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Aula 04 - Civil 6 - Habilitação ao Casamento

O casamento e o testamento são os negócios jurídicos mais solenes do


Direito Civil. O casamento até mais do que o testamento, tendo em vista a
importância social do matrimônio. Além disso, uma habilitação solene leva os
noivos a refletir sobre a seriedade e as responsabilidades do casamento (1528 e
1566).

As formalidades para a habilitação são aquelas do art. 1525 ao 1532,


depois leiam com calma estes artigos que tratam do processo para os noivos se
habilitarem ao casamento, com os documentos que precisam apresentar, os
prazos de tramitação, etc. Em suma, os noivos vão ao Cartório do Registro Civil
do bairro onde qualquer deles moram, informam ao Juiz que querem se casar,
pagam as taxas devidas, juntam os documentos exigidos pela lei e declaram que
não possuem impedimentos. O Juiz então ouve o Promotor de Justiça (1526) e,
se ninguém oferecer oposição ao pedido, o Juiz marcará a data para o casamento
coletivo no Fórum.

Se os noivos preferirem se casar na Igreja, devem marcar a data com o


padre/pastor levando a habilitação civil, e depois da celebração religiosa
comunicar o casamento ao Cartório de Registro Civil (§ 1odo 1516).

As taxas que os noivos pagam é ao Cartório de Registro e não ao Juiz,


afinal o Juiz já recebe do Estado, porém o cartório é uma atividade particular que
precisa ser remunerada (1512 – vejam que a lei se refere a celebração gratuita,
feita pelo Juiz, mas a habilitação feita pelo Cartório é paga). Os pobres, contudo,
estão isentos de pagar taxas (pu do 1512).

Durante a habilitação para o casamento são publicados editais para dar


divulgação ao desejo dos noivos (1527), e é neste prazo que terceiros podem se
opor, alegando por exemplo que os noivos são parentes próximos, ou um deles
já é casado, etc (1529). Em caso de urgência (ex: noiva grávida, motivo de
viagem), o Juiz pode dispensar os editais (pú do 1527).

As testemunhas do casamento podem ser parentas dos noivos (inc. III,


1525), é uma exceção ao 228, V, pois entende o legislador que os parentes, por
uma questão de afeto, têm interesse na felicidade do casal, e não vão nunca
mentir para comprometer o bem estar dos noivos.

CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO

Com os papéis prontos, estando os noivos devidamente habilitados


(1531), deverão comparecer no dia marcado perante o Juiz de Direito (1533 –
em alguns estados, mas não em Pernambuco, existe um Juiz de Paz com a função
de celebrar casamentos) e o Oficial do Cartório de Registro Civil, bem como as
testemunhas e demais interessados, afinal é uma cerimônia pública (1534).

Com todos de pé, o Juiz pergunta se os noivos comparecem de livre


vontade, ouve o “sim”, autoriza a troca das alianças, lembra-os da importância
da família e adverte-os das obrigações do 1566. Se um dos noivos titubear e o
“sim” não for muito seguro, a cerimônia será suspensa (1538 e pú). Estando os
noivos firmes, o Juiz profere então as palavras “mágicas” da parte final do 1535.
Nesta hora, mesmo que falte energia ou alguém sofra um ataque cardíaco, o
casamento terá se realizado (1514).

Em seguida todos assinam o livro de registro, os noivos já com os nomes


de casados (§ 1o do 1565 e 1536). Se o Juiz tiver amizade com os noivos, pode
celebrar o casamento fora do Fórum, em alguma casa ou clube, desde que na
sua Comarca, na sua jurisdição (§ 1odo 1534).

FORMAS ESPECIAIS DE CASAMENTO

1 – casamento por procuração: foi comum na época da segunda guerra


mundial, quando os noivos viajavam às pressas e não tinham tempo de se casar,
então deixavam uma procuração para um amigo dizer o “sim” perante o Juiz.
Hoje em dia é raro, só me lembro do preso que costuma casar por procuração
(1542). O procurador/mandatário pode ser de qualquer sexo, não precisa ser do
sexo do mandante. Vocês sabem que o contrato de mandato não cabe para atos
materiais (ex: A não pode dar uma procuração a B para fazer prova em seu
lugar), igualmente no casamento por procuração o mandatário não vai consumar
nada, vai apenas realizar o ato jurídico do consentimento, e nada de atos
materiais...

2 – casamento sob moléstia grave: aplica-se quando um dos noivos, ou os


dois, está muito doente (1539). Este casamento é útil para garantir a herança do
companheiro, entre pessoas que viviam juntas mas nunca se casaram, afinal
cônjuge é herdeiro necessário (1845), convivente herda bem menos (1790 –
veremos isso no próximo semestre, mas percebam que não dá para comparar
casamento com união estável, afinal o casamento é bem mais seguro). O noivo
pode estar doente, mas precisa estar mentalmente sadio.

3 – casamento nuncupativo (ou in extremis): ocorre quando um dos noivos,


ou os dois, estão em risco de vida (ex: presos numa caverna, num navio
afundando, etc, 1540). Não podendo o Juiz comparecer, o casamento será feito
perante seis testemunhas que depois farão a declaração oficial no Cartório
(1541). Se o casal escapar, deverá posteriormente confirmar o casamento
perante o Juiz (§ 5o do 1541). Estes três casamentos especiais são polêmicos e
dão margem a fraudes, ainda bem que são raros.