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ARTIGOS

A representação do
conhecimento e o
conhecimento da
representação:
algumas questões
epistemológicas
Maria Nélida González de Gomez A ORGANIZAÇÃO E para a sua armazenagem, e a natureza e
REPRESENTAÇÃO DO destinação das operações de transforma-
CONHECIMENTO VISANDO A ção, tendentes a organizar o acesso de
TRANSFERÊNCIA DE determinados agentes a determinadas in-
formações: tradução, representação; aná-
INFORMAÇÃO
lises e sínteses de informação1.

Na ótica de sua transferência, conhecimen-


Os estudos referentes à informação cons-
to/informação são olhados em um contex-
tituem-se, no contexto do paradigma cul-
to de ação social, e os valores que orien-
tural do ocidente, caracterizados pela
tam sua geração e transmissão não são,
centralidade da função cognitiva e sua
de modo necessário ou dominante, os de
dualização em tendências conflitivas, tais
verdade e objetividade.
como as tendências à globalização e à
segmentação. Uma, a tendência à As condições e as formas de realização ;de
globalização, seria reafirmada pela expan- valor são múltiplas e diversas: cognitivas,
são de uma infoesfera tecnológica que instrumentais, estratégicas, estéticas e
abrange potencialmente todo e qualquer simbólica.
estoque de conhecimento/informação.
Outra, a tendência à segmentação, é re- Em um processo social de transferência,
sultante dos processos de especialização são múltiplos também os fatores culturais
e de fragmentação – próprios dos e sócio-políticos que definem suas bases
paradigmas dominantes na produção mo- técnicas e seus suportes institucionais; bi-
derna do conhecimento. bliotecas, arquivos, bases de dados, redes
locais e internacionais.
Resumo Os estudos e as tecnologias que têm como
referente a informação organizam-se em As mesmas energias, porém, que
A organização e representação do torno de conceitos-chave, tais como recu- potencializarão a geração e comunicação
conhecimento são de fundamental interesse peração da informação, disseminação da de conhecimento/informação são respon-
para a recuperação e disseminação da informação, entre outros. Um dos concei- sáveis por novas formas de dispersão da
informação. Consideramos oportuno indagar informação e pela retração das forças
tos mais abrangentes pareceria ser o de
acerca das premissas epistemológicas Implícitas
transferência de informação. vinculantes dos espaços e ações de co-
na representação do conhecimento e o
conhecimento da representação. Trata-se de
municação.
uma contribuição para o desenvolvimento da
Sumariamente, denominamos transferên-
pesquisa na área, no contexto da emergência de cia de informação a um conjunto de ações Hoje, a busca de uma informação que seja
novas tecnologias e do reaparecimento sociais com que os grupos e as institui- uma resposta pertinente e relevante às
paradoxal de princípios antropológicos de ções organizam e implementam a comu- nossas perguntas requer a reconstrução de
interpretação do conhecimento e da informação. nicação da informação, através de proce- um complexo cenário onde sejam agrega-
dimentos seletivos que regulam sua gera- das as populações de fontes e canais de
ção, distribuição e uso. Para isso, os cen- informação, de modo a permitir processos
tros sociais de transferência de informa- seletivos, organizados e econômicos de
Palavras-chave
ção (científica, tecnológica, econômica e busca e recuperação.
Filosofia da ciência/epistemologia; Filosofia do política) interferem em um ou mais aspec-
tos: a forma e a potência de sua transmis- Nesse quadro, observa-se que a expansão
conhecimento; Ciência da Informação;
Transferência da informação. são, os procedimentos e suportes usados dos mercados de informação e as mega-
A representação do conhecimento e o conhecimento da representação: algumas questões epistemológicas

esferas eletrônicas reformulam a questão nhança do homem com o mundo, da or- multiplicidade caótica das imagens ou si-
iluminista dos públicos do conhecimento e dem do ser, precede e legitima toda mulacros, sem redução possível nem ao
da cultura. vinculação predicativa, na ordem do juízo. plano do fundamento (os modelos) e nem
ao plano do fundado (as cópias). Só a re-
O efeito globalizador dos mercados e Em um segundo momento, conhecer é re- lação de semelhança do derivado (a có-
tecnologias de informação pressupõe a vi- presentar, e o mundo só é enquanto é re- pia) com o original, a idéia, garante a sub-
gência de uma premissa epistemológica de presentado. O solo do conhecimento é a missão das diferenças à identidade
máximo alcance, que assegure condições consciência. ordenadora do modelo*.
de uniformidade lingüísticas ou lógicas de
uso da informação, ou seja, que ocupe o Em um terceiro momento, o representado, Instalava-se assim uma ferida entre as
lugar que, no primeiro paradigma da produto do conhecimento em sua inves- boas aparências ou as boas representa-
modernidade, fora preenchido pela tidura semiótica, manifesta-se como autô- ções e as aparências ruins, os simulacros,
institucionalização dos modelos de ação nomo, independente do sujeito e do objeto irredutíveis aos modelos ou fundamentos.
racional. do conhecimento. Nesse momento, o solo O dualismo platônico institucionalizava,
do conhecimento é a linguagem, sistema assim, a metafísica, como afirmação de
A demanda de equivalência formal dos in- de significados ou matéria sinalética. A um real invisível que condena a esfera da
divíduos, que fora condição da construção questão do acesso aos objetos e à refle- visibilidade cotidiana à ordem da aparên-
de uma nova esfera política burguesa, é xão acerca das condições da experiência cia. Trata-se de uma fenda intransponível
agora substituída pela demanda merca- são substituídos pela questão do fatum da que, uma vez tematizada como condição
dológica de equivalência formal de todos linguagem e pela reflexão acerca de suas antropológica, dará origem propriamente
os componentes dos mercados da infor- condições de interpretação2. àquilo que se denomina representação.
mação: dos códigos, das mensagens, dos
modelos da realidade que organizam os Atribui-se a Aristóteles, segundo
programas, os sistemas de conhecimento O MOMENTO ONTOLÓGICO Heidegger6, ter redefinido a relação do pen-
e as estruturas cognitivas de emissores e samento com o real, ao estabelecer a logos
receptores. Em Platão, o saber é do domínio da intui- como o novo locus da verdade. Trata-se
ção, visibilidade e visão do ser em sua pre- de um espaço específico, o do julgamen-
É à luz dessas novas pretensões globa- sença; a representação carece de valor to, a partir do qual são lançadas relações
lizadoras, que a cultura local, os estilos de epistemológico. A palavra, convencional- em duas direções: em direção ao pensar e
conhecimento, as representações coletivas mente ligada à idéia-forma, é um puro em direção ao mundo.
e a estética (no duplo sentido de imagem significante não mediado por entidades ló-
e sensorialidade) são tematizados como gicas, tais como o conceito ou a proposi- O espaço organizado dessas relações (or-
problemáticos. ção3,4. As idéias – universalidade sem ganizado pela gramática e pela lógica) é a
multiplicidade – relacionam-se entre elas proposição e sua expressão enunciativa,
Após o predomínio dos modelos estrutu- e com suas cópias (os objetos da experi- "O verdadeiro é a afirmação da composi-
rais e sistêmicos, o novo horizonte proble- ência sensível) por participação. ção real do sujeito e do atributo e a nega-
mático abre espaço a modelos analíticos ção de sua separação real."(p. 1517)
descritivos, relacionais, construtivistas, que Trata-se de uma relação interior, ontológica
permitam focalizar o papel dos atores e as e não representacional5. A idéia não pro- A relação predicativa começará a prevale-
práticas sociais de comunicação e infor- cede por inclusões, na ordem da extensão, cer sobre a relação ontológica. Em
mação. tal como nas operações entre conceitos, mas Aristóteles, porém, o princípio de reunião
bem opera por intensidade qualitativa. é ainda da ordem do ser, a síntese do logos
Nesse contexto, consideramos que a re- apofántico, do julgar, tem um embasa-
presentação não consiste em uma dimen- Assim, o locus de apresentação do real é mento no estar junto com algo. Nesse es-
são necessária da relação gnosiológica do o intelecto que intui (nous), em frente do tar juntos, assenta-se a possibilidade de
homem com o mundo, mas em um cons- qual o entendimento argumentativo afirmar algo acerca de algo.
tructo sócio-cultural constituído nas rela- (dianóia) possui um caráter derivado.
ções de uns homens com outros homens. Conforme Heidegger, "só devido a que a
Na busca de novos pontos de partida, a A dignidade e excelência do saber não vêm função do logos como apofansis consiste
área dos estudos da organização e da re- da competência lógica ou da receptividade no permitir que algo seja, mostrando-o,
presentação do conhecimento – acredita- transparente das faculdades de represen- pode ser o logos a forma estrutural da sín-
mos – deverá passar pela reconstrução de tar, mas da passiva abertura ao ser. tese. Síntese não quer dizer aqui enlace
algumas premissas epistemológicas – de representações, em um manipular com
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subjacentes às mudanças de locus do co- Com sua teoria dos dois mundos , o plato- processos psíquicos, uniões acerca das
nhecimento/informação nas modernas for- nismo subordinava a questão epistemo- quais necessariamente surgirá o problema
mações sociais. lógica à questão ética, sob o princípio do de sua concordância, sendo interiores, com
maior estatuto de realidade e de verdade o físico exterior. O sin tem aqui uma signi-
do fundamento (as idéias ou formas) so- ficação meramente apofántica e quer di-
bre o fundado (os objetos que pertencem zer permitir ver algo como algo".**
O LOCUS DO CONHECIMENTO
aos mundos cotidianos da experiência).
NA SOCIEDADE OCIDENTAL
Trata-se de remeter sempre aquilo que * Para Deleuze, Platão distingue ou opõe o mode-
lo à cópia para obter um critério de discrimina-
Poder-se-ia dizer que o conhecimento, en- aparece e que parece ser enquanto deri- ção entre a cópia e o simulacro Cif. Deleuze
5

quanto relação do pensamento com o real, vado àquilo que, enquanto originário, es- (1988) p. 419.
muda três vezes de lugar no quadro da tabelece-se como modelo. ** Aristóteles tem explanado com mais rigor essa
função da fala chamando-a apophainesthai. O
cultura ocidental. logus permite ver algo (phainesthai) a saber,
A pluralidade do mundo das idéias é uma
aquilo do qual se fala e permite-o ver a quem
Em primeiro momento, a excelência do pluralidade de essências monádicas, uni- fala ou aos que falam uns com outros. A fala
conhecer não passa pelo representar. O dades arquetípicas e organizadoras das permite ver apo... partindo daquilo mesmo do
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solo do conhecimento é ontológico; a vizi- diferenças. Nisso as idéias opõem-se à qual se fala. Heidegger, M. (1951), p. 43.
A representação do conhecimento e o conhecimento da representação: algumas questões epistemológicas

Em um momento posterior, pós-aris- só e delgado fio que é, em cada caso, a O nominalismo, porém, se não requer uma
totélico, surgirá o problema da adequatio consciência em que se apresentar"9. figura forte do sujeito da razão, requer um
na relação intellectus res. O problema da sujeito de vontade, pois arbitrariamente um
concordância existe enquanto existe uma Por outro lado, a experiência da contingên- nome se converte em sinal de uma idéia,
fissura entre um interior (o representar da cia humana transforma-se na potência do de modo que o universo dos signos cresce
consciência) e o exterior (aquilo que é re- indivíduo responsável de si mesmo e de atrelado à potência de um querer.
presentado, a coisa em si ou um X que seus atos (liberdade moral). O homem
sinaliza um real inatingível). cartesiano, que leva em seu voluntarismo Um entre-meio substitui o "entre" do ho-
as marcas da voluntas dei8, absoluta, é mem que é "no mundo", entre as coisas.
Na filosofia grega, pode-se generalizar quase um substituto da criação, artesão Esse entre-meio é ocupado pelo signo –
além do todo formado pela relação metafísico que tem dentro de si os princí- agora instrumento do conhecimento. É
predicativa, que se teria sempre uma es- pios do real (as idéias claras e distintas) e nesse entre-meio, constituído pela repre-
trutura ontológica sustentando esse todo. os critérios de reconhecimento do verda- sentação e pelo signo como seu instrumen-
No horizonte da filosofia moderna, o todo deiro (certeza e evidência). No "eu penso" to, onde se estabelece, sempre a posteriori,
que sustenta a relação predicativa é de do individualismo gnosiológico cartesiano, a relação entre os estados do pensamento
natureza gnosiológica: da ordem da cons- juntam-se o sujeito da vontade eficaz e a e os estados das coisas do mundo (um
ciência, e não da ordem do ser. representação com seu exercício de eficá- puro x não controlável de onde emergem
cia racional, pois a consciência do conhe- os dados sensoriais).
Esse estreitamento do logos e do dia-logos cer como representar é a expressão de uma
que, a partir de Sócrates, iniciara os cami- experiência organizada e organizadora que Se o ponto de partida do conhecer não é já
nhos discursivos da argumentação e da lança sobre o mundo as malhas regulado- o estar no mundo entre as coisas, o ponto
retórica, expressa-se, concretamente, no ras de suas idéias-significados. de partida da comunicação não é o estar
aplainamento das unidades de expressão com de uns com os outros, mas o estar
do pensamento na delgada superfície da Locke permite acompanhar a trajetória da juntamente no entre-meio do signo:
proposição declarativa. Todos os esforços nova compreensão representacional do
posteriores para pensar a linguagem mal conhecimento, em sua versão empiricista. "Porque, como entre as coisas que a men-
conseguem passar o horizonte-guia da pro- O signo - como aquilo que ao substituir te contempla não há nenhuma, com exce-
posição. algo que se apresenta, é também o lugar ção dela mesma, que seja presente para o
manifesto de sua ausência - invade como entendimento, é necessário que alguma
uma cunha o espaço da relação entre o outra coisa apresente-se como signo ou
O MOMENTO GNOSIOLÓGICO pensamento e o real. representação da coisa em consideração,
e esse é o papel das idéias. E, como a
A ruptura da unidade cristã, espiritual, Considerando o signo em sua função encenação das idéias, que constituem os
ontoteológica, levará o homem moderno a cognitiva, Locke inaugurava uma aborda- pensamentos de um homem, não pode
defrontar-se com a contingência de uma gem epistemológica da semântica, a dife- exibir-se de um modo imediato aos olhos
existência sem resguardo. rença da abordagem lógico-gramatical da de outro homem, nem armazenar-se em
Idade Média: nenhuma outra parte que não seja a me-
A formulação dos novos paradigmas da mória, que não é um armazém muito se-
experiência moderna terá estágios prepa- "... Existe tão estreita conexão entre as idéi- guro, temos a necessidade de signos de
ratórios, que passarão pela crítica ao pen- as e as palavras, ... nossas idéias abstra- nossas idéias para poder comunicar nos-
samento tomista e pelo esforço em redefinir tas e as palavras genéricas guardam tão sos pensamentos uns aos outros, assim
a metafísica nos termos de uma ciência constante relação mútua, que é quase im- como para registrá-los em nosso próprio
das ciências, estabelecida sua ruptura com possível falar com clareza e distinção acer- benefício" (p. 72810).
a teologia8. ca de nosso conhecimento, todo ele con-
sistente em proposições, sem considerar, O sujeito nominalista de Locke organiza
As formas de participação e de comunhão primeiro, a natureza, o uso e o significado sua experiência com o homem-contrato. O
com o real em suas profundezas são subs- da linguagem..." (p. 38810) signo operacionaliza, assim, um dupla sín-
tituídas por uma experiência da contingên- tese associativa: de um ladc configurava
cia, que coloca o homem como condição No homem e por seu intermédio, enquan- o intelecto social, e, de um outro lado, cons-
e como limite de tudo o que é dado. Ele to instrumento de cognoscibilidade e truía um mundo.
está no cerne da definição do que seja a comunicabilidade, constrói-se o novo
origem e suas derivações. plano de agregação para as coisas e as No idealismo kantiano, elaborou-se uma
idéias: a linguagem. outra figura da representação, entenden-
A unidade orgânica do homem com o mun- do-a como construção e olhando o conhe-
do, a intuição, a presença das coisas elas Desativados os ordenamentos metafísicos cimento como ato.
mesmas, o saber da testemunha, irão sen- do real, é a linguagem quem propõe as
do substituídos pela unidade da consciên- figuras agregadoras das essências nomi- Antes de qualquer experiência particular,
cia, a representação e a construção expe- nais10. aqui e agora, o sujeito organiza toda expe-
rimental e documentária da prova. riência do mundo enquanto fenômeno, ou
Duas seqüências paralelas - uma, de ins- seja, enquanto se coloca no domínio da
Sumariamente, e a partir desse momento, tantes e intensidades vivênciais cujos va- representação.
conhecer é representar, e o mundo como lores sensoriais apontam a estados de coi- 11
totalidade do contexto da experiência é, sas no mundo, e outra, de ocorrências pon- A síntese produtiva do entendimento ,
enquanto representado pela consciência, tuais de significantes ocorrências sonoras como operação fundadora do conhecimen-
que é agora o lugar da representação, o ou gráficas (tokens) - são articuladas pelo to, estipula as condições do "objeto de ex-
próprio solo do conhecimento. O signo é homem (palavra-forma, type). O nome periência possível". No domínio da finitude,
um instrumento da representação. Para constrói unidades provisórias e conven- o possível é anterior ao real, pois não tem
Heidegger, é a descoberta moderna:"... que cionais que ligam a série de ocorrências outra maneira de algo ser para o homem
por imenso e volumoso que seja o mundo, dos significantes e a série de ocorrências alguma coisa, se não nos limites de suas
toda sua existência está pendente de um da experiência sensorial. possibilidades gnosiológicas.
A representação do conhecimento e o conhecimento da representação: algumas questões epistemológicas

Kant reformula a subjetividade, passando as multiplicidades do que se apresenta, e considerado em sua materialidade
da consciência individual do cogito o conhecimento é uma síntese de repre- observável, mas a língua enquanto estru-
cartesiano à figura de um sujeito em geral, sentações. tura de relações objetivas que torna possí-
cujas formas universais são válidas para a vel a produção do discurso e sua decifra-
humanidade como um todo. Os princípios das operações conceituais ção."... (p. 48215)
do entendimento – as categorias – e as
O conhecimento implica uma dupla rela- formas da intuição pertencem ao sujeito O passo das filosofias da consciência às
ção: relaciona-se com o objeto, enquanto em geral e, como tais, impõem suas con- filosofias da linguagem e o deslocamento
representação; relaciona-se com o sujei- dições aos sujeitos individuais em suas do signo do papel coadjuvante de instru-
to, sob a forma da consciência. A consci- experiências concretas. São transculturais mento a seu novo papel de locus do co-
ência é assim a condição universal de um e transindividuais. nhecimento pareceriam suturar a fenda que
conhecimento em geral, "... a representa- a modernidade instalara entre o objeto e o
O sujeito não aparece, assim, como uma
ção não é o conhecimento, mas o conhe- sujeito.
cimento pressupõe sempre a representa- intransparência, como algo que atrapalha
ção" (p. 50, 51"). e dificulta o conhecer. A demanda de objetividade reaparece, po-
rém, sob a nova figura. Na modernidade,
É esse sujeito modelar transcendental a
Enquanto síntese de representações, o o conhecimento objetivante manifesta-se
garantia da comensurabilidade da experi-
conhecimento afirma sobre o objeto da re- como público e publicado. No mundo con-
ência de cada um com a experiência his-
presentação algo que não pertence à re- temporâneo, é enfatizado o produto do
tórica da humanidade como um todo; é
presentação ou a sua matéria. O ato de conhecimento e conhecimento objetivado.
esse sujeito em geral quem atrela os prin-
conhecer diferencia e remete, um a outra, A epistemologia sem sujeito de Popper
cípios universais e os produtos discursivos
a representação e a consciência (sendo a reformula a figura da semiose – antes ins-
em uma única teia de realização da razão.
consciência a representação de que outra trumento gnosiológico do sujeito – ao con-
representação está em mim) e, ao mesmo O conhecimento do objeto possível é o ceber uma esfera de estrutura semiótica
tempo, remete a um objeto a síntese do novo resguardo da objetividade possível do tão independente do sujeito quanto do ob-
diverso: o vermelho à rosa, a curvatura ao conhecer. jeto do conhecimento. "O conhecimento em
horizonte. sentido objetivo é conhecimento sem co-
Preservada a objetividade, estava a salvo nhecedor; é conhecimento sem sujeito que
Estabelece-se uma nova forma de confli- também um critério para diferenciar repre- conheça" (p. 1116)
to, não entre as boas representações e as sentações de simulacros. O critério
falsas aparências, mas entre as faculda- ontológico platônico é reformulado por cri- O conhecimento, produto autônomo e às
des do sujeito e suas metas de perfeição: térios gnosiológicos: empiricista, como em vezes não intencional das ações humanas,
a busca de perfeição estética da sensibili- Locke, ou racionalista, como em Kant. Eles carece de toda transparência e imediatismo
dade entra em confronto com a busca de se remetem sempre a um sujeito e às po- para seus próprios produtores, apesar de
perfeição lógica do entendimento. tências de suas faculdades. seus efeitos de retrocarga sobre as esfe-
ras das subjetividades.
As realizações do conhecimento, tal como
a ciência, resultam do equacionamento das Os produtores de conhecimento, especifi-
A VIRADA SEMIÓTICA
potências das faculdades, organizadas camente os cientistas, são antes operári-
pela supremacia do entendimento e har- A partir do século XIX acontecerá um mo- os anônimos que autores. "Todo trabalho
monizadas pelo esquema da imaginação vimento em sentido inverso, e o sujeito em ciência é trabalho dirigido para o cres-
produtiva. A sensibilidade, receptiva, aco- perderá toda força explicativa – não só na cimento do conhecimento objetivo... So-
lhe a matéria de todo conhecimento, sujei- esfera do conhecimento, mas também en- mos trabalhadores que estamos aumen-
tando-a às formas puras da intuição: es- quanto agente de ações e transformações tando o crescimento do conhecimento ob-
paço e tempo. O entendimento, faculdade sociais. jetivo, (p. 12216)
ativa, opera por conceitos. O princípio de
sua atividade é a síntese; seu produto, o O estruturalismo, os novos estudos da As novas premissas, que agregam no do-
conhecimento discursivo. O predomínio do semiótica e as epistemologias sem sujeito mínio do signo tanto as práticas hete-
conhecimento conceitual não anula, porém, constituem as novas premissas do conhe- rológicas dos múltiplos sujeitos quanto a
a participação da sensibilidade estética. cimento e de sua possibilidade de objetivi- diversidade dos campos de construção do
Através dela, o conhecimento discursivo dade. objeto do conhecimento, alargam também
relaciona-se com o que nos é dado, outor- os domínios da questão da representação
Para Peirce, o solo do conhecimento do do conhecimento.
gando uma existência empírica às nossas
real é o signo. Comunicação e conhecimen-
programações conceituais. A harmo- "A representação do conhecimento na for-
to são acontecimentos no interior do sig-
nização favorece também a publicização ma simbólica é uma questão que preocu-
no. "... do mesmo modo como dizemos que
dos conhecimentos. pou o mundo da documentação desde sua
um corpo encontra-se em movimento, e
"No entanto, visto que a necessidade da não que o movimento está no corpo, deve- origem. O problema é relevante agora em
natureza humana e o objetivo de vulgari- mos dizer que nos encontramos em pen- muitas outras situações além dos docu-
zar o conhecimento exigem que se procu- samento, e não que pensamentos estão mentos e índices. A estrutura de registros
re reunir duas percepções uma a outra, em nós." (segundo Pierce13, citado por e arquivos em bases de dados; a estrutura
então devemos empenhar-nos também em Bicca2, p. 39) de dados nos programas de computador;
conferir a perfeição estética àqueles conhe- a estrutura sintática e semântica da lingua-
Para Saussure, a língua, como sistema de gem natural; a representação do conheci-
cimentos que são de todo passíveis dela e relações, independe dos atos ou práticas mento em inteligência artificial; os mode-
em tornar popular pela forma estética um
do falar quanto das intenções dos sujeitos los de memória humana: em todos estes
conhecimento conforme as regras da es-
que falam14. Conforme Bourdieu: campos é necessário decidir como o co-
cola e logicamente perfeitos." (p. 5412)
"... Saussure mostra que o medium verda- nhecimento pode ser representado de for-
Para Kant, a representação é uma ativida- deiro da comunicação entre dois sujeitos ma que as representações possam ser ma-
de em que são retomadas e sintetizadas não é o discurso enquanto dado imediato nipuladas." (Vickery17, p. 145)
A representação do conhecimento e o conhecimento da representação: algumas questões epistemológicas

De feto, estariam processando-se grandes UMA NOVA AGENDA DE Outras versões preocupam-se com a
mudanças. A base semiótica ou simbólica QUESTÕES PARA A PESQUISA contextualização das trocas de informação
da representação e sua transmutação NA ÁREA DE ORGANIZAÇÃO E no quadro das relações sociais e suas fi-
possível em códigos computacionais, per- REPRESENTAÇÃO DO guras de cooperação e de conflito. As for-
mitiriam restabelecer, em um novo plano, CONHECIMENTO VISANDO À mas organizacionais e os arcabouços so-
a comensurabilidade e comutabilidade de ciais de trocas informacionais são variá-
RECUPERAÇÃO DA
todos os discursos. As diversidades das veis significativas na compreensão das
linguagens – verbais ou de imagens – e a
INFORMAÇÃO cadeias de transferência de conhecimen-
heterologia dos conteúdos culturais pare- to/informação*.
cem confinados a encontrar um termo de A informação, como conceito, reproduz, de
equivalência nos códigos homológicos das certa forma, os deslocamentos culturais do A comunicação do conhecimento científi-
linguagens digitais. locus da relação do pensamento com o co entra também em processos de
real. Temos assim a informação concebi- reformulação.
Ao mesmo tempo, a nova interpretação da in re, como estrutura ou atributo de es-
semiótica ou simbólica da representação tados de coisas no mundo; a informação A crise dos paradigmas prévios de cienti-
homologaria todas as tradições disciplina- como image, no campo do intelecto ou da ficidade e a crítica da razão dogmática le-
res e técnicas em torno da representação consciência e finalidade, a informação in varão a redefinir, entre outras coisas, quem
(de conhecimentos, informações, dados) dito, função da linguagem, do texto ou da são os atores que participar das esferas
e seus suportes ou registros. Por um lado, razão escrita. de circulação da informação científica, alar-
desenha-se, em torno da questão da re- gando o campo de parcerias possíveis en-
presentação, um campo interdisciplinar que Uma das tematizações mais freqüentes é tre os cientistas e a sociedade.
reúne, ao menos, as ciências do conheci- aquela que estuda a informação no con-
O desenvolvimento de programas
mento, da linguagem, da informação e texto da comunicação do conhecimento.
suas interfaces com as novas tecnologias. interdisciplinares e transdisciplinares re-
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Por outro lado, o tratamento da represen- Ranganathan , ainda na década de 30, querem novas formas de institucio-
tação no quadro operacional da recupera- primeiro sob o escopo da biblioteconomia nalização dos saberes, colocando deman-
ção da informação, como metalinguagem, e depois da documentação, estabelece que das poliepistemológicas de articulação
perde, em parte, seu objeto de referência. as condições de organização e de repre- argumentativa e administrativa.
sentação dos registros do conhecimento
As representações nos documentos e ou- resultam das condições de geração, orga- Por diversos motivos, um tema ficou sem
tros itens de informação (classificações, nização e socialização do próprio conheci- tratamento suficiente: a relação entre: in-
índices, cadastros e catálogos) e os con- mento. formação e significado.
teúdos representacionais aos quais reme-
Na versão da teoria da informação, a in-
tem (textuais, icônicos, sonoros) não se A representação orientada à transferência
formação é considerada independentemen-
colocarão mais frente a frente como duas da informação era analisada por Ranga-
nathan em três planos interdependentes: te do vínculo com um significado, como
ordens da representação.
o plano das idéias, o plano verbal e o pla- seqüência de sinais, no contexto da enge-
A diversidade dos códigos das interpreta- no notacional – código alfanumérico que nharia da comunicação.
ções representacionais, assemelhados em estabelecia o elo entre a ordem ideacional Bar-Hillel e Carnap22, ao elaborarem uma
sua base semiótica, serão agora plura- e as unidades discretas dos registros do teoria semântica da informação, estuda-
lidades simultâneas e da mesma ordem: conhecimento. ram as propriedades semânticas como in-
agregados de camadas de signos refe- dependentes da vinculação comunicacio-
renciando-se umas às outras, sem exem- Os estudos posteriores da representação nal, considerando que a relação entre o ato
plares nem níveis privilegiados. não dariam maior ênfase à questão
de enunciar e o conteúdo do enunciado era
cognitiva, pelo menos durante décadas.
Qual seria agora o locus e o papel das hie- Os conhecimentos serão mais matéria de psicológica, e não lógica, e, por isso,
rarquias, dos critérios seletivos, das linhas mapeamento pontuais, descritivos, confor- irrelevante para uma teoria semântica da
de intencionalidade? informação.
me as necessidades resultantes do dese-
nho e avaliação de sistemas de recupera- A redução da semântica à semântica for-
Como os diferentes arcabouços sociais de ção da informação, sem maiores indaga-
transferência da informação, das forma- ções teóricas ou críticas. mal ou das condições de verdade projetou
ções sujetivas e organizacionais, realiza- sérias restrições ao estudo da relação sig-
rão suas funções cognitivas no quadro dos No estágio atual da questão – a partir da nificado-informação. Assim, a informação
novos paradigmas poliepistemológicos e década de 80 e com certa freqüência – as lógico-semântica, sustentada por um sig-
das memórias plurais? nificado invariável estipulado ria fonte, era
questões cognitivas dos processos de in-
concebida como independente dás inter-
formação ficam em evidência, para alguns pretações subjetivas de seus de codi-
Qual é, em verdade, a natureza e alcance sob a influência dos novos parâmetros tem-
das novas condições epistemológicas, porais e espaciais, definidos pela mun- ficadores e alheia à diversidade dos con-
comunicacionais e sociais da transferên- dialização dos mercados da informação. textos em que estiveram situados emissor
cia da informação? e receptor.
A abordagem cognitivista procura contri-
buir para a definição de um modelo de usu-
ário que permita a manipulação operacio-
nal dos procedimentos intelectuais (inter-
nos) de representação, busca e absorção * Acerca da aplicação do paradigma cognitivista à
19 20.
da informação, simulados em sistemas recuperação/ver Ellias D , e Daniels, P.J .Acerca
da relação entre os pressupostos epis-
homens-máquina. temológicos e os contextos organizacionais da
transferência de conhecimento/informação, ver
21
Turner , especificamente, p. 22.
A representação do conhecimento e o conhecimento da representação: algumas questões epistemológicas

Ao mesmo tempo, a modelagem das ações Por outro lado, se as novas tecnologias e 11. KANT, l. Crítica de Ia Razón Pura. Br.As.,
de armazenagem, processamento e recu- a globalização dos mercados da informa- Losada, 1961.
peração da informação, conforme um ção apostam numa megaesfera de infor- 12. KANT, l. Lógica. R.J.: Tempo Brasileiro, 1992.
paradigma simplificado de sistema, favo- mação digitalizada, são também crescen-
13. PEIRCE, Ch.S. Semiótica. S.P.: Perspectiva,
recia a redução dos problemas da signifi- tes as preocupações com a autonomia
1977.
cação aos problemas de controle e padro- cultural e com o papel das memórias tra-
nização. Para Delattre23, existe sempre um dicionais e locais*. 14. SAUSSURE, F. de As palavras sobre as Pala-
vras. In: Saussure, F. de et alii. Textos Sele-
e só um vocabulário privilegiado do sistema. cionados. S.P.: Abril Cultural, 1975. Os Pen-
O hiato destacado por Hegel entre os con- sadores.
Em suma, tratava-se de definir boas lin- ceitos elaborados por especialistas e as
15. BOURDIEU, P. Esboço de uma teoria da Praxis.
guagens ou vocabulários privilegiados, aos representações particularistas dos atores In: Sociologia. SP: Àtica, 1983.
quais deveriam remeter-se todas as formas em suas experiências cotidianas, aprofun-
que, a efeitos da finalidade sistêmica, apa- da-se nas sociedades cada vez mais de- 16. POPPER, K. R. Conhecimento objetivo: uma
abordagem evolucionária. BH: Ed. Itatiaia;
reciam como linguagens imperfeitas, pendentes dos mercados transnacionais da S.P.: Ed. Univ. de São Paulo. 1975.
entrópicas ou multívocas. informação. Olhando-se no espelho das
17. VICKERY, B.C. Knowledge Representation: a
sociedades pós-industriais e de seus brief review. Journal of Documentation, n. 42,
Hoje, percebem-se sintomas de uma paradigmas prescritíveis, os povos dos 1986.
incipiente mudança nos critérios de rele- países periféricos são pressionados a ver 18. RANGANATHAN, S. Five Laws of Libray
vância: da ênfase nos sistemas e nas lei- suas diferenças unicamente como carên- Science. Bombay: Asia Pu House, 1963
turas estruturais à ênfase nos atores soci- cia dos atributos modelares26. 19. ELLIAS, D. The Phisical and cognitive
ais e suas ações de comunicação/informa- Paradigms in information Retrieval Research.
ção, colocando-se em um novo escopo a Com certeza, a busca de figuras autôno- Joumal of Documentation. v. 48-64,1992.
questão da significação. mas de desenvolvimento de recursos e 20. DANIELS, P.J. Cognitive Models in information
tecnologias de informação passará pela Retrieval. An evaluative Review. Journal of,
Novas orientações nos estudos da lingua- autonomia epistemológica que permita ela- Documentation. v. 42, n. 4, p. 273-304,1986.
gem, entre as quais aquelas que retornam borar nossas próprias agendas de pesqui- 21. TURNER, W.A. De l'epistemologie à Ia
as teses de Wittgenstein24 sobre os jogos sa – também no campo da organização e competitivité industrielle: quelques reflexions
de linguagem, as reformulações da prag- representação do conhecimento visando a sur Ia Science de linformation BRISES, n.
mática ou da sociolingüística, a teoria dos recuperação da informação. 16, p, 21-24, 1992.
atos de enunciação e a teoria da ação co- 22. BAR-HILLEL, Y; CARNAP. R. Semantic
municativa de Habermas25, entre outras, Information. Brit. J. Philos. Sci., v. 9, n. 89, p.
incorporam novos horizontes para a 12-27,1954.
problematização da representação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 23. DELATTRE, P. Teoria dos sistemas
1. WERSING, G. The potencial of basic research epistemologia. Lisboa: A. R. Regra do Jogo,
on users for new orientation of information 198.1.
services. In: FID Congress., Kopenhagen, 24. WITTGENSTEIN, L. Tratado Lógico-Filosófi-
1980. co, Investigações Filosóficas. Lisboa: Fun-
2. BICCA, L. A subjetividade moderna: impasse e dação Calouste Gulbenkian, 1983.
perspectivas. Síntese Nova Fase, v. 20, 25. HABERMAS, J. Sobre a crítica da teoria do
n. 60, p. 9-34, 1993. significado. In: Pensamento Pós-Metafísico
3. CONFORD, F.M. Plato's Theory of Knowledge Estudos Filosóficos. R.J.:.Tempo Brasileiro,
(The Theatetetus and the Spohist of Plato). 1990, p. 105-150.
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n. 111,1992; p. 5-20.
5. DELEUZE, G. Diferença e Repetição. R.J.:
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representation of knowledge: 6. HEIDEGGER, M. El Ser y El Tiempo. México:
some epistemological questions Bs.As., FCE, 1951, p. 235. Artigo aceito para publicação em 28 de
dezembro de 1993.
7. ARISTÓTELES. Metafísica. Barcelona, 1964,
388 p.
8. ALLIEZ, E. Tempos Capitais. S.P.: Siciliano,
Abstract 1991, p. 402.

Knowledge organization and representation are 9. HEIDEGGER, M. La pregunta por la cosa. Bs.
As., SUR, 1964.
of fundamental importance in information retrieval Maria Nélida González de Gomez
and dissemination. We considered it opportune 10. LOCKE, J. Ensayo sobre el entendimiento
to inquire about implicit epistemological premisses humano: México: FCE, 1956. Doutora em Comunicação, professora da Escola
underlying knowledge representation and de Comunicação da Universidade Federal do Rio
representation of knowledge. This will be a de Janeiro e pesquisadora do Departamento de
contribution for development of research in this Ensino e Pesquisa (DEP) do IBICT.
subject, considering the context of emerging new
technology and the paradoxical "revival" of
anthropological principles for knowledge/
information interpretation.

* Entre outras referências possíveis, a conferên-


Keywords cia organizada pela German Library Association
em 1992, conforme comunicação divulgada no
Philosophy of Science/epistemology; Philosophy UNISIST Newstetter (1992) Information policy as
of Knowledge; Information Science; Information cultural policy. Cultural, Economic and Societal
transfer. Aspects, p. 55.

222 Ci. Inf., Brasília, v. 22, n. 3, p. 217-222, set./dez. 1993.

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