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Roberto Vilhena do Espírito Santo

CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE DESEMBARQUE


DA FROTA PESQUEIRA ARTESANAL DE PEQUENA
ESCALA NA REGIÃO ESTUARINA DO RIO CAETÉ,
MUNICÍPIO DE BRAGANÇA-PARÁ-BRASIL.

Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Biologia Ambiental do

Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, como requisito para a

obtenção do grau de Mestre em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos.

Belém-PA
2002
Roberto Vilhena do Espírito Santo

CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE DESEMBARQUE


DA FROTA PESQUEIRA ARTESANAL DE PEQUENA
ESCALA NA REGIÃO ESTUARINA DO RIO CAETÉ,
MUNICÍPIO DE BRAGANÇA-PARÁ-BRASIL.

Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Biologia Ambiental do

Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, como requisito para a

obtenção do grau de Mestre em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos.

Orientadora: Profª. Dra Victoria Isaac

Belém-PA
2002

1
Roberto Vilhena do Espírito Santo

CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE DESEMBARQUE


DA FROTA PESQUEIRA ARTESANAL DE PEQUENA
ESCALA NA REGIÃO ESTUARINA DO RIO CAETÉ,
MUNICÍPIO DE BRAGANÇA-PARÁ-BRASIL.

Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Biologia Ambiental do

Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, como requisito para a

obtenção do grau de Mestre em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos,

aprovada pela banca examinadora formada pelos professores:

Orientadora: Profª. Dra Victoria Isaac

Departamento de Biologia, CCB, UFPA

Profº Dr. Ronaldo Barthem


Departamento de Zoologia, MPEG.

Profº Dr. Horácio Higuchi


Departamento de Zoologia, MPEG.

Profª Drª Flávia Lucena


Departamento de Oceanografia, Centro de Geociências,
UFPA

Belém-PA
2002

2
“Sabedoria não se resume em ter domínio do conhecimento,

mas sim,

ser instrumento de transformação”

3
Agradecimentos

A Deus.

Á Dr. Victoria Isaac.

A minha esposa Ariadne, minha família e meus amigos.

Ao Cesar Braga amigo e companheiro.

À Rosa, Creusarina, Ribamar e todos os nossos monitores que foram profissionais e

amigos além de fundamentais para realização deste trabalho.

À Equipe do laboratório.

À Universidade Federal do Pará.

Ao Conselho Nacional de Pesquisa-CNPq.

Ao Programa Madam.

E a todos que participaram direta ou indiretamente deste trabalho.

4
SUMÁRIO

RESUMO ......................................................................................................................... 6

ABSTRACT .................................................................................................................... 7

INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 8
A PESCA NO BRASIL ....................................................................................................... 9
A PESCA NA COSTA NORTE DO BRASIL ......................................................................... 10
ESTUDOS SOBRE BIOLOGIA PESQUEIRA EM BRAGANÇA ............................................... 12
OBJETIVOS ................................................................................................................. 15
OBJETIVO GERAL......................................................................................................... 15
OBJETIVOS ESPECÍFICOS............................................................................................. 15
MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................... 16
ÁREA DE ESTUDO......................................................................................................... 16
COLETA DE DADOS ...................................................................................................... 19
ANÁLISE DE DADOS ..................................................................................................... 22
RESULTADOS ............................................................................................................. 23
CARACTERIZAÇÃO DA FROTA PESQUEIRA DE PEQUENA ESCALA .................................. 24
AS ARTES DE PESCA ..................................................................................................... 31
Armadilha móvel .................................................................................................... 31
Armadilha fixa ........................................................................................................ 32
Linha ....................................................................................................................... 33
Rede ........................................................................................................................ 34
Rede fixa ................................................................................................................. 36
CARACTERIZAÇÃO DOS DESEMBARQUES PESQUEIROS NA REGIÃO BRAGANTINA ......... 38
Esforço de pesca ..................................................................................................... 38
A produção pesqueira ............................................................................................. 43
Composição específica das capturas....................................................................... 49
Rendimento pesqueiro ............................................................................................ 57
Valor econômico da produção ................................................................................ 60
DISCUSSÃO ................................................................................................................. 64

CONCLUSÃO............................................................................................................... 73

ANEXOS ........................................................................................................................ 84

5
RESUMO

As regiões estuarinas representam locais de criação e alimentação para uma


grande diversidade de organismos, dentre os quais destacam-se os peixes pela sua
grande importância para o homem. Embora seja uma das atividades econômicas mais
significativas para as populações ribeirinhas da região norte, poucos são os estudos
sistemáticos, desenvolvidos sobre esta atividade. A caracterização da atividade
pesqueira artesanal de pequena escala na região estuarina do rio Caeté, foi feita baseada
em entrevistas diárias com pescadores atuantes em sete localidades da região durante o
período de 13 meses (junho/2000 a junho/2001). Tanto pela tradição pesqueira, como
pelas limitações financeiras e tecnológicas existentes na região, esta atividade
apresenta-se limitada à região estuarina e a pesqueiros próximos ao litoral. A dinâmica
da pesca é definida pelas modificações na abundância dos recursos pesqueiros,
estuarinos ou marinhos. Mudanças na atividade pesqueira estão relacionadas ao ciclo
sazonal da pluviosidade. No período de estiagem, as capturas direcionam-se aos
estoques de origem marinha, que se aproximam da costa. Nos outros períodos, as
pescarias têm como alvo as espécies de hábito estuarino. A atividade pesqueira
desembarcada na região do estuário do rio Caeté é realizada preferencialmente por
embarcações com menos de 12 metros de comprimento. As principais artes de pesca são
as redes de emalhe, as armadilhas fixas e as artes com linha e anzol. Entre as principais
espécies capturadas foram identificados 3 grupos que apresentavam padrões comuns de
captura. A pesca dos peixes bandeirado (Bagre bagre) e cangatá (Arius quadriscutis) foi
definida, como estuarina, ocorrendo principalmente nos períodos de chuvas e na
transição ao período seco, realizada preferencialmente com linhas (espinhéis) em barcos
de pequeno porte e/ou com canoas motorizadas. O cação e o peixe serra
(Scomberomorus brasiliensis)são peixes capturados na região costeira por barcos de
pequeno porte, que atuam com redes de emalhe nos períodos de maior precipitação. A
captura das arraias (Dasyatis sp) e da pescada amarela (Cynoscion acoupa) ocorre
preferencialmente na região costeira durante o período seco, com barcos de pequeno
porte e/ou com canoas motorizadas usando linhas de espinhel. As 10 principais espécies
desembarcadas, respondem por 80% do total desembarcado, destacando a pescada gó
(Macrodom ancylodom), o peixe serra e o bandeirado. Estima-se que foram
desembarcadas 3.522 toneladas de pescados, provenientes de 21.133 desembarques que
movimentaram cerca de R$ 4.083.286,96.

6
ABSTRACT

Estuarine regions are nursing and grounds for a wide diversity of organisms,

among which fishes stand out for their importance to man. Despite being one of the

most significant economic activities for riparian communities in the northern region of

Brazil, few systematic studies have covered local fisheries. A description of the small-

scale, artisanal fisheries in the estuary of the Caeté river was compiled from daily

interviews with fishermen working in seven localities in the region, during a 13-month

period from June 2000 to June 2001. Due to both fishing tradition and local financial

and technological limitations, this activity has been restricted to the estuary proper and

to fishing grounds near the coast. Fishery dynamics are defined by changes in

abundance to the seasonal rain cycle. In the dry season, caches are directed toward

marine stocks approaching the coastline; conversely, estuarine species are targeted

throughout the rest of the year. Main caches in the Caeté river estuary are preferably

landed by fishing vessels smaller than 12 m in length. Gillnets, stationary traps and line

and hook are the main fishing gear employed. Among the captured species, three groups

with similar catch patterns were identified. The capture of the Coco sea catfish (bagre

bagre) and the Bressou sea catfish (Arius quadriscutis) was defined as belonging to the

estuary, and occurs mainly in the rainy season and just before the dry season, on small

boats or motorboats, using longlines. Sharks (Carcharinus spp) and Serra mackerel

(scomberomorus brasiliensis) are caught in the seashore by small boats operating

gillnets in periods of heavy rains. On the other hand, Stingrays (Dasyatis sp), smooth

butterfly rays (Gymnura micrura) and Acoupa weakfish (Cynoscion acoupa) are

preferably caught in the nearshore in the dry season, with small boats or motorized

canoes using longlines. The tem main species landed make up for some 80% of the

total landings: standouts are King weahfish (Macrodon ancylodon), Serra mackerel and

coco sea catfish. A total of 21, 133 landings yielded an estimated 3,522 tonnes of cath,

at a money value of over four million reais.

7
INTRODUÇÃO

O manguezal é um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e

marinho. É característico de regiões tropicais e subtropicais e sujeito ao regime de

marés. Esse sistema ecológico é formado por um bosque tropical onde misturam-se a

água salgada do mar e água doce de um ou mais rios (VEGA-VELEZ, 1978).

No Brasil, este ecossistema pode ser encontrado desde o Cabo Orange, no Amapá,

até a cidade de Laguna, em Santa Catarina, margeando estuários, lagunas e enseadas

(SCHAEFFER-NOVELLI, 1995). No entanto, as maiores extensões de manguezais de

todo o litoral brasileiro encontram-se na região norte, dispostos ao longo dos estuários

dos estados do Maranhão, Pará e Amapá (FERREIRA, 1989). Só na região costeira

paraense, encontram-se 270.000 hectares de manguezal, que correspondem a 19 % do

total brasileiro (SENNA, 1995).

Nos ambientes estuarinos, a exportação de material orgânico em decomposição e

nutrientes provenientes do mangue para as águas do mar, mantém um constante fluxo de

nutrientes (DITTMAR 1999). A enorme vazão do rio Amazonas, bem como dos demais

rios da costa norte, criam regiões de alta produtividade biológica (tanto em diversidade,

quanto em abundância de organismos), sustentando a hipótese de que a biomassa de

peixes na foz destes rios seja elevada (RODRIGUES, 1977). Por este motivo, estas

regiões são consideradas muito produtivas, permitindo a estruturação de uma complexa

teia alimentar e influenciando positivamente a atividade pesqueira local (WOLFF, et al.

2000) e das regiões adjacentes.

8
A pesca no Brasil

Em 1972, o Brasil ocupava o 21° lugar na produção mundial de pescados

marinhos, com um total de 604.673 toneladas desembarcadas, sendo que o camarão era

o único recurso destacado na pesca costeira/marinha da região norte (GUERRA, 1976).

No início da década de 80, a produção pesqueira nacional alcançou um volume de

cerca de 800 mil toneladas e manteve-se neste patamar, sofrendo pequenas variações.

Entre 1980 e 1994 a produção média foi de 600.000 toneladas/ano. Desse total, cerca de

240.000 toneladas/ano corresponderam ao volume capturado pela pesca artesanal e

360.000 toneladas/ano pela pesca industrial (IBAMA, 1994).

A frota pesqueira pode ser classificada como artesanal ou industrial em função de

vários fatores, como o nível tecnológico utilizado na atividade de pesca, motorização ou

a capacidade de transporte das embarcações. A área de atuação da frota também pode

ser utilizada para classificar os barcos, sendo consideradas artesanais aquelas

embarcações que pescam em ambientes costeiros litorâneos ou em águas interiores, e

industrial aqueles que pescam em ecossistemas oceânicos (LEITÃO, 1995).

O sistema de pesca artesanal destaca-se como de maior importância na região

norte, apresentando uma tendência decrescente em direção ao sul do país (PAIVA,

1996).

Dentre as maiores dificuldades de se avaliar o estado de exploração dos recursos

explorados pela pesca artesanal, destaca-se a elevada diversidade dos recursos (que

tende a aumentar em ambientes tropicais) com pequenas biomassas para cada espécie.

Destaca-se também a elevada heterogeneidade de embarcações e de artes de pesca, os

pequenos volumes desembarcados por cada unidade e a grande variedade etno-cultural

existente, que gera uma grande diversidade de nomes vulgares para uma única espécie.

9
A pesca na costa norte do Brasil

A costa norte é uma extensa área que abrange a costa dos estados do Amapá, Pará

até o Estado do Maranhão. Esta região é beneficiada pela grande influência do Rio

Amazonas (ISAAC E BARTHEM, 1995) que, através do fornecimento de nutrientes,

favorece significativamente a abundância de peixes e crustáceos na região. A

exploração de recursos naturais renováveis, particularmente os recursos pesqueiros de

hábitos costeiros, encontra-se entre as atividades econômicas de maior tradição e

relevância para as populações que moram nos inúmeros estuários do litoral norte do

Brasil (VERISSIMO, 1895).

O potencial pesqueiro extrativista desta região para as comunidades de peixes

demersais foi estimado entre 240 e 475 mil t/ano (PAIVA, 1981; SOUZA, 1990;

PAIVA, 1997), enquanto que as estimativas da biomassa variam de 491.000 a 795.000t

(IBAMA, 1994). No período de 1980 a 1994, a produção média desembarcada na costa

norte do Brasil foi de 93.564 t/ano sendo 86.646 t/ano provenientes da pesca artesanal e

6.918 t/ano da pesca industrial. Assim a região norte participa com 15,6 % da produção

marinha do país (PAIVA, 1996).

Para o Estado do Amapá registra-se uma captura média de 3.408 t/ano para o

período de 1980-1994, sendo 2.964 t/ano da pesca artesanal e 444 t/ano da industrial

(PAIVA, 1997). Contudo, sabemos que a maior parte do pescado capturado na região

costeira e na plataforma costeira amapaense, não é desembarcado nos portos daquele

Estado, sendo transportado para Belém, Vigia ou Bragança, no Estado do Pará (ISAAC

et al., 1998).

No Maranhão, a produção média do período de 1980 a 1994 foi de 50.241 t/ano,

sendo 50.020t/ano da pesca artesanal que predomina sobre a pesca industrial (PAIVA,

1997).

10
A produção média do estado do Pará, no mesmo período, foi de 39.915 t/ano,

representando 6,7% da produção brasileira. Deste total, 84% referem-se à pesca

artesanal, e 16% à industrial (PAIVA, 1997). Nos anos de 1996 e 1997, a produção

pesqueira marítima total do estado foi de 34.347 t e 34.897 t, respectivamente. Os

peixes representam 76% desse total. A proporção da produção de origem artesanal

variou entre 69 e 74% nestes anos (CEPNOR/IBAMA, 1997).

No estuário amazônico, a ictiofauna varia sua composição de acordo com as

mudanças da salinidade e da turbidez da água, que refletem o deslocamento sazonal da

zona de contato entre o rio e o mar, sendo os meses mais chuvosos dominados por uma

comunidade de peixes de água doce e nos meses de verão por peixes marinhos

(BARTHEM, 1985).

Dados sobre os estoques, distribuição e biologia de algumas espécies de interesse

comercial (piramutaba (Brachyplahystoma vailantii), dourada (B. flavicans), filhote (B.

filamentosus), pescada branca (Plagioscion squamosissimus), pescada amarela

(Cynoscyon acoupa), pescada gó (Macrodom ancylodom) e gurijuba (Arius parkerii)),

bem como o estado da exploração de alguns recursos pesqueiros e sugestões de manejo

para a pesca dos recursos demersais no estuário amazônico foram apresentados por

SANYO TECHNO MARINE (1998).

Desde o ponto de vista sócio-econômico, e apesar de produzir mais de 80% do

volume total de pescados desembarcados, a pesca artesanal apresenta grandes

problemas. As modificações causadas pelo aumento populacional e a perda das

tradições culturais tem levado as comunidades de pescadores artesanais à deteriorização

das condições básicas e da qualidade de vida, o que conduz ao empobrecimento e

desarticulação social (FURTADO, 1987; MANESCHY, 1995). Segundo IDESP (1984),

na primeira metade do século, os pescadores eram polivalentes ocupando-se na

11
agricultura e em outras atividades econômicas. Com o incremento de projetos de

extensão pesqueira da PESCART e EMATER na década de 70, os moradores do litoral

são impulsionados a dedicar maiores esforços na pesca, pelo crédito obtido para

investimento no setor. Isto levou ao aumento desordenado do esforço pesqueiro, sem

existir o devido controle para evitar futuros colapsos das pescarias.

Estudos sobre biologia pesqueira em Bragança

No estuário do rio Caeté, no município de Bragança, existem poucos trabalhos

sobre a pesca artesanal. Dentre eles, MANESCHY (1995), descreve a composição da

renda das famílias de Ajuruteua, ressaltando os efeitos do aumento do comércio de

produtos pesqueiros na comunidade. BARLETTA et al. (1998), realizam uma revisão

das características da pesca na região costeira/estuarina, caracterizando a frota e alguns

apetrechos de pesca e mencionando uma produção de 2777 t de pescado para o ano de

1989.

BARLETTA-BERGAN (1999) estudou as assembléias de larvas de peixes da

região enfocando processos de recrutamento, os padrões de abundância espacial e

temporal, ao longo do gradiente de salinidade no canal do rio Caeté e nos furos

adjacentes ao manguezal, além das relações entre a densidade das larvas e as

modificações de maré.

CAMARGO-ZORRO (1999) descreve a biologia e a distribuição espaço-temporal

dos peixes da família Sciaenidae, destacando Macrodon ancylodon (pescada gó),

Stellifer naso e Stellifer rastrifer (ambas pescada cururuca), que dominam a biomassa

íctica do estuário. As estratégias destas espécies, que usam o estuário como local de

alimentação para jovens e adultos, indicam a importância destes ecossistemas para esta

comunidade biológica.

12
ESPÍRITO SANTO & ISAAC (2000) descrevem a dieta e reprodução de

Cathorops spixii (Uricica), que também possui uma grande biomassa no estuário,

assinalando suas características onívora e a ocorrência de desova no ambiente da baía.

SILVA (et al, 1999) estudou os peixes da família Aspredinidae (Rebecas), que são

detritívoros, e abundantes no sistema estuarino do rio Caeté. Aspredinichthys

filamentosus e Aspredinichthys tibicen preferem águas salobras. Aspredo aspredo que

prefere águas fluviais, apresenta maior abundância, quando comparada às demais, e

parece ser a espécie, de maior longevidade das três estudadas.

SILVA (2001) descreve a pesca de camarões no estuário do rio Caeté que é

exercida preferencialmente por redes de emalhe, com arrastões de praia e com puça de

arrasto. No verão, período de maior produção, destacam-se, Farfantepenaeus subitilis

(Camarão rosa)e Litopenaeus schimitti (Camarão branco). No período de maior

pluviosidade, a espécie mais predominante é Xiphopenaeus kroyeri (Camarão sete

barbas ou piticaia). F. subitilis, que é a espécie mais abundante, e apresenta 2 picos

reprodutivos durante o ano. A espécie X. kroyeri, a segunda mais abundante, apresenta

apenas um período de desova.

O aumento da exploração dos recursos naturais, como conseqüência do rápido

crescimento populacional e desenvolvimento urbano, acabam por ameaçar os

ecossistemas das regiões costeiras tropicais (BDT, 2000). As regiões estuarinas

representam locais de criação e alimentação para uma grande diversidade de

organismos, dentre os quais destacam-se os peixes pela sua grande importância para o

homem, já que é um alimento que fornece suprimento protéico a baixo do custo, mesmo

tendo em conta a percentagem de desperdícios que ultrapassa a 35 % (SANTOS, 1982).

A atividade pesqueira no ecossistema estuarino da região do rio Caeté, é de suma

importância para a economia regional. A produção obtida pelos portos da região é

13
responsável pelo abastecimento de pescado na cidade de Bragança, Belém, outras

regiões dos estados do Pará, Maranhão e Ceará (BRAGA et al. 2002).

Segundo SÆTERSDAL (1984 apud CADIMA, 2000), o princípio geral da gestão

pesqueira é definida como “obter a melhor utilização possível do recurso em proveito da

comunidade”. Para isto, torna-se importante o conhecimento da dinâmica dos estoques

pesqueiros e da sua exploração.

O manejo adequado permite a perpetuação dos recursos pesqueiros no tempo, para

que possam ser utilizados de forma contínua pelas gerações futuras.

A obtenção de dados contínuos sobre a produção e o esforço pesqueiro não é

tarefa fácil quando se trata de pesca artesanal. No litoral do Pará os portos de

desembarque são muito numerosos e muito espalhados ao longo da costa. Os locais são

de difícil acesso e em cada porto ocorrem em geral desembarques de pequenos volumes.

Adicionalmente, a classificação dos pescados pelos pescadores, não corresponde

exatamente à classificação taxonômica das espécies. Por esse motivo, são poucas as

informações existentes sobre esta categoria de pesca na região estuarina do rio Caeté.

Porém, para avaliar o estado de exploração dos recursos pesqueiros faz-se

necessário ter uma base de dados confiáveis para poder determinar quais os principais

recursos e os efeitos da exploração pesqueira, a curto e longo prazo, sobre os estoques.

14
OBJETIVOS

Objetivo geral

Quantificar e caracterizar a atividade da pesca artesanal na região estuarina do rio

Caeté, tentando esclarecer questões sobre a dinâmica temporal, espacial e tecnológica

das pescarias.

Objetivos específicos

- Caracterizar a frota pesqueira artesanal bragantina e de outras regiões

que ali desembarcam;

- Detectar quais os principais locais de desembarque e qual a sua

importância relativa dentro do estuário;

- Identificar as artes de pesca utilizadas

- Identificar quais as espécies de peixes desembarcadas;

- Determinar qual a quantidade de pescado desembarcado por espécie;

- Conhecer os locais de captura e a sazonalidade da atividade pesqueira;

- Determinar a importância econômica da pesca artesanal para a região.

15
MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

A atividade pesqueira artesanal de pequena escala é exercida em toda a costa

norte, abrangendo o litoral dos estados do Amapá, Pará e Maranhão. A área de estudo

corresponde, de um modo geral, à área de atuação da frota pesqueira e pontualmente aos

locais de desembarque desta frota na região bragantina, no estuário do Rio Caeté.

A região bragantina, no Estado do Pará, faz parte do litoral amazônico

estendendo-se desde a foz do Oiapoque à parte oriental do Estado do Maranhão, situada

na planície costeira bragantina, na porção nordeste do Estado do Pará.

O estuário do rio Caeté encontra-se situado no município de Bragança. Este

município está localizado na Planície Costeira Bragantina, que abrange desde a Ponta

do Maiaú até a foz do Caeté (40 km de extensão) (BARBOSA & PINTO, 1973),

localizando-se entre os meridianos de 46°32’16’’W e 46°55’11’’W e os paralelos

00°43’18’’S e 00°04’17’’S, conformando uma área de 1.570 km2 (Figura 1).

O estuário do Caeté é fortemente influenciado pelos fluxos periódicos da maré,

com variações no gradiente de salinidade ao longo da sua extensão, desde o rio até o

oceano.

16
Figura 1- Área de estudo, na região bragantina, com destaque para o estuário do
rio caeté.

O clima da região de estudo é descrito como muito úmido e megatérmico. A

temperatura do ar apresenta médias entre 25,2 ºC e 26,7 ºC e uma amplitude de variação

entre 20.4 ºC e 32.8 ºC. Verificam-se variações diárias que podem ser superiores aos 10

ºC, principalmente no período da seca. As precipitações são da ordem de 2500 mm/ano.

A umidade relativa do ar varia entre 80% e 91% (SOUZA FILHO & EL-ROBRINI,

1997).

A região é caracterizada pela forte e bem definida sazonalidade anual, com um

período seco, chamado localmente de verão, que se estende de junho a novembro e um

período chuvoso, ou o inverno local, no qual ocorrem fortes chuvas entre dezembro e

maio (Figura 2).

17
5
00

3
4

4
00 Estaç ãoTr
a cuateua
29m .s.n
.m-0 1°05´L S
47°1 0´W 3
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es

Figura 2 - Climatograma de Tracuateua (baseado nos dados do período de 1973 a 1990 -


Fonte, INMET, 1992 apud CAMARGO-ZORRO, 1999)

Assim, além das variações produzidas pelas marés semidiurnas, os diferentes

ambientes no estuário do rio Caeté apresentam uma variação da salinidade que

acompanham as mudanças sazonais da pluviosidade. No período de chuvas, o aumento

do fluxo de água do rio empurra as águas do mar para fora do estuário, diminuindo a

salinidade do sistema. No período seco, com o decréscimo das chuvas, uma cunha salina

de água do mar penetra no sistema, aumentando os teores de salinidade no interior do

estuário (Figura 3).

18
AGO
_97

J
U N_
97

ABR_
97

F
EV_
97

S
alinida de(ppm)
DEZ
_96 5,314
1 0 ,629
1 5 ,943
2 1 ,257
O
UT_
96 2 6 ,571
3 1 ,886

R
io B
aia P
raia
Figura 3 - Variação anual da salinidade estuário do rio Caeté ( ESPÍRITO SANTO,
2001 in press)
A região é caracterizada pela presença de mangues bem desenvolvidos, com uma

vegetação típica. As espécies vegetais constituintes são Rizophora mangle, Avicennia

germinans e Laguncularia racemosa, sendo a primeira responsável por 69% da

abundância (MARQUES DA SILVA et al. 1997).

Coleta de dados

Para a classificação e agrupamento preliminar das embarcações, de modo a

uniformizar a coleta de dados, foram cedidos pelo CEPNOR-IBAMA um cadastro da

frota pesqueira. Este cadastro contém informações sobre as características das

embarcações tais como o nome da embarcação, proprietário, medidas de comprimento,

largura e capacidade de pesca. Com base na classificação do CEPNOR-IBAMA

agrupamos as embarcações por categorias: montaria, canoa, canoa motorizada, barco de

pequeno porte, barco de médio porte, barco industrial e geleira (Tabela 1).

Tabela 1 – Classificação das embarcações existentes na região, segundo cadastro do


IBAMA-CEPENOR
Denominação Abreviatura Descrição
Montaria MOM Embarcação movida a remo, casco de pequeno porte, conhecida

19
vulgarmente como bote a remo, casquinho ou montaria
Canoa CAN Embarcação movida a vela ou a remo e vela, sem convés ou convés semi
fechado, com ou sem casaria, com quilha, vulgarmente conhecida como
canoa ou batelão
Canoa CAM Embarcação movida a motor ou motor e a vela, com ou sem convés, com
motorizada ou sem casaria, comprimento menor que 8 metros, conhecida vulgarmente
como canoa motorizada, bastardo ou lancha
Barco de BPP Embarcação movida a motor ou motor e vela, com casco de madeira,
pequeno porte convés fechado ou semi fechado, com ou sem casaria, comprimento entre
8 e 11,99 metros, conhecida vulgarmente como barco motorizado de
pequeno porte
Barco de médio BMP Embarcação movida a motor ou motor e vela, com casco de madeira e
porte ferro com casaria, convés fechado, com comprimento maior ou igual a 12
metros, conhecida vulgarmente como barco de médio porte
Barco industrial BIN Embarcação motorizada com casco de aço, dotadas de equipamentos de
apoio a navegação, captura e conservação do pescado, comprimento igual
ou maior que 15 metros, com casaria, convés fechado e com maior
autonomia, conhecida vulgarmente como barco industrial ou barco de
ferro
Geleira GEL Embarcação movida a motor ou motor e vela, dotadas de urnas ou câmaras
que recolhem as produções de de vária outras embarcações menores ou de
pescadores

Os dados para o presente trabalho foram coletados diariamente desde maio de

2000, a junho de 2001. Entrevistas foram aplicadas com auxílio de formulários aos

mestres dos barcos de todos os desembarques de pescado em 7 pontos de atracagem,

dentro do estuário do rio Caeté, a saber: Bragança, Bacuriteua, Vila do treme, Vila dos

pescadores de Ajuruteua, Augusto Correia, Tamatateua e Caratateua (Figura 4).

20
Locais de coleta
1 1 Ajuruteua
2 2 Furo Grande
3 Tamatateua
4 Bacuriteua
5 Caratateua
6 Treme
3 4 7 Bragança

5 6

Figura 4 – Locais de desembarque onde foram aplicados os formulários da estatística


pesqueira no estuário do rio Caeté.

Cada formulário (anexo 1) corresponde ao registro de um desembarque, ou seja, o

retorno de uma embarcação de uma atividade de pesca. Foram registradas informações

técnicas sobre a captura, tais como:

 Nome e o tipo da embarcação;


 Porto de origem da embarcação;
 Nome do proprietário da embarcação e o seu apelido (se houver);
 Data de desembarque;
 Local de captura;
 Artes de pesca utilizadas;
 Número de pessoas envolvidas na atividade da pesca;
 Duração da viagem (data de saída e de chegada da embarcação);
 Qualificação da pesca, com o uso de nomes comuns;
 Peso em kg, por espécie capturada;
 Local de desembarque;
 Nome do coletor e data.

21
A coleta dos dados foi feita por 2 monitores em cada localidade. Estes monitores

foram escolhidos pelos moradores residentes nas comunidades, em reuniões prévios

realizadas com os representantes e pescadores locais. Isto garantiu a veracidade dos

dados coletados pela constante presença e familiaridade dos monitores nos portos de

desembarque.

Os monitores receberam treinamentos sobre noções de ecologia de manguezal,

ecologia de pesca e preenchimento dos formulários de coleta, de modo a prepará-los

para as situações que estes pudessem vir a encontrar.

Análise de Dados

Os dados coletados com os formulários foram digitalizados em um banco de dados

ACCESS 8.0 e posteriormente receberam tratamento estatístico com o auxílio dos

programas EXCEL, SPSS e STATÍSTICA 5.0.

Foram feitas análises descritivas para a caracterização da frota e dos desembarques

em relação aos locais de coleta, meses de amostragem, locais de desembarque, artes de

pesca, etc.

A partir dos resultados de captura foi estimada a captura por unidade de esforço

(CPUE) para cada desembarque, sendo:

Captura total
CPUE 
n de pescadores * n de dias de pesca

As médias de CPUE por tipo de embarcação, local de desembarque, por espécie e

por mês foram calculados. Testes estatísticos foram realizados para verificar diferenças

entre estes fatores

Uma Análise de Componentes Principais (PCA) foram feitos tentando agrupar as

informações sobre as captura por espécie, gerando autovetores (ou eixos vetoriais).

Estes foram organizados de forma decrescente em função da contribuição à variância

22
total dos dados, deste modo, o primeiro eixo da PCA, sobre o qual foram ordenadas as

amostras, representaram a maior variação dos dados (PERES-NETO, 1995). Este

procedimento resulta em um sistema reduzido de coordenadas, proporcionando

informações gerais sobre semelhanças entre a dinâmica das espécies nas pescarias e

procurando associações de espécies nas capturas. Estes eixos foram relacionados às

variáveis da atividade de pesca através da análise de variância (ANOVA) e teste de

Tukey, tentando descrever as possíveis relações entre as associações de espécies

encontradas e as outras variáveis explanatórias de esforço.

RESULTADOS

Neste trabalho focalizamos a atividade pesqueira da frota de pequena escala,

também chamada como pesca artesanal.

A pesca artesanal de pequena escala é uma atividade com finalidade comercial

exercida por produtores autônomos ou com relações de trabalho com base em parcerias,

que utilizam tanto embarcações adquiridas em pequenos estaleiros, com propulsão

motorizada ou não, como embarcações construídas pelos próprios pescadores, usando

matérias primas regionais. Não existe nenhuma sofisticação nos petrechos e insumos

utilizados nas atividades de pesca e as técnicas de capturas e localização dos cardumes

são baseadas em conhecimentos empíricos e sem o uso de aparelhos. As embarcações

realizam viagens curtas, geralmente a locais próximos à costa, com pequenas demandas

de capital e são capazes de produzir volumes pequenos ou médios de pescado que são

comercializados por meio de atravessadores no mercado local ou em menor escala

encaminhados para exportação (FAO; ABDALLAH & BACHA, 1999; ISAAC &

BARTHEM 1995; MICEX, 2001; NERY, 1995; DIEGUES, 1995).

23
Caracterização da frota pesqueira de pequena escala

Houveram 985 embarcações diferentes que atuaram nos portos do município de

Bragança no período estudado. A maioria das embarcações (97%) foram originárias do

Estado do Pará, porém destaca-se registros da atividade de desembarque nesta região

por embarcações provenientes dos estados do Maranhão, Ceará e Espírito Santo. Dentro

do Pará, as embarcações procederam de 34 portos, dentre os quais os barcos da região

bragantina destacaram-se, correspondendo a 88% do total (Tabela 2).

Tabela 2 - Procedência das embarcações que desembarcam na região bragantina


Estado Nº Portos de Origem Total de barcos
Pará 34 956
Maranhão 2 17
Ceará 2 11
Espírito Santo 1 1
Total 39 985

Para a classificação e agrupamento preliminar das embarcações, de modo a

uniformizar a coleta de dados, foi utilizada a mesma classificação da frota pesqueira do

CEPNOR-IBAMA (Centro de Pesquisas do Norte- Instituto Brasileiro do Meio

Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). As características físicas de cada categoria

são as seguintes:

Montaria – (mon) - Embarcação movida a remo feita em peça única ou

varias peças de madeira conhecida vulgarmente como casco, bote a remo ou montaria.

Tem de 3 a 6,5 m de comprimento e possui comprimento médio de 4,9m e com desvio

padrão de 0,9m. Apresenta capacidade de transporte de pescados entre 100 kg e 800 kg

com média de 379 kg e desvio padrão de 151 kg (Figura 5a).

Canoa – (can) - Embarcação movida a vela ou a remo e vela, sem convés

ou convés semi fechado, geralmente sem casaria, com quilha. Seus comprimentos

variam entre 3,0 e 8,0 m, com comprimento médio de 5,2m, com desvio padrão de

24
1.5m. As capacidades de transporte das capturas vão de 100 kg a 1500 kg, tendo a

média desta capacidade em 539 kg com desvio padrão de 421 kg. É vulgarmente

conhecido como canoa ou batelão (Figura 5b).

Canoa motorizada – (cam) - Embarcação movida a motor, ou motor e

vela, com ou sem convés, com ou sem casaria, com comprimento entre 3 e 8 m com

média de 6,9m e desvio padrão de 0,8 m. Possuem capacidade de transporte das

capturas que variaram de 250 kg a 3000 kg, com média de 1456 kg e desvio padrão de

557 kg. São conhecidas vulgarmente como canoa motorizada ou lancha (Figura 5c).

Barco de pequeno porte – (bpp) - Embarcação movida a motor ou motor

e vela, com casco de madeira, convés fechado ou semifechado, geralmente com casaria.

Possuem 8,5m de comprimento médio, com um desvio padrão de 1,1m. O comprimento

mínimo gira em torno de 7m, e o máximo, em 12m. Estas embarcações apresentam

urnas que variam entre 500 kg e 10000 kg, com média de 2900kg e desvio de 1541 kg.

É conhecido vulgarmente como barco ou barco de pequeno porte (Figura 5d).

Figura 5 (a, b, c, d) – Embarcações que atuam no litoral paraense, de acordo com as sua
classificação do IBAMA.

25
Barco Geleira – (gel) - Algumas embarcações de pequeno porte ou canoas

motorizadas, atuam as vezes como geleiras, apenas transportando o peixe que outros

barcos capturam, para os portos de desembarque. Estas embarcações apresentaram

comprimento médio de 8,3m, com desvio padrão de 0,9m e comprimentos mínimos e

máximos de 3 e 6,5m respectivamente. A capacidade de transporte de pescado variou

entre 1200 kg a 6000 kg, com média em 2903 kg e desvio padrão de 1971.

Os comprimentos médios das diferentes categorias de embarcações diferiram

significativamente (p=0,002) na ANOVA. O teste de comparação múltipla de Tukey

mostrou que barcos de pequeno porte e barcos geleiros possuem tamanhos similares

(Figura 6).

7
Comprimento(m)

M
ean±
1.9
6*SE
M
ean±S
E
4
C
an B
pp C
am M
on G
el M
ean

T
ipod
eemb
arc
açã
o

Figura 6 - Variações nos comprimentos dos tipos de embarcação em operação na região


bragantina.

As categorias de embarcações demonstraram também diferenças significativas na

sua capacidade de carga de pescado (p=0.000). O teste de Tukey revelou que apenas os

barcos de pequeno porte e os geleiros não podem ser diferenciados (p=0,63) (Figura 7).

26
3
600

3
000

2
400

1
800
Capacidadedaurna(kg)

1
200

6
00

M
ea
n±1
.96
*SE
M
ea
n±SE
0
C
an B
pp C
am M
on G
el M
ea
n

T
ip
o d
e e
m b
arc
açã
o

Figura 7 - Variações na capacidade de transporte de pescado dos tipos de embarcações


em operação na região bragantina.

Uma correlação significante e positiva foi encontrada entre a capacidade de

transporte de pescado e o comprimento das embarcações, sendo que a relação que

melhor ajusta os dados é do tipo exponencial e o r2 de 0,78 (Figura 8).

8000
y = 4,9045x2,8578
Capacidade de transporte (kg)

R2 = 0,7819
6000

4000

2000

0
2 4 6 8 10 12 14
Comprimento (m)

Figura 8 – Relação entre capacidade de transporte de pescado e comprimento das


embarcações da região bragantina

27
Os tipos de embarcações mais numerosos no estuário bragantino são os barcos de

pequeno porte e as montarias que juntas correspondem a 75% das embarcações, com

47% e 28% respectivamente. As canoas e canoas motorizadas corresponderam a 25%

das embarcações e as geleiras constituem apenas 1% das embarcações em atividade

(Tabela 3).

Tabela 3 - Número de embarcações em atividade de desembarque na região Bragantina


Tipo de Embarcação Nº embarcações %
Mon 274 28
Can 136 14
Cam 107 11
Bpp 463 47
Gel 5 1
Total 985 100

Considerando a distribuição da frota por porto de desembarque, a cidade de

Bragança destacou-se com 354 embarcações diferentes em atividade. Trata-se

principalmente de barcos de pequeno porte que corresponderam a 88% das embarcações

em atividade nesta localidade. Ajuruteua ocupou o segundo lugar, com 203

embarcações em atividade, sendo a maioria barcos de pequeno porte, canoas e canoas

motorizadas (90% do total). Em Tamatateua destacam-se as montarias que perfizeram

54% das 179 embarcações em atividade. Caratateua e Tamatateua, apresentaram um

grande número de montarias, que contribuíram respectivamente com aproximadamente

70% e 54 % das embarcações desses locais. A localidade do Treme que apresentou 129

embarcações, destacou-se pela presença também de barcos de pequeno porte e canoas,

que juntas constituíram 70% das embarcações em atuação. No Furo Grande atuaram

principalmente barcos de pequeno porte, canoas motorizadas e montarias que

perfizeram 99% das embarcações em atividade. Bacuriteua apresentou o menor número

de embarcações em atuação (47), destacando principalmente os barcos de pequeno porte

28
que correspondem a 77% do total dessa localidade. Os barcos geleiros atuaram apenas

em Bragança e no Treme (Tabela 4).

Tabela 4 - Número de embarcações em atividade nas comunidades da região bragantina


Localidade MON CAN CAM BPP GEL Total
Bragança 5 2 31 310 6 354
Ajuruteua 20 71 44 68 203
Tamatateua 97 28 15 39 179
Caratateua 117 3 3 43 166
Treme 17 39 20 52 1 129
Furo Grande 29 1 21 31 82
Bacuriteua 2 3 6 36 47
TOTAL 287 147 140 579 7 1160

A atividade pesqueira bragantina não se restringe a pesca na região estuarina, mas

também em regiões da costa norte do Brasil, desde o Estado do Maranhão até o Estado

do Amapá. A pesca na costa norte é realizada com aproximadamente 360 embarcações,

principalmente com barcos de pequeno porte que representaram cerca de 85% da frota

em atividade nessa região. Na pesca estuarina a atividade de captura é realizada por

cerca de 850 embarcações. Apesar dos barcos de pequeno porte se destacarem em

número de embarcações, o número de embarcações em atividade está distribuído de

forma mais eqüitativa entre os tipos de embarcações em atuação, destacando-se também

as montarias (Tabela 5).

Tabela 5 – Número de embarcações em atividade na Costa Norte e Estuário Bragantino


Tipo de Embarcação Costa Norte Estuário
Barco peq. Porte 311 363
Canoa motorizada 36 95
Canoa 8 126
Montaria 11 264
Geleiro 1 5
Total 367 853

A comparação dos comprimentos por tipos de embarcação e área de atuação

mostrou que existem diferenças significativas (p=0,00). Os barcos de pequeno porte, as

canoas e canoas motorizadas que atuam na costa possuem comprimentos

29
significativamente maiores que as mesmas categorias atuantes no estuário. Os

comprimentos das montarias e dos barcos geleiros que atuam na costa não apresentam

diferenças dos que atuam na região estuarina (Figura 9).

9,5

8,0

6,5

5,0
Comprimento (m)

3,5
Costa Norte Estuário Costa Norte Estuário Costa Norte Estuário
TIPOEMB: TIPOEMB: TIPOEMB:
Bpp Cam Can
9,5

8,0
±1.96*Std. Err.
6,5 ±1.00*Std. Err.
Mean
5,0

3,5
Costa Norte Estuário Costa Norte Estuário
TIPOEMB: TIPOEMB:
Mon Geleiro

Região de pesca

Figura 9 - Comparação dos comprimentos médios dos tipos de embarcações que atuam
na Costa Norte e no Estuário Bragantino

30
As artes de pesca

Foram encontradas 27 diferentes formas de captura utilizadas nas atividades de

pesca pelos pescadores artesanais de pequena escala que desembarcam no estuário

bragantino. Estas formas de pesca puderam ser agrupadas em 5 categorias (Tabela 6).

Tabela 6 – Artes de pesca utilizadas nas atividades de pesca na região bragantina


Grupo Arte de Pesca
Armadilha móvel Muzua
Cacuri
Armadilha fixa Curral
Fusarca
Linha Bicicleta
Espinhel
Linha e Anzol
Pargueira
Rede Caiqueira
Gozeira
Lagosteira
Malhadeira
Pescadeira
Puça
Rede de Lance
Serreira
Tainheira
Tarrafa
Rede fixa Rede Preta
Tapagem
Zangaria

Armadilha móvel
Distinguem-se dois tipos de armadilhas móveis: O muzuá, que consiste em uma

estrutura cilíndrica ou cônica, construída com varas de madeira finas, que permite a

entrada, mas não a saída do pescado (Figura 10a). O cacurí, é formado por uma câmara

constituída por com varas de madeira, com a entrada feita de rede de emalhe e podendo

ser transportada para os locais de pesca adequados (Figura 10b). Estas armadilhas são

utilizadas para a captura de pequenos peixes em águas rasas estuarinas. Geralmente

barcos de pequeno porte e canoas utilizam-se de 2 em cada atividade de pesca, as

canoas motorizadas 3 e as montarias 4.

31
Figura 10 (A, B) – Muzuá (a) e Cacuri (b) encontrados no estuário bragantino

Armadilha fixa
Distingue-se dois tipos: O curral e a fuzarca (Figuras 11 A e B, respectivamente).

São estruturas construídas com madeira do mangue (Rhizophora manglae, Avicennia

sp) ou troncos de bacuri (Platonia insignis). Possuem entradas em forma de “V”,

chamadas de “espias”, que direcionam os peixes para interior da armadilha. No caso da

fuzarca, o túnel de entrada conduz a uma rede cônica e no curral, leva a uma área

denominada de chiqueiro onde os peixes ficam presos. A despesca é realizada

geralmente duas vezes por dia durante a maré baixa. Os barcos de pequeno porte e as

canoas motorizadas despescam 2 armadilhas e as montarias e canoas em média

despescam 1 por pescaria.

32
Figura 11(A, B) – Curral (A) e fuzarca (B) encontrados na região estuarina do estuário
do rio Caeté

Linha
Linha de nylon com um número variado de anzóis. Na linha simples há apenas um

anzol no fim da linha (Figura 12 A e B). No espinhel, vários anzóis são pendurados em

linhas secundárias, colocadas de forma eqüidistantes na linha mãe (Figura C). A linha

pargueira é uma linha com muitos anzóis. A bicicleta é uma linha pargueira que é

puxada por um sistema de catracas (Figura D). Os barcos de pequeno porte utilizam

espinhéis com cerca de 2000 anzóis, as canoas motorizadas com 1600, as canoas com

média de 390 e as montarias pescam com cerca de 200 anzóis em seus espinhéis.

33
Figura 12 (A,B,C,D) – Anzol para pesca de tubarão (a), linha de mão (a), espinhel (c) e
bicicleta(d) encontrados na região de Bragança.

Rede
São redes de nylon em forma retangular, de tamanhos variados, com média de 1395

m. Nesta categoria estão agrupadas 11 formas diferentes de utilização das redes de

emalhe. Esta classificação depende da posição da rede na coluna d’água, da distância

entre nós da malha, do recurso pesqueiro alvo da pesca e do modo de utilização da rede.

Os barcos de pequeno porte utilizam redes com cerca de 1900 m, as canoas motorizadas

34
pescam com 1700 m de rede, as canoas com média de 900 m e as montarias pescam

com 200 m de rede. (Tabela 7)

Tabela 7 - Tipos de rede, seus modos de utilização e os principais recursos capturados


para a região estuarina do rio Caeté.
Principais recursos Distância entre
Tipo de rede Modo de utilização
capturados nós opostos
Caiqueira
Utilizada em cerco ou em arrastos de praia Caica, pratiqueira, tainha 20mm
(Figura 13C)
Gozeira Utilizada em bubuia, cerco ou em arrastos
Pescada go, bandeirado 25mm
(Figura 13B) de praia
Lagosteira Utilizada em arrastos de fundo Lagosta, camarão, pargo 40mm
Malhadeira Peixe serra, pescada amarela 20cm
Pescadeira Utilizada em arrastos de fundo Pescada Amarela e Camorim 18cm
Utilizada em arrastos de superfície, cerco
Rede de Lance Corvina, pescada gó 50mm
ou na praia
Serreira
Utilizada em arrastos de superfície Peixe serra, cação 50mm
(Figura 13A)
Utilizada em arrastos de superfície, cerco
Tainheira Pescada go, bandeirado 40mm
ou na praia
Tarrafa Utilizada nos canais de maré e em
Jurupiranga, bagre 30mm
(Figura 13D) pequenas enseadas

35
Figura 13 (A,B,C,D) – Rede de emalhe no trapiche (A), pesca com rede de emalhe (B),
arrasto de praia (C) e tarrafa (D) encontrados no estuário do rio Caeté.

Rede fixa
Trata-se de uma rede de emalhe colocada na boca de canais de maré (Figura 14A)

ou na saída de pequenas enseadas (Figura 14B). Aproveitando o movimento da maré,

esta rede captura os pescados que entraram no local durante a enchente e que tentam

sair na maré vazante. Estas redes também são usadas fixas nas regiões costeiras de praia

(Figura 14 C, D). Para estas atividades geralmente são utilizadas em torno de 130

metros de rede, sendo que os barcos de pequeno porte 270 m e as demais embarcações

entre 100 e 160 m de redes.

36
Figura 14 (A,B,C,D) – Tapagem em canal de maré (A), Zangaria (B), Rede de escora
na região costeira de praia (C, D) na região estuarina do rio Caeté.

Além destas 5 categorias, existem barcos que utilizam mais de uma arte de pesca.

Neste caso a arte de pesca foi incluída na categoria “vários”. Os barcos que apenas

transportavam os pescados capturados por outras embarcações foram categorizados

como “transporte” no local da arte de pesca. As embarcações que desembarcaram sem

informar a forma de captura foram agrupadas na categoria “outros”.

As redes de emalhe foram as artes de pesca mais utilizadas nas pescarias,

participando em mais de 10 mil desembarques em todos os tipos de embarcações. Os

barcos de pequeno porte utilizaram esta arte em mais de 50% de suas pescas (Tabela 8).

Tabela 8 - N° de desembarques por tipo de embarcação e arte de pesca utilizada


Canoa
Arte Barco peq. Porte Canoa Geleiro Montaria Total
motorizada
Rede 4336 2701 1831 1545 10413
Armadilha fixa 2867 1802 877 1329 6875
Linha 1279 788 1112 344 3523
Rede fixa 18 38 14 86 156
Outros 19 7 5 14 10 55

37
Armadilha móvel 5 12 1 29 47
Vários 2 4 29 35
Transporte 23 6 29
Total 8549 5352 3846 14 3372 21133

As comunidades de Ajuruteua, Bacuriteua, Bragança e Tamatateua obtêm seus

pescados capturados preferencialmente com redes de emalhe. Nos desembarques de

Bragança, 90% das pescarias utilizaram redes. Já nas pescarias dos barcos que

desembarcaram em Treme e Caratateua, utilizaram-se preferencialmente armadilhas

fixas, destacando a comunidade do Treme, onde 80% das pescarias lá desembarcadas

foram feitas com esta arte. Nos desembarques da localidade do Furo Grande, as linhas

foram as artes de pesca mais utilizadas (Tabela 9).

Tabela 9 - Número de desembarques por artes de pesca utilizadas e localidade


Arte Ajuruteua Bacuriteua Bragança Caratateua F. Grande Tamatateua Treme Total
Rede 6325 110 1637 596 141 1195 409 10413
Armadilha fixa 1757 18 708 38 58 4296 6875
Linha 1275 61 101 148 1065 441 432 3523
Rede fixa 2 12 8 16 102 16 156
Outros 10 32 1 5 4 3 55
Armadilha móvel 4 16 22 5 47
Vários 29 2 3 1 35
Transporte 27 2 29
Total 9402 171 1829 1461 1281 1827 5162 21133

Caracterização dos desembarques pesqueiros na região bragantina

Esforço de pesca

Um total de 21.133 desembarques da frota artesanal foram registrados, nas sete

localidades do município de Bragança, no período de junho/2000 a junho/2001,

incluindo os barcos geleiros, que contribuíram com apenas 14 desembarques realizados

em Treme e Bragança. As embarcações mais freqüentes foram os barcos de pequeno

porte, com mais de 8.500 desembarques (Tabela 10).

Em Ajuruteua, os desembarques foram realizados preferencialmente por canoas,

barcos de pequeno porte e canoas motorizadas. Na cidade de Bragança e nas localidades

38
de Treme, no Furo Grande e Bacuriteua, destacaram-se os barcos de pequeno porte pela

freqüência dos desembarques. Em Tamatateua e Caratateua, as montarias foram mais

comuns (Tabela 10).

Tabela 10 - Número de desembarques por tipo de embarcação nas localidades em


estudo
Localidades Montaria Canoa Canoa motorizada Barco peq. Porte Geleiro Total
Ajuruteua 1066 3210 2415 2711 9402
Treme 175 1716 745 2524 2 5162
Bragança 9 4 100 1704 12 1829
Tamatateua 793 394 115 525 1827
Caratateua 1130 5 3 323 1461
Furo Grande 196 1 436 648 1281
Bacuriteua 3 22 32 114 171
Total 3372 5352 3846 8549 14 21133

Cerca de 93% dos desembarques ocorridos na região bragantina são provenientes

de capturas realizadas dentro do estuário bragantino e apenas 7% foram da região

costeira e do litoral. As capturas na costa norte foram realizadas principalmente por

barcos de pequeno porte, que são responsáveis por cerca de 92% dos desembarques

dessa área. No estuário também os barcos de pequeno porte foram as unidades mais

comuns na captura de pescado, porém a participação de outros tipos de embarcações é

mais comum (Tabela 11).

Tabela 11 – Caracterização das atividades de pesca por tipo de embarcação e regiões de


pesca.
Tipo Emb Costa Norte Estuário Total
Montaria 12 3360 3372
Canoa 11 5341 5352
Canoa motorizada 98 3748 3846
Barco peq. Porte 1429 7120 8549
Geleiro 5 9 14
Total 1555 19578 21133

Em média, ocorrem cerca de 5 desembarques por dia nas comunidades em estudo,

sendo que as canoas se destacaram por sua assiduidade. Ajuruteua destaca-se por

apresentar a maior freqüência média, chegando a 8 desembarques por dia, realizados

principalmente pelas canoas. A localidade do Treme se destaca em segundo lugar em

39
desembarque com média de 5 desembarques/dia, realizados principalmente por barcos

de pequeno porte. A comunidade de Bacuriteua apresenta movimento menor, com

média de apenas 1 desembarque por dia (Tabela 12).

Tabela 12 – Freqüência média de desembarques por dia por localidade e tipo de


embarcação
Furo Média de
Tipo de Embarcação Ajuruteua Bacuriteua Bragança Caratateua Tamatateua Treme
Grande desembarques
Montaria 4 1 1 4 2 2 1 3
Canoa 10 1 1 1 1 2 5 6
Canoa motorizada 8 1 1 1 2 1 3 4
Barco peq. Porte 8 1 5 2 3 3 8 5
Geleiro 1 1 1
Média de desemb 8 1 4 3 3 2 5 5

A média diária de desembarques apresenta variações sazonais relacionadas às

modificações na pluviosidade. O período de chuvas apresenta a maior freqüência de

desembarques com pico em abril, diminuindo com o aumento precipitação. O mês de

novembro, no período seco, apresentou a menor freqüência média diária de

desembarques (Figura 15).

7 Precipi. (mm) 500


N° de desemb. 450
Nº médio de desembarques/dia

400
6
Precipitação (mm)

350
300
5 250
200
150
4
100
50
3 0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses

Figura 15 – Variação mensal da freqüência de desembarques em relação as variações


pluviométricas na região do estuário do rio Caeté, no período de Junho de 2000 a junho
de 2001.

40
A duração média das viagens de pesca também depende da época do ano e do tipo

de embarcação, sendo as diferenças sempre significativas (p=0,00) (Anexo 2).O teste de

Tukey mostra dois grupos. No período de transição à época de seca e no período seco,

as viagens de pesca apresentaram uma duração maior; em comparação com o período de

transição às chuvas e no período chuvoso, onde as pescarias foram de menor duração.

Segundo os testes estatísticos, os barcos de pequeno porte realizam viagens mais

longas chegando a 34 dias, com média de 3,6 dias e mediana em 2 dias. Os barcos

geleiros passaram em média 8 dias na atividade de compra do pescado, com mediana

em 7 dias. As canoas motorizadas e montarias e canoas passam em média entre 1 e 2

dias em atividade de pesca com medianas em 1 dia (Figura 16).

2,4

2,0
Log da duração (dias)

1,6

1,2

0,8

0,4

Media±1,96*E rr padr
Media±E rr padr
0,0
Can Bpp Cam Mon Gel Media

Tipo de embarcação

Figura 16 - Variações no logaritmo da duração média das viagens de pesca por tipo de
embarcação

Quando as pescarias foram separadas por local de captura, a análise de variância

demonstrou diferenças significativas (p=0,00) (Anexo 2). As atividades de pesca na

região costeira duraram entre 3 e 10 dias sendo os barcos de pequeno porte os que

41
realizaram as pescarias mais longas. No estuário a atividade pesqueira durou entre 1 e 2

dias. Neste caso, canoas e canoas motorizadas permaneceram aproximadamente 1,5 dia,

enquanto os barcos de pequeno porte e montarias permaneceram em torno de 2 dias.

(Figura 17)

2,8

2,4

2,0
Logarítimo da Duração (dias)

1,6

1,2

0,8

0,4

Media±1.96*E rr P adr
0,0
Can B pp Cam Mon Gel Can B pp Cam Mon Gel Media± E rr P adr
E s tuário Cos ta Norte Media

Tipo de embarcação
Figura 17 – Logaritmo da duração das atividades de pesca no estuário e na região
costeira com relação ao tipo de embarcação

Os barcos que desembarcam em Bacuriteua e Bragança realizam viagens mais

duradouras, com média de 10 dias. As embarcações que aportaram em Caratateua,

Tamatateua e Treme pescam por aproximadamente 2 dias e os barcos das demais

localidades fazem viagens que duram em torno de 1 dia (Tabela 13).

Tabela 13- Duração das atividades de pesca (dias) de acordo com o porto de
desembarque.
Porto Geral Mínimo Máximo Média DesvPad
Ajuruteua 1 10 1,2 0,7
Bacuriteua 1 32 10,4 6,4
Bragança 1 34 10,4 3,2
Caratateua 1 22 2,4 2,7
Furo Grande 1 9 1,3 0,8
Tamatateua 1 20 2,1 0,9
Treme 1 22 1,8 0,9

42
O número de pescadores atuando nas viagens depende da época do ano,

apresentando diferenças significativas (p=0,00) na análise de variância das médias

(Anexo 2). Os resultados do teste de Tukey mostram que o período de transição à

estação seca destaca-se pelo maior número de pescadores que atuam em cada pescaria

chegando a média de 4 pescadores. No período de transição à estação das chuvas, na

estação das chuvas e no período seco as pescarias usam, de modo similar, a média de 3

pescadores.

O número médio de pescadores também depende do tipo de barco, sendo

aproximadamente 4 nos barcos de pequeno porte, 3 nas canoas e canoas motorizadas e 2

nas montarias (p=0,00) (Anexo 2). Na relação entre local de captura e tipo de

embarcação, as viagens realizadas na região costeiras têm sempre maior número de

tripulantes chegando a média de 4 pescadores, enquanto que no estuário elas atuam

apenas com 3.

A produção pesqueira

No período estudado foram desembarcadas 3522 toneladas de pescados. Deste

total, as capturas provenientes de pescarias ocorridas dentro do estuário bragantino,

totalizaram 2.562 toneladas e na costa norte apenas 960 toneladas (Tabela 14).

Diferenças significativas são assinaladas (p=0,00) na análise de variância, para a

relação entre volume desembarcado, tipo de embarcação e área de atuação (Anexo 4). O

teste de Tukey demonstrou que para todas as embarcações pesqueiras, os volumes

desembarcados, provenientes das regiões costeiras, são maiores que os da região

estuarina. Os barcos de pequeno porte destacaram-se pela maior produção em ambas

43
regiões, desembarcando 915 toneladas provenientes da pesca costeira e 1.508 toneladas

da pesca estuarina (Tabela 14).

Tabela 14 - A produção desembarcada (ton) nos portos do estuário do rio Caeté,


proveniente da costa norte e do estuário em função dos tipos de embarcação, no período
de junho de 2000 a junho de 2001.
Tipo Emb Costa Norte Estuário Total
Barco peq. Porte 915 1508 2423
Canoa 3 423 425
Canoa motorizada 38 445 482
Geleiro 3 9 12
Montaria 2 178 180
Total 960 2562 3522

Na distribuição por comunidades, os portos do Treme e Bragança se destacaram

por contribuir com 60% do total desembarcado. Em todos os casos os barcos de

pequeno porte foram responsáveis pela maior produção (Tabela 15).

Tabela 15- Produção pesqueira (ton) por tipo de embarcação e local de desembarque
Localidades Mon Can Cam Bpp Gel Total (ton)
Ajuruteua 64,9 119,0 219,1 230,7 633,8
Bacuriteua 0,1 0,9 11,6 246,1 258,7
Bragança 1,6 0,6 37,4 955,1 11,1 1005,7
Caratateua 28,6 0,2 0,2 79,2 108,2
Furo Grande 21,8 0,0 76,4 119,3 217,5
Tamatateua 56,6 32,3 20,8 94,4 204,1
Treme 6,5 272,4 116,9 697,9 0,6 1094,3
Total (ton) 180,0 425,4 482,5 2422,8 11,7 3522,3

Na distribuição por porto de desembarque e local de captura percebe-se que

enquanto a frota que desembarca em Bragança e Bacuriteua obtém a sua produção na

região costeira, as embarcações que atuam nas demais comunidades obtém suas

produções principalmente na região estuarina. Bragança e Treme se destacam como as

localidades com maior volume desembarcado (Tabela 16).

Tabela 16 – Produção pesqueira (ton) por local de desembarque e região de pesca no


período de junho de 2000 a junho de 2001.
Localidades Costa Norte Estuário Total
Ajuruteua 31 602 634
Bacuriteua 183 75 259
Bragança 683 323 1006
Caratateua 20 88 108

44
Furo Grande 0 218 218
Tamatateua 2 202 204
Treme 40 1054 1094
Total 960 2562 3522
A produção de pescado mostrou uma tendência francamente sazonal, com

diferenças significativas (p=0,00) entre os meses (Anexo 3). O período de transição à

seca apresenta o maior volume desembarcado e o de transição à cheia o menor sendo

que todos os períodos apresentam diferenças significativas pelo teste de Tukey. Todas

as localidades apresentaram aumento dos volumes de pescados desembarcados nos

períodos de maior precipitação de março a julho. Apenas a localidade de Caratateua

apresentou seu maior pico de desembarque no período de transição para a estação seca

de junho a setembro (Figura 18).

120,0 80,0 Bacuriteua


Ajuruteua 70,0
100,0
Capturas (ton)

Capturas (ton)

60,0
80,0
50,0
60,0 40,0
40,0 30,0
20,0 20,0
10,0
0,0
0,0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses Meses

300,0 50,0
250,0 Treme 40,0 Furo Grande
Capturas (ton)

Capturas (ton)

200,0
30,0
150,0
20,0
100,0
50,0 10,0
0,0 0,0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01 jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses Meses

140,0 35,0
120,0 Bragança 30,0 Tamatateua
Capturas (ton)
Capturas (ton)

100,0 25,0
80,0 20,0
60,0 15,0
40,0 10,0
20,0 5,0
0,0 0,0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01 jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses Meses

20,0 500 Precipitação


Precipitação (mm)

Caratateua 400
Capturas (ton)

15,0
300
10,0
200
5,0
100
0,0 0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01 jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses Meses

45
Figura 18 – Variação dos volumes totais desembarcados em relação aos meses e
variação da pluviosidade

Observando a relação existente entre o ciclo hidrológico (representado pelas

variações da pluviosidade), e os desembarques por área de captura, temos que as

capturas no estuário apresentam pico no mês de junho. As capturas realizadas na costa

norte mantêm uma certa estabilidade, não havendo resposta aparente às variações

pluviométricas (Figura 19).

Precipi. (mm)
500
Costa norte
Estuário Bragantino
410 400

Precipitação (mm)
Capturas (ton)

310 300

210 200

110 100

10 0
jun_00 jul_00 ago_00 set_00 out_00 nov_00 dez_00 jan_01 fev_01 mar_01 abr_01 mai_01 jun_01
Meses
Figura 19 - Variação dos volumes desembarcados (ton) na costa norte e no estuário
bragantino no período de junho de 2000 a junho de 2001

Na pesca estuarina, 45% da produção foi obtida nas armadilhas fixas. Estas

capturas, juntamente com as redes e as artes de linha, totalizam 98% do total

desembarcado. Na pesca realizada na costa, as redes predominam com 69% da

produção. A pesca com linha foi responsável por 24% dos volumes desembarcados

(Tabela 17).

46
Tabela 17 – Distribuição entre pesca estuarina e costeira dos desembarques ocorridos na
região bragantina no período de junho de 2000 a junho de 2001
Grupo Estuário (ton) Costa Norte (ton)
Armadilha Fixa 1159,7 35,7
Armadilha móvel 9,4 -
Linha 398,9 225,1
Outros 14,5 7,3
Rede 956,7 663,3
Rede fixa 19,2 0,1
Transporte 0,3 27,5
Vários 3,4 1,3
Total (ton) 2562,1 960,2

Nas capturas na costa norte, em relação à freqüência de utilização das principais

artes de pesca, temos que as linhas foram as mais utilizadas. As armadilhas fixas foram

mais utilizadas em apenas no mês de junho (Figura 20).

500 Precipi. (mm) Rede 25


Fixo Linha
450

400 20

350
Precipitação (mm)

Freqüência de uso (n)


300 15

250

200 10

150

100 5

50

0 0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses

Figura 20 – Freqüência mensal de utilização das artes de pesca em relação ao ciclo


hidrológico na pesca da região costeira no período de junho de 2000 a junho de 2001.

47
As redes de emalhe são usadas preferencialmente na pesca estuarina. O número de

pescarias com armadilhas fixas destacam-se apenas no período de transição à seca, nos

meses de junho a setembro (Figura 21).

1200 500
Precipi. (mm) Fixo
Linha Rede
450
1000
400

350
800
Frequência de uso

Precipitação (mm)
300

600 250

200
400
150

100
200
50

0 0
jun_00 jul_00 ago_00 set_00 out_00 nov_00 dez_00 jan_01 fev_01 mar_01 abr_01 mai_01 jun_01
Meses

Figura 21 - Freqüência de utilização das artes de pesca em relação a sazonalidade das


chuvas na pesca estuarina no período de junho de 2000 a junho de 2001.

Classificando por tipo de barco na região estuarina, todos os tipos utilizam

preferencialmente as redes de emalhe. Somente as canoas, que foram utilizadas

preferencialmente para despescar a produção das armadilhas fixas, não segue este

padrão (Tabela 18). Os barcos de pequeno porte foram responsáveis por mais de 1.100 t

dos pescados capturados com redes.

Tabela 18 – Distribuição dos desembarques (ton), por arte de pesca e tipo de


embarcação para as localidades do estuário do rio Caeté no período de junho de 2000 a
junho de 2001
Arte Barco peq. Porte Canoa Canoa motorizada Geleiro Montaria Total
Rede 1196,3 128,0 206,1 96,1 1626,6
Armadilha fixa 748,2 262,7 124,1 60,4 1195,3
Linha 441,4 27,6 144,7 10,3 624,0
Transporte 25,4 2,3 27,7
Outros 6,7 0,5 2,3 11,7 0,7 21,9
Rede fixa 2,9 5,5 3,0 7,9 19,3

48
Vários 1,3 0,4 3,0 4,7
Armadilha móvel 0,5 0,7 0,02 1,7 2,9
Total 2422,8 425,4 482,5 11,7 180,1 3522,4

Composição específica das capturas

Um total de 82 tipos de pescados foram capturados pela frota artesanal de pequena

escala. Estes pescados foram classificados como 79 espécies pertencentes a 40 famílias

(Anexo 6)

Deste total, as 10 espécies mais abundantes foram responsáveis por 80% da

produção total. A captura da pescada gó se destacou contribuindo com 33% do total

capturado, gerando mais de 1.145 ton de peixes (Tabela 19).

Tabela 19 – Composição específica das capturas da pesca de pequena escala no período


de junho de 2000 a junho de 2001
Espécie Capturas (Kg)
Go 1145,2
Peixe serra 366,2
Bandeirado 310,6
Pescada amarela 268,7
Cangatá 177,4
Uritinga 172,3
Pargo 144,2
Bagre 92,0
Cação 81,5
Arraia 66,4
Outros 698,4

A pescada go foi a principal espécie desembarcada nas localidades de Ajuruteua e

Treme. Em Bacuriteua foi desembarcado principalmente o pargo, em Bragança

preferencialmente o peixe serra. Em Caratateua destacou-se a pescada amarela, no Furo

Grande desembarcaram principalmente o bandeirado e em Tamatateua

preferencialmente os bagres (Tabela 20).

Tabela 20 - Principais espécies desembarcadas (ton) por localidade da região estuarina


do rio Caeté
Localidade Espécie principal Produção (ton)

49
Ajuruteua Pescada go 245,8
Bacuriteua Pargo 114,4
Bragança Peixe serra 285,3
Caratateua Pescada amarela 28,0
Furo Grande Bandeirado 78,7
Tamatateua Bagre 36,6
Treme Pescada gó 765,3
Nas pescarias com redes, 78 espécies foram capturadas. No primeiro lugar

destacou-se o peixe serra, responsável por 22% das 1.626 ton capturadas com esta arte.

As armadilhas fixas capturaram 66 espécies, gerando 1.195 ton, com destaque a pescada

go que contribuiu com 71% do total pescado. As artes que usam linha e anzol, pescaram

62 espécies diferentes, correspondendo a 624 ton das quais o bandeirado e o pargo

contribuíram, cada, com 23% do total produzido. A atividade de transporte foi exercida

apenas para 21 espécies movimentando um total de 27 ton de pescado dos quais 55%

eram mero (Tabela 21).

Tabela 21 – Volumes desembarcados (kg) por arte de pesca e por espécie para as
capturas desembarcadas no estuário do rio Caeté no período de junho de 2000 a junho
de 2001.
Armadilha Armadilha Costa
Espécie Linha Outros Rede Rede fixa Transporte Vários Total Estuário
móvel fixa norte
P. gó 2 852739 2366 6570 275939,8 2588 1819 3230 1145253,8 x x
Serra 760 497 63 364833 366153,0 x x
Bandeirado 75874 144388 804 88905,5 306 285 310562,5 x x
P. amarela 1913,5 20265,5 5574 236885,6 612,5 2744 682 268677,1 x x
Cangatá 25448,5 113846 81 37998 177373,5 x x
Uritinga 112887,5 32938 1069 22859 214 2138 220 172325,5 x x
Pargo 191 140773 3259 144223,0 x x
Bagre 2851 21300,5 6373,5 1228 55103 4908 156 57 91977,0 x x
Cação 12 19477 61 61971,4 5 81526,4 x x
Arraia 12275 33156 194 20026,5 449 339 66439,5 x x
Mero 524,5 44397,5 65 5039,6 111,5 15228 65366,1 x x
Corvina 15875 628 1972 40022,8 1911 704 61112,8 x x
Peixe-pedra 2 3802,7 398 6 46836 421,1 51465,8 x x
Uricica 37 11659 1580 18 30638 3020 30 12 46994,0 x x
Caica 10 589 98 156 36984 587 1430 277 40131,0 x x
Pampo 4861 119 10 34400 5 39395,0 x x
Timbira 164 106 36498 36768,0 x x
Bonito 103 32577 32680,0 x x
Camorin 270,5 229 2231 27575,1 311 1923 32539,6 x x
Birete 31356 24 42 35 31457,0 x x
Bijupirá 152 6672 10 18107,2 11 24952,2 x x
Gurijuba 245 6978 123 16582 190 24118,0 x x
Tainha 2 479 126 21 14914 1327,7 52 16921,7 x x
Canguira 129 336 16431 16896,0 x x

50
Armadilha Armadilha Costa
Espécie Linha Outros Rede Rede fixa Transporte Vários Total Estuário
móvel fixa norte
Garoupa 2979 12110 246 44 15379,0 x x
Acará-açu 774 165 740 12303,5 438 77 14497,5 x x
P. cururuca 1189 2888 94 6835 332 11338,0 x x
Cavala 25 2737 34 8367,9 3 8 11174,9 x x
Cambeua 195 6760 3732 15 10702,0 x x
Pacamão 15 446,5 4214 5140,3 431,8 10247,6 x x
Xareu 136 2383 156 6977 5 15 11 9683,0 x x
Dourada 3444 855 3 4337,5 45 123 8807,5 x x
Bragalhão 1173 454 6221 2 9 7859,0 x x
Guaiuba 1942 4440 9 1400 7791,0 x x
Cioba 78 291 7297 7666,0 x x
Sarda 2088,5 32 5 5014 11 7150,5 x x
Pirapema 67 588 5468,6 53 6176,6 x x
Jurupiranga 560 4467 891 9 7 5934,0 x x
Coraximbó 133 355 4056 4544,0 x x
Outros 1282 297 1655,5 115 36 3385,5 x x
Tubarão 594 699 2052 3345,0 x x
Tralhoto 8 18 2659 354,6 8 3047,6 x x
Paru 745,8 37 73 2122,1 14 2991,9 x x
Carapitanga 2797 114 30 2941,0 x x
P. branca 446,5 134 24 1729 318 20 2671,5 x x
Camarão 34 35 2227 90 13 2 2401,0 x x
Jiquiri 2220 43 14 2277,0 x x
Lagosta 2157 2157,0 x
Carajuba 60 1881 1941,0 x x
Traira 3 1290,5 106 10 1409,5 x x
Siri 36 971 5 1012,0 x x
Caraoca 6 781,1 160,6 947,7 x
Piramutaba 470,8 199 217 34 920,8 x x
Enchova 84 104 635 823,0 x x
Pratiqueira 719 12 731,0 x x
Sirigado 6 652 15 673,0 x x
Tacuré 10 81 404 18 513,0 x x
Mapará 484 484,0 x
Sete grude 39 430 469,0 x x
Espadarte 448 448,0 x x
Peixe-galo 82 35 286 1 404,0 x x
Guaravira 5 135 174 72,5 386,5 x x
Bacu 147 8 178 40 373,0 x x
Mandii 13 8 29 209 259,0 x x
Sardinha 31 217 248,0 x
Sajuba 6 133 139,0 x x
Acari 85 0,3 28,9 6 120,2 x
Dourado 114 6 120,0 x
Filhote 22 80 102,0 x
Chola 18 50,3 9 77,3 x
Arabaiana 61 61,0 x
Pescadinha 6 55 61,0 x
Mexilhão 30 19 5 54,0 x
Bodo 7 30 37,0 x
Ostra 3 8 17 28,0 x
Pirarucu 17 1 5 23,0 x

51
Armadilha Armadilha Costa
Espécie Linha Outros Rede Rede fixa Transporte Vários Total Estuário
móvel fixa norte
Jandiá 2 12 14,0 x
Pirarara 13 13,0 x
Sururu 13 13,0 x
Caranguejo 8 8,0 x
Carapó 8 8,0 x
Caraoçu 3 3,0 x
Total 2932 1195320,8 624016,8 21878 1626556,7 19304,3 27719 4673 3522400,6

Na costa norte, os barcos de pequeno porte que trabalham com redes de emalhe,

capturaram freqüentemente peixe serra. As canoas motorizadas que pescam em locais

na costa norte, capturam principalmente pescada go utilizando redes de emalhe (Tabela

22).

Tabela 22 – Principais espécies capturadas, artes de pesca e tipo de embarcação para as


pescarias da costa norte
Tipo embarcação Arte de pesca Espécie Capturas (ton)
Montaria Rede Peixe serra 0,6
Canoa Armadilha fixa Pescada go 1,3
Canoa motorizada Rede Pescada go 15,1
Barco peq. Porte Rede Peixe serra 222,9
Geleiro Outros Pescada amarela 1,5

Na pesca dentro do estuário a pescada gó teve destaque, sendo capturada

preferencialmente com barcos de pequeno porte e com canoas utilizando armadilhas

fixas. As canoas motorizadas também transportaram grande número de pescada go,

capturadas com redes de emalhe. Os bagres ocuparam o primeiro lugar entre as capturas

das montarias (Tabela 23).

Tabela 23 – Principais espécies capturadas, artes de pesca por tipo de embarcação para
o estuário
Tipo embarcação Arte de pesca Espécie Capturas (ton)
Montaria Rede Bagre 18,5
Canoa Armadilha fixa Go 192,9
Canoa motorizada Rede Go 69,4
Barco peq. Porte Armadilha fixa Go 508,7
Geleiro Outros Go 5,3

52
Variação sazonal da composição específica foi detectada quando analisamos a

captura por espécie e por mês. De abril a setembro temos a pescada gó como a principal

espécie desembarcada. No mês de outubro temos a presença da pescada amarela que

teve destaque nos desembarques. No mês de novembro se destaca o mero e de

dezembro a março as embarcações desembarcam preferencialmente o peixe serra

(Figura 22)

Precipi. (mm) Pescada gó


1000000 Mero Pescada amarela 500
Serra

400
100000

Precipitação (mm)
Capturas (kg)

300
10000
200

1000
100

100 0
Jun_00 ago_00 Out_00 Dez_00 Fev_01 Abr_01 Jun_01
Meses

Figura 22 – Periodicidade das capturas para as espécies mais representativas no período


de junho de 2000 a junho de 2001 desembarcadas no estuário do rio Caeté.

Com relação ao local de pesca, na região costeira o peixe serra é a principal

espécie capturada de dezembro a junho, durante o período mais chuvoso. De agosto a

novembro, na estiagem, o pargo ocupa a primeira posição. Os maiores valores

desembarcados de pescada gó estão associados à transição da chuva à seca, destacando-

se como principal recurso desembarcado apenas no mês de junho (Figura 23).

53
Precipi. (mm)
Serra
50000 Pargo 500
Go
45000 450
40000 400

Precipitação (mm)
Capturas (kg)

35000 350
30000 300
25000 250
20000 200
15000 150
10000 100
5000 50
0 0
Jun_00 ago_00 Out_00 Dez_00 Fev_01 Abr_01 Jun_01

Meses

Figura 23 - Principais espécies capturadas na região costeira no período de junho de


2000 a junho de 2001 em comparação com as mudanças sazonais da pluviosidade.

As capturas realizadas dentro do estuário também apresentaram alternância entre

as espécies dominantes. Durante a transição do período chuvoso para o seco, a pescada

go se destaca como principal espécie desembarcada, mantendo-se nessa posição por 7

meses, de abril a setembro. A produção de bandeirado foi mais ou menos constante

durante o ano todo, mas passou a ocupar o primeiro lugar nos meses de estiagem devido

ao decréscimo da pescada go e, principalmente, do peixe serra. O peixe serra teve maior

produção principalmente no período de maior pluviosidade mantendo-se em destaque

como principal espécie desembarcada por dois meses consecutivos (Figura 24).

54
Precipi. (mm) Bandeirado
1000000 Go Serra 500
450
100000 400

Precipitação (mm)
350
Capturas (kg)

10000 300
250
1000 200
150
100 100
50
10 0
Jun_00 ago_00 Out_00 Dez_00 Fev_01 Abr_01 Jun_01
Meses

Figura 24 - Principais espécies capturadas na região estuarina no período de junho de


2000 a junho de 2001 em comparação com as mudanças sazonais da pluviosidade.

A análise de componentes principais (PCA), foi realizada para as 11 primeiras

espécies que se destacaram em volumes desembarcados para o estuário e costa norte.

Foram gerados 3 fatores que explicaram 36% da variância total. Aceitando “factor

loadings” maiores que 0,60, no primeiro componente destacou-se a associação positiva

entre bandeirado e cangatá, que explicou 14% da variância total. No segundo

componente, associou-se o cação e o peixe serra, explicando 12% da variância restante.

No terceiro componente, que explica 10% da variância restante, destacou-se a pescada

amarela e as arraias (Tabela 24)

55
Tabela 24 – Primeiros três fatores da análise de componentes principais para a produção
das primeiras 11 espécies desembarcadas no estuário bragantino no período de junho de
2000 a junho de 2001.
Espécies Fator 1 Fator 2 Fator 3
Arraia 0,293 0,064 0,677
Bagre -0,198 -0,084 -0,120
Bandeirado 0,786 0,023 -0,023
Cação 0,057 0,763 -0,042
Cangatá 0,695 -0,120 0,175
Mero -0,042 0,119 0,017
Pescada amarela -0,181 0,174 0,671
Pescada go 0,429 -0,206 -0,346
Pargo -0,071 0,069 -0,044
Peixe serra 0,084 0,735 -0,226
Uritinga 0,309 0,179 -0,116
% Variância 14,13 11,57 10,39
% Acumulada 14,13 25,70 36,09

De acordo com a análise de variância (Anexo 5), o primeiro componente

(bandeirado e cangatá), parece estar fortemente relacionado com a pesca estuarina nos

períodos de chuvas e na transição ao período seco, sendo esta captura feita

principalmente com linhas em barcos de pequeno porte e canoas motorizadas. O

segundo componente (cação e peixe serra), foi relacionado ao período de transição à

estação de chuvas e ao período de chuvas. São pescarias feitas principalmente por

barcos de pequeno porte com redes de emalhe na costa norte. O fator 3 (arraias e a

pescada amarela), está relacionado ao período seco, sendo esta captura feita

principalmente com linhas em barcos de pequeno porte e canoas motorizadas, na costa

norte (Tabela 25).

Tabela 25 – Relações entre os fatores dos componentes principais e a estação do ano,


tipo de embarcação, região de captura e a arte de pesca.
Bandeirado Cação Arraia
Fatores
Cangatá Peixe serra Pescada amarela
Estação do ano Chuvas & transição a seca Transição a chuvas & chuvas Seca
Tipo de embarcação Bpp & Cam Bpp Bpp & Cam
Região Estuário Costa norte Costa norte
Arte Linha Rede Linha

56
Rendimento pesqueiro

Em média, as embarcações que aportam no estuário bragantino ocupam 4

pescadores que passam 2 dias pescando e trazem 167 kg de peixe por viagem, o que

gera uma captura por unidade de esforço média de 21 kg de peixe/dia/pescador. Este

rendimento médio foi maior para os barcos de pequeno porte e as canoas motorizadas

que chegam a 25 kg/dia/pescador (Tabela 26).

Os barcos geleiros desembarcam em média 835 kg de pescados por viagem e

permanecem uns 8 dias viajando na procura de pescados para comprar, o que resulta

num rendimento de 104 kg por dia de viagem (Tabela 26).

Tabela 26 – Relações entre esforço, produção e tipo de embarcação


Duração Nº Médio de Média do Peso CPUE
TipoEmb
Média Pescadores (kg) Média
Montaria 2 2 53 13
Canoa 1 3 79 19
Canoa motorizada 2 4 125 25
Barco peq. Porte 4 4 283 25
Geleiro 8 3 835
Total 2 4 167 21

O rendimento pesqueiro apresentou uma variação sazonal que pode estar

correlacionada com o ciclo hidrológico e os períodos de estiagem e chuvas.

No período de decréscimo da precipitação ocorre uma diminuição nos volumes

capturados, chegando no mês de janeiro a 13 kg de pescado/pescador/dia. A medida em

que a pluviosidade aumenta ocorre um acréscimo do rendimento, que alcança 36 kg de

pescados/pescador/dia no mês de junho (Figura 25).

57
40 Precipi. (mm) CPUE 500

450
35
400
CPUE (kg/pescador/dia)

350

Precipitação (mm)
30
300

25 250

200
20
150

100
15
50

10 0
Jun Ago Out Dez Fev Abr Jun Ago Out Dez Fev Abr Jun
Meses

Figura 25 – Médias mensais da captura por unidade de esforço e da pluviosidade no


período de Junho de 2000 a Junho de 2001.

O rendimento médio das pescarias depende de vários fatores tais como: tipo de

barco, estação do ano, arte de pesca utilizada e local de pesca. A sazonalidade influencia

significativamente (p=0,00) as relações de esforço/captura (Anexo 3). O período de

transição à seca destaca-se com os maiores valores de CPUE, enquanto que o de

transição às chuvas apresenta os menores valores de CPUE.

Separando por local de captura, o ambiente da costa norte possui uma CPUE

média de 16,5 kg de pescado/pescador/dia, enquanto que no ambiente estuarino resulta

numa média de 21,8 kg de pescado/pescador/dia. Tanto as atividades de pesca estuarina

quanto a costeira apresentam rendimentos influenciados pelo ciclo hidrológico,. No

período entre novembro e março as médias foram bastante similares. Porém de abril a

outubro a região estuarina parece ser mais produtiva que a região costeira (Figura 26).

58
40,0 Precipi. (mm) 500
Estuário
Costa Norte
CPUE (Kg/NºPesc/Dias)

400

Precipitação (mm)
30,0
300

200
20,0

100

10,0 0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01

Meses
Figura 26 - Variação das médias mensais da CPUE dos desembarques realizados na
costa norte e no estuário bragantino no período de junho de 2000 a junho de 2001.

Os desembarques ocorridos na região estuarina efetuados pelos barcos de pequeno

porte e canoas motorizadas apresentaram os maiores rendimentos médios, chegando a

24 kg/pescador/dia. As canoas desembarcaram cerca de 19 kg/pescador/dia e as

montarias possuíam os menores rendimentos de 13 kg/pescador/dia (Tabela 27).

Tabela 27 – Rendimentos dos desembarques (kg/pescador/dia) por tipo de embarcação.


Tipo de embarcação CPUE mínima CPUE máxima CPUE média CPUE Desv Pad
Montaria 0,2 264 13,3 15,2
Canoa 1 191 19,3 18,4
Canoa motorizada 1 202 24,5 20,7
Barco de pequeno porte 0,25 480 24,6 27,0

As atividades de pesca exercidas com linhas obtiveram os maiores rendimentos

médios por desembarque, chegando a 27 kg/pescador/dia. As armadilhas móveis

apresentaram os menores rendimentos, com cerca 13 kg/pescador/dia (Tabela 28)

Tabela 28 – Rendimentos por arte de pesca para os desembarques ocorridos na região


estuarina do rio Caeté.
Arte de pesca CPUE mínima CPUE máxima CPUE média CPUE desv pad
Armadilha móvel 2 40 13,0 8,6
Armadilha fixa 0,2 480 24,5 29,4
Linha 0,3 136 27,7 19,6
Rede 0,2 335 17,3 17,1
Rede fixa 1 89 20,1 14,5

59
Valor econômico da produção

Estimou-se que a produção pesqueira desembarcada no estuário do rio Caeté tenha

rendido R$ 4.083.287,00 na primeira comercialização, no período de 13 meses. Os

desembarques realizados pelos barcos de pequeno porte destacaram-se, contribuindo

com mais de 3 milhões de reais do total comercializado, apresentando desembarques

que renderam em média R$358,00 por viagem com desvio padrão de R$938,00. Os

barcos geleiros se destacam com os desembarques mais rentáveis, com valores médios

de R$1.067,00 por viagem e com desvio padrão de R$821,00 (Tabela 29).

Tabela 29 – Relações entre volumes desembarcados (ton), tipos de embarcações e


receita de primeira comercialização para os desembarques ocorridos no estuário do rio
Caeté no período de junho de 2000 a junho de 2001.
Tipo de Capturas Preço médio Renda total Nº Renda / Desvio
Embarcação (ton) (R$) (R$) desembarques Desembarque (R$) Padrão (r$)
Barco peq. Porte 2.423 1,07 3.058.452,00 8.549 358,00 938,00
Canoa 425 0,95 366.402,00 5.352 68,00 102,00
Canoa
motorizada 483 0,93 438.254,00 3.847 114,00 160,00
Geleiro 12 1,33 14.943,00 14 1.067,00 821,00
Montaria 180 1,18 205.235,00 3.371 61,00 73,00

Entre as espécies com maior valor de mercado, destacaram-se a lagosta e o

camarão com valores médios de R$ 32,17 e R$ 5,21 e desvios de R$ 15,83 e R$ 1,94,

respectivamente. Entre os peixes o sirigado e a arabaiana apareceram como os de

maiores valores médioes de mercado, chegando a R$ 4,10 e R$ 3,60 com desvios de R$

0,90 e R$ 1,14, respectivamente, sendo que a estimativa do valor médio, agrupando os

preços de primeira comercialização de todos os pescados, está em torno de R$ 1,24 com

desvio padrão de R$ 1,13 (Tabela 30).

60
Tabela 30 – Primeiros 10 tipos de pescados, em valores médios de primeira
comercialização, no período de Junho de 2000 a junho de 2001.
Espécie Média DesvPadr
Lagosta R$ 32,17 R$ 15,83
Camarão R$ 5,21 R$ 1,94
Sirigado R$ 4,10 R$ 0,90
Arabaiana R$ 3,60 R$ 1,14
Pargo R$ 2,92 R$ 0,70
Cavala R$ 2,62 R$ 0,33
Pescada amarela R$ 2,15 R$ 0,20
Carapitanga R$ 2,15 R$ 1,09
Camorin R$ 2,09 R$ 0,43
Gurijuba R$ 2,08 R$ 0,22
Total geral R$ 1,24 R$ 1,13

Existe uma relação inversa entre o rendimento pesqueiro e preço médio por quilo

de pescado comercializado. Com a queda da produção nos meses de estiagem, há uma

valoração conseqüente nos preços de comércio do pescado. Com a diminuição do

esforço conseqüente ao aumento da disponibilidade de pescados no período chuvoso, há

uma conseqüente queda dos preços de mercado (Figura 27).

CPUE
40 1,4
Preço (r$)
35 1,2
CPUE (Kg/Pescador/dia)

Preço médio (r$)


30
1
25
0,8
20
0,6
15
0,4
10

5 0,2

0 0
jun_00 ago_00 out_00 dez_00 fev_01 abr_01 jun_01
Meses
Figura 27 – Relações entre valor de mercado do pescado desembarcado no período de
junho de 2000 a junho de 2001 ocorridos na região estuarina do rio Caeté.

61
Separando de acordo com o porto de desembarque, em Bacuriteua os

desembarques se destacaram por render em média R$3.675,00/viagem, com desvio de

R$4.339,00/viagem. No porto Bragança estima-se que os desembarques rendiam em

média R$800,00/viagem com desvio padrão de R$929,00/viagem. Ajuruteua destaca-se

por apresentar os desembarques com menor receita média chegando a R$64,00/viagem,

com desvio de R$82,00/viagem (Tabela 31).

Tabela 31 - Relações entre desembarques (ton), localidades de desembarque e receita da


primeira comercialização para a atividade de pesca desembarcada no estuário do rio
Caeté no período de junho de 2000 a junho de 2001.
Capturas Preço médio Receita total Nº Receita/ Desvio Padrão
Localidade
(ton) (R$) (R$) desembarques Desembarque (R$) (R$)
Ajuruteua 633,8 R$0,93 R$602.541,92 9402 R$64,09 R$82,47
Bacuriteua 258,7 R$2,79 R$628.370,98 171 R$3.674,68 R$4.338,92
Bragança 1005,7 R$1,51 R$1.462.398,69 1829 R$799,56 R$928,87
Caratateua 108,2 R$1,31 R$161.105,52 1461 R$110,27 R$280,34
Furo Grande 218,1 R$0,88 R$180.040,89 1281 R$140,55 R$73,88
Tamatateua 204,1 R$1,28 R$226.186,91 1827 R$123,80 R$107,48
Treme 1094,3 R$0,86 R$822.642,05 5162 R$159,36 R$195,17

Em relação ao rendimento econômico por arte de pesca, as redes obtiveram a

maior receita na comercialização de suas capturas, gerando R$2.113.400,28 com renda

média por desembarque de R$202,98 e desvio padrão de R$501,96 (Tabela 32).

Tabela 32 - Relações entre desembarque (ton), artes de pesca e valores de primeira


comercialização para a atividade de pesca ocorrida no estuário do rio Caeté no período
de junho de 2000 a junho de 2001.
Preço médio Receita média Desvio
Artes de pesca Captura (ton) Receita total (r$)
(r$) (r$) Padrão (r$)
Armadilha móvel 2,9 R$1,19 R$75,32 R$47,81 R$3.539,98
Armadilha fixa 1195,3 R$0,85 R$130,47 R$174,59 R$897.007,59
Linha 624,0 R$0,99 R$274,97 R$1.199,48 R$968.731,28
Outros 21,9 R$1,29 R$546,64 R$660,70 R$30.064,94
Rede 1626,5 R$1,16 R$202,98 R$501,96 R$2.113.400,28
Rede fixa 19,3 R$1,20 R$130,58 R$126,43 R$20.370,16
Transporte 27,7 R$1,67 R$1.515,39 R$1.590,44 R$43.946,22
Vários 4,7 R$1,10 R$162,29 R$328,27 R$5.680,23

Assumindo os valores de primeira comercialização dos pescados, separando a

produção por local de captura, temos que a costa norte rendeu cerca de R$1.655.000,00

62
resultando em uma média próxima de R$1.000,00 por viagem, ou R$23,00 por

pescador/dia. As viagens realizadas na região estuarina geraram R$2.427.000,00 de

receita. Cada desembarque contribuiu com cerca de R$120,00 por viagem ou R$19,00

por pescador/dia (Tabela 33).

Tabela 33 – Relações de produção e renda das capturas costeiras e estuarinas no período


de jun ho de 200 a junho de 2001 desembarcadas no estuário do rio Caeté.
Média nº Duração Receita/pescador/
Local Receita total nº viagens Receita/viagem
Pescador Média dia
Costa Norte R$ 1.655.953,77 1.555 R$ 1.064,92 4 10 R$ 23,37
Estuário
R$ 2.427.333,19 19.577 R$ 123,98 3 2 R$ 19,56
bragantino
Total R$ 4.083.286,96 21.132 R$ 186,23 4 2 R$ 14,38

As capturas de pescada go apresentaram uma renda total estimada de R$

935.087,00 com renda média/desembarque de R$ 89,00/viagem com desvio padrão de

R$150,00/viagem. Os desembarques de pargo se destacaram por apresentar os maiores

valores da renda média/desembarque, chegando a R$ 4.144,00/viagem com desvio

padrão de R$ 4.565,00/viagem (Tabela 34)

Tabela 34 - Relações entre espécies capturadas, volume desembarcados e valores de


primeira comercialização para os desembarques ocorridos entre junho de 2000 a junho
de 2001 no estuário Bragantino.
Capturas Preço Médio Receita Média Desvio padrão Receita Receita total
Espécie
(ton) (R$) /Desemb (R$) Média/Desemb(R$) estimada (R$)
P. go 1145,2 R$0,87 R$89,41 R$149,85 R$935.087,75
P. amarela 268,7 R$2,15 R$184,23 R$332,69 R$586.771,01
Pargo 144,2 R$2,82 R$4.144,01 R$4.565,09 R$459.984,98
Peixe serra 366,2 R$1,12 R$552,62 R$789,46 R$419.990,46
Bandeirado 310,6 R$0,87 R$25,83 R$39,44 R$264.779,04
Bagre 92,0 R$1,23 R$27,28 R$53,82 R$115.056,27
Uritinga 172,3 R$0,70 R$23,48 R$40,71 R$114.011,80
Mero 65,4 R$1,70 R$331,01 R$1.008,35 R$111.219,55
Cação 81,5 R$1,34 R$162,26 R$306,91 R$109.203,78
Cangatá 177,4 R$0,59 R$15,58 R$26,02 R$101.819,03
Corvina 61,6 R$1,29 R$21,38 R$41,19 R$77.946,29
Outros 637,9 R$ 1,71 R$174,32 R$160,82 R$787.417,01

63
DISCUSSÃO

Define-se pescaria tradicional ou de pequena escala como a atividade exercida por

produtores autônomos ou com relações de trabalho, que tem como base parcerias.

Utilizam pequenas quantias de capital e embarcações pesqueiras de madeira,

relativamente pequenas, com ou sem motorização, que realizam viagens curtas,

geralmente em águas costeiras litorâneas ou interiores, com tecnologia e metodologia de

captura não mecanizada e baseada em conhecimentos empíricos e, cujo produto é

geralmente direcionado para o consumo local ou, em menor escala, para exportação

(DIEGUES, 1995; ISAAC & BARTHEM 1995; NERY, 1995; FAO 2001; MICEX,

2001).

A pesca artesanal constitui a maior porção da frota brasileira e acredita-se

responder por aproximadamente 60% do volume das capturas nacionais.

A pesca artesanal de pequeno porte tem sofrido grandes modificações na região

bragantina. Trabalhos anteriores citam a frota artesanal na região bragantina como

formada por cerca de 350 embarcações, sendo que a maioria era pertencente a frota não

motorizada (CEPNOR/IBAMA, 1997; GLASER & GRASSO, 1998). Nosso

levantamento apontou um crescimento de cerca de 300% da frota e o desenvolvimento

desta para uma frota predominantemente motorizada. Este aumento no número de

embarcações pode estar relacionado a novos financiamentos do FNO/BASA, para a

compra de embarcações nesta região, mas também, pode refletir em parte, o maior

esforço de amostragem do presente trabalho ou a migração de embarcações do nordeste,

principalmente do Ceará, em busca de ambientes menos explorados. A frota bragantina,

quanto ao tipo de embarcação em atuação, apresentou-se estruturada de forma similar às

demais frotas do norte e nordeste sendo composta preferencialmente por embarcações

de 8 a 12 metros (CEPNOR/IBAMA, 1997; ISAAC et al., 1998; HANZIN et al., 2000).

64
A pesca artesanal de pequena escala na região bragantina apresenta-se dividida em

pesca estuarina e pesca costeira (BARLETTA et al. 1998, GLASER & GRASSO,

1988). Destacamos a importância da pesca nos ambientes estuarinos que geraram 73%

do total produzido pela pesca artesanal de pequena escala.

Dois fatores parecem determinar a predominância da pesca estuarina sobre a

costeira: 1) a grande produtividade da região estuarina, que permite a estruturação de

uma complexa cadeia alimentar que influencia positivamente a atividade pesqueira local

(WOLFF et al., 2000), 2) e a estrutura da frota da região, tradicionalmente voltada para

a pesca estuarina, devido a falta de recursos tecnológicos e financeiros para capturas em

locais mais distantes.

A pesca estuarina é caracterizada por ter uma produção média por desembarque

menor que a costeira, usar menos pescadores e possuir viagens de menor duração. Esta

pesca possui um rendimento por pesca por pescador maior que o rendimento da pesca

costeira e, de um modo geral, atua sobre um número maior de recursos pesqueiros,

destacando a pescada gó, o bandeirado e o cangatá. A pesca estuarina, bem como a

maioria das pescarias da frota artesanal de pequeno porte, é realizada por uma

variabilidade maior de artes de pesca, que geralmente são pouco seletivas quanto a

espécies e tamanhos, capturando uma diversidade maior de recursos (FURTADO, 1987;

HANZIN et al., 2000). Este tipo de pesca é predominante e caracteriza as atividades de

pesca artesanal do norte e nordeste do país (CEPNOR/IBAMA, 1997; ISAAC et al,

1998).

As capturas nas regiões costeiras caracterizam-se, com poucas exceções, por

utilizarem embarcações de maior porte que realizam viagens mais duradouras, dirigidas

a recursos pesqueiros de grande interesse comercial, destacando o pargo, o peixe serra e

65
a pescada amarela, que possuem maior valor de mercado e são destinadas à exportação

(BARLETTA et al., 1998).

A divisão entre pesca estuarina e costeira também é citada para a frota pesqueira

artesanal atuante na região da Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul, onde a frota da

região estuarina utiliza-se de embarcações menores que fazem viagens curtas atuando

preferencialmente na região estuarina da Lagoa dos Patos e a pesca costeira atua com

embarcações maiores e mais potentes, equipados com equipamentos para detecção de

cardumes e recolhem mecanicamente suas redes, isto gera uma discussão sobre o

conceito de artesanal para este tipo de atividade (REIS, 1993).

De um modo geral, a pesca de pequena escala da região bragantina, ainda utiliza

artefatos artesanais, considerados tradicionais na zona do salgado paraense (NERY,

1995). As redes são as artes de pesca mais utilizadas, destacando ainda as armadilhas

fixas e as linhas. Estas artes juntas são responsáveis por 98% da produção

desembarcada. ISAAC & BARTHEM (1995) destacam as redes de emalhe, currais e

espinhéis como os apetrechos de maior captura na região do salgado paraense.

Apesar das viagens com maior duração serem, normalmente, executadas por

embarcações de maior porte, a longa duração de algumas viagens de montarias e canoas

nesta região, podem ser explicadas pela permanência dos pescadores em ranchos de

pesca onde ocorre a salga dos pescados, que permite prolongar a atividade de pesca

(NERY, 1995; BARLETTA et al., 1998). A salga, que é uma atividade comum na

região, principalmente pelos pescadores artesanais que não possuem acesso a gelo, é

usada para aumentar a durabilidade do pescado, para barganhar na venda esperando por

preços melhores, já que existe uma rede de comercio para este produto (STRIDE, 1992;

BRAGA et al., 2000).

66
Na região bragantina, a utilização de barcos geleiros mostrou-se de menor

importância que em outros pólos pesqueiros da região litorânea amazônica (STRIDE,

1992; MOREIRA & ROCHA, 1995; ISAAC et al., 1998). A facilidade de acesso pela

estrada às localidades de desembarque do estuário do rio Caeté, parece ser fator decisivo

considerando a manutenção da qualidade do pescado e os custos para o transporte, já

que a viagem de Bragança para São Luis-MA, importante pólo pesqueiro e mercado

consumidor do pescado bragantino (STRIDE, 1992; BRAGA et al., 2002), leva de 10 a

12 horas de caminhões frigoríficos, contra 2 dias de barco.

As localidades de desembarque na região bragantina são caracterizadas pela

tradição pesqueira. Bacuriteua e Bragança recebem preferencialmente desembarques

capturados por embarcações de maior porte, que realizam viagens mais longas

geralmente com número maior de pescadores e que realizam suas capturas em

ambientes marinhos. As comunidades de Ajuruteua, Caratateua, Furo Grande,

Tamatateua e Treme, apresentam capturas realizadas na região mais interna do estuário

e na transição entre o estuário e a região marinha, com viagens mais curtas realizadas

por embarcações de menor porte empregando menor número de pescadores.

A sazonalidade apresenta-se como fator determinante na produção pesqueira. As

modificações sazonais da pluviosidade determinam a variação nos teores de salinidade

nas regiões influenciadas pelo rio Caeté, movimentando a zona de mistura entre a água

marinha e a água do rio, modificando a composição das espécies e na sua abundância,

de modo similar ao que ocorre em outros estuários como o do Amazonas ou na baia do

Marajó (BARTHEM, 1985, ISAAC & BARTHEM, 1995; BARLETTA et al., 1998;

ISAAC et al., 1998; CAMARGO-ZORRO , 1999). A maior produção, bem como as

maiores médias diárias de desembarque, coincidem com o período das chuvas. O

período de maior pluviosidade está relacionado ao aumento das capturas do peixe serra

67
e da pescada go e no período mais seco, aumenta a produção de mero e o pargo. Esta

mudança de espécies alvo, também é comum em outros sistemas como no Médio e

Baixo Amazonas (ISAAC et al., 1996; CERDEIRA & RUFFINO, 2000).

A variação sazonal na abundância de alguns recursos pesqueiros na região

estuarina, parece estar relacionada ao ciclo reprodutivo de algumas espécies neste

ambiente. BARLETTA-BERGAN (1999) registrou aumento da diversidade e

abundância de larvas de peixes na região estuarina nos períodos de chuva, havendo

ainda uma correlação negativa entre o número de espécies e sua abundância e a

salinidade. CAMARGO-ZORRO (1999), definiu ciclos estuarinos reprodutivos para

algumas espécies de pescadas da família Sciaenidae na região bragantina, destacando

um pico reprodutivo da pescada gó de julho a agosto, o que pode explicar o aumento

desta pescada no período de transição das chuvas ao período seco.

A região estuarina apresenta uma grande biomassa de peixes. Parte desta riqueza

está sendo apresentada através da captura e pelos desembarques da pesca artesanal na

região. Porém, a receita gerada é relativamente pequena, devido ao baixo valor de

mercado dos pescados ali capturados.

A produção pesqueira que ocorre na Costa Norte não apresenta variações sazonais

definidas no que diz respeito a volumes desembarcados, mantendo mais ou menos

constantes os grandes volumes em todos os períodos do ano, apesar de ser registrada

uma alternância sazonal entre o peixe serra (nos períodos de chuva) e o pargo (no

período seco), principais recursos capturados. Esta atividade pesqueira, por suas

características técnicas, implica em maiores investimentos, que devido aos insumos

utilizados, principalmente no que diz respeito a combustível, gelo e artes de pesca de

maior porte (DIEGUES, 1995). Para garantir a sustentabilidade econômica, as pescarias

no litoral exigem um maior retorno financeiro. Isto é obtido pela captura de espécies

68
marinhas de maior valor comercial, que se aproximam da região costeira nos períodos

mais secos. Nos períodos chuva, esta captura se volta a espécies de hábitos mais

estuarinos, menos rentáveis, porém mais abundantes nesse período, na região costeira.

Entre os fatores determinantes do local de desembarque está a estação do ano,

quando esta define as condições de acesso a certas localidades, como Tamatateua que

no período das chuvas fica sem comunicação terrestre com Bragança, forçando os

pescadores a desembarcarem em outras localidades, para poder utilizar a rede de

aviamento (FURTADO, 1987; MANESCHY, 1990; DIEGUES, 1995).

O valor de mercado de muitos recursos pesqueiros está associado às variações da

pluviosidade e a abundância das espécies. Nos períodos de menor pluviosidade os

volumes desembarcados diminuem bastante, aumentando o seu preço unitário no

mercado. Esta variação já havia sido citada para esta região por BRAGA e

colaboradores (2002, submetido) em estudos do mercado bragantino.

Das 82 espécies capturadas, apenas 10 espécies são responsáveis por cerca de 80%

do total desembarcado. Este padrão assemelha-se a outros lugares na Amazônia (ISAAC

et al., 1996; CERDEIRA et al., 2000). Destas espécies, apenas 6 pareceram estar

fortemente correlacionadas entre si, apresentando padrões comuns de captura no que se

refere ao tipo de embarcação, arte de pesca, região de captura e período do ano. A pesca

do bandeirado e do cangatá, foi definida, para esta região, como uma captura estuarina

realizada principalmente nos períodos de chuvas e na transição ao período seco, feita

principalmente com linhas (espinhéis) em barcos de pequeno porte e/ou canoas

motorizadas. Estas espécies foram citadas como espécies abundantes tanto no inverno

quanto no verão na região estuarina da foz dos rios Amazonas e Tocantins (TORRES,

1999). O cação e o peixe serra, que são espécies de habitat mais marinhos, são

capturados preferencialmente na região costeira, por barcos de pequeno porte, que

69
atuam com redes de emalhe nos períodos de maior precipitação. A captura das arraias e

da pescada amarela ocorre preferencialmente na região costeira no período seco, com

barcos de pequeno porte e/ou canoas motorizadas usando linhas de espinhel. Algumas

espécies dominantes, como a pescada go, não se destacam por serem abundantes o ano

inteiro e estão presentes em quase todas as pescarias.

Respostas biológicas a fatores físico-químicos como a salinidade, temperatura ou

turbidez, bem como o comportamento reprodutivo das espécies, têm sido considerados

fatores importantes para entender a estrutura espaço-temporal das comunidades de

peixes em ambientes costeiros-estuarinos de regiões tropicais e subtropicais

(LAROCHE et al., 1997; LEY et al., 1999; ARAÚJO & COSTA DE AZEVEDO 2001;

KUPSCHUS & TREMAIN, 2001).

Comparando levantamentos anteriores, chama a atenção o aumento nas capturas

de pescada go que ocorre com uma produção de 250 ton em 1996/1997 (IBAMA, 1997

RELATORIO DO ESTATPESCA) para 1145 ton em nosso estudo, um acréscimo de

mais de 400%. É provável que este aumento esteja mais relacionado ao maior esforço

de amostragem utilizado para este trabalho. A pescada go, utiliza os ambientes

estuarinos em uma boa parte de seu ciclo de vida (CAMARGO-ZORRO, 1999) e é

citada por TORRES (1999) como uma das espécies de maior abundância e freqüência

na região estuarina da foz dos rios Amazonas e Tocantins. A pescada go se destaca

como de maior importância para a região bragantina, gerando uma receita bruta de mais

de R$900.000,00 ou aproximadamente 23% do total movimentado.

A frota artesanal de pequena escala da região estuarina do rio Caeté apresentou um

rendimento anual de 3.500 ton com capturas médias de 166 kg/viagem. Este sistema é

menos produtivo que a frota de Santarém que desembarcou cerca de 4000 ton/ano com

média de 400 kg/desembarque (ISAAC et al.,1996). DE BARROS e colaboradores

70
(2000), afirmavam que a baixa produtividade da pesca artesanal nesta região estava

associada à falta de apetrechos para a atividade pesqueira.

Contudo, do ponto de vista da rentabilidade da atividade pesqueira, o presente

trabalho vem mostrar a importância da pesca artesanal de pequeno porte para as

comunidades pescadoras da região bragantina do estuário do rio Caeté. A taxa média de

captura de 21 kg/pescador/dia encontrada na região estuarina está próxima às médias de

14 a 23 kg/pescador/dia encontrada para o Baixo Amazonas e para o rio Madeira,

porém, sendo bastante inferior à média de 35,5 kg/pescador/dia citada para a região de

da Cachoeira de Teotônio no estado do Amazonas (GOULDING, 1979; RUFFINO et

al., 1998; RUFFINO et al., 1999; CERDEIRA et al., 2000) (Tabela 35).

Tabela 35 – Taxas de captura citadas para outras regiões amazônicas


Taxa média de captura
Autores Região
(kg/pescador/dia)
GOULDING, 1979 Médio e alto rio Madeira 23
GOULDING, 1979 Cachoeira de Teotônio 35,5
Monte Alegre
RUFFINO et al., 1999 17
(Baixo Amazonas)
Santarém
RUFFINO et al., 2000 14
(Baixo Amazonas)
Monte Alegre
CERDEIRA et al., 2000 22
(Baixo Amazonas)
PRESENTE ESTUDO Estuário do rio Caeté 21

Sabemos que bem como a pescada go, outras espécies vem sofrendo um aumento

paulatino do esforço pesqueiro ao longo dos últimos anos, o que torna necessária a

definição do estado atual de exploração das mesmas. O aumento da frota pesqueira e a

falta de políticas para avaliação dos estoques existentes, remetem à carência de

conhecimentos voltados ao desenvolvimento de políticas públicas, que dêem subsídios à

formação de um plano de manejo que se ajuste ao potencial dos recursos pesqueiros da

região, dimensionando ainda, os investimentos necessários para a execução adequada

destes recursos.

71
72
CONCLUSÃO

1. A pesca artesanal de pequeno porte que atua na região bragantina está composta

por aproximadamente 900 embarcações, caracterizando-se como uma frota

predominantemente motorizada, similar às demais frotas das regiões Norte e Nordeste

do Brasil, sendo composta preferencialmente com embarcações de 8 a 12 metros.

2. Segundo a sua área de atuação, a pesca artesanal de pequena escala na região

bragantina apresenta-se dividida em pesca na região estuarina e pesca na região costeira.

3. A pesca estuarina é responsável pela maior produção da frota de pequena escala

da região.

4. A pesca estuarina é caracterizada por ter uma produção média por desembarque

menor que a costeira, utiliza menos pescadores em cada viagem e apresenta viagens de

menor duração com um rendimento por pescador maior que o rendimento da pesca

costeira. É realizada por uma maior variedade de artes de pesca, que geralmente são

pouco seletivas quanto a espécies e tamanhos e de um modo geral atua sobre um

número maior de recursos pesqueiros, destacando a pescada go, o bandeirado e o

cangatá.

5. As capturas costeiras caracterizam-se por utilizarem embarcações de maior porte

que realizam viagens mais duradouras com artes de pesca mais seletivas e direcionadas

a recursos pesqueiros de grande interesse comercial, destacando o pargo, o peixe serra e

a pescada amarela.

6. De um modo geral, a pesca de pequena escala da região bragantina, ainda utiliza

de artefatos artesanais, considerados como tradicionais na zona do Salgado paraense,

sendo as redes de emalhe a arte de pesca mais utilizada, destacando também as

armadilhas fixas e as linhas.

73
7. O uso da salga e de ranchos explica a longa duração da atividade de pesca de

algumas embarcações menores.

8. Na região bragantina, a utilização de barcos geleiros mostrou-se de menor

importância que em outros pólos pesqueiros da região costa amazônica.

9. Os barcos de pequeno porte destacaram-se como principal embarcação,

contribuindo com 69% dos pescados desembarcados.

10. As comunidades de Treme e Bragança se destacaram como principais portos de

desembarque contribuindo com 60% do total desembarcado

11. A sazonalidade pluviométrica apresenta-se como fator determinante das grandes

variações na pesca, sendo que os maiores valores de capturas, bem como as maiores

médias diárias de desembarque, coincidem aos maiores valores de pluviosidade.

12. O período de maior pluviosidade está relacionado ao aumento das capturas do

peixe serra e da pescada go e no período de menor pluviosidade aumenta a produção de

mero e o pargo.

13. A variação sazonal na abundância de alguns recursos pesqueiros na região

estuarina, parece estar relacionada aos ciclos reprodutivos de algumas espécies neste

ambiente.

14. A pesca na Costa Norte não apresenta variações sazonais tão nítidas quanto a

pesca estuarina no que se refere aos volumes desembarcados.

15. Nos períodos de menor pluviosidade houve um aumento no preço do pescado no

mercado.

16. Das 82 espécies capturadas, apenas 10 espécies são responsáveis por cerca de

80% do total desembarcado.

17. Entre os recursos explorados, a pescada go destaca-se como de maior

importância para a região bragantina, gerando 23% do total movimentado em dinheiro.

74
18. Algumas espécies estão correlacionadas entre si, apresentando padrões comuns

de captura no que se refere ao tipo de embarcação, arte de pesca, região de captura e

período do ano.

19. A pesca na região estuarina do rio Caeté é menos produtiva quando comparada a

outros sistemas amazônicos de águas interiores.

20. A atividade pesqueira da região estuarina do Rio Caeté é de grande importância

para a economia da região e movimenta pelo menos 4 milhões de reais na primeira

comercialização do pescado.

75
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SOUZA FILHO, P. W M. & EL-ROBRINI, M. A influência das variações do nível do

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STRIDE, R. K. - Diagnóstico da pesca artesanal marinha do Estado do Maranhão.

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mangrove estuary (north Brazil) with considerations for the sustainable use of its

resources. Estuarine, costal and shelf science. 50, 789-803.

82
83
ANEXOS

84
Anexo 1- Formulário de coleta
Controle de desembarque de pescado

Município: UF:
Nome da embarcação Arte de pesca:
Tipo Quantidade:
Proprietário Data de saída:
Apelido Data de chegada
Porto de origem Número de pescadores:
Local de desembarque Pesqueiro
CD Espécie Peso (Kg) Preço (R$) CD Espécie Peso (Kg) Preço (R$)
01 Acará açu 32 Mapará
02 Arraia 33 Mero
03 Bacu 34 Mexilhão
04 Bagre 35 Ostra
05 Bandeirado 36 Pacamão
06 Bijupirá 37 Pampo
07 Bodo 38 Pargo
08 Bonito 39 Paru
09 Cação 40 Peixe galo
10 Caíca 41 Peixe pedra
11 Camorim 42 Pirarucu
12 Camarão 43 Pescada cururuca
13 Cambéua 44 Pirarara
14 Cangatá 45 Pescada amarela
15 Canguira 46 Pescada branca
16 Carajuba 47 Piramutaba
17 Caranguejo 48 Pirapema
18 Carapó 49 Pratiqueira
19 Cavala 50 Sajuba
20 Cioba 51 Sarda
21 Caraximbó 52 Sirigado
22 Corvina 53 Peixe serra
23 Dourada 54 Siri
24 Enchova 55 Sururu
25 Espardate 56 Tainha
26 Filhote 57 Traira
27 Garoupa 58 Timbira
28 Gó 59 Tubarão
29 Guajuba 60 Uritinga
30 Gurijuba 61 Uricica
31 Jurupiranga 62 Xaréu
99 Outros 99 Outros
TOTAL TOTAL

COLETOR_________________________________________ DATA:
______/______/______

85
Anexo 1 (continuação) – Formulário de coleta controle de desembarque do pescado
folha verso

Capacidade de carga (tonelagem)


Observações:

86
Anexo 2 – Parâmetros das análises de variância feitas para a estação do ano, tipo
embarcação, localidade e região de coleta em relação ao logaritmo da duração e do nº de
pescadores para os desembarques ocorridos de junho de 2000 a junho de 2001.
Parâmetros Estação do Tipo localidade Região
ano embarcação
F 30,3 695,4 9246,1 16687,3
Log Duração Sig Sig Sig Sig
P 0,00 0,00 0,00 0,00
F 88,7 2182,1 709,1 655,9
Log Nº pescadores Sig Sig Sig Sig
P 0,00 0,00 0,00 0,00

Anexo 3 - Parâmetros das análises de variância feitas para a estação do ano, em relação
ao logaritmo das capturas, da CPUE (kg/dia/pescador) e do comprimento das
embarcações para os desembarques ocorridos de junho de 2000 a junho de 2001.
Parâmetros Estação do ano
F 732,6
Log Capturas Sig
P 0,00
F 790,1
Log CPUE Sig
P 0,00
F 58,5
Log Compr Sig
P 0,00

Anexo 4 - Parâmetros das análises de variância feitas para a relação entre volume
desembarcado, tipo de embarcação e área de atuação, para os desembarques ocorridos
de junho de 2000 a junho de 2001.
Parâmetros Tipo de embarcação Área de atuação
Capturas F 576,4 3948,1
Sig Sig
(kg) p 0 0

Anexo 5 - Parâmetros das análises de variância feitas para a relação os fatores gerados
pelo PCA e a estação do ano, tipo de embarcação e área de atuação e arte de pesca
utilizada.
Parâmetros ESTAÇÃO TIPOEMB ÁREA DE ATUAÇÃO ARTE
F 94,90 686,44 31,53 554,18
Fator 1 Sig Sig Sig Sig
p 0 0 1,99E-08 0
F 23,34 183,09 2527,33 60,37
Fator 2 Sig Sig Sig Sig
p 4,5E-15 0 0 0
F 38,75 81,96 544,28 280,09
Fator 3 Sig Sig Sig Sig
p 6,03E-25 0 0 0

Anexo 6 – Tabela de nomes comuns, famílias e espécies dos pescados desembarcados


na região estuarina do rio caeté de junho de 2000 a junho de 2001.
Nome comum Família Espécie
Acará-açu (Carauaçu) Lobotidae Lobotes surinamensis
Acari, Bodo Loricaridae Hypostomus sp
Arabaiana Carangidae Seriola sp

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Nome comum Família Espécie
Dasyatidae, Dasyatis spp
Arraia
Gymnuridae Gymnura micrura
Bacu Doradidae Lithodoras dorsalis
Bagre Ariidae Arius herzbergii
Bandeirado Ariidae Bagre bagre
Bijupirá Rachycentridae Rachycentron sp
Birrete Carangidae Trachinotus spp
Bonito Scombridae Sarda sarda
Bragalhão (Tacuré) Ariidae Arius couma
Cação (Tubarão) Carcharhinidae Carcharhinus spp, Sphyrna sp
Caica Mugilidae Mugil spp
Penaeidae Penaeus spp
Camarão
Palaemonidae Macrobrachium spp
Cambeua Ariidae Arius grandicassis
Camorin Centropomidae Centropomus spp
Cangatá Ariidae Arius quadriscutis
Canguira Carangidae Trachinotus sp
Carajuba
Caranguejo Ocypodidae Ucides cordatus
Caraoca Sciaenidae Stellifer sp
Carapitanga Lutjanidae Lutjanus sp
Carapó Sternopygidae Eigenmannia sp
Cavala Scombridae Acanthocybium solanderi
Chola Achiridae Achirus sp
Cioba Lutjanidae Lutjanus sp
Coraximbó Carangidae
Corvina Sciaenidae Cynoscion sp
Dourada Pimelodidae Brachyplatystoma flavicans
Dourado Coryphaenidae Coryphaena sp
Enchova Pomatomidae Pomatomus saltatrix
Espadarte Pristidae Pristis sp
Filhote Pimelodidae Brachyplatystoma filamentosum
Garoupa Serranidae Epinephelus sp
Pescada go, Pescadinha Sciaenidae Macrodon ancylodon
Guaiuba Lutjanidae Ocyurus chrysurus
Guaravira Trichiuridae Trichiurus lepturus
Gurijuba Ariidae Arius parkeri
Jandiá Pimelodidae Rhamdia quelen
Jiquiri Haemulidae Conodon nobilis
Jurupiranga Ariidae Arius rugispinis
Lagosta Palinuridae Panulirus sp
Mandii Pimelodidae Pimelodus bloch
Mapará Hypophthalmidae Hipophthalmus edentatus
Mero Serranidae Epinephelus itajara
Mexilhão, Sururu Mytilidae Mytella sp
Ostra Ostreidae Crassostrea rhizophorae

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Nome comum Família Espécie
Pacamão Batrachoididae Batrachoides surinamensis
Pampo Carangidae Trachinotus sp
Pargo Lutjanidae Lutjanus spp
Paru Pomacanthidae Pomacanthus paru
Peixe-galo Carangidae Selene vomer
Peixe-pedra Haemulidae Geniatremus luteus
Pescada-amarela Sciaenidae Cynoscion acoupa
Pescada-branca Sciaenidae Plagioscion squamosissimus
Pescada-cururuca Sciaenidae Micropogonias furnieri
Piramutaba Pimelodidae Brachyplatystoma vaillantii
Pirapema Megalopidae Megalops atlanticus
Pirarara Pimelodidae Phractocephalus hemioliopterus
Pirarucu Osteoglossidae Arapaima gigas
Pratiqueira, Tainha Mugilidae Mugil sp
Sajuba
Sarda Pristigasteridae Pellona sp
Sardinha Engraulididae Anchovia clupeoides, Cetengraulis edentulus
Peixe-serra Scombridae Scomberomorus regalis
Sete grude Sciaenidae Nebris microps
Siri Portunidae Calinectes sp
Sirigado Serranidae Mycteroperca sp
Timbira Carangidae Oligoplites spp
Traira Erythrinidae Hoplias malabaricus
Tralhoto Anablepidae Anableps anableps
Uricica Ariidae Cathorops spp
Uritinga Ariidae Arius proops
Xareu Carangidae Caranx spp, Alectis ciliaris

89