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Laboratório de Dinâmica de Estruturas e Máquinas

Departamento de Projeto Mecânico


Faculdade de Engenharia Mecânica
Universidade Estadual de Campinas

Absorvedores de Vibração

Prof. Dr. Milton Dias Junior


milton@fem.unicamp.br
Bloco BD2 / Sala 22
F. 3521-3170 / 3521-3180 (lab.)
Conceitos Importantes
MILTON DIAS JR. – LDEM / DPM / FEM / UNICAMP
VIBRAÇÕES EM SISTEMAS MECÂNICOS
ABSORVEDORES DE VIBRAÇÃO– 2

1. Absorvedor dinâmico de vibrações


2. Absorvedores sintonizados e não sintonizados
3. Absorvedores com e sem amortecimento
4. Antiressonância
Absorvedores de Vibração
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VIBRAÇÕES EM SISTEMAS MECÂNICOS
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Considere o sistema de 2GL ilustrado na figura abaixo. Assume-se que a


massa m1 não apresenta movimento de rotação, somente de translação.

Equação de movimento deste sistema escrita na forma matricial é:

 m1 0   x1  c1  c2 c2   x1   k1  k2 k2   x1   F1 


0            
 m2   x2   c2 c2   x2   k2 k2   x2   0 
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VIBRAÇÕES EM SISTEMAS MECÂNICOS
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O problema de absorção de vibração através da utilização de um absorvedor


consiste em projetar um sistema auxiliar – de massa m2, rigidez k2 e
coeficiente de amortecimento c2 – com o intuito de minimizar a vibração
apresentada pela máquina ou estrutura de massa m1 e apoiada sobre calços
de rigidez k1 e coeficiente de amortecimento c1. Esta máquina ou estrutura
está sendo excitada por uma força harmônica F1(t).

Existem, basicamente, dois tipos de absorvedores de vibração:


• Sintonizados – utilizados para minimizar a vibração da massa principal
(máquina) em uma freqüência específica e
• Não sintonizados – utilizados para minimizar a vibração da massa
principal em uma grande faixa de freqüência.
Os absorvedores sintonizados ainda podem ser amortecidos ou não.
Exemplo 1: Absorvedor Sintonizado
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Aplicação: Veicular
Anel de borracha = mola + amortecedor

Anel externo = massa do absorvedor


Exemplo 2: Absorvedor Sintonizado
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Aplicação: Veicular
Anel de borracha = mola + amortecedor

Anel externo = massa do absorvedor


Exemplo 3: Absorvedor Não-sintonizado MILTON DIAS JR. – LDEM / DPM / FEM / UNICAMP
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Aplicação: Veicular

Filme de silicone
= amortecedor

Anel interno =
massa do
absorvedor
Exemplo 4: Absorvedor Sintonizado MILTON DIAS JR. – LDEM / DPM / FEM / UNICAMP
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Aplicação: Cabos de linha de transmissão

Cabo = mola + amortecedor

Massa do absorvedor
Formulação Matemática
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Considera-se uma excitação F1(t) aplicada na massa m1 do tipo:

F1 (t )  F0e jt

Utilizando-se os resultados vistos na análise da vibração forçada de sistemas


de 2GL, pode-se escrever:

X 1 [m2 2  j c2  k2 ] X 2 [ j c2  k2 ]
 e 
F0 det([ A]) F0 det([ A])

sendo

det([ A])  (m1 2  j (c1  c2 )  k1  k2 )(m2 2  j c2  k2 )  ( j c2  k2 ) 2

A análise da resposta do sistema pode ser sistematizada através de algumas


manipulações das equações anteriores.
Definições
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Para tanto, considere as seguintes definições:

kr
r   Freqüência natural do sistema r sozinho
mr
ccr  2mr r  Coeficiente de amortecimento crítico associado à massa r
c
 r  r  Razão de amortecimento associada à massa r
ccr

rr   Razão de freqüências
r
 2 r1
b   Razão das freqüências naturais
1 r2
m2
  Razão das massas
m1
Formulação Matemática
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Utilizando-se estas definições, inicia-se a manipulação da expressão do


det([A]). Reescrevendo a expressão do determinante da matriz [A]:

det([ A])  (m1 2  j (c1  c2 )  k1  k2 )(m2 2  j c2  k2 )  ( j c2  k2 ) 2

e, re-arranjando os termos em partes real e imaginária, tem-se:

det([ A])  [(k1  k2  m1 2 )(k2  m2 2 )  (c1c2  c22 ) 2  c22  2  k22 ] 
j[(k1  k2  m1 2 )c2  (k2  m2 2 ) (c1  c2 )  2c2 k2 ]
ou ainda:

det([ A])  [(k1  m1 2 )(k2  m2 2 )  k2 m2 2  k22  c1c2 2  k22 ] 
j[(k1  m1 2 )c2  k2 c2   (k2  m2 2 )c1  m2c2 3  k2 c2   2k2 c2  ]
Formulação Matemática
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Ou seja: det([ A])  [(k1  m1 2 )(k2  m2 2 )  k2 m2 2  c1c2 2 ] 


j[(k1  m1 2 )c2  (k2  m2 2 )c1  m2c2 3 ]

m1m2
Multiplicando-se a expressão anterior por , obtém-se:
m1m2

(k1  m1 2 ) (k2  m2 2 ) k2 m2 2 c1 c2 2


det([ A])  m1m2 {[     ]
m1 m2 m2 m1 m1 m2
(k1  m1 2 ) c2 (k2  m2 2 ) c1 m2 c2 3
j[      ]}
m1 m2 m2 m1 m1 m2
ou
det([ A])  m1m2{[(12   2 )(22   2 )  22  2  2 11 2 22 2 ] 
j[(12   2 )2 22  (22   2 )2 11   2 22 3 ]}
Formulação Matemática
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14
Multiplicando-se a expressão anterior por , obtém-se:
14

( 2
  2
) ( 2
  2
)  2
 2
   2
det([ A])  m1m214 {[ 1 2 2
 2
  2 1
2 2
]
1 2
1 2
12
11 2
1 2
1 1
(12   2 ) 2  (22   2 ) 1  2  3
j[ 2 2  2 1   2 2 ]}
12 1 1 12
1 1 1 13

ou

det([ A])  m1m214 {[(1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12  4 1 2br12 ] 


j[(1  r12 )2 2br1  (b 2  r12 )2 1r1  2  2br12 ]}
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Chamando-se o termo entre colchetes na expressão anterior de D, pode-se


escrever:
det([ A])  m1m214 D,

sendo

D  {[(1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12  4 1 2br12 ] 


j[(1  r12 )2 2br1  (b 2  r12 )2 1r1  2 2br12 ]}

Substituindo-se a expressão de det([A]) na equação das amplitudes


normalizadas das massas 1 e 2

X 1 [m2 2  j c2  k2 ] X 2 [ j c2  k2 ]
 e 
F0 det([ A]) F0 det([ A])
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pode-se escrever:

X 1 [m2 2  jc2  k2 ] X 2 [ jc2  k2 ]


 e 
F0 m1m214 D F0 m1m214 D

Manipulando-se a primeira expressão, tem-se:

X 1 1  m2  2 1 c2  k2 1 
  j 
F0 D  m1m21 1
2 2
m11 m2 1 m2 m114 
3

1  1 2 1 2 22 1 
  r j 2 2 r1  2
D  m11
2 1
m112
1 1 m112 
1  r12 2 2br1 b 2  1 1
  j     r12  j 2 2br1  b 2 
D  k1 k1 k1  k1 D
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Da mesma forma, manipulando-se a segunda expressão, tem-se: :

X 2 1  1 c2  k2 1 
 j 
F0 D  m11 m2 1 m2 m114 
3

1 1 2 22 1 
 j 2 2 r1  2
D  m11
2
1 1 m112 
1  2 2br1 b 2  1 1
 j    j 2 2br1  b 2 
D k1 k1  k1 D

F0
Definindo-se: X0 
k1
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pode-se escrever:

X1 1 X2 1
  r12  j 2 2br1  b 2  e   j 2 2br1  b 2 
X0 D X0 D

sendo
D  {[(1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12  4 1 2br12 ] 
j[(1  r12 )2 2br1  (b 2  r12 )2 1r1  2 2br12 ]}

Observa-se que as expressões das amplitudes normalizadas são funções


complexas e podem ser apresentadas na forma de amplitude e fase ou partes
real e imaginária.
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Nota sobre números complexos: Seja a função complexa dada por:


An a  ib
A 
Ad c  id

Multiplicando-se e dividindo-se a função A pelo conjugado do termo no


denominador, obtém-se:

A
 a  jb   c  jd   a  jb    c  jd  ac  bd
  2
cb  ad
j 2
 c  jd   c  jd  c d
2 2
c d 2
c d2

que pode ser escrito como o número complexo

A  e  jf .
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O módulo da função A é dado por:

a 2
 b 2
a 2
 b 2
An
A e f  2
2 2
 
c d 2
c d
2 2 Ad

e a fase é calculada através da expressão:

1 f 1  cb  ad 
A  tan  tan  
e  ac  bd 

Evidentemente, as partes real e imaginária de A são:

ac  bd cb  ad
AR  2 e AI  2
c  d2 c  d2
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Aplicando-se estes resultados para as amplitudes normalizadas das massas 1


e 2, pode-se escrever as seguintes expressões de amplitude:

X1

b 2
r
1
2 2
   2 br 
2 1
2

e
X2

b 4   2 2br1 
2

X0 D X0 D

sendo
D  {[(1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12  4 1 2br12 ]2 
[(1  r12 )2 2br1  (b 2  r12 )2 1r1  2 2br12 ]2 }1 2
Exemplos
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Absorvedores de Vibração Não-amortecidos
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Desconsiderando qualquer amortecimento presente no sistema, pode-se


escrever as amplitudes normalizadas das massas 1 e 2 da seguinte forma:

X1 b 2  r12 X2 b2
 e 
X 0 (1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12 X 0 (1  r12 )(b 2  r12 )  b 2  r12

Percebe-se que a amplitude das duas massas tende a infinito em duas


condições de excitação (ressonância). Estas condições são calculadas
fazendo-se o denominador igual a zero. Assim, tem-se como resultado:

2 2
      1  b 2 (1   ) 1
   ,         1     1
4 2 2
2 2
b 1 2b
 2 1  2 2 2 b 2b

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