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Instituto Superior de Relações Internacionais

Curso de Licenciatura em Administração Pública

Trabalho de Conclusão de Licenciatura

Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração Financeira do Estado – Uma Reflexão em


torno do e-folha na Celeridade do Pagamento de Salários no Estado: Caso do Governo do Distrito
de Marracuene (2013-2015)

Jaime Celestino Xavier Jeremias

Maputo, Abril de 2017

i
DECLARAÇÃO DE AUTORIA

Eu, Jaime Celestino Xavier Jeremias, declaro por minha honra, que o presente trabalho é da
minha autoria e que nunca foi anteriormente apresentado para avaliação em alguma Instituição de
Ensino Superior Nacional ou de outro País.

Maputo, Abril de 2017

______________________________

(Jaime Celestino Xavier Jeremias)

i
TERMO DE RESPONSABILIZAÇÃO DO CANDIDATO E DA SUPERVISORA

“Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração Financeira do Estado – Uma Reflexão em


torno do e-folha na Celeridade do Pagamento de Salários no Estado: Caso do Governo do Distrito
de Marracuene (2013-2015)

Trabalho a ser submetido ao Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) como


cumprimento parcial dos requisitos necessários para a obtenção do grau de licenciatura em
Administração Pública.

O Candidato:

________________________________________

(Jaime Celestino Xavier Jeremias)

A Supervisora:

_________________________________________

(Marcela Guivala, MA)

ii
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradecer à Deus pelo Dom da vida e por me ter guiado durante toda minha
jornada académica por me ter dado sabedoria e força nos momentos mais turbulentos no decorrer do
curso.

À minha mãe, Suzana Maria Sande Xavier pela coragem e dedicação que ela sempre teve para
oferecer a seus filhos a oportunidade de estudar e vencer na vida.

Ao meu pai, Celestino Jaime Jeremias que sempre acompanhou a família na difícil jornada de
criação dos seus filhos sempre ao lado da minha mãe, criando condições para que pudéssemos ter
acesso a educação formal.

Aos meus irmãos, Celestino Jaime Jeremias Júnior, Olga Celestino Jeremias, Adilson Celestino
Jeremias e Miriam Celestino Jeremias, que de certa forma contribuíram para a materialização do
presente trabalho.

Agradeço a minha supervisora Dra. Marcela Guivala pela atenção e acompanhamento que
disponibilizou para materialização do presente trabalho de pesquisa. Estendo os meus
agradecimentos aos meus colegas e amigos de jornada académica em especial para meu chefe de
turma (Joaquim Mairosse), Colegas e Amigos (Eugénio Carlos, Alfredo Matecana, Helena Buizi,
Verónica Chigumane, Raúl Macanze, Ivone Langa, Cecília Panguana, Sandra Mandamula, Haydate
Bacar, Elizabeth Manjate, Bento Ernesto, Michela Condo, Raúl Macanze, Paula Manhique) e tantos
outros que fazem parte da minha vida.

Adiante, agradecer aos funcionários do Governo do Distrito de Marracuene em especial aos


funcionários da Repartição de Administração Pública e Desenvolvimento Local pela
disponibilidade e apoio concedido durante o trabalho de campo e pelas boas relações criadas.

E por fim, agradecer a Dra. Sandra Vaz, ao Sr. Afonso Gule Júnior, ao Sr. Lornei David,
funcionários do CEDSIF pelas aulas de sapiência sobre o assunto em estudo. À todos vocês o meu
sincero MUITO OBRIGADO!

iii
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais Celestino Jaime Jeremias e Suzana Maria Sande Xavier,
Pelo imensurável apoio na qualidade de pais e amigos que sempre foram comigo.

Não obstante, dedicar este trabalho à todos estudantes, pesquisadores e responsáveis de sectores
financeiros do Estado na esperança de que este trabalho sirva de objecto de reflexão para que se
alcance uma gestão financeira transparente dos fundos públicos.

iv
EPÍGRAFE

“Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas.

Muito conhecimento, que se sintam humildes.

É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o céu,

enquanto que as cheias baixam para a terra, sua mãe.”

(Leonardo da Vinci)

v
ÍNDICE Pág.

DECLARAÇÃO DE AUTORIA .......................................................................................................... i


TERMO DE RESPONSABILIZAÇÃO DO CANDIDATO E DA SUPERVISORA ........................ii
AGRADECIMENTOS........................................................................................................................iii
DEDICATÓRIA ................................................................................................................................. iv
EPÍGRAFE........................................................................................................................................... v
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS .............................................................viii
LISTA DE FIGURAS, TABELAS E GRÁFICOS ............................................................................. ix
RESUMO ............................................................................................................................................. x
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1
1.1. Delimitação do Tema no Tempo e Espaço ................................................................................ 2
1.2. Justificativa................................................................................................................................ 2
1.3. Contextualização ....................................................................................................................... 3
1.4. Problematização ........................................................................................................................ 5
1.5. Objectivos do Estudo................................................................................................................. 6
1.5.1. Objectivo Geral ................................................................................................................... 6
1.5.2. Objectivos Específicos........................................................................................................ 6
1.6. Hipóteses ................................................................................................................................... 6
1.7. Questões de Pesquisa................................................................................................................. 7
1.8. Metodologia do Trabalho .......................................................................................................... 7
1.8.1. Caracterização da Pesquisa ................................................................................................. 7
1.8.2. Métodos de Pesquisa........................................................................................................... 9
1.8.3. Técnica de Recolha de Dados ........................................................................................... 10
1.8.4. População e Amostra ........................................................................................................ 12
1.8.5. Critérios de Inclusão e Critérios de Exclusão ................................................................... 13
1.9. Estrutura de Trabalho .......................................................................................................... 14
CAPÍTULO 2: ENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL ...................................... 15
2.1. Referencial Teórico ................................................................................................................. 15
2.1.1. Teoria da Nova Gestão Pública ou New Public Management .......................................... 15
2.1.2. Teoria Contingencial ........................................................................................................ 17
2.2. Debate Conceptual .................................................................................................................. 19
2.2.1. Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) ........................................................ 19
2.2.2. Administração Financeira ................................................................................................. 21

vi
2.2.3. Conceitos Complementares .............................................................................................. 22
CAPÍTULO 3: TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA MELHORIA
DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO ESTADO ............................................................... 25
3.1. Gestão Financeira do Estado: Criação do Sistema de Administração Financeira do Estado e
seus Componentes .......................................................................................................................... 25
3.1.1. Gestão Financeira do Estado no Contexto das Reformas Públicas em Moçambique ..... 26
3.2. Adopção das TIC’s na Administração Pública Moçambicana ................................................ 31
3.2.1. As TIC’s na Administração Financeira do Estado: O e-SISTAFE................................... 34
3.2.2. Informatização do Processo de Pagamento de Salário aos Funcionários e Agentes do
Estado: O e-Folha ...................................................................................................................... 37
3.3. Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração Financeira do Estado .......................... 42
CAPÍTULO 4: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
DA PESQUISA ................................................................................................................................. 47
4.1. Breve Descrição do Governo do Distrito de Marracuene ....................................................... 47
4.1.1. Divisão Administrativa ..................................................................................................... 47
4.1.2. Infra-Estruturas Relevantes .............................................................................................. 47
4.2. Perfil da Amostra do Estudo ................................................................................................... 48
4.3. Causas da Introdução do e-Folha no Pagamento dos Salários a nível do GDM ..................... 49
4.4. Aspectos Inerentes ao Processo de Pagamento de Salários no GDM ..................................... 52
4.5. Contributo do e-Folha na Celeridade do Pagamento de Salários a nível do GDM ................. 55
4.6. Verificação das Hipóteses ....................................................................................................... 58
4.7. Constrangimentos da Pesquisa ................................................................................................ 59
Considerações Finais........................................................................................................................ 60
Recomendações................................................................................................................................. 62
Referência Bibliográfica .................................................................................................................. 63
APÊNDICES e ANEXOS ................................................................................................................ 69

vii
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS

AE Agentes do Estado
CUT Conta Única de Tesouro

CEDSIF Centro de Desenvolvimento de Sistema de Informação de Finanças


DPPF Direcção Provincial de Plano e Finanças

e-CAF Cadastro Electrónico de Funcionários e Agentes do Estado


Suporte Electrónico da Folha de Pagamento de Salários e
e-Folha
Remuneração
e-GOV Governo Electrónico

e-SISTAFE Sistema Electrónico de Administração Financeira do Estado


FAE Funcionários e Agentes do Estado;

FP Funcionário Publico
GRH Gestão dos Recursos Humanos

GDM Governo do Distrito de Marracuene


ISRI Instituto Superior de Relações Internacionais
Ministério da Ciência e Tecnologia Ensino Superior e Técnico -
MCTESTP
Profissional.

MSP Módulo de Gestão de Salários e Pensões


N.U.I.T Numero Único de Identificação Tributária

OE Orçamento do Estado
RSP Reforma do Sector Público

SISTAFE Sistema de Administração Financeira do Estado


TIC’s Tecnologias de Informação e Comunicação
UGB Unidades Gestoras Beneficiárias

UTRAFE Unidade Técnica da Reforma da Administração Financeira do Estado


UTRESP Unidade Técnica da Reforma do Sector Público

viii
LISTA DE FIGURAS, TABELAS E GRÁFICOS

FIGURAS PÁG.

Figura 1: População e Amostra……………………………………………..……………..………..13

TABELAS

Tabela 1: Principais causas da introdução do e-Folha a nível do GDM (Quadro resumo)…………51

Tabela 2: Procedimento para processamento e pagamento de salários a nível do GDM (Quadro


Resumo)..............................................................................................................................................54

Tabela 3: Avaliação do contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de salários aos FAE….56

ix
RESUMO

A presente pesquisa tem como principal objectivo reflectir em torno do contributo das Tecnologias
de Informação e Comunicação na Melhoria da Administração Financeira do Estado com especial
destaque para o contributo do e-Folha na celeridade do Pagamento de Salários no Estado tomando
como estudo de caso o Governo do Distrito de Marracuene no período compreendido entre 2013-
2015. O estudo cingiu-se, numa primeira fase, na revisão bibliográfica e documental sobre a
Administração Financeira do Estado, no contexto das reformas e adopção das TIC’s na gestão das
finanças públicas. Sob ponto de vista da leitura teórica, o tema foi interpretado à luz da Teoria
Contingencial e da Nova Gestão Pública. De forma a obter informação, durante o estudo de caso
adoptou-se o Questionário e a Entrevista destinado aos operadores do e-SISTAFE (Sistema
Electrónico de Administração Financeira do Estado) e demais funcionários do Governo do Distrito
de Marracuene. A principal conclusão do trabalho é que o e-SISTAFE melhorou a Gestão de
Finanças Públicas ao introduzir o e-folha para o pagamento dos ordenados dos Funcionários e
Agentes de Estado, o que evita os pagamentos ilícitos e vicioso, dos funcionários “fantasmas”
graças ao aplicativo e-CAF (Cadastro Electrónico de Funcionários e Agentes do Estado) que
procede ao registo e cadastro dos beneficiários. Antes da reforma existiam vários sistemas de
processamento e cálculo para pagamento de salários numa base manual. E como principais
recomendações destacam-se os seguintes: Alargar os pontos de acesso ao e-SISTAFE a nível do
GDM a fim de reduzir a dependência de um e único ponto existente; Desenvolver formações e
capacitações constantes sobre o uso do e-SISTAFE que envolvem a particularidade (Teoria e
Prática).

Palavras-Chave: e-Folha, e-SISTAFE, Tecnologias de Informação e Comunicação; Administração


Financeira do Estado.

x
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO

A Administração Pública é uma ciência dinâmica e a medida que o tempo passa, a


tecnologia da o seu upgrade1 e as inovações vão aumentando e revolucionando a vida dos cidadãos,
ensinando melhores práticas para fazer as coisas e aumentar a qualidade e atingir os seus objectivos
de boa governação. Os Governos no mundo estão a abraçar o Governo electrónico para lidar, de
forma eficaz, com as mudanças próprias da Era da Informação: os efeitos e consequências da
globalização, da Revolução Digital e da Internet (Estratégia de Governo Electrónico de
Moçambique, 2006:3).

Por outro lado, os Governos procuram disponibilizar, através dos Portais Electrónicos, informação
relevante dos serviços públicos. Nota-se a importância que as Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC’s) representam hoje para os indivíduos, organizações, instituições, negócios,
sobretudo para o desenvolvimento, rumo à satisfação dos objectivos do Milénio.

Neste contexto, o Governo de Moçambique aprovou, através da Resolução nº 28/2000, de 12 de


Dezembro, a Política de Informática (PI), com o objectivo de incluir Moçambique no mundo das
TIC’s, que têm na Internet o seu expoente mais alto. Sendo que a aprovação da PI enquadra-se no
âmbito das Reformas do Sector Público (RSP) em curso desde 2001 e operacionalizadas pela
Estratégia Global da Reforma do Sector Público (EGRSP) que consistiu num plano de dez anos
(2001-2011), dividido em duas fases: Primeira (2001-2005), cujo foco foi criar as condições básicas
para a transformação do sector público, nomeadamente a mobilização política e o apoio público a
reforma e a Segunda fase de (2006-2011).

Na sequência, verifica-se a aprovação da Estratégia da Reforma e Desenvolvimento da


Administração Pública (ERDAP) ‒ 2012-2025, um instrumento de continuidade, que tem a missão
de “garantir a prestação de serviços públicos de qualidade, através de recursos humanos
qualificados e motivados, processos eficientes e sistemas integrados, com base numa gestão
financeira rigorosa e transparente, e numa estrutura consolidada, responsabilizada e de actuação
íntegra e coordenada” (ERDAP, 2012:38).

1
Upgrade é um termo de origem inglesa que significa actualização ou melhoria e é bastante utilizado no campo da
informática, tanto para computadores quanto para outros produtos electrónicos. Quando se diz que há um upgrade é o
mesmo que dizer que existe uma versão mais recente e actualizada daquele produto ou componente. Assim, o termo
upgrade no presente trabalho vai merecer a conotação de actualização e noutras circunstâncias poderá significar
reforma.

1
Dentre as mais importantes directrizes da Reforma do Sector Público destaca-se a aprovação de
legislação que moderniza os instrumentos e procedimentos de Gestão Financeira – SISTAFE
(Sistema de administração Financeira do Estado).

O SISTAFE é suportado por um sistema informático designado e-SISTAFE (Sistema Electrónico


de Administração Financeira do Estado) constituído por vários módulos, no entanto, interessa neste
trabalho abordar o e- SISTAFE no seu módulo de Gestão de Salários e Pensões, que apoia
a elaboração da folha de salários e pensões dos funcionários públicos e pensionistas.

É nesta esfera que o presente trabalho tornou-se subordinado ao tema: “Contributo das Tecnologias
de Informação e Comunicação na Melhoria da Administração Financeira do Estado – Uma reflexão
em torno do e-Folha na celeridade do Pagamento de Salários no Estado”. Como local para o estudo
de caso, foi definido o Governo do Distrito de Marracuene (GDM) e os dados colhidos sobre o e-
Folha cobrem o período de 2013 a 2015. Com a materialização do presente trabalho, pretende-se
contribuir para constante melhoria da gestão dos fundos do Estado, bem como como da qualidades
de funcionamento da máquina administrativa do Estado moçambicano. Não obstante, este trabalho
insere-se no cumprimento dos requisitos para a obtenção do grau de Licenciatura em Administração
Pública no Instituto Superior de Relações Internacionais.

1.1. Delimitação do Tema no Tempo e Espaço


O horizonte temporal definido para a pesquisa compreende o período de 2013-2015 e teve como
espaço de estudo o Governo do Distrito de Marracuene (GDM). O motivo da escolha do GDM,
prende-se ao facto de o pesquisador ter realizado o Estágio pré-profissional nesta jurisdição
administrativa do país, onde surge a oportunidade de vivenciar aparentes constrangimentos ligados
a plataforma electrónica do e-folha suportado a nível do e-SISTAFE e ao facto da plataforma ter
sido recentemente introduzida no Distrito.

Sendo que a introdução do e-folha nas instituições do Estado, particularmente, no Distrito de


Marracuene, é relativamente recente (Outubro de 2013), o período estabelecido para o estudo que se
propõe fazer (2013-2015), compreende o período viável para obter dados suficientes para avaliar, a
curto e médio prazo o contributo do e-folha na celeridade do pagamento de salários.

1.2. Justificativa
Um dos aspectos que suscitou a curiosidade do pesquisador em aprofundar o tema levantado é a
constatação de vários constrangimentos ligados ao Sistema Electrónico de Administração

2
Financeira do Estado (e-SISTAFE) em realizar eficientemente as operações financeiras para as
quais terá sido programado.

Considerando que o uso das novas TIC’s na gestão das empresas registou um crescimento à escala
mundial, fruto da revolução tecnológica que se regista desde o século XX, ao nível do contexto
moçambicano este tema continua sendo pouco explorado sob ponto de vista técnico-científico.
Assim, justifica-se a necessidade de realização de estudos que visem analisar e perceber o processo
de introdução e utilização das novas TIC’s, no caso concreto, o impacto destas na melhoria da
Administração Financeira do Estado, e sobretudo, porque o desenvolvimento das TIC’s no nosso
país é um dado recorrente da agenda política.

Sob ponto de vista académico, em atenção para o Instituto Superior de Relações Internacionais
(ISRI) e para o Curso de Licenciatura em Administração Pública, a abordagem deste assunto
demostra-se importante na medida em que pouco se tem escrito ou aprofundado sobre esta matéria,
pretende-se então, contribuir com algum subsídio numa área não tão nova mas que merece
destaque, que é a introdução das TCI’s na Gestão da “Coisa Pública” e contribuir para a eficiente
satisfação das necessidades da colectividade, tal como dos funcionários públicos através da
identificação, compreensão e avaliação dos inconvenientes resultantes do uso de soluções
informáticas para a dinamizar o processo de pagamento de salários aos Funcionários e Agentes do
Estado (FAE).

Sob ponto de vista teórico, a pesquisa afigura-se importante pois reflecte sobre um assunto
relativamente recente e proeminente na Função Pública, neste caso a aplicação de soluções
informáticas para melhorar a Administração Financeira do Estado Moçambicano, e num contexto
específico, foi introduzido o Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE), suportado
pelo e-SISTAFE com o propósito de estabelecer de forma global mais abrangente e consistente os
princípios básicos e normas gerais de um sistema integrado de administração financeira dos órgãos
e instituições do Estado.

1.3. Contextualização
Diversos Governos do mundo estão a abraçar o Governo electrónico para lidar, de forma eficaz,
com as mudanças próprias da Era da Informação: os efeitos e consequências da globalização, da
revolução Digital e da Internet. As tecnologias de comunicação representam hoje em dia uma
ferramenta indispensável para o funcionamento eficaz das organizações e, Sousa (2003:131)

3
sustenta que os sistemas informáticos representam actualmente um elemento preponderante para a
gestão de uma empresa.

As TIC’s são mais do que ferramentas de trabalho. Elas têm um papel de transformação, na maneira
como elas permitem mudanças, ao nível de mentalidades, ao nível institucional, incluindo
instituições governamentais do sector produtivo (privadas e públicas), alterando a forma como as
organizações e os indivíduos comunicam, funcionam e trocam conhecimento, (MCTESTP, 2015).

Em Junho de 2001 foi aprovada a Estratégia Global da Reforma do Sector Público, com essência
em 5 componentes: racionalização e descentralização de estruturas e processos de prestação de
serviços públicos; Formulação e monitoria de políticas públicas; profissionalização e melhoria das
condições de trabalho dos funcionários públicos; Gestão financeira e orçamental do Estado e
processos de prestação de contas; e Boa governação e combate a corrupção, (CIRESP, 2001).

Como parte integrante das Reformas Públicas foi iniciada a implementação do programa de
modernização da Administração Financeira do Estado, tendo sido criado o SISTAFE, através da Lei
nº 9/2001 de, 12 de Fevereiro (BR, 2002) suportado pelo e-SISTAFE, a fim de melhorar o sistema
de gestão da “coisa pública” em Moçambique e combater as perdas ilegais de fundos públicos
através de controlo intercorrente, comparabilidade, uso de padrões internacionalmente aceites,
uniformidade de critérios em todo o país e formação e capacitação de recursos humanos em
Tecnologias de Informação e Comunicação no âmbito da Administração Financeira do Estado.

Foi através da reforma da Administração Financeira do Estado, executada pela Unidade Técnica da
Reforma da Administração Financeira do Estado (UTRAFE) que o Governo moçambicano sentiu a
necessidade de implantar um sistema eficiente de gestão das finanças públicas apostando assim nas
TIC’s.

Nos últimos tempos, estudiosos, pesquisadores e praticantes envolvidos ou interessados no Governo


electrónico têm definido este como sendo “o uso das tecnologias de informação e comunicação para
promover maior eficiência e eficácia governamentais, facilitando o acesso aos serviços públicos,
permitindo ao cidadão e ao empresário o acesso à informação e tornando o Governo mais
responsável perante o cidadão” (Gartner Group2, 2000 citado na Estratégia de Governo Electrónico
de Moçambique,2006).

2
Gartner Group é uma empresa de consultoria fundada em 1979 por Gideon Gartner. A Gartner desenvolve tecnologias
relacionadas a introspecção necessária para seus clientes tomarem suas decisões todos os dias. Informação disponível
online em www.gartner.com/technology/about.jsp consultado a 12 de Agosto de 2016.

4
É no contexto do “Governo electrónico” que surge a necessidade de aprofundar estudos sobre o
processo gradual de modernização e informatização dos mecanismos de gestão financeira no Estado
Moçambicano.

1.4. Problematização
A Administração Financeira do Estado é uma área bastante sensível do sector público. Com o
objectivo de melhorar o sistema de gestão pública em Moçambique introduziu-se o SISTAFE com
intuito de produzir informação sobre os gastos públicos, aumentar a transparência e reduzir o risco
de desvio de fundo, garantindo a celeridade dos serviços prestados pelo Estado. Mas, este objectivo
por vezes tem sido ofuscado por deficiências resultantes de falhas nos sistemas informáticos de
Gestão Financeira do Estado. A título de exemplo:

“Alguns professores das províncias de Maputo e Gaza ainda não auferiram o salário de Janeiro, que
geralmente é pago entre 20 e 25 de cada mês, devido a problemas que alegadamente decorrem da
actualização de dados no Sistema Electrónico de Administração Financeira do Estado (e-SISTAFE).
Os docentes sempre reclamaram de atrasos dos seus ordenados por causa de supostas falhas do
mesmo sistema, porém, desta vez alguns agentes da Polícia foram, também, afectados”.

Aliás, enquanto alguns funcionários aguardavam pelo seu ordenado, outros, haviam auferido três
vezes o salário num único mês por causa das falhas do aludido sistema3.

Conforme citado, dados sobre constrangimentos provocados pelo e-SISTAFE, são difundidos pela
mídia. Igualmente, já foram reportadas situações de existência de “esquemas” de pagamento de
funcionários “Fantasmas”, ou seja funcionários que resultante do seu desaparecimento físico
cessaram seu vínculo contratual com o Estado e que mesmo assim, quadros responsáveis das
finanças viabilizam esquemas de desvios de fundos do Estado.

Dado que o salário é importante e também um meio motivador para os funcionários, o Estado
sempre preocupou-se em garantir que os mesmos recebessem os seus ordenados em tempo útil. Este
foi o desafio reforçado pelo Ministro da Economia e Finanças 4, para que os gestores financeiros

3
In Jornal @Verdade. Falhas do SISTAFE originam atraso do salário de professores. Online, disponível em
http://www.verdade.co.mz/nacional/43719-falhas-do-sistafe-originam-atraso-do-salario-de-professores. Publicado
a 01 de Fevereiro de 2014. Consultado em 02 de Maio de 2015.
4
In Jornal TVM Noticias. Pagamento do Salário aos Funcionários: Ministro da Economia defende fixação de data
única. Online, Disponível em http://noticias.tvm.co.mz/index.php/economia/item/index.php. Publicado a 19 de
Março de 2015; Consultado em 02 de Maio de 2015.

5
pudessem fixar uma data única para pagar o salário do funcionário público e assim permitir uma
melhor programação financeira ao funcionário.

De acordo com Sousa (2001:20) “ os sistemas informáticos representam actualmente um elemento


preponderante para a gestão da empresa. Da direcção da contabilidade, do departamento financeiro
aos recursos humanos, em todas as áreas encontramos a presença, maior ou menor de equipamentos
e soluções informáticas.” O sistema informático habilita o ser humano a realizar suas tarefas com
maior celeridade e eficiência, com menos erros, com aprendizado menor, com qualidade resultantes
e maior satisfação.

Importa porém, salientar que a utilização das TIC’s exige dos agentes um certo domínio nos
sistemas aplicativos, devendo para tal existir recursos humanos capazes de estabelecer e garantir o
normal funcionamento do sistema. Portanto, por mais que se modernize o sistema e todo um
conjunto de procedimentos, esta modernização poderá não produzir os resultados esperados se o
pessoal não for capacitado. Nesta perspectiva, a questão de partida que se levanta é: Até que ponto
a introdução das TIC’s contribui na melhoria da Administração Financeira do Estado
sobretudo do e-Folha para celeridade do pagamento de salários?

1.5. Objectivos do Estudo

1.5.1. Objectivo Geral


Reflectir em torno contributo das Tecnologias de Informação e Comunicação na melhoria da
Administração Financeira do Estado com enfâse no e-folha na celeridade do pagamento de salários.

1.5.2. Objectivos Específicos


 Identificar as causas da introdução do e-Folha no pagamento dos salários a nível do GDM;
 Identificar os aspectos inerentes ao processo de pagamento de salários no GDM;
 Avaliar o contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de salários a nível do GDM.

1.6. Hipóteses
Conforme formulada a questão de partida para o problema levantado, apresentam-se as seguintes
hipóteses:

H1: A introdução das TIC’s em particular do e-folha melhorou a gestão das finanças públicas e a
celeridade no âmbito do pagamento de salários aos Funcionários e Agentes do Estado no GDM;

6
H2: A incapacidade dos recursos humanos em lidar com as soluções informáticas e as condições
infra-estruturais e tecnológicas disponíveis no Distrito de Marracuene torna deficiente o pagamento
célere dos salários a nível do GDM.

1.7. Questões de Pesquisa

 Quais são as causas da introdução do e-Folha no pagamento dos salários a nível do GDM?
 Quais são os aspectos inerentes ao processamento de salários no GDM?
 Qual é o contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de salários a nível do GDM?

1.8. Metodologia do Trabalho


Uma pesquisa científica segundo Neves e Domingos (2007:17) é a realização concreta de uma
investigação planeada e desenvolvida de acordo com normas consagradas pela metodologia
científica. A metodologia se interessa pela validade do caminho escolhido para se chegar ao fim
proposto pela pesquisa; portanto, não deve ser confundida com o conteúdo (teoria) nem com os
procedimentos (métodos e técnicas). Dessa forma, a metodologia vai além da descrição dos
procedimentos (métodos e técnicas a serem utilizados na pesquisa), indicando a escolha teórica
realizada pelo pesquisador para abordar o objecto de estudo (Gerhardt & Silveira, 2009). Deste
modo, para efeito de materialização da presente pesquisa optou-se pela seguinte metodologia:

1.8.1. Caracterização da Pesquisa


a) Quanto à natureza

A pesquisa é Aplicada. Segundo Menezes e Silva (2005:20) este tipo de pesquisa objectiva gerar
conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Assim, a
pesquisa concebeu conhecimentos inerentes ao tema para a possível formulação de soluções para
constrangimentos ligados a plataforma do e-Folha no processo de pagamento de salários.

b) Quanto à forma de Abordagem

A pesquisa é qualitativa, segundo Malhotra (2001,5 citado por Guambe, 2011:73) a pesquisa
qualitativa é uma metodologia não-estruturada, de carácter exploratório, que se baseia em pequenas
amostras e permite melhor compreensão do contexto do objecto de estudo. De forma geral, ela
representa uma tentativa de conhecer com maior profundidade um problema ou fenómeno,
buscando descrever-lhe as características e definindo-o melhor perante os olhos do pesquisador,
pese embora em algum momento tenha se inclinado para a abordagem quantitativa, conforme

5
Malhotra, N. K. (2001). Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman.

7
afirma Severino (2006) que não existe um estudo completamente quantitativa ou qualitativa as duas
abordagens acabam se entrelaçando e se complementando.

Nesta óptica de ideias, a aplicação da pesquisa qualitativa foi através do estudo de campo que
tornou-se em grande medida relevante pois permitiu através da contacto directo com o fenómeno
em estudo, o acompanhamento de todo processo de pagamento de salários aos FAE via e-folha e
considerando os objectivos do trabalho, permitiu recolher os dados necessários para perceber se esta
solução informática oferece a celeridade exigida para pagamento de salários.

Numa outra abordagem, o método quantitativo ajudou a tornar quantificável as variáveis concebidas
no questionário submetido aos funcionários do GDM, assim como a outras entidades mereceram
destaque no presente estudo.

c) Quanto aos objectivos

Quanto aos objectivos a pesquisa tem um carácter exploratório e explicativo.

A pesquisa exploratória é realizada, segundo Vergara (2000), em áreas em que existe pouco
conhecimento acumulado e sistematizado. É portanto, adequada para o objectivo de aumentar o
conhecimento sobre determinado assunto, ou, nas palavras de Gonçalves e Meirelles (2004:37), é
“realizada para descobrir ou descrever melhor o(s) problema(s) raiz que são apontados através de
sintomas (ou queixas) para se alcançar os objectivos.”

Nesta senda, a pesquisa exploratória materializou-se através da formulação de questões de pesquisa


e hipóteses que posteriormente foram colocadas a prova no campo ajudaram o pesquisador estar
mais inteirado sobre o contributo do uso das TIC’s na melhoria da Administração Financeira do
Estado com especial atenção para o processo de pagamentos de salários via e-Folha.

Por outro lado, pautou-se pela pesquisa explicativa, que segundo Gil (1995:32), visa identificar os
factores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenómenos. Aprofunda o
conhecimento da realidade porque explica a razão, o “porquê” das coisas. Tendo em vista os
objectivos que se pretendem alcançar a aplicação deste tipo de pesquisa consistiu na conjugação das
técnicas de recolha de dados usadas neste trabalho e do estudo de caso com a intenção de observar
“in loco e explicar” em que medida a tecnologia é um “actor” que contribui na melhoria da
actividade financeira do Estado.

8
1.8.2. Métodos de Pesquisa

a) Quanto ao Método de Procedimento

Relativamente ao método de procedimento, é aplicado ao estudo o Monográfico ou Estudo de Caso.

O Método Monográfico ou Estudo de Caso, de acordo com Gil (2002:54), consiste no estudo
profundo e exaustivo de um ou poucos objectos, de maneira que permita seu amplo e detalhado
conhecimento e para a realização da pesquisa. Nestes termos pautou-se por situações da vida real
(institucional), possibilitando assim a descrição do problema no contexto em que está sendo feita a
pesquisa. Assim este método foi extremamente importante pois colocou-nos perante a realidade de
modo a conhecer o que acontece no terreno. Ainda, de acordo com este método, qualquer caso
estudado em profundidade pode explicar outros fenómenos semelhantes. Através da aplicação deste
método foi possível por prova as hipóteses levantadas para responder a questão de partida e
consequentemente satisfazer os objectivos propostos, conjugando com outras técnicas de recolhas
de dados como a entrevista e o questionário, sendo que o caso em questão é representativo do
fenómeno a estudar a nível de outros Governo Distritais com adopção do e-SISTAFE em especial
do aplicativo e-Folha.

b) Método de Abordagem

O método de abordagem escolhido é o hipotético-dedutivo. Este método foi definido por Karl
Popper, a partir de suas críticas ao método indutivo. Para ele, o método indutivo não se justifica,
pois o salto indutivo de “alguns” para “todos” exigiria que a observação de fatos isolados fosse
infinita. O método hipotético-dedutivo pode ser explicado a partir do seguinte esquema:

PROBLEMA – HIPÓTESES – DEDUÇÃO DE CONSEQUÊNCIAS OBSERVADAS –


TENTATIVA DE FALSEAMENTO – CORROBORAÇÃO/CONFIRMAÇÃO

Quando os conhecimentos disponíveis sobre um determinado assunto são insuficientes para explicar
um fenómeno, surge o problema. Para tentar explicar o problema, são formuladas hipóteses; destas
deduzem-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tentar tornar
falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Quando não se consegue derrubar a hipótese, tem-
se sua corroboração; segundo Popper, a hipótese se mostra válida, pois superou todos os testes,
porém ela não é definitivamente confirmada, pois a qualquer momento poderá surgir um fato que a
invalide.

9
Segundo Marconi e Lakatos (2007: 106), o método hipotético-dedutivo é aquele que se inicia pela
percepção de uma lacuna nos conhecimentos acerca da qual formula hipóteses e pelo processo de
inferência dedutiva, testa-se a predição da ocorrência de fenómenos abrangidos pelas hipóteses.

No presente estudo, concebeu-se hipóteses relativas ao problema em estudo e considerando os


pressupostos desta abordagem foram desenvolvidas investigações no terreno que auxiliaram o
pesquisador a trazer a verdade à tona, e assim confrontadas as deduções sobre o problema.

1.8.3. Técnica de Recolha de Dados


Em primeiro lugar, é preciso lembrar que método e técnica designam realidades diferentes. Soriano
(2004) afirma que o método representa como se pesquisa, enquanto que a técnica representa por
meio de que se pesquisa. O autor ainda acrescenta um terceiro elemento, o instrumento de pesquisa,
que seria o meio físico para se pesquisar (como por exemplo um guia de observação ou um roteiro
de entrevista).

Quanto aos procedimentos técnicos optou-se pela Pesquisa Bibliográfica, Documental,


Entrevista e Questionário.

a) Pesquisa Bibliográfica

Segundo Spínola e Silva (2005:11), uma Pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir do material
já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos já catalogados em bibliotecas,
editoras, internet e em videotecas. É a pesquisa realizada através de material já publicado em livros,
revistas, jornais, meios electrónicos acessíveis ao público em geral (Vergara, 2000).

Neste caso, fez-se revisão dos dados publicados e não publicados, em diversas formas, tais como
livros, dissertações, relatórios apresentados em vários fóruns, artigos de revistas, quase todos
relacionados com o tema em estudo constituiu a principal técnica para o desenvolvimento do tema.

b) Pesquisa Documental

Em relação a pesquisa documental, esta pesquisa realizada em documentos arquivados em locais


públicos ou privados, com pessoas, registo, anais, diários, cartas, comunicações informais, etc
(Vergara, 2000).

Ou seja, é realizada com base em fontes de dados ainda não tratadas analiticamente ou reelaboradas
por outros autores, divididas em fontes de primeira mão (conservadas em arquivos ou pessoais) e de

10
segunda mão (relatórios empresariais ou de pesquisa e dados estatísticos), que devem ser
representativos e correctamente interpretados pelo pesquisador (Gil, 1996; Dencker, 2000).

Considerando que a introdução da plataforma de pagamento de salários (e-Folha) é relativamente


recente no Distrito de Marracuene, analisou-se relatórios elaborados pelo Centro de
Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF)6 sobre o desempenho do e-
folha no distrito e outros documentos que venham a ser disponibilizados no GDM referentes a
avaliação do desempenho do e-Folha quanto a celeridade do pagamento de salários.

c) Entrevista

Constitui uma serie de perguntas e consiste na comunicação bilateral. Na presente pesquisa optou-se
pela entrevista de caracter exploratório, onde foram usadas eventuais indagações ou levantamento
de dados e informações que não estavam contempladas no formulário, (Kauark et al, 2010:64).

Por outro lado, para facultar a recolha de dados sobre o assunto em causa, pautou-se pela elaboração
da Entrevista semi-estruturada, neste caso, o entrevistador prepara uma lista padronizada de
perguntas, mas acrescenta, em cada entrevista que conduzir, perguntas adicionais que porventura
permitam maior alcance dos objectivos, de acordo com os comentários e as respostas do
entrevistado, dando maior liberdade e flexibilidade para o entrevistador, que poderá buscar maior
esclarecimento junto ao entrevistado ou sondar suas respostas (May, 2004).

Dencker (2000) destaca que a entrevista permite maior flexibilidade na elaboração das questões e
consegue maior sinceridade por parte do respondente.

A escolha desta técnica de recolha de dados deve-se ao facto de que a entrevista permite um diálogo
aberto com o entrevistado, no caso a pessoa que está ligado ao fenómeno em estudo e detém
informações ou seja, respostas necessárias para entender aos mínimos detalhes em que medida a
tecnologia consubstanciada o e-Folha contribui na celeridade do pagamento de salários e permite
melhorar a Administração Financeira do Estado Moçambicano. Em termos práticos foram
entrevistados os funcionários do GDM ligados ao manuseamento do e-SISTAFE ou com
conhecimentos relevantes para compreensão do assunto em estudo.

6
CEDSIF - Entidade responsável pela implementação, execução e Gestão de Finanças Públicas e-SISTAFE.
Anteriormente designada por UTRAFE – Unidade Técnica de Reforma da Administração Financeira do Estado.

11
d) Questionário

O Questionário que consiste na "[...] técnica de investigação composta por um número mais ou
menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objectivo o conhecimento
de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc." (Gil,
1995:124).

A escolha do questionário como técnica de recolha de dados permitiu suportar as deficiências que
surgiram durante a entrevista. Não só, o questionário permitiu atingir grande número de pessoas,
mesmo dispersas; não exigiu gastos com treinamento de entrevistadores; garantiu o anonimato dos
respondentes e abriu a possibilidade das pessoas responderem no momento mais conveniente; (Gil,
1995). Por outro lado, foram inquiridos funcionários de diferentes sectores a nível do GDM de
modo aferir a sua percepção em relação a celeridade do pagamento de salários.

1.8.4. População e Amostra

Segundo Meneses e Silva (2001:32) “População ou universo da pesquisa é a totalidade de


indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um determinado estudo”. Para a
presente pesquisa considerou-se os funcionários do GDM e demais estruturas estatais ligadas ao
Gestão das Finanças Públicas. Assim, a população deste estudo é constituída por 1647 funcionários
do GDM dentre eles 200 com atribuições para o uso do e-SISTAFE.

O critério de amostragem que usado foi purpositive sampling (amostragem intencional ou


propositada). Amostragem intencional ou propositada é a aquela que o pesquisador escolhe
deliberadamente aos indivíduos que estão directamente ligados na matéria representando desse
modo o universo populacional (Tavares, 2007:83). Perante este cenário, a amostra obtida para efeito
de estudo foi de 30 Funcionários. Dentre eles 10 funcionários com acesso ao e-SISTAFE/e-Folha e
20 funcionários sem ligação directa com processamento e pagamento de salários, isto é, são
funcionários que estão envolvidos no funcionamento da máquina administrativa e também detém
informações e opiniões sobre a introdução do e-Folha no pagamento de salários.

Este tipo de amostragem permitiu seleccionar um grupo de pessoas (amostra) possíveis de


entrevistar, isto é, aqueles que se julgou serem importantes para a pesquisa a nível do GDM e com
disponibilidade para fornecer dados sobre o assunto em estudo. No entanto, com a finalidade de
obter mais informação sobre o e-Folha recorreu-se ao CEDSIF dado que esta é a entidade
responsável pela implementação, execução e gestão do sistema de finanças públicas e-SISTAFE.

12
Sendo assim, foram entrevistados os 10 funcionários com acesso ao e-SISTAFE, directamente
ligados ao processamento e pagamentos dos salários aos FAE a nível do GDM.

E o inquérito foi suportado pela técnica de Amostragem estratificada: nessa forma de amostragem, é
preciso dividir a população em estratos ou subgrupos (por exemplo, por sexo, faixa etária, classe
social, posição hierárquica), para a partir dessa divisão identificar a amostra; dentro de cada estrato,
o pesquisador utiliza normalmente a amostragem aleatória simples para seleccionar cada elemento
(Malhotra, 2001). Assim foram inqueridos os 20 funcionários sem ligação directa com
processamento e pagamento de salários.

Figura 1. População e Amostra

População
Amostra

Fonte: Adaptação do Autor (2017)

1.8.5. Critérios de Inclusão e Critérios de Exclusão

Esta pesquisa tem um nível de abrangência institucional, o que implica que serão privilegiados
indivíduos funcionários que detém um vínculo laboral com o Estado. Portanto, foram incluídos,
funcionários do GDM com conhecimento sobre o e-SISTAFE, sem distinção de raça, cor, sexo,
religião, ou proveniência, com idade compreendida entre 21-70 anos. Porém, através do Critério de
Exclusão, foram excluídos do estudo funcionários sem nenhum conhecimento sobre o e-SISTAFE,
utentes de serviços públicos e funcionários em período probatório.

13
1.9. Estrutura de Trabalho
Para além dos elementos pré-textuais o presente trabalho agrega quatro capítulos designadamente
estruturados:

No primeiro faz-se a introdução, com a delimitação temporal e espacial, a contextualização,


justificativa, problematização, os objectivos, as questões de pesquisa, as hipóteses, a metodologia e
a estrutura do trabalho.

O segundo é intitulado enquadramento teórico e debate conceptual. Neste é apresentada a teoria


que serve de suporte para a explicação do fenómeno estudado, nomeadamente a Teoria de
Contingência e a Teoria da Nova Gestão Pública e são debatidos os conceitos-chave do trabalho.

O terceiro aborda sobre a adopção das Tecnologias de Comunicação e Informação na


Administração Financeira do Estado e os decorrentes do uso do mesmo no desempenho das
instituições do Estado, ainda no mesmo capítulo aborda-se o contexto da introdução das TIC’s na
Administração Financeira do Estado em concreto do e-SISTAFE e do e-Folha, e superficialmente o
processo de pagamento de salário via e-Folha.

Por último, encontra-se o capítulo 4, relativo à apresentação, análise e interpretação dos dados. Este
compreende, especificamente, a caracterização do objecto de estudo e a apresentação, análise e
interpretação dos dados empíricos obtidos no “trabalho de campo e a verificação das hipóteses do
trabalho”. De referir que este capítulo antecede a conclusão do trabalho, as recomendações,
referências bibliográficas, anexos e apêndices.

14
CAPÍTULO 2: ENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL

Neste capítulo são apresentadas as teorias que serviram de suporte para a explicação do objecto
estudado, uma vez que nas ciências sociais, todo o fenómeno pesquisado tem a sua ferramenta para
explicar o seu objecto. São, igualmente, apresentados os conceitos-chave para o desenvolvimento
do trabalho.

2.1. Referencial Teórico


A presente pesquisa teve como bases teóricas para enquadramento do tema: A Teoria da Nova
Gestão Pública ou New Public Management e a Teoria Contingencial.

2.1.1. Teoria da Nova Gestão Pública ou New Public Management


“Nova Gestão Pública” corresponde à versão em inglês New Public Management (NPM) ou à
versão em espanhol Nueva Gestión Pública ou Nueva Gerencia Pública (NGP) ou Nuevo Manejo
Público (NMP).

A Nova Gestão Pública possui uma característica bem distinta dos modelos que anteriormente eram
aplicados na administração do Estado. A necessidade de rediscutir o papel e as formas de
funcionamento do Estado, com vistas ao atendimento dos requerimentos atuais, vem motivando o
debate acerca das reformas no cenário internacional. Os desafios de implementar programas
voltados para o aumento da eficiência e melhoria da qualidade dos serviços parecem ser a tendência
dominante, ganhando a denominação genérica de gerencialismo na administração pública.

Assim, surge o movimento do New Public Management, que incorpora a ideia da efectividade e da
busca da melhoria da qualidade dos serviços, na perspectiva dos clientes/usuários destes serviços. O
modelo evolui para uma visão baseada na noção de equidade, resgate do conceito de esfera pública,
ampliação do dever social de prestação de contas e o foco em resultados finalísticos.

i. Precursores da Teoria da Nova Gestão Pública ou New Public Management

A NGP emergiu inicialmente em países anglo-saxônicos, a partir do início dos anos 1980, tais
como: Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.

Michel Messenet (1975,7 citado por Júnior, (s.d), em sua obra La Nouvelle Gestion Publique: pour
un Etat sans Burocratie, obra publicada em 1975, foi quem primeiro cunhou a expressão “Nova
Gestão Pública”, ao criticar a Administração Pública burocrática. Entretanto, o seu texto fundador é
7
Messenet Michel (1975), La Nouvelle Gestion Publique: pour un Etat sans Burocratie, Editions Hommes et
Tecniques, Paris.

15
o artigo “A public management for all seasons?”, escrito por Christopher Hood8 e publicado em
1991.

Importante ressaltar que o conceito de Nova Gestão Pública surgiu em uma tentativa de reforçar o
conceito de cidadania; reforçar valores da coisa pública nos servidores (eficácia, eficiência e ética);
reconhecer novos direitos como garantia dos cidadãos; ter como horizonte a satisfação do cidadão
(simplificação, redução de tempos, melhoria da qualidade do atendimento); focar na universalidade
e igualdade; incrementar a qualidade e a quantidade de serviços; fazer uma clara delimitação da
externalização dos serviços (admitindo, por exemplo, as privatizações, mas a partir de uma prévia
discussão sobre o que é, e o que não é papel do Estado, e não como iniciativas do tipo Estado
mínimo).

ii. Pressupostos Básicos da Teoria da Nova Gestão Pública ou New Public Management

A Nova Gestão Pública, como modelo de gestão, é difícil de ser correctamente definida
(McLaughlin, 2002:409). É um modelo que constitui um desafio à administração pública tradicional
construída pelos burocratas. Enfatiza uma via mais activa em torno da eficiência da gestão pública
(Jackson, 1994:121). Essencialmente é um modelo de gestão que procura organizar e
operacionalizar, de maneira diferente, a Administração Pública e os seus agentes, de maneira a: ·

 Melhorar o seu desempenho;


 Aumentar a sua eficiência;
 Evitar a corrupção;
 Orientar a Administração Pública para as necessidades dos cidadãos;
 Abrir a Administração Pública à sociedade;
 Torna-la mais transparente e idónea;
 Definir e identificar competências e responsabilidades;
 Evitar o desperdício;

Estas são, em resumo, as linhas estratégias da Nova Gestão Pública (Warrington, 1997).

iii. Aplicabilidade da Teoria para o Estudo

8
Christopher Hood autor do artigo intitulado “A public management for all seasons?” ou “A Gestão Pública para
todas as estações?” descrever as reformas que tinha sido em torno no sector público em muitos países, especialmente
países de língua Inglês, desde o início de 1980. Disponível online em www.ipf.se/static/files/12/hood_the_paper.pdf
Consultado em 05 de Agosto de 2016.

16
Uma das características marcantes da Nova Gestão Pública é a intensificação do uso de tecnologias
de informação. A sua utilização visa agilizar o processo como um todo. A troca de informações
entre os sectores internos e com a própria sociedade é facilitada e, consequentemente, se torna mais
transparente. Nesta perspectiva a introdução das tecnologias de informação na esfera financeira do
Estado tem em vista dinamizar gestão das despesas públicas bem como garantir a segurança dos
fundos públicos. Com base na teoria da nova gestão pública é possível entender que a adopção de
meios tecnológicos na gestão financeira é um imperativo conjuntural na medida em que as
tendências actuais de Governação estão viradas na simplificação, redução de tempos, melhoria da
qualidade dos serviços públicos.

2.1.2. Teoria Contingencial

Inicialmente vamos fazer uma ligação no plano da abordagem contingencial que surge, por volta da
década de 1960, a partir de várias pesquisas feitas para verificar os modelos de estruturas
organizacionais mais eficazes em determinado tipo de empresa, (Stoner e Freeman, 1999). Os
resultados das pesquisas conduziram a uma nova concepção de que as empresas não actuam
isoladamente, tudo o que acontece no seu ambiente externo, quer a nível sociológico, tecnológico,
politico ou demográfico pode influenciar a estrutura da organização e o seu funcionamento.

i. Precursores da Teoria Contingencial

Alfred Chandler Jr (1962)9, Realizou uma investigação histórica sobre a estrutura de quatro
empresas americanas. Demonstrando como a sua estrutura foi progressivamente adaptada à sua
estratégia;

Burns e Stalker (1961)10 dois sociólogos industriais, pesquisaram vinte indústrias inglesas
procurando analisar a correlação entre as práticas administrativas e o ambiente externo dessas
indústrias e classificaram-nas em Mecanicistas e Orgânicas;

Lawrence e Lorsch (1973)11 fizeram uma pesquisa sobre o defrontamento entre organização e
ambiente que marca o aparecimento da Teoria da Contingência;

9
Chandler, A.D. (1962), Strategy and Structure: Chapters in the History of the American Industrial Enterprise
(Cambridge, M.A.: MIT Press). Inglaterra.
10
Tom Burns e G. M. Stalker. (1961), The Management of Innovation. Tavistock Publications. Londres.
11
Paul R. Lawrence e Jay W. Lorsch (1973), As Empresas e o Ambiente: Diferenciação e Integração
Administrativas, Ed. Vozes, Petrópolis – Brasil.

17
Joan Woodward (1958)12 foi uma socióloga industrial inglesa que pesquisou sobre os princípios de
administração em 100 empresas diferentes, as conclusões indicaram que a tecnologia adoptada para
uma empresa determina a sua estrutura e o seu comportamento organizacional;

ii. Pressupostos Básicos da Teoria

Na perspectiva de Chiavenato (2003:504), a teoria contingencial apresenta os seguintes


pressupostos básicos:

 Enfatiza que não existe nada de absoluto nas organizações ou na teoria administrativa;

 Explica que existe uma relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas
administrativas apropriadas para o alcance eficaz dos objectivos da organização, as variáveis
ambientais são variáveis independentes, enquanto as técnicas administrativas são variáveis
dependentes dentro de uma relação funcional;

 A tecnologia constitui uma variável independente que influencia as características


organizacionais.

Segundo Ribeiro (2010:157), a principal característica da Teoria contingencial é não haver uma
melhor maneira de administrar porque a empresa precisa estar constantemente se adaptando às
mudanças ambientais. Portanto, em função das constantes mudanças externas e internas a empresa
não pode ser estática, não podendo existir um caminho universalmente aplicável para um problema
em administração, mas a situação determina a melhor abordagem do problema organizacional. Ou,
não se atinge a eficácia organizacional seguindo um único e exclusivo modelo organizacional.

Para a teoria, não existe uma universalidade de princípios de administração nem uma única e
melhor maneira de organizar e estruturar as organizações. O ambiente impõe desafios externos à
organização, enquanto às tecnologias impõe desafios internos. Deste modo, qualquer organização
deverá tomar em consideração tudo o que acontece no seu ambiente externo, quer a nível
sociológico, tecnológico, político ou demográfico visto que, pode influenciar a seu funcionamento,
sua estrutura organizacional, sua gestão e as decisões dos seus gestores (Idem).

iii. Aplicabilidade da Teoria para o Estudo

Esta teoria apresenta como característica a incerteza, o sistema aberto, a flexibilidade, a


relatividade, é situacional, é ecléctica, apresenta forte ênfase no ambiente e na tecnologia. Para

12
Joan Woodward. (1958), Management and Technology, Her Majesty's Stationery Office. Londres.

18
presente pesquisa importar debruça sobre o imperativo tecnológico. Sobre perspectiva desta teoria,
a tecnologia constitui uma das variáveis independentes que influencia as características
organizacionais (variáveis dependentes). “Em outros termos, as características estruturais são
melhor explicadas pelas características ambientais que as determinam”, (Chiavenato, 2000:22).

Assim, tendo em atenção a ênfase desta teoria foi possível identificar e analisar o ambiente que
levou a introdução e implementação das TIC’s na administração financeira do Estado sob
perspectiva do e-folha na celeridade no pagamento de salários.

2.2. Debate Conceptual


Neste subtítulo, debate-se os conceitos relevantes para a leitura e a compreensão do tema em
estudo, nomeadamente: Tecnologias de Informação e Comunicação, Administração Financeira,
Administração Financeira do Estado, Salário, internet e intranet trazendo abordagens de vários
autores sobre determinado conceito. Salienta-se, que alguns conceitos discutidos são
complementares para melhor leitura e entendimento do tema em estudo. Os conceitos variam de
autor para autor, porém, alguns convergem em sentido. E os demais conceitos relevantes, que forem
mencionados no desenvolvimento do trabalho mereceram a devida explicação por meio de notas no
rodapé.

2.2.1. Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s)

Actualmente, é impossível falar e pensar numa instituição sem que no entanto se associe esta a um
sistema de informação13, porque as TIC’s representam um importantíssimo papel na construção de
sistemas de informação que apoiam toda a estrutura organizacional das instituições e auxiliam o
processo de tomada de decisão e na planificação estratégica, e por isso o seu conceito é
eminentemente organizacional, (António, 2008:14). Portanto, todas as organizações têm um sistema
que recolhe, processa, conserva e transmite informação, independentemente deste sistema estar
informatizado ou não.

13
Sistema de Informação (SI) é uma parte da tecnologia de informação e refere-se a um conjunto de procedimentos
organizados que, quando executados, disponibilizam às organizações informações que auxiliam no processo de tomada
de decisão e no controle, tornando as organizações mais ágeis e eficientes na gestão das informações (Gonçalves,
2013:17).

19
Para Serrano et al (2004:11) as Tecnologias de Informação e Comunicação são um conjunto de
processos cognitivos (software14) e materiais (hardware15) necessários para a realização de uma
actividade de captação, processamento, memorização ou emissão de informação.

Suanno (2003) apresenta um conceito mais abrangente e estrutural:

“Tecnologias de Informação e Comunicação são os recursos tecnológicos que permitem o


trânsito de informações que podem advir de diferentes meios de comunicação, seja rádio,
televisão, jornal, revistas, livros, fotografias, computadores, gravação de áudio, redes
telemáticas, robótica, sistema de multimédia, dentre outros”. Sendo que, o grande diferencial
das tecnologias multimediática é evidenciado pela interactividade de informação.

Actualmente as TI’s englobam cada vez mais, não apenas a componente informática tradicional
(hardware e software), como também os sistemas de telecomunicações, é por isso que são hoje
designadas por Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s).

Entretanto, neste debate importa esclarecer que pela versatilidade do conceito, as TIC’s também são
referenciadas por Novas Tecnologias de Informação e Comunicação – NTIC’s:

Chamam-se Novas Tecnologias de Informação e Comunicação – NTIC’s às tecnologias e métodos


para comunicar surgidas no contexto da […] Terceira Revolução Industrial, desenvolvidas
gradativamente desde a segunda metade da década de 1970 e, principalmente nos anos 1990. A
imensa maioria delas se caracteriza por agilizar, horizontalizar e tornar menos palpável (fisicamente
manipulável) o conteúdo da informação, por meio da digitalização e da comunicação em redes
(mediada ou não por computadores) para a captação, transmissão e distribuição das informações
(texto, imagem estática, vídeo e som, (Velloso, 201416).

Conforme se pode depreender, o termo TIC’s ganha outras interpretações em função de cada autor,
no entanto, não alteram a essência básica dos objectivos das TIC’s (Processamento do fluxo de
informação). Contudo, para entendimento do tema em estudo adopta-se o conceito de Serrano et al
(2004:11), pois o autor incorpora em seu texto os elementos-chave para análise do objecto do
estudo (e-folha).

14
Software – Designa as instruções de processamento das informações, ou programas. Os Softwares podem ser
aplicativos - aqueles que executam tarefas específicas como de edição de textos ou serviço de contabilidade; ou
operacionais - os que traduzem as informações dos softwares aplicativos (…), (Stoner & Freeman, 1999; Boghi &
Shitsuka, 2002; Sousa, 1997).
15
Hardware – Representa todo o conjunto de equipamentos e componentes que identificamos no computador (…),
(Stoner & Freeman, idem; Boghi & Shitsuka, idem; Sousa, idem).
16
Velloso, Fernado (2014). Informática: Conceitos Básicos. Editora Elsevier, Rio de Janeiro: Brasil. Disponível online:
https://pt.m.wikipedia.org/wic/Novas _tecnologias_de_informação_e_cmunicação. Consultado em 10 de Maio de 2016.

20
2.2.2. Administração Financeira

A Administração Financeira está estritamente ligada à Economia e à Contabilidade, pode ser vista
como uma forma de Economia aplicada, que se baseia amplamente em conceitos económicos e em
dados contábeis para suas análises. No ambiente macro a Administração Financeira enfoca o estudo
das instituições financeiras e dos mercados financeiros e ainda, de como eles operam dentro do
sistema financeiro nacional e global (Júnior, 2010:6).

Segundo Wilker (2013), a Administração Financeira ou Finanças, como quase toda ciência, traz em
seu escopo as mudanças do mundo contemporâneo. Suas técnicas, métodos quantitativos e estrutura
conceitual vêm sendo ampliada, o que aumenta sua relevância para as organizações.

No entanto, Groppelli e Nikbakt (2006), consideram que a Administração Financeira é a aplicação


de uma série de princípios económicos para maximizar a riqueza ou valor total de um negócio. Mais
especificamente, maximizar a riqueza significa obter o lucro mais elevado possível ao menor risco.

Na concepção Gitman (1997:4) a administração financeira, assim como a empresa, tem passado por
muita mudanças, com o aumento da competitividade, principalmente quanto a sua função. Além de
obter fundos, sua função também era quanto ao uso e à aplicação destes fundos, mas, actualmente,
suas preocupações e seu objectivo devem estar caminhando na direcção de procedimentos de
análise e controle do fluxo de fundos.

A administração financeira é uma ciência que objectiva, basicamente, determinar o mais eficiente
processo empresarial de captação de recursos e alocação de capital. Nesse contexto, é necessário
levar em conta a problemática da escassez de recursos e a realidade operacional e prática das
organizações (Wilker, 2013).

De um modo geral, a Administração Financeira é o conjunto de actividades visando gerir as


finanças de uma empresa ou organização.17

Depreende-se do debate acima, que não existe um conceito universalmente aceite em torno da
Administração Financeira, contudo, há concordância em torno dos objectivos da administração
financeira, sendo adequado para o entendimento do tema em estudo a concepção de Groppelli e
Nikbakt (2006), pois consideram no seu texto a aplicação de princípios económicos (o quê, como,
quando e para quem produzir) que são questões básicas para boa gestão de recursos financeiros.

17
Portal de Contabilidade. Conceito de Administração Financeira.
http://www.portaldecontabilidade.com.br/contabil/conceito_administracao_financeira.htm Consultado em 29 de Maio
de 2016.

21
2.2.3. Conceitos Complementares

Nesta secção, apresenta-se os conceitos complementares considerados relevantes para o pleno


entendimento do tema em estudo.

2.2.3.1. Administração Financeira do Estado

A Administração Financeira relaciona-se com a Actividade Financeira do Estado, nomeadamente


do Sector Público Administrativo (SPA), isto é, a actividade económica desenvolvida por um
serviço ou instituto público, que visa afectar bens à satisfação de necessidades colectivas. Uma vez
que a actividade financeira está incluída na actividade económica, há três perguntas principais que
têm a ver com a produção: o quê, como e para quem produzir os bens e serviços que são necessários
para colmatar essas necessidades. A resposta, pode ser encontrada através da oferta de mercado ou
da autoridade estatal, ou seja, os representantes eleitos pelo povo (Ginó e Ferreira, 2004).

Baleeiro (1983,18 citado por Lauriana, 2009) considera que a Administração Financeira do Estado
ou Actividade Financeira do Estado consiste em obter (Receita), criar (Crédito), gerir (Orçamento)
e despender (Despesa) o dinheiro indispensável às necessidades, cuja satisfação o Estado assumiu
ou cometeu a outras pessoas de direito público.

Não obstante, Ribeiro (2007)19 afirma que a Actividade Financeira do Estado desenvolve-se nos
seguintes tópicos: Receita – Orçamento – Despesas.

A autora reforça que, o Estado tem como competência à gestão dos seus recursos para garantir as
necessidades socias de sua população. A finalidade do Estado é a realização do bem comum, um
ideal que promove o bem estar e conduz a um modelo de sociedade.

Algumas dessas necessidades não são de natureza essencial, isto é, cabe ao Estado sua realização de
forma directa e exclusiva (segurança pública, prestação jurisdicional, etc.) Tais actividades
representam os interesses primários do Estado, sendo indelegáveis em função da indisponibilidade
do interesse público. Outras representam os interesses secundários do Estado, tanto podendo ser
desenvolvidas directamente pelo Poder Público, como pelas concessionárias de serviço público.

A actividade financeira do Estado é a procura de meios para satisfação as necessidades públicas.


Não pode-se confundir necessidades públicas com as necessidades do Estado.

18
Baleeiro, Aliomar (1983), Direito Tributário Brasileiro. Imprenta: Rio de Janeiro, Forense.
19
Ribeiro, Juliana (2007). Actividade Financeira do Estado. Disponível em:
http://www.ceap.br/material/MAT08022013143420.pdf Consultado em 20 de Junho de 2016.

22
A finalidade última do Estado é a realização do bem comum. Quanto a maior gama de necessidades
públicas, maior será a intensidade da actividade financeira do Estado.

De um modo geral, pode-se perceber que a Administração Financeira do Estado compreende


actividade económica desenvolvida por um serviço ou instituto público com intuito de satisfazer as
necessidades da colectividade. Sendo, o conceito de (Ginó & Ferreira, 2004) adequado para a
compreensão do tema em estudo.

2.2.3.2. Salário

Conforme Chiavenato (2004:260) ”o salário é uma contraprestação pelo trabalho de uma pessoas na
organização, que empenha parte de si mesma, de seu esforço e de sua vida, comprometendo-se a
uma actividade cotidiana e a um padrão de desempenho na organização”.

Sussekind et al (198720 citado por Grunwald, 2010), considera que o “salário é a retribuição
devida pela empresa ao trabalhador, em equivalência subjectiva ao valor da contribuição deste na
consecução dos fins objectivados pelo respectivo empreendimento.

No entanto, Pontes (2004:29) reforça que a empresa deve ver o salário como função agregada de
motivação e procurar utilizá-lo como um instrumento a mais na compatibilização dos objectivos
organizacionais e pessoais”. Salientar que o colaborador é ser motivado, se o colaborador estiver
satisfeito, com certeza sua produtividade aumentará e, consequentemente aumentará o desempenho
da organização.

Por outro lado, Martins (198721 citado por Grunwald, 2010), sintetiza o conceito nesta mesma linha
de entendimento ao dizer que “remuneração seria um conjunto de retribuições recebidas pelo
empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do
empregador ou de terceiros, mas decorrentes do contrato de trabalho, de modo a satisfazer as suas
necessidades vitais básicas e de sua família.”

Assim, no presente trabalho adopta-se o conceito de Martins (1987) citado por Grunwald (2010)
dada a abrangência que este conceito apresenta, o que permite enquadrar o conceito de salário em
qualquer contexto, seja de natureza social, académico, institucional. No caso em apreço o salário
reflecte o dinheiro que o funcionário recebe proveniente do Estado, decorrente da tabela salarial em
vigor e da categoria ocupada pelo mesmo.

20
Sussekind, Arnaldo; Maranhão, Délio e Vianna, Segadas, (1987), Instituições de Direito do Trabalho, 10ª Ed.
Portugal: Lisboa.
21
Martins, Sérgio Pinto (1987), Direito do Trabalho, Ed. Malheiros, 3ª Edição. Portugal

23
2.2.3.3. A Internet e a Intranet

A internet traduz o imenso sistema de redes, gateways22 e de computadores permanentemente


interligados entre si a nível mundial. Num destaque sumário, pode-se apontar como benefícios que
a internet proporciona à instituição, seja ela privada ou pública, os seguintes: (i) Divulgação perante
o público em geral, a sua imagem e os seus produtos/serviços; (ii) Facilita a criação de uma base de
dados de clientes/utentes e fornecedores; (iii) Fornecimento de auxilio especializado sobre os seus
produtos/serviços; (iv) Recolha de feedback23 interno e externo à organização; (v) Recrutamento de
recursos humanos; (vi) Acesso rápido e eficaz à informação; e (vii) Permite o desenvolvimento de
novas formas de trabalho (o teletrabalho), (Sousa, 1997).

Enquanto, a intranet é mais restrita que a internet, é uma rede privada, com recursos de internet,
funcionando com Transmission Control Protocol (TCP/IP)24 só para os funcionários de uma
organização. Geralmente, a internet possui um servidor de web, browsers, para os vários
utilizadores e um sistema de segurança para impedir acessos não autorizados (Firewall) com
objectivo de criar uma plataforma de trabalho vocacionada para o desenvolvimento de trabalho
integrado entre os vários departamentos, com destaque para o trabalho em grupo e para a
organização dos fluxos de informação (aplicação de groupware25, workflow26, email, etc.) (idem).

22
Um Gateway, é uma máquina intermédia geralmente destinado a interligar redes. Uma tradução possível para esta
palavra em inglês é “portal”, sendo exactamente assim que um gateway funciona. Ele permite a passagem de dados
entre um computador, celular, Notebook, Tablet, e todas informações que estão guardadas em servidores na internet.
23
Feedback é uma palavra inglesa que significa retorno ou dar resposta a uma determinado pedido ou acontecimento.
O significado de feedback é utilizado em teorias da Administração de Empresas, quando é dado um parecer sobre uma
pessoa ou grupo de pessoas na realização de um trabalho com o intuito de avaliar o seu desempenho.
24
O TCP/IP (também chamado de pilha de protocolos TCP/IP) é um conjunto de protocolos de comunicação entre
computadores em rede. Seu nome vem de dois protocolos: o TCP (Transmission Control Protocol - Protocolo de
Controle de Transmissão) e o IP (Internet Protocol - Protocolo de Internet, ou ainda, protocolo de interconexão). O
conjunto de protocolos pode ser visto como um modelo de camadas (Modelo OSI), onde cada camada é responsável por
um grupo de tarefas, fornecendo um conjunto de serviços bem definidos para o protocolo da camada superior.
25
Software colaborativo, ou Groupware, pode ser definido como um conjunto de aplicações, síncronas e assíncronas,
isto é que ocorrem ao mesmo tempo e em tempos diferentes, respectivamente, integradas em um ambiente para
promover o trabalho cooperativo de um grupo de pessoas envolvida em tarefas ou objectivos comuns. Serviços de
correio electrónico, agenda compartilhada, mensagens instantâneas, são exemplos de softwares que compõem um
groupware.
26
Workflow é um termo inglês que significa “fluxo de trabalho”, na tradução para a língua portuguesa. O conceito
do workflow é de uma sequência de passos necessários para automatizar processos, de acordo com um conjunto de
regras definidas, permitindo que estes possam ser transmitidos de uma pessoa para outra. Nessa automação,
documentos, informações ou tarefas são passadas de um participante para o outro para execução de uma acção, de
acordo com um conjunto de regras de procedimentos.

24
CAPÍTULO 3: TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA MELHORIA
DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO ESTADO

A Revisão da Literatura é parte essencial num trabalho científico, pois é a partir dela, ou seja, da
confrontação de vários pontos de vista dos autores que escreveram sobre a área em que o
pesquisador esteja a analisar, que se obtêm uma ideia geral do tema para melhor se posicionar.
Nestes termos, o presente capítulo é especialmente dedicado à revisão da literatura centrado na
abordagem das TIC’s com o intuito de estabelecer um estudo profundo sobre a dinâmica e
contornos da adopção de soluções informáticas na Administração Financeira do Estado, aborda-se
ainda, o contexto da introdução das TIC’s na Administração Financeira do Estado em concreto do
e-SISTAFE e do e-Folha.

3.1. Gestão Financeira do Estado: Criação do Sistema de Administração Financeira do Estado


e seus Componentes
O Sistema de Administração Financeira vigente assenta em normas legais que remontam de há mais
de cem anos, sendo de destacar o Regulamento de Fazenda, que data de 1901, e o Regulamento de
Contabilidade Pública, de 1881.

A estratégia para a reforma do SISTAFE definiu a criação de um sistema único, em conformidade


com o Modelo conceptual e legislação do SISTAFE, que seja completamente integrado e tendo
como elemento integrador o Módulo de Contabilidade ou Módulo de Execução Orçamental. A
necessidade de reforma com vista a introduzir legislação e modelos de gestão mais adequados às
necessidades actuais de administração do erário público foram determinando a adopção e
implementação pontuais de algumas medidas.

O SISTAFE é o Sistema de Administração Financeira do Estado criado pela Lei nº. 09/2002, de 12
de Fevereiro (BR, 2002) e regulamentado pelo Decreto n.º 23/2004, de 20 de Agosto (BR, 2004),
no contexto da implementação das reformas na área das finanças públicas. Conforme estabelece o
artigo 3 Lei nº. 09/2002, de 12 de Fevereiro (BR, 2002) o SISTAFE tem por objectivos:
a) Estabelecer e harmonizar regras e procedimentos de programação, gestão, execução,
controlo e avaliação dos recursos públicos;
b) Desenvolver subsistemas que proporcionem informação oportuna e fiável sobre o
comportamento orçamental e patrimonial dos órgãos e instituições do Estado;
c) Estabelecer, implementar e manter um sistema contabilístico de controlo da execução
orçamental e patrimonial, adequado às necessidades de registo, da organização da

25
informação e da avaliação do desempenho das acções desenvolvidas no domínio da
actividade financeira dos órgãos e instituições do Estado;
d) Estabelecer, implementar e manter o sistema de controlo interno eficiente e eficaz e
procedimentos de auditoria interna, internacionalmente aceites;
e) Estabelecer, implementar e manter um sistema de procedimentos adequados a uma correcta,
eficaz e eficiente condução económica das actividades resultantes dos programas, projectos
e demais operações no âmbito da planificação programática delineada e dos objectivos
pretendidos.

E de acordo com o nº 2 do artigo 1 da mesma lei, o SISTAFE compreende os subsistemas


seguintes:
 Subsistema do Orçamento do Estado;
 Subsistema da Contabilidade Pública;
 Subsistema do Tesouro Público;
 Subsistema do Património do Estado; e
 Subsistema do Controlo Interno.

O SISTAFE foi concebido para ser implementado de forma gradual, por processos dentro de cada
subsistema, iniciando com a gestão central e local e priorizando-se áreas pertinentes do Tesouro
Orçamento e Contabilidade (TOC), cujos subsistemas são considerados essências para garantir as
principais actividades no âmbito das Finanças Públicas (FP). A incorporação dos demais níveis de
gestão, nomeadamente “Autarquias” e “Empresas do Estado”, bem como dos restantes subsistemas
na gestão central e local seriam tratadas numa fase posterior (MEF, 2015).

De um modo geral, o SISTAFE em vigor em Moçambique, foi concebido para garantir uma
correcta interacção entre os componentes deste sistema para que o mesmo tenha uma gestão mais
eficiente e transparente dos recursos públicos, assim como melhorar a gestão da contabilidade
pública.

3.1.1. Gestão Financeira do Estado no Contexto das Reformas Públicas em Moçambique

Desde a independência nacional de Moçambique até aos dias de hoje a administração da coisa
pública tem encarado complexas modificações27. Essas modificações são perceptíveis num quadro
de tentativas que o Estado enquanto aparelho tem imprimido com vista a dar resposta aos problemas

27
Para fins exclusivos de redacção deste subcapítulo, adopta-se o termo modificações para se referir à reformas
aplicadas na Administração Pública.

26
herdados pelo país no período da nascença da sua soberania, aos por si criados num processo de
aprendizagem concomitante a prática e, em última análise, aos desafios que, enquanto sistema, lhe
são propostos pelo meio interno (inputs28 organizacionais como recursos humanos e materiais) e
externo (a colectividade, globalização, integração económica, etc.).

As modificações na administração são necessárias quando se constata que as práticas assumem uma
característica rotineira que ignora as contingências que o meio emite como input ao sistema
administração. Essas modificações devem reflectir não apenas uma modificação enquanto tal, mas
uma modificação positiva.

De acordo com Chichava (2003: 46) O “escangalhamento do aparelho do Estado colonial”


preconizado logo em 1975, reflectiu a necessidade de diferenciação do modelo anterior, num
processo de mudança radical para uma nova ordem, que tinha na Administração Pública (AP) o seu
instrumento formal principal na implementação das políticas do Governo.

Embora se deixasse a cargo da AP a implementação das políticas do Governo, este veio encarar
com vários problemas, pois “a capacidade da Administração Estatal era pequena” (Abrahamsson &
Anders, 1994: 263).

Tais problemas relacionavam-se, conforme Abrahamsson & Anders (Ibid.), com o facto de uma
maioria esmagadora da população portuguesa ter deixado Moçambique durante os anos anteriores e
posteriores à independência, sendo que a maior parte deste grupo tinha uma formação académica
mais lata e que trabalhava na AP e nas empresas29.

Ao abordar a questão da reforma do sector público em Moçambique, há que destacar três fases de
inflexão, particularmente relevantes para a própria edificação do Estado moçambicano, segundo a
Estratégia Global da Reforma do Sector Público – EGRSP, (CIRESP, 2001) :

28
Tendo em vista que a AP é o gerenciamento das actividades, recursos e materiais que serão utilizados para criação de
produtos e/ou serviços, resta nítido que no interior destas actividades existe um processo de transformação, que é
constituído de Inputs (Entradas), geralmente matéria-prima, que sofre um processo de transformação tendo como
resultado a criação de produtos e/ou serviços que são os Outputs (Saídas). Input trata-se do primeiro item no processo
de transformação, geralmente uma matéria prima ou um outro produto terminado que agora será transformado
novamente, temos como exemplo a fabricação de um automóvel, podem ser chamados de Inputs ou Entradas as partes
metálicas, de borracha, plástico, tecido, etc., que seguirão pela linha de montagem para fabricação do mesmo.
29
Ferrão (2001: 43) salienta que “ logo após a independência, a situação de 1974-75-76 continuou difícil, com a saída
de cerca de mais de 200.000 portugueses muitos dos quais, técnicos, gestores, engenheiros, médicos, e outro pessoal
qualificado” e que esta situação continuou mesmo depois das nacionalizações em 1975 e 1977.

27
1ª Fase (1975), decorrente da luta de libertação, foi a da constituição do novo Estado, optando-se,
por razões por demais conhecidas, por um modelo centralizado e centralizador apoiado num partido
forte, único e hegemónico.

A 2ª fase (1986), início das reformas económicas, revisão profunda do modelo então vigente e
mudança dos princípios básicos que o norteavam, resultando mais tarde a implementação do
Programa de Reabilitação Económica (PRE) que gerou uma mudança profunda do próprio papel
definido para o Estado. Num curto período, o País passou de um modelo de economia centralizada
com base na iniciativa do Estado, para uma economia de mercado com base na iniciativa privada.
Transitou-se de um modelo de Estado unitário centralizado para um Estado unitário, gradualmente
descentralizado e no qual foram consolidadas as relações regulares entre o Executivo e o
Parlamento.

A 3ª fase, iniciada em 1990, com a aprovação da nova constituição e consolidação do modelo


político e económico assumido. Esta fase, prolonga-se até hoje e pode ser caracterizada como um
período de ajustamento do sector público ao modelo político, actualmente vigente visando a sua
consolidação e aperfeiçoamento.

Para responder a este desafio, Moçambique implementou várias acções de reforma, contudo, a
coordenação nas acções a nível inter e intra-institucional eram ainda fracas. Esta situação não
permitia o desenvolvimento de acções assentes numa visão única e partilhada sobre os objectivos da
reforma. É neste contexto, que para melhor responder à necessidade da reforma, em 2001 o
Governo Moçambicano apresentou a Estratégia Global para Reforma do Sector Público (EGRSP),
um documento orientador, que além de apresentar uma visão comum, direcciona as acções de
reforma a nível das Instituições Públicas.

Entretanto, a existência da EGRSP, por sí só, não representou condição suficiente para que a
reforma a nível das instituições seja efectiva. De acordo com a EGRSP “ é condição de viabilidade,
que haja coerência entre os objectivos traçados para com a Reforma e a prática da actuação dos
agentes dessas transformações, a um ritmo de implementação credível e baseado em condições
concretas de viabilidade” (CIRESP 2001:10).

Como parte integrante deste processo foi iniciada a implementação do programa de modernização
da administração financeira do Estado - SISTAFE - a qual visava essencialmente corrigir as
deficiências identificadas tanto no diagnóstico geral efectuado antes da EGRSP para a quarta

28
componente (Gestão financeira e orçamental do Estado e processos de prestação de contas), como
no SISTAFE, através de vários estudos específicos sobre estes incidentes (MPF, 2002: 3).

Assim, de entre as deficiências identificadas importa salientar as seguintes (Ibid.):

 Falta de integração e padronização no tratamento das informações orçamentais, financeiras e


as provenientes dos registos contabilísticos processadas pelas diversas áreas;

 A cobertura parcial do orçamento, devido a existência de um número considerável de off


budgets (resultado de financiamento externo e gastos em projectos e programas
directamente nos ministérios e parte das receitas próprias das instituições do Estado)30;

 Utilização de mecanismos obsoletos no sistema de pagamentos de despesas do Estado (por


via duodécimos), os quais não respondem às necessidades actuais da administração;

 Existência de uma multiplicidade de contas bancárias das instituições do Estado, o que


acaba reduzindo a eficiência do controle e gestão financeira;

 Inadequação do sistema contabilístico, devido à falta de: um sistema padronizado de


partidas dobradas; produção de balanço patrimonial, e; produção de informações e relatórios
financeiros de gestão para a tomada de decisão;

 Sistema de contabilidade e procurement não aceite pelos doadores internacionais31 e a


constatação de que o Orçamento do Estado (OE) não expressava as reais contribuições dos
doadores;

Nesta esfera de reformas, o Governo introduziu a Estratégia da Reforma e Desenvolvimento da


Administração Pública (ERDAP) 2012-2025 como um instrumento de continuidade da EGRSP. A
ERDAP surge da necessidade de responder ao Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2010-
2014, na sequência dos resultados conseguidos com a implementação dos Programas de
Governação e da EGRSP (2001-2011), estando em linha com os objectivos estabelecidos na

30
Hodges e Roberto (2005: 14) referem os recursos considerados off-budget como sendo os extra-orçamentais.
31
Segundo Lampeão (2007:24) “se fez saber numa acção de formação orientada pela UTRAFE (sobre o SISTAFE) para
funcionários de diversos sectores e níveis em Setembro de 2006 um dos motivos para a reforma da administração
financeira foi também a fraca aceitabilidade do sistema então vigente pelos doadores. Por vezes cada doador utilizava
seu sistema de gestão financeira, gerindo de forma direccionada para seus projectos, ou por estes patrocinados, sendo
que findo o projecto ou o exercício inerente a esse projecto, o sistema era extinto. Este facto levou a uma multiplicação
das contas em nome do Estado, a um deficiente sistema de prestação de contas, devido a existência de vários modelos
para tal, entre outras constatações que tiravam cada vez mais credibilidade do sistema de administração financeira”.

29
Agenda 2025, Plano de Acção para Redução da Pobreza (PARP) 2010-2014 e Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio na área da Governação.

A ERDAP não é uma estratégia de ruptura mas sim uma estratégia de continuidade do esforço que
tem vindo a ser empreendido na prossecução desta visão para o Sector Público, estando orientado
para a consolidação e aprofundamento das reformas já realizadas tendo como lema “o Funcionário,
a Servir cada vez melhor o cidadão”. O lema adoptado para a ERDAP é o mesmo que o
estabelecido para EGRSP, uma vez que transmite os valores e a orientação da estratégia
preconizada para o horizonte temporal 2012-2025 e acentua a aposta na continuidade do caminho
que tem vindo a ser percorrido.

A ERDAP é um instrumento flexível, ajustado e actualizado anualmente (por via do Plano de


Actividades) através do Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP), do Plano Económico e Social
(PES) e do Orçamento do Estado (OE), que são instrumentos de operacionalização do Programa
Quinquenal do Governo. A ERDAP enquadra-se, ainda, no ciclo de planificação pública pela
promoção do alinhamento das componentes ligadas ao desenvolvimento da AP dos diferentes
Planos Estratégicos Sectoriais e Provinciais.

No âmbito da componente da melhoria da administração financeira iniciada pela EGRSP foram


diagnosticadas deficiências e em função das mesmas adoptadas mediadas correctivas, conforme
pode-se verificar na ERDAP (2012:76): “A criação e implementação do e-SISTAFE (Sistema de
Administração Financeira do Estado) pelo Governo constituiu uma das principais realizações nesta
área, visando garantir a integridade e transparência nas transacções financeiras e fiscais do Estado,
evitando usar numerário entre o Sector Público e os cidadãos e empresas. A ligação de todas as
direcções de nível Central e Provincial ao e-SISTAFE e o avanço para o nível do Distrito (mais de
50 distritos já ligados) vieram aportar maior rigor na gestão financeira dos recursos do Estado aos
vários níveis”.

Não obstante o ciclo de reformas na área da Gestão de Finanças Públicas com vista a introduzir
mecanismos que assegurem a alocação eficiente dos recursos públicos, o seu controlo e auditoria,
bem como a sua escrituração contabilística. O Governo instituiu recentemente em 2015, um
encontro anual, de âmbito nacional e de nível estratégico designado de Reunião Nacional do
SISTAFE (RNS). A primeira edição teve lugar nos dias 26 e 27 de Novembro de 2015, na Cidade
de Maputo, sob o lema “SISTAFE: Qualidade e Transparência na Administração Financeira do
Estado” (MEF, 2015:12).

30
De um modo geral, fica claro que Governo não limita esforços para alcançar os objectivos
preconizados pelo SISTAFE e não só fazer face aos desafios contemporâneos da Era da
Informação.

3.2. Adopção das TIC’s na Administração Pública Moçambicana


Actualmente, é impossível falar e pensar numa instituição sem que no entanto se associe esta a um
sistema de informação, porque as TIC’s representam um importantíssimo papel na construção de
sistemas de informação que apoiam toda a estrutura organizacional das instituições e auxiliam o
processo de tomada de decisão e na planificação estratégica (António, 2008:14).

Nos dias que correm o mundo assiste a era de revolução tecnológica que é caracterizada por um aumento
significativo das novas TIC’s, que têm permitido substancialmente o aperfeiçoamento e funcionamento do
sistema de informação a nível organizacional (Ibid.).

Considerando o interesse macro da AP, “a satisfação constante e regular das necessidades da


colectividade”, o Estado tem vindo cada vez mais a considerar os recursos tecnológicos com uma
aposta para poder alcançar este importante desiderato. Assim, guiado pela globalização onde a
capacidade de utilizar eficaz e eficientemente as tecnologias de informação e comunicação,
determina a competitividade e relevância de um país na economia global, aprovou-se a Política de
Informática através da Resolução nº28/2000, de 12 de Dezembro.

A Política de Informática de Moçambique, reconhece as oportunidades sem paralelo que o uso


efectivo das TIC’s tem oferecido para a melhoria das operações dos Governos no mundo, a nível
central e local, oferecendo aos cidadãos serviços melhores e mais rápidos, colocando a informação
pública ao dispor dos cidadãos, facilitando a comunicação entre estes e os seus governantes, e
contribuindo positivamente nas áreas da educação, saúde, combate à corrupção, promoção da
imagem de países, atracção de investimentos, melhoria do ambiente de negócios e do nível
competitivo, em suma, promovendo a boa governação (Estratégia do Governo Electrónico de
Moçambique, 2005:4).

Sublinhe-se que desde a aprovação da Política de Informática em 2000, surge no contexto


moçambicano o conceito “Governo Electrónico”. Este conceito vem ganhando reconhecimento e
aceitação crescentes na prática da governação em Moçambique e no mundo, ficando o seu maior ou
menor impacto a depender do maior ou menor grau de integração transversal nas políticas,
estratégias e programas dos governos assim como dos recursos disponibilizados para a sua
materialização

31
O Governo Electrónico é o termo usado para designar mudanças na forma de prestação de serviços
públicos na AP. O Programa da Reforma do Sector Público fase II (2006-2011) define o Governo
Electrónico, como sendo a contínua optimização da prestação de serviços públicos, da participação
dos cidadãos na governação através da transformação das relações internas e externas com recurso à
tecnologia, Internet e novos media.

Como a experiência mundial já demonstrou, o Governo Electrónico é, nesta era da informação, o


instrumento mais adequado para a colocação dos serviços públicos ao alcance do cidadão a
qualquer momento e um qualquer lugar, para uma prestação de serviços mais eficaz e eficiente e
menos dispendiosa, e para a redução da burocracia e oportunidades de corrupção. Em última
análise, o Governo Electrónico pode transformar-se num instrumento poderoso no combate contra a
pobreza e pela realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (Estratégia do Governo
Electrónico de Moçambique, 2005:4).

Segundo o documento acima citado, para a materialização e sucesso do Governo Electrónico, há


que, cuidadosa e criteriosamente equacionar aspectos fundamentais em termos de infra-estruturas e
aplicações, evitando não só a duplicação desnecessária de investimentos como a adopção de
soluções incompatíveis.

Heeks (2002,32 citado por Awortwi, 2006:133) argumenta que, para que o Governo Electrónico
tenha sucesso é preciso “melhorar os sistemas de gestão, os processos de trabalho, a liderança e o
pensamento estratégico, as atitudes, os conhecimentos e as habilidades necessárias no processo”.
No entender do autor, os administradores e altos funcionários do Governo precisam ser equipados
com conhecimentos e habilidades sobre as TIC’s.

Ainda no âmbito da Estratégia do Governo Electrónico de Moçambique, foram identificadas as


seguintes áreas prioritárias:

 Provisão de uma plataforma comum de comunicação para todos os órgãos do Sector


Público;

 Provisão de um sistema financeiro seguro para todos os órgãos do sector público;

 Integração e optimização do registo de terra e propriedade: dados e sistemas no Governo


tornados mais transparentes para o cidadão e para o sector empresarial;

 Integração dos dados e sistemas de identificação civil para se ter uma referência comum
para o Governo e tornar a vida mais fácil para os cidadãos e as empresas;

32
Heeks, R (2002). Reinventing Government in the Information Age – International practice in IT-enabled public
sector reform. Abingdon: Routledge.

32
 Integração e optimização dos sistemas de registo e licenciamento de empresas e outras
entidades legais para se ter uma referência comum para o Governo e tornar a vida mais fácil
para os cidadãos, as empresas e outras entidades legais;

 Integração e optimização de dados e sistemas entre os órgãos centrais e provinciais do


Estado para facilitar a descentralização.

Uma vez identificadas as áreas prioritárias, e na sequência das consultas junto dos Ministérios e
Instituições que operam nessas áreas prioritárias, para determinar as suas necessidades e
expectativas assim como para obter os seus inputs, os projectos de Governo Electrónico foram
agrupados por afinidade, fazendo convergir e melhorar os projectos de informática e da Reforma do
Sector Público em curso.

Dentre as áreas prioritárias se destaca, Plataforma Comum de Comunicação e Quadro de


Interoperabilidade, uma ferramenta que garante o estabelecimento de infra-estrutura de
comunicação de dados da função pública e a interoperabilidade necessária aos diversos sistemas,
com vista à uma melhor satisfação do cidadão. A partir da Plataforma foi possível criar a Rede
Electrónica do Governo (GovNET), que de acordo com o Informe sobre o Grau de Implementação
da Estratégia de Governo Electrónico (2011) é uma rede privativa de comunicação de dados do
Governo de Moçambique, que interliga as instituições públicas a nível Central, Provincial, Distrital
e Municipal, com uma visão de que até 2010 todas as redes do governo deveriam estar ligadas a
uma mesma plataforma comum de comunicação para partilhar recursos e serviços electrónicos.

A modernização e informatização da AP é uma necessidade irrefutável perante a ambiente externo,


neste contexto, o Governo Moçambicano realizou em Junho de 2016 a I Conferência Nacional
sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (CONTIGO), um fórum de discussão de ideias e
experiências em torno do uso e conhecimento das TIC’s na AP33. Com o fórum, o Governo pretende
encorajar ainda boas práticas na AP com recurso às novas tecnologias, fazendo convergir os
esforços de diferentes decisores e actores políticos na implementação de modelos de governação
electrónica que da melhor forma satisfaçam os anseios dos cidadãos, através de uma prestação
eficaz, eficiente e efectiva dos serviços públicos.

Deste modo, a adopção das TIC’s na AP tem o objectivo de garantir a melhoria da prestação dos
serviços públicos (tempo e fiabilidade da resposta e flexibilidade nos meios de atendimento), Maior

33
Cooperação PALOP-TL / EU (2016). Conferência CONTIGO: Governo cria fórum sobre governação electrónica.
Portal online disponível em: http://pasp-paloptl.org/pt/tags/tics-na-administracao-publica. Consultado a 27 de Fevereiro
de 2017.

33
transparência e eficácia por parte da gestão das instituições do Estado. E assim para permitir que a
AP possa prosseguir o seu objectivo macro que é a contínua e permanente satisfação das
necessidades da colectividade, bem como, a boa governação.

3.2.1. As TIC’s na Administração Financeira do Estado: O e-SISTAFE

A introdução de sistemas informáticos integrados na Gestão de Finanças Públicas pode ser vista
como uma ferramenta importante e fundamental, caracterizada segundo o CEDSIF (2013) pela:

 Eficiência operacional e de governação dos processos e procedimentos;


 Tempestividade e rapidez na prestação dos serviços;
 Reduzidos Custos Unitários e maior eficiência económica;
 Maior Inclusão Financeira, ao pagar-se via contas bancárias;
 Aceleração da Bancarização, incitando expansão bancária;
 Segurança e tranquilidade na protecção das operações;
 Privacidade, entre entidades envolvidas em cada operação;
 Integridade e Transparência das operações (limitada viciação);
 Combate a Fraudes e Corrupção (limitada viciação);
 Fiabilidade de Registos e Rastreabilidade das operações

O e-SISTAFE é o novo Sistema informático único, criado em conformidade com o Modelo


Conceptual e legislação do SISTAFE, como um elemento integrador, que envolve todo o ciclo
orçamental, desde a sua elaboração até a execução final, incluindo todos os subsistemas que
compõe, nomeadamente: Orçamento, Tesouro Público, Contabilidade Pública, Património e
Controlo interno ou seja, é o novo sistema integrado de orçamento, programação financeira,
contabilidade e controlo interno do Estado de Moçambique.

No período de 2007 a 2014 forma implantadas outras aplicações, nomeadamente: e-CAF (2007), e-
Património e e-CAP (2008), e-Inventário e e-Folha (2010), Catálogo de Bens e Serviços - CBS
(2013), Cadastro de Empreiteiros de obras públicas, Fornecedores de Bens e Serviços - CEF (2014)
e o e-Tributação (2014). Apesar destas entregas constituírem marcos importantes, ainda não estão
finalizadas, com excepção do e-Património e do e-Inventário, funcionalidades desenvolvidas para
necessidades especificas e que serão substituídas pelas funcionalidades a desenvolver no âmbito do
Modulo de Administração do Património do Estado – MPE (MEF, 2015).

34
De acordo com o Relatório de Análise Global de Gestão de Finanças Públicas (2009), a continuação
da expansão do e-SISTAFE com o uso da execução por via directa tem sido crucial para progressos
na reforma financeira, trazendo gradualmente maior transparência, responsabilidade e reforço do
controle da execução do orçamento do Estado. Pensando na continuação e o aprofundamento do
Programa que o Governo decidiu elaborar uma estratégia de longo prazo “Visão da Gestão de
Finanças Públicas 2011-2025”, aprovada pelo Conselho de Ministros em 2012.

Este documento explicita que a tutela do e-SISTAFE está adstrita, ao Centro de Desenvolvimento
de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), uma Instituição Pública dotada de personalidade
jurídica e de autonomia administrativa e financeira, funcionando sob a tutela do Ministério que
superintende a área de Finanças, com o objectivo de modernizar os processos das Finanças Públicas
e outros processos associados, em todos os órgãos e Instituições de Estado.

Durante o ano de 2011, já estavam ligados ao e-SISTAFE todos os Ministérios e Órgãos do Estado
até ao nível das Direcções provinciais, 69 Distritos e 82 Instituições Autónomas. De acordo com a
fonte, 495 correspondem a Unidades Gestoras Beneficiárias (UGB)34 a utilizarem o e-SISTAFE (o
Informe sobre o Grau de Implementação da Estratégia de Governo Electrónico, 2011:19). Os dados
fornecidos pelo CEDSIF indicam que desde o início do processo de reforma em 2006, um total de
620 UGB´s estão abrangidas (sendo 138 de nível Central, 401 de nível Provincial e 81 Distritos.), o
que corresponde a 67.4% do universo das 920 UGB’s existentes; A execução da despesa por Via
Directa em relação a despesa total executada apresenta uma tendência crescente de níveis, sendo de
37,5% em 2009, 41,5% em 2010, 42.3% em 2011, e 52,6% em 2012 (CEDSIF, 2013).

No contexto da reforma no sector público, De Renzio (2011:26) intitula e-SISTAFE de “A Mãe de


todas as Reformas”. O autor argumenta que o e-SISTAFE foi uma reforma muito grande e
complexa, e que custou muito dinheiro. Neste sentido, teve durante muito tempo um papel
preponderante em relação a outras reformas, que ficaram em segundo plano em relação ao e-
SISTAFE. Por outro lado, pelo facto de este sistema ser de tamanho maior e de ter recebido uma
atenção especial pelos reformistas.

Do ponto de vista do mesmo autor, dentro desse processo, a criação da Conta Única do Tesouro
(CUT) e a introdução do e-SISTAFE, a gestão do dinheiro se torna muito mais rápida e eficiente,
tendo melhorado a gestão das disponibilidades financeiras do Estado por meio da CUT. Por

34
UGB é uma Unidade Funcional do Subsistema do SISTAFE e fazem parte todos os órgãos e instituições do Estado
destinatárias de uma parcela do Orçamento do Estado ou detentora de uma parcela do Património do Estado, não tendo
a capacidade de execução orçamental e financeira no e-SISTAFE precisando, para tanto, do apoio das Unidades
Gestoras Executoras – UGE.

35
exemplo, os fundos são transferidos directamente para as contas bancárias de quem tem que receber
do Estado, reduzindo atrasos (De Renzio (2011). Um sistema automatizado de administração
financeira do Estado é importante para melhorar a qualidade, eficiência e transparência da gestão
dos recursos públicos. Ela traz vários benefícios, entre os quais um controlo mais eficaz dos gastos
públicos, e uma maior rapidez nos pagamentos, o que facilita a relação estado-empresas-
fornecedoras.

Portanto, a informatização da Administração Financeira do Estado traz inúmeras vantagens que


devem ser maximizadas através da conclusão dos subsistemas em falta nomeadamente: subsistemas
do Património do Estado (SPE) e do Controlo Interno (SCI) bem como acções para aperfeiçoamento
e melhorias dos três subsistemas já concebidos e desenvolvidos: subsistema da Contabilidade
Pública (SCP), do Tesouro Público (STP) e do Orçamento do Estado (SOE), ressalvando que o SOE
será substituído pelo Subsistema do Plano e Orçamento do Estado (SPO)35.

Sendo de destacar alguns contributos resultantes da informatização da Administração Financeira do


Estado: A possibilidade da elaboração do Orçamento do Estado por todas as instituições em tempo
útil e com informação fidedigna, pela criação e funcionamento da CUT, que permitiu uma maior e
melhor gestão dos recursos públicos e melhoria substancial da programação financeira, pela
execução de grande parte da despesa por via directa e pela descentralização que ela permite e por
possibilitar a contabilização dos recursos no momento em que as operações são efectuadas e
proceder à prestação de contas em tempo útil.

3.2.1.1. Estruturação do e-SISTAFE e Condicionantes para o seu Acesso ao e-SISTAFE

De acordo com o artigo 99 do Decreto n°23/2004 de 20 de Agosto, o e-SISTAFE é estruturado


pelos seguintes módulos:
a) Módulo de Elaboração Orçamental, que apoia a elaboração da Proposta do Orçamento do
Estado;
b) Módulo de Execução Orçamental, que apoia a execução do Orçamento do Estado;
c) Módulo de Gestão de Informações, que apoia a geração de informações obtidas a partir dos
demais Módulos do e-SISTAFE, propiciando a acção do Controlo Interno e Externo e da
administração pública;
d) Módulo de Gestão do Património do Estado, que apoia a Administração do Património do
Estado;

35
Dados da 1ª Reunião Nacional do SISTAFE 26 e 27 de Novembro de 2015, na Cidade de Maputo, sob o lema
“SISTAFE: Qualidade e Transparência na Administração Financeira do Estado”.

36
e) Módulo de Gestão de Salários e Pensões, que apoia a elaboração da folha de salários e
pensões dos funcionários públicos e pensionistas;
f) Módulo de Gestão da Dívida Pública, que apoia a administração da Dívida;
g) Módulo de Gestão da Rede de Cobrança que apoia a administração da Rede de Cobrança.

Quanto aos condicionantes para acesso ao e-SISTAFE, o número 3 do artigo 99 do Decreto em


consideração estabelece que devido a criticidade e do sigilo das informações tratadas pelo e-
SISTAFE, da função típica do Estado estabelecida nos procedimentos do SISTAFE, e das
especificidades das empresas do Estado, o e-SISTAFE é desenvolvido, mantido e disponibilizado
para todos os órgãos e instituições do Estado para a operação dos procedimentos do SISTAFE, por
um órgão ou instituição do Estado designado por diploma do Ministro que superintende a área das
Finanças.

Considerando que é vedado o acesso à operação do e-SISTAFE a indivíduos que não sejam
funcionários públicos ou de Empresa Pública e os funcionários públicos que operam o e-SISTAFE
devem ser qualificados em curso de formação específico para a gestão do SISTAFE. Um
funcionário público é cadastrado como usuário do e-SISTAFE num único órgão ou instituição do
Estado, sendo este uma Unidade de Supervisão, Intermédia, Gestora Executora ou Gestora
Beneficiária. O usuário, ao ser cadastrado no e-SISTAFE, pertence a um único perfil de operação.
O usuário do e-SISTAFE pode ser cadastrado para ter acesso a uma ou mais gestões existentes na
Unidade.

Em outras palavras, não pode ter acesso ao e-SISTAFE um indivíduo que seja funcionário privado,
isto é de Empresa Privada, ou alguém que tenha intenções diferentes da execução de procedimentos
do SISTAFE, como por exemplo alguém que deseje mandar “vírus informático” para os servidores
do e-SISTAFE, e também não pode ter acesso indivíduo ou funcionário que não tenha formação e
tenha sido cadastrado para o efeito, só e somente para um único perfil de operação.

3.2.2. Informatização do Processo de Pagamento de Salário aos Funcionários e Agentes do


Estado: O e-Folha

O e-Folha é a componente do Módulo de Salários e Pensões (MSP) que permite o cálculo e


processamento de salários no e-SISTAFE, possibilitando assim que o seu pagamento seja efectuado
mediante transferência directa para as contas bancárias dos FAE (CEDSIF, 2015).

Do conjunto dos módulos hospedados no e-SISTAFE vale a pena trazer mais detalhes sobre
Módulo de Gestão de Salários e Pensões (e-Folha), pois não só está ligado à gestão das despesas de

37
finanças públicas como tal, mas também influencia na prestação dos serviços aos FAE, ajuda
identificar o beneficiário através do cadastro feito pela e-CAF36 ao mesmo tempo em que evita o
pagamento a funcionários fantasmas. Em outras palavras, o e-CAF é um aplicativo que utiliza a
plataforma de e-SISTAFE, permitindo o cadastro e manutenção das informações dos FAE. O e-
CAF integra os FAE que possuem nomeação provisória/definitiva ou contractos de trabalho dentro
do prazo, ambos contendo o Visto do Tribunal Administrativo.

No e-CAF, são verificados os seguintes dados:

 Número Único de Identificação Tributária (N.U.I.T) – para verificar se o FP ou AE esta


cadastrado;
 Código das Instituições (UGB) – verifica se existe;
 Estado da Vinculação – para verificar se Funcionário Público (FP) ou Agente do Estado
(AE) está Activo ou não; e
 Fonte de Pagamento (Fonte de recurso e classificador programático) – verifica se existe;
 Códigos dos abonos e descontos; e Valores;
O Módulo e-Folha consiste em proceder ao pagamento de salários aos funcionários públicos e
pensionistas por via directa (crédito directo nos domicílios bancários dos funcionários públicos e
pensionistas, o que de certa forma contribui para a redução do número de “funcionários fantasmas”
(CEDSIF, 2013). A ideia é que no futuro, todos os salários dos funcionários e pensionistas deverão
ser processados através da ferramenta electrónica e-Folha a nível nacional.

Já em 2013 de acordo com o CEDSIF (2013), a cobertura do e-SISTAFE foi de 131 Distritos. Deste
universo 92 distritos já operam o e-SISTAFE. Pelo menos cinco Distritos em cada província estão
ligados ao e-SISTAFE, onde no topo está Nampula com 17 distritos dos 20 existentes. Pode se dizer
que é um dado significativo, mas mais importante é tais distritos estarem a utilizar a ferramenta
correctamente de modo a melhorar a prestação de serviços públicos.

O Relatório de Actividades e de Execução Orçamental do III Trimestre de 2012, formula que o


projecto Módulo de Salários e Pensões, implementou as regras de cálculo para docentes, o início do
pagamento de salário aos docentes, a formação da extensão do CAF, bem como a monitoria do grau
de mitigação dos riscos identificados na análise de riscos da aplicação na internet (Prova de vida de
pensionistas); a conclusão da expansão do e-folha para as 171 Direcções Províncias existentes; e a

36
No âmbito das reformas levadas a efeito a partir de 2002, visando ao estabelecimento de mecanismos integrados de
gestão eficaz do erário público foi desenvolvido o Cadastro Único dos Funcionários Públicos e Agentes do Estado ‒ e-
CAF, resultado de um recenseamento de funcionário e agentes do estado.

38
expansão do pagamento de salários via e-folha para 267 novos sectores de nível provincial e
distrital incluindo as escolas (CEDSIF, 2013).

Ainda sobre o módulo e-Folha a tendência é incluir toda a função pública como ilustrado
anteriormente, o que significa que, cada instituição pode efectuar o pagamento de salário por via
directa no e-SISTAFE. Este subsistema, de acordo com José (2014:82) efectua o processamento da
folha de pagamento de salários e acrescenta que “antes de calcular o salário faz a verificação se o
beneficiante é um funcionário público e se está registado no sistema e-CAF buscando todos
atributos (cargos, prémios, quantidade de horas de trabalho, encargos como Tribunal de Menores,
entre outros) e só depois de conferir os dados, o salário é transferido para as contas dos
funcionários. Para os que não estão registados, o sistema agrupa por áreas de destino e envia o valor
total para a conta da instituição e esta por sua vez, procede ao pagamento manual aos beneficiários.

Este sistema de pagamento dos ordenados, segundo CEDSIF (2013) permite que, uma vez indicado
no cadastro ou processo individual do funcionário de Estado, a sua Categoria ou Função, o sistema
fixa de forma automática todos os abonos e respectivos descontos do funcionário, dando também as
possibilidades de se indicarem os abonos e descontos específicos por categoria, função, sector e
nível das instituições. É caso para se dizer que o sistema contribuiu para melhorar a questão de
segurança ao cidadão em relação ao seu ordenado, gestão de tempo, apesar de nos dias de salário
verificar-se longas filas nas caixas automática, mas isto já é da competência dos Bancos.

3.2.2.1. Utilizadores do e-Folha e e-CAF no âmbito de Processamento e Pagamento de Salários

Desde Outubro de 2010, encontra-se em operação no MSP a componente de processamento de


salários no ambiente do e-SISTAFE designada por e-Folha, para substituição de todos os outros
sistemas de processamento de salários dos Funcionários e Agentes do Estado (FAE), mediante a
migração progressiva dos FAE para o e-Folha. Nesta senda, o Governo aprovou o Diploma
Ministerial n.º 210/2014 (Concernente aos procedimentos de processamento e pagamento de
salários dos Funcionários e Agentes do Estado), neste instrumento estão estabelecidos todos os
procedimentos legais para o processamento de salários.

A operacionalização do e-Folha está estritamente ligada ao e-CAF, pelo que o Ministério da


Administração Estatal e Função Pública (MAEFP) e as áreas de recursos humanos dos sectores têm
a responsabilidade de manter actualizado o cadastro dos FAE no e-CAF (incluindo o registo de
licenças, promoções, progressões, mudanças de carreira, cessações de funções, suspensões,

39
demissões, expulsões, exonerações e mortes). Neste sentido, é importante revisitar as
responsabilidades dos agentes destes órgãos, nomeadamente (CEDSIF, 2015):

a) Agente Recenseador: responsável pelo cadastro e manutenção dos dados do FAE, assim
como emissão de comprovativos;
b) Agente Recenseador Distrital: efectua o cadastro dos FAE, incluindo domicílio bancário a
nível Distrital, bem como efectua as alterações, verificações e emissão de comprovativos;
c) Agente Recenseador Sectorial: responsável pelas alterações e verificações das informações
do FAE (incluindo domicílio bancário), assim como a emissão de comprovativos a nível do
sector;
d) Agente de Controlo Interno Sectorial: executa as autorizações de transferências dos FAE
de uma unidade para outra, bem como emissão de conformidades sectoriais e de domicílios
bancários e data-limite para regularização de FAE ausentes; e
e) Administrador do e-CAF: efectua a manutenção das tabelas de carreiras, categorias e
funções, bem como das de vencimento. Este agente está afecto no MAEFP. Contudo, por
questões de segurança, somente o Agente Recenseador afecto ao MAEFP pode alterar dados
dos FAE de qualquer sector, mediante solicitação fundamentada.

Os agentes acima descritos actuam no âmbito do e-CAF, sendo conhecidos como agentes de
Manutenção. E em relação ao e-Folha são responsáveis por estas manutenções os seguintes agentes:

a) Agente de Mapa de Efectividade (AME): afecto à área de Recursos Humanos do sector, é


responsável pelas seguintes actividades no e-Folha, até o dia 30 de cada mês:

 Recolha do mapa de efectividade;


 Análise da informação;
 Introdução da informação no sistema;
 Correcção da informação em caso de erro;
 Fecho do Mapa de Efectividade;
 Registo de horas extras;
 Registo de horas nocturnas e por turno.

É importante frisar que o AME tem o dever de proceder o envio ao DAF dos documentos que
influenciam o processamento de salários, tais como: despacho de nomeação, promoção ou
progressão, despacho de fixação de vencimentos excepcionais para o cálculo das diferenças
salariais e despachos que fixam os abonos ou descontos de cálculo não automático.

40
b) Agente Sectorial do DAF: afecto à área de Administração e Finanças do sector, é
responsável pelas seguintes actividades no e-Folha, até o dia 30 de cada mês:

 Fixação de abonos e de descontos que, por sua natureza, o sistema não fixa
automaticamente;
 Envio da documentação que permite a verificação pelo Supervisor Sectorial da Folha
de Salário;
 Correcção no caso de erro;
 Fecho da fixação de abonos/descontos;
 Impressão das subfolhas de vencimento;
 Emissão de talões de vencimento e como das declarações anuais de vencimento;
 Envio de informação para a verificação pelo Agente Supervisor Sectorial da Folha de
Salário.

c) Agente Supervisor Sectorial da Folha de Salário: afecto à área de Administração e


Finanças do sector, é responsável pelas seguintes actividades no e-Folha, até o dia 07 de
cada mês:

 Verificação da informação remetida pelo AME e pelo Agente sectorial do DAF;


 Confrontação da informação com os documentos comprovativos;
 Conformidade das alterações de modo a permitir que a informação fique disponível
para o cálculo e emissão da folha de salários;
 Devolução da informação ao AME para correcções no caso de erros;
 Verificação da subfolha de salários confrontando com os documentos justificativos;
 Conformidade sectorial da subfolha, permitindo que esta fique disponível para os
passos subsequentes;
 Rectificações julgadas pertinentes;
 Verificação da fiabilidade da informação introduzida;
 Verificação e assinatura das guias de vencimento, declarações anuais de rendimentos
e outros documentos da sua responsabilidade;
 Agendamento do recálculo da folha de salário;
 Cálculo do salário pendente;
 Submissão das correcções das inconformidades de pagamento;
 Definição de ordenador e gestor;

41
 Conformidade da folha de salários e efectua o carregamento da mesma no e-CAF.

3.3. Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração Financeira do Estado


No contexto dos desafios actuais às organizações, o próprio desenvolvimento tecnológico e a
consequente viabilidade de disponibilizar de forma ampla e acessível informação relevante, de
facilitar a troca rápida e fácil de informação à distância e de aperfeiçoar e multiplicar as formas de
comunicação, constituem oportunidades fundamentais, mas também desafios em si mesmo (Pinto,
2010:42).

Significa isto que a não utilização ou absorção pela organização da inovação tecnológica induz
facilmente obsolescência no seu modo de estar e actuar. Hoje, a saúde de uma organização mede-se
também por comparação com outras e com as potencialidades de que pode fazer uso. É neste
sentido que uma organização, um serviço ou um posto de trabalho, se tornam mais pobres pelo
simples facto de não terem disponíveis ou usarem os mesmos meios que os seus equivalentes
(Pinto, 2010:42).

A Gestão Financeira é reconhecidamente um dos aspectos mais críticos do Sector Público. Uma má
gestão financeira, além de reduzir a capacidade do Estado na provisão de serviços públicos e de
sustento do seu próprio funcionamento, incorpora em si o fantasma dos défices públicos, cujas
formas de financiamento quase sempre se revelam nefastas para a economia. Tendencialmente, o
aumento da taxa de juros acaba sendo uma das consequências quase lógicas, com a sua decorrente
retracção de investimentos, aumento do desemprego e recessão da economia. O quadro acirra-se
ainda mais quando levamos em conta que na situação actual do País os défices orçamentários, que
rondam cerca de 50%, são financiados por fontes externas (Minyengu, 2013).

Do mesmo modo, o uso de inovação tecnológica pode criar vantagens comparativas, geradoras de
criação de imagens positivas e de capacidade acrescida de implantação em áreas estratégicas,
incluindo o desenvolvimento e oferta de novos bens e serviços. A importância da informação e da
comunicação nas organizações é assumida de uma forma generalizada, mas nem sempre
acompanhada da criação e gestão de sistemas de informação e comunicação aptos a dar-lhes
resposta (Pinto, 2010:42).

A existência de sistemas de informação que garantam oportuna e atempadamente a informação


externa e interna necessária às actividades ou processos produtivos, à gestão dos diversos recursos e
à tomada de decisão, é, hoje, vital, tal como é fundamental poder dispor e fornecer a cada momento
ao governo, ao público e aos destinatários da sua acção a informação solicitada, ou útil à imagem

42
externa da organização. A obtenção e divulgação desta informação, bem como a necessidade de
relações internas e externas frequentes, exigem sistemas de comunicação que viabilizem o acesso e
troca de informações a qualquer momento (Idem).

É nesta esfera que a Administração Financeira do Estado torna as TIC’s uma componente
indissociável na transparência e responsabilização das contas públicas. As novas tecnologias
parecem favorecer a tendência para a instituição ter fronteiras cada vez menos demarcadas em
relação ao seu meio ambiente, a trabalharem cada vez mais "em rede" com outras empresas e,
dentro delas, os seus colaboradores também trabalharem cada vez mais.

De acordo com o Informe sobre o grau de Implementação da Estratégia de Governo Electrónico


(2011), até Julho de 2011 existiam 13 aplicações a correr na Rede Electrónico do Governo, o que na
óptica dos implementadores contribui na melhoria da prestação dos serviços públicos ao cidadão e
da Administração Financeira do Estado. De entre outros sistemas operativos, os módulos em
funcionamento incorporados do aplicativo e-SISTAFE, que melhoraram a gestão das finanças
púbicas, no caso de pagamento dos salários, são as declarações de rendimentos individuais e
colectivos, públicos e privados.

O e-SISTAFE tornou mais difícil os desvios de dinheiro pelo facto de muitas operações do governo
terem deixado de ser feitas com dinheiro vivo, e estarem sujeitas a Auditorias “Online e
presenciais” mas não se pode afirmar que os sistemas electrónicos combatam a corrupção, pois
existem muitas outras formas de corrupção que o e-SISTAFE não pode controlar, como se pode
perceber do texto que se segue:

[N]ove pessoas, cujos nomes omitimos, foram detidas pelo Gabinete Central de Combate à
Corrupção por suspeita de envolvimento no desfalque financeiro havido no Ministério da
Educação (MINED). Trata-se de um funcionário do MINED no activo, dois ex-quadros
expulsos do pelouro no âmbito de processos disciplinares em que respondiam, instaurados
após a descoberta da fraude. Outras seis pessoas alheias ao aparelho do Estado também
foram detidas. Do grupo constam amigos e familiares dos funcionários do MINED
apontados como autores do desfalque, que funcionavam como receptores da parte do
montante desviado, uma vez que disponibilizaram suas contas para a transferência do

43
dinheiro. O prejuízo total da fraude apurada pelos peritos do GCCC é de 30 milhões, 501 mil
e 213 meticais (Jornal Noticias, 2013)37.

Como se pode inferir, as formas de corrupção existentes não resultam da má concepção do


aplicativo e-SISTAFE e sim do desvio dos princípios que norteiam o servidor público. Contudo,
estas descobertas são resultado do esforço do Estado em garantir uma maior transparência na
Administração Financeira do Estado, conforme explica Davies (2016) 38:

[O] Gabinete Central de Combate à Corrupção de Moçambique (GCCC) pediu uma revisão
urgente do Sistema (Electrónico) de Administração Financeira do Estado (e-SISTAFE), já
que parece que o sistema não impede o uso ilícito dos fundos públicos. Os problemas com o
e-SISTAFE contribuem directamente para o desvio de fundos atribuídos ao investimento e às
despesas necessários para o desenvolvimento do País. Em termos práticos, a retirada ilícita
de fundos públicos tem um impacto negativo nas vidas de todas as pessoas no País.

Macuane (2013:100,39 citado por José, 2014:46) acrescenta que, apesar da melhoria dos sistemas de
gestão financeira, a capacitação do sistema de aquisições, o fortalecimento do controlo interno e da
actividade do controlo externo com um Tribunal Administrativo mais actuante, as práticas de má
gestão e desvio dos fundos do Estado não parecem estar a abrandar e cita as recentes mais
emblemáticas descobertas do esquema de desvio de fundos no sector da educação.

Sem se procurar ser exaustivo, mas tomando como referência os traços dos novos modelos de
gestão e organizacionais preconizados, pode se concluir que a sua viabilidade torna indispensável o
incremento de tecnologias avançadas de informação e comunicação na AP e em todas as áreas
operacionais, porque:

 Não é possível garantir o acompanhamento da evolução ambiental e a definição de estratégia


e objectivos adequados, sem dispor de acesso a bases de informação externa existentes e
poder usar informação agregada de funcionamento interno, ou mesmo realizar e tratar, com
uso de ferramentas próprias, informação de inquérito;

37
In Jornal Noticias. (2013). Detidos nove suspeitos na fraude do MINED. Disponível online em:
http://noticias.tvm.co.mz/index.php/component/k2/item/1794-detidos-nove-suspeitos-na-fraude-do-
mined?tmpl=component&print=1. Publicado Terça, 27 Agosto 2013 10:59. Consultado a 02 de Maio de 2015.
38
Davies, Carrie . (2016). O e-SISTAFE vaza como uma peneira – quem é responsável? USAID/speed +. Portal online
disponível em: http://www.speed-program.com/blogs/by-author/carrie-davies/o-e-sistafe-vaza-como-uma-peneira-
quem-e-responsavel. Consultado a 24 de Fevereiro de 2017.
39
Macuane, José Jaime (2013). Sector Público. In NUVUNGA, Adriano & De TOLLENAERE, Marc (2013).
Governação e Integridade em Moçambique: Problemas práticos e desafios reais. Publicações Centro de Integridade
Pública (CIP).

44
 A descentralização e consequente reforço da coordenação só é possível interligando os
serviços através de redes e bases de dados distribuídas, em que a informação está disponível
em vários patamares, de forma adequada a cada um e com os níveis de confidencialidade e
segurança necessários;
 A implicação das pessoas pressupõe a partilha de informação e a alimentação da
comunicação a qualquer momento e independentemente da distância física;
 A gestão e alimentação de redes, interna e externamente, é facilitada e muitas vezes só
possível com o incremento de redes de comunicação que facilitem as trocas, o acesso à
informação de cada um e à informação comum, a emissão de opiniões e contributos
expeditos, o contacto fácil;
 O aumento de conhecimentos e saberes exige acesso fácil ao que se vai passando, e
actualizações sistemáticas, o que só é possível com acesso a bases de informação públicas e
especializadas;
 O reforço dos serviços de linha e o funcionamento matricial dos serviços é claramente
facilitado com o apoio de redes internas de comunicação.

Num mundo globalizado as AP deve tomar dimensões empresarias para cumprir os seus objectivos
macros “Prestação contínua e permanente das necessidades da colectividade, promoção e garantia
do bem-estar da sociedade”.

Esta leitura é evidenciada na teoria da NGP. A NGP é um modelo (um grupo de símbolos e regras
operacionais) que possui o objectivo de estabelecer regras prescritivas destinadas a reconfigurar a
AP para que a mesma esteja adequada ao Estado ultraliberal40. É um modelo que pretende ser
universal, independente das características singulares de cada país. Não obstante a retórica utilizada
pelos ultraliberais que teorizam sobre gestão pública, este trabalho sintetiza os cinco conceitos
fundamentais que conformam a “Nova Gestão Pública”:

a) A “lógica do privado” deve ser a referência a ser seguida;


b) O mercado é quem deve formular políticas públicas;
c) Os serviços públicos devem abandonar as fórmulas burocráticas para assumir a modalidade
da concorrência empresarial;
d) O cidadão deve converter-se em cliente;

40
Para efeito de entendimento deste parágrafo o Estado ultraliberal será interpretado apenas na vertente do sistema
económico, onde defende menos intervenção do Estado na Economia e portanto menos impostos. Ou seja:
Liberal – Quer menos Estado na Economia e portanto menos Impostos.
Ultraliberal – Quer o fim do Estado e portanto Impostos = 0.

45
e) A gestão deve ser apartada da política.

Em suma, as TIC’s constituem uma componente fundamental no processo de evolução de qualquer


Estado, seja na prestação de serviços públicos ou na dinamização dos processos operacionais a nível
das instituições do Governo. No âmbito da Administração Financeira do Estado denota-se ainda
mais importante pelo facto de facilitar a coordenação institucional das contas públicas, melhora os
mecanismos de prestação de contas, boa governação e execução das despesas públicas.

Em relação ao e-Folha, este módulo configura um importante avanço no âmbito da celeridade do


processamento e pagamento de salários aos FAE, pois com a introdução da e-Folha reduziu a
morosidade dos processo administrativos inerentes ao processamento de salários, seja desde a
cabimentação, liquidação, conformidade processual, pagamento, até ao encerramento do processo.
Sem deixar de mencionar que com a introdução do e-Folha as margens para situações de desvios de
fundos reduziram dado o nível de responsabilização existente agora (CEDSIF, 2013).

46
CAPÍTULO 4: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
DA PESQUISA

Este capítulo é reservado a uma breve descrição do local do estudo, apresentação, análise e
interpretação dos dados obtidos durante a pesquisa realizada no Governo do Distrito de Marracuene,
que teve como base os objectivos específicos definidos no presente trabalho.

4.1. Breve Descrição do Governo do Distrito de Marracuene


O GDM situa-se na Província de Maputo, a 30 Km norte da Cidade de Maputo, aproximadamente
entre as latitudes de 25º 41’ 30’’ de longitude Este41. É limitado a Norte pelo Distrito da Manhiça, a
Sul pela cidade de Maputo, a Oeste pelo Distrito da Moamba e Cidade da Matola e a Este pelo
Oceano Índico42.

4.1.1. Divisão Administrativa


O Distrito é composto por dois postos administrativos, nomeadamente: Marracuene-Sede e
Machubo. O posto administrativo de Marracuene-Sede compreende: Localidade-sede, Michafutene,
Macaneta, Matalane e Ngalunde; enquanto o posto administrativo de Machubo é constituído pelas
localidades de Macandza e Thaúla. Referenciar que está em processo a criação do terceiro posto
administrativo que se vai denominar Matalane e compreendera a junção das localidades de
Matalane e Ngalunde43.

4.1.2. Infra-Estruturas Relevantes


Ao longo do processo de recolha de dados verifica-se que o distrito de Marracuene está a evoluir
em termos de infra-estruturas, como consequência da expansão da Cidade de Maputo, que já não
consegue absorver a população que compõe a mesma e por isso procura se expandir para as regiões
próximas. Está sendo instalada uma fábrica de produção e processamento de piripiri, na localidade
de Matalane denominada de piripiri elefante Moçambique.

Na Localidade-sede há surgimento de muitos investimentos, como armazéns comerciais, barracas e


restaurantes, hotéis o que levou a instalação de instituições bancárias como é o caso do Millennium
BIM, BCI, Moza Banco e Barclays, Recentemente inaugurou-se a ponte que dá acesso a localidade
de macaneta tornando o distrito de Marracuene um destino turístico privilegiado por causa da praia

41
Vide Anexo A.
42
República de Moçambique/ MAE/ Série “Perfis Distritais de Moçambique. (2005). Distrito de Marracuene.
Assistência técnica: MÉTIER – Consultoria & Desenvolvimento, Lda.
43
Informações fornecidas, durante a entrevista que nos foi concedida na Secretária Distrital do Governo do Distrito de
Marracuene aos 20 de Fevereiro de 2017.

47
de Macaneta. Quanto a localidade de Michafutene apresenta infra-estruturas de Floricultura, de
Piscicultura, Ferragens de grande dimensão, entre outras, a IPEX, também instalou a nova FACIM
na Localidade de Michafutene, está é a localidade mais desenvolvida pelo facto de fazer fronteira
com a Cidade de Maputo e as infra-estruturas que são implantadas são resultado da expansão
urbana da Cidade de Maputo. Existem muitas casas de turismo e recreação como a Vila Pitanga,
Vila Paraíso, Complexo Retiro, Roger e muito mais. Em Machubo, encontra-se Lambo que se
dedica na produção de arroz, hortícola e tabaco.

4.2. Perfil da Amostra do Estudo


Do estudo realizado, no total são 30 participantes entrevistados dentre os quais 10 e 20 inqueridos
20. Dos participantes, 67% são do sexo Masculino e 33% Feminino. Quanto ao estado civil, 83%
são Solteiros e 17% são Casados e nenhum divorciado. E em relação ao grau de escolaridade, o
maior indicador está para Técnico Profissional (70 %). Ainda neste estudo destaca-se que todos 30
participantes tem nomeação definitiva 100%.

Feita a descrição do campo de estudo e a apresentação do perfil dos inquiridos e entrevistados,


segue-se a análise e interpretação dos dados de pesquisa. Para compreensão e aprofundamento deste
capítulo da pesquisa socorreu-se dos fundamentos teóricos do físico, matemático e filósofo – Rene
Descartes (1596-1650). Descartes estabeleceu os pilares daquilo que posteriormente veio a ser
conhecido como o Método Cartesiano, cujos pilares estavam alicerçados na dúvida.

O Método Cartesiano seria um instrumento, que bem manejado levará o homem a verdade, esse
método consiste em aceitar apenas aquilo que é certo e irrefutável e consequentemente eliminar
todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controvérsias. O objectivo de Descartes era de abranger
numa perspectiva de conjunto unitário e claro, todos os problemas propostos a investigação
cientifica. Este teórico estabeleceu um roteiro completo para se chegar as causas dos fenómenos por
meio de quatro regras necessárias/obrigatórias para a prática da investigação cientifica ( Silva,
197844 citado por Stigar, 2008):

1. Duvidar de tudo e assumir apenas aquilo que pudesse ser verificado como verdadeiro;
2. Dividir cada uma das categorias em análise em tantas partes quanto fossem necessárias
para fins de simplificação e apreensão correta do todo;
3. Conduzir os pensamentos das categorias mais simples para as mais complexas;

44
Silva, Maurício Óscar da Rocha. (1978). O mito cartesiano e outros ensaios. São Paulo: Hucitec.

48
4. Estabelecer enumerações completas a respeito das categorias em analise, para se extrair
conclusões inequívocas acerca de causas e consequências dos factos.

Nesta perspectiva, a dúvida de fundo esteve em perceber se a introdução do e-Folha no âmbito do


processamento e pagamento de salários tem implicações na melhoria da Administração Financeira
do Estado e na celeridade do pagamento de salários a nível do GDM. Posto isto, a fase seguinte
consistiu em analisar com profundidade sobre o e-Folha no GDM.

4.3. Causas da Introdução do e-Folha no Pagamento dos Salários a nível do GDM


As TIC’s são mais do que ferramentas de trabalho. Elas têm um papel de transformação, na maneira
como elas permitem mudanças, ao nível de mentalidades, ao nível institucional, incluindo
instituições governamentais do sector produtivo (privadas e públicas), alterando a forma como as
organizações e os indivíduos comunicam, funcionam e trocam conhecimento, (MCTESTP, 2015).

Através de entrevistas feitas aos funcionários directamente ligados ao manuseamento da plataforma


do e-Folha aferiu-se que a introdução desta plataforma electrónica é antecedida por outros
mecanismo de processamento e pagamento de salários denominado “Paralelo”.

O Paralelo foi a designação dada ao conjunto de mecanismos usados para o processamento de


salários. O Paralelo compreendia três sistemas de processamento de salários que funcionavam em
simultâneo: O Sistema Nacional de Vencimentos (SNV), que abrangia as instituições centrais da
Cidade e Província de Maputo, o Sistema de Processamento de Salários (SPS) com base no qual se
pagava ordenados em Sofala, Manica e Zambézia, e por fim o Sistema de Pagamento de
Vencimento (SPAV), plataforma usada para canalizar os soldos em Gaza, Inhambane, Tete, Cabo
Delgado, Niassa, Nampula e ao sector da Educação da capital e província de Maputo (In Jornal
Noticias, 2014)45.

Segundo Lino da Graça Rui46:

“O Paralelo sendo na altura o mecanismo concebido pelo Estado para efeito das
processamento e pagamentos de salários teve seus efeitos positivos ou seja permitiu
o alcance dos objectivos da sua concepção, contudo, haviam disfunções ligadas

45
In Jornal Noticias (2014). Salários na Função Pública: Finanças buscam maior flexibilidade e segurança. Disponível
online em: http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/sociedade/19441-salarios-na-funcao-publica-financas-buscam-
maior-flexibilidade-e-seguranca.html. Publicado a 16 de Julho de 2014. Consultado a 04 de Março de 2017.
46
Lino da Graça Rui. Funcionário do Governo do Governo do Distrito de Marracuene afecto a Secretária Distrital de
Marracuene. Exerce a Função de Técnico, na Repartição de Administração Local e Função Pública; Entrevistado aos
21/02/2017. Marracuene.

49
celeridade, transparência e responsabilização. O que acontecia principalmente a nível
do Governo do Distrito de Marracuene é que, depois dos técnicos conceberem a
folha de salários deviam deslocar-se a Direcção Provincial do Plano e Finanças
(DPPF)47 para fazerem a requisição dos fundos, processo este que levava o seu
tempo para ter o retorno (até 8 dias). Por outro lado, os técnicos deviam também
fazer uma folha de salários dirigida ao banco que também levava o seu tempo (até 3
dias em alguns casos), ou seja havia excesso de burocracia envolvido no processo de
processamento e pagamento de salários”.

E quanto a transparência e a responsabilização o entrevistado referiu nos seguintes termos:

“No Paralelo havia muito desvios de fundos públicos, por exemplo no Sector da
Educação a escola fazia a requisição do fundo de salário para determinado mês e na
sequência a Direcção Provincial de Economia e Finanças (DPEF) enviava o valor
para a conta da Escola, por sua vez o Director da Escola é que fazia a gestão do
mesmo, não havendo transparência”. Sem querer fazer nenhuma acusação directa ou
alongasse qualquer fundamento, o entrevistado ressalvou que: “O Sector da
Educação é mais sensível a desvios de fundos (…)”.

Este facto faz lembrar do marcante “Rombo” financeiro que o então Ministério da Educação
(MINED) sofreu na sequência do desvio de 33 Milhões de Meticais 48. Ainda de acordo com o Lino
da Graça Rui:

“A responsabilização na altura do Paralelo também era fraca, pois verificava-se casos


em que alguns técnicos por motivos não justificados demoravam submeter a folha de
salários DPPF, condicionando a pagamento dos salários em tempo útil e não eram
responsabilizados”.

Referindo-se ao mesmo assunto, Nércia Paula Mambo49 acrescentou o seguinte:

“Em tempos (Até 2007) não só havia excesso de burocracia no processo de


requisição do fundo para salários, mas também havia falta de segurança pois os
valores eram concedidos em numerário e a nível do Governo do Distrito de

47
Entidade responsável por fiscalizar de forma regular e contínua o processamento e pagamento de salários aos FAE.
48
Este caso foi julgado pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo onde foram acusados 13 Funcionários do sector da
educação do desvio de mais de 33 milhões de meticais no até à altura Ministério da Educação (MINED).
49
Nércia Mambo. Funcionária do GDM. Exerce o cargo de Chefe da Repartição de Administração Local e Função
Pública/Recursos Humanos. Entrevistada a 08/03/2017. Marracuene.

50
Marracuene já houve uma situação em que o carro que transportava o valor dos
salários assaltado e resultou na morte do motorista que era funcionário afecto ao
Governo do Distrito de Marracuene. O movimentação de valores em numerário
resultou também, situações de desvio de fundos do Estado. Por outro lado, havia
sempre problemas no controlo da efectividade pois as faltas deviam ser controladas
manualmente e o pagamento dos salários era feito presencialmente em numerário
colocando em risco também os próprios funcionários.”

Dos dados colhidos aos entrevistados pode-se resumir as principais causas da introdução do e-Folha
na seguinte tabela baixo:

Tabela 1: Principais causas da introdução do e-Folha a nível do GDM (Quadro resumo)


Principais causas da introdução do e-Folha a nível do GDM
Causas Efeitos
Relatórios não precisos da execução dos fundos
1 Transparência dos Fundos
disponibilizados
- Morosidade na disponibilização dos recursos
para os sectores;
2 Burocracia na requisição de fundos
- Incumprimento do calendário de pagamento de
salários.
Fraca responsabilização em casos de
3 Responsabilização incumprimentos de prazos para requisição de
fundos para pagamentos de salários.
Tempo e custos inerentes as deslocações dos
4 Constantes desolações dos Técnicos técnicos às DPPFs para requisição dos fundos
para pagamento de salários.
Perdas ilícitas de fundos do Estado resultante da
5 Desvio de Fundos fragilidade do mecanismo de alocação dos fundos.

Perdas de fundos do Estado resultantes de assaltos


e atentado a segurança dos próprios funcionários
6 Movimentação de valores em numerário
que na altura recebiam os seus ordenados em
numerário.
Fonte: Adaptação do Autor (2016)

Em suma, conclui-se que as causas condicionantes para a introdução do e-Folha a nível do GDM
foram: O excesso de burocracia no processo de pagamento de salários que obrigava a deslocação
dos funcionários, adicionado a morosidade da parte da DPPF que demorava muito tempo para
disponibilizar os fundos, a fraca transparência da gestão dos fundos, fraca responsabilização em
casos de incumprimentos de prazos para requisição de fundos para pagamentos de salários e desvios
de fundos. Assim, o e-Folha viria a ser a solução para todas estas disfunções do Paralelo, atribuindo
em geral uma maior celeridade no processo de pagamento de salários.

51
4.4. Aspectos Inerentes ao Processo de Pagamento de Salários no GDM
De acordo com Chiavenato (2004:260) ”o salário é uma contraprestação pelo trabalho de uma
pessoas na organização, que empenha parte de si mesma, de seu esforço e de sua vida,
comprometendo-se a uma actividade cotidiana e a um padrão de desempenho na organização”.
Neste trabalho, o salário reflecte o dinheiro que o funcionário recebe proveniente do Estado,
decorrente da tabela salarial em vigor e da categoria ocupada pelo mesmo.

O Módulo e-Folha consiste em proceder ao pagamento de salários aos funcionários públicos e


pensionistas por via directa (crédito directo nos domicílios bancários dos funcionários públicos e
pensionistas, o que de certa forma contribui para a redução do número de “funcionários fantasmas”
(CEDSIF, 2013).

O e-Folha é uma aplicação informática e todos procedimentos são informatizados, durante o


processamento da folha de salários devem ser verificadas as seguintes condições essências50:

 O funcionário deve estar cadastrado no e-CAF, o e-CAF é cadastro electrónico dos FAE. No
e-CAF pode-se encontrar informações como: Estado civil e nº de agregado familiar para o
cálculo de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS)51, Tipo de
vinculação (quadro ou contrato) para calcular o abono de vencimento base; Nível académico
para o cálculo do bonos especial; Cargo de direcção e chefia para o cálculo (ou não) da
gratificação de chefia.
 O Funcionário deve estar no estado “ Activo”, ou seja, a desempenhar integralmente uma
actividade pública para qual esteja atribuída e que tenha um vinculo com o Estado.
 O seu cadastro no e-CAF deve estar devidamente actualizado (esta actividade é contínua) e
com conformidade sectorial do Controlo Interno (CI);
 Devem ser seguidas as datas do calendário de processamento de salários;
 Todas informações referentes a alterações mensais devem ter a devida conformidade;

Dentre as funcionalidades do e-Folha encontra-se:

1. Lançamento de efectividade fixação de abonos e descontos mensais;


2. Conformidade das alterações;

50
Informação obtida no portal online do CEDSIF: http://www.cedsif.gov.mz/index.php/2015-07-08-21-35-47/2015-07-
07-11-27-48/2015-08-19-23-44-06. Consultado a 01 de Fevereiro de 2017.
51
É um imposto directo que incide sobre o valor global anual dos rendimentos, mesmo quando provenientes de actos
ilícitos (Artigo 1 da Lei nº 33/2007 de 31 de Dezembro - Lei que aprova o código do imposto sobre Rendimento das
Pessoas Singulares – CIRPS).

52
3. Cálculo de salários e geração das folhas de salários;
4. Conformidade da folha de salário Perfis/Responsabilidades.

Referindo-se aos aspectos inerentes ao processamento de salários via e-Folha a nível do GDM o
funcionário Sérgio Mário Ndlaze52 confirmou que:

Para se cumprir os procedimentos para o pagamento de salários deve-se ter em conta o Diploma
Ministerial n.º 210/2014 (Concernente aos procedimentos de processamento e pagamento de
salários dos Funcionários e Agentes do Estado), neste instrumento legal estão estabelecidos os
caminhos a seguir para pagar salários e as pessoas que intervém. O entrevistado avançou ainda que
a operacionalização do e-Folha é feita por 3 perfis de agentes, com as seguintes competências:

Agente do mapa de efectividade – Este tem a responsabilidade de introduzir no sistema as faltas


(Justificadas e não justificas), horas extras no período de (21 a 30/31 de cada mês); e no final destas
operações o sistema fornece um relatório contendo as informações introduzidas e serve de
confirmação para o próprio agente. Feito isto o relatório é entregue a Secretária Permanente, que
dará o seu visto.

A seguir temos o Agente do DAF – Este tem a responsabilidade de introduzir no sistema fixação de
abonos, descontos em caso do funcionário ter uma divida resultante de um empréstimo Bancário ou
ter alguma pensão alimentar por pagar, faz também os cálculos para a fixação dos salários e
verifica se existem salários em atraso. e no final destas operações o sistema fornece um relatório
contendo as informações introduzidas e serve de confirmação para o próprio agente. Feito isto, este
relatório também é entregue a Secretária Permanente, que dará o seu visto, recordando que o agente
de DAF deve realizar estas operações no período 21 a 30/31 de cada mês.

Por fim, temos o Supervisor sectorial da folha de salário – Este é responsável por validar a
informação introduzida pelos perfis acima indicados com base nos relatórios fornecidos por ambos.
E assim se encerra a folha de salário. Ainda de acordo com o entrevistado:

Estes passos são inerentes a geração da folha de salários, depois de gerada a folha de salário a
mesma é carregada para Módulo de Execução Orçamental (MEX); e a fase seguinte é a da
requisição de fundos, esta operação é automatizada pelo sistema, o sistema indica o limite a
cabimentar e em seguida é feita a cabimentação, liquidação do salário e agenda-se o pagamento que
normalmente é entre os dias 20 a 25 de cada mês. O salário é transferido para as contas dos

52
Sérgio Mário Ndlaze. Funcionário do GDM. Exerce o cargo de Assistente Técnico com perfil de Agente de
Efectividade. Entrevistado a 03/03/2017.

53
funcionários. Para os que não estão registados no e-CAF, o sistema agrupa por áreas de destino e
envia o valor total para a conta da instituição e esta por sua vez, procede ao pagamento manual aos
beneficiários, no entanto este cenário já foi ultrapassado, no momento todos os salários são
transferidos directamente para a conta do funcionário. O entrevistado realçou ainda que:

“Todas as operações efectuadas no e-SISTAFE são gravadas com os dados do


usuário (Nome, Perfil, Hora de Acesso, Local, Operações efectuadas, etc.), isto
permite a responsabilização em caso de operações fraudulentas”.

Dos dados colhidos aos entrevistados resulta a tabela abaixo, indicando processos, ordem,
operações, responsabilidades e a supervisão no acto processamento e pagamento de salários a nível
do GDM:

Tabela 2: Procedimentos para processamento e pagamento de salários a nível do GDM


(Quadro Resumo)

e-Folha
Nº de
Procedimentos
Processos Ordem
Operações Prazo Responsável Supervisão
Registo da 21 a 30/31
Agente do mapa Secretaria
1 efectividade do de cada
de efectividade Permanente
período anterior mês
Fixação de abonos 21 a 30/31
Geração da Secretaria
2 e descontos de cada Agente do DAF
folha de Permanente
variáveis mês
salário
Supervisor
Registo da 21 a 30/31
sectorial
3 conformidade dos de cada -
da folha de
processos anteriores mês
salário
Carga da folha de
Carga de Dias 5 e 6 Procedimento
salários no Módulo
Folha de 4 de cada automatizado -
de Execução
Salários mês (53) pelo Sistema
Orçamental
Requisição de Até dia 7
5
recursos financeirosde cada mê
Pagamento no Até dia 7
Módulo de 6 Cabimentação de cada Procedimentos automatizados pelo
Execução mês Sistema
Orçamental Até dia 10
Concessão de limite
7 de cada
a cabimentar
mês

53
Este prazo pode ser antecipado para as UGB’s que cumprirem os procedimentos anteriores com maior celeridade.

54
Até dia 10
8 Liquidação de cada
mês
Agendamento do 20 a 25 de
9
Pagamento cada mês
Fonte: Adaptação do Autor (2017)

4.5. Contributo do e-Folha na Celeridade do Pagamento de Salários a nível do GDM


O e-SISTAFE melhorou a Gestão de Finanças Públicas ao introduzir o e-folha para o pagamento
dos ordenados dos Funcionários e Agentes de Estado, o que evita os pagamentos ilícitos e viciosos,
dos funcionários fantasmas graças ao aplicativo e-CAF que procede ao registo e cadastro dos
beneficiários. Antes da reforma existiam vários sistemas de processamento e cálculo para
pagamento de salários numa base manual.

Do ponto de vista operacional e em conformidade com a estrutura legal prevista para o SISTAFE, o
e-Folha permite o cálculo e processamento de salários no e-SISTAFE, possibilitando assim que o
seu pagamento seja efectuado mediante transferência ou pagamentos por via directa para as contas
bancárias dos Funcionários e Agentes do Estado (FAE).

Os pagamentos por via directa tem como principal característica o cumprimento das três fases da
despesa (cabimento, liquidação e pagamento) em ordem sequencial compulsória, sendo tanto o
cabimento, quanto o pagamento são direccionados aos beneficiários finais (fornecedores de
serviços, etc.), sem qualquer intermediação.

E os pagamentos por via indirecta tem como característica a utilização de instrumentos especiais
“adiantamento de fundos à UGB” e “fundo de maneio” sendo caracterizada pelo facto de o
pagamento ser realizado antes da liquidação (que é condicionada à prestação de contas) e de os
cabimentos e pagamentos serem direccionados a gestores, que são agentes com a responsabilidade
para solicitar, receber e administrar os recursos financeiros das UGB e que realizam os pagamentos
a favor dos beneficiários finais, prestando posteriormente contas em relação aos fundos recebidos à
UGE vinculada.

No caso especifico do GDM, Vanda Simbine54 argumentou que:

“A introdução do folha electrónica de processamento de salários e-Folha trouxe


resultados positivos no âmbito da boa gestão financeira do Estado, assim como

54
Vanda Simbine. Funcionária do GDM. Afecta a repartição de Planificação e Desenvolvimento Local. Entrevistada a
07/03/2017.

55
imputou maior celeridade nos processamento e pagamento de salários aos FAE. Em
termos práticos, com a introdução do e-Folha o salário já não leva muito tempo para
entrar nas contas do funcionários”.

Por sua vez, Sarmento Carlos55 considerou haver vários contributos a destacar com a
implementação do e-Folha tais como a própria celeridade, redução de desvio de fundos do Estado,
transparência, responsabilização, consistência dos relatórios de execução orçamental, melhorou o
controlo do número dos FAE, assim como contribuiu positivamente para o controlo e gestão do
processamento de salários e remunerações a médio e longo prazo. Apesar de até então, o Módulo de
Salários e Pensões (MSP) no qual se encontra o e-Folha não agregar o pagamento de pensões a
visão futura é que esta plataforma venha a servir para pagar salários e pensões aos FAE.

Dos 20 funcionários inquiridos sobre o contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de


salários, os resultados obtidos indicam que: todos (100%) funcionários consideram que a
plataforma e-Folha contribui positivamente na celeridade do pagamento de salários aos FAE,
conforme demostra a tabela abaixo:

Tabela: 3. Avaliação do contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de salários aos FAE


Avaliação do contributo do e-Folha na celeridade do pagamento de salários aos FAE
Variável Frequência Percentagem
Positivo 20 100%
Negativo 0 -
Total 20 100%
Fonte: Dados obtidos na Pesquisa (2017)

Actualmente está em implementação a “Visão das Finanças Públicas 2012-2025”56 onde vários
módulos serão implementados gradualmente de acordo com os prazos estabelecidos e assim facilitar
e melhorar ainda mais a Gestão de Finanças Públicas e consequentemente melhorar a vida do
cidadão em relação aos pagamentos de e para o Estado e principalmente, o próprio Estado, na
Gestão dos recursos financeiros públicos e do seu património, isso se a visão em referência vier à
ser concretizada.

De um modo geral, o e-Folha contribui para o maior controlo do número dos FAE e pensionistas, a
partir do seu recenseamento, reduziu substancialmente o número de salários pagos por via indirecta

55
Sarmento Carlos. Funcionário do GDM. Afecto a Repartição de Administração Local e Função Pública.
Entrevistado a 07/03/2017.
56
CEDSIF (2012). Visão das Finanças Públicas (2011-2025). Ministério das Finanças. Moçambique. Maputo.

56
e proporcionou maior transparência em relação às informações sobre direitos e obrigações
remuneratórias. Assim como melhorou o Administração Financeira do fundo destinado ao
pagamento de salários aos FAE.

Entretanto, apesar dos contributos positivos da introdução do e-Folha a nível do GDM, há desafios.
Vanda Simbine avançou que:

“Há necessidade de investir na capacitação dos técnicos com perfis atribuídos para
acesso ao e-SISTAFE, pois tem vezes que salário fica comprometido devido ao mau
manuseamento do sistema, por exemplo, circunstâncias em que o sistema rejeita
constantes operações fora dos parâmetros concebidos, automaticamente bloqueia o
acesso do usuário. Considerando que no acto do processamento de salário cada
agente tem limitação a nível das atribuições do seu perfil, isto implica que não pode
efectuar operações de um outro perfil. O Agente de efectividade não pode fazer
operações do agente do DAF e vice-versa”.

Face ao contributo destacado pela entrevistada, a mesma não deixou de focar um outro aspecto que
fragiliza a celeridade necessária do sistema, o facto de apenas existir (1) um e único ponto de acesso
ao e-SISTAFE a nível do GDM, composto por (4) quatro computadores. Este ponto é partilhado por
mais de 150 usuários do e-SISTAFE.

Por sua vez, Filoca Custódio Petula57 mencionou que existem programas permanentes de formação
de técnicos com perfis atribuídos para o acesso ao e-SISTAFE/e-Folha, este processo é levado a
cabo pela DPPF e pelo CEDSIF, no entanto, alguns funcionários tem limitações de apreensão e
aplicação prática dos conteúdos ministrados durante as formações. Em relação ao aspecto infra-
estrutural o Distrito apresentou uma evolução considerável com a expansão da rede bancária. Até
2015 o Distrito já possuía as condições infra-estruturais necessárias para a implantação do e-
SISTAFE (Bancos, Internet, Energia).

Sansão Muanahumo58 lembrou que:

“Os desafios de qualquer projecto tecnológico são comuns e giram em torno da


manutenção correctiva e evolutiva dos produtos implementados. Estes desafios são
completamente complexos no contexto do e-SISTAFE pois agrega vários módulos,

57
Filoca Custódio Petula. Funcionária do GDM. Afecta a Repartição de Finanças. Entrevistada a 22/02/2017.
58
Sansão Baptista Muanahumo. Funcionário do GDM. Afecto a Secretaria Distrital de Marracuene. Entrevistado a
12/03/2015, Durante o período de estágio pré-profissional.

57
em utilização por um número crescente de utilizadores e longe de ser um sistema
estático”.

Na óptica do entrevistado, a implementação do e-Folha tem em si uma finalidade positiva para a


Administração Financeira do Estado, no entanto a sua dimensão e complexidade deverá implicar o
investimento no capital humano, incentivando a mudança de atitudes e compromisso de FAE
através da definição de clara sobre políticas de gestão de recursos humanos, já que é na boa gestão
e preparação dos quadros que qualquer actividade pode atingir resultados positivos e os objectivos a
que se propõe.

Sob ponto de vista teórico, a teoria contingencial avança que não existe uma universalidade de
princípios de administração nem uma única e melhor maneira de organizar e estruturar as
organizações. O ambiente impõe desafios externos à organização, enquanto às tecnologias impõe
desafios internos. Deste modo, qualquer organização deverá tomar em consideração tudo o que
acontece no seu ambiente externo, quer a nível sociológico, tecnológico, político ou demográfico
visto que, pode influenciar a seu funcionamento, sua estrutura organizacional, sua gestão e as
decisões dos seus gestores (Ribeiro, 2010:157).

4.6. Verificação das Hipóteses


A hipótese é uma solução antecipada ao problema de pesquisa. Richardson (1999) coloca que as
hipóteses permitem orientar a análise dos dados e auxiliam a aceitar ou rejeitar tentativas de solução
ao problema. Nesta perspectiva as hipóteses definidas no presente trabalho são as seguintes:

H1: A introdução das TIC’s em particular do e-folha melhorou a gestão das finanças públicas e a
celeridade no âmbito do pagamento de salários aos Funcionários e Agentes do Estado no GDM.

Dados obtidos com a materialização da pesquisa são categóricos em confirmar que a introdução das
TIC’s em particular do e-folha melhorou a gestão das finanças públicas e a celeridade no âmbito do
pagamento de salários aos Funcionários e Agentes do Estado no GDM, tal facto encontra-se
justificado na secção 4.4 do presente trabalho, através dos dados dos entrevistados e inquiridos
(Tabela 3), de onde concluiu-se que, o maior controlo do número dos FAE e pensionistas, a partir
do seu recenseamento, reduziu substancialmente o número de salários pagos por via indirecta e
proporcionou maior celeridade e transparência em relação às informações sobre direitos e
obrigações remuneratórias. Assim, considera-se válida a presente hipótese.

58
H2: A incapacidade dos recursos humanos em lidar com as soluções informáticas e as condições
infra-estruturais e tecnológicas disponíveis no Distrito de Marracuene tornam deficiente o
pagamento célere dos salários a nível do GDM.

Dados obtidos com a materialização da pesquisa indicam que, desde da introdução (2013) do e-
Folha a nível do GDM, existem programas permanentes de formação de técnicos com perfis
atribuídos para o acesso ao e-SISTAFE/e-Folha, este processo é levado a cabo pela DPPF e pelo
CEDSIF, no entanto, alguns funcionários tem limitações de apreensão e aplicação prática dos
conteúdos ministrados durante as formações. Em relação ao aspecto infra-estrutural o Distrito
apresentou uma evolução considerável com a expansão da rede bancária. Até 2015 o Distrito já
possuía as condições infra-estruturais necessárias para a implantação do e-SISTAFE (Bancos,
Internet, energia), contudo a fragilidade de natureza infra-estrutural e tecnológica ainda existem,
sendo de destacar as falhas constantes no próprio e-SISTAFE e a existência de um e único ponto de
acesso ao mesmo que compreende 4 computadores para aproximadamente 150 usuários do e-
SISTAFE a nível do GDM. Estes aspectos estão reflectido na secção 4.4 do presente trabalho no
âmbito dos desafios. Assim, considera-se também Válida a presente hipótese.

4.7. Constrangimentos da Pesquisa


A pesquisa foi realizada no GDM, local onde o pesquisador realizou o seu estágio Pré-profissional
em vários sectores de prestação de serviços. Tal facto facultou a obtenção de informações junto dos
técnicos e chefes de repartições a nível do Distrito. Contudo, os constrangimentos são inevitáveis
sendo de destacar os seguintes:

 Disponibilidade de tempo das pessoas indicadas para fornecer informações relevantes sobre
o tema em estudo;
 Custos de Transporte, principalmente quando a deslocação não era compensada com a
entrevista dos funcionários em função da falta de disponibilidade de tempo;
 Dificuldade de obtenção de obtenção de literatura referente ao e-Folha.

59
Considerações Finais

Da análise dos dados deste estudo e da revisão da literatura acerca da contribuição das Tecnologias
de Informação e Comunicação na melhoria da Administração Financeira do Estado com enfâse no
e-folha na celeridade do pagamento de salários: Caso do Governo do Distrito de Marracuene,
conclui-se o seguinte:

i. Sob ponto de vista da concepção e contributo do e-SISTAFE/e-Folha

O SISTAFE e e-SISTAFE contribuem decisivamente para uma gestão moderna das Finanças
Públicas em Moçambique, com a administração e execução orçamental-financeira totalmente
integradas, registos contabilísticos automáticos e atempados e informações oportunas e fiáveis.
Com efeito, pode-se afirmar que o advento do SISTAFE/e-SISTAFE permite identificar mais
facilmente eventuais fraudes, situação que não era possível na sistemática anterior. São irrefutáveis
os inúmeros benefícios alcançados com a implementação do SISTAFE/e-SISTAFE, destacando-se
o e-Folha.

O e-SISTAFE melhorou a Gestão de Finanças Públicas ao introduzir o e-folha para o pagamento


dos ordenados dos Funcionários e Agentes de Estado, o que evita os pagamentos ilícitos e viciosos,
dos funcionários fantasmas graças ao aplicativo e-CAF que procede ao registo e cadastro dos
beneficiários. Antes da reforma existiam vários sistemas de processamento e cálculo para
pagamento de salários numa base manual.

O e-Folha é a componente do Módulo de Salários e Pensões (MSP) que permite o cálculo e


processamento de salários no e-SISTAFE, possibilitando assim que o seu pagamento seja efectuado
mediante transferência directa para as contas bancárias dos Funcionários e Agentes do Estado
(FAE) (CEDSIF, 2015). A introdução desta plataforma resulta da necessidade de dotar o Estado de
um mecanismo confiável, eficiente, e transparente de gestão de salários, afim de reduzir as perdas
ilícitas de fundos públicos.

Actualmente, está em implementação a “Visão das Finanças Públicas 2012-2025” onde vários
módulos serão implementados gradualmente de acordo com os prazos estabelecidos e assim facilitar
e melhorar ainda mais a Gestão de Finanças Públicas e consequentemente melhorar a vida do
cidadão em relação aos pagamentos de e para o Estado e principalmente, o próprio Estado, na
Gestão dos recursos financeiros públicos e do seu património, isso se a visão em referência vier à
ser concretizada.

60
Tal como indicam os pressupostos da Teoria Contingencial e da Nova Gestão Pública, a
sobrevivência de qualquer organização está no acompanhamento do ambiente externo, para caso
especifico, a evolução do ambiente tecnológico. É nesta perspectiva que o Estado tem vindo a
implementar sucessivas reformas no âmbito da AP e da Administração Financeira do Estado
criando a visão futura de um Estado prestador de serviços de excelência caracterizados por
eficiência, eficácia, transparência, equidade, justiça social e sustentabilidade na gestão das Finanças
Públicas.

ii. Sob de vista do contributo a nível do GDM

A introdução do e-Folha a nível do GDM durante o período de (2013-2015) trouxe significativas


mudanças de natureza infra-estrutural e de excelência no âmbito do processamento e pagamento de
salários. Sob ponto de vista de mudanças infra-estruturais, a introdução do e-SISTAFE/e-Folha
criou condições para o desenvolvimento local, a partir da agilidade na disponibilização de recursos,
expansão da rede eléctrica e de telecomunicações, fomento do comércio e da rede bancária.

Sob ponto de vista da excelência a introdução do e-Folha imputou maior celeridade no processo de
pagamento de salários e trouxe segurança para próprio funcionário no acto de recebimento do seu
ordenado.

No entanto, a eliminação do uso de sistemas paralelos para processamento de salários e de pensões


e transição para o e-Folha a nível do GDM foi acompanhado de grandes desafios:

 Formação e capacitação de pessoal para uso dos perfis de acesso ao e-SISTAFE;


 Recenseamento de todos FAE a nível do Distrito, com objectivo de criar a base de dados
electrónica dos FAE (e-CAF). O e-CAF engloba todos dados referentes ao funcionário
(Dados pessoais, data de nomeação ou atribuição do visto do Tribunal Administrativo, Nº do
N.U.I.T. etc.). Este processo foi corrido, pois, haviam metas a serem cumpridas o que criou
muita pressão no pessoal envolvido.

De um modo geral, os desafios na implementação de um projecto tecnológico são comuns, porém,


no caso do processamento de salários destaca-se o seguinte:

 Conclusão da expansão de salários via e-Folha e respectivo pagamento por via directa dos
FAE de todos órgãos e instituições do Estado, até à plena implementação do MSP, a partir
do Sistema Nacional de Gestão de Recursos Humanos (SNGRH), operacionalizado pelo e-
SNGRH).

61
Recomendações

Das contribuições feitas com a realização do estudo no GDM, recomenda-se:

 Alargar os pontos de acesso ao e-SISTAFE a nível do GDM a fim de reduzir a dependência


de um e único ponto existente;
 Racionalizar o número de intervenientes necessários no sistema. Com esta medida pretende-
se garantir que as instituições não necessitem de empolar os seus recursos humanos para
responder às necessidades do e-SISTAFE e consequentemente garantir a racionalização dos
recursos humanos;
 Estudar a possibilidade de adjudicar outros servidores de internet para não depender apenas
de um único servidor (Telecomunicações de Moçambique – TDM);
 Desenvolver formações e capacitações constantes sobre o uso do e-SISTAFE que envolvem
a particularidade (Teoria e Prática);

62
Referência Bibliográfica
a) Livros e Revistas científicas

1. Abrahamsson, Hans; Nilsson, Anders. (1994). Moçambique em transição: um estudo da


história de desenvolvimento durante o período, 1974-1992. Maputo: Padrigu/CEEI.
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Editora de informática: Lisboa.
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b) Documentos e Publicações Oficiais

65
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Politica de Informática. I Serie, nº 49. Imprensa Nacional: Maputo.
2. Boletim da República (2002), Lei n.º 09/2002 de, 12 de Fevereiro. Cria o Sistema de
Administração Financeira do Estado - SISTAFE. I Série, Número 07. Publicação Oficial da
República de Moçambique. Imprensa Nacional de Moçambique: Maputo.
3. Boletim da República (2004), Decreto n.º 23/2004 de, 20 de Agosto. Aprova o
Regulamento do Sistema de Administração Financeira do Estado - SISTAFE. I Série,
Número 33. Publicação Oficial da República de Moçambique: Maputo.
4. CEDSIF (2012). Relatório de Actividades e de Execução Orçamental do III Trimestre.
Ministério da Economia e Finanças. Maputo.
5. CEDSIF (2013). Relatório de Actividades e de Execução Orçamental do III Trimestre.
Ministério da Economia e Finanças. Maputo.
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da Reforma do Sector Público (2001-2011). Maputo, 2001.
8. Estratégia para a Melhoria do Ambiente de Negócios em Moçambique 2008-2012
(2008). Gabinete de Apoio ao Sector Privado, Ministério da Indústria e Comércio.
9. INTIC - Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação. (2011).
Informe sobre o grau de Implementação da Estratégia de Governo Electrónico. Maputo.
10. INTIC - Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (2013).
Relatório de Actividades do e-Gov. Maputo
11. República de Moçambique. Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação de Moçambique
(ECTIM), Maputo, 2006.
12. República de Moçambique. Estratégia de Governo Electrónico de Moçambique. 2006.
Maputo.
13. MEF - Ministério de Economia e Finanças. (2015). Balanço da Reforma da
Administração Financeira do Estado 2002 – 2014 e Perspectivas para 2015-2019. 1ª
Reunião Nacional do SISTAFE realizada em Novembro de 2015. Moçambique: Maputo.

c) Páginas da Internet

66
MCTESTP. Tecnologias de Informação e Comunicação, Maputo, 21 de Fevereiro de
2015,http://www.mctestp.gov.mz/?q=content/tecnologias-de-informação-e-comunicação.
Consultado em 08 de Agosto de 2015.

Stigar, Robson. (2008). O Pensamento Cartesiano. Disponível no portal online em:


http://webartigos.com/artigos/o-pensamento-cartesiano/5651. Publicado em 27 de April de
2008. Consultado em 04 de Março de 2017.

d) Relatórios de TCL

Lampeão, Odibar João (2007), Estratégia Global da Reforma do Sector Público como caminho
para boa gestão da coisa pública: Caso do Sistema de administração financeira do Estado. ISRI.
Maputo.

e) Fontes Primárias

Data de
Nome Função Afectação
entrevista
Sansão Baptista Repartição de Administração
1. Técnico Profissional de AP 12/03/2015
Muanahumo Local e Função Pública
Repartição de Administração
Sarmento
2. Carlos Técnico 07/03/2017
Local e Função Pública
Chefe da Repartição de
Repartição de Administração
3.
Nércia Mambo Administração Local e Função 08/03/2017
Local e Função Pública
Pública
Repartição de Administração
4. Lino Rui Técnico 21/02/2017
Local e Função Pública
Repartição de Planificação
5.
Vanda Simbine Técnica Administrativa 07/03/2017
e Desenvolvimento Local.
Sérgio Mário Repartição de Administração
6. Assistente Técnico 03/03/2017
Ndlaze Local e Função Pública
Olinda Esperança Chefe da Repartição de
7. Repartição de Finanças 22/02/2017
Foquisso Finanças
Filoca Custódio
8. Técnica Administrativa Repartição de Finanças 22/02/2017
Petula
9.Dércia Laura Técnica Administrativa Repartição de Planificação 22/02/2017

67
Victor Machava e Desenvolvimento Local.

Arlindo Mário Repartição de Planificação


10. Técnico Profissional de AP 28/02/2017
Ndlaze e Desenvolvimento Local.

68
APÊNDICES e ANEXOS

69
APÊNDICE A. Questionário de Entrevista destinado aos Funcionários do Governo do
Distrito de Marracuene

INSTITUTO SUPERIOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Curso de Licenciatura em Administração Pública

Questionário

Guião de Entrevista para o Funcionários do Governo do Distrito de Marracuene

O presente guião de entrevista está inserido no âmbito do Trabalho de Conclusão de


Licenciatura em Administração Pública no Instituto Superior de Relações Internacionais
(ISRI), cujo tema da pesquisa é: “Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração
Financeira do Estado – Uma Reflexão em torno do e-Folha na Celeridade do
Pagamento de Salários no Estado (2013-2015)”.
Asseguro que, tudo quanto for dito serve unicamente para engrandecer o trabalho e trazer
uma mais-valia para fins meramente académicos. O que significa que serão observados
aspectos éticos como forma de garantir a confidencialidade, a dignidade, liberdade bem
como a integridade dos entrevistados e sem se basear das respostas para colocar em causa a
sua dignidade ou o bom nome dos entrevistados.
Nb. Para facultar a anotação das informações obtidas durante a entrevista será usado um
Gravador de Voz, excluindo deste processo qualquer intenção de prejudicar o entrevistado.
Agradeço a vossa colaboração.

Muito obrigado.

1. Nome e o cargo que ocupa?

2. A quanto tempo trabalha nesta instituição?

3. Muitos profissionais acreditam que, a implementação do sistema integrado e-SISTAFE simplifica


e sistematiza as operações financeiras e melhora cada vez mais a gestão das operações de tesouraria.
É da mesma opinião? Porquê?

4. Que vantagens notórias oferece o e-SISTAFE no âmbito da realização das despesas públicas?
Terá melhorado a transparência e a flexibilização dos processos?

70
5. Dentre os subsistemas que compõem o e-SISTAFE destaca-se o módulo de pagamento de
salários e pensões suportado pelo e-Folha. Quais são as implicações do uso do e-Folha? Trás algum
contributo qualitativo?

6. Quais foram as causas da introdução do e-Folha a nível do Governo do Distrito de Marracuene?

7. Acredita que existem condições infra-estruturas e de recursos humanos capacitados para garantir
plena operacionalidade de recursos informáticos a nível do Governo do Distrito de Marracuene?

8. Como funciona o processo de pagamento de salários e pensões via e-Folha a nível do Governo do
Distrito de Marracuene? Que intervenientes fazem parte deste processo?

9. Fazendo um balanço geral, acredita que o e-Folha tem implicações positivas na melhoria da
Administração Financeira do Estado e na celeridade do pagamento dos salários e pensões aos
Funcionários do Estado?

10. Que desafios o Governo do Distrito de Marracuene enfrentou e enfrenta na com a introdução do
e-SISTAFE em particular do e-Folha?

Muito Obrigado pelo precioso tempo dispensado para esta conversa!

71
APÊNDICE B. Inquérito Dirigido aos Funcionários do Governo Distrito de Marracuene

INSTITUTO SUPERIOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS


Curso de Licenciatura em Administração Pública
Inquérito Dirigido aos Funcionários do Governo Distrito de Marracuene

O presente inquérito é parte integrante de uma pesquisa em curso no âmbito do Trabalho de


Conclusão de Licenciatura em Administração Pública no Instituto Superior de Relações
Internacionais com o tema: ― Contributo das TIC’s na Melhoria da Administração
Financeira do Estado – Uma Reflexão em torno do e-Folha na Celeridade do
Pagamento de Salários no Estado (2013-2015)”. Em que o objectivo é reflectir em torno
da contribuição das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na melhoria da
actividade financeira do Estado com enfoque para o e-Folha na celeridade do pagamento de
salários.

É de salientar que as informações recolhidas serão utilizadas unicamente para fins


académicos, o que significa que serão observados aspectos éticos como forma de garantir o
anonimato, a confidencialidade, a dignidade, liberdade dos inquiridos e sem se basear das
respostas para pôr em causa a reputação dos mesmos.

Muito obrigado.

Dados do Inquiridor
Nome: Jaime Celestino Xavier Jeremias
Contacto: (+258) 846348575 Whatsup / (+258) 827179937

Email: Jaimes.jeremias@gmail.com

Nacionalidade: Moçambicana
Ps. Caso tenha algo a sugerir sobre a temática em estudo pode faze-lo através dos meios acima
facultados pelo inquiridor.

Contextualização da Pesquisa
Como parte integrante das Reformas Públicas foi iniciada a implementação do programa de
modernização da Administração Financeira do Estado, tendo sido criado o SISTAFE, através da Lei
nº 9/2001 de, 12 de Fevereiro (BR, 2002) suportado pelo e-SISTAFE, a fim de melhorar o sistema
de gestão da “coisa pública” em Moçambique e combater as perdas ilegais de fundos públicos

72
através de controlo intercorrente, comparabilidade, uso de padrões internacionalmente aceites,
uniformidade de critérios em todo o país e formação e capacitação de recursos humanos em
Tecnologias de Informação e Comunicação no âmbito da Administração Financeira do Estado.

1ª PARTE – DADOS PESSOAIS DO INQUERIDO

Assinale com (x) ou (√) os espaços entre parenteses que correspondam a sua resposta

1. Inquérito Nº____.

1.1. Data:____/____/____, Hora:___:___ e local do


inquérito___________________________________________________________

1.2. Género: Masculino ( ) Feminino ( )

1.3. Estado Civil______________________________

1.4. Grau de Escolaridade: Nível Básico ( ) Nível Médio ( ) Nível Técnico ( ) Nível Superior
( ) Nenhum ( ).

1.5. Profissão:___________________________________________________

2ª PARTE – INTRODUÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E


COMUNICAÇÃO (TICS) NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

2.1. Como avalia a introdução das TICs na Administração Pública Moçambicana?

a) Nefasta ( ) b) Relevante ( ) c) Irrelevante ( ) d) Indiferente

Comentário?_____________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
______________________________

2.2. No âmbito da informatização e modernização da Administração Financeira do Estado


(AFE) é introduzido o e-SISTAFE com a finalidade de melhorar a gestão das finanças
públicas e reduzir as perda ilícitas de fundos públicos.

Será que a informatização e modernização das finanças públicas são medidas viáveis para alcançar
uma boa gestão das finanças publicas?

a) Sim ( ) b) Não ( )

c) Outra
opnião.__________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

73
________________________________________________________________________________
________________________________________

3ª PARTE – E-FOLHA PARA O PAGAMENTO DE SALÁRIOS AOS FUNCIONÁRIOS DO


ESTADO

3.1. Tem conhecimento da existência da plataforma electrónica de pagamento de salários aos


Funcionários do Estado – e-Folha?

a) Sim ( ) Não ( )

3.2. Que avaliação faz do e-Folha para o pagamento de Salários aos Funcionários do Estado?

a) Positiva ( ).
Porquê?_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________________________________________________

b) Negativa ( ).
Porquê?_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_________________________________________

3.3. Quanto a celeridade no processo de pagamento de salários, considera que a adopção do e-


Folha trouxe mudanças positivas?

a) Sim ( ).
Quais?__________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_________________________________________

Não ( ).
Porquê?_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________

3.3.1. Então considera que o e-Folha contribui na celeridade do processamento e pagamento


de salários?

a) Sim ( ) b) Não ( )

74
3.4. Acha que existem condições infra-estruturas e recursos humanos qualificados para que
haja bons resultados na implementação do e-Folha a nível do Governo do Distrito de
Marracuene?

a) Sim ( ) b) Não ( )

c)
Comentario______________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________

3.5. Com que periodicidade recebe o seu vencimento?

Entre os dias:

a) 20 a 25 ( ) b) 25 a 30 ( ) c) Mais tempo __________

Muito Obrigado pelo precioso tempo

75
ANEXOS

76
ANEXO A. LOCALIZAÇÃO DO DISTRITO DE MARRACUENE

Fonte: marracuene.pmaputo.gov.mz/informação/Perfil_Marracuene.pdf

77
ANEXO B. Processamento e Pagamento de Salários ao FAE via e-Folha

Fonte: CEDSIF

78
ANEXO C. Portais de Governos Distritais no ambito do e-GOV

Distrito Provincia Endereço


1. Malema http://malema.nampula.gov.mz
Nampula
2. Moma http://moma.nampula.gov.mz
3. Majune Niassa http://majune.niassa.gov.mz
4. Mecanhelas http://mecanhelas.niasa.gov.mz
5. Changara Tete http://changara.tete.gov.mz
6. Cahora Bassa http://cahorabassa.tete.gov.mz
7. Boane Maputo http://boane.pmaputo.gov.mz
8. Marracuene http://marracuene.pmaputo.gov.mz
9. Chibabava Sofala http://chibabava.sofala.gov.mz
10. Búzi http://buzi.sofala.gov.mz
11. Massingir Gaza http://massingir.gaza.gov.mz
12. Mandlakaze http://mandlakaze.gaza.gov.mz
13. Bárué Manica http://barue.manica.gov.mz
14. Guro http://guro.manica.gov.mz
15. Chiúre Cabo Delgado http://chiure.cabodelgado.gov.mz
16. Vilankulo inhambane http://vilankulo.inhambane.gov.mz
17. Inharrime http://inharrime.inhambane.gov.mz
18. Gurué Zambézia http://gurue.zambezia.gov.mz
Fonte: Instituto Nacional de Tecnologias Informação e Comunicação - INTIC

79
ANEXO D. Confirmação do Levantamento de Dados sobre o e-Folha no Governo do Distrito
de Marracuene

80
ANEXO E. Credencial submetido ao CEDSIF para levantamento de Dados sobre o e-Folha

81
ANEXO F. ILUSTRAÇÃO DO GOVERNO DO DISTRITO DE MARRACUENE

Fonte: Imagens obtidas pelo pesquisador Fonte: Imagens obtidas pelo


durante a pesquisa pesquisador durante a pesquisa

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