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4. INSTABILIDADE

ELÁSTICA:

FLAMBAGEM

DE

ELEMENTOS

LINEARES DE BARRA SUBMETIDOS À COMPRESSÃO.

Definição preliminar: Denomina-se flambagem (ou pandeio) o fenômeno de instabilidade do componente estrutural submetido à compressão, o qual pode ocorrer em regime elástico ou inelástico, e que se associa, majoritariamente, aos fatores que seguem:

Excentricidade da carga no plano que contém os eixos principais de inércia da seção transversal;

   Do módulo de elasticidade longitudinal ou Módulo de Young do material, E;
Do módulo de elasticidade longitudinal ou Módulo de Young do material, E;
Do comprimento do componente estrutural, llll ;

Excentricidade geométrica do componente em sua direção axial, a exemplo de pequenas curvaturas do eixo longitudinal, na maioria das vezes em virtude de imperfeições construtivas;

Esbeltez elevada do componente estrutural, evidenciada por apresentar seções transversais pouco robustas, relativamente a comprimentos elevados (componentes delgados).

Para que a flambagem ocorra, deve-se assumir que o componente comprimido (coluna) apresente algum desalinhamento em seu eixo longitudinal e/ou que o carregamento externo não esteja aplicado de maneira absolutamente centrada.

Na realidade, nenhuma coluna é perfeitamente reta e, na prática, é virtualmente impossível solicitar-se o componente de maneira perfeitamente axial.

De maneira geral a ocorrência do fenômeno de flambagem, relativamente à carga ou tensão crítica que o provoca, é dependente das variáveis que seguem:

Das condições de vinculação externa do componente estrutural, ou seja, das condições de contorno do problema;

Da relação entre o momento de inércia mínimo da seção transversal, I mín , e a área plana correspondente, A.

Premissa de flambagem resiliente: Define-se resiliência como sendo a propriedade apresentada pelo material de deformar-se em regime elástico. Por elasticidade entende-se a propriedade apresentada pelo material de recuperar totalmente a sua forma primitiva, uma vez cessado o carregamento externo. Consequentemente, dentro de um ciclo completo de carregamento e de descarregamento, não ocorre dissipação energética, de quaisquer naturezas.

Desses conceitos pode-se inferir que as “fibras” de um componente estrutural inicialmente reto, carregado à compressão, permanecerão elásticas até que o fenômeno de instabilidade (flambagem) ocorra.

Natureza do carregamento: De maneira geral, são considerados componentes com pequenas excentricidades de carga, e= M.P, e pequenas deformações ou grandes

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excentricidades. No que segue, as questões envolvendo pequenas excentricidades passam a ser analisadas.

4.1 EQUAÇÃO DE EULER PARA A FLAMBAGEM ELÁSTICA

4.1.1 PRIMEIRO CASO DE VINCULAÇÃO: COMPONENTE BIARTICULADO

Considere-se

o

componente

(ligeiramente

imperfeito),

solicitado

por

um

carregamento externo, P, e vinculado conforme se ilustra na Fig. 4.1.

Figura 4.1 – Componente submetido à compressão. . 0 → . . Substituindo a Eq.
Figura 4.1 – Componente submetido à compressão.
. 0
.
.
Substituindo a Eq. 4.1 na 4.2 e rearranjando a expressão, tem-se:
0
.

Em qualquer posição x ao longo do comprimento llll, durante o processo de

carregamento as pequenas imperfeições ou desalinhamentos do eixo longitudinal darão origem ao momento fletor M z que ocasionará a curvatura do eixo longitudinal, com consequente deslocamento vertical δ (x) . Assim, o equilíbrio da seção é dado por:

(4.1)

Para a seção em equilíbrio mostrada na Fig. 4.1, a equação geral da elástica é escrita, em virtude da orientação dos eixos e da concavidade da elástica, como:

(4.2)

(4.3)

que é uma equação diferencial linear homogênea de segunda ordem, com coeficientes constantes, a qual descreve os deslocamentos lineares verticais ao longo do vão llll.

Ignorando o subscrito

z

de

referência do momento de inércia, dado que a

flambagem ocorrerá em torno do eixo principal menor (de menor inércia) e chamando:

a solução da Eq. (4.3) será:

(4.4)

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+

(4.5)

As constantes A e B são determinadas por meio das condições de contorno de Dirichlet que seguem:

Em x=0, δ=0, resultando que sen(k.0) =0, fato que naturalmente anula o termo que apresenta a constante A (ainda indeterminada). Também, cos(k.0)=1 o que impõe a nulidade de B no segundo termo, ou seja, B=0;

Em x= llll, δ=0 resultando que:

. = 0 (4.6) A Eq. 4.6 é denominada Equação Característica do problema da flambagem
. = 0
(4.6)
A
Eq. 4.6 é denominada Equação Característica do problema da flambagem e sua
solução conduz aos autovalores e autovetores do autoproblema (cargas críticas e
amplitudes dos deslocamentos δ dos modos de flambagem, respectivamente).
Esse conjunto de condições de contorno pode ser igualmente escrito na forma
matricial, considerando-se a Eq. 4.4 da maneira que segue:
1
0
.
=
0 0
(4.6a)
cos
A
Eq. 4.6 será satisfeita:
a)
Se A=0, ou seja, não se não houver deflexão, o que não é o caso;
b)
Se k.l =0, o que também não é o caso e só seria verdade não houvesse carga
aplicada, dado que na Eq. 4.4, E.I ≠0;
c)
Ou se:
. = .
(4.7)
pois: sen(1.π)=0; sen(2.π)=0; sen(3.π)=0; sen(4.π)=0, etc. Da Eq.(4.7) pode-se escrever
que:
.
=
(4.8)
= .
A
consideração das Eq. 4.4 e 4.8 permite inferir que a instabilidade ocorrerá quando
a carga P atingir um valor crítico, P cr , dada por:
= .
(4.9)

isto é:

=

.

(4.10)

A carga P cr é denominada carga crítica de Euler ou carga de flambagem de Euler.

A tensão crítica de flambagem, σ cr , é dada pela razão entre a carga crítica de flambagem, P cr , e a área da seção transversal, A:

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.

.

(4.11)

A Fig. 4.2 ilustra modos de flambagem progressivamente crescentes (n=1, 2, 3 e 4). Observe-se que, para o modo II de flambagem, que corresponde à introdução de uma vinculação central (apoio do primeiro tipo ou “contraventamento”), a carga crítica de flambagem é quatro vezes maior que aquela correspondente ao modo I e assim progressivamente.

Para o Modo I de flambagem (n=1):

(4.12) . Figura 4.2 – Cargas críticas de Euler e formas de diferentes modos de
(4.12)
.
Figura 4.2 – Cargas críticas de Euler e formas de diferentes modos de flambagem.
4.1.2 COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM E ÍNDICE DE ESBELTEZ

Da observação da Fig. 4.2 depreendem-se os pontos sobre a elástica, designados 'I'. Para as condições de contorno propostas (nesse caso), o número desses pontos é igual a n+1, onde n é o Modo de Flambagem. Essas posições são pontos de inflexão da linha elástica, onde a mesma muda o sentido da sua concavidade. Portanto, nessas posições os momentos fletores são nulos.

nessas posições os momentos fletores são nulos. Como consequência, pode-se definir um “comprimento

Como consequência, pode-se definir um “comprimento efetivo” para o componente mecânico, que é dado pela distância entre dois pontos consecutivos de inflexão da

elástica. Esse comprimento recebe o nome de comprimento de flambagem, l f .

Observa-se que, quanto maior for esse comprimento, menor será o valor da carga crítica de Euler, dada pela Eq. 4.10, significando que o componente entrará em

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flambagem já no Modo I, com tensão crítica dada pela Eq. 4.12. Por essa razão, o Modo I recebe o nome de Modo Fundamental de Flambagem.

Ainda nessa direção de raciocínio pode-se inferir que, quanto maior for esse comprimento, para uma mesma seção transversal de área A e momento de inércia mínimo, I mín. , maior será a esbeltez do componente.

Com isso, torna-se possível relacionar diretamente essas grandezas (I mín ., A, e llll f ), as quais aparecem na Eq. 4.12, considerando que o raio de giração mínimo, r mín . (ou k mín . ou i mín .), é dado por:

e (4.13) í í Chamando de Índice de Esbeltez, λ, a relação entre o comprimento
e
(4.13)
í
í
Chamando de Índice de Esbeltez, λ, a relação entre o comprimento de flambagem,
llll f , e o raio de giração mínimo, r mín , ou seja:
(4.14)
tensão crítica de flambagem dada pela Eq. 4.12 pode ser rescrita, considerando
também a Eq. 4.13, da maneira que segue:
a
2
= í
=
(4.15)
.
í
ou seja:
=
(4.16)
e,
da Eq. 4.11:
=
=
(4.17)
Importa observar que a grandeza dada pela Eq. 4.14 indica o quão esbelto é o
componente, cujo comprimento de flambagem é l f .
Por essa razão, λ é largamente utilizado para classificar os elementos de barra
submetidos à compressão em elementos curtos, medianamente esbeltos e muito
esbeltos. Serve, ainda, tanto para delimitar as diversas teorias de flambagem quanto às
suas aplicabilidades, como para limitar a esbeltez excessiva dos componentes.

Como demonstrado, a tensão crítica de flambagem, σ cr. , pode ser diretamente relacionada ao índice de esbeltez, λ, do componente. A Eq. 4.16 é uma equação hiperbólica, designada “hipérbole de Euler”, a qual, no espaço σ cr - λ, apresenta o aspecto ilustrado na Fig. 4.3.

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21 Figura 4.3 – Gráfico σ c r - λ de uma barra comprimida (Material: E

Figura 4.3 – Gráfico σ cr - λ de uma barra comprimida (Material: E= 300000,00 daN/cm 2 ).

Cabe lembrar que a formulação de Euler é aplicável apenas parcialmente, especialmente para a análise de componentes muito esbeltos. Esse assunto será discutido mais à frente. No que segue, algumas aplicações são apresentadas.

4.1.3 INSTABILIDADE DE COMPONENTES TÉRMICAS
4.1.3
INSTABILIDADE
DE
COMPONENTES
TÉRMICAS

SUBMETIDOS

A

CARGAS

É sabido que um sólido ou componente mecânico em condições isostáticas, quando submetido à variações térmicas, apresentará, unicamente, alterações em suas dimensões geométricas.

Essas modificações volumétricas (de alongamento ou expansão, ou de encurtamento ou contração), são desacompanhadas de quaisquer tensões mecânicas. Em outras palavras, nesse caso as deformações térmicas apresentam características essencialmente hidrostáticas.

Por outro lado, se o componente estiver impedido de deslocar-se, as variações de temperatura darão origem à tensões, na maioria das vezes extremamente significativas.

Para o desenvolvimento da ideia, considere-se o componente mecânico ilustrado na Fig. 4.4.

considere-se o componente mecânico ilustrado na Fig. 4.4. Figura 4.4- Componente de aço encaixado sem tensões

Figura 4.4- Componente de aço encaixado sem tensões em uma base rígida.

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Considere-se, ainda, que à temperatura de referência, t o , o componente se encontre perfeitamente ajustado ao suporte, entretanto, sem o desenvolvimento de quaisquer tensões.

Ao variar-se a temperatura de referência em deformações térmicas, ε t , dadas por:

Δt,

o

componente apresentará

(4.18)

onde α 0 é o coeficiente de dilatação térmica do material.

. → = . 0 = Por outro lado, a carga de instabilidade de Euler
.
→ = . 0
=
Por outro lado, a carga de instabilidade de Euler é dada pela Eq. 4.16:
=
Igualando-se as Eq. 4.19a e 4.16 obtém-se:
. 0 = 2
2
=
. =

ou:

4.1.4

APLICAÇÕES AO ESTUDO DA ESTABILIDADE DE COMPONENTES

Quando os deslocamentos estão impedidos, ou seja, se o componente não puder se deformar na direção considerada como sugerido na Fig. 4.4, o confinamento do componente dará origem a tensões normais na seção transversal.

Essas tensões são determinadas substituindo a Eq. 4.18 naquela da Lei de Hooke para o caso uniaxial:

(4.19a)

Ainda, a força ativa do cilindro sobre a base rígida ilustrada na Fig. 4.4, ou reativa, da própria base, é determinada multiplicando-se a Eq. 4.19a pela área A da seção transversal do componente:

(4.19b)

(4.16)

(4.20)

(4.21)

que é a variação de temperatura a qual leva o componente mecânico ao colapso por flambagem.

4.1.4.1 APLICAÇÕES REFERENTES AO PRIMEIRO CASO DE VINCULAÇÃO.

Exemplo 5.1-1 Um componente mecânico construído com certo material cujo módulo de elasticidade, E, vale 1 600 000,00 daN/cm 2 , articulado em ambas as extremidades conforme ilustrado na Fig. E4.1-1, deve ser submetido à compressão centrada.

Considerando-se a aplicabilidade da formulação de Euler, pede-se determinar o valor da carga de instabilidade (carga crítica de flambagem), P cr , admitindo-se um

coeficiente de segurança γ =1,10, assim como o índice de esbeltez do componente.

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23 Figura E4.1-1. Componente mecânico comprimido. Contraventamento superior em y e z .  Momento de

Figura E4.1-1. Componente mecânico comprimido. Contraventamento superior em y e z.

 Momento de inércia relativo ao eixo y, I y : . 6250,000 2. ,
 Momento de inércia relativo ao eixo y, I y :
.
6250,000
2. , .
 Momento de inércia relativo ao eixo z, I z:
.
,
10. 2,5 . 3,75 937,500
 Momento de inércia mínimo, I mín :
í . í ; 937,500 .
. í
.
. , . ,
í
.
, .

SOLUÇÃO:

a) Determinação do momento de inércia mínimo, I mín .

b) Carga crítica de flambagem:

A carga crítica, relativa à flambagem em torno eixo principal menor (de menor inércia) é calculada utilizando-se a Eq. 4.10 ou a Eq. 4.17, considerando-se o coeficiente de segurança γ= 1,10:

,

c) Índice de Esbeltez:

í

,

2,5

380

,

 

2,5

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Exemplo 4.1-2 Considere-se o componente discutido no Exemplo 4.1-1, entretanto com diferentes condições de vinculação externa (Fig. E4.1-2): articulações (rótulas ou pinagens) em ambas as extremidades e “contraventamento” em uma das direções, à meia altura. Esse componente deve ser submetido a uma solicitação de compressão centrada. Considerando-se a aplicabilidade da formulação de Euler, pede-se determinar o valor da carga de instabilidade, P cr , admitindo-se um coeficiente de

segurança γ=1,10. Contraventamento superior em y e z.

γ =1,10 . Contraventamento superior em y e z . Figura E4.1-2. Componente mecânico contraventamento em

Figura E4.1-2. Componente mecânico contraventamento em uma das direções.

 Momento de inércia relativo ao eixo y, I y : . 2. , .
 Momento de inércia relativo ao eixo y, I y :
.
2. , .
6250,000
 Momento de inércia relativo ao eixo z, I z:
.
,
10. 2,5 . 3,75
 Momento de inércia mínimo, I mín :
í í ; 937,500 .
Índices de Esbeltez:

SOLUÇÃO:

a)

b)

Determinação do momento de inércia mínimo, I mín .

937,500

Flexão em torno do eixo z:

Flexão em torno do eixo y:

,

2,500

,

76,000

6,455

58,869

.

c) Carga crítica e tensão crítica de flambagem:

A carga crítica é calculada, indiferentemente, com as Eq. 4.10 ou 4.17, considerando- se o coeficiente de segurança γ= 1,10 em ambas:

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. í

.

í .

, . ,

, .

. , . ,

, .

372 813,060

,

A tensão crítica de flambagem é determinada, indiferentemente, com as Eq. 4.11 ou 4.16, entretanto considerando-se o coeficiente de segurança γ= 1,10 na última delas:

.

.

,

.

, .

2485,420 / (γ já considerado acima, em P cr

= , / = 621 355,099
= , /
= 621 355,099

=

OBSERVAÇÃO: A carga crítica relativa à flambagem em torno do eixo principal maior (ou seja, o de maior inércia) é obtida por meio da Eq. 4.17:

=

=

. , . ,

, .

valor que deve ser desconsiderado, dado ser superior àquele anteriormente calculado.

Exemplo 4.1-3 Um pequeno sistema treliçado, construído com certo material de módulo de elasticidade, E= 900000,00 daN/cm 2 , deverá ser solicitado com uma força vertical F=10000,00 daN. As barras que constituem o sistema são tubulares, de seção transversal retangular conforme esquematizado na Fig. E4.1-3.

Os nós da estrutura são rotulados, de tal maneira que as barra são solicitadas por esforços normais. Para o problema, solicita-se verificar a estabilidade das barras

comprimidas relativamente à possibilidade de flambagem, utilizando a formulação de Euler.

de flambagem, utilizando a formulação de Euler. Figura E4.1-3 Treliça Plana: A) Esquema estático; B)

Figura E4.1-3 Treliça Plana: A) Esquema estático; B) Ação das barras nós 3 e 4; C) Forças Normais.

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SOLUÇÃO:

a) Reações de apoio:

0;

= 0;

= 0;

10000,0 . 200 − = 0

= 10000,0

= = 10000,0

= 10000,0

b) Equilíbrio dos nós 3 e 4:

= 0;

= 10000,0

= 0; → − . 200 + . 200 = 0 → → = 10000,0
=
0;
− . 200 + . 200 = 0
= 10000,0
=
= . ,
= 0;
. 200 − . 100√2 = 0
=
Momentos de inércia
.
, .
,
.
, .
,
=
= 95,151 ; = í
= 32,026
Raio de giração e índice de esbeltez
= = í
= ,
,
= 2,102
282,843
=
=
= 134,559
2,102
Carga crítica de flambagem
= . í
. , . ,
=
= ,
,
,
=

E4.1-3. De interesse ao problema é o esforço compressivo que solicita a barra 14

magnitude é igual a 14142,136 daN.

c)

d)

e)

14142,136

A solução estática dos esforços normais nas barras é apresentada à direita da Fig.

, cuja

CONCLUSÃO: A carga compressiva que solicita a barra de interesse tem magnitude de 14142,136 daN, valor superior ao da carga de instabilidade, P cr . O coeficiente de segurança envolvido vale:

,

= , <

Exemplo 4.1-4 Um cilindro de aço com diâmetro de 0.50 cm, módulo de elasticidade E= 2100000,0 daN/cm 2 e α o = 11,7x10 -6 / o C deve ser encaixado em um componente termicamente isolado, admitido rígido (indeformável), por meio de tensões iniciais.

Para tanto, o cilindro foi projetado com uma diferença de comprimento de 0.008cm, a maior, relativamente à abertura de adaptação das partes, conforme ilustrado na Fig.

E4.1-4.

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27 Figura E4.1-4. Cilindro de aço com interferência inicial, em base rígida termicamente isolada . 1-

Figura E4.1-4. Cilindro de aço com interferência inicial, em base rígida termicamente isolada.

1- Encurtamento mínimo, δ, que deve ser aplicado ao cilindro. 12,000 12,508 0,008 Variação de
1-
Encurtamento mínimo, δ, que deve ser aplicado ao cilindro.
12,000 12,508 0,008
Variação de temperatura necessária ao encaixe
∆ 0,008
1
12,508
1
30.0 54.678 ,
Força equivalente que causaria o encurtamento, δ
.
,
, . ,
263,725 .
.
,
Força crítica de flambagem do cilindro, P cr
. ,
.
406,637

Se o cilindro encontra-se a uma temperatura inicial t o = 30 o C, pede-se determinar:

A variação de temperatura necessária ao cilindro para que o encaixe ocorra;

2- O valor da temperatura que conduz a tensão no cilindro ao valor crítico de instabilidade por flambagem, σ cr , quer durante a recuperação da temperatura inicial, quer na elevação da mesma até a temperatura máxima de operação do conjunto que é de 55 o C. O cilindro é considerado bi rotulado após o encaixe.

SOLUÇÃO:

a)

b)

11,7 10 54,666

Temperatura de encaixe dos componentes:

c)

d)

,

Conclusão inicial: após o resfriamento e restituição da temperatura primitiva, t 0 , as forças iniciais decorrentes da interferência de 0,008cm estarão abaixo da carga crítica de flambagem do cilindro.

e) Temperatura máxima de operação

Margem de força aplicável até a força crítica:

406,637 263,725 142,712

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Da lei de Hooke:

 

e:

 

.

, . , . , . , 29,582

A temperatura final de instabilidade será:

á 30 29,582 ,

final de instabilidade será: á 30 29,582 , CONCLUSÃO: A temperatura de instabilidade é de 59,6

CONCLUSÃO: A temperatura de instabilidade é de 59,6 o C, portanto, superior à temperatura operacional máxima. O coeficiente de segurança é γ t =59,6/ 55= 1,084.

Exemplo 4.1-5 Um componente mecânico esbelto com seção transversal quadrada e E=300000 daN/cm 2 , ilustrado na Fig. E4.1-5 deve ser projetado para suportar uma carga axial compressiva P=50000,00 daN.

Se o comprimento do componente é de 350 cm e o índice de esbeltez, λ, estiver limitado a 100, pede-se determinar o valor do lado a da seção transversal, assim como o coeficiente de segurança envolvido, γ. Contraventamento superior em x e z.

envolvido, γ. Contraventamento superior em x e z . Figura E4.1-5 Componente esbelto submetido à compressão.

Figura E4.1-5 Componente esbelto submetido à compressão.

SOLUÇÃO

Para a solução do problema, parte-se da Eq. 4.14:

a) Momento de inércia, área e raio de giração da seção transversal:

;

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b) Determinação do lado a da seção quadrada e do momento de inércia:

Sendo: á 100 e substituindo na Eq. 4.14:

100

12,124 ,

,

2380,083

4.14: 100 √ → √ 12,124 , , 2380,083 d) Carga crítica de flambagem, P c

d)

Carga crítica de flambagem, P cr, e coeficiente de segurança, λ:

.

. , . , ,

, ,

.

57527,700

EXEMPLO 4.1-6 O sistema treliçado tridimensional ilustrado na Fig. E4.1-6 é constituído por barras tubulares de seção circular, com diâmetros d= 4,00cm e espessuras de paredes e=0.20cm. O módulo de elasticidade do material vale E=2100 000,00 daN/cm 2 . Admitindo-se que todos os nós estruturais sejam rótulas tridimensionais, pede-se determinar a carga máxima, P, aplicável ao sistema.

determinar a carga máxima, P , aplicável ao sistema. Figura E4.1.6- Sistema treliçado isostático,

Figura E4.1.6- Sistema treliçado isostático, tridimensional.

SOLUÇÃO

a) Esforços normais que atuam nas barras:

Os esforços internos são obtidos por meio da solução do sistema de equações da

forma , onde [M] é a matriz dos cossenos diretores das componentes cartesianas F ij da força externa, P k , i e j representam os nós inicial e final que indicam o sentido da força interna na barra, e k a direção do eixo

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cartesiano considerado. Esse sistema decorre das condições de equilíbrio interno do problema tridimensional, ou seja: = ; ∑ = ; ∑ = .

a) Vetor da força externamente aplicada, P:

b) Análise da barra 41

Vetor

⃑ = 0 ̂− ̂+ 0 = − ̂

:

⃑ = 100 − 0 ̂+ 30000 − 0 ̂+ (100 30 )

Módulo do vetor

:

= 100 + 30000 + (100 30 ) = 208,1666

⃑ : = 0,480384; = 0,480384 , √ = 0,832050; = 0,832050 , = 0,277350;
⃑ :
= 0,480384;
= 0,480384
,
= 0,832050;
= 0,832050
,
= 0,277350;
= 0,277350
,
Análise da barra 42
⃑ :
⃑ = (100 − 100) ̂+ √30000 − 0 ̂+ (100 30 − 100 60 )
⃑ :
⃑ = 0 + √30000 + [100( 30 − 100 60 ) = 208,1666
0;
= 0
,
=
= 0,832050;
= 0,832050
,
= ( )
,
= −0,554700;
= −0,554700
Análise da barra 43
⃑ :
⃑ = (100 − 200) ̂+ √30000 − 0 ̂+ (100 30 − 0)
⃑ :
⃑ = −100 + √30000 + (100 30 ) = 208,1666

Cossenos diretores e componentes cartesianas de

=

=

=

c)

Vetor

Módulo de

Cossenos diretores e componentes cartesianas de

=

=

d)

Vetor

Módulo de

Cossenos diretores e componentes cartesianas de

= , = −0,480384;

= , = 0,832050;

=

,

= 0,277350;

= −0,480384

= 0,832050

= 0,277350

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31

e) Sistema de equações que resulta das equações de equilíbrio:

0.480384 + 0.832050 + 0.277350

0.000000 0.832050 + 0.554700 +

0.480384 = 0 0.277350 = 0.277350 = 0

o qual pode ser escrito na forma matricial como:

0.00000

0.480384

−0.480384

0

=

0

0.832050 0.83205 0.832050

0.277350 −0.55470 0.277350

Uma vez resolvido o sistema, obtêm-se as forças nas barras:

, , ) = 4,322 = 2067,188 208,167 → = ,
, , )
= 4,322
= 2067,188
208,167
= ,

= = , .

f) Momentos de inércia das seções transversais

g) Comprimentos de flambagem das barras comprimidas e carga crítica de flambagem

= = 100 + 30000 + (100. 30) = 208,167

=

.

. , . ,

h) Carga externa máxima, P

0,400617. 2067,188

EXEMPLO 4.1-7 O sistema treliçado bidimensional ilustrado na Fig. E4.1-7 é constituído por barras tubulares de seção circular, com diâmetros d= 7,50cm e espessuras de paredes e=0.50cm. O módulo de elasticidade do material vale E=2100 000,00 daN/cm 2 . Admitindo-se que todos os nós estruturais sejam rotulados pede-se verificar a estabilidade da barra 9-10, relativamente à possibilidade de flambagem elástica de Euler.

à possibilidade de flambagem elástica de Euler. Figura E4.1.7- Sistema treliçado isostático,

Figura E4.1.7- Sistema treliçado isostático, bidimensional.

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32

SOLUÇÃO

a) Reações de apoio:

0;

0;

5000,0

→ 10000,0 . 550 500. 450 250 1500. 350 150 50. 0

33000,00 ;

28000,00

b) Esforços nas barras:

Diferentemente do enfoque adotado no Exemplo 4.1-3 adota-se, agora, o método das seções de Riter o qual permite acessar facilmente a solução de forças em barras específicas. Naturalmente, em um problema envolvendo diversas barras a utilização do método do equilíbrio dos nós seria enfadonha e antiprodutiva. Para tanto, uma seção AA’ (Fig. E4.1-7) é traçada com o objetivo de subdividir a estrutura em duas partes. Uma delas, no caso à esquerda da seção, é desprezada. Por outro lado, a parte da direita é autoequilibrada com os esforços internos que ocorrem nas barras. Esse procedimento é apresentado na Fig. E4.1.7a.

barras. Esse procedimento é apresentado na Fig. E4.1.7a. Figura E4.1.7a- Seção AA’ autoequilibrada.
Figura E4.1.7a- Seção AA’ autoequilibrada.
Figura E4.1.7a- Seção AA’ autoequilibrada.

Considerando-se a seção AA’, a força F 9-10 é obtida somando-se os momentos das forças relativamente ao nó 8:

∑ 0; Ꜿ Momento de inércia
∑ 0;
Momento de inércia

c)

7794,232 .

. , ,

→ 115,470 . 33000,00. 100,00 28000,00. 150,00 0

67,692

d) Carga crítica de flambagem

. í

. , . ,

,

Conclusão: a carga crítica de flambagem é muitas vezes superior que a carga solicitante. O coeficiente de segurança envolvido no problema é o que segue:

, ,

,

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33

4.1.5

SEGUNDO

EXTREMIDADE LIVRE

CASO

DE

VINCULAÇÃO:

UM

ENGASTE

E

UMA

O segundo caso de vinculação, eventualmente o mais delicado, admite que uma das extremidades da barra esteja perfeitamente engastada e que a outra esteja totalmente livre, conforme mostrado na Fig. 4.5.

esteja totalmente livre, conforme mostrado na Fig. 4.5. Figura 4.5 – Barra engastada em uma das

Figura 4.5 – Barra engastada em uma das extremidades e livre na outra.

.  Em x=0, y= δ= 0;  Em x=0, 0. A Equação Característica que
.
 Em x=0, y= δ= 0;
 Em x=0,
0.
A Equação Característica que resulta é:
. 0
2
2
. 2
2. 2

onde:

Procedendo de maneira análoga ao caso anterior, a equação diferencial que governa o problema é escrita da maneira que segue:

(4.22)

As condições de contorno a serem consideradas são as que seguem:

(4.23)

a qual, uma vez solucionada, conduz à expressão para o cálculo da carga crítica de flambagem, P cr :

(4.24)

.

(4.25)

A tensão crítica de flambagem é calculada da maneira usual, multiplicando- se a carga crítica pela área da seção ou por meio da Eq.4.16:

.

(4.16)

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34

4.1.5.1 APLICAÇÕES REFERENTES AO SEGUNDO CASO DE VINCULAÇÃO.

Exemplo 4.1-8 Determinar o máximo valor que a carga P que deve ser aplicada ao sistema estrutural ilustrado na Fig. E4.1-8 para que a coluna atinja a carga de instabilidade elástica. Dados: E viga = E coluna = 300 000,00 daN/cm 2 .

a = E c o l u n a = 300 000,00 daN/cm 2 . Figura

Figura E4.1-8 Sistema estrutural: viga em balanço e coluna engastada-livre, sem transmissão inicial de cargas entre ambas.

Carga crítica de flambagem da coluna, P cr , . , 5625,000 2 2 2
Carga crítica de flambagem da coluna, P cr
, . ,
5625,000
2
2
2 .300000,00.5625,00
( 2
(2. 2
(2. 220 2
, .
0,210
.
, . ,

a)

Momento de inércia mínimo:

í

b)

SOLUÇÃO Para a solução do problema trabalha-se, inicialmente, com a coluna, objetivando determinar a sua carga crítica, P cr , e o encurtamento, δ, dela decorrente.

86027,673

Encurtamento decorrente da aplicação da carga crítica:

Agora, trabalha-se com a viga com objetivando determinar o valor da carga P que ocasiona, em sua extremidade livre, o deslocamento vertical, δ, de valor igual àquele do encurtamento da coluna.

c) Carregamento na extremidade da viga

Momento de inércia da seção:

, .

16276,042

, . , . , . ,

751,019

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35

d) Carregamento total, P

A carga de instabilidade da coluna será atingida se a carga aplicada à extremidade do balanço for igual à soma das parcelas de carregamento:

86027,673 751,019 86778,692 ,

4.1.6

TERCEIRO

ENGASTADO

CASO

DE

VINCULAÇÃO:

COMPONENTE

ARTICULADO-

Neste caso de solicitação à compressão, diferentes condições de contorno do são admitidas, conforme se ilustra na Fig. 4.6.

contorno do são admitidas, conforme se ilustra na Fig. 4.6. Figura 4.6 – Barra rotulada em

Figura 4.6 – Barra rotulada em uma das extremidades e engastada na outra.

Da observação da Fig. 4.6 depreende-se que na extremidade B, a barra está impedida de girar durante a deformação. Portanto, nessa posição o giro θ é nulo, implicando que a tangente é horizontal e coincidente com o eixo da configuração primitiva (não deformada). Ainda, a reação de momento em A é nula, em virtude da articulação.

de momento em A é nula, em virtude da articulação. Com isso, o ponto de inflexão

Com isso, o ponto de inflexão da elástica desloca-se à esquerda de B, situando-se, agora, em uma posição κl do apoio A. Como visto anteriormente, nesse ponto de inflexão, ponto onde a elástica muda a sua concavidade, o momento fletor é nulo.

Foi explicado, também, que o comprimento de flambagem, l f , é sempre dado pela

distância entre dois pontos de inflexão consecutivos da elástica. Por consequência, neste tipo de vinculação a constante κ minorará o comprimento de flambagem, fazendo com que o componente possa suportar uma carga crítica, P cr , maior.

Portanto, o problema atual consiste na determinação do valor da constante κ que permite calcular o comprimento de flambagem para o atual tipo de vinculação externa do componente. Para a orientação do sistema referencial apresentado na Fig. 4.4, a equação diferencial da elástica será:

(4.2)

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36

ou seja:

. =

(4.26)

As condições de contorno para o problema são:

(1) Em x=0, δ = y = 0;

(3) Em x= l, δ = y = 0;

(2) Em x= 0,

θ =

0.

Ainda, em x= κl,,,, M/(EI) = 0. sen − cos = 0 ou: = →
Ainda, em x= κl,,,, M/(EI) = 0.
sen −
cos = 0
ou:
=
→ = tg
≈ 4,493409458
e:
= ,
Para o desenvolvimento da análise, a Eq. 4.15 é parcialmente reescrita:
=
Das Eq. 4.4 e 4.29b tem-se que:
=
) =
,
Substituindo nessa equação a Eq. 4.30, tem-se:
,
(
) =

4.1.6.1 CARGA CRÍTICA DE EULER PARA A VINCULAÇÃO ESTUDADA

ou:

Essas condições de contorno conduzem à solução:

(4.27)

(4.28)

A Eq. 4.28 é a Equação Característica do problema. Por se tratar de uma equação transcendental a sua solução somente pode obtida numericamente.

Para tanto, o procedimento consiste em encontrar as interseções das curvas = = . Assim procedendo, encontra-se a menor raiz diferente de zero:

(4.29a)

(4.29b)

(4.15)

(4.30)

(4.31)

(4.32)

resultando que:

= , = 0,699155659 0,70 e:

(4.33)

. = , . = Dessa maneira, a Eq. 4.15 pode ser rescrita como segue:

. =

( )

=

(

)

(4.34)

(4.35)

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37

4.1.6.2 APLICAÇÃO REFERENTE AO TERCEIRO CASO DE VINCULAÇÃO.

Exemplo 4.1-9. O componente mecânico ilustrado na Fig. E4.1-9 deverá ser solicitado por uma carga P= 150 000,00 daN.

Admitindo-se o coeficiente de segurança γ=1.20 para o carregamento e E=300 000,00 daN/cm 2 , pede-se determinar a dimensão h da seção transversal, assim como verificar o índice de esbeltez final; Contraventamento superior em z.

índice de esbeltez final; Contraventamento superior em z . Figura E.4.1-9 Componente esbelto comprimido

Figura E.4.1-9 Componente esbelto comprimido engastado-articulado.

Momento de inércia relativo ao eixo z . . 5 . 5 Determinação da dimensão
Momento de inércia relativo ao eixo z
.
. 5 . 5
Determinação da dimensão h
0,70. 350,00 245,00
. ,
.
150000,00
, . ,

SOLUÇÃO:

a)

b)

46,708 ,

c) Índice de esbeltez

.

3,227

, .

,

, .

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38

4.1.7 QUARTO CASO DE VINCULAÇÃO: COMPONENTE BI ENGASTADO

38 4.1.7 QUARTO CASO DE VINCULAÇÃO: COMPONENTE BI ENGASTADO Figura 4.7 – Barra engastada em ambas
Figura 4.7 – Barra engastada em ambas as extremidades. Com . As condições de
Figura 4.7 – Barra engastada em ambas as extremidades.
Com
.
As condições de contorno para o problema são:

que, para o caso em análise, escreve-se::

(1) Em x=0, δ = y = 0;

(2) Em x=0, θ =

0;

Da observação da Fig. 4.7 depreende-se que, em ambas as extremidade, a barra está impedida de girar durante a deformação. Portanto, nessas posições os giros θ são nulos, implicando que as tangentes são horizontais e coincidentes com o eixo da configuração primitiva (não deformada).

isso, os pontos de inflexão da elástica deslocam-se à direita de A e à

esquerda de B.

Como visto anteriormente, nesses pontos de inflexão (pontos onde a elástica muda

a

comprimento de flambagem, l f , é sempre dado pela distância entre dois pontos de

sua concavidade), os momentos fletores são nulos. Foi explicado, também, que o

inflexão consecutivos da elástica. Portanto, o problema consiste em determinar a distância entre os dois pontos consecutivos de inflexão, escrita em termos de .

Para a orientação do sistema referencial apresentado na Fig. 4.7, a equação diferencial da elástica será:

(4.2)

(4.36)

(3) Em x= l, δ = y = 0;

(4) Em x= l, θ =

0.

Essas condições de contorno conduzem à Equação Característica do problema:

2 1 cos . 0

(4.37)

a qual, uma vez resolvida, resulta em:

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39

. , .

(4.38)

4.1.7.1 APLICAÇÕES REFERENTES AO QUARTO CASO DE VINCULAÇÃO.

Exemplo 4.1-10 Para o sistema estrutural apresentado na Fig. E4.1-10, pede-calcular o valor do lado a’, para que a coluna não atinja a carga de instabilidade elástica.

Adotar E= 150000,00 daN/cm 2 ; q=80,00 daN/cm; γ=2.0; Contraventamento superior em z.

.
.

Figura E4.1-10 Sistema estrutural: viga em balanço e coluna duplamente engastada, sem transmissão inicial de cargas entre ambas.

SOLUÇÃO

a)

Momento de inércia da coluna, relativo ao eixo z:

Comprimento de flambagem:

b)

Carga crítica de Euler .
Carga crítica de Euler
.

c)

. 0,50. 550,00 275,00

, . , .

, . , . ,

d) Reação de apoio da viga sobre a coluna:

ç , . ,

8000,00

e) Determinação da dimensão ‘a’. Fazendo P cr = P:

, . , . , . ,

. , . ,

, ,

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40

4.2 O PROCESSO DA SECANTE

A formulação exposta neste tópico considera a ponderação inicial de que é virtualmente impossível aplicar-se a carga ao componente mecânica, de maneira absolutamente centrada.

Assim, a excentricidade da carga, e, relativa ao eixo longitudinal do componente, provocará um momento fletor inicial, M. Esse momento fletor independe, tanto da intensidade da carga, como do valor da excentricidade, e provocará, inevitavelmente, alguma flexão.

Figura 4.8 – Coluna submetida à compressão, com excentricidade de carregamento. .
Figura 4.8 – Coluna submetida à compressão, com excentricidade de carregamento.
.

Substituindo a Eq. 4.39 na 4.2 tem-se;

carregamento. . Substituindo a Eq. 4.39 na 4.2 tem-se; → → . . Considerando a Eq.

.

.

Considerando a Eq. 4.4:

obtém-se da 4.40:

Observe-se que, com o aumento da carga (a qual parte de zero), o valor desse momento crescerá, aumentando, consequentemente, o valor da flexão primitiva.

Para a análise do problema, inicialmente escreve-se a equação do momento M que equilibra o momento M B no segmento de corpo livre apresentado na Fig. 4.8.

(4.39)

(4.40)

(4.4)

(4.41)

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41

e:

(4.42)

A solução dessa equação diferencial é a que segue:

cos(

(4.43)

As condições de contorno são: em x=0, y=0, resultando:

(4.44) e, em x=l, onde y=0, resulta que: ( [1 − cos ] (4.45) Utilizando
(4.44)
e, em x=l, onde y=0, resulta que:
( [1 − cos ]
(4.45)
Utilizando as relações:
= 2
:
1 − ] = 2
(4.46a, b)
obtém-se:
(4.47)
Substituindo os valores de A e B na Eq. 4.43 tem-se que:
cos( − 1]
(4.48)
equação que descreve os deslocamentos ao longo do vão do componente. O
deslocamento máximo obtido, por exemplo, na posição x=l f / 2, considerando-se a Eq
4.4 e que 1/cos(x)=sec(x), será:
á á [ (
− 1 ]
(4.49)
equação que pode ser rescrita em função da carga crítica de Euler:
=
(4.49a)
=
á = á = [
− 1]
2
O
momento máximo no centro do vão é dado por:
á = + á = + sec
− 1 =
sec
(4.50)
2
2

A tensão máxima no componente é obtida substituindo-se a Eq. 4.50 na equação da flexão composta:

á

resultando:

=

á =

+ á

= {

+ á

{1 + .

.

[

]

]

(4.51)

(4.52)

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42

ou, em diferentes formas:

á =

1 + .

;

=

á

.

(4.53)

equação denominada “Equação da Secante”. Da observação da Eq. 4.53 depreende-se que a carga P aparece em ambos dos seus membros. Dessa maneira, a solução da carga P deve ser procedida iterativamente. Por exemplo, se à σ máx for atribuído o valor da tensão de escoamento f y do material, o valor da carga P deve ser iterado até que os membros da Eq. 4.53 sejam aproximados, dentro de uma tolerância preestabelecida.

aproximados, dentro de uma tolerância preestabelecida. A Fig. 4.9 ilustra uma família de curvas de flambagem,

A Fig. 4.9 ilustra uma família de curvas de flambagem, para diferentes valores de índices de excentricidade (e.y c /r 2 ).

de índices de excentricidade ( e.y c /r 2 ). Figura 4.9 – Curvas de flambagem

Figura 4.9 – Curvas de flambagem para diferentes índices de excentricidade (e.y c /r 2 ).

4.2.1

índices de excentricidade ( e.y c /r 2 ). 4.2.1 APLICAÇÕES REFERENTES AO PROCESSO DA SECANTE

APLICAÇÕES REFERENTES AO PROCESSO DA SECANTE

2 ). 4.2.1 APLICAÇÕES REFERENTES AO PROCESSO DA SECANTE SOLUÇÃO: Exemplo 4.2-1 Calcular a carga crítica

SOLUÇÃO:

Exemplo 4.2-1 Calcular a carga crítica para uma coluna tubular de tal maneira que o empenamento não exceda 1,0cm. A coluna apresenta diâmetro externo d ext =15 cm, espessura da parede e=0,5cm e comprimento de 600 cm. É construída em alumínio e a vinculação externa é engastada, tanto na base, como no topo. Dados: E = 700000,00 daN/cm 2 ; fy = 1700,00 daN/cm 2 ; γ = 1,00.

a) Área da seção transversal:

, ,

b) Momento de inércia e distância y c e raio de giração:

22,777 ;

15,0 14,0

64

599,308 ;

15,0

2

c) Índice de excentricidade: .

, . , ,

0,284988

7,5 ;

5,130 .

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43

d) Comprimento de flambagem:

600

2

300 ;

d) Processo iterativo:

á

1700

1 + .

2,0. 5,130 22,777. 700000,00 /

300

22,777 [1 + 0,284988 (

A determinação da carga máxima (para α ≈ β, com tolerância de 0,01 daN/cm 2
A determinação da carga máxima (para α ≈ β, com tolerância de 0,01 daN/cm 2 ), é
apresentado na Tab. 4.1:
Tabela 4.1 – Processo iterativo da Secante.
P (daN):
P/A
β
P
30100.000
1321.5085
1698.2152
20
30120.000
1322.3866
1699.3437
30124.000
1322.5622
1699.5694
30126.000
1322.6500
1699.6822
2
30128.000
1322.7378
1699.7950
30129.000
1322.7818
1699.8515
30130.000
1322.8257
1699.9079
1
30131.000
1322.8696
1699.9643
30131.100
1322.8740
1699.9699
30131.200
1322.8783
1699.9756
30131.300
1322.8827
1699.9812
30131.400
1322.8871
1699.9869
0,1
30131.500
1322.8915
1699.9925
30131.600
1322.8959
1699.9982
30131.700
1322.9003
1700.0038
Após a convergência do valor da carga dentro da tolerância preestabelecida, o valor de
P máx que atende ao problema atual é aproximadamente 30132 daN. Observa-se que,
tanto a carga arbitrada para o início das iterações, como a mudança nos valores dos
incrementos de carga, ΔP, são procedidos por tentativas e erros.


É interessante observar que, se a formulação de Euler tivesse sido adotada para a solução do problema, teríamos:

700000,00. 599,308

=

300

= 46005,033

Exemplo 4.2-2 Calcular a carga crítica para a coluna apresentada na Fig. E4.2-2 admitindo-a como engastada na base e livre no topo. Para tanto, solicita-se resolver o

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44

problema por meio dos processos da Iteração da Secante e da Flexão Composta. O componente encontra-se contraventado na direção z.

Dados do perfil: E = 2100000,00 daN/cm 2 ; fy = 2500,00 daN/cm 2 ; Ix = 8358 cm 4 ; Iz= 291,00 cm 4 ; A = 42,10cm 2 ; h=33,20 cm; b= 12,70 cm; γ = 1,15.

= 42,10cm 2 ; h =33,20 cm; b = 12,70 cm; γ = 1,15. Figura E4.2-2

Figura E4.2-2 – Coluna de aço submetida à carregamento excêntrico.

Momento das forças relativamente à posição do CG: 7,00 . 0,0 . 35 35 Resultante
Momento das forças relativamente à posição do CG:
7,00 . 0,0 . 35 35
Resultante das forças:
7 8
Excentricidade da resultante:
8 . 35
4,375
Cálculo do valor da carga máxima:
1 .
á

SOLUÇÃO:

a)

b)

c)

d)

com:

á

2500

1,15

2173,913

;

291,00

42,10 2,629 ;

obtém-se:

33,20

2

16,10 ;

1200,0 42,10

2173,913

42,10 1 4,375. 16,10

2,629 .

8

2,0. 2,629 42,10. 2100000,00 /

1200

8

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

e) Iteração para P:

Tabela 4.1 – Processo iterativo da Secante.



P (daN):

8P/A

β

P

 

1000.000

190.0238

2127.9734

1005.000

190.9739

2138.6202

1010.000

191.9240

2149.2672

5

1015.000

192.8741

2159.9142

1020.000

193.8242

2170.5612

1021.000

194.0143

2172.6907

1

1021.200 194.0523 2173.1166 0.2 1021.400 194.0903 2173.5424 1021.500 194.1093 2173.7554 0.1 1021.550 194.1188
1021.200
194.0523
2173.1166
0.2
1021.400
194.0903
2173.5424
1021.500
194.1093
2173.7554
0.1
1021.550
194.1188
2173.8619
0.05
1021.560
194.1207
2173.8831
0.01
1021.570
194.1226
2173.9044
1021.575
194.1235
2173.9151
0.005
42,10 + (8,0. ). 4,375 . 33,20
8
291,00
2
8
= 2173,913 /
,
2,1866 = 2173,913

Conclui-se que a força crítica é de aproximadamente 1021,50 daN.

e) Comparação com o critério de flexão composta regular:

= 42,10 + 1,9966 = 2,1866

Tensão admissível e condição de estabilidade:

=

Fazendo:

=

= 1890,359

Observa-se que esse último critério é inseguro comparativamente ao anterior, uma vez que, simplesmente, o mesmo não considera o fenômeno da flambagem.

4.3 MÉTODO DA FLEXÃO COMPOSTA

Esse processo admite que a tensão máxima de instabilidade na flexão lateral de peças submetidas à compressão pode ser analisada como um caso de flexão composta, considerando, ainda, que M=P.e e I=A.r 2 :

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á

+

+

.

=

1 +

(4.50)

A tensão máxima admissível é considerada válida, tanto para a consideração das tensões de compressão, como para aquelas oriundas da flexão. Assim, o equilíbrio se verifica enquanto a inequação 4.53 for satisfeita:

+

<

1 + <

(4.51)

4.4 FLEXÃO COMPOSTA COM RESISTÊNCIAS DISTINTAS

Essa metodologia difere da anterior ao admitir que a parcela de tensão devida à carga P, supostamente centrada, deve satisfazer à tensão admissível na flambagem, , ao passo que a parcela de tensão devida à flexão deve satisfazer a tensão admissível à flexão,