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LEONARDO VIZEU FIGUEIREDO

Procurador Federal. lotado na Subprocuradoria lurídica


de Dívida Ativa da Comissão de Valores Mobiliários.
Especialista em Direíto Público pela UNESA/RJ.
Especialista em Direíto do Estado e Regulação de Mercados pelo CEPED/UER!.
Mestre em Direito Econômico Internacional pela Universidade Gama Filho/Rj.
Professor de Direíto Econômico e Processo Constitucional da Universidade Sama Úrsula.
Professor Palestrante de Direito ConstituCIOnal da EMERJ.
Professor Substítuto da Universidade Federal Fluminense (2006 ~ 2008).
Professor de Direito Constitucional do Centro Universitano plínio Leite.

Direito Econômico
para concursos

2011

EDITORA
fosPODIVM
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"Numa república, Quem é o país? li o governo do momento? Porque,
afinai, o governo é apenas um funclOnáno temporâno. Não pode ser a
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com responsabilidade': - Mark Twain.
civis cabivels.

"O orçamento nacIOnal deve ser equilibrado. As dívidas públicas de-


vem ser reduzidas, a arrogâncIa das autoridades deve ser moderada e
controlada. Os pagamentos a governos estrangeIros devem ser redUZI-
Rua Mato Grosso, 175 - Pituba,
dos, se a nação não qUiser Ir à falência. As pessoas devem novamente
aprender a trabalhar em vez de viver por conta pública." Marcus Tu
v
v

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lius Cícero, Roma, 55 AC.
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"Nascer. morrer. renasceramda, progredir sempre. Tal ea lei': Epitáfio
jUsPODIVM Site: www.editoraluspodivm.com.br
de Hippolyte Leon Demzard Rivail, pedagogo francês.

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DI!

II
61

II
li

DEDICATÓRIA

A Deus, pai amoroso de todas as horas. mais lusto de todos 05 magIs-


trados. advogado incansãvel de todas as nossas causas, fonte maior
de fé e inspiração.

A meus pais João e Wanette, pelo carmho. amor e dedicação. que me


acompanham desde o primeiro suspíro de vida.

A minha filha Clara. maIOr e maIS InspIrada de todas as mmhas


obras. Sem você por perto. os dias são menos daros e quentes e as
noites muíto mais densas e frias.

A meu Irmão Douglas. maior e melhor amigo que a vida me


presenteou.

A meus estagiários e alunos. maior fonte de Incentivo e motivação


nas atividades de procuradoria e magIsténo.

Obrigado pelo carinho e peja paciência. Agradeço ao Grande Arquite-


to pela iluminação de ter vocês em minha vida.

7
sUMÁRIo

Agradecimentos .............. ".... "...................... "....... ".. "." ...... "." .. ".. "."." .. "." .. ".. "." .. "................. " 15
Apresentação e nota do autor..................................................................................................... 19
Troca de experiêncIas ...................................................... ,............................................................. 21

Capítulo 1
DIREITO ECONÔMICO CONSTITUCIONAL ....................................................................... 25
1.1. Introdução ao Direito Econômico ................................................................................. 25
1.2. Autonomia do Direito Econôrnico................................................................................. 29
1.3. Liberalismo e Intervenclonísmo.................................................................................... 29
1.3.1. Estado Liberal........................................................................................................ 29
1.3.2. Estado IntervenciOnista Econômico ............................................................ 31
1.3.3. Estado IntervenclOlllsta SOcial....................................................................... 33
1.3.4. Estado Intervenciomsta Socíalista................................................................ 34
1.3.5. Estado Regulador ................................................................................................. 35
1.4. Constituição Econômica.................................................................................................... 37
1.5. Evolução das Constituições Econômicas no direito pátrIO................................. 40
1.6. Ordem Econômica na CRFB e seus valores ............................................................... 43
1.6.1. IllrISprudência selecionada.............................................................................. 45
1.7. PrmcíplOs da Ordem Econômica na CRFB................................................................. 48
1.7.1. Súmulas aplicáveis ............................................................................................... 52
1.7.2. Jurisprudência selecIonada.............................................................................. 52
1.8. Exercício de atividade econômica na CRFB .............................................................. 55
1.8.1. funsprudêncIa selecIOnada.............................................................................. 55
1.9. Formas de Intervenção do Estado na Ordem Econômica:
classificação dOlltrlnária................................................................................................... 56
1.9.1. Direito pátrio.......................................................................................................... 57
1.9.2. Direito comparado............................................................................................... 59
1.9.3. funsprudência selecIOnada.............................................................................. 61
1.10. Intervenção indireta do Estado na Ordem Econômica na CRFB...................... 62
1.10.1 Agente normativo e regulador.......................................................................... 63
1.10.2. Fiscalização econômica ..................................................................................... 70
1.10.3. Incentivo econômico........................................................................................... 71
1.10.4. Planelamento econômico.................................................................................. 72
1.10.5. furisprudêncla selecionada.............................................................................. 74
1.11. Investimentos estrangeiros ............................................................................................. 80
1.11.1. furisprudêncla selecionada.............................................................................. 85
1.12. Intervenção direta do Estado brasileiro na Ordem Econômica ....................... 86
1.12.1. Classificação das atividades econômicas ................................................... 89

9


B
Leonardo Vtzeu Rgueiredo Sumário

D
1.12.1.1. JurisprudêncIa selecionada......................................................... 91 1.18.4. AGU - ESAF - Procurador da Fazenda NacionaL.................................... 139
1.12.2. Exploração direta de atividade econômIca ............................................... 91 1.18.4.1. Procurador da Fazenda NacIOnal- 2007 ............................... 139
I 1.12.2.1. lurisprudência selecionada......................................................... 95 1.18.4.2. Procurador da Fazenda NacIOnal- 2006 ............................... 140
1.12.3. Prestação de ServIços Públicos ...................................................................... 97 1.18.4.3. Procurador da Fazenda Nacional- 2004 ............................... 141
1.12.3.1. JUrIsprudência selecIonada ......................................................... 105 1.18.4.4. Procurador da Fazenda Nacional- 2003 ............................... 141
• 1.12.4. Monopólio ............................................................................................................... 108
1.12.4.1. JUrIsprudência selecIonada ......................................................... 113
Gabarito ............................................................................................... 141
I
1.13. Exploração de Recursos Naturais.................................................................................. 115 Capítulo 2
I 1.13.1. jurisprudência selecionada.............................................................................. 118 DIREITO ECONÔMICO ADMINISTRATIVO ....................................................................... 147
1.14. Ordenação dos transportes .............................................................................................. 120 2.1. Direito da Concorrência .................................................................................................... 147
I
1.14.1. JurisprudêncIa selecionada .............................................................................. 123 2.1.1: Direito comparado ............................................................................................... 148
1.15. Microempresas e empresas de pequeno porte ....................................................... 123 2.1.2. Base doutrinária teleológica ............................................................................ 150
1.15.1. furisprudêncía selecionada .............................................................................. 125 2.1.3. Direito pátrIO .......................................................................................................... 151
11
1.16. Promoção e incentivo ao turismo ................................................................................. 125 2.1.4. Base nonnativa ...................................................................................................... 152
11 1.17. Quadros sinópticos .............................................................................................................. 126 2.1.5. Estrutura do Sistema Brasileiro de Proteção â Concorrência ........... 154
1.18. Questões de concursos públicos comentadas .......................................................... 131 2.1.5.1. Secretaria de Acompanhamento EconômICO - SEAE ........ 154
11 1.18.1. Magistratura federal ........................................................................................... 131 2.1.5.2. Secretaria de Direito Econômico .............................................. 156
11 1.18.1.1. Tribunal Regional Federal da l ' Região - 2009 - CESPE .. 131 2.1.5.3. Conselho Administrativo de Defesa Econômica ................. 157
1.18.1.2. Tribunal Regional Federal da 2' Região - 2007 .................... 131 2.1.6. Da compOSIção do CADE ................................................................................... 158
111
1.18.1.3. Tribunal Regional Federal da 3' Região - XI Concurso ...... 131 2.1.6.1. Dos Conselheiros do CADE .......................................................... 159
li 1.18.1.4. Tribunal Regional Federal da 4' Região - 2004 ..................... 132 2.1.6.2. Do Presidente do CADE ................................................................. 161
1.18.1.5. Tribunal Regional Federal da 5' Região - 2009 - CESPE .. 132 2.1.7. Do papel da AGU na Proteção da Concorrência ....................................... 161
Iil 1.18.2. Ministério Público Federal ............................................................................... 132 2.1.8. Do papel do MPFna Proteção da Concorrência ...................................... 170
l1li 1.18.2.1. 13' Concurso -1994........................................................................ 132
2.1.9. Da aplicação material e territorial da Lei .................................................. 174
1.18.2.2. 14' Concurso - 1995 ...................................................................... 133
111 2.1.10. Da responsabilização legal ............................................................................... 176
1.18.2.3. 15' Concurso - 1996 ...................................................................... 134
2.1.11. Da desconsideração da personalidade Jurídica ....................................... 179
Iil 1.18.2.4. 16' Concurso - 1997 ...................................................................... 135
2.1.12. Do conceito de mercado relevante................................................................ 180
1.18.2.5. 17' Concurso - 1998 ...................................................................... 135
111 2.1.13. Das infrações à ordem econõmica em caráter lato ................................ 181
1.18.2.6. 18' Concurso - 1999 ...................................................................... 135
2.1.14. Das infrações à ordem econômica em caráter estrito .......................... 184
111 1.18.2.7. 19' Concurso - 2000 ...................................................................... 136
1.18.2.8. 20' Concurso - 2003 ...................................................................... 136 2.1.15. Do controle de estruturas de mercado ....................................................... 188
111 1.18.2.9. 21' Concurso - 2003 ...................................................................... 136 2.1.16. Da regra da razão ................................................................................................. 190
1.18.2.10.22' Concurso - 2005 ...................................................................... 137 2.1.17. Das penalidades .................................................................................................... 193
111 2.1.18. Da prescrIção e do direito de ação ................................................................ 197
1.18.2.11.23' Concurso - 2006 ...................................................................... 137
111 1.18.3. AGU - CESPE - Advogado da União. 2.1.19. Do processo no SBPC .......................................................................................... 198
Procurador Federal e Procurador do BACEN ........................................... 137 2.1.19.1. Das averíguações preliminares.................................................. 198
111 2.1.19.2. Do processo admimstrativo ........................................................ 199
1.18.3.1. Procurador Federal- 2010 .......................................................... 137
111 1.18.3.2. Procurador do BACEN - 2009 ..................................................... 138 2.1.19.3. Do julgamento pelo CADE ............................................................ 202
1.18.3.3. Advogado da União - 2008........................................................... 138 2.1.19.4. Da medida preventiva e da ordem de cessação .................. 205
111 2.1.19.5. Do compromisso de cessação..................................................... 206
1.18.3.4. Procurador Federal- 2007 .......................................................... 138
lIf 1.18.3.5. Advogado da União - 2006 ........................................................... 139 2.1.19.6. Do compromisso de desempenho ............................................ 208

.. 1.18.3.6. Procurador Fede""l- 2004 .......................................................... 139


1.18.3.7. Advogado da União - 2003 ........................................................... 139
2.1.19.7. Do acordo de leniêncIa .................................................................. 209
2.1.19.8. Do processo de consulta ............................................................... 212
2.1.19.9. Da execução judicIal das deCIsões do CADE ......................... 214
l1li 1.18.3.8. Procurador Federal- 2002 .......................................................... 139
l1li 11
10
l1li
Leonardo ViZeu Figuetredo Sumáno

2.1.19.10. Da mtervençãojudicial ................................................................. 215 2.5.6. Taxa SELlC ............................................................................................................... 289


2.1.20. Quadros smópticos .............................................................................................. 216 2.5.7. Taxa referenCIal ..................................................................................................... 291
2.1.21. Questões de concursos públicos comentadas .......................................... 219 2.5.8. Questões de concursos públicos comentadas .......................................... 293
2.1.21.1. Magistratura Federa!... ................................................................... 219 2.5.8.1. Magistratura Federal ...................................................................... 293
2.1.21.2. Ministério Público Federal. .......................................................... 221 2.5.8.2. AGU - CESPE ...................................................................................... 294
2.1.21.3. AGU - CESPE ....................................................................................... 227 Gabarito ............................................................................................... 294
2.1.21.4. AGU - ESAF ......................................................................................... 228 2.5.9. Súmulas aplicáveis ............................................................................................... 294
Gabarito ............................................................................................... 231
2.1.22. lurisprudência selecIOnada .............................................................................. 238 Capítulo 3
2.2. Agências Reguladoras ........................................................................................................ 246 DIREITO ECONÔMICO INTERNACIONAL ........................................................................... 295
2.2.1. AgênCias Reguladoras no Direito Comparado ......................................... 249 3.1. Introdução ............................................................................................................................... 295
2.2.2. AgênCias reguladoras no direito pátrio ...................................................... 254 3.1.1. Conceito. obíetivo e fontes ................................................................................ 296
2.2.3. ConceIto e natureza jurídica ............................................................................ 255 3.1.2. Base normativa ...................................................................................................... 297
2.2.4. Previsão constitucíonal e caracteristicas ................................................... 256 3.1.3. Sujeitos e atores ínternadonais ..................................................................... 299
2.25. Regime de PessoaL ............................................................................................. 258 3.2. Integração econômica ........................................................................................................ 300
2.2.6. Formas de controle das Agências Reguladoras ....................................... 260 3.3. Acordo Geral de Tarifas e Comércio ............................................................................. 302
2.2.7. Deslegalização e poder normativo ................................................................ 261 3.3.1. Base normativa ...................................................................................................... 303
2.2.8. Legislação aplicável em maténa federa!... .................................................. 266 3.3.2. Principios ................................................................................................................. 304
2.2.9. Quadros sinópticos .............................................................................................. 266 3.4. A Orgamzação Mundial do Comércio ........................................................................... 304
2.2.10. Questões de concursos públicos comentadas .......................................... 268 3.4.1 Estrutura ....................................................................................................................... 305
2.2.10.1. Magistratura FederaL................................................................... 268 3.4.2. Funçães ..................................................................................................................... 306
2.2.10.2. Mimsténo Público FederaL ........................................................ 269 3.4.3. Sistema de Solução de Controvérsias .......................................................... 307
2.2.10.3. AGU - CESPE ....................................................................................... 271 3.5. Sistema BrasileIro de Defesa Comerclal..................................................................... 309
Gabarito ............................................................................................... 273 3.5.1. Infraçães ao Comércio Exterior ..................................................................... 311
2.2.11. lUrlsprudêncla selecionada .............................................................................. 275 3.5.2. Instrumentos de Defesa ComerciaL............................................................ 312
2.3. Agência Executiva ................................................................................................................ 277 3.6. Blocos EconômIcos .............................................................................................................. 314
2.3.1. Conceito .................................................................................................................... 277 3.6.1. União Européia ...................................................................................................... 314
2.3.2. Natureza jurídica e características ............................................................... 278 3.6.1.1. Evolução nonnativa ........................................................................ 314
2.3.3. Questões de concursos públicos comentadas .......................................... 279 3.6.1.2. Estrutura ............................................................................................. 316
Gabarito .................................................................................................................... 279 3.6.2. MERCOSUL .............................................................................................................. 317
2.4. Parcenas Público-Privadas .............................................................................................. 279 3.6.2.1. Principios ............................................................................................ 318
2.4.1. ConceIto e classificação ..................................................................................... 280 3.6.2.2. Base nonnativa ................................................................................. 319
2.4.2. Principios e pressupostos ................................................................................. 280 3.6.2.3. Estrutura ............................................................................................. 319
2.4.3. Da experiência européia e das expectativas brasileiras ...................... 281 3.6.2.3 Sistema de Solução de Controvérsias ........................................... 320
2.4.4. Questães de concursos públicos comentadas .......................................... 282 3.7. Quadros sinópticos .............................................................................................................. 321
2.5. Sistema Financeiro Nacional ........................................................................................... 282 3.8. Questães de concursos públicos comentadas .......................................................... 325
2.5.1. Base norma uva ...................................................................................................... 283 3.8.1. Magistratura Federal .......................................................................................... 325
2.5.2. Objetivos e função sOclal... ................................................................................ 284 3.8.2. MinIstério Público Federal ............................................................................... 327
2.5.3. Institulçães financeiras ...................................................................................... 285 3.8.3. AGU - CESPE ........................................................................................................... 327
2.5.4. Estrutura .................................................................................................................. 286 3.8.4. AGU - ESAF .............................................................................................................. 328
2.5.4.1. Órgãos normauvos .......................................................................... 286 Gabarito .................................................................................................................... 330
2.5.4.2. Entidades supelVlsoras ................................................................. 286 3.9. lunsprudência selecionada .............................................................................................. 331
2.5.4.3. Operadores ......................................................................................... 286
2.5.5. Correção monetárIa ............................................................................................. 287 Bibliografia ......................................................................................................................................... 335

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g 2;j
Ao Professor Doutor A1aôr Eduardo Scisímo (in momerian) CUia sabedoria
- - ~}
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e sensibilidade artística me inspiraram desde a infância para os estudos.

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;:1 Ao Professor Doutor Pedro Bloch, por sua determinação e orientação. que
:.1\ foram essenciais para moldar a pessoa que me tornei e superar os obstáculos
;;1
Li! da vida.
• :M! Aos Professores Doutores Ivan Anátocles e Guilbert PeIXoto, pela amizade.

I
<;:,
'cr
'.,
apoio e dedicação como docentes na Universidade Federal Flumtnense. que me
apresentaram o mundo acadêmico do Direito.
li
• Ao Professor Doutor Nagib Slaibi Filho (meu eterno meutor), pelas por-
tas que me abriu no meio acadêmico, pela amizade e pela confiança que sempre
• me dedicou. Exemplo de lisura e dedicação. tanto na magistratura quanto no

• meio acadêmico. trata-se de um jurista e humanIsta que realmente faz a dife-


rença e marca a vida de todos que tem o prazer de seu convíViO.
Ao Professor Luiz Ricardo Trindade Bacellar. pela paciência. apOlO e ami-
li
'.
zade que nunca me faltaram em todos 0$ momentos de nossa convivência.
'o', Ao Doutor Arnaldo AntônIo da Silva Ir., prImeiro mentor que tive no mun-
.. !
do jurídico, que me ensinou a preservar os valores kantianos de moral e ética
n
que norteiam o homem de bem. tão esquecidos nos dias de hOle. sobretudo nas
.,':
lides forenses .
! Ao Doutor SérgIO Galvão. que me despertou o espírito guerreiro e comba-
tivo. bem como a paixão pelas querelas judiciais. que todo operador do direito
deve possuir. em especial quando atua na defesa dos mteresses alheios.
Ao Doutor Cícero Augusto NasCimento de Andrade Figueiras, amigo e
I
mentor. que concluíu com primor meu processo de formação acadêmica e está-
gio judicial. cuia apoio. amizade e orientação foram fundamentais para minha
formação e sucesso profissional.

I Aos Doutores Lucila Carvalho Medeiros da Rocha. Hélio Verdussen de An-


drade Filho, Otâvio Augusto Lima de PiUa, Charles Franco. Edibaldo Homobono
Santabrigida e todos os companheiros de lide forense durante o período de tra-
balho e convivia na Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Aos Professores Doutores José Armando Falcão. Eliane José dos Santos.
Paulo Gustavo Saldanha Au/er. César VerÍssimo. Durval Pimenta de Castro Filho
e todos os docentes de Direito da Universidade Santa Úrsula, que fazem do en-
sino muito maís que uma profissão: um verdadeiro sacerdócio.

15
LelJnaroo Vtzeu Rguetredo Agradeomentos

Aos Professores Doutores AntônIo Plastina, Enca Maia Campelo Arruda, fundamentaIs para a minha formação acadêmica; muito maIS que um Professor
Jean Albert de Souza Saadi, João Marcos de Melo Marcondes. LucIa SCismlo Pon- de Direito. trata-se de um verdadeIro encantador de almas. Sua personalidade
tes. Ricardo Perlingeiro Mendes da Silva. SérvIO Túlio Santos VieIra e demaIs do- alia uma sabedoría salomômca a uma humildade franciscana. que se torna ob-
centes da Universidade Federal Fluminense. minha eterna casa. da qual ostento jeto de admiração e respeito por todos aqueles que tem o prazer de desfrutar
com orgulho o título de bacharel e guardo com carmho as memórias do período de sua companhIa e chamá-lo de professor. Seu exemplo e fidalguIa são uma
de professor substituto. inspiração constante.
Aos Professores DoutoresOzéas Lopes. Sérgio Eiras. SérgIO Grillo. Cândido Ao professor Marcos Juruena Villela Souto. agradeço os conhecimentos
Duarte. Alexandre. Rudolph Bruno e a todos os colegas da Faculdade de Direito mmistrados sobre DireIto e EconomIa, os quaIS despertaram em mim enorme
do Centro Universitário Plínio Leite. Juntos estamos construindo uma Escola sobre o tema. AdemaIs, sua senedade e seu rigor acadêmico em muito contri-
jurídica que. dentro em breve, será referência. buiram para mmha formação pessoal e acadêmIca; ele é um exemplo a ser se-
Aos Doutores Luis Alberto Lichstein. Cláudio Taufie. Marcelino Carvalho. guido por todos que pretendem se dedicar à VIda acadêmíca. Poder compartí-
Tânia Cnstina, Carlos César Amorin. Renato Paulino. Luciana Pels. Alexandre lhar de sua amIzade e de sua companhia fOI muito maIs que uma honra, fOI um
Pinheiro. Milla de Aguiar Vasconcelos. Carlos Melo [in memorlaml, Celso Filho. privilégIO e uma oportunídade única, pelo que serei eternamente grato.
Marcelo Mello. LUIZ Antônio Werdine, Camilla Neto. Renato Paulino, Leonard Ao professor Ricardo Lobo Torres. agradeço os benefícIOs recebidos com
QueIroz. Adail Blanco e todos os companheIros da Procuradoria Federal Espe- os conhecImentos filosóficos ensinados em Teona da Justiça. Suas aulas reve-
cIalizada na Comissão de Valores Mobiliános pela boa acolhida e pelas frutífe- laram-se muíto mais do que encontros acadêmicos. foram verdadeIros debates
ras discussões jurídicas que, sem sombra de dúvida. ennqueceram e muito este sobre as questões eXIstenciais do ser humano. despertando-me a paixão pela
trabalho. Além de serem companheIros de lide forense. são verdadeiros amigos leitura do tema. Não há palavras que façam jus à beleza de sua explanação e à
de todas as horas e constituem um dos melhores, senão o melhor. corpo jurídico clareza de seu discurso. que descortinam ao discente questões de alta indaga-
atuante no Brasil. ção e grande reflexão. aliando profundidade à simplicidade.
Aos Doutores Ednaldo Emerick e Maria de Fátima Silva de Araújo. pelo Prezados Professores Antônio Celso Alves Pereira. Marcos juruena Villela
belo patrocínio nas causas da VIda.
Souto. Ricardo Lobo Torres e Nagib Slaibi Filho. os Senhores representam tudo
Ao amigo e acadêmico de direito Guilherme Rodrigues de Andrade, cuja o que eu desejo ser e alcançar.
dedicação e apoio foram fundamentais para a conclusão do presente trabalho.
À amiga Adriana Nogueira Torres, cuia apoío e amizade incondicionais nunca
me faltaram.
Aos acadêmicos de direito Jeniffer Chrissie Leocádio, Júlia Santos de Olivei-
ra. Pilar Schweler Carneiro de Mendonça. Adwinnie Prince Cavalcanti Bernachl.
Gustavo Coutinho de Oliveira Bastos. Mariana Moreira Mendes e Francme Tasca
Galdino da Silva pela alegria e amizade do dia a dia. Em especial. não posso
deixar de registrar meus sinceros agradecimentos aos alunos do 6 2 período no-
turno. 2º semestre de 2010. da unidade de Camboínhas da UNlPLl. em especial
ao LUIZ Orlando Alves da Cruz. Regina Vilarinho da Cruz. Carlos Stuart Holmes
Buriti, Geraldo Ângelo Zófilo jr.. Felipe de Carvalho Telles. Maria Auxiliadora
Vale Mendes. Walma Feliz Menezes. Túlio Gorni. Yasmim Farsette VieIra Simões.
Renan Rodrigues Ramos. Taynne Mendes Silva. Fabiano Andrade Garcez. Michel
da Rocha Duarte e todos os demais discentes. Obngado pelo apoio e amizade
incondicionais.
Cumpre regIstrar. especialmente. meus mais profundos agradecimentos
ao Professor Antônio Celso Alves Pereira. CUia dedicação e paciência foram
16 17
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I
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I
APRESENTAÇÃO E NOTA DO AUTOR

Ao ser convidado pelo amigo Ricardo Didier para confeccIOnar a presente


obra, senti-me bastante honrado pela confiança depositada em meu trabalho
e deparei-me com um marco divisor em minha bibliografia: escrever doutri-
na voltada, exclusivamente. para o concursando, objetivando sua preparação e
aprovação. Diferente de minha produção bibliográfica anterior. que possui forte
viés acadêmico. filosófico e interdisciplinar. este livro é voltado unicamente à
aplicação do Direito Econômico para concurso público.
Para tanto, é sumariado com base nos princípais programas de concursos
públicos que eXigem Direito Econômico dentro de seu conteúdo. Sua prosa é
construída de forma mais direta e objetiva, de maneira a aliar praticidade e ob-
jetividade ao fator tempo. essenciais aos que buscam lograr êxito em certames
para carreiras Jurídicas no Brasil.
Em relação á magistratura, por melo de sua Resolução n Q 75, de 2007. o Con-
selho Nacional de Justiça mcluIU o Direito EconômIco na relação mínima de disci-
plinas do programa do certame para o concurso de Juiz federal substituto. reque-
rido no Direito do Consumidor. no Bloco I de matérias. Vale observar que a 1'. 2' e
5ª Cortes Regionais Federais foram píoneiras em incluir o Direito Econômíco em
seus programas de concursos. Do exame recente das últimas provas, depreende-
se que são solicitados pontos relativos a Liberalismo e Intervencionismo. Direito
Econômico Constitucional e Direito de Proteção a Concorrência.
No concurso do Ministério Público Federal, nos termos da Resolução n Q
93, de 2007. do Conselho Superior do MPF, o Direito Econômico é ponto cons-
tante no Grupo li de disciplinas, igualmente Junto com o Direito do Consumidor,
requerendo-se. via de regra, cinco a dez questões sobre o tema. Os pontos mais
exigidos nesse concurso são o Direito de Proteção â Concorrência e o Direito
Econômico ConstitucionaL
No que se refere à Advocacia Geral da União, ela sempre exigiu o Direito
EconômIco em seu conteúdo programático. sendo ponto constante no Grupo 1
de matérias. requerida em conjunto com Direito Financeiro. devidamente regu-
lamentado nos termos da Resolução nº 1. de 14 de maio de 2002. de seu Con-
selho Superior. Esteve presente em todos os certames de suas quatro carreIras.
com as especificidades a seguir listadas: para Advogado da União. eXigi-se com
maís freqüência o Direito Econômico Constitucíonal; para Procurador da Fazen-
da Nacional, Direito de Proteção à Concorrência e Direito EconômIco Interna-
cional; para as carreiras de Procurador Federal e Procurador do Banco Central
do Brasil, Direito EconômIco Constitucional. Direito de Proteção á Concorrência
e Direito Econômico Internacional.

19
Leonardo VIZeu figueiredo

Em relação às demais carreiras jurídicas. mormente as estaduais e munici-


país. o Direito EconômIco costuma ser requerido dentro de Direito ConstitucIo-
moCA DE EXPERIrnCIAS
nal. mormente quanto ao ponto Ordem Econômica (Direito Econômico Consti-
tuCIOnal), que é exigido com relativa freqüêncIa nas carreiras de AdvocacIa de
Estado. Em que pese não haver uma regra absoluta para a aprovação em concur-
Constrói-se, portanto, o sumário a partir de estudo comparativo entre os so público. uma vez que. dentre os diversos aprovados que já lograram êxito.
programas da MagIstratura Federal. nas CInCO regiões do pais. do Ministério Pu- depara-se com as mais diferentes realidades de vida, peço vênia ao leitor para
blico Federal. das quatro carreiras da Advocacia Geral da União, a saber. Advo- compartilhar mmha experiência pessoal. no afã de poder ser. de alguma forma,
gado da União. Procurador da Fazenda Nacional. Procurador Federal e Procura- útil a quem está se preparando.
dor do Banco Central do Brasil, bem como das demais carreiras estaduais que já Minha formação acadêmica inclUi quatro anos de Curso TécnICO em Cons-
exigem o Direito Econômico em seus programas. trução Civil. com especialização em Edificações. minIstrado. entre 1989 e 1993.
Para tanto. o pnmeiro capítulo é dedicado ao Direito Econômico Constitu- com maestria no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fon-
cional, que trata do estudo da constituição econômica brasileira, tanto em sen- seca.localizado na Capital do Estado do Rio de Janeiro. no BaIrro do Maracanã.
tido formal quanto em material. esmiuçando o tratamento jurídico dado pelo Inobstante haver optado pelo Direito. quando da escolha da Graduação em Ní-
constituinte de 1988 á ordem econômica pátrIa. Tal ponto é presença constante vel Supenor, a experiência no 2º grau técnICO fOi essencial e ímpar para minha
em todos os concursos públicos da atualidade. ainda que não especifiquem o formação. Isso porque, por meio das ciênCIas exatas (naturais), tive a oportuni-
direito econômico. sendo solicitado dentro do direito constitucional. dade de desenvolver raciocínio lÓgIco-matemático. pelo contato com a Teona
O capítulo segundo é consagrado ao estudo do Direito EconômIco Admmis- CartesIana' do Ceticísmo Metodológico. ASSIm, ao iniCIar meus estudos de direI-
trativo. analisando as principais normas mfraconstitucionals dedicadas ao tema. to, procurei analisar as variáveís que envolviam minhas necessidades e possibI-
a saber. a Lei brasileira de Proteção á Concorrência (Lei Antitruste - nO 8.884. de lidades. Tendo sido aluno de Universidade Pública Federal. da qual ostento com
1994), as Agências Reguladoras. bem como ao Sistema Financeiro Nacional. Esses orgulho o diploma, percebi que dOIS dos prIncipais fatores que mfluenciavam
itens representam temas corriqueiros exigidos em praticamente todos os concur- diretamente os meus estudos eram o tempo e a concentração.
sos públicos que requerem direito econômico em seus programas.
Respeítadas as divergências conceituaís, sempre entendi o tempo como
Por fim. o capítulo terceiro se presta ao estudo do Direito EconômIco In- um continuum inexorâvet que nos guía para uma entropia perfeita, sendo uma
ternacional. dedicando-se a temas como mtegração econômica. Organização grandeza de caráter irrecuperável. quando não bem aproveitado. Simplificando
Mundial do Comércio. MERCOSUL. bem como ao Sistema BrasileIro de Comér- o conceito. socorro-me de um dos grandes letristas da música brasileira, que
cio Exterior e Defesa ComercIal. Trata-se de ponto atualíssimo. cUJa doutrina minha geração teve o prazer de conhecer, o líder da Legião Urbana. Renato Rus-
é escassa, porém vem sendo amplamente exigido em concursos públicos para so: "Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou, mas tenho
diversas carreiras jurídicas em todo o pais.
muito tempo. Temos todo o tempo do mundo" (Tempo Perdido).
O texto doutrínárío objetiva dotar o concursando com os conhecimentos
necessârios para a resolução das questões. sejam as subjetivas, selam as objeti- Por sua vez, a concentração era. para mIm. a qualidade do meu estudo.
vas. e a consecução do objetivo final da aprovação. IStO é. quanto eu me dedicava ao aprendizado. Percebi, desde os primeiros
períodos na Faculdade de Direito da Umversidade Federal Fluminense. que o
Por fim, entremeia-se a prosa doutrmária com questões de concursos. de-
vidamente gabaritadas e comentadas. a apresentação de JUrIsprudência recente
e selecionada sobre cada tema, bem como a indicação de fontes bibliográficas 1. René Descartes (1596-1650) fOI um filósofo. fíSICO e matemático francês. O método cartesiano con-
para estudos suplementares. siste no Ceticismo MetodolÓgiCO. nada tendo a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideta que
não seia clara e distinta. Descartes mstitulU a dúvida: só se pode dizer que eXiste aquilo que puder
Feitas essas breves notas e apresentação, deseja-se ao leitor bons estudos ser pr~vado. sendo o ato de duvidar mdubitável. Baseado niSSO, Descartes busca provar a exIstência
e sucesso em sua aprovação. do proprio eu (quem duvida, portanto. e SUjeito de algo - ego cogito ergo Sum - eu que penso. logo
exiStO) e de Deus. Considera-se Descartes muito Importante por sua descoberta da geometna ana·
Niterói, setembro de 2010 Iítica. Até Descartes. a geometna e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da
Maremática. Descartes mostrou como traduZir problemas de geometIia para a álgebra. abordando
DAutor esses problemas por um Sistema de coordenadas

20 21
Leonardo Vtzeu Figueiredo Troca de experH!ndas

aproveitamento de minha leitura técnica estava aliada ao prazer que ela me mas em um lazer, teremos a qualidade necessária para que o estudo torne-se
proporcIOnava. Assim, pude finalmente entender o alcance da obra de Sigmund um hábito prazeroso. Reporto-me a uma frase atribuída a Gabriel Garcia Már-
Freud 2 ao afirmar que era o prazer que motivava o ser humano e compreender quez que. em mmha opínião, ê de um dos maiores escrítores de todos os tem-
a extensão de uma frase atribuída a Mahatma Gandhi': "Encontre um ofícío que pos: "Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que
lhe dê prazer e não terá que trabalhar mais nenhum dia de sua vida", a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta",
Da influência dos três pensadores acima, pude equacIOnar. matematica- Observe-se que outras variáveis. igualmente importantes. não se revelam
mente. em um plano gráfico cartesiano. meus estudos, com uma meta final: a decIsivas para que se alcance a aprovação. Basta aliar a dedicação à qualidade
aprovação. que o tempo, por mais exíguo que seja. em virtude dos compromissos pessoais
que a vida não raro nos exigeJ torna-se muito bem aproveitado. não sendo fator
Tempo
Impeditivo para a aprovação.
.___ ._._._Aprovação Durante a graduação, desde cedo procurei imciar minha experiência pro-
fiSSIOnal. No 4 Q período. no ano de 1996, estagiei na área empresanal, inicial-
mente no Banco Nacional de DesenvolVImento Econômico e Social - BNDES,
onde. por Z anos, militei na Área Operacional Z. Departamento de Análise 4.
destinado a bens de consumo duráveis no setor auto motivo. e, posteriormente.
na Companhia Brasileira de Petróleo lpiranga, na Procuradoria especIalizada
em matéria contratual. durante, aproximadamente. 7 meses.
A partir do 6Q periodo, no ano de 1997, por mfluêncla de alguns colegas de
1---...--.----+-..--.-...-.....---.---..-................"",AP rova çã o saia de aula, comecei a estudar para concurso público, logrando êxito e aprovação
no cargo de Técnico Judiciário no Tribunal Federal da Z' Região. No 10 Q período,
no ano de 1999. em que me gradueI. comecei por conta própna os estudos para o
Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, logrando êxito e, ainda por conta pró-
Concentração pria, prestei concurso para o cargo de Advogado da Universidade do Estado do
Visualizando o gráfico retro. !acil perceber que, quanto mais paixão e dedi- Rio de Janeiro. no qual fui aprovado na 14" posição, em que pese terem convoca-
cação tivermos em nossos estudos. menos tempo levaremos para alcançar nos- do. inicIalmente, apenas os seIs primeiros colocados. Causou-me muita felicidade
sa meta final: a aprovação. Por outro lado. quanto menos qualidade aplicarmos essa aprovação, pois na última etapa fui submetido a exame oral, sendo arguido
em nossa leitura, mais tempo levaremos para lograr o mesmo resultado. em Direito Tributário pelo Professor Ricardo Lobo Torres (obtendo grau 7), em
Direito Civil pelo Professor Gustavo Tepedino (obtendo grau 10) e em Direito Pro-
O aproveitamento é derivado do grau de prazer que o estudo pode nos cessual Civil pelo Professor Humberto Dalla (obtendo grau 10).
proporcionar. Assim, quando descobrirmos uma motivação que nos impulSione
e nos dê um real objetivo a alcançar. transformando a jornada não em um pesar, Motivado por essa aprovação. comecei a me preparar para outros con-
cursos em cursos especializados. objetivando a Advocacia Pública de Estado.
Ao prestar os pnmeiros exames. percebi que minha preparação estava muito
aquém do que era preciso para lograr êxito e, nas palavras do eterno trlcolor
2. Sigmund Freud (1856·1939) foi um médico neurologista austriaco. fundador da pSicanálise. O
objetivo da terapia freudiana ou pSicanálise ê, relacionando conceitos da mente cartesiana e da Nelson Rodrigues. "calcei as sandálias da humildade". Assim, no ano de ZOOO.
hidráUlíca, mover (mediante a associação livre e da mterpretação dos sonhos) os pensamentos e voltei ao método de estudo cartesiano. pois meu tempo estava cada vez mais
sentimentos reprimidos (explicados como uma forma de energia) pelo consciente para permitir ao exíguo e precioso. necessitando ser aproveitado ao máXImo.
SUjeito a catarse que provocaria a cura automática.
3. Mohandas Karamchand Gandhi. conhecido pqpularmente por Mahatma Gandhi ("Mahatma". do Finalmente, no ano de ZOOZ. ingressei na Procuradoria Geral Federal, sen-
sânscrito 'ít Grande Alma~ 1869 - 1948) fOI um dos idealizadores e fundadores do moderno Esta.
do Indiano e um influente defensor do Satyagraha (princípiO da não-agressão. forma não-Violenta
do empossado no cargo de Procurador Federal. em maio de Z003, no qual me
de protesto) como Um meIO de revolução. encontro até os dias atuais.

22 23
Lponardo VlZeu figueiredo

Outro obstáculo que tive de superar foi a disfenia (gagueira) que me acom-
CAPlruLo 1
panha desde a mais tenra idade. originaria de dificuldade respIratória adVInda
de adenóides de que naSCI portador; eles são um traço característico de mi-
nha família paterna. Uma vez que não consegUIa respirar pelas vias nasaís. mas
DIRBTO ECONÔMICO
somente pela via oraJ, mmha fala restou comprometida durante a infâncIa e a
adolescência. Como cresci admirando a docência, por influência de mInha tia
CONSIIWaONAL
Wilma Vizeu da Silva. sempre sonhei em dar aula. Aprendi com esta irmã. das
nove de minha mãe. que o conhecimento somente se torna precioso quando e ~ S~l.o; 1.1. Introdução ao Direito Econômico -1.2. Autonomia do Direito Econômico
umversalizado e compartilhado por todos. Tendo me submetido a tratamento - 1.3. Liberalismo e Intervenciomsmo: 1.3.1. Estado Liberal; 1.3.2. Estado mterve~clomsta Eco-
fonoaudiológico, psicológico e médico. tive a honra e o prazer de conVIVer e ser nômico: 1.3,3, Estado IntervenCionlsta Social; 1.3.4. Estado lntervencionista S_oclahsta;~ 1.3.5. Es-
paciente do Dr. Pedro Bloch', um dos maiores especialistas em fala do mundo. tado Regulador - 1.4. Constituição Econômica - 1.5. Evolução das Constitulçoes E,conomlcas no
que. com sua sabedoria e humildade. mostrou-me que limite é uma barreira que direito pâtrto - 1.6. Ordem Econômica na CRFB e seus valores: 1.6.1. I.urlsprudêncla seleclO~ada
- 1.7. Principias da Ordem Econômica na CRFB: 1.7.1. Súmulas aplicavels: 1.7...2. luns~rudencla
o ser humano se impõe. Basta esforço e dedicação que a superação e o êxito se seleCIOnada - 1.8. ExerciclO de atividade econômica na CRFB; 1.8.1. lunsprudenCia s~[eclOnada
tornam a consequência lógica de nossos atos 5 , - 1.9. Formas de Intervenção do Estado na Ordem Econômica: classificação doutnnana: _1.9.1.
Direito pátno; 1.9.2. Direito comparado; 1.9.3, Junsprudêncla seleCIOnada -1.10.lntervençao in-
Somado a isso. procurei preparar-me devidamente para o desafio da sala direta do Estado na Ordem Econômica na CRFB: .1.10.1. Agente normativo e re~(ador; 1.10.2.
de aula e voltei a estudar após a aprovação pela qual tanto batalhei. Especiali- Fiscalização econômica; 1.10.3. Incentivo econômico; 1.10.4. Planejamento eco~nomlco; 1.10.5.
[UrisprudênCla seleCIOnada - 1.11. Investimentos estrangeiros: 1._11.1 IUrlsprudencl: sele~lOna­
zeI-me em Direito Público (UNESA). Direito do Estado e Regulação de Merca-
da - 1.12. Intervenção direta do Estado brasileiro na Ordem Econom:ca: 1.12.1. Classlficaça~ das

I dos (CEPED (UER)) e fiz o Mestrado em Direito . com foco em Direito Econômi-
co Internacional (Universidade Gama Filho). quando tive o prazer e a honra de
ser aluno e desfrutar da amizade de grandes expoentes do Direito Fluminense.
atividades econômicas; 1.12.2. Exploração direta de atividade economlca; 1.12.3. Presta~o de
Serviços Públicos; 1.12.4. Monopólio - 1.13. Exploração de Recursos Na~rals - ,1.13.1. TUrlspru-
dêncla seleCIOnada - 1.14. Ordenação dos transportes: 1.14.1.lurlsprudencla selecIOnada - 1.15.
Microempresas e empresas de pequeno porte: 1.15.1. lUrisprudênc:a seleCIOnada - 1.16. promo~
como Nagib Slaibi Filho. Marcos juruena ViIlela Souto. Ricardo Lobo Torres, ção e Incentivo ao turismo - 1.17. Quadros stnópticos - 1.18. Questoes de concurso com~ntadas.
Antônio Celso Alves PereIra, Alexandre dos Santos Aragão. Ricardo Lodi. roão 1.18. Resolução de exames de concursos públicos: 1.18.1. Magistratura federal; 1.18.2. Mlnlsténo
Mendes, dentre tantos. Público Federal; 1.18.3. AGU - CESPE - Advogado da União, Procurador Federal e Procurador do
BACEN: 1.18.4. AGU - ESAF - Procurador da Fazenda NaCIOnal.
Logrei êxito em colocar-me como Professor Substituto na UniversIdade
Federal Fluminense. após aprovado em 4" lugar no processo seletivo. ocupando
cátedras no ensino superior na Universidade Santa Úrsula e no Centro Universi-
1.1. INTRODUÇÃO AO DIREITO ECONÔMICO
táno PlíniO LeIte. bem como em cursos preparatórios e de pós-graduação. Antes de iniciar o estudo do direito econômico, positivado no texto constitu-
cional. faz-se necessário discorrer sobre alguns conceitos basilares sobre o t~ma.
Fica a lição. o abraço e o desejo de sucesso aos leitores. oriundos de minha
experiência pessoal. a fim de dotar o leitor do conteúdo necessário para a compreensão da matena.
As noções introdutórias e os conceitos doutrinários ora apresentados so-
bre Direito Econômico são pontos constantes nos programas da Magistratura.~e­
deral. do Ministério Público Federal e das carreiras da Advocacia Geral da Umao.
sendo necessário. na preparação do concursando. o seu aprendIzado.

4. Pedro Bloch (1914 -2004J fOi um médico fomatra, Jornalista, compositor. poeta. dramaturgo e au-
,
~.~~~-~~~--~~---~--

tor de livros Infanto-Iuvems, que se consagrou como autor de maiS de cem livros e um dos maIOres
especialistas em fala do mundo.
) --7A~! . . ..
) Direito econômico é ramo de direito público Que normatlza e dlsapl!na as formas
pelas quais o Estado está autorízado a Interferí: no processo de geração ~e .r:n-
5. Passo aos leitores que estão dedicando alguns minutos de sua vida a leitura destas Singelas frases }
a seguinte lição: para uma pessoa que nasceu com a fala defiCiente, sendo, muitas vezes, penora- ) das e riquezas da Nação. nos limites e perspectivas deterrmnados na ConstltulçaO.
tivamente chamada de "gago" ou "gaguinho~, não eXiste felicidade maIOr do Que falar e ser ouvido.
Atuaimente, chama-se tal implicânCia de Bullying, termo Inglês utilizado para descrever atos de
) Objetiva. dessarte. garantir que o Estado, por meio d~ intervenção na Ordem
Violência física ou pSicológica, intencIOnaiS e repetidos, praticados por indivíduo ou grupo para .) Econômica. alcance metas e resultados socialmente dese!avels. previamente esta-
Intimidar ou perturbar terceiros.
!~.~b~e~l~e~Ci~d~o~s:e~m~s~e~u~p~l~a~n~eJ~a~m~e~n~t~o:e~c~o~n~ô~m~i~Co~.============================::==-
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Leonardo Vaeu Figuetredo Direito EconÔmico Constttuaonal

No magistério do Mimstro Eros Roberto Grau': de MancadaS, Assume um viés maís socíaI. uma vez que objetiva viabilizar as
"Pensar o Direito Econômico é pensar o Direito como um nível do políticas públicas do Estado por meio de sua mtervenção na Ordem Econômica.
todo social - nivel da realidade, pois - como mediação específica e Por sua vez. a análise econômica do direito e cátedra jurídica oriunda da escola
necessâna das realidades econômicas. Pensar Direito EconômIco e de direito norte-americana (Law and Economics), cujo prmcipal expoente e Ri-
optar peja adoção de um modelo de interpretação essencialmente chard AlIen Posner6 Tem como objetivo prinCipal avaliar o impacto econômico-
teleológIca, funcIOnaI, que Instrumentará toda a interpretação iuri~
financeiro das leis e políticas públicas sobre a sociedade, dentro de uma pers-
dica, no sentido de que conforma a interpretação de todo o direito. É
comp;eender que a realidade Jurídica não se resume ao direito for~ pectiva de economicidade. comparando os benefícíos sociais face aos custos e
mal. E concebê~lo - o Direito EconômIco - como um novo sentido ônus que eles trazem.
de análise. substancial e crítica, que o transforma não em Direito de
síntese, mas em sincretismo metodológico". Ilustrando a diferenciação acima apontada. cabe citar o magistérIo de Ví-
tor Ferna'ldes Gonçalves:
Por sua vez, Fábio Konder Comparato leciona que o Direito Econômíco é
"Ao contrãrlo do Direito EconômIco, que se ocupa do estudo. de um
"o conjunto das técnicas Jurídicas de que lança mão o Estado contemporâneo na
realização de sua política econômica''l, ponto de vista Jurídico, de temas de EconomIa, notadamente de Ma~
croeconomia, como o controle da mflação. da livre concorrênCia, do
OutrossIm. na ilustre pena de Washington Peluso Albino de Souza' se tra- equilíbrio dos mercados e dos diversos sectores produtivos da 50·
ta do "(. ..) ramo do Direito. composto por um conjunto de normas de conteúdo ciedade, assim como com cidos de creSCImento e políticas de desen-
volvimento econômico, a Análise Econômica do Direíto - AED, faz
econômico e que tem por objeto regulamentar medidas de política econômica re-
exatamente o oposto: cuida de analisar, de um ponto de Vista eco~
ferentes âs relações e interesses individuais e coletivos, harmonÍzando~as - pelo nômico. a eficiência das regras lurídicas que regulam assuntos não
prinCÍpio da economicidade - com a ideologia adotada na ordem jurídica." Visados diretamente pela Economia e pela MacroeconomJa, e que se
P'~A~!"~~~~~~'~''-'==~~~~~-'-"===""'='-~i encontram dispostos nos diversos ramos do Direito. (...) AED revela-
se mais um modelo de raciocímo, aplicâvel a todos os ramos do Direi-
.~~ R I '
esta c aro que o Direito Econômico tem como ponto central o estudo das políticas (:
to. indistintamente. A propósito, aliás, a AED como que constitui uma
certa espeCialização de uma matéria multidisciplinar denominada
~ públicas macroeconômicas de determinada Nação, sendo elas espaclal~temporarial~ r'
"Direito e EconomIa" (Law and Economics). Com um nítido caráter
1
1
mente limitadas a cada pen"odo histórico em que se vive. f filosófico. o estudo de Law and Economlcs tem por finalidade avaliar
• e comparar como os arranJos sociais, políticos e econômicos de uma
Dos conceitos acima, infere-se que o Direito Econômico foi concebido comunidade, refletem ou não as respectivas ideologias adotadas, e
c?mo ramo i,:rídico próprio do Estado Intervencionista, que assume caracte- em que extensão taiS arranios influem na elaboração das regras le~
nstícas especIficas. de acordo com a porção geográfica e momento em que se gals eXistentes nesta mesma comunidade. Muito mais restrita em seu
estude, conforme será mais bem esmiuçado adiante. objeto. a AED analisa, em termos econômicos. a eficiênCia das regras
legaís. a princípIO sob o prisma do capitalismo e da livre circulação
Torna-se impreSCindível estabelecer a diferença entre o Direito Econômico de nquezas. bem como tendo em conta conceitos econômicos de am~
e a Análise EconômIca do Direito. pIa aceitação, em relação aos quais não faz qualquer questionamento
de ordem filosófica:'1
O Direito Econômico é ramo Jurídico próprio e autônomo. com preVIsão e
reconhecimento na atual Constituição da República Federativa do Brasil. Tem Segundo Letárcio lansen. "enquanto o Direito Econômico trataria, pois, da
sua gênese nas escolas européias de direito lusitana e francesa. das quais me- intervenção do Estado no domínio econômico (ou. maIs do que ISSO. da próprIa
recem destaque autores de escol como André de Ladaubére' e Luis S. Cabral direção da EconomlO pelo Direito). a Análise Econômica do Direito estaria preo-
cupada inversamente. com a Intervenção da economia no Estado.'''il
l

1. GRAU, Eros Roberto. A Ordem econômIca Na COnstituição de 1988 (Interpretação e Critica). 7i1 ed.
São Paulo. 2002. p.179 e 180.
2. in, O Indispensável Direito Econômico. Revista dos TribunaiS. Vol. 353. 1968. 5. MONCADA. Luis S. Cabral de. Direito EconômiCo, 3" edição. Portugal: Editora COImbra. 2000.
3. SOUZA,. Washingto.n Peluso Albino de. Direito ~conâmjco. São Paulo: Saraiva. 1980. p. 3. 6. POSNER. RICHARD A. EI AnaJisis Econamlca Del Derecho. 2" Ed. Madrid. 2007.
4. LAUBADERE. Andre de: Droit public economique, 1979. by JURlSPRUDENCE GENERALE DALLOZ PA. 7. GONÇALVES, Vitor Fernandes. A Análise EconômICa da Responsabilidade Civil Extracantratual. In Re-
RIS; Tradução e notas de Mana Teresa Costa revista por Evaristo Mendes: Direito Público Econô:nico vista Forense, vaI. 357, p. 1Z9~130.
(titulo nos países de língua portuguesa); COimbra: Almedina.198S. 8. IANSEN, LetarclO. Uma Breve Introdução à EcanOmfajurldica. Revista Forense, vaI. 369, p. 141.

26 27
L~nardo Vu:eu Figueiredo Direito Econômlco Constitucional

Como todo ramo autônomo Jurídico. o direito econômíco possuí princípios 1.2. AUTONOMIA DO DIREITO ECONÔMICO
gerais que o regem. Para qualificar a natureza do principIO como norma Jurídica,
adotamos a classificação de Ronald Dworkm'. na qual se entende o princípIO como Um ramo íurídico pode ser considerado autônomo quando lhe é consti-
a norma orientadora da produção da atividade legIslativa. bem como da execução tuCiOnalmente reconhecida competência legislativa, bem como princípIOS que
e aplicação das leis. Assim. na produção das normas de direito econômico (Le- regerão a atividade de sua produção normativa.
gislativo), bem como no seu fiel cumpnmento (Executivo) e subsunção às situa- Merece destaque que. no campo do Direito comparado. a autonomia c~nfe~
ções fáticas concretas Oudicláriol, dever-se-ão observar os seguintes princípios: nda pela Constituição da República Federativa do Brasil ao Direito Econê.mico e
reconhecida pelos doutrinadores lusitanos. sendo uma constante em palses de
a) economicidade: de aplicação precípua ao Poder Público. Significa que.
colOnização ibérica. Nesse sentido, enfatizamos:
na produção de suas políticas públicas macroeconômicas. deverá o Es-
tado primar pela defesa e manutenção do creSCImento econômico. com ''A sistematização doutrinária e CIentífica do Direito Econômico
vistas a transformá-lo em desenvolvimento socIal: como diSCiplina lurídica autônoma tomou corpo primeiramente na
Alemanha, sob a Constitulção de Weimar. e não por acaso. pOIS fOI
b) eficiência: de aplicação precípua ao setor privado. Traduz-se na viabi- esta Constituição a pnmeira a Inserir a vida econômica de forma es~
lidade que o Estado deve garantir ao agente particular. quando da ex- pecífica e desenvolvida como objecto da lei fundamental. (...) Resta
acrescentar que a disciplina de Direito Econômico tem come~­
ploração de atividade econômica, visando a permitir que se alcancem
do igualmente a afinnar-se no Brasil e noutros paises da Ame-
os melhores resultados para o mercado; rica Latina, bem como sob influência da doutrina portuguesa,
c) generalidade: garante a isonomia ao mercado. proibindo a criação de nos países africanos de língua oficial portuguesa" 10. (Grifamos)
privilégios odiosos e injustificáveis a agentes específicos. de maneira ..
---------~-~--~ _.--_._--_._--------~~--_.

que todos os que queiram explorar atividade econômica possam fazê-


lo sem interferências externas. Desta feita. o princípio da generalidade Aatual Constituição da República Federativa do Brasil consagra competência legls-
assegura que o mercado selecione, pelo processo natural da livre com- latlva concorrente da União. Estados e Distrito Federal sobre normas de direito eco·
petiçãoJ os agentes mais aptos a atenderem os anseios consumeristas. nômlco. a teor do art. 24. I, estabelecendo. ainda, uma série de prindpíos explícitos.
ofertando bens qualitativamente diferenciados. por preços quantitati- regedores de sua Ordem Econômica, nos nove incisos do art. 170.
vamente inferiores. <·".,~,i_!_i.,.~

-_. -~_._~~----
1.3. LIBERALISMO E INTERVENCIONISMO
)
y O estudo das doutrinas liberais e intervencionistas. dentro do Direito Eco-
~
(MPFI199Z!lÓO Concurso) O ato governamental que Impõe proibição de exportação
de certo produto, impedindo o exportador de cumprir compromisso com a empresa
nômico e da Teona do Estado, são pontos constantes no programa das carreiras
1 da Advocacia Geral da União, da MagIstratura Federal. bem como do Ministéno
contratada, quanto ao seu contetido, conceitua-se como ato de:
)
a) direito adminl'strativo; Público Federal.
) b) direíto econômico;
~ c) direito comercial;
Observe-se que. de acordo com a doutrina adotada. o pOSicionamento es-
'-
) d) direito das finanças; tatal em face de sua Ordem Econômica assume feições diversas. com reflexos no
) texto constitucional. '.-

) Resposta: b) Direito econômico é ramo de direito público que normalIZa e discmllna as formas
) pelas quOls o Estado encontra-se auronzado a tntertenr no processo de geracao de rendas e nque- 1.3.1. Estado Liberal

), __ ~z:a=S:da==Na=ç=ã=a.=n=a=S=lim=i:,e=s=e=p=e==~pe:cr=i=va=s=d=e=re=rm=,=na=d=a=s:na==ca=~==firu='='@=a=_=================' O modelo de Estado Liberal nasce da necessidade de proteção da esfera de


domíniO privado dos indivíduos face ao avanço predatório que o modelo estatal

10. SANTOS. AntÔniO Carlos dos; GONÇALVES, Mana Eduardai MARQUES. Mana Manuel Leitão. Direito
9. DWORKIN. Ronald. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes. 2005. EconômICO, 4~ edição. COImbra: Almedina. Portugal. 2002. p. 11 e 12.

28
29
l~onardo Vueu Figueiredo Direito EconômiCO Canstituaonal

absolutista exercia sobre o cidadão comum. Tal necessidade de defesa de liber- Conforme bem observado por Nagib Slaibi Filho, o Estado Liberal carac-
dades individuais. com caráter de direito fundamental é apontada com prima- tenza-se por uma postura abstencionista, uma vez que atua de forma neutra e
zia pelos filósofos escoceses Thomas Hobbes e fohn Locke". imparCIal no que tange à atividade econômica. Na lição do ilustre constitucIO-
nalista pátrio:
No plano econômiCO, o Estado Liberal é fruto direto das doutrmas do fi- "O Estado liberal e absenteista quanto à atuação na Economía (...)
lósofo escocês Adam Smith 12 , que defendia que a harmonia social serIa alcan- Se o Estado absenteísta pretende deixar flUIr as forças naturais do
çada por meio da liberdade de mercado, aliando-se a persecução do interesse mercado, ISto e. não cornge nem dinge os aspectos econômICOS, já
prIvado dos agentes econômicos a um ambiente concorrencialmente equili- o Estado mtervencionIsta atua sobre a ordem econôrnÍCa, legislando
brado. Por melO do devido processo competitivo, os agentes maiS aptos iriam e transformando os fatores de produção. de acordo com o ideàrio
se sobressaí r ante os menos eficientes, sendo estes naturalmente eliminados. político que Inspira sua atuação:' 14
Desse modo, em um mercado. cujos participantes estão em constante disputa Apos a derrocada do modelo estatal de liberalismo, conforme já. exposto,
para atrair maior número de consumidores, estes experImentam os benefí- houve a ascensão de uma nova forma de posicionamento do Poder PublIco em
cios da competição, tendo à disposição produtos e bens qualitativamente dife- face da economia e dos mercados. não havendo mais que se falar em libera-
renciados, por preços cada vez menores, garantindo, assim. a maximização de lismo puro, mas em diferentes formas e aspectos intervencionistas, cada qual
seu nível de bem estar sócio-econômico. Essa teoria econômica é denominada influenciado pelo ideário político da corrente partidária que se encontra no po-
de Mão invisível. der, variando muito com a porção geográfica que se analisa, conforme adiante
explicitado.
)
ESTADO L.I6ERAL
>)
~ ~
o Estado Liberal consubstancia~se. no plano Jurídico. nos pnncípios da autonomia
)
)
'-,
de vontade privada e no dirigísmo contratual (pacta sun! servanda). tendo como
expressões his!óríco-constitucíonars os textos norte-americano de 1787 e francês de
1789.
--------
PODER PÚBL.lCO
• Manutençã d
.--------
IrrOR f'RI'IADO
Nesse sentido, cabe citar o magIstério de Manoel Afonso Vazo
• Defesa do
;,' •
Es:d a ordem interna; '":,
. o na ordem extema'~
5 "menta econômícO;
• crescI -I
, Garantia e cumprimento • • Desenvolvimento saCia
"Laissez-falre, laissez-passer: le monde va de lui~même - eiS o lema das obrigações pactuadas.
apontado por Adam Smith que. na sua Investigação sobre a Natureza
e as Causas da Riqueza das Nações (1776), preconizava: cessem to~
das as medidas de limitação e surgn<l. por SI próprio o sistema claro
e Simples da liberdade natural. ( ...) De acordo com o sistema da liber-
dade natural só restam ao Estado três funções para desempenhar: 1.3.2. Estado Intervencionista Econômico
a) a obrigação de defender a nação contra as VIolações e ataques de
outras nações independentes: b) a obrigação de salvaguardar todo O modelo de intervenclOnismo econômico é fruto da derrocada do li-
membro da própria nação contra ataques. mesmo legaiS, de todos os beralismo norte-americano, que culminou com a quebra da bolsa de Nova
outros. ou sela, manter uma legislação ímparcJaI; c) criar e manter York, em 1929, e da adoção do New Deal de Franldin Delano Roosevelt, no
certas instituições públicas, CUIa criação e manutenção não possam qual se entrou no modelo de federalismo cooperativo, bem. como da cr~se do
ser eS{Jeradas da IniCiativa privada." 13 liberalismo inglês, com a quebra do padrão ouro como parametro do cambIO
internacional.
Esse modelo intervenclOnista é fortemente influenciado pelas doutrinas
de john Maynard Keynes, que em sua obra Teoria Geral do Emprego, do furo e
11. O Levlatã -1651: e Uma dissertação sobre o entendimento humano - 1690.
12. Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das Nações - 1776.
13. VAZ. Manoei Afonso. Direito econômico - a ordem econômica portUguesa. COImbra: COimbra Ed.
14. SLAISI FILHO. Nagib. Direito Constituc/onai. 4ó! ed. Ria de janeiro: Forense. 2004. p.862 e 863.
1985. p.1S.
31
30
\Leonardo VlZeu Figueiredo Direito Económtco Constituaonal

da Moeda 1s expôs suas teses sobre economia política. demonstrando que o ní- INTé:RVé:NCIONISMO é:CONÔMICO
vel de emprego e, por corolário, do desenvolvimento sócio-econômico, se deve
muito maIS às políticas públicas implementadas pelo governo, aSSIm como a PODé:R PÚBI-ICO
certos fatores gerais macroeconômicos. e não meramente ao somatório dos • Garantia da ordem Interna:
comportamentos individuais, mícroeconômlcos dos empresárIos. • Defesa da ordem externa:
• Garantia do cumprimento das obrigações pactuadas;
No plano econômico, baseia-se na Teoria dos lagos desenvolvida pelo • Defesa do Mercado a fim de assegurar
matemático suíço John Von Neumann, no início do século XX, que analisa a o crescimento econômico.
forma como agentes econômicos ou sociais definem sua atuação no merca-
do, considerando as possiveis ações e estratégias dos demais agentes econô- SErraR PRIVADO
mlcos1 6 •
• Exploração de atividades econômicas;
A teoria dos Jogos estuda as caracteristicas dos atores da economIa. as po- • Desenvolvimento social.
lítIcas empresariais de cada um deles e os possíveis resultados, diante de cada
estratégia. para avaliar as prováveís decisões que esses agentes tomarão. Assim.
sendo o mercado um ambiente extremamente competitivo e não cooperativo 1.3.3. Estado Intervencionista Social
na sua essêncía, a probabilidade de dois ou mais agentes obterem resultados
idênticos ou semelhantes é praticamente zero. O modelo de mtervencíonismo social. mais conheCido como Welfare Sta-
te ou Estado do bem estar social ou Estado da Providência, foi o adotado na
Logo, quando dOÍs ou mais agentes concorrentes entre SI apresentam re- Europa Ocidental, tendo expressão maior em países como França, Alemanha e
sultados parecidos, há fortes indícios de que estejam combmando suas estra- Portugal.
tégiaS previamente, adotando conduta cartelizada. Ressalte-se que essa teoria
constituiu sígnificativo avanço nas ciências econômIcas e SOCIaiS, pois permite Tal modelo de intervencionismo baseia-se na seguridade social, em que o
examinar-se o comportamento do agente pnvado em interação com os demais Poder Público atua compartilhando os riscos mdividuais de vida (doença, In-
concorrentes, e não só de forma isolada. validez, morte, dentre outros) entre todos os membros e segmentos sociais, de
maneira que, por meio de um cálculo atuarial. toda a sociedade irá contribuir
para o Estado e este ira promover a justa distribuição de renda entre aqueles
)
que, por qualquer razão, estejam privados de sua capacidade laborativa, seja de
.l
No plano jurídico se consubstancia o princípio da defesa do mercado ou defesa forma temporária ou permanente.
da concorrência. sem apresentar. contudo. maíores preocupações na seara social.
.l Nesse modelo estatal. a interferênCIa do Poder Público, por meio de seu plane· No plano econômico Igualmente se baseia na Teoria dos Jogos de jotIn Von
lamento econômico. limita·se a proteção à concorrênCia. em que assegura aos Neumann e nas doutrinas de lohn Maynard Keynes, adotando políticas públicas
J agentes econômícos equidade no devido processo competitivo. permitindo-lhes de planejamento econômico.
,
) entrar e saIr do mercado. de acordo com sua respectiva livre imclativa. Prima-se. t
portanto. em políticas públicas de cresCimento econômico e amplíacão da gera cão
,
-
) de trabalho produtivo. a saber. busca do pleno emprego. assegurando-se renda
)
) -7 A tuv;§.o!
contudo, do modelo de intervenclomsmo econômico, uma vez que. f
I
)
)
mimma substanciosa. para que o indivíduo de per se pague por todos os bens de
que necessita. ,}
Diferencia~se,
no plano Jurídico. consubstanCia-se no princípiO da solidariedade. Neste modelo o ,,
-- -- --'-~-.-,..,.~~~
! Estado assume responsabilidades socíais crescentes, em caráter de prestações po- ,i
) sitivas. como a previdência. habitaçao. saúde. educaçao, assístência social e sanea- I
) menta. ampliando. cada vez mais. seu legue de atuação como prestador de serviços
) públiCOS essendaís. Outrossim. o Estado atua como empreendedor substítuto em
f:- ,
) áreas e setores considerados estratégicos para o desenvolvimento da Nação. uma
15. KEYNES, rohn Maynard. Teoria Geral da Emprego, do Jura e da Moeda. São Paulo: Ed. Atlas. 1982.
16. BAIRD. Douglas G., Gertner. Robert H. and Picker, Randal c.. Game Theoryand the Law. Cambridge- ~~~~v=e:z=g:u~e=a=s:su=m=e==o:o=a:p=e='d=e==se=r=o=:~==n=d=e=e=n=Ie=:ga=~::n:tid=o=r=d=o==d:es=e=n=v=o=IV=ím=e=n=t=o~s:o~cí=a~l.:jif '-
MA: Harvard UnlVersity Press, 1998.

32 33
'; Leonardo Vaeu Rgueiredo Direito EconÔmtco Constitucional

INTERVENCIONISMO SOCIAL Diferente, todaVia. dos outros modelos de intervencíonismo. o socialismo


prega a coletivização dos fatores de produção, substituindo-se a liberdade de con-
PODER PÚBI..ICO corrência e a livre inicíativa pela planificação econômica estatal. centralizado em
• Garantia da ordem interna: torno do Poder Público. rejeitando-se, sistematicamente. a partiCIpação e autono-
• Defesa da ordem externa: mia das decisões pnvadas no processo de condução política da VIda econômIca e
• Garantía do cumprimento das obrigações pactuadas: social da Nação. A prática revelou que o Estado Socialista é inoperante diante da di-
• Defesa do Mercado a fim de assegurar versidade das necessidades mdividuais de cada um dos membros da coletividade.
o crescimento econômico;
• Assunção de prestações sociais positivas. INTERVENCIONISMO SOCIAI..ISTA

PODER PÚBI..ICO
• Garantía da ordem interna;
• Exploração de atividades econômicas; • Defesa da ordem externa;
;, , • Desenvolvimento socíal. • Garantia do cumprimento das Obrigações pactuadas;
• Defesa do Mercado a fim de assegurar
o crescimento econômico;
1.3.4. Estado Intervencionista Socialista
• Assunção de prestações sociais positivas:
Esse modelo de intervencionísmo. adotado no Leste Europeu. na China • Exploração de atividades econômicas;
Maoísta. bem como em Cuba Castrísta. foi ideologicamente inaugurado com a • Desenvolvimento social.
Revolução Bolchevique do outubro vermelho (1914). A Constituição russa de
. .," . "

1918 foi a primeira constituição que adotou a forma de Estado SOCIalista no


mundo. positivando o ideário da Revolução de 1914. Posteriormente. a Cons- SETOR PRIVADO
tituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. de 1924. foi a primeIra
que trouxe um plano geral de economia nacional. Aliiado do processo econômico de geração
de renda e riquezas.
É a forma intervenciomsta máxima do Estado. que adota uma política eco-
nômica planificada. baseada na valorização do coletivo sobre o individual. O
Poder Público passa a ser o centro exclusivo para as deliberações referentes à 1.3.5. Estado Regulador
economia.
Em virtude do insucesso dos modelos intervencionistas. tanto socIal.
Os bens de produção são apropriados coletivamente pela SOCIedade por
quanto socialista, bem como do econômico! houve necessidade de o Estado re-
meio do Estado. de modo que ele passa a ser o único produtor, vendedor e em-
pensar nas formas pelas quais interfere no processo de geração de riquezas,
pregador. A livre concorrência e a liberdade de mercado são literalmente subs-
bem como na realização de políticas públicas de inclusão social e de repartição
tituídas pela planificação econômica racional e centralizada em torno do Poder
de renda.
Público. rejeitando-se. sistematicamente. a autonomia das decisões privadas.
r.c.=.·""··ú""··.""q·",,,~."/~·,,,,-.",··om'uc"U'"""'-"···~~.o..·.~~~"""'" •."'.~~"",,""~""'~"~''''_-.~ Para tanto. abandona a planificação econômIca socialista e a crescente
~ ~A~! l assunção de responsabilidades coletivas do modelo SOCIal. sem. todavía, voltar
} No plano econômico baseía-se na teoria da planificação proposta por lêmn. de- ~' ao liberalismo econômico puro idealizado por Adam Smith.
~ fendida por Trotsky' operacíonalizada e mantida por Stalin. No plano Jurídico, con- r Desarte, busca-se com esse modelo um retorno comedido aos ideais do
~ substancia~se no dP~?dcípi~ da suraPremdaaa dOdintere,SS,e PUd"bIiCO. mditigad ndpo os anseios f liberalismo. sem. contudo. abandonar a necessidade de sociabilidade dos bens
~.: e expectativas in IVI uals em ce a vonta e co etlva a socle a e. reocupa-se.
f' basicamente. com o bem comum e as necessidades da coletividade. em detrimento do
essenciais. a fim de se garantir a dignidade da pessoa humana.
}) liberalismo individual. FOI concebido com base nas idéias de filósofos que apontaram CaracterIza-se numa nova concepção para a presença do Estado na econo-
_> os efeitos excludentes e exploratórios do liberalismo econômico e a necessidade de se r; mia. como ente garantidor e regulador da atividade econômica. que volta a se ba-
~~,~::ef~e~tí=va~r:p:o~':hi:~=S~:de::!u:s:ta==di~~=n=·b=U:íÇ=ã:o~d=e:r=e=n=d:as:.:a=s:a=b=e~r,:F~n=ed~n:'rn~H:e~g:e:'=e:K:a=r'=M~a=~~=='f sear na livre iniciativa e na liberdade de mercado. bem como na desestatização

34 35
\ Leonardo V'1zeu Figuetredo Direito EconômIco Constituoonai

das atividades econômicas e redução sistemática dos encargos sociais. com o ESTADO RECiU/..,ADOR
fito de assegurar equilíbrio nas contas públicas. Todavia. não se desvia o Poder
Público da contextualização social, garantindo, ainda, poder focalizar seus es- PODER PÚB/.../CO
forços nos serviços públicos essenciaís. /
• Manutenção da ordem interna:
Malgrado se baseie na Teoria dos jogos de john Von Neumann, o Estado ado- • Defesa da ordem externa;
SETOR "", IV."'"
ta a solução denominada Equilíbrio de Nash, como forma de aperfeiçoar seu papel • Garantia de cumprimento das obrigações pactuadas;
em face de sua Ordem Econômica. A teona do matemático norte-americano, ga- • Defesa do mercado para assegurar
nhador do PrêmIO Nobel, john Nash, aprofundou os estudos da competição entre o crescimento econômico;
• Assunção de prestações sociais positivas:
os agentes econômICOS. mormente em relação â aplicação da Teona dos fogos em
• Exploração SUBSIDIÁRIA de atívidades
ambientes não cooperativos. como e o mercado econômico. Denomina-se Equilí- econômicas;
bno de Nash a solução para determmado mercado competitivo, no qual nenhum • Desenvolvimento social.
agente pode maximizar seus resultados, diante da estratégta de outros agentes 17 •
A análise combinada das estratégias de mercado a serem escolhidas le-
vará. segundo Nash. a um resultado do qual nenhum agente individualmente
)
experimentarâ prejuízo em vista da estratégia de mercado de outros agentes,
)
garantindo o êxito da atividade econômica e a salutar manutenção do mercado. (MPF!I3" Concurso/1994) O principio básico do liberalismo econômico assenta-se:
Em outras palavras. Nash demonstrou que onde não há o pressuposto basilar a) na tun ão social da ro riedade:
de ambientes concorrencialmente saudáveis! a persecução do interesse privado b) no tratamento favorecido ás empresas brasileiras de capítal nacional de pequeno
irá meramente conduzir aos monopólios cujos efeitos. no médio e longo prazo. porte;
serão permciosos. cJ na redução das desigualdades regionais e SOCIais e na busca do pleno emprego:
d) na liberdade de imciatlva e na economl'a de mercado.
AssIm. para a salutar manutenção da Ordem EconômÍCa! evitando a con-
centração de poder econômico e seu uso abusivo. necessário se faz que o Estado Resposta: d) OEstado liberal consubstanCIO-se, no plano íUrÍdico, nos prmci/Jlos da au[onomlO
fomente a livre concorrência, por meio de políticas que assegurem a participa- de vontade privada e no dirigismo contratual (pacto sunt servandaJ.
ção e permanêncIa de todos os agentes concorrentes entre si em seus respecti-
vos mercados. Portanto. em mercados que não partem da premissa da concor-
rênCIa saudável. mister se faz que o Estado intervenha de maneira a garantir 1.4. CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA
que a realização do interesse coletivo assegure a todos o atingimento de seus
O presente ponto vem sendo constantemente exigido nas bancas para a
mteresses particulares. ainda que experimentem resultados mínimos. pulveri-
Magistratura Federal e para o Ministéno Público Federal, conforme análise de
zando-se. dessarte, o poderio econômico. a fim de evitar seu uso abusivo.
provas anteriores. Em que pese ser de compreensão relativamente fácil. vale a
~~~~.,~"

') pena uma leitura mais atenciosa, a fim de se consolidar os conceitos de forma
') mais clara, evitando eventuais equívocos que podem custar pontos preciosos
No plano jurídico. fundamenta-se no princípio da subsldfariedade. no qual o Poder \ em concurso público.
)
público somente irá concentrar seus esforços nas âreas em que a iníciatíva privada.
)
por sí, não consiga alcançar o interesse coletívo. Assím. a iniciativa de exploração O surgimento do Direito Econômico! como ramo do direito autônomo, ê
) das atívidades econômicas retoma á Iniciativa privada. que irá realizá-Ia dentro de fenômeno relativamente recente. Isso porque. durante muito tempo, após a
,
D um conjunto de planejamento estatal previamente normatizado para tanto. com o
fito de condUZIr o mercado â realização e consecucao de metas SOCIalmente desejá-
consolidação do modelo de Estado Democrático de Direito, prevelecla o Ide-
árIa do liberalismo econômíco. fato que mitigava e, não raro. anulava a legi-
) veIs. que irao garantir o desenvolvimento sócio-econômico da Nação.
timação do Poder Público para interferIr no processo de geração de rique-
zas da Nação. É de se ressaltar que, pela mfluência liberal. característica dos
primeiros textos constitucionais modernos. que primavam pela defesa das
17. SAMUELSON. Paul A e NOROHAUS, William D. Economia. Rio de janeiro: Mcgraw-Hü1.1999, p.199. liberdades indiVIduaIs. não se diSCIplinavam normas relativas ao mercado.

36 37
\ Leonardo VlZeu figueiredo Direito EconÔmlCO Constitucional

Acreditava-se que o setor privado se auto-regularIa por meio do devido pro-


~ i
cesso competitivo. no quaL aliando-se a busca do mteresse privado a um am- ,;} -7 A"·'·
~
• =-,/ i
bIente concorrenclalmente equilibrado. tr-se-ia alcançar os melhores resul- No campo do direito constitucional comparado. podemos destacar que a primei- i"
tados para a soctedade. atingindo os melhores niveis de bem estar social e ? ra constituição legada ao mundo que tratava sobre materia econômica foi a carta i'
econômico 18 , ? olítica do México. de o de fevereiro de 1 1 . Essa constitui ão foi a rlmelra a !
, dis or sobre ro riedade "vada. tratando das formas ori inárias e derivadas de
~~,~,-~._-' ~ .. ~~
.~-_._--'-'-'~~"
> sua a uisi ao. Aboliu seu caráter absoluto, submetendo seu uso ao interesse úbli-
,) -7 AtiM.ç&! f) co, originando. assim. o orlncíol'o da função sacia! da propriedade. Ta! fato serviu
! Por Constituição Econômica entende-se toda a normatização que o texto consti- ,
)
).
de sustentáculo jurídico para as políticas públicas de reforma agràría em todo o
continente latino americano. Outrossim. nitidamente influenCiada pela legislação an-
,) tucional dedica à matéria econômica. A ConstitUição Econômica pode ser entendida
> tanto em sentido material. quanto em sentido formal. adotando-se, por analogia, a 5. titruste norte-americana I9 , combatia o monopólio, a e!evação vertical de preços e
I)
,)
teoria de classificação das constituiçoes quanto ao conteúdo. Por ConstltUlçao Eco-
nômica material entende-se todas as normas de extração constitucIOnal que versem
2", ;,:q=u:a~lq=u=e~r:p=rn=t:ic:a:t=en:d=e=n=t:e=a:e=l:im:i=n=ar:!a=c=on:c:o=r=rê=n=c=,a='~====~==~~~====~j
) sobre matéría econômica. este!3m ou não disciplinadas em capítulo prÓPrio. Por
) sua vez. a Constltuicão Econômica formal se traduz no título ou capítulo específico. Observe-se que, não obstante haver normatizado a matéria econômica no
) dedicado exclusivamente à Ordem Econômica. corpo de seu texto. o legislador constituinte mexIcano em 1917 não se preo-
,~.========================:::::=::=i cupou em organizar a matéria econômica formalmente em um título prõpno.
tratando-a de forma esparsa. ASSIm, podemos afirmar que a Constituição mexi-
Os primeiros atos normativos que versavam sobre matéria econômica
cana de 1917 foi. contemporaneamente. a primeIra Constituição EconômIca em
tratavam bastcamente sobre coibição à prática de truste - acordo celebrado
sentido material.
entre duas ou mais empresas. com vistas a prejudicar seus concorrentes por
meio de obtenção de vantagens indevidas. não OrIundas da maIOr eficiênCIa. ~- •. _--~~~-~~---_."--'~' ~.~..~~
Merece destaque o Decreto de Allarde. na França. no ano de 1791. Todavia. ')
.)
a legislação anti truste de combate á concentração de empresas, à imposIção A Ordem Econômica e SOCIal somente ganhou status de norma constitucional. t-
arbitrária de preços. dentre outras infrações à ordem econômica. somente fOI J
sendo formalmente positivada em capítulo próprio para tanto, com a Constitui- !'
sistematizada na América do Norte. por meio da edição do Competitíon Act. ) çao alemã de 11 de agosto de 1919 (Welmar). Esta foi a primeira a abandonar a
)
no ano de 1889 no Canadá. e do Sherman Act. no ano de 1890, nos Estados concepção formalista e individualista oriunda do liberalismo do século XIX. para
Unidos da América. ') ocupar-se da íustiça e do social. estabelecendo que a "(... ! ordem econômiCa deve ,!:
'} corresponder aos prmcípíos da iusríça. rendo por obietivo garantir a todos uma exis· fi
Observe-se que. nos primórdios! o direito econômico era sinônimo de di- '} [Êncía conforme a dignidade humana. Só nestes limites fica assegurada a liberdade
reito antitruste. TodaVIa, em virtude do acirramento das disputas comerciais e ') econômica do Indivíduo" (art. 151). Outrossím. deu maior relevância à função social
das deSIgualdades sOcíais, oriundos dos efeitos excludentes do capitalismo libe- ') da propriedade. ao declarar que ela cria obrigações ao seu titular e que seu uso
ral. restou patente a necessidade de intervenção do Estado na área econômica 1)
, deve ser condicionado ao Interesse geral (art. 153). Rompendo os cânones do i
direito individualista. a Constituição conferiu ao Estado competência para legislar f'
de forma macro. para garantir a salutar manutenção de seus mercados internos :1
e da pacificação externa, bem como no campo soctal, a fim de estabelecer políti- sobre socialização das riquezas naturais e as empresas econõmícas (art. 7" - pa- r
rágrafo 13).
cas públicas de redistribuição de renda e de inclusão, Para tanto, a matéria eco-
nômica passou a constar tanto nos textos constitucIOnais. quanto na legIslação
infraconstituclOnal.

18. SMITH, Adam. An mquiry into the nature ànd causes ofthe wealth ofnations. Edited, with an mtro- 19. DestaQue-se que as prImeiraS leiS editadas que versavam sobre o direito antitruste são o
duction, notes. margtnal summary and enlarged index by Edwm Cannan. New York: The Modem Compedtion Act do Canadá. de 1889. bem como o Sherman Act. dos Estados Unidos da Amenca
Library, 1994. de 1890.

38 39
Leonardo V12eu figueIredo Direito EconÔmtco Constituoonal

A ConstituIção de 1946 consolidou a ordem econômica no Título V. estabe-


lecendo múmeras modificações em relação à Carta de 1937. uma vez que. ape-
(TRF 2a Região/Magistratura Federalhooz) Defina "Constituição econômica" sar de ainda manter um caráter intervencionista. buscou conciliar a iniciativa
indiVIduai com o estímulo estatal. resguardando os direitos fundamentais. isto
Resposta: A COnstjlUlção Econômica pode ser entendido tanro em sentido morenal. quanto em
é, subordinava o exercício dos direitos individuais ao interesse da coletividade,
sentido formol. adorando-se. por analOgia. a teona de c/ossificação das consruuições quanto ao
conreúdo. Por Constirut do Econômlca marenal emende·se todos as normas de extra ão consr/tu. ASSIm. harmOnIzava o direito de propnedade com o bem estar da coletiVIdade.
c/ana/ ue versem sobre matéria econômIca este am ou não d15cl linodas em co írulo rá tio. Por bem como os Interesses de empregados e empregadores com os valores de dig-
sua vez, a Constituição Econômica formo/ se traduz no título ou capítulo específico. dedicado exclu· t_ nidade humana no trabalho. O art. 146 consagrava a Intervenção do Estado no
sivomente a Ordem EconômiCO. Trara-se das d15 os!' ões consWuclOnais armo/mente fixados ora a domímo econômiCO, mclusIve com direito a monopólio de indústria ou ativida-
matéria econômica. em capítulo própria. bem como das demaiS normas de extração constjtuclOnal, de. Inscreveu na ordem econômica e social o princípio de que o uso da proprie-
esparsos em seu texto, com conteúdo eminememente econômIco. dade seria condicionado ao bem-estar SOCIal. e à lei caberta. com observância do
art. 141, parágrafo 16. promover a iusta distribuição da propriedade com Igual
oportumdade para todos (art. 147).
1.5. EVOLUÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES ECONÕMICAS NO DIREITO PÁTRIO
A Carta de 24 de janeIro de 1967 manteve certa linha mtervenclOnista,
A Carta Imperíal do Brasil (1824), inspirada na Carta francesa de 1814, es-
sem. contudo. definir um sistema econômico a ser adotado pelo Estado. de
tabeleceu o direito à propnedade material e intelectual, assegurando o livre exer-
cunho intermediário entre o intervencionismo e o neoliberalismo.
cício de atividade profissional. desde que não atentasse aos costumes públicos
(art 179 e mcisos). Estabelecia competência do Imperador. na qualidade de Chefe Seu art. 157 determina como princípios da ordem econômica a justiça so-
do Executivo. para celebrar tratados de comércio mternacional (art 102. VIII). cial. o desenvolVImento naCIOnal e a harmonização e solidariedade entre os fa-
tores de produção.
A Constituição Republicana de 1891 trouxe a lume o direito à liberdade de
associação (art. 72, §8 2 ), com o fim de consagrar o livre exercícIO profissional. Por sua vez. dava ao Estado o direito a intervenção, inclusive monopolista.
tendo cunho nitidamente liberal. Observe-se que. na vigência dessa Constitui- no dominio econômico para garantir a competição e a livre iniciativa.
ção. o Brasil adotou as pnmeiras medidas mtervencionistas. de caráter incendi- Ressalte-se que não houve solução de continUIdade em relação às conqUIs-
áno no setor de produção agrícola cafeeira. tas de 1946. pois. além de ter prevIsto a desapropriação por interesse social
A Constituição de 1934 foi a prímeira das Cartas Políticas naCIOnais que (art. 150. §22), para fins de reforma agrária (art. 157 e parágrafos), tornou a
instituiu uma ordem econômica e SOCial no direito constitucional (arts. 115 a função social da propriedade pnncíplO da ordem econômica (art. 157.. 1Il), re-
143), nitidamente influenciada pela ConstituIção alemã de 1919. norteando a gras que se reprodUZIram na Constituição Federal de 1988 (arts. 170. m. 184.
economia pelos pnncipios da justiça social e da dignidade da pessoa humana. É §§ 1 2 • 2 2 • 3 2 • 4 2 • 52. 6". e art. 186. I. lI. III e IV).
de se ressaltar que a Nação. com essa ConstituIção, passou a adotar uma postu- Contudo. a emenda constituCIOnal de 1969 acresceu ao princípIO da JUs-
ra de Estado Intervencíonista-soctaI. diante do quadro econômico internaCional tiça social a expansão das oportunidades e empregos. mantendo o direito do
(depressão econômica mundial que afetou a economia naCIOnal. baseada na ex- Estado de intervir no domínio econômIco. mclusive com monopólio de ativida-
portação de café; crescímento internaCIOnal de políticas intervencionistas como de ou indústria. quando Indispensável à segurança nacional ou para organizar
o fascismo. o nazismo e o comunismo: derrocada do modelo de Estado Liberal). determinado setor da economia, garantindo a livre iniciativa e a liberdade de
Contudo. não há como lhe negar a presença liberal. uma vez que consagrava a concorrênCIa.
livre iniciativa e a liberdade de assocíação como princípIOS econômtcos, sendo a
A atual ConstituIção de 05 de outubro de 1988 traz normas positivadas no
primeira Carta que promoveu a liberdade de associação sindical.
Título VII - Da Ordem Econômica e Financeira. especificando capítulo próprio
A Carta de 1937. influenCiada pela Constituição polonesa de 1935. dedicou para a Ordem EconômIca. a partir do art. 170 e segumtes. fato que a caracterí-
diversos artigos â ordem econômica, estabelecendo uma política mtervenclO- za como Constituição Econômica formal. Igualmente. traz no bojo de seu texto
nista do Estado no domínio econômico (art 135), tendo caráter nitidamente diversas normas esparsas que versam sobre matéria econômica, a teor do art.
nacionalista. com concentração de poderes no Executivo. Igualmente consagrou 1 2 • IV. inftne. bem como do art 219, podendo ser igualmente classificada como
a liberdade de associação. inclUSIve para fins profissionaiS e smdicais. Constituição Econômica matenal.

40 41
, Leonardo VlZeu Rguetredo Direito Econômico Constituaonat

1.6. ORDEM ECONÔMICA NA CRFB E SEUS VALORES

.\,. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do tra-


~ .
..

balho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a.,:


: todos existência digna, conforme os ditam~s da justiça social. [
observados os segumtes pnncipIoS: (...) - gnfamos
'(':,;.1.,":' ',-_;~,s:.~"',,<i :"" ,'):,'>{c:~ t': _-''-_~:'-V{ 'S,;;,::1'~'-:,' "::, ;-:~,.,--,..",;..~:

A Ordem Econômica na Constituição da República Federativa do Brasil é


inaugurada no art. 170. o qual se traduz em dispositivo de forte teor axiológí-
co, denotando forte riqueza de conteúdo. Valores são todos os preceitos funda-
zo
mentais sobre os quais a sociedade se baseia. com primazia axiológíca sobre
os demais. uma vez que são essenCIalmente qualificados pelo direito, que lhes
outorga cogência por meio da norma Jurídica.
=,-,"",-="",~~.~.=. '~,--~,-~.,,.;.i..L~':";'.,,,~ ...._.~' _~~..."" "._':"_","M.'.~~_-'·'...L-~'_ _ _ _ ·_ _

~)
)
A Ordem Econômica pode ser vista tanto sob um aspecto matenal (econômiCO), re-
) presentando o COOlunto de riquezas presentes no território de uma Nação e su!eltas
) ao seu ius ímperii. bem como sob um prisma formal (jurídico). traduzindo-se no or-

;~, denamento constitucional e legal que diSCiplina as formas pelas quaiS a exploracão
de atividade econômi'ca devera ser efetuada.

Visto isso, a SOCIedade brasileira, por ocasião da constitumte que resultou


em nossa atual Carta Magna. elegeu como preceitos fundamentaIS de sua Ordem
Econômica, os valores a seguir transcritos, nos termos do art. 170, caput. da CRFB:
a) valorização do trabalho humano: trata-se de primar pela proteção
ao fator de produção mão-de-obra. Para tanto. o Estado deve atuar de
maneira a assegurar que o produto do labor do homem seja capaz de
garantir, por sí e sem interferências externas. o acesso a todos os bens
a) restringe-se ao Título VII- Da Ordem Econômica e Financeíra. da Carta da República; I de consumos essenciais para viver condignamente no selO da socieda-
b) como em alguns países Que adotam típo de economia mista, não pode assim de- de. Assim. tal valor deve ser o meio pelo qual o trabalhador ira efetivar
nominar-se. mas considerar-se uma estrutura de principias gerais programáticos- todos os direitos socíais positiva dos no art. 6º. observadas as garantias
C) não se restringe aos arn'gos contidos no Título VII- Da Ordem Econômica e Financei~ do art. 72 , ambos da CRF8. Observe-se que, para o direito econômico.
ra, mas tem sua _expre~são e seu conteúdo em diversos outros tópicos da lei Magna; pessoa digna e aquela que conquistou sua independência econômica.
d) preocupa-se primordialmente com a repressao ao abuso do poder econômico e isto é, aquela que se sustenta e e capaz de gerar renda que lhe garanta
__., __ a função social da propriedade privada.
acesso aos bens essenciais para uma existência digna. Em outras pa-
lavras. a valOrIzação do trabalho humano é fator de garantia do prin-
Resposta: Letm e). A atual Constituiçào de 05 de outubro de 1988 traz normas positivadas no
Título VII - Da Ordem Econômica e Financeiro. espedficando capítulo pr6pno para a Ordem Econô-
cípio da dignidade da pessoa humana. Vale observar que, a valoriza-
) ção do trabalho humano necessita de políticas de investimento em
mICa, a pat1ir do art. 170 e segumtes, fato que a carocteriza como Constituição Econômica (armai.
Igualmente. troz no bala de seu texto diversas normas esparsas que versam sobre maténa econô'
mICO. a [eor do art. 1". IV, In fine. bem como do art. 219. podendo ser igualmente classificada como
COnS!ituíçàO Econômica marenal. 20. Axtologia ê a teoría critica dos conceitos de valor. Cuida do estudo ou da teona de alguma espéCie de
valor. particularmente os morais.

43
42
" Leonardo V1Zeu figueiredo Direito EconômiCo Constituoona!

capacitação de mão-de-obra. que. para tanto. deve passar necessaria- )


mente por um conjunto de políticas de investimento em educação. Por )
fim. insta salientar que hlstoncamente o trabalho sempre fOI malVls- (MPFb4" Concursoh99r;) A Constitui cão Federal. no título da ordem econômica e
)
to. sendo tarefa outorgada aos escravos. Esse quadro somente mudou financeira. adota o padrão:
)
com o avanço das idéias de Jesus Cristo. que foi o primeiro filósofo da a) liberal em que predomina exclusívamente a liberdade de iniciativa:
)
humanidade a valorizar o trabalho humano: b) SOCial:
) C) coletivista:
b) livre iniciativa: é corolário do liberalismo econômico de Adam Smi- ?) d) corporatiVista.
th. que se faz presente nos textos constitucIOnaIs. Significa a liberdade
de entrar, permanecer e saIr do mercado, sem interferências externas. ) Resposta: b). art 170. A ordem econômICO. fundado no valortzação do trabalho humano e na
Observe-se que não há mais espaço para a máxima "Laissez-faíre. lms- ) livre lnlclattva. lem por fim assegurar a lodos extstênda digna. confonne os dlwmes do Justiça
sez-passer: te monde va de lut-même". uma vez que, como veremos. o social. observados os seguintes princípIOS: (. ..).
Estado atua como agente normativo e regulador de sua Ordem Econô-
mIca. Todavia, com base no princípIO da subsidiariedade. a interven-
ção estatal só se fará presente quando preciso. Nos mchos de nossa 1.6.1. Jurisprudência selecionada
economia. quando não houver necessIdade de interferência do Poder » ''Ação direta de inconstitucIOnalidade: Associação BrasileIra das Empresas de Trans-
Público. o mercado se auto-regulará; porte RodoviáriO Intermunicipal, fnterestadual e InternacIOnal de PassageIros - ABRA-
TI. ConStitucIOnalidade da Lei 8.899. de 29 de lunho de 1994. que concede passe livre
c) existência digna: e valor legado ao mundo por meio da ConstituIção as pessoas portadoras de deficiência. Alegação de afronta aos princípIOS da ordem eco-
alemã de 1919. Significa que o Estado deve envidar todos os esforços nômica, da Isonomia, da livre iniciativa e do direito de propriedade, além de ausênCIa
para que a população. como um todo. tenha acesso aos bens de consu- de indicação de fonte de custeIO (arts. 1 2 , IV; 5 Q, XXlI; e 170 da CF): Improcedência. A
mos essenciais para a vida em sociedade. TodaVIa, deve ser ressaltado autora, aSSOCiação de classe. teve sua legitimidade para ajUizar ação direta de Inconsti-
que o Poder Público deve focar esforços em suas políticas de segunda- tuCIOnalidade reconhecida a partir do Julgamento da ADI 3.153-AgR, ReI. Min. Celso de
d: social. em sua vertente asslstencíalista, apenas à parcela de popula- Mello.. DI de 9-9-2005. Pertinência temática entre as finalidades da autora e a matéria
veIculada na leI questionada reconhecida. Em 30-3-2007. o Brasil aSSinOU, na sede da
çao notadamente necessitada. isto é. ao hipossuficIente.
ONU, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com DeficiênCia, bem como seu Pro-
d) justiça social: e o corolário lógico da junção de todos os outros valo- tocata Facultativo. comprometendo-se a Implementar medidas para dar efetividade ao
res. e deve ser entendido como justiça distributiva. Trata-se do com- . que fOI ajustado. A Lei 8.899/1994 e parte das políticas públicas para Inserir os porta-
partilhamento SOCIal de todos os riscos e riquezas da Nação. a fim de dores de necessidades espeCiaIs na SOCiedade e objetiva a igualdade de oportunidades
que o desenvolvImento sóclO~econômíco de um seja eqüitativamente e a humanização das relações sociaIS, em cumprimento aos fundamentos da República
de cidadania e dignidade da pessoa humana. o que se concretíza peta defimção de
distribuído a todos os membros da SOCIedade. Por óbVIO. nem todos
meIOs para que eles se.jam alcançados." (ADI 2.649, ReI. Min. Cármen LUCia, Julgamen-
terão acesso aos mesmos níveis de renda. diante das naturais desi- to em 8-5-2008, Plemino. DIE de 17-10-2008.)
gualdades que cercam as pessoas. na qualidade de seres indiVIduais
» "Suspensão de tutela antecipada. Importação de pneumáticos usados. Manifesto mte-
que são. Todavia. deve o Estado garantir renda mímma àquela parcela
resse público. Grave lesão â ordem e â saúde públicas. (_.) Importação de pneumáticos
menos abastada da sociedade. mediante efetivação do prmcípio da so-
usados. Manifesto mteresse público. Dano Ambiental. Demonstração de grave lesão â or-
lidariedade, característico do intervencionismo social. que se encontra dem pública, considerada em termos de ordem admmistrativa, tendo em conta a proibi-
presente em nossa atual Constituição. nos termos do art 195. ção geral de não importação de bens de consumo ou matéria-prima usada. Precedentes.
Ponderação entre as eXigênCias para preservação da satide e do melO ambiente e o livre
FATOS SOCIAIS ~ VA/..ORES ~ NORMA JURíOICA
exercícIO da atividade econômica (art 170 da ConstitUIção Federal). Grave lesão aordem
~~ pública, diante do manifesto e mafastável mteresse público â saude e ao meio ambien-
Fatos e acontecimentos Proteção ao: Produção de normas para: te ecologícamente equilibrado (art 225 da Constituição Federal). Precedentes. Questão
econômiCOS: • Trabalho humano; • Ordem Econômica e de merito. Constitucionalidade formal e material do conjunto de normas (ambientaiS e
• livre iniciativa: • Direito Econômico de comercIO exterIor) que proíbem a Importação de oneumâticos usados. Pedido sus-
• EXistência digna: pensivo de antecipação de tutela recursal. (... ) Impossibilidade de discussão na presente
• lustlça social medida de contracautela:' (STA 171-AgR, ReI. Min. Presidente Ellen Gracle, julgamento

44 45
\ Leonardo V'tzeu Figueiredo Direito EconÔmtco Constituaona!

em 12~12~07. Plenáno. DIE de 29~2-08). No mesmo sentido: STA 118~AgR. ReI. Min. » liA má-fé do candidato á vaga de juiz claSSista resta configurada quando viola preceito
Presidente Ellen Gracle, Julgamento em 12~12~07, Plenário, OJE de 29-2~08. constante dos atos constitutivos do SIndicato e declara falsamente. em nome da en~
tidade slOdical, o cumpnmento de todas as disposições legaIS e estatutánas para a
J) "Amencan Virgmia Indústria e ComércIO Importação Exportação Ltda. pretende obter
formação de lista enViada ao Tribunal Regional do Trabalho - TRT. O trabalho consubs~
efeito suspensIvo para recurso extraordináno admitido na origem, no qual se opõe
tancJa valor social constitUCIOnalmente protegido (art. 1º. IV. e 170, da CB/1988), que
a interdição de estabeiecimentos seus, decorrente do cancelamento do registro es-
pecial para mdustrialização de cigarros. por descumprimento de obrigações tribu- sobreleva o direito do recorrente a perceber remuneração pelos serviços prestados ate
tárias. (...) Cumpre sublinhar não apenas a legitimidade destoutro propósíto norma- o seu afastamento liminar. Entendimento contráno implica sufragar o enriqueCimen-
tivo. como seu prestígio constitucIOnal. A defesa da livre concorrêncIa e Imperativo to ilícito da Administração." (RMS 25.104. ReI. Min. Eros Grau, julgamento em 21-2-
de ordem constitucional (art. 170. IV) que deve harmomzar~se com o principio da 2006.1' Turma, DI de 31-3-2006.)
livre 11lIclativa (art. 170. caput). Lembro que 'livre inIciativa e livre concorrência, esta » "A mtervenção estatal na economIa, mediante regulamentação e regulação de setores
Como base do chamado livre mercado. não coincidem necessariamente. Ou seja, livre econômicos. faz-se com respeito aos princípios e fundamentos da Ordem EconômIca.
concorrênCia nem sempre conduz â livre miclatIva e vice-versa (cf. Farina. Azevedo. CF, art. 170. O pnncípio da livre iniciativa é fundamento da República e da Ordem eco~
Saes: Competitividade: Mercado. Estado e Organizações. São Paulo. 1997, capo IV). Dai º.
nômlca: CF, art. 1 IV: art. 170. Fixação de preços em valores abaixo da realidade e em
a necessána presença do Estado regulador e fiscalizador. capaz de disciplinar a com- desconformidade com a legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre exerciclO da
petitividade enquanto fator relevante na formação de preços .. .' Calixto Salomão Filho, atividade econômica, com desrespeito ao princípio da livre miciativa. Contrato cele~
refermdo~se â doutrina do eminente Min. Eros Grau, adverte que 'livre iniciativa não brado com Instituição pnvada para o estabeleCimento de levantamentos que servinam
e smômmo de liberdade econômica absoluta (...). O que ocorre e que o principiO da de embasamento para a fixação dos preços, nos termos da lei. TodaVia, a fixação dos
livre miclativa, Inserido no caput do art. 170 da CF, nada mais ê do que uma cláusula preços acabou realizada em valores infenores. Essa conduta gerou danos patrImoniaiS
geral cUlO conteudo é preenchido pelos JnCISOS do mesmo artigo. Esses princípios ao agente econômico. vale dizer. ã recorrente: obngação de indemzar por I?arte do
claramente definem a liberdade de iniciativa não como uma liberdade anárquica, po~ poder público. CF. art. 37, § 69., Preíuizos apurados na instânCia ordinána, mclusive
rem social, e que pode, consequentemente, ser limitada.' A incomum circunstâncIa mediante pericla tecnica." (RE 422.941. ReL Min. Carlos Venoso, julgamento em 5-12-
de entidade que congrega diversas empresas idôneas (ErCO) aSSOCIar-se, na causa, 2005. Segunda Turma, DI de 24-3-2006.)
â Fazenda Nacional. para defender Interesses que reconhece comuns a ambas e â
própna sociedade. não e cOisa de desprezar. Não se trata aqui de redUZIr a defesa » "É certo que a ordem econômIca na Constituição de 1988 define opção por um SIS~
da liberdade de concorrêncía à defesa do concorrente, retrocedendo aos tempos da tema no qual .Ioga um papel primordial a livre ímclativa. Essa circunstânCia não le~
'concepção pnvatística de concorrência', da qual é exemplo a 'famosa discussão sobre gitima. no entanto. a assertiva de que o Estado sõ intervira na economIa em situa~
liberdade de restabeleCimento travada por Rui Barbosa e Carvalho de Mendonça no ções excepcionais. Mais do que Simples instrumento de governo. a nossa Constituição
caso da Cia. de futa (Revísta do STF (lIl), 2/187. 1914)', mas apenas de reconhecer enuncia diretrizes, programas e fins a serem realizados pelo Estado e pela SOCIedade.
que o fundamento para a coibiÇão de práticas anticoncorrencIais reside na proteção Postula um plano de ação global normativo para o Estado e para a sociedade, mfor~
a 'ambos os objetos da tutela: a lealdade e a eXistência de concorrênCia (...). Em pri- mado pelos preceitos veIculados pelos seus arts. 1>]. 3>] e 170. A livre iniciativa e ex-
meiro lugar. e preciso garantir que a concorrênCia se desenvolva de forma leal. isto e, pressão de liberdade titulada não apenas pela empresa, mas também pelo trabalho.
que selam respeitadas as regras mínImas de comportamento entre os agentes econô~ Por isso a ConstituIção, ao contemplá~la, cogita também da 'inICiativa do Estado'; não
mIcos. Dois são os obietivos dessas regras mimmas. PrimeirO, garantir que o sucesso a pnvilegIa, portanto, como bem pertinente apenas â empresa. Se de um Jado a Cons-
relativo das empresas no mercado dependa exclUSIVamente de sua eficiência, e não tituição assegura a Iívre imclativa, de outro determma ao Estado a adoção de todas as
de sua 'esperteza negociai' - ISto é. de sua capacidade de desviar consumidores de providênCiaS tendentes a garantir o efetivo exerdcio do direito â educação, â cultura
seus concorrentes sem que ISSO decorra de comparações baseadas exclusívamente e ao desporto (arts. 23. V. 205, 208. 215 e 217. § 3 9 • da Constituição). Na compost~
em dados do mercado.' Ademais. o caso é do que a doutrma chama de tributo extrafis- ção entre esses principios e regras hâ de ser preservado o mteresse da coletividade,
cal proibitivo, ou SImplesmente proibitivo. cUJO alcance. a toda evidênCia, não exclui interesse público primârio. O direito ao acesso â cultura, ao esporte e ao lazer são
obletivo Simultâneo de inibIr ou refrear a fabricação e o consumo de certo produto. meios de complementar a formação dos estudantes." (ADI 1.950. ReI. Min. Eros Grau,
A elevada alíquota do IPI caracteríza~o. no setor da IndústrIa do tabaco, corno tributo julgamento em 3-11-2005. PlenáriO. Dl de 2-6-2006.) No mesmo sentido: AOI 3.512.
dessa categona. com a nítida função de desestímulo por Indução na economia. E isso julgamento em 15-2-2006. Plenario, DI de 23-6-2006.
não pode deixar de interfenr na decisão estratégIca de cada empresa de prodUZir ou
não produzír cigarros. É que. determinada a produzi-io. deve a indústria submeter-se. » "Em face da atual Constituição, para conciliar o fundamento da livre miciativa e do
é óbvio, às exigências normativas oponíveis a todos os participantes do setor, entre as principlO da livre concorrência com os da defesa do consumidor e da redução das de-
quais a regularidade fiscal constitUI requisito necessário, menos ã concessão do que â SIgualdades sociais. em conformidade com os ditames da lustiça social, pode o Estado.
preservação do registro espeCIal. sem o qual a produção de cigarros é vedada e ilícita." por via legislativa, regular a política de preços de bens e de servIços. abUSIVO que é o
(AC 1.657~MC, voto do ReI. Min. Cezar Peluso, julgamento em 27~6-2007, Plenário, poder econômico que visa ao aumento arbitráno dos lucros." (ADI 319-QO. ReI. Min.
DI de 31-8-2007.) Moreira Alves, julgamento em 3-3-1993, Plenário. DI de 30-4-1993.)

46 47
\ Leonardo VlZeu Figueiredo Direito EconÔm1Co Constituaonal

1.7. PRINCÍPIOS DA ORDEM ECONÔMICA NA CRFB nas suas deCIsões políticas, sem necessidade de auxílios internacio-
nais. Em outras palavras. somente existirá Estado soberano onde hou-
Art. 170. (...) ver índependência econômica. Assím, as normas de direito econômico
devem. antes de tudo. primar pela plena garantia de desenvolvimento
I ~ soberama nacIonal:
sócIO-econômico da Nação. pautando suas políticas de planejamento
Il- propriedade pnvada; em ações efetivas que promovam o crescimento sustentável do Brasil.
III - função social da propriedade: Perfazendo-se uma interpretação sistemática dos artigos 3 R• lI. 192. e
IV -livre concorrência; 219, sua exegese nos indica que o Estado brasileiro deve condUZIr os
V ~ defesa do consumidor: nichos de sua economia em políticas de desenvolVImento sócio-econô-
mico sustentável. a fim de alcançar sua plena soberama.:
VI ~ defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambIental dos produtos e ser~ b) propriedade privada: este prIncípio é herança direta do liberalismo
viços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação econômiCO, cUJos postulados aínda influencíam nosso ordenamento
dada pela Emenda ConstitucIonal nº 42, de 19.12.2003) constituciona1. Propriedade privada e um direito real, exercido por um
VII ~ redução das desIgualdades regionais e soclais; determinado titular em face de um certo bem, que lhe assegura direito
VIII ~ busca do pleno emprego: de uso (utilização do bem como melhor lhe aprouver), de fruição (au-
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte fenr lucro com o bem), de disposIção (possibilidade de livre alienação
constituídas sob as leIS brasileiras e que tenham sua sede e ad- da cOIsa de acordo com seu livre arbítrio) e de seqüela (direito de per-
ministração no Pais. (Redação dada pela Emenda Constitucio- secução do bem. onde quer que ele estela). Este princípio assegura aos
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nal n' 6. de 1995)
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agentes econômIcos direito à propriedade dos fatores de produção e -
Circulação de bens em seus respectivos ciclos econômicos. como ins-
O direito é composto por um conjunto de normas jurídicas. que se dividem trumento garantidor da livre miciativa de empreendimentos prívados.
em normas princí~los, diretivas da produção do ordenamento jurídico, e nor- Observe-se que o caráter absoluto da proprIedade. vigente pratica-
mas regras. mvestidoras dos mdivíduos na titularidade de direitos subjetivos. mente durante o auge do Estado Liberal. teve seu cânone rompIdo por
Após apresentar os valores sobre os quais se consubstancia a Ordem Eco- meio da Constituição do MéXICO de 1917. que condicionou seu uso ao
n?mica, o legíslador constituÍnte enumera nos 9 incisos do art. 170 os princí- atendimento de sua devida função social. conforme veremos a seguir;
pIOS norteadores da produção legislativa do Direito Econômico pátrio. c) função social da propriedade: cuida da SOCIalização dos direitos in-
Vale observar a riqueza do art. 170 de nossa Lei Magna. uma vez que traz diVIduais. de cunho privatista. em que o uso e a fruição da propriedade
tanto os preceItos fundamentais de nossa ordem econômica, indicando quais os prIvada passam a ser condicionados ao atendimento de uma função
valores que o p~vo brasileIro. por meio de seus representantes constituintes. maior. previamente estipulada em lei. cuía mobservância legitima a
elegeu como basIla:es para conduzir seu processo de geração de riquezas e ren- interferêncIa do Estado na esfera de domínio privado do proprietárIo.
das. be~ como qUaIS as no;mas princípIOs que. ao longo dos anos. vão orientar a podendo acarretar, inclUSIve. a expropriação do bem:
produçao de nossas leIS para disciplinar tanto a atividade econômica desenvol- d) livre concorrência: trata da proteção conferida pelo Estado ao deVI-
vid,apelos agente: privados, quanto à mtervenção estatal. Visto isso, passemos a do processo competitivo em sua Ordem Econômica, a fim de garantir
analIse dos prInclplos regedores da Ordem Econômica da Nação brasileira: que toda e qualquer pessoa. que estela em condições de participar do
a) soberania nacional: é a autoridade máxima de um Estado. represen- CIclo econômico (produção ç:. Circulação ç:. consumo) de determinado
tando. no campo externo, a capacidade de autodeterminismo sem nícho de nossa economia, nele possa. livremente. entrar. permanecer
ingerências de outros países, bem como. no plano interno. a ~Iena e sair. sem qualquer mterferência estranha oriunda de interesses de
autonomIa para condução da vida política da Nação. Todavia. mister terceiros (Lei n R 8.884. de 1994);
ressaltar que a soberania n.acionaI somente se efetiva, tanto interna. e) defesa do consumidor: versa sobre a proteção conferida pelo Estado à
quanto externamente. quando a Nação alcança patamares de desen- base do ciclo econômíco. que se imcia com a produção ou oferecimento
volVímento econômico e social que lhe garantam plena independência de determinado bem ou servíço. desenvolve-se com a sua circulação ou
48
49
; Leonardo Vizeu Rguelredo Direito EconômICO Constituaonal

o seu oferecimento. e perfaz-se quando são adquiridos pelo consumi- que se valer do assistencialismo social. por não necessitarem de au-
dor final. sendo o consumo a base que sustenta o respectivo ciclo. sem xílio externo para seu sustento e de sua familia. Assim, pode o Estado
o qual tende a ruir. Outrossim, uma vez que o consumidor é a parte concentrar seus gastos em atividades promotoras de desenvolVImen-
que. durante a relação jurídica econômIca de aquisIção final do bem to tecnológico. pesquisa cIentifica, cultura, dentre outras. TodaVIa, a
ou serviço. tem menor conhecimento sobre o mesmo. decorrente de contrario sensu, quanto menor o número de individuos que estiver~m
notória desinformação sobre como se opera as etapas de produção e exercendo atividades produtivas e geradoras de renda, menor sera o
cIrculação. mister se faz outorgar-lhe privilégios legais e processuais. volume de arrecadação do Poder Público. e maior o volume de gastos
reconhecendo sua posição de htpossuficiência em relação ao produtor com a seguridade social para atender a demanda dos nec~ssitados e hI-
e ao vendedor (Lei nº 8.078. de 1990); possuficientes que não conseguem, por SI, a_dquinr o conJunt~ rnlmmo
de bens para subsistência digna. fato que. tao-somente. contrIbUI para
f) defesa do meio ambiente: tutela o condiCIOnamento racional e equi-
librado de utilização e fruição dos fatores de produção e das nquezas o aumento do déficit público:
naturais. de modo a evitar o seu esgotamento, garantindo sua contínua i) tratamento favorecido as empresas de pequeno porte: é a pr~te­
e permanente exploração por parte da presente geração. bem como por ção conferida à parcela dos agentes pnvados que participam do CIclo
parte das gerações Vindouras. Igualmente. busca promover a proteção econômico de produção e CIrculação, sem. todaVIa, deter parcela subs-
do meio ambiente em face dos fatores de produção eminentemente tancial de mercado. tampouco poderio econômico. Observe-se qu:: sem
poluidores. que causam a degradação da fauna e flora. Observe-se que um conlunto específico de normas que garantam a mes~a proteçao em
a atual política de meio ambiente VIsa a aumentar demasiadamente o termos concorrenciais. dificilmente podenam competir com os ag~~­
custo da poluição nos fatores de produção. de modo a mviabilizar as tes econômicos detentores de poder de mercado, fato que conduzma
atividades econômicas decorrentes de fatores de produção eminente- ao encerramento forçado de suas atividades. Assim, protege-se o pe-
mente poluentes (Leis nº 7.892. de 1989 - agrotóxicos; nº 8.974. de queno e médio produtor; outorgando-lhe tratamento legal ~iferenclado
1995 - engenharia genética; e nº 9.605. de 1998 - crimes contra o meio em face do grande, incentivando-se. ainda, a naclOnalIzaçao daquel~s.
ambiente, etc); para se constituírem sob nossas leis, estabelecendo sede em nosso paIS.
g) redução das desigualdades sociais e regionais: consiste no compar-
tilhamento equânime, em todas as regiões do país. do desenvolvimento NORMAS PRINcíPIOS DA ORDEM ECONÔMICA
social advmdo da exploração de atividade econômica. Fundamenta-se PODER JUDiCIÁRIO
PODER LEGISLATIVO PODER EXECUTIVO
no princípio geral de direito da solidanedade que consubstancía todo o
intervencionlsmo social. Isso porque, em que pese o Brasil ser um país
de grandes paradoxos sócio-regionaIs. a Constituição da República traz
como um de seus objetivos fundamentais (art. 3º) a construção de uma
t
Produção de leis
t
Garantía do fiel
t
Garantia da aplicação das
leis aoS casos concretos.
sociedade livre. fusta e solidária. a necessidade de se promover o de- de Direito Econômico. cumprimento das leis.
senvolvimento nacional. a erradicação da pobreza e da marginalização. ~-~-~~'- ',~-~-
.~._-"'-'"'-'-,-,-'~ '11,

bem como a redução das desigualdades sociais e regionaIS: )


-7 Apti«>,,;;.o e.tv\. ~,S<> ." _, . I '
h) busca do pleno emprego: cuida da maximização de resultados no que ) (Procurador FederaI/CESPE/2010) A livre concorrenCla, pnnclplo geral_da atiVidade ~
tange ao uso do fator de produção humano. isto é. da mão de obra, den- ') econômica. defende Que o próprio mercado dev.e estabelecer quais sao ,os agentes~_~ ~..
') aptos a se perpetuarem, deixando aos agentes econômicos o estabeleCimento das (--
tro dos parâmetros estabelecidos pelas normas jurídicas legisladas do
Estado. Observe-se que. dessa forma. busca-se. por corolário, garantir >
':)
regras de competiçao. ..
Resposta: Errada. cuida-se da proteçdo conferida pelo t:slado ao devido processo compe~lt~vo
a mronmização de resuJtados no exercícIO das atribUições socíais do ) em sua Ordem EconômICa, a fim de garantir Que roda e qualquer pessoa, que esreJa em condlçoes
Poder Público. Isso porque. quanto mais pessoas estiverem laborando " de partidpar do ciclo econômICO (produção <::> circulação <::> consumo) de detenntnado nicho de
em atividades geradoras de rendas, maior será o volume de arrecada- :> nossa economIa, nele possa, fivremeore. eorrar, pennanecer e sair; sem qualquer mterterênaa
ção do Poder Público. via receitas derivadas. sendo menores os gastos estronha oriunda de Interesses de terreiros (LeI no 8.884, de 1994).
com o setor de seguridade soda!. uma vez que menos cidadãos vão ter
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50
\ Leonardo Vu:eu ngueIredo Direíto Econôm\co Constttuoonal

de ControversJas - DSB adotou os aludidos relatónos do Pamel e do Órgão de Apelação.


) e que, em 15-12-2008, o Brasil se comprometeu a lm~lemen~r as recomendações e_as
) regras do Órgão de Solução de Controvérsias, de maneira Co?slstente c?m as obrIgaç~es
(Advogado da Uniâo/CESPE/200B) A ordem econômica exige que se observe o pleno
) da OMC. (...) Após relembrar não ter havido tratamento dlsc:lmmato~o nas relaçoes
emprego na atividade empresarial.
) comerCiaiS adotado pelo Brasil, no que respeita ã exceção da I~portaça.o de pneus re-
) moldados dos oaises do Mercosul, que se deu ante â determmaçao do Tnbunal ad hoc a
Resposra: Cena. An. 170. A ordem econômICO, fundada na valonzação do trabalho humano e
que teve de se submeter, a relatora anotou que os paises da União_ EuroP:I~ estariam se
na livre micrativa. rem por fim assegurar a rodos eXlsrênclO digna. confonne os di!ames da justiça aproveitando de brechas na legislação brasileira ou em autOrI~açoes jUdICiais para des-
social, observados os segumres pnncípios: C.. ) VIII - busca do pleno emprego; cartar pneus inservÍvels tanto no Brasil quanto em outros palses em. desenvo~Vlmento.
.... ---_.-..._..
.)
~~.~ -- - -."'_~,,,"" --~-_.- --._-~._- .-"._-----_. Ressaltou que, se a OMC tivesse acolhido a pretensão da União Europela. o Brasil P?dena
ser obrIgado a receber, por Importação, pneus usados de toda a Europa, que detem.um
1.7.1. Súmulas aplicáveis passIvo da ordem de 2 a 3 bilhões de unidades. (...) ConcluIU que, ap.esar da co~pl~xlda­
» "Ofende o pnncíplo da livre concorrência leI mUnicll;Jai que impede a mstalação de esta~ de dos interesses e dos direitos envolvidos. a ponderação dos prmcipIos consotuclOnals
beJeclmentos comerciais do mesmo ramo em determinada ãrea." (Súmula 646). revelarIa que as deCisões que autorizaram a importaç~o de pneus usados ou remolda~os
teriam afrontado os preceitos constitucionais da saude e do meio ambiente ecologica-
mente equilibradO e. especificamente. os pnncÍpIOs que se expressam. nos ,arts. 17~.1 e
1.7.2. Jurisprudência selecionada VI, e seu parâgrafo umco. 196 e 225. todos da CF:' (ADPF 101, Rei. Mm. Carmen LUCia.
» "O Trlbunal. por malOna, Julgou parCIalmente procedente pedido formulado em argui- 1ulgamento em 11-3-2009. Plenário, Informativo 538.1
ção de descumprimento de preceito fundamental, ajUizada pelo Presidente da Repú- " RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. PARIDADE CAMBIAL. INTERVENÇÃO ESTATAL
blica, e declarou inconstitucIOnais, com efeItos ex tunc. as mterpretações. mcluídas as NO DOMíNIO ECONÔMICO. PRETENSÃO DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE OB-
Judicialmente acolhidas, que permitiram ou permitem a Importação de pneus usados lETIVA POR FORÇA DE ALTERAÇÃO DA PARIDADE CAMBIAL. CONSEQUENTE DEVER
de qualquer especie. aí insertos os remoldados. Ficaram ressalvados os proVImentos JU- DE INDENIZAR À UNIÃO E AO BACEN. FATORES INERENTES A CONJUNTURA INTERNA-
diciaiS transitados em Julgado. com teor já executado e objeto completamente exaurido CIONAL QUE SE ASSEMELHAM AO FATO DO PRÍNCIPE. IMPROCEDÊNCIA. L (...) 3. No
(...)." (ADPF 101. ReI. Min. Cármen Lucia, julgamento em 24-6-2009. Plenâno. Informa- afã de regular o comercío exterIor e manter a sua balança de pagamentos eq~lhbrada. o
tivo 552.) "(...) a relatora afirmou que a questão posta na presente ADPF seria saber. Estado-Soberano pode precoOlzar a l;Jaridade cambial, preVISivelmente SUJeita, ,quanto
portanto, se as decisões judiciais nacionais que vêm permitindo a Importação de pneus á sua estabilidade, ao comercIo externo e â. política mternaclOnal, fatos lmmputa~:IS ao
usados de Estados que não compõem o Mercosul implicariam descumprImento dos I;Jre- Estado Nacíonal. quer â luz da responsabilidade obietiva quer.~ luz da responsabilIdade
ceitos fundamentais mvocados. Realçou a Imprescmdibilidade de se solucionar o trato subletiva. merentes as hipóteses de atos omiSSIVOS. nos quais e Impenoso det~ctar que a
Judicial sobre a matéria, que decorreu, sobretudo. da circunstância de ela ter sido objeto entidade pública tinha o dever de evitar o ImpreVIsto que gerou dano a terceiros. (...) 7.
de contencioso perante a Organização Mundial do ComercIO - OMC, a partir de 20-6- A ciênCia jurídica-econômIca não ê Imutável e eterna, como não o são os ordename.ntos
2005. quando houve Solicitação de Consulta da União Europela ao Brasil. Disse que a voltados â regulação das atividades econômIcas. SUJeitas estas ás mais diversas especles
União Europela formulou referida consulta acerca da proibição de Importação de pneus de lOlunções ínternas e mternacIonais. como guerras. estrategIas de proteção de pr~d~­
usados e reformados dela procedentes e alegou afronta aos princípios do livre comércIo tos alienigenas. rompimento de relações diplomáticas. etc. 8. O Estado respon.de obtetl-
e da Isonomia entre os paises membros da OMC. em razão da mantença da importação vamente pelos seus atos e de seus agentes que nessa qualidade caus.e~ a terceIros e, por
de I;Jneus remoIdados provenientes dos Estados mtegrantes do Mercosul. Informou que omissão, quando manifesto o dever legal de Impedir o ato danoso. hlpotese em que a sua
as considerações apresentadas no Relatório do Pamel. que circulou entre os Membros da responsabilidade ê subjetiva decorrente de Imperícia ou dolo. 9. A mgerêncla de fatores
OMC, levaram a União Europela a apelar, tendo o Órgão de Apelação da OMC mantido a exterIores aliada â possibilidade de o particular prevemr-se contra esses fatores alheIOS
deCisão no sentido de que seria lustificavel a medida adotada pelo Brasil quanto â proibi~ á vontade estatal acrescido da mera natureza indicativa da política econômICa reve1a a
ção de pneus usados e reformados. para fins de proteger"a vida e a saude humanas. bem ausênCia de resp~nsabilização do Estado. 10. O Recurso EspeCial não é servil ao reexa-
como a sua flora e fauna, mas concluído que a isenção de proibição de importação de me de maténa fático-probatÓrIa. 11. Recurso Especial parcialmente conhecido. e, nesta
pneus usados dada ao Mercosul e as Importações destes por meío de Iimmares configu- parte. desprovido. (STI; RESP 200302255470: RESP - RECURSO ESPECIAL - 614048:
rariam uma mlustificada e arbitràrIa discrimmação (GATT. art. XX. caput). Em face disso, Relator(a] LUIZ FUX; Orgão íulgador: PRIMEIRA TURMA; Fonte: DI DATA:02/05/2005
a relatora reafirmou a razão fundamental de se dar uma solução definitiva sobre uma PG:OOl72 RSTI VOL.:00192 PG:00134)
pendênCia que, no plano mternacional. iustificaria a derrocada das normas proibitivas II "Recurso. Extraordinâno. Efeito suspensIvo. Inadmissibilidade. EstabeleCimento mdus-

sobre a importação de pneus usados. haja vista que, para o Órgão de Apelação da OMC, tnal. lnterdição pela Secretaria da Receita Federal. Fabncação de cigarros. Cancela~~n­
se uma parte do Poder Judiciário brasileiro libera empresas para Importá-los. a despeito to do registro especial para produção. Legalidade aparente. lnadimp~emento slstematico
da vigência das normas postas. é porque os objetivos alegados pejo Brasil. perante o e Isolado da obrigação de pagar Imposto sobre Produtos IndustrIalIzados-IPI. C~mpor­
órgão mternacional do comerciO. não teriam o fundamento constitucional que as valida- tamento ofensivo â livre concorrênCia. Singularidade do mercado e do caso. Llmmar
rIam e fundamentariam. Acrescentou. no ponto, que, em 17~12-2007. o Órgão de Solução mdeferida em ação cautelar. IneXistência de razoabilidade .iurídica da I;Jretensão. Votos

53
52
,Leonardo VtZeu Figueiredo Direito EconOmko Constitucional

vencidos. Carece de razoabilidade jurídica, para efeito de emprestar efeito suspensIvo a 1.8, EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA NA CRFB
recurso extraordinárIo. a pretensão de mdústria de cigarros que. deixando sistemática e
Isoladamente de recolher o Imposto sobre Produtos lndustnalizados. com conseqüente
redução do preço de venda da mercadoria e ofensa ã livre concorrência, viu cancelado Art. 170, C",)
o regístro especial e mterditados os estabelecimentos." (AC 1.657~MC. ReI. p/ o ac. Min.
Cezar PeJuso. Julgamento em 27~6-07, Plenáno, Df de 31-8~07) Parâgrafo ÚniCO. É assegurado a todos o livre exerciclo de qu~l­
quer atividade econômica, mdependentemente de autonzaçao
II "ServIços de Telecomunicações. Exploração. Edição de Listas ou Catálogos Telefônicos
e Livre Concorrência. Se, por um Jado. a publicação e distribuição de listas ou catálogos
teiefônicos constitufa um ônus das concessionánas de serviço de telefonia - que podem
1 de orgãos públicos, salvo nos casos preVIstos em lei.
• ~':"'~,"",..".;....,';"""
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cumpri~lo com ou sem a veiculação de publicidade - não se pode dizer que estas tinham Da leitura do texto acima transcrito, depreende-se que a regra é a liber-
exclusividade para fazê~lo. O artigo 29 da L. 6.874/80 ('A edição ou divulgação das listas dade de exercício da atividade econômÍCa, como corolário da livre in1c1ativa,
referidas no § 2 2 do art. 1 Q desta Lei, sob qualquer forma ou denominação. e a comerclali~
zação da publicidade nelas Inserta são de competência exclusiva da empresa exploradora
no qual o Estado não deve interferir na manifestação volit1va de seus agentes
do respectivo serviço de telecomunIcações. que deverá contratá-Ias com terceiros, sendo econômicos para tanto, Todavia, isso não significa que o Poder Público, nos ca-
obngatóna, em tal caso. a realização de licitação') era Inconstitucional- tendo em vista a sos em que se evidencie interesse da coletividade, não possa regular a atividade
Carta de 1969 -na medida em que mstitUl reserva de mercado para a comercialização das econômica, impondo requísitos para seu exercícIO racional. atuando, inclusive,
listas telefônicas em favor das empresas concessionânas. RE desprovido." (RE 158.676. com poder de polícia admInIstrativa para fazer valer e efetivar suas medidas,
ReI. p/ o ac. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 14~8-07. 1ª Turma, Df de 5-10~07)
devendo tal dispositivo ser interpretado de fonna sistemática com os demaIS
)} "Farmácia. Fixação de horârio de funcionamento. Assunto de Interesse local. A fixação preceitos constitucionais de direito econômico.
de horârlo de funcionamento para o comercIO dentro da área municipal pode ser feita
por lei local, visando o interesse do consumidor e evitando a dominação do mercado
por oligopólio." (RE 189.170. ReI. p/ o ac. Min. MaurícIo Corrêa, julgamento em 1º-2~01. -7A~!
Plenáno, DI de 8-8-03). No mesmo sentido: AI 729.307-ED. Rei. Min. Cármen Lucia, Resta claro. portanto. que o ínstítuto Jurídico da autorização, previsto no art. 170,
íuIgamenro em 27-10-09, l' Turma, DIE de 4-12-09; RE 32L796-AgR, ReI. Min, Sydney parágrafo único. CRFB, se trata de ato adm(mstraüvo negocIaI. aplicável às ativida-
Sanches, Julgamento em 8~10~02. 1ª Turma, Df de 29-11~02; RE 237.965~AgR. ReI. Min.
des econômicas, cuja exploração se SUjeita ao Poder de Polícia do Estado. Por óbvio.
Moreira Alves, Julgamento em 10~2~00. Plenáno. Df de 31-3-00. _ grifamos.
sua natureza lurídica Quanto à liberdade de atuação estatal, isto e. Quanto à vin-
1> "O pnnciplo da defesa do consumidor se aplica a todo o capítulo constitucional da atiVI- culação ou à discricionanedade do Poder Público, dependerá de préVia análise da
dade econônllca. Afastam~se as normas especiaIs do Código BrasileIro da Aeronâutica e legíslaçao instituidora (marco regulador), mormente quanto à liberdade de atuação
da Convenção de Varsôvla quando Implicarem retrocesso sOCial ou vilipêndio aos direi- do particular em face da chancela da Administração Pública.
tos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor:' (RE 351.750, ReI. p/ o ac. Min.
Carlos Britto, .Julgamento em 17-3-2009. Pnmeira Turma, DIE de 25-9-2009). Vide: RE
575.803-AgR, ReI. Min. Cezar Peluso, julgamento em 1º-12-2009, Segunda Turma, DIE >~~::...w",~,:"",---,-_-_. _ _ --", _ _ _ ",;~~_- .....'_. -<-'<_. .;;,~ ..... ~-- ,.",~;;..------..: i
de 18-12-2009, ~ I
< -7 ApiiM.çêo ""'" ~~ ;
» "A atividade econômica não pode ser exercida em desarmoma com os principlOs desti- -'1) (Procurador BACEN/cESPE/2oog) Advertência e cassação da autorização de funcio- !
nados a tornar efetiva a proteção ao meio ambiente. A íncolumidade do meío ambiente D namento das instítuições financeiras prívadas ou públicas. exceto as federais, são!
não pode ser comprometida por mteresses empresariais nem ficar dependente de moti-
vações de indole meramente econômIca, aínda mais se se tiver presente que a atividade
econômica, considerada a disciplina constitucíonal que a rege, está subordinada, dentre
,
D penas aplicáveis pelo BACEN nos casos de infração a lei Que rege o SPB. '

) Respos[Q: Errada. As /nsIJruições financeIras federaiS igualmenre se submetem ao íugo regulador


outros prmcipios gerais. aquele que pnvilegia a 'defesa do melO ambiente' (CF. art.170. ) do Banco CenrmJ do Brasil.
VI), que traduz conceíto amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural, de
meio ambiente cultural, de meio ambiente artificial (espaço urbano) e de melO ambiente
laboral. Doutrína. Os instrumentos lurídicos de caráter legal e de natureza constitucio-
1,8.1. Jurisprudência selecionada
nal objetivam VIabilizar a tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as
propnedades e os atributos que lhe são inerentes, o que provocaria inaceitável com- II "No tocante ao art. 35, sustentou~se não apenas a inconstitucionalidade material do dis~
prometimento da saude, segurança, cultura. trabalho e bem~estar da população, além positivo corno também a formal. Esta, por ofensa ao art. 49, XV. da Constituição, porque
de causar graves danos ecolÓgiCOS ao patrImômo ambiental, considerado este em seu o Congresso NaCIOnal não tena competência para deflagrar a realização de referendo.
aspecto físico ou natural." (ADJ 3.540-MC, ReI. Min. Celso de Mello, julgamento em l-9- mas apenas para autorizá~lo: aquela, por VIolar o art. 59. caput. do mesmo diploma, nos
0S, PIemino, DI de 3-2-06) tôplCOS em que garante o direito individuai à segurança e ã propriedade. Tenho que taiS

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Direito Econômico Constltuoona!
Leonardo V"rz:eu Figueiredo

ponderações encontram-se prejudicadas. asSim como o argumento de que terIa havido 1.9.1. Direito pátrio
vIOlação ao art. 170. caput, e paragrafo tinlca, da Carta Magna, porquanto o referendo O critério proposto pelo Ministro Eros Roberto Grau é ~ m~is aceito e utili-
em causa, como esabido, já se realizou. tendo o povo votado no sentido de permitir o co-
mêrcio de armas, o qual. no entanto. convêm sublinhar. como toda e qualquer atividade zado pelas bancas da MagIstratura Federal. do MinistériO Publico Federal. bem
econômica, sUJeita-se ao poder regulamentar do Estado." (ADI 3.112. voto do Rel. Min. da CESPE e da ESAF. sendo amplamente utilizado na seara federal. O Esta-
Ricardo Lewandowski, julgamento em 2-5-2007. Plenârio, Dr de 26-10-2007.) camo G 21 d ' t rvir na econo
do. segundo critérío proposto por Eros Roberto rau ,po e m e -
» "Ações diretas de inconstitucionalidade ajUIzadas contra os arts. ll.!, L lI. UI e IV. paragra- mia por melO das seguIntes formas:
fo 12. a 32. e 211., da Lei 7.711/1988 (...). (.,,) Esta Corte tem hIstoncamente confirmado e
garantido a proibição constitucIOnal às sanções políticas, invocando, para tanto, o direito
1. absorção: ocorre quando o Estado atua em regime de monopólio.
ao exerciclO de atividades econômicas e profissiOnaís lícitas ( ...), a VIolação do devido avocando para si a iniciativa de exploração de determmada atiVIdade
processo legal substantivo (falta de proporcionalidade e razoabilidade de medidas gra- econômIca.
vosas que se predispõem a substituIr os mecamsmos de cobrança de creditos tributá-
rios) e a VIOlação do devido processo legal manifestado no direito de acesso aos órgãos Z. participação: dá-se quando o Estado ,atua paralelamente ac;: p~rticu~
do Executivo ou do fudiciárlo tanto para controle da validade dos creditos tributáriOS. lares. empreendendo atividades economlcas ou. amda. pres n o ser
CUia IlladimplêncIa pretensamente Justifica a nefasta penalidade, quanto para controle VIÇO público economicamente explorável. concomitantemente com a
do próprio ato que cuimlna na restnção. É Illequivoco. contudo. que a onentação fir-
mada pelo STF não serve de escusa ao deliberado e temeráno desrespeito â legislação iniciativa prIvada.
tributária. Não hoi que se falar em sanção política se as restrições à prática de atividade 3. direção: verífica-se quando o Estado atua na e~o.:'omla por meIO de
econômica obietivam combater estruturas empresariaIs que têm na inadimplência tri-
instrumentos normativos de pressão. sela por edlçao de leIS ou de atos
butária slstemàtica e consciente sua maIOr vantagem concorrencial. Para ser tida como
inconstitucIOnal, a restrIção ao exerciclo de atividade econômIca deve ser desproporcIO- normativos.
nal e não razoàveL Os InCISOS I. IH e IV do art 1º vIolam o aft 52, xxxv. da Constituição.
4. indução: acontece quando o Estado incentiva. po~ m:io de bene~~~~
na medida em que ignoram sumafiamente o direito do contribUInte de rever em âmbito
ludicIaI ou admimstrativo a validade de créditos tributáriOS. Violam tambem o art. 170, creditícias. a prática de determinados setores econOIDICOS. S~l~ po
para grafo uni co, da Constituição. que garante o exercícIO de atividades profiSSIOnaiS ou termédio de benefícios fiscais. de abertura de li~has de ~redlto para
econômicas líCitas." (AD1173 e AD1394, ReL Min. roaquIm Barbosa, Julgamento em 25- fins de incentivo de determmadas atividades. de mstttulçoes fmancel-
9-2008. PlenáriO. DIE de 20-3-2009.)
ras pnvadas ou oficiais de fomento.

EXERcíCIO DE ATNlDADE ECONÔfo1lCA Ainda segundo o Ministro Eros Roberto Grau. eXIste a figura do privi!égIO
que consiste na possibilidade de o Estado afastar o particular na prestaçao de
Regra: Exceção: serviços públicos de sua titularidade. amda que explorados sob a forma de att-
vtdade econômica com finalidade lucrativa.
o

©.
V
Liberdade em atividades
Obtença.o de autorrzação
Na seara do Direito Admmistrativo tradicional. Hely Lopes MeirelIes" clas-
sifica a intervenção do Poder Público. de forma ampla. ao conSIderar que o E:-
tado reconhece e assegura a propriedade privada e a liberdade de em.I'resa e

\
de funcionamento para atívidades
não reguladas pelo Estado
". ~
reguladas pelo
.. - Estado
~ ;; . . ,.",1
,~",
forma condicionada ao bem-estar coletivo. em duas formas de atuaçao. qUaIS
sejam:
\ 1.9. FORMAS DE INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ORDEM ECONÔMICA: CLAS- a) no domínio econômico (dinâmica): que incide na atividade lucrativa
SIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA da empresa e recai sobre o produto do trabalho humano. confenndo-Ihe
Antes de se estudar as formas pelas quaIs a ConstituIção da República
Federativa do Brasil disciplina as formas de mtervenção do Estado na Ordem
21. GRAU. Eros Roberto. A Ordem Econôrnu:a Na ConstituIção de 1988 (Interpretação e Critica). 7ª ed.

\ Econômica. mister se faz analisar os critérios propostos pela doutrma para tan-
to. uma vez que são pontos constantes nas bancas da Magistratura Federal, do
Mimstério Público Federal. do CESPE e da ESAF.
São Paulo~OOZ. p.175. _ r d Eunco de Andrade
22. MEIRELLES. HeJy Lopes. Direito administrativo brasileIro. obra :tua lza a p~~ -
Azevedo, DélclO Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle Filho, Sao Paulo: Ma elros,
26i1 d 2001
e ., .

57
56
Direito EconÔmtcO Constituoonal
'> Leonardo Vueu Figuetredo

c) repressão: coibição ao abuso do poder econômico, proteção ao consu-


u:" aspecto dinâmICO. sendo objeto específico de estudo no Direito Eco-
midor e ao meia ambiente:
nOIDICO; e
d) regulação: forma de redução da intervenção do Estado no domínio
b) na propriedade privada (estâtica): apresentada sob forma mer- econômico. no qual ele assume funções de controle, normatização e fis-
te. pOlS,r~CaI sobre os bens localizados no território do Estado. sen- calização das atividades econômIcas e de relevante interesse coletivo;
do mat~rIa afeta ao Direito Administrativo. Nesse caso. a mtervenção
ocorrera por meIO de ocupação. requisição. limitação administrativa e) exploração direta: intervenção estatal em caráter excepcIonal em ati-
parcel~mento e edificação compulsórios, tombamento. servidão admi~ vidades econômicas que envolvam importante interesse coletivo ou se-
nIstrativa e desapropriação. gurança nacional;
II
, Por sua V~Z, no q~e tange à atuação no domÍnÍo econômiCO, Diogo de Fi~ f) desestatização: forma de redução da intervenção do Estado na domí-
ll':'elredo MoreIra Neto destaca quatro modalidades. cujo critério de classifica- nio econômico. no qual há transferência de atividade explorada pelo
çao se pauta na forma pela qual o Estado perfaz sua intervenção. Poder Público ao particular:
a) R~gulatória: forma de intervenção na qual o Estado, por intermédio de f.l) privatização: alienação do controle acionário da entidade empre-
leIS e normas de cunho setortal. atua disciplinando a ordem econômica. sarial do Estado ao particular:
de forma generIca e abstrata: .
f2) terceirização: transferência da execução de alguma atiVídade
b) Concorrencial: ocorre quando o Estado. nos casos expressos e devida- para o particular. mantendo-se o planejamento e controle na Po-
mente autorIzados no ordenamento jurídico. atua em regime de Igual- der Público:
dade com o particular na exploração de atividade econômica:
f.3) concessão e permissão: transferência de gestão de serviço públi-
c) Monopolista: dá-se quando o Estado reserva para si a exploração ex- co aO particular. mediante cobrança de tarifa;
clUSIva de determmada atividade econômica:
f.4) gestão associada: dá-se mediante a celebração de convêmos.
d) S.ancionatór~a:. vIsa a reprimir e punir abusos econômicos, no exercí- consórcios. contrato de gestão e acordos de programa.
CIO de suas atiVIdades de políCIa administrativa na ordem econômica.
_ Para Marcos Juruena Vmela Souto". dado o reordenamento da interven- 1.9.2. Direito comparado
çao es:atal. decorrente do processo de desestatização da economia. o Estado No que se refere ao direito econômico comparado. merecem destaque os
mtervem na ordem econômica das seguintes formas:
critérios propostos tanto por Luís S. Cabral de Mancada". quanto por André de
a) planejam~nto: elaboração de um plano de desenvolvimento econômi- Labaudere", para classificação das formas de intervenção econômica do Poder
co. por meIO do qual ele busca identificar e implementar as ações ne- Público. a saber:
cessanas a propIcIarem o bem-estar geral:
a) quanto à abrangência: globais, setoriais e pontuais oU avulsas:
b) incentivo: fomento à iniciativa privada para. aderindo voluntariamen-
"i te ao plano. explorar as atividades nele previstas:

I
I i
23. RM.oRdEI,RA NETO. Diago de Figueiredo; Curso de Direito Administrativo, 12il edição' editora Forense'
la e anelro.2002.

de relações
.

seto~;~~~~o~~::;~~'~~:';;:=~~~:~i~:ti~: ~fn~~~1C:nr:v:~~~~~~traÇão pública


.

24. ~~UeJoRi',Madreo, s furuenL~ VllIel,a. Desestatização. Privatização. Concessões, Terceinzações e Regulação


. o e anelro: urnen úns.2001. .
25. MONCADA, Luis S. Cabral de. Direito Econômico. 33 edição. Portuga!~ Editora COimbra. 2000. p. 33 a
38.
26. LAUBADÊRE, Andre de: Droit public economlque, 1979. by JURISPRUDENCE GENERALE DALLOZ, PA·
RIS: Tradução e notas de Marta Teresa Costa revista por Evaristo Mendes; Direíw Público Econômica
(titulo nos países de língua portuguesa); COimbra: Almedina.198S. p. 28 a 31.
59
58

\
\ Leonardo VtZeu Rgueiredo Direito EconOrnlCo Constituaona!

a.l) Intervenção global: acontece quando o Estado fixa uma política


)
macro de planejamento econômico. intervIndo em caráter conjun-
)
to na Economia Nacional. por meio de normas gerais e abstratas: (Procurador do BACEN/CESPE/2009) Na doutnna. a intervenção estatal no dominio
)
da economia pode ser considerada como "'todo ato ou medida legal que restrínge.
a.Z) Inten::enção setorial: dá-se quando o Estado fixa políticas aplicá- )
condiclOna ou supríme a iniciativa privada em dada área econômica, em beneficio
veIS, tão-somente. a setores determmados da economia, por nor- ? do desenvolvimento nacional e da JUStiça social. assegurados os direitos e garantias
mas gerais e abstratas: ) individuais" Diógenes Gaspar!n\. Direito administrativo. 6.~ ed. São Paulo: Saraíva,
) 2001, p. 614 (com adaptações). levando em conta os ditames da CF. assinale a opçao !
a.3) Intervenção pontual (avulsa): ocorre quando o Estado necessita ) correta acerca do assunto abordado no texto.
i~tervjr no caso concreto em determmadas entidades empresa- ) . a) Em benefício de relevante interesse da coletividade. admite~se que o estado do
nas que atuam no mercado, por atos concretos e específicos. ) Piau(. por exemplo. crie empresa para explorar o transporte rodoviário de pas~
) sagelros. ligando aquele estado aos príncipals centros dinâmicos do pais.
b) Quanto aos efeitos: intervenções imediatas e mediatas:
) b) Em que pesem os impactos positiVOS na competitividade da empresa, medida
b.l) Intervenção imediata: verifica-se nos casos de intervenção dire- )
provisória que traga benefícIos fiscaiS específicos para a PErROBRAS padecera de
VíciO de InconstitUCionalidade.
ta, que produzem efeitos mstantãneos. tendo caráter nitidamente "

econômÍCo: c) O presidente da República pode, por meIO de decreto. estabelecer regras de ava·
)
Iiaçao de desempenho para os administradores de instituições oficiais federais 1
b.Z) Intervenção mediata: observa-se nos casos de Intervenção indi- Que explorem a atividade finance,'ra, como o Banco do Brasil.
}
reta. e produzem efeitos graduais. que só se fazem perceber ao d) Nao tem guarida constituclonalle! ordinaría que autorize a aquisição, pelo gover-
} no federal. de estoques agrícolas produzidos pela iniciativa pnvada, ainda que
longo do tempo. uma vez que tal mtervenção tem caráter político. )
com reflexos econômicos. para estabilizar os preços do setor e garantir a comefCIalizaçao.
) e) No âmbito das atividades de importação de petróleo. o Estado deve arrecadar
c) Quanto à manifestação de vontade: intervenções unilaterais e ) recursos da contribuição de intelVençao no dominio econômico. que devem ser
bilaterais: ) destinados. entre outras áreas. ao financiamento de projetos sociais em saúde e
) educação.
c.l) Intervenção unilateral: quando o Estado atua no exercício de
J
seu ius imperium proibindo ou autorizando determinadas ativi- '} Resposra: B); art. 173 (...) § 20 • As empresas públicas e as sociedades de economlO mista não
dades. íntervíndo no mercado econômico através de atos unila-
terais (leIS. :egul,amentos ou atos admimstrativos normativosl,
========:-!
~-.-_ ,::.~p,:Od=e=ra=-o=g=o=zo:=r-,d=e:-,p::.ri"Vi=Jé=gJ=O=-'=fi':::CO=I5=nõ:=o,:e::x:,e:::n:="V,:O=':d::-':do==,e"!O:=r:-,p,,:",,:VO:=d,,O:,:.
nos ~uaIs nao ha espaço para manifestação volitiva do agente
econOffilca: 1.9.3. Jurisprudência selecionada
j) "O seIVIço postal - conJunto de atividades que torna possível o envio de correspondênCia,
\ c.Z) Intervenção, bilateral: ocorre quando o Estado, em que pese atu-
ar no exerC1ClO de seu ius imperium. condiciona a eficácia do ato de
ou obieto postal, de um remetente para endereço final e detennmado - não consubstancia
atividade econômIca em sentido estríto. SeIVIço postal é seIVIço público. A atividade eco-
\ nômIca em sentido amplo e gênero que compreende duas espécies. o serviço público e a
inte,;e~ção á conJugação da manifestação de vontade do agente
eco no mICO, subordinada à ratificação do Poder Público, atividade econômica em sentido estrito. Monopólio é de atividade econômica em sentido
estrito, empreendida por agentes econômicos privados. A exclusividade da prestação dos
d) Quanto à atuação do Estado: intervenções direta e indireta: serviços públicos é expressão de uma situação de pnvilégio. Monopólio e privilégiO são
distintos entre si; não se os deve confundir no âmbito da linguagem iurídica, qual ocorre
d.l) Intervenção direta: ocorre quando o próprio Estado avoca a SI a no vocabuláriO vulgar. A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo. a ex-
exploração da atividade econômica. na qualidade de agente em- ploração do serviço postal e o correio aéreo nacional [artigo 21, inciso X]. O serviço postal
preendedor no mercado: é prestado pela Empresa BrasileIra de Correios e Telégrafos - ECT, empresa pública, enti-
dade da Administração Indireta da União, cnada pelo decreto-leI n. 509. de 10 de março
d.Z) Intervenção indireta: ocorre quando o Estado se limita a con- de 1.969. É imprescindível distingUlnnos o regIme de privilégiO, que diz com a prestação
dICionar o exercício da exploração da atividade econômica sem dos serviços públicos. do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de
assumír posIção de agente econômIco ativo. ' atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. A Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de exclusividade na prestação dos serviços
60
61
I
l
Leonardo Vizeu figueiredo

que lhe incumbem em sítuação de privilégio. o príviléglo postal. Os regimes Jurídicos sob
os quais em r~gra são prestados os semços públicos Importam em que essa atividade
Direito EconOmtcO Constituoonal

Nos termos do art. 174 da Constituição da República Federativa do Brasil,


sela desenvolvida sob ~nvíléglO, inclusive. em regra, o da exclusividade. Argüição de des- a seguir transcrito, o Estado brasileIro está legitimado para interferIr no pro-
cumpnmen_to de precelt~ fundamental julgada Improcedente por maIoria. O Tribunal deu cesso de geração de riquezas. atuando como agente normativo e regulador da
mterpretaçao confonne a CO". StitUlçãO ao artigo 42 da Lei n 6538 para
r _. . 'd d . . res tn ngIrasua
. atividade econômica, por meio do exercício de funções de fiscalização. incentivo
ap tcaçao ~s ativl a es ~ostalS descritas no artigo 9 Q desse ato normativo." (ADPF 46. ReI. e planejamento, conforme passamos a delinear,
pio ac. Mm. Eros Grau, Julgamento em 5-8-09, Plenàrio. DJE de 26-2-10)

» "Linhas de selVl~o de ~nsporte rodOviário mterestadual e internacional de assa el- >-77~! .,=,~~~ ~~:
r~s. Decret~ presidencial de 16 de)ul~o de 2008. Pnvatização. DesestatiZação.~rt 2~, §
1 ,b, da Lei 9.491/1997. TransferencIa para a miClativa prl~vada d - d :; A intervenção indireta estatal. como agente normativo e regulador das atividades
'bI' d .. a execuçao e serviços
pu - ICOS da União "Art 21 XII ,e. da C" econômicas. e a regra na atual Constituiçao. sendo atividade estatal maximizada
d e responsabilIdade Poss'b'I'd d d e d esestati-
' t
,. 1:. Illae
zaçao e servIços publicos de responsabílidade da Uni'a-o J'a' expI d ' ?)-_ pelo legislador constitumte, uma vez Que este não a limitou a determmado setor.
D - d· ora os por particulares.
enegaçao a ordem. A titularidade dos serviços de transporte rOdoviário mterestadual Peliaz-se. ainda, por meio de funçoes de fiscalização. de Incentivo e de planelamen-
. - de passa.- gelros, nos termos do art 21 ' XII ,.
ed mternacIOnal e da C"I:,e. d ama0. ~ Ia
U ,- É posslve > to. dando-se tratamento prioritárIo ao cooperativIsmo e outras formas de associa- t"
eses~tizaçao de se~lços públicos já explorados por particulares. de responsabilidade ") tlvismo profiSSional. !
da Umao. conforme disposto no art 2 2 , § 1 2 , b parte final da Lei' 9 491/1997 I _ ~.~~"',.
c d - d ' . . - ' nexlsten-
la _e c~ncessao ou e permlss_ão para a utilização de algumas linhas. além da immente
eXP.lraçao do p~zo de con:essao ou ~ermlssão de outras linhas. ExIstência de decisões 1.10.1 Agente normativo e regulador
JudiCiaiS profendas em .açoes CIVlS publicas propostas pejo MinIsténo Público Federal
~ue detern:mam a Imediata realização de certames das linhas em operação. Possibilida- O presente ponto é constantemente exigido nas carreiras da Advocacia
e de adoça0 da modalidade leilão no caso em apreço, nos termos do art 49 § 39 d L . Geral da União, especificamente a de Procurador Federal. uma vez que esses
~~491/1997. Nece~sidade de observância do devido processo licltatório, í~dep~n:e:~ profissionais atuam na consultoria lurídica e na representação dos entes regu-
mente da modalidade a ser adotada (leilão ou concorrênCia)." (MS 27 516 R J M' ladores autárquicos do Governo Federal. bem como a de Procurador do Banco
Ellen Gracle, Julgamento em 22-10-2008, Plenãrlo, DIE de 5-12-2008.) • . e. m. Central do Brasil. por atuar na consultoria Jurídica e na representação do ente
regulador do Sistema FinanceIro NaCional.
1,10. INTERVENÇÃO INDIRE1i\DO ESTADO NA ORDEM ECONÔMICA NA CRFB
A Intervenção mdireta, por vIa de regulação da atiVIdade econômIca, sur-

Art. 174. Corno agente normativo e regulador da atividade eco-


'" -}
giu como pressão do Estado sobre a economia para devolvê-la à normalidade,
isto é, para garantir um regime de livre concorrência. evitando-se que práticas
nômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscali- abusivas perpetradas pelos agentes economicamente maIs fortes em face dos
zação, incentivo e planejamento. sendo este determinante para
mais fracos atuem em detrimento do mercado e, por conseqüência, de toda a
o setor {lúblico e indicativo para o setor pnvado. r
sociedade.
§1 9 - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacIOnal equilibrado. o qual incorporará e com- Nos EUA, a regulação como forma de intervenção indireta, implementada
patibilizará os planos nacionms e regionais de desenvolVimento. vIa Executivo, surgiu ante a neceSSIdade de se padronizar o comercIO interesta-
§2 2 - A leI apoíará e estimulará o cooperatiVIsmo e outras for- dual, evitando-se a guerra fiscal entre os Estados Membros, de se estudar e nor-
mas de associativismo. matizar o monopólio natural decorrente das linhas ferroviárIas, bem como de
§3 9 - O Estado favorecem a orgamzação da atividade ganmpel- se coibIr a prática de condutas abusivas nesse mercado. Dado o sucesso na atu-
ra em cooperativas, levando em conta a proteção do meIO am- ação reguladora do Estado norte-americano, diversas outras áreas de interesse
biente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. coletivo e utilidade pública foram submetidas à heterorregulação, tais como o
§49 - As cooperativas a que se refere o parágrafo antenor terão Mercado de Valores Mobiliários, a Segurança Pública, o Setor de Vigilância Sa-
prIoridade na autonzação ou concessão para pesqUIsa e lavra nitária, dentre outros, Na Europa, foí oriunda do processo de desestatização
dos recursos e jazidas de minerais garlmpâveis, nas áreas onde da economia, decorrente da mudança do Estado Intervencionista (Bem-estar
esteJam atuand!l. e naquelas fixadas de acordo com o art. 21. SOCIal) para o Estado Regulador, O caso brasileiro seguiu, micialmente, o mode-
XXV, na forma da lei.
lo norte-americano, por ocasião da modernização jurídico-econômica de nosso
Sistema Financeiro NaCional (Lei n" 4.595, de 1964), Posteriormente, quando
62
63
Leonardo Vizeu Figuetredo Direito EconÔmlco Constituaona!

da desestatização de nossa Ordem Econômica. adotamos o modelo europeu mercado. as estruturas de tarifas. os preços e renda, e o ambiente competitivo.
(Lei nº 8.031. de 1991), notadamente o da Inglaterra.
Acrescenta. também, diversas atividades do governo federal nas areas de sati.-
Dessarte. o Estado pode e deve Interceder normativamente para regular a de. segundade, proteção ambiental e do consumidor. ou no padrão de emprego
economia, editando leis e atos de cunho eminentemente político-econômico"o pelo Impacto que produzem nas empresas privadas. De5sarte. para a Adminis-
tração Pública Norte-Americana. uma defimção ampla de regulação pública ín-
Por regulação. a doutrina. tanto nacional, quanto estrangeira, apresenta os
mais diversos conceitos. duma todas essas areas e ainda aquelas ativídades que afetam as operasões da
indústrIa privada e a vida dos cidadãos particulares. somente podendo ser de-
No campo do Direito Comparado. o jurista espanhol Santiago Muiioz lineada apenas em face do momento sócIO-econômico pelo qual passa a Nação.
M~chado entende que a regulação é um conjunto de técnicas de intervenção Para Carlos Ari Sundfeld, regulação é um instituto de cunho eminentemen-
publica no mercado. que deve ser entendida como um controle prolongado e
te político. que vai além do direito. razão pela qual afirma:
localizado. exercido por uma agência pública, sobre uma atiVidade a qual a co-
munidade atribuiu relevânCia social". "A regulação. enquanto especIe de mtervenção estatal. manifesta-se
tanto por poderes e ações com objetivos declaradamente econômi-
PO': s~a"vez. o ilustre doutrmador lusitano Vital Moreira considera que a cos (o controle de concentrações empresariaiS, a repressão de infra-
regulaçao e o estabeleCimento e a Implementação de regras para a atividade ções â ordem econômica, o controle de preços e tarifas, a admissão
econômica. destinadas a garantir o seu funcionamento equilibrado. de acordo de novos agentes no mercado) como por outros com Justificativas di-
com determinados objetivos públicos'.'o o
versas. mas efeitos econômicos inevitáveiS (medidas ambientais. ur-
banísticas, de normalização. de diSCiplina das profissões etc.). Fazem
Na lição do mestre Canotilho. na moderna concepção de posicionamento regulação autoridades CUIa míssão sela cuidar de um específico cam-
estatal em relaç~o à economia. o Estado assume uma postura de regulador de po de atividades considerado em seu COlllunto (o mercado de ações,
as telecomUnicações. a energia, os seguros de saude. o petróleo), mas
atiVIdades economlcas, podendo. inclusive. delegar a regulação a entidades ad- também aquelas com poderes sobre a generalidade dos agentes da
ministrativas independentes. não diretamente subordinadas ao poder político economia (exemplo: órgãos ambientaiS). A regulação atinge tanto os
governamental, quando se fizer necessário. agentes atuantes em setores ditos pnvados (o comérCIO, a mdústna,
os serviços comuns - enfim, as atividades econômicas em sentido es-
Tal delegação a entes admimstrativos autônomos e independentes nm- trito) como os que, estando especialmente habilitados, operam em
damenta-se na verificação de que a execução de muitas competências e atri- áreas de reserva estatal (prestação de serviços públicos, exploração
buições estatais necessita de recursos. conhecimentos. experiências técnicas e de bens públicos e de monopólios estatals)"J1.
profissionais que se encontram, por vezes, fora do aparelhamento estataI30 0
Para Odete Medauar", a regulação abrange a edição de normas. a fisca-
Merece destaque que. para o Departamento de Orçamentos do Congresso lização de sua devida observância, a impOSição de sanções e a mediação dos
Norte-Amencano. uma definição de regulação deve levar em conSideração o im- conflitos. não sendo atividade exclusíva do direito econômico. mas de todo o
pacto sobre as atividades de empresas privadas. tais como a entrada e saída do ordenamento jurídico.
Por sua vez. Marçal Justen Filho" nos dá a segumte defimção: "A regula-
27. Re,ssalte:se Que, par:a Marcos luruena Villela Souto. In Desestatização. Privatização. Concessões e Ter- ção econômico-social consiste na atividade estatal de intervenção indireta sobre a
cemzaçoes. 3. ed. Rio de janeiro. Lumen luns, 2001, a regulação é uma forma de redução da inter- conduta dos SUjeitos públícos e privados, de modo permanente e sistemático, para
venção do Es~d~ na.Orde.m Ec~nômlca, aSSim como a desestatização, que se perfaz das seguintes implementar as políticas de governo e a reolização dos direitos fundamentais"o
f?rmas: 1) pn~~za~o: ahenaça,? do controle aCionàrio da entidade empresarial do Estado ao par-
ticular; 2) ,tercemzaçao: transferenoa da execução de alguma atividade para o particular, mantendo- Esmiuçando seu conceito. explica o ilustre doutrinado r paranaense que o
se o ~Iane]amento e co~trole no Po.der Público; 3) concessão e permissão: transferênCia de gestão de
serv"lÇO ~ubl!co ao ?articular, ~edlante cobrança de tarifa; e 4) gestão associada: dá-se mediante a vocábulo regulação traz um coi!r:eito mais amplo que engloba. concomitante-
celebraçao de conVentos. consorcios, contrato de gestão e acordos de programa. mente. a junção de diversos instrumentos jurídicos de execução de sua função
28. MACHADO, Santiago Mufioz. s.,ervicio Público y Mercado: los fundamentas. Madrid, 1998, t. i., p.264.
29. ~4~REIRA. Vital. Auto-reguJaçao ProfiSSional e AdminIstração Pública. COImbra: Almedina, 1997, p.
31. SUNDFELD. Carlos An, "Direíto Econômico Brasilelro",I;] edição, 2;] tiragem, Malheiros Editores, p.18.
30. CANOTILHO, f. I· Gomes, "Direito constitucIOnal e teona da constituição" 4i ed. Coimbra' Almed'"na
2000. -' , , , 32. MEDAUAR. Odete. DireitaAdmmistrativo Moderno, 8;] ed. São Paulo: ReV1sta dos Tribunais. 2004. p. 84.
33. IUSTEN FILHO. Marçal. nCurso de Direito Administrativo~. São Paulo. editora SaraIva, 2005, p. 447.
64
65
Leonardo Vtzeu Figueiredo Di.reito EconÔmico Constituaona!

estatal. conforme veremos adiante. Outrossim. esclarece que toda regulação de prejudica o ciclo econômICO. uma vez que a produção e a comercializa-
atividade econômIca tem por fim a promoção de valores sociais, não havendo ção ficam a cargo de um só agente (monopólio) ou de poucos agentes
como se efetuar a regulação econômica sem a respectiva promoção social. (oligopólio), gerando prejuízo no que tange ao consumo. ante a sobre-
Como já tivemos oportunidade de assmalar em obras anteriores, a regu- pOSIção arbitrária e lnlustificável dos interesses privados dos agentes
lação pode ser conceituada tanto por uma perspectiva objetiva. que leva em sobre os interesses coletivos (consumidores) e sobre o ínteresse pú-
conta os elementos de produção legislativa do direito positivado. quanto por blico (Estado);
uma perspectiva subjetiva. que deve observar as relações Jurídicas de direito b} Deficiência na distribuição dos bens essenciais coletivos: Ocorre
material entre os agentes econômicos e o Poder Público:
quando o mercado não é capaz de promover o acesso da coletividade
"Dessarte. pode-se conceituar. objetivamente, a regulação como o aos bens essenciais para satisfação do mínimo existencial, sendo inepto
conjunto de atos e medidas estataiS que tem por fim garantir a obser- a garantir o princípio da dignidade da pessoa humana:
vânCia dos pnncipios norteadores da ordem econômica no mercado.
bem como a devida e correta prestação de serviços públicos, além d~ c) Externalidades: Fatores produzidos pelos agentes que operam no
Incentivo e fomento para a Implementação das políticas públicas res- mercado. na consecução de suas atividades. cujos efeitos se fazem
pectivas para direcIOnamento de cada mcho da economIa. Sob um as-
presentes sobre terceiros não participantes do respectivo ciclo eco-
pecto subjetivo, pode-se conceituar a regulação como o processo es-
tatal de normatização. de fiscalização. de Incentivo, de planejamento nômico (produção. circulação e consumo). que vai além do respectivo
e de mediação da atividade econôrmca dos particulares, conjugando nicho. gerando forte impacto no meio social. Ex.: pOlUiÇão. OutrOSSim.
os Interesses privados destes com os interesses público e coletivo en- as externalidades ocorrem quando o bem-estar de um consumIdor ou
volvidos no ciclo econômico do respectivo mercado. AsSim, da junção as possibilidades de produção de uma empresa são diretamente afe-
dos dois aspectos conceituaiS acima delineados, a regulação se trata
tados pelas ações de outro agente da economia. De outra forma, as ex-
de toda medida estatal, envidada no sentido de garantir a prevalên-
CIa dos principlOs da ordem econômica, bem como do respectivo In- ternalidades podem ser definidas como os efeitos. sobre uma terceira
teresse coletivo, a fim de efetivar a observânCia das políticas públicas parte, derivados de uma transação econômica sobre a qual a terceira
norteadoras do planejamento econômico e sOClaP4". parte não tem controle. Externalidades positivas são efeitos que au-
.~~~',"'''~'=' .. ~~.~,~.~~,~~~~~~--
....;.=."..=".~ mentam o bem-estar dessa terceira parte (por exemplo. ao reduzir os
?:;:, ,,,
)
custos de produção), enquanto externalidades negativas são efeitos
:~ Uma vez que o modelo econômico estatal regulador fundamenta-se no príncípio I: que reduzem o bem-estar (por 'exemplo, com o aumento dos custos de
13 da subsidiaríedade, somente haverá motivo para promover a regulação de algum ( produção);
) set~r ,d~ economia dse eXistir uma das chamadas falhas de mercado. as Quafs se

) ;e~~~: I~ae~c~~cti~s a:i::a::~~:~~::t~~:ofo;:~c!s~~~:I~:~~~: ~I'~~se~:~~~;~~


d) Assimetria informativa: Ocorre quando o consumidor e/ou o Estado
não possuem conhecimento sobre como o mercado opera. ou detém
')
)
~
aliadas. sempre. a uma insatisfação
maceítável (condição política).
sodaI
produzidos. bem como Iniustificavel concentração de poderio econômico e renda.
(requisito SOCiológico) e politicamente r;'
informações imperfeitas que não refletem à realidade material do res-
pectivo setor econômico, o que facilita e permíte a prática de condutas
abusivas por parte dos agentes econômicos que nele atuam. pratica-
'~~~~~~~~~~~~~~~~~~~=:~~~::=:::=:=:~=:=:=::j
ô -ph, ",,-J ,,,_, ,,; ,'<: '-~ ,_~~=== mente. à revelia do Poder Público. É de se ressaltar que a aSSImetria de
Em que pese a variedade de classificação doutrinária. podemos dizer que informações gera efeitos igualmente funestos para o consumidor. que
as falhas de mercado se manifestam das formas a seguIr listadas: fica prejudicado ante o desconheCImento de como se procedimentaliza
a relação econômica de consumo. bem como sobre o produto que ad-
a) Deficiência na concorrência: Ocorre quando. no respectivo merca-
quire. fatos esses que. somados a outros. o coloca em uma posição de
do, não há condições favoráveis para existência de uma disputa sau-
hipossuficiência ante o agente econômico. Observe-se que a assimetria
dável e equilibrada entre os agentes econômicos envolvidos. fato que
informativa representa violação ao princípio da transparência que se
traduz na boa-fé econômica. sendo princíplOlogicamente vedada pelo
34. FIGUEIREDO, Leonardo Vizeu. Lições de Direito Econômico. Rio de fanelro: Forense. 2006. Direito, consoante institutos consagrados em diversos ramos 1urídicos.

66 67
Leonardo Vu:eu Rguelredo Direito EconÔmICO Constituaona!

taIs como o Código Civil", o Código de Defesa do ConsumIdor", Lei de Dessarte, resta claro que somente haverá regulação estatal (heterorre-
Mercados de Capitais" (Lei n" 4.728 de 14 de julho de 1965), dentre gulação ou regulação pública) onde o mercado privado, por sl, não consegUIr
outros. regular-se (auto-regulação ou regulação pnvada), lsto ti, quando não conseguir
alcançar os fins colimados pelas políticas públicas adotadas pelo Estado, tanto

I
e) Poderio e desequilíbrio de mercado: É o pré-requisito econômico-
financelro que se traduz na relevância do mercado para a economia no âmbito da Constituição, quanto no plano mfraconstituclOnal e, tampouco al-
nacional, podendo ser avaliado por diversos fatores, taIs como o nume~ cançar as necessídades inerentes â sua salutar manutenção. fazendo-se mister
rária mOVimentado periodicamente pelo respectivo nicho econômICO. a mtervenção estatal para tanto. Assim, podemos classificar a regulação em:
~ a quantidade de empregos. diretos e indiretos, gerados, a produção e a) auto-regulação ou regulação privada: decorre da regulação exerCIda
i drculação de rlquezas que refletem diretamente sobre o produto inter- pelo próprio mercado. que, por SI e sem a neceSSIdade de interferên-
no bruto, o aumento de divisas, o equilíbrío da balança comercial. bem cias externas. mostra-se capaz de garantir o respeito aos principios que
como sobre a renda per capita, entre outros. norteiam a ordem econômica, mormente a livre iniciativa e a liberdade
de concorrência. É oriunda, tão-somente, do uso deVIdo dos mecanis-
Aliada a uma ou mais falhas de mercado aClma, conforme já dissemos, de-
ve-se conjugar urna situação sócio-política insustentável. que gere repercussão mos de mercado por parte dos própnos agentes econômicos que nele
inaceitável para a coletividade, cnando grande celeuma e prejuízos para a vida operam. Por mecanismo de mercado entende-se todo ato empresarial.
em socIedade. Isso porque não há necessidade de se regular setores que não de cunho prívado, praticado pelos agentes econômlcos na consecução
tenham repercussão relevante para o interesse coletivo. de seus negócIOs Jurídicos. Basela-se na teoria clássica do liberalismo
econômlco de Adam Smith, pela qual a regência da economia se dá por
meio da mão invisível que a conduz, sendo que a persecução dos ob-
RE4UL.AÇÃO
íetivos individuais leva ao atingimento dos interesses coletivos. Como
exemplos de mercados auto-regulados. podemos destacar. atualmen-
Fato Econõmico Falha do Mercado
te, o setor de telefonia móvel e o setor de planos e seguros privados
de saúde coletivos, nos quais os entes reguladores (ANATEL e ANS),
respectivamente, limitam-se ao seu monitoramento. Via de regra, não
Fato Social Insatisfação popular há intervenção estatal em mercados capazes de se auto-regularem (ex.:
competições esportivas). Todavia, vale ressaltar que, na auto-regula-
ção, a atuação do Poder Público também se faz necessána. de forma
Fato Político Instabilidade
preventiva. mediante análise dos atos empresariais dos agentes econô-
nos Poderes Constítuídos
micos por parte das autoridades antitrustes, responsáveis pela defesa
concorrencial. a fim de garantir que não haja desvirtuamento dos me-
canismos de mercado.
35. Lei nU 10A06{02: ':4rt 441. A coísa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada b) heterorregulação ou regulação pública: decorre da necessidade que
por V/CIOS ou defeitos ocultos, que a tomem Imprópria ao uso a que li destinada, ou lhe diminuam o o Estado tem em interferir no mercado para garantir a observância dos
valor"
Q
36. Lei n 8.078/90: itrt. 4.!! A Pof[üca NacIOnal das Reiaçães de Consuma tem par objetivo o atendimento príncípios que norteIam a Ordem Econômica. uma vez que o mesmo é
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus tncapaz de fazê-lo por sl, apresentando falhas que necessitam ser cor-
interesses econõmlcos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e hannoma ngJdas. Vale observar que não é mdispensável que a heterorregulação
dos relações de'consumo, atendidos os seguintes prmcfplOs:
..
(. ) seja exercida por agência reguladora, podendo ser feita por qualquer
IV· educação e infonnação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com órgão ou entidade integrante da Administração Pública. Como exem-
vistas ti melhoria do mercado de consumo";. plos históricos de entes reguladores públicos, podemos destacar: o an-
Q
37. Le! n 4.728/65: itrt. 2!l O Conselho Monetáno Nacional e o Banco Central exercerão as suasatríbUl-
ções legaiS relativas aos mercados financeiro e de capitais com a finalidade de: tigo Departamento de AVIação Civil - DAC, criado em 22 de abril de
i - facilitar o acessa da público a informações sobre os titulas ou valores mobiliários distribufdos no 1931, pelo PreSIdente Getúlio Vargas, subordinado ao então Ministério
mercado e sobre as SOCIedade que os emitirem"; de Viação e Obras Públicas, que tinha por fim disciplinar a navegação
68 69
Leonardo Vtzeu Figuetredo Direíto EconÔmICO Constitucional

e a indústrIa aeronauticas do Brasil. cUfas atribuições encontram-se., Assim, podemos entender essa forma de atuação estatal como uma forma
atualmente, a cargo da recém-crIada Agência Nacional de Aviação Civil de Vigilância exercida sobre a atividade econômica, que zela pela estrita_ ob-
- ANAC; o já extinto Instituto Brasileiro do Café, criado em 1952, em servância dos prmcípios estabelecidos pelo legislador para a Ordem EconomI-
substituição ao Departamento Nacional do Café, com o fim de regular a ca, no que se refere à atividade empresarial e empreendedora exerCida pelos
política cafeeira nacional, atuando até o ano de 1989, quando já subs-
particulares.
tituído pelo Conselho Deliberativo de Política de Café; e ainda o Banco
Central do Brasil, responsável pela normatização do Sistema Financei- Observe-se que a fiscalização estatal pode ir desde a mera observação.
ro Nacional. passando pela censura, podendo, nos casos mais extremos, chegar à inter-
dição e ao encerramento da atividade, quando se fizer necessário para de-
EXERcícIO DE ATNlDADE ECONÔMICA
fesa do interesse coletivo envolVIdo, dentro dos limites legais, previamente

( Regra: Exceção:
estabelecidos.

1.10.3. Incentivo econômico


©
Auto-regulação Heterorregulação
Por incentivo, dentro do processo de regulação estatal, entende-se o auxí-
lio prestado pelo Poder Público para o fomento, a implementação ou o desen-
ou regulação privada " ou regulação pública ~ volvimento de determinadas atividades econômicas, a serem exploradas pelo
;!
" h - . • ,S.:ü.!u,' ~ ,\lA .. " "];>'" '. ". J
·'J;;,W;JSa.",-·' -,~.""/'O,._,,,; .• particular. Cumpre frisar que a atividade de incentivo estatal é fundamental
para diminuir as desigualdades regionais. uma vez que o desenvolvimento ec?-
Ressalte-se que, o Estado brasileIro adotou em âmbito federal o modelo de
nômico não se dá de forma equivalente e uniforme em todas as regiões do paIS.
regulação setorial, criando entes especializados e específicos para cada nicho
Dessarte, cumpre ao Poder Público, a fim de alcançar um nIvelamento econômi-
da economia, Na República Federativa do Brasil temos, atualmente, os seguintes
setores sujeitos á regulação estatal: co e social em toda a nação. recorrer exatamente aos benefícios fiscais. reduzin-
do, gradativamente, as disparidades existentes.
a) Econômica: ANP, ANATEL (telefonia móvel), BACEN e CVM;
Ressalte-se que os beneficios concedidos não podem Violar o prmcípio da
b) Serviços públicos: ANATEL (telefonia fixa), ARPE e ASEP IR/; ísonomia l tampouco representar subsídios injustificâveis para determinados
c) Social: ANS e ANVISA: agentes econômicos. devendo ser implementados para o setor. não para tercei-
d) Ambiental: ICM, SISNAMA e IBAMA; ros. tampouco para determinados entes.

e) Cultural: ANCINE e IPHAN. Isto porque incentivar é criar estímulos favoráveis ao progresso da ativida-
CO
de econômica, é dar condições positivas para o seu desenvolvimento.. ê íncitar
1.10.2. Fiscalização econômica }
-;,
o crescimento, possibilitando um melhor e mais adequado resultado da econo-
'·."·.1
mIa, dentro do que dispõe e prevê a legislação aplicável. consubstanciando-se,
No âmbito constitucional. dentro do processo estatal de regulação. a ,
',','1' sobretudo. nos princípios que orientam a ordem econômica, notadamente na
fiscalização atribuída ao Poder Público sobre a atividade econômica traduz-
liberdade de imciativa e a livre concorrência.
se em controle da juridicidade do exercícIO da liberdade de iniciativa pelos
particulares. Em outras palavras, a atividade é implementada e exercida pela inicIativa
Implementa-se. por meio dessa função. a fiscalização das práticas dos privada, contando, todavia, com benefícios e lncentivos estatais transparentes,
agentes econômicos. do empresariado. de modo a perceber se há adequação que a conduz ao cumprimento dos lnteresses públicos e coletivos estabelecIdos
de sua conduta ás normas jurídicas de contetido econômICO editadas pelo Esta- para tanto,
do. Representa, assim, uma atividade prévia de acompanhamento da atividade Oportuno frisar que a redução das deSIgualdades SOCIais e regionais e um
econômica, para fins de verificaçãà de observância do ordenamento aplicável. dos princípiOS da Ordem EconômIca brasileira (art. 170, VII), bem como um dos
garantindo-se a efetividade e a eficácia das políticas públicas do Estado. objetivos fundamentais da República (art 3 2 • 1II).
70
71
~.
I Leonardo V1Zeu Figueiredo
Direíto Econômico Constitucional

A própna Constituição da República veda a guerra fiscal entre os estados- sua observânCIa em relação ao Poder Público. uma vez que serâ leI em caráter
membros, Impedindo, dessa forma, que o instituto do Incentivo seja deturpado meramente formal. não quanto ao seu conteúdo matenal.
com o fim de mascarar disputas políticas internas, a teor do disposto no art. 155
e §§ da Carta Política de outubro de 1988. Segundo o pensamento de André de Laubadere. convém afirmar a luridi-
cidade do Plano. na qualidade de ato admimstrativo. afirmando-se "que. se o
1,10.4, Planejamento econômico Plano não arrasta qualquer obrigação da parte dos particulares. ele o~rlga, ~m
contrapartida, o Estado. O Estado tem o dever. não só moral. mas tambem jU;ldl-
Por planejamento econômíco estatal entende-se o conjunto de políticas
co, de ~xecutar o Plano na parte que lhe respeita de tomar as medidas necessanas
públicas estabelecidas pelo legtslador, seja constituinte, sela infraconstitucio-
à sua execução"41.
nal. como metas a serem alcançadas pelo Estado, no que tange à consecução de
seus obíetivos econômicos e sociais, dentro de um periodo pré-fixado. Do exame da atual Constituição. depreende-se que o Plano (ou planeja-
mento), com previsão nos art. 48, IV, art. 165, §4° e art. 174'~. consoante acima
Destacamos a definição de Luis S. Cabral de Mancada, que estabelece que
dito. igualmente incíta discussão quanto â sua natureza J~n~Ica, ha~endo quem
"O plano econômico pode ser definido como o acto jurídico que define e hierarqui-
o considere um mero ato político. e. nesse caso, não ense)a vmculaçao aos seto-
za objectivos de política econômica a prosseguir em certa prazo e estabelece as
medidas adequadas d sua execução"JB, res público e privado. conforme acima dito.
Todavia, no entendimento de Celso Ribeiro Bastos", Igualmente esposado
Segundo José Afonso da Silva: "O planejamento econômico consiste. aSSim,
pela JurisprudêncIa, o plano constitui ato íuridico e. nesse caso, só vi~cula o
num processo de intervenção estatal no domínio econômico com o fim de orga-
setor público. Essa divergênCia possui implicações praticas. conforme dIto aCI-
nIzar as atividades econômicas para obter resultados previamente colimados."39
ma, na medida em que, em se tratando de ato político. o Estado não pode ser
De acordo com o magtstério de Eros Roberto Grau: "O planejamento eco- responsabilizado em função de inadimplemento das diretivas estatais. Ao re-
nômico apenas qualifica a intervenção do Estado sobre e no domímo econômico. ves, considerando-o como ato jurídico. a responsabilidade torna-se plenamente
na medida em que esta, quando conseqüente ao prévio exercícIO dele, resulta mais cabivel.
raCIOnal. Como observei em outro texto. forma de ação racional caracterizada
Atualmente, o planejamento estatal. dentro do ordenamento co,nstituclO-
pela preVisão de comportamentos econômicos e sociais futuros, pela formulação
nal vigente (art.48, IV, art.165, §4º e art.174. todos da C~FB), tem carater ~era:
explícita de objetivos e pela definição de ação coordenada mente dispostos. o pla-
mente indicatiVO para o setor pnvado, sendo de observancIa obngatona mo-so
nejamento, quando aplicado ti intervenção; passa a qualificá-Ia como encetada
sob padrões de racionalidade slstematizada"40, para o setor público, como foí ViStO, Como exemplo de política pública de pla-
r. nejamento estatal. podemos destacar a LeI nº 8.031. de 1990, postenormente
Todavia. o conceito não ê unâmme, havendo divergênCIas doutrinárías. in-
clusive sobre sua natureza Jurídica. Segundo a doutrina francesa, consideran-
do-se o Plano como um ato juridico. este. dado seu caráter cogente. vincula- 41. LAUBADERE, Andni de: Droit public economlque. 1979, hy jURISPRUDENCE ~E~ERl!L~ DALLO~, PA·
na a atuação da Admimstração Pública, obrigando o Estado em sua execução, RIS; Tradução e notas de Maria Teresa Costa revista por Evarlsto Mendes; DIreito PubliCO EconamlCO
(titulo nos jJaises de língua portuguesa); ·Coimbra: Almedina.1985. p. 3~3 ~ 328_ .
fato que implicaria até em responsabilização. ante seu descumprimento ou 42. 'itrt. 48, Cabe ao Congresso Naaonal, com a sanção do Presidente da Republl:a, ~ao ext91~a esta p~ra
sua inobservâncIa. Por sua vez, caso se considere que o Plano tem natureza de o especificado nos arts. 49. 51 e 52. dispor sobre todas as matérias de campetenc/Q da Umao. especlQ{·
ato meramente político, afastando-se sua juridiCldade, não haverá cogência na mente sobre: C..) ~
IV· planos e programas nactonalS, regionais e setonals de desenvolVImento:
KArt. 165. Leis de iniCiativa do Poder Executivo estabelecerão: (,.1 . . _ _
§ 4º - Os {llanos e programas nacionaIS, regionais e setonals previstos nesta COnslJtUl~O serao
elaborados em consonânCia com o plano plunanual e apreCiados pelo Congresso NaclOn~l.
"Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercera, na forma
38. MONCADA. Luis S. Cabrai de. Direito EconômIco. 03i! edição; Editora COimbra; Portugal; 2000, p.
482. da lei. as funções de fiscalização. Incentivo e planelamento. sendo este determinante para: o setor
público e indicativo para o setor privado. ..
39. GRAU. Eros Roberto. A Ordem Econômica Na ConstitU/çeio de 1988 (Interpretação e Critica), 7i! ed.
São Paulo. 2002. p.l77 e 178. . § 1li - A lei estabelecerá as diretrIzes e bases do planejamento do desenvolVImento naCional equ!lt-
brado. o Qual Incorporará e compatibilizará os planos naCionais e reg1o.nals de desenvolvimento.
40. SILVA, Jose Afonso da, Curso de Direito ConstitucIOnal Positivo. 18l! ed São Paulo: Malheiros. 2000.
p.787. 43. BASTOS. Celso Ribeiro. Curso de Direito Econômrco. São Paulo: Celso Ribeiro editor. 2003. !l' 257 a
274.
72
73
Leonardo VlZeU Figueiredo Direíto Econômico Constitucional

alterada p_ela Lei nº 9.491. de 1997. que Instituiu o Programa NacIOnal de De- que: "CONSTITUCIONAL INTERVENÇÃO ESTATAL. ESTIPULAÇÃO DE PREÇOS. PEDIDO
sestatizaçao da eco~omía brasil"ei,ra. transferindo para a iniciativa privada uma DE CERTIDÃO. DIREITO ASSEGURADO. 1- A Constituição Federal. no seu art.170, precei-
gama de empreendImentos e atiV1dades. até então exploradas pelo Estado. tua que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre Ini-
ciativa, tendo por finalidade assegurar a todos existênCia digna, conforme os ditames da
:, justiça socíal, observados os princípIOS que Indica. No seu art. 174 pontifica que, como

:; (Advogado ,d~ união/cESPE~2008) O Estado exercera. como agente normativo e regu-


agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerâ, na forma da
leI, as funções de fiscalização. incentivo e planetamento. Desses dispositivos resulta daro
que o Estado pode atuar como agente regulador das atiVidades econômicas em geral,
?
jador da atividade ,econômica, as funções de fiscalização. incentiVO e planejamento..
sendo este deterrmnante para o setor privado. rt sobretudo nas de que cuidam as empresas que atuam em um setor absolutamente estra-
tégico. daí lhe ser lícíto estipular os preços que devem ser por elas praticados. (...). 8. A
S Resp~sta: Errada; Art. 174, Como agente normativo e regulador da atividade econômica. o Estado
! Lei que regula a livre iniCIativa e a vedação às práticas anticoncorrencíaIs (Lei 8.884/94)
\I exercera. na forma da lei, as {unções de fiscalização. InCentivo e planeJamento, sendo este deter- I
deve subsumir-se aos principlos maiores da Constituição Federal, por isso que não há
Infração ã ordem prevista na Lei Maior Quando a providência adotada pela Pessoa lurí~
,') m/nome para o setor público e indicativo para o setor privado.
dica de Direito Público limita-se a cumprir a promessa Constitucional adrede formulada.
J
) 9. A Tutela da Indústria NaCIOnal é consectário do próprio desenvolVImento da nação.
(Procurador :edera!/C~SPE/20~7) O ato de restituição do ICMS sobre a exponação tanto mais que a ConstitUIção regula a livre ímcIativa dentro do nosso país. a concorrên~
5
I
de produtos industrializados e considerado modalidade de inteIVenção direta do
Estado no domínío econômico.
t cia dentro do nosso territóno. razão pela qual a própria Lei 8.884/94 determina a sua
) Imperiosa aplicação mesmo que haja tratados internaCIonais em contrário, postura le-
>
) Resposto: Errada; Intervenção Indireto por Incentivo fiscal. Arr. 174. Como agente normalivo e
gítima diante da natureza hierárqUica dos documentos transacionals em confronto com
as leis federais; art. 2. 2 verbls: '~plica-se esta Lei. sem preiuizo de convenções e tratados
) regulodor do arMdode econômica, o Esrodo exercerá. no forma do fei, as funções de fiscalização. í de que seja sIgnatáno o Brasil. às práticas cometidas no todo ou em parte no território
Incentivo e plane/omento. sendo esre determmante para o seCOr público e mdicativo para o serer ' naCIOnal ou que nele produzam ou possam produzir efeitos". 10. A InstitucIOnalização
pnvodo. 1 do indice de naCIOnalização da aquiSição de Resina PET, além de atender aos ditames
constitucionais e mfraconstituclOnais ora enumerador, atende ao reqmsito da razoabili-
J dade, porquanto as empresas que se situam na Zona Franca desfrutam de situações de
vantagens no afã de evitar o rompimento do equilíbrio e da preservação da economia e
1.10.5. Jurisprudêucía selecionada
da industria nacional perante a produção estrangeIra. 11. Forçoso reconhecer, por fim.
» "Fi.scalização - Lei Delegada n. 4{62 - Recepção pela Constituição Federal de 1988. A a força da iUrisl?rudência e de seu resultado, restando inequivoco que a supressão de
LeI Delegada n. 4/62 f~1 recepclOnada pela ConstituIção Federal de 1988. no que revela um PPB provoca inequivoco efeito "dominó" em toda a política aduaneIra do pais, Que
o Ins:=rumento ~ormativo corno meIO para repnmir o abuso do poder econômico que tem como escollo a proteção da mdústria naCional e o desenvolVImento equilibrado e
vise a dommaça~ dos rn.ercados, a elimmação da concorrênCia e ao aumento arbitrâno sustentável do pais, como pretendeu o Constituinte ao erígIr esses designios como ob-
do~ lucros - § 4- do artigo 173 -, bem corno quanto ã atuação fiscalizadora do Estado letivos fundamentaIs da rellública. 12. A análise meritóna sob o pálio da màxíma obiter
arjogO 174, amb 00s da Carta Política em vigor." (AI 268.857~AgR, Rei. Min. Marco Aurélio: dictum, permite-nos concluir: a) a Portaria Interministenal atacada que estabelece o
lU gament o em 2 - 2-01.2;1 Turma, Df de 4-5-01) , PPB dos Produtos Pré-Forma de Resma PET Industrializado na Zona Franca de Manaus
não traz nscos à livre iniCiativa porquanto a concorrência ínternacíonal pré-estabelece
» MANDADO DE SEGURANÇA. PqRTARIA MINISTERIAL. ILEGALIDADE POR OFENSA A LI- preços ao sabor do mercado: b) a concorrência cammha ao sabor de fato smgular ao
VRE INICIATIVA E A CONCORRENCIA. PRÉ-FIXAÇÃO DE PREÇOS E RESERVA DE MERCA- setor. qual o alto poder de compra dos consumidores. os quais peja sua capacidade de
DO PARA EMPRESAS NACIONAIS. LEGITIMIDADE E LEGALIDADE DA PORTARIA MINIS- aqUISIção impedem o exercicio do poder de mercado pelos fornecedores. facilitando o
TERIAL. PROCESSO PRODUTIVO BASICO - PPB. I. A República Federativa do Brasil tem poder de barganha dos compradores; c) ineXIste nsco de o consumidor final restar afeta-
cOamo ~m dos seus objetivos fundamentais "garantir o desenvolVimento nacional" (art. do pela medida, tanto mais que a resina PET está praticamente confinada a Zona Franca
3.-, inCISO II da CF11988), razão pela qual compete ã União atraves de seus Mimstérios de Manaus e o eventual preço praticado fora desse limite representana um aumento
elaborar e executar planos nacionais e regionais de desenvolvimento econômico (art. 21 de irrisonedade inSIgnificante a luz da defesa dos consumidores como constatado nos
IX, c.c. art. 87, lI. da CF 11988). 2. O Processo Produtivo Básico (PPB) representa estraté~ autos e d) a COnjuração da Portaria tnfluma negativamente em toda a cadela produtiva
gta de alcance desse desiderato, por Isso que a Portaria Ministenal que o Instrumentaliza até alcançar-se a Pre-Forma. destrumdo com efeitos retrooperante todos os segmentos
nada maIS empreende do que extenorlzar o poder normativo secundário dos Ministénos que antecedem, a fabncação do produto final. 13. A numeração desse item mdica, na
consagrados no art. 87, lI, da CF/1988, a qual admite o Estado como agente normativo ~ percepção popular que são antevísiveis as graves lesões ã economia pública se alijada do
regulador ~as ati~dad:s. econômIcas voltado para o Interesse público. 3. Sob esse ângu- cenárIO lurídico-comercIaI a Portana sub judice, afetando não só a mdústna naCIOnal de
lo, a Pnmelra Seçao legttimou a Intervenção estatal em caso semelhante ao sub examine resma PET, mas ã própna economia brasileira e a concepção jurídico-constitucional da
porquant~ refe,rente à Zona ~ranca de Manaus. ao estatUir unanimemente no MS 2.887 i Zona Franca de Manaus que a um só tempo prOpICia o desenvolVImento nacional e regio-
DF, Rei. Mm. Cesar Rocha. Pnmelra Seção, publicado no D{U de 13.12.1993, pág 27369. nal.14.Segurança Denegada. (ST{; MS 200601063146; MS- MANDADO DE SEGURANÇA
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75
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!! Leonardo VtZeu figueIredo


Direito EconômICO Constituoonal

InIciativa, tem por fim assegurar a todos eXIstênCia digna, conforme ~os d~tames da .i~s­
I - 11862; Relator(a) ELIANA CALMON; Órgão julgador PRIMEIRA SEÇÃO: Fonte DIE
tiça social. observados os seguIntes princípIOS: (...) IV -livre concorrenCla. Isto sl~lfica
DATA;2S/05/2009)
que a Administração Pública não tem título jurídico para aspirar ~e.ter em sua~ maos o
» Execução fiscal: débito representado por Cédula de Crédito Industnal em favor do BRDE poder de outorgar aos particulares o direito ao desempenho da atiVidade economIca ~l
• Banco Regional de DesenvolvImento do Extremo Sul: midoneidade da VIa processual. ou qual; evidentemente. também lhe faleceria o poder de fixar o montante da produçao
resultante da solução negativa a questão constitucional da suposta natureza autarqulca ou comercialização que os empresànos porventura Inte~tem efetua~ De a~ordo com

\ mterestadual. que se arroga o credor exequente: RE provido. I. Atividade econômica do


Estado: intervenção suplementar no domímo economíco ou exploração de serviço pu·
blico.l. Ainda que se devesse reduzir a participação suplementar do Estado na atividade
s termos constitucionaís, a eleição da atividade que sera empreendIda assim como o
~uantum a ser produzido ou comerCializado resultam de uma deCisão livre dos agentes
eConômICOS. O direito de fazêMlo lhes advem diretamente do Texto ConstituclOn~1 e d~~M
econômica "stncto sensu" obleto do art. 170 CFj69· aquela que se faça mediante o
M cende meSmo da própna acolhida do regime capitalis~, para nã~ se falar dos dIS~O~lti­

\I' apelo a tecmca pnvatistica das empresas estatais de forma mercantil não basta a desca-
racterização. em tese, da natureza autarqUlca de um banco de desenvolVimento cnado
pelo Poder Público, 2. Em tese, a assunção estatal, como serviço público. da atividade
vos constitucionais supramenclOnados. No passado ainda podenam prosperar dUVlda_s
'quanto a IStO; porem. com o advento da Constituição Federal de 1988, tornou-se e.nf~tI­
camente explícito que nem mesmo o planejamento econômiCO feito pelo Poder Pub~lCo
i dos bancos de desenvolVimento e tanto mais Vlavel quanto e certo que, desde a Consti- para algum setor de atividade ou para o cOnJunto deles pode Impor-se como obng,atono
I tuição de 1967. a elaboração e a execução de planos regionais de desenvolvimento fo- para o setor privado. Eo que está estampado. com todas as letras. no a~ 174: Como
ram explicitamente mcluídos no rol da competência da União: dispensa demonstração agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercera, ~a forma da
que, nosso regime de liberdade de iniciativa, a atividade de fomento dela. desenvolvida lei as funções de fiscalização, Incentivo e planejamento, sendo este determinante para
pelos bancos de desenvolVimento - mediante emprêstimos com prazo ou condições m.- o ;etor público e Indicativo para o setor privado. (...)" (Celso AntÔnIO Bandeira de Mello
vorecidas, prestação de garantias, Intermediação de empn~stimos externos ou tomada 10 "Curso de Direito Admmlstrativo". 14ª ed. Malheíros, 2002, p. 619 M 620). 3. No afã de
de participações aCIOnarias -, são um dos instrumentos primaclals da tarem. estatal de regular o comerCIO exterior e manter a sua balança de pagamentos equn~brada, o Es~
execução do planejamento econômICO. n. AutarqUla mterestadual de desenvolVImento: tado-Soberano pode preconIzar a paridade cambial, preViSivelmente SUJeita, q~anto a
sua inViabilidade constitucIOnal. 3. O dado diferencIal da autarqUia e a personalidade de sua estabilidade, ao comêrcio externo e a política internaCiOnal, fatos InImputa~:IS aO
direito público (Celso AntOnIO), de que a podem dotar não só a União. mas também as Estado NaCIOnal. quer â luz da responsabilidade objetiva quer a luz da responsablhdade
demais entidades políticas do Estado Federal, como teCnICaS de realização de sua função subjetiva, Inerentes as hlpôteses de atos omIssivos. nos quaIS é impenoso de~ectar que a
administrativa, em setor especifico subtraído a admInIstração direta. 4. Por ISSO mesmo, entidade pública tinha o dever de evitar o ImpreViSto que gerou dano a tercelro~. 4. Con-
a validade da cnação de uma autarquia pressupõe que a sua destinação mstítuclOnal soante escorreitamente assentado no aresto recorrido "1. A União ê parte ilegítima ~ara
se compreenda toda na função admmistrativa da entidade matriz: Cinco. O ob1etivo de figurar no pólo passIvo das ações em que se discute direito â IOde~l~ação por pre1uízos
fomento do desenvolVImento de região composta pejos territónos de três Estados Fe- decorrentes da súbita modificação da política cambIaI, estando leg1t1mado. com exclUSI-
derados ultrapassa o raio da esfera administrativa de qualquer um deles, Isoladamente vidade. o BACEN. que decidiu e implementou a liberação do mercado de câmbIO. ~. (SIC)
considerado; só uma norma da Constituição Federa! poderia emprestar a manifestação Ao contratar em moeda estrangeira, o empresário sabe e espera que sua obn~aça~ ;;e1a
coniunta, mediante convenIO, de vontades estatais Incompetentes um poder que. indi- quantificada segundo a vanação cambial. O mercado de câmbio, ?or natureza, e van~vel.
vidualmente, a todos eles m.lece. 6. As sucessivas Constituições da Republica - além de Tanto ê assim que para lívrar~se dos efeitos de uma valonzaçao Inesperada do .dolar,
não abnrem explicitamente as unidades federadas a cnação de entidades públicas de existe a opção de contratação de operações de hedge. 2. Ainda que se pudesse conslde~r
administração mterestadual-, tem reservado a União, expressa e priVativamente. as ati- ImpreVisível a súbita liberação do mercado cambiai. pelo BAC~N, em lB/0~/9:, atra~es
vidades de planejamento e promoção do desenvolVimento regIOnal: analise da temâtIca do ComUnIcado 6565, e a correspondente maxidesvalonzaçao do real, nao ~ possl":.el
regIOnal no constitucionalismo federal brasileiro. (RE 120932 / RS ~ RIO GRANDE DO transfenr ao Estado os pre1uízos decorrentes da álea de negócIo VInculado a vanaç~o
SUL; RECURSO EXTRAORDINÁRIO; Relator(a): Min, SEPULVEDA PERTENCE; fulgamen- futura do dólar norte~amencano. A teona da lmprev'lsão aplica-se aos contratante~:..na~
to; 4/03/1992; Orgão fulgador: PrImeIra Turma; Publicação; Df 30-04-1992 PP-05725; Vinculando terceiros. 3. A liberação do mercado de câmbio, pelo BACEN, na ocasJao. e
EMENT VOL-01659-02 PP-00255; RTf VOL-00141-01 PP-00273), tida por regular, pOIS surgiu como alternativa capaz de proteger as reservas ~am~lal~ do
Brasil. A volatização do mercado financeiro e de capitaIS, produto da globahzaçao, e ca-
" RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO, PARIDADE CAMBIAL. INTERVENÇÃO ESTATAL
paz de provocar súbitos desequilíbrios nas reservas cambiaiS, o que eXige do: G~vernos
NO DOMíNIO ECONÔMICO, PRETENSÃO DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE OBJE-
modificações em sua política cambial. muitas vezes mesperadas ou ,maIS ,?rasticas ~ue
TIVA POR FORÇA DE ALTERAÇÃO DA PARIDADE CAMBIAL, CONSEQÜENTE DEVER DE
as esperadas, na tentativa de conter a liquidação da economia do pals.(...) :. A eXlsten-
INDENIZAR À UNIÃO E AO BACEN, FATORES INERENTES Á CONfUNTURA INTERNACIO-
cla de norma legal indicativa do exercíCIO da Intervenção no doml".l~ economlCO revela
NAL QUE SE ASSEMELHAM AO FATO DO PRÍNCIPE, IMPROCEDÊNCIA 1. A mtervenção
exercíCIO reguiar de direito, mercê de não se infenr da norma lundlca qualquer atuar
estatal no domfnio econômIco é determmante para o setor público e mdicatIva para o
omiSSIVO posto mexlstente o dever legal de manutenção da paridade, o qual, se eXistente,
setor pnvado, por força da livre miciativa e dos cânones constituCiOnais inseridos nos
poderia condUZir à culpa in ommittendo. 6. O .fato do prínCipe é argüível intra mu~os en-
arts. 170 e 174. da CF. 2. Deveras. sólida a lição de que um "dos fundamentos da Ordem
tre os particulares e extraterri.torialmente pelo Estado. desde que:, suposto fato Impre-
Econômica é Justamente a 'liberdade de iniCiativa', conforme dispõe o art. 170, o qual,
Visível e danoso dependa de conJunturas internaCIonaIs. ImpreVIsíveis. ad substantia. 7.
em seu inCISO IV. aponta, ainda a 'livre concorrênCia' como um de seus prlndpios obn-
A ciênCia 1urídica-econômica não ê Imutável e eterna, como não o são os ordenamentos
gatónos.. 'A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
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76
Leonardo VlZeu Figuetredo
Direito EconOm\co Constitucional

voltados â regulação das atividades econô . .


de in1unções internas e internacionais co:::~cas, sUjeitas est:c;s as maIS dive~sas especles lAA, tentou contranar ou contradizer os preços apurados pela Fundação Getúlio Vargas.
tos alienigenas. rompímento de relaçõ'es diPl:~::~e:~~e~a~s,!:%roteçao dde prbod~­ No entanto, o IM, estabelecIa em valores Infenores. sem nenhuma fundamentação e ra-
vamente pelos seus atos e de s ' '. o respon e o leti- zão jurídica. e muito pior. de modo que. as empresas eram tomadas de surpresa pela fixa-
omissão, quando manifesto o d:~:~T:n:~~:~ nes~a qualidade causem. a terceiros e, por ção desses preços causando um preiuÍzo para toda a política que haviam estabelecido"
responsabilidade e subjetiva decorre;te de ped~r, o ato danoso, hlpotese em que a sua (AC n.!! 78.119/PE, o e. Mimstro fase Delgado. quando aInda integrava o TRF da Se Re-
extenores aliada â possibilidade de o aro I~pencla ou dolo. 9. A Ingerência de fatores gião) B. A Carta Magna de 1988 recepciona a mtervenção estatal na economia como InS-
â vontade estatal acrescido da p cu arp~evemr-se contra esses fatores alheIOs trumento de regulação dos setores econômicos. Contudo. essa mtervenção deve ser exer-
, mera natureza indICativa da política
_ec?nom~ca revela a
A

ausência de responsabilização do Estado 10 O R . cida com respeito aos pnncíplOs e fundamentos da ordem econômIca, cuJa preVIsão se
me de maténa fático-probatória 11 R . . eCUrso EspecIaJ nao e servIl ao reexa- encontra no art. 170 da Constituição Federal, de modo a não malfenr o principIO da livre
pa:re. desprovido. (ST! : RESP i00302e;~~~~~~~~~;I_P~~C~~~;;~S~O;~tACidO. e, nesta iniCiativa, um dos pilares da república (art. 1º da CF /1988). Nesse sentido, veja-se o ma-
ReIator(a) LUIZ FUX' Org- . I d L - 614048: gIsténo de DIOGENES GASPARIN1. m Direito Administrativo. 8õl Edição, Ed. Saraiva, pâgs.
PG:OOl72 RSTJ VOL.:Ó019;oJ;'~;13o:) PRIMEIRA TURMA: Fonte: DI DATA:02(OS!200S 629/630: As atividades econômicas surgem e se desenvoivem por força de suas próprias
leis, decorrentes da livre empresa, da livre concorrêncía e do livre jogo dos mercados.
» ~~~~~gg~~~~V~i:r~~~~~S;;~~l~~_~~~~~~~~ ~DE: EXECUTIVO DOS PREÇOS Essa ordem, no entanto, pode ser quebrada ou distorcida em razão de monopólios. oligo-
pólios. cartéis. trustes e outras deformações que caracterizam a concentração do poder
~: a União fi~do preços do setor sUJcro-alcooleiro abaixoc~~ v~~o~e~;~~~~ ~~ ~~~~~~~u econômico nas mãos de um ou de poucos. Essas deformações da ordem econômica aca-
as pC;~e~s~~~e:~o:f~nnueedevenaf segUir consoante lei específica. do contrato ~vrado .entr; bam, de um lado, por amquilar qualquer miciaova, sufocar toda a concorrência e por do-
, a per Cla atestara funda se e mInar. em conseqüência, os mercados e, de outro, por desestimular a produção. a pesqUI-
dita a cognição do E. STJ, na forma da SÚ 'I o - m prova e Aconsectanamente Inter- sa e o aperfeIçoamento. Em suma. desafiam o própno Estado. que se vê obngado a mtervlr
do: se a União Federal, atraves do fnsti:~ a :- 07: 2. Sob eSSe anguJo. assentou o lulga- para proteger aqueles valores, consubstanclados nos regimes da livre empresa, da livre
~:~~~\~SF~~~:~~ S~~~I;~~~~:On:~ tníVeiS '~f~~i~~:~ :o~Oc~!:~Id:~~~d'::Ç~~~~~::~
d
concorrência e do livre embate dos mercados. e para manter constante a compatibiliza-
ção. característica da economia atual, da liberdade de iniCIativa e do ganho ou lucro com
praticou ato i1ídto e ilegal, con~riand~r:o;is °o~~n;:sn~o fiLnna~o para essa finali~ade. o Interesse sociaL A Intervenção está, substanCialmente, consagrada na ConstitUIção Fe-
deve responder pelos danos causados aos partf PJ ç a el. n- 4.870/65 e, por ISSO, deral nos arts. 173 e 174. Nesse sentido ensma Duclran Van Marsen Farena (RPGE, 32:71)
de regresso contra os agentes públicos re c~ ares, se~ prelu~zo ~a competente ação que "O instituto da intervenção, em todas suas modalidades. encontra preVisão abstrata
Constituição Federal e. nos limítes da pro sponSaV~ls. con rme dlspoe o art 37, § 6 2 • da nos artigos 173 e 174. da Lei MaIor. O pnmeiro desses dispositivos permite ao Estado
ras, considerando os cMténos vmculados va penclal constante dos au~s.(fI.: 6~8) 3. DeveM explorar diretamente a atividade econômica quando necessâna aos Imperativos da segu-
de nulificação os referidos atos admims:a~v~dos aUsentes d~ motivaçao. Inquínando rança nacIOnai ou a relevante interesse coletivo. conforme definidos em leI. O segundo
macatávels pejo E. STJ à iuz da Súmula n º OS 4' o aresto recorndo assento~ premissas outorga ao Estado. como agente normativo e regulador da atividade econômica. o poder
a:o legíti~o, afirmada a responsabilidad~ con~ti~c~:::t~mA~uer ~or at~ líCito ,quer por para exercer, na forma da lei. as funções de fiscalização, Incentivo e planelamento, sendo
çao estatal no Domínio Econômico (art 37 § 6 2 d CF) a mlmstraçao por mterven M

esse determinante para o setor público e mdicativo para o privado". Pela Intervenção o
podena restar autô -." a • esse fundamento. que por SI sô Estado, com o fito de assegurar a todos uma existência digna, de acordo com os ditames
Recurso ExtraordinZ~~:lf;;t~~:Ph~r a responsabilização ob~etiva da União. desafia da Justiça SOCial (art.170 da CF), pode restringn; condicIOnar ou mesmo supnmir a Imcia-
do E. STI. 5. Dessarre a fixa _ rpos o. mas cUia causa petendl escapa a competência
tiva privada em certa área da atividade econômica. Não obstante, os atos e medidas que
a lei e o referido acordo. ri::s~~epreços.d.evena obedecer ~ dois atos vinculados a saber: consubstanCiam a intervenção hão de respeitar os principios constitucionaIs que a con-
aleatóna dos preço. sendo certo q~: :se~~~:~~nstatou ausencJa de motivação na fixação formam com o Estado Democràtico de Direito, consignado expressamente em nossa Lei
consta no item 2 do acordo de an '1' d' s preVIamente assentados, InclUSIVe o que Maior. como é o princípIO da livre imcIativa. LUCIa Valle Figueiredo, sempre precisa, alerta
a lse mter Ita ao 51'J cMa motivos d t
d evem ser seguidos. consoante a melhor d tn d ' e ermmantes que a esse respeito que "As balizas da mtervenção serão. sempre e sempre, ditadas pela pnn-
sociedade democrática eXIste o mi ou na o tema. 6. Isto porque "... em qualquer clpIOlogia constitucional, pela declaração expressa dos fundamentos do Estado Democrà-
fudiciário autorízado a ~minar a ~~e,:!e r~g~men~o ~as deCisões políticas. estando o tico de Direito, dentre eles a cidadania, a dignidade da pessoa humana. os valores SOCIaiS
proporcIonali?ade. Para mim, a especle es~~~~~:=e~:I~e mf~~o ~entro do critériO da do trabalho e da livre inicIativa" (Curso, cit., p. 64). 9. Deveras, â caractenzação do dever
Indica os critenos a serem observados â _ a na 1 n. 4.870 de 1965, que de indenizar do Estado é irrelevante o descumpnmento a lei, ao acordo aCIma referenCia-
(RESP n.!! 79 937(DF. d J d . fixa~ao dos preços do setor sucro-alcooleiro". do ou mesmo a diSCriCIOnanedade do Estado no que respeita a adoção dos índices apura-
. , a avra a e. MinIStra Eliana Calmon) 7 AI"' " I -
cil?IO da Legalídade vem dando prImaz ta b' . Ias, a evo uçao do Prm R

dos pelo lAA, importando o preluÍzo causado ao particular em razão da intervenção esta-
co. obrIgando que ele mais do que q 'Ia m em a esse comportamento do Poder PúbliR tal. Isto porque a intervenção do Estado no domínio econômico deve ser conjugada com o
ua quer outro agente cumpra o qu I . . d'
pos para si ou para outrem ( ) N . e e e propno IS-
A '

princípio da livre imcIativa. 10. Dessarte. o nexo de causalidade entre o dano sofrido e a
, ... o caso, competia ao IAA fixar o pr d ' d
aJcooJ; ... Contratou, o IAA. a Fundação Getúlio Va eço o açucar e o conduta da Administração. conforme dispõe o art. 37, § 6!!, da Carta Magna de 1988. que
apurar os preços dos produtos do setor sucro_alco~:~r~.a:F~:~~~:rG~o~f.va~tamento e adotou a teoria do risco admimstrativo, restou claramente demonstrado no aresto objur-
rava corretamente os preços, e tanto apurava corretamente que. em nenhu:: ma::~:.: gado. 11. Presente o nexo de causalidade entre a ação estatal, de fixar os preços dos pro-
dutos comercializados pelo setor sucro-alcooleiro em níveis abaixo do custo de produção.
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79
I1 Leonardo V-lZeu Figueiredo Direito EconÔmlC.o Constituaonat
'I
i
I e o preluízo anganado pela recorrida, fixaMse a responsabilidade obJetiva do Estado de Assume dupla função dentro do ordenamento jurídico pátrIO. uma vez que
i Indenizar. 12. Ademais. Imoor ao empresâno a venda com prejuizo configura confisco,
:1 regula o exercício de ius imperium de forma multifacetada. para disciplinar as
constituí privação de propriedade sem o devido processo legal (art 52, LIV). E mais: ê da
essência do sistema capitalista a obtenção do lucro. O preço de um bem deve cobnr o seu atividades de polícia administrativa no comércio internacIOnal. bem como as
custo de orodução. as necessidades de reinvestimento e a margem lucro (Luiz Roberto atividades arrecadatórias do Estado e de parafiscalidade na defesa da mdústria
Barroso. A Cnse Econômlca e o Direito ConstitucIOnal, m: Revista .Iurídica da ProcuradoM nacional.
ria do Distrito Federal, n. 12. p. 34 74. outjdez. 1993). 13. Nada obstante, a Suprema
M

Corte. no Julgamento datado de 06 de dezembro de 2005. referente ao recurso extraor- O tema, dada sua tamanha relevâncIa, goza de status de norma constitu-
dinâno nº 422.941 - DF, relatado pelo Mimstro CARLOS VELLOSO, mterposto contra o cional. a teor do art 237 da ConstituIção da República Federativa do Brasil, a
acôrdão índicado como paradigma nestes autos (REsp nº 79.937 ~ DF). entendeu prover seguir transcrito:
o apelo extremo, concedendo a indenização pleiteada, restando superada a divergência
pretoriana suscitada pela recorrente, no âmbito da Suprema Corte. 14. Assente~se. por Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio extenor, essen-
fim, Que a divergêncía junsprudenclal que Implica na admissão do recurso especial, CiaiS á defesa dos mteresses fazendános naCIOnais. serão exercidos
pressupõe dissidênCia quanto a questão federal. É inadnllssíveJ o recurso especial que pelo MimstériO da Fazenda,
vulnera os flancos da admissibilidade pela divergênCia mas que se propõe a confrontar
arestos calcados em premissas fáticas. msmdicavels pelo E, STI (Súmula 07), Sob esse Visto ISSO, faz-se necessário discorrer sobre algumas definições basilares.
ângulo, se a divergência ê de cunho constitucIOnal ou fático~probatóno, não se conhece para melhor compreensão do tema.
do recurso espeCial, porquanto a isso equiValena o STJ valorar juridicamente questão
constitucIOnal em flagrante VIOlação aos arestos pacificados da Corte. Sob esse enfoque,
ImcIalmente. há que se ter em mente que o conceito de investimento é eco-
a questão Jurídica versada nestes autos fOi solvida pelo Excelso Pretóno â luz do art. 37 nômico. Traduz-se na aplicação de capital ( dinheIro) em meios de produção, se-
da Carta Federal. Dessarte, do mesmo raciocímo se mfere em face da divergênCia luris~ iam estes titulas de valores mobiliários, ImóveIs. equipamentos. infraestrutura,
prudenciaJ fática, 15, Recurso Especial conhecido e desprovido, (STI; RESP dentre outros, tendo em vista a obtenção de lucro. Assim, o investimento será
200500656886: RESP - RECURSO ESPECIAL-744077: Relator(a) LUIZ FUX; Órgão jul- considerado produtivo quando a taxa de lucro sobre o capital aplicado for igual
gador: PRIMEIRA TURMA; Fonte: DI DATA: 09/11/2006 PG:00256 RDR VOL.:00040
PG:00304). ou superior a taxa de juros paga sobre o seu custo. Pode ser classificado em:
a) Bruto: corresponde a todo o capital aplicado em máquinas. eqUIpa-
1.11. INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS mentos. instalações produtivas e formação de estoques. em determina-
fà l:
do período:
Art. 172. A lei diSCiplinara, com base no mteresse naCIOnal. b) Líquido: representa o mvestimento bruto, deduzida a reposição de má-
os Investimentos de capital estrangeiro. Incentivará os rem-
quinas e eqUIpamentos desgastados pelo uso.
vestimentas e regulara a remessa de lucros.
Por estar diretamente relacionado à aquiSIção de meios de produção e.
portanto. à ampliação da capacidade de geração de rendas e riquezas, o mvesti-
o presente tópico é ponto requerido no concurso para Procurador do Banco mento líquido traduz, com mais precisão. o crescimento da economia,
Central do Brasil. carreIra Jurídica da Advocacia Geral da União. Dentro da atual
realidade contemporânea. o mtercâmbio entre as Nações é uma constante. sen- Com base nos breves conceitos acima delineados, é fácil perceber que se
do a circulação de capital e bens essencial para a viabilização da Aduana (Co- denomina investimento estrangeiro a compra de empresas. equipamentos. ins-
mércIO Exterior). talações. estoques ou interesses financeiros de um país por empresas, gover-
nos, ou individuas de outras Nações.
Por didático e ilustrativo, insta salientar que por Aduana entende-se toda
atividade correJacíonada ao intercâmbio entre as Nações. que envolve a troca Atualmente. a Lei nº 4.131. de 1962, com as alterações da Lei nº 4.320, de
comercial de bens. mercadorias. produtos. serviços. mão de obra e. como inte- 1964, diSCiplina a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores para
ressa ao presente tópico, capital. o exterior. dando. ainda, outras provídências.

Por sua vez, o Direito Aduaneiro ou de Comércio Exterior visa a normatizar Classificam-se os investimentos estrangeiros, quanto á sua destinação, em:
e disciplinar as formas pelas quaIs os fatores de produção acima poderão entrar, a) Direto: aplicação de capital externo na constituição de novas empresas
circular e sair do território de cada Nação envolta no intercâmbío comerciaJ. ou em participação acionária em empresas já constituídas, na ordem de

80 81
Leonardo Vu:eu Figueiredo Direito EconÔmico Constitucional

10% sobre o capital com direito a voto. O investimento direto pode ser. bem como os recursos ftnanceíros ou monetáriOS. tntroduzidos no país, para apli-
ainda. subdividido em duas modalidades: cação em atividades econômIcas desde que. em ambas as hIpóteses. pertençam
a.l) Participação no capital: engloba as entradas de recursos de bens. a pessoas fíSicas ou jurídicas resídentes. domiciliadas ou com sede no exterior".
capitat bem como as conversões externas. os investimentos para Insta salientar que a Lei nº 4.131. de 1961 deve ser interpretada de forma SIS-
aquisição. subscrição e aumento de capital social das entidades temática e contextualizada aos preceitos da LeI nº 4.595. de 1964. uma vez que
empresariais domésticas: o Banco Central do Brasil assumiu diversas das atribuições legais da extinta
Superintendência de Moeda e Crédito.
a.2) Empréstimos intercompanhias: compreendem os créditos con-
cedidos pelas matrizes. sediadas no exterior, a suas subsidiárias SUJeitam-se ao regístro público. os seguintes investimentos:
ou filiais estabelecidas no pais. a) os capitais estrangeiros que Ingressarem no Pais sob a forma de in-
b) Em carteira: ocorre quando o investimento se dá sobre um percentual vestimento direto ·ou de empréstimo. quer em moeda, quer em bens;
infenor a décima parte do capital votante em empresas já constituídas: b) as remessas feitas para o exterior com o retorno de capitais ou como
c) Indireto: traduz-se na aplicação de capital externo sob forma de em- rendimentos desses capitais. lucros. dividendos. Juros. amortizações.
préstimos ou de financiamentos a longo prazo. bem como as de royalttes. ou por qualquer outro titulo que implique
transferência de rendimentos para fora do País;
Por sua vez. quanto à origem do capital externo. o investimento estrangei-
ro pode ser classificado em: c) os reinvestimentos de lucros dos capitaIS estrangeIros;
a) Público: oriundo de capital governamental, aplicado no exterior por d) as alterações do valor monetário do capital das empresas procedidas
razões políticas. militares ou diplomáticas. que não objetiva, precipu- de acordo com a legislação em VIgor.
amente. eventuais rendimentos econômicos. porém. poderá ter a fun-
Há que se ter em mente que, por razões estratégicas. seja de segurança na-
ção de, a longo prazo. equilibrar a balança de pagamentos do país de
CIOnal ou de interesse coletivo. a própna Constituição da República torna limi-
ongem. Para o pais receptor. o investimento estrangeiro público pode
tada ou mesmo defesa a particIpação de investimentos estrangeIros em alguns
representar uma forma de Viabilizar o crescimento econômico. quando
setores de nossa Ordem Econômica, conforme expressamente previsto no art.
o nível de poupança interna for Insuficiente para cobrir as despesas
192. caput. art. 199, §3º e art. 222. caput, §§1º e 4". a seguir transcritos:
para tanto. Todavia, tais investimentos ..não raro. acentuam o grau de
dependência econômica e. consequentemente, política do país receptor Art 192. O SIstema financeiro naCIOnal. estruturado de forma a pro-
ante os países exportadores de capital: mover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos mteres-
ses da coletividade. em todas as partes que o compõem, abrangendo
b) Privado: ortgínário de entes privados. empresariaiS ou naturais. os as cooperativas de credito. serei regulado por leis complementares
quais optam por aplicar seu capital no exterior objetivando maiores que disporão, inclUSIve, sobre a partiCipação do capital estrangeiro
rendimentos. dada a melhor expectativa de lucro oriunda de facilidades nas instituIções que o integram.
fiscais, legíslativas. bem como da variação cambiai. estabelecidas em (...)
Nações estrangeiras. Podem. ainda. visar a recuperação de custos asso- Art. 199. A assístêncIa a saude é lívre á miciativa pnvada. (...)
ciados às inovações tecnológicas. a conquista de novos mercados con-
sumídores, bem como a participação na abertura econômica de outros § 3 9 - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou ca-
países. OutrossIm. o investimento de capital privado em outros Estados pitaiS estrangeIros na aSSIstência ã saude no País. salvo nos casos
previstos em fel.
pode ser motivado pela insegurança iurídica. oriunda da insatisfação
social aliada à instabilidade política no pais de origem. (...)

Nos termos da Lei nº 4.131. de 1961, consideram-se capitais estrangeiros. Art. 222. A propnedade de empresa {ornalística e de radiodifusão
para todos os efeitos legais, "(. ..) os bens. máqumas e equipamentos, entrados no sonora e de sons e Imagens é privativa de brasileIros natos ou natu-
ralizados há maIS de dez anos. ou de pessoas Jurídicas constituídas
Brasil sem dispêndio inicial de divisas. destinados a produção de bens ou serviços. sob as leiS brasileIras e que tenham sede no Pais. (...)

82 83
I
-. Leonardo V\Zeu Figuetredo Direito EconÔmIco Constitucional

º
§ 1 Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total
e do capital votante das empresas lornalísticas e de radiodifusão SOM
nora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, (Procurador BACEN!CESPE/2009) O mercado de câmbio e capitais InternaCIonais
·a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, que exerc~M abrange as compras e as vendas de moedas estrangeiras e de outro instrumento
rão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o con M cambial, as transferêncías mternaClOnals em reais, os capitais brasileiros no extenor
teúdo da programação. (...) e os capitais estrangeiros no Brasil. Com relação á disciplina rurídica atinente a essa
maten'a. assinale a opção correta.
§ 4º Lei disciplinara a participação de capital estrangeIro nas empre- ) a) Considere Que uma Indústria, com matriz nos Estados Unidos da América, tenha filial
sas de que trata o § 1º.
) no Brasil. no estado de São Paulo. Nessa situação. não há impedimento legal para Que
Por fim. cumpre esclarecer que. por força da revogação do art. 171 da 1 a filial faça remessas à matnz para pagamentos de royalties pelo uso de patentes.
CRFB. por meio da Emenda Constitucionaln Q 06. de 1995. não se admite maIS a ) b) Suponha Que uma empresa brasileira tenha recebido recursos em moeda estran M
1 geira relatiVOS às suas vendas para van'os países. Nesse caso. esses recursos não
concessão de quaisquer benefícios ou privilégios. tampouco de reserva de mer M

) poderão ser mantidos em instítulção financeira no extenor.


cado. a empresa brasileira de capital nacional. c) A Caixa Econõmica Federal está autorizada 'a atuar em todas as operações do
)
Art. 171. São consideradas: (Revogado pela Emenda ConstitucIOnal mercado de câmbio.
)
nº 6. de 1995) d) Ataxa de câmbio pactuada entre os agentes autOrIzados a operar no mercado de
)
câmbio ou entre estes e seus clientes deve ser definida dentro do mtervalo de
I - empresa brasileIra a constituída sob as leis brasileiras e que tenha )
taxas divulgado diariamente pelo BACEN. sob pena de nulidade das operações.
sua sede e admmlstração no Pais; e) O saldo de recursos próprios eXistente em conta de depOSito. em banco autori·
zado a operar no mercado de câmbio. de pessoa física residente em outro país.
II Mempresa brasileira de capital nacIOnal aquela CUIO controle efe- }
tivo esteia em caráter permanente sob a titularidade direta ou in M pode ser convertido livremente em moeda estrangeira, para remessa ao exterIor.
)
direta de pessoas físIcas domiciliadas e residentes no Pais ou de
entidades de direito público mterno, entendendo-se por controle ) Resposta: e) Le! na 4.131, de 1961, combinada com a Lei na 4-595, de 1964. Aremessa de divISOS para o
efetivo da empresa a titularidade da maIOria de seu capital votan- ) extenor é atribuição legal do BACEN. na qualidade de enre regulador do cãmbio e da moeda no Brasil.
te e o exercícIO. de fato e de direito. do poder decisório para genr
suas atividades. (Revogado pela Emenda ConstitucIOnal nº 6, de
15/08/95) 1.11.1. Jurisprudência selecionada
" AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO BANCO CENTRAL. - RE-
§ 19 M
A lei poderá, em relação â empresa brasileira de capital nacIonal: SOLUÇÃO DO BANCO CENTRAL. FIRMADA POR SEU PRESIDENTE. NÃO E OBVIAMENTE
I Mconceder proteção e beneficIos especiais temporários para desen M MEDIDA PROVISORIA. NÃO ESTANDO. PORTANTO. SUJEITA AO REGIME CONSTITUCIO-
volver atividades consideradas estratégIcas para a defesa nacIOnal NAL DESTA. CUIA EDiÇÃO E PRERROGATIVA EXCLUSIVA DO PRESIDENTE DA REPU·
BLlCA.• POR OUTRO LADO. A ALEGAÇÃO DE QUE O PARAGRAFO 1. DO ARTIGO 1. DA
ou imprescindíveis ao desenvolvImento do País;
RESOLUÇÃO NC 1.679. DO BANCO CENTRAL DO BRASIL. CONTRARIA O DISPOSTO NO
II Mestabelecer, sempre que considerar um setor Imprescmdível ao ARTIGO 23 DA LEI Nº 4.131. DE 3 DE SETEMBRO DE 1962. COLOCA A QUESTÃO DO
desenvolvimento tecnológIco nacIOnal. entre outras condições e PLANO DA LEGALIDADE. OU NÃO. DA NORMA IMPUGNADA. O QUE NÃO E SUSCETlVEL
requIsitos: DE SER DISCUTIDO EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. - AÇÃO DIRETA
DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO CONHECIDA. (STF; ADI418).
a) a ex:1gência de que o controle referido no inCISO II do "caput" se
" TRIBUTÁRIO. CPMF. CONVERSÃO DE CRÉDITOS ESTRANGEIROS EM INVESTIMENTO.
estenda as atividades tecnológicas da empresa, aSSim entendido o
OPERAÇÃO SIMBÓLICA DE CÃMBIO. INCIDÊNCIA. CIRCULAR-BACEN N.º 2997(2000. 1.
exercício, de fato e de direito. do poder decisóno para desenvolver E legítima a IncidênCia da CPMF na conversão de crêditos referentes a Investimentos pro M
ou absorver tecnologia; venientes do exterior. A Lei nº 9.311/96, Instituidora da contribuição, prevê como seu
b) percentuais de partiCipação, no capital. de pessoas fíSicas domi- fato gerador a movImentação financeira em conta corrente. operação essa realizada pela
impetrante, mesmo se tratando de mera transação cambial simbólica. 2. O fato gerador
ciliadas e residentes no Pais ou entidades de direito público interno.
ocorre com o lançamento a débito na conta bancaría da empresa devedora, destinado a
§ 22 - Na aquisíção de bens e serviços. o Poder Público dará trata- adquinr moeda estrangeira e liquidar o paSSIVO decorrente da importação. 3. A emissão
mento preferenciaL nos termos da lei, à empresa brasileira de capitai de ordem de pagamento em contratos simbólicos de câmbiO não exclUI a ocorrênCia do
naclonal.(Revogado pela Emenda ConstitucIOnal nº 6, de 1995) fato gerador da CPMF, sendo irrelevante para determinarMlhe a ocorrênCIa. Tal situação

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!

Leonardo Vlzeu figueIredo


Direito Econôml'co ConstituCional

não fOI elencada entre as hipóteses de exoneração Insertas nos artigos 3º e 82 da Lei
nº 9.311/96 ou no art. 85 da ADCT com a redação dada pela-Emenda Constitucional
33;2001.4. Recurso especial não provido. (ST); RESP 200702597646; RESP _ RECURSO § 59 - A lei, sem pretuizo da responsabilidade IOclivi:dual
ESPECIAL -1003550: Relator(a) CASTRO MEIRA: Órgão julgador: SEGUNDA TURMA- dos dirigentes da pessoa jurídica. estabelecerâ a responsa-
Fonte: DIE DATA:06jll(2008). ' bilidade desta, suteitando-a às pumções compatíveis com
sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econô-
1.12. INTERVENÇÃO DIRETA DO ESTADO BRASILEIRO NA ORDEM ECONÔ- mica e financeIra e contra a economia popular.
MICA ..
(. )
. <--- .-.; <",...:,,-~. ,.-, ,,,- •.•..;. .- ... --
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da leI, dire M

<iII. , tamente ou sob regime de concessão ou permIssão. sem-


Art. 173. Ressalvados os casos preVIstos nesta Constitui- ) pre atraves de licitação. a prestação de servIços públicos.
ção. a exploração direta de atividade econômica pelo Es~
tado só será permitida quando necessâria aos imperativos Parâgrafo tini co. A lei disporâ sobre:
da segurança nadonal ou a relevante mteresse coletivo. I - o regime das empresas concesslOnárías e permIssioná-
conforme definidos em let. nas de serviços públicos, o caráter espeCIal de seu contra-
§ 1 SI AleI esta belecerã o estatuto furídico da empresa pública, to e de sua prorrogação, bem como as condições de cadu-
da SOCIedade de economia mista e de suas subsidiánas que cidade, fiscalização e reSCisão da concessão ou pernllssão;
explorem atividade econômica de produção ou comerCIa1i M
II - os direitos dos usuáríos;
'-,.
zação de bens ou de prestação de semços, dispondo sobre:
(Redação dada pela Emenda ConstituclOnaln!:! 19. de 1998)
.' UI - política tarifária;
("
, IV - a obrigação de manter serviço adequado.
1- sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e
(_.)
pela SOCIedade: (Incluído pela Emenda ConstitucIonal n!:!
19, de 1998) Art.177. Constituem monopólio da União:
H - a sujeIção ao regIme jurídico própno das empresas 1- a pesqUisa e a lavra das jazidas de petróleo e gâs natural
pnvadas. Inclusive quanto aos direitos e obrigações CI- e outros hidrocarbonetos fluidos:
VIS, comerCiaIS. trabalhistas e tributános: (Incluído pela ll- a refinação do petróleo naclOnal ou estrangeIro;
Emenda Constitucional n!:! 19, de 199B)
III a importação e exportação dos produtos e denvados
M

III licitação e contratação de obras, serviços. compras e


M básicos resultantes das atividades previstas nos inCISOS
alienações. observados os princípIOS da adminIstração PÚM anteriores:
blica; (InclUído pela Emenda Constitucional n!:! 19, de 199B) IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de ongem na-
IV - a constitUIção e o funCIonamento dos conselhos deadmi M
CIonal ou de derivados bàslCOS de petróleo produzidos no
mstração e fiscal, com a participação de aCIomstasminorttà- Pais. bem assim o transporte, por meio de conduto. de petró-
nos; (Incluído pela Emenda Constitucional n!:! 19, de 1998) leo bruto. seus denvados e gàs nahlral de qualquer origem;
V os mandatos. a avaliação de desempenha e a respon-
M
V - a pesquisa. a lavra. o enriqueCImento. o reprocessamen-
sabilidade dos admtnistradores.(lnduído pela Emenda to. a industrIalização e o comerCio de mmérios e mmerais
ConstituCIonal n!:! 19. de 1998) nucleares e seus derivados. com exceção dos radiOlsotopos
cuJa produção, comercialização e uti1iza~o poderão ser au-
§ 2Sl As empresas públicas e as sociedades de economia
M

tomadas sob regime de permIssão. conforme as alíneas b e c


mista não poderão gozar de privilégIOS fiscais não exten M

do inciso XXIII do caputdo ar!. 21 desta ConstituIção Federal.


SlVOS às do setor privado. (Redação dada pela Emenda ConstituCIonal n 2 49, de 2006)
§ 3 9 - A lei regulamentará as relações da empresa pública § 1!:! A União poderá contratar com empresas estatais ou
com o Estado e a sociedade. privadas a realização das atividades prevístas nos inCISOS
§ 42 - A le) reprimirá o abuso do poder econômico que I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas
VIse à domínação dos mercados, à elimmação da concor- em lei.(Redação dada pela. Emenda Constitucional n 9 9. de
rência e ao aumento arbitrãrio dos lucros. 1995)
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~~,,~~~~~c'~~~~~~~~~.;~~'9~c~~~~~co/C""~'
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Leonardo V1Zeu Rguelredo Direito EconÔmtco Constitucional

0, que se revelem imperativas à segurança nacional. de relevante interesse cole-


§ 2º A lei a que se refere o § 1º disporá sobre: (Incluído tlvO, bem como de monopólio constitucIOnal, a teor do disposto nos arts. 173 e
pela Emenda ConstitucIOnal nl! 9, de 1995) 177, da CRFB.
! _ a garantia do forneCImento dos denvados de petró- A prestação de serviços públicos encontra-se situada no capítulo referente
leo em todo o território nacional; (Incluído pela Emenda
à Ordem Econômíca, como dispõe o no art, 175, fato que impele, antes do mício
ConstituciOnal nº 9. de 1995)
do estudo deste tópico, a análise e classificação das atividades econômicas em
II - as condições de contratação: (Incluído pela Emenda
ConstitucIOnal nº 9. de 1995)
face dos serviços públicos.
III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do mono-
pólio da União: (Incluído pela Emenda Constitucional nº
1.12.1. Classificação das atividades econômicas
9, de 1995) Por atividade econômica entende-se todo empreendimento envidado no
§ 3º A lei dis{lora sobre o transporte e a utilização de ma- sentido de produzir, circular ou consumir bens, a fim de atender as necessida-
tenais radioativos no território naclOnal.(Renumerado de des coletivas e individuaIS da sociedade. Por sua vez, o ciClo econômico corres-
§ 2!!. para 3!!. pela Emenda ConstitucIOnal nº 9. de 1995)
ponde às etapas em que irão se criar os bens. colocá-los no mercado para se
§ 4!!. A leI que Instituir contribuIção de intervenção no do-
efetuar as trocas comerciais, bem como disponibilizá-los para consumo final.
mimo econômico relativa as atividades de importação ou
comercialização de petróleo e seus derivados. gás natural Observe-se que o atendimento das necessidades humanas pode se dar
e seus derivados e álcool combustível deverá atender aos tanto por parte do particular, quanto por parte do Poder Público. Por óbvio,
seguintes reqUIsitos: (Incluído pela Emenda ConstitucIO-
o agente privado constituído sob a forma empresarial atua sempre no sentido
nal n' 33, de 2001)
de alcançar seus ínteresses. vendo nas necessidades coletivas e índividuais da
I - a alíquota da contribUIção poderá ser: (Incluído pela
Emenda Constitucional nl! 33. de 2001)
sociedade uma forma de obter lucro. Por sua vez, o Estado tem por finalidade
maior o atendimento dos interesses da sociedade. em especial as necessida-
a) diferencIada por produto ou uso; (Incluído pela Emenda
Constitucional n!:! 33, de 2001) des dos notadamente hipossuficientes, Isto é, da parcela da população que, por
qualquer razão, não pode, por SI, aufem renda e adqUirir com o produto de seu
b)reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo.
não se lhe aplicando o disposto no art 150,IlI, b; (Incluído labor os bens necessários para sua subsistência; Para tanto, atua sempre em
pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) regime de direito público, de modo a garantir o acesso universal aos bens que
11 - os recursos arrecadados serão destinados: (Incluído disponibiliza e, excepcionalmente, em regime de direito privado.
pela Emenda Constitucional nº 33. de 2001) Dessarte, podemos conceber que a atividade econômica em sentido lato
a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de envolve o atendimento das necessidades da sociedade tanto pelo mercado pri-
álcool combustível, gás naturai e seus derivados e denva-
vado, quanto pelo Poder Público. Este atua prestando serviços públicos à socie-
dos de petróleo; (Incluído pela Emenda ConstitucIOnal TIº
33, de 2001) dade como um todo. notadamente ao hipossuficiente, ao passo que aquele atua
b) ao financíamento de projetos ambientaIs relacionados explorando atividades econômicas em sentido estrito, com finalidade lucrativa.
com a indústria do petróleo e do gás; (Incluído pela Emen- ASSim, de acordo com o disposto nos arts. 170, 173 e 175, todos da CRFB,
da ConstitucIOnal nº 33. de 2001)
podemos dassificar as atividades econômicas em:
c) ao financiamento de programas de tnfra-estrutura de
transportes. (Incluído pela Emenda Constitudonal n!!. 33, a) Atividade econômica em sentido estrito: trata-se de todas as ativida-
de 2001) des típicas do mercado, que envolvem a produção. circulação e o con-
sumo de bens e serviços, e são regidas exclUSivamente pelas normas do
direito privado. Assim~ as atividades econômicas em sentido estrito, a
Atualmente. dado o descrédit!, no potencial empresário do Estado, a Cons- teor do art. 173 da-CRFll,são exploradas preCipuamente pelo partlcu-
tituição da República Federativa do Brasil torna defesa ao Poder Público a ex- lar e subsidiariamente pelo Poder Público, somente nas hipóteses e ex-
ploração direta de atividade econômica, excepcIOnando, tão-somente, os casos ceções constitucionalmente previstas; para tanto, o Estado deve estar

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Leonardo Vi:zeu Figueiredo Direito EconômiCo Constituoona!

~~_._-----~------
previamente autorizado por lei. sempre em regíme de direito privado e
em caráter concorrencial com o particular;
(MPF!15° Concurso!I996) Distmgue~se a atividade econômica de serviço público:
b) Serviços públicos: por servíço público entende-se toda atividade pres- a) por ser o serviço público desenvolvido exclusivamente pelo setor público:
tada para atendimento das necessidades do Estado ou da sociedade. b) por ser a atividade econômica desenvolvida. no regime da livre iniCiativa. pelo
sempre sob regIme de direito público. Observe-se que no modelo de setor privado; t
Estado Regulador não compete mais ao Poder Público o atendimento c) pelo tato de o serviço público ser prestado preferencialmente mediante conces· i'
Irrestrito de toda e qualquer necessidade da população, mas sim fo- são ou permissão: i
car esforços para realização dos objetivos fundamentaIs da República e
d) nenhuma das alternativas correta.
Federativa do Brasil. em especial a construção de uma sociedade livre.
justa e solidárIa; o desenvolvimento naciOnal; a erradicação da pobreza
e da marginalização; a redução das desigualdades SOCIais e regIonais; e
a promoção indiSCrIminada do bem de todos (art 3º da CRFB). Assim. 1.12.1.1. Jurisprudência selecionada
a prestação dos serviços públicos por parte do Estado deve objetivar o
» "O servtço posta! - conlunto de atividades que torna possível o enVIO de correspondência,
atendimento precípuo das necessidades da parcela da população que. ou objeto postal, de um remetente para endereço fina! e determinado - não consubstancla
por qualquer razão. não esteja em condições de auferir renda e. com atividade econômica em sentido estrito. Serviço postal eservtço público. A atividade eco·
o produto de seu trabalho adquirir os bens essenciais à sua existência nômica em sentido amplo e gênero que compreende duas espécies. o serviço público e a
digna. Nos termos do art. 175 da CRFB. os servíços públicos são preCI- atividade econômIca em sentido estrito. Monopólio é de atividade econômica em sentido
puamente prestados pela Administração Pública. cabendo. todavia. sua estrito, empreendida por agentes econômICOS pnvados. A exclusividade da prestação dos
serviços públicos ê expressão de uma situação de pnvilégio. Monopólio e pnvilégto são
delegação a particulares. por via de concessão ou permissão, precedida
distintos entre SI: não se os deve confundir no âmbito da linguagem jurídica, qual ocorre
obrigatoriamente de licitação. Observe-se que a regênCIa dessas ativi- no vocabulário vuJgar.A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclUSIVO. a ex·
dades será sempre por normas de direito público. ainda quando pres- ploração do servtço postal e o correio aereo nacional [artigo 21, Inciso X]. Oserviço postal
tadas por particular delegatário. eprestado peJa Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa públíca, enti~
dade da Admmistração Indireta da União. cnada pelo decreto~iei n. 509. de 10 de março
ATNlDADE ECONÔMICA EM SENTIDO L-ATO de 1.969. É imprescIndível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação
-=="-.",.",-,.,,,,.. dos serviços públicos, do regtme de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de
atividade econômica em sentido estrito eempreendida pelo Estado. A Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de excluSividade na prestação dos servtços
que lhe mcumbem em situação de pnvilégto. o pnvilégio postal. Os regimes lurídicos sob
os quais em regra são prestados os serviços públicos importam em que essa atividade
seia desenvolvida sob privilégio, inclUSIve. em regra, o da excluSividade. Argüição de des~
cumprímento de preceito fundamental íulgada ímprocedente por maioria. OTribunal deu
mterpretação conforme à ConstituIção ao artigo 42 da Lei n. 6.538 para restringir a sua
aplicação as atividades postais descritas no artigo 9 2 desse ato normativo:' (AOPF 46, ReL
p/ o ac. Min. Eros Grau. Julgamento em 5~8~09. Plemino, DJE de 26~2-10).

1.12.2. Exploração direta de atividade econômica

Art. 173. Ressalvados os casos preVistos nesta Constitui~


ção. a exploração direta de atividade ~conômlca pelo E~ta.

1 do só será permitida quando necessana aos Imperativos


da segurança naCIonal ou a relevante interesse coletivo,
L.c~nfOITne definidos em lei.

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Leonardo Vtzeu Figueiredo Direito EconÔmko Constítuaonal

oi>. Observe-se que, o próprio texto constitucional excepctona, tão-somente.


§ 1 9 A lei estabelecerâ o estatuto Jurídico da empresa pu- duas hipóteses taxativamente previstas. a saber. os casos em que a exploração
blica. da sociedade de economia mIsta e de suas subsidi- de ativtdade econômIca for necessária por imperativo de segurança nacional, e
ârias que explorem atividade econômica de produção ou casos de relevante interesse coletivo. devendo. em todo caso, ser observado o
comercialização de bens ou de prestação de serviços, dis- princípio da subsidiariedade.
pondo sobre: (Redação dada pela Emenda ConstitucIOnal
n"19, de 1998)
)
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado )
e pela sociedade; (Incluído pela Emenda ConstitucIOnal Inicialmente. cumpre ressaltar que segurança nacional e interesse coletivo são
)
n"19, de 1998) conceitos Jurídicos indeterminados. partindo sua definição muito mais de um Juízo
)
político de conveniência e oportunidade do que de critériOS Jurídicos e objeuvos.
Il - a sujeição ao regime jurídico própno das empresas ) Pode-se entender. em sentido amplo. Que segurança nacional abrange todas as
pnvadas, incluSive quanto aos direitos e obngações CI- ) situações em que se compromete a Integridade federativa da República. bem como
VIS. comerCiaiS, trabalhistas e tributános: (Incluído pela 't ) a própria razão de ser do Estado. Por Interesse coletivo pode-se conceber todas as
Emenda Constitucional n9 19, de 1998)
l situaçoes em que hã risco à incolumidade da sociedade brasileira. quanto a coleti-
III - licitação e contratação de obras. serviços, compras ) vidade transindividual Que e.
e alienações, observados os principias da admmlstração
pública; (Incluído pela Emenda ConstituCIonal ne 19, de
Somente se justificara a exploração estatal de atiVidade econômica nos ca-
1998)
sos em que a exploração pelo particular não se mostre satisfatória para o aten-
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de dimento do Interesse público, bem como das necessidades da coletividade. em
administração e fiscal. com a particIpação de aCIOnistas
respeito ao princípio da subsldianedade.
mmoritárIos; (Incluído pela Emenda ConstituCIonal nº
19. de 1998) Para tanto, o Estado deverá estar preViamente autorizado em leI de mi-
v - os mandatos. a avaliação de desempenho e a respon- cIativa do Executivo e. necessariamente. constituir pessoa jurídica de direito
sabilidade dos admmistradores.(Induído pela Emenda privado. a saber. empresa pública ou sociedade de economIa mista, sempre
ConstituCIonal nº 19. de 1998) em regime concorrencial com os demais agentes econômicos competidores de
§ 2º - As empresas públicas e as SOCiedades de economia mercado (art. 173, §§ 1" e 2", da CRFB).
mista não poderão gozar de pnvilégIOs fiscais não exten- Observe-se que, pelo princípio da simetria das formas, a dissolução das
sivos as do setor privado.
entidades empresariaIS constituídas pelo Poder Público só poderá ser efetuada
§ 3 e - A lei regulamentará as relações da empresa pública com prévia autorização legislativa, que deverá disciplinar todo o procedimento
com o Estado e a sociedade. de liquidação para apuração do ativo, realização do passivo e encerramento de
§ 4 e - A lei repnmlrà o abuso do poder econômico que suas atividades.
vise â dominação dos mercados, a eliminação da concor-
rênCIa e ao aumento arbitrário dos lucros.
Muito se discute sobre a possibilidade de decretação Judicial da falência
das entidades empresanais do Poder Público. A doutrina se consolidou sobre a
§ 5º - A lei, sem prejuizo da responsabilidade individual possibilidade de quebra somente nas hipóteses de exploração de atividade eco-
dos dingentes da pessoa jurídica, estabele'cerã a respon-
nômica, não na de prestação de serviços públicos. Todavia, a Lei n" 11.101/05,
sabilidade desta, suieitando-a às punições compatíveis
com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem que regula a recuperação judicial. a extrajudicial e a falência do empresário e
econômica e financeira e contra a economia popular. da SOCiedade empresária foi expressa ao excluir de seu campo de incidência as
sociedades de economia mista e a empresa pública (art. 2". 1)44.

Conforme o art. 173. caput. daCRFB. é defeso ao Estado brasileiro a explo-


ração direta de atividade econômica, sendo tal iniciativa atribuição precípua 44. Lei n!! 11.101{OS:
"Art. ze Esta Lei não se aplica a:
dos agentes econômicos.
f - empresa pública e SOCiedade de economia mista;

92 93
Leonardo Vtzeu figueiredo Direito EconÔmico Constitucional

Assim. após um exame perfunctório do texto legal. resta superado o pO- Por fim. deve-se ter em mente que a decretação de quebra Judicial não
sícionamento acima mencionado, bem como a divergência doutrínária quan- significa punição aplicada à empresa, mas. exatamente. de favor credlticlO a ela
to a possibilidade de sUjeição passiva na falência das entidades estatais em- concedido pelo Poder Público, uma vez que este passa a conduz~r o processo
presariais. ante o seu expresso afastamento do campo de incidência da lei de apuração de seu ativo e realização de seu paSSiVO. com VIStas a sua recup~­
falimentar. ração ou ao encerramento de suas atividades. ~ssim: est:n~er :aI benesse as
Isso porque. conforme já dito. diferentemente do que acontecia nos regi- entidades empresariais constituídas pela Admímstraçao PUbh:a e concect.,er be-
mes constitucionais anteriores. nos quais o Poder Público era livre para a explo- nefícIO creditício destinado somente à preservação. recuperaçao e prote~ao das
ração econômica. até para estabelecer regime de monopólio legal em qualquer entidades particulares. cujo corpo socletáno. bem como C~pital SOCial nao con-
tam com a participação do Estado como seu prinCipal participante e mvestidor.
mercado mediante ato mfraconstitucional. a atuação direta do Estado na Or-
dem Econômíca obedece ao princípio da subsidiariedade no atual ordenamento IrXPL-ORAÇÃO DE:: ATIVIDADE:: E::CONÔMICA
constitucional.
Regra: Exceção:
Ressalte-se, por oportuno. que o fundamento econômico da livre iniciativa
(art. 1º. IV: Inflne. combmado com o art. 170. caput. ambos da CRFB) se aplica,
tão-somente. ao particular que explore atividade econômica, e não ao Poder
Público. pelas razões acima expostas. Em outras palavras. o Estado brasileiro
não pode mais, por expressa vedação constitucional (art. 173. CRFB), explorar
©
Proibição para o Estada Imperativo de segurança nacíonal
atividade econômica, salvo em casos excepcionalíssimos de segurança nacional Relevante interesse coletivo
ou de relevante interesse coletivo, preViamente reconhecidos, definidos e auto-
rizados por lei.

ASSIm, segundo as normas e princípios constitucionais. bem como o es-


pirita da vigente lei falimentar. as entidades estatais empresariais devem ter
sua criação expressamente autorizada em lei específica de iniCiativa do Poder
Executivo. em casos reconhecidos imperativos para a segurança nacíonal ou
de relevante interesse coletivo. a teor da exegese sistemática do art. 37. XIX,
combinado com as previsões contidas no art. 61. lI. "f". no art. 84. VI. e no art
173. caput, todos da Constituição da República Federativa do Brasil. Dessarte.
o encerramento de suas ativIdades devera ser. exclusivamente. autorizado peta
Poder Constituído Legislativo também via projeto de lei de iniciativa do Execu-
tivo. que regulamentará todo o procedimento de dissolução para o devido en- --------~--~~~~~~~~~::~::;,:~~~;.;~~~~~üã.~f!r
Resposta: Errada; An. .173. Ressalvados os casos preVistos nesta constíruiÇ~~. a exploração. dl-
cerramento de suas atividades. apurando-se o ativo e realizando seu passivo.
Dentro dessa linha de raCiocínio hermenêutica. o Poder Constituído judiciá-
no não estará. aprmcípio. autorizado a decretar. mediante ato subjetivo (sen-
tença, que somente opera efeitos Inter partes), o encerramento compulsório
das atividades de. entidade estatal empresarial. teve origem em autorização
legal. decorrente de manifestação volitiva. de caráter objetivo. e conjunta dos 1.12.2.1. Jurisprudência selecionada
Poderes Constituídos Executivo (iniciativa) e Legislativo. em casos expressos » "Quer dizer; o artigo 173 da CF està cuidando da hipótese em q~~ o Estado e~tela na condi~
imperativos da segurança nacional e relevante interesse coletivo, em respeito ção de agente empresanal. IstO é, explorando. diretamente, atiVIdade econo~lca em con
ao art. 2· da CRFB. sendo esta exegese teleológica. por conseguinte. a rodo corrência com a Iniciativa pnvada. Os paràgrafos, então, do citado art~ 17~, aph~~-se com
que orientou o legislador mfraconstitucional. por ocasião da edição da Lei nº observância do comando constante do caput. Se não houver concorrencla - exIstindo mo:
11.101. de 2005. '1' CF art. 177 - não haverá aplicação do disposta no § 1º da menCIonada art 173.
nopo 10. , voto do Min. Carlos Velloso, Julgamento
(RE 407.099. . em 22-6-04, 2-'Turma,
D J d e 6-8-04)

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Direito EconÓmtco Constitucional
Leonardo V1Zeu Rguetredo

f, f, da Constituição. O fato Jurídico que deu ensejo á causa ê a tributação de bem público
» "Distinção entre empresas estataiS prestadoras de servIço público e empresas estataIs
federa!." (ACO 76S~QO. voto do ReI. p/ o ac. Min. Eros Grau, julgamento em 12~6~200S.
que desenvolvem atividade econômica em sentido estrito. (...). As sociedades de econo~
mia mista e as empresas públicas que explorem atividade econômica em sentido estrito Plenário, DIE de 7-11-2008.)
estão sujeitas, nos termos do disposto no § 1 2 do art. 173 da Constituição do Brasil. ao » "O processo de privatização das empresas públicas e das SOCiedades ~e ec~nomia mls~ e
regime Jurídico própno das empresas privadas, (.,.). O § 1 2 do art. 173 da Constituição distinto daquele realizado pelas empresas pnvadas quando submetidas a mcorporaçao,
do Brasil não se aplica às empresas públicas. SOCiedades de economia mista e entidades fusão ou cisão. dadas as eXigências peculiares do programa de desestatízação e da cogen~
(estatais) que prestam serviço públíco:' (ADf 1,642. ReI. Min, Eros Grau, Julgamento em te observânCia dos prmcípios moralizadores que regem os atos da adminIstração públi-
3-4-2008, Plenário, DIE de 19-9-2008.) ca sob pena de mvalidação, Empresas públicas e SOCiedades de economia mista. PrazO
diferenciado daquele preVisto para as empresas pnvadas para apresentação de balanço
"Esta Corte ortentou-se no sentido de que as disposições constitucionais que regem os
contábil. Afronta ao § 12 e inCISO II do artigo 173 da Constituição. Alegação Improceden~
»
atos admmistrativos não podem ser invocadas para estender aos funcionanos de socie~
te:' (ADI 1.998. ReI. Min. MauriCIO Corrêa, Julgamento em 17~3~04. Plenano, Df de 7-S~04)
dade de economia mista, que seguem a Consolidação das Leis do Trabalho, uma estabilI~
dade aplicavel somente aos servidores públicos, estes sim submetidos a uma relação de » ''Ação Cautelar. Efeito suspensIvo a recurso extraordináno admitido no Supen?r Tribunal
direito administrativo. A aplicação das normas de dispensa trabalhista aos empregados de Justiça, Plausibilidade Jurídica do pedido. Licitações realizadas pela Petrobras com base
de pessoas Jurídicas de direito pnvado está em consonância com o disposto no § 1 2 do no 'Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado (Decreto n. 2,7~~f98 e ~el n,
art. 173 da Lei Maior. sem ofensa ao art. 37, caput e n. da Carta Federal." (AI 468.580~ 9,478f97). Perigo de dano Irreparável.Asuspensão das Iidtaçõ es po~e 1~V1ab~lzar a pro~na
AgR. ReI. Min, Ellen Gracle, julgamento em 13-12-05. 2ª Turma, DI de 24-2~06) atividade da Petrobrâs e comprometer o processo de exploração e dlstrlbUlçao de petrol eo
em todo o pais, com reflexos Imediatos para a indústria, comêrciO e. enfim, para toda ~ P?pu:
» "Admlnlstração pública indireta. SOCiedade de economia mista, Concurso público. Ino- lação. Medida cautelar deferida para concederefeito suspensIvo ao recurso exttaordmano.
bservânCia. Nulidade do contrato de trabalho, Efeltos. Saldo de saláno. Após a Consti~ (AC 1.193-QO-MC, ReI. Min. Gilmar Mendes, lulgamentoem 9-5-06, 2' Tunna, Dl de 30-6-06)
tUlção do Brasil de 1988, e nula a contratação para a investidura em cargo ou emprego
público sem previa aprovação em concurso público. Tal contratação não gera efeitos tra~ li ''Ausência da alegada negativa à empresa do direito de continuar exercendo o comercIO
balhlstas, salvo o pagamento do saldo de salános dos dias efetivamente trabalhados sob de ouro e de pedras preCiosas. ou de reconhecimento, ao Estado ou ao Banco Ce~tral do
pena de ennqueclmento sem causa do Poder Público, Precedentes. A regra consti~clO~ poder de estabelecer restnção a dita atividade, muito menos que pudesse ser tid..a ~or
nal que submete as empresas públicas e SOCiedades de economia mista ao regime Jurídi- exorbitante dos lindes do poder de fiscalização e repressão ao abuso do podereconomlc~
co próprio das empresas privadas (...) não elide a aplicação. a esses entes. do preceltuado ou de pumção de atos contrános a ordem econômica e financeira e economia popUlar.
no art. 37. II, da CF 188. que se refere a mvestidura em cargo ou emprego público." (AI (RE 242.550, ReI. Min.llmar Galvão, lulgamento em 28-9-99, l ' Turma, Dl de 10-12-99)
680.939-AgR, ReI. Min. Eros Grau, julgamento em 27-11-07. 2ª Tunna, Df E de 12~2-08) » "Ê que o § 42 do artigo 173 da ConstituIção Federal reserva a lei a repressão ao abu~o do
» "A Empresa Brasileira de CorreIOs e Telégrafos é uma empresa pública, entidade da Ad- poder econômico. no que vise a dommação dos mercados, a elimmação da concorrencl.a
ministração Indireta da União, como tal tendo sido cnada pelo Oecreto~Lei S09, (...) de e ao aumento arbitrário dos lucros. Assim, não se pode ter a Lei n. 8.039/90, no partí~
1969. Seu capital e detido integralmente pela União Federal (art 6º) e ela goza dos mes~ cular, como conflitante com a autonomia assegurada no artigo 209. nem com prmciplO
mos prIvilégIOs concedidos à Fazenda Pública, 'quer em relação á Imunidade tributária, estabelecido no inciso XXXVI do artígo S2, ambos da Carta Federal de 1988:' (AI 155.772~
direta ou mdireta, Impenhorabilidade de seus bens, rendas e serviços, quer no concer- AgR, ReI. Min. Marco Aurélio,Julgamento em 30~11-93, 2a Turma, DI de 27-5-94)
nente a foro, prazos e custas processuais'. Leia-se o texto do 3ft 12 do Decreto-Lei. No
que concerne as obrigações tributárias. a ela não se aplica o § 2º do art. 173 da CF. na 1,12.3. Prestação de Serviços Públicos
afirmação de que as empresas públicas e as SOCiedades de economia mista não poderão
gozar de pnvilégios fiscaIS não extenSIVOS as do setor privado. O que resta definidamen-
"'-
te evidente, neste passo. como anotei em outra ocasião. é que tanto o preceito Inscrtto no c:
Art. 175. Incumbe ao Poder Público. na fonna a lei, dire-
§ 12 quanto o veIculado pelo § 2º do art. 173 da Constituição de 1988 apenas alcançam tamente ou sob regtme de concessão OU penn~ss~o, sempre
empresas públicas e sociedades de economia mIsta que explorem atividade econômica através de licitação, a prestação de servIÇOS publIcos.
em sentido estrito. Não se aplicam àquelas que prestam serviço público, não assujeita- parágrafo único. A lei disporá sobre:
das as obngações tributárias às quaiS se sujeitam as empresas pnvadas. As empresas
públicas. SOCiedades de economia mista e outras entidades estatais que prestem servIço I _ o regime das empresas concesslonârias e perrmssionà~
público podem gozar de pnvilégtos fiscais, ainda que não extensivos a empresas prIva~ rias de sernços públicos. o caráter espeCial. d.: seu contrato
das prestadoras de servIço público em regtme de concessão ou permissão (art 175 da e de sua prorrogação. bem como as con~Içoes de cadu_CI~
dade, fiscalização e reSCIsão da concessao OU permlssao, .~l
CF/1988). Isso me parece mquestionável. (...) Sendo assim, dada a impossibilidade de
tributação de bens públicos federais pelo Estado do ruo de Janelro em razão da garantia Il- os direítos dos usuârios:
constituciOnal de imunidade recipr9ca e convencido de que ela, a imunidade recíproca,
assenta-se basicamente no prmcipIo da federação, entendo verificar~se a competência UI ~ política tarifária;
ongmária desta Corte para conhecer e Julgar a lide. nos termos do disposto no art 102,
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Leonardo Vueu Figueiredo Direito EconômICO Constituaona{

A conceituação de servíço público não e unânime e sofre variações. de Segundo o critério proposto por Hely Lopes MeireIles. 45 seguido pela dou-
acordo com a evolução política do País. isto é. de acordo com as necessIdades trina maJoritária, a qual adotamos por seu caráter didático, podemos classificar
que a socíedade apresenta no decorrer do tempo. que demandam resposta ime- os serviços públicos quanto:
diata do Poder Público. Não está ligada a questões prIncipioláglcas. tampouco
a) à extensão:
ontológícas. uma vez que nenhuma atividade é, em si mesma, um serviço públi-
co. Tudo depende da maIOr ou menor Intervenção que o Estado deseje realizar a.l) Serviços públicos propriamente ditos (pró-comunidade) - são
na atividade econômtca. Resta claro. portanto. que a melhor noção de serviço todos os prestados diretamente pelo Poder Público à comunida-
público não se vincula à essência da atividade per si. mas decorre de uma neces- de. por seu caráter nitidamente essencial, uma vez que são im-
sidade pontual e historicamente determinada de maIOr Intervenção a ser feita preSCIndíveis para a sobrevivêncIa da sociedade (ex.: vigilânCia
pelo Estado em certa esfera da economia. sanitána, segurança pública e defesa naCIOnal). Via de regra, taiS
serviços não admitem delegação. uma vez que são prestados no
O tema pode ser objeto de estudo e conceituação através de diversos pris- exercício do ius impenum. (Supremacia do Interesse Público),
mas. dos quais destacamos os seguIntes: em sentido formal. ISto é. sob a forma devendo ser remunerados de forma módica ou prestados gratui-
pela qual o servIço público se exteriorIza no mundo do direito. corresponde ás tamente. a fim de que fiquem ao alcance de todos os membros da
tarefas prestadas pelas normas de Direito Público: em sentido material. pode- comunidade.
mos conceber o serviço público como o conjunto de ativIdades voltadas para o a.2) Serviços de utilidade pública (pró-cidadão) - são todos os que
atendimento das neceSSIdades da coletividade: em sentido subjetivo. traduz-se VIsam ao atendimento de conveniências da coletividade, isto e. ser-
no aparelhamento estatal (entes. órgãos e agentes públicos) do Poder Público viços úteis postos à disposição pelo Poder Público para a sociedade
para a realização dos serviços correspondentes: em sentido objetivo. é toda ati- com o fito de tomá-Ia maIS aprazível e confortável, não tendo um
vidade em si prestada pelo Poder Público e seus agentes. caráter essencial, podendo. assim. ser delegados a terceIros. que
são remunerados diretamente por seus usuários (ex.: telefoma,
Atualmente. considerando-se as dispOSIções constituCIOnais. bem como os
abastecimento. transporte coletivo etc.).
diversos sentidos sob os quaís podemos analisar o tema, pode-se conceituar os
serviços públicos como sendo toda atividade prestada pelo Estado. diretamente b) à natureza:
ou por melo de seus delegatános. sob as normas de Direito Público. que obJe- b.l) Serviços próprios do Estado - são todos os que têm intima relação
tivam o atendimento das necessidades da coletividade ou, ainda. as do próprio com o Poder Público. no tocante ao exercícIO de suas atribUIções tí-
Poder Público. picas. Seu conceito se confunde com o de serviços públicos propria-
Observe-se que o serviço público, por visar ao atendimento de uma neces- mente ditos.
sidade de Interesse geral. seja do próprio Estado ou da coletividade. deve ser b.2) Serviços impróprios do Estado - são todos aqueles que afetam as
criado e regulamentado pelo Poder Público, a quem incumbe a prestação. sei a necessidades pessoais do cidadão. mas não são afetos aos interes-
direta ou indireta. bem como sua respectiva fiscalização. ses coletivos da comumdade. Seu conceito se confunde com o de
serviços de utilidade pública.
Todo serviço público deve objetivar o atendimento de interesse coletivo,
para satisfação de necessidades primárias (essenctais) ou secundárias (não-es- c) à finalidade:
senciais). cuja conceituação é muito variável. uma vez que o caráter de essencia- c.l) Serviços administrativos - são os prestados com o fim de aten-
lidade não possui parâmetros previamente definidos, ficando sua análise, Via der as necessidades internas da Administração Pública ou com o
de regra, relegada ao caso concreto. Todavia, podemos entender necessidades fim de viabilizar a prestação futura de serviços que serão presta-
essencIais como aquelas que dizem respeíto à garantia de sobrevivêncía da dos ao público (ex.: Imprensa Oficial).
sociedade (saúde. segurança pública, defesa naCional), ao passo que neces-
SIdades não-essenciais são todas· aquelas que visam a facilitar e tornar maís
45. MEIRELLES, Hely LOpes. Direito Administrativo Brasileiro (atualizada por Eunco de Andrade Aze-
confortável a vida da coletividade.
vedo. Délao Ba.!estero Aletxo e iosé Emmanuel Burle Filho), 26i1 ed.. São Paulo. Malhelros. 2001.

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Leonardo ViZeu Ftgueíredo Direito EconÓmlCo Constítuaona!

c.2) Serviços industriais - são os que visam a produção de lucro e di- a) Generalidade: Significa que o serviço deve ser prestado a todo e qual-
videndos para quem os presta, sendo remunerados pelos usuá- quer usuáno que dele necessite, sem qualquer discnmmação. dando-se a maIOr
rios mediante tarifa ou preço público, seja por prestação direta ou amplitude de atendimento, para tanto,
delegada. b) Continuidade: Representa a impossibilidade de suspensão na prestação
d) à possibilidade de individualização: dos serviços públicos, isto é, os serviços devem ser prestados de forma contínua
d.l) Serviços gerais ou uti universi - são aqueles prestados pelo Poder e ininterrupta; a possibilidade de suspensão do serviço público quando o usuáno
Público que não podem ser individualizados em relação aos que os se torna inadimplente é tema que vem causando muitas discussões doutrinárias.
usufruem, isto é, são todos aqueles. cujos usuános não podem ser Se a prestação de serviço for facultativa, isto é, se a sua fruição se der por livre op-
mdividualmente determinados, uma vez que visam ao atendimento ção do usuário. o serviço poderá ser suspenso. Se a sua prestação ao usuário for
compulsóri~. como serviço coercitivamente imposto pelo Estado. n-ão será lícito
da coletividade como um todo (ex.: Segurança Pública e Defesa Na-
cIOnal). Via de regra, sua remuneração se dá via imposto. mterrompê-Io. De outro modo, fica fácil verificar que, VIa de regra, os serviços fa-
cultativos são contratualmente remunerados por preço público (do qual a tarifa é
d.2) Serviços individuais ou uti singuli - são todos os se1'Vlços públi- uma das espécies), ficando suíeitos á suspensão pelo seu Inadimplemento, desde
cos prestados que podem ser mdivIdualmente especificados em re- que para isso ha1a prévia notificação. Por sua vez, os sernços compulsórios são
lação aos seus respectivos usuáriOS. ísto e, são aqueles cUJa utiliza- remunerados por uma espécie tributárIa específica, a saber,. taxa, CUJO inadimple-
ção se pode aquilatar e mensurar em relação a cada individuo (ex.: mento acarreta a ínscrição em dívida ativa e o respectivo ajuizamento de execu-
captação de esgoto, abastecimento de água, gás e energta elémca). ção fiscal, não sendo permitida sua suspensão. Dessarte. podemos afirmar que
Normalmente, sua remuneração se dá via taxa (tributo) ou tarifa (preço somente os serviços remunerados por preço público estão sUjeitos à suspensão.
público - remuneração contratual). Quando o serviço for de caráter obrigatório, c) Eficiência: A AdmmIstração Pública, na prestação de seus serviços, deve
sua remuneração será feita por taxa, cujo madimplemento acarreta, tão-somen- orientar-se para alcançar o máximo resultado do ínteresse público. com o em-
te. inscrição em dívida ativa e ajuizamento de execução. Por sua vez, se o serviço prego minimo de recursos possíveis, dentro da razoabilidade necessária para
é facultativo, o madimplemento pode acarretar sua suspensão, mediante aviso tanto. atualizando-se sempre para incorporar as inovações tecnológtcas e colo-
prévio do prestador. cá-Ias à disposição dos usuários.
Uma vez que a República adota a forma federativa de Estado, podemos con- d) Modicidade: Significa que os serviços públicos devem ser prestados a
cluir que a competêncIa para a prestação de cada serviço público será ineren- valores acessíveis para toda a população, a fim de garantir a generalidade de
te a cada ente estatal (União, Estados-Membros. Município e Distrito Federal), sua prestação, uma vez que o lucro, fim da atividade econômica na sociedade
podendo ser competência comum, quando a prestação do serviço incumbir a capitalista e liberal. não é o objetivo da função admmIstrativa, que se traduz na
mais de um ente, ou privativa, quando for específica de um ente. A Constituição realização do bem-estar social.
da República Federativa do Brasil optou por deixar expressamente consIgnadas
quaIS as competências admimstrativas específicas da União e dos Munidpíos,
Os servtços públicos podem ser prestados a título remunerado ou gratuito.
Observe-se que em que pese não ser o se1'Vlço diretamente remunerado, dando-
cabendo aos Estados competência residual. além das que lhe foram especifi-
lhe um aspecto de gratuidade para o usuáno, seu custo é arcado pelo Estado,
camente outorgadas, a teor dos arts. 21 (União), 23 (competêncIa comum), 25
(competência residual dos Estados), 30 (MunicípIOs) e 32 (Distrito Federal). que o remunera com o produto da arrecadação de outras receitas. mormente o
imposto. Assim. o serviço é gratuito em relação ao usuário. tão-somente, mas ê
A regulamentação do serviço público cabe ao ente federado que tem com- custo arcado e repartido por toda a sociedade.
petência para a prestação do serviço, sendo atribuição merente ao Poder Regu-
lamentar Admimstrativo de cada entidade. Em geral. são remunerados por Imposto todos os serviços de caráter geral,
que não podem ser Individualizados e especificados. Os se1'Vlços que são dire-
Por sua vez, o controle da respectiva prestação e atribuição merente à tamente remunerados pelos seus usuários. Ísto é, aqueles que possuem contra-
competência para o serv1ço correspondente. sendo mero corolário daquela. prestação pecuniária, possuem forma remuneratóría variável.
Pode ser realizado de forma mterna, quando feita pela própna administração,
ou externa, quando efetuada por terceiros á Administração Pública. A prestação A primeira espécie que podemos destacar é a tributária conhecida como
dos servtços públicos norteIa-se em 4 pnncípios básicos, a saber: taxa, com previsão constitucional no art 145, inCISO lI, da Constituição da

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Leonardo V'lZeu Rguelredo Direíto EconÔmtco Constituctonat

República Federativa do Brasil. que se aplica aos serviços que são compulsoria- b) ServIço descentralizado: É todo aquele no qual o Poder Público transfere
mente fornecidos aos usuários (ex.: proteção de incêndio - taxa de incêndio). sua titularidade ou sua execução, por meio de outorga (mediante criação
Observe-se que a contraprestação pecuniária é devida ainda que o usuário não de entidade para tanto) ou delegação (transferência contratual - con-
utilize efetivamente o serviço. bastando. para tanto. que o Poder Público o co- cessão: ou por ato unilateral - permissão ou autorização) a autarqUias.
loque à sua disposIção e mantenha todo o aparato para sua efetiva prestação fundações. empresas estatais. empresas privadas ou a particulares.
quando se fizer necessario. Os serviços ainda podem ser remunerados vía preço c) Serviço desconcentrado: É todo serviço prestado diretamente pelo
público. que se trata de remuneração contratualmente estabelecida para tanto Poder Público. todavia. devidamente. distribuído aos seus respectivos
entre o Poder Público e seus delegados. sendo devida pelo usuário apenas com
órgãos.
a utilização efetiva do serviço público. aplicável, portanto, aos serviços faculta-
tivos. cUJa utilização fica ao talante dos respectivos usuários. d) Execução direta: li realizada pelo próprio Poder Público. seja pelo ente
estatal competente ou pelos entes autárquicos. fundacionais, empre-
O principal direito que o usuário possui é o de exigir a prestação do res- sariaIS do Estado. paraestatais. ou, ainda, pelo particular devidamente
pectivo serviço público. desde que esteia devidamente aparelhado para seu res- delegado para tanto.
pectivo recebimento, podendo, para tanto. socorrer-se das VIas judiciais. Outro
direito que ele possui é o de ser devidamente indenIzado pelos prejuízos decor- e) Execução indireta: É feita por meio de terceiros contratados para tanto.
rentes da má prestação do serviço. e somente é cabível nos serviços que permitem substituição na presta-
ção do serviço.
Observe-se que o direito de reclamação do usuárIO em relação ao serviço
público hoie possui expressa previsão constitucional (art. 37, § 3º. I), depen- Dadas as novas configurações do Estado regulador. bem como das necessi-
dendo de lei para ser devIdamente disciplinado. dades de se atender as novas demandas sociais. a prestação de servIços públi-
cos pode se dar em regime de parceria do Poder Público com agentes privados.
"Art. 37 (...)
das seguintes formas:
§ 3 2 A leI disciplinará as formas de participação do usuâno na admj.
mstração pública direta e indireta, regulando especialmente: a) Serviços desestatizados (art. 2º. §1º. b. Lei nº 9.491/97): trata-se da
transferênCIa da execução de determinado serviço público para a InI-
I - as reclamações relatívas â prestação dos serviços públicos em
geral, asseguradas a manutenção de servIços de atendimento ao
ciativa privada, mediante concessão ou permissão;
usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos b) Serviços sob gestão associada (art. 241. CRFB; LeI nº 11.107. de
serviços". 2005): a União. os Estados. o Distrito Federal e os MUnicípios discipli-
A prestação de serviços públicos não exige qualquer dever por parte do narão por meio de lei os consórcIOs públicos (contrato para realização
usuario. salvo nos casos em que ele precíse preencher determinados requisitos de protocolo de intenções) e os convênios de cooperação (acordo para
técnicos para recebimento do servIço ou, amda, para que não seja suspensa sua realização de serviços públicos comuns) entre os entes federados. au-
execução. tOrIzando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transfe-
rênCIa total ou parcial de encargos, servIços, pessoal e bens essenciaIS
Nos termos do art. 175 da Constituição da República. a execução do ser-
à continUidade dos servIços transferidos;
viço público compete. precipuamente. ao Estado. que deverá prestá-lo direta-
mente. por meio de seus órgãos de execução. ou indiretamente. por meio da c) Serviços em regime de parceria: trata-se da associação celebrada en-
descentralização administrativa, outorgando-o legalmente às autarquias e fim- tre o Estado e o particular para realizar atiVIdades de relevante interes-
dações públicas. Excepcionalmente. caberá delegar ao particular. por melO de se coletivo:
celebração de contratos de concessão ou permissão. sempre precedida de li- c.l) Convênio administrativo: construção doutrinária para a reali-
citação. Podemos classificar. então. as formas de execução de acordos com os zação de atividades de pesquisa. desenvolvimento social e/ou
seguintes critéríos: tecnológico:
a) ServIço centralizado: ~ o prestado diretamente pelo Poder Públi- c.2) Contrato de Gestão (Lei nº 9.637, de 1998): o Poder Executivo po-
co. por intermédio de seus órgãos. em seu nome e sob sua exclusíva dem qualificar como organizações sociais pessoas furídicas de di~
responsabilidade. reito prIvado, sem fins lucrativos, CUIas atividades sejam dirIgidas
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Leonardo Vo:eu Rguetredo Direito EconÔmtco Constitucional

ao ensino. ã pesquisa cIentífica. ao desenvolvímento tecnológIco, 1,12,3.1, Jurisprudência selecionada


à proteção e preservação do meio ambiente. à cultura e à saúde. » "O servtço postal - cOnJunto de atividades que torna possivel o envio de correspondênCia,
atendidos aos requisitos previstos na lei! mediante celebração de ou objeto postal, de um remetente para endereço final e determmado - não consubstancla
contrato de gestão; atividade econômica em sentido estnto. Serviço lJostal ê serviço público. A atividade eco~
nômica em sentido amplo ê gênero que compreende duas eSlJédes. o servtço público e a
c.3) Gestão por colaboração (Lei n Q 9.790, de 1999): podem qualifi- atividade econômica em sentido estnto. MonolJólio ê de atividade econômIca em sentido
car-se como Organizações da SOCIedade Civil de Interesse Público estrito. empreendida por agentes econômicos lJnvados. A exclusividade da prestação dos
as pessoas Jurídicas de direito prIvado, sem fins lucrativos, desde serviÇOS públicos é expressão de uma situação de pnviléglO. Monopólio e pnvilégIO são
que os objetivos sociais e as normas estatutárias atendam aos re- distintos entre SI; não se os deve confundir no âmbito da linguagem jurídica, qual ocorre
quísitos ínstítuídos em lei, mediante ato adminístrativo vinculado, no vocabuláno vulgar. A Constituição do Brasil confere à União. em caráter exclusivo, a ex-
para realização de atividades de relevante interesse coletivo, em ploração do serviço postal e o correio aéreo naCional [artigo 21, inCISO X]. O servIçO postal
ê prestado pela Empresa Brasileira de CorreIOs e Telégrafos - ECT. empresa pública, enti~
caráter unIversal e filantrópico. dade da AdminIstração Indireta da União. cnada pelo decreto~lel n. 509. de 10 de março
Quando o Poder Público resolve transfenr a titularidade do serVIço o faz de 1.969. É imprescindível distinguirmos o regIme de pnvilégIo. que diz com a prestação
por outorga; quando a transferência do servIço se dá por lei. mediante a criação dos servIços públicos. do regime de monopólio sob o qual. algumas vezes, a exploração de
atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. A Empresa Brasileira
de entidades próprias para tanto.
de CorreIOs e Telégrafos deve atuar em regime de exclUSividade na prestação dos serviços
A titularIdade do serviço pode ser transferidada mediante concessão, que que lhe incumbem em situação de privilégto, o privilégto postal. Os regimes jurídicos sob
é a delegação contratual da realização do serviço ao particular, na forma regu- os quais em regra são prestados os serviços públicos Importam em que essa atividade
lamentada pelo respectivo Executivo, desde que efetuada prévia licitação, na seja desenvolvida sob privilégio. mclusive. em regra. o da exclUSividade. Argüição de des-
cumprimento de preceíto fundamental julgada Improcedente por maioria. O Tribunal deu
modalidade de concorrência.
interpretação confonne a COnstituIçãO ao artigo 42 da Lei n. 6.538 para restrmgIr a sua
A transferência podera se efetuar sob modalidade de permIssão, que é ato aplicação as atividades postais descritas no artigo 99 desse ato normativo." (ADPF 46. ReI.
admInIstratIvo negociai e unilateral do Poder Público, discrIcionarIO e precárIo. p/ o ac. Min. Eros Grau, Julgamento em 5-8~09, Plenáno. DIE de 26~2-10)
que comete aos particulares a execução de determínados servIços. mediante » "Linhas de servtço de transporte rodoviáriO interestadual e mternaclOnal de passagei-
2
demonstração de capacidade técnico-financeIra para tanto. ros. Decreto presidenctal de 16 de Julho de 2008. Pnvatização. Desestatização. Art. 2 , §
1 º. b. da Lei 9.491/1997. TransferênCia para a mictativa privada da execução de serviços
Vale ressaltar que a Lei n Q 8.987, de 1995, conceituou a permissão de públicos de responsabilidade da União. Art. 21, XII. e, da CF. Possibílidade de d~sestati~
servIço público em seu art. 2 Q , inCISO IV, determmando, ainda, em seu art. 40 . zação de servtços públicos de responsabilidade da União já explorados por particulares.
que seja formalizada mediante contrato administrativo. Assim, podemos di- Denegação da ordem. A titularidade dos serviços de transporte rodoviáno m~eres~dual
zer que, no Direito pátrio, coexistem, atualmente, duas modalidades de per- e mternacíonal de passageiros. nos termos do art. 21, XII, e, da CF, é da União. E possiVel a
missão. uma seguindo o clásSiCO entendimento doutrinário. com natureza desestatização de servIços públicos já explorados por particulares. de responsabilidade
luridica de ato administrativo unilateraL e outra. no espírito da lei. com natu- da União. confonne disposto no art. 2º, § 1º. b, parte final, da Lei 9.491/1997. lneXlstên-
cta de concessão ou de permissão para a utilização de algumas linhas. além da immente
reza contratuaL
expiração do prazo de concessão ou pennissão de outras linhas. EXlstêncla de deCisões
JudiCiaiS proferidas em ações CIVIS públicas propostas pelo Mimsterío Público Federal
)
que detennmam a Imediata realização de certames das linhas em operação. Possibilida~
) de de adoção da modalidade leilão no caso em apreço, nos tennos do art. 4º, § 3!!, da LeI
(Advogado da União/CESPE/lOo8) As entidades de apoio são pessoas lurídicas de
) 9.491/1997. Necessidade de observância do devido processo licitatóno. mdependente-
direíto privado sem fins lucrativos. Que podem ser Instituídas sob a forma de funda-
) men~ da modalidade a ser adotada (leilão ou concorrência):' (MS 27.516, Rei. Min. Ellen
ção. associação ou cooperativa, tendo por obieto a prestação, em caráter privado.
) de serviços SOCiais não exclusivos do Estado. Tais entidades mantêm vínculo íurídico GracIe, lulgamento em 22-10-2008, Plenáno, DIE de 5-12-2008.)
) com a administração pública direta ou indireta. em regra. por meio de convênio. Por » "Ação direta de mconstitucionalidade contra a expressão 'energia elétrIca~ contida no ca~
) sua vez. os serviços socíaís autônomos são entes paraestatais. de cooperação com put do art.lº da Lei 11.260/2002 do Estado de São Paulo. que proíbe o corte de energta
-, o poder público. prestando serviço público delegado pelo Estado. elétnca, agua e gãs canalizado por falta de pagamento. sem preVia comunIcação ao usu-
) ario. Este Supremo Tribunal Federal possui firme entendimento no sentido da Impos-
) Resposta: Errada. sibilidade de interferênCia do Estado-membro nas relações Jurídico-contratuaIS entre
Poder concedente federal e as empresas concesslonânas. especificamente no que tange

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Leonardo Vaeu Rguetredo Direito Econônuco ConstituClonat

a alterações das condições estipuladas em contrato de concessão de serviços públicos, atos administrativos além do prazo razoável para a realização dos devidos procedimen-
sob regime federal, mediante a edição de leis estaduais. Precedentes. Violação aos arts. tos licitatórios. Segurança Jurídica não pode ser confundida com conservação do iHcito:'
21. XII, b. 22. IV, e 175. caput e parâgrafo timco, mcisos I. If e III da CF. InconstituclOna~
y
(ADl3,521, ReI. Min, Eros Grau, Julgamento em 28-9-06, Plenario, DI de 16-3-07],
!idade. Ação direta de inconstitucIOnalidade Julgada procedente." (ADI 3.729, ReI. Min.
Gilrnar Mendes. Julgamento em 17 9-2007. Plenário. Dr de 9-11-2007.).
w » "Constitucionalidade do art. 27, {e H, da Lei 9.074, de 7-7-95, por isso que a ConstitUIção
Federai estabelece, no art.175, que a concessão e a l'ermlssão para a prestação de ser-
» "Parágrafo único do art.191 da Leí federal 9.472/1997. Delegação e concessão de ser- ViÇOS públicos serão precedidas de licitação e o conceito e as modalidades da licitação
Vi~O_ público. Orgamzação dos servIços de telecomunicações. Modalidade de licitação. estão na lei ordinária, Lei 8.666/93, artigos 3º e 22. certo que o leilão e modalidade de
Letlao. Processo de desestatização. Privatização. Alienação do controle aCÍonario. Au- licitação (Lei 8.666/93, art. 22):' (ADI 1.582, ReI. Min. Carlos Velloso, lulgamento em 7-8-
sência de ~rocesso lic~tatório. (, ..) As pnvatízações - desestatizações _ foram Implemen- 02, Plenáno, DI de 6-9-02).
tadas mediante a realIzação de leilão, modalidade de lícitação preV1sta no art 22 da Lei
8.666/1993 qu: a um só tempo transfere o controle aCIOnariO da empresa estatal e pre- » Os transportes coletivos de passageiros consubstanCiam serviço público, área na qual o
serva a delegaçao de serviço público. O preceito Impugnado não é mconstitucional. As principiO da livre imclativa (.,,) não se expressa como faculdade de criar e explorar ati-
empresas :statais privatizadas são delegadas e não concessionárias de semço público. vidade econômica a título privado. A prestação desses semços pelo setor privado dá-se
0. fato de nao terem celebrado com a União contratos de concessão e questão a ser resot- em regime de concessão ou permIssão, observado o disposto no artigo 175 e seu pará-
V1~a por outra V1a, que não a da ação direta de mconstitucIonalidade:' (ADI 1.863, ReI. grafo único da Constituição do Brasil. A leI estadual deve dispor sobre as condições dessa
Mm. Eros Grau, julgamento em 6-9-2007. Plenario. DIE de 15-2-2008.). prestação, quando de semços públicos da competência do Estado-membro se tratar."
(ADI 845, Rei. Min. Eros Grau, lulgamento em 22-11-07. Plenáno, DIE de 7-3-08)
» "Agravo regimental r:m ação cautelar. Recurso extraordinano a que se deu efeito suspen-
SIVO na ongem. Pedido de contracautela para que se permita a operação de prolonga- » "Impossibilidade de interferêncIa do Estado-Membro nas relações jurídico-contratuais
mento de li~ha de transporte mterestadual de passageIros. Art. 175 da ConstituIção Fe- entre o poder concedente federal ou muniCipal e as empresas concessionárias - [nVlabili-
de~J. Declsao agravada_ que negou seguimento à ação cautelar, ao entendimento de que dade da alteração, por leI estaduai, das condições preV1stas na licitação e fonnalmente es-
o !nbunal de ongem nao usurpou a competência do Supremo Tribunal Federal, ante as tipuladas em contrato de concessão de serviços públicos. sob regtme federal e municipal:'
Sumulas 634.e 635. De toda fonna, amda que se considere inaugurada a .iurisdição caute- (ADI 2.337-MC, ReI. Min. Celso de Mello,lulgamento em 20-2-02, PlenáriO, DI de 21-6-02)
lar desta egregIa Corte, a deCisão recorrida extraordinariamente está em sIntoma com a » "Lei estadual. mãxJ.me quando diz respeito â concessão de semço público federal e mu-
lunspru~ênCla da Casa: no sentido de que a exploração de transporte coletivo de passa- mcipai. como ocorre no caso, não pode alterar as condições da relação contratual en-
geIros ha de ser precedida de processo licitatório. Precedentes: Recursos Extraordinários tre o poder concedente e os concessionários sem causar descompasso entre a tarifa e a
n. 140.989, 214.383, ~64.621 e 412.978. Agravo regImental a que se nega proV1mento," obrigação de manter serviço adequado em favor dos usuáriOS:' (ADI 2,299-MC, ReI. Min.
(AC 1,066-AgR. ReI. Mm, Carlos Britto, íuJgamento em 15-5-07, 1il Turma, DI de 28-9-07). Morena Alves, julgamento em 28-3-01. Plenária, DI de 29-8-03)
I) ''Ar~gos 42 e 43 da ~ei ~omptementar n. 94/02. do Estado do Paraná Delegação da pres- » "EX{lloração de transporte urbano, por meio de linha de ônibus. Necessidade de prevIa
ta:ao de se~ços pUbh,cos. Concessão de serviço público. Regulação e fiscalização por licitação para autOrizá-Ia, quer sob a fonna de permíssão quer sob a de concessão, Re-
agen~Ia de serviços p~blícos de.leg?dos de infra-estrutura'. Manutenção de 'outorgas curso extraordinário provido por contrariedade do art. 175 da Constituição Federal:'
vencJda~ e/o_u com ~rater precano ou que estiverem em vigor por prazo Indetermi- (RE 140,989, ReI. Min. OctavlO Gallotti, Julgamento em 16-3-93, 2 il Turma, DI de 27-8-
nado. V.lOlaçao do disposto nos artigos 37, inCISO XXI; e 175, caput e parágrafo único.
°
mCISOS I e IV, da Constituição do Brasil. artigo 42 da Lei Complementar estadual afirma
~ co~tin~idade d~s delegações de prestação de serviços públicos praticadas ao tempo da
93]. No mesmo sentido: AI 637,782-ED. Rei. Min, Gilmar Mendes, julgamento em 30-9-
08.2' Tunna, DIE de 21-11-08.
» '}\ção direta de InconstituclOnalidade: AsSOCiação Brasileira das Empresas de Transporte
Institu:çao da ag~nc!a, bem assim sua competência para regulá-Ias e fiscaliza-las. Pre- Rodoviário Intennumclpal, Interestaduai e InternaCional de Passageiros - ABRATI. Cons~
servaçao da contin.Uidade ~a prestação dos semços públicos. Hipótese de não Violação tituclonalidade da Lei 8.899, de 29 de junho de 1994, que concede passe livre às pessoas
de precelt~s CO?StituclonaIS, O artigo 43, acrescentado a LC 94 pela LC 95. autonza a portadoras de deficiênCIa. Alegação de afronta aos principios da ordem econômIca, da iso-
rnanutençao. ate 2008, de 'outorgas vencidas, com caráter precário' ou que estiverem em nomia, da livre iniciativa e do direito de propnedade, além de ausência de indicação de
VIgor com prazo mdetermInado. Permite, amda que essa prestação se dê em condições fonte de CUSteIO (arts. 1 2, IV: 52, XXII; e 170 da CF): imorocedência, A autora, associação de
Irregulares. a man~tenç~o ~o vinculo estabelecido entre as empresas que atualmente classe, teve sua legitimidade para ajUIzar ação direta de inconstituCionalidade reconhecida
a ela prestam serviços pubhcos e  Admmistração estadual. Aponta como fundamento a partir do Julgamento da ADI 3.153-AgR, Rei. Min. Celso de Mello. DI de 9-9-2005. Perti-
das prorrogações o § 22 do artigo 42 da Lei federal n. 8.987, de "13 de fevereIro de 1995. nência temática entre as finalidades da autora e a matéria veiculada na leI questionada
Sucede que a reprodução do texto da Lei federal, mesmo que fiel, não afasta a afronta â reconhecida, Em 30-3-2007. o Brasil asSInOU, na sede da ONU, a Convenção sobre os Di-
CO~StituIÇãO do Brasil. O texto do artigo 43 da LC 94 colide com o preceito veiculado pelo reitos das Pessoas com Deficiência. bem como seu Protocolo Facultativo, comprometendo-
artigo 175, caput, da C8/88 - 'incumbe ao poder público, na forma da lei, diretamente se a implementar medidas para dar efetividade ao que fOi ajustado. A Lei 8.899/1994 e
ou sob reg~m~ de, co~ces:ão ou permissão. sempre atraves de licttação, a prestação de parte das políticas públicas para insenr os portadores de necessidades especiaiS na so-
serviços publicas. Nao ha respaldo constitucional que Justifique a prorrogação desses ciedade e objetiva a Igualdade de oportunidades e a humamzação das relações SOCiaiS,

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107
Direito EconOm\co Constituaonat
Leonardo Vu:eu figueiredo

em cumpnmento aos fundamentos da República de cidadama e dignidade da pessoa hu- ~


mana, o que se concretiza peja defimção de meIOS para que eles selam alcançados." (ADI .1 a) toda anvidade nuclear em territón~ naCIOnal so~en::
2.649, ReI. Min. Cármen Lucia. Julgamento em 8-5-2008, Plenáno. Df E de 17-10-2008.) seci admitida para fins pacíficos e mediante aprovaçao
"O quantitativo cobrado dos usuános das redes de água e esgoto e tido como preço pu-
l)

blico. Precedentes." (RE 544.289-AgR, ReI. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 1 Congresso NaCional:
b) sob regIme de permissão, são autorizadas a comerCia-
26-5-09. l' Turma. DIE de 19-6-09) lização e a utilização de radiOisótopos para a pesqUisa e
XI "De fato, tanto a taxa quanto o preço público constituem um pagamento realizado em tro- usos médicos. agrícolas e mdustnals;
ca da fruição de um serviço estatal. diVIsivel e específico. Os preços tambem configuram
) sob regIme de permissão, são autorizadas a produção.
uma contrapartida à aquisIÇão de um bem público. A distinção entre ambos está em que a
pnmeu'a caracteriza-se pela nota da compulsoriedade, porque resulta de uma obngação
legal, ao passo que o segundo distingue-se pelo traço "da facultatividade, por decorrer de
uma relação contratual. Ademais, enquanto as receitas das taxas mgressam nos cofres do
I ~omercialização e utilização de radioísótoPos de mela~
vida Igualou mfenor a duas horas;

(...)
Estado, as provementes dos preços públicos mtegram o patrimônio pnvado dos entes que
Art. 25. Os Estados organizam~se e regem-se {lel~s Consti-
atuam por delegação do Estado," (RE 541.511 e RE 576.189. voto do ReI. Min. Ricardo
tuições e leis que adotarem, observados os pnnclploS des-
Lewandowski, Julgamento em 22-4-09, Plenáno, DIE de 26-6-09), No mesmo sentido: AI
759.849-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Julgamento em 2-2-10.1ª Turma. OIE de 12-3-10.
\ ta Constituição.
XI "(...)a eXigência constante do art. 112. § 21!, da Constituição fluminense consagra mera
restrição material à atividade do legislador estadual, que com ela se vê Impedido de
I (...)
§ 2 9 _ Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
conceder gratuidade sem proceder á necessária indicação da fonte de custeIO, Eassen- concessão. os serviços locaIS de gas can~li~ado, na fonna
te a JUrisprudênCia da Corte no sentido de que as regras do processo legislativo federal 1 da leI, vedada a edição de medida proV1sona para a sua

I
que devem reproduzidas no âmbito estadual são apenas as de cunho substantivo. COI-
sa que se não reconhece ao dispositivo atacado. É que este não se destina a promover regulamentação.
alterações no perfil do processo legislativo. considerado em SI mesmo: volta-se, antes, ...
( )
a estabelecer restnções quanto a um produto específico do processo e que são eventu- Art.177. Constituem monopólio da União:
ais leis sobre gratuidades. Ê, por ISSO, eqUIVocado ver qualquer relação de contraneda-
de entre as limitações constitucionais vmculadas ao principIO federatlvo e a norma sob 1_ a pesqUisa e a lavra das jaz,idas de petróleo e gás natural
análise. que delas não desbordou. Não colhe, tampouco, a alegação de que o art 175, pa~ e outros hidrocarbonetos flUidos:
râgrafo umco, m. da CF remeteria ao Poder Público a função de diSCiplinar. mediante
lei, a política tarifária em maténa de serVIços públicos, de modo que tena pretendido
'o poder constitumte derivado condicionar, para sempre. a atividade legislativa, dela
\ II _ a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III _ a Importação e exportação dos produtos e denvados
retirando parcela da competênCia para dispor sobre política tarifána'. A reserva de lei báSICOS resultãntes das atividades preV1stas nos mClsos
fOi mantida pela Constituição do Estado do Rio de lanelro. que apenas condicionou, anteriores;
de forma válida, toda deliberação sobre propostas de gratuidade de sel'Vlços públiCOS IV _ o transporte marítimo do petróleo bruto de ori~em na-
prestados de forma mdireta â indicação da correspectíva fonte de custeIO:' (AO! 3.225, clOnal ou de derivados báSiCOS de petróleo produzidos n?
voto do ReI. Min, Cezar Peluso. julgamento em 17-9~2007. Plenário. Dl de 26-10-2007.). País. bem aSSim o transporte, por meio de conduto, de petro~
leo bruto, seus denvados e gás natural de qualquer ongem,
1.12.4. Monopólio
V _a pesqUisa. a lavra, o ennquecimento•.o ~eprocessamen­
to a mdustrialização e o comérCIO de mmenos : ~I~ercus
n~cleares e seus derivados, com exceção dos radlolsc:topos

l.
Art. 21. Compete ã União: - _e u tiUzação poderao
CUia produção, comercializaçao r ser
(...) autonzadas sob regime de pennlssão. confonne as ~ me~s
b e c do mCISO XXIII do caput do art. 21 des~ Consbtu:çaO
XXIII - explorar os sernços e instalações nucleares de
qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a
pesquisa, a lavra, o ennquecimento e reprocessamento, a
l. • _,_~_:~d2_e:_o~)(RedaçãO dada pela Emenda ConstitucIOnal n- 49.
mdustrialização e o comérClo de minénos nucleares e seus § 1g A União podem contratar com empresas estataIS ou pn-
derivados. atendidos os segumtes pnncipios e condições: vadas a realização das atividades preV1stas nos mCISOS I a IV
. ,q

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ri
I
Leonardo Vizeu Figuetredo Direito EconÔmiCO Constitucional

Monopólio e a exploração exclUSIVa de determinada ativIdade econômIca


deste artigo observadas as condições estabelecidas em leI: por um único agente, não se admitindo a entrada de outros competidores, De-
(Redação dada pela Emenda ConstitucIonal n!! 9. de 1995) nomina-se, dessarte. monopólio determinada situação de concorrência imper-
§ 2º- A lei a que se refere o § 1 9 dispora sobre: (Incluído feita, em que um agente econômico detém o mercado de produto ou servIço, im-
pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995) pondo sua vontade e estabelecendo os preços aos que com ele comercializam,
I - a garantia do fornecímento dos denvados de petró-
Por ativídade econômica entende-se todo o processo de produção e circulação
leo em todo o território nacíonal; (Incluído pela Emenda j. de bens, serviços e riquezas na sociedade, conforme Visto anteriormente.
Constitucional nf! 9, de 1995)
Podemos classificar o monopólio em:
Il - as condições de contratação: (Incluído pela Emenda
ConstituCional n!! 9. de 1995) a) Monopólio natural: é aquele decorrente da impossibílídade física da
III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do mono- mesma atividade econômica ser realizada por mais de um agente, uma
pólio da União; (Incluído pela Emenda ConstituCIonal n!! vez que a maximização de resultados e a plena eficiência alocativa de
9, de 1995) recursos somente são alcançadas quando a exploração se dá em regl-
§ 3 9 A lei dispara sobre o transporte e a utilização de ma- me de exclusivídade, Isso porque determmadas atividades envolvem
teriais radioativos no território naclOnal.(Renumerado de custos de ínvestimento tão altos que não hâ como se estabelecer com-
§ 2º- para 3º pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995} petição nas mesmas, tal como ocorre na exploração de metrô urbano,
§ 42 A lei que Instituir contribUIção de intervenção no do~ transporte ferroviário, transmissão de energia elétrica, dentre outras.
mfnio econômico relativa âs atividades de importação ou O monopólio natural pode decorrer do direito à exploração patentea-
comercIalização de petróleo e seus denvados, gas natural da e exclusiva de determinado fator de produção, bem como da maior
e seus derivados e álcool combustível deverá atender aos
eficiêncía competitiva de determinado agente em face de seus demais
segumtes requisitoS: (Incluído pela Emenda Constitucio-
nal n' 33, de 2001) competidores,
I - a alíquota da contribUIçãO poderá ser: (Incluído peja b) Monopólio convencional: é o decorrente de práticas abUSIvas de
Emenda Constitucional ni! 33, de 2001) agentes econômicos. bem como de acordos e contratos estabelecidos
a) diferenciada por lJroduto ou uso; (Incluído pela Emenda por dois ou maIS agentes. com o fito de eliminar os demais competido-
Constitucional n!:! 33, de 2001) res, colocando aquela ativídade sob exploração exclUSIva por parte de
b) reduzída e restabelecida por ato do Poder Executivo, um único agente (monopólio) ou de poucos agentes pré-determinados
não se lhe aplicando o disposto no art. iS0.lII, b; (Incluído (oligopólio),
pela Emenda Constitucional ni! 33, de 2001)
c) Monopólio estatal: e a exclusivídade de exploração de ativídade eco-
11 - os recursos arrecadados serão destinados: (Incluído
pela Emenda Constitucional n!! 33. de 2001)
nômica estabelecida pelo Poder Público para si ou para terceIros, por
meio de edição de atos normativos, Como exemplo histÓrICO, serve de
a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de
álcool combustível, gas natural e seus derivados e denva-
exemplo a Lei nº 6538, de 1978, que mstituiu o monopólio das ativI-
dos de petróleo; (Incluído peja Emenda Constitucional ni! dades de serviços postais em favor da Empresa Brasileira de Correios e
33, de 2001) Telégrafos - ECT,
b) ao financiamento de projetos ambientais relaCIOnados Em nosso atual ordenamento jurídico, é defeso o monopólio convencional.
com a indústria do petróleo e do gás; (Incluído pela Emen~ a teor das dispOSIções do art, 173, §4º, da CRFB, bem como da dicção dos arts,
da Constitucional n!:! 33. de 2001)
20 e 21 da Lei nº 8.884, de 1994, Todavía, mister ressaltar que o monopólio
c) ao finanCiamento de programas de infra-estrutura de natural não ê pratica defesa em nossa ordem econômica. conforme se encontra
transportes. (Incluído pela Emenda ConstituCIOnal n!:! 33,
expresso no art, 20, lI, §1º, da Lei de Proteção da concorrência, que é expressa
de 2001]"
ao preceituar que 'i! conqUIsta de mercado resultante de processo natural funda-
do na matar eficiência de agente econômÍco em relação a seus competidores não
110 111
Leonardo VlZeu Figueiredo DireIto EconômICO Constitucional

caracteriza o ilícito previsto no inciso Ir! a saber, "ll- dominar mercado relevante Cumpre ressaltar que, conforme as Emendas ConstitucIOnais nº 05 e nº 09,
de bens ou serviços", ambas de 1995, foi relativizado o monopólio do petróleo, do gás natural e de ou-
Por fim, no que se refere ao monopólio estatal, o Estado brasileiro somente tros hidrocarbonetos fluidos, permitindo a contratação de empresas estatais ou
o admite nos casos expressos na Constituição da República Federativa do Brasil, prIvadas para realizar tais atividades, A Emenda ConstltuclOnal nº 49, de 2005,
não cabendo maIS estabelecImento de exclusividade por meio de normas infra- relativizou o monopólio da pesquisa. lavra, enriquecimento, reprocessamento
constitucionais. como ocorria em regImes constitucionaís anteriores. industrialização e comércio de minêrios e mÍneraís nucleares e seus derivados.
para permitir que a produção, comercialização e utilização de radiOisótopos de
Isso porque, do regIme constitucional de 1934 até a Emenda ConstitucIO- meIa vida igualou mferior a duas horas, bem como os radioisótopos para pes-
nal de 1969, os textos constitucionais permitiam que o Estado brasileiro, por
quisa e uso mêdico. agrícola ou industrial. se dêem sob regime de permíssão ao
meio da União, avocasse para si a exploração exclusiva de qualquer atividade
particular delegatário,
econômica, afastando a livre iniciativa, por meio de lei federal ou ato material-
mente equivalente, Confira-se: Por fim, cumpre ressaltar que o art. 177, §4º, da CRFB, traz expressa pre-
Constituição de 1967: VÍsão de competêncIa tributária da União para instituÍr contribuição de inter-
venção no domínio econômico na área de energia do petróleo, com destinação
Art 157 - A ordem econômica tem por fim realizar a Justiça sacia!.
com base nos seguintes pnnciplOs:
específica para investimentos em infra-estrutura, transporte e projetos am-
bientais. bem como para aplicação em subsídios financeiros na área.
§8 2 - São facultados a intervenção no domínio econômico e o
monopólio de determinada indústria ou atividade, mediante lei
da União. quando Indispensavel por motivos de segurança naCIonal,
MONOPÓL-IOS NA CRF6
ou para orgamzar setor que não possa ser desenvolvido com eficiên- Matrízes Energéticas

~ "'~~ ~
cia no regIme de competição e de liberdade de midativa. assegura-
dos os direitos e garantias individuais. - grifamos.
EC n' 01, de 1969:

~
Art. 163. São facultados a intervenção no domínio econômico e
o monopólio de determinada indústria ou atividade. mediante

~
lei federal, quando mdispensável por motivo de segurança nacional Gás . Material
ou para organizar setor que não possa ser desenvolvido com eficacIa nuclear
no regime de competição e de liberdade de iniCiativa, assegurados os
direitos e garantias individuaiS. - grifamos.

As hipóteses de monopólio estatal encontram-se taxativamente previstas no


art 177 da CRFB, não cabendo mais ao legislador ordináno ampliá-Ia, uma vez (Procurador Federal/CESPE/2010) É legal a contratação pela Uniao de empresa esta-
l
tai ou prIvada para realizar atIvidades de pesquisa e lavra das .Jazidas de petróleo
que a Ordem EconômIca brasileira fundamenta-se na livre imciativa, tendo como )
e gás natura! em território nacional.
prmcipio regedor a liberdade de concorrência, Assim, somente ao poder cons-
tituinte derivado reformador cabe a ampliação dos casos de monopólio estatal. Resposta: Cena. Art. 177. Constituem monopólio do União: I . a pesqUiso e a lavra dos lazidas
) de petróleo e gds natural e outros hidrocarbonetos nu/dos; § l0 A União poderá contrarar com
Atualmente, a Constituição da República limita a livre iniciativa em favor
) empresas estatais ou privados o realização das atividades previstas nos inCISOS I a IV deste
do Poder Público somente as matrIzes energéticas derivadas dos combustíveis
onigo observadas as condições estabelecidas em leI. (Redação dada pela Emenda ConstiruClonal
fósseis derívados. hidrocarbonetos e materiais nucleares, a saber. os casos de no 9. de 1995)
1
pesqUIsa, lavra, refino, importação, exportação e transporte marítimo e de con-
duto de petróleo, gás natural e demais hidrocarbonetos fluídos, bem como a
pesquIsa, Javra. enriquecimento. reprocessamento. industrialização e comércio 1.12,4,1. Jurisprudência selecionada
de minérios e mineraís nucleares e seus derivados. a teor dos arts. 21. XXII. art. » "O conceito de monopólio pressupõe apenas um agente apto a desenvolver as atiVi-
25, §2 9 e art, 177, todos da CRFB, dades econômIcas a ele correspondentes. Não se presta a explidtar caracteristícas da

112 113
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i • Leonardo Vueu Figuetredo Direito Econômico Constituoona!

propriedade, que e sempre exclusiva, sendo redundantes e desprovidas de sIgnificado as arrecadado a partir do disposto no § 4 2 do artigo 177 da Constituição Federal, ante a
expressões 'monopólio da propnedade' ou 'monopólio do bem', (...) A ConstitUIção do Bra- natureza exaustiva das alíneas "a". "b" e "c" do inciso II do citado parâgrafo." (ADI 2.925,
sil enumera atividades que consubstanciam monopólio da União (art 177) e os bens que ReI. pl o ac. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 19-12~03. Plenâno, DI de 14-3-05)
são de sua exclusIva propnedade (art 20).A exIstência ou o desenvolvimento de uma atiVI-
dade econômica sem que a propnedade do bem empregado no processo produtivo ou co- . 1.13. EXPLORAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS
rnercIal seja concomitantemente detida pelo agente daquela atividade não ofende a Cons-
tituição. O conceito de atividade econômica (enquanto atividade empresanal) prescinde lIl.
da propriedade dos bens de produção. A propnedade não consubstancla uma instituIção
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos
umca, mas o conJunto de vânas institUições, relacIOnadas a diversos tipos de bens e con~
mmeraIs e os potenciais de energta hidrâulica constituem
formadas segundo distintos conjuntos normativos - distintos regImes - apliciveis a cada
propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração
um deles. A distinção entre atividade e propriedade permite que o domimo do resultado
ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao
da lavra das jazidas de petróleo, de gâs natural e de outros hidrocarbonetos fluidos possa
concessionano a propriedade do produto da lavra.
ser atribuída a terceIros pela União. sem qualquer ofensa a reserva de monopólio (art. 177
da CF fI988). A propnedade dos produtos ou serviços da atividade não pode ser tida como § 12 A pesqUIsa e a lavra de recursos mmerais e o apro-
abrangida pelo monopólio do desenvolVImento de detennmadas atividades econômIcas. veítamento dos potenciais a que se refere o "caput" deste
A propnedade do produto da lavra das jazidas minerais atribuídas ao concessionâno pelo artigo somente poderão ser efetuados mediante auton-
preceito do art 176 da Constituição do Brasil é Inerente ao modo de produção capitalista. zação ou concessão da União. no interesse naclOnal, por
A propnedade sobre o produto da exploração ê plena, desde que exista concessão de la- brasileIros ou empresa constituída sob as leis brasileiras
vra regularmente outorgada. Embora o art. 20. IX, da CF /1988 estabeleça que os recursos e que tenha sua sede e admmlstração no Pais, na forma
mineraiS, mclUSIve os do subsolo. são bens da União, o art. 176 garante ao concesslOnâno da leI, que estabelecerâ as condições específicas quando
da lavra a propriedade do produto de sua exploração. Tanto as atividades previstas no art. essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteIra ou
176 quanto ás contratações de empresas estataiS ou privadas, nos termos do disposto no terras mdígenas. (Redação da EC 06/95)
§ 12 do art. 177 da ConstitUição, seriam materialmente impossíveiS se os concessionânos
§ 2º - Éassegurada partiCIpação ao propnetário do solo nos
e contratados, respectivamente, não pudessem apropriar-se, direta ou mdiretamente, do
resultados da lavra, na forma e no valor que dispuser a leI.
produto da exploração das jazidas. A EC 9/1995 permite que a União transfira ao seu con~
tratado os riscos e resultados da atividade e a propnedade do produto da exploração de § 32 _A autorização de pesquisa serâ sempre por prazo de-
jazidas de petróleo e de gás natural. observadas as nonnaIS legais. Os preceítos veiculados terminado, e as autonzações e concessões preV1stas neste
pelos § 1 Q e § 22 do art 177 da ConstituIção do Brasil são específicos em relação ao art. artigo não poderão ser cedidas ou transferidas. total ou
176. de modo que as empresas estatais ou pnvadas a que se refere o § 1 2 não podem ser parCIalmente, sem preV1a anuênCia do poder concedente.
chamadas de 'concesslOnanas'. Trata~se de titulares de um tipo de propnedade diverso § 42 _ Não dependera de autorIzação ou concessão o apro-
daquele do qual são titulares os concesslOnânos das lazidas e recursos mmerals a que veitamento do potenCial de energia renovâvel de capaCI-
respeita o art 176 da Constituição do Brasil:' (ADI3.273 e ADI3.366, ReI. pl o ac. Min.
Eros Grau, julgamento em 16-3-2005. Plenâno. DI de 2-3-2007.) dade reduzida.

» "Combustíveis derivados de petróleo e álcool carburante. Produtos vedados ao transpor-


tador·revendedor-retalhista. Portaria n. 250/91 do antigo ministério da mfra~estrutura.
Alegada ofensa ao art 170, parâgrafo úmco, da constituição. Ato mmisterial que se limita a Imcialmente, há que se estabelecer a diferença entre recurso e riqueza
explicitar os termos da Resolução n. 4. de 24-5-88. legitimamente editada pelo antigo Con~ natural. Por recursos naturais, entende-se o conjunto de fatores de produção
selho National de Petróleo, no exerdclO de atribuição que lhe fora conferida pelo DL n. 395. derivados do melO-ambíente! sejam eles renováveis ou esgotáveis. Por sua vez.
de 29-4-83. que limitou a atividade do transportador·revendedor-retalhista a entrega, a do~ nqueza natural é o recurso ambiental mdustrialmente beneficiado, que lhe
miemo. de óleo diesel, óleos combustíveis e querosene ilurninante a granel e cuja vigênCia
agrega valor econômico e o torna apto a CIrcular no mercado, com finalidade
somente superveníente lei, prevísta nos arts. 177, § 22 .II e 238. da ConstitUição, poderâ afas-
tar." (RE 229.440, ReI. Min. limar Galvão,Julgamento em 15-6-99, l ' Turma, DJ de 5-11-99)
lucrativa.

» "Mostra-se adequado o controle concentrado de constitutionalidade, quando a lei or~ o regime de exploração dos fatores naturais encontra-se suficientemente
çamentária revela contornos abstratos e autônomos, em abandono ao campo da eficâ~ diSCIplinado no art 176 da CRFR Da leitura do texto constitucional. depreende-
cia concreta. LeI Orçamentána - Contribuição de Intervenção no Domlmo EconômICO se que o legJslador constituinte reserva a propriedade dos recursos naturais à
- Importação e comercIalização de petróleo e denvados, gàs natural e denvados e ál- União, garantindo, todavia, ao concessionário a propnedade do produto da lavra,
cool combustível- Cide - Destinação - Artigo 177, § 4º, da Constituição Federal. Ein-
uma vez que este arca com o rISCO financeiro da exploração. assumindo. índu-
constitucíonal interpretação da Lei Orçamentária n. 10.640, de 14 de janeiro de 2003.
que Implique abertura de crédito suplementar em rubrica estranha à destinação do que SIve. a possibilidade de não haver retorno econômico satisfatÓrIO da atividade.

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Leonardo Vizeu FigueIredo Direito EconÔmICO Constituoonal

) o própno Estado, recebem. em regra, percentual pré-fIxado sobre o resultado


) final da correspondente exploração ou comercialização.
Em que pese haver diversas correntes e vozes de escol posícionando~se contra
)
a atribuição da propriedade do produto da lavra ao concessionário. mormente em Via de regra. os royalties são pagos ao Estado pela exploração de recur-
diversas legislações que versam sobre o tema, o Supremo Tribunal federal iá se so natural, e são chamados de públicos, e ao particular peta comercialização
posicionou pela constitucionalidade da Lei do Petróleo (no 9.478/94) que atribui a de produto ou bem onundo da propriedade mtelectual. denominados de
propriedade do petróleo bruto extraído ao explorador concessionário. Vale ressal· privados.
tar que esse posIcionamento na Suprema Corte brasileira não é unânime. havendo
vozes divergentes. a saber. o ExmO.Min. Carlos Ayres Brito. que foi. por ocasião do Observe-se que o texto constitucional não estabelece que tal compensa-
) IUlgamento da AOIN/MC no 3.273. acompanhado pelos Exmos. Min. Marco Aurélio e ção seja Instituída somente em favor dos entes públicos cujO território seja
loaqUlm Barbosa. Todavia, o posicionamento do Exmo. Ministro Carlos Ayres Brao objeto de exploração de recursos naturais, ficando a normatização a cargo do
restou vencido. prevalecendo o entendimento pela constitucIOnalidade de se atri~ legislador mfraconstituclOnal. Até o fechamento da presente edição a maténa
bw'r a propnedade do produto da lavra ao explorador concessionário.
encontra-se regulada por meio das Leis nº 7.990, de 1989. e nº 8.001. de 1990,
estando em processo de votação no Legislativo NaCIOnal projeto de leI que alte-
A pesquisa e a lavra dos recursos naturais e o aproveitamento de nossos ra o atual sistema de compensação.
potenciais hídncos dependem de prévia e obrigatória chancela da União, me-
diante autorização ou concessão, somente podendo ser outorgadas a empresas
que tenham sede e administração no território brasileiro. devendo estar consti~ -7A~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(Procurador Federal/CESPE/2007) Considere Que o presidente da República outor-
tuídas nos termos do ordenamento Jurídico pátrio. O texto constitucional asse- gue, por intermédio de decreto. à pessoa jurídica Shevchenko do Brasil. com sede
gura a particIpação do proprietáno do solo nos resultados financeiros da lavra. em Moscou. Rússia. concessão para pesquisa e lavra de jazida de carvão mineral
Vale ressaltar que não depende de autorização ou concessão o aproveitamento em determinada região brasileira. Nessa situação. segundo a ordenação normativa
do potencIal de energia renovável de capacidade reduzIda. vigente. o ato de concessão será considerado constitucional se. em vinude do inte-
resse nacional, a outorga tíver sido realizada com base no grau de especíalização
Nos termos do art. 20, §1º, da CRFB, é assegurada. nos termos da lei fede- da referida pessoa iurídica_
ral, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municipios. bem como a órgãos da ad-
minIstração direta da União, participação no resultado da exploração de petró- Respos!a: Errada. Art. 176, As lazidas. em lavra ou não. e demaiS recursos mineraiS e os poten·

leo ou gás natural. de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica ) daIS de energia hidráulica consriluem propriedade distinta da do solo, para efeiro de exploração
:) ou aproveitamento. e pertencem a união, goram/da ao concessIOnário a propnedade do produto
e de outros recursos mineraIS no respectivo território, plataforma continental,
da lavra. § la ApesquISa e a lavra de recursos mineraIS e o aproveílamento dos potenclOlS a que se
mar territorial ou zona econômica exclusiva. ou compensação financeira por refere o "capur'" deste artIgo somenre poderão ser efetuados mediante autonzação ou concessão 1
essa exploração. Tal previsão constitucíonal refere-se aos popularmente deno- da União. no mteresse nacIOnal, por brasileiros ou empresa constítu(da sob as leIS brasileIras e que
minados royaltles. que se tratam de compensação financeira instituída em favor tenha sua sede e adminlStraçõo no PaiS, na forma da leI. que estabelecerá as condições espec{ficos
do Poder Público. face ao aproveitamento dos recursos naturaIs. quando essas atividades se desenvolverem em .tO/xa de fromelra ou [erros mdígenas.

Historicamente. os royalties eram os valores pagos por terceíros ao rei ou (procurador Federal/CESPE/2007) A construção de pequena represa em proprieda-
nobre. como compensação pela extração de recursos naturais existentes em ) de rural. para o aproveitamento do potencial de energia hfdríca. a fim de suprir a
suas terras, como madeira, água, recursos minerais ou outros recursos natu- ;.I demanda de energia elétrica da casa dos proprietáriOS. independe de autorização
rais. meJuindo. não raro, a caça e pesca. Por vezes. assumiam a feição de pedá- ou concessao.
gio ou arrendamento, pelo uso de bens de propriedade do reI, como pontes ou .,
mOinhos. Atualmente, o termo é utilizado para designar a ImportâncIa paga ao -) Resposta: Art. 176_ As Jazidas. em lavra ou não. e demaIS recursos mineraIs e os potenCIaIS de

detentor ou proprietáno de recurso natural. produto. marca, patente de pro- ) energia hidráulica conse/ruem propnedade disrmto da do solo. para efeito de exploração ou apro-
'} velramenro. e pertencem â União, garantida ao concessiOnário a propnedade do produto da lavro.
duto, processo de produção. ou o~ra original, pelos direitos de exploração. uso,
) (. ..) §.ia - Não dependem de autorização ou concessão o aproveitamento do potenclOI de energla
distribuição ou comercialização do referido produto ou tecnologia. Dessarte. os renovável de capacidade reduzida.
detentores ou proprietários. que podem ser pessoas naturais, empresariais ou

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Leonardo VtZeU Figueiredo Direito EconÔmico Constítuaona!

1.13.1. Jurisprudência selecionada » "O art. 20. IX, da CF, estabelece que são bens da União os recursos mmerais, mcluslve
os do subsolo. Em seu art. 176, a Carta da República dispõe que os recursos mmeralS
j) "Ressaltou-se a diferença entre o monopólio e a propnedade. conclumdo-se estar aquele
constituem propriedade distinta da do solo. e confere, expres:ame,nt~, ã União os efei,tos
ligado a uma atividade empresarial que não se presta a explicitar caractedsticas desta.
Assim, o art. 177 da CF enumera as atividades que constituem monopólio da União, e de exploração e aproveitamento. Dessa forma. a admmistraçao publ~ca pode c~nfenr a
exploração ou aproveitamento dos recursos mmerals ao uso espeCial de particul~res.
seu art. 20, os bens que são de sua exclusIVa propnedade, razão pela qual sena possível
concessionários ou não de serviços públicos, por maiS de três formas admmlstrativas:
a União atribuir a terceiros o resultado da propriedade das lavras das íazidas de petró-
autorização de uso, permissão de uso e concessão de uso. Não há qualquer óbice consti-
leo, gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. sem ofensa a reserva de monopólio
contemplado no citado art. 177. Afirmou-se que a propriedade da lavra das jazidas de tuCional que Impeça a União de permitir ao particular a utilizaç~o de,seus recurso:: mme-
ralS, mcluslVe os do subsolo, mediante remuneração pejo uso. E paCifico o entendImento
produtos minerais conferida ao concessionâno peio art. 176 da CF é inerente ao modo
da doutrina e dos Tribunais no sentido de que a receita é um preço público" (ADI 2.586,
de produção social capitalista, sendo que essa concessão seria matenalmente impossi-
voto do ReI. Min. Carlos Velloso.lulgamento em 16~5-2002, PlenáriO. DI de 1 2 -8-2003.).
vel sem que o propnetárlO se apropriasse do produto da exploração das 1azidas. o que
tambêm se daria quanto ao produto resultante das contratações (e não concessões) com » "De fato. não podem a Medida ProVIsôria ou a GCE, por via de delegação, dispor normatl~
empresas estataIS ou pnvadas nos termos do § 1 2 do art.177 da CF, consubstanciando vamente. de molde a afastar, pura e simpiesmente. a aplicação de leis que se destinam a
escolha política a opção por uma das múmeras modalidades de contraprestação atrI- disciplina da regra maIOr do art. 176, § 1 2, da Constituição, no que concerne a potenCial
buivels ao contratado:' DeCIsão: Prossegumdo no Julgamento, o Tribunal, por maIoria, hidráulico. De fato. esse dispositivo resultante da EC 6. de 15-8-1995, não pode ser obje-
lulgou inteuámente Improcedente a ação, vencidos os Senhores Mimstros Carlos Britto to de disciplina por medida provlsóna, a teor do art. 246 da Constituição. Nesse sentido.
(Relator), Marco Aurélio e Joaquim Barbosa que, na forma de seus votos, Julgavam proce- o PlenâriO decidiu múltiplas vezes, a partir da deCisão na ADI 2.005-6/~F." (ADI 2.473-
dente. em parte, a ação. Votou o Presidente. Ministro Nelson foblm. Redigirá o acórdão o Me, voto do ReI. Min. Néri da Silveira. julgamento em 13-9-2001, Plenãno, DI de 7-11-
Senhor Mirustro Eros Grau. Ausente, justificadamente. o Senhor Ministro Celso de Mello. 2003.) No mesmo sentido: ADI 1.597-MC, ReI. p/ ac. Min. MauríciO Corrêa, Julgamento
PlenárIO. 16.03.2005. (ADI 3.273. ReI. Min. Eros Grau. Df 28(03/05) em 19·11-1997. PlenárIO. DI de 19-12-2002.
» "Jazidas de mmerals. areia, pedras e cascalho! não são mdenizâvels. em principiO. salvo » Na verdade - na alternativa que lhe confiara a Lei fundamental- o quea Lei 7.990/:989
existência de concessão de lavra." (RE 189.964. ReI. Min. Carlos Velloso, Df 21/06/96) mstitum ao estabelecer no art. 6 2 que "a compensação financeIra pela exploraçao de
recursos' mineraIS, para fins de aproveitamento econômico, sem de até 3% sobre o va-
D "O sistema de direito constitucIOnal positivo vígente no Brasil- fiel ã tradição republi-
Iar do faturamento líquido resultante da venda do produto mineral". não fOI verdadeira
cana miciada com a Constituíção de 1934 instituIU verdadeira separação jurídica entre
compensação financeira: fOi, Sim, genuina "participação no resultado ~a exploração", en-
a propnedade do soio e a propriedade mmeral (que mcide sobre as jazidas, em lavra
tendido o resultado não como o lucro do explorador. mas como aqUilo que resulta da
ou não, e demais recursos minerais eXistentes no imóvel) e atribuiu, ã União Federal. a
exploração, mteroretação que revela o paralelo eXistente entre a.no:ma,do art. 20, § 1º,
titujaridade da propriedade míneraJ, para o específico efeito de expjoração econômica
e a do art.176, § 2º, da Constituição, (RE 228.800, voto do ReI. Mm.;::,epulveda Pertence,
e/ou de aproveitamento industrial. A propriedade mmeral submete-se ao regime de do-
julgamento em 25-9-2001, Pnmelra Turma, DI de 16-11-2001.)
mimalidade pública. Os bens que a compõem qualificam-se como bens públicos domi~
mais, achando-se constitucionalmente mtegrados ao patrimômo da União Federa!." (RE » "Compensação financeira pela exploração de recursos mmerals. Leis 7.990/1989 e
140.254-AgR, ReI. Min. Celso de Mello, Df 06(06(97). 8.001(1990. ConstitucIOnalidade. Arts. 20, § 1': 154.1: e 155, § 3'. da CF. Precedentes:
RE 228.800 e MS 24.312." (AI 453.025-AgR, ReI. Min. Gilmar Mendes, Julgamento em
» "O sistema mmerário V1gente no Brasil atribui, ã concessão de lavra - que constituI ver- 9-5-2006. Segunda Turma, Df de 9-6-2006.)
dadeira res 10 comercio -, caráter negociai e conteudo de natureza econômico-finan-
ceIra. O impedimento causado pelo Poder Público na exploração empresanal das jazidas » Hidrelétrica CUia reservatóno de âgua se estende por diversos Municipios. Ato do Secretâ-
legitimamente concedidas gera o dever estàta1 de indemzar o mmerador que detém, por rio de Fazenda que dividiu a receita do ICMS devida aos MumcÍpIos pejo 'valor adiciOnado'
efeito de regular delegação presidencial. o direito de industrializar e de aproveitar o pro- apurado de modo proporcional às áreas comprometidas dos Mumcípios alagados. Incon::-
duto resultante da extração mineral. Objeto de mdenização' há de ser o título de concessão titucíonalidade formal do ato normativo estadual que diSCiplina o 'valor adiCIonado'. Mate-
de lavra, enquanto bem Jurídico suscetível de apreciação econômIca, e não a jazida em SI na reservada a lei complementar federal. Precedentes. Estender a definição de apuraç~o
mesma considerada, pOIS esta, enquanto tal, acha-se mcorporada ao dominio patrimOnial do adicional de valor, de modo a benefiCiar os Municípios em que se situam os reservato-
da União Federal. A concessão de lavra. que VIabiliza a exploração empresanal das poten- rios de água representa a modificação dos criténos de repartição das receitas previstos no
cialidades das Jazidas mmerais. Investe.o concessionâno em posição Jurídica favorável, art 158 da Constituição. Inconstitucionalidade matenaL Precedentes. Na forma do art 20.
§ 1 2, da CF. a reparação dos preluÍzos decorrentes do alagamento de áreas para a constru-
eis que. além de confenr-Ihe a titularidade de determinadas prerrogativas legais. acha-se
essencIalmente Impregnada, quanto ao título que a legítima, de valor patrimonial e de ção de hidrelétricas deve ser feita mediante participação ou compensação financeira:' (RE
253.906. ReI. Min. Ellen Gracie, julgamento em 23-9-2004. Plenário. Df de 18-2-2005.).
conteúdo econômico. Essa situação subJetiva de vantagem atribUI. ao concessionário da
iavra, direito. ação e pretensão ã insiemzação, toda vez que, por ato do Poder Público, XI "Embora os recursos naturaIS da plataforma continental e os recursos mmerals selam
V1er o particular a ser obstado na legítima fruiçãO de todos os benefíCIos resultantes do bens da União (CF, art. 20. V e IX), a partIcIpação ou compensação aos Estados, Distri~o
processo de extração mmeral:' (RE 140.254-AgR, ReI. Min. Celso de Mello. Df 06/06/97). Federal e MumcípIos no resultado da exploração de petróleo, XiStO betummoso e ga~
natural são receItas origiminas destes últimos entes federativos (CF, art. 20, § 12). E
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119
Leonardo VlZeu Figuetredo Direito Econôm\co Constitucional

maplícâveJ, ao caso. o disposto no art. 71. VI. da Carta Magna, que se refere. especifica~ Trata-se de ente regulador da atividade de exploração da infra-estrutura
mente, ao repasse efetuado pela União - mediante convêmo. acordo ou aluste - de recur~ ferroviárIa e rodoviárIa federal. bem como da atividade de prestação de servi-
sos originariamente federais. Entendimento original da relatora, em sentido contrâno. ços de transporte terrestre. Tem sede e foro no Distrito Federal. podendo ins-
abandonado para participar das razões prevalecentes:' (MS 24.312. ReI. Min. Ellen Gra~ talar unidades admmistrativas regionais, A Diretoria da ANTT é constituída
cie, julgamento em 19-2-2003, Plenário. Df de 19-12-2003.)
por um Diretor-Geral e quatro Diretores. nomeados na forma do disposto no
» "Bens da União: (recursos mIneraiS e potenciais hídncos de energia elétrica): partici~
art. 53 da Lei nO 10.233. de 5 de iunho de 2001. Constituem a esfera de atua-
pação dos entes federados no produto ou comlJensação financeira por sua exploração
(CF. aft. 20, e § 1 2 ): natureza Jurídica: constituciOnalidade da legislação de regência (Lei ção da ANTI: o transporte ferroviário de passageiros e cargas ao longo do Sistema
7.990/19,89. arts. 1 2 e 6 2 e Lei 8.001/1990). O tratar-se de prestação pecuniána COm- NaCIOnal de Viação; a exploração da infra-estrutura ferroviária e o arrendamento
pulsóna Instituída por lei não faz necessanamente um tributo da participação nos re- dos ativos operacionais correspondentes; o transporte rodoviário interestadual e
sultados ou da compensação financeira previstas no art. 20, § 1 2 , CF. que configuram mternacional de passageIros; o transporte rodoviário de cargas; a exploração da
receita patnmomaL A obngação instituída na Lei 7.990/1989, sob o tftulo de compen-
infra-estrutura rodoviária federal; o transporte multimodal; o transporte de cargas
sação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM) não corresponde ao mo~
delo constituCIOnal respectivo, que não comportana, como tal, a sua incidênCia sobre o especiaIs e perigosas em rodovias e ferrovias.
faturamento da empresa: não obstante, ê constitucional, por amoldar-se a alternativa Por sua vez. o setor de transportes aquáticos está sob o lugo da regulação
de participação no produto da exploração dos aludidos recursos mmerais. igualmente
preVista no art. 20, § 1 2 , da ConstituIção:' (RE 228.800. ReI. Min. Sepúlveda Pertence.
estatal da Agência NaCIOnal de Transportes Aquaviários - ANTAQ, criada pela
julgamento em 25-9-2001. PnmeIra Tunna, DI de 16-11-2001.) - grifamos. LeI n Q 10.233. de 05 de lunho de 2001. como entIdade integrante da AdminIS-
tração Federal indireta. submetida ao regime autárquico especial.
1.14. ORDENAÇÃO DOS TRANSPORTES Tem personalidade iurídica de direito público. independênCIa administra-
~ tiva. autonomía financeira e funcional. mandato fixo de seus dirígentes. vincula-
Art. 178. A lei dispom sobre a ordenação dos transportes da ao MinistérIO dos Transportes. com sede e foro no Distrito Federal, podendo
aereo. aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do mstalar UnIdades administrativas regIOnais. Tem por finalidade implementar.
transporte InternaCional, observar os acordos finnados pela em sua esfera de atuação. as políticas formuladas pelo MinIstério dos Trans-
União, atendido o prIncipIO da reciprocidade. (Redação da
portes e pelo Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte - CO-
EC 07/95)
NIT. segundo os princípios e diretrizes estabeleCIdos na LeI n Q 10.233. de 2001:
Parágrafo umco. Na ordenação do transporte aquático. a lei e regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de serviços de
1 estabelecerei as condições em que o transporte de mercado-
transporte aquaviário e de exploração da infra-estrutura portuâria e aquaviá-
.1, nas na cabotagem e a navegação mtenor poderão ser feitos
. por embarcações estrangeiras, (EC ng 07/95) ria. exercida por terceiros, com vístas a: a) garantir a movimentação de pessoas
e bens. em cumprimento a padrões de eficiência. segurança. conforto. regula-
e
A área de transportes· essendaI par~- o'-de~e~~~Í~'~'~nt~J int~~~~~~'~OI;~
o ridade. pontualidade e modicidade nos fretes e tarifas; b) harmonizar os m-
teresses dos usuãríos com os das empresas concessionárias, permIssionánas.
uvo e a defesa nacional. representando sensivel setor estratégico para uma Na-
ção, uma vez que evital para o transporte de cargas e pessoas, e Imprescindível autOrIzadas e arrendatárias. e de entidades delegadas, preservando o Interesse
para o escoamento da produção e a distribuição de bens e servIços. público: e c) arbitrar conflitos de mteresse e Impedir situações que configurem
competição Imperfeita ou mfração contra a ordem econômica.
Para tanto, goza de prevIsão específica no atual texto constitucional, sendo
obleto de regulação setorial por parte da União. Por fim. o transporte aéreo é regulado pela AgênCIa NaCional de AVJação
Civil - ANAC. CrIada por meio da Lei nO 11.182(05. em substituIção ao antigo
O setor de transporte terrestre encontra-se. atualmente. sob a regulação Departamento de AVIação Civil - DAC. na qualidade de entidade integrante da
da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT. instituída pela Lei nO Admmistração Pública Federal mdireta. vinculada ao Ministério da Defesa. Sua
10.233. de 05 de !unho de 2001. regulamentada pelo Decreto nO 4.130. de 13 natureza jurídica de autarqUIa especial caracteriza-se por sua mdependêncla
de fevereiro de 2002. Esta é entidade integrante da Administração Federal indi- admmistrativa, autonomia financeira. ausência de subordinação hierárquica,
reta, submetida ao regime autárquico espeCIal, com personalidade lurídica de bem como pelo mandato fixo de seus dirIgentes. tendo como órgão de delibera-
direito público. independência adminIstrativa. autonomia financeira e funcIO- ção máxima a Diretoria. que atuará em regime de colegiado, sendo composta por
nal e mandato fixo de seus dirIgentes. vinculada ao MinistérIO dos Transportes.

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Leonardo V1U!U Figuetredo Direito EconÔmICO Constitucional

1 (um) Diretor-Presidente e 4 (quatro) Diretores. que decidirão por maioria ab- 1.14.1. Jurisprudência selecionada
soluta. Cabe ao Diretor-Presidente. além do voto ordináriO. o voto de qualidade. TI "Prazo prescricIOnal. Convenção de Varsóvia e Código de Defesa do Consumidor. O art.
Observe-se que, em que pese ser entidade independente eautônoma, aANAC 5g , § 22, da CF, refere-se a tratados internacIOnais relativos a direitos e ga~ntJas funda-
mentaiS, matéria não obJeto da Convenção de Varsóvia, que trata da limitação da res-
atua com certa mitigação. no que tange ao seu poder regulador. em sua vertente ponsabilidade civil do transportador aéreo mternacional (RE 214.349. ReI. Min. Mor,eira
normativa. Observe-se que. confonne detennma o art 3º da Lei nº 11.182/05. Alves, Dl de 11-6-1999.) Embora válida a norma do Código de Defesa do Consumidor
no exercicto de suas competêncías. a autarquia deverâ observar e ImpLementar quanto aos consumidores em geral. no caso específico de contrato de ~nsporte ln,ter-
orientações. diretrIzes e políticas estabelecidas pelo Conselho de Aviação Civil _ naCiOnal aereo, com base no art. 178 da CF de 1988, prevalece a Convençao de Varsovla,
CONAC. em especial. no que se refere: à representação do Brasil em convenções. que determma prazo prescricional de dOIS anos." (RE 297.901. ReI. Min. Ellen Gracle.
Julgamento em 7-3-2006. Segunda Turma. DI de 31-3-2006.)
acordos. tratados e atos de transporte aereo internacional com outros países ou
organizações internacionais de aVIação civil: ao estabelecimento do modelo de n Indenização - Danos matenal e moral- Voa - Atraso e extravIo de bagagem. Longe fica de
Implicar violência ao art 178 da CF proVimento em que reco~hecido o direit~ de passagei-
concessão de mfra-estrutura aeroportuária. a ser submetido ao Presidente da
ra â Indenização por danos materíalS e morais decorrentes de atraso de voo. (AI 198.380~
República: á outorga de serviços aéreos; à suplementação de recursos para aero- AgR. ReI. Min. Marco Aurélio. julgamento em 27-4-1998.Segunda Tunna. DI de 12-6-1998.)
portos de Interesse estratégICO. econômICO ou turístico: e à aplicabilidade do ins-
» "O fato de a Convenção de VarSÓVIa revelar, como regra, a indenização tarifada por danos
tituto da concessão ou da permissão na exploração comerciaJ de servIços aéreos. materiais não exclUI a reiativa aos danos moraIS. Configurados esses pelo sentimento de
A própria lei de criação da ANAC estabelece que compete á União. por m- desconforto. de constrangimento. aborrecimento e humilhação decorrentes do extravIo
de mala CUffiore observar a Carta Política da República - incIsos V e X do art. 59, no que
termédio da referida agência e nos termos das políticas estabelecidas pelos Po-
se sobr~põe a' tratados e convenções ratificados pelo Brasil." (RE 172.720. ReL Min. Mar~
deres Executivo e LegIslativo. regular e fiscalizar as atividades de aviação Civil co Aurélio, julgamento em 6-2-1996, Segunda Turma. Df de 21-2-1997.)
e de tnfra-estrutura aeronáutica e aeroportuária. havendo, portanto, certo grau
de Ingerência da Admmistração Central sobre a autarquia. Por sua vez. ao CO- 1.15. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE
.• "_. __'.~ __ ,:":-:...;':":'_"":"~~~;",,,,,,_-,_:,, ..,"",",.. ",·,,·,_,··c~,·,· , '.'~"'. ___ .
NAC. na qualidade de órgão de assessoramento do Presidente da República para .a.
a fonnulação da política de ordenação da aviação civil, nos termos do Decreto Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
nº 3.564. de 17 de agosto de 2000. compete: estabelecer as diretrIzes para a cíPIOS dispensarão âs microempresas e âs empresa;: ~e p~­
representação do Brasil em convenções. acordos. tratados e atos de transporte queno porte, asSIm definidas em leI, tratame.nto I~ndlco dl-
aéreo internacional com outros países ou organizações internacionais de avia- ferendado. Visando a mcentlvâ-las peta slm~bfica~o de suas
ção civil; propor o modelo de concessão de mfra-estrutura aeroportuána. sub- obngações adnllnistrativas. tributánas, preV1denclanas e cre:
ditíc1as. ou pela eliminação ou redução destas por meIO de lei.
metendo-o ao Presidente da República: aprovar as diretrIzes de suplementação
de recursos para linhas aéreas e aeroportos de interesse estratégtco. econômico
ou turístico; promover a coordenação entre as atividades de proteção de vôo e as Empresa é toda organização destinada a produção e comércio. objetivando
atividades de regulação aérea: aprovar o plano geral de outorgas de linhas aére- o lucro no exercício de suas atividades. Com o avanço da globalização e das gran-
as: e estabelecer as diretrIzes para a aplicabilidade do instituto da concessão ou des empresas de capital transnaclOnal, as téCnIcas de produção em massa passam
permissão na exploração comercial de linhas aéreas. por processos de mecanização e Infonnatização exigindo muito menos quantidade
Em relação ás suas atríbuições. da leitura do texto legal depreende-se que a de mão de obra. primando pela especialização de um número cada vez menor de
ANAC atua muito mais como agente executor e fiscalizador das nonnas e políticas trabalhadores para realização de suas atividades.
propostas pelo CONAC. do que como ente regulador de mercado propriamente dito. A inovação tecnolÓgica permitiu que tais atiVidades econômÍCas passassem
, . .~~~~~~---~~~, ~~'''''''''1
a ser desenvolvidas por um número cada vez maior de empresas de médío e pe-
-7A~e-.~>o
>
')
-
(Procurador BACEN!CESPE!2009) Os estados·membros não possuem competênCia
1
I
t.
queno porte. detentoras do know-how de produção. aumentando a concorrêncIa
g para explorar nem regulamentar a prestação de serviços de transporte intermunici-
paI. por se tratar de matéria de Interesse local.
i
r
do mercado. em que pese não deterem poderio. nem capital econômico de gran-
de porte. Daí a importância das empresas de médio e pequeno porte no atual

) --~--~~--~~~--------------------~.t
:~~~.~.::::~Re:s=p:os:ra~'~Err~o:d=o~.=co=m~p=e~!ê~n=c,o~re~"~·d~UO:I.~:;: : : : ,.;:;": : : : =.;:;.;:;.,;:;,: :".:;:.: :.;:,;:;, : : : : ....:::;.:::;::;:;::;;::::J!:
mercado. como entidades concorrentes. empregadoras e geradoras de renda.
Trata-se. portanto. da proteção conferida à parcela dos agentes privados
que partiCIpam do ciclo econômico de produção e circulação. sem. todavia, deter
122
123
Direito EconÔmico ConstituCIonal
Leonardo Vtzeu figueIredo

p~rcela substancial de mercado. tampouco poderio econômico. sendo corolário 1.15.1. Jurisprudência selecionada
logíco da defesa da concorrência. » Por dispOSição constitucIOnal (CF. art. 179), as mIcroempresas e as empresas de pequeno
porte devem ser benefiCiadas. nos termOS da lei, pela 'Simplificação de suas obngações
Observe-s_e que. sem um conjunto específico de normas que garantam a administrativas. tríbutârias, previdenciánas e creditíCias, ou pela eliminação ou redução
~esma prote.çao em termos concorrenCíais. dificilmente esses agentes pode- destas' (CF, art 179). Não hã ofensa ao pnncipio da Isonomia tributána se a lei, por mo-
fiam competIr cor:n os agentes econômIcos detentores de poder de mercado. tivos extrafiscaJs. Impnme tratamento desigual a microempresas e empresas de peque-
no porte de capacidade contributiva distinta, afastando do reglme do Simples aquelas
fato que conduzIrIa ao ,;ncerramento forçado de suas atiVIdades. AssIm. pro- cuios SÔCIOS têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistênCIa do Estado."
tege:se o pequeno e medw produtor. outorgando-lhes tratamento legal dife- (ADI1.643,Rel.Min.MauricloCorrêa,JulgamentoemS-12-2003, Plenàno.Dl de 14-3-2003.)
renciado em fac: do grande. incentivando-se. amda. a nacionalização daqueles.
para se constltUlrem sob nossas leis. estabelecendo sede em nosso país. - 1.16. PROMOÇÃO E INCENTIVO AO TURISMO
Portanto. deve o Estado protegê-los em face das medidas abusivas que po-
dem s~frer por parte das grandes empresas. garantindo sua eXIstência e par- Art. 180. A União. os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
tíclpaçao no mercado (Lei n" 9.841. de 1999. Estatuto da mIcroempresa e da cípios promoverão e Incentivarão o tunsmo como fator de
empresa de pequeno porte: Lei Complementar n Q 123. de 2006). desenvolvimento SOCial e econôrmco.
\,~.__ ,..~--_._--,.,_._~__._,~~._,__--'--<--.--'.7~-.-~'~---
)
Por turísmo entende-se o conjunto de ativídades que as pessoas realizam
(Auditor FiscaI/ESAF(2003) Em relação ao Sistema Integrado de Pagamento de Impos- durante suas viagens e permanênCia em lugares distintos dos que vivem. por
tos e ~omribulI;ões das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). um periodo de tempo inferior a um ano consecutivo. com fins de lazer. negôdos.
mstnU!d~ .Dela LeI no 9.317. de 5 de dezembro de 1996. marque a resposta correta. dentre outros. Trata~se de setor importante para a economia doméstica, uma
aJ As atlVld.ades de arrecadação. cobrança e tributação das contribuições pagas de vez que movimenta parcela relevante do Produto Interno Bruto de uma Nação.
conformIdade :om o :IMPL::S competem ao Instituto NaCIOnal do Seguro Social
representando Importante vetor de entrada de divisas.
(lN,SS). ?~anto as contnbUlçoes para a seguridade social por ele administradas.
b) A mscn~o de pessoa Jurídica no SIMPLES Implica pagamento mensal unificado Fora isso. um sistema de turismo bem estruturado. além de movimentar
dos seg~l~tes impostos e contribuições. entre outros: ImpostO de Renda das Pes- diretamente diversos setores da economia. tais como hotelaria, gastronomia,
soas ,~ndlc~s (IRPJ). ContribUição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Contribuição comércio. dentre outros. e aquece diversos outros setores de produção de bens
"
para FinanCiamento da Seguridade SOCIal (COFINS). Contribuição para o Fundo de
i de consumo e de Infra-estrutura. dentre os quaIS indústría e transporte.
) Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
c) Aplicam-se aos impostos e contribuições devidos pela microempresa e pela empre- Tal é a importãncia do setor que a própria ONU possui um orgamsmo a ele

"
-,
. sa de pequeno port~,_ inscritas no SIMPlES. as normas relativas aos juros e âs mul-
tas de mora e ,d: OfICIO previstas para o ímposto sobre produtos industn·alizados.
vínculado. a saber, a Orgamzação Mundial do Turismo - OMT, Segundo a OMT.
dependendo de uma pessoa estar em viagem paro. de ou dentro de um certo
d) As pessoas Jundlcas. enquadradas na condição de microempresa ou de empresa
"
país, o turismo pode ser classificado em:
) de Deque~o porte. que se dediquem exclusivamente às atividades de centros
') de formaçao de condutores de veiculas automotores de transporte terrestre de a} receptivo: quando não-residentes são recebidos por um país de desti-
) p~assagelr~s : de carga, agênCias lotéricas e agências terceirizadas de correios no. do ponto de V1sta desse destino:
) tem permlssao legal para optar pela inscrição no SIMPLES.
e) ~m.regra. é vedada a Incl~são. no SIMPLES, do Imposto sobre Operações Relativas b} emissivo: quando residentes víajam a outro país, do ponto de vista do
)
') a Clr.culaçao de Mercadonas e sobre Serviços de Transporte Interestadual e Inter- país de origem: e
mumCI,pal (ICMS) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), devidos
j c} doméstico: quando residentes de dado pais viajam dentro dos limites
por microempresa e empresa de pequeno porte.
)
do mesmo.
) Q
Resposta: d) A Conslítuíção permire tratamento díferenclOdo pora as pequenas e médios empre- Atualmente. o turísmo no Brasil encontra-se diSCIplinado na LeI n 11.771.
)

:, sos. dando·lhes umo cargo lriburária prôpna e mOls amena.


de 2008. que dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, define as atribuições
125
124
Leonardo Vizeu Figueiredo Direito EconÔmico ConstltuctOnal

do Governo Federal no planejamento, no desenvolvimento e no estímulo ao se-


tor turístico e revoga a Lei n Q 6.505. de 1977. Por sua vez, para fins de promoção
3.1. Estado liberal:
do turismo brasileiro no mundo. fOI criada, em 1966. a Empresa Brasileira de
a) plano econômico: Teoria da Mão InVIsivel (Adam Smlth);
Tunsmo - EMBRATUR, a qual teve suas competências legais atribuídas ao Mi-
b) plano jurídico: PnncípIos da autonomia de vontade privada e dirIglsmo con~
nisténo do Turismo, por ocasião da cnação da pasta em 2003, sendo atualmen-
tratual.
te denominada de Instituto Brasileiro de Tunsmo.
.~ ___ C~.,_~"~~~_~~~ 3.2. Estado IntervenclOnista Econômico:
) a) plano econômico: Teoria dos iogas Oohn Von Neumann);
} b) plano jurídico: da defesa de mercado.
) (Procurador Federal/CESPE/2010) Se a empresa de turismo X for contratada para
3.3. Estado Intervenciomsta SOCIal:
) romecer passagens aéreas para determinado órgão da União e. durante o prazo do
a) plano econômIco: Teoria dos lagos (lohn Von Neumann);
contrato. essa empresa alterar o seu objeto social. de forma a contemplar também
? o transpone urbano de turistas e passageiros. mesmo que não hala preJuizo para o p
da solidarIedade.
.,
)
cumprimento do contrato adml'mstrativo já firmado com o órgão federal. a admíms- ~
traça0 pública poderá rescindir unilateralmente o contrato.
3.4. Estado IntervenclOnlsta SOCialista:
a) plano econômico; Teoria da planificação (Lênin);
') b) plano jurídico: Principias da supremacia do interesse pública e do dingIsmo
,::l Resposta; Errada. estatal.
" 3.5. Estado Regulador:
1.17. QUADROS SINÓPTICOS a) plano econômico: Teoria do Equilíbrio Oohn Nash);
da subsidiarledade.
OS presentes quadros objetivam trabalhar com o leitor. para desenvolver
sua memória de literária, além de sua memÓria visual. Dessarte. a partir da
apresentação da maténa sob fonna de quadros smópticos, pretende-se poten-
clalizar a capacidade de memorização do concursando, trabalhando-a de forma
Iiterána-visual.

1.1. Conceito (expressões chave): DireIto Público. intervenção do Estado na Ordem Eco-
nôrmca. Realização de metas socialmente desejáveiS e prevlamente estabelecidas.
1.2. Escolas:
1.2.1. Européia:
a) Portugal: Direito Econômico (LUIS Sérgio de Cabral Moncada);
b) França: Droit public economtque (Andrê de Ladaubere); '~$'t\fifE~:';;;~Y·;;f"~~~*!WW~~~~t~t~~~RFBW:t~~~ft«~~k\df,~~~~~~~1~~$.~l~ftJ
~&g~qM~~g!}';RJ!!lJ?I;~J~B~""-~gUm~e-~"é-""""Jit~",,li'l0.~~";''8;.-t.R~~'io\;,Cv;r,,~!,!i~1lt~r.lli,R,,~?1'&.i1'4\',#,-
1.2.2. Estados Unidos: Law and Economics (Richard AlIen Posner);
6.1. Base normativa: art. 170, caput, CRFB;
1.2.3. Brasil: forte influência da Escola Européia.
6.2. Valores:
1.3. Principias:
a) Economicidade:art 70. caput. c/c art. i70.CRFB; a) ValOrIzação do trabalho humano: art.i g , IV. aó initio, clc arts. 69 e 7 Q , CRFB:
b) EficiênCia: art. 37, caput. c/c art 170, CRFB; b) Livre IniCiativa: art.1 Q, IV, mfine, CRFB.
c) Generalidade: art 5 Q , caput, clc art.170, CRFB. c) EXIstênCia digna: art.1 9 , UI, CRFB;
dl justiça social: art. 3 9 , r, CRFB.

a) Competência legIslativa concorrente: art 24, I, CRFB;


b) art 170, incIsos. CRFB.

126
127
li

Leonardo Vizeu figueIredo Diretto EconÔmtco Constituaonal

7.2. PnnciplOs:
9.4. Segundo Marcos Juruena VHleia Souto:
a) Soberania nacIOnal: art 4 2 , I e m, eRFB: a) planelamento: art.174. CRFB;
b) Propnedade pnvada: art 52, caput. e XXII, CRFB: b) incentivo: art 174. CRFB;
c) Funç~o social da propriedade: art 52, XXIII. c/c, art. 182, §22, ele art 185, c) repressão: art 174, §4!!, CRFB;
par. unlca. eRFB; d) exploração direta: art. 173, CRFB:
d) Livre concorrência: art. 173. §42 , eRFB: Lei n!'! 8.884, de 1994; e) regulação: art 174. ab m/tio, CRFB;
e) Defesa do consumidor: Lei nº 8.078. de 1990; f) desestatização: Lei n!! 8.031, de 1990;
f.1) pnvatização:
f) Defesa do meio ambiente: Leis n.!! 7.892, de 1989, nº 8.974. de 1995 e ne
9.605, de 1998: f.2) tercelrização:
f.3) delegação:
g] Redução das deSigualdades regIOnais e SOCiaiS: art. 3 9 , lU. mfine. eRFB;
f.4) gestão assodada.
h) Busca do pleno emprego: art 1!l, rv, ab Inftto. c/c art. 3 2 , HI. ab Initio. c/c arts.
6 2 e 7 2 , eRFB;
i) Tratamento tavorecido
' para as empresas de pequeno porte constituídas sob
as leiS ,bras~lelras e que tenham sua sede e administração no Pafs: art. 179, 10.1. Base normativa: art.174, CRFB;
CRFB. LeI n- 9.841. de 1999. e Lei Complementar n2 123, de 2006. 10.2. Funções:
a) Agente normativo e regulador:
t~l\~~~'fiçr&ip';'~~:~fíW~,@'g;~~õ~Qr;n~m~:~tS~~/~\lJ:fYl:f;H0t~1{({rf~~?;,ij~\1;.f;)tJFi!-TA~1;\?~'i;ft~T.:~:'/
'--'-'.'0'>'
b) Fiscalização econômica;
8.1. Base normativa: art 170, par. ÚniCO, CRFB; c) Incentivo econômico;
d) Planejamento econômIco.
8.2. Formas:
a) Regra: liberdade de exerCÍcIo:
b) Exceção: eXigência de prêvía autorização de funcionamento nas atividades
econômicas reguladas em leI pelo Poder Público.

Segundo Eros Roberto Grau: 12.1. Base constitucional: art 21. XXIII. art 25. §2!!, art. 173, art 175 e art 177, CRFB:
a) absorção: art 177, CRFB: 12.2. Exploração de atividade econômIca:
b) partic.pação, art 173, CRFB: a) Base constitucional: art.173, CRFB;
c) direção: art 197. cfcart 199, CRFB: b) prmcipIO: subsidiarledade (art 173, caput. CRFB);
d) indução: art 174. CRF8. c) forma: participação ou concorrenclal (art.173, §2!!. CRFB);
Obs.: d) operaclOnalização: mediante lei autorizadora de criação de empresa pública
ou socIedade de economIa mista (art 37, XIX, c/c art.173, §1!!, CRFB);
9.2. Segundo HeJy Lopes Meirelles:
a) estática: propriedade Imóvel; 12.3. Prestação de Serviços Públicos:
dinâmica: atividade econômica. a) Base constitucIOnal: art.175. CRFB;
b) princípios: generalidade, continuidade, eficiência e modicidade de tarifas:
9.3. Segundo Diogo de Figueiredo Morena Neto:
c) formas:
a) monopolfstica: art 177. CRFB;
c.l) prestação direta: órgãos públicos. autarqUias ou fundações;
b) concorrenclaJ: art 173, CRFB:
c.2) delegada: concessão ou permIssão precedida de licitação.
c) reguladora: art 174, ab mltto. CRFB:
sancionadora: art 174, §42. CRFB. 12.4. Monopólio:
a) Base constitucional: art 21, XXIII. art 25, §2 1l, art 177. CRFB;
128
129
Leonardo V1ZE!U Figueiredo Direito EconÔmico Constituaonal

b) Tipos:
16.3. Tipos:
b.1) Natural: art 20. §1'. Lei n' 8.884. de 1994:
a) receptivo;
b.2) Legal: art 163. EC n' 01 de 1969:
b) emlsslvo;
b.3} ConvencIOnai: art 173,§4e, CRFB,arts. 20 e 21 da Lei ne 8.884, de 1994:
c) doméstico.
c} Monopólio da CRFB (matrizes energéticas _ art 177, CRFB):
c.l} gás (EC n e OS/9S): produção (União) e distribuição canalizada (Estado
- art. 25. §2'. CRF8); 1.18. QUESTÕES DE CONCURSOS PÚBLICOS COMENTADAS
c.2) petróleo: (EC n' 09(95); 1.18.1. Magistratura federal
c.3) material nuclear (EC ne 49/06).
1.18.1.1. Tribunal Regional Federal da I" Região - 2009 • CESPE
01. Acerca dos prlnciplos geraís da atividade econômica, aSSinale a opção correta.
a) O pnnciplO da proorledade pnvada traduz-se no poder de gozar e dispor de um bem,
sendo direito de exerciclO absoluto e irrestrito.
13.2. Propnedade (ADI n' 3.273): b) O principIO da defesa do consumidor é corolário da livre concorrência, sendo principIo
a} superfície: particular; de integração e defesa de mercado.
b) recursos naturaIs: União: c} A CF fOI a primeira a prever a função social da propnedade como principIO da ordem
econômIca.
da lavra: delegatáno;
d) A livre concorrência é garantida mdependentemente de o Estado promover a livre
13.3. Pesquisa e lavra: mtclativa.
a) chancela previa do Estado: e) O principiO da busca do pleno emprego está dissociado da seguridade SOCial.
empresa brasileira com sede no 02. A respeito dos sistemas econômicos e da mtervenção do Estado no dominio econômiCO,
13.4. Energia renovavel de capacidade reduzida: aSSinale a opção correta.
a) O estado de bem-estar SOCial e aquele que provê diversos direitos SOCiais aos cidadãos.
a) produção independe de chancela do Estado:
de modo a mitigar os efeitos naturalmente excludentes da economia capitalista.
b) O capitalismo assenta-se no mdividualismo do liberalismo econômico, tendo como ca-
racteristica o direito de propriedade limitado e mitigado peia vontade estatal.
c) A mtervenção regulaaora é aquela em que o Estado. no exerdclO de suas atividades de
polícia admmlstratlva, visa a reprimir e punir abusos econômICOS.
d) Quando o Estado atua na economia por meIO de mstrumentos normativos de pressão.
14.2. Fonnas:
essa forma de agtr denomma-se absorção.
a) Terrestres (Rodoviário e FerroviárIO): Lei ne 10.233. de 1001; e) O Estado Intervem na economia oela forma de mdução quando atua paralelamente aos
b) Aquaviáno: Lei nº 10.233, de 1001. particulares, empreendendo atividades econômicas.
1.18.1.2. Tribunal Regional Federal da 2' Região - 2007
03. Defina "ConstituIção econômica"?
1.18.1.3. Tribunal Regional Federal da 3' Região· Xl Concurso
15.2. Base legislativa: 04. O planeJamento econômico pelo Estado:
a) 2
Lei n 9.841. de 1999. Estatuto da microempresa e da empresa de pequeno
a) edetermmante para o setor público;
porte: b) e determmante para o setor pnvado;
c) nunca é determmante:
n' 123. de 2006. d) e determmante para o setor público e pnvado.
OS. O exercícIO de qualquer atividaae econômica:
a) é livre, mas depende de autOrização de órgãos públicos;
b) é livre, sem dependênCIa de autonzação de órgãos públicos. salvo nos casos preVIStos em tel;
c) é livre. não dependendo de autonzação de órgãos públicos;
d) sempre dependem da fiscalização e permissão dos órgãos públicos.
130
131
Leonardo VlZeu Figueiredo Direito Econômico Constituaonal

1.18.1.4. Tribunal Regional Federal da 4" Região - 2004 b) no tratamento favorecido as empresas brasileiras de capital naCIonal de pequeno porte:
c) na redução das deSigualdades regionais e SOCIaIS e na busca do pleno emprego;
06. Assinalar a alternativa correta.
d) na liberdade de lfilCiatiVa e na economia de mercado.
a) Empresas públicas atuantes em setores essenCiaiS da economia poderão receber mcen-
tivos fiscais não extensIVos a empresas de outra natureza. 10. ASSinale a opção correta:
b) A ConstitUição Federal utiliza a expressão atividade econômica ora em sentido amplo, a) á empresa brasileira de capital naCional podem ser concedidos proteção e benefícIOS
abrangendo a atuação do Estado, ora em sentido estrito, que exclui o servIço público. espeCIais. em caràter permanente. no desenvolvimento de atividade estratégica para a
varIando o seu alcance conforme o momento histórico a que se refere. defesa nacional;
c) O regime das concessionárias e permiSSIOnárIas de seI'VIços públicos responde prima- b) a empresa brasileira de capital naCIOnal podem ser concedidos proteção e beneficios
rIamente ao mteresse público, podendo. portanto, os respectivos contratos ser extintos especIais no desenvolvimento de atividades em concorrência com outras empresas
para melhor atendê~jo. brasileiras:
d) As jazidas mmerals pertencem â União, garantida ao concessionário a proprIedade do c) desde que Imprescmdível ao desenvolV1mento naCional. não sendo a atividade realizada
a contento, a lei poderá, em relação â empresa brasileira de capital naCIOnal, conceder
produto da lavra, enquanto ao propnetáno do solo somente a Justa e preV1a indenIzação.
benefícIOS especiais temporárIos;
1.18.1.5. Tribunal Regional Federal da 5' Região - 2009 - CESPE d) segundo o principIO da livre concorrência, não eXiste tratamento diferenCiado entre a
empresa brasileira de capital naCional e a empresa brasileíra.
07. Acerca do direito econômiCO, assmale a opção correta.
11. Indique a alternativa correta:
a) Sistema econômico ê a forma por meIO da qual o Estado estrutura sua política e orgamza
a) no regime de livre concorrência, o Estado participa na economIa mediante controle de
suas relações sociais de produção. ISto e, a forma adotada pelo Estado no que se refere
preços;
á distribuição do produto do trabalho e â proprIedade dos fatores de produção. Atual-
b) a ConstituIção Federal, não podendo a atividade estatal atender a certa demanda, permi-
mente, eXistem apenas dois sistemas econômicos bem distintos e delineados no mundo:
te o monopólio privado no setor deficitàrio de economia;
o capitalismo e o SOCialismo.
c) à União é permitido. em condições especiais. estabelecer concessão na exploração de gàs
b) A ordem econômica, consoante o tratamento dado pelo legislador constituinte de 1988.
natural;
admite duas vertentes conceituaiS. Para uma delas, a vertente ampla, a ordem econômica
d) constituem instrumentos de participação do Estado na economIa: a empresa pública e a
constitui uma parcela da ordem de direito, Inerente ao mundo do dever-ser. ou sela, ê o
sociedade de economia mista.
tratamento Jurídico dispensado para disciplinar o comportamento dos agentes econô-
micos no mercado. 12. De acordo com o sistema econômico compreendido na atual Constituição Federal:
c) O modelo do Estado intervencionista econômico é fortemente Influenciado pelas doutrI- a] Estado pode I'ntervir no mercado interno mediante regulamentação de preços com ob~
nas de lohn Maynard Keynes, que sustentou que os niveis de emprego e de desenvolvi- servância das vanações nos custos de produção e comerCialização:
mento soclOeconômlco devem-se muito mais as políticas públicas implementadas pelo b) Estado pode mteI'VIr no mercado mterno mediante tabelamento de preços e confisco de
governo e a certos fatores gerais macroeconômICos. e não meramente ao somatórío dos bens:
comportamentos mIcroeconômlcos mdividuais dos empresários. c) não pode o Estado mtervtr no mercado mterno em razão do pnncipIO constitucional da
d) O Estado intervenclonista socialista atua com o fito de garantir o exercído racional das livre inicíativa;
liberdades individuais, e sua política mtervencionista não vísa a ferir os postulados libe- d) Estado somente pode intervír no mercado interno mediante autOrIzação judicial.
rais. mas, apenas. a coibir o exercído abUSIVO e perniCIOSO do liberalismo. 1.18.2.2.14' Concurso -1995
e) No que tange a atuação do Estado no domínio econômico, a intervenção regulatóna
13. Na chamada economia descentralizada, e correto dizer que:
ocorre quando o Estado, nos casos expressos e devidamente autorizados no ordenamen- a) Estado exerce somente uma intervenção Indireta e global, respeitando a liberdade de
to Jurídico, atua, em regime de Igualdade com o particular. na exploração de atividade
deCisão e de formação de preços:
econômICa. b) a intervenção do Estado ê direta esuas prescrições imperativas;
1.18.2. Ministério Público Federal c) pode conV1ver a lustaposíção de um setor público a um setor pnvado e a Justaposição do
setor privado a um setor público;
1.18.2.1. 13' Concurso -1994 d) embora os agentes econômicos atuem com grande liberdade, predominam as Injunções
08. A orgamzação econômica, na Constituição Federal. obedece ao modelo: do setor público.
a) de economIa descentralizada: 14. A Constituição Federal, no título da ordem econômica e financeIra, adota o padrão:
b) de economia centralizada: a) liberal em que predomina exciuslvamente a liberdade de iniCiativa:
c) de economia com formação. em parte. de preços Impostos pelo setor público; b) social;
d) misto. com predominânCia da economia centralizada porque o Estado. em caràter suple- c) coletiV1sta:
mentar, pode organizar e explorar. diretamente a atividade econômica. d) corporativista.
09. O princípIO báSICO do liberalismo econômico assenta~se: 15. Pelo texto constituCIOnal vigente. a expioração estatal direta da atividade econômIca:
a) na função social da propriedade; a) e a regra;

132 133
Leonardo Vtzeu Figueiredo Direito EconÔmICO Constituaona!

b) é subsidiána; c) na normalização jurídica de Intervenção e do l?ianejamento do Estado na economia, taiS


c) em hipótese alguma e permitida, dado o tipo de economia adotado; atos devem ser considerados de natureza administrativa;
dl pode ser livremente partilhada entre os setores público e privado. d) todas as aiternativas são Incorretas.
16. Sob os auspicIOS dos prmcípios da livre concorrêncIa e da liberdade de mIciatlva, consa~ 22. A Intervenção indireta do Estado no domímo econômico ê exercida mediante;
grados peia ordem econômica vigente. é correto dizer que: a) expedição de legislação regulamentadora nos diversos niveis hierárquicos das pessoas
a) capital estrangeiro ou pessoas !urídicas estrangell"as podem ser excluídos de algum ou jurídicas públicas:
de alguns setores da atividade econômica naclOnaJ; b) prestação de servIços públicos sob regime de concessão ou permissão:
b) a União não detém mais monopólio; c) empresa pública em setor considerado deficitáriO;
c) as empresas brasileiras de capital nacional e dada preferênCia de bens e servIços. d) os processos e procedimentos instaurados pelo Conselho AdminIstrativo de Defesa
d) permanece, ainda que tenuemente, a distinção entre empresa brasileira e empresa Econômica;
brasileira de capital nacional para outros efeitos que não de concessão de proteções e
benefíciOS.
1.18.2.4.16" Concurso -1997
23. O Estado, quando assume o controle de parte dos meios de produção em determmada
17. De acordo com a Lei Magna, o monopólio estatal:
ârea da atividade econômica em sentido estrito, atua:
a) não pode ser estabelecido por lei federal;
a) em regime de monopólio;
b) pode ser estabelecido por lei federai a fim de organizar setor que não possa desenvolver~ b) em regime de competlção;
se com eficácia sob o regtme de competição e de liberdade de mIciativa. c) em regime de intervenção l?or direção ou indução;
c) pode ser estabelecido por lei complementar quando indispensável por motivo de segu- d) nenhuma alternativa é correta.
rança nadonal;
d) somente pode ser estabelecido por iel complementar para atribUir aos Estados-membros 24. Sobre a preservação das florestas, no tocante ao aspecto de recursos naturaiS, a compe-
tênCia para legislar é:
a exploração direta, ou mediante concessão, de serviços locaIS considerados essenciaiS.
a) da União;
18. Constitui expressão da soberana economia nacional: b) dos estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
a} a preservação do monopólio estatal; cJ dos estados e Distrito Federal;
b) a proteção do consumidor; d) concorrente entre a União. Estados e Distrito Federal;
c) distinguIr empresa brasileira da empresa estrangeIra a fim de conferir aquela a reser-
25. O ato governamental que Impõe proibição de exportação a certo produto, Impedindo ,o
va de participação em certos setores, mesmo não considerados de relevante mteresse
coletivo: exportador de cumpnr compromisso com a empresa contratada. quanto ao seu conteu~
do, conceitua-se como ato de:
d) a mtegração do mercado Interno ao patnrnômo nadonaL
a) direito administrativo:
1.18.2.3.15" Concurso -1996 b) direito econômICO:
c) direito comerCial;
19. Distingue-se a ati.vidade econômica de servIço público: d) direito das finanças;
a) por ser o servIço público desenvolvido exclUSivamente pelo setor público;
b) por ser a atividade econômica desenvolvida, no regime da livre IniCIativa. pelo setor 1.18.2.5. 17" Concurso -1998
pnvado; O 17 2 concurso para proVimento do cargo de Procurador da República restrmgiu-se a
c) pelo fato de o serviço público ser prestado preferenciaímente mediante concessão ou apresentar questões referentes ao Sistema BrasileIro de Proteção a Concorrência (Direi-
pernussão; to da ConcorrênCia - Lei fiº 8.884, de 1994), não sendo registradas quaIsquer questões
d) nenhuma das alternativas ê correta. sobre Direito EconômICO ConstituCIOnal.
20. O disposto no art.173 da Constltuição Federal compreende: 1.18.2.6.18" Concurso -1999
a) atividade econômica em sentido amplo:
26. O papel dO Estado no tocante a exploração direta de atividade econômica:
b) prestação de serviço público preferencIalmente para atender a necessidades essenCIaiS:
a) pode ser livremente partilhado com o setor prtvado:
C) prestação de serviço público, mediante permissão para atender a relevante interesse
coletivo; b) é preponderante, prinCipalmente em países, como o Brasil. em desenvolvimento;
d) atividade econômIca em sentido estrito.
c) é subsidiáriO:
d) não é permitido. em razão do modelo de liberalismo econômICO adotado pelo texto
21. ASSinale a alternativa correta: constituCIonal.
a) os atos de criação de empresa pública destinada a exercer atividade econômIca. regem-
27. Adotados os princípIOS da livre concorrênCia e da liberdade de iniCiativa. e correto afir-
se por regras do direito econômico. como l?reVIsto no art 173, § 12, da ConstituIção:
marque:
b) os atos de criação de empresa p,ública. destinada a exercer atlvidade econômica, in- a) a lei podeci conceder proteção e beneficIOS temporários a empresas brasileiras de capl~
cluem-se no ramo do Direito ComerCial eiS que submetida ao regime jurídico próprio tal nacional, imprescmdívels ao desenvolvimento do país;
das empresas pnvadas;
b) a exploração direta de atividade econômica pelo Estado é limitada;

134 135
Leonardo V'tzeu Ftgueiredo Direito EconÔmICO Constituoonal

c) mexlste tratamento favorecido para empresas brasileIras de qualquer natureza; 1.18.2.10.229 Concurso· 2005 . .
d) ê possiveJ a exploração direta de atividade econômIca pelo Estado. desde que necessaria O - fo 2º do art.173 da Constituição Federal dispõe que as empresas pubhc~s e ~s
aos Imperativos da segurança nacIOnal ou a relevante mteresse coletivo, definidos em 34. so~~~::s de ~conomla ~ISta não poderão gozar de pnvilégIOs fiscaiS não extenSIVOS as
atos do Poder Executivo. do setor pnvado. Tem-se que essa locução alcança: _. ~
a) empresas públicas e SOCiedades de economia mIsta que explorem atiVIdade economlca
1.18.2.7. 199 Concurso· 2000
indistintamente.: _ -
28. A Constituição Federal. no art. 173. disciplina: b) empresas privadas portadoras de serviço público em regime ~e concessao ou perrt;~~~ao;
aJ prestação de servIço público preferencialmente para atender as necessidades essenciais; posto que esse regíme equíp~ra-se ao regíme a que se subordmam as empresas pu Ica
b) prestação de serviço público, mediante permissão, para atender relevante interesse
coletivo: e sociedades de economia mIsta; , . .
c) empresas públicas e SOCiedades de economia ml~ta que prestam sen:ç~ pubhco. ~
c) atividade econômica em sentido amplo;
d) empresas públicas e SOCiedades de economia mista que exploram atiVIdade economlca
d) atividade econômica em sentido estrito;
em sentido estrito.
29. O PnnciPio baslco do Liberalismo, adotado pela nossa ordem lurfdico*econômlca, funda~se:
35. A atuação estatal, no campo da atividade ec~nômlca e:n sen~do estrito, quando mstru-
a) na redução das desigualdades regIOnais e socíais e na busca do pleno emprego;
b) na liberdade de miciativa e na economia de mercado; menta controle de preços classifica-se como mtervençao por.
c) no tratamento favorecido às empresas brasileiras de capital naCIOnal de pequeno porte; a) direção:
d) na função social da propnedade: b) absorção ou participação;
1.18.2.8. 209 Concurso· 2003 c) mdução: . ,- F d J gra economia de
d) inexatas as propOSIções acima porquanto a Co~stitulça~ e era consa
30. Ecorreto dizer que a chamada ConstituIção Econômica no Brasil: mercado de natureza capitalista, de liberdade de Imclativa.
a) restrmge*se ao Título VII· Da Ordem Econômica e Financeira. da Carta da República;
b) como em alguns paises que adotam o tipo de economia mista, não pode assim denomi~ 1.18.2.11.239 Concurso· 2006 .
nar-se. mas considerar~se uma estrutura de prmciplos gerais programáticos; 36. Considerando a intervenção do Estado no domímo econômiCO, assmale a alternativa
c) não se restringe aos artigos contidos no Título VII - Da Ordem Econômica e Financeira,
correta: , " ~ . .. seja di-
mas tem sua expressão e seu conteúdo em diversos outros tÓpICOS da lei Magna: a) uando o Estado mtervem no domímo econômico, praticando ato .economIco ,
d) preocupa-se pnmordialmente com a repressão ao abuso do poder econômico e a função ~eta ou mdiretamente, ele se faz empresáno, com o mtuito de partICl~r da economia ~~
social da propnedade pnvada. mercado ao lado dos entes particulares com eles concorrendo. por ISSO, submete-se
31. Indique os meIOs diretos de que pode lançar mão o Estado na condução de sua política mesmas normas de direito que os particulares, porque tambem VIsa. tanto quanto esses,
econômica ante o modelo adotado pela constituIção federal: a obtenção de lucros: -' - rb d d de
a) Instrumentos de finanças públicas; b) o modelo do Estado liberal admite os princípIOS ?e Iiberd~de de IOlclativa, I er a e
b) instrumentos monetános e creditícíos; concorrênCia e não-íntervenção estatal no domlnlo economICO. desde que a economia
c) Instrumentos cambiaIS: esteja orgamzada e o mercado funclOnando equilibradamente;. .
d) o contingenciamento do comerCIO extenor e a assunção de atividade empresanal. c) o modelo econômico brasIleiro,. ' na forma preVlsta. no a rt. 173 e paragrafos
_ da Constitul-
...
ção Federal, ê capitalista, fundado na livre IniCiativa, mas com preVIsao da pOSSibIlIdade
1.18.2.9.21 9 Concurso· 2003
. de intervenção do Estado na economIa; . " 'cas
32.Aponte a atuação direta do Estado em regime concorrencial: o art. 173, §4!l, da Constituição Federal assevera que deverão ser r~p,nmldas as pra~ ..
a) Banco do Brasil; d) consistentes em abuso do poder econômico que Visem: (I) ao domln1o de mercados, (u)
b) Empresa Brasileira dos CorreIos e Telégrafos: a eliminação da concorrência; e (iH) ao aumento arbitrãr:os ~e lucros, Tal norma encerra
c) Petróleo Brasileiro SIA;
"numerus c1ausus" as hipóteses de abuso de poder economlCO.
d) assunção de gestão da empresa prívada.
33.O Estado Brasileiro, na nova ordem jurídico~econômjca, Inaugurada com a Constituição 1.18.3. AGU _ CESPE • Advogado da União. Procurador Federal e Procura-
de 1988:
a) desempenha papei supletivo, quanto à atividade econômica, da imcIativa pnvada: dordoBACEN
b) não está afastado da atividade econômica, tanto que o programa nacional de desestati- 1.18.3.1. Procurador Federal- 2010 ..
zação fOi atenuado e há retomada de ínvestimentos em certos setores públicos: 37. É legal a contratação peta União de empresa estatal ou privada ~~~ realizar ~tiVIdadeS
c) embora limitada a sua atuação como agente normativo e regulador da atividade eco- a
de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gas natural em temtono naclOn ..
nômica, detém o monopólio, dentre outros, da refinação nacional do petróleo, vedada a
outorga de concessões a empresas pnvadas: 38. A livre concorrência. pnncíplo geral da atividade econômIca, defende que o propno m:~~
cado deve estabelecer quais são os agentes aptos a se p~r~etuarem, deIXando aos ag
d) teve redireCiOnada a sua pOSIção estratégica, transferíndo à IniCIativa pnvada atividades
econômicas exploradas peto setor público. tes econômICOS o estabelecimento das regras de competiçao.
137
136
Leonardo Vtzeu Figuetredo Direíto EconÔmlCo ConstituCIOnal

1.18.3.2. Procurador do BACEN - 2009 46. O ato de restitUição do ICMS sobre a exportação de produtos mdustrIalizados é conside~
39. ~a doutrma, a mtervenção estatal no domimo da economIa ~ode ser considerada como rado modalidade de Intervenção direta do Estado no domímo econômico.
todo ,ato ou medida legal que restringe. condiclOna ou supnme a Iniciativa privada em 1.18.3.5. Advogado da União - 2006
dada area eCOn?mICa, em benefício do desenvolVImento nacIOnal e da justiça socIal. as~
s_egurados os dIreitos e garantias Individuais". Diógenes Gasparini. Direito adrninlstra- 47. Um fazendeiro poderá pesqUIsar a presença de mmeraIS no subsolo de sua fazenda sem
t:i~o. 6,il ed. São Paulo: Saraiva, 2001, p. 614 (com adaptações). Levando em conta 05 necessitar de qualquer tipo de autorIzação. No entanto, para lavrar os mInerais encon-
dItames d? CF, assInale a opção correta acerca do assunto abordado no texto. trados, terá de receber autorização ou concessão do EstadO.
a] Em beneficIO de relevante interesse da coletividade. admite-se que o estado do Piaui, 48. Considere que, em determinada fazenda, corra um rIacho de pequeno volume de água
por exemplo. cne empresa para explorar o transporte rodoviárIO de passageiros. ligando e o propnetário do Imóvel deseje aproveitar esse reduzido potencial hidrelétrico para
aquele estado aos prinCipaiS centros dinâmICOS do país. mstalar uma USIna geradora de energia elétnca. Nessa situação, o proprietáno deverá
b) E~_ que pesem os impactos positivos na competitividade da empresa, medida provl~ obter autorização da União para usar Iidtamente o referido potencial.

I
, c)
sona que traga benefícIOs fiscais específicos para a PETROBRAS padecerá de viCIO de
InconStitucionalidade.
~ presidente da República pode, por melO de decreto. estabelecer regras de avaliação de
~s~mpenho para os adminIstradores de instituições ofiCiaiS federaiS que explorem a
49. De acordo com o texto constitucional. o planeJamento do setor público é determmante,
o que Significa que o Estado deve subordinar~se ao seu próprIo planejamento.
50. Segundo a Constituição Federal. os ganmpeIros que estiverem lavrando jazidas de mme~
rals garimpáveis terão do Estado tratamento favorecido para se organIzarem em coope-
a~vldade financeira, como o Banco do Brasil.
rativas e estas terão pnoridade de autorIzação para a lavra nas respectivas areas.
d) ~~o~em guarida CO~Stitucionalle~ ordinària que autorize a aqUlslção, pelo governo fede-
. e estoques agncolas prodUZIdos peta iniCiativa pnvada, ainda que para estabilizar 1.18.3.6. Procurador Federal- 2004
os PAreços do setor e garantir a comercialização. 51. A defesa do meio ambiente, como principio gera! da ordem econômica, permite trata-
e) ~o ambi.to da: atividades de importação de petróleo. o Estado deve arrecadar recursos mento diferenciado para produtos e serviços e~ razão do Impacto ambientai decorrente
o::nt~bUlçao de Intervenção no domífil? econômico. que devem ser destinados. entre de sua produção ou execução.
s areas, para o finanCiamento de pro1etos SOCiaIS em saude e educação.
52. A contribUIção de intervenção no domínIO econômico relativa âs atividades de Impor~
1.18.3.3. Advogado da União - 2008 ração ou comerCialização do petróleo poderá ter sua alíquota reduzida ou restabelecida
40. A ordem econômica eXige que se observe o pleno emprego na atividade empresanal. por decreto, a ela não se aplicando o prmciplo da antenoridade.
41. O_Estado exercerá, como agente normativo e regulador da atividade econômica as fun- 1.18.3.7. Advogado da União - 2003
çoes de fiscalização, lficentivo e pianeiamento. sendo este determinante para' o setor 53. Soberania nacional. função social da proprredade e livre concorrência são principlos ge-
pnvado.
rais da atividade econômica.
1.18.3.4. Procurador Federal- 2007 54. O Estado, corno agente normativo e regulador da atividade econômica, exerce as funções
42. Considere-se que um estad o- F d - h - de fiscalização. mcentivo e planejamento. sendo este determinante para o setor público
o era - _. _ o a e eraçao ten a concedido Isenção de imposto sobre
p çoes relativas a Circulação de mercadOrIas e sobre prestações de serviços de trans- e mdicativo para o setor privado.
P~~~cInterestaduaf e i?termufilclpaI e de comunicação (ICMS) a determmada empresa 1.18.3.8. Procurador Federal- 2002
~ fi a, a qual VIgorara durante os 5 prImeIrOS anos de sua constituição com o objetivo
,e o.men,tar se~ desenvolvímento. Nessa situação. em consonânda co~ o direito cons- 55. Em sentido amplo. a mtervenção do Estado no domínIO econômico não se dá apenas na~
tituCional econom!co. ? concessão do referido pnvilégIO fiscal, não extensIvo ao setor queles casos em que o poder público atua diretamente como agente econômico; também
pnvado. somente e legitima devido ao relevante Interesse público. a produção de normas acerca da atividade econômica constitui, para parte da doutrina,
43. Considere que o presiden te d a Repu'bl'lta outorgue, por mtermédio de decreto ã pessoa modalidade dessa mtervenção. assim como o plane1amento econômiCO, destinado ã ra~
'd' clonalização dessa mesma intervenção.
jun Ica Shevchenko do Bras'l d M " -'
e lavra' I , com se e em oscou, RUSSIa, concessao para pesqUisa
de JaZida de carvão mmeraJ em determmada região brasileira. Nessa Situação 1.18.4. AGU - ESAF - Procurador da Fazenda Nacional
segundo a ordenação n ti •
orma va VIgente, o ato de concessão serei considerado constitu- 1.18.4.1. Procurador da Fazenda Nacional- 2007
CIOnal se, em VIrtude
. _ do t . .
m eresse nacional. a outorga tiver Sido realizada com base no
grau de especlahzaçao da referida pessoa iurídica. 56. Constituem monopólio da União. exceto:
44.
r
!
construção de pequena represa em propriedade rural, para o aproveitamento do po-
ncm
! d; ,energta hídnca, a fim de suprIr a demanda de energIa elétnca da casa dos
a) a pesquisa e a lavra das Jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos.
b) a refinação do petróleo naCIOnal ou estrangeiro. que poderei ser contratada com empre~
p opnetãnos, mdepende de autorização ou concessão. sas estatais ou privadas.
c) a navegação de cabotagem entre portos localizados no mar territorial brasileiro.
45. O oroduto da arrecada - d -b-
> • çao a contn UlçaO de lfitervenção no dornfnio econômico relativa d) o transporte marítimo do petróleo bruto de ongem naCIOnal ou de derIvados básicos de
as :tiVldades de Importação e comercialização de petróleo e seus denvados será desti- petróleo produzidos no Pais.
na o, entre outros fins. ao finanCiamento de programa de infra-estrutura de transportes. e) a pesqUIsa e o comércIO de mmerios e mmerais denvados.
138
139
Diretto Econômico ConstituctOnal
Leonardo Vtzeu figueIredo

1.18.4.2. Procurador da Fazenda Nacional - 2006 1.18.4.3. Procurador da Fazenda Nacional - 2004 •
59. Consoante a Constituição Federal. a lei deverá reprImir o abuso do poder economlCO que
57. Nos termos da Constituição. a ordem econômica. fundada na valorização do trabalho
humano e na livre iniciativa. tem por fim assegurar a todos existência digna. conforme os a) ;:~~~ação dos mercados. a elimmação da concorrência e ao aumento arbitrano dos
ditames da Justiça social. observados os seguintes princípios:
a) obediência aos tratados internacIOnais de que o Brasil sela signatárIo, propnedade PrI- b) ~:~~~ação dos mercados. a elimmação da concorrência e ao aumento das desigualdades
vada, função SOCial da proprIedade, livre concorrência. defesa do consumidor. defesa do
reglonais e SOCiaiS. I s-o ao melO
meio ambiente, Inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto am- c) dominação dos mercados. à eliminação da concorrência e a caUsar e a
biental dos produtos e servIços e de seus processos de elaboração e prestação, redução
das desigualdades reglOnal's e sociais. busca do pleno emprego. tratamento favorecido ambiente. - . d - d mprego
d) dominação dos mercados, â elimmação da concorrenCla e a re uçao o e : d
para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua e) dommação dos mercados. á eliminação da concorrência e ao aumento arbltrarIo os
sede e admmlstração no Pais.
preços.
b) soberania naCIOnal, propriedade pnvada, função SOCial da propriedade. livre concorrên-
Cia, defesa do consumidor; defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento di- 1.18.4.4. Procurador da Fazenda Nacional- 2003
ferenciado conforme o impacto ambientai dos produtos e serviços e de seus processos 60 Assmale a opção Incorreta. d d d conomla
de elaboração e prestação. redução das desigualdades regíonms e sociais. busca do pleno a) • A exploração de atividade econômica pelas empresas públicas, socle a. ~s e e ~ _
emprego, tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as mista e fundações públicas constitui intervenção estatal direta no domml,o econo~~o.
leis brasileiras e que tenham sua sede e admInistração no Pais. b) A cnação de infra-estruturas e o exercícIO do po~e~ de po~ítica econômica consa em
c] defesa mtranslgente do patrimômo nacional, propnedade pnvada, função social da pro- formas de Intervenção Indireta do Estado nO domlmo economlCO. C
prIedade, livre concorrência. defesa do consumidor. defesa do melO ambiente. inclUSive c) O Estado mtervém na economia por meIO do planeJamento. que, de acordo com a ons-
mediante tratamento diferenciado conforme o Impacto ambiental dos produtos e servi- titul ão Federal obriga os setores público e ptivado. .
ços e de seus processos de elaboração e prestação. redução das desigualdades regIonais d) A tn~ervenção do domfnio econômico, tanto direta quanto mdireta, pode ser reahzada
e sociaiS. busca do pleno emprego. tratamento favorecido para as empresas de pequeno por todas as pessoas polfticas. - d f"t s
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no Pais. e) Constitui objetivo da Intervenção do Estado na ordem econômIca a correçao os e el o
d) soberania nacional, propriedade prIvada, função social da propriedade. livre concorrên- econômicos das disparidades reglon a1s.
cia, direitos humanos, defesa do consumidor. defesa do melO ambiente, InclUSIVe me-
diante tratamento diferenciado conforme o Impacto ambiental dos produtos e servtços
e de seus processos de elaboração e prestação. redução das desigualdades regionaIS e
SOCiais. busca do pleno emprego, tratamento favorecido para as empresas de pequeno
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e admiOlstração no Pais.
A proteção ao consumo depende da defesa da livre co.nc?rrên- capítulo
e) soberaOla naCIOnal, proprIedade prIvada, função social da propnedade.lívre concorrên- Cla. uma vez que esta garante ao consumidor final dIreito de
C 1: 1.7.
Cia, defesa do consumidor. defesa do meio ambiente. inclUSiVe mediante tratamento di- 01
escolha e
ferenCiado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos que rege o intervenciomsmo SOCial. Capitulo
de elaboração e prestação. redução das desigualdades regionais e SOCiaiS, busca do pleno A I 1: 1.3·3·
02
emprego. tratamento favorecido para as empresas de pequeno e médio porte constituí-
das sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no Pais. A Constltuh;ãO EconômIca pode ser entendida tanto em sentido
material. quanto em sentido formal. adotando-se, por analo.gla,
58. A exploração direta da atividade econômlca pelo Estado. ressalvados os casos previstos a teona de classificação das constituíções quanto ao conteudo.
na COnstituição, só e permitida quando necessarla aos imperativos da segurança nacIO- Por constituição Econômica matenal entende·se todas, as nor-
nal ou a relevante Interesse coletivo, ASSinale a opção correta. mas de extração constitucional que versem so.bre ma~ena eco·
nOmica, estelam oU não diSCIplinadas em capitulo prop~lo. Por Capitulo
a) As empresas públicas e SOCiedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, pos- Questão 1: l.4·
suem regime jurídico próprio. que prevalece sobre o regime jurfdico aplicavel às empre- 03 subietlva sua vez, a constituição Econômica fonnal se tr:aduz no mulo ou
sas priVadas. capltulo específico, dedicado exclusivamente a Ordem EconômI-
ca Trata-se das disposíções constítuclOnais fonnalmente fixadas
b) Às empresas públicas. ás sociedades de economia mista e ás suas subsidiánas não se
p;ra a matéria econômica. em capít~IO prôpno. bem como da~
aplicam os prindplOs da administração pública, demais nonnas de extração conStitUCIonal. esparsas em seu tex
c) Nos conselhos de administração e fiscais das sodedades de economia mista, não se ad- com conteúdo eminentemente
mite a participação de acionistas minoritários.
An. 174, Como agente nonnativo e regulador da a!ividade econõ-
d) Todas as atividades que constituem monopólio da União podem ser realizadas tanto por mica, o Estado exercera, na fonna da lei, as funçoes de fiscaflza· Capítulo
empresas estatais como por empresas prIvadas. 04 A ção. incentivo e planelamento, sendo es:e detennmante para o
1: 1.10.
e) Certas atividades que constituem monopólio da União somente podem ser realizadas e indicativo setor
setor
por empresas estatais.
141
140
Leonardo VlZeu Rguetredo Direito Econômtco Constitucional

05 6
:t 17 A
constitucIOnal encontram·se taxativamente previstas. não ha- Capítulo
casos I vendo mais possibilidade para criação de novas exclusões por 1: 1.12.4
Doutrina sobre classificação das atividades econômicas (sentido I
06 6 amplo). que abrange a atividade econômica em sentido estrito Capitulo ambos da CRfa. A atual Constítuição
e o serviço 1: 1.12.1: mtemo mtegra o patnmômo nacional Capítulo
16 o e será de torma a atender aos interesses do 1: 1.7.
07 c do modelo de mtervenclonrsmo adotado com base no Capítulo I,
I de defesa do mercado. 1: 1.:1.2.
Segundo a doutnna de Eros Roberto Grau, o tratamento que a
I A descentralização econômica. caracteristica dos Estados libe. atua! CRfB dá a atívidade econômica em sentido lato. subdivide- Capítulo
rals. abandonada no modelo intervenclonlsta e recuperada nos 19 o a em: atividade econômíca em sentido estrito (art. 173) e servI' 1: 1.12.1
Capj'tulo
I 06 A Estados Reguladores. permite que o Poder Público atue de for-
ma mdireta. em caráter amplo. na Ordem Econômica, respeitan.
do. todaVia. a livre iniciativa do particular. vide art. 1". IV. In fine.
1: 1.3.5;
1.10.1.
i
O art. 173 da CRFB diSCiplina a exploração direta de atividade
econÔmica. em sentido estrito, por parte do Estado, somente
I art. e art. todos da
20 o permitindo a partiCIpação direta do Poder Público, subsidiaria- Capitulo
A caraaeristica dos Estados liberaiS assenta-se no dlrigismo mente. nos casos que se revelem imperatiVOS para a segurança 1: 1.12.1
09 A contratual e na autonomia de vontade das partes. consubstan- Capitulo naCIOnal ou em que haja relevante interesse coletivo. sempre
ciando a economia no mercado e na liberdade de Iniciativa dos 1: 1.3.1. em e concorrenClal.
O art. 173 da CRfB diSCiplina a exploração direta de atiVidade
la c Gabanto dado com base no art. 171. §lc. I. da CRFa. que restou Capftulo econômica. em sentido estrito. por parte do Estado. somente
revogado por força da Emenda Constitucional n" 06, de 1995. 1: 1.11. permitindo a partiapação direta do Poder público. subsidiaria-
Capítulo
Vide o art. 177.1 e §1". da dada pela Emenda
21 o mente. nos casos que se revelem imperativos para a segurança
1: 1.12.1
naCional ou em que hala relevante Iflteresse coletivo, sempre
11 c ConstituCIonal n" 09. de do monopólio sobre Capítulo em regime particlpatlvo e concorrenclal. sem a possibilidade de
os combustfveis fósseiS que a exploração do 1: 1.12.4. não
fosse realizada I í I
o art. 174 da CRFB· j I
Vide o art. 174. capur. ab mirío, da CRfB. que determrna que o na Ordem Econômica. na qualidade de seu agente normatIVo e Capítulo
Estado atue como agente normativo e regulador de sua Ordem 22 A
II A Capítulo regulador. com as funções específicas de fiscalização. incentivo 1: 1.10
Econômica, fato que lhe dá a prerrogativa de regular os percen-
tuaIs de reaíuste de contraprestação econômica nos setores em 1: 1.10.1.
Segundo a doutrina de Eros Roberto Grau e de Diogo de Figueiredo
I setorial de mercados.
Moreira Neto. Quando o Estado atua explorando atividade eco- Capítulo
A descentralização econômica. caraaerfstica dos Estados libe- 23 6
nõmlca. sem afastar a livre iniciativa do setor privado, o faz por 1: 1.9.1
rais. abandonada no modelo intervencion!sta e recuperada nos meio de ou em de concorrênaa
Estados Reguladores. permite que o Poder Público atue de for- Capitulo
13 A Vide art. 24. 1 e VI. c/c art. 176. ambos da CRfa. Cuida-se da
ma mdlreta, em caráter amplo. na Ordem Econômica, respeItan- 1: 1-3.5; capítulo
do. todaVia. a livre inioativa do particular. Vide art. 1", IV. In fine. 1.10.1. o competênCIa legislativa concorrente. diSCiplinada na Constitui-
1: 1.13
art. e art. todos da a União. Estados e o Distrito Federal.

I, 6
O atual modelo econÔmico regulador. consagrado na CRfa de 05
de outubro, fundamenta-se na [ustiça social, a teor do art. 170,
Capftulo
1: 1.3.5;
25 6
Capítulo
1: 1.1: 1.11
caput, 10 fine.
1.6
O art. 173 da CRfB disciplina a exploração direta de atividade O art. 173 da CRfB diSCIplina a exploração direta de atividade
econÔmfC:<!. em sentido estrito, por parte do Estado, somente econômica, em sentido estrito, por parte do Estado. somente
Capítulo CapitulO
permitindo a participação direta do Poder Público, subsidiaria- permitindo a particIpação direta do Poder Público. subsidiaria-
'5 6
mente, nos casos que se revelem ImperatiVOS para a segurança 1: 1.3.5;
,6 c mente. nos casos que se revelem Imperativos para a segurança
1: 1.3.5;
1.12.2. 1.12.2
nacional ou em que haia relevante mteresse coletiVO. sempre naCIOnal ou em que haja relevante interesse coletivo. sempre
em I j I em
Nos termos do art. 172. c/c o art. 192. capur, art. 199. §30 e ano O art. 173 da CRFB diSCiplina a exploração de
16 A 222. capur.. §§1" e- 4". todos da CRFB, admite·se a mltigação ou Capitulo econÔmica. em sentido estrito. por parte do Estado. Iimitando- capítulo
mesmo a exclusão de Iflvestfmentos eStrangeiros em alguns se- 1: 1.11 27 6 a. somente aos casos em que se revelem imperativos para a 1: 1.3.5;
Ordem . segurança naCional ou em que haja relevante mteresse coletivo. 1.12.2
em caráter
142
143
Leonardo Vu:eu Figueiredo Direito Econômico Constituaonal

Cuida-se da proteção pelo Estado ao devidO processo


o art. 173 da CRFB disCIplina a exploração direta de atividade Capítulo competitivo em sua Ordem EconômICa. a fim de garantir que
,a o econômIca. em sentido estrito. por parte do Estado. 1: 1.12.1: toda e Qualquer pessoa Que esteja em condições de partiCl'
1.12.2 Capítulo
Errada par do cido econômico (produção e:> circulação c:> consumo) de 1: 1.7.
NOS termos do art. I", IV, m fine. c/c art. 170. capur. e art. 219. determinado nicho de nossa economia, nele possa, livremente,
rodos da CRFB. bem como da doutrma econômICa da Adam Sml· entrar, permanecer e sair, sem qualquer mterferência estranha
'9 B t~. o lib.eraUsmo baseia·se na persecução do interesse pnvado CapItulo 1 de Interesses
(livre mlclatlva) em ambientes de competição equilibrada (eco- 1: 1.3. :
Art. 173 . § 2° , As empresas i Capítulo
nomla de mercado).
39 a economia mista não poderão gozar de 1:1.12.2.
A. ~tual Constituição de 05 outubro 1988 traz normas po- extenSivoS ás do
sltlvadas no Título VII - Da Ordem Econômica e Financeira espe- Art. 170. A ordem econômica. na valorização traba-
cificando capítulo próprio para a Ordem Econômica, a p;rtir do Capítulo
30 c art. 170, e seguintes. fato que a caraaenza como Constituição Capítulo ,o Certa
lho humano e na livre Iniciativa. tem por fim assegurar a todos
existência conforme os ditames da lustiça SOCial. observa- 1: 1.7.
Econômica formal. OutrossIm. traz no bOlO de seu texto diversas 1: 1.5; dos os VUI + I
normas esparsas Que versam sobre matéria econômica. a teor
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade eco-
do art. I". IV. m fine. bem como do art. 219. podendo ser Igual- Capítulo
nômica, o Estado exercerá. na forma da lei, as funções de fiscali·
classificada como i Econômica material. 4 Errada 1: 1.10.
' zação. mcentivo e planejamento. sendo este determmante para
Vide art._173. c/c art. 237. ambos da CRF8. Cuida·se da aplicação i ,
sistemática de dispositivos constitucIOnais Que autorizam a par- . As empresas públicas e as SOCIedades de
Capítulo Capítulo
31 o tiCipação do Estado na exploração direta de atividade econõmi-
1: 1.12.2; não poderão gozar de pnviléglOs fiscaiS não
ca. amda que em hipóteses específicas, bem como na qualidade 42 Errada 1:1.12.2.
setor
de ente I do intercâmbio comercial com outras
Art. 176. § l0 A pesquisa e a lavra de recursos mmerals e o
V!de doutrina de Eros Roberto Grau. Cuida do regrme concorren-
Capítu- aproveitamento dos potenCiais a que se refere o ~caput" deste
clal no qual o Estado. por meio de instItuição financeira sob seu artigo somente poderãO ser efetuados mediante autorização ou
3' A lo 1:
controle aCionário. atua diretamente como agente econÔmiCO, concessão da União, no interesse naCIOnal, por brasileiros ou Capítulo
1·9·1.
afastar a livre miciativa. 43 Errada empresa constituída sob as leiS brasileiras e que tenha sua sede 1: 1.13.
Vide art. 173. c/c art. 174. ambos da CRFB. Cuida-se da adoção do e administração no Pais. na forma da lei. que estabelecera as
capítulo
modelo de Estado Regulador. no qual o Poder Público atua de condições específicas quando essas atividades se desenvolve-
33 o forma mitigada na exploraçãO de atividade econômica. reser-
1: 1.10:
1.12.
ou terras!
vando sua
Mln. Eros Grau, Certa
ca ~':;;~i,~~n:e~;t; Não dependerá de autonzação ou concessão
do potenCial de energia renovável de capa-
Capítulo
1: 1.13.
e~ 3-4-2008, Plenário. 19·1}-2oo8). Cuida·se de posicionamen-
Capítulo
34 o to lunsprudenClal fixado pelo m. no Qual relativiza o texto const!-
1.12.2. Art. 177. § 4° A le! que instituir de intervenção
tudona! para dar as entidades empresanais que explorem pres. 1: no domimo econômico re[allva ás atividades de Importação ou
li comercialização de petróleo e seus derivados. gás natural e seus CapItulo
45 Certa denvados e álcool combustível devem atender aos segumtes re- 1:1.12.4.
CapItulo
(.. J 11 - os recursos arrecadados serão destinados: (....J c)
35 (
1: 1.9.1.
por meio de incentivo fiscal (Art. 174. Como
agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado Capitulo
art. 1". IV, In art. 170, caput, art. 173 e art. 174, todos 46 Errada exercera. na forma da lei. as funções de fiscalização, mcentivo e 1: 1.10.3.
da CRFB. Cuida-se da adoção do modelo de Estado Regulador, Capítulo sendo este determinante para o setor público e
c no qual o Poder Público atua de forma mitigada na exploração 1: 1.3.5: i
de atividade econômica. reservando para SI amplos poderes no 1.6: 1.7. Art. 176. (... ) § l0 A pesquisa e a lavra de recursos mmerais e o
I aproveitamento dos potenciais a que se refere o Wcaput" deste
Art. 177. Constituem monopólio da União: j • a pesqUisa e a lavra artigo somente poderão ser efetuadoS mediante autorização ou
das fazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos concessão da União. no interesse nacional. por brasileiros ou Capítulo
fluidos; § I" A União poderá contratar com empresas estataiS ou CapItulo 47 Errada empresa constituída sob as leIS brasileiras e que tenha sua sede 1: 1.13.
37 Certa
pnvadas a realização das atividades previstas nos incisos! a 1: 1.12.4. e administração no Pais. na forma da leI, que estabelecem as
IV deste artigo. observadas as condições estabelecidas em leI. condições específicas quando essas atividades se desenvolve-
dada rem fronteira ou I

145
144
----------------

l "
ir
I; Leonardo Vizeu figueiredo

iL
ri:
"
,
J
I, 48
DIREITO ECONÔMICO
q 1: 1.13.

iI ADMIMSTRATIVO
49 Cena Capítulo
1: 1.10.3.

-7 S~i.o: 2.1. Direito da concorrênCla: 2.1.1. Direito comparado; 2.1.2. Base doutrltrá~
50 Certa Capitulo na teleológlca; 2.1.3. Direito mitno; 2.1.4. Base normativa; 2.1.5. Estrutura do Sistema Brasileiro
1: 1.10. de Proteção à ConcorrênCia; 2.1.6. Da composição do CADE: 2.1.6.1. Dos Conselheiros do CAOE;
2.1.6.2. Do Presidente do CADE; 2.1.7. Do pape! da AGU na Proteção da Concorrência; 2.1.8. Do
5' Cena Capítulo papei do MPFna Proteção da Concorrência; 2.1.9. Da aplicação matenal e tenitonal da Lei; 2.1.10.
1: 1.7. Da responsabilização legal; 2.1.11. Da desconsideração da personalidade 1urídica; 2.1.12. Do con-
ceito de mercado relevante: 2.1.13. Das mfrações â ordem econômica em caràter lato; 2.1.14. Das
Art. 177· (.. .) § 4 A lei que institUIr contribuição de mtervenção
g

mfrações â ordem econômica em caráter estrito; 2.1.15. Do controle de estruturas de mercado;


no domfnio econÔmICO, relativa as atividades de importação
ou comerCialização de petróleo e seus derrvados, gàs natura! e 2.1.16. Da regra da razão; 2.1.17. Das penalidades: 2.1.18. Da prescrição e do direito de ação:
Certa seus derivados e álcool combustfvel, deverâ atender aos seguin. Capítulo 2.1.19. Do processo no SBPe; 2.1.20. Quadros Sinópticos; 2.1.20. Quadros Sinôpticos: 2.1.21. Ques·
tes requisitos: (... ) I - a alíquota da contribuição poderá ser: (... ) 1: 1.12.4. tões de concursos públicos comentadas: 2.1.22. lurisprudênCla seleCIOnada - 2.2. Agências Regu·
b}reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo. não se ladoras: 2.2.1. AgênClas Reguladoras no Direito Comparado; 2.2.2. AgênCiaS reguladoras no direi~
i r - to pátno: 2.2.3. Conceito e natureza lurídica; 2.2,4. Previsão constltucional e caracteri'Sticas; 2,2.5.
Regime de Pessoa!; 2.2.6. Formas de controle das AgênCiaS Reguladoras; 2.2.7, Deslegalização e
poder normativo; 2.2.8. Legislação aplicàvel em matéria federal; 2.2.9. Quadros smôpticos; 2.2.10.
Certa Capitulo Questões de concursos públicos comentadas: 2.2.11. junsprudêncla seleCIOnada - 2.3. AgênCia
1: 1.7. Executiva: 2.3.1. Conceito: 2.3.2. Natureza jurídica e caracteristicas; 2.3.3. Questões de concursos
públicos comentadas - 2.4. Parcerias Público·Privadas: 2.4.1 Conceito e classificação: 2.4.2 Prin·
clpiOS e pressupostos; 2.4.3 Da experiência européia e das expectativas brasileiras: 2.4.4. Ques·
Art. 174. Como agente nonnativo e regulador da atividade eco- tões de concursos públicos comentadas - 2.5. Sistema Financeiro NaCional: 2.5.1. Base normativa;
54 Certa nõmlca. o Estado exercerã, na forma da lei, as funções de fiscali. Capitulo 2.5.2, Objeuvos e função SOCial; 2.5.3. Instituições financeiras: 2.5.4. Estrutura; 2.5.5. Correção
zação, IOcentivo e planelamento, sendo este detenninante para 1: 1.10.3. monetária; 2,5.6. Taxa SELlC; 2.5.7. Taxa referenCial; 2.5.8. Questões de concursos públicos co·
- o setor mentadas; 2.5.9. Súmulas aplicáveiS.
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade eco-
55 Certa nômica. o Estado exercerão na forma da lei, as funções de fiscali. Capítulo
zação. incentivo e planeiamento. sendo este determinante para 1:1.10.3. 2.1. DIREITO DA CONCORRÊNCIA
j setor I
Vide art. 177 e incisos da CRFB. Cuida-se da reserva de exclu- o tema direito da concorrência é ponto constante em praticamente todos
c sividade que o constituinte reservou para o Estado. no que se Capítulo os concursos que requerem o Direito Econômico, seja sob a denominação de Lei
refere as suas pnncipals matrizes energéticas. a saber, gás, pe-
material
1: 1.12.4. Antitruste ou simplesmente por Lei nQ 8.884. de 1994.
57 8 art. 170 e mdsos da CRFB. A resposta é a transcrição do art. Capítulo IniCIalmente. Insta salientar que o Brasil pOSSUI uma legIslação de prote-
inCiSOS da CRFB. 1: 1.7, ção à concorrência, uma vez que a Lel nº 8.884, de 1994, normatíza tanto a
o gabarito I antes da Emenda ConstitUCional
58 E no 49. de 2006, nova redação ao art. 177 da CRFB, relati- Capitulo repressão às condutas que possam caracterizar infração da ordem econômica.
1: 1.12.4. dentre as quaiS se inclui o truste, como o controle de estruturas de mercado.
Art. 173. (_) § 4° - A lei reprimirã o abuso do poder econômiCO de forma a estabelecer profilaxia a eventual dominação de mercados. TodaVIa,
59 A que vise a dommação dos mercados. a elimmação da concor- Capítulo
1: 1.12.
no jargão do dia a dia, seja no meio acadêmico. seta no meio forense. é usual a
rência e ao aumento arbitrário dos lucros.
utilização do termo Lei Antitruste.
Art. 174. Como agente nonnativo e regulador da atividade eco.
60 c nõmica. o Estado exercerá. na forma da lei. as funções de fiscali- Capitulo Por proteção à concorrência entende-se todo o esforço empreendido
zação. incentiVo e planejamento, sendo este determinante para 1: 1.10.
o setor ! e mdicativo o setor privado. pelo Estado na defesa da eficiênCIa de seu mercado interno e de sua Ordem
EconômIca. Isto é. trata-se da garantia que o Poder Público assegura a seus
146
147
Direito Econômtco Admmistrativo
Leonardo V'lZeu FiguelTedo

'I
agentes pnvados que melhor operem no mercado. para dar ao consumidor de entender. contextualmente, a relevância do Sistema Brasileiro de Proteção à
final acesso a bens. produtos e serviços qualitativamente diferenciados. por ConcorrêncIa.
ii preços quantitativamente mais em conta. Com o fomento da competição. au- A necessidade de proteger as relações comerCIaiS surgiu com o íntercâm-
menta naturalmente o número de agentes privados concorrentes entre si e o bio entre as Nações. Por sua vez. a necessidade de proteger a competição entre
Estado promove a pulverização do poderio econômico entre eles. de forma as empresas surgiu com a revolução industrial. As primeiras legislações de pro-
que nenhum consiga impor sua vontade sobre os demais. tampouco sobre o teção à concorrêncía buscavam coibir a prática de truste. termo denvado do ter-
Poder Público. Evitam-se. assim. desequilíbrios que possam conduzir a estru- mo mglês trust. que significa um acordo celebrado entre duas ou mais empresas
turas monopolizadas ou oligopolizadas. bem como a captura de mteresses. para combinação de estratégias. a fim de preservarem-se no mercado. ainda
que em detrimento dos demaiS participantes.
)
) Por ÓbVIO. com a eliminação dos concorrentes diretos, ficava fácil para os
Fácil perceber Que a proteção ao devido processo competitivo tem aspectos es-
)
senclais a coletIVidade:
oligopólios resultantes imporem seus interesses econômÍCos ao Estado e aos
) a) assegurar ao consumidor opção de escolha. de forma que ele não fique refém consumidores. gerando efeitos permciosos e deletérios para a ordem econô-
de uma única ou de poucas empresas: mica. Assim. o Canadá editou em 1889 o Competitlon Act. que fOi a primeira lei
) b) pulverizar o poder econômICo dos agentes privados, de modo que um não antitruste do mundo.
) possa influenciar negativamente nas condutas empresariais de seus concorrentes
diretos. nem impor sua vontade sobre eles: Em 1890. os Estados Unidos da America editaram sua lei antitruste, a Lei
)
c) proteger o Estado contra a captura de Interesses Que os agentes privados federal de 2 de Julho de 1890. tambem conhecida como Sherman Act, pelo PresI-
monopolistas ou oligopolistas possam eventualmente promover, impondo seus in- dente Harrison e por inicíativa do senador lohn Sherman. A partir da legislação
_ teresses particulares sobre os demais partiCipantes. os consumidores e o próprio norte-amencana, ficou expressamente proibida a combinação ou conspiração
Poder Público. no sentido de restringir o negócIO ou o comércIO (§ 1.º do Sherman Act), bem
coma o monopólio e a sua tentativa (§ 2.. do mesmo desposlt!VO).
PROTéÇÃO À CONCORRÊNCIA
Em virtude do aperfeiçoamento e da evolução do uso contínuo dos me-
canismos de mercado. os Estados Unidos da Améríca editaram . no ano de
Consumidor Opção de escolha 1914. o Clayton Act, com o fito de tornar mais clara a legislação de proteção à
concorrêncía. dando maís força ao Sherman Act. Assim, passaram a coibir os
contratos em cadeia. declararam ilegais a discriminação de preços e a exclusi-
Mercado Pulverização do poderio vidade de negócio. bem como as fusões resultantes da aquisição de ações dos
econômico concorrentes. Objetivaram. dessarte. proteger as pequenas e médias empre-
~ sas. mas essas tais regras não eram proibitivas de per Si, mas, tão-somente.
Estado Prevenção e proteção quando pudessem preludicar. potenCial ou efetivamente. o devido processo
â captura de Interesses competitivo.

2.1.1. Direito comparado Outrossim, criaram no Clayton Act o Federal Trade Commission. ente guar-
dião da concorrência. atuante até os dias de hole.
Para uma Idéia da relevâneía do tema no mundo contemporâneo. a pro-
teção ao devido processo competitivo é questão de segurança econômíca nos Atualmente. o Sistema Norte-americano de Proteção â Concorrência conta
países onde há empresas que atuam em nível global. sendo fator deCISIVo para a com a seguinte estrutura governamental:
atração de investimentos privados.
a) Divisão Antitruste (AntirrustDivision) do Departamento de Justiça
Mister se faz, inicialmente, analisar a ongem e a evolução dos sistemas de dos Estados Unidos: promove e protege o devido processo competiti-
concorrência nos Estados Unidos da América e na União Européia, como meio vo, garantindo o fiel cumprimento das leis antitruste:

149
148
Leonardo Vl.Zeu Figuetredo
Diretto Econômico AdminiStrativo

b) Comissão Federal de Comércio (Federal Trade Comissíon): super- A finalidade, portanto. de se proteger a concorrência é assegurar eficiência
VISIOna a política antitruste e, basicamente, atua eliminando as propa- alocativa, tanto nas relações corporativas derivadas do uso dos mecanIsmos de
gandas enganosas que maculem as opções consumeristas de compra. mercado nos atos de concentração. quanto nas relações consumeristas deriva-
No contínente europeu. o tema proteção â. concorrêncIa somente passou das da aquisição de bens, produtos e serviços como etapa final do ciclo econô-
a ter relevâncIa quando da assinatura do Tratadó de Roma, em 1957, com o mico (produção X circulação X consumo).
míclo da Comunidade Econômica Européia. AssIm, com o processo de mtegra-
} Por mecamsmos de mercado entendem-se os negócios íurídicos corporati-
",
ção econômica e o aquecimento do intercâmbio entre os Estados signatários, o
vos praticados para a realização do objeto social dos agentes privados explora-
devido processo competitivo passou a ser devidamente tutelado pelas autori-
J dades européias. como meio de se assegurar a livre iniciativa, necessáría para a
dores de atividade econômica, bem como para se operaCIOnalizar suas políticas
II consolidação de economias de mercado. empresariais.
Obse~e-se que a utilização dos mecanÍsmos de mercado, por meio da prá-
"
i O Sistema de Proteção à Concorrência da Europa conta com uma atuação
conJunta da Comissão Européia, na qualidade de autoridade antitruste adminIS- tica de acordos e contratos empreSarIaIS. é cornqueira e cotidiana nas grandes
trativa, bem como do Tribunal de Justiça Europeu e da Justiça de l' Instância. corporações. Todavia, coíbe-se que hala prejuízo para o deVIdo processo com-
petitivo, por meio do abuso de poder econômico. Há que se ter em mente que
2.1.2. Base doutrinária teleológica concorrêncIa Significa disputa saudável e transparente enVIdada por agentes
econômICOS em busca de parcela de mercado relevante no qual atuam. Seu pa-
Duas teorias doutrmarias sobre tutela da concorrêncIa norteIam as legis-
drão de comportamento é a competição'. na qual cada agente busca defender
lações acerca do tema. servindo de base para os mosaíoos de proteção ao devido
seus interesses privados. Por meio desse processo competitIvo. os agentes. a
processo competitivo. a saber:
fim de ganhar mercado, ofertam produtos qualitativamente diferenciados, por
a) Teoria da concorrênciawcondição: os partidárIOS desta corrente en- preços quantitativamente menores. fato que permite ao consumidor final ad-
tendem que a concorrência traduz-se em um bem por SI mesma. Des- quiri-las e alcançar níveis satisfatórios de bem estar sócio-econômICO.
sarte, coibe~se preventivamente todo e qualquer acordo ou prática
Para tanto, o Estado atua de forma preventiva, de maneira a evitar a ocor-
suscetíveIS de desestabilizar a estrutura concorrencial do mercado. Tal
rênCia de falhas de mercado', bem como de forma repressiva, coibindo as con-
corrente, que se baseia no per se condemnation. visa a obstar a imple-
dutas abUSIvas que possam ser caracterizadas como infração contra a ordem
mentação de qualquer restrição. pela simples possibilidade de ense-
econômica.
jar dano ao mercado. A intervenção obíetiva, aSSIm. evitar as falhas de
mercado. antes que elas ocorram.
2.1.3. Direito pátrio
b) Teoria da concorrência-meio: os defensores desta linha de pensa-
mento entendem que os comportamentos efetivos dos agentes econô- Historicamente, o Brasil nunca deu ao processo competitivo a importânCIa
micos devem ser objeto de estudo e análise. uma vez que não são todas necessaria. uma vez que nosso mercado interno sofria forte influência do Poder
as restrições que se mostram danosas ao mercado: ha situações em que Público, ora monopolizando determmados setores da economia, ora estabele-
elas se traduzem em ganhos de eficiência alocativa. Assim, somente se cendo reserva de mercado, oligopolizando-o em favor de poucos agentes.
admite a intervenção do Estado. no sentido de cercear a livre InIciativa Assim, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE fOI conce-
para tutelar a concorrêncIa de forma arrazoada. a fim de proteger bens bido sob a égide da ConstituIção de 1946, por meio da edição da Lei nº 4.137,
ou permitir o alcance de metas socialmente relevantes (rule ofreason). de 10.09.1962, em seu artigo 8º, com sede no Distrito Federal e jurisdição em
Dessarte. esta teoria não coíbe, a priori. os acordos. monopólio e oligo- todo o território nacional. Esse órgão colegiado de decisão ficou incumbido, na
pólios, mas reprime, tão-só, as modalidades de concorrênCIa imperfeita
deletérias ao mercado.
L Por competição entende-se a busca Simultânea, por dOIS ou maiS mdivíduos, de uma vantagem,
Há de se ressaltar que a tutela da concorrência constituI direito e interesse mormente quando são escassos os elementos necessários a vida. entre os componentes de uma
difuso, uma vez que se caracterizà por sua transindividualidade, não podendo mesma comunidade.
sequer ser subsumida a determinado segmento de nossa sociedade. 2. Por falhas de mercado entende-se todos os acontecimentos Que o retiram de seu ponto de equiHbno
e eficiênCia. traduzindo-se em fatores que geram efeitos deleténos oara o mesmo.
150
151
Leonardo VlZeu Figueiredo Direito EconômiCo Administrativo
11

~poca. de avenguar a_ existêncIa de abusos do poder econômico, promover o (...)


Julg_amento das _Infraçoes e requerer ao Poder judiciário, em certos casos, a apli-
Art. 219. O mercado mterno jntegra o patrImônio naCIOnal e será in-
caça0 das sançoes. Por melO da Lei n 2 8.158, de 1991. suas atribuições foram centivado de modo a VIabilizar o desenvolvimento cultural e SOClOe w

alterad,as, passando a ser classificado como "órgão Judicante" da estrutura do conômico, o bem-estar da população e a autonomIa tecnológica do
Mmlsteno da justiça. mantidas as competências prevIstas na Lei n2 4.137. de Pais. nos termos de lei federal".
1962. Dessa forma, passou o CADE a funcionar junto Com a Secretaria Naci~nal
de Direito Econômico - SNDE. do Ministério da justiça. Observe-se que a livre concorrênCIa (ou defesa do mercado) é princípIO
norteador de nossa ordem econômica, sendo a repressão ao abuso de poder
Por meio da LeI n 2 8.884, de 1994. as atribuições do Conselho Adminis- econômico mandamento de nosso legislador constituinte oríginario. Por sua
trativo, de Defesa EconômIca - CADE e da Secretaria de Direito EconômiCO do vez, o mercad0 3 interno pátrio tem status de bem público de uso comum. inte-
Mmlsteno da justiça - SDE foram devidamente nonnatizadas. contextualizando grante do patrimÔniO nacional.
sua atuação ás necessidades do mundo contemporâneo. Assim. o CADE foi dta-
do da necessária mdependência téCnica para atuar como Tribunal Admmistra- Todos os dispositivos constitucionais acima foram devidamente regula-
tivo espeCialIzado em matéría econômica. uma vez que se encontra meramente mentados na Lei n 2 8.884. de 1994, que é a lei brasileIra de proteção á concor-
VInculado ao Ministério da justiça. posIção que permite a este supervisão sob rência ou, como é mais corríqueiramente denominada em concurso público. lei
os atos do CADE. sem poder aVOcar suas competências. tampouco desconstituir anti truste.
seus atos. O objetivo da Lei n 2 8.884, de 1994, fOI modernizar o Sistema Bra- Por livre concorrência (art. 170, IV, CRFB), entende-se a liberdade de en-
sileiro ?e Proteção à Concorrência, dando-lhe a independência administrativa trar. permanecer e sair de qualquer mercado. sem interferência de terceiros,
n:c~ssana para atu~r sem sucumbir aos interesses políticos da corrente parti- tampouco do Estado. A Lei n 2 8.884, de 1994. operacionaliza a garantia de livre
dana que temporanamente ocupa as mstâncias de Poderes Constituídos. bem concorrência ao efetuar o controle de estruturas de mercado, evitando. assim, o
como aos interesses particulares dos agentes privados. surgimento de monopólios ou oligopólios, a teor do disposto no art. 54.
2.1.4. Base normativa O abuso de poder econômico (art. 173, §42. CRFB) trata de toda e qualquer
conduta empresarial. oriundo do exercício de mecanismos de mercado, que se
Em nosso atual ordenamento constituCional. a proteção à concorrênCia en- traduzam em:
contra-se prevIsta tanto na constituição econômica material. quanto na formal,
a teor dos dispOSitivos a seguir transcritos: a) Imposição arbitrária de vontade de um agente privado sobre seus con-
correntes e sobre os consumidores;
'~rt. 170. A ordem econômica, fundada na valonzação do trabalho
hum~no e na Iivre imclativa. tem por fim assegurar a todos eXIstên-
w
b) barreIra de entrada, dificuldade de permanência ou. ainda, em expul-
Ciadigna, conforme os ditames da justiça socIal, observados os se- -são forçada de um agente concorrente de seu respectivo mercado:
gumtes princípIOS:
(...) c) extração indeVIda e injustificável de parcela de renda do setor consu-
merista aos agentes distribuidores ou produtores. de maneIra que se
IV -livre-concorrência;
traduza em seu locupletamento sem causa em detrimento do poder
(...) aquisitivo dos consumidores.
Art_ 17~. Ressalva~~s os casos ~re~istos nesta Constituu;:ão. a explo- Nos tennos do art. 20 e segumtes da Lei n 2 8.884. de 1994, o abuso de poder
raçao direta de, a_tiVldade economica pelo Estado sô será permitida
econômICO é coibido por meio da repressão às infrações da ordem econômica.
quando necessana aos Imperativos da segurança nacional ou a rele w

vante Interesse coletivo, conforme definidos em lei. Por sua vez, ao prever expressamente que o "mercado interno integra o
...
( ) patrimônio naCIOnal': o legislador constituinte originário deixa expressa a
9
§_4 A lei repnrnu:a o abuso do poder econômico que VIse â domina-
çao dos mercados. â elimínação da concorrência e ao aumento arbi-
trário dos lucros. 3. Por mercado entende-se todo e qualquer ambiente onde se realizam trocas comerciaiS de bens.
produtos ou servtços.
152
153
Leonardo VlZell Figuerredo Direito EconômIco Admmistrattvo
r
natureza jurídica da proteção à concorrência como direito fundamental de 3ª setoriais e pelos demais órgãos afins. opmando, a seu .iuizo ou quan-
geração ou gestação, dando-lhe natureza transmdividual e caráter difuso, As- do provocada, dentre outros aspectos. acerca:
sim, amda que se trate de bem Jurídico de uso comum do povo, o mesmo não a) dos reajustes e as revisões de tarifas de serviços públicos e de pre-
pode ser indivIdualizado na esfera de domímo privado do individuo, tampouco ços públicos;
de determinada categona ou segmento SOCIaL sendo sua defesa e proteção mte- b) dos processos Iicitatónos que envolvam a privatização de empre-
resse de toda a coletividade. sas pertencentes a União. com o objetivo de garantir condições mà-
xlmas de concorrência, analisando as regras de fixação das tarifas de
Por tais razões. a proteção â concorrência é efetuada por meio de um con- serviços públicos e preços públicos miclals, bem como as fórmulas
Junto interministeriaI de órgãos e entes públicos. doutrmariamente denomína- paramétrIcas de realustes e as condiCIOnantes que afetam os proces-
i do de Sistema Brasileiro de Proteção à Concorrência. sos de reVisão: e
,
~I

c) da evolução dos mercados, espeCialmente no caso de serviços pu-


2.1.5. Estrutura do Sistema Brasileiro de Proteção á Concorrência blicos SUjeitos aos processos de pnvatização e de descentralização
administrativa. para recomendar a adoção de medidas que estlmu-
Nos termos da atual legIslação pátria. a proteção à concorrêncIa é efetua- tem a concorrência e a eficiência econômica na produção dos bens e
da pela atuação conjunta do Ministéno da Fazenda. do Ministério da Justiça e na prestação dos servtços;
por melO do Conselho AdmInIstrativo da Defesa EconômIca. conforme a seguir
IV - autorizar e fiscalizar. salvo hipótese de atribUição de competên-
delineado. cia a outro órgão ou entidade, as atividades de distribuição gratuita
de prêmios, a titulo de propaganda, mediante sorteiO. vale-brinde,
2.1.5.1. Secretaria de Acompanhamento EconômÍco - SEAE concurso ou operação assemelhada. e de captação de poupança po-
pular, nos termos da Lei n!! 5.768. de 20 de dezembro de 1971:
A atuação da Secretaria de Acompanhamento Econômico - SEAE se dá
na qualidade de órgão do MinistériO da Fazenda. como membro integrante do V - autorizar, acomllanhar. monitorar e fiscalizaras atividades de que
tratam os decretos-leis n!! 6.259. de 10 de fevereiro de 1944, e n!!
Sistema Brasileiro de Proteção à Concorrência. Atualmente. suas atribuições
204. de 27 de fevereIro de 1967;
encontram-se delineadas na Portaria MF n Q 386, de 2009, quais sejam:
VI - autOrIzar e fiscalizar as atividades de que trata o art. 14 da lei n!!
I - delinear, coordenar e executar as ações do Ministério. no tocante 7.291. de 19 de dezembro de 1984:
ã gestão das políticas de reguJação de mercados. de concorrência e
de defesa da ordem econômica, de forma a promover a eficiência. o VII - promover o desenvolVImento econônuco e o funCIOnamento
bem-estar do consumidor e o desenvolvimento econômico; adequado do mercado. nos setores agricola, industrial. de comêrclo e
servtços e de mfrawestrutura:
II - assegurar a defesa da ordem econômIca, em articulação com os
a) acompanhando e analisando a evolução de variáveiS de mercado
demaís órgãos do Governo encarregados de garantir a defesa da
relativas a produtos. ou a grupo de produtos;
concorrêncIa:
b) acompanhando e analisando a execução da política naCIOnal de ta-
a) amando no controle de estruturas de mercado. emitindo, parece- rifas de importação e exportação, interagindo com ôrgãos envolvidos
res econômICOS relativos a atos de concentração no contexto da Lei com a política de comércio exterIor:
nO 8.884. de 11 de iunho de 1994;
c] adotando. quando cabivei. medidas normativas sobre condições
b) procedendo as análises econômicas de práticas ou condutas limi- de concorrênCia para assegurar a livre concorrênCia na produção,
tadoras da concorrência. Instruindo procedimentos no contexto da comercialização e distribUIÇão de bens e serviços:
Lei n!! 8.884. de 1994: e
d] compatibilizando as práticas internas de defesa da concorrêncIa e
c) realizando. em face de indíCIOS de infração da ordem econômica, de defesa comercial com as práticas internaCIonais, VIsando à integra-
investigações de atos ou condutas limitadores da concorrência no ção econômica e a consolidação dos blocos econômicos regIOnais; e
contexto da Lei n!! 9.021. de 30 de março de 1995; e da Lei n!! 10.149.
de 21 de dezembro de 2000; e) avaliando e se manifestando expressamente acerca dos atos e
instrumentos legais que afetem as condições de concorrência e efiCI-
III - acompanhar a Implantação dos modelos de regulação e ges- ência na prestação de servIços regulados e de livre comerCialização,
tão desenvolvidos pelas agências reguladoras, pelos ministérios produção e distribUição de bens e serviços.

154 155
Direito EconÔmIco Administrativo
Leonardo Vizeu Figueiredo

IX ~ Formular representação perante o órgão competente, para que


atlVldades de divulgação e de formação de consciêncIa dos direitos do consumi-
este, querendo. adote as medidas Jegaís cabíveis, sempre que for dor; i) promover as medidas necessárias para, as:egurar ~s dlrelto~ e .mteresses
identificada norma ilegal e/ou inconstitucIOnal que tenha caráter dos consumidores: e j) firmar convênios com orgaos e entidades publIcas. e co~
anticonpetítivel; instituíções privadas para assegurar a execução de planosJ programas e fiscalI-
X - desenvolver os Instrumentos necessanos fi. execução das atribuí~ zação do cumprimento das normas e medidas federais.
ções mencIOnadas nos mClsos I a VIII deste artigo: e
Assim. além de suas atribuições na proteção à concorrência. a SDE. por
XI ~ promover a articulação com orgãos públicos, setor pnvado e intermédio de seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor - DPDC
entidades não~governamentals, também envolvidos nas atribuições
atua coordenando a Política Nacional de Defesa do Consumidor. Por fim. a SDE
mencIOnadas nos mcisos I a VIII deste artigo.
atua, ainda. como Secretaria Executiva do Conselho Gestor do Fun~o de Direi-
Compete, pois. a SEAE emitir pareceres não vinculativos sobre atos de con- tos Difusos. com o fito de aprovar projetos destinados à reparaçao de danos
centração econômica e. em querendo. tambêm em processos administrativos aos direitos difusos lesados. valendo-se. para tanto. de recursos oriundos das
relativos a infrações contra a ordem econômÍCa. tendo. ainda. relevante função multas recolhidas decorrentes de condenaçães por práticas antlcompetltlv~s e
de promoção da concorrêncÍa com os demais entes públicos. mormente em re- contribuições pecuniárias previstas em Tennos de Compromisso de Cessaçao.
lação às AgênCIaS Reguladoras de mercados.
2.1.5.3. Conselho Administrativo de Defesa Econômica
2.1.5.2. Secretaria de Direito Econômico
Em que pese ter sido o CADE ongInariamente concebido como ó:gão hie-
A Secretaria de Direito Econômico - SDE é órgão pertencente à estrutura rarquicamente subordinado ao Ministério da Justiça, a Lei de Proteça~ a Con-
orgânica do Ministério da Justiça, integrante do atual Sistema Brasileiro de Pro- corrência brasileira deu ao Conselho Administrativo de Defesa Economlca o
teção à Concorrência. atuando. para tanto, de forma mvestigativa. Por meio de status de Tribunal AdmInIstrativo especializado em maténa econômica e con-
seu Departamento de Proteção e Defesa Econômica - DPDE mvestíga condutas correncial. Para tanto. conferiu-lhe personalidade jurídica própria e ~aturez~
que representam potenciais ou efetivas infrações contra a ordem econômica, de autarquia sob regime especial, guardando mera relação de vinculaçao adml-
bem como os respectivos atos de concentração de estruturas de mercado, ins- nIstratíva com o Governo Central. o que lhe permite. tão-só. supervisIOnar seus
truindo os respectivos processos administrativos. Ao térmíno da instrução. exa- atos, sem poder revisá-los. tampoucO desconstítuí-Ios.
ra pareceres. meramente opinativos e não vinculativos. encaminhando os feitos
ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica para análise e julgamento. Para tanto. o art. 50 da Lei Antitruste estabelece que: ':45 deCIsões do Cade
não comportam revisão no âmbito do Poder Executivo, 'p~on;Oven?o~se. de Ime~
Cabe ainda à SDE exercer as competêncIas estabelecidas nas Leis 8.078/90. dia to. sua execução e comunicando-se. em seguida, ao Mlnlsteno PublIco, para as
9.008/95. e 9.021/95. e. especificamente: a) formular, promover. supervisionar demais medidas legaiS cabíveis no âmbito de suas atribuiçôes':
e coordenar a política de proteção da ordem econômica. nas áreas de concor-
rência e defesa do consumidor; b) adotar as medidas de sua competência neces- O rol de atribuições da LeI n" 8.884. de 1994 (art. 7"), necessitam da atua-
sánas a assegurar a livre-concorrência. a livre-iníciatíva e a livre distribuição de ção do Plenária do CADE. na qualidade de órgão deliberatívo. não podendo. em
bens e serviços: c) orientar e coordenar ações com vistas à adoção de medidas prmcípio, ser monocraticamente decididas.
de proteção e defesa da livre-concorrência e dos consumidores: d) prevenIr. Assim. somente a observância obngatória do quórum previsto no art. ~9
apurar e repnmir as infrações contra a ordem econômica; e) examínar os atos, da referida lei autoriza a deliberação sobre tais matérias (Art. ~9: As declsoes
sob qualquer forma manifestados. que possam limitar ou prejudicar a livre- do Cade serão tomadas por maioria absoluta. com a presença mInEma de CinCO
concorrêncía ou resultar na dominação de mercados relevantes de bens ou ser-
membros).
viços: f) acompanhar. permanentemente. as atividades e práticas comerciais de
pessoas fisicas ou jurídicas que detenham posição dommante no mercado rele- A ordem de antiguidade dos Conselheiros, para sua colocação nas :essões
vante de bens e serviços. para prevenir mfrações à ordem econômica; g) orien- e substituições. é regulada da seguinte forma: pela posse: pela nomeaçao: pela
tar as atiVIdades de planejamento. 'elaboração e execução da Política Nacional idade. Será considerada a data de posse para o primeiro mandato. salvo se ocor-
de Defesa do Consumidor: h) promover. desenvolver. coordenar e supervisionar rida mais de dois anos antes da do segundo.
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156
Leonardo Vtzeu Figueiredo
Direito Econôm\co Admtnistranvo

. Have~do. dentre os ConselheIros. cônjuges. parentes consangüíneos ou Executivo. ObjetIva-se. desse modo, preservar a mdependência técnica dos Con-
a~ns. em Imha reta ou em terceIro grau da linha colateral. o primeiro que co- selheiros, resguardando suas deCIsões de mfluênclas externas, bem como de
n ecer da causa. por melO de qualquer manifestação nos autos. Impede que o
outro partIcIpe do Julgamento. eventual captura de interesses.
Há que se observar. por fim, que a leI eXIge. expressamente. um duplo re-
~o Plenár~o do CADE. além das competências expressamente previstas no qUisito de qualificação técnica, sela em matéria de direito. sela em matérIa de
art. 7- da LeI n- ~.884. de 1994. compete ainda uniformizar, por maioria abso-
economia. e ainda um de qualificação morai. ao impor reputação ilibada aos
Jute: a lunsprudencla administrativa mediante a emissão de enunciados ue
futuros membros do Conselho.
serao numer::dos em ordem crescente e publicados por três vezes no Diicio
OfiCIai da ?mao. constItuindo-se na Súmula do Conselho Admimstrativo de De- Se. havendo renúncia. morte ou perda de mandato de Conselheiro ou no
fesa Economlca. bem como regular, por meio de Resolução. o funCIonamento da caso de encerramento dos respectivos mandatos. a composição do Conselho
ReVlsta de DIreito da Concorrência. ficar reduzida a número mferíor ao estabeleCido em lei. considerar-se-ão auto-
maticamente interrompídos os prazos processuais e suspensa a tramitação de
SISTEt:fA BRASILE~RO DE PROTEÇÃO processos, iniciando-se a nova contagem imediatamente apôs a recomposição
A CONCORRENCIA - SBPc;.
do quorum.
O regime legal de VInculação dos ConselheIros do CADE ao cargo lhes dá
SEAE Assessona técnica prerrogativas de permanência. sendo vedada sua exoneração imotivada.
Assim. a desvmculação do cargo dependerá sempre de decisão motivada. a
SOE InvestIgação das condutas
ser exarada mediante deliberação do Senado Federal, por meio de decisão judi-
e das estruturas cial proferida em sede de Juízo Criminal deVIdamente transitada em julgado ou.

~
ainda, por meio de decísão proferida em processo admínístrativo disciplinar.
em que lhe sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa.
CAoE lulgamento
Fora tais hipóteses. o Conselheiro somente poderá ser desvínculado em
ATUAÇÃO DO SBPc;. razão de faltas, consecutivas ou intercaladas. na razão de três ou vinte, respec-
tivamente. bastando, para tanto. a certificação de suas ausências Injustificadas.
~ As vedações legaiS vísam a tutelar a probidade administrativa na conduta
Repressiva Repressão âs infrações
dos Conselheiros do CADE. de maneira a garantir a necessária imparcialidade e
da ordem econômica
isenção na consecução de suas atribuições legais. Observe-se que a defesa da pro-

P ~
reventlva
Controle das estruturas
bidade dos agentes de Estado é mandamento de ordem constitucional, a teor do
art. 37. caput. da Constituição da República, que erigíu a princípio a moralidade.
de mercado
Assim. os membros do Conselho deverão observar as expressas vedações
2.1.6. Da composição do CADE de conduta que lhes são legalmente Impostas. sob pena de desvínculação e per-
dado cargo.
. . ~ composIção do Plenário do CADE segue a regra do art 49 1II f d C
titulçao da República F:derativa do Brasil. cUJa nomeação' e ~m~o~s:m~~:~ Ao Presidente e aos Conselheiros é vedado. além das hipóteses contidas no
depend~m da conjugaçao de vontades dos Poderes Constituídos Executi art. 6" da Lei n" 8.884. de 1994. exercer suas funções e atribuições quando veri-
LegIslativo. ASSIm. a indicação do Presidente da República d . vo e ficada qualquer das hipóteses de impedimento ou de suspeição de parCIalidade
saname t tifi d evera ser. neces- prevístas nos arts. 134 e 135. do Código de Processo Civíl.
d .d n e. ra ca a pelo Senado Federal para que o Conselheiro possa ser
eVI amente empossado no cargo.
2.1.6.1. Dos Conselheiros do CADE
d Tal re~Ime diferenciado lhe outorga determinadas prerrogativas legaiS
Os ConselheIrOS do CADE exercem funções de extrema Importãncia. As-
e permanencIa. vedando sua exoneração ad nutum por parte do Chefe do
sim. os atos administrativos praticados no exercÍCIO da competência legal da
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159
Direito EconÔmico Admmistrativo
Leonardo VlZeu Figueiredo

autarquía devem ser cercados de necessário formalismo. face ao seu relevan- o Conselheiro Relator será substituído: no caso de ausências ou obstácu-
te conteúdo material, de larga repercussão na vida econômica nacional e do los eventuaIS, bem como nos casos de licenças médicas, férias ou ausências jus-
consumidor. tificadas, somente em se cogitando da adoção de medidas urgentes, pelo Conse-
lheiro seguinte na ordem de antigüidade; quando vencido no .Julgamento, pelo
As competências dos demais ConselheIros do CADE encontram-se deline- Conselheiro deSIgnado para lavrar o acórdão; em caso de ausen,:a por maIS de
adas no presente artigo. Incumbe-lhes votar em todos os processos submetidos trinta dias. mediante redistribuição. com oportuna compensaçao: quando do
ao Plenário. tendo função de relatarIa e condução somente nos processos que térmmo de seu mandato, pelo decurso do prazo ou por perda legal, ou quando a
lhes são encaminhados para análise VIa sorteia, por ato do Presidente. vacância decorrer de renúnCIa ou morte: a) pelo Conselheiro que preencher sua
Compete aos Conselheiros do CADE. além das atribuições prevístas no art. vaga no Conselho: b) ou pelo Conselheiro que tiver proferido o pn~ei:o voto
9 Q da Lei n Q 8.884. de 1994: proferir despachos de mero expediente. que não vencedor. convergente com o do Relator, para lavrar ou assmar os acordaos dos
necessitam de homologação do Plenário. e decIsões ad referendum do Plenário; julgamentos anteriores a abertura da vaga.
mdicar. dentre os servidores lotados em seu Gabinete. 01 (um) servidor a quem
serão delegadas atribuições de mero expediente e atos de ordem; e desincum- 2.1.6.2. Do Presidente do CADE
bir-se das demais tarefas que lhes forem cometidas pelo Regimento. Esse trecho cuida das atribuições legais expressas do ConselheIro Presi-
dente do CADE, na qualidade de principal administrador do órgão. ASSim. cuida
Merece destaque. ainda, a competência para. monocraticamente. propor de delinear suas competêncías específicas em razão do exerC1CIO do cargo de
medida de cessação.
direção superior do Conselho.
Será Relator o Conselheiro ao qual o procedimento for distribuído. livre- Destaca-se o poder de distribUIÇão dos processos encaminhados pela SDE
mente ou por prevenção, bem como aquele cuia voto se sagrar vencedor. quer aos respectivos Conselheiros Relatores. convocar as sessões de, Julgamento,
em questão meritória, quer no acolhimento de preliminar ou prejudicial que com a respectiva organização da pauta. representar o Conselho JudICIal e ex-
ponha fim ao Julgamento, sendo ele. então. desIgnado para lavrar o acórdão. trajudicialmente. assinar os termos de compromisso e cessação firmados pela
Em caso de ser vencido em parte o Relator, o Plenário designará o redator do autarquia, dentre outros.
acórdão.
São atribUIções do Relator: ordenar e presidir o procedimento: determinar
Compete ao Presidente do CADE. além daquelas estabelecidas pelo art.
da Lei n Q 8.884/94; mdicar. como membro nato, os componentes do Comlte
8:
às autoridades admínistrativas providêncIas relativas ao andamento e à Instru- Editonal da Revísta de Direito da Concorrência; decidir questões de ordem, ad-
ção do procedimento, bem como à execução de seus despachos: submeter ao ministrativa. submetendo-as ao Plenário do CADE quando entender ,necessano;
Plenário do CADE questões de ordem para o bom andamento dos feitos: sub- ordenar e presidir o procedimento de Execução. decidindo. inclUSIve. ev,;ntu-
meter ao Plenário do CADE medidas cautelares: requisitar os autos onginais. ais incidentes; dar posse aos funcionários do CADE; defenr pedIdo de fenas.
quando necessário; solicitar inclusão em pauta para julgamento dos feitos que licenças e afastamentos eventuaIs dos Conselheiros e do Procurador-Geral; su-
lhe couberem por distribuição: deCIdir o pedido de sigilo e confidencialidade e perintender a ordem e a disciplina do CADE. bem como aplIca:. com base nas
determinar sua autuação em autos apartados. quando necessáno: apresentar conclusões da ComIssão de SindicâncIa por ele deSIgnada. penalIdades aos seus
em mesa para Julgamento os feitos que independem de pauta; redigir o acór- servídores; apresentar ao Plenário do CADE relatório cIrcunstanciado dos tra-
dão, exceto nas hipóteses em que restar vencido; negar seguimento a pedido balhos do ano; e fazer seu Regimento Interno.
ou recurso manifestamente intempestivo, incabível, improcedente. ou quando No caso de renúncia. morte ou perda de mandato do Presidente do CADE,
for evídente a incompetência do CADE ad referendum do PlenáriO; e praticar os bem como de Impedimento. suspeição. licença. férias e ausências. eventuaIs, as-
demais atos que lhe mcumbam ou sejam facultados em leL sumIrá o Conselheiro mais antigo. obedecida a ordem de antiguIdade (posse.
Na hipótese de vacâncIa de maIS de um cargo. o novo Conselheiro será nomeação e idade) até nova nomeação. sem prejuízo de suas atribuições.
lotado em Gabinete selecionado por sorteio público, tornando-se sucessor dos
processos ali. eventualmente, existentes. Havendo mais de um novo Conselhei- 2.1.7. Do papel da AGU na Proteção da Concorrência
ro a ser lotado, observar-se-á na realização do sorteia, a ordem de antigüidade O presente tópico cuida do órgão que detém a capacidade postulatória para
preV1sta no Regimento. representar o CADE em juízo e fora dele, bem como para prestar a ativídade de
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Leonardo Vizeu FIgueIredo
Direito EconômiCO Adm,ntstrativo

consultoria juridica ao ente. Inicialmente, há que se ter em mente que, nos ter- § 4º - Os atuais integrantes do quadro suplementar dos MinistérIOS
mos da atual Constituição da República Federativa do Brasil, toda atividade de Públicos do Trabalho e Militar que tenham adqUIrido estabilidade
representação judicial da União e de consultoria de seu Executivo é atribuída nessas funções passam a mtegrar o quadro da respectiva carreIra.
exclusivamente, à AdvocacIa-Gerai da União. '
§ sg - Cabe à atual ProcuradOria-Geral da Fazenda NaCional, direta-
A Ad~ocacia-Geral da União - AGU foi crIada a partir da promulgação da mente ou por delegação. que pode ser ao Ministério Público Estadu-
ConstítulÇao Federal de 1988. com o objetivo de representar judicial e extrajudi- al. representar ludicialmente a União nas causas de natureza fiscal.
i; na area da respectiva competência, até a promulgação das leiS com-
,> :
! : cialmente a União, além de ser responsável pela ConsultorIa e Assessoramento
plementares previstas neste artigo.
do Poder Executivo, diretamente ou por intermédio de seus órgãos vinculados,
nos termos do art. 131 da Constituição da República Federativa do Brasil e do No exercícIO de suas atribuíções a advocacia pública exerce função es-
art. 29 dos Atos e Disposições Constitucionais Transitórias, a seguir transcrito: sencial à Justiça, aSSIm definida na Carta Política, Necessário esclarecer que a
Art.131. A Advocacla~GeraI da União ê a instituição que, diretamen-
representação judicial, extraJudicial, bem como as atiVIdades de consultoria e
te ou atravês de órgão vmculado, representa-a União, ludicIaI e ex- assessoramento lurídico da Admin1stração Pública Indireta são exercidas por
n:ajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da leI complementar que órgão VInculado à Advocacia-Geral da União, a Procuradoria-Geral Federal. atra-
dispuser sobre sua organização e funcionamento. as atividades de vés de suas Procuradorias Federais, do art. 17 e do art. 18 da Lei Complementar
consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. n' 73, de 1993, e do art 10 da Lei nQ 10.480, de 2002, a seguir transcrito:
§ 1 9 ~ A Advocacia-Geral da União tem por cnefe o Advogado-Geral Art. 10. A Procuradona-Geral Federal compete a representação 1udi-
da União. de livre nomeação pelo Presidente da República dentre ci- ciai e extrajudicial das autarqUIas e fundações públicas federaiS. as
dadãos maIores de trinta e CinCO anos, de notâvel saber jurídico e
reputação ilibada. respectivas atividades de consultona e assessoramento Jurídicos, a
apuração da Iiquidez e certeza dos creditos. de qualquer natureza.
g
§ 2 - O mgresso nas classes iniCiaiS das carreiras da instituIção de Inerentes às suas atividades. Inscrevendo-os em dívida ativa, para
qu; trata este artigo far-se-a mediante concurso público de provas fins de cobrança amigavel ou JudiCial.
e titulas.
§ 1 No desempenho das atividades de consuitorla e assessoramento.
Q
g
§ 3 ~ Na execução da dívida ativa de natureza tributârIa. a repre- à Procuradoria-Geral Federal aplica-se. no que couber. o disposto no
sentação da União cabe à Procuradona-Geral da Fazenda NacIOnal, art. 11 da Lei Complementar n° 73. de 10 de fevereIro de 1993.
observado o disposto em lei.
§ 2° Integram a Procuradoria-Geral Federal as Procurado nas, Depar-
Art.29. Enquanto não aprovadas as leIS complementares relativas ao tamentos Jurídicos, Consultorias Jurídicas ou Assessorias {urídicas
Mimstério Público e à AdvocaCIa-Geral da União. o Ministério Público das autarqUIas e fundações federais, como órgãos de execução desta,
Federal. a Procuradoria~Gerai da Fazenda NacfOnal. as Consuitorias mantidas as suas amais competências.
furíd.icas dos Ministérios, as Procuradorias e Departamentos Jurídi-
cos de autarqUias federaiS com representação própria e os membros § 3D Serão mantidos, como Procuradorias Federais especIalizadas, os
da: Procuradorias das Universidades fundacionais públicas continu- órgãos Jurídicos de autarquias e fundações de âmbito nacional.
ara0 a exercer suas atividades na area das respectivas atribUições.
§ 4D Serão Instaladas Procuradorias Federais não espeCializadas em
9
§ 1 - O Presidente da República, no prazo de cento e vinte dias. en- Brasília e nas Capítals dos Estados, às quais incumbirão a represen-
caminhara ao Congresso Nacional projeto de lei complementar dis- tação ludiclal e as atividades de consultOria e assessoramento jurídi-
pondo sobre a organização e o funCionamento da Advocacia-Geral cos das entidades de âmbito local.
da União.
g
§ 5° Poderão ser Instaladas Procuradorias SeCCIOnais FederaiS fora
§ 2 - Aos atuais Procuradores da República, nos termos da leI com- das Capitais, quando o Interesse público recomendar, às quais com-
plementar. será facultada a opção. de forma irretratàvel. entre as car- petirão a representação Judicial de autarqUias e fundações sediadas
reIras do Ministério Público Federa! e da Advocacia-Geral da União. em sua area de atuação. e o assessoramento jurídico quanto às ma-
g
§. 3 - Poderei optar pelo regIme anterior. no que respeita as garan- ténas de coml?etência legal ou regulamentar das entidades e auton-
tias e vantagens, o membro do MinistérIO Público admítido antes da dades assessoradas.
promulgação da Constituição, observando-se, quanto às vedações, a § 6° As ProcuradOrias FederaiS não espeCializadas e as Procurado-
situação jurídica na data desta. rias SeCCIOnais FederaiS prestarão assessoramento Jurídico a órgãos
162
163
Leonardo Vueu Rguetredo Direito Econômico AdmInIstrativo

e autoridades de autarquias e fundações de âmbito naclOnallocali- Ainda sobre a Procuradoria-Geral Federal. é fundamental a seguinte lição',
zados em sua àrea de atuação, que não disponham de órgão descen-
tralizado da respectiva procuradoria especíalizada, e farão. quando "A Procuradoria-Geral Federal - PGF foí cnada pela Lei nº 10.480.
necessário. a representação ludicial dessas entidades. de 2 de Julho de 2002. com a incumbênCia de promover a repre-
sentação judicial. exrraludicial. a consultona e o assessoramento
§ 7° Quando o assessoramento Jurídico de que trata o § 6° envolver Jurídico das autarqUias e fundações públicas federais. a exceção do
matéria específica de atividade fim da entidade, que exija manifesta- Banco Central do Brasil. A criação da Procuradona-Geral Federal
ção de procuradoria espeCializada, ou decisão de autoridade supe- retirou da subordinação dos dirigentes de autarqUias e fundações
rior da entidade, o Chefe da Procuradoria Federal não especializada decisões importantíssimas de representação ludicial da União. bem
e o Procurador Seccional Federal encammharão a maténa â corres- como de consultoria e assessoramento jurídicos. atividades que de-
pondente Procuradoria Especializada. vem ser Orientadas pelo Advogado-Geral da União. A Constituição
não distinguiU a Administração direta da indireta quanto ã defesa
§ 8" Enquanto não Instaladas as Procuradonas FederaiS não especia- do patrimôniO público federal, apenas admítlu que a AGU pudesse
lizadas e as Procuradonas Seccionais Federais as suas competências fazer a representação Judicial e extrajudicial através de órgãos a ela
poderão ser exercidas pejos atuais órgãos Íurídicos das autarqUias VInculados. A úníca entidade autárquíca federal cuja Procuradona-
e fundações de âmbito local. ou por Procuradona espeCializada da Geral não fOI absorvida pela Procuradoria-Geral Federal é o Banco
Procuradoria-Geral Federal eXIstente na iocalidade. ou por Procu- Central do Brasil e. da mesma forma, os Procuradores do Banco Cen-
radona da União. quanto a representação Judicial e. quanto ao as- trai também não integram a Carreira de Procurador Federal, embora
sessoramento Jurídico. por Núcleo de Assessoramento Jurídico da constantemente reiVIndiquem essa Integração. Compete ainda à PGF
Consultona-Geral da União. a apuração da liquidez e certeza dos créditos. de qualquer natureza.
§ 9" Em cada Procuradoria de autarquia ou fundação federal de âm- Inerentes às atividades dessas entidades autárqUIcas e fundaCIonaiS.
bito nacIOnal e nas Procuradorias Federais não especializadas haverá Inscrevendo-os em Dívida Ativa, para fins de cobrança amigável ou
Judicial. A instituIção da Procuradona-Geral Federal SIgnificou mais
setor específico de cálculos e pencias. a ser instalado conforme a ne-
uma ação em busca da segurança jurídica, interesse público. racIOna-
cessidade do serviço e a disponibilidade financen"a.
lidade, economia e otimização das atividades institucionais da Advo-
§ 10. O Advogado-Geral da União mdicara, para os fins desta Lei, as caCIa-Gerai da União - AGU. ao assegurar maior autonomia nos atos
autarquias e fundações de âmbito nacIonal. de defesa do interesse público das 176 entidades federais, Autar-
qUias e Fundações Públicas, espeCialmente na representação ludiclal
§ 11. As Procuradonas FederaiS não espeCializadas e as Procurado- e extrajudicial dessas pessoas íurídicas. Além disso, a PGF propicia à
nas RegIOnaIs Federais, as Procuradorias FederaiS nos Estados e as AGU, como órgão central do sistema Jurídico federal. maior efetiVI-
Procuradorias Seccionais FederaiS poderão assumir definitivamente dade no controle e na supervisão do desempenho dessas atividades.
as atividades de representação Judicial e extrajudicial das autarquias Na medida em que as Unidades de execução da PGF são instaladas.
e das fundações públicas federaiS de âmbito naCIOnal. (Inclufdo pela a representação judicial de quase uma centena de entidades da Ad-
Leo n' 11.098, de 2005) mtnistração Indireta. ora exercida peía AGU. é gradativamente assu-
mida pelos Procuradores FederaiS. com a conseqüente liberação de
§ 12.As Procuradorias Federais não especializadas e as Procurado-
Advogados da União para exercido de suas atribuições VInculadas á
rias Regionais Federais. as Procuradonas Federais nos Estados e as
representação e defesa dos mteresses da União. enquanto Admims-
Procuradorias Seccionais FederaiS poderão aínda centralizar as ati- tração Direta Outra medida de significativa ImportânCia para a PGF
vidades de apuração da liquidez e certeza dos creditos. de qualquer foi a edição da Medida ProVIsóna nº 222. de 04.10.2004. já converti-
natureza, Inerentes as atividades das autarquías e fundações públi- da na LeI nº 11.098. de 13 de JaneIro de 2005. que CriOU a Secretaria
cas federais. inclumdo as de âmbito nacional, inscrevendo-os em di- da Receita Previdenciária no âmbito do Mimstério da PrevidênCia
vida ativa, para fins de cobrança amigável ou .iudicial, bem como as SOCIal, e conferiu à Procuradoría-Geral Federal as atribuições de
atividades de consultoria e assessoramento jurídico delas derivadas. representação jUdiCIal e extrajudiclai relativas ã execução da dívida
(Incluído pela Leo n' 11.098. de 2005) ativa do INSS em referência â competência tributârla decorrente das
§ 13.Nos casos previstos nos §§ 11 e 12 deste artigo. as respectivas
autarqUias e fundações públicas federaiS darão o apOio técnico. fi-
nanceiro e administrativo á ProcuradOria-Geral Federal até a sua 4. Oisponfvel no domíniO: https:ffredeagu.agu.gov.brfunidadesagufpgrfhistonco_pgr.asp. captura
total implantação. (Induído pela LeI n!! 11.098. de ZOOS) - grifamos. realizadaâs 15:45 horas. do dia 21 de agosto de 2006 (Baseado no texto da Ora. Marta lovita Wolvey
Valente, Secretária-Geral de Consultona, publicado em 20 de setembro de 2002).
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Leonardo Vu:eu Rguetredo Direito EconÔmico Admmistrativo

contribUições SOCiaiS, bem corno o contencioso fiscal, nas Justiças Fe- carreIras de Procurador Federal e de Procurador do Banco Central
deral, do Trabalho e dos Estados. Modificou-se os parágrafos 11, 12 do Brasil. - grifamos.
e 13 do Art 10 da leí 10.480/2002, permítindo que as Procuradonas
Federaís não espeCIalizadas e as ProcuradOrias Regionais Federais, Conforme já tivemos oportunidade de nos manifestar em sede doutrinária:
as Procuradonas Federais nos Estados e as Procuradonas SecclO-
"c) procuradorias: todas as agênCIas reguladoras p_ossuem procura~
:i nals Federais possam assumir definitivamente as atividades de re-
:. dorias encarregadas das atividades de consultoria e assessoramento
,i presentação judidal e extrajudiciai das autarquias e das fundações
lurídicos. bem como da representação Judicial e extrajudicial das en M
públicas federaís de âmbito naclOnaJ. Com a Lei nº 11.098/2005, as
tidades. TaIS procuradorías são pertencentes á estrutura da Procura~
citadas Unidades da PGF, poderão amda centralizar as atividades de
doria~Geral Federal. órgão vinculado à Advocada~Geral da União. nos
apuração da liquidez e certeza dos créditos. de qualquer natureza,
•t
termos do art 131 da Constituição da República Federativa do Brasil
Inerentes âs atividades das autarquias e fundações públicas federaIs,
e dos arts. 17 e 18 da Lei Complementar nº 73. de 1993. que, nos ter~
incluindo as de âmbito nacional, Inscrevendo-os em dívida ativa,
mos do art.l0 da Lei nl! 10.480, de 2002, tem competência legal para
para fins de cobrança amigável ou JudiCial. bem como as atividades
exercer, de forma independente e autônoma a representação, bem
de consultoria e assessoramento jurídico delas denvadas''.w grifamos.
como as atividades de consultona e assessoramento das autarquías
ASSIm, na qualidade de órgão externo da Administração Direta, as Procu- federais, a exceção expressa da procuradona do Banco Central do
radorias Federais com as AutarqUIas e Fundações Públicas atuam, representan- Brasil, não guardando quaiquer relação de subordinação hierárquica
do-as em Juízo ou fora dele, por meio de seus membros de carreIra, a saber, os com a agênCia e sua diretoria. (...)Em que pese a autonomia e mde-
pendência de que as agências reguladoras são dotadas, ela ê um ente
Procuradores Federais, cUjas atribuições encontram-se previstas nos arts. 35 da Admimstração Pública, tendo, por ÓbVIO, que se submeter aos Po-
e 3, da Medida Provisória nº 2.229-43, de 06 de setembro de 2001. a seguIr deres Constituídos do Estado, monnente ao exercido por meIO das
transcritos: funções Legislativa e .ludiciána. observando-se que sua Independên~
Art. 35. Fica criada a Carreira de Procurador Federa! no âmbito da cla situa-se exatamente em relação ao Executivo. (...) c) JUridicidade:
Administração Pública Federal, nas respectivas autarqUias e fundaM exercido, previamente, pelas Procuradorias das agênCias regulado~
ras, na qualidade de órgãos externos VInculados â AdvocaCIa-Geral
ções, composta de cargos de igual denominação, regidos pela Lei n"
8.112, de 1990. com a estrutura de cargo constante do Anexo IH. da União (art.131 da CRFB), bem como, a posteriori, pelo iudiciário,
em respeito ao principio da inafastabilidade do Poder Judiciário (art.
Art. 37. São atribUições dos titulares do cargo de Procurador Federal: 5º, xxxv. da CRFB], sobre os atos e normas editados pela AgênCia Re~
( Ma representação JudiCIal e extrajudicial da União. quanto âs suas guladora, quando exorbitantes de seus limites legais, ou aInda. quan-
atividades descentralizadas a cargo de autarquias e fundações PUM do não guardarem relação de razoabilidade e proporcionalidade com
blicas, bem como a representação Judicial e extrajudiCial dessas os fins coUmados pela Admimstração Pública,s"
entidades:
Dessarte. uma vez que a capacidade postulatória da Administração Pública
n - as atividades de consultoria e assessoramento Jurídicos â União. Federal Indireta é atribUIção legal da Procuradoria-Geral Federal que a executa
em suas referidas atividades descentralizadas. assim como âs autar~
qUIaS e âs fundações federaiS:
por intermédio de seus membros de carreira. com competêncía expressa em
lei para tanto, prescinde a mesma de apresentação em Juízo de Instrumento de
IIf - a apuração da Iiquidez e certeza dos créditos, de qualquer natu- mandato ou qualquer outro documento.
reza, inerentes às suas atividades. inscrevendo~os em dívida ativa.
para fins de cobrança amigável ou Judicial; e AsSIm, resta claro que o órgão juridíco atuante no CADE encontra-se em
IV - a atividade de assistir a autoridade assessorada no controle inter- exercício descentralizado ao lado do mesmo, não guardando qualquer relação
no da legalidade dos atos a serem por eia praticados ou iá efetivados. de subordinação hierárqUIca, tampouco regIme de vinculação técnica, uma vez
§ 10 Os membros da Carreira de Procurador Federal são lotados e que se trata de órgão vinculado à AGU, nos termos do art. 131 da CRFB, art. 29
distribuídos pelo AdvogadoMGeral da União. do ADCT, bem como da Lei Complementar nº 73/93 e da Lei nº 10.480. de 2002.
§ 2° A lotação de Procurador Federal nas autarquIas e fundações pú-
blicas e proposta pelos titulares destas.
§ 3" Para o des'empenho de suas atribUições. aplica-se o disposto
no art 4° da LeI n" 9.028, de 12 de abril de 1995, aos membros das S. FIGUEIREDO, Leonardo Vizeu. Direito Econômico - Coleção Didática Jurídica. São Paulo: MP edi~
tora. 2006. p.l04 a 107.
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Leonardo V"'tzeu Figuetredo
Direíto EconômIco Administrativo

I TodaVÍa. a VÍnculação técnica do órgão juridico do CADE à AGUjPG. mal- Por outro lado. o argumento do presidente do Cade de que os Pro-
grado os ditames constitucionais que disciplinam a Advocacia Pública Federal curadores lotados na Adiuntona de ContenCIOSO da Procuradoria-
:ind~ é alvo ~e f~rtes e calorosos debates tanto no melO acadêmlco. quanto n~ Geral Federal não tenam o conhecImento técnico necessano para a
amblto da propria Admmlstração Pública Federal. Vale transcrever. na íntegra. realização da representação ludiciaI do Conselho. causando perda de
a segumte nota oficial publicada pela Advocacia-Geral União', eficiênCia e qualidade, revela-se absurdo e de viés corporativo.

Notícia Cabe recordar que a Advocacia-Geral da União surgIU da necessidade


de orgamzar em instituIção úmca a representação ludicial e extraíu-
Artigo dictal de todos os poderes da União (Executivo, Legislativo e fudiCiá M
AGU e Cade: Vinculação possível e necessaria no) e as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos do Po~
der Executivo. O legislador constitumte de 1988 incluiu a Instituição
Data da publicação, 04/08/2009 no quadro das funções eSSenCIaIS a justiça, InconfundíveiS, portanto.
*Farlei Martins Riccio de Oliveira com todas as demais funções cometidas aos órgãos dos tradicionaIS
Poderes do Estado. Por essa razão, revela~se inequivoco o caráter de
~ Portarja n 9 164. de 20/02/2009. da Procuradoria~Geral Federal. órgão de Estado da AGU.
orgão vínculado à Advocacia~Geral da União MAGU, que transfere das
Procuradorias Especla!ízadas para a Adiuntoria de Contensioso a reM Desse modo, os advogados públicos da AGU (Advogados da União,
presentação judicial perante o Supremo Tribunal Federal e TribunaIs Procuradores da Fazenda e Procuradores FederaIs) não atuam com
Supenores de varias agências reguladoras, Conselho AdmmIstratiM base apenas nos mteresses estratégICOS de determinadas demandas,
vo de Defesa Econômica ~ Cade e Comissão de Valores Mobiliános mas SIm na satisfação do interesse público pnmano e na efetivação
~ CVM. tornouMse obieto de intensa discussão iurídica e política. da justiça.

O debate sobre o papel do governo e a independência das agênCias OutrOSSIm, os Procuradores lotados no Cade e no Contencioso da
reguladoras e relevante e importantíssimo para o processo de aperM PGF integram uma mesma carreira e realizam o mesmo concurso pú-
felçoamento da regulação econômica setorial no Brasil. Porem, a atuM blico de provas e títulos. Possuem, portanto. o mesmo conheCImento
aí discussão é posta num contexto totalmente equivocado e sem os técnico e 1urídico que os habilitam para o exercícIO do cargo público.
devidos esclarecimentos dos seus reais propósitos. Ainda que pudesse ocorrer um eventual desconhecimento de ques~
tão técnica a ser suscitada nos TribunaiS Supenores. a articulação
E:n ~ecente. seminario promovido pelo Instituto de Pesquisa Eco~ prévia entre os Procuradores dos respectivos orgãos de execução,
nomlca AplIcada MIpea sobre Regulação e Justiça, o presidente do suprina a deficiênCIa.
Cade, Arthur Badin, salientou que a Portaria pode criar conflitos de
interesse com o governo, além de enfraquecer o papel desses órgãos. Deve-se ressaltar, por fim, que sob o aspecto da legalidade estrita,
uma vez que a AGU e representante direta do Executivo e da PreslM a Portana PGF n 9 164 encontra fundamento no art. 4 9 da Lei Com M
dência da República. De acordo com ele. a Portaria da AGU não só plementar n 9 73, de 10/02/1993, que atribui ao Advogado-Geral da
ameaça a mdependência do Cade como cau·sa meficiência e perda da União a com{letência de exercer a onentação normativa e supervi-
qualidade na defesa, já que os Procuradores do Conselho acompaM são técnica dos órgãos Jurídicos das autarqUIas e das fundações. Por
nham as sesSões e conhecem as teses que estão sendo discutidas. outro lado. a Lei n 9 10.480.. de 02/07/2002. estabelece no seu art
11, §2°, inciso n. que compete ao ProcuradorMGeral Federal exercer
A malsmada Portana longe de apontar um cenario de interferência a representação das autarquias e fundações federais perante o SUM
política e esvaziamento· da eficacla decisória do Cade, VIsa aprImorar premo Tribunal Federal e os tribunais superiores. sem excepclonar
o Sistema de representação judicial das entidades autàrquIcas da Ad- qualquer uma delas.
mInistração Indireta do Estado. fazendo com que as teses Jurídicas
possuam uniformidade e raCIOnalidade. No âmbito da ProcuradonaM AsSIm sendo, a PortarIa PGF n g 164 revela-se como mais uma das
Geral Federal esse processo míclou~se com as Portarias n 9 530 e 531. medidas implementadas pela AdvocaciaMGeral da União no sentido
de 13/07(2007. de uniformizar as defesas íudiciais dos órgãos e entidades da Admi-
nistração Pública perante os TribunaiS Supenores. buscando maior
consístência nas teses jurídicas e melhores resultados práticos em
prol do interesse público.
6. Matéria veiculada no sítio www.agu.gov.br.consultarealizadaem15demalOde2010.as12:00 *Membro da AGU. Professor da Universidade Candido Mendes e Dou-
horas.
torando em Direito do Estado (PUCMRiO).
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Leonardo VlZeu Figueiredo DireIto EconÔmICo AdmmtstTativo

À Procuradoria do CADE compete. além das atribuições previstas no art coletividade. Isso decorre do próprio ordenamento constin:clOnal que. em se~
10 da LeI nº 8.884/94: assIstir o Presidente no controle Interno da legalidade t 219 , P receitua que "O mercado interno integra o patnmomo .naCIOnal e sera
ar. _ .,_
dos atos administrativos: pronunciar-se em processos de natureza disCIplinar 'ncentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e soclO-economlco.,
e sobre as questões jurídicas referentes a licitações e contratos.: manifestar-se
sobre os atos normativos do CADE: representar JudicIalmente os ocupantes de
~ bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País. nos termos de leI
federal" Asslm'-uma vez que. nos termos do art. 129. I e 111. In fine. da CRFB.
cargos e funções de direção. com referêncía a atos praticados no exercícIo de compet~ ao Ministério Público promover a açã~ penal pública e a defesa dos
suas atribuições institucionais e legaIs. nos termos da leI; apurar a liquidez e
direitos difusos e coletivos, justifica-se sua atuaçao no CADE.
certeza dos creditos. de qualquer natureza. inerentes às suas atividades. inscre-
vendo-os em dívida ativa, para fins de cobrança: e elaborar relatórios gerenciaIs Todavta. a própna Lei nº 8.884. de 1994, por razões de constttu~lOnalida­
de suas atividades. de formal (vide o art 128, §5º. da CRFB), não disciplinou sattsfat?namen~e a
Embora para nomeação do cargo de Advogado-Geral da União a ConstituI- particIpação do MinIstério Público Federal nos processos rel~ttvos a proteçao a
ção da República exija apenas exígir notório. saber Jurídico. reputação ilibada concorrência, de competêncIa do CADE. Igualmente por razo~s d: constttuclO-
e idade mínima de 35 anos. sendo livremente nomeado e exonerado pelo Pre- nalidade e legalidade. o Regimento Interno do CADE (Resoluçao n-12. de 1998)
sidente da República. a Lei do CADE estabeleceu critério diferencIado para a é silente quanto a atuação do Parquet.
nomeação do Procurador-Geral (procurador-chefe) daAGU no CADE.
Assim. a indicação para a chefia do órgão juridico que atua junto ao CADE é -7 A~! .. _. "
atribUIção do Ministro da Justiça. devendo o mesmo ser nomeado pelo Presiden- ?) Confundem-se. não raro. tanto em doutrina quanto em lunsprude~cla: os p_apels
te da República. após aprovação mediante sabatina do Senado Federal, gozando da Procuradoria Federal e do Ministério Público Junto ao CADE. Ao pnmelro. sao re~
)
das mesmas prerrogativas de permanência no cargo dos Conselheiros do CADE. servadas as competênôas de advocaôa de Estado. na Qualidade de representante
)
ludicial e extraludiciaL bem como de consultor Jurídico. Por su~ vez, ao segundo.
As licenças. assim como as férias. serão requeridas pelo Procurador-Geral ( -incumbe o papel de custus legIS, no que se refere à tutela dos Interesses da cole-
à PresidêncIa, por escrito. Com a indicação do prazo e do dia do início. bem ) tividade. mediante propositura de ação Civil pública para tanto. bem como para o
como da sugestão de seu substituto. O Procurador-Geral poderá delegar aos ) aluízamento de açao penal pública. havendo materialidade de fato que se u~ad~:a
Procuradores do CADE a prática de atos que sejam de sua competência. nos ) em crime contra a ordem econÕmíca. nos termos da Lei no 8.137, de 1991, e mdlclo
termos do art. 12. da LeI nº 9.784/99. .l suficiente de autona .
'. ,
Aplicam-se aos Procuradores do CADE. inclusive ao Procurador-Geral, os
motivos de Impedimento e suspeição aplicáveis aos Conselhetros do CADE. Observe-se que, por expressa vedação constitucional (art 129. I~. In fine.
CRFB), o MintstérIo Público Federal encontra-se impe~id? d~, efetuar. a rePr:'
Ao Procurador-Geral compete: dirigir. ortentar e coordenar as atividades
sentação judicial e a consultoria Jurídica de entidades publicas. Nessa lI~ha: nao
da Procuradoria. bem como exercer a supervisão de suas unidades; receber as
há como se conceber participação direta do MPF nos feItos de competencla do
citações, intimações e notificações JudiciaIS de interesse do CADE: supervisio-
CADE. a não ser para a defesa do interesse da coletividade e para a pe:secu-
nar os atos, pareceres e peças Judiciais elaborados pelos Procuradores: assesso-
rar juridicamente o PreSIdente e qualquer unidade adminIstrativa do Conselho: ção penal nas condutas que materializem crimes contra a orde~ economIca~
propor ao Conselho providências de ordem jurídica que pareçam reclamadas tudo em sede judicial própria. O próprio parágrafo ÚnICO do artIgo 12 da ~el
pelo interesse público. inclusive medidas judictais e ações civis públicas; articu- nº 38.884/94 revela-se de constitucionalidade duvidosa, u?,a ve;; que preve a
lar-se com os demats órgãos do Conselho. visando ao cumprimento das compe- possibilidade. ainda que em caráter subsidiário, de o Mimsterto PublIco Federal
tênCIas da Procuradoria; elaborar relatório anual das atividades da Procurado- atuar em juízo. representando o CADE. quando sua Procuradoria não o fizer.
ria: e sugerir ao Plenário o nome do seu substituto nos casos de licença e férias. Ressalte-se que. até o fechamento da presente edição. tramita junto ao
Congresso NaCIOnal o ProJeto de Lei nº 3.973. de 2004. de autona do Depu-
2.1.8. Do papel do MPF na Proteção da Concorrência
tado Carlos Eduardo Cadoca, que visa a reestruturar o SIstema BraSIleIro ~e
A tntervenção do Ministério Público Federal no CADE derIva da nature- Proteção à ConcorrêncIa. Em nota téCnIca enviada ao ~egislativo, a AssocIaçao
za transindividual que o mercado interno possui. como bem de titularidade da nacional de Procuradores da República. sugenu alteraçao no projeto de leI para
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il
Leonardo V1ZeU figueIredo Direito EconOmtco AdmimstratIvo

regulamentar a particIpação do MPF no CADE. tornando-a obrígatóría. Nesse incumbe ao MinistériO Público a defesa dos mteresses sociaiS e in-
sentido, vale transcrever a seguinte nota enviada a imprensa7; dividuais indisponíveis, a teor do art. 127 da ConstituIção da Repô~
blica. A livre concorrênCia, nesse sentido. deve ser entendida como
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República direito de toda a SOCiedade e não como mero direito subjetivo dos
encammhou nota técnica â Câmara dos Deputados. agentes econômicos. Essa e a lição de abalizados Juristas. entre eles.
O presIdente d~ Associação NacIOnal dos Procuradores de República Nelson Nery Junior, em parecer emitido para a presidência do CADE .
(ANPR), A~tomo Carlos Bigonha, encaminhou a Câmara dos Deputaw Tomando por premIssa que a livre concorrênCia e um direito de toda
dos nota técnica defendendo a atuação do Mimstêno Publico Federal a SOCIedade, a mtervenção do Ministéno Público no Sistema de Defe-
(~PF) no Conselho AdmInistrativo de Defesa Econômica (Cade). Tra. sa da Concorrência é elemento garantidor da impessoalidade admi-
mIta na Casa um proleto de leI, de autoria do deputado CarIos Eduar- nistrativa a que alude o art. 37 da Carta Política. Esta impessoalidade
do Cadoca (PMDB-PE), que pretende alterar a Lei n Q 8.884/1994 re- e tanto maIS severa e necessârla quando se constata que os cargos
estruturando o slst~ma brasileiro de defesa da concorrêncl~ (SBDC). exercidos no âmbito das instituIções ligadas ã tutela da concorrênCia,
~ documento tambem Visa alterar a intervenção do MPE retirando o por profiSSIOnaiS recrutados do próprio mercado. São autoridades
órgão dos ofíciOS no Cade. mvestidas do poder público transitOriamente, no bOlO de mandatos
Na nota técnica envida á Câmara, a ANPR argumenta que a livre con~ limitados em lei.
corrência deve ser entendida como direito de toda a sociedade, e não O Mimstério Público. ao contrário. ê iflstitulÇão permanente. vale
como mero direito subjetivo dos agentes econômicos. Para o preSI- dizer, seus mtegrantes não são transitÓriOS. não estão SUjeitos aos
dente da Associação. o Ministéno Público como defensor dos jnte~ limites do mandato, tampouco têm compromissos com os agentes
resses SOCIaiS e individuais lndisponivels. deve mtervir no Sistema do mercado, quer anteriores. quer posteriores ao exercicIO de sua
de Defesa da ,Concorrência a fim de ser um instrumento garantidor função que, ademaIS, ê vitalícia. Neste aspecto, a mtervenção de urna
da ImpessoalIdade admmistrativa. parte "imparCIal", isto ê. de uma Instituição que somente tem com~
promlsso com os valores éticos encampados pela Constituição da
A ANPR reafirma que o Ministéno Público e seus mtegrantes são per~
República e com a consciência jurídica nadonal ê de mteresse. tam~
manentes. não estão sUleitos aos limites do mandato e tampouco têm
bem, dos agentes do mercado. e afigura-se como freio e contrapeso
compromISSOS com OS agentes do mercado. Neste aspecto. a mter-
ao exercicio das graves competências do CADE e demaiS mstituições
venção de. uma parte imparcial, de uma InstitUição que somente tem
disciplínadas pelo projeto de leL .
compromisso com os valores éticos encampados pela ConstituIção
da República e com a consciência .iurídica nacional. e de mteresse. Longe de ser, em conclusão, mera mstâncla burocrática nos proce-
tamb~m, dos agentes do mercado, e configura como contrapeso ao dimentos admifllstrativos que tramitam perante o CADE e demais
exerclclO das graves competências do Cade e demaiS institUições dis- Instituições, o MinistériO Público Federal tem sido. e deve continuar
ciplinadas pelo proleto de lei. a ser, um elemento proplclador de eqüidade e Impessoalidade ao sis-
tema, o que se traduz em beneficio para a SOCiedade como um todo.
Segue abaixo a nota técmca:
bem como aos agentes econômicos.
NOTA TÉCNICA
Por todo o exposto, nossa proposta no que tange ao capítulo do Mi-
Profeta de Lei nS! 3.937/2004
nistério Público é a segumte:
Autoria: Deputado Carlos Eduardo Cadoca
Relator: Deputado Ciro Gomes "Do Minístérlo Público Federal perante o CADE";
Senhor Relator.
Art. 20. O Procurador~Geral da República, ouvido o Conselho Supe-
O projeto referido em epígrafe tem por objetivo alterar a Lei n 2 8.884. riOr, designara membro do Ministério Público Federai para, nesta
de 11 de lunho de 1994.. reestruturando o sístema brasileiro de defe- qualidade. autuar perante o CADE.
sa da concorrência (SBDC), inclUSIVe no que tange à intervenção do Art. 21. O membro do MinistériO Público Federal ofiCiara em todas as
MimstériO Público Federal com oficios no Conselho Admmlstrativo fases dos procedimentos preparatórios. inqueritos administrativos
de Defesa Econômica - CADE. para apuração de mfrações â ordem econômica e processos adminis-
trativos para ImpOSição de sanções admmistrativas por mfrações à
ordem econômica.
7. Maténa veiculada no sítio www.anpr.org.br.consulta realizada em lS de mala de 2010 ás 11-00 Parágrafo ÚnICO. A seu requerimento ou por provocação do Con-
horas. . . selheiro-Relator, o membro do MinistériO Público Federal podera

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173
Leonardo VlZeu figueiredo
Oirelto EconÔmlCO AdmtntStrativo

oficl~r em p:ocesso admmistrativo para aprovação de ato de concen~ Por sua vez. quando o Estado atua no sentido de proteger os agentes eco-
traça_o economlca e em processo administrativo para lmposlção de
sançoes processuais IncidentaiS. nômICOS mais eficientes. atuantes tão-somente em sua Ordem Econômica Inter-
na, têm-se a proteção ã. concorrência que. inevitavelmente, pode ser influencia-
Art 22. No processo em que oficiar, o membro do Ministério Público
Federal terá 20 (Vinte) dias para prodUZir a sua manifestação perio~
da por fatores e decisões corporativas estrangeiras,
do no qual ficarão suspensos os demais prazos. ' A fim de dar a efetiva proteção e evitar a ocorrência de falhas de mercado.
Art. 23: O me~bro do Mimstérlo Público Federal acompanhara as a legislação pátrIa de proteção à concorrência determma sua aplicação a todas
Inspeçoes reahzadas pela Supenntendênc!a~Geral a execução dos as condutas que tenham efeitos sob o território nacional, potencial ou efetivo, É
mandados de busca e apreensão. a que se refere o art. 13 inCISO V muito comum que as legJslações de proteção â concorrência utilizem os seguin-
letras HC" e "d", desta Lei. . ,
tes critérios para fixação de seu campo de aplicabilidade:
An:. 24. ConstitUI requisito de validade do acordo de leniêncla, re~
fe:ld.o no art. 87 desta Lei. a particIpação do membro do Mimstério
a) territorialidade: trata-se de fator geográfico de fixação de área so-
PublIco Federal na sua celebração. bre a qual detenntnado Estado exerce. de fonna mdependente. sua
Soberania:
A.r: 25. O ~embro do MimstérIo Público Federal particlDara das reu~
moes do Tribunal. com direito a sustentação oral. b) nacionalidade dos agentes: traduz-se em fator juridico no qual se ana-
Certo ~e contar com a atenção de Vossa ExcelênCia para nossas pon- lisa se a constituIção de determmada empresa se deu sob a observânCia
deraçoes, renovamos protestos de estima e consideração. da legislação de determmado Estado:
Brasilia, 11 de julho de 2007. c) local de verificação dos efeitos: constitui elemento estritamente fáti-
Antomo Carlos Bigonha co. no qual se verifica em qual território a conduta adotada por deter-
Presidente da ANPR minado agente terá eficácia,

co Fe Vale destacar. P?r fün., que a inclusão de atribuições ao Ministerio Públi- Da leitura do art, 20 sub examine. depreende-se que a legislação pátria con-
d 'dderal em leI ordmana Igualmente se revela de constitucionalidade formal juga os três criténos acima para fixar seu campo de aplicabilidade, Além disso,
~VI osa. uma vez que_o art, 128, §5°. da CRFB. faz expressa reserva de leI com- permite a aplicação extraterritonal de seus efeitos jurídicos ao detennínar que
P ementar para a fixaçao de atribuições do Parquet. empresas estrangeiras selam mvestigadas, processadas e punidas. amda que
não selam deVIdamente constituídas sob as leis brasileiras, bastando, para tan-
2.1.9. Da aplicação material e territorial da Lei to. que tenha representação em território pátrio,
, A ext:nsão ultrafronteiras dos efeitos jurídicos da legJslação de proteção Por sua vez. quando se trata de regular a entrada de bens oriundos do mer-
;I~~nicorr:nc~ e corolário lógico do processo de integração econômIca e de cado externo, fala-se em defesa comercial. que se traduz nas práticas protecio-
or a Izaça~, _oJe .pr~s~nte em todas as partes do mundo contemporâneo. Isso nistas autorizadas pela Organização Mundial do Comércio contra as condutas
p qu: os hmltes IUndlc?s fixados pelas fronteiras territoriais são um conceito que representam infração ao comercio exterior. a saber, o dumping e o subsidio
que nao se aphca as pohticas de Investimento dos agentes econômicos trans- acionável.
~~tl?n,al~s. ASSIm. ~I?a decisão corporativa tomada por uma empresa de capital No cotidiano pátrio. adotou-se o hábito de utilizar a expressão dumptng
gJna~o da Amenca do Norte Irá estender seus efeitos a diversos países nos para denominar a prática de preço predatóno, Trata-se de um ledo engano. uma
~~als e a P?~sua mvestimentos e atue corporativamente, podendo representar vez que dumpmg é mfração ao comercio exterior. caracterizado. nos termos das
uns, pratica conc~ntracíonista ou mfração contra a ordem econômica, e em normas da Orgamzação Mundial do ComérclO, quando um agente exportador
outros condutas legaIs e adequadas á legJslação VIgente e aplicável,
oferta no mercado mternacional mercadoria a valor inferior ao preço praticado
Observe-se que a interdependêncIa econômica das Nações é fenômeno em seu mercado de origem. Sua definição encontra-se prevista no art. 4º- do
m,;xoravel de nossa atuali,dade, Portanto. há que se proteger as economias do- Decreto nO 1.602/95,
mesticads d_os efeitos deletenos que oavanço predatório de investimentos exter-
nos po erao gerar. Uma vez caracterizado que determinada mercadoria está entrando no
mercado nacional com preço favorecido à margem de dumping, aplica-se uma
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Leonardo Vtzeu nguelredo Direito EconÔmtco Admmistrativo

medida antidumping, mediante portaria da Câmara de Comércio Exterior - CA- Do conceito retro. podemos conclUir que a responsabilidade juridica de-
MEX, determmando-se o recolhímento de receita financeíra oflgínária. ingresso corre tanto da convenção inter pars. quanto da legislação. em face das quais a
compensatório. ao Tesouro Nacional. como condição sine qua non para a entra- obrigação se exige ou o dever se impõe.
da e internalização das mercadorias no Brasil, aJustando o preço da mercadoria
importada com o similar nacíonal. nos termos da Lei nº 9.019/95. No que se refere ao direito pátrio. o tema pode ser objeto de estudo tanto
pela vertente privada. quanto pela vertente pública do direito.
Eliminando toda e qualquer dúvida que possa haver sobre o tema, o art. 91
da Lei de Proteção à Concorrência é claro ao determinar que: Em relação às relações jurídicas prIvadas. o vínculo de responsabilização
decorre tanto das convenções livre e espontaneamente acordadas, sendo de-
Art. 91. O disposto nesta lei não se aplica aos casos de dumping e nominada de contratual. bem como por força da violação a direito de outrem,
subsídios de que tratam os Acordos Relativos à Implementação do
independentemente da conduta subjetiva dos envolvidos. sendo conheCida por
Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e ComércIO, pro-
mulgados pelos Decretos nº 93.941 e nº 93.962, de 16 e 22 de Janeiro extracont:ratual ou aquiliana.
de 1987. respectivamente.
ASSIm, podemos conceituar responsabilidade civil como o vinculo jurídico
2.1.10. Da responsabilização legal no qual uma pessoa encontra-se obrIgada a arcar com o ônus do dever de mde-
nIzar outrem, em virtude de obrIgações contratuais ou extracontratuais assu~
Antes de iníciar o estudo relativo âs infrações da ordem econômica mis- mídas. A matéria, atualmente. encontra-se prevista nos arts. 927 e segumtes do
ter se faz a análise da demarcação normativa do campo de aplicabilidade da Código Civil VIgente.
responsabilização dos agentes econômicos. Observe-se que a teor do disposto Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
no art. 15 da Lei nº 8.884. de 1994. a sUjeição passiva da legIslação de proteção outrem. fica obrigado a repará-lo.
à concorrêncIa foi elastecida e maleabilizada de forma ampla. garantindo-se.
Parágrafo unico. Haverá obngação de reparar o dano, independente-
assim, sua subsunção punitiva a entes públicos e privados. tenham ou não fina-
mente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atiVida-
lidade lucrativa, estelam ou não legalmente constituídos, ainda que operem em de normalmente desenvolvida pelo autor do dano ímplicar; por sua
regime de exclusividade assegurado em lei. natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 15. Esta lei aplica-se às pessoas fíSIcas ou jurídicas de direito Nas relações Jurídicas prIvadas, o dever de mdenização é decorrente não
público ou privado. bem como a quaisquer associações de entidades
só da responsabílização civil, podendo ser oriundo. inclusive. do indébito refe-
ou pessoas, constituídas de fato ou de direito, ainda que tem pora-
namente, com ou sem personalidade Jurídica, mesmo que exerçam rente à perda de quem experimentou prejuízo em Virtude do enriquecímento
atividade sob regime de monopólio legal. sem causa de outrem. a teor dos arts. 884 e 885, ambos do Código Civil. a seguir
transcritos:
Art. 16. As diversas formas de infração da ordem econômíca impli-
cam a responsabilidade da empresa e a responsabilídade individual Art. 884. Aquele que. sem justa causa, se enriquecer â custa de ou-
de seus dirigentes ou admímstradores. solidariamente. trem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido. feita a atu-
alização dos valores monetários.
Art. 17. Serão solidariamente responsáveis as empresas ou entidades
mtegràntes de grupo econômico. de fato ou de direito, que pratica- Parágrafo úmco. Se o enriquecimento tiver por objeto cOisa determi-
rem infração da ordem econômica. nada, quem a recebeu é obngado a restitui-la, e. se a cOisa não mais
subSIstir. a restituição se fará pelo valor do bem na êpoca em que foi
(...)
exIgido.
Art. 19. A repressão das infrações da ordem econômíca não excJúi a Art. 885. A restituição e devida. não só quando não tenha havido cau-
pumção de outros ilícitos previstos em lei. sa que justifique o ennquecimento. mas tambêm se esta detxou de
Para o direito. a idéia de responsabilidade encontra-se vinculada à aSSun- existir.
ção de um dever jurídico a que alguém se obriga, seja em virtude de contrato. Via de regra. o dever de indenização é inerente à pessoa que causou o
ou, ainda, em VIrtude de ação ou omissão pela qual a lei lhe atribui a responsa- dano. sendo, excepcíonalmente. transferido a terceIros, em virtude de expresso
bilidade de satisfazer a prestação convenCionada ou devida. mandamento legal. bem como de abuso de direito decorrente da exorbitância
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Leonardo Vu:eu Figueiredo Direito EconÔmtco Admtnistratlvo

de exercício de mandato contratual ou ex lege. de culpa In vigilando ou in eli- 2.1.11. Da desconsideração da personalidade jurídica
gendo. ou. ainda. em virtude de convenção estabelecida por livre e espontãnea
vontade das partes envolvidas. A lei de proteção á concorrêncIa consagra a aplicação da teona da descon-
sideração da personalidade jurídica. a teor do art. 18. a seguir transcnto:
Cabe ressaltar que o art. 935 do Código Civil traz um rol exemplificativo de
Art. 18. A personalidade JJ.1rídica do responsável por ínfração da or-
terceiros responsáveis. em virtude de vinculação legal ou obrigacional. consa-
dem econômIca poderá ser desconsiderada quando houver da parte
grando o art. 50 do referido Códex a teoria da desconsIderação da personalida- deste abuso de direito, excesso de poder. Infração da leI, fato ou ato
de Jurídica, conforme será visto adiante. ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsidera-
Cumpre salientar que a assunção de responsabilidade pode ocorrer. ainda. ção também serã efetivada quando houver falência, estado de insol-
em vIrtude de manifestação espo~tânea da pessoa, como nos casos de solidane-
vênCia. encerramento ou inatividade da pessoa Jurídica provocados
por má adminjstração.
dade paSSIva decorrente de convenção particular. SolidarIedade o a ficção legal
que torna todos e quaisquer credores ou devedores de obrigações com plura- Da JurisprudêncIa anglo-saxônica. surgIU a disregard of legal entigt. ou
lidade subjetiva responsáveis pela Integralidade da realização de prestação de seia. a doutrina da desconsideração da personalidade jurídica. Aplica~se nos ca-
natureza diVIsível. nos tennos dos arts. 264'e seguintes do Código Civil. sos em que a personificação da entidade é usada a fim de proteger mteresses
particulares. como nos casos de os administradores da sociedade agIrem com
No que se refere ao direito público. o necessário analisar o tema tanto sob
o prisma do direito administrativo. como do direito tributárIo. abuso de direito e fraude á lei. extrapolando os poderes dados a eles nos estatu-
tos sociaIS. A desconsideração também será efetivada quando houver falência,
Especificamente. no que tange ao direito tributário. a responsabilidade estado de msolvêncía, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provoca-
encontra-se disciplinada nos arts. 123. 128 e seguintes. todos do Código Tri- dos por má admmistração.
butário Nacional. Dessarte. atribui-se a qualidade de responsável a todo aquele
que. mesmo sem se revestir da condição de contribuinte. isto é. sem ter relação A doutrina visa a proteger as pessoas de boa-fé que transaClOnam com pes-
pessoal e direta com o respectivo fato gerador: tem sua SUjeIção passIva com o soas jurídicas. caso aquelas venham a ser enganadas pela distinçã<: patrlmomal
tributo. oriunda de vinculação obrigacional decorrente de expressa disposição entre a pessoa íurídica dos sócios, prejudicando-as pela sua at~a~ao que. sob o
legal. véu da pessoa juridica. ajam em desconformidade com os objetivos traç_ados.
chegando a causar-lhes danos. Tais atos ficariam Impunes e sem reparaçao. se
No que tange ao direito administrativo. necessária se faz a análise da fonte não fosse possível responsabilizar os SÓCIOS.
legal da obrigação em tela. podendo ser oriunda tanto de sanção administrativa,
quanto de quaisquer outras obrigações pecuniárias para com o Poder Público. Não se declara nula nem se considera inexistente a personalidade jurídica
da socIedade constituida de acordo com os preceitos legais: a desconsideração
Em relação à responsabilização por infração contra a ordem econômica!
da pessoa Jurídica tem o mtuito de torna-Ia meficaz para certos atos. Assim. a
a mesma transcende a Individualidade das pessoas jurídicas envolvidas. al-
doutrina da desconsideração só é aplicada no caso concreto. atingmdo a pessoa
cançando as demaIs entidades integrantes do mesmo grupo econômICO. bem
juridica. a fim de alcançar as pessoas e bens que estão sob ela. respeitando cer-
como as pessoas naturais que exerceram poderes de gestão na opaca dos fatos
apurados. tos limites. declarando a sua ineficácia para determinados efeItos, mobstante
ela prossiga intacta para agIr com fins legítimos.
Tal regra implica na possibilidade de se estender os efeitos das decIsões a
serem aplicadas pelo CADE a todos os agentes envoltos. de maneira a se garan- O leading case para aplicação dessa teoria ocorreu na jurisprudência in-
tir a eficacía das mesmas. glesa em 1897; foi o Caso Salomon vs. Salomon & Co. envolvendo o comerCIante
Aaron Salomon e a sua empresa Sa/omon & Co. O comerCIante Aaron Salomon
A responsabilização Imposta pelo CADE decorre de seu poder de polícia havia constituído uma company, em conjunto com outros seis membros de sua
admInistrativa. na qualidade de autoridade concorrencial pátria. Todavia. nos familia, e cedido o seu fundo de comérCIO à sociedade assim formada. receben-
termos de nosso ordenamento Jurídico. a conduta anticoncorrencial pode per- do 20.000 ações representativas de sua contribuição ao capital, enquanto par:'
passar a esfera de responsabilização admInistrativa. violando outros bens ju- cada um dos outros membros fOI distribuída uma ação apenas; para a mtegralI-
rídicos. fato que enseja a aplicaçãõ do ordenamento Jurídico na esfera penal, zação do valor do aporte efetuado. Salomon recebeu ainda obrigações garanti-
tributárIa e cível. dentre outros. tudo a ser apurado casuisticamente. das de dez mil libras esterlinas.
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Leonardo ViZeu figueiredo Direito EconÔmlCO Admmistrattvo

Um ano apó~, a companhia entrou em liquidação. verificou-se que seus Na análise de determinado mercado relevante. há que se levar em conta
bens eram insuficientes para satisfazer as obrigações garantidas. sem que nada duas dimensões. Indissociáveis. a saber:
sobrasse para os credores quirografários. O liquidante sustentou que a ativida-
de da comp~ny era ainda a atividade pessoal de Salomon para limitar a própria a) dimensão material: consiste na possibilidade de SImilaridade na subs-
responsablhda?e.: em consequêncla Aaron Salomon devia ser condenado ao pa- tituição do bem, produto ou serviço. ou. no entendimento da autoridade con-
gament~ dos debltos da company, e o pagamento de seu crédito foi feito após a correndal "mercado relevante é aquele representado pela soma dos produtos que
satisfaçao dos demaIS credores qUirografários. podem ser razoavelmente substItuídos, quando utílizados nos fins para os quais
são produzidos. sem desvincular a qualidade. a finalidade. e de maneIra especial.
O Magistrado que conheceu do caso em primeira instâncIa, secundado de- do preço'·,
pois pela corte de Apelação. acolheu essa solicitação. julgando que a company
era exatamente apenas uma fiduciána de Salomon. ou melhor. um seu agentou Observe-se que não se trata de um critério de aferição de características
trustIe. que permanecera. na verdade. como o efetivo proprietário do fundo de técnicas do! bem ou serviço. Os elementos de verificação são subjetivos. de ca-
comercIO. A House of Lords acolheu o recurso de Aaron Salomon. para refor- ráter consumensta. Assim. é preCISO que, aos olhos do beneficiário, o produto
mar aquel.e ent~ndimento das Instâncías inferiores. na consideração de que a possa ser. sem prejuízo. substituído por outro de caráter similar10 ;
company t::nha sido validamente constituída. pOIS a leI Simplesmente requeria a b) dimensão geográfica: corresponde ao espaço territorial onde os agen-
partiClpaçao de sete pessoas. que no caso não havIa perseguido nenhum intuito tes econômicos competem entre si. Por esse critério. o mercado relevante não
fraudulento.
corresponderã ao território inteIro de um estado-membro. podendo ficar res~
Esses aCIOnistas. segundo os Lords. havIam dado VIda a um sUleito diverso trito a porções geográficas menores. taís como uma base munICIpal ou região
de si mesmos e. em última análise. não podiam julgar-se que a company fosse metropolitana. Vale ressaltar que. a autondade concorrencIal já manifestou en-
um agent de Salomon. Em consequênda, não eXIstia responsabilidade de Sa- tendimento nesse sentido, ao decidir que o mercado relevante de leite tipo C era
tomon para a company e seus credores e. consequentemente. era válido o Seu a região metropolitana da cidade brasileira de Recife, pois o leite pasteurizado,
crédito privilegíado. . por ser altamente perecível. não poderia percorrer grandes distâncias 11,

2.1.12. Do conceito de mercado relevante 2.1.13. Das infrações à ordem econõmica em caráter lato

~aanálise da~ ~ondutasque possam vir a caracterizar infração à ordem As condutas que se traduzem em infrações à ordem econômíca são as maIS
economlca. neces~ar~o se faz, Inicialmente. delimitar o mercado relevante para variadas possíveIS. bastando, para sua caractenzação. a exístência de potencial
o estudo da matenalIdade do fato e de indícios suficientes de sua autoria. efeito danoso ao mercado. sendo independentes de quaisquer manifestações
volitivas por parte dos agentes.
_ Por mercado relevante entende~se o espaço no qual dois ou mais agentes
prIvados. concorrentes entre sí, vão aplicar seus respectivos mecamsmos e dis- Logo. sua tipificação legal deverá ser aberta. com enumeração normativa
putar consumidores. meramente exemplificativa, sendo. sempre. mfração admimstrativa de caráter
Para. tan.t~. podem se valer de diversos instrumentos. tais como campa-
nhas pubhcItanas, pesquisa tecnolÓgica a fim de baratear o custo operacional e Malard. não publicada; as deCisões citadas neste texto foram extraídas das obras de FRANCESCHINI.
melhorar a qualidade dos bens ofertados. dentre outros. José InáCIO Gonzaga. Introdução ao direito da concorréncta. São Paulo: Malheiros. 1996. LeI da con*
corréncia conforme mterpretada pelo CADE. São Paulo: Editora Singular: 1998. e Direito da concor*
Conforme entendimento da autoridade concorrencial brasileira. mercado rência. Case Jaw. São Paulo: Editora Singular; 2001.
9. V. decisão do CACE. proferida em 22/03/95. no Ato de Concentração 16/94. Requerentes Siderur*
relevante se trata do "espaço da concorrênclCl. Diz respeito aos diversos produtos gica Laisa S/A e Grupo Korf GmbH (Cia. Sidenirgtca Pains, reI. Cons.losé Matias Pereira. publicada
ou serViços que concorrem entre S/~ em determínada área. em razão da sua subs- no DOU de 31{03{95, pág. 4.595.
títutíbilidade naquela área:~ 10. V. decísão do CACE. proferida em 02{12/88. na Averiguação Preliminar 155, Representante "Nor*
tox Agro Química SIA x Representada: Indústnas Monsanto S{A. reI. Cons. Mauro Gtinberg. publi*
cada no DOU de 05/12/8B. pàg. 23.579.
8. 11. V. dectsão do. CADE, proferida em 23/11/94, no Ato de Concentração 11/94, Requerentes: Yolat
V. d~cisão do CADE no .Pr~cesso Administrativo 31/92. Representante: Transauto Transporte Es* Indústria e Comércio de Laticinlos Ltda e CILPE Companhia de industrialização de Leite de Pernam*
peclallzados de AutomovelS S/A x Representada: Fiat Automôvels S/A. reI. Cons. Neide Terestnha buco. reI. Cons. Marcelo Monteiro Soares. publicada no DOU de 05/12/94, pág. 18.497.
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Leonardo VIZeu Ftgueiredo Direito EconÔmico Administrativo

objetivo. A repressão a condutas anticoncorrencIals abrange a análise e a ve- a) Limitar. falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrênCIa
rificação de condutas de empresas. que podem configurar infração à ordem ou a livre-iniciativa representa toda e qualquer prática que impeça ou
econômica.
dificulte a entrada ou permanência de agentes econômicos em seus
Podemos resumir exemplificativamente o comportamento que perfaz o respectivos mercados. Pode ser caracterizada das maís diversas formas
tipo Infrator nas quatro condutas básicas (infrações á ordem econômica em possíveis. bastando que reste provada a materIalidade de qualquer
sentido lato), delineadas nos mcisos