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Atitudes de Jesus diante de circunstâncias desfavoráveis

Marcos 8.1-10
Introdução:
 Qual é a sua visão diante das necessidades alheias?
 Quando você passa por alguma necessidade como você reage?
 Qual a influência que as promessas de Deus fazem em sua vida?
 Qual área da sua vida precisa de um milagre de multiplicação?
Introduzimos este texto destacando duas coisas:
Em primeiro lugar, enquanto Jesus é rejeitado pelos seus, é procurado
pelos gentios. Jesus ainda está em território estrangeiro. Ao mesmo tempo
em que Ele está sendo rejeitado pelos líderes religiosos, os gentios o buscam
ansiosamente. Marcos colocou esse relato intencionalmente no fim de uma
viagem por terras pagãs para enfatizar seu trabalho missionário entre os
gentios.
Em segundo lugar, Jesus demonstra compaixão pelos gentios. Jesus é
capaz de não somente operar maravilhas, mas também de repetir suas obras
maravilhosas; sua compaixão é mostrada não somente em relação ao povo
da aliança, mas também em relação àqueles de fora.
O fato de Marcos dedicar espaço a duas narrativas do mesmo tipo de milagre
sugere que cada uma delas tem algo de especial para comunicar, e que
nenhuma poderia ser omitida sem perder-se algo importante. Jesus empregou
a repetição como parte de seu método de fixar as verdades ensinadas, dando
aos seus discípulos e à multidão uma segunda chance.
Esse texto nos fala de quatro atitudes de Jesus:
A compaixão de Jesus (8.1-4)
(1) Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não
tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse: (2)
Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem
comigo e não têm o que comer. (3) Se eu os despedir para suas casas,
em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe. (4)
Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los
de pão neste deserto?
Destacamos três aspectos da compaixão de Jesus:
a. (1) Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande
multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os
discípulos e lhes disse: (2) Tenho compaixão desta gente,
porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que
comer.
Em primeiro lugar, ela é manifestada aos gentios (8.1,2).
Jesus já alimentara uma multidão às margens do Mar da
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Galiléia, agora alimenta outra multidão em território gentio.
Esse segundo milagre aponta para o reino de Deus, o qual
inclui homens, mulheres e crianças de todas as línguas e
nações. Os privilégios exclusivos dos judeus têm um fim.
Deus mostra seu interesse por todas as pessoas, abrindo o
seu reino tanto para gentios quanto para judeus.
Jesus demonstrou compaixão por aqueles que não
eram seu povo, aqueles que não tinham fé nem
graça, antes estavam sem Deus no mundo, sem
esperança, vivendo separados da comunidade de
Israel. Jesus sentiu compaixão deles, embora não
o conhecessem. Ele morreu por eles, embora eles
não entendessem seu sacrifício. Verdadeiramente
o amor de Cristo ultrapassa todo o entendimento
(Ef 3.19).
A palavra “permanecer” (8.2) tem um tom religioso,
como a palavra “esperar” (esperar em Deus com
fé, apesar de provações e sofrimentos). Havia
avidez naquela multidão que ouvia os ensinos de
Cristo. Enquanto os fariseus eram os críticos de
Jesus, os gentios se deleitavam em seu ensino.
b. (3) Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão
pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.
Em segundo lugar, ela atrai os gentios (8.3). Essa grande
multidão estava num lugar deserto havia três dias; muitos
deles vindo de lugares distantes. A pessoa, o ensino e as
obras de Jesus atraíam de forma irresistível essas pessoas.
a presença de Jesus era tão magnética, as suas palavras e
ações tão maravilhosas, que os que o circundavam
julgavam que era impossível deixá-lo. O tempo, o cansaço,
a fome ou mesmo seus afazeres não os impediam de
permanecer três dias num lugar deserto ouvindo
atentamente as palavras de Jesus.
c. (4) Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá
alguém fartá-los de pão neste deserto?
Em terceiro lugar, ela é contraposta à insensibilidade dos
discípulos (8.4). Na primeira multiplicação dos pães, os
discípulos tomaram a iniciativa de pedir a Jesus para
despedir a multidão (6.35,36). A questão enfrentada nessa
circunstância, porém, era mais grave do que na primeira
multiplicação dos pães. Lá o problema básico era arranjar
dinheiro para comprar pão (Jo 6.7).

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Naquele caso, a comida poderia ser comprada nas
cidades e vilas da vizinhança (6.36). Aqui, porém,
nem lugar tem para comprar pão. O lugar era
deserto, era uma multidão e o tempo já assinalava
sinais de perigo para essa gente.
Os discípulos, com os corações endurecidos, não
veem saída para o problema. Eles nem sequer se
lembraram do primeiro milagre. Eles têm uma
memória curta e um coração endurecido. Eles
destacam as dificuldades das circunstâncias e não
o poder de Jesus para realizar o milagre. Eles
veem o problema e não a solução.

O poder de Jesus (8.5-10)


(5) E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? Responderam eles:
Sete. (6) Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os
sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos,
para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo. (7) Tinham
também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes
igualmente fossem distribuídos. (8) Comeram e se fartaram; e dos
pedaços restantes recolheram sete cestos. (9) Eram cerca de quatro mil
homens. Então, Jesus os despediu. (10) Logo a seguir, tendo embarcado
juntamente com seus discípulos, partiu para as regiões de Dalmanuta.
Três verdades merecem destaque:
a. (5) E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes?
Responderam eles: Sete.
Em primeiro lugar, o pouco nas mãos de Jesus é muito
(8.5). Apenas sete pães podem transformar-se no começo
de um grande milagre. Quando colocamos o pouco nas
mãos de Jesus, Ele pode realizar grandes milagres. Com
Cristo tudo é possível. O conhecimento exato do suprimento
completamente inadequado (humanamente falando) fará
que reconheçam a grandiosidade do milagre.
O pão é a vida. A palavra hebraica para “deserto”,
porém, significa “separado da vida”. Assim, “pão
no deserto” é uma contradição de termos, uma
impossibilidade ou – uma possibilidade só para
Deus.
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Quando os nossos recursos acabam ou são
insuficientes, Jesus pode ainda fazer o milagre da
multiplicação. Precisamos aprender a depender
mais do Provedor do que da provisão. Ele ainda
continua multiplicando os nossos pequenos
recursos para alimentarmos as multidões famintas.
Nós jamais deveremos duvidar do poder de Cristo
para suprir a necessidade espiritual de todas as
pessoas. Ele tem pão com fartura para toda alma
faminta. Os celeiros do céu estão sempre cheios.
Devemos estar seguros de que Cristo tem
suprimento suficiente para todas as necessidades
temporais e eternas do seu povo. Ele conhece as
suas necessidades e às suas circunstâncias. Ele é
poderoso para suprir cada uma das nossas
necessidades. Aquele que alimentou a multidão
jamais mudou. Ele é o mesmo e tem o mesmo
poder e compaixão.
b. (6) Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando
os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus
discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o
povo. (7) Tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os,
mandou que estes igualmente fossem distribuídos.
Em segundo lugar, a ação divina não exclui a cooperação
humana (8.6,7). A soberania de Deus não anula a
responsabilidade humana. Cristo realizou o milagre, mas
contou com a participação daquelas pessoas.
Primeiro, Ele fez o milagre a partir dos sete pães e
alguns peixinhos (8.5,7). Ele poderia ter criado do
nada aqueles pães e peixes como fez na criação,
mas resolveu começar a partir do que eles já
possuíam. a ajuda passa pela cessão obediente
dos meios próprios (6.38). Até os doentes se
tornam cooperadores de Deus quando da sua
cura: Tenha o desejo de ser curado, venha até
aqui, levante-se, estenda a mão!

Aqui a pequena provisão própria é
considerada. As atividades de Deus não
tornam o homem passivo. Quando Jesus
perguntou aos discípulos: “Quantos pães
tendes?”. Estava mostrando-lhes que eles
não tinham o suficiente. Isso os ajudou a
analisar a situação; abriu-lhes os olhos para
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a inadequação de seus recursos; relembrou-
os do milagre anterior e encorajou-os a
descansarem em Deus.
Segundo, Ele requer ordem. Pediu à multidão que
se assentasse no chão. Aqui não tem relva, pois é
uma região deserta.
Terceiro, Ele deu graças. Precisamos agradecer o
que temos antes de vermos o milagre
acontecendo. O milagre é precedido por gratidão e
nunca por murmuração.
Quarto, Ele partiu o pão. O milagre aconteceu
quando o pão foi partido. O milagre da vida deu-se
quando Jesus também se entregou e seu corpo foi
partido.
Quinto, Ele usou os discípulos para alimentarem a
multidão. Jesus fez o milagre da multiplicação,
mas coube aos discípulos o trabalho da
distribuição.
c. (8) Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes
recolheram sete cestos. (9) Eram cerca de quatro mil homens.
Então, Jesus os despediu.
Em terceiro lugar, a provisão divina é sempre maior do
que a necessidade humana (8.8,9). Não há escassez na
mesa de Deus. Ele coloca diante do seu povo uma mesa no
deserto. Na mesa do Pai há pão com fartura. Todos
comeram e se fartaram e ainda sobejou. Eram quatro mil
homens e eles ainda recolheram sete cestos.
Esses cestos são maiores do que os cestos da
primeira multiplicação. Esses são grandes balaios,
a mesma palavra usada para o cesto que Paulo
desceu pela muralha de Damasco para salvar sua
vida (At 9.25).
As duas palavras gregas são bem distintas:
kophinos, usada em Marcos 6.43 era um cesto de
vime; e spuris, usada aqui em Marcos 8.8 era uma
cesta maior de vime, ou um grande balaio.