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Contextos Clínicos, 6(2):106-116, julho-dezembro 2013

© 2013 by Unisinos - doi: 10.4013/ctc.2013.62.04

Personalidade de mulheres vítimas de violência


doméstica: uma revisão sistemática da literatura

Personality of women victimized by domestic violence: A systematic review

Samantha Dubugras Sá, Blanca Susana Guevara Werlang


Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Faculdade de Psicologia. Av. Ipiranga, 6681, Prédio
11, 8° andar, 90619-900, Porto Alegre, RS, Brasil. samantha.sa@pucrs.br, bwerlang@pucrs.br

Resumo. O presente artigo trata de uma revisão sistemática da literatura


com o objetivo de realizar um levantamento da produção bibliográfica na-
cional e internacional indexada nas bases de dados MedLine, PsycINFO, Li-
lacs e ProQuest, publicadas de 2000 a 2012, relacionada às características de
personalidade de mulheres vítimas de violência doméstica. A avaliação dos
dados encontrados foi realizada a partir da identificação de 10 dimensões de
análise, a saber: (i) base de dados; (ii) ano da publicação; (iii) fonte (periódi-
co); (iv) modalidade de produção científica; (v) delineamento da pesquisa;
(vi) local do estudo; (vii) número da amostra; (viii) objetivo do estudo; (ix)
instrumentos utilizados (x) principais resultados. Resultados: foram encon-
tradas apenas sete publicações que tratavam efetivamente de algum aspecto
da personalidade das mulheres vítimas de violência doméstica, sendo que
nenhum dos estudos foi realizado no Brasil. Todos se referem a estudos em-
píricos oriundos de trabalhos de pesquisa quantitativa. Os resultados dos
artigos analisados sugerem que existe uma interação entre determinados es-
tilos de personalidade, que tornam algumas mulheres mais propensas a se
envolverem em experiências de violência.

Palavras-chave: violência doméstica contra a mulher, personalidade, revi-


são sistemática.

Abstract. This paper is a systematic review of the literature aiming to sys-


tematically evaluate the bibliographic production indexed in the databases
Medline, PsycINFO, Lilacs and ProQuest published from 2000 to 2012 re-
lated to the personality characteristics of women victimized by domestic
violence. The evaluation of the investigated data was performed based on
10 dimensions of analysis, namely: (i) database, (ii) year of publication, (iii)
source (journal), (iv) type of scientific production; (v) research planning, (vi)
place of the study, (vii) sample size, (viii) purpose of the study, (ix) kind of
instruments, and (x) main results. Results: only seven publications which
dealt effectively with some aspect of the personality of women victimized by
domestic violence were found and none of these studies was conducted in
Brazil. All of the related cases refer to empirical studies derived from quanti-
tative research papers. The results of the analyzed studies suggest that there
is an interaction between certain personality styles that make some women
more likely to engage in violence experiences.

Key words: domestic violence against women, personality, systematic review.


Samantha Dubugras Sá, Blanca Susana Guevara Werlang

Introdução tanto por sua elevada incidência, como pela


gravidade das consequências negativas para
Não há país ou comunidade a salvo da as vítimas e para seus familiares. Está pre-
violência. Embora a violência sempre tenha sente no mundo todo, não respeita fronteiras
feito parte da história, na atualidade, seu cres- de classe social, raça/etnia, religião, idade ou
cimento desenfreado coloca-a como uma das grau de escolaridade. O local da violência é
principais causas de óbito em todo o mundo. predominantemente no âmbito familiar, uma
Esse fenômeno faz parte das relações humanas vez que a chance de uma mulher ser agredida
e sociais, em que estão em jogo dominações e por seu parceiro ou ex-parceiro é muitas vezes
interesses alcançados por meio do uso da for- maior do que a de sofrer alguma violência por
ça, da ameaça e/ou de agressões, sejam elas desconhecidos (Deslandes et al., 2000; Amaral
simbólicas ou de confrontação física (Souza et al., 2001; Heise e Garcia-Moreno, 2002; Watts
et al., 2001; Souza et al., 2002). A Organização e Zimmerman, 2002; Scharaiber et al., 2007a).
Mundial da Saúde (OMS) considera que há Frequentemente, os casais que se envolvem
uma relação clara entre a intenção do indiví- em violência doméstica formam vínculos pa-
duo que apresenta ou se envolve num com- tológicos que se retroalimentam em uma pro-
portamento violento e o ato ou ação praticada gressiva onda de violência em que coexistem
(OMS, 2006). Nesse sentido, Dahlberg e Krug o ódio e o rancor. A dinâmica agressor/vítima
(2003) e Krug et al. (2003) lembram que a OMS cumpre um importante papel nesses casos.
define a violência como o uso intencional de Porém, a patologia de um dos cônjuges pode
força ou de poder físico, de fato ou como ame- ser amplamente predominante, e o sentimento
aça, contra si mesmo, outra pessoa ou grupo de uma catástrofe interna, que pode ser viven-
ou comunidade que cause ou tenha muita ciada frente à possível perda do objeto “ama-
probabilidade de causar lesões, morte, danos do”, pode levar o indivíduo a utilizar como
psicológicos, transtornos de desenvolvimento defesa atos intimidatórios, agressões verbais e
ou privações. físicas evoluindo, muitas vezes, até o homicí-
Dentre todos os tipos de violência, a pra- dio (Chan, 2004).
ticada contra a mulher no ambiente familiar Sabe-se que a violência perpetrada pelo
é uma das mais cruéis e perversas. O lar, am- parceiro íntimo oscila entre 4 a 23% até valores
biente que deveria ser acolhedor, passa a ser, em torno de 33 a 39% quando considerada a
nestes casos, um ambiente de perigo contínuo violência no período total de vida dessas mu-
que resulta num estado de medo e ansiedade lheres (Krug et al., 2003). A violência contra a
permanentes. A violência doméstica é definida mulher tem sido estimada pela Organização
como qualquer tipo de abuso físico, sexual ou Mundial da Saúde como responsável por 5
emocional perpetrado por um parceiro contra a 20% dos anos de vida saudáveis perdidos
o outro em um relacionamento íntimo passado em mulheres de 15 a 44 anos (OMS, 2006).
ou atual (Zilberman e Blume, 2005; Kronbauer De acordo com Adeodato et al. (2005), no mun-
e Meneghel, 2005). A realidade é complexa, do, a violência doméstica é responsável por
uma vez que, para a ocorrência da violência um em cada cinco dias de absenteísmo no tra-
doméstica contra a mulher, estão envolvidos, balho. Afirmam esses autores, também, que,
entre outros fatores, questões culturais, sociais nos Estados Unidos, um terço das internações
e pessoais. de mulheres em unidades de emergência é
As Nações Unidas definem violência con- consequência de agressões sofridas em casa,
tra a mulher como: “qualquer ato de violên- e, na América Latina, a violência doméstica
cia baseado na diferença de gênero, que re- incide sobre 25% a 50% das mulheres. Sobre
sulte em sofrimentos e danos físicos, sexuais a realidade brasileira, os mesmos autores as-
e psicológicos à mulher; inclusive ameaças severam que o Brasil é o país com os maiores
de tais atos, coerção e privação da liberdade índices de violência doméstica, pois 23% das
sejam na vida pública ou privada” (Conselho mulheres estão sujeitas à violência doméstica,
Social e Econômico das Nações Unidas, 1992). estimando que, a cada quatro minutos, uma
A violência contra a mulher é um fenômeno mulher sofre agressão, e, em 85,5% dos casos
de grande magnitude, motivo pelo qual tem de violência física contra mulheres, os agres-
sido considerada como um problema de saúde sores são seus parceiros. O maltrato doméstico
pública e como uma questão de violação dos tende a ser crônico, ocorre desde o início da
direitos humanos (Joachim, 2000; Campbell, relação e, em média, as mulheres permanecem
2002; Heru, 2007; Schraiber e d’Oliveira, 2008) sofrendo a violência durante um período não

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inferior a 10 anos até que resolvam buscar al- envolverem em situações abusivas. Assim,
gum tipo de ajuda (Echeburúa e Corral, 2006). a preocupação que norteia esta revisão siste-
Embora constantemente ocorram simulta- mática da literatura em contextos nacionais e
neamente, para caracterizar os tipos de vio- internacionais é a busca de estudos que permi-
lência doméstica, podem-se considerar três tam uma maior compreensão sobre quem são
grandes categorias de acordo com o tipo de essas mulheres que acabam por se tornar sus-
conduta do agressor: (i) violência física: qual- cetíveis à violência dentro dos seus próprios
quer conduta intencional que acarrete lesão lares, com a finalidade de embasar futuros
física, dano ou dor - é a mais evidente e mais trabalhos na temática da violência doméstica
fácil de identificar- (ii) sexual: qualquer intimi- contra a mulher.
dade forçada, seja com ameaças, intimidação
ou coação, incluindo todo o tipo de conduta Método
de caráter sexual, sem limitar-se à penetração;
e (iii) psicológica: qualquer conduta física ou
Estratégias de busca das referências
verbal que possa produzir, na vítima, intimi-
dação, desvalorização, sentimentos de culpa
Para atender ao objetivo estabelecido, foi
ou sofrimento – é o tipo de violência mais di-
realizada uma revisão sistemática da literatura
fícil de identificar do ponto de vista social por
através do levantamento das produções cien-
não deixar marcas aparentes (Labrador et al.,
tíficas referentes ao cruzamento dos descrito-
2005). Pesquisas sugerem que a violência física
res “violência doméstica” (domestic violence) e
comumente é acompanhada pela psicológica e
“mulher” (woman); “violência doméstica” (do-
que, na metade dos casos, também por violên-
mestic violence) e “mulher maltratada” (battered
cia sexual (Ellsberg et al., 2000; Heise e Garcia-
woman); e “mulher maltratada” (battered wo-
Moreno, 2002; Kronbauer e Meneghel, 2005).
man) e “personalidade” (personality) e do ope-
Nas últimas décadas, tem ocorrido um au-
rador booleano “e” (and) nos anos de 2000 a
mento importante dos estudos sobre a violên-
2012 nas bases de dados MedLine (United Sta-
cia contra a mulher perpetrada por seus par-
tes National Library of Medicine – NLM), Psy-
ceiros íntimos. Isso tem acontecido por conta
cINFO (American Psychological Association
do reconhecimento da dimensão do fenômeno
– APA), Lilacs (Literatura Latino-Americana e
como um grave problema de saúde pública,
do Caribe em Ciências da Saúde) e ProQuest
por sua alta incidência e pelas consequências
(Central: Psychology Journals e Medical Li-
que causa à saúde física e psicológica das víti-
brary). As bases de dados foram configuradas
mas (Dahlberg e Krug, 2003). Entretanto, pes-
para localizar as referências que apresentavam
quisas nacionais e internacionais que tratam
os descritores supramencionados entre as pa-
sobre a temática da violência doméstica con-
lavras-chave e/ou no resumo. Esse método foi
tra a mulher, grande parte das vezes, abarcam
adotado para viabilizar um alcance de resulta-
questões relacionadas ao tipo de agressão sofri-
dos mais precisos do que os que poderiam ser
da (física, psicológica e/ou sexual) e, algumas,
encontrados caso não houvesse tais especifica-
sobre as consequências físicas e psicológicas
ções. Optou-se pelo emprego dos descritores
advindas da situação de violência. É comum
mencionados levando-se em consideração que
encontrarmos estudos que buscam investigar
as características ou os traços da personalida- são reconhecidos pelas bases de dados pesqui-
de dos homens que agridem as suas mulheres sadas e utilizados de forma corrente na litera-
(Edwards et al., 2003; Lorber e O’Leary, 2004; tura científica especializada.
Goldenson et al., 2007), mas raros são os que
tratam de questões relacionadas à personali- Procedimentos para seleção e
dade das mulheres vítimas (Pérez-Testor et al., apreciação das referências
2007; Pico-Alfonso et al., 2008).
Levando-se em consideração que o advento O primeiro cruzamento dos descritores
da violência doméstica contra a mulher ocorre “violência doméstica” (domestic violence) e
no mundo todo, que suas estatísticas são alar- “mulher” (woman) resultou, como já era espe-
mantes, elencando-a como um problema de rado, em mais de dez mil publicações; para o
saúde pública, acredita-se que devam existir segundo cruzamento, das palavras “violência
determinadas características de personalida- doméstica” (domestic violence) e “mulher mal-
de que tornam algumas mulheres, vítimas dos tratada” (battered woman), foram identificadas
seus parceiros íntimos, mais vulneráveis a se mais de quinhentas referências e, no terceiro,

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com os descritores “mulher maltratada” (batte- nados os títulos e a autoria de todas as referên-
red woman) e “personalidade” (personality) esse cias obtidas, objetivando eliminar eventuais
número ficou reduzido a 31 artigos científicos. repetições. A seguir, foi feita uma leitura pre-
O diagrama representado na Figura 1 sintetiza liminar de todos os abstracts dos artigos publi-
os passos realizados na busca de estudos de cados em periódicos indexados, cujo objetivo
interesse para esta revisão sistemática. foi avaliar se o material era pertinente a esta
A análise para esta seção focou-se nas 31 revisão sistemática da literatura. Foram consi-
publicações oriundas do terceiro cruzamento, deradas somente as referências que tratavam
principal foco da presente revisão sistemática. de algum aspecto da personalidade de mulhe-
Primeiramente, foram identificados e exami- res maltratadas. As referências selecionadas

Figura 1. Sequência de passos realizada na busca de estudos indexados nas bases MedLine,
PsycINFO, Lilacs e ProQuest.
Figure 1. Sequence of steps performed in the pursuit of indexed studies in databases MedLine,
PsycINFO, Lilacs and ProQuest.

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foram obtidas na íntegra (artigos completos) sobre as características de personalidade das


e submetidas a uma apreciação analítica de vítimas, a quantidade de estudos é mínima,
cada uma delas, visando a uma análise mais pois as buscas possibilitaram a localização
detalhada dos delineamentos de pesquisa em- de 31 abstracts. Ainda verificou-se que 19 es-
pregados nessas produções. A avaliação dos tudos não faziam menção a qualquer aspecto
dados encontrados foi realizada a partir da da personalidade de mulheres maltratadas,
identificação de 10 dimensões de análise, a sa- diminuindo os achados para 12 publicações.
ber: (i) base de dados; (ii) ano da publicação; Todas as produções localizadas são artigos
(iii) fonte (periódico); (iv) modalidade de pro- científicos; não se encontrou nenhum capítulo
dução científica; (v) delineamento da pesqui- de livro, dissertação ou tese. Conforme as ba-
sa; (vi) local do estudo; (vii) número da amos- ses de dados computadorizadas, foram então
tra; (viii) objetivo do estudo; (ix) instrumentos selecionados 12 abstracts, destes, 1 estava no
utilizados (x) principais resultados. sistema MedLine, 3, no PsycINFO, 2, no Lilacs
e 6, no ProQuest.
Resultados A checagem do título e da autoria dos tra-
balhos inicialmente obtidos apontou que cinco
Primeiramente, é importante salientar que referências apareceram catalogadas em mais
a produção científica sobre a temática da vio- de um sistema, o que reduziu o número total
lência doméstica é muito vasta (mais de dez de achados para 7, pois as repetições foram au-
mil). Porém, quando se procuram pesquisas tomaticamente descartadas. O título de cada

Tabela 1. Informações apresentadas nas dimensões de análise: ano de publicação, autores, título
das referências selecionadas e título do periódico (n=7).
Table 1. Presented information in the analysis dimensions: year of publication, author, title of the
selected references and journal title (n=7).

Ano Autores Título Título do periódico


Coolidge, F.L.; Personality profiles of women in Journal of Family
2002
Anderson, L.W. multiple abusive relationships Violence
Self-criticism, dependency and
posttraumatic stress disorder
Sharhabani-Arzy, R.; Personality and
2005 among a female group of help-
Amir, M.; Swisa, A. Individual Differences
seeking victims of domestic
violence in Israel
Borderline personality
Sansone, R. A.; symptomatology and history
2007 Reddington, A.; SKY, K.; of domestic violence among Violence and Victims
Wiederman, M. W. women in an internal medicine
setting
Depresión en mujeres
maltratadas: Relaciones con
Hernández, R.P.;
2007 estilos de personalidad, variables Anales de Psicología
Berná, F.J.C.; Gras, R.M.
contextuales y de la situación de
violencia
Pérez-Testor, C.; Castillo, J.A.; Personality profiles in a group
Journal of Family
2007 Davins, M.; Salamero, M.; of battered women: Clinical and
Violence
San-Martino, M. care implications
Personality disorder symptoms
Pico-Alfonso, M. A.; Journal of Family
2008 in women as a result of chronic
Echeburúa, E.; Martinez, M. Violence
intimate partner violence
Assessing the personality profile The Assessment
2010 Estrellado, A.F.
of battered women Handbook

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uma dessas 7 referências, bem como o título do ro ou falso, devendo o sujeito determinar se o
periódico em que foram publicadas, encontra- conteúdo dos itens lhe é aplicável ou não. Tem
se reproduzido na Tabela 1 por ordem do ano como objetivo mensurar estilos de personali-
da publicação. dade – transtornos de personalidade (Eixo II)
Analisando o texto completo dos sete ar- e síndromes clínicas (Eixo I) – classificadas no
tigos localizados sobre os recursos metodoló- Diagnostic and Statistical Manual of Mental Di-
gicos utilizados no que diz respeito à moda- sorders Third Edition- DSM-III-R (Hernández et
lidade de produção científica, os sete estudos al., 2007; Pérez-Testor et al., 2007; Pico-Alfonso
apresentam dados empíricos oriundos de tra- et al., 2008; Estrellado, 2010).
balhos de pesquisa quantitativos. Cabe desta- No outro estudo que também visou a men-
car, de acordo com os dados da Tabela 2, que surar o perfil de personalidade das vítimas, foi
nenhum estudo que envolvesse aspectos da aplicado o CATI que, como o MCMI, é um in-
personalidade de mulheres vítimas de vio- ventário de autorrelato, mas composto por 225
lência nos últimos doze anos foi realizado no itens, designado para avaliar Transtornos de
Brasil. Das sete pesquisas localizadas, três fo- Personalidade Passivo-Agressiva e Depressiva
ram efetivadas na Espanha, duas nos Estados (Eixo II), Transtorno de Ansiedade Generali-
Unidos, uma em Israel e outra nas Filipinas. zada e Transtorno Depressivo Maior (Eixo I)
Quanto aos objetivos, estes foram variados, classificados no DSM-IV, e uma escala de de-
pois, embora quatro trabalhos (57,1%) tenham sajuste com 71 itens (Coolidge e Anderson,
buscado avaliar especificamente os perfis de 2002). Dos dois estudos restantes, um utilizou
personalidade das mulheres maltratadas, uma o Depressive Experiences Questionnaire – DEQ
pesquisa avaliou se existe associação entre para avaliar os estilos de personalidade das
características de personalidade e sintomas mulheres maltratadas e o outro aplicou o Bor-
de Transtorno de Estresse Pós-Traumático derline Personality Disorder Scale of the Personali-
em mulheres vítimas de violência doméstica; ty Diagnostic Questionnaire-4 - PDQ-4. O DEQ é
um trabalho investigou se há relação entre a um instrumento constituído por 66 itens, con-
gravidade da violência sofrida por mulheres tendo afirmações sobre sentimentos e experi-
maltratadas e o Transtorno de Personalidade ências relacionadas à propria pessoa e às suas
Borderline; outro analisou a contribuição de relações interpessoais. Assume um formato do
variáveis de personalidade no impacto psico- tipo Likert, com sete alternativas de resposta:
lógico causado pelos maus-tratos e, também, de 0 = “discordo totalmente” a 7 = “concordo
visou a identificar os estilos de personalidade totalmente” (Sharhabani-Arzy et al., 2005). Já o
que se associam a um maior nível de sintoma- PDQ-4 é questionário de autorrelato compos-
tologia depressiva. to por 9 itens para os quais a pessoa responde
O número da amostra dos sete estudos va- “sim” ou “não”; se a pontuação das respostas
riou bastante, desde apenas 18 mulheres, até “sim” for ≥ 5, sugere Transtorno Borderline de
amostras maiores, com 182 vítimas de maus- Personalidade (Sansone et al., 2007).
tratos domésticos. Somente uma pesquisa Com a utilização desses instrumentos, so-
utilizou grupo-controle e, também, visou a bre os principais achados acerca dos perfis/das
comparar dois grupos de mulheres maltrata- características de personalidade, os resultados
das (um com a vivência de múltiplas relações das sete pesquisas foram bastante semelhantes,
abusivas e outro com uma relação abusiva). sendo que predominaram estilos de persona-
Nos sete trabalhos, foi ministrada uma fi- lidade borderline, dependente e esquizóide. Os
cha de dados sociodemográficos. Já para a autores, a partir desses dados, sugerem que
avaliação das características de personalidade, existe uma interação entre determinados es-
cabe destacar que três das quatro pesquisas tilos de personalidade, que tornam algumas
que objetivaram delinear o perfil das mulhe- mulheres mais propensas a se envolverem em
res maltratadas e, também, a investigação que experiências de violência (Coolidge e Ander-
analisou a relação entre o perfil de persona- son, 2002; Sharhabani-Arzy et al., 2005; Sansone
lidade com níveis de depressão, utilizaram o et al., 2007; Hernández et al., 2007; Pérez-Testor
Millon Clinical Multiaxial Inventory (MCMI), et al., 2007; Pico-Alfonso et al., 2008; Estrellado,
sendo que, em uma, foi aplicada a primei- 2010). Outras características também evidencia-
ra versão do instrumento e, nas outras três, a das nas mulheres maltratadas dizem respeito
segunda versão do inventário. O MCMI é um à sintomatologia depressiva e de estresse pós-
inventário de autorrelato composto por 175 traumático decorrentes da violência sofrida,
itens com respostas de duas opções: verdadei- que foi mencionada em seis estudos (Tabela 2).

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Personalidade de mulheres vítimas de violência doméstica: uma revisão sistemática da literatura

Tabela 2. Principais características dos estudos selecionados, a partir das dimensões de análise:
local do estudo, número da amostra, objetivo do estudo, instrumentos utilizados e principais
resultados (n=7).
Table 2. Main characteristics of the selected studies, from the dimensions of analysis: the study
site, sample number, purpose of the study, instruments used and main results (n=7).

Principais achados
Local do
No da Amostra Objetivo Instrumentos (perfis/características
Estudo
de personalidade)
127 (42 mulheres
com relações
múltiplas de Autodestrutiva,
Colorado maus tratos; Avaliar perfil de Ficha de dados, CATI Dependente,
(EUA) 33 com única personalidade (Coolidge Axis II Inventory) Paranóide, TEPT**,
relação de maus Depressão
tratos e 52 de
grupo controle)
Avaliar estilos de
personalidade, Ficha de dados, PTSD**,
Autocrítica,
Negev dependência, scale for family violence,
19* Dependente, TEPT**,
(Israel) autocrítica e DEQ (Depressive
Depressão
intensidade de Experiences Questionnaire)
TEPT**
Ficha de dados, PDQ-4
(Borderline Personality
Avaliar se mulheres
Disorder Scale of the
com TBP*** são
Ohio Personality Diagnostic
52* mais vulneráveis a Borderline, TEPT**
(EUA) Questionnaire-4), SHI (Self-
serem vítimas de
Harm Inventory), SVAWS
violência doméstica
(Severity of Violence
Against Women Scale)
Avaliar a relação
entre estilos de
personalidade, Ficha de dados, BDI (Beck
Alicante Pessimismo,
depressão Depression Inventory),
e Murcia 105* Indecisão, Submissão,
e variáveis MCMI-I (Millon Clinical
(Espanha) Depressão
contextuais em Multiaxial Inventory I)
mulheres vítimas de
violência doméstica
Ficha de dados, MCMI-II Esquizóide,
Barcelona Avaliar perfil de (Millon Clinical Multiaxial Dependente, Esquiva,
18*
(Espanha) personalidade Inventory II), DAS (Dyadic Borderline, Paranóide,
Adjustment Scale) Depressão
Ficha de dados,
Esquizóide, Esquiva,
Questionário sobre o tipo
Valencia Avaliar perfil de Agressiva (sádica),
182* de violência, MCMI-II
(Espanha) personalidade Passivo-Agressiva,
(Millon Clinical Multiaxial
Borderline, Paranóide
Inventory II)
Ficha de dados, MCMI-II Esquizóide, Esquiva,
San Juan Avaliar perfil de
20* (Millon Clinical Multiaxial Autodestrutiva,
(Filipinas) personalidade
Inventory II) Ansiedade, Depressão

Notas: (*) Mulheres vítimas de violência doméstica perpetrada por parceiro íntimo; (**) Transtorno de Estresse Pós-
Traumático; (***) Transtorno Borderline de Personalidade.

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Samantha Dubugras Sá, Blanca Susana Guevara Werlang

É interessante observar que muitas das ca- ProQuest, pois é um indexador que contempla
racterísticas sociodemográficas das mulheres periódicos das áreas da Medicina e também
vítimas, nas sete publicações analisadas, são da Psicologia, constituindo, portanto, um sis-
similares às dos dados encontrados em outras tema bastante expressivo nessas disciplinas.
pesquisas quanto ao perfil dessas mulheres, A Espanha é o país que, aparentemente, mais
principalmente no que se refere às variáveis de estuda as questões relacionadas à violência
idade, escolaridade, número de filhos e situ- doméstica contra a mulher, embora o local de
ação ocupacional. Registra-se, assim, que são eleição do periódico escolhido para a publica-
mulheres jovens com, no máximo, 8 anos de ção (seis dos sete artigos) seja os Estados Uni-
estudo, com filhos e que trabalham (Amor e dos. Isso provavelmente pode estar relaciona-
Bohórquez, 2002; Adeodato et al., 2005; Mea- do ao fato de as iniciativas públicas e privadas
dows et al., 2005; Scharaiber et al., 2007b; Lei- da Espanha propiciarem maiores incentivos às
ner et al., 2008), embora o fato de possuir uma pesquisas nessa área, além da sua preocupa-
ocupação devesse ser um fator protetivo con- ção com a questão da violência de gênero no
tra a violência doméstica. seu país. Já a escolha de revistas americanas
é pertinente devido a sua notoriedade e a sua
Discussão respeitabilidade no meio científico. O Journal
of Family Violence, por exemplo, é um periódico
Em doze anos, de 2000 a 2012, foram publi- que possui um grande número de publicações
cados sete artigos em termos de produção cien- sobre as questões relacionadas à violência no
tífica catalogada em bases de dados computa- âmbito familiar.
dorizadas sobre os aspectos da personalidade A avaliação desta revisão sistemática da li-
de mulheres vítimas da violência doméstica. teratura e dos 7 artigos localizados, de acordo
Isso mostra que o interesse sobre o tema em com as dez dimensões de análise empregadas
questão ainda é singelo se comparado à lite- (base de dados, ano da publicação, fonte (pe-
ratura dedicada à violência doméstica contra riódico), modalidade de produção científica,
a mulher como um todo, em que as pesquisas delineamento da pesquisa, local do estudo,
e as publicações são vastas. A grande maioria número da amostra, objetivo do estudo, instru-
dos estudos relacionados à violência domésti- mentos utilizados e principais resultados), per-
ca contra a mulher costuma abordar questões mite algumas conclusões: a violência doméstica
como dados epidemiológicos, o tipo de violên- contra a mulher é amplamente estudada, exis-
cia sofrida - física, psicológica e/ou sexual, a tindo um número imenso de publicações acer-
caracterização sociodemográfica das mulheres ca do assunto. Esse dado pode ser observado
maltratadas (Schraiber e d’Oliveira, 1999; Jong, tanto pelo cruzamento das palavras “violência
2000; Tavares, 2000; Schraiber et al., 2007b) e as doméstica” (domestic violence) e “mulher” (wo-
características de personalidade dos agressores man); “violência doméstica” (domestic violence) e
(Edwards et al., 2003; Gondolf, 2003; Lorber e “mulher maltratada” (battered woman), quanto
O’Leary, 2004; Goldenson et al., 2007). pelas referências bibliográficas dos sete artigos
Levando-se em consideração a análise dos analisados. Já com respeito à personalidade das
abstracts e os textos completos dos artigos, foi vítimas, os estudos são parcos e, no Brasil, não
possível observar que tanto os estilos de perso- se verificou nenhum estudo.
nalidade como a sintomatologia decorrente da As pesquisas realizadas são estudos em-
vivência de violência encontrado nos estudos píricos, sendo utilizados para tal, unicamen-
localizados, apresentam resultados muito se- te, técnicas psicométricas, embora as técnicas
melhantes independente do local em que a pes- projetivas para avaliação da personalidade
quisa foi realizada, ou seja, em diferentes con- sejam nacional e internacionalmente reconhe-
textos e em culturas diversas, as características cidas (Exner e Sendin, 1999; Anastasi e Urbi-
das mulheres maltratadas são bastante pareci- na, 2000, Cunha, 2002). Chama atenção que o
das. Esse fato aumenta a confiança de que os principal instrumento utilizado (em metade
resultados de pesquisas realizadas em um de- dos estudos localizados), o MCMI, seja um ins-
terminado local possam ser aplicados a outros trumento baseado nos critérios diagnósticos
e também sugere um possível perfil dessas mu- do DSM-III-R, sendo que existe uma versão
lheres que se envolvem em relações abusivas. mais recente do manual, o DSM-IV-TR (APA,
Quanto aos bancos de dados computado- 2003), e que o DSM-V já se encontra publicado
rizados, não é de estranhar que a maioria dos nos Estados Unidos (APA, 2013). Pico-Alfonso
abstracts (50%) esteja catalogada no sistema et al. (2008) revelam que já existe disponível

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Personalidade de mulheres vítimas de violência doméstica: uma revisão sistemática da literatura

a terceira versão do MCMI, fundamentada der é o que faz com que as mulheres, vítimas
no DSM-IV-TR, mas que carece de validação. de seus parceiros, permaneçam nessa situação
Ainda, no que diz respeito aos métodos proje- abusiva, muitas vezes, correndo risco de mor-
tivos, por se tratar de instrumentos compostos te. Parece que existem algumas características
por estímulos mais ambíguos e pouco estrutu- comuns às vítimas que podem levá-las à situ-
rados, o indivíduo pode interpretar o material ação de violência conjugal ou, que, por outro
oferecido a partir do que percebe, propician- lado, talvez sejam desenvolvidas no intuito da
do a emergência dos aspectos do seu funcio- sobrevivência.
namento psicológico. Dessa forma, é possível Os índices da violência contra a mulher no
abarcar a personalidade como um todo, sendo Brasil são alarmantes, mas, mesmo assim, cha-
que esses instrumentos se diferenciam por sua ma a atenção o fato de que, no Brasil, inexis-
efetividade em revelar aspectos encobertos e tem pesquisas relacionadas às características
latentes da personalidade (Anastasi e Urbina, de personalidade dessas mulheres que estejam
2000; Cunha, 2002). Por isso, conclui-se que catalogadas nos bancos de dados pesquisados.
são excelentes instrumentos a serem utilizados Apesar do pequeno número de estudos encon-
em trabalhos futuros para perscrutar as carac- trados, eles trouxeram importantes considera-
terísticas das mulheres maltratadas. ções e contribuições, mas ainda é imperativa a
Observa-se que as características de per- necessidade de novas pesquisas que possibili-
sonalidade das mulheres vítimas de violência tem o conhecimento acerca das características
doméstica perpetrada por seus parceiros ínti- de personalidade das mulheres maltratadas
mos nas pesquisas analisadas indicam traços por seus parceiros, podendo-se, assim, encon-
borderline, dependente e esquizoide, ainda trar subsídios mais efetivos para a prevenção
que elas apresentem sintomas de depressão, da violência doméstica contra a mulher e para
desesperança, estresse pós-traumático e ten- intervenção junto às suas vítimas. Ficam assim
dências autodestrutivas. Isso sugere que deter- aqui colocadas, mesmo que de forma esque-
minados traços são comuns às mulheres mal- mática, algumas contribuições que devem ser
tratadas e podem predispô-las a “escolhas” levadas em consideração, no futuro, para um
conjugais nocivas, mas esse achado também melhor posicionamento científico ante esta
pode ser entendido de outra forma se levar- questão de tão alta importância, diante da fre-
mos em consideração alguns estudiosos da quência com que se apresenta e das consequ-
violência doméstica contra a mulher (Back et ências que gera em suas vítimas e nas pessoas
al., 1982; Walker, 1991; Coolidge e Anderson, que as cercam.
2002; Gomes et al., 2012) quando mencionam
que mulheres que vivenciam relacionamen- Referências
tos abusivos podem adotar características de
transtornos de personalidade como um meio ADEODATO, V.G.; CARVALHO, R.R.; SIQUEIRA,
de adaptação à situação, ou mesmo como uma V.R.; SOUZA, F.G.M. 2005. Qualidade de vida e
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Nenhum dos estudos localizados buscou
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102005000100014
determinar uma relação de causa-efeito para AMARAL, C.; LETELIER, C.; GÓIS, I.; AQUINO,
esse impasse. A partir disso, há a possibilidade S. 2001. Dores Visíveis: violência em delegacias da
de ambas as posições estarem corretas em par- mulher no Nordeste. Fortaleza, Edições EDOR/
te, pois algumas mulheres podem apresentar NEGIF/UFC, 95 p.
transtornos ou características anteriores à situ- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION
ação de violência, resultando no envolvimento (APA). 2003. DSM IV R – Manual diagnóstico e
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um indivíduo, seja por dificuldades pessoais nes psicopatológicas de la violencia doméstica
contra la mujer en función de las circunstancias
ou por fazer uso de álcool ou drogas, é capaz del maltrato. International Journal of Clinical and
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Contextos Clínicos, vol. 6, n. 2, julho-dezembro 2013 116

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