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Introdução perfil naca

Durante o escoamento de um fluido sobre um corpo, ou o movimento de um corpo


dentro de um fluido, temos basicamente dois tipos de forças que agem neste corpo. Tais
forças podem ser divididas em forças de sustentação e forças de arrasto, sendo que o primeiro
grupo age no sentido vertical e o segundo grupo age no sentido horizontal ou no sentido do
escoamento/movimento do fluido.

Este experimento foi realizado em altos números de Reynolds, sendo o escoamento


bidimensional ao longo de um perfil de espessura infinita. Neste caso, podemos adotar que as
forças viscosas são desprezíveis se comparadas às forças inerciais. Para iniciar a analise deste
tipo de escoamento lançaremos mão do numero de Reynolds que relaciona as forças de
inercia com as forças viscosas como na expressão a seguir:

Sendo que µ é a viscosidade dinâmica do fluido, ρ é a densidade do fluido, U a


velocidade do escoamento sem turbulência e L o comprimento do perfil.

Com um alto número de Reynolds, teremos a formação de uma fina camada


rotacional de escoamento envolvendo o perfil, e, caso o gradiente de pressão em certo
ponto dentro desta camada torne-se muito positivo (alto gradiente de pressão adversa),
teremos o descolamento dessa camada limite, gerando, segundo a teoria, uma queda na
força de sustentação e aumento na força de arrasto.

Obtendo a pressão estática ao longo de vários pontos do perfil, podemos obter


um estudo geral das condições de forças, momentos e características do escoamento ao
redor do corpo. A partir de tal distribuição, usamos a equação de Bernoulli para
determinar um coeficiente adimensional de pressão para cada um desses pontos,
tomando a diferença de pressão estática entre a superfície do corpo e o escoamento não
perturbado, além de algumas características do escoamento.

Sendo Cp o coeficiente de pressão, P as pressões na superfície e no escoamento não


perturbado, ρ a densidade do fluido e U a velocidade uniforme do escoamento.

Em um escoamento onde a viscosidade não é desprezada, temos o surgimento de


forças de arrasto por duas maneiras: arrasto de forma, causado pela diferença de pressão à
montante e à jusante do corpo, e arrasto viscoso, causado pelas tensões de cisalhamento na
interface fluido e corpo, dentro da camada limite. Realizando a medição das forças resultantes
pela medição dos coeficientes de pressão, obtemos apenas o arrasto de forma, e o arrasto
viscoso seria obtido pela diferença entre o arrasto total, medido em uma balança, e o arrasto
de forma, obtido pela seguinte equação:

Sendo P.cosƟ a componente da pressão na direção da corda. Pela definição do


coeficiente adimensional de arrasto, obtemos Cd em função da diferença do coeficiente de
pressão entre o intradorso e o extradorso em cada ponto do perfil e o ângulo de ataque.

𝐹𝐷
𝐶𝐷 =
1
. 𝜌𝑈 2 𝐴
2
Tomando a direção (x) ao longo da corda do perfil e a direção (y) perpendicular a esta,
obtemos equações para as reações Fx e Fy, e podemos adimensionalisar para obter um
coeficiente Cx e Cy paralelo e perpendicular à corda, respectivamente:

1
𝐶𝑦 = ∫ (𝐶𝑝 𝑖𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 − 𝐶𝑝 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 )𝑑𝑐′
0

Figura: coeficientes de arrasto e sustentação relacionados a Cx e Cy (na


figura, escrito como Cz).
Sendo Cp intradorso o coeficiente na parte inferior do perfil, Cp extradorso o
coeficiente de pressão na parte superior do perfil, α o ângulo de ataque e c’ é a corda do perfil
adimensionalisada. E:

𝑌
𝐶𝑥 = ∫ (𝐶𝑝 𝑖𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 − 𝐶𝑝 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 )𝑑𝑦′
−𝑌

É a espessura do perfil em porcentagem da corda, em cada ponto considerado. Neste caso,


devemos usar a equação do perfil NACA 0012 para obter a espessura adimensional:
𝑡 2 3
𝑦′ = . (0,2969. √𝑐 ′ − 0,126. 𝑐 ′ − 0,3516. 𝑐 ′ + 0,2843. 𝑐 ′ − 0,1015. 𝑐′4 )
0,2

A partir dos perfis Cz e Cx, nas coordenadas do perfil, podemos obter o Cd trazendo
tais valores para as coordenadas cartesianas:

𝐶𝐷 = 𝐶𝑦 . 𝑠𝑒𝑛𝛼 + 𝐶𝑥 . 𝑐𝑜𝑠𝛼
Onde 𝛼 é o ângulo de ataque.

No caso de um perfil aerodinâmico simétrico, não obtemos arrasto de pressão ou


sustentação ao alinhar a corda com a direção do escoamento. No entanto, ao mudar o ângulo
de ataque do perfil, surgem ambas as forças, provocadas pelo desequilíbrio de pressão. De
forma análoga ao coeficiente de arrasto, também podemos obter um coeficiente de
sustentação:

Representação da direção da força de sustentação pra diferentes ângulos de ataque

𝐹𝐿
𝐶𝐿 =
1
. 𝜌𝑈 2 𝐴
2
E, portanto:

𝐶𝐿 = 𝐶𝑦 . 𝑐𝑜𝑠𝛼 − 𝐶𝑥 . 𝑠𝑒𝑛𝛼
Para finalizar temos o coeficiente de momento que nos dá a relação entre a corda,
relacionada ao comprimento do perfil, e o momento atuante no mesmo, podemos calcula-lo
da seguinte forma, sendo que, para perfis aerodinâmicos, como no nosso caso, deve ser
tomado a ¼ do valor da corda. Dos coeficientes Cx e Cz, temos coeficientes análogos para o
coeficiente adimensional de momento:

1
1
𝐶𝑀𝑦 = ∫ (𝐶𝑝 𝑖𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 − 𝐶𝑝 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 ). ( − 𝑐 ′ )𝑑𝑐′
0 4
𝑌
𝐶𝑀𝑥 = ∫ (𝐶𝑝 𝑖𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 − 𝐶𝑝 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑠𝑜 ). 𝑦′𝑑𝑦′
−𝑌

E obtemos a expressão para o momento:

𝐶𝑀 = 𝐶𝑀𝑦 + 𝐶𝑀𝑥
No caso discreto da medição de pressão estática, podemos usar o método da
integração numérica dos trapézios, para o cálculo de Cx, Cy, CMx e CMy.