não têm
a chancela oficial da I~ja. Pergunta.se: por que a Sa nta Sé
não divulgou tal segredo em 1960?
As -respostas podem ser as mais variadas. Julgamos. p0-
rém, muito provãvcl qu'~ o S. Padre João XXIII não quisesse
entreter a atencão do povo cristão com revcla~õcs particulares
cuja autoridade era discutida (pois na verdade não se sabe o
Que no teor desse segredo provém da Virgem Maria e o Que
~ proferido tão somente pela Ir. Lúcia). Bastava à autorl·
dade da Igreja comunicar ao povo de Deus a exortação à
oração e à penitência que sempre se derivou de Fátima. Real·
mente estas atitudes são de Importância capital, qualquer que
seja a sucessão dos acontecimentos do próximo futuro. As
profecias (mesmo as autênticas) não alteram em nada a men-
sagem concre ta, essencial. de oração e penitência. l!:: isto que
absolutamente Importa aos homens a flm de Que não percam
os valores verdadeiros e eternos.

2 .4 . A exp.~ttlla do fim do mundC)


Para entender o pulular de proreclas relativas ao Iminente
fim do mundo, deve·se levar em conta que o fenômeno pode
ser Ilustrado por fatores psicológicos.
Com efeitO,' nossos tempos sio dlficels; a segunda guerra
mundial (1939-1945) deixou o g~nero humano extremamente
convulsionado; até hoje os males se prolongam através da
violência, da aJta de preços. da poluiC8o, etc. ::e natural, pois,
que certas pessOas religiosas digam: 'lAs coisas vão tão mal
que só Deus pode dar um jeito nisto !. S6 uma lntervencão do

-390 -
PROFECIAS DE FIM DO MUNDO 39

céu pode acabar com as desgraças da 'humanldade! Os homens


estio provocando o fim do mundo!:t Estes dizeres são mais
emotivos do que propriamente teológicos. Os homens, postos
sob calamidade, sempre julgaram que o rim do mundo estava
próximo; foI o que se deu no séc. V, quando Roma estava
para cair sob os golpes dos bârbaros; foi o que se deu no fim
da Idade MédIa, quando a peste devastava a Europa; l! o que
se clã também em nossos dias (não alongamos a enumeracão
de datas intencionalmente).
Por conseguinte. a predição de iminente c:at6strofe e de
prõxlmo fim do mundo pode não ser devJda a alguma revela·
do divina. mas, sim, a uma atitude psicológica muito com~
preensfvel: seria a resposta espon1Anea do homem <contem·
porAneo aos males que o afllgem. Julgamos que as prediçóes
trágleas que hoje em dia correm, nia aio mais do que a ex·
pressão da psicologia reUglosa de multos cristãos dos nossos
tempos que se sentem perplexos diante do desenrolar da his-
tória presente. De todos esses rumores, possa o povo de Deus
ao menos aproveitar a Insistente exortação à oração e à peni.
tência! Esta, sim, tem valor perene e é a melhor resposta
... qualquer desafio dos tempos.
Devem-se também notar as palavras do Divino Mestre:
cTempo virá em que desejarels ver o dia. do Filho do Homem.
e não o vere1s:t (Lc 17,22) . Nestes tennos Jesus prediz situa-
ções difteels e faBeI angustiantes para os seus seguidores:
estes, premidos por flagelos e tragédlaa, haveriam de ansiar
pela vinda solene do prOprio Deus como Juiz e Consumador
da história (no dia do Filho do lHomem) i todavia este anseio
não corresponderia ao deslgnlo de Deus; o Senhor Jesus rião
voltaria segundo as expectativas ou as aspirações dos seus
dlsclpulos.
Eis por Que julgamos que as profecias em pauta merecem
consideração tão somente na medida em que corroboram a
seguinte mensagem desUtuldn de data e descrições minuciosas:
cOral e fazel penitência pelos vossos pecados e peles do mundo
inteiro!:t
A propOl llo
PR ./1951, pp. 159-11. (I.gredo de F'lIma) .
PR 161/1973, pp. 222·232 (aparlçao da Nosae senhoril dll Todoll
OI POVOS ).
FlR 170/ 11174, pp. 72-83 (apatlç6es li ".parl~." da NOS$I Senhora) .
PR 170/HI7•• pp. U-M (memória li cartas da Ir. L.tJctl) .

- 391-
.. c:» ~U. o ~Ih~ nlo viu ... "

"reflexões sobre vida após a vida"

A edição de .:Seleções~ de abril 1979 aborda mais uma


vez o tema .: Vida após a vida,. já considerado em «Seleções.
de setembro 1977 e comentado em PR 216/ 1977, 'PP- 501-506.
Volto'mos ao assunto neste fasclculo porque o tema, seno
S8!!lonal como é. tornou a provocar indagações de vários lei·
tores. Na verdade, trata·se de pesquisas empreendidas pelo
Dr. Raymon Moody, médico norte· americano, junto a pacien-
tes qUe estiveram em coma. mas conseguiram recuperar-se,
Tais peSSODS posteriormente relataram ao Dr, Moody e expe-
riência do além que fizeram durante o espaço de quase morte.
O Dr. Mood,y publicou esses relntos em um prImeiro volume
inUtulado cA!ter Life. (1975). Tendo, após esta i::lnta. colhido
outros testemunhos, houve por bem editá-los em novo livro
com o titulo cRcflections on LI!e After Life", cujo teor náo
difere do anteriol': Ó este ser,undo volume que ocasiona o
artigo G:Cidade de luz, reino dns treVOS», de cSeleçõcs, de
abrli 1979. pp. 25-29.

1, Um espécimen dos relatos


Antes do mais, transcrevemos um breve e significativo
exemplar dos depoimentos colhl.!os por Ro.ymond Moody_
"Um homem está morrendo. Ouendo chega ao ponto miblmo do
softlmento !!slco. ouve o médico declarar que esl.ê morto.
Começa enl'o a OUylr um ",Iodo forle, como campainha ou clgarrl
estridente, e 1110 maamo tempo sanle qua eslA se deslocando velomenll
através de um tUn.' comprh'o a escuro. D.pols disso, vt-se de ",penl•
•• parado do MU corpo fI,lco , que obs."'. de longe. como se lo". um
espectador. 0.811 poslçlo layol.6yel, asslst. Ih! 'enlallvas paIS a sua rtlS-
eurnlçAo. Percebe que ainda possui um 'corpo', mas de nat ureza multo
diva,,:. e com poderei multo dlfel.nl.1 do COrpo lIalco que .1. deixou
par. lri•.
Logo d,pols. oulre~ paliO'., Ylm ao •• u enconlro e o eJudem. EI,
vislumbra 0$ "prrll~ d. p.rente. Q .mlgos que lá morreram. Apar,ce .6
a Ulll lrenle uma alm/'! carinhosa e acolhadora (um ser luminoso). Este ler
Ih, f.z um. pe rgunta I.m par.v,.. , p.ra; InduzI-lo .......atl.r aua Ylda, •

-392 -
.:A VIDA APOS A V1DA., ·11

o aluda, moslrando-Ihe uma raapresanlaçlo Inslanlanea doa marcos prln-


elpab dassa exl.t6ncla.
Finalmente, v6 que ae aproxIma de uma espéCie de barrelr., que
aparentemente representa o limite entra a vida terrene ti li pO$terlor. O
'morto' enllo fICha que praclsa volllr .. Terra - qUI aInda filo chegou
a hora da SUB morte. Reslsla, pola a eaae anura Jê aa ablorveu com as
experfênclas da vida elema a nlo de.e'a ragressar. Senle-sa dominado
por profundo. aentlmenlos de alegria, lamure e paz. Nlo obstante, de
alg um modo ele toma a se reancsrruar no ,eu corpo IIslco e voUa a vive,"
(art. ctt p. 25.) .

Passemos 11

2. Algumas observações
1) Antes do mais, nota-se que os depoimentos pUblicados
por Moody descrevem a vida do além tA semelhance do aqu~m:
túnel que dâ passagem 3. wna eldacle de luz, em que há jardim,
amigos e feUddade ... Dlr·se·Ja que se trata de vida ten-estre
em ncva edição, melhorada e embelezada.
Ora não há quem não veja Que tais descrlc6es se podem
explicar cabalmente como projeções do subconsciente ou do
Inconsciente dos pacientes. Não hâ necessidade- de recorrer a
revelações ou a experiências do além para elucidar a orl.o;em
de t..'\ls narrações.
2) A msplraç8.o desses depoimentos é evidentemente es-
pirita. O espiritismo admite, sim, que as esplrltos se desen-
carnem e, revestidos de perispirUo ou de corpo astral, palrem
acima do seu corpo inanimado ou terrestre, podendo depois
voltar a encarnar-se. Além disto, ehama-nos a atenção a falta
de rererencia clOl'8. e expUclta a Deus em tais relatos; ora o
espiritismo é, sim, um sIstema Que professa Deus e o amor
a Deus. mas Que parece Interessar-se mais por comunicações
com os espirjtos do que com o encontro do próprio Deus. Ora.
para quem tem fé monotelstn, é Impassível admitir que o
além não proporcione à eriatura um relacionamento direto e
imediato com o Senhor Deus, que é o Alfa e o Omega d2
toda a criação.
3) Para o cristão, a ehamada «morte:. é, antes do mais,
o encontro com Deus, ... com o mesmo Oeuj; que na vida
llresente é reconbecldo através dos véus da fe. Na verdade.
Deus é o grande «pala:. de atração da vida humana, em
demanda do qual todos os homens retos, consciente ou incons-
cientemente. peregrinam. Cidade de luz. jardim ameno, belas
cores ... são realidades multo pobres ou mesmo Insufjcientes
para a crIatura humana. Bem dizia S. Agostinho: cSenhor,
Tu nos .fI2.este para Ti, e Inquieto é o nosso coração enquanto
não repousa em 'Ib. Quanto aos parentes e amigos, é certo
Que cada um de nós os encontrará. de novo na .rcasa do Pab,
mas semo reconhecidos e amados ~m fun~ão d~ Deus; o amor
a Deus não sofrem. divisão nem dilaceracão nas criaturas,
mas, ao contrãrio, esse amor ~ Que assegurar! o amor de
cada qual 80s seus semelhantes.
A rim de entender o que será a vida eterna para 51 peso
soalmente. o cristão se esforça por avaliar o seu relaciona-
mento com Deus na vida presente; é Intimo? l!: saboroso!
Tem algum significado estrutural? - Não hã ruptura ou
hiato entre a existência terrestre e a póstuma; há apenas re-
velaçio ou queda de véus. Dai a ImportAncla da pergunta:
cQuem é Deus para mim hoje?~ - A resposta sincera. que
cada um dê a esta interrogação, manlfestar-Ihe.à. de certo
modo, o que a vIda eterna será para essa pessoa.
Estêvã:o Bettenoourl O.S.B.
• • •
livros em estante
o d ..comp"lO da teoria c:om a pn.tlca: uma Indagoçlo n .. rIIl_
ela Moral. por Hubert Lepargnllur. CadernOll da Teologia e Pas toral n9 14.
Ed. Vo:r.es, Patrópolls 1979, 05 ~p., 135 x 210 mm.
O Pe. Leplrgneur, 1~logo de renoma naclone' a Inlamaclonel, oferlce
10 pllbllco um I:vro &obre assunto eendenta : a Incoerência em qua Incide
fAlqQenlemanle o compcr1amento humano, pois na verdade o agir ou e
conduta nem .empre co"*Sponde ao pensar ou fII leoria; h' tlorlas (tue
ficam dlslanl" da prillca • h6 prttlcas lolalmonto dlvorçladu da respec·
11'11 leorla.
O autor mostra que o prOblama é de todM os tempo,; )11. era denun-
ciado por Demócrito de Abelera (480-370 a. C.) e pontilha toda a hlslórl.
do pansan'lenlc>. A .egulr. Lepargn8ur dlscule vârlos corn:eilos Implicados
pllf. problem6Uel: o de pr'lCII, os de rel.Uvo e absoluto, o dos condtclo--
"amentos do ato humano (eUca de . lluaçlo) ... Após erudlla. COMs ldera-
ç58". conclui c;u. nuncl haver6 Idequaçlo entre Ilorla e prAlIca, pc>ls o
tlasalusle tem sua raiz na pr6prla conslltulçlo do $er humano: "Ie •
frlco a falho . Todallla • pracllo combater .... deu)uste e lantar reduzir
a dlstlncle antr. laorla e prltlca. I!: a dlssocleçJo enlre asla e aquela
que p&t a Morll em constanle lenalo e dlnaml.mo. Nee.e lanslo, qua . e
op&. l Inércia ou aslagnaçlo do ser humeno, Lapargnaur chama a elançAo
parll o papel da virtude da prudlncle: esla h' de tant., rellatlr eobr. a
leorle, de um lIdo, e. de oulro lado, .obr. 85 clrcun.lInela. cone,e' ..
em que .. e ncontre o agenle; a prudlncla procurar4 IndIcar as atltudea
me ... coarant .. a fieis para o comportamento do sar humano. _ CremM
que li condu.ao de Lepergn.ur • v6l1da; apenas onfallzarlamos LI: necassl·

-394-
UVROS EM ESTANTE 43

dado premente ele H dimInuir a dls'''ncl. enlr. 180,11 li prttlcI: todo


crl.tlo, chamado .. perfelçlo li l unlldada como t, devI aenUr-s. cada
vez. mal, Impelido" coer'nela ou • l i ' • 8lfl'ruslo concrela do Amor
d. Deus.
O livro e rico em cUeç6es li documantaçlo, ap.r.cendo como fruto
de asslduas • VIIltldas lelluras sobre I) assunto. Oestln&-$ft B estudIosos
de certo nlyel, aptos • compreender o voe.bulArlo a o racloclnlo do autor.
Ao lado da lreehos multo Interessantes. como I) das PP. 121 (em qUI I)
8ulor expO, lumarlamanle I tne do livro), ti.. outros qUI nos parecem
merecer cena nIIIvlalo: assim o da p. 7". qUI 18 refere .. lei nalura' com
um tanto da amargur •. Gostarlamol d. perguntar. LepafGnGur ttn que
•• ntldo Intande a frasl: "A IgreJ' nlo H revoUou em Gondel'l4r • mie
de pralarfncla lO nascituro, mesmo na p .....nç. da tNho. '6 numeroaos
e estralt.mente dependente, d. mie par• • •u. sobrevlvtncla" (p. 7"').
I'la V.teI.dl, a MOf.1 crlatl nlo 'condena nem a ml. "Im o filho em caso
d. PtlllJo par. ambol, m.. tr.t. de ..lvar um e outro, utlllundo OI m.IOI
mal. eficazes p.r. Isto; t.nlo • ml. como o tllho .10 •• re, hum.no.. e
16m o direito d. viver, o Qu.1 lhes dtvt at,
mpell.do.
Pro'el•• OfItem e hei., por Nom.rI Lohflnk. Tr.duçlo de Calula
M.rI. ,Jardim de Mor.... Cole;1o "" Palavr. Vlv." n9 19. - Ed. P.ul/nas,
Slo Paulo 1979, 110 x 190 mm, 90 pp,
O presente "VI'O traz o lexto de quatro conlerêncla proferld.. pelo
exegat. lesuU. N. LohOnk, IA conhecido no Brasil por outras obru 'U'L
A exposlçAO do t.m. decorre em IInguegem multo 'cesslvel, pois 101 con·
cobld. prlnclpalm.nte para r'dIO-OU\llnt •• - o que nao pr.Judlca o con-

O autor apresenta t....


leUdo, \/ualSo nas maJs r.e:.nles pelQulsas blbllcllS.
poncler6ve1s a re.pelto do profetismo fo~
de r.r.et. a respeito dOI prol,re9 blbllcOI "revoluclon'rlos" como 'ambllm
e propOslto da, predlçOas melslânlca, em Isreel • no tocante ê oxlsllncla
de proletas em nosso. di ... No primeiro c.pltulo, por .xemplo, Lohflnk
clla fenOmeno. de profacla ocorrantft entre OI PO'l05 orlenlal. prkrlltlos:
1l.vla. 11m, como laslemunham documentos eK8Vad0l nos 6111mos dlet.,loa
em Mlrl e alhurel, .ml,"rlos da Dlvlndad. que 1f11n1mlllam ao. rei.
mensagens dl'l8~a • . ,. No capitulo quarto, Lohllnk allrma (!ua, masmo .pó.
M prolelas blbllcos a" nossos dias. hou\/e e '" proiel,,; cita, por ex.m·
pio, Slo Francl.co d. Aula • S. Tera.lnha de Lls reux, que eontrtbulram
p.ra que os erl.tlos da.cobrlssem a •• plrltualldade cwlng6l1ca de ma-
neira adequada A••ua. relpeetl'llu 'poco (cr. p. 80).
A~nas 1'101 parece Que Lohllnll deveria mflnclon.r a· -possibilidade
de nu.OBs por parte de pessoa, qUI se ditam prof.tas ou portadores dI
mensagem divina. ~ preciso nlo "Innaclonar"' o termo "profeta", vlstD
que 6 Inerente ao psIquismo humano querer alGuém passar por "emlsdrlD
de Deus". A experiência comprO\'a qulo facllm.nte um ".\/oto atribui a .1
o carisma da "prolacla".
AI nov. . . lia., por Alaln Woodrow. Treduçlo do 'ral"\Cb por CalaiSt.
Marta Jardim d. Mora••. - Ed. P."lnas, SIlo Paulo 1979. 130:11200 mm.
241 pp.
O livro 6 de grand. atualld.de, pol. '18m r.spondlr.o comprelnalv.1
Inter.ss. que o publico em gara' .lIm.nla paiO f.nOmeno "mfstlco" das
nova, ..Itu. Estai le mulllpllcam com mod.lId.des dMrsn, cormpo,...
dando b "arladu tandenclll3 pslcol6glca do hom.m r.1I9rO$O :
pesslml.tas, Que prlYlem o 11m do mundo pa,. breva; as cur.ndelru.
e.h'
Que prometem milagres; .. ocuIUiSl... QU. t6m revelações "aarvadu .oa

- 395-
. cPERGUNTE E RESPONDEREMOS, 237/1979

Inlcllld03; as orlentall,l." oriundas da fndla, do Japlo • da Co,"".; as


raeloul""" que pretendem fundir ciência 8 rellgllo, como a Clanela
Cr15ll, • teosofia, ale.
O len6meno pede IxptlcaçJ.o. Or., com acerto, A.laln Woodrow Julga
que o veemante surto das sellas conlemportn••s vem li ser li rapllca à
crise que tem alelado 8 prõprla Igrela Cat611ca ou 8 R.lIgrAo cl4ulca: o
secularismo. a leologla da morta da Oeus tem procurado apagar .. manl--
feslaç&es rellglou. da vida moderna: dizem (lua Deus • uma par'VfI sem
rassonancle e que o homem da hoje 16 pode dIspensar o 8u)llll0 do
Senhor para provar a si mesmo. Ora o 'en6meno dI' •• rtas .Ignlflca I
recusa da lals concapço., secularl,... : por ela Irrompe do mais profundo
do ser humano a dlmenslo religiosa congênita li Indelével, contradlzlndo
a Mlrx. Nleuaçhl e Freud, que Ilndl recent.mente clanlflcavam I reU·
gJlo como um 'an6meno espOrlo • par.crval da história dos homens.
Alaln Woodrow, depoIs da ponderar estes dados, analisa a origem •
a m.nsegem da. principais selt.. modern.. : Meninos de Daus, Krlshna.
Testemunhes de Jeov4, Mórmona, Adventlltu... Delém-s. lobre os
métodos empregldos pari conquistar e catequlur adeptos de tela grupos:
as técnIcas de perauaslo modernas, utilizando reCUMlos palcol6glcoa, Ilodem
convencer de Qu.lquer cor.. qualQuer pUloa nlo prec..."da; • pauoa
'human• • a.sslm manipulada, pai. o fanatismo e a obsllsalo lavam nlo
raro • d8lonestldade. O n",o apresenta, em apendlce, um quadro , 'n6tlco
esquemático ele dezesseis IIl1es, aulm como um estudo mais Idlfuso da
Selcho-No--Iê, forma rellgloea lapon.... que promete curas.
Recomendamos vI\lamantll • la\lura de 181 obra, pois esçlarace o
leitor a respello de um fen6meno que ma" e m.ls se Implle .. at.nçAo
do p(jbUco. lu .allas modernas (:onsllluem um desafio aos II"!! católicos
para que assumam com loda a cOllrAnela • convlcçlo a sua ml ••lo de
portadores da Soa-Nova j procurem responder aos en,,!os do homem
moderno. "que abre para ai clslemas rotas, as quais nlo podom reler as
'IlU"" (cf. Jr 2.13) .
Puebla. A eYantfellZlçlo no p"..nte a M future da Am'rlea uUrlL
Telelo oficiai da CNBB. acompanhado da Inlroduçlo e Sub,ldl09 da aulorla
de FreI Clodovls Bofl O. S . M. - Ed. VOtes, Patrópons 1079, 138 x 200 mm,
338 + 29 pp.
Dispomos agora do documento nmll da 3' Asaembl41a Gerll do EpiS-
copado lallno-am.rfcano reunido am Pu.blt (lanelro-feverelro 1979). Tra--
laoS. da fonna definItiva, re"lst8. retocada e aprovada pela Santa Sé. Por
consllgulnlo, p.reIe o seu vllor o tllllo provl.O,'o lançado 80 publico em
março pp.
Ao edlçlo da. VOtes. como a da Ed. loyola e 3 dos Paullnos. apre·
311nla outrossim o lexlo dos Irês discursos do S. Padr. Joio Paula /I
prol.rldol no MéxIco com rafer'ncla . . .aemb"la episcopal de PueblB.
V.,lUc .... que o tuto provisórIo 101 relocado d. p,lncfplo a fim,
nlo em l.mlM "ubst.nelals, mls d. acordo com .nfoQUes mlls teológicos
-ou mal. precIso.; , .... que a Santa Sé I..... granda cuidado por d.r ao
público um texlo cue realment. corresponda ao Ilenutno p.nsam.nlo
crlsllo 10bAII a América latlnl.
A lntrodu~lo t leitura: das Conclu.oa. d. Puebla ellborada por Frei
Clodovl. BoI! p.rece-nos um tanto unU.tll,al. Com efeito, o autor dlstll"t-
gu. dn temea·elxo · no documento d. Puebla. entra oa quais nlo Inclui
liIS vaIdades li respeito de Cristo. a reBpelto da IgraJa • • relpelto do

-396 -
homem, que o ref.rldo documento multo enfetlze, fazendo eco, allil, ao
dlscunllo Inaugural do Paulo Joio Pauto U. Frei ClocIovls descobre os eixos
do documento em assuntos de ordem s 6elo-eeorlCmlco--polllica, nto levl ndo
talvez na devida C1)nla a Crlllologla, a Eçleslologla e a Antropologia pro-
lesudas pelo. Biapos em puebr.. Ore é certo que o eplscopedo reunido
no Méxrco se preoc:upou lambém - • prlmordlalme nle - com u ver·
dades di fé • serem transmitidas U populaçCJes latlno·em.rlcaou.
I: com praze r que 'Iudamos • publlcaÇlo do lexlo dellnltlvo da
AsIOfTlbléla de Pu. bla, de.Unldo a dar novo Impulso à sadia evang.llzaçlo
da América Latlne.
e lcatoloola e Resaun.lçlo, por Joio Evangell.la Martins Terta S.J.
Coleçlo "Sérle Slbllcl " n9 7. - Ed. Loyola, SAo Paulo 1979, 1040x21Dmm,
110 pp.
O Pa. J. E. M. Terra é IncanstvII produ to r de boa bibliografia teo-
lógica e exeg'"co-blbllca. oesl. vez pu bllc. o primeiro de dois livros
programados aobre li conaumaçlo do homem e da hlatórta aul m como
s obre a reuurralçlo da C rlato. Começl com um c apitulo sobre a morte;
ap6s o qual ex.mlna os conceitoa d. esc.tologla (individuai e c6lmlu)i
a seguir, considera os fundamentos hilt6rlco. de f. na re5Surrelçlo de
Crbto, I teologia da rusu rrelçAo do Sanhor, o sacerdOclo do Cristo
fa.IUl cUldo .. ,
Ai expoalçD .. teOlóglCls e 1)l.lg6I1c8. do aulor l'm 'UI aollo.;;
lodavla rasultam, em parle, de aaludo, lallOl h' cerca de dliE: ano •• como
all rma o próprio Pa. Terra A p. 3, Serlo completadas ou lalvaz d 00 16
relccadlls pela publlcaçlo da nova Obra que o aulor est6 preparendo sobre
tal temática. Em 8Sj)8clal, par8ca-nos que OI ca pllutos Iniciais do livro
atinentes 6 ressu rrelçlo em gIrai 8 , escatologia Individual 8 e6smlca
deverlo ser relidos e enriquecidos , luz da carta de S. Congrega.çlo
para a DoutrIna da F6 dalada de 17/05/79, a re.pelto de questOes aUnen-
les 6 Iscatologl. blbllco-c:rlsll. esla documento - cuja leitura .. r6 alIa·
manle prollcua a todos o. fiéis eal6t1cos - enfaUza a dllllnçlo enlre
escalologla patS(l.1 e escllologla unlvareel a..lm como a IObrsvlvtncla,
ap6. a morte, de um "elemenlo espiritual, dolado de conscllncla e de
vo ntade. de ta l modo qua o lU humano sublrata" . EUa e lamento . , pala
tradlçlo crlsll. chllmado "alma humllna", De rI.lo, o conle\ldo dos IrtlgOl
de lal clrta da Sinta 86 IIrt oportunamenle .xpl.nado na. pagina, de PR o
ApraZ-tl08 ainda tranacrevor Iqul .. flfl ex15e. do PI. Terra .obr.
Inlropologla semita e antropologia grega:
"Nlo rer.. "el" a ftO;lo 'dl lIIIortllldade , Ialrlbu(da la fllOIoflllrlCla
e conlrapOlla l Id6la de ,.n urrelçl o, q. . . ." . tipicamente blbllca ou
.. ",lUc•• N. rlalldade, PC""', ambaa a. noçee. emergem na Blblfa .o
m..mo limpo e 110 t,lbWl6rl.. da cultura heranl.tIca. AUM, a ~,......Io
da qualfficar alguma noçl o como tlplCMIlnl1 lamlllc:a • bulanle pmfe.
m'"ca. A kllnUllca~lo Intre anltopolClgla blbllca I anlrCIpoIClIII'. aamllfc,
ta,rnbtm • almptllta, D\uanta os mil anoa de alabora:lJ;lo d. lHeratura vate-
rolaalamln"tta, e la loltau u mata diva,.. ..:utluraç68t (eglpcla - 1IIe-
mura .aplane'" I - cana"'la ou fenfcla, ... irla, ,.,.., ilteta, 1 1cJ"
Cp. 5, nota 1).
Estamos plenamenll de aeordo com o Pe. Te rra:, cujl poslçlo é pre·
lerlve't.. iIIquela que Ide ntifica a antropologia ..mllica eom o pensamento
blbnco; 8.1e 6 asalm dlpauparado, pola na .... rd.da OI aulores blbUcos
as.umlram oportunamentl lamb6m o lnalrumenlal de outra. concepç&l. filo-
.ótlces paTa exprImir o conleúdo da mensagem do S.nhor ao. homens:
O livro em pauta .er' úlll ao. leitor.. prlnclpalmenta nos capitulas
que dizem respeito ti ressurreiçlo de Crlalo (pp. 39-110). O lulor ai
responde validamente a uma s."e de duvld'l e II nsaloa propollOS pelo
homem moderno.
5 .8 .
Aos que estão em luto 1

SE TU ME AMAS, NÃO CHORES.


SE CONHECESSES O MIsn;:R10 INSONDÁVEL DO ~U
ONDE ME ENCONTRO .. .
SE PUDESSES VER E SENTIR O QUE SINTO E VEJO
NESTES HORIWNTES SEM FIM
E NESTA LUZ QUE TUDO ALCANÇA E PENETRA,
JAMAIS CHORARIAS POR MIM.

ESTOU AGORA ABSORVIDO PELO ENCANTO DE DEUS,


PELAS SUÁS EXPRESSOES DE INFINITA BELEZA.
EM CONFRONTO COM ESTA NOVA VIDA,
AS COISAS DO TEMPO PASSADO SÁO PEQUENAS E
INSIGNIFICANTES.
CONSERVO AINDA TODO O MEU AFETO POR TI
E UMA TERNURA QUE JAMAIS TE PUDE,
EM VERDADE, REVELAR.
AMAMO-NOS TERNAMENTE EM VIDA,
MAS TUDO ERA ENTAO MUITO FUGAZ E LIMITADO.
VIVO NA SERENA EXPECTATIVA DA TUA CHEGADA,
UM DIA, ENTRE NOS ...

PENSA EM MIM ASSIM:


NAS TUAS LUTAS PENSA NESTA MARAVILHOSA
MORADA
ONDE NÁO EXISTE A MORTE
E ONDE, JUNTOS, VIVEREMOS NO ENLEVO
MAIS PURO E MAIS INTENSO,
JUNTO Á FONTE INESGOTÁVEL DA ALEGRIA
E DO AMOR.
SE TU VERDADEIRAMENTE ME AMAS,
NÃO CHORES MAIS POR MIM.
EU ESTOU E>I PAZI

t V.r EditorIal. pp. 353"