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Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

UFCD CUIDADOS DE SAÚDE A PESSOAS


6582 EM FIM DE VIDA E POST MORTEM
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Índice

1.A prestação de cuidados de saúde a utentes em fim de


vida……………………...3
1.1.Factores inibidores de bem-
estar………………………………………………………………..3
1.1.1.Ansiedade…………………………………………………………………
………………..3
1.1.2.Agressividade……………………………………………………………
………………..4
1.1.3.Depressão…………………………………………………………………
……………….5
1.1.4.Baixa auto-
estima…………………………………………………………………….…7
2.A prestação de cuidados de saúde a utentes em fim de
vida……………………...9
2.1.Factores promotores de bem-estar: necessidades físicas,
psicológicas, sociais e
espirituais…………………………………………………………………………………
…………………..9
2.1.1.Interacção
positiva………………………………………………………………………9
2.1.2.Resolução de
Problemas…………………………………………………………….12
2.1.3.Ajuda
espiritual…………………………………………………………………………
17
3.Cuidar em final de
vida…………………………………………………………………....19
3.1.Apresentação
pessoal……………………………………………………………………………..19
3.2.Aspectos específicos no apoio aos cuidados em final de
vida………………………22
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

3.2.1.Alimentação………………………………………………………………
……………..22
3.2.2.Eliminação…………………………………………………………………
……………..24
3.2.3.Higiene e
hidratação………………………………………………………………….25
3.2.4.Sono e
Repouso………………………………………………………………………..26
3.2.5.Controlo da dor e outros
sintomas……………………………………………...27
3.3.A especificidade da comunicação em cuidados
paliativos………………….28
3.4.A compreensão da dimensão
espiritual…………………………………………..31
4.A morte e o
luto……………………………………………………………………………..33
4.1.A morte numa instituição de
saúde…………………………………………………………..33
4.2.A morte em
casa…………………………………………………………………………………….35
4.3.Os Cuidados do corpo post-
mortem………………………………………………………….37
4.4.As fases do
luto……………………………………………………………………………………...39
4.5.O acompanhamento e apoio à
família…………………………………………………….…44
5.A auto-protecção em situações de sofrimento e agonia do utente,
família e
cuidadores……………………………………………………………………………………….
47
6.Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de
intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de
Saúde………………………………………..49
6.1.Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro tem de executar sob
sua supervisão
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

directa………………………………………………………………………………………
…49
6.2.Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro, pode executar
sozinho/a…….50

Bibliografia………………………………………………………………………………………
52

1.A prestação de cuidados de saúde a utentes em fim


de vida

1.1.Factores inibidores de bem-estar

1.1.1. Ansiedade

O diagnóstico de doença terminal, ainda muito associado a uma evolução fatal,


e os tratamentos que a acompanham são fonte de intenso sofrimento
psicológico para o doente e para a família.

Apesar de alguns doentes conseguirem adaptar-se à doença, outros


apresentam dificuldades nessa adaptação após o diagnóstico (ou até antes),
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sendo possível a ocorrência de perturbações emocionais, como é o caso de


ansiedade clinicamente significativa.

A presença de comorbilidade psicológica nestes doentes é elevada, sendo


frequentemente acompanhada por sin-tomas físicos como a fadiga, a insónia, a
perda de apetite ou perturbações na esfera sexual.

Provavelmente não existe uma forma única de resposta psicológica à doença


oncológica que se possa considerar uma “adaptação adequada”.

Cada doente lida com a doença oncológica de forma pessoal e individual,


contudo, o facto de alguns doentes oncológicos tenderem a suprimir a
expressão das suas emoções, pode contribuir para o aumento dos níveis de
ansiedade.

Pelo contrário, os doentes que utilizam estratégias focadas no problema e que


procuram apoio psicossocial, conseguem manter uma auto-estima elevada,
melhor qualidade de vida e melhor adaptação à doença.

Diversos aspectos da doença são susceptíveis de desencadear reacções


emocionais intensas e prolongadas. A incerteza em relação ao futuro, o
sofrimento e dor física, a dependência, a perda de controlo sobre os
acontecimentos, os efeitos secundários dos tratamentos, a recorrência da
doença e os problemas da separação e da morte, são alguns dos aspectos com
maior impacto psicológico.

Os doentes confrontam -se com a incerteza acerca do curso da doença e a


possibilidade de morte prematura. A ideia da sua própria morte torna-se mais
tangível e quaisquer sintomas físicos podem ser interpretados como um
possível agravamento clínico, com repercussões sobre os níveis de ansiedade.

Estes receios podem ainda ser desencadeados por qualquer descrição,


nomeadamente através dos media, de situações análogas ou sempre que o
doente tem uma consulta médica de seguimento. Perante uma remissão alguns
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doentes conseguem lidar melhor com o receio de recorrência de doença,


enquanto outros vivem atormentados por este receio.

1.1.2.Agressividade

O doente reconhece a existência de uma doença grave e mortal mas não a


aceita, reagindo de forma típica com raiva e exprimindo revolta perante a sua
má sorte. Esta fase é bastante difícil, tanto para a família como para os
profissionais de saúde.

O doente pode exprimir críticas em relação ao médico por não ter


diagnosticado a tempo a sua doença, aos enfermeiros por não serem
suficientemente rápidos na resposta aos seus pedidos e a Deus, por lhe ter
imposto uma “sentença de morte”.

Como consequência destes comportamentos, as pessoas que o rodeiam


começam a afastar-se. É importante que esta revolta seja exteriorizada e
aceite, uma vez que se trata de uma reacção frequente e quase inevitável.

É recomendável uma atitude de tolerância perante estas manifestações de


revolta já que a sua expressão poderá resultar em alívio e dará lugar
posteriormente a uma aceitação mais tranquila.

É necessário que os profissionais de saúde não assumam estes


comportamentos como pessoais e que expliquem à família que eles surgem
porque é nesta fase que ele é confrontado com as suas perdas, limitações e
frustrações. É necessário que a raiva seja exteriorizada para que o doente
evolua para uma aceitação da sua situação clínica.

1.1.3.Depressão

O doente toma consciência das consequências reais da sua doença e passa por
um período de depressão. Nesta fase o doente não pode negar mais a sua
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doença, pois começa a apresentar novos sintomas e a ficar cada vez mais
debilitado, a revolta dá lugar a um sentimento de perda.

Os sintomas de depressão incluem:


• Humor depressivo persistente durante um período superior a 2
semanas;
• Perda de interesse e incapacidade em sentir prazer;
• Sentimentos de culpa ou de desvalorização;
• Falta de esperança;
• Manifestações físicas de ansiedade, como suores, tremores e ataques
de pânico.

O doente pode cair num quadro depressivo grave, apresentando: desânimo


generalizado, inquietação, alterações do sono e perda de apetite, entre outros
sintomas.

Podemos descrever dois tipos de depressão que merecem diferentes


abordagens por parte dos profissionais de saúde e da própria família: a
depressão reactiva e a depressão preparatória.

A depressão reactiva aparece devido aos sentimentos de impotência, muitas


vezes relacionados com problemas ou necessidades do doente, que precisam
de ser equacionados e resolvidos, quando o estado de saúde se deteriora.

Na depressão preparatória o doente está a preparar-se para a morte e para a


separação daqueles e daquilo a que está mais ligado na vida. Nesta etapa, o
silêncio e a presença de familiares são fundamentais.

De início, a depressão é reactiva e o doente exterioriza a sua tristeza. Poderá


seguir-se um período de silêncio, durante o qual o doente se prepara para
morrer, tornando-se mais calmo e evitando as visitas. A comunicação é,
sobretudo, não-verbal e o doente deseja apenas a presença física dos
familiares e amigos mais próximos.

Numa fase mais avançada da doença, o fim da vida torna -se, para muitos
doentes, dolorosamente real, assim como as suas consequências,
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nomeadamente a perda de continuidade com o futuro e das relações com os


que ficam.

A tomada de consciência do afastamento que irá ocorrer em breve pode ser


antecipado e, mesmo na presença de outros, o doente pode sentir-se sozinho e
isolado

1.1.4.Baixa auto-estima

Um dos temas mais importantes para os doentes oncológicos é o da


comunicação com os elementos do seu meio social, familiar ou laboral acerca
da doença e dos tratamentos. O sentimento de serem estigmatizados pela
doença, ou o receio de provocar sofrimento nos outros, leva-os a falarem
menos abertamente acerca da sua patologia.

Esse “secretismo” pode dificultar a adaptação psicológica à doença e aumentar


o isolamento. Pelo contrário, a possibilidade de diálogo permite ao doente
receber o apoio emocional Necessário.

Muitos doentes “escolhem” um número restrito de pessoas com quem falam


abertamente acerca das suas dificuldades, mostrando -se reservados a
partilhar o seu sofrimento com terceiros.

Os sentimentos de exclusão podem ser intensificados se o doente oncológico


se apercebe que os outros se afastam. Alguns familiares e amigos têm
dificuldade em manter com o doente um nível de contacto equivalente ao que
antecedia o período de doença, porque se sentem desconfortáveis em relação
aos assuntos a abordar e receiam a reacção do doente aos seus comentários
ou receber más notícias.

Em regra, o doente que não consegue ultrapassar alguma destas barreiras


psicológicas tem maior probabilidade de desenvolver um estado de ansiedade
ou depressão, ou uma combinação dos dois, no primeiro ano de diagnóstico,
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para além de outras implicações possíveis resultantes do próprio tratamento da


doença.

Na fase terminal os doentes debatem -se com perdas reais que são
consequência da doença, mas também com algumas perdas antecipadas
relacionadas com a morte iminente. A sensação de perda de controlo pode
aumentar, devido ao agravamento da doença e à presença de sintomas que
não remitem apesar do tratamento.

Podem estar presentes, relacionados com uma possível redução da capacidade


funcional e do status social, uma diminuição da auto-estima, sentimentos de
auto-desvalorização e ainda alterações da imagem corporal.
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2.A prestação de cuidados de saúde a utentes em fim


de vida

2.1.Factores promotores de bem-estar: necessidades físicas,


psicológicas, sociais e espirituais

2.1.1.Interacção positiva

As pessoas com doença grave, incurável e progressiva, sobretudo quando em


fase avançada e terminal, vivenciam uma multiplicidade de problemas: de cariz
físico, psicológico, emocional e espiritual.

Efectivamente, todas as dimensões da pessoa estão afectadas pela


irreversibilidade da doença e pela morte iminente, fazendo emergir a
necessidade de desenvolvimento de uma lógica de cuidados, que vise
preservar a dignidade da pessoa e garantir-lhe o máximo de bem-estar durante
o tempo que lhe resta viver.

É este reconhecimento da dignidade como valor universal inerente a todos os


seres humanos, consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem,
de 10 de Dezembro de 1948, que fundamenta uma atitude ética de respeito e
de cuidado face ao outro e que advoga o direito que a pessoa tem a receber
cuidados de saúde e a não ser sujeita a tratamentos considerados cruéis,
desumanos ou degradantes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define os cuidados paliativos como


uma abordagem holística que tem o intuito de melhorar a qualidade de vida
dos doentes com problemas associados a doenças potencialmente fatais e à
sua família, recorrendo à prevenção e alívio do sofrimento através da
identificação precoce, avaliação adequada e tratamento dos diversos
problemas, sejam eles físicos, psicológico, sociais ou espirituais.

Princípios da prática dos cuidados paliativos


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 Afirmam a vida e encaram a morte como um processo natural;


 Encaram a doença como causa de sofrimento a minorar;
 Consideram que o doente vale por quem é e que vale até ao fim;
 Reconhecem e aceitam em cada doente os seus próprios valores e
prioridades;
 Consideram que o sofrimento e o medo perante a morte são realidades
humanas que podem ser clínica e humanamente apoiadas;
 Consideram que a fase final da vida pode encerrar momentos de
reconciliação e de crescimento pessoal;
 Assentam na concepção central de que não se pode dispor da vida do
ser humano, pelo que não antecipam nem atrasam a morte, repudiando
a eutanásia, o suicídio assistido e a futilidade diagnóstica e terapêutica;
 Abordam de forma integrada o sofrimento físico, psicológico, social e
espiritual;
 São baseados no acompanhamento, na humanidade, na compaixão, na
disponibilidade e no rigor científico;
 Centram-se na procura do bem-estar do doente, ajudando-o a viver tão
intensamente quanto possível até ao fim;
 Só são prestados quando o doente e a família os aceitam;
 Respeitam o direito do doente escolher o local onde deseja viver e ser
acompanhado no final da vida;
 São baseados na diferenciação e na interdisciplinaridade.

A pessoa que experimenta um processo de doença grave, incurável e


progressiva passa por diversas fases na adaptação à situação que vive. A
compreensão destas fases pode facilitar a relação entre a pessoa doente, os
seus entes queridos e os profissionais de saúde, contribuindo para um melhor
processo de cuidados. De um modo geral, estas fases são:

1 Negação, em que a pessoa tenta contradizer, para si própria, a realidade da


situação que está a viver.
Durante esta fase, a pessoa tende a agir como se nada de estranho estivesse a
passar-se com ela, não admitindo a realidade da sua condição, nem, tão-pouco,
aceitando qualquer tipo de diálogo sobre este assunto.
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Esta fase de negação é, na maior parte das vezes, temporária, e funciona,


sobretudo, como uma estratégia de defesa que a pessoa utiliza para evitar
enfrentar a situação. Esta necessidade de negação surge praticamente em
todos os doentes, sendo mais frequente em fases precoces do
desenvolvimento de uma doença grave do que nos últimos tempos de vida.

2 Raiva ou Ira, em que a pessoa se revolta devido à gravidade da sua doença


e do prognóstico que lhe está associado. Frequentemente, a pessoa acaba por
dirigir a ira que sente contra os que lhe são mais próximos, demonstrando
hostilidade e agressividade face aos seus entes queridos e profissionais de
saúde, o que faz com que estes sintam grande dificuldade em aproximar-se da
pessoa doente.

3 Negociação, estádio menos bem conhecido, mas útil para a pessoa doente;
neste caso, a pessoa tenta interceder junto das outras pessoas e de Deus,
fazendo promessas caso venha a melhorar. Esta fase, no fundo, constitui uma
tentativa de adiamento da situação, sendo a maior parte das tentativas de
acordos feita com Deus.

A nível psicológico, esta fase pode estar associada a sentimentos de culpa que
a pessoa doente tem e é relevante que os profissionais de saúde estejam
atentos a algumas observações subtis que os doentes fazem.

4 Depressão, em que a pessoa tende a isolar e afastar-se dos que a rodeiam,


evitando qualquer forma de contacto. Comummente, esta fase resulta da
consciencialização da realidade da sua condição por parte do doente e em que
ele deixa de ser capaz de continuar a negar a realidade, estando associado às
sucessivas perdas que experimenta, às perdas iminentes e à perda da
esperança.

Esta fase é considerada necessária e benéfica para que o doente consiga


atingir a aceitação.
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5 Aceitação, em que a pessoa passa a aceitar a morte com o conformismo


possível. Esta fase caracteriza-se, muitas vezes, pela definição de objectivos e
metas para o tempo que lhe resta viver, bem como pela partilha de desejos e
vontades que gostaria de ver cumpridos após a sua morte, e pela expressão de
afectos e sentimentos.

A aceitação resulta da vivência de um longo processo em que a pessoa doente


dispôs de tempo suficiente e foi ajudada de um modo efectivo na gestão das
fases anteriormente descritas.

Pese embora o facto de haver esta sistematização das fases pelas quais a
maioria das pessoas tende a passar quando confrontada com uma doença
grave, a verdade é que a maneira como cada pessoa lida com esta situação é
única, singular e subjectiva.

2.1.2.Resolução de Problemas

Os doentes terminais, habitualmente, têm múltiplos sintomas, por vezes


intensos e debilitantes pelo que se torna fundamental a avaliação das suas
características e frequência, de forma a serem instituídas intervenções
adequadas que visem o seu controlo.

O carácter múltiplo dos sintomas destes doentes requer a sua avaliação inicial
sistemática e a monitorização da sua evolução, incluindo a intensidade, o
impacto nas actividades da vida quotidiana, o impacto emocional e a
probabilidade de controlo dos diferentes sintomas.

A progressão da doença terminal envolve, normalmente, múltiplos sintomas


não só físicos, mas também psicológicos, espirituais e sociais e que advêm não
só da progressão da doença primária mas também do seu tratamento e das
comorbilidades.

O controlo destes sintomas é fundamental para a qualidade de vida dos


doentes. Nas diversas definições de cuidados paliativos é evidente a
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preocupação com a prevenção e controlo dos sintomas, através da


identificação, avaliação e tratamento dos mesmos.

Princípios gerais do controlo sintomático:


 Avaliar antes de tratar: determinar a causa ou causas dos sintomas;
 Explicar as causas dos sintomas e as medidas terapêuticas de forma
clara e acessível ao doente e à família;
 Não esperar que o doente se queixe mas perguntar e observar de forma
a antecipar, tanto quanto possível, o aparecimento dos sintomas;
 Adoptar uma estratégia terapêutica mista, com recurso a medidas
farmacológicas e não farmacológicas.
 Estabelecer prazos para o cumprimento dos objectivos terapêuticos e
adoptar estratégias de prevenção de sintoma que possam surgir, como
deixar medicação de resgate prescrita.
 Monitorizar os sintomas: utilizando instrumentos de medida
estandardizados e recorrendo a métodos de registo adequados;
 Reavaliar regularmente as medidas terapêuticas;
 Dar atenção ao detalhe: de forma a optimizar o controlo dos sintomas e
a minimizar os efeitos secundários adversos das medidas terapêuticas
instituídas.

A avaliação de sintomas deve ser realizada de forma sistemática na admissão


e nas evoluções diárias, tendo em consideração as discrepâncias encontradas
entre o que o doente refere e o que os profissionais e até a própria família
referem como sintomas e intensidade dos mesmos

Ao longo dos anos foram desenvolvidos diversos instrumentos para a avaliação


de sintomas, entre os quais alguns específicos para determinados sintomas.

Apesar destes Instrumentos, em qualquer avaliação a principal ferramenta


envolve múltiplas conversas com o doente e os familiares em que o profissional
deverá conhecer os antecedentes do doente antes de se concentrar na
avaliação dos sintomas, de forma a poder responder às questões colocadas e
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conseguir lidar com as emoções demonstradas pelo doente e a sua família, e


em que se deve ter em consideração:
 A posição do doente e do profissional, visto que se o doente estiver
virado de forma a não ver o profissional, por exemplo, ou se o
profissional se mantiver em pé, distante, virado para a porta não vai ser
possível estabelecer uma conversa produtiva entre os dois;
 O tempo disponível para a conversa, pois o doente poderá ter
dificuldade em comunicar ou até querer esclarecer alguns aspectos
acerca dos sintomas o que exige tempo;
 A presença de familiares, que podem ajudar na avaliação dos sintomas
quando estão presentes diariamente e conhecem a situação clínica. Esta
presença deverá ser desejada pelo doente e não deverá perturbar a
conversa;
 O desejo do doente em comunicar, pois o doente deverá querer
participar na conversa que pode decorrer noutra altura se assim o
desejar.

Encontram-se diversas escalas para avaliar a intensidade dos sintomas.


Destacamos a Escala Visual Analógica, a Escala Numérica e a Escala Verbal
pois são simples de serem utilizadas em todos os sintomas do doente no dia a
dia e permitem a avaliação e a monitorização dos sintomas.

A Escala Visual Analógica (figura 1) é considerada sensível, simples,


reproduzível e universal, e é representada por um segmento de reta com 10
cm, onde um dos extremos é identificado como “ausência do sintoma” e o
outro como “a maior intensidade imaginável”, ou expressões equivalentes; o
doente marca no segmento o ponto que corresponde à intensidade do seu
sintoma e a intensidade corresponde à distância em milímetros desde da
extremidade identificada como “ausência de dor” e o ponto marcado.

Na Escala Numérica (figura 2) já estão presentes os números, que podem ser


de 0 a 10 como o exemplo representado na figura 3 ou de 0 a 4 por exemplo, e
o doente escolhe entre estes a intensidade da sua dor.
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Nas Escalas Verbais (figura 3) a intensidade é representada em palavras, como


por exemplo: ausente, ligeira, moderada, intensa e a maior intensidade
imaginável.

O tratamento de qualquer sintoma deve-se iniciar pela explicação das razões


que justificam os sintomas, de forma a reduzir o seu impacto psicológico e,
sempre que possível, deve-se incluir o doente no processo de decisão
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terapêutica, fazendo com que este se sinta respeitado, aumentando a sua


auto-estima

A monitorização dos sintomas permite sistematizar o seguimento, clarificar os


objectivos e validar os resultados das terapêuticas instituídas, de modo a
promover a reavaliação contínua das intervenções utilizadas.

Esta reavaliação constante permite não só avaliar a eficácia terapêutica mas


também identificar a progressão da doença, desenvolvimento da tolerância aos
fármacos e o aparecimento de efeitos adversos dos mesmos.
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2.1.3.Ajuda espiritual

A espiritualidade é fundamental em qualquer circunstância da vida humana


mas reconhecem o seu especial contributo no alívio do sofrimento e na
promoção do conforto da pessoa em final de vida.

Esta visão parece-nos particularmente importante se tivermos em conta que


muitas das circunstâncias da vida humana estão fora do controlo do Homem.
Uma delas é, precisamente, a morte e todo o processo que a envolve.

Compete ao profissional de saúde fazer tudo o que está ao seu alcance para
proporcionar ao doente uma morte digna e serena. Contudo, este trabalho
deverá realizar-se de forma gradual e, em certa medida, por patamares. Ou
seja, numa primeira fase é necessário controlar os sintomas físicos e manter a
pessoa tão autónoma quanto possível, pois só desta forma poderá realizar-se
noutros domínios da sua existência.

O conforto físico apresenta-se, assim, como um precursor fundamental do


cuidado espiritual e, por este motivo, só depois de assegurado, se reunirão as
condições necessárias para ajudar a pessoa a encontrar os seus próprios
mecanismos de auto-controlo e de adaptação à doença.

O National Cancer Institute (2011) vem alertar para o facto da doença


oncológica grave despertar no doente e seus cuidadores um estado de
profunda dor, não só física mas também mental e espiritual. Diversos estudos
têm demonstrado que, mesmo naquelas situações em que os sintomas físicos
deixam de ser preocupantes, permanecem as questões espirituais que
surgiram no decurso da doença.

Estas preocupações, que nascem do confronto com a morte, colocam a pessoa


numa situação de introspecção pessoal. Deste diálogo interior nascem muitas
questões relacionadas com o sentido da vida e com a dignidade humana. Mas
é também desta interrogação e da procura de significados que o Homem
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descobre, no meio das dúvidas e do sofrimento, o que é realmente prioritário e


importante na sua vida.

Com efeito, na fase terminal de uma doença, a saúde é muitas vezes entendida
como a possibilidade de (re)encontrar o significado da vida e de viver, o tempo
que resta, de forma plena e apropriada. Passa por ter a convicção que, mesmo
na finitude, é possível viver de forma autêntica e percorrer um caminho que
conduza à paz interior e à transcendência.

Em suma: por um lado, a finitude da vida representa um momento doloroso,


não só para os doentes como para as suas famílias. Mas por outro, este pode
ser um tempo de crescimento, dando à pessoa oportunidade de descobrir mais
sobre si mesma e de apreciar o que é realmente importante.

Embora cada pessoa tenha as suas próprias necessidades e mecanismos de


coping, este período pode tornar-se mais fácil quando doentes, familiares e
profissionais se propõem a abordar o assunto.
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3.Cuidar em final de vida

3.1.Apresentação pessoal

Um bom técnico, deverá reunir um conjunto de qualidades, que lhe permitirá


desempenhar as suas funções, com melhores resultados.

A aparência do pessoal revela muito das atitude desse mesmo pessoal em


relação ao:
 O seu trabalho
 O estabelecimento em que eles trabalham
 Os seus colegas

Se o pessoal for limpo, isso significa:


 Que o seu trabalho irá ser da mesma forma
 Que o seu local de trabalho irá ser apresentado aos clientes dessa
forma.

Uma aparência acolhedora e cooperativa significa que os seus colegas e


clientes irão agir reciprocamente.

Cabelo
 O cabelo deverá ser mantido limpo e convenientemente penteado, de
preferência afastado da cara e atado.
 Os homens devem barbear-se ou manter as barbas e bigodes
cuidadosamente aparados.

Mãos
 As mãos devem ser mantidas e cuidadas. Devem ser lavadas
regularmente e profundamente e em seguida enxaguadas do pulso e
direcção descendente à mão e secas.
 As unhas devem ser mantidas limpas, cuidadas e de preferência curtas,
sem verniz nem unhas postiças.
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 Evitar trabalhar com ferimentos nas mãos ou se estiver doente (diarreia,


febre, vómitos, contacto com pessoas com doenças infecto-contagiosas,
infecções os olhos, garganta, nariz ouvidos pele, etc.)

Calçado
 Institucionalizado (estipulado como seguro e adequado ao desempenho
das funções)
 Sola Antiderrapante;
 Fechado;
 Uso exclusivo para o trabalho;
 Confortável;
 Lavado diariamente.

Os uniformes deverão estar sempre limpos e arranjados. Se não forem postos


no princípio do dia podem causar problemas de higiene, pois transportam
bactérias. O pessoal deve cumprir as instruções do estabelecimento no uso de
uniformes, equipamento de protecção e luvas.

Sendo as instituições de saúde locais onde o risco de ocorrência de infecções é


bastante grande, é de extrema importância que sejam cumpridas algumas
regras relativamente a este aspecto:
 Não utilizar pulseiras, anéis ou objectos de adorno nas mãos
 Lavar sempre as mãos no início de cada turno, antes e depois de ir
comer, antes e depois de ir à casa de banho
 Lavar sempre as mãos ou desinfectá-las com solução alcoólica, quando
transita de doente para doente
 O uso de luvas não invalida a lavagem das mãos
 O fardamento próprio da unidade não deve ser utilizado quando se
desloca ao exterior
 É fundamental a utilização de material de protecção universal (luvas,
máscara, etc.) devendo usá-lo de forma correcta e adequada a cada
caso.
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Mas a apresentação pessoal não se trata apenas na aparência em si mesmo,


mas também da postura e comportamentos que poderão colocar em causa o
desempenho profissional e/ ou prejudicar o Utente ou outros Profissionais.

Uma boa postura enquanto se está de pé, a andar ou mesmo sentado produz
bom efeito nos colegas e clientes:
 Uma boa postura é controlada e não agitada ou espalhafatosa
 Uma postura inteligente é a vertical, não a dobrada como quem arrasta
os pés.

Deverá evitar falar alto, apoiar-se nos móveis ou colocar-se em posições


comprometedoras ou reveladoras do seu corpo.

Não só de palavras vive a comunicação, como já vimos. A linguagem corporal é


um elemento essencial do acto de comunicar, porque, quando correcta,
transmite atenção, interesse e confiança.

Durante uma conversa, podemos e devemos adoptar uma postura que facilite
a comunicação:
 Olhar o interlocutor de frente enquanto se fala;
 Falar ao nível do olhar: se o residente se encontra sentado, sentamo-nos
ou colocamo-nos de cócoras para falar com ele, nunca falar de cima
para baixo;
 Adoptar uma postura relaxada, levemente inclinada, que ajuda à
concentração;
 Mudar de tom de voz de acordo com os sentimentos expressos;
 Usar expressões faciais - sorrir, franzir o sobrolho, fazer cara de espanto
- para
 Reforçar o que se está a dizer, ou a reacção ao que se ouve;
 Acenar com a cabeça e dar sinais encorajadores com “sim” ou “hmm”;
evitar rufar dedos, bocejar ou mostrar tédio.

3.2.Aspectos específicos no apoio aos cuidados em final de vida

3.2.1.Alimentação
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Existem vários sintomas preocupantes que devem ser minimizados, para que o
doente possa viver o mais confortavelmente possível:

Fraqueza
 Para o doente poder recuperar energias é necessário aumentar a
ingestão diária de calorias e proteínas;
 Derreta margarina em comidas como torradas, sopas, vegetais, massas,
arroz ou ovos cozidos;
 Opte por maionese em vez de molhos para saladas;
 Sirva manteiga de amendoim e adicione natas ao chocolate quente, à
fruta ou outras sobremesas;
 Junte sementes ou nozes aos vegetais, saladas, massas ou sobremesas;
 Faça batidos com uma dose extra de gelado;
 Cozinhe com leite em vez de água; acrescente carne ou peixe às sopas e
gratinados;
 Utilize queijo gratinado em pratos de massa, vegetais ou gratinados;
 Sirva fruta com todo o tipo de queijo.

Perda de apetite
 Sirva as refeições do doente quando ele tiver fome, mesmo que não seja
dentro do horário “normal”;
 Um pouco de exercício (como um pequeno passeio a pé) estimula o
apetite;
 Varie as refeições e sirva-as de forma apelativa;
 Utilize temperos como sumo de limão, menta, manjerico e outras
especiarias para conferir aos alimentos sabores e cheiros estimulantes;
 As suas atenções e reparos devem limitar-se àquilo que o doente
conseguiu comer e não no que deixou no prato.

Náuseas e vómitos
 O doente deve ingerir líquidos uma hora antes ou depois da refeição
para não se sentir muito cheio;
 Comer alimentos ricos em hidratos de carbono (como tostas ou
torradas), especialmente logo de manhã;
 Deve comer sempre devagar, mastigando bem a comida;
 Descansar após as refeições para facilitar a digestão;
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

 Se o próprio cheiro da confecção dos alimentos incomodar o doente,


mantenha-o fora da cozinha ou opte por servir refeições frias compostas
por produtos lacticínios, sandes, saladas, sobremesas ou fruta.

Diarreia
 O doente deve comer várias refeições ao longo do dia, em vez das
habituais três principais;
 Evitar alimentos gordos e fritos; eliminar temporariamente da sua dieta
os produtos lacticínios se forem estes a causa da diarreia;
 Beber muitos líquidos para repor rapidamente aqueles que perdeu.

Prisão de ventre
 O doente deve seguir uma dieta rica em fibras (cereais, arroz e massas
integrais, fruta e vegetais frescos),
 Beber muitos líquidos,
 Se o doente tiver dificuldades em engolir, deve cozer ou passar a fruta e
os vegetais.

Se o doente mantém a capacidade de deglutição, devem oferecer-se líquidos


frios, sumos de fruta, gelados, gelatinas, pedaços de ananás de acordo com o
gosto pessoal.

Se a deglutição não está presente, pequenas porções água semi-líquida, gelo,


uma gaze húmida ou, em alternativa, o uso de um humidificador ou de um
nebulizador, poderão ser uma opção viável. Pode recorrer-se à aplicação de
lágrimas artificiais para minimizar o desconforto ocular. Estes cuidados deverão
ter lugar idealmente a cada 2 horas

3.2.2.Eliminação

A astenia ou a perda do controlo dos esfíncteres podem conduzir o doente à


condição de incontinente para urina e fezes, pelo que é importante manter a
pele limpa e seca. A disfunção urinária, quer sob a forma de retenção quer sob
a forma de incontinência, é observada em cerca de 50% dos doentes nas
últimas 48 horas de vida.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Devem ser utilizados materiais absorventes como fraldas e resguardos que


permitam manter o doente confortável o máximo tempo possível. No que se
refere à eliminação intestinal, a obstipação é frequente. Não devem ser
tomadas medidas invasivas, a não ser que o doente manifeste sinais de
desconforto.

A eliminação vesical deve ser cuidadosamente monitorizada, pelo menos a


cada quatro horas. Pode ser necessário colocar sonda vesical. Em doentes com
neoplasia abdominal inferior deve ser considerada a possibilidade de
compressão da bexiga pelo tumor.

3.2.3.Higiene e hidratação

A mucosa oral e nasal deve ser humedecida a cada quinze a trinta minutos,
recorrendo à utilização de água em aerossol ou aplicação de esponja
humedecida.

Na mucosa oral pode usar-se água com chá ou pode ser ainda aplicada uma
solução de saliva artificial. Estas medidas contribuem para a diminuição de
sensação de sede, reduzir a halitose e o risco de solução de continuidade.

A utilização de um preparado gelificado (por exemplo saliva gelificada para a


mucosa oral e soro fisiológico gelificado para as narinas) pode ser útil para
reduzir a evaporação da mucosa oral e nasal quando o doente não está a
cumprir oxigenoterapia (se estiver com oxigénio, a solução gelificada não deve
conter petróleo).

Devem ser evitados os produtos com glicerina ou bálsamos que contenham


limão na sua composição, pelo facto de poderem provocar irritação e
contribuírem para uma maior desidratação dos lábios.

A hidratação da mucosa oral deve, portanto, ser reforçada e constitui uma


intervenção que pode ser conduzida pela família, que, na impossibilidade de
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

alimentar o doente, se vê envolvida num cuidado que lhe proporciona bem-


estar.

Quando o doente não é capaz de pestanejar, a conjuntiva deve ser hidratada


com gel oftálmico lubrificante a cada três ou quatro horas, ou com soro
fisiológico a cada quinze a trinta minutos.

O doente pode ainda preocupar-se com a sua aparência – a perda de cabelo,


peso, as olheiras e a mudança de cor da sua pele são alterações físicas
significativas e, por vezes, chocantes. O cuidador pode ajudar o doente a
sentir-se melhor com a compra de alguns chapéus divertidos ou lenços bonitos
para cobrir a cabeça.

3.2.4.Sono e Repouso

O conforto pode ser definido como uma experiência imediata e holística,


consolidada pela satisfação das necessidades básicas relativamente aos
estados de alívio, tranquilidade e transcendência.

O alívio é o estado em que uma necessidade específica foi satisfeita; a


tranquilidade corresponde a um estado de calma ou satisfação e a
transcendência diz respeito ao estado no qual a pessoa sente que tem
potencial para superar os seus problemas ou o seu sofrimento.

Este é o grande desafio para as práticas profissionais que devem atender à


integridade de cada pessoa e conseguir ultrapassar uma dinâmica, geralmente
complexa, tensa, desgastante e traumatizante, que corrobora para que as
relações entre as pessoas nem sempre sejam pautadas pelo respeito e pela
compreensão.

Dessa forma, tornam-se possíveis práticas que contemplem as necessidades e


minimizem o sofrimento de pessoas que, num determinado momento de suas
vidas, necessitam de um atendimento complexo e especializado em saúde.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

É importante que a equipa terapêutica transmita segurança e mantenha uma


atitude de respeito face ao comportamento do doente. Manter constantes os
elementos da equipa responsáveis pelo seu acompanhamento pode ser útil
para evitar maior confusão e desorientação.

O descanso nocturno deve ser facilitado. O ambiente deve também transmitir


segurança, calma e tranquilidade, permitindo, por exemplo a presença de
objectos familiares ao doente, uma luz de presença durante a noite e evitar
que o doente permaneça sozinho.

A instalação de um quadro de delírio constitui fonte de stress para a família e


para a equipa prestadora de cuidados. O papel do profissional de saúde é
muito importante no controlo deste tipo de sintomas. Deve tranquilizar a
família, referindo que o facto de o doente manifestar comportamentos que não
eram habituais (como utilizar “calão” ou mesmo linguagem obscena, ser
“desobediente”…) tem relação com a evolução do declínio do estado geral.

A comunicação constitui uma arma importante, mas a sua eficácia é maior


quando as questões emocionais e de conflito são exploradas numa fase mais
precoce, de forma a permitir que se esclareçam e resolvam.

3.2.5.Controlo da dor e outros sintomas

Uma das maiores preocupações de um doente terminal é o controlo da dor


aguda ou crónica que debilita a pessoa até esta já não conseguir executar as
suas tarefas diárias. Muitas vezes, o doente pode estar a sofrer
desnecessariamente, o que pode ter um efeito negativo na sua luta pela vida.

Ter qualidade de vida até ao final de uma doença terminal é fulcral, por isso, é
necessário averiguar e experimentar quais os medicamentos e/ou tratamentos
que possam controlar essa dor. Mantenha um historial sobre todos os
medicamentos que o doente toma e possíveis reacções, assim como uma
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

análise sobre quais os tratamentos mais efectivos ou não, para poder informar
o médico.

O controlo da dor continua a ser prioridade nesta fase, pelo que é fundamental
mantê-lo, se for o caso, ou consegui-lo, caso esse objectivo ainda não tenha
sido atingido. Quando o doente, nesta fase, ainda mantém dor, é, como referi,
difícil avaliá-la pelas dificuldades de comunicação que entretanto vão surgindo.

Deste modo, torna-se muito importante estar atento a sinais de desconforto,


quer estes aconteçam em repouso ou durante a prestação de um cuidado,
como a mobilização, alternância de decúbito, tratamento de uma ferida. Nestes
casos, a dor irruptiva deve ser previsível e, portanto, evitada, através da
administração de analgesia adequada.

Perante um doente que tinha a dor controlada com opióide por via oral e que
se encontra incapaz de deglutir, a utilização de opióides administrados por via
transdérmica pode constituir uma solução, sendo administrada em dose
correspondente à usada anteriormente. Os sinais de dor ou desconforto devem
ser avaliados, pelo menos de quatro em quatro horas, pelo médico ou pelo
enfermeiro.

3.3.A especificidade da comunicação em cuidados paliativos

O controlo efectivo de sintomas é um dos princípios dos Cuidados Paliativos. A


consecução deste objectivo implica que a equipa prestadora de cuidados reúna
competências de comunicação, que devem ser trabalhadas individualmente e
em equipa.

É certo que todos comunicamos, mesmo sem querer (importância da


comunicação não verbal), mas as competências necessárias para uma
comunicação eficaz, terapêutica, devem ser adquiridas e desenvolvidas pelos
profissionais de saúde.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

O doente tem necessidades especiais e particulares. Pode estar calmo,


orientado e capaz de participar nas decisões e no planeamento dos cuidados,
ou, pelo contrário, pode estar com dores, ter medo, ser incapaz de comunicar,
pelas vias normais.

Em qualquer dos casos, têm necessidades sociais, espirituais e religiosas. Isto


assume particular importância nesta fase da vida, sobretudo quando a morte é
entendida como mais um momento de passagem.

As emoções sucedem-se, acrescentando à realidade descrita sentimentos de


perda, medo, ansiedade e incerteza, à medida que todo o processo evolui – o
que leva a que a situação do doente em fase terminal seja única e singular.

Por esse motivo, requer também cuidados correspondentes no sentido de ir ao


encontro das necessidades do doente, que são não só de ordem física, mas
também de ordem psicológica, social e espiritual. As necessidades do doente
em fase terminal são tão específicas quanto singular é cada pessoa.

O doente terminal é um doente com necessidades específicas, particulares e


multifactoriais, o que implica um trabalho em equipa e uma atenção
continuada e individualizada.

A Carta dos Direitos do Doente em Fase Terminal exprime as necessidades


reais destes doentes:
 Ser tratado como pessoa até ao momento da morte; o que implica a
prestação de cuidados individualizados, tendo em conta que o doente é
uma pessoa, única em carácter, personalidade, passado, cultura,
hábitos, valores e convicções que devem ser respeitado;
 Expressar os seus sentimentos e emoções relacionados com a
proximidade da morte, o que implica ser ouvido, compreendido e poder
partilhar com os amigos, familiares e profissionais de saúde todas as
preocupações, para o que é necessário um clima de abertura e verdade;
 Manter um sentimento de esperança e ser cuidados por pessoas
capazes de ajudar a alimentá-la, e que pode ir desde a esperança de
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

conseguir a cura, até outro tipo de esperança menos “ ambiciosa “,


como seja a de viver mais algum tempo, de não sofrer, de ter uma
morte serena, ou ainda a esperança da morte não ser simplesmente o
fim de tudo;
 Manter e expressar a sua fé, ou seja, poder discutir e partilhar as suas
convicções religiosas, mesmo que sejam diferentes dos outros, o que
implica a liberdade de ter a assistência religiosa que deseja. E mesmo
quando o doente não professa qualquer religião tem também o direito
de prescindir de qualquer assistência religiosa;
 Ser cuidado por pessoas competentes e sensíveis, que compreendam as
suas necessidades e prestem cuidados correspondentes, tecnicamente
correctos e com sensibilidade humana, mesmo que seja evidente que a
cura já não é possível;
 Não sofrer indevidamente, o que inclui o alívio da dor e da restante
sintomatologia, a prestação de cuidados proporcionados em relação aos
resultados esperados, e também todo o apoio psicológico que possa
contribuir para diminuir o sofrimento;
 Receber respostas adequadas e honestas às suas perguntas, participa
em todas as decisões que lhe dizem respeito, e decidir livremente sobre
o seu tratamento, após ser devidamente esclarecido;
 Manter a sua hierarquia de valores e não ser discriminado pelo facto
das suas decisões serem diferentes das que tomariam as pessoas que
cuidam;
 Ter o conforto e a companhia dos seus familiares e amigos ao longo de
todo o processo de doença e no momento da morte, e nunca morrer só;
 Morrer em paz e com dignidade.

Algumas atitudes e cuidados são importantes nas pessoas que acompanham o


paciente em fase terminal.
1. Aceitar a morte como parte da experiência vital: nascemos, vivemos e
morremos.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

2. Ver o paciente terminal como vivo e não como morto. Parecer haver
um pensamento generalizado de que aquele que tem uma doença
incurável está acabado.
3. Ter maturidade frente à morte e o morrer para que o cliente possa
falar sobre o que lhe aflige; saber ouvir; Acompanhar uma pessoa que
esta morrendo e uma oportunidade de aumentar nossa capacidade de
amar e vencer o medo. Ter medo da morte é ter medo de viver. A vida é
um processo e não uma meta.
4. A tranquilidade do acompanhante é condição indispensável, pois essa
é a hora da “terapia do silêncio”.
5. “Estar junto”, é um transmissor de afecto. Quem ama passa
segurança a sensação de estar acompanhada e não abandonada. Tocar,
segurar na mão, fazer um afago, ajuda a sentir-se seguro para poder
apagar a vela da vida.
6. Respeitar a vontade da pessoa, tanto para morrer, como para depois
da morte.
7. A família e peça chave, por isso e preciso prepará-la para enfrentar as
diversas fases do processo de morrer.

3.4.A compreensão da dimensão espiritual

O cuidado espiritual caracteriza-se pela relação com o outro, pela presença


consciente e pela existência de um objectivo que gera ganhos em saúde.
Apesar da sua natureza subjectiva e da dificuldade em defini-lo, existem alguns
elementos que são comuns às diversas definições, designadamente a
necessidade de serem integrados no seio da equipa multidisciplinar e o uso de
metodologia científica.

O cuidado espiritual assenta em quatro princípios fundamentais: intuição,


relação interpessoal, altruísmo e integração. Em primeiro lugar, é necessário
reconhecer que a pessoa tem necessidades espirituais e, em segundo,
identificar o momento oportuno para intervir (intuição).
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Para além destas evidências, ressalvam que a essência destes cuidados


emerge do Ser mas concretiza-se no Fazer preconizando, portanto, não só a
presença física, como também o sentido de compromisso e a capacidade de
comunicar de forma assertiva e eficaz (relação interpessoal).

Por fim, sendo a espiritualidade uma dimensão que abarca todos os aspectos
da vida humana (integração), defendem a necessidade de se cultivar uma
atitude altruísta colocando-se, em primeiro plano, as necessidades da pessoa.

Há a necessidade do profissional de saúde, antes de mais, se conhecer a si


mesmo, pois só reflectindo e confrontando-se com a sua própria espiritualidade
poderá estar sensível aos problemas dos outros. Não deverá julgar nem impor
as suas crenças mas, antes, orientar a pessoa, ajudando-a a encontrar uma
resposta satisfatória e tangível para as suas necessidades.

O cuidado espiritual expressa, assim, a preocupação com a dimensão


transcendental da pessoa e para além de altruísta, reconhece o que de mais
sublime há no Homem, dignificando e valorizando os cuidados de saúde.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

4.A morte e o luto

4.1.A morte numa instituição de saúde

Uma instituição de saúde terá certamente de lidar com a morte de clientes e


com o subsequente período de luto. O final da vida nunca deve ser encarado
como uma rotina, porque os cuidados que prestamos a alguém nos últimos
dias são tão importantes como os que recebeu ao longo da vida.

O final da vida é um momento em que o respeito pela privacidade e a


dignidade é indispensável. O cliente deve estar num quarto próprio e rodeado
dos seus pertences e de familiares e amigos, a não ser que haja razões
médicas muito fortes que o impeçam, ou que o próprio não o deseje.

Os clientes devem poder pronunciar-se sobre os procedimentos a tomar na


fase final da sua vida e após a sua morte. As particularidades culturais,
religiosas e pessoais devem ser respeitadas. O envolvimento da família e
amigos pode ajudar, mas só se o próprio estiver de acordo.

Devemos zelar pela satisfação das necessidades físicas, emocionais e


espirituais de quem está a morrer, respeitando os seus desejos e
proporcionando-lhe conforto e bem-estar. Há que minimizar a dor: cuidados
paliativos de qualidade contribuem para a qualidade de vida do residente nos
seus últimos momentos.

Após a morte, a instituição de saúde pode apoiar a família e/ou amigos do


falecido - se esta assim o desejar - nos procedimentos a tomar e informá-los
sobre possíveis fontes de apoio, serviços fúnebres e outros aspectos que
venham a surgir.
Os profissionais de saúde devem estar preparados e dispostos a falar sobre a
morte e o final da vida e sobre os residentes que tenham falecido
recentemente. Por vezes, também os colaboradores precisam de ajuda -
sobretudo se são mais novos e inexperientes.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

As instituições de saúde devem ter políticas claras e procedimentos


estabelecidos para assegurar que os últimos dias de um residente são
passados com conforto e de forma digna, respeitando-se os seus desejos
integralmente.

Em caso de morte do cliente, a Organização deve ter previsto mecanismos de


actuação imediatos, nomeadamente:
• Comunicação do óbito aos restantes clientes e colaboradores,
conferindo especial atenção àqueles mais próximos do cliente: esta
comunicação deve ser efectuada de forma clama e tranquila e num
espaço reservado, de forma a minimizar o impacto da informação;
• Comunicação formal a outras Instituições com as quais o cliente
tivesse relacionamento;
• Definição do processo de organização e entrega dos bens do cliente
aos significativos;
• Preparação e trabalho com o grupo de clientes com vista a uma gestão
emocional de forma equilibrada e ajustada;
• Identificação do representante da organização que estará presente na
cerimónia fúnebre.

A instituição deverá ainda assegurar o apoio na gestão do luto aos familiares/


significativos que tenham tido uma estreita vinculação afectiva ao cliente que
faleceu.

Os cuidados post-mortem são assegurados pela Organização em estreita


colaboração com os significativos. Se não existirem referências de pessoas
próximas e/ou significativos, deve a Organização assegurar-se do cumprimento
das últimas vontades do cliente, caso tenham sido expressas e providenciar os
procedimentos inerentes ao acto fúnebre e zelar pela dignidade do acto.

4.2.A morte em casa

A escolha do local para morrer deve respeitar, sempre que possível, o desejo
do doente: Mas os doentes no fim da vida têm o direito de esperar alívio para o
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

seu sofrimento e qualidade de vida em qualquer unidade de saúde onde se


encontrem.

Quando já não há qualquer esperança de cura, os tratamentos de intenção


curativa devem ser interrompidos (com o conhecimento do doente e/ou
familiares) e iniciados os cuidados apelativos. A partir desse momento, a
prioridade é o alívio da dor física.

Informe-se sobre modalidades e fontes de apoio domiciliário no hospital e


através da equipa médica que acompanha o doente, e também no centro de
saúde da sua área residencial, junta de freguesia ou Santa Casa da
Mesiricórdia.

Em casa, o doente deve ter apoio quer para os cuidados de higiene e


alimentação, quer para cuidados palativos prestados por uma equipa de saúde
multidisciplinar (médico, enfermeiro, psicólogo) coordenada pelo médico de
família e que, pela sua presença e disponibilidade deve ajudar a família a
proporcionar ao doente conforto e tranquilidade durante a última fase da vida

Morrer em casa com qualidade só é possível em certas fases e tipos da doença


e, sobretudo, com uma família bem informada e solidária que disponha de boas
condições materiais e psicológicas e consiga uma boa articulação com o
médico e a equipa de cuidados paliativos domiciliários (que deverá estar
contactável para informação telefónica ou visita de urgência 24 horas por dia).
Passar os últimos dias em casa permite que o doente se sinta mais protegido,
porque está num ambiente familiar, permitindo também que mantenha
autonomia e autocontrolo sobre a sua situação. Grande parte das situações de
agonia podem ser acompanhadas no domicílio, desde que com o apoio de
equipas de saúde multidisciplinares treinadas nesse sentido.

No entanto, existem situações que impedem que tal aconteça. São elas:
• Presença de sintomas de difícil controlo (como dor, dispneia, agitação),
• Fadiga ou claudicação dos cuidadores,
• Pedido expresso do doente ou familiares, depois de devidamente
ponderado com a equipa terapêutica,
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

• Inexistência ou inaptidão evidente dos cuidadores para prestar


cuidados

Pode recorrer-se a ajuda permanente (equipa de cuidados paliativos


domiciliários, mas também auxiliares domésticas, enfermagem, voluntários);
informe-se junto dos hospitais com unidades oncológicas e na sua junta de
freguesia (ou assistente social) para as ajudas ao domicílio e obter moradas e
telefones de associações de entreajuda.

O médico de família deverá também verificar se os acompanhantes do doente


precisam de ajuda material ou psicológica, pois é por vezes com grande
cansaço que estes, transformados em assistentes e enfermeiros se revezam
dia e noite para assegurar o bem-estar do doente até aos últimos momentos
vividos em conjunto.

As decisões no fim da vida são muitas vezes difíceis e enquadram-se sempre


num campo ético. No entanto, os últimos tempos podem talvez ser menos
dolorosos, e a morte, uma passagem menos angustiante se houver equipas
dedicadas que prestem cuidados paliativos e saibam escutar o sofrimento do
doente. Não há resposta universal a não ser respeitar a dignidade da pessoa
até ao fim.

4.3.Os Cuidados do corpo post-mortem

A morte é caracterizada por:


 Esfriamento do corpo;
 Manchas generalizadas de coloração arroxeada;
 Relaxamento dos esfíncteres;
 Rigidez cadavérica.

O óbito é constatado pelo médico, e logo após deve-se iniciar a preparação do


corpo com as finalidades de:
 Manter o corpo limpo e identificado;
 Evitar odores e saída de excreções e sangue;
 Dispor o corpo em posição adequada antes da rigidez cadavérica.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

A preparação do cadáver é da responsabilidade do enfermeiro ao qual o doente


estava atribuído, cabendo ao técnico/a auxiliar de saúde colaborar com ele na
preparação do corpo, devendo para tal serem cumpridos os seguintes
cuidados:
 Proceder ao isolamento da unidade do doente, correndo os cortinados
 Reunir toda a roupa e material necessário à execução da múmia (saco
de cadáver ou lençol, adesivo, algodão, ligaduras, etiquetas de
identificação)
 Colaborar na retirada de todos os cateterismos
 Proceder à higiene corporal do doente se necessário
 Colaborar no tamponamento de todos os orifícios naturais (ouvidos,
narinas, boca e ânus)
 Efectuar o encerramento das pálpebras
 Colocar uma ligadura sob o maxilar inferior e atá-la na cabeça,
permitindo o encerramento da boca
 Cruzar as mãos sobre o abdómen e segurá-las com uma ligadura
 Unir os pés e atá-los com uma ligadura
 Manter sempre o alinhamento corporal
 Colocar uma etiqueta de identificação numa das ligaduras que seguram
as mãos ou pés
 Enrolar o corpo no lençol que acompanha o saco de cadáver
 Colocar o corpo no saco de cadáver e identificar o saco com a 2ª
etiqueta.

O cadáver deverá ser sempre identificado com 2 etiquetas, uma interna e outra
externamente e posteriormente transportado obrigatoriamente em maca
específica, devendo aí ser colocado nas câmaras frigoríficas.

A saída do cadáver da Unidade, só será efectuada após informação dos


familiares ou, em caso de impossibilidade, das autoridades (PSP ou GNR) da
área de residência do doente falecido e somente após autorização do
enfermeiro responsável.

No caso da morte ocorrer em casa:


 Os cuidados após a morte devem ser realizados com respeito pelo corpo.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

 É importante tornar o ambiente à volta do falecido o mais estético


possível para a família
 Devem ser retirados quaisquer tubos como sondas, cateteres venosos,
entre outros
 O corpo deve ser colocado numa cama limpa, em posição natural, sobre
resguardos absorventes
 Devem ser tapados com compressas ou algodão os orifícios naturais do
corpo para prevenir a saída de fluidos
 A melhor posição é a maior parte das vezes o decúbito dorsal, com os
braços ao longo do corpo ou cruzados sobre ele. As pernas devem estar
unidas paralelamente
 Os olhos devem ser fechados e a dentadura colocada se ainda não
houver rigidez do maxilar
 O maxilar inferior deve ser também fixado de uma forma natural com
uma ligadura abaixo do queixo. Este posicionamento deve ser efectuado
antes de se instalar o rigor mortis ou o endurecimento do cadáver (surge
primeiro nos músculos do maxilar e progride de uma forma descendente
até ás pernas). Outro processo que ocorre após a morte é o livor mortis,
que é o aparecimento de manchas arroxeadas em determinadas zonas
do corpo entre 20 a 30 minutos após a morte
 O posicionamento imediato do cadáver em decúbito dorsal, com uma
almofada debaixo da cabeça previne o livor mortis na face e dá uma
aparência de conforto aos membros da família.

4.4.As fases do luto

Face a qualquer perda significativa, de uma pessoa ou até de um objecto


estimado, desenrola-se um processo necessário e fundamental para que o
vazio deixado, com o tempo, possa voltar a ser preenchido. Esse processo é
denominado de luto e consiste numa adaptação à perda, envolvendo uma série
de tarefas ou fases para que tal aconteça.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

O processo de luto oferece ao sobrevivente a oportunidade de se deslindar dos


laços da vinculação. Em condições normais, o processo de luto elimina estas
vinculações que ameaçam manter as ilusões de amor eterno

O luto representa o estado experiencial que a pessoa sofre após tomar


consciência da perda, sendo um termo global para descrever o vasto leque de
emoções, experiências, mudanças e condições que ocorrem como resultado da
perda.

Após a perda de alguém que nos é querido, existe uma série de tarefas de luto
que têm de ser concretizadas para que se restabeleça o equilíbrio e para o
processo de luto ficar completo. Desta forma, a adaptação à perda envolve 4
tarefas básicas:
1. Aceitar a realidade da perda
2. Trabalhar a dor advinda da perda
3. Ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente
4. Transferir emocionalmente o falecido e prosseguir com a vida

É essencial que o enlutado efectue estas tarefas antes do processo de luto


poder ser completado. Uma vez que o luto é um processo e não um estado,
estas tarefas requerem esforço e tal como uma doença pode não ficar
totalmente curada, também o luto pode ficar incompleto em algumas pessoas.

1. Aceitar a realidade da perda


Quando alguém morre, mesmo sendo uma morte previsível, há sempre um
sentimento de que tal não aconteceu. Desta forma, a primeira tarefa do
sofrimento é apercebermo-nosda realidade de que a pessoa morreu e que não
irá voltar.

O permanecer nesta tarefa pode dever-se a não acreditar na perda através de


um determinado tipo de negação:
- Factos da perda;
- Significado da perda;
- Irreversibilidade da perda

Negar os factos da perda pode variar em grau desde uma ligeira distorção até
um delírio em larga escala. Um exemplo bizarro de negação através de delírio é
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

os casos raros em que o enlutado mantém o corpo do falecido em casa durante


um número de dias, antes de notificar alguém acerca da morte. Estas pessoas
sofrem, na grande maioria, de psicoticismo, excentricidade ou isolamento.

O que acontece mais frequentemente é a pessoa passar por uma


"mumificação" isto é, reter os bens materiais do falecido e mantê-los tal como
estavam para quando o falecido "regressar". Outra forma das pessoas se
protegerem da realidade é negarem o significado da perda, permitindo que a
perda aparente ser menos significativa do que na realidade foi.

Algumas pessoas impedem a finalização desta tarefa negando que a morte é


irreversível. Uma estratégia utilizada para negar a finalidade da morte é o
espiritualismo. A esperança de reunião com a pessoa morta é o sentimento
normal, principalmente nos primeiros dias e semanas após a perda. Contudo, a
esperança crónica por tal reunião ultrapassa os parâmetros da normalidade.

Chegar a uma aceitação da perda leva tempo, pois envolve não só uma
aceitação intelectual, mas também emocional, esta última sendo mais morosa.
A crença e descrença alternam enquanto se permanece nesta tarefa. Apesar de
levar inevitavelmente tempo, os rituais tradicionais, como o funeral, ajudam
muitos enlutados a avançarem na aceitação da perda.

2. Trabalhar a dor da perda


Muitas pessoas experimentam dor física, bem como dor emocional e
comportamental associadas à perda. Uma vez que a pessoa em luto tem que
passar pela dor causada pela perda, de modo a fazer o trabalho do sofrimento,
então tudo o que permitir ao enlutado evitar ou suprimir essa dor irá muito
provavelmente prolongar o processo de luto.

A negação desta segunda tarefa, a de trabalhar através da dor, é a de não


sentir. As pessoas podem boicotar esta tarefa da várias maneiras, sendo a mais
comum cortar com os sentimentos e negar a dor que está presente.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Outras formas possíveis são procedimentos para parar o pensamento, idealizar


o falecido, evitar coisas que lembrem o falecido e utilizar álcool ou
estupefacientes. Certas pessoas não compreendem a necessidade de
experimentarem a dor do sofrimento e tentam a cura geográfica, ou seja,
viajam de sítio para sítio, tentando encontrar algum alívio das suas emoções,
em vez de se permitirem satisfazer a dor, senti-la e saberem que um dia ela
passará.

3. Ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente


Ajustar-se a um novo ambiente tem diferentes significados para diferentes
pessoas, dependendo da relação que se tinha com a pessoa falecida e os
vários papéis que ela desempenhava.

No caso de uma viúva, a perda de um marido pode significar a perdas de um


parceiro sexual, um companheiro, um contabilista, um jardineiro, etc.,
dependendo dos papéis que eram normalmente desempenhados pelo seu
marido. A estratégia de coping de redefinir a perda de tal forma que pode
recair para o benefício do sobrevivente é normalmente parte do
completamento bem-sucedido desta tarefa.

Para as pessoas que definem a sua identidade através das relações e atenção
que tem pelos outros, o processo de luto significa não só a perda de um ente
querido, mas também um sentimento de perda do self.

Outra área de ajustamento diz respeito ao sentido que a pessoa tem do


mundo, pois a perda pode pôr em causa várias crenças e desafiar valores
fundamentais.

Verifica-se, assim, a existência de 3 áreas de ajustamento que se tem que fazer


depois de perder alguém que nos é próximo: ajustamentos externos
(funcionamento diário no mundo), ajustamentos internos (sentido do self) e
ajustamento de crenças (valores, crenças, considerações sobre o mundo).
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Ficar preso nesta tarefa significa que não há uma adaptação à perda. As
pessoas trabalham contra elas mesmas através da promoção do seu próprio
desamparo. Para além disso, não desenvolvem as competências que precisam
para lidar com a perda ou isolam-se do mundo e não enfrentam as exigências
que lhes rodeiam.

4. Transferir emocionalmente o falecido e prosseguir com a vida


Uma pessoa nunca perde as memórias de uma relação significativa. O processo
de luto termina quando o enlutado deixar de ter uma necessidade de reactivar
a representação do falecido com uma intensidade exagerada no quotidiano.

No caso da morte de um parceiro, a disposição para entrar em novas relações


está directamente dependente de encontrar o espaço adequado para o cônjuge
na vida psicológica do enlutado, um espaço que seja importante, mas que
deixe espaço para outros.

Uma maneira de não completar esta tarefa é não amar. A pessoa agarra-se ao
vínculo que tem com o passado, em vez de seguir em frente e formar novas
vinculações. Algumas pessoas sentem a perda de uma forma tão dolorosa que
fazem um pacto com elas mesmas de nunca mais amarem.

Para muitas pessoas, esta é a tarefa mais difícil de alcançar, ficando-se por
vezes preso nela e só tomando consciência disso muito tempo depois,
verificando que as suas vidas estagnaram após a perda.

A sobre-idealização da pessoa falecida, um sentimento de deslealdade ou o


medo catastrófico de uma nova perda podem bloquear a formação de novas
vinculações e compromissos. Não obstante, esta tarefa pode ser alcançada e a
pessoa percebe que pode voltar a amar sem deixar de amar a pessoa que
perdeu.
4.5.O acompanhamento e apoio à família

As famílias são profundamente afectadas pela doença aguda e crónica de um


dos seus membros e a doença terminal é uma das situações vividas com maior
envolvimento. As actividades do quotidiano, os papéis, as relações com os
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

outros e o significado da vida ficam alterados, uma vez que a vida muda de um
estado de saúde para um de doença.

O doente e a família lutam, não apenas com o presente e tudo o que envolve a
doença e seus cuidados, mas com os aspectos avassaladores associados à
doença e a transcendência para além da doença.

Além dos receios e preocupações partilhados pelos doentes, os familiares


preocupam -se com as alterações na condição física do seu ente querido e com
um processo de luto antecipatório, mas também com problemas práticos, como
a escolha dos serviços onde irão ser prestados os cuidados, a avaliação da
qualidade dos mesmos e o local para onde o doente transitará na fase
terminal.

A família de um doente oncológico tem ela própria necessidades diversas:


a) Estar com a pessoa doente;
b) Poder ajudar na evolução e desfecho da doença;
c) Receber apoio, confirmação e reforço do seu contributo para o
conforto do doente;
d) Ser informado acerca da condição do doente e da sua morte iminente;
e) Poder exteriorizar emoções;
f) Receber conforto e apoio dos membros da família; e,
g) Receber aceitação, apoio e conforto dos profissionais de saúde.

No cuidado ao doente em fim de vida é importante perceber, numa fase inicial,


que informações foram transmitidas ao doente e família, para que depois seja
possível planear a forma como serão comunicadas novas informações.

À medida que o estado do doente se vai deteriorando vão sendo mais


frequentes as questões colocadas por familiares e pessoas significativas.
Quando o doente está em agonia, os familiares devem estar informados da
situação da morte iminente, bem como da forma como desejam ser
informados, em caso de agravamento ou quando o doente falecer (quem, em
que intervalo de tempo). Deve ser criada a possibilidade de pernoitar junto do
doente, sempre que possível.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

No que diz respeito à comunicação com os familiares, é importante que o


profissional lhe transmita que o doente tem necessidade de falar sobre o
momento que vive, bem como sobre preocupações com o post mortem.

Quando o familiar não se encontra presente no momento da morte, é


importante informá-lo de forma presencial. Ao usar o telefone é difícil perceber
de que rede familiar ou de amigos o receptor da mensagem pode dispor.
Devem ser transmitidas todas as informações relativas a normas da instituição
referentes ao tratamento e encaminhamento do corpo, bem sobre todas as
questões legais, se possível escritas.

A comunicação de uma má notícia deve seguir guias de orientação, começando


por providenciar um local tranquilo e perceber que tipo de informação a pessoa
dispõe e quer saber, relativamente à situação de morte iminente do seu
familiar. De seguida, o profissional deve utilizar uma afirmação que permita
que o familiar se aperceba que vai receber uma má notícia.

Nesta altura, pode comunicar-se o falecimento do doente, evitando o recurso a


eufemismos, ou seja, utilizando uma linguagem directa e o mais objectiva
possível.

Depois de responder a todas as questões colocadas pelo familiar, é importante


concluir a intervenção com um plano referente à forma como todas as
diligências se vão processar. Nesta altura deve ser disponibilizado apoio para o
luto, fornecendo informações, se possível escritas, sobre o modo como esse
apoio vai decorrer.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

5.A auto-protecção em situações de sofrimento e agonia do


utente, família e cuidadores

Os técnicos que lidam com doentes terminais necessitam ter a capacidade de


identificar, avaliar e, quando possível, minorar os sintomas físicos da doença
mas também a incapacidade crescente, as alterações nos papéis sociais e o
isolamento social associados com a doença e o processo de morte.

Simultaneamente, devem saber distinguir quando o isolamento social ou as


alterações nos papéis sociais são sinais de uma depressão clínica e quando a
dor e sintomas da doença têm um forte componente psicológico, requerendo
uma abordagem psiquiátrica ou psicológica.

A intervenção deve ser feita a um ritmo ade-quado às necessidades do doente


e da família, em vez de acontecer ao ritmo das expectativas e agenda do
prestador de cuidados acerca do que “deve ser feito”.

Ao providenciarem cuidados a doentes com uma esperança de vida


previsivelmente curta, os profissionais de saúde confrontam-se
inevitavelmente com a ideia da sua própria morte. Este confronto resulta por
vezes na identificação (muitas vezes de uma forma simples, “Se fosse eu…”),
podendo funcionar positivamente como um reforço empático e útil na tomada
de decisões mais próximas às necessidades e vontade do doente.

Corre, no entanto, o risco de se extremar de forma prejudicial, levando o


profissional a experienciar intensa e excessivamente as vivências do doente.
Pode haver também a identificação do doente com determinada pessoa
próxima ou familiar do profissional, com o risco de excessivo envolvimento,
prejudicial ao profissional e, provavelmente, ao próprio doente.
Deste modo, sendo a morte inevitável e frequente nos serviços de saúde, nem
todos os profissionais a compreendem, a acolhem e reagem a ela da mesma
maneira. Confrontados com a doença grave e com a morte, os profissionais
tentam proteger-se da angústia que estas situações geram, adoptando
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

estratégias de adaptação, conscientes ou inconscientes designadas:


mecanismos de defesa.

Uma vez que os profissionais de saúde se confrontam com a morte nos seus
contextos de trabalho, necessitam adquirir conhecimentos e desenvolver
capacidades e competências de forma a encarar e gerir a morte do outro que
nos é semelhante.

Ajudar o doente e a família num momento em que experimentam grande


sofrimento constituiu um dos maiores desafios que a prática quotidiana coloca
aos profissionais de saúde. É preciso entender que a morte nem sempre é
significado de fracasso ou insucesso e sim algo que faz parte de um ciclo
natural da vida.

É importante que os profissionais tenham consciência das suas próprias


reacções emocionais e atitudes na relação com os doentes terminais,
contribuindo para que adquiram uma maior capacidade para lidar com as
dificuldades psicológicas/emocionais desencadeadas na prestação de cuidados
a estes doentes.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

6.Tarefas que em relação a esta temática se encontram


no âmbito de intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de
Saúde

6.1.Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro tem de


executar sob sua supervisão directa

O/A Técnico/a Auxiliar de Saúde é o/a profissional que auxilia na prestação de


cuidados de saúde aos utentes, na recolha e transporte de amostras biológicas,
na limpeza, higienização e transporte de roupas, materiais e equipamentos, na
limpeza e higienização dos espaços e no apoio logístico e administrativo das
diferentes unidades e serviços de saúde, sob orientações do profissional de
saúde.

No que respeita aos cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post


mortem, este profissional deve auxiliar na prestação de cuidados aos utentes,
de acordo com orientações do enfermeiro:
 Identificar as necessidades das pessoas com doença crónica
incapacitante e terminal, seus cuidadores e familiares;
 Promover intervenções junto de pessoas com doença crónica
incapacitante e terminal, cuidadores e seus familiares;
 Envolver os cuidadores da pessoa em situação de doença crónica,
incapacitante ou terminal, para optimizar resultados na satisfação das
necessidades;
 Promover parcerias terapêuticas com o indivíduo portador de doença
crónica incapacitante, cuidadores e família;
 Respeitar a singularidade e autonomia individual, quando responde a
vivências individuais específicas, a processos de morrer e de luto;
 Negociar objectivos/ metas de cuidados, mutuamente acordadas dentro
do ambiente terapêutico;
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

 Reconhecer os efeitos da natureza do cuidar em indivíduos com doença


crónica e incapacitante e terminal, nos seus cuidadores e familiares,
sobre si e outros membros da equipa, respondendo de forma eficaz;
 Colaborar com outros membros da equipa de saúde.

6.2.Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro, pode


executar sozinho/a

De acordo com o respectivo perfil profissional, constitui tarefa fundamental do


técnico/a auxiliar de saúde:
 Auxiliar nos cuidados post-mortem, de acordo com orientações do
profissional de saúde.

Nesta matéria, espera-se que o técnico/a auxiliar de saúde tenha autonomia


suficiente para o desempenho das seguintes tarefas:
 Aplicar técnicas preventivas de controlo e gestão do stress profissional
nomeadamente em situações limite, sofrimento e agonia.
 Aplicar Técnicas de cuidados ao corpo post-mortem, designadamente:
 Proceder ao isolamento da unidade do doente,
 Reunir o material necessário;
 Proceder á higiene corporal;
 Realizar o tamponamento de todos os orifícios naturais;
 Efectuar o encerramento das pálpebras
 Efectuar o encerramento da boca;
 Segurar as mãos;
 Unir os pés;
 Colocar as etiquetas de identificação;
 Enrolar o corpo num lençol;
 Colocar o corpo no saco de cadáver;
 Proceder ao transporte do cadáver para a morgue;
 Cumprir os procedimentos para a saída do cadáver da unidade.
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Bibliografia

AA VV., Regulamento de competências específicas do enfermeiro especialista


em enfermagem em pessoa em situação crónica e paliativa, Ed. Ordem dos
enfermeiros, 2011

Aleixo, Fernando, Manual de Enfermagem, Ed. Centro Hospitalar do Barlavento


Algarvio., EPE, 2007

Aleixo, Fernando, Manual do Assistente Operacional, Ed. Centro Hospitalar do


Barlavento Algarvio., EPE, 2008

Sanches, Maria do Carmo; Pereira, Fátima, Manual do formando: Apoio a idosos


em meio familiar, Projecto Delfim, GICEA - Gabinete de Gestão de Iniciativas
Comunitárias do Emprego, 2000

Silva, Sandra, Caracterização dos cuidados de saúde prestados ao doente


oncológico em agonia num serviço de cuidados paliativos, Dissertação de
mestrado em Oncologia, Universidade do Porto, 2011

Sites consultados
Cuidados de saúde a pessoas em fim de vida e post-mortem

Ordem dos Enfermeiros


http://www.ordemenfermeiros.pt/

Portal da Saúde
http://www.portaldasaude.pt/