Você está na página 1de 8

Associação de resistores

Resistor equivalente
Ao montar um circuito, é comum o operador necessitar de um valor de resistência
diferente dos valores fornecidos pelos resistores de que dispõe. Outras vezes, a corrente
elétrica que vai atravessar o resistor é superior à que ele pode suportar sem ser danificado.
Nessas situações, a solução é utilizar uma associação de resistores. Os resistores podem
ser associados basicamente de dois modos distintos em série e em paralelo. E possível
ainda que ambos os modos de associar esteiam presentes; teremos então uma associação
mista. Qualquer que seja o tipo de associação, denominamos resistor equivalente aquele
que funciona no circuito do mesmo modo que a associação, podendo substituí-la. Então,
a resistência da associação é igual à resistência do resistor equivalente.
Associação de resistores em série
Na associação em série, os resistores são ligados um em seguida ao outro, de modo a
serem percorridos pela mesma corrente elétrica. Na figura l, representamos três resistores
de resistências elétricas 𝑅1 , 𝑅2 e 𝑅3 , associados em série, e o correspondente resistor
equivalente, cuja resistência 𝑅𝑠 é a resistência da associação. A corrente comum que os
atravessa tem intensidade i.

A potência dissipada em um resistor é dada por 𝑃𝑜𝑡 = 𝑅𝑖 2 . Para os três resistores


associados em série, teremos:
𝑃𝑜𝑡1 = 𝑅1 𝑖 2
𝑃𝑜𝑡2 = 𝑅2 𝑖 2
𝑃𝑜𝑡3 = 𝑅3 𝑖 2
Em uma associação de resistores em série, a potência dissipada em cada resistor é
diretamente proporcional à sua resistência elétrica.
Considerando a definição de resistor equivalente, tudo se passa como se houvesse um
único resistor de resistência 𝑅𝑠 dissipando a potência 𝑃𝑜𝑡 = 𝑅𝑠 𝑖 2 . Essa potência
corresponde à soma das potências dissipadas individualmente pelos resistores associado:
𝑃𝑜𝑡 = 𝑃𝑜𝑡1 + 𝑃𝑜𝑡2 + 𝑃𝑜𝑡3 ⇒ 𝑅𝑆 𝑖 2 = 𝑅1 𝑖 2 + 𝑅2 𝑖 2 + 𝑅3 𝑖 2 ⇒ 𝑅𝑆 = 𝑅1 + 𝑅2 + 𝑅3
Em uma associação de resistores em série, a resistência do resistor equivalente é igual a
soma das resistências dos resistores associados.
Aplicando al= lei de Ohm em cada resistor da figura 1, vem:
𝑈1 = 𝑅1 𝑖
𝑈2 = 𝑅2 𝑖
𝑈3 = 𝑅3 𝑖
Em uma associação de resistores em série, temos:
𝑈1 = 𝑅𝑠 𝑖
Multiplicando pela intensidade da corrente i ambos os membros da igualdade
𝑅𝑠 = 𝑅1 + 𝑅2 + 𝑅3 , vem:
𝑅𝑠 𝑖 = 𝑅1 + 𝑅2 + 𝑅3 ⇒ 𝑈 = 𝑈1 + 𝑈2 + 𝑈3
A ddp de uma associação em série é igual à soma das ddps nos resistores associados.
Associação de resistores em paralelo
Vários resistores estão associados em paralelo quando são ligados pelos terminais, de
modo a ficarem submetidos à mesma ddp. Na figura 2, representamos três resistores de
resistências elétricas𝑅1 , 𝑅2 𝑒 𝑅3 , associados em paralelo, e o correspondente resistor
equivalente, cuja resistência 𝑅𝑝 é a resistência da associação. U é a ddp comum aos
resistores.

Figura 2.(a) três resistores associados em paralelo; b) O resistor equivalente.

A intensidade da corrente elétrica i do circuito principal divide-se, nos resistores


associados, em valores 𝑖1 , 𝑖2 e 𝑖3 . Com a ajuda de amperímetros, convenientemente
dispostos, verifica-se que:
𝑖 = 𝑖1 + 𝑖2 + 𝑖3
A intensidade de corrente em uma associação de resistores em paralelo é igual à a soma
das intensidades das correntes nos resistores associados.
Pela lei de Ohm, temos:
𝑈 = 𝑅1 𝑖1
𝑈 = 𝑅2 𝑖2
𝑈 = 𝑅3 𝑖3
Portanto,
𝑅1 𝑖1 = 𝑅2 𝑖2 = 𝑅3 𝑖3
Em uma associação de resistores em paralelo, produto da resistência elétrica de cada um
deles pela respectiva intensidade de corrente elétrica é igual para todos os resistores
associados.
Ainda na lei de Ohm:
𝑈 𝑈 𝑈
𝑖1 = , 𝑖2 = 𝑒 𝑖3 =
𝑅1 𝑅2 𝑅3
Em uma associação de resistores em paralelo, a intensidade da corrente elétrica em cada
resistor é inversamente proporcional à sua resistência elétrica.
Submetido à ddp U da associação, o resistor equivalente à associação 𝑅𝑝 será percorrido
pela corrente total i, então:
𝑈
𝑈 = 𝑅𝑝 𝑖 ⇒ 𝑖 =
𝑅𝑝

Como 𝑖 = 𝑖1 + 𝑖2 + 𝑖3 , vem:
𝑈 𝑈 𝑈 𝑈 1 1 1 1
= + + ⇒ = + +
𝑅𝑝 𝑅1 𝑅2 𝑅3 𝑅𝑝 𝑅1 𝑅2 𝑅3

Em uma associação de resistores em paralelo, o inverso da resistência equivalente da


associação é igual à soma dos inversos das resistências associadas.
No caso de dois resistores associados em paralelo, temos:
1 1 1 1 𝑅1 + 𝑅2 𝑅1 𝑅2
= + ⇒ = ⇒ 𝑅𝑝 =
𝑅𝑝 𝑅1 𝑅2 𝑅𝑝 𝑅1 𝑅2 𝑅1 + 𝑅2

A potência elétrica dissipada em cada resistor é dada por:


𝑈2 𝑈2 𝑈2
𝑃𝑜𝑡1 = , 𝑃𝑜𝑡2 = 𝑒 𝑃𝑜𝑡3 =
𝑅1 𝑅2 𝑅3
Em uma associação de resistores em paralelo, a potência dissipada em cada resistor é
inversamente proporcional à sua resistência elétrica.
Associação mista de resistores
As associações mistas de resistores são aquelas constituídas por associações de resistores
em série e em paralelo. Qualquer associação mista pode ser substituída por um resistor
equivalente, que se obtém considerando-se que cada associação parcial9 série ou paralelo)
equivale a apenas um resistor.

Medidas elétricas
Medição de intensidade de corrente elétrica
para medir a intensidade de uma corrente elétrica, usamos um instrumento denominado
amperímetro.

Figura 3. Amperímetro
Nos esquemas de circuitos elétricos, o amperímetro é simbolizado assim:

Para medir a intensidade da corrente elétrica em um trecho de um circuito, é necessário


que o amperímetro “sinta” essa corrente, ou seja, é necessário que a corrente passe por
ele. Portanto, o amperímetro deve ser introduzido em série com o trecho considerado.

Um amperímetro modifica a intensidade da corrente em um circuito quando é incluído


nele, porque esse medidor, como todo condutor, possui uma resistência elétrica, chamada
de resistência interna e simbolizada por 𝑅𝑖 .
A figura a seguir mostra que um resistor de resistência R está submetido a uma diferença
de potencial constante U.

Para calcular a intensidade i da corrente nesse resistor, fazemos:


𝑈
𝑖=
𝑅
Para medir a intensidade dessa corrente, introduz-se o amperímetro em série com o
resistor, de modo que a corrente passe por ele.

Pelo fato de ter uma resistência interna 𝑅𝑖 , o amperímetro modifica a intensidade da


corrente no resistor, que passa a ter um valor i’ diferente de i e dado por:
𝑈
𝑖′ =
𝑅 + 𝑅𝑖
Note, então, que o amperímetro registra um valor i’, e não o valor i que se quer medir, ou
seja, sua inclusão no circuito acarreta um erro no resultado experimental, que precisa ser
minimizado.
Na expressão de i’, esse valor tenderá a i se 𝑅𝑖 tender a zero, ou seja, quanto menor for a
resistência interna do amperímetro, mais próxima da corrente original estará sua
indicação. Assim, um bom amperímetro deve ter resistência interna baixa, isto é,
desprezível em comparação com a resistência do circuito em que foi introduzido.
Medição de tensão elétrica
Para medir a ddp, usamos um instrumento denominado voltímetro.

c
figura 4. Voltímetro
Nos esquemas de circuitos elétricos, o voltímetro é simbolizado assim:

Para medir a ddp entre dois pontos de um circuito, é necessário que os terminais do
voltímetro “sintam” os potenciais desses pontos. Para isso, o voltímetro deve ser ligado
em paralelo com o trecho do circuito compreendido entre os dois pontos.
A inclusão do voltímetro também acarreta um erro no resultado experimental, ou seja,
modifica a ddp entre os dois pontos em que é ligado.
Na figura a seguir, uma associação de dois resistores de resistência R e r, submetidos a
uma ddp constante U:

A intensidade i da corrente nesse circuito é dada por:


𝑈
𝑈 = (𝑅 + 𝑟)𝑖 ⇒ 𝑖 =
𝑅+𝑟
Para calcular a ddp entre os pontos A e B, por exemplo, fazemos:
𝑅𝑈
𝑈𝐴𝐵 = 𝑅𝑖 ⇒ 𝑈𝐴𝐵 =
𝑅+𝑟

Para medir a ddp entre A e B liga-se o voltímetro, que possui uma resistência interna 𝑅𝑖 ,
em paralelo com o trecho AB:

Fazendo essa ligação, a resistência total do circuito se modifica e, consequente, a ddp


entre A e B também. Assim, o voltímetro vai medir uma ddp diferente daquela que
desejava-se medir.
O voltímetro só mediria a ddp original 𝑈𝐴𝐵 se a sua inclusão não modificasse a
resistência entre os pontos A e B, que, com a presença dele, é dada por:
𝑅𝑅𝑖
𝑅𝐴𝐵 =
𝑅 + 𝑅𝑖
Dividindo por 𝑅𝑖 o numerador e o denominador dessa expressão:
𝑅𝑅𝑖
𝑅𝑖 𝑅
𝑅𝐴𝐵 = ⇒ 𝑅𝐴𝐵 =
1 𝑅
(𝑅 + 𝑅𝑖 )
𝑅𝑖 𝑅𝑖 + 1
𝑅
Nesta última expressão, se 𝑅𝑖 for muito maior que R, o quociente 𝑅 será desprezível e
𝑖
𝑅𝐴𝐵 será praticamente igual a R. Um bom voltímetro deve ter resistência interna
elevada, isto é muito maior que a resistência que está em paralelo com ele.

Medição de resistência elétrica


Na montagem a seguir supõe-se que os medidores usados sejam bons: em comparação
coma resistência R do resistor, a resistência interna do amperímetro é desprezível e a do
voltímetro é muito maior.

Assim, a intensidade 𝑖1 da corrente que passa pelo resistor é praticamente igual à


intensidade i da corrente no amperímetro.
Lendo, então, o valor de i no amperímetro e a ddp U no voltímetro, calcula-se R:
𝑈
𝑅=
𝑖

Você também pode gostar