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Superando os desafios de catalogação de documentos musicais

Conforme André Henrique Costa Guerra, a catalogação de documentos no Brasil


deixa muito a desejar, opinião compartilhada por Paulo Castagna. As dificuldades para
uma metodologia de catalogação de documentos musicais vêm desde a música
setecentista, no Brasil. Dos documentos musicais mais antigos que foram encontrados,
destaca-se um vilâncio, intitulado “Natais de incêndio”, de um grupo de Mogi das
Cruzes.
Um modo possível de superar tais desafios é através do Conarq (Conselho
Nacional de Preservação de Arquivos). No Conarq, encontram-se as orientações para
preservar arquivos, não somente musicais, como também históricos, tecnográficos etc.
Também no Conarq, são apresentadas instruções para a implementação da Lei 8159/91,
pela qual se tornam públicos documentos já catalogados, como partituras, iconografias,
dentre outros. Aos historiadores musicais, cabe a iniciativa para a concretização dessa
lei, de modo que o nosso município possa estar de acordo e regulamentado com a
Constituição Federal, que prevê a todo município o direito à sua história, transparente
ao público.
De acordo com Cotta, o historiador alemão Curt Lange percorreu quase todos os
estados brasileiros em busca de partituras do estilo antigo, documentos que, na maioria
das vezes, haviam sido queimadas pelos herdeiros (em sua maioria, as viúvas), que não
reconheciam naqueles papeis qualquer valor documental. Ainda assim, Lange reuniu um
acervo de 800 partituras. Mesmo tendo que pagar por grande parte desses documentos,
Lange doou todas as partituras para o Museu dos Inconfidentes, em Ouro Preto. Voltou
frustrado para a Alemanha, devido ao descaso e à falta de incentivo em suas pesquisas.
No Brasil, catalogar documentos musicais nunca foi uma tarefa fácil. Modesto
Chagas Fonseca chegou a citar o modelo de escrita musical na Corporação Musical de
Viçosa, em que algumas partituras nem mesmo eram escritas pelos músicos natos.
Grande parte desses documentos encontra-se em museus, sedes do IPHAN (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), conservatórios, bibliotecas especificadas,
cúrias metropolitanas e, conforme mencionado, corporações musicais.
Na internet, também se encontram – na plataforma Youtube, por exemplo –
gravações de orquestras para composições são-joanenses, como as de Manoel Dias de
Oliveira e José Maurício Nunes Garcia, modinhas e lundus de Domingos Caldas
Barbos, além de um vasto repertório, como motetos, missas, ladainhas.
Como forma de registro, a catalogação de documentos musicais está
estreitamente ligada à apreciação da cultura brasileira. Desse modo, é possível não
apenas apreciar, mas reconhecer o valor documental de diversas manifestações
musicais, como por exemplo: o Cantochão, um dos primeiros estilos musicais do país; a
seleção de instrumentos antigos, como as charamelas, tocadas pelos nhumgaraíbas
(meninos indígenas que acompanhavam os jesuítas); os estudos e prelúdios de Heitor
Villa Lobos; ou as missas de Lobo de Mesquita.
Os desafios são grandes. O descaso com a música erudita no Brasil remonta de
tempos passados. Quantos teatros pegaram fogo, como o Teatro Pedro Alcântara, no Rio
de Janeiro? Quando D. Pedro II ouviu pela primeira vez o Hino Nacional, o imperador
já tinha 32 anos. Ainda assim, a composição foi oficializada apenas em 1920.
Além de força de vontade e determinação para superar os desafios da
catalogação e preservação de documentos no Brasil, é preciso uma política inteligente
de gestão administrativa, seguindo as instruções do Conarq. No entanto, de acordo ainda
com Cotta, se, por um lado, a preservação de documentos é de extrema importância para
a manutenção da cultura, por outro lado, a preservação não pode estar associada à ideia
de fetichismo, o que seria restringir o acesso a partituras devido à aura de valor que elas
representariam para a cultura. Ao contrário, a preservação de documentos musicais
consiste, sobretudo, na possibilidade de análise desses documentos e, se possível, em
sua execução, reconstruindo, assim, aspectos culturais, históricos e éticos da música
brasileira.

Notas (com base no texto original)

Coesão: 0.7 – O texto está coeso, não foge da argumentação central, mas às
vezes traz algumas informações que não são suficientemente desenvolvidas, causando
lacunas no texto. O uso de expressões bastante informais prejudica a coesão textual
argumentativa.
Coerência: 0.8 – A falta de conectivos textuais prejudica a intercalação das
frases, que em algumas vezes parecem avulsas ou soltas no corpo textual.
Correção gramatical: 0.9 – O texto está bem escrito e há poucos erros
gramaticais.

Consistência argumentativa seguindo a linha: 3 – Você elenca informações


que podem ajuda-lo a demonstrar as razões de os desafios ainda serem grandes na área
de catalogação e preservação de documentos musicais; no entanto, algumas vezes as
informações não são suficientemente desenvolvidas ou não muito confiáveis (pelo uso
do “se não me engano”, duas vezes no texto. O uso excessivo de “etc” denota certa
lacuna argumentativa, por ser um recurso que mais silencia informações do que
necessariamente informa o leitor.

Fundamentação teórica: 2 – Ainda que você elenque alguns nomes, quase toda
a sua argumentação parte de André Henrique Guerra Cotta, o que torna a tua
fundamentação teórica quase unilateral (você até cita Paulo Castagna, mas não desdobra
as suas postulações). Além disso, o fato de você possivelmente ter errado o nome de
Cotta logo no início do texto – sendo ele o teórico mais importante para a tua
argumentação – diminui um pouco a credibilidade no modo como você leu e citou o
teórico. c

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