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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4° REGIÃO

GAL GODOT, brasileira, estado civil, advogada, inscrita no CPF sob o

nº 987.654.321, RG n° 12.345.678, domiciliada na Avenida Batel, 851, Bairro Batel,

vem, respeitosamente, por meio de seu

advogado abaixo assinado (procuração e atos constitutivos anexos) com endereço

, recebe intimações, à presença de Vossa Excelência impetrar

,

profissional situado na Rua

onde

Município de Curitiba, endereço eletrônico

,

,

Bairro

,

Cidade

Estado

,

CEP n°

,

MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO COM PEDIDO DE MEDIDA LIMINAR

com fulcro na Lei nº 12.016/09, combinada com o artigo 5º, LXIX, da Constituição Federal, em face de provável ato do Tribunal Regional da 4° Região,

, pelos motivos

representado pelo Exm. Sr. Desembargador Presidente, com sede na de fato e de direito a seguir aduzidos.

I - DA TEMPESTIVIDADE

Nos termos do art. 23, da Lei 12.016/2009, o prazo para impetração deste decorre em 120 (cento e vinte) dias, contados a partir da ciência do ato impugnado, in verbis, salienta-se que a imperante tomou ciência do ato ilegal perpetrado na data da publicação do Edital, mas o mesmo só veio a se consolidar no dia de aplicação das provas do concurso, que ocorreu no último domingo, dia 01 de Setembro de 2019. Desta forma, é tempestivo o presente mandamus.

II DA SÍNTESE FÁTICA

A impetrante foi aprovada em 10º colocada em um concurso para magistratura federal do TRF4. O concurso foi homologado em 02/02/2018, sendo que para o referido concurso foram ofertadas 6 vagas e foram aprovados 20 candidatos. O prazo de validade estipulado para o concurso foi de 02 anos.

Até a presente data o tribunal convocou 8 dos aprovados no referido

concurso. Em virtude do grande número de aposentadorias dos membros efetivos ocorridas no final do ano, a presidência do TRF4, determinou a realização de novo concurso público, cujo novo edital foi publicado em 28/02/2019 para mais 5 vagas, sem nomear os demais aprovados no concurso anterior

As provas do referido concurso foram realizadas em 01 de setembro de 2019, consolidando assim o ato ilegal.

III DO CABIMENTO DA IMPETRAÇÃO PREVENTIVA

O Mandado de Segurança Preventivo tem como pressuposto

necessário, a existência de ameaça a direito líquido e certo, que importe justo receio

de que venha ocorrer ato injusto e um risco de dano dele decorrente.

No presente caso o justo receio está plenamente visível, uma vez que o concurso homologado em fevereiro de 2018 está em vigência, com 12 aprovados em cadastro reserva, que até então se tratava de mera expectativa de direito, mas com a realização de novo concurso com 5 vagas disponíveis no período de vigência do concurso anterior, torna o direito da impetrante líquido e certo, vez que não será admissível a preterição arbitrária de aprovados no novo certame, em detrimento dos aprovados em certame anterior, plenamente vigente.

Este remédio constitucional é uma das garantias que a Constituição Federal assegura aos indivíduos para proteção de direito líquido e certo, lesado ou ameaçado de lesão por ato de autoridade. Está previsto no artigo 5º, inciso LXIX, segue abaixo:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas-corpus ou habeas-data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso

de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no

exercício de atribuições do Poder Público;

Assim, a impetração é cabível, na forma como foi proposta, isto é, preventivamente, haja vista a ameaça ao direito líquido e certo do impetrante.

IV DA PROIBIÇÃO DE PRETERIÇÃO ARBITRÁRIA

A Constituição Federal não possui regra que impeça a abertura de novo concurso durante o prazo de validade do anterior, mas expressamente garante aos candidatos aprovados no certame anterior a prioridade na sua nomeação, perante aqueles indivíduos que vierem a ser aprovados na nova seleção, nos termos do art. 37, inciso IV da CF/88:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de

qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal

e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,

impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,

ao seguinte:

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira; (grifos nossos)

Entretanto, em relação aos concursos públicos federais, vale frisar que

a Lei 8.112/1990, em seu art. 12, § 2º, veda a realização de novo concurso enquanto válido o concurso anterior.

Art. 12 § 2º - Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expirado.

Este dispositivo federal se presta a justamente proteger a expectativa de direito dos aprovados em certame de concurso vigente, sendo assim, o Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que a abertura de novo concurso por si só não é ilegal, ressalvada as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, se extrai do seguinte julgado:

[…] O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizadas por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. (grifos nossos)

(MS 33064 AgRg/DF, rel. Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, STF, julgado em 09/10/2017, publicado em 10/10/2017)

Para o presente caso, a hipótese destacada está inequivocamente presente, na medida que o novo edital prevê o total de 5 vagas cuja a nomeação será obrigatória por parte do poder público, a previsão destas vagas é suficiente para presumir a “inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame

Por fim, a Administração Pública não está vedada de realizar concurso durante

o prazo do concurso anterior, e quem for aprovado dentro das vagas do edital, tem

prioridade sobre os novos concursados, e aquele que foi aprovado no cadastro de reserva terá direito desde quando o gestor público convocar os novos concursados de forma arbitrária e imotivada sem levar em consideração os aprovados no concurso anterior. O que da origem a justo receio de que tal ato venha a ocorrer.

V DA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA

Extrai-se do exposto, que resta presente a probabilidade do direito, com suporte na Constituição Federal, na lei do mandado de segurança e na jurisprudência, e ainda, claro, desponta o perigo de dano de difícil reparação/risco ao resultado pretendido no final do processo, vez que uma preterição arbitrária na nomeação poderá causar grandes transtornos a impetrante, caracterizando violação a direito líquido e certo.

A possibilidade de concessão liminar em mandado de segurança vem prevista no art. 7° inc III da lei 12.016, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, nos termos do próprio dispositivo.

Aplicasse também, subsidiariamente, o art. 300 do CPC:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Nesta oportunidade, reiteramos que o perigo da demora repousa na alta possibilidade da impetrante vir a sofrer consequências gravíssimas diante da preterição arbitrária da nomeação dos aprovados no novo certame, em detrimento dos aprovados em certame anterior que está em vigência.

VI DO REQUERIMENTO FINAL

Diante do exposto requer-se:

a) Que seja deferido LIMINARMENTE E INALDITA ALTERA PARTS,

para ordenar à autoridade coatora que assegure a nomeação da impetrante ao cargo público, garantindo, até a definitiva decisão do presente mandamus, seu

direito líquido e certo;

b) Seja citada a autoridade coatora, para que prestem informações;

c) Seja ouvido o representante do Ministério Público;

d) Ao final, examinado o mérito, seja concedida definitivamente a

segurança pretendida, por ser o futuro ato coator manifestamente contrário ao

ordenamento constitucional.

à

meramente procedimentais.

Dá-se

causa

o valor

Termos em que,

de

Pede o deferimento.

R$

1.000,00

(mil

Curitiba, 02 de setembro de 2019.

ADVOGADO

OAB

reais) para efeitos