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HUMBERTO DE CAMPOS E AS OBRAS POST MORTEM

Ana Paula Nunes de Sousa (CESC/UEMA) 1


Emanoel Cesar Pires de Assis (UEMA) 2 Commented [A1]: Acrescentar o nome da Joseane

RESUMO: Quando, no dia 05 de dezembro de 1934, morre o escritor, jornalista, político e crítico,
Humberto de Campos Veras, contraditoriamente, meses depois, nasce o enigmático caso da
literatura Brasileira: Humberto de Campos e as obras de além-túmulo. Ao escritor maranhense é
atribuída pelo espírita Francisco Cândido Xavier a autoria intelectual de 12 obras póstumas.
Muitos foram os comentários e burburinhos que recaíram e sobrepuseram-se sobre o caso do
além-túmulo, cabendo aos leitores e apreciadores a incomum e difícil tarefa de assimilação e
tentativa de comprovação dessa suposta autoria, constituída, portanto, como um emaranhado de
possibilidades e impossibilidades de estudos e análises textuais. Assim, diante dos comentários e
críticas a respeito do caso, o presente trabalho tem como intuito apresentar as diferentes
percepções e compreensões que giraram e giram em torno do grande feito de Chico Xavier,
sobretudo da crítica da época, que o entendia, no mais das vezes, como imitação de estilo,
pastiche. Esta é uma pesquisa qualitativa, de método de leitura analítico e comparativo, cujo
aporte teórico funda-se a partir das ideias de Guiraud (1970), Jemerson (2002), Brandão (2006),
Cúrcio (2007 e 2013), Pereira (2008), Rocha (2008), Monteiro (2009), Lopes (2017), Sousa, Assis
e Correia (2018).

Palavras-Chave: Humberto de Campos; Chico Xavier; Mediunidade.

INTRODUÇÃO

Em 25 de outubro de 1886 nasce, em Miritiba (MA), Humberto de Campos


Veras, filho de Joaquim Gomes de Farias Veras e Ana de Campos Veras. Foi
jornalista, político, crítico, cronista, contista, poeta, biógrafo e memorialista.
Faleceu no dia 5 de dezembro de 1934 no Rio de Janeiro. No entanto,
contraditoriamente, eis que nasce, um ano depois de sua morte, o enigma: Seria
o escritor maranhense o autor espiritual das obras psicografadas pelo mais
conhecido médium brasileiro, Francisco Cândido Xavier?
O caso começou com a publicação de uma carta datada do ano de 1935,
intitulada De um casarão do outro mundo, que, de acordo com Lacerda Filho
(2010), em uma publicação em O Reformador, seria este outro marco na árdua,
mas luminosa missão mediúnica do humilde operário de cristo (Chico Xavier). Foi
quando se apresentou o espírito do consagrado escritor brasileiro Humberto de
Campos, desencarnado na cidade do Rio de Janeiro em 1934. Nesta, Chico

1
Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua
Portuguesa na Universidade Estadual do Maranhão–CESC/UEMA. E-mail:
anapaulacxs123@outlook.com
2
Doutor em Literatura (UFSC). Professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual do
Maranhão- UEMA/Campus Caxias. E-mail: emanoel.uema@gmail.com
Xavier recorre ao amigo Manuel Quintão, relatando-lhe a singularidade do contato
com o escritor maranhense, carta editada pela Federação Espírita Brasileira
(FEB), sendo inicialmente publicada na obra Palavras do Infinito, e, mais tarde,
em 1937, no livro Crônicas de Além-Túmulo.
Ao escritor maranhense Humberto de Campos Veras é atribuída a autoria
de 12 obras póstumas, bem como: Crônicas de Além-Túmulo (1937); Brasil,
coração do mundo, pátria do Evangelho (1938); Novas mensagens (1940); Boa
nova (1941); Reportagens de além-túmulo (1943); Lázaro redivivo (1945); Luz
acima (1948); Pontos e contos (1951); Contos e apólogos (1958); Contos desta e
doutra vida (1964); Cartas e crônicas (1966); e, Estante da vida (1969). Sobre a
recepção desses textos, verifica-se que muitas foram as compreensões atreladas
ao caso, sendo este um emaranhado de possibilidades e impossibilidades de
estudos e análises textuais.
Assim, diante dos mais diversos comentários e críticas a respeito do caso,
o presente trabalho tem como intuito apresentar as diferentes percepções e
compreensões que giraram e giram em torno do grande feito de Chico Xavier,
sobretudo da crítica literária da época, que o entendia, no mais das vezes, como
imitação de estilo, pastiche. Esta é uma pesquisa qualitativa, de método de leitura
analítico e comparativo, cujo aporte teórico funda-se a partir das ideias de
Guiraud (1954), Jemerson (2002), Brandão (2006), Cúrcio (2007 e 2013), Pereira
(2008), Rocha (2008), Monteiro (2009), Lopes (2017), Sousa, Assis e Correia
(2018).

Literatura mediúnica: autoria literária e pastiche

Colaborador ativo de diferentes periódicos, Humberto de Campos detém


uma produção bibliográfica significativa. Escreveu contos, memórias, ensaios,
artigos, biografias, poemas e crônicas. Trabalhou nos jornais Folha do Norte,
Província do Pará e O Imparcial, além dos jornais Gazeta de Notícias e Correio da
Manhã, bem como outros. Para uma melhor compreensão dos gêneros literários
utilizados pelo autor, abaixo segue uma imagem retirada do sítio digital “Portal
Maranhão” (www.biblio.inf.ufsc.br/literaturamaranhense/public) que melhor
exemplifica a produção do escritor:
Figura 01: Gêneros literário do autor /Fonte: www.biblio.inf.ufsc.br/literaturamaranhense/public

Das obras escritas e publicadas pelo o autor, têm-se: Poeiras (1904 e


1915); Da seara de Booz (1918); Tonel de Diógenes (1920); A serpente de bronze
(1921); Mealheiro de Agripa (1921); Carvalhos e roseiras (1923); A bacia de
Pilatos (1924); Pombos de Maomé (1925); Grãos de mostarda (1926); Alcova e
salão (1927); O Brasil anedótico (1927); O monstro e outros (1932); Um sonho de
pobre (1935); Lagartas e Libélulas (1935); Memórias inacabadas (1935);
Reminiscências (1935); Sepultando os meus mortos (1935); Notas de um diarista
(1935 e 1936); Últimas crônicas (1936); Perfis (1936); Contrastes (1936); O arco
de Esopo (1943); A funda de Davi (1943); Gansos do capitólio (1943); Fatos e
feitos (1949); Diário secreto (1954).
Para compreendermos melhor a produção do autor, abaixo segue uma
imagem, também retirada do sítio “Portal Maranhão”
(www.biblio.inf.ufsc.br/literaturamaranhense/public) que apresenta a distribuição
anual das publicações de Humberto de Campos:
Figura 02: Produção anual do autor/Fonte: www.biblio.inf.ufsc.br/literaturamaranhense/public

Scheibe (2008), em A crônica e seus diferentes estilos em Humberto de


Campos, afirma ser escassa a bibliografia do literato maranhense, pouco
conhecido por seu percurso no jornalismo e na literatura, estando sua imagem
ligada à ideia de ser um dos primeiro espíritos a ser encarnados por Chico Xavier,
um viés cheio de amarras históricas e de julgamentos de valores, muitas vezes,
entendidos como um horizonte de possibilidades e impossibilidades de estudos.
Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier, nasceu em
02 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, pequena cidade de Minas Gerais,
próxima de Belo Horizonte. O pai, João Cândido, era vendedor de bilhetes de
loteria, e a mãe, Maria João de Deus, dona-de-casa e lavadeira, uma família
composta por 11 pessoas. A mãe de Chico Xavier morreu quando ele tinha cinco
anos. No entanto, embora tenha tido uma infância sofrida, este tornou-se o
médium mais conhecido do Brasil, autor de várias obras póstumas,
aproximadamente 400, atribuídas a pessoas desencarnadas, dentre eles,
escritores renomados e conhecidos da literatura, como Humberto de Campos,
conforme afirma Rocha (2008).
A ideia que gira em torno dos escritos mediúnicos é da literatura mediúnica
como imitação de estilo, pastiche, dada ao reaproveitamento de estilos de autores
e épocas literárias. Sobre a definição de pastiche, Jemerson (2002, p. 44-45) diz:

O pastiche, assim como a paródia, é a imitação de um estilo peculiar ou


único, é o uso de uma máscara estilística, é a fala numa língua morta,
mas é, sobretudo, a prática neutra dessa mímica, sem a motivação
ulterior da paródia, sem o impulso satírico, sem o riso, sem aquele
sentimento ainda latente, de que existe algo normal. [...] Enquanto que o
pastiche é meramente uma reprodução desprovida de sentido, que tem,
outrossim, como característica “o plágio alusivo e fugidio de tramas mais
antigas”

Imitação de estilo? Estaria Chico Xavier plagiando o estilo de Humberto de


Campos? Estaria o médium fazendo uso da cultura e da erudição do intelectual
maranhense? Estaria ele, assim como a Federação Espírita Brasileira (FEB),
somente com o intuito de embarcarem na indústria editorial com a venda dos
livros e promoverem suas imagens? Estas são algumas das perguntas frequentes
atreladas ao caso.
Pereira (2008), em Psicografia e Autoria: um estudo estilístico discursivo
em Parnaso de Além Túmulo, afirma que, de origem francesa, iniciado com Allan
Kardec, na segunda metade do século XIX, o espiritismo chegou ao Brasil no
início do século XX, adaptando-se à cultura local, passando a ganhar uma
multidão de adeptos, mais tarde, em poucas décadas, convertendo-o no maior
país espiritual do mundo, sendo o médium Chico Xavier o principal representante,
com uma vasta produção de textos no gênero prosa e verso.
A respeito da recepção dos textos de Chico Xavier atribuídos a Humberto
de Campos, Rocha (2008) destaca em sua tese algumas das diferentes
compreensões da crítica no tocante ao estilo da escrita da obra Crônicas de
Além-Túmulo, retiradas de importantes revistas e jornais das décadas de 30, 40 e
50, como, por exemplo, as do colunista literário Eloy Pontes, do professor de
psiquiatria Melo Teixeira e as de Mário Matos, publicada em 02 de agosto de
1944, no jornal Diário da Tarde, que afirma:

Há a mesma natureza de cultura e a mesma similaridade de erudição.


Citações bíblicas, citações históricas, aplicação de casos e episódios ao
assunto de que discorre. Sucedem-se igualmente as frases substantivas.
Não sei se foi porque li as Crônicas astrais em hora propícia, mas
verdade que achei o estilo do morto muito mais vivo. Entretanto,
similaridade de estilo, de cultura e de erudição não é prova “específica”
de identidade, de autenticidade. Mas impressiona, de fato (MATOS apud
ROCHA, 2008, p. 30-31).

Para o crítico, mesmo que os textos psicografados por Chico Xavier


apresentem similaridades estilísticas, tratando-se de erudição, citações bíblicas,
citações históricas e uso de frases substantivadas, características percebidas nos
textos escritos por Humberto de Campos, estas não são provas específicas de
identidade e autenticidade, sendo o caso impressionante.
No entanto, na perspectiva do professor psiquiatra Teixeira (Apud ROCHA,
2008) tratando-se da autoria literária desses textos, fazer “pastiche”, imitar o estilo
de prosadores e poetas “à La manière de” depende de jeito especiais, exige
prévia e diuturna leitura dos autores a serem imitados, exigindo paciente esforço
de elaboração, de retoques, de policiamento da produção, e isto, em tentativas,
demanda tempo.
Segundo ele, fazê-lo, como Chico Xavier costumava, de improviso, numa
elaboração e redação instantânea, sem segundos sequer de meditação para
coordenar suas ideias, passando em sucessão ininterrupta da prosa ao verso, da
página de ficção para a de filosofia, ou moral, é algo inexplicável, e que não está
ao alcance de qualquer imitador de estilos ou amadores de contrafação literária.
Em um trecho retirado da obra Crônicas de Além-Túmulo, também
atribuída ao escritor maranhense, é apresentada, sob a voz de um narrador-
personagem, a percepção sobre a aceitação de textos póstumos atribuídos a
escritores desencarnados, bem como:

Por enquanto, poucos intelectuais, na Terra, são suscetíveis de


considerar a possibilidade de escreverem um livro, depois de ‘mortos’.
Eu mesmo, em toda a bagagem de minha produção Literária no mundo,
nunca deixei transparecer qualquer Laivo de crença nesse sentido
(XAVIER, 1937, p.03).

Sobre a prática do psicógrafo, ou seja, a psicografia de textos, Pereira


(2011), em uma entrevista concedida a Geraldo Lemos Neto, enviada para o
Instituto Beneficente Chico Xavier, fala sobre o que se entende sobre o papel do
psicógrafo, o que se convenciona chamar de interferência da qualidade literária
da mensagem, a partir do ponto de vista mediúnico. Segundo ela, o espírito
comunicante utiliza o cabedal fornecido pelo médium, podendo psicografar
assuntos muito superiores à sua capacidade. Afirma que a qualidade da
mensagem não depende apenas do médium, mas também do espírito que a
fornece e até do ambiente em que exerça a sua faculdade.
Desse modo, Monteiro (2009) afirma ser bastante ilustrativo o caso das
obras psicografadas no Brasil, sendo o exemplo mais notável, a seu ver, o do
médium Francisco Cândido Xavier, cuja produção já foi objeto de algumas
pesquisas, como a de Rocha (2001). Sendo este, para ele, um assunto que
fascina, cujo material existente permite investigações de toda espécie, válidas
enquanto esforço de reflexão e de busca da verdade.
De acordo com Pereira (2008), o assunto da psicografia, principalmente o
que concerne à atribuição de autoria, é particularmente interessante, se
considerarmos a importância dada pela sociedade brasileira à autoria literária de
um texto.

Tratar o assunto da psicografia, especialmente as atribuídas a nomes


consagrados da literatura, mostra-se particularmente interessante,
principalmente numa sociedade como a nossa, que tanto valoriza a
questão da autoria, mormente do ponto de vista jurídico [...] sobretudo no
que diz respeito ao pastiche, ao plagio e a teoria da tradução (PEREIRA,
2008, p. 09).

Para o pesquisador, no Brasil, em 1944, um caso particular de atribuição


de autoria acionaria a justiça e seria o mais polêmico do gênero pelo seu
ineditismo, tanto na jurisprudência nacional quanto internacional. A viúva do
escritor Humberto de Campos entrou na justiça contra Chico Xavier e a editora
FEB (Federação Espírita Brasileira) requerendo a comprovação ou não da autoria
do escritor nos textos psicografados pelo médium, pois a família do famoso
escritor, então titular dos direitos autorais de sua obra, sentia-se incomodada com
a presença no mercado de cinco títulos que levavam o nome do falecido autor na
capa.
Em entrevista dada à Revista da Semana, em 1944, o advogado da família,
Milton Barbosa, questionado sobre a semelhança de estilo dos textos atribuídos a
Humberto de Campos, afirma que se algumas semelhanças poderiam ser
descobertas em trechos psicografados por Chico Xavier com o estilo de Humberto
de Campos, semelhança explicável com a leitura atenta das obras do grande
moralista maranhense, elas não o impressionavam.

Estudos quantiqualitativos: uma possibilidade de análise autoral

Os estudos de comprovação de autoria, há algum tempo, vem tomando


novos rumos. São realizadas, hoje, pesquisas que fazem uso das ferramentas
digitais como suporte metodológico. Fala-se em estudos quantiqualitativos,
metodologia de análise textual viabilizada por meio de ferramentas
computacionais.
Segundo Lopes (2017), os estudos estatísticos de autoria foram umas das
primeiras preocupações dos pesquisadores no âmbito dos estudos estatísticos
textuais, mesmo não sendo pesquisas e metodologias de prática tão recente,
visto que já eram realizadas, de modo manual, para testar a autoria de textos do
século XIX. No entanto, é o pesquisador que aponta a direção certa para o seu
trabalho e traça os seus objetivos, embora munido do potencial computacional, de
softwares informatizados bem elaborados.
Conforme salienta Brandão (2006), a prática de transcrição de textos, cuja
autoridade deveria ser reconhecida, foi parte da atividade monacal no período
medieval, e a verificação de autoria de textos, desde então, está enraizada nos
hábitos intelectuais europeus. Existe lá um permanente e fecundo exercício na
elaboração de técnicas e métodos para determinação de autoria de textos. E, é
aí, que entra os estudos estilométricos: uma metodologia que pode ser usada
para análise de textos atribuídos a escritores desencarnados, como é o caso de
Humberto de Campos.
Assim sendo, considerando a importância historiográfica da memória
literária do escritor maranhense Humberto de Campos Veras, bem como as
possibilidades de um estudo significativo sobre os textos póstumos atribuídos por
Chico Xavier a ele, está sendo desenvolvida uma pesquisa voltada para as
particularidades da vida e obra do escritor “miritibano”.
O trabalho consiste na tentativa de comprovação da autoria da obra
“Crônicas de Além-Túmulo”, psicografada pelo espírita brasileiro Francisco
Cândido Xavier e atribuída ao miritibano Humberto de Campos. Um estudo de
caráter estilístico e estilométrico, cujo método dá-se a partir da análise quanti-
qualitativa de obras literárias, viabilizada pelo software Hyperbase, de Etienne
Brunet, que possibilita explorações documentárias como as concordâncias, as
listas de palavras e visualização do contexto das ocorrências, de acordo com
Cúrcio (2007).
Abaixo segue a imagem da base criada no programa Hyperbase para o
estudo de comprovação da obra Crônicas de Além-Túmulo:

Figura 03: Programa Hyperbase/Fonte: Acervo Pessoal.

A obra é contraposta com outros seis textos: Balas de Estalo (1883); A


Semana (1892) e Crônicas (1938), de Machado de Assis; Da Seara de Booz
(1918) e Últimas Crônicas, de Humberto de Campos (1962) e Os Mensageiros
(1944), de Chico Xavier. Como afirma Lopes (2017), a comparação dos dados
estatísticos estilométricos entre o corpus base e o corpus de contraste se torna
pertinente, pois é possível estabelecer através deste os desvios estilísticos que
diferenciam a composição dos autores analisados.
E por assim ser, cabe, nessa perspectiva, citar as ideias dos pesquisadores
Sousa, Assis e Correia (2018), que afirmam, percebendo as significativas
mudanças no atual contexto de estudos, que a sociedade evolui e as pessoas
com ela se desenvolvem, estando nós, vivendo em uma era de cultura digital,
cercados por inúmeras possibilidades de pesquisas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista todas as colocações e compreensões sobre o caso post


mortem, podemos perceber as mais diversas e divergentes opiniões a respeito
dos textos mediúnicos atribuídos por Chico Xavier ao espírito de Humberto de
Campos, em especial à obra Crônicas de Além-Túmulo, sendo esta a primeira,
publicada em 1937, pela editora FEB.
A aceitação ou não de tais textos pelo leitor comum, como de autoria do
espírito de Humberto de Campos, é, no final das contas, de cunho estritamente
pessoal. Aqueles que corroboram a autenticidade de tais obras afirmam que os
escritos de Xavier apresentam os mínimos detalhes da escrita de Campos, tais
como aqui já referidos, citações a lugares e ocasiões, similaridade de erudição e
de cultura, dentre outros aspectos, com uma propriedade que seria possível
apenas ao crivo do autor maranhense.
Em contrapartida, há, também, aqueles que não aceitam tal autoria,
questionam que a análise intuitiva, apenas, não seria o bastante para
compreender um texto como um todo, e que, todas as características de estilos já
conhecidos dos textos de Campos e presentes nas psicografias de Xavier, seriam
bem possíveis de se aprender com base em muito estudo das obras escritas em
vida pelo autor, e assim fazer uma imitação do estilo do mesmo. O chamado
pastiche.
Para alguns, seria impossível cravar um veredito a respeito dessa
temática, vide os exemplos já mencionados, levando em conta que a aceitação ou
não da autenticidade dessas obras é totalmente subjetiva ao leitor, podendo ele
apenas analisar os prós e contras de ambas as vertentes de pensamentos e
opiniões. No entanto, através dos estudos estatísticos textuais tais interpretações
podem ser revistas, uma vez que essa metodologia de análise fornece dados
matemáticos, cabendo ao pesquisador somente a interpretação.

REFERÊNCIAS

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<www.institutochicoxavier.com>. Acesso em: 20 de julho de 2019.

ASSIS, Emanoel César Pires de; CORREIA, Marcus Vinicius Sousa; SOUSA, Ana
Paula Nunes de. A Digitalização da Literatura Maranhense: O Portal Maranhão.
Revista Letra Magma - Revista de Divulgação Científica em Língua Portuguesa,
Linguística e Literatura, Ano 14, n.23, 2018. Disponível em:
http://www.letramagna.com. Acesso em: 16 de julho de 2019.

BRANDÃO, Saulo Cunha de Serpa. Atribuição de Autoria: um problema antigo,


novas ferramenta. Texto Digital, Florianópolis-SC, ano 2, n. 1, junho/2006.
Disponível em: http:www.textodigital.usfc.br. Acesso em: 10 de junho de 2019.

CÚRCIO, Verônica Ribas. Sintaxe da frustração: análises estatísticas de textos


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JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio.


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LOPES, Daniel. A caracterização de estilo de escrita de Coelho Neto no romance


Miragem (1895), a partir de uma abordagem estilométrica. 2017. 115 pág.
Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Estadual do Maranhão, Caxias-
MA, 2017.

LACERDA FILHO, Licurgo Soares de. Chico, sempre presente. Rio de Janeiro:
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MONTEIRO, José Lemos. A estilística: manual de análise e criação do estilo


literário. 2 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2009.

PEREIRA, Benedito Fernando. Psicografia e Autoria: um estudo estilístico discursivo


em Parnaso de Além Túmulo. 2008. 166 f. Trabalho de Conclusão de Curso –
Universidade do Vale Sapucaí, Porto Alegre, 2008.

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Tese (Doutorado em Teoria e História Literária) – Instituto de Estudos da
Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
SCHEIBE, Roberta. A crônica e seus diferentes estilos na obra de Humberto
de Campo. Imperatriz-MA: Ética, 2008.

XAVIER, F. C. Crônicas de além-túmulo [Humberto de Campos]. 13 ed. Rio de


Janeiro: FEB, 1998.

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