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BOUCHER 2º.

8º. ANO A 24.06.19 10

SEGUNDA CHAMADA
PORTUGUÊS

Antes de iniciar a avaliação, leia atentamente as seguintes instruções:


• Esta avaliação contém 10 (dez) questões, totalizando 7.0 pontos;
• A interpretação dos enunciados faz parte da aferição de conhecimentos e da avaliação, por isso leia atentamente todas as questões
antes de assinalar;
• As respostas das questões deverão ser assinaladas ou dissertadas obrigatoriamente com caneta esferográfica de tinta azul ou
preta;
• Qualquer tipo de rasura, marcação de mais de um item de resposta ou uso de corretivo invalidará a(s) questão(ões);
• Em sua carteira não deverá constar nada além de lápis, régua, borracha e caneta.
• Todas as questões dissertativas deverão ser justificadas.
É terminantemente proibido:
a) usar, durante a realização da avaliação, calculadora, head fone, telefones celulares, equipamentos eletrônicos ou fontes de
consulta/comunicação de qualquer espécie, exceto quando autorizado pelo professor.
b) ausentar-se da sala sem permissão do responsável pela aplicação da avaliação;
c) qualquer forma de consulta durante a realização desta avaliação.

Você estudou, neste bimestre, temas como liberdade de se expressar, a questão da desigualdade social e a
diversidade étnica. Viu que, por meio de textos que circulam em sociedade, podemos formar opiniões e
nos convencer com base em argumentos bem estruturados. Como sabemos, o domínio de um gênero
permite ao indivíduo interagir em diferentes situações de comunicação, por isso vamos agora observar o
gênero entrevista.

Ao ler a entrevista a seguir, atente para o conteúdo desenvolvido e para a estrutura do texto.

'Censurar Monteiro Lobato é analfabetismo histórico'

Nathalia Goulart

A obra literária de Monteiro Lobato (1882-1948) tem alimentado gerações de crianças e jovens, e não
consta que seus leitores tenham formado uma horda racista. Assim mesmo, mais um livro do escritor virou
alvo nesta semana da caçada ideológica que tenta enquadrar o criador do Sítio do Pica Pau Amarelo no
crime da racismo. A exemplo do que já fizera com Caçadas de Pedrinho, o Instituto de Advocacia Racial e
Ambiental (Iara) quer banir das escolas públicas o livro Negrinha, lançado em 1920. O que incomoda o
instituto são passagens como "Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha
escura, de cabelos ruços e olhos assustados." A patrulha acusa a obra de trazer "estereótipos e
preconceito". "Trata-se de analfabetismo histórico", diz João Luís Ceccantini, pesquisador de literatura
infanto-juvenil e coautor do livro Monteiro Lobato - Livro a Livro. "Querer censurar ou modificar em algum
grau uma obra cultural é um absurdo." Estudioso da assimilação da literatura por crianças, Ceccantini
acrescenta uma informação ao debate sobre Lobato que demole de vez os argumentos dos censores, que
alegam que as obras de Lobato prejudicam a formação das crianças. "Eu tenho estudado a forma pela qual
as crianças absorvem o que leem e minha conclusão é que elas sabem identificar os excessos dos livros.
Elas se apegam ao que é bom, à essência das histórias - e, no caso de Lobato, essa essência não é racista."
Confira a seguir a entrevista com o pesquisador.

O que o senhor acha da tentativa de banir a obra de Monteiro Lobato das escolas públicas?
Trata-se de analfabetismo histórico, que despreza o tempo em que determinadas obras foram escritas.
Querer censurar ou modificar em algum grau uma obra cultural é um absurdo. Deve-se ainda observar
outra questão: temos de fato uma educação tão deficitária a ponto de os professores serem incapazes de
ajudar os alunos a interpretar passagens que eventualmente façam uso de uma linguagem que já não é

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mais aceita? Por que não usar esse pretexto para discutir em sala de aula o racismo? É uma grande
oportunidade.

O senhor tem um trabalho extenso na área de literatura infantil e acompanha de perto o envolvimento
das crianças com a leitura. De que maneira elas são influenciadas pelo que leem?
Em primeiro lugar, a ficção não tem esse poder todo que a gente imagina. A transferência dos exemplos
não é tão automática assim. Em resumo: o fato de eu ler uma história de ficção não significa que vou sair
por aí reproduzindo um comportamento da ficção. Se fosse assim, bastava escrever livros com histórias
boas e puras para que construíssemos uma sociedade perfeita. Mesmo com a criança, essa transferência
não é automática. Eu tenho estudado a forma pela qual as crianças absorvem o que leem e minha
conclusão é que elas sabem identificar os excessos dos livros, elas se apegam ao que é bom, à essência da
história - e, no caso de Lobato, essa essência não é racista. As crianças entendem que a passagem "macaca
de carvão" não faz discriminação com Tia Nastácia, porque essa não é a essência do livro. Ao contrário do
que possa parecer, a criança é seletiva. Mais seletiva do que muitos críticos.

Tia Nastácia é retratada ao longo da obra de Lobato de forma bastante positiva. Não é exagero acusar o
autor de racismo nesse caso?
Sem dúvida. Tia Nastácia é tratada de forma muito amorosa em toda a obra de Lobato. Existem milhares de
citações afetivas em relação à personagem, que tem uma função crucial na vida dos demais personagens:
eles recorrem a ela em busca de conselho, de carinho. Devemos observar ainda que Lobato usa Tia
Nastácia como pretexto para criticar a superstição, a religiosidade e o excesso de crença no sobrenatural.
Mas não há nenhum traço de ódio racial nessas passagens.

Cartas de Lobato reveladas recentemente mostram a simpatia do autor por teses da eugenia (corrente
que defendeu o aperfeiçoamento da espécie por meio da seleção genética e controle da reprodução). Isso
deve de alguma foram permear a análise que se faz da obra do autor?
Lobato foi, acima de tudo, um humanista. Ele lutou pela igualdade, pela democracia e não há um só
episódio que o ligue a corrupção em alguma esfera. E ele sofreu muito por isso. Decepcionado com os
rumos que o país tomava já naquela época, ele foi um crítico ferrenho do Brasil. Em relação às cartas, não
podemos esquecer que todos nós somos frutos da época em que vivemos. Os pensamentos que ele
exprimiu nos seus textos eram muito comuns naquela época, como a eugenia. Outros escritores que eram
celebridades naquele tempo tinham ideias semelhantes, mas eles não sobreviveram ao tempo. Portanto,
pintar Monteiro Lobato como racista é um erro.

O senhor já tinha assistido a discussões semelhantes sobre as obras de Lobato?


Nenhuma controvérsia envolvendo Lobato é novidade para mim. Ele era uma figura extremamente
complexa, e isso faz dele um alvo fácil. Aconteceu em diversos momentos da história. Não se pode perder
de vista que estamos falando de um dos maiores escritores brasileiros: se tivesse escrito em inglês, seria
um dos maiores de sua época. Sua literatura infantil é de uma riqueza incomparável. Mas, como eu disse,
ele é um fruto de seu tempo, como todos nós, aliás. Se sua obra ajudar a discutir o racismo, então vamos
discutir - não censurar.

Há casos semelhantes de tentativas de censura na literatura infantil?


O caso mais notável é o do autor americano Mark Twain (de cuja obra tentou-se suprimir o termo "nigger",
considerado racista em inglês). Mas acredito que tudo isso tem um lado positivo. A literatura costuma
circular entre grupos muito pequenos: quando a democracia se fortalece e o nível de letramento da
população cresce, temas como esse vêm à tona. O que não pode haver é uma caça às bruxas. Se formos
censurar tudo, comecemos por Homero, na Antiguidade: ninguém saíra ileso.

Qual o prejuízo de suprimir palavras ou reescrever trechos de uma obra literária?


Reescrever a história é uma das coisas mais nefastas que pode haver.

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Uma das propostas do instituto que tenta proibir a distribuição de Caçadas de Pedrinho é enviar o livro
para as escolas com um anexo que aponte as passagens consideradas racistas. O senhor concorda com
esse "guia de leitura"?
Se for o preço a pagar para garantir que a obra de Lobato continuará circulando, que coloquem a tal nota
explicativa. O problema, contudo, é que assim criaríamos um modelo editorial que supõe que o leitor é
bobo e incapaz de chegar a suas próprias conclusões. Não sei em que medida isso é bom. Um dos grandes
fascínios da literatura é permitir múltiplas leituras.

(GOULART, Nathalia. 'Censurar Monteiro Lobato é analfabetismo histórico'. Veja, Educação, 01 outubro de
2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/pintar-monteiro-lobato-como-racista-e-
um-equivoco>. Acesso em: 18 fev. 2016.)

1. (Valor 0,7) Qual o assunto tratado no texto? Qual o posicionamento do entrevistado sobre esse assunto?
Retire um argumento do próprio texto que justifique tal posicionamento.
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2. (Valor 0,7) Por que o entrevistador sempre faz uma afirmação antes de fazer suas perguntas? O que ele
deseja com isso.
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3. (Valor 0,7) Qual o posicionamento do entrevistador perante o entrevistado? Ele concorda com o
entrevistado?
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4. (Valor 0,7) O entrevistado aponta para o fato de que considerar Lobato como racista é um erro, por
conta do contexto histórico em que ele vivia. Você concorda com esse posicionamento? Para você, levando
em conta a opinião do autor, como devemos ler as obras de Lobato?
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5. (Valor 0,7) No gênero entrevista, que tipos de frases são usados pelo entrevistador. Isso acontece na
entrevista apresentada anteriormente?
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6. (Valor 0,7) Que características são bem peculiares aos gêneros textuais? Marque as características que
se encaixam ao gênero do texto lido.

a) seleção do conteúdo temático, elaboração de perguntas, tipo narrativo


b) tipo descritivo, narração de fatos, uso de personagens
c) texto informal, remetente e destinatário, assinatura do entrevistado
d) exposição de ideias, seleção do conteúdo temático, elaboração de perguntas

7. (Valor 0,7) Na oração usada como pergunta na entrevista “O senhor já tinha assistido a discussões
semelhantes sobre as obras de Lobato”, a quem o sujeito da frase se refere?

a) Monteiro Lobato
b) Nathalia Goulart
c) João Luís Ceccantini

8. (Valor 0,7) Na frase “A literatura costuma circular entre grupos muito pequenos: quando a democracia
se fortalece e o nível de letramento da população cresce, temas como esse vêm à tona.”, por que a palavra
“muito” não é flexionada? Aponte a alternativa correta.

a) porque a palavra muito concorda com a palavra costuma


b) porque a palavra muito é sempre invariável
c) porque a palavra muito tem função de verbo
d) porque a palavra é um pronome indefinido
e) porque a palavra muito é um advérbio de intensidade

9. (Valor 0,7) (COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR SARGENTO NADER ALVES DOS SANTOS) A frase inteiramente
correta quanto à concordância verbal é:

a) Por que se permite as cenas de violência, de que estão recheadas a televisão brasileira?
b) As pessoas que se vem mostrando satisfeitas com o país são as beneficiárias das medidas que se veio
implantando.
c) Será que ainda é possível prever as manobras do governo, neste cenário econômico que se caracteriza
por tantas incógnitas?
d) Por mais que os espantem a surpresa dos novos fatos, ainda não lhes falta a capacidade das iniciativas.

10. (VALOR 0,7) Considerando a forma verbal “escutaremos”, escreva no quadro a seguir os seus
elementos.
Radical

Vogal temática

Tema

Desinência modo-temporal

Desinência número-pessoal

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