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Eletroeletrônica

Fundamentos de eletroeletrônica
Fundamentos de eletroeletrônica
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ÍNDICE

Introdução 07

Fundamentos de eletricidade 08

Teoria atômica 09

Eletricidade estática 13

Campo elétrico 15

Eletricidade dinâmica 17

Tensão elétrica ou diferença de potencial 17

Corrente elétrica (I) 18

Resistência elétrica (R) 21

Circuito elétrico 24

Lei de OHM 26

Associação de resistores 29

Associação em série 29

Associação em paralelo 31

Associação mista 35

Trabalho elétrico 38

Potência elétrica 39

Capacitor 41

Processo de carga em C.C. 42

Capacitância 42

Carga armazenada 43

Tipos de capacitores 44

Magnetismo 45

Principais propriedades magnéticas 45

Constituição dos ímãs 46


Campo magnético 47

Eletromagnetismo 49

Relé 51

Geração de uma tensão alternada senoidal 52

Transformador 55

Conhecendo os instrumentos de medição 58

Amperímetro 59

Voltímetro 60

Ohmímetro 60

Multímetro 61

A fonte de energia 62

Bateria 63

Principais componentes da bateria 64

Construção dos elementos 66

Eletrólito (solução) 70

Funcionamento da bateria 72

Processo de descarga 73

Processo de recarga 76

Autodescarga da bateria 79

Nível do eletrólito 81

Parâmetros principais 82

Tensão (volts) 82

Capacidade da bateria, em ampères X hora (Ah) 83

Princípio de Peukert 84

Cálculo da corrente de CCA 84

Recarga da bateria 85

Testes 88

Teste de densidade do eletrólito 88

Teste de descarga da bateria 90

Cuidados gerais/Diagnóstico 92

Diagnóstico de incovenientes 95
Manutenção e manuseio de baterias 95

Veículos em estoque 95

Entrega de veículos novos ou usados 95

Tensão superficial 96

Recarga 96

Cuidados no preparo do circuito 96

Instalação de acessórios X corrente de stand-by 96

Sistema de partida dos veículos 97

Sistema de partida 98

Motor de partida 99

Partes principais 100

Princípio de funcionamento 103

Funcionamento do sistema de partida 109

Cuidados gerais 113

Diagnóstico 116

O alternador e a sua função 119

O sistema de carga 120

Alternador 120

Princípio de funcionamento 122

Retificação da tensão alternada 127

Circuito de pré-excitação 132

Circuito de carga 135

Circuito de excitação 137

Regulador de tensão 138

Sistema de alimentação principal 141

Fusíveis e relés 142

Chicotes elétricos 143

Pontos de massa 145


Fundamentos de eletroeletrônica

Introdução

Este é mais um módulo do nosso estudo sobre os sistemas eletroeletrônicos dos veículos FIAT.

Aqui iremos rever alguns conceitos básicos da eletricidade, que serão importantes para a com-
preensão dos outros temas.

Depois veremos os assuntos “bateria” e “motor de partida”, que compõem o sistema de partida,
além de “alternador” e “sistemas de ignição”.

Procuramos mostrar esses temas de forma simples e interessante.

Boa leitura!

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Fundamentos de eletroeletrônica

Fundamentos de eletricidade

08
Fundamentos de eletroeletrônica

Teoria atômica
Apesar de percebermos os efeitos dos fenômenos elétricos, muitos deles não podem ser visualiza-
dos.

Por exemplo: a corrente elétrica não pode ser vista, no entanto podemos sentir seus efeitos, como
o choque elétrico, ou ver uma lâmpada acendendo, um motor girando, etc.

A teoria atômica é utilizada para explicar satisfatoriamente os princípios básicos da eletroeletrô-


nica. Vejamos alguns conceitos fundamentais:

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Fundamentos de eletroeletrônica

Matéria:

É tudo aquilo que ocupa lugar no espaço.

Exemplo: um bloco de aço, um pedaço de madeira, a água em um copo.

Molécula:

É a menor porção da matéria, que conserva suas propriedades.

Exemplo: molécula de água (H2O)

Átomo:

É a menor parte de uma substância elementar que possui as propriedades de um elemento.


Todas as substâncias são compostas de átomos agrupados.

Exemplos:
• átomo do elemento hidrogênio (H);
• átomo do elemento oxigênio (O).

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Fundamentos de eletroeletrônica

No átomo existem duas regiões: o núcleo e a eletrosfera.

O núcleo é formado por dois tipos de partículas atômicas: os prótons, que têm carga elétrica
positiva, e os nêutrons, que não possuem carga elétrica.

Na eletrosfera se localizam os elétrons, partículas com carga elétrica negativa, que giram em
órbitas elípticas ao redor do núcleo.

eletrosfera

elétron

nêutron
próton

núcleo
(prótons e nêutrons)

elétron

As cargas negativas dos elétrons são atraídas pelo núcleo, que tem carga positiva devido aos
prótons. Essa atração compensa a força centrífuga que tende a afastar os elétrons do núcleo.
Dessa forma, os elétrons mantêm o seu movimento ao redor do núcleo.

Normalmente, um átomo tem o mesmo número de prótons e elétrons e, portanto, é eletricamente


neutro.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Os elétrons da camada mais externa da eletrosfera, a camada de valência, são atraídos pelo
núcleo com intensidade menor. Uma força externa pode fazer com que o átomo perca ou ganhe
um ou mais elétrons dessa camada, tornando-se um íon.

Cátion íon positivo perdeu elétron(s)


Ânion íon negativo ganhou elétron(s)

Um átomo pode ter de 1 a 8 elétrons na camada de valência.

Os que têm até 3 elétrons nessa camada possuem maior facilidade em perder elétrons.

Os materiais condutores são constituídos de átomos desse tipo.

Nos átomos dos condutores, os elétrons da camada de valência se deslocam livremente entre
os átomos do material, “saltando” de um átomo a outro desordenadamente. São os chamados
elétrons livres. Devido à sua presença, esses materiais permitem facilmente a passagem de uma
corrente elétrica.

Como exemplo de condutores, podemos citar os metais como o cobre, o alumínio, o ouro, e
algumas soluções iônicas, como sais e ácidos.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Os materiais isolantes se constituem de átomos que têm 5 ou mais elétrons na última camada,
e têm mais facilidade de ganhar elétrons. Esses materiais quase não possuem elétrons livres,
portanto oferecem grande oposição à passagem da corrente elétrica.

É o caso da borracha, do vidro, do plástico, etc.

Eletricidade estática

A eletricidade é o conjunto dos fenômenos que envolvem as cargas elétricas, estejam elas em
repouso ou em movimento. Quando se trata de cargas em repouso, chamamos de eletricidade
estática.

Um dos princípios fundamentais da eletricidade é o princípio de atração e repulsão entre cargas


elétricas.

De acordo com esse princípio, as cargas elétricas se apresentam em dois tipos, as positivas e as
negativas. As cargas de sinais diferentes se atraem e as cargas de mesmo sinal se repelem (Lei
de Du Fay).

A eletrização dos corpos é um dos fenômenos da eletricidade estática. Por meio da eletrização
um corpo pode adquirir carga elétrica positiva (ficando com falta de elétrons) ou negativa (fican-
do com excesso de elétrons).

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Um corpo pode ser eletrizado de diversas maneiras. Por exemplo:

• Atrito. Se atritarmos um vidro com um pedaço de lã, o vidro adquire carga positiva, pois
cede elétrons para a lã, que por sua vez fica carregada negativamente. Borracha atritada
com lã recebe elétrons, adquirindo carga negativa.

• Calor. Uma diferença de potencial elétrico pode ser gerada em um termopar, uma vez que
a uma variação de temperatura na junção de dois metais está associada uma tensão elétrica
(termoeletricidade).

• Luz. Uma célula solar transforma energia luminosa em energia elétrica (fotoeletricidade).

• Vibração. Uma compressão entre as faces de um cristal piezoelétrico, como o quartzo, cria
uma diferença de potencial elétrico entre elas (piezoeletricidade).

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Campo elétrico

A idéia de campo elétrico surgiu em 1820, com Michael Faraday, que considerava que uma
carga elétrica criava uma alteração no espaço ao seu redor.

O campo elétrico ao redor de cargas elétricas ou de corpos eletrizados exerce influência sobre
outras cargas colocadas em sua área de ação, fazendo surgir forças que atuarão nessas cargas.

Pode-se representar o campo elétrico ao redor de cargas puntuais por meio de linhas de força.
Estas linhas têm a direção e o sentido da força que age em uma carga de prova positiva coloca-
da no campo elétrico gerado pela carga puntual.

Veja a representação das linhas de força dos campos elétricos gerados por uma carga puntual
positiva e uma negativa.

+ q+
F

+ q+ F

Q+ Q-

As linhas divergem As linhas convergem


da carga para a carga

Q+ e Q- : cargas que geraram o campo elétrico


q+ : carga de prova, sobre a qual o campo está agindo. O campo da carga q+ é
desprezível em relação aos campos de Q+ e Q-.
F : força gerada na carga de prova.

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Agora, veja a interação entre os campos de duas cargas puntuais de sinais contrários colocadas
lado a lado. Observe a diferença para duas cargas de mesmo sinal.

Q+ Q- Q+ Q+

Você pode observar que as linhas de força comprovam a Lei de Du Fay, ou seja, cargas de
sinais contrários se atraem, e cargas de mesmo sinal se repelem.

Entre duas placas carregadas, uma positivamente e outra negativamente, cria-se um campo elétri-
co uniforme, cuja intensidade é igual em qualquer ponto.

Este campo elétrico concentra energia, pois é capaz de realizar trabalho, provocando o deslo-
camento de uma carga colocada em sua área de ação. A energia armazenada em forma de
campo elétrico é o princípio em que se baseou a criação do capacitor.

Este importante componente estudaremos em um item específico, mais à frente.

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Eletricidade dinâmica

A eletricidade dinâmica trata dos fenômenos que envolvem elétrons em movimento.

Inicialmente, vejamos o significado de algumas grandezas elétricas principais, que são de gran-
de importância para a compreensão dos demais assuntos da apostila.

Tensão elétrica (V) ou diferença de potencial (d.d.p.)


Potencial elétrico é a quantidade de cargas elétricas presentes em um corpo.

Se dois corpos têm quantidades diferentes de carga, e portanto potenciais diferentes, há entre
eles uma diferença de potencial.

A tensão elétrica é a diferença de potencial entre dois corpos ou dois pontos distintos de um
circuito elétrico.

A unidade de medida de tensão, no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o Volt (V).

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Fundamentos de eletroeletrônica

Por exemplo, a bateria de um automóvel fornece tensão de 12 Volts.

A tensão que alimenta os circuitos das residências pode ser normalmente de 127 V ou 220 V.

Corrente elétrica (I)


Se unirmos dois corpos com potenciais diferentes, utilizando um condutor, eles tendem a equili-
brar-se eletricamente. Para isso, o corpo de maior potencial negativo irá perder elétrons, enquan-
to que o corpo de menor potencial negativo irá receber elétrons.

Os elétrons livres do condutor entrarão em movimento, passando de um átomo a outro, em dire-


ção ao corpo com menos carga.

elétrons

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Assim, a corrente elétrica é o fluxo orientado de elétrons através de um condutor, quando subme-
tido a uma diferença de potencial.

A intensidade de corrente é dada pela quantidade de elétrons que passa através do condutor em
determinado tempo (dado em segundos).

A fórmula matemática é:

I=Q
t

Como essa quantidade de elétrons é sempre muito grande, criou-se a unidade de carga elétrica,
o Coulomb (C).

1C = 6,28 x 1018 elétrons

A unidade de medida de corrente no SI é o Ampère (A). Um ampère é igual à carga de 1 Cou-


lomb passando pelo condutor em 1 segundo.

1A = 1C
s

Por exemplo, se em um circuito está circulando uma corrente de 3 A, significa que estão passan-
do 3 Coulombs por segundo. Se 1 coulomb é igual a 6,28 x 1018 elétrons, em cada segundo
passarão pelo fio 18,84 x 1018 elétrons.

Note que é uma quantidade extremamente grande.

A corrente elétrica, assim como a tensão elétrica, pode ser de dois tipos:

• Contínua
• Alternada

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Fundamentos de eletroeletrônica

Tensão contínua é aquela que não sofre variação de polaridade ao longo do tempo. Assim, a
corrente elétrica também terá sempre o mesmo sentido, sendo chamada de corrente contínua.
São exemplos de fontes de tensão contínua a pilha e a bateria automotiva.

Todos os sistemas eletroeletrônicos dos veículos recebem alimentação de tensão contínua.

V
Tensão

t
Tempo

A tensão alternada varia periodicamente sua polaridade, invertendo o sentido da corrente elétri-
ca ao longo do tempo.

Essa corrente, chamada corrente alternada, é a que se usa nas residências.

V
Tensão

t
Tempo

Obs.: O tipo de corrente depende diretamente de sua fonte de tensão. Se a tensão é contínua a
corrente também é contínua. Se a tensão é alternada, a corrente aplicada também será
alternada.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Resistência elétrica (R)


A resistência elétrica expressa a oposição que um condutor oferece à passagem de uma corrente
elétrica. Uma corrente pode encontrar maior ou menor dificuldade ao passar por uma carga.
Dessa forma, quanto maior o valor da resistência, menor será a intensidade da corrente e, quan-
to menor a resistência, maior a corrente.

A unidade de medida da resistência elétrica no SI é o Ohm ().

Um condutor ideal é aquele cuja resistência é desprezível. Caso a resistência seja considerável,
ele recebe o nome de resistor.

Resistor

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A resistência elétrica de um condutor depende de quatro fatores:

A. Comprimento do material: quanto maior o comprimento, maior a resistência elétrica do


material.

B. Área da seção transversal: quanto maior a área, menor a resistência elétrica do material.

C. Resistividade específica do material: os materiais com pequeno número de elétrons livres em


seus átomos, à temperatura ambiente, possuem resistividade maior. Já os que possuem
muitos elétrons livres, como os metais em geral, são bons condutores, logo possuem baixa
resistividade específica.

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Fundamentos de eletroeletrônica

D. Temperatura: para a maioria dos materiais, a resistência elétrica aumenta à medida que a
temperatura aumenta.

Matematicamente, a resistência pode ser expressa na seguinte fórmula:

R=.l
A

Onde: R = resistência elétrica ()

p = resistividade específica (.m)

ℓ = comprimento do condutor (m)

A = área da seção transversal (m2)

A tabela abaixo apresenta a resistividade de alguns materiais, a uma temperatura de 20°C. A


unidade de resistividade é dada em Ohm x metro (.m).

Resistividade (a 20°C)
Cobre 1,77 x 10-8 .m
Alumínio 2,83 x 10-8 .m
Bismuto 119 x 10-8 .m
Prata 1,63 x 10-8 .m
Níquel 7,77 x 10-8 .m
Nicrome 99,5 x 10-8 .m

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Fundamentos de eletroeletrônica

O inverso da resistividade é a condutividade, que expressa a característica que o material tem


de conduzir bem a corrente elétrica.

Veja a condutividade percentual de alguns materiais:

Condutividade (%)
Cobre (padrão) 100%
Alumínio 65%
Antimônio 4.11%
Cádimo 22.7%
Cobalto 27.4%
Constantan 4.01%
Cromo 12.2%
Ouro 73.4%
Ferro 17.75%
Manganina 3.62%
Mercúrio 1.8%
Nicrome 1.72%
Prata 106.4%
Ródio 36.4%
Tungstênio 31.4%
Zinco 29.1%

Circuito elétrico
Um circuito elétrico elementar é composto de uma fonte de energia, de um consumidor de ener-
gia (carga) e de condutores, que fecham o caminho que a corrente irá percorrer.

Fonte

Condutores

Carga

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Para compreender melhor, veja no quadro abaixo uma analogia entre um circuito elétrico e um
circuito hidráulico.

Circuito elétrico Circuito hidráulico


Tensão elétrica Pressão de água
Corrente elétrica Fluxo de água
Resistência elétrica Redutor hidráulico

Obs.: Nos circuitos eletroeletrônicos automotivos sempre deve aparecer o símbolo de terra, co-
nectado ao pólo negativo da fonte. Ele serve de referência para medição de tensão e representa
o potencial de “0 Volt”.

A seguir vamos ver a Lei de Ohm, uma importante ferramenta para calcular os parâmetros de um
circuito elétrico.

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Lei de OHM
Estudando as relações entre a diferença de potencial aplicada a um condutor e a corrente pro-
duzida neste, o cientista George Simon Ohm formulou uma lei simples, mas de grande aplicação
no estudo da eletroeletrônica.

A Lei de Ohm diz que a corrente elétrica é diretamente proporcional à tensão, e inversamente
proporcional à resistência elétrica. Sua fórmula matemática é:

I=V
R
Onde: I = intensidade de corrente (A)
V = tensão (V)
R = resistência ()

Para facilitar a memorização, pode-se colocar a fórmula em um triângulo.

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Tampe com a mão a grandeza que você quer conhecer, e ficará visível no triângulo a operação
que você deve fazer para encontrar o valor desconhecido.

Exemplo: se você quer saber a tensão, tampe a letra “V”. Você vai ver no triângulo que deve
multiplicar “R x I”.

Para encontrar a resistência, tampe a letra “R” e o triângulo irá mostrar que basta dividir “V” por
“I”.

A seguir, vejamos um exemplo de cálculo utilizando a Lei de Ohm.

Dado o circuito ao lado, calcule o valor da corrente elétrica e da tensão na carga.

+
V = 12 V
R = 600 Ω
_

A. Cálculo da corrente elétrica

I = V/R I = 12 V I = 0,02 A ou 20 mA
600 

B. Cálculo da tensão

V=RxI V = 600  x 0,02 A V = 12 V

A tensão na carga é igual à tensão fornecida pela fonte, o que é lógico, pois existe apenas um
consumidor.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Nos circuitos elétricos, a corrente elétrica circula do pólo negativo para o positivo. Este é o cha-
mado sentido real da corrente elétrica.

Entretanto, durante muitos anos se pensou que a corrente fluía do positivo para o negativo. Este
é o sentido convencional da corrente, que até hoje é utilizado nos livros e trabalhos técnicos
para representar o sentido da corrente nos circuitos elétricos.

Os valores das grandezas elétricas são, muitas vezes, muito grandes ou muito pequenos, dificul-
tando os cálculos. Devido a isso, são muito utilizados os múltiplos e submúltiplos das unidades
de medida.

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Fundamentos de eletroeletrônica

A tabela seguinte traz os mais usados.


Tabela de múltiplos e submúltiplos:

Múltiplos
Símbolo Fator multiplicador Multiplicar o valor por:
Tera (T) x 1012 1 000 000 000 000
Giga (G) x 10 9
1 000 000 000
Mega (M) x 10 6
1 000 000
Quilo (k) x 10 3
1 000

Submúltiplos
Símbolo Fator multiplicador Multiplicar o valor por:
mili (m) x 10-3 0,001
micro () x 10-6 0,000 001
nano (n) x 10-9 0,000 000 001
pico (p) x 10-12
0,000 000 000 001

Exemplos:
15 k = 15 x 103  = 15 000 

6 MHz = 6x106 Hz = 6 000 000 Hz

4 mA = 4 x 10-3 A = 0,004 A

2 pF = 2 x 10-9 F = 0,000 000 002 F

Agora, vamos ver como as cargas podem ser associadas nos circuitos elétricos.

Associação de resistores
As diversas cargas dos circuitos elétricos podem estar associadas entre si de três formas diferen-
tes: em série, em paralelo ou em série-paralelo (associação mista).

Com o objetivo de simplificar os cálculos dos parâmetros elétricos dos circuitos, transforma-se os
valores das resistências em uma resistência equivalente.

De acordo com o tipo de associação, os cálculos de tensões, correntes e da resistência equiva-


lente são feitos de maneiras diferentes.

Associação em série

Nesse tipo de circuito os componentes são dependentes uns dos outros, isto é, se um deles se
abrir, os outros deixam de funcionar.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Características:

Resistência Equivalente:

A resistência equivalente, ou total, é a soma das resistências parciais.

Rt = R1 + R2 + R3 + … + Rn

Corrente do circuito:

A corrente que circula em todos os resistores é a mesma que sai da fonte.

It = I1 = I2 = I3 = … = In

Tensão:

De acordo com a 2ª Lei de Kirchhoff, a soma das tensões nos resistores é igual à tensão da
fonte.

Vt = V1 + V2 + V3 + … + Vn

Exemplo: no circuito abaixo, calcular a resistência equivalente (Rt), a corrente que circula no
circuito (It), e as tensões em cada um dos resistores. (V1 e V2).

R1 = 3kΩ
R2 = 2kΩ V1
V
Vt = 12V
A R1 B

+
Vt
_

C
R2
V
V2

Solução:

A. Rt = R1+ R2
Rt = 3 k + 2 k = 5 k

B. It = Vt / Rt
It = 12 V / 5000 
It = 0,0024 A = 2,4 mA

C. V1 = It . R1
V1 = 0,0024 A . 3000  = 7,2 V

D. V2 = It . R2
V2 = 0,0024 A . 2000  = 4,8 V

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Fundamentos de eletroeletrônica

Um voltímetro sempre mede a d.d.p. entre dois pontos.

Assim, V1 = VAB

Outra forma de encontrar VAB é usando a fórmula: VAB = VA - VB onde VA é o potencial do ponto
A, e VB é o potencial do ponto B.

Para medir o potencial de um ponto, usa-se como referencial o “terra” (ligado ao pólo negativo
da bateria), que tem potencial de 0 V.

Assim, para medir VA, liga-se o voltímetro entre o ponto A e o terra.

Exemplo: No circuito anterior, calcule VA, VB, VC, VAB e VBC.

A. VAB = VA - VB...

VA = 12 V

VB = 4,8 V então VAB = 12 V - 4,8 V...

VAB = V1 = 7,2 V

B. VBC = VB - VC

VB = 4,8 V

VC = 0 V então VBC = 4,8 V - 0 V

VBC = V2 = 4,8 V...

Associação em paralelo

Nos circuitos desse tipo, cada componente tem o funcionamento independente dos demais, ou
seja, se um deles se abrir, os demais continuam funcionando normalmente.

Característica:

Resistência Equivalente:

O inverso da resistência total é a soma dos inversos


das resistências parciais.

1=1+1+1+…+1
Rt R1 R2 R3 Rn

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Fundamentos de eletroeletrônica

Casos especiais:

A. Apenas 2 resistores. Rt = R1 . R2
R1 + R2

Exemplo: no circuito ao lado, a resistência equivalente poderia ser calculada da seguinte forma:

Rt = 1200  . 4100 
1200  + 4100 

Rt = 928,3 

B. Todos os resistores de valores iguais.

Rt = R
n
onde n = número de resistores.

Por exemplo, para 5 resistores de 200  associados em paralelo, teremos:

Rt = 200  Rt = 40 
5

+
V R1 R2
_

R1 = 1,2 kΩ
R2 = 4,1 kΩ

Lembre-se que nas associações em paralelo, o valor da resistência equivalente sempre será
menor que o valor da menor resistência do circuito.
Para facilitar o cálculo, comece da direita para a esquerda até chegar à fonte.

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Fundamentos de eletroeletrônica

Corrente:

De acordo com a 1ª Lei de Kirchhoff, a soma das correntes nos resistores é igual à corrente total
que sai da fonte.

It = I1 + I2 + I3 + … + In

Obs.: Quando apenas 2 resistores estiverem associados em paralelo, a corrente que circula em
cada um pode ser calculada a partir da corrente total de entrada na associação, usando as
fórmulas:

It
• I1 = It . R2
It = 3A + I2
R1 + R2 R1 = 100 Ω I1
R2 = 200 Ω V R1 R2
_
• I2 = It . R1
R1 + R2

No circuito acima:

I1 = 3 A . 200  I1 = 2 A
100  + 200 

I2 = 3 A . 100  I2 = 1 A
100  + 200 

Tensão:

A tensão em cada resistor é igual à tensão da fonte.

Vt = V1 = V2 = V3 = … = Vn

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Fundamentos de eletroeletrônica

Vejamos um exemplo de associação em paralelo, para encontrar os valores desconhecidos usan-


do as fórmulas estudadas:

It
R1 = 4k Ω
+ I1 I2 I3 R2 = 1k Ω
R3 = 2k Ω
Vt R1 R2 R3 I2 = 12 mA
V1 V2 V3
_
a) Rt
b) V2
c) V3, V1, Vt
d)I1, I3, It

Solução:

A. 1 = 1 + 1 + 1
Rt R1 R2 R3

1 = 1 + 1 + 1 Rt = 571,43 

Rt 4000  1000  2000 

B. V2 = R2 . I2 V2 = 1000 . 0,012 V2 = 12 V

C. V3 = V2 = V1 = Vt = 12V

D. I1 = V1 = 12 V I1 = 0,003 A I1 = 3 mA

R1 4000 

I3 = V3 = 12 V I3 = 0,006 A I3 = 6 mA

R3 2000 

It = I1 + I2 + I3 It = 3 mA + 12 mA + 6 mA It = 21 mA

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Fundamentos de eletroeletrônica

Outra forma:

It = Vt It = 12 It = 0,021 A = 21 mA
Rt 571,43 

Associação mista

Nesse caso, alguns resistores são associados em série e outros em paralelo.

Para calcular as tensões, correntes e a resistência equivalente, basta usar as regras vistas para
circuito série e para circuito paralelo.

R1
A B C

+ Vt = 24V
R2 R3 R1 = 0,2kΩ
Vt R2 = 2,2 kΩ
_ R3 = 1,2 kΩ

Exemplo:

Calcule:

A. Rt

B. It

C. I1, V1

D. V2, I2

E. V3, I3

F. VA, VB, VC

Solução:

A. Rt = R1 + ( R2 . R3 ) Rt = 0,2 + ( 2,2 . 1,2 ) k Rt = 976,47 


R2 + R3 2,2 + 1,2

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Fundamentos de eletroeletrônica

B. It = Vt It = 24 V It = 24,58 mA
Rt 976,47 

C. I1 = It = 24,58 mA

V1 = R1 . I1 V1 = 200  . 24,58 mA V1 = 4,916 V

D. V2 = Vt - V1 V2 = 24 V - 4,916 V V2 = 19,084 V

I2 = V2 I2 = 19,084 V I2 = 8,68 mA
R2 2200 

E. V3 = V2 = 19,084 V

I3 = V3 I3 = 19,084 V I3 = 15,9 mA
R3 1200 

F. VA = 24 V

VB = 19,084 V

VC = 19,084 V

Diversos circuitos eletrônicos utilizam resistores variáveis (potenciômetros) como divisores de


tensão.

O potenciômetro é constituído de uma pista resistiva, na qual um cursor desliza por meio de um
sistema rotativo, alterando o valor de resistência, desde o zero até um valor máximo.

terminais extremos terminal do cursor

pista de
material
resistivo

eixo
cursor móvel

36
Fundamentos de eletroeletrônica

Exemplo:

No circuito elétrico ao lado, calcule a tensão que o voltímetro irá ler quando o cursor do potenci-
ômetro R1 estiver posicionado, em relação ao terra, com:

+
A. 30% da resistência máxima (V30%) Vt R Rt = 5 kΩ

_ V Vt = 10 V
B. 50% da resistência máxima (V50%)

C. 100% da resistência máxima (V100%)

Solução:

I = Vt = 10 V I = 2 mA
Rt 5000 

R30% = 30% de 5000  = 1500 

R50% = 50% de 5000  = 2500 

R100% = Rt = 5000 

a) V30% = R30% . I = 1500  . 0,002 A V30% = 3 V

a) V50% = R50% . I = 2500  . 0,002 A V50% = 5 V

a) V100% = R100% . I = 5000  . 0,002 A V100% = 10 V

A seguir, veremos duas importantes grandezas elétricas, o trabalho elétrico e a potência elétrica.

37
Fundamentos de eletroeletrônica

Trabalho elétrico
A energia é a capacidade de realizar trabalho.

De acordo com a Física, todo corpo em movimento realiza trabalho.

Trabalho elétrico é o trabalho realizado pelos elétrons em movimento (corrente elétrica) ao atra-
vessar um corpo submetido a uma diferença de potencial.

Exemplo: aquecimento da resistência de um chuveiro, incandescência do filamento de uma lâm-


pada.

O trabalho elétrico é diretamente proporcional à quantidade de elétrons que atravessa o corpo


(Q) e à tensão aplicada (V). A unidade de trabalho no SI é o joule (J).

T=Q.V

Se Q = I . t

Então, a fórmula matemática para cálculo de trabalho elétrico é:

T=V.I.t

Onde:

T = trabalho (J)
V = tensão (V)
= corrente (A)
t = tempo (s)

Quando a corrente elétrica realiza trabalho, temos a transformação da energia elétrica em algum
outro tipo de energia.

Por exemplo, no caso da resistência do chuveiro, a


energia elétrica é transformada em calor.

Um motor transforma energia elétrica em mecâni-


ca.

38
Fundamentos de eletroeletrônica

Potência elétrica
A potência elétrica expressa a relação entre o trabalho realizado e o tempo gasto para realizá-
lo, ou ainda, é a rapidez com que se produz trabalho ou a rapidez com que se gasta energia.

Sua unidade de medida no SI é o watt (W).

Cada componente de um circuito tem uma potência específica.

Quanto mais tempo permanecer ligado, maior será o consumo de energia elétrica.

Por exemplo, considere dois aquecedores de água. O aquecedor “A” aquece 1 litro d’água em
uma hora, enquanto que, no mesmo tempo de uma hora, o aquecedor “B” aquece dois litros
d’água.

O aquecedor “B” é mais potente, pois realiza mais trabalho que o outro, no mesmo tempo.

39
Fundamentos de eletroeletrônica

A potência é obtida através do produto da tensão pela corrente elétrica.

P=V.I

Existem outras maneiras de realizar o cálculo da potência, usando o parâmetro resistência elétri-
ca.

P = V2 P = I2 . R
R

Utiliza-se a fórmula mais conveniente para cada tipo de circuito, de acordo com os dados dispo-
níveis.

Independente do tipo de associação dos resistores do circuito elétrico, a potência total fornecida
pela fonte será igual à soma das potências de cada resistor.

Exemplo 1:

Calcule a potência dissipada por uma carga de 100  ligada a uma fonte de 50 V.

P = V2 = (50 V)2
R 100 

P = 25 W

Exemplo 2:

Em uma associação em paralelo de 4 resistores cujas potências são, respectivamente, 10 W,


25 W, 100 W e 50 W, qual será a potência total?

Pt = P1 + P2 + P3 + P4 = 10 W + 25 W + 100 W + 50 W

Pt = 185 W

40
Fundamentos de eletroeletrônica

Exemplo 3:

Qual a potência dissipada por um resistor de 120 k percorrido por uma corrente de 15 mA ?

P = I2 . R = (0,015 A)2 . 120 000 

P = 27 W

Exemplo 4:

Qual será a potência de um circuito alimentado por uma fonte de 12V e corrente de 20 mA ?

P=V.I

P = 12 V . 0,02 A

P = 0,24 W

Capacitor
É um componente que armazena cargas elétricas em forma de campo elétrico.

Sua função é armazenar energia, e ele se compõe de duas placas condutoras separadas por um
dielétrico (isolante).

armaduras metálicas

isolante

símbolo do capacitor
capacitor plano

41
Fundamentos de eletroeletrônica

Processo de carga em C.C.

Considerando o capacitor descarregado, ao fechar a chave, começa a circular instantaneamente


uma corrente elétrica, em regime transitório, até que a tensão nos terminais do capacitor chegue
a um valor próximo da tensão da fonte. Nesse momento a corrente pára de fluir, e o capacitor
está carregado com a mesma tensão da fonte. Ele irá manter esta tensão (regime permanente)
até que seja descarregado.

Em regime permanente não há corrente elétrica entre as placas. Assim, o capacitor é considera-
do como uma alta resistência para circuitos de tensão contínua.

Capacitância

É a capacidade que um capacitor possui de armazenar cargas elétricas. Sua unidade no SI é o


Farad (F).

Abaixo, veja os fatores que interferem na capacitância.

C=.A
d

Onde:  = permissividade do material (F/m)

A = área das placas (m2)

d = distância entre as placas (m)

C = capacitância (F)

42
Fundamentos de eletroeletrônica

A permissividade do vácuo (o) é constante e igual a 8,85 pF/m.

Para qualquer material dielétrico, a permissividade relativa (r) é dada pela razão entre a permis-
sividade do material e a permissividade do vácuo.

r = 
o

A tabela abaixo mostra a permissividade relativa de alguns materiais.

ar = 1,0006

papel parafinado = 2,5

mica = 5

vidro = 7,5

cerâmica = 7500

Carga armazenada

A quantidade de cargas armazenadas por um capacitor é obtida através do produto da capaci-


tância pela diferença de potencial entre as placas.

Q=C.V

Onde: Q = carga elétrica (C)

C = capacitância (F)

V = d.d.p. entre as placas (V)

O tempo de carga e descarga depende da capacitância e do valor da resistência em série com


o circuito de carga e descarga.

 = 5. R . C

Onde:  = constante de tempo

R = resistência ()

C = capacitância (C)

43
Fundamentos de eletroeletrônica

Tipos de capacitores

Os capacitores podem ser de três tipos:

a) Plásticos

Normalmente utilizam poliestireno ou poliéster como dielétrico.

Podem ser construídos com duas folhas de alumínio


bobinadas com uma folha de material plástico,
ou através da vaporização do alumínio nas duas
faces do dielétrico, num processo conhecido como
metalização.

b) Cerâmicos

O dielétrico é constituído de material cerâmico,


o que proporciona baixos valores de capaci-
tância e alta tensão de isolação.

c) Eletrolíticos

Ao contrário dos cerâmicos, têm altas capacitâncias


com baixa tensão de isolação. O dielétrico normal-
mente se constitui de óxido de alumínio ou óxido de
tântalo.

Exigem atenção na montagem, pois são polarizados,


e a montagem pode ser axial ou radial.

Para a escolha de um capacitor deve ser especificado o tipo, a tensão de trabalho e a capaci-
tância.

44
Fundamentos de eletroeletrônica

Magnetismo
Na Grécia antiga já se conheciam pedras magnéticas que tinham a propriedade de atrair ferro.
Eram pedras de magnetita, que hoje são denominadas ímãs naturais.

Depois surgiram os ímãs artificiais, criados pela indústria e usados na fabricação de alto-falan-
tes, bússolas, etc.

Os ímãs são corpos que possuem magnetismo, propriedade de atrair materiais como ferro, co-
balto, níquel, compostos ferrosos e determinadas ligas.

Materiais que retêm propriedades magnéticas por um longo tempo são chamados ímãs perma-
nentes. Outros, que só mantêm as propriedades magnéticas por um curto período de tempo, são
os ímãs temporários.

Por exemplo: normalmente um bloco de ferro não tem características magnéticas.

No entanto, ao ser encostado em um ímã, fica imantado, passando a atrair materiais ferrosos.
Depois de afastado do ímã, perde a imantação.

Principais propriedades magnéticas

• Todo ímã tem dois pólos, denominados pólo norte e pólo sul, localizados nas extremidades
do ímã.

45
Fundamentos de eletroeletrônica

Os ímãs exercem entre si forças de atração e repulsão.

Pólos iguais se repelem e pólos diferentes se atraem.

Os pólos não se separam, isto é, todo ímã tem um pólo norte e um pólo sul. Dessa forma, se o
ímã for dividido em várias partes, cada uma delas terá um pólo norte e um pólo sul.

Colocando um ímã suspenso por um fio, ele se alinha com a posição norte-sul geográfica.

O ponteiro de uma bússola se alinhará da mesma forma.

pólo sul
magnético

pólo norte
magnético

Constituição dos ímãs

Nos materiais magnetizáveis, os átomos se orientam somando seus campos magnéticos, forman-
do grupos de átomos que são chamados de domínios magnéticos. Cada domínio tem um pólo
norte e um pólo sul.

46
Fundamentos de eletroeletrônica

Quando o material está desmagnetizado, os domínios ficam dispostos aleatoriamente no mate-


rial, em direções e sentidos diferentes.

Quando sujeitos a um campo magnético, todos os domínios magnéticos se alinham na mesma


direção e sentido, magnetizando todo o material, que se transforma em um ímã.

Os ímãs naturais têm seus domínios orientados naturalmente.

Campo magnético

Nas proximidades de um ímã é gerado um campo magnético, que exerce influência sobre ma-
teriais magnetizáveis colocados em sua área de ação. Assim como o campo elétrico, o campo
magnético também pode ser representado por linhas de força.

Uma agulha imantada colocada em um campo magnético irá orientar-se na direção e sentido do
campo.

Veja como se orientam as linhas de força magnética ao redor de um ímã em forma de barra e
de um ímã em forma de ferradura.

N S
S N

campo magnético

47
Fundamentos de eletroeletrônica

As linhas de força se concentram mais nos pólos, portanto essas regiões são as de maior densi-
dade de campo magnético. Externamente, as linhas de força saem do pólo norte em direção ao
pólo sul, e no interior do ímã as linhas vão do pólo sul ao norte.

O caminho fechado percorrido pelas linhas de força é chamado de circuito magnético.

Permeabilidade magnética (m) é a facilidade oferecida por determinado meio ao estabelecimen-


to de um campo magnético.

Seu oposto é a relutância magnética, que expressa a oposição que determinado meio oferece à
condução de linhas de força magnética.

Quanto às características magnéticas, os materiais se classificam em:

• Ferromagnéticos

Aumentam a intensidade do campo magnético em que são colocados, pois imantam-se no mes-
mo sentido do campo. Exemplos: ferro, níquel, aço, etc.

• Paramagnéticos

Se colocados em um campo magnético, praticamente não interferem no valor desse campo, pois
se imantam de forma pouco intensa. Exemplos: alumínio, ar, cromo, etc.

• Diamagnéticos

Enfraquecem o campo magnético no qual são colocados. Exemplos: chumbo, cobre, ouro, água,
etc.

Os mesmos materiais podem ter propriedades magnéticas e elétricas opostas. Por exemplo, o
ouro e o cobre são maus condutores magnéticos, apesar de serem bons condutores elétricos.

48
Fundamentos de eletroeletrônica

Eletromagnetismo
Além dos ímãs, também a corrente elétrica pode produzir um campo magnético.

Em 1820, Hans Christian Oersted descobriu que um condutor sendo percorrido por uma corren-
te elétrica cria ao redor de si um campo magnético capaz de alterar a direção de uma agulha
imantada.

As linhas de força do campo magnético gerado pela corrente em um condutor retilíneo têm a
forma de círculos concêntricos em torno do condutor.

Corrente
elétrica

Linhas
de força

49
Fundamentos de eletroeletrônica

Enrolando o condutor em forma de espiras, forma-se uma bobina. O campo magnético de cada
espira se une aos campos das outras espiras, aumentando o campo magnético total.

Um solenóide é composto de uma camada de fios em forma de espiras, igualmente espaçadas,


com o comprimento maior que o raio.

O campo magnético em seu interior é praticamente constante.

Existem três maneiras de aumentar a intensidade do campo magnético em um solenóide:

• aumentando o número de espiras

• aumentando a intensidade de corrente elétrica

50
Fundamentos de eletroeletrônica

• inserindo um material ferromagnético no interior das espiras.

Obs: uma chave de fenda pode ser imantada pelo campo magnético de um solenóide. Basta
inserir a chave no interior do solenóide, e seus domínios ficarão orientados.

Relé

O relé é um dos vários dispositivos cujo funcionamento se baseia no eletromagnetismo.

Ele é composto basicamente por uma bobina que, ao ser energizada, cria um campo magnético
que atua sobre uma parte metálica ligada aos contatos, fechando os normalmente abertos e
abrindo os normalmente fechados.

51
Fundamentos de eletroeletrônica

A corrente necessária para energizar a bobina (corrente de comando) é muito menor que a cor-
rente da carga a ser acionada (corrente de carga), pois o circuito de carga é isolado do circuito
de comando, o que é uma grande vantagem do emprego dos relés.

Outra vantagem é a alta velocidade de atracamento dos contatos, reduzindo desgastes dos
contatos por arco elétrico.

Geração de uma tensão alternada senoidal


Conforme vimos, quando um condutor é percorrido por uma corrente elétrica, surge ao seu redor
um campo magnético. Michael Faraday descobriu que quando um condutor é colocado na
presença de um campo magnético variável, cria-se nos terminais deste condutor uma diferença
de potencial.

Heinrich Lenz , estudando os fenômenos descritos por Faraday, formulou uma lei para o sentido
da corrente induzida. Segundo a Lei de Lenz, “o sentido da corrente induzida é tal que o campo
magnético por ela criado contraria o campo que a gerou”.

52
Fundamentos de eletroeletrônica

A forma de onda da força eletromotriz induzida na espira é uma senóide.

Se o ímã for movimentado, aproximando e afastando da espira condutora, a variação do campo


magnético irá gerar uma tensão induzida na espira. Esta tensão induzida também é chamada de
força eletromotriz (f.e.m.), e é dada em Volts.

V(θ)
Tensão

0° 90° 180° 270° 360° θ

Vamos analisar uma onda de tensão alternada senoidal, para conhecer suas características.

Ciclo: é a parte da forma de onda que se repete em intervalos iguais de tempo.

V(θ)
Tensão

0° 90° 180° 270° 360° θ

Período: é o tempo gasto pela onda para completar um ciclo.

Freqüência: é o número de ciclos realizados em determinado tempo. A freqüência é o inverso do


período.

A unidade de freqüência no SI é o hertz (Hz). 1Hz = 1 ciclo/segundo

f=1
T

Onde: f = freqüência (Hz)

T = período (s)

53
Fundamentos de eletroeletrônica

Dada uma forma de onda, pode ser necessário calcular os valores máximo (pico), médio, pico-a-
pico, eficaz e instantâneo. Vejamos cada um deles.

Valor máximo, ou de pico, é o valor do ponto mais alto da onda.

Valor pico-a-pico é o valor medido entre o valor máximo positivo e o valor máximo negativo.

Valor de pico Valor


ou máximo pico-a-pico

Tensão média em um gráfico de tensão alternada senoidal é igual a zero, pois as áreas positivas
do gráfico anulam as negativas.

+ +
_ _ t

Para calcular valores instantâneos de tensão, usa-se a fórmula:

V() = Vmax . sen

Exemplo: seja Vmax = 20 V, calcule os valores das tensões instantâneas para:

a)  = 0° V

b)  = 30°

c)  = 90°
20 V
d)  = 360°

0° 30° 90° 360° θ

54
Fundamentos de eletroeletrônica

Solução:

a) V(0°) = Vmax . sen 0° = 20 V . 0 V(0°) = 0

b) V(30°) = Vmax . sen 30° = 20 V . 0,5 V(0°) = 10 V

c) V(90°) = Vmax . sen 90° = 20 V . 1 V(0°) = 20 V

d) V(360°) = Vmax . sen 360° = 20 V . 0 V(0°) = 0

Tensão eficaz (ou r.m.s.) de uma forma de onda alternada equivale a um valor contínuo de ten-
são que, se for aplicado à mesma carga, produz o mesmo trabalho.

Vef = Vp
√2

Exemplo: se a tensão de pico de uma rede é 180 V, a tensão eficaz pode ser calculada assim:
Vef = Vp
√2

então Vef =180 V ou Vef = 127,28 V


1,4142

Algumas observações importantes:

• Na escala DC (corrente contínua), um voltímetro mede a tensão média, e na escala AC


(corrente alternada) mede a tensão eficaz.

• O osciloscópio mostra a forma de onda, facilitando a visualização dos valores de pico e


pico-a-pico.

Transformador
É um dispositivo utilizado para aumentar ou diminuir uma tensão CA, sem variar a potência.

55
Fundamentos de eletroeletrônica

Constitui-se de dois enrolamentos distintos, bobinados sobre um núcleo de aço laminado. O


enrolamento primário é aquele onde se aplica a tensão, e o secundário é o enrolamento do qual
se retira a tensão modificada.

Não há ligação elétrica entre os enrolamentos primário e secundário. Ao percorrer as espiras do


enrolamento primário, a corrente cria um campo magnético, cujas linhas de força passam pelo
núcleo e enlaçam o enrolamento secundário, induzindo neste uma tensão.

IS

VS
IP
NS
NP
VP

VP = tensão de alimentação

IP = corrente do primário

NP = número de espiras do primário

VS = tensão de saída

IS = corrente do secundário

NS = número de espiras do secundário

Um mesmo transformador pode ser elevador ou abaixador de tensão, dependendo do lado em


que a tensão de alimentação é aplicada.

O lado de maior tensão tem menor corrente. Seu enrolamento, de resistência elétrica alta, con-
tém mais espiras e é feito com fio de diâmetro reduzido. O outro lado, aquele de tensão menor
tem corrente maior. Sua bobina é de baixa resistência elétrica e tem menos espiras, de fio de
maior diâmetro.

O transformador quase não tem perdas, por não possuir peças móveis.

Um transformador ideal obedece às seguintes equações:

VP = NP = IS
VS NS IP

Potência do primário = Potência do secundário (PP = PS)

VP . IP = VS . IS

56
Fundamentos de eletroeletrônica

Exemplo:

a) Calcule a tensão eficaz induzida no secundário, supondo que Vp = 10 V (pico), o transforma-


dor tenha 200 espiras no primário e 50 espiras no secundário.

b) Calcule a corrente no primário se uma carga de 20  estiver ligada ao secundário.

IP IS

VP VS

NP NS

Solução:

a) Vef do primário = Vmax = 10 V = 7,07 V


√2 √2

VP = NP 7,07 V = 200 VS = 7,07 V . 50 VS = 1,77 V


VS NS VS 50 200

b) IS = VS = 1,77 V IS = 0,089 A
R 20 

VP = IS 7,07 V = 0,089 A IP = 1,77 V . 0,089 A IP = 0,022 A


VS IP 1,77 V IP 7,07 V

No próximo capítulo, veremos a maneira correta de utilizar os instrumentos medidores de tensão


(voltímetro), intensidade de corrente (amperímetro) e resistência elétrica (ohmímetro).

57
Fundamentos de eletroeletrônica

Conhecendo os instrumentos de medição

58
Fundamentos de eletroeletrônica

Amperímetro
Conforme vimos anteriormente, a unidade de medida de corrente elétrica é o ampère.

1 ampère é a corrente que flui através de um resistor de 1 ohm, quando submetido a uma tensão
de 1 Volt entre seus terminais.

O amperímetro deve ser ligado em série com o componente a ser medido.

Exemplo:

Para medir a corrente que circula na lâmpada, siga os passos abaixo:

1. Desenergize o circuito

2. Interrompa o circuito no ponto a ser medido

3. Selecione a escala de medição adequada.

A escala de medição adequada é a que tem valor imediatamente acima da leitura a ser feita.

Se o valor for desconhecido, inicie pela maior escala de medição, e vá posicionando o seletor
até chegar no que vai ser utilizado.

4. Conecte o amperímetro em série com o componente a ser medido. Observe se o instrumento


tem polaridade definida. Caso tenha, a corrente, no sentido convencional, deve entrar pelo posi-
tivo e sair pelo negativo do amperímetro.

5. A leitura será feita diretamente no visor do aparelho.

59
Fundamentos de eletroeletrônica

Voltímetro
É o instrumento usado para medir a tensão elétrica, em Volts.

1 Volt é a diferença de potencial necessária para fazer circular uma corrente de 1 A através de
um resistor de 1 ohm.

O voltímetro deve ser ligado em paralelo com o componente a ser medido.

Exemplo:

Para medir a queda de tensão na lâmpada, siga os passos seguintes:

1. Selecione a escala de medição adequada, ou seja, escolha a escala de medição de valor


imediatamente acima do valor a ser medido. Se não conhecer esse valor, comece pela maior
escala, e vá abaixando até chegar à adequada.

2. Conecte o instrumento em paralelo com o componente que será medido, observando a polari-
dade correta. No circuito do exemplo, o voltímetro deverá indicar 12 V.

Ohmímetro
É o instrumento utilizado para medir resistência elétrica.

1 ohm é a resistência que permite a passagem de uma corrente de 1 A, quando submetida à


tensão de 1 V.

60
Fundamentos de eletroeletrônica

Exemplo:

Para medir a resistência da lâmpada, os passos a serem seguidos são:

1. Desenergize o circuito.

2. Desconecte a lâmpada do circuito.

3. Selecione a escala de medição adequada.

4. Conecte o ohmímetro ao componente a ser medido.

Multímetro
É um instrumento que inclui pelo menos amperímetro, voltímetro e ohmímetro.

Para medir, basta selecionar a função e a escala desejada, e utilizar o instrumento de acordo
com o que foi descrito anteriormente para medidas de corrente, tensão e resistência, conforme o
caso.

A seguir, vamos iniciar nosso estudo sobre as baterias.

61
Fundamentos de eletroeletrônica

A fonte de energia

62
Fundamentos de eletroeletrônica

Bateria

Os diversos circuitos eletroeletrônicos dos veículos necessitam de uma fonte de energia para
alimentá-los.

Esta energia pode ser conseguida de duas maneiras distintas. Pelo alternador, acoplado ao
motor térmico ou pela bateria.

A bateria é um acumulador de energia. Sua função é armazenar energia sob a forma química,
que será transformada em energia elétrica quando o circuito solicitar.

63
Fundamentos de eletroeletrônica

A bateria é uma fonte independente do motor térmico, e quando este estiver desligado ela será
responsável pelo provimento da energia elétrica para abastecer os consumidores, como o motor
de partida, os faróis, a buzina, o amplificador de som, etc.

Quando o motor térmico está em funcionamento, a bateria se recarrega, acumulando parte da


energia elétrica fornecida pelo alternador. Nesse momento ocorre a transformação de energia
elétrica em química, que será novamente aproveitada quando necessário.

Principais componentes da bateria


1. Caixa à prova de ácido.

A caixa é fabricada em borracha rígida ou plástico, com uma tampa fortemente fixada a ela.

64
Fundamentos de eletroeletrônica

Nas baterias úmido-carregadas, a tampa possui um orifício para complemento do nível da solu-
ção (eletrólito), acima de cada elemento, fechados com tampões providos de um furo de respiro
para saída de gases.

2. Elementos da bateria:

a - Placas positivas

b - Placas negativas

c - Separadores
C

B A

3. Solução ou eletrólito.

65
Fundamentos de eletroeletrônica

Construção dos elementos

No interior da bateria se encontram os “elementos”, que se constituem de placas positivas e


negativas, compostas de metais quimicamente ativos.

Cada elemento é composto essencialmente de jogos de placas positivas e negativas, separado-


res e de partes necessárias para a montagem e conexão.

As placas são construídas em forma de chapas, semelhantes a uma peneira grossa, cobertas
com material ativo. Essa peneira grossa, também chamada grade, é composta de uma liga de
chumbo e antimônio nas baterias úmido-carregadas.

66
Fundamentos de eletroeletrônica

Nas placas positivas, de cor marrom-escuro, o material ativo é o dióxido de chumbo (PbO2), e
nas negativas o material ativo é o chumbo esponjoso (Pb), de cor cinza-claro.

Nas baterias seco-carregadas, também chamadas híbridas, a grade positiva é feita de uma liga
de antimônio (PbSb) e placa negativa de liga chumbo-cálcio (PbCa), que propicia maior vida útil
e baixíssimo consumo de água, não exigindo manutenção.

As placas são agrupadas e ligadas em paralelo por meio de conectores.

Conector de placas

Jogo de placas

67
Fundamentos de eletroeletrônica

Para a montagem dos elementos, entrelaçam-se as placas positivas e negativas, introduzindo


separadores isolantes entre elas, a fim de evitar a ocorrência de curtos-circuitos entre placas.

Separadores isolantes

Os jogos de placas são apoiados sobre pontes, não tocando o fundo da caixa e deixando espa-
ço para a sedimentação de resíduos que se desprendem das placas. Esse artifício também visa
evitar curto-circuito entre as placas positivas e negativas.

Os elementos são ligados em série entre si por meio de uma tira metálica. Os últimos pólos dos
elementos das extremidades se projetam para fora da caixa, formando os pólos positivo (+) e
negativo (-) da bateria.

68
Fundamentos de eletroeletrônica

Gerações de baterias

Grades - ligas Prós Contras


Sb aumenta o consumo de
Alto teor de Sb (antimônio) Manuseabilidade das grades
água
Baixa resistência mecânica
Baixo teor de Sb nas grades Baixo consumo de água
das grades
Baixo consumo de água. Maior Baixa recarregabilidade.
Ca-Ca
resistência à corrosão Baixa resistência mecânica
Grade positiva Sb e negativa de Baixo consumo de água. Fácil Baixa resistência a altas
Ca-Ca recarregabilidade temperaturas
Alta resistência à corrosão em altas Face às demais gerações,
Prata na positiva e Ca na negativa temperaturas. Fácil recarregabili- esta liga encontra-se no
dade ponto de equilíbrio

O pólo negativo pode distinguir-se do pólo positivo de duas formas:

• Pelo tamanho: o pólo positivo é maior que o negativo;

• Pelas marcas (+) e (-) normalmente estampadas na tampa superior da bateria.

Cada elemento acumula uma tensão de aproximadamente 2,1 Volts. Os seis elementos são
conectados em série, constituindo uma bateria de aproximadamente 12,6 Volts.

69
Fundamentos de eletroeletrônica

Eletrólito (solução)
O eletrólito é composto de ácido sulfúrico diluído.

Em média, quando a bateria está totalmente carregada, é constituído de 36% de ácido sulfúrico
(H2SO4) e 64% de água destilada (H2O) possuindo, desta forma, uma densidade de 1,26 g/cm3
a uma temperatura de 26,5°C.

A densidade de um líquido é igual à razão entre a massa e o volume desse líquido.

=m
V

Onde:
m = massa, em gramas (g)

V = volume, em centímetros cúbicos (cm3)

 = densidade, em gramas por centímetros cúbicos (g/cm3)

70
Fundamentos de eletroeletrônica

Sabe-se que a densidade da água pura, a 26,5°C, é igual a 1,0 g/cm3.

Assim, quando a bateria está com a carga total, o eletrólito é 26% mais pesado que a água.

Porém, à medida que a bateria vai se descarregando, a quantidade de ácido sulfúrico (H2SO4)
vai diminuindo, enquanto aumenta a quantidade de água.

Dessa forma a densidade do eletrólito também diminui durante o processo de descarga.

Os processos eletroquímicos que ocorrem no interior da bateria você verá a seguir.

71
Fundamentos de eletroeletrônica

Funcionamento da bateria
As reações químicas que ocorrem entre o peróxido de chumbo das placas positivas, o chumbo
das negativas e o eletrólito provocam um desequilíbrio de cargas entre as placas.

Dessa forma elas ficam carregadas, uma positivamente e outra negativamente, e assim permane-
cem até que haja equilíbrio por meio da ligação a um circuito externo.

Quando uma carga é conectada aos pólos da bateria, irá aparecer um fluxo orientado de
elétrons do pólo negativo em direção ao positivo (sentido real da corrente elétrica), devido à
diferença de potencial entre os pólos. Enquanto houver esta passagem de corrente, a bateria
estará se descarregando.

72
Fundamentos de eletroeletrônica

A corrente fluirá até que seja atingido o equilíbrio elétrico, quando então cessa a passagem de
corrente, estando a bateria descarregada.

Vejamos agora, detalhadamente, as reações que se processam no interior da bateria, durante a


descarga, considerando o sentido real da corrente elétrica.

Processo de descarga

Com a bateria totalmente carregada, o ácido sulfúrico (H2SO4) do eletrólito está dissociado* em
íons positivos (cátions) hidrogênio (H+) e íons negativos (ânions) sulfato (SO4-2).

* Dissociação é o processo de divisão de uma molécula em partes menores.

73
Fundamentos de eletroeletrônica

Vamos ao que ocorre nas placas positivas.

O dióxido de chumbo (PbO2) se dissocia em cátions chumbo (Pb+4) e ânions peróxido (O-2).
Devido aos elétrons que chegam ao pólo positivo, são produzidos íons Pb+2 a partir dos íons
Pb+4.

Estes íons Pb+2 reagem com os íons sulfato (SO4-2) dissociados do ácido sulfúrico do eletrólito,
formando sulfato de chumbo (PbSO4), que se acumula nas placas.

Os ânions peróxido (O-2) liberados reagem com os íons H+ do ácido sulfúrico, formando água
(H2O).

A reação de descarga nas placas positivas é representada assim:

PbO2 + SO4-2 + 4H+ + 2e- PbSO4 + 2H2O

Ou, resumidamente:

Pb+4 + 2e- Pb-2

Nas placas negativas, ocorre o seguinte:

Devido à migração de elétrons das placas negativas para as positivas, o chumbo, eletricamente
neutro, transforma-se em cátions Pb+2, que reagem com os ânions sulfato (SO4-2) do ácido sulfúri-
co do eletrólito, formando sulfato de chumbo (PbSO4), que vai se acumulando nas placas.

74
Fundamentos de eletroeletrônica

Assim é representada a reação nas placas negativas:

Pb + SO4-2 PbSO4 + 2e-

Ou, resumidamente:

Pb Pb+2 + 2e-

Durante a descarga, o dióxido de chumbo (PbO2) das placas positivas e o chumbo esponjoso
(Pb) das negativas vão se transformando em sulfato de chumbo (PbSO4, de coloração branca),
pela reação com o ácido sulfúrico (H2SO4), aumentando a quantidade de moléculas de água
(H2O) como resto das reações.

A concentração do ácido sulfúrico se reduz, enquanto aumenta a concentração de água. O


aquecimento da água em função da reação química gera vapor, que sai para a atmosfera atra-
vés dos furos de respiro da tampa.

Quanto maior for a intensidade de corrente elétrica e mais prolongada a descarga, menor será
a densidade do eletrólito, em função da menor concentração de ácido sulfúrico e do conseqüen-
te aumento da concentração de água.

75
Fundamentos de eletroeletrônica

A reação global é:

Pb + PbO2 + 2H2SO4 2PbSO4 + 2H2O

O quadro abaixo traz um resumo das reações químicas.

Pólo Reação química Reação resumida


(-) Pb + SO4-2 PbSO4 + 2e- Pb Pb2 + 2e-

(+) PbO2 + SO4-2 + 4H+ + 2e- PbSO4 + 2H2O Pb+4 + 2e- Pb2

Reação global Pb + PbO2 + 2H2SO4 2PbSO4 + 2H2O Pb + Pb+4 2Pb2

Ao processo de formação de sulfato de chumbo nas placas positivas e negativas dá-se o nome
de sulfatização.

Este fenômeno pode ser, eventualmente, responsável pela inibição das reações químicas internas
que, em conjunto com a diminuição da concentração do ácido sulfúrico do eletrólito, caracteri-
zam a descarga da bateria.

Processo de recarga

Assim como a bateria transforma energia química em elétrica, como vimos no processo de des-
carga, também é capaz de realizar a transformação de energia elétrica em química.

76
Fundamentos de eletroeletrônica

Essa capacidade de reversão das reações químicas é uma importante característica da bateria,
pois permite que seja recarregada.

Para se realizar o processo de recarga, é necessário ligar um gerador elétrico (alternador) aos
pólos da bateria, aplicando aos terminais uma tensão maior que a nominal.

Dessa maneira é provocada uma corrente elétrica no sentido contrário ao sentido da descarga,
ou seja, do pólo positivo ao pólo negativo (considerando o sentido real da corrente elétrica).

Vejamos como ocorre o processo.

O alternador retira elétrons das placas positivas e os transporta para as negativas, provocando
assim a dissociação do sulfato de chumbo das placas.

77
Fundamentos de eletroeletrônica

O radical SO4 é liberado das placas e reage com o hidrogênio (H) da água,
formando novamente ácido sulfúrico (H2SO4).

Nas placas positivas, os íons oxigênio (O-2) da água reagem com o chumbo,
formando dióxido de chumbo (PbO2). Nas placas negativas, os elétrons que
chegam cedem carga negativa aos íons Pb+2, tornando-os eletricamente neutros
(Pb).

Dessa forma, o eletrólito volta a ter a concentração correta de ácido sulfúrico,


aumentando a densidade. As placas ficam restabelecidas, pois o sulfato de
chumbo foi transformado em dióxido de chumbo nas placas positivas e
chumbo esponjoso nas negativas.

A reação global é representada assim:

2PbSO4 + 2H2O Pb + PbO2 + 2H2SO4

Conforme vimos, as reações dos íons SO4-2 com os íons H+ , na presença de corrente elétrica
(eletrólise), formam moléculas de hidrogênio e oxigênio.

78
Fundamentos de eletroeletrônica

Quando há superaquecimento do eletrólito, uma certa quantidade destas moléculas são libera-
das para a atmosfera através dos furos de respiro da tampa.

Quando combinadas em forma de água (H2O), saem em forma de vapor.

Também são liberados átomos de hidrogênio puro, que é inflamável. Portanto, não aproxime de
chamas, pois há perigo de explosão.

Autodescarga da bateria
As baterias sofrem uma perda constante de carga, mesmo que não estejam sendo solicitadas
para uso. A velocidade com que ocorre esta autodescarga depende da temperatura, pois o calor
excessivo acelera o processo.

79
Fundamentos de eletroeletrônica

Por exemplo, uma bateria armazenada à temperatura de 35°C poderá perder totalmente a car-
ga em pouco mais de um mês...

... enquanto que se estiver a 10°C poderá passar um ano perdendo apenas um pouco da
carga.

Na reação H2SO4 + Pb PbSO4 + H2, vemos que ocorre saída de hidrogênio para a atmos-
fera. Quanto maior a temperatura, mais rápido isto acontece, diminuindo a concentração do
eletrólito e aumentando a formação de sulfato de chumbo nas placas.

80
Fundamentos de eletroeletrônica

Outra causa de autodescarga é a presença de umidade e sujeira acumuladas sobre a caixa,


que podem permitir fuga de corrente entre os terminais da bateria e também para o chassi do
veículo.

Os pólos da bateria devem ser mantidos limpos e secos, pois o ácido que se desprende, além de
causar a sua descarga, pode corroer as chapas do automóvel.

Nível do eletrólito
Uma pequena diminuição no nível do eletrólito pode ser considerada normal, pois durante o
processo de descarga são liberadas moléculas de água, em forma de vapor, devido à elevação
da temperatura provocada pela reação química interna.

81
Fundamentos de eletroeletrônica

No processo de recarga ocorre a eletrólise da água,


e o aquecimento causado pela reação química pode
provocar a liberação de átomos de hidrogênio e
oxigênio, além de vapor de água, que escapam pelo
respiro.

1,5 cm
O nível do eletrólito deve estar a 1,5 cm acima das placas.

Obs.: não confundir com a altura dos separadores.

A cada 15 dias deve ser feita uma verificação do nível. Se necessário, complete até o nível
recomendado, usando somente água destilada. Muitas baterias trazem na tampa uma marca
indicando o nível correto do eletrólito.

Atualmente, as baterias dos veículos Fiat são do tipo “sem manutenção”, que, em condições nor-
mais de uso, não exigem enchimentos com água destilada.

Parâmetros principais

Tensão (Volts)

- Valor nominal: 12 V

- Valor real: função da densidade do eletrólito

- Baterias para climas temperados têm eletrólito com 1,28 g/l e tensão de 12,75 V

- As tensões acima são obtidas com a bateria em circuito aberto (sem receber ou fornecer
carga)

82
Fundamentos de eletroeletrônica

Capacidade da bateria, em ampères x hora (Ah)

Capacidade de descarga de uma bateria é a quantidade de “energia” que ela pode fornecer,
dada em ampères x hora. Esse valor depende da intensidade da corrente de descarga, da densi-
dade e temperatura do eletrólito, do estado de carga e do tempo de descarga.

Por exemplo, uma bateria de 100 Ah pode fornecer 5 A durante 20 h. No entanto, esta mesma
bateria não poderá fornecer o dobro da corrente (10 A) na metade do tempo (10 h), pois a
capacidade diminui com o aumento da intensidade de corrente.

Para se comprovar o valor em Ah impresso em uma determinada bateria, aplica-se uma corrente
de descarga correspondente a 1/20 da capacidade nominal em Ah, durante 20 horas.

83
Fundamentos de eletroeletrônica

A temperatura do eletrólito deverá manter-se em torno de


26,5°C e a tensão entre os pólos não poderá cair abaixo de
10,5 V.

Princípio de Peukert

Uma bateria de 100 Ah pode fornecer 5 A por 20 horas. No entanto, a mesma bateria não
pode fornecer 100 A por 1 hora. De fato, ela só pode fornecer 100 A por ½ hora. Por quê?

A capacidade real de uma bateria depende do regime de descarga. Quanto mais rápido for
o regime de descarga, menor a quantidade de Ah que pode ser fornecida. Peukert descreveu
matematicamente este fenômeno:

C = Int

O expoente n é um valor intrínseco para cada bateria. Se n = 1, por exemplo, teríamos: I = 1


A; n = 1; t = 100 h e a capacidade seria 100 Ah. Mas n não é igual a 1 nem nas melhores
baterias do mundo.

O valor de n oscila entre 1,1 e 2. Um valor típico para baterias automotivas seria n = 1,2. Res-
pondendo a questão inicial: I = 100 A, n = 1,2; t = 1 h possui uma capacidade de 251 Ah.

Em outras palavras, se você precisa de 100 A por 1 hora, será necessário uma bateria de 251
Ah e não de uma de 100 Ah (n = 1,2).

Quanto mais baixo o valor de n, melhor a bateria fornecerá altas correntes.

Cálculo da corrente de CCA

Para determinar a corrente de partida a frio de uma bateria, pode-se utilizar a seguinte expres-
são matemática:

ICCA = (Tp.2 .N) / (60.Emp.Vmp) + Iecu + Ibc + Igp

Onde:

ICCA - corrente de partida a frio exigida à bateria pelo motor de partida a -18°C em A
Tp - torque de partida do motor de partida em Nm
N - velocidade do motor de partida em rpm
Emp - eficiência do motor de partida em %
Vmp - tensão do motor de partida durante a partida a -18°C em Volts
Iecu - corrente consumida na partida pelo ECU Siemens SD804
Ibc - corrente consumida na partida pela bomba de combustível
Igp - corrente consumida na partida pelos glow plugs (outros consumidores) durante a partida

84
Fundamentos de eletroeletrônica

Recarga da bateria
Caso seja necessário efetuar uma recarga, recomenda-se seguir as
instruções prescritas no manual do fabricante de cada bateria.

De maneira geral, a corrente de recarga deve ser igual a 10% da


capacidade de corrente nominal em Ah, durante um tempo variável
entre 4,5 a 15 horas, conforme a tabela abaixo:

Tensão da bateria em vazio ( V ) Tempo de recarga ( h )


12,0 a 12,2 4,5

11,8 a 11,99 7,0

11,5 a 11,79 9,0

11,0 a 11,49 11,0

Descarregada 15,0

Para fazer a leitura da tensão da bateria a vazio, de acordo com a tabela anterior, deve-se
aguardar aproximadamente uma hora com a bateria em repouso, ou realizar uma descarga na
bateria com uma corrente de 200 A, durante 15 segundos em média e logo em seguida fazer a
medição.

Retire as tampas de todos os elementos para permitir a saída dos gases.

Não deixe a bateria próxima a chamas, para evitar que o hidrogênio desprendido possa se
inflamar.

85
Fundamentos de eletroeletrônica

Limpe bem os pólos evitando mau-contato.

Observe as polaridades tanto do carregador quanto da bateria.

Caso seja necessário, complete o nível do eletrólito. Por questão de segurança, verifique periodi-
camente a densidade do eletrólito em cada elemento, para que não haja sobrecarga na bateria.

Não aplique cargas rápidas, pois podem provocar superaquecimento.

86
Fundamentos de eletroeletrônica

O carregador deve ser desligado antes de ser conectado ou desconectado aos bornes da bate-
ria, evitando faíscas elétricas que, em contato com os gases de escape, poderiam causar explo-
são.

A temperatura do eletrólito precisa ser controlada para que não fique abaixo de 10°C ou acima
de 50°C.

Em caso de se fornecer carga externa à bateria no próprio veículo, desconecte os cabos, evitan-
do danos ao sistema elétrico do veículo ou ao sistema de carga.

A tensão medida entre os terminais não pode ser maior que 15,5 V, o que indicaria defeito
interno na bateria.

87
Fundamentos de eletroeletrônica

Para recarregar mais de uma bateria simultaneamente, usando o mesmo carregador, ligue-as em
série, lembrando-se de que as baterias devem ter a mesma capacidade e o mesmo estado de
carga...

... pois, caso contrário a bateria com mais carga e que necessitaria de menos tempo de recarga
que as outras, poderia sofrer sobrecarga.

Não se esqueça de controlar a temperatura e a tensão de todas elas durante o processo.

Agora vamos ver os testes de densidade do eletrólito e de descarga, que são os mais utilizados
em baterias.

Testes

Teste de densidade do eletrólito

Um dos testes práticos mais utilizados para se verificar a carga de uma bateria é o de medição
da densidade do eletrólito. Para isso, utiliza-se o densímetro.

88
Fundamentos de eletroeletrônica

O densímetro é composto de um tubo de vidro com uma bóia indicadora em seu interior.

Em uma das extremidades há uma ponta que será mergulhada no eletrólito. Na outra, temos
uma bomba de sucção, de borracha, por meio da qual o eletrólito é succionado. A bóia possui
uma escala graduada, para determinar a densidade.

O teste de densidade deve ser realizado a uma temperatura de aproximadamente 26,5°C,


observando os seguintes detalhes:

- Não adicione água à bateria durante o teste.

- Se houver necessidade de completar o nível do eletrólito, deve-se fazer a correção e colocar


a bateria para carregar durante 10 minutos. Lembre-se que a corrente de carga é igual a
10% da corrente nominal, em ampères-hora (Ah) e que se deve utilizar água destilada. Após
este procedimento, então, realiza-se o teste com o densímetro.

- Não permita que a bóia do indicador toque nas paredes ou no topo do densímetro, pois
poderia provocar erro na leitura.

89
Fundamentos de eletroeletrônica

Veja no quadro abaixo a correspondência entre as densidades e os estados de carga da bateria


especificados para os testes.

Densidade a 26,5ºC Estado de carga


1260 - 1280 100%

1230 - 1250 75%

1200 - 1220 50%

1170 - 1190 25%

1140 - 1160 Baixa capacidade

1110 - 1130 Descarregada

As densidades medidas em cada elemento não devem variar de 50 entre elas. Caso isso ocorra,
a bateria deve ser substituída, pois significa que está havendo desgaste químico desigual entre
os elementos.

Teste de descarga da bateria

O teste de descarga consiste em determinar a capacidade de fornecimento de corrente elétrica


de uma bateria a um sistema elétrico, com a tensão mantendo-se acima de determinado valor, de
tal forma que os demais sistemas elétricos possam ser mantidos em funcionamento.

O teste deverá ser realizado conforme as indicações contidas no manual do fabricante da


bateria.

90
Fundamentos de eletroeletrônica

De modo geral, pode ser feito aplicando uma corrente de descarga à bateria, igual a 3 vezes
sua corrente em Ah, durante 15 segundos.

A tensão não poderá cair abaixo de 9,6 V.

Obs.: após efetuado o teste de descarga, recarregue a bateria por 3 minutos no mínimo, utilizan-
do uma corrente igual a 10% do valor da corrente nominal em Ah.

Muita atenção para os cuidados que se deve ter durante a recarga, que já estudamos anterior-
mente.

Obs.: Os testes de densidade e de descarga são extremamente importantes no diagnóstico de


problemas na bateria e é importante efetuá-los sempre que possível. Existem também equipa-
mentos homologados pela FIAT que devem ser usados para diagnóstico. Você deverá consultar o
manual destes equipamentos sempre que necessário.

91
Fundamentos de eletroeletrônica

Cuidados gerais/diagnóstico
Use somente água pura ou destilada para corrigir o nível do eletrólito. As baterias seco-carrega-
das nunca requerem água.

Evite que a bateria se descarregue completamente.

As baterias devem ser armazenadas em local seco e protegido dos raios solares, com tempera-
tura entre 10 e 35°C e dispostas na posição horizontal sobre estrados de madeira (para evitar
fugas de corrente entre a bateria e o piso).

92
Fundamentos de eletroeletrônica

Conserve os pólos secos e limpos, evitando a autodescarga e a formação de zinabre*. Se possí-


vel, passe uma pequena camada de vaselina sobre os terminais.

*O zinabre, ou azinhavre, é uma camada verde de hidrocarbonato de cobre que se forma na


superfície de peças de cobre ou outros materiais, quando expostas à umidade ou ao ar.

Para fazer a limpeza dos terminais dos cabos e dos pólos da bateria, a fim de eliminar oxida-
ções, utilize lixa fina até que voltem à cor original. Antes, retire os resíduos de vaselina ou graxa
dos terminais e pólos.

Depois aplique uma solução de bicarbonato de sódio e água para eliminar resíduos ácidos.

Finalmente, utilize vaselina nas partes superior e inferior externas dos terminais e conecte-os
corretamente.

93
Fundamentos de eletroeletrônica

Verifique se os respiros da tampa estão desobstruídos.

Não acione o motor de partida por mais de 5 segundos. Se o motor não funcionar na primeira
tentativa, espere no mínimo 10 segundos para tentar novamente.

Antes de dar partida no motor, desligue faróis, amplificador de som, etc. pois estariam drenan-
do corrente da bateria, além do motor de partida. Evite deixar estes equipamentos ligados por
muito tempo com o veículo desligado.

Ao manusear uma bateria, proteja os olhos e a face. Use óculos de proteção para sua
segurança.

A seguir veremos os defeitos mais comuns em baterias com as suas prováveis causas.

94
Fundamentos de eletroeletrônica

Diagnóstico de inconvenientes

Problemas Causas
A bateria está descarregada, porém a densidade
Adição de ácido ao eletrólito
lida pelo densímetro está correta
Curto-circuito entre elementos. O elemento em curto
Baixa densidade em um dos elementos e
não realiza as reações químicas, não alterando o
normal nos outros
eletrólito.
Baixa densidade em dois elementos vizinhos e
Vazamento interno de eletrólito entre eles
normal nos outros
O defeito provavelmente não é da bateria, podendo
ser causado por:

- mau contato nos conectores dos pólos

-sistema de recarga ineficiente, por exemplo, com


Baixa densidade em todos os elementos baixa tensão de saída

-consumo de corrente da bateria acima do especifi-


cado, por sobrecorrente ou curto-circuito

-fuga de corrente do sistema elétrico do veículo


quando em repouso
Sobretensão do alternador (defeito no regulador de
Superaquecimento da bateria tensão). A sobretensão acelera as reações químicas,
aumentando a temperatura e a densidade
Sobretensão do alternador ou adição de ácido
Densidade do eletrólito acima de 1,26 g/cm3
sulfúrico (H2SO4)
Impurezas na solução, nível baixo da solução, pla-
A bateria não “aceita carga”
cas sulfatadas, pólos sujos ou com zinabre

Manutenção e manuseio de baterias

Veículos em estoque

Providenciar o desligamento do cabo negativo logo que possível nos veículos de estoque. Esta
ação evitará o descarregamento da bateria, em caso de eventual esquecimento de luzes acesas
ou rádios ligados.

Veículos com mais de 45 dias de estoque devem ter o estado de carga da bateria controlado. Se
estiver menor que 12,5 V, a bateria deverá ser recarregada.

Recomenda-se substituir as baterias instaladas nos veículos que estão em estoque por mais de 90
dias.

Entrega de veículos novos ou usados

Ao realizar a entrega do veículo para o cliente, não permita que a bateria saia da concessio-
nária com a tensão inferior a 12,5 V, pois abaixo desse valor o alternador não será capaz de
recarregá-la. Desse modo, o veículo terá um grande potencial de Fermo Auto.

95
Fundamentos de eletroeletrônica

Tensão superficial

Quando se realiza a medição da tensão logo após ter sido dada uma primeira partida no
veículo, são encontrados valores de tensão que não representam a realidade da bateria. Tal
fenômeno ocorre devido ao aquecimento proporcionado à bateria pelo alternador, que forneceu
à mesma, por alguns instantes, valores de 13,5 a 14,5 V.

Recarga

Cuidados no preparo do circuito

A corrente deve ser equivalente a 10% do valor da capacidade nominal da bateria.

Ex.: Bateria de 50 Ah

Corrente de recarga = 50 X 0,1 = 5 A

Tensão da bateria em vazio (volts) Tempo de recarga (horas)


12,4 a 12,6 4,5

12,2 a 12,39 7,0

12,0 a 12,19 9,0

11,8 a 11,99 11,0

Baterias muito descarregadas 15,0

A temperatura da bateria durante o processo de recarga não deverá ultrapassar 50 °C para


baterias com acesso ao eletrólito.

Instalação de acessórios X corrente de stand-by

A corrente de stand-by é o consumo existente com o veículo desligado, que consome energia da
bateria. Normalmente este consumo aumenta, não raramente superando o limite permitido, após
a instalação de rádio e alarmes não homologados.

Ah Corrente de stand-by permitida (A)


40 0,024

50 0,030

60 0,036

Agora vamos iniciar o assunto seguinte deste módulo:

• O sistema de partida.

96
Fundamentos de eletroeletrônica

O sistema de partida dos veículos

97
Fundamentos de eletroeletrônica

Sistema de partida

Os motores de combustão interna necessitam de uma energia externa para que possam ser colo-
cados em funcionamento.

O sistema de partida tem a finalidade de vencer as resistências mecânicas do motor, como a


inércia das partes móveis e a taxa de compressão, dando início ao movimento e atingindo um
número de rotações suficiente para que o motor possa se manter em funcionamento sem ajuda
externa.

Os principais componentes do sistema de partida são os seguintes:

30
30
+50
30 4
3 50

1 2

1 - Bateria
2 - Motor de Partida
3 - Comutador de Ignição
4 - Chave Eletromagnética

98
Fundamentos de eletroeletrônica

Motor de partida
O motor de partida é um motor de corrente contínua, capaz de desenvolver alta potência duran-
te um curto período de tempo.

Sua finalidade é transformar a energia elétrica proveniente da bateria em energia mecânica, que
será transmitida à cremalheira do volante do motor...

...fazendo girar a árvore de manivelas, colocando em funcionamento o motor térmico.

A seguir veremos as partes principais de um motor de partida.

99
Fundamentos de eletroeletrônica

Partes principais

O número de rotações do motor de partida é superior ao mínimo necessário para fazer o motor
de combustão interna entrar em funcionamento.

100
Fundamentos de eletroeletrônica

A redução da rotação do motor de partida até a rotação requerida pelo motor térmico é obtida
por meio da relação de redução entre as engrenagens do pinhão (motor de partida) e da crema-
lheira (motor térmico).

N = Nº de rotações (RPM) N2
F = Força (N)
d = Distância (m)

N1
d22
d11

Pinhão Cremalheira

F . d2 > F . d1
N1 > N2 F

Essa relação de redução possibilita o aumento do torque na árvore de manivelas, pois, uma vez
que a potência de giro do pinhão é transferida para a cremalheira, que gira com menor número
de rotações, o torque na cremalheira será maior que no pinhão do motor de partida.

Se a rotação for menor, o torque será maior, pois são grandezas inversamente proporcionais.

101
Fundamentos de eletroeletrônica

Veja na fórmula:

Pot = T.N

Logo: T = 60 . Pot
N

Onde: T = torque (Nm)

Pot = potência (W), dado nominal, fornecido pelo fabricante.

N = rotação (rpm)

Alguns motores possuem alta taxa de compressão, como é o caso dos motores diesel. Devido a
isso, necessitam de um torque muito elevado para vencer a maior compressão interna no cilindro
e fazê-lo entrar em funcionamento.

Os motores de partida utilizados nesses motores possuem internamente uma relação de redução
de engrenagens, tipo planetária, para que obtenham maior torque de saída junto ao pinhão.

102
Fundamentos de eletroeletrônica

Veja no detalhe abaixo o motor de partida utilizado no Ducato.

Princípio de funcionamento
O motor de partida realiza a transformação de energia elétrica em mecânica por meio de efeitos
eletromagnéticos. Para compreendermos seu funcionamento vamos rever um importante conceito
do eletromagnetismo.

No ano de 1820, o físico André-Marie Ampère mostrou que um ímã exerce força sobre um con-
dutor quando percorrido por uma corrente elétrica.

103
Fundamentos de eletroeletrônica

Veja a descrição do fenômeno descoberto por Ampère: Sempre que um condutor elétrico, expos-
to a um campo magnético, for percorrido por uma corrente elétrica, atuará sobre ele uma força
eletromagnética.

{
l

S N
I

Esta força é diretamente proporcional, dentre outros fatores, às intensidades da corrente e do


campo magnético.

A direção da força é perpendicular à direção do condutor e à direção do campo magnético e o


sentido é dado pela “regra da mão direita”.

104
Fundamentos de eletroeletrônica

Colocando-se o polegar no sentido convencional da corrente (do + para o -), com os demais de-
dos apontando para o sentido das linhas do campo magnético, a palma da mão dará o sentido
da força magnética criada, como se fosse um “tapa”.

Vejamos a fórmula de cálculo da força magnética:

F = B.I.ℓ. sen 

Onde:

F = força magnética (N)

B = intensidade do campo magnético (T)

I = intensidade da corrente elétrica (A)

ℓ = comprimento do condutor (m)

sen  = seno do ângulo formado entre a direção da corrente e a direção do campo magnético

Quando a direção da corrente for paralela ao campo magnético (ângulo  = zero), o seno será
zero, portanto a força será nula. Veja na fórmula:

F = B.I.ℓ. 0 F=0

105
Fundamentos de eletroeletrônica

O valor máximo da força é obtido quando a direção da corrente for perpendicular ao campo
magnético, ou seja, formarem um ângulo de 90°. Isto porque o seno de 90° é igual a 1, então a
força será F = B.i.l

Vejamos como funciona um motor elétrico de corrente contínua de ímã permanente e somente
uma espira, que tem o mesmo princípio de funcionamento do motor de partida (considerando o
sentido convencional da corrente).

O campo magnético (B) atravessa a espira que é percorrida pela corrente (i), fazendo surgir as
forças magnéticas (F1 e F2), que provocam um movimento de rotação na espira.

106
Fundamentos de eletroeletrônica

Após um giro de 180° (meia Volta), a corrente passa a percorrer a espira no sentido inverso
devido à ação do conjunto escovas-comutador. Com isso as forças F1 e F2 também se invertem e
a espira continua girando, no mesmo sentido.

O motor de partida possui bobinas para criar o campo magnético do estator e, naturalmente,
também muitas espiras no rotor.

Entre Ferro

Induzido Enrolamento

Sapata Polar

As bobinas de campo são ligadas em série entre si e ao induzido.

Bobinas de campo

Alguns motores de partida possuem ímã fixo no lugar das bobinas de campo, proporcionando
menor consumo de corrente na partida e ocupando menor volume.

107
Fundamentos de eletroeletrônica

O conjunto porta-escovas deve estar posicionado corretamente em relação ao coletor do induzi-


do (rotor).

As linhas de força do campo magnético, produzidas nas bobinas de campo, formam um cir-
cuito fechado, fluindo através das sapatas polares e do induzido. Então o comutador (coletor e
escovas) energiza somente as espiras que estão passando pelo ponto de maior fluxo do campo
magnético, conseguindo o aproveitamento máximo. A interação deste campo magnético (B) com
a corrente elétrica (i), que circula na bobina do rotor, produz uma força magnética (F), que faz o
motor girar.

i
F
F
B

S i i S
B B
B
F
i
F

Agora vamos ver como acontece a interação entre a bateria, o motor de partida, o comutador
de ignição e a chave magnética, para fazer com que o motor térmico entre em funcionamento.

108
Fundamentos de eletroeletrônica

Funcionamento do sistema de partida


O motor de partida tem um circuito elétrico principal e outro de comando. No circuito principal,
a corrente que sai da bateria circula pelo contato interno da chave magnética, pelas bobinas de
campo e pelo induzido, voltando à bateria.

O circuito de comando é responsável por projetar para frente o pinhão, e ainda energizar o
circuito principal, através do fechamento do contato interno da chave magnética.

109
Fundamentos de eletroeletrônica

A chave magnética possui duas bobinas internas, uma de atração e outra de retenção. Quando
a chave de ignição é girada para dar a partida no motor, as duas são energizadas simultanea-
mente.

- + Bobina de atração Chave


magnética
30
50

Comutador Contato
de ignição Interno

Bobina de
retenção
Motor de M
partida

Quando energizadas, as duas bobinas criam uma elevada força magnética que provoca o des-
locamento do núcleo móvel da chave magnética.

- + Bobina de atração Chave


magnética
30
50

Comutador Contato
de ignição Interno

Bobina de
retenção
Motor de M
partida

Ao se deslocar, o núcleo móvel movimenta a alavanca de comando (garfo), que projeta para
frente o pinhão logo em seguida, fechando o contato interno para permitir a energização do
motor de partida. Por uma questão de segurança, o motor de partida somente é energizado
depois que o pinhão é projetado para frente, pois não seria possível o acoplamento com o rotor
girando.

110
Fundamentos de eletroeletrônica

O pinhão do motor de partida gira no sentido horário e, quando acoplado à cremalheira, faz
com que ela gire no sentido anti-horário.

Após o fechamento do contato interno da chave magnética, o terminal “B” do motor de partida
passa a receber alimentação de tensão de 12 V pela linha 30, e a bobina de atração é dese-
nergizada. A corrente continua fluindo pela bobina de retenção, que gera uma força magnética
suficiente para manter o conjunto acoplado até que seja desenergizado pelo comutador de
ignição.

- + Bobina de atração Chave


magnética

50 30

Comutador
de ignição

Bobina de
retenção
Motor de M
partida

O engrenamento entre o pinhão e a cremalheira ocorre em duas etapas. A primeira pela ação
da chave magnética, alavanca de comando e fuso de avanço, e a segunda pela ação do efeito
rotativo do induzido. É o que veremos a seguir.

111
Fundamentos de eletroeletrônica

1ª etapa - Ao ser acionado o comutador de ignição, a chave magnética desloca a alavanca de


comando contra a ação da mola de retrocesso. O circuito de partida continua aberto e o induzi-
do permanece parado. Através do anel de guia, a alavanca empurra o pinhão contra a crema-
lheira e o fuso provoca a rotação do conjunto pinhão/roda livre. Se o dente do pinhão coincidir
com o espaço da cremalheira, ocorre o engrenamento.

2ª etapa - Se os dentes não coincidirem, a alavanca de comando comprime a mola de engrena-


mento do pinhão até fechar o contato interno da chave magnética, energizando o motor de par-
tida e forçando o pinhão a girar. Com o rotor girando, o pinhão encontra um vão na cremalhei-
ra e engrena. O fuso de avanço completa o engrenamento até que o pinhão se apóie no batente
que há no eixo do induzido. Assim o motor térmico passa a ser impulsionado pelo pinhão.

O motor térmico atinge um alto número de rotações logo após a partida. Se o acoplamento não
for desfeito imediatamente, o motor de partida poderia sofrer avarias. Porém, há um dispositivo
de segurança para prevenir danos se a chave continuar na posição de partida após o início do
funcionamento.

112
Fundamentos de eletroeletrônica

Esse dispositivo é a roda livre, a qual permite que o torque somente seja transmitido no sentido
do induzido para a cremalheira, e nunca no sentido contrário, para proteger o motor de partida
contra rotações excessivas.

Quando a chave de ignição é retirada da posição de partida, o circuito é desenergizado e a


mola de retrocesso provoca o retorno do pinhão, desacoplando-o da cremalheira. O pinhão
permanecerá retraído mesmo se houver trepidações.

Cuidados gerais
Somente acione o motor de partida com a alavanca de câmbio em ponto morto e, preferencial-
mente, continue acionando a embreagem.

113
Fundamentos de eletroeletrônica

Não deixe o motor de partida funcionando por mais de 5 segundos e, se for necessário dar
nova partida, aguarde no mínimo 10 segundos.

Desligue o condutor de massa da bateria antes de realizar qualquer serviço no motor de partida.

Não dê partida com as peças em movimento, para evitar danos ao pinhão e à cremalheira.

114
Fundamentos de eletroeletrônica

Observe que o induzido e as bobinas de campo não estejam em curto-circuito.

Não lave o conjunto pinhão/roda livre (conhecido como Bendix) com solventes.

Coloque as buchas do motor de partida em banho de óleo lubrificante (SAE 10W) por uma
hora, antes da montagem. Não use graxa.

Lubrifique os canais helicoidais e os dentes do pinhão com graxa à base de lítio.

115
Fundamentos de eletroeletrônica

Evite umidade durante a montagem para que não ocorra oxidação (ferrugem).

Coletor e escovas devem estar limpos e secos. Não use óleo ou graxa. O produto “clorothene” é
recomendado para a limpeza de peças elétricas.

Diagnóstico
Verifique inicialmente as condições da bateria e as ligações elétricas.

Para fazer os testes no veículo, ligue um amperímetro (em série) e um Voltímetro (em paralelo)
com o circuito principal do motor de partida, a fim de medir a tensão e o consumo de corrente.

116
Fundamentos de eletroeletrônica

Em seguida, acione a partida durante 10 segundos com o cabo da bobina desconectado e


faça as leituras de tensão e corrente, comparando os valores medidos com os valores da tabela
abaixo.

Obs.: Durante este teste, o motor de combustão não pode entrar em funcionamento. Para isto,
desligue o sistema de alimentação de combustível do motor.

Dados para funcionamento

No veículo
Tensão (V) >9.5
Corrente (A) 艑100
Na bancada (sem carga)
Tensão (V) 11.5
Corrente (A) 33 - 55
Rotação (rpm) 6.000 - 9.000

Se os valores não coincidirem, veja na tabela ao lado as prováveis causas.

Resultado da comparação Causa do inconveniente


- Mau contato entre as escovas e o coletor
Tensão normal e corrente baixa - Bobina ou induzido deficiente
- Contato interno da chave magnética deficiente
- Bobinas de campo em curto (à massa ou entre
espiras)
- Induzido em curto (à massa ou entre espiras)

Tensão baixa e corrente alta - Escovas ou suporte das escovas em curto-circuito


- Eixo do induzido emperrado
- Buchas presas
- Motor de combustão preso
- Terminais, pólos ou cabos da bateria com mau
Tensão baixa e corrente baixa contato
- Bateria fraca ou danificada

117
Fundamentos de eletroeletrônica

O inconveniente pode ser mecânico. Veja os problemas mais comuns e suas possíveis causas.

Inconvenientes Causas
- Chave de partida danificada
- Conexões entre chave de partida e solenóide
Chave magnética não funciona
interrompidas
- Chave magnética danificada
- Eixo do pinhão emperrado
- Pinhão ou cremalheira com dentes danificados ou
O induzido gira, mas o pinhão não engrena
com rebarbas
- Chave magnética danificada
O pinhão engrena, o induzido gira, mas a
- Embreagem (roda livre) do pinhão patinando
cremalheira não gira
Motor de partida continua girando após desli- - Comutador de ignição defeituoso
gar a chave de partida - Chave magnética danificada
Pinhão não desengrena após a partida - Mola de retrocesso fraca ou quebrada
Motor de partida funciona normalmente, mas
- Roda livre do pinhão emperrada
faz barulho ao desengrenar

01 - Pinhão 13 - Mancal do lado do coletor


02 - Arraste 14 - Porta-escova
03 - Mancal dianteiro 15 - Coletor
04 - Mola de engrenagem 16 - Escova
05 - Alavanca de comando 17 - Carcaça
06 - Mola de retrocesso 18 - Sapata polar
07 - Bobina de retenção 19 - Induzido
08 - Bobina de atração 20 - Bobina de campo
09 - Chave magnética 21 - Anel de guia
10 - Contato 22 - Batente
11 - Borne de ligação 23 - Roda livre
12 - Ponte de contato 24 - Eixo do induzido

118
Fundamentos de eletroeletrônica

O alternador e a sua função

119
Fundamentos de eletroeletrônica

O sistema de carga

O sistema de carga tem a função de fornecer energia elétrica aos consumidores elétricos do
veículo.

Os principais componentes deste sistema são:

B+
+ 30 D+ 2
+ 15
3

¥
¥
u 1 K
C H E F
40 å 5 4 å 1001km/h
20
140
30 x 100 50 80 160
20
á
>dx
V
60
4 60
40 ´ F
180
2 00
10 70
Visteon
w
Sab 22 Jan 20 < 220
0 Y c 80 2 7 2478 km CITY
0 Ü ¬
m 30 C 15 20 K
3 W g
t U è

1 - Bateria
v h

2 - Alternador
3 - Comutador de Ignição
4 - Quadro de instrumentos (lâmpada de recarga)

Alternador

O alternador é uma máquina elétrica giratória que transforma a energia mecânica fornecida
pelo motor de combustão interna em energia elétrica.

120
Fundamentos de eletroeletrônica

Sua finalidade é fornecer a energia elétrica necessária para recarregar a bateria e alimentar os
consumidores, como faróis, ar-condicionado, etc. durante o funcionamento do motor térmico.

O alternador gera tensão alternada, que é retificada logo em seguida para que possa ser utiliza-
da no veículo.

Os alternadores modernos são capazes de gerar uma grande quantidade de energia mesmo em
regime de marcha lenta.

A importância dessa vantagem se percebe principalmente em uma situação de “engarrafamento”


no trânsito, quando o veículo pode estar parado, mas com vários consumidores ligados.

121
Fundamentos de eletroeletrônica

As partes principais do alternador são:

1 - rotor com pólos tipo garras

2 - estator

3 - diodos retificadores

- diodos de excitação

- regulador de tensão

4 - tampas e mancais

3
1
2

Princípio de funcionamento
O funcionamento do alternador se baseia nos princípios do eletromagnetismo. Conforme vimos,
quando um condutor se movimenta dentro de um campo magnético, cortando suas linhas de
força ou sendo cortado por elas, aparece neste condutor uma força eletromotriz (ou tensão)
induzida.

122
Fundamentos de eletroeletrônica

No alternador, o campo magnético é produzido no rotor, que é composto de um eixo em torno


do qual há uma bobina de excitação. Duas metades polares tipo garras envolvem esta bobina.
As garras dos pólos se acoplam umas nas outras.

Quando uma corrente elétrica percorre a bobina de excitação, também chamada bobina de
campo, surge ao redor desta um campo magnético que enlaça os pólos. Assim, o conjunto de
garras de um dos lados se torna o pólo norte, enquanto o outro conjunto se torna o pólo sul.

No eixo do rotor também se encontram dois anéis coletores, ligados aos terminais da bobina de
excitação. A corrente elétrica de excitação da bobina do rotor irá fluir através das escovas que
são posicionadas sobre os anéis.

123
Fundamentos de eletroeletrônica

A intensidade do campo magnético na bobina do rotor será tanto maior quanto maiores forem a
intensidade da corrente de campo e a quantidade de espiras da bobina.

O estator é montado sobre o rotor, e se constitui de uma armadura circular feita de chapas
unidas. Na face interna se encontram sulcos que alojam um conjunto de três bobinas, formando
o enrolamento do estator.

Dependendo do tipo de alternador, as bobinas do estator podem estar ligadas em “estrela” (Y)
ou “triângulo” (△).

W V

W U

124
Fundamentos de eletroeletrônica

Esses dois tipos de ligação se distinguem quanto às tensões e às correntes de linha e de fase.
Tensão de linha é a tensão medida entre dois dos três terminais da ligação. Tensão de fase é a
que se mede entre as duas extremidades de cada bobina. Na ligação em “estrela” as correntes
de linha (IL) e de fase (IF) são iguais, enquanto que a tensão de linha (EL) é igual ao produto da
tensão de fase (EF) pela raiz quadrada de três.

EL

IL = IF
U
EF

W V
IL = IF
EL = EF . √3

Com as bobinas ligadas em “triângulo”, as tensões são iguais e a corrente de linha é igual à
corrente de fase multiplicada pela raiz quadrada de três.

E L= EF

IL

W U

IF

V IF
EL= E F I L= I F .• 3

Quando o virabrequim do motor de combustão está girando, esse movimento é transmitido ao


eixo do rotor do alternador por meio de uma correia. O campo magnético do rotor, quando em
movimento, passa a ser variável nas bobinas do estator, induzindo neste uma tensão trifásica.

125
Fundamentos de eletroeletrônica

As bobinas do estator estão defasadas em 120° entre si, independente do tipo de ligação
(Y ou △).

Dessa forma, as tensões induzidas também têm a mesma defasagem, ou seja, a tensão na saída
do estator é trifásica alternada. As fases são chamadas convencionalmente pelas letras “U”, “V”
e “W”.

As ondas de tensão têm formato senoidal.

v(0) 1 rotação
U

0
120° 240° 360°

v(0) V

120° 0

v(0) W

240° 0

v(0) U V W

1 período

126
Fundamentos de eletroeletrônica

A tensão trifásica que é gerada por este tipo de alternador resulta num melhor rendimento, em
comparação com os alternadores monofásicos.

No entanto, a tensão alternada senoidal não pode ser diretamente utilizada para a recarga da
bateria nem na alimentação dos componentes do veículo, que necessitam de tensão contínua.
Devido a isto, a tensão gerada pelo alternador é imediatamente retificada.

Esse processo é o que veremos a seguir.

Retificação da tensão alternada


Para retificar a tensão são utilizados diodos semicondutores. O diodo é um componente eletrô-
nico constituído de silício ou germânio, e sua principal característica é permitir a passagem de
corrente elétrica em apenas um sentido, bloqueando-a no sentido oposto.

Diodo LED - Diodo Diodos de Silício


emissor de luz à esquerda:
diodo com esmalte vitrificado
à direita:
diodo com revestimento de resina

127
Fundamentos de eletroeletrônica

O diodo se divide em duas partes, chamadas anodo e catodo. Veja o símbolo utilizado nos
esquemas elétricos.

A K

A - Anodo
K - Catodo

Estes componentes normalmente têm baixos limites de temperatura: aproximadamente 130°C.


Para que não se danifiquem por excesso de temperatura, os diodos do alternador são montados
sobre chapas metálicas dissipadoras de calor.

As chapas são polarizadas de acordo com a ligação dos diodos, sendo uma chapa positiva e
a outra negativa. Uma vez que as duas chapas recebem o mesmo tipo de fixação dos diodos,
utilizam-se diodos positivos e negativos que possuem polaridades opostas às suas carcaças
metálicas.

Diodo Positivo
Anodo

Sentido de Sentido de
passagem bloqueio

Catodo

Diodo Negativo
Catodo

Sentido de Sentido de
passagem bloqueio

Anodo

128
Fundamentos de eletroeletrônica

O diodo somente conduz corrente elétrica se estiver polarizado diretamente, isto é, o anodo (A)
deve receber potencial positivo em relação ao catodo (K). Se a polarização for inversa ele não
conduzirá corrente, nesse caso dizemos que ele está em corte.

A +

I Polarização direta
Diodo em “condução”

K -

A -

Polarização inversa
Diodo em “corte”
K +

Antes de ser retificada, a forma de onda da tensão gerada em uma fase do estator é uma senói-
de, com semiciclos positivos e negativos conforme vimos anteriormente.

Forma de onda produzida em uma fase


V(t) do estator (antes da retificação)

+ +

- - (t)

O diodo conduz somente nos semiciclos positivos, anulando os negativos. Dessa forma temos
uma tensão contínua pulsativa.

Forma de onda
V(t) após a retificação

+ +
(t)

129
Fundamentos de eletroeletrônica

Como a tensão gerada no estator é trifásica, a forma de onda após a retificação das três fases
mostra uma ondulação bem mais suave que a de uma onda retificada monofásica.

v(t)
U V U W V U W
+

(t)

1 período

Esse nível de ondulação da onda retificada trifásica ainda pode ser diminuído, deixando-a mais
parecida a uma onda de tensão contínua pura. Para isso coloca-se um capacitor ligado entre a
linha B+ e a massa.

Para a
B+
bateria e
consumidores

W V

O capacitor armazena energia nos instantes de subida da onda, descarregando-a nas descidas,
o que provoca a diminuição da ondulação, que é também conhecida como fator de “ripple”.

A bateria, assim como o capacitor, é conectada à saída B+ do alternador e à massa, ajudando


também a manter a tensão na saída do alternador com baixíssimos níveis de ondulação.

V Capacitor Capacitor Forma de onda após


em carga em descarga filtro capacitivo

Forma de onda após


retificação trifásica
t

130
Fundamentos de eletroeletrônica

Para analisarmos o funcionamento geral do alternador, vamos ver separadamente os circuitos


de pré-excitação, carga, excitação e regulador da tensão. Primeiro, observe o esquema elétrico
interno completo do alternador.

131
Fundamentos de eletroeletrônica

Circuito de pré-excitação
Sabe-se que, para o alternador começar a gerar a tensão que irá alimentar os componentes elé-
tricos do veículo e recarregar a bateria, é necessário fazer sua pré-excitação, através da alimen-
tação do rotor com tensão da bateria. A corrente que irá surgir no rotor fará com que apareça
neste um campo eletromagnético “constante”. Com o giro do rotor será criado um campo magné-
tico de intensidade variável no estator e, dessa forma, será gerada uma tensão induzida trifásica
alternada que será posteriormente retificada.

Vamos seguir o caminho percorrido pela corrente elétrica no circuito.

132
Fundamentos de eletroeletrônica

Com o comutador de ignição na posição “MAR”, a corrente sai do pólo positivo da bateria
(sentido convencional), passa pela lâmpada indicadora de carga e pelo resistor, que estão em
paralelo, entrando no terminal D+ do regulador de tensão. Daí, passa pelo resistor R1, diodo
D1, junção base-emissor do transistor TR1 retornando ao pólo negativo da bateria (massa).

Quando a corrente flui através da junção base-emissor do transistor TR1, este entra em condu-
ção, liberando a passagem de corrente no sentido coletor-emissor. Dessa forma a corrente irá
percorrer a bobina de campo do rotor, fazendo a pré-excitação do alternador.

+
Resistor (R)
Comutador Bateria
de ignição
-
Lâmpada
indicadora de carga
B+
D+

R2 Diodos de
R5 excitação
R1 D3
Z2 TR2
D1
R3 C1 R4

TR1
Regulador DF
de tensão

Campo (rotor) D1 D2 D3

Estator
D4 D5 D6

Diodos
retificadores

133
Fundamentos de eletroeletrônica

A lâmpada indicadora de carga, que deve ter no mínimo 3W de potência, fica acesa com a
chave de ignição na posição “MAR”, antes da partida do veículo.

O resistor ligado em paralelo com a lâmpada funciona como “by-pass”, oferecendo um caminho
alternativo para a corrente de pré-excitação caso a lâmpada se queime.

Além disso, a ligação em paralelo entre a lâmpada indicadora e o resistor diminui a resistência
total do circuito, aumentando a corrente de pré-excitação e a tensão inicial na partida do motor.

134
Fundamentos de eletroeletrônica

Circuito de carga
A tensão alternada trifásica produzida no enrolamento do estator é transformada em contínua
pulsativa por meio da ponte retificadora trifásica, composta dos 3 diodos retificadores positivos
e dos 3 negativos. Essa tensão retificada faz surgir a corrente que é levada através da linha B+
para ser utilizada na recarga da bateria e no funcionamento dos componentes eletroeletrônicos
do veículo. Se a tensão do alternador estiver menor que a da bateria, os diodos positivos blo-
queiam passagens de corrente no sentido da bateria para o alternador.

Consumidores

+
Resistor (R)
Comutador Bateria
de ignição
-
Lâmpada
indicadora de carga
B+
D+

R2 Diodos de
R5 excitação
R1 D3
Z2 TR2
D1
R3 C1 R4

TR1
Regulador DF
de tensão

Campo (rotor) D1 D2 D3

Estator
D4 D5 D6

Diodos
retificadores

135
Fundamentos de eletroeletrônica

As três bobinas se alteram no fornecimento da tensão para o circuito, ou seja, em um determina-


do momento temos geração entre as fases UW, depois VW, VU, WU, WV, UV. Veja, por exem-
plo, o circuito da corrente de carga para fase UW.

Diodos Diodos Diodos Diodos


Negativos Positivos negativos positivos
Consumidores Ângulo 120˚ Consumidores Ângulo 150˚
D- B+ + U V W D- B+ + U V W

V (0) - -
V (+)
N N ângulo 1500
U = pos.
W = neg.
Enrolamentos V=0 Enrolamentos U = pos.
do estator W (-) U (+) do estator W (-) U (+) W = pos.
Bateria Bateria
IW = IU + IV V = neg.
IW = IU

Em um sistema “estrela” equilibrado, a tensão no ponto neutro (junção entre as 3 bobinas) é


nula, isto é, se ligarmos uma carga entre este ponto e a massa não haverá fluxo de corrente.

W U V

In R

In = 0
Vn = 0

Podemos concluir que nesse caso IW + IU + IV = 0. Na prática, porém, as correntes não estão
em perfeito equilíbrio, devido a diferenças construtivas entre bobinas e ao posicionamento impre-
ciso das mesmas, podendo levar a pequenas fugas de corrente pelo ponto neutro.

Esse problema é acentuado em altas rotações, diminuindo a eficiência do alternador. Alguns al-
ternadores utilizam diodos de ponto neutro, que retificam essa corrente de desequilíbrio, aprovei-
tando-a para o circuito de recarga da bateria e para a alimentação dos consumidores.
B+

IU
In
IU + Iw + Iv + In = 0
Iv Iw

Dessa maneira se consegue um ganho de 10 a 15% na potência do alternador em altas rota-


ções.

136
Fundamentos de eletroeletrônica

Circuito de excitação
Quando o alternador está em funcionamento, a própria tensão gerada no estator é utilizada
para excitar o campo do rotor. Veja o sentido da corrente de excitação.

+
Resistor (R) Comutador
de ignição Bateria
-
Lâmpada
indicadora de carga
B+
D+

R2 Diodos de
R5 excitação
R1 D3
Z2 TR2
D1
R3 C1 R4

TR1
Regulador DF
de tensão

Campo (rotor) D1 D2 D3

Estator
D4 D5 D6

Diodos
retificadores

A tensão alternada trifásica é retificada pelos diodos de excitação e a corrente que surge passa
pela bobina de campo do rotor, terminal DF do regulador, transistor TR1 e daí até a massa. Para
fechar o circuito, essa corrente de excitação retorna ao estator passando pelos diodos retificado-
res negativos (D4, D5 e D6). A tensão retificada também alimenta o regulador de tensão, através
do terminal D+, e servirá de referência para sua atuação.

Logo que o gerador começa a gerar, a lâmpada indicadora de carga se apaga, pois fica subme-
tida à mesma tensão em ambos os terminais, não havendo diferença de potencial entre eles.

B + (≅14V )

Lâmpada
indicadora
de carga

D + (≅14V )

Agora, vejamos de que maneira é feita a regulagem da tensão de saída do alternador.

137
Fundamentos de eletroeletrônica

Regulador de tensão
O campo magnético do rotor, que corta as espiras do estator, varia muito devido às alterações
constantes na rotação do motor. Assim, as tensões induzidas nas bobinas do estator também
tendem a variar de amplitude.

O regulador de tensão, que normalmente é um circuito integrado, tem a finalidade de corrigir


estas variações, mantendo constante a tensão na saída do alternador, independente das solicita-
ções dos consumidores elétricos e das alterações na rotação do motor. As etapas de atuação do
regulador são as seguintes:

• A tensão na linha D+ aumenta quando o rotor do alternador gira mais rápido, elevando as
tensões nos resistores R2 em paralelo com R5 e R3.

D+

Rz
Vz + VB E

R3 Vz
Junção
B-E

138
Fundamentos de eletroeletrônica

• Quando a tensão em R3 atingir o valor de tensão zener (Vz) mais a queda de tensão da
junção base-emissor (VBE) do transistor TR2, o diodo zener Z2 passa a conduzir simultaneamente
aotransistor TR2, causando o corte de TR1.

• A passagem de corrente na bobina de campo do rotor cessa com o corte de TR1, fazendo
diminuir a tensão gerada no alternador e, conseqüentemente, a tensão em D+.

• Assim a tensão em R3 diminui, levando ao corte o diodo zener Z2, que corta TR2. Nesse
momento, TR1 volta a conduzir levando novamente alimentação à bobina do rotor.

+
Resistor (R) Comutador
de ignição Bateria
-
Lâmpada
indicadora de carga
B+
D+

R2 Diodos de
R5 excitação
R1 D3
Z2 TR2
D1
R3 C1 R4

TR1
Regulador DF
de tensão

Campo (rotor) D1 D2 D3

Estator
D4 D5 D6

Diodos
retificadores

Na prática não percebemos nenhuma variação na tensão de saída, independente da rotação,


pois o regulador faz o controle rapidamente. Alguns outros componentes complementam o circui-
to interno do alternador. São eles:

• Capacitor C1 - retarda variações bruscas de tensão em R3;

139
Fundamentos de eletroeletrônica

• Resistor R4 - evita excesso de corrente em TR1 quando em altas temperaturas;

• Diodo D3 - elimina efeitos da força contra-eletromotriz gerada na bobina de campo quando


ocorre o corte de corrente de excitação;

• Resistor R2 - é um resistor térmico, ou termistor, e varia a tensão regulada em função da tem-


peratura. Permite obter a tensão ideal para a recarga da bateria.

Vejamos agora como funciona o sistema de alimentação principal.

140
Fundamentos de eletroeletrônica

Sistema de alimentação principal

O sistema de alimentação principal é o sistema responsável pela distribuição de energia para os


sistemas eletroeletrônicos do automóvel. Este sistema é formado por:
• Bateria
• Alternador
• Motor de Partida
• Comutador de Ignição
• Caixa de fusíveis e relés
• Chicotes elétricos

A figura a seguir mostra o esquema elétrico do sistema de alimentação principal do FIAT UNO.

A11 A3
MOTOR DE ALTERNADOR COM REGULADOR
PARTIDA ELETRÔNICO INCORPORADO
+50
2 .5 V B

REG.

16 . 0 V
+30
M
B+ D+
10 . 0 V

10 . 0 V

1. 0 C A
2 .5 V B

1. 0 C A

CONEXÂO
BATERIA 4
INJEÇÃO
CONEXÂO G133b INJEÇÃO G133b
VÃO MOTOR
1. 0 C A
2 .5 V B

QUADRO DE
INSTRUMENTOS
2 .5 V B

1
INJEÇÃO
CONEXÂO G383
VÃO MOTOR
2 .5 V B

INJEÇÃO
023
6 .0 V

2 .5 V

G56
2 .5 V

CAIXA DE BORNES
DE DERIVAÇÃO
4 .0 V

2 .5 V B

16 . 0 V

A B 10 . 0 V G5
30A
15 / 5 4

CAIXA
+ 30

F
+ 50

DE FUSÍVEIS
I NT

PARK

16 . 0 P
I NT / A

STAZ.

+ -
A1
B1
BATERIA 000 MASSA
COMUTADOR DE IGNIÇÃO

141
Fundamentos de eletroeletrônica

É do sistema de alimentação principal que deriva a alimentação dos demais sistemas e a ele está
associada a função de partida de motor.

Entender o funcionamento de cada componente que o compõe e conhecer a maneira de testá-los


é de vital importância para o trabalho de manutenção no sistema eletroeletrônico do veículo.

Fusíveis e relés
Os fusíveis e relés são dispositivos muito comuns de serem encontrados nos sistemas elétricos. Na
maioria dos veículos eles estão alojados em duas centrais elétricas: a CPL (Central da Plancia) e
a CVM (Central Vão Motor).

Os Fusíveis são os dispositivos de segurança dos sistemas elétricos.

Em caso de sobrecarga ou curto-circuito, os fusíveis são os primeiros a se romper, protegendo os


chicotes elétricos e evitando maiores danos.

Eles possuem, estampados em seu corpo, o valor da corrente máxima suportada. Assim que a
corrente superar este limite, o fusível se rompe. Também é possível identificar a corrente máxima
de um fusível pela sua cor.

Atenção: Um fusível só pode ser substituído por outro de mesma especificação.

Se substituirmos um fusível por outro de capacidade maior estamos colocando em risco a segu-
rança dos ocupantes do veículo.

Sempre que um fusível rompido for encontrado, é muito importante diagnosticar a causa do
problema.

Como já foi visto na apostila, os relés são dispositivos eletromagnéticos que são utilizados para
controlar o funcionamento de dispositivos ou sistemas de alta potência por meio de baixas cor-
rentes de comando.

É muito importante observarmos o limite de capacidade de corrente de um relé. Este valor deter-
mina qual é o valor máximo de corrente que um rela suporta sem que sejam causados danos a
ele.

142
Fundamentos de eletroeletrônica

Chicotes elétricos
Os chicotes elétricos são componentes muito importantes no sistema eletroeletrônico do automó-
vel.

A sua função é conectar os componentes que compõem os diversos sistema eletroeletrônicos do


automóvel, como o sistema de alimentação principal, o sistema de iluminação, o sistema eletrôni-
co do motor etc.

Os principais componentes dos chicotes são:

Cabos elétricos

Os cabos são os condutores dos circuitos elétricos. A área de sua seção transversal varia em
função da corrente elétrica ele conduz. Por isto encontramos cabos de diferentes espessuras em
um mesmo chicote.

São revestidos de material isolante de pvc com cores diferentes. É pela cor, bitola ou localização
do terminal no conector que é possível identificar um cabo no chicote elétrico.

Conectores:

Os conectores possuem a função de alojar os terminais elétricos dos cabos que compõem o
chicote e de conectar o chicote a outro chicote ou a um componente.

Podem ter selos de borracha cuja função é proteger os terminais elétricos de água e poeira.

Guarnições:

São componentes cuja função é proteger o chicote elétrico. São instaladas normalmente em pon-
tos do chicote que passam por furos na carroceria do veículo, evitando que os cabos entrem em
contato direto com as chapas de aço. Além disso, fazem a vedação contra água e poeira.

Tubos de proteção:

Os tubos de proteção são utilizados nos pontos dos chicotes que ficam fora do habitáculo. Ser-
vem principalmente para proteger os condutores do calor gerado por partes quentes do automó-
vel.

Os principais chicotes elétricos de um automóvel são:

Chicote anterior

É o chicote responsável pela conexão


dos componentes que estão localizados
na parte dianteira do veículo, como
faróis, buzinas, limpadores dos vidros
etc.

143
Fundamentos de eletroeletrônica

Chicote Posterior

É o chicote responsável pela conexão dos


componentes que estão localizados na parte
traseira do veículo, como as lanternas, de-
sembaçador do vidro traseiro, limpador do
vidro traseiro etc.

É no chicote posterior que as portas dos


veículos estão conectadas.

Chicote da plancia

Assim como os outros chicotes, o chicote da plancia possui a função de conectar os componentes
que estão localizados próximos a ele. No caso do chicote da plancia, estes componentes são os
grupos de interruptores da plancia, o quadro de instrumentos, o rádio etc.

Além disto, normalmente é por meio de


conectores do chicote da plancia que o
chicote anterior e o chicote posterior se
unem. Por isto, o chicote da plancia é
chamado também de chicote principal.

Chicotes das portas

Os chicotes da portas possuem a função


de conectar os componentes que estão
instalados nas portas do veículo, como o
mecanismo do vidro elétrico, o mecanismo
de travamento da porta, o mecanismo do es-
pelho retrovisor, os interruptores de comando
dos vidros etc.

Chicote do motor

Possui a função de interligar os componentes


eletroeletrônicos do motor, como os sensores
do sistema de gerenciamento eletrônico do
motor, os injetores de combustível etc.

144
Fundamentos de eletroeletrônica

Demais chicotes

Além destes chicotes elétricos é bastante comum encontrarmos em nossos veículos chicotes meno-
res e com funções específicas. Como exemplo, podemos citar:
• Chicote do teto solar Skydome® ou Sky Window®;
• Chicote do motor de partida e alternador;
• Chicote do sistema Connect;
• Chicote do sensor de chuva/crepuscular e do retrovisor eletrocrômico, etc.

Pontos de massa
Os pontos de massa são os pontos de conexão dos componentes eletroeletrônicos do veículo
com a carroceria do veículo. Esta, por sua vez, está conectada ao pólo negativo da bateria.

Como o grupo motopropulsor também está conectado ao pólo negativo da bateria, é comum
encontrarmos pontos de massa no motor e na transmissão.

A figura abaixo mostra a localização dos pontos de massa do Idea:

Esperamos que você tenha aperfeiçoado seus conhecimentos nos assuntos abordados neste
módulo.

Até a próxima!

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Fundamentos de eletroeletrônica

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