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Departamento de Ciências Sociais e Humanas

Coordenação do Curso de Direito

Trabalho de fim do curso

Tema

A insegurança da Uniao de factos na Estabilidade e


Durabilidade

https://pt.slideshare.net/PedroUcuahamba/monografia-verso-final-pedro-jacinto-ucuahamba-
unio-de-facto-anlise-e-reflexes-unuvarsidade-metodista-de-angola?qid=b724125c-3686-4b38-
b3cb-1cd9aeaeed40&v=&b=&from_search=1

Nelson A. Respeito
1
Vilankulos, Agosto 2019
1. Introdução

O presente trabalho constitui monografia do fim do Curso e tem como tema a


Insegurança da União de Facto na Estabilidade e Durabilidade, Uma Analise Critica a
Luz do Jure Constituendo com a finalidade de obtenção do grau de Licenciatura em
Direito pela Faculdade de Direito no Instituto Superior Monitor.

A chamada “uniao de facto” têm adquirido na sociedade nestes últimos anos um


especial relevo. Certas iniciativas insistem no seu reconhecimento institucional e
inclusive na equiparação com as famílias nascidas do compromisso matrimonial.

A União de Facto consubstância-se numa das formas de constituição de família,


segundo o ordenamento Jurídico Moçambicano. Aliás, o artigo 119 da CRM, preceitua
que a família é o elemento fundamental e base de toda a Sociedade.

Partindo do ponto de vista legal, da constituição da União de Facto, surgem direitos e


obrigações, contudo no quotidiano e, de forma prática tem se verificado vários casos de
incumprimento de certos deveres, isto em caso de termo da união, resultando situação
que certos menores assim como as mulheres são as vítimas.

No que concerne a organização deste trabalho, o mesmo comportará quatro capítulos


distintos, a saber:

No I capítulo, falar-se-á da origem e evolução da família como forma de mostrar a


génese da família.

No II capítulo, far-se-á uma união de facto sua noção, formas de constituição, união
facto no ordenamento jurídico moçambicano, seu regime jurídico, efeitos e a união de
facto na Cidade de Inhambane.

No III capítulo do trabalho, ira se debruçar da insegurança da união de facto, que é o da


própria discussão do problema, onde iremos abordar casos de instabilidade ou
insegurança nas uniões de facto, causas de insegurança, consequências e meios
coercivos contra a insegurança da união de facto.

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E o IV capítulo, poderá que encontrar a índole da união de facto noutros ordenamentos
jurídicos.

Contudo, importa salientar que no trabalho poderá se encontrar a parte introdutória, a


mesma versa sobre os objectivos, o problema, a justificação, as hipóteses e por fim a
metodologia adoptada.

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Âmbito do trabalho

O tema enquadra-se no ramo do Direito Privado, concretamente no Direito da Família


socorrendo-se da Lei nº 10/2004, de 25 de Agosto. (Lei da Família).

1.1 Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
 Analisar a insegurança das uniões de facto na estabilidade e durabilidade.

1.1.2. Objectivos Específicos


 Compreender os efeitos da união de facto
 Descrever o regime jurídico da união de facto
 Aferir a insegurança da união de facto
 Identificar soluções para que se configure a estabilidade e durabilidade
da união de facto

1.2 Metodologia

Segundo GIL (1999:10) Metodologia, é o conjunto de procedimentos intelectuais e


técnicas adoptadas para atingir um determinado conhecimento.

No que diz respeito ao método material adoptado para a elaboração deste trabalho, a
autora do mesmo, optou pela consulta e respectiva análise de várias referências
bibliográficas, consubstânciando-se na leitura de manuais, consulta da legislação, de
artigos que versam sobre a matéria em estudo, da consulta de alguns sites na internet,
terminado com o trabalho de campo que consistiu com a realização de varias entrevistas
dos membros da sociedade, entrevista esta, que teve como objectivo colher das pessoas
as suas visões, opiniões, bem como a realidade que se vive no quotidiano.

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1.3 Problematização

Sendo Família em sentido jurídico pessoas que estejam integradas ou que encontram-se
se ligadas pelo casamento, pelo parentesco, pela afinidade e ainda pela adopção. Já que
no presente trabalho pretendemos analisar a matéria das relações familiares, tanto nas
pessoas como no património, mas particularmente a união de facto.

A mesma não pode se confundir de forma alguma com o casamento, no entanto a


mesma assume algumas das suas características.

É uma relação entre um homem e uma mulher de outro modo, não pode pretender ser
semelhante ao casamento e obter algum estatuto deste.

Nos últimos anos até os dias que correm, verifica-se claramente um aumento
considerável de pessoas que se unem por via da União de Facto.

Sendo uma relação de facto a que o direito vem, depois dar, ou não algum relevo
jurídico.

Questiona-se o seguinte:

 Que garantia e segurança existe para os unidos de facto?


 Até que ponto a união de facto se mostra segura nas pessoas que se encontram
nesta situação?
.

1.4. Hipóteses

 A união de facto pode ser segura caso o legislador reforce os efeitos pessoais.

 A união de facto pode constituir um impedimento para o casamento.

1.5. Justificação da Escolha do Tema

A razão da escolha do tema dá-se pelo facto de ser actual, jurídico e relevante, pois visa
dar um contributo significativo na procura de melhores soluções da comunhão de vida
dos que se encontram na união de facto em termos de colaboração íntima em todos os

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aspectos da existência humana, visto que há muitas separações, pelo facto de a
legislação não regular de uma forma cabal a união de facto.

Capitulo I
Origem e evolução da Família

1.1. Noção de Família

Em direito, vários são os conceitos que se podem dar a família, os mesmos podem ser
do ponto de vista doutrinal, assim como jurídico.

Etimologicamente, a expressão “ família”, deriva do latim Familiae, designando assim


um conjunto de escravos e servidores que viviam sob a jurisdição do ‘pater familia”.1

A família em sentido amplo, constitui a formação por todas aquelas pessoas ligadas por
vínculo sanguíneo, ou seja aquelas provindas de um tronco ancestral comum, o que
inclui dentro da orbita da família todos os parentes consanguíneos.

Já em sentido restrito, a família engloba pai, mãe e filhos. É a família nuclear que
normalmente é constituída pela família conjugal. É a sociedade paterno-filial.2

Segundo Abudo (2005:14) o conceito de família pode ser encarado sob o ponto de vista
sociológico ou sob o ponto de vista jurídico.

Sociologicamente, será o conjunto de pessoas que ligam as pontas tanto por casamento
como por consanguinidade, também o chamado parentesco ou por mera afinidade.

No que concerne ao conceito jurídico 3, a Família é constituída pelas pessoas que se


encontram ligadas pelo casamento, pelo parentesco, pela afinidade e pela adopção.

Da conjugação dos artigos 1 da Lei da Família e 119 da CRM, estatui-se que a Família é
a célula base da sociedade, factor de sociabilização da pessoa humana.

1.2 Origem histórica da Família.

1
Vide buscalegis. Ccj.com.br
2
SANTOS, Eduardo dos, Direito da Família, Almedina-Coimbra, 1999, pág 13.
3
HTTP:// OCTALBERTO. No.Sapo.Pt/Noção Jurídica de Família
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6
Os registos históricos, monumentos literários, fragmentos jurídicos, comprovam
acertadamente o facto de que a família ocidental viveu largo período sob a forma
“ patriarcal”, conforme afirma a documentação bíblica. Em Roma, a família era
estabelecida sobre o princípio da autoridade e compreendia aos que a ela estavam
submetidos. O “ pater” era, ao mesmo tempo, chefe político, sacerdote e juiz. Ele
liderava, oficiava o culto dos Deuses domésticos e espalhava justiça. Por outro lado,
exercia sobre os filhos direito de vida e de morte, podia impor-lhes pena corporal
vendê-los, ou tirar-lhes a vida4.

Segundo Abudo (2005) historicamente, a família é anterior ao Estado, sendo que o


primeiro agregado que se constituiu em primeira forma do exercício do poder, na
concepção romana da família era caracterizada pela obediência ao “ pater”, contudo a
medida em que as sociedades iam se desenvolvendo, as suas funções tornavam-se cada
vez mais complexas, exigindo a participação de uma outra entidade superior que nos
nossos dias designa-se por Estado.

De acordo com Varela (1996), a família é o núcleo social primário mais importante que
integra a estrutura do Estado. Por outro lado, como sociedade natural corresponde a uma
profunda e transcendente exigência do ser humano, a família antecede nas suas origens
o próprio Estado. Antes de se organizarem de forma política por via do Estado, os povos
mais antigos viveram sempre socialmente em famílias.

Já a lei define a família como sendo a célula base da sociedade, factor de sociabilização
da pessoa humana5.

1.3 Evolução Histórica da Família

1.3.1A Família no Direito Romano

4
Vide WWW-AMBITO-Juridco.com.br
5
nº1 do artigo 1 da Lei nº 10/2004 de 25 de Agosto
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7
Não existe na história dos povos antigos e na antiguidade oriental como na antiguidade
clássica, o surgimento de uma sociedade organizada que se deslumbre na base ou nos
seus fundamentos na família ou organização familiar.

Foi a antiga Roma que sistematizou normas severas que fizeram da família uma
sociedade patriarcal. A família Romana era organizada preponderamente, no poder e na
posição do pai, chefe da comunidade. O pátrio poder tinha carácter unitário exercido
pelo pai, este era uma pessoa “Sui Juris” ou seja, chefiava todo resto da família que
vivia sobre seu comando, os demais membros eram “Alini Juris”

Na sociedade Romana, os poderes patriarcais eram bastante numerosos, como tal se


baseavam nos vários princípios, como é o caso do “Jus Vita Ac Neus” (o direito da
vida e da morte) “O Jus Exponendi” (direito de abandono) e o princípio “ Jus Nat
Dandi” (o direito de dar prejuízo).

Com a morte do “Pater Familias” não era a matriarca que assumia a família como
também as filhas não assumiam o pátrio poder que era vedado a mulher. O poder era
transferido do primogénito ou a outros homens pertencentes ao grupo familiar.

1.3.2 A Família no Direito Canónico

A partir do século V, com o decorrente desaparecimento de uma ordem estável que se


manteve durante séculos, houve um deslocamento do poder de Roma para as mãos do
chefe da igreja católica Romana, onde se desenvolveu o direito canónico estruturado
num conjunto normativo dualista (laico e religioso) que viria se manter até o século XX.

Os canónicos eram totalmente contrários a dissolução do casamento por entenderem que


não podiam os homens dissolver, a união realizada por Deus, portanto um sacramento.

Existia uma divergência entre a concepção católica do casamento e concepção medieval.


Enquanto para a igreja em princípio o matrimónio depende do simples consenso das
partes.

A Sociedade medieval reconhecia o matrimónio como um acto de repercussão


económica e política para o qual devia ser exigido não apenas o consenso dos nubentes,
mas também o assentimento das famílias a que pertenciam.

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O direito canónico fomentou as causas que ensejavam impedimentos para o casamento,
incluindo as causas baseadas nas incapacidades dos nubentes. Por outro lado foi nesta
ordem jurídica que elaborou-se as teorias de nulidades, e de como ocorria a separação
de corpos e do património perante o ordenamento jurídico.

Como escreve Varela (1996), a evolução histórica da sociedade familiar, desde a família
patriarcal `a família nuclear de sociedade industrial contemporânea, foi um processo
lento, e o mesmo era caracterizado por tipos de organizações completamente
diferenciados que foram distinguidos pelo sociólogo, num duplo aspecto, primeiro
quanto a composição do núcleo familiar, depois quanto a estrutura de sociedade
conjugal, que é a célula- mãe do tecido familiar.

No que respeita a constituição da sociedade familiar, destacam-se sucessivamente no


contexto histórico-jurídico que interessa examinar a Família Patriarcal Romana, a
Família Comunitária Medieval e a Família Nuclear da Moderna Sociedade Industrial.

Perante o supra exposto, não se pode negar, entretanto a influência dos conceitos
básicos elaborados, tanto pelo Direito Romano, assim como pelo Canónico que até a
data de hoje são notórios no ordenamento jurídico Moçambicano.

1.4 Tipos de Família

Para o Professor Abudo (2005), a família era constituída nos termos expostos partindo
do seu conceito, assim sendo a família pode ser alargada, nuclear ou monoparental.

A Família Alargada é constituída pelos cônjuges e seus filhos e outros descendentes do


casal, parentes colaterais e seus descendentes, afins e adoptados.

A família alargada encontra-se dividida em várias formas das quais destacamos: a


família patriarcal, comunitária mediaval e familia-lar.

Já a Família Patriarcal é composta por um conjunto de pessoas submetidas a um chefe


depositário da autoridade e do poder.

Temos também a Família Comunitária Medieval que era um conjunto de pessoas


ligadas pelo vínculo do casamento e pelos laços biológicos.

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Proença citado por Abudo, afirmam que neste tipo de família, em cada casamento
resultava uma nova família constituída não só pelos progenitores, também por parentes
mais próximos, emergindo assim verdadeiras comunidades sociológicas.

Por sua vez Torres apud Abudo (2005), entendem tratar-se de uma família de linhagem,
e era composta por pessoas que através das gerações descendem dum tronco comum,
com predomínio dos vínculos de carácter natural (casamento, parentesco e afinidade)

Para outros percurssores da doutrina 6 , distinguem a família como sendo natural e


monoparental, sendo assim, seria natural a família tida como a mais comum, pois é
aquela que possui laços sanguíneos, constituída por pais e filhos, provinda de modelos
de família através do casamento ou união estável.

Por sua vez a família nuclear vai ser a constituída pela família conjugal, isto é por pai,
mãe e filhos.

Já a Família Monoparental, era constituída por um dos seus genitores e filhos, ou seja,
por mãe e filho, ou pai e filho, decorrente de produção independente, separação dos
cônjuges, por morte, abandono, podendo ser biologicamente constituída por adopção.

Dos tipos de famílias acima elencadas concluiu-se que em Moçambique no geral, e


especificadamente na cidade Inhambane, predomina a família Monoparental uma vez
existirem muitos casos de famílias conjugais.

1.5.Formas de Constituição da Família

Santos (2009), defende que as formas de constituição de família são o casamento


(família constituída pelo marido e mulher), o parentesco (pelos filhos e outros parentes),
a afinidade (pelos afins), e adopção (os adoptados).

O mesmo ocorre na legislação, as relações familiares têm como fontes a procriação, o


parentesco, o casamento, a afinidade e a adopção.7

6
Vide WWW, Ambito-juridico.com.br-tipos de famílias -31/10/2012
7
Vide art 6 da Lei 10/2004 de 25 de Agosto (Lei da Família Moçambicana)
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Conforme o artigo 7 da Lei da Família, o Casamento é a união voluntaria e singular
entre um homem e uma mulher, com o propósito de constituir família, mediante
comunhão plena de vida.

Parentesco é o vínculo jurídico que une duas pessoas, em consequência de delas


descender de outra ou de ambas procederem de um progenitor comum (art. 8)

A Afinidade, é o vínculo que liga cada um dos cônjuges aos parentes do outro (art.13).

E Adopção é o vínculo que, a semelhança da filiação natural, mas independentemente


dos laços do sangue, se estabelece legalmente entre duas pessoas, nos termos do artigo
389 e seguintes da Lei da família (art. 15).

Capitulo II

2. União de Facto

2.1. Noção

Para Abudo (2005:253) União de Facto constitui toda ligação singular entre duas
pessoas de sexo diferente com carácter estável e duradouro que sendo legalmente aptas
para contrair casamento, não o tenham celebrado presumindo-se desse modo, a
comunhão plena de vida pelo período de tempo superior a um ano consecutivo,
comunhão que deve ser de cama, mesa e habitação.

O professor Abudo (2005) afirma que a vida em comum dos membros da união de facto
cria uma certa aparência de casamento, em que muitas pessoas possam confiar, sendo
assim, diferente das simples relações sexuais passageiras e do próprio concubinato por
mais duradouro que seja, dado este simplesmente pressupor comunhão do tecto, e não
de mesa nem de habitação.
Sendo assim verifica-se a necessidade de uma protecção de família, ou melhor famílias
constituídas ou as que venham se constituir a margem do casamento cuja noção restrita
e técnica integra os cônjuges, os filhos e os outros parentes, afins, adoptantes e
adoptados.

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Neste âmbito, Abudo (2005), afirma que a união de facto não é qualificada como
relação familiar, embora reconhecendo que o nosso ordenamento jurídico admite noções
menos técnicas de família. Por outro lado Abudo citado por Coelho apud Oliveira, a
união de facto não pode ser vista como relação de família para maiores casos de efeitos,
entendendo deste modo que a não união de facto se encontra numa área em que
excepcionalmente pode ter a respectiva qualificação de relação de família.

A união de facto é a situação de pessoas que se encontram ligadas por uma relação
estável e duradoura semelhante a dos cônjuges, não tendo havido embora entre elas o
casamento.8

No que diz respeito a definição legal, União de Facto é a ligação singular existente entre
um homem e uma mulher, com carácter duradouro, que sendo legalmente aptos para
contrair casamento não o tenham celebrado9.

2.2. Formas de Constitutição das Uniões de Facto

Nem todas as uniões de facto têm o mesmo alcance social, nem as mesmas motivações.
Na hora de descrever suas características positivas, além do seu traço comum negativo,
que consiste em postergar, ignorar ou rejeitar a união matrimonial, sobressaem outros
elementos. Primeiramente o carácter puramente fáctico da relação. Convém salientar
que supõem uma coabitação acompanhada de relação sexual (o que as distinguem de
outros tipos de convivência) e de uma relativa tendência à estabilidade, (o que as
distinguem das uniões de coabitação esporádicas ou ocasionais). As uniões de facto não
comportam direitos e deveres matrimoniais, nem pretendem uma estabilidade baseada
no vínculo matrimonial. Têm como característica a firme reivindicação de não ter
assumido vínculo algum. A instabilidade constante, decorrente da possibilidade de
interrupção da convivência em comum é, de conseqüência, característica comum das

8
PRATA, Ana, Dicionário Juídico, 3ª Edição, Revista e Actualizada, Livraria Almedina, Coimbra, 1994, pag.
972
9
Vide artigo 202, número 1 da Lei da Família

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uniões de facto. Há também um certo compromisso, mais ou menos explícito de
fidelidade recíproca, se é possível assim chamá-la, enquanto durar a relação.

É de lamentar que a Lei traga apenas como forma de constituir a União de Facto, apenas
um e único molde, neste caso a comunhão plena de vida pelo período de tempo superior
a um ano sem interrupção, vide nr 2 do artigo 202, e para que a mesma se configure é
necessário que:

 A relação seja singular entre um homem e uma mulher, isto é um homem deve
estar apenas para uma mulher.
 A relação deve ter carácter estável e duradouro, quer dizer que a relação tem de
ser diferente da do simples namoro, deve-se mostrar a relacao como defintiva.
 A relação deve ser entre pessoas aptas para contrair matrimónio, isto é pessoas
que não se encontrem na situação de impedimentos previstos na lei, tais sejam,
idade inferior a 18 anos para ambos companheiros, que não sejam dementes.

Algumas uniões de facto são clara consequência de uma escolha decidida. A união de
facto à experiência é frequente entre aqueles que têm o projeto de casar-se no futuro,
porém condicionam à experiência de uma união sem vínculo matrimonial. É uma
espécie de etapa condicionada para o matrimónio, semelhante ao matrimónio à
experiência que, à diferença deste, pretendem um certo reconhecimento social.

Outras vezes, as pessoas que convivem justificam esta escolha por razões económicas
ou para esquivar as dificuldades legais. Muitas vezes, os verdadeiros motivos são mais
profundos. Esquiva-se o compromisso de estabilidade, das responsabilidades, e dos
direitos e deveres que o verdadeiro amor conjugal comporta.

Não é raro que as pessoas que convivem em união de facto afirmem rejeitar
explicitamente o matrimónio por motivos ideológicos. Trata-se então da escolha de uma
alternativa, de um modo determinado de viver a própria sexualidade. O matrimónio é
visto por estas pessoas como algo inadmissível para elas, como algo que se opõe à
própria ideologia, uma forma inaceitável de violentar o bem-estar pessoal ou inclusive o
túmulo do amor selvagem, expressões estas que demonstram o desconhecimento da
verdadeira natureza do amor humano, da doação, nobreza e beleza na constância e
fidelidade das relações humanas.
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Nem sempre as uniões de facto são o resultado de uma clara escolha positiva; às vezes
as pessoas que convivem nestas uniões afirmam tolerar ou suportar esta situação. Em
certos países, o maior número de uniões de facto se deve a uma desafeição ao
matrimónio, não por razões ideológicas, mas por falta de uma formação adequada da
responsabilidade, que é produto da situação de pobreza e marginalização do ambiente
em que se encontram. A falta de confiança no matrimónio não obstante pode também
ser devida a condicionamentos familiares, especialmente no Terceiro Mundo. Factores
relevantes a se considerar são as situações de injustiça e as estruturas de pecado. O
predomínio cultural de atitudes machistas ou racistas concorre para agravar muito estas
situações de dificuldade.

Nestes casos, não é raro encontrar uniões de facto em que há inclusive desde o início,
uma vontade de convivência, em princípio autêntica, nas quais os conviventes se
consideram unidos como se fossem marido e mulher, esforçando-se por cumprir
obrigações similares às do matrimónio. A pobreza, em geral consequência de
desequilíbrios na ordem económica mundial, e as deficiências educativas estruturais
representam para elas graves obstáculos na formação de uma verdadeira família.

Noutros lugares é mais frequente a coabitação (por períodos mais ou menos


prolongados de tempo) até a concepção ou nascimento do primeiro filho. Estes
costumes correspondem a práticas ancestrais e tradicionais, ligadas ao chamado
matrimónio por etapas.

São práticas que contrastam com a dignidade humana, difíceis de desarraigar (arancar) e
que configuram uma situação moral negativa, com uma problemática social
característica e bem definida. Este tipo de união não deve ser equiparada com as uniões
de facto das quais nos ocupamos, (que se configuram à margem de uma antropologia
cultural de tipo tradicional).

A complexidade e a diversidade da problemática das uniões de facto, se mostra patente


ao se considerar, por exemplo, que, às vezes, a sua causa mais imediata pode
corresponder a motivos assistenciais. É o caso por exemplo, nos sistemas mais
desenvolvidos, de pessoas idosas que estabelecem relações somente de facto pelo medo
de que o acesso ao matrimónio lhes acarrete prejuízos fiscais ou a perda das pensões.

Nelson A. Respeito
14
2.3 A União de facto no Ordenamento Jurídico Moçambicano

Noção (Artigo 202 nº 1)10

A união de facto é a ligação singular existente entre um homem e uma mulher, com
carácter estável e duradouro, que sendo legalmente aptos para contrair casamento não o
tenham celebrado.

A União de Facto pressupõe:

 Existência de uma relação singular, entre um homem e uma mulher.


Tal como acontece no casamento, a união de facto na Lei é permitida entre pessoas de
sexo oposto portanto só podem constituir família, um homem e uma mulher.
Para além disto, deve tratar-se de uma relação em que um homem está apenas para uma
mulher.
 A mesma relação, deve ter carácter estável e duradouro.
Importa isto dizer que deve ser uma relação diferente da do simples namoro, em que as
pessoas se vêem de quando em vez. Existe a necessidade de se mostrar a relação como
definitiva.
 Esta relação deve ser entre pessoas aptas para contrair casamento.
Quando se fala em pessoas aptas para contrair casamento, refere-se as pessoas que não
tenham nada que as impeça de casar. Fala-se aqui dos impedimentos11.
 A relação em causa, pressupõe uma comunhão plena de vida pelo período de
tempo superior a um ano sem interrupção.
Queremos com isto afirmar que A e B devem viver na mesma casa exactamente como
marido e mulher por doze meses (Um ano) sem intervalos de separação.
Posto isto, é feita a análise dos requisitos da união de facto, a salientar a ausência de um
pressuposto preponderante, no que diz respeito a garantia, como foi visto a lei não
impõe, nem exige que a união de facto seja registada.
Do ponto de vista técnico-jurídico, os cidadãos de sexo diferente ligados pelo
casamento são denominados cônjuges, já na união de facto, são companheiros. Porém,
na sociedade Moçambicana, não obstante os conceitos técnicos estabelecem
10
Lei da Família (Lei nº 10/2004 de 25 de Agosto
11
Vide artigo 29 e 55 da Lei da Família
Nelson A. Respeito
15
significados diferentes, dando-nos a entender que o senso comum atribui entendimento
único de marido e mulher, tanto para os cônjuges como para os unidos de facto,
relevando o entendimento de que ambos casos se tratam de pessoas verdadeiramente
casadas.
Após a aprovação da nova Lei da Família (Lei nº 10/2004 de 24 de Agosto), as relações
de união de facto passaram a ser caracterizadas como sendo vida em comum em
condições semelhantes as dos cônjuges, ou como sendo as pessoas que vivem em
comunhão de leito, mesa e habitação, como se fossem casados com a diferença de que
não são, pois estão ligados pelo vinculo formal do casamento12.
É neste contexto que no nosso quotidiano entendemos a união de facto como sendo:
 A situação de duas pessoas que se encontram ligadas por uma relação
estável e duradoura semelhante a dos cônjuges, não tendo havido,
embora entre elas casamento.13
 É a ligação singular existente entre um homem e uma mulher, com
carácter estável e duradouro que sendo legalmente aptos para contrair
casamento não o tenham celebrado14

Um aspecto relevante a considerar-se na abordagem na união de facto, é a condição de


essas pessoas haverem tido assumidos, de forma expressa, o compromisso duradoiro de
uma comunhão plena de vida, tendo como finalidade a constituição de família.

Dentro dessa relação, nascem verdadeiros deveres conjugais, assumidos entre ambos e
perante terceiros, a saber: a Fidelidade, a Lealdade, a Coabitação, o Respeito, a
Cooperação e a Assistência Mútua.

A união de facto nos termos da Lei não constitui uma modalidade de casamento, assume
relevância jurídica para efeitos de filiação, adopção, divisão de bens e alimentos em
caso de dissolução da união, da morte do companheiro ou companheira.

2.4 Regime Jurídico da União de Facto

A Lei da Família estabelece como regime de bens em Moçambique os seguintes:

12
COELHO, Francisco Manuel Pereira, Curso de Direito da Familia, Vol I, 3ª Edição, Pág 83.
13
PRATA, Ana, Dicionário Jurídico, 3a Edição, Revista e Actualizada, Livraria Almedina
14
Vide nº 1 do Artigo 202 da Lei da Família, (Lei nº 10/2004 de 25 de Agosto)
Nelson A. Respeito
16
 Regime da Comunhão de Adquiridos;15

 Regime da Comunhão Geral;16

 Regime da Separação de Bens;17

Segundo Prata (1999), considera-se como Regime de Bens o estatuto das relações
patrimoniais dos cônjuges entre si e nas relações com terceiros.18

O ordenamento Jurídico Moçambicano é o único que trata do regime jurídico da união


de facto, onde somente lhes são aplicados efeitos patrimoniais, (Regime da Comunhão
de Adquiridos)19.

No âmbito da consagração da união de facto o nosso legislador deveria propor um


regime mais amplo com relação a figura de união de facto posto que a união de facto
muita das vezes resulta num verdadeiro casamento, entanto que união de duas pessoas
de sexo diferentes que pretendem constituir família mediante comunhão plena de vida.

Com o reconhecimento da união de facto, poderia-se recorrer aos regimes já existentes e


aplicáveis ao casamento civil tendo em conta as especificidades próprias da união de
facto, como casamentos conforme os usos e costumes locais ou religiosos.

Do ponto de vista da natureza jurídica, há quem entenda que tão só uma situação ou um
estado de facto, isto é, uma relação de carácter moral e social. Porém, nos achamos que
o legislador não pode ficar indiferente em relação `as uniões de facto, uma vez que, não
se trata apenas de uma situação de facto. A problemática da união de facto vai muito
longe, pois possui uma sustentação que vai para além de uma simples situação de facto.

Deste modo, há que reconhecer que a união de facto é uma verdadeira relação jurídica
donde derivam obrigações de direito muito válidas e necessárias para regular a vida
harmoniosa da sociedade. 20 Com a ausência do reconhecimento deste direito, a

15
Vide, artigo 137 a 156 da Lei da Família
16
Vide, artigo 147 e seguintes da Lei da Família
17
Vide, artigo 154 da lei da Família
18
PRATA, Ana, Dicionário Juridico (1999) op. cit, pag 831
1919
Vide nº2 do Artigo 203 da Lei da Familia
20
ANDRADE, Manuel de, Teoria Geral da Relação jurídica, Vol. II, Coimbra, Livraria Almeida, 1987,
pag 25.
Nelson A. Respeito
17
sociedade continuará a enfrentar inúmeros problemas no seu quotidiano sem poder dar a
resposta certa no âmbito do direito que assiste as pessoas que vivem nestas condições.

Neste contexto, consideramos que devem ser reconhecidos os direitos das partes na
constância da união de facto e mesmo quando já não for possível a sua subsistência,
havendo necessidade de conjugar-se os princípios gerais de direito para proteger as
partes em conflito. Desta forma poderá resultar necessariamente os efeitos próprios de
uma relação duradoura que teria como objectivo a constituição de família.

2.5 Os Efeitos da União de Facto (Artigo 203 da Lei da Família)

Os Efeitos Patrimoniais e Pessoais na Vigência da União de Facto

Durante a vigência da união de facto, são adquiridos diversos bens pelos unidos de facto
os quais são administrados por um deles ou por ambos. Na nossa sociedade, mais
concretamente na zona sul do País, é norma que seja o marido a administrar os bens do
património comum e mesmo do unido de facto, diferentemente daquilo que acontece na
zona norte, pois esse papel é desempenhado pela mulher.

Um aspecto importante a considerar esta relacionada com a determinação da titularidade


de cada um dos bens. Assim para este caso, uma vez que quem administra o património
é o unido de facto (Marido) na Zona Sul e o unido de facto (Mulher) na Zona Norte,
aparentemente todos os bens lhe pertencem.

Mesmo a Lei da Família estipular que para efeitos patrimoniais aplica-se o regime da
comunhão de adquiridos, nas relações de união de facto, conforme o disposto no nr 2 do
artigo 203 da Lei da Família verifica-se na nossa Sociedade que muitas vezes esse
regime não é aplicável, uma vez que, a maior parte das pessoas que vivem em união de
facto não conhecem os seus direitos e muito menos o regime que os tutela.21

Em caso de morte, dependendo de cultura para cultura, os bens comuns que os unidos
de facto adquiriram durante a constância dessa união, na maioria das vezes ficam com a
família do “de-cujus”, a viúva ou viúvo. Os descendentes acabam ficando sem nenhum
património, apesar de terem contribuído para esse património.

21
Nos termos do nº 1 do artigo 203 da Lei de Família
Nelson A. Respeito
18
Nestes casos, cabe ao unido de facto provar que existiu uma união de facto entre ambos,
vigorando deste modo o princípio “ onus probandi”, para que o mesmo tenha direito a
uma parte dos bens por ter contribuído para a aquisição dos mesmos.

Deste modo, podemos afirmar que os efeitos da união de facto assemelham-se aos
efeitos do vínculo conjugal isto é, ao casamento civil relevando que o vínculo jurídico
estabelecido na união de facto tem como uma das consequências de ordem patrimonial a
aplicação imperativa do regime legal de bens adquiridos, conforme o estipulado no nº 1
do artigo 203 da Lei da Família. Isto é, o regime legal de bens de comunhão de
adquiridos.

Neste contexto, a união de facto resultante das relações de afecto decorrem por via da
Lei, claras consequências patrimoniais, pelo que com a dissolução da relação por morte
ou em vida, deverão ser partilhados os bens existentes.

No que concerne aos efeitos pessoais, importa referir que os unidos de facto, que vivem
em condições semelhantes, estarão vinculados por diversos deveres como sejam:

 O dever de respeito e confiança- durante a vigência da união de facto, cada um dos


companheiros deve respeitar as liberdades individuais e os direitos de personalidade
do outro, de acordo com o estipulado no artigo 94 da Lei de Família. Muitas das
vezes, a desconfiança nas relações de união de facto conduz a generalização de
conflitos que a vida comum lhes proporciona.
Com o surgimento dos conflitos acima referidos nas relações de facto, a condenação da
violação do dever de respeito e confiança, é feita simplesmente ao a nível da censura
das pessoas que rodeiam os unidos de facto e mais nada, posto que a legislação nada
prevê, diferentemente com o que acontece no matrimónio celebrado nos termos da Lei
estes factos consubstânciam motivo legal para acção legal para intentar uma acção de
divórcio.
 Dever de solidariedade - os unidos de facto tem uma obrigação recíproca de inter
ajuda, apoio e cooperação que se traduz no socorro e auxílio mútuos bem como na
obrigação de “assumirem em conjunto as responsabilidades inerentes a vida da
família que fundaram”22

22
MENDES João de Castro, Direito de Família, Lisboa, 1990/1999, apud ABUDO, José Ibraimo, pag
257.
Nelson A. Respeito
19
 Dever de assistência, nos termos do artigo 97 conjugado com a alínea b) do artigo
413 ambos da Lei de Família, os unidos de facto são obrigados a contribuir para os
encargos familiares, sobretudo para alimentos que incluem não só o sustento como
podem compreender a habitação, vestuário, saúde e lazer, instrução e educação do
alimentado.
 Dever de coabitação - a união de facto pressupõe aos unidos de facto estarem
obrigados a comungar do mesmo leito, mesa e habitação. Nos termos da Lei da
Família, a união de facto pressupõe a comunhão de vida pelo período de tempo
superior a um ano sem interrupção, cf.nº 2 do artigo 202 da Lei da Família.
 Dever de Fidelidade - nas relações de união de facto, existe o dever de fidelidade
que impõe aos unidos de facto a obrigatoriedade de “manterem uma relação
exclusiva com o seu parceiro sexual”23 . A violação deste dever por um dos unidos
de facto, não passa de uma violação do dever de respeito devido a qualquer dos
membros, pelo que não se acha tipificada qualquer sanção, mas somente a uma
censura moral. Diferentemente se passam as coisas no matrimónio.

Do exposto acima, urge a necessidade de se estudar mecanismos jurídicos de modo a


encontrar formas de protecção das pessoas que vivem em união de facto, pois o direito
sucessório regula os destinos dos bens de pessoas de que falecem. Os unidos de facto
também morrem, por isso é necessário regular com quem ficam os bens deles depois da
morte.

2.5 A União de Facto na Cidade de Inhambane

Conforme dados estatísticos do último Censo de 2007, demostram-nos que a Cidade de


Inhambane comportava um total de 7.423 pessoas em união de facto e 1.950 pessoas
casadas. Da ilustração feita fica bem claro que os unidos de facto encontravam-se em
maior número em relação aos casados.

Assim, com base nos dados estatísticos acima elencados para os casos de união de facto,
nota-se que na maioria dos casos de união de facto, os homens é que fogem da
responsabilidade e da ideia de contrair matrimónio uns alegando falta de dinheiro,
outros relação prematura para contrair matrimónio, ou então gravidez nos casos em que
23
ABUDO, José Ibraimo, pág 257
Nelson A. Respeito
20
a companheira encontra-se em estado de gestação, preferindo assim em muitos casos,
somente a realização da tradicional cerimónia Lobolo, que é uma das formas de
casamento, conforme o disposto no artigo 16 da Lei da Família que quando não
cumpridos os requisitos que a Lei exige para o reconhecimento eficaz igual `a do
casamento civil, não lhes são conferidos nenhuns direitos jurídicos, tanto para o homem,
como para a mulher, visto que a única forma que garante e protege os direitos e deveres
consagrados na Lei, é até os dias de hoje sem dúvida o casamento.

Capitulo III

3.A Insegurança da União de Facto na Estabilidade e Durabilidade

3.1 Casos de Instabilidade ou Insegurança das Uniões de Facto

Durante o processo do inquérito, varias são as respostas e opiniões distintas colhidas, de


onde veio a resultar que existem inúmeros casos de insegurança ou instabilidade.

Se não vejamos, uma relação de união de facto resultante de uma gravidez indesejada,
numa situação em que o homem não queira ter a sua companheira como sua esposa,
contudo surge a gravidez, ai eles passam a viver juntos por conta do nascituro.

Esta relação não será estável e não terá garantia nenhuma pois com o nascimento do
filho a relação pode romper.

Uma outra situação são os casos em que dois parceiros (homem e mulher), se unem e
passam a morar juntos por interesses económicos, porque um deles encontra-se num
nível de vida económico estável e outro não. Unem-se e passam a morar juntos, no
entanto ocorre que o parceiro ou a parceira na esperança de aproveitar, tirar "dinheiro"
do seu parceiro, não dá certo, isto é, um dos parceiros esperava ter uma vida de luxo,
presentes, etc, e quando assim não acontece, a relação fica instável, sem garantias e
pode romper.

Temos também os casos em que dois parceiros se conhecem e passam a morar juntos
em pouco tempo, contudo durante a relação ambos vão descobrindo os defeitos, vícios,
costumes do outro que não lhe agrada, começando a criar certas brigas que deixando a
relação instável e insegura podendo romper.

Nelson A. Respeito
21
Há também casos em que um dos unidos vem para relação já com filhos que teve numa
relação anterior, durante a relação podem os filhos constituírem motivos de conflitos
sociais e criar certa instabilidade na relação.

Por último, o caso que mais foi focado em pessoas inqueridas, é o caso das relações de
união facto que se rompem em pouco tempo devido a violência doméstica, quando isso
acontece a mulher abandona ou é expulsa de casa sem que tenha onde viver e muito
menos algum bem.

Posto isto, ficou mais do que claro que o legislador é obrigado a incluir na Lei da
família, concretamente nos impedimentos da celebração de matrimónio, a união de facto
como um impedimento absoluto, e a necessidade de alargar o âmbito dos efeitos
pessoais da união de facto concrectamente a presunção da paternidade e maternidade,
para efeitos pessoais do casamento como a fidelidade, solidariedade ou seja os artigos
93 e seguintes da Lei da Família.

Por outro lado fica bem patente na lei que em caso de morte o companheiro sobrevivo
não sabe dos seus reais direitos, isto no que tange a herança ou legado.

Importa salientar que foram inqueridos cerca de Vinte (20) pessoas, de ambos os sexos.

3.2 Causas de Insegurança das Uniões de Facto.

As causas de insegurança das uniões de facto são:

 Desconhecimento por parte dos unidos de facto dos efeitos jurídicos que os
rege;

Dos inqueridos importa dizer que cerca da metade deles afirmam que os unidos de facto
não conhecem ao fundo a lei que os rege, concretamente a lei da família, muitos casais
unidos de facto unem-se ma desconhecendo o regime, os efeitos que os rege.

 A união de facto não compreende direitos e deveres matrimoniais;

A união de facto não comporta direitos e deveres, concretamente os seus efeitos


pessoais e patrimoniais, uma vez a Lei apenas reconhecer para efeitos patrimoniais o
regime de bens de adquirido, onde encontramos a questão da prova em caso de morte do

Nelson A. Respeito
22
companheiro, para que o mesmo consiga obter a uma parte dos bens por ter contribuído
para aquisição do mesmo.

Já no que respeita aos efeitos pessoais encontramos o dever de coabitação, respeito,


fidelidade, confiança, solidariedade, assistência, em que o não cumprimento do mesmo
concorre simplesmente para o nível de censura por parte da sociedade ou pessoas que os
rodeiam, pois nada prevê a legislação.

 Não Reconhecimento da União de Facto

O não reconhecimento da união de facto traz consigo grandes dissabores, posto que
com a ausência do reconhecimento persistindo deste jeito a não valorização dos efeitos
pessoais e patrimoniais a eles inerentes.

3.3 Consequências da Insegurança da União de Facto

 Instabilidade constante decorrente da possibilidade de interrupção da


convivência em comum.

A instabilidade ocorre nas situações de falta de cumprimento de forma integral dos


direitos e deveres das uniões de facto uma vez não se encontrarem protegidos, nota-se
que não há uma fidelidade recíproca entre ambos.

 Desequilíbrios na Ordem Económica e Social

Alguns unidos de facto encontram-se na situação de dependente, isto é, o unido de facto


pode depender do outro por não dispor de meios para auto sustentar-se no que concerne
a alimentos, habitação e vestuário, estando assim numa situação de subordinação
económica.

Notamos ainda a situação de os unidos de facto muitas das vezes acabarem aceitando e
ficando nessa situação alegando a falta de valores monetários suficiente para contrair
matrimónio e outros ainda por alegarem encontrarem-se numa relação prematura ou
ainda por quererem esquivar-se dos efeitos jurídicos que o matrimónio os concede
permanecendo apenas na simples união de facto.

Nelson A. Respeito
23
3.4. Meios Coercivos ou de Protecção Contra a Insegurança da União de Facto

 Reforço dos efeitos pessoais dos unidos de facto;

 A possibilidade de o unido de facto sobrevivo ser chamado na classe dos


sucessíveis e concorrer com os descendentes e ascendentes a classe dos
sucessíveis

 Reconhecimento da união de facto- através deste, sanar-se-iam as lacunas


decorrentes da actual Lei da Família.

Capítulo IV

3.A União de Facto em Outros Ordenamentos Jurídicos

Neste capítulo será abordado o modo do tratamento das relações de união de facto em
outros Países, tais sejam, Portugal, Brasil, e Angola. A escolha destes países teve como
base, para Portugal os antecedentes históricos com Moçambique uma vez Portugal ter
sido colónia colonizadora que ate os dias que hoje corre influência no seu papel
preponderante nas normas que são produzidas no nosso ordenamento jurídico.

Brasil e Angola selecionamos tendo em conta o facto de serem um dos Países de língua
oficial portuguesa, membro dos chamados PALOP (Países de Língua Oficial
Portuguesa).

4.1. A União de Facto na República Federativa de Brasil

Na República Federativa do Brasil, as uniões de facto possuem vários reflexos no


campo jurídico são encerradas com muita seriedade pois delas nasce uma família, sendo
refúgio de protecção, segurança, realização pessoal e integração na sociedade,
merecendo respeito e reconhecimento jurídico-legal.

Nelson A. Respeito
24
No que respeita aos direitos dos companheiros na união de facto, importa referir que
estes são tratados pela lei 8/971/94, que concede aos companheiros, termo usado nessa
legislação, direitos como, alimentos e participação na herança.

Devido a várias lacunas registadas na lei retro mencionada veio a sofrer alterações,
nasceu dessa forma a Lei nº 9.278/96, onde no seu artigo 1 reconhecia a união de facto e
não havia nela requisitos pessoais dos companheiros e tempo mínimo de convivência,
que constava da Lei anterior.

O artigo 2º trata dos direitos e deveres iguais dos conviventes que são o respeito e
consideração mútua, assistência moral e material recíproca, guarda, sustento e educação
dos filhos comuns.

Já o 5 artigo da Lei 9.278/96, cuida da relação dos bens adquiridos durante o tempo de
convivência, móveis ou imóveis, adquiridos por um ou ambos a título oneroso,
considerando-se como fruto do trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer
a ambos, em condomínio ou partes iguais, salvo estipulação contrária.

No caso de concorrer com descendentes somente do autor da herança, tocar-lhe-á a


metade do que couber a cada um daqueles.

Se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança e não
havendo parentes sucessíveis, terá direito a totalidade da herança.

Do exposto em cima, podemos afirmar que o companheiro sobrevivo, concorrerá com


os filhos, ascendentes e na ausência deles herdará a totalidade dos seus bens e ainda a
meação que não faz parte da herança.

De acordo com o parágrafo único do artigo 7 da lei retro citada adquire ainda o direito
de habitação sobre o imóvel destinado a residência da família, enquanto não constituir
nova união.

4.2 A União de Facto no Ordenamento Jurídico Angolano

Em Angola a união de facto é um acto, ou juridicamente falando um negócio jurídico


que quando devidamente reconhecida produz os efeitos jurídicos de um casamento. De

Nelson A. Respeito
25
acordo com o artigo 112º do código civil Angolano, a união de facto consiste no
estabelecimento voluntário de vida em comum entre um homem e uma mulher.

Por razões de diversas ordens, existem casos em que um homem e uma mulher
voluntariamente, e sem necessariamente passarem pelo acto do casamento estabelecem
uma vida em comum, são inúmeros.

Muitas são as vezes em que esta relação é estabelecida com total inobservância aos
pressupostos legais claramente dito aos requisitos legais, consequentemente a relação
não produz os efeitos jurídicos que a união de facto tende. Em outras palavras tal “união
de facto” acarreta a ineficácia jurídica pois na sua formação faltou alguns dos seus
elementos essenciais estabelecidos por lei, consequentemente os direitos que a lei
confere as partes (homem ou mulher) nestas circunstâncias não serão totais, visto que a
relação não estava dentro dos trâmites estabelecidos por lei.

No que concerne a legislação Angolana, a eficácia deste acto ou negócio jurídico (União
de Facto) carece dos pressupostos legais estabelecidos no artigo 113º do código civil
Angolano. Surge então a importância para os casais em regime de união de facto
obedecerem a forma legal deste acto, de maneira a verem as suas relações e os direitos
daí advindos devidamente reconhecidos, evitando assim a ineficácia da relação em
sentido restrito perante a nossa legislação.

O artigo 113º 2) do código civil Angolano, caso a união de facto não possa ser
reconhecida por falta dos pressupostos legais, ela será atendida para além dos casos
previstos nesta lei, designadamente para o efeito de partilha de bens comuns e para
atribuição do direito a residência comum. O que significa que embora a união de facto
encontra-se estabelecida fora dos trâmites da lei será valida para tais efeitos, mas os
efeitos jurídicos pretendidos não se produzirão na sua totalidade.

O artigo 113 do código angolano pressupõe o seguinte: A união de facto só poderá ser
reconhecida após o decurso de três anos de coabitação consecutiva e quando se
verifiquem os pressupostos legais para celebração do casamento, designadamente
quanto a singularidade e capacidade matrimonial. E Caso a união de facto não possa ser
reconhecida por falta dos pressupostos legais, ela será atendida para além dos casos

Nelson A. Respeito
26
previstos nesta lei, designadamente para o efeito de partilha de bens comuns e para
atribuição do direito a residência comum.
Já o artigo 114 versa sobre a legitimidade, e o seu reconhecimento pode ser pedido:
Pelos interessados de mútuo acordo; e Por um dos interessados, em caso de morte do
outro, ou de ruptura.

Verificados os pressupostos legais cabe ao funcionário do registo civil, reconhecer, por


despacho, a união de facto.

O reconhecimento de união de facto produz os efeitos da celebração do casamento, com


retroactividade à data do início da união, em conformidade com a lei.

O reconhecimento da união de facto será sujeito a registo a efectuar em livro próprio, e


o mesmo está sujeito a anulação nos termos gerais previstos para a anulação do
casamento.

A união de facto, no caso de morte de um dos interessados ou de ruptura da união,


deverá ser reconhecida pelo tribunal. E os que tem legitimidade para intentar e
prosseguir na acção de reconhecimento são: o interessado, ou o seu representante legal
em caso de incapacidade, e os herdeiros do interessado em caso de morte deste.

Quanto a acção de reconhecimento esta caduca no prazo de dois anos depois de finda a
união, e para o reconhecimento da união de facto, o tribunal devera ouvir o Conselho de
família.

A decisão judicial que reconheça a união de facto produz, consoante o caso, os mesmos
efeitos da dissolução do casamento por morte ou divórcio e esta sujeita a registo.

4.3.O Tratamento da União de Facto na Lei Portuguesa

A união de facto é, em Direito Português uma relação familiar para efeitos legais de
direito. A mesma não é regulada de modo semelhante ao casamento, embora produza
alguns efeitos de direito. Também não é considerado como um outro vínculo jurídico
familiar24.

24
CAMPOS, Diogo Leite de (1997) op.cit., pag 21
Nelson A. Respeito
27
Portanto, estas relações produzem alguns efeitos jurídicos, nos termos seguintes:

 Os artigos 953 e 2196 do código civil português, limitam as liberdades que


possam existir entre os unidos de facto;
 A alínea c) do nº 1 do artigo 1871 do código retromencionado, estabelece uma
presunção de paternidade em relação ao unido de facto.
 O artigo 2020, concede a qualquer dos unidos de facto, por morte, um direito a
alimentos sobre a herança do falecido;
 Por uma aplicação analógica de facto da alínea b) do artigo 1691, a divida
contraída por um dos unidos de facto para fazer face aos encargos do casal,
também responsabiliza o outro, tanto nas relações internas como nas relações
com terceiros, por não ser exigível a estes o conhecimento da inexistência do
casamento por detrás da sua aparência.

Em Portugal, essas relações de união de facto são reguladas pela Lei 7/2001 de 11
de Maio (Lei da União de Facto), que prevê o seguinte25:

O artigo 1 da Lei acima referida, define o objecto da Lei e delimita as situações de


regulamentação da mesma, sendo que regula as situações jurídicas de duas pessoas,
independentemente do sexo, que vivam em união de facto há mais de dois anos.

O artigo 2, estabelece algumas excepções, nomeadamente:

 São impedimentos dos efeitos jurídicos decorrentes da referida lei:


a) Idade inferior a dezasseis anos;
b) Demência notória, mesmo nos intervalos lúcidos, e interdição ou inabilitação por
anomalia psíquica;
c) Casamento anterior não dissolvido, salvo se tiver sido decretada separação judicial
de pessoas e bens;
d) Parentesco na linha recta ou no segundo grau da linha colateral ou afinidade de
pessoas e bens;
e) Condenação anterior de um dos indivíduos, como autor ou cúmplice por homicídio
doloso ainda que não consumado contra o cônjuge do outro;

25
Vide www.wikwipedi.org-uniao de facto-29 de Outubro de 2012
Nelson A. Respeito
28
O artigo 3, define os efeitos que as relações de união de facto produzem e os direitos
para as pessoas que vivem em união, a saber:

a) Protecção da casa de morada de família, nos termos da presente Lei;


b) Beneficiar do regime de férias, faltas, licenças e preferência na colocação dos
funcionários da administração pública equiparado ao dos cônjuges, nos termos da
presente Lei.
c) Beneficiar do regime jurídico das férias, faltas e feriados, aplicada por efeito de
contrato individual de trabalho, equiparado ao dos cônjuges, nos termos da Lei.
d) Aplicação do regime do imposto de rendimento das pessoas singulares nas mesmas
condições dos sujeitos passivos casados, e não separados judicialmente de pessoas
e bens;
e) Protecção na eventualidade de morte do beneficiário, pela aplicação do regime
geral da segurança social e da Lei;
f) Prestação por morte resultante de acidente de trabalho ou doença profissional, nos
termos da Lei;
g) Pensão de preço de sangue e por serviços excepcionais e relevantes prestados ao
País, nos termos da Lei.

No que se refere a casa de morada de família e residência comum, o artigo 4 da referida


lei, estabelece que em caso de morte do membro da união de facto o proprietário da casa
de morada comum, o membro sobrevivo tem direito real de habitação, pelo prazo de
cinco anos, sobre a mesma, e, no mesmo prazo tem direito de preferência na sua venda.
Em caso de separação, podem os interessados acordarem a transmissão por
arrendamento.

O artigo 6 da Lei da união de facto, prevê o regime de acesso as prestações do


arrendamento por morte, pelo unido de facto sobrevivo.

Do exposto acima, podemos afirmar que, as relações de união de facto em Portugal são
tratadas de modo bastante diverso do nosso ordenamento jurídico, de tal maneira que se
verifique naquele ordenamento jurídico uma maior protecção dessas relações.

Tais relações encontram-se perfeitamente definidas, e o seu ordenamento jurídico


configura um leque aprofundado de direitos que assistem ao unido de facto. Isto é, trata-

Nelson A. Respeito
29
se de uma protecção mais abrangente e eficaz, uma vez que considera em plenitude os
direitos do unido sobrevivo.

Deste modo, pode-se dizer que esta não é a situação actual do nosso ordenamento
jurídico.

Das ilustrações feitas daquilo que é a realidade brasileira, portuguesa e Angolana, retro
elencadas que ilustram aspectos relevantes que constituem inquietações retro abordadas
daquilo que corresponde ao nosso ordenamento jurídico Moçambicano, o nosso
legislador inspirando-se nesses e demais exemplos podia legislar novas normas por
forma a garantir o preceituado na CRM, quanto a consagração da igualdade dos direitos
entre homem e mulher evitando a descriminação entre ambos.

Nelson A. Respeito
30
Conclusão

Finda a elaboração do presente trabalho, que se debruça acerca da Insegurança da União


de Facto, no que diz respeito a sua Estabilidade e Durabilidade, conclui-se que a União
de Facto, não é Casamento, embora na prática tenham os mesmos requisitos.

Concluiu-se de igual modo a não consagração do companheiro sobrevivo como herdeiro


legítimo.

Ficou claro que a Lei,26 estatui que a união singular, estável, livre, e notória entre um
homem e uma mulher é apenas reconhecida para efeitos patrimoniais, diante desta
situação, fica bem patente que a mesma abre espaço para um certo desrespeito para com
as mulheres em particular e para com a sociedade em geral.

Da pesquisa realizada, ficou bem clara que a união de facto não é casamento, mas
assume alguma das suas características. Trata-se de uma relação entre um homem e uma
mulher, de outro modo, não pode pretender ser semelhante ao casamento e obter um do
estatuto deste.

Nota-se também que no Direito Moçambicano, concretamente na actual Lei da Família,


estatui-se que a União de Facto é uma das formas de constituição de Família.

A União de Facto não constitui de forma alguma um elemento de impedimento para a


celebração do matrimónio, mas se uma das partes pretender contrair o mesmo, com uma
terceira pessoa, deve antes de mais proceder a respectiva divisão dos bens adquiridos
durante a união de modo que não prejudique a outra parte, pois a Lei impera que os bens
devem ser divididos, pois, isto na presunção de que os bens foram adquiridos pelos dois,
pertencem a ambos e a partilha deve ser em igual parte.

O Casamento constitui Impedimento para a União de Facto, no entanto essa mesma


união, já não constitui um impedimento para o Casamento.

No que diz respeito ao término da União de Facto, verificou-se que a mesma dura o
tempo que os unidos o desejarem, terminando igualmente quando os mesmos assim o
entenderem.

26
Artigo 2, nr 2 da Lei da Família.
Nelson A. Respeito
31
A União de Facto cessa sem que haja a intervenção dos órgãos do Registo Civil, pois
trata-se duma relação não registada. Podendo solicitar as autoridades, quando se trata de
registo de menores, bem como da partilha de bens.

No que diz respeito aos efeitos, a união de facto releva para efeitos de presunção de
maternidade e paternidade, nos termos do disposto na alínea c) do nº2 do artigo 227 e
para efeitos patrimoniais, `a união de facto aplica-se o regime da comunhão de
adquiridos, conforme o disposto no nº2 do artigo 202 da Lei da Família.

A união de facto não garante estabilidade ou durabilidade, sendo que a única forma de
constituição da Família que garante Segurança e Estabilidade a mulher é sem dúvida o
Casamento.

Nelson A. Respeito
32
Recomendações

Terminada a análise das fontes bibliográficas, existe a necessidade de se regulamentar a


união de facto ou outro instituto que verse sobre as relações entre pessoas que se
encontrem unidas não pela via do matrimónio, pois na actualidade o legislador não
garante segurança alguma a figura da união de facto.

Recomenda-se ao legislador para que tanto a União de Facto assim como o Casamento
Civil, tenham os mesmos efeitos jurídicos, bem como uma justiça equitativa.

Devia o legislador designar a união de facto como sendo um impedimento para a


celebração do casamento, só assim, as mulheres (que são as mais vulneráveis), teriam
um conforto nas suas relações de união de facto.

Recomenda-se ainda ao legislador para equiparar ou alargar o âmbito dos efeitos


pessoais da união de facto (presunção da paternidade e maternidade) para efeitos
pessoais de casamento.

Nelson A. Respeito
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Bibliografia

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 CAMPOS, Diogo Leite de, Lições de Direito da Família e das Sucessões, 2ª


Edição, Revista Actualizada, Almeida-Coimbra, 1992.

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Direito de Família, Volume I, Introdução a Direito Matrimonial, 2ª Edição,
Coimbra Editora 2001.

 PRATA, Ana, Dicionário Jurídico, 3ª Edição, Livraria Almedina, Coimbra, 1998.

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 VARELA, Antunes, Direito de Família, 5ª Edição, 1º Volume, Revista e


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Legislação

 Constituição da República de Moçambique de 2004

 Código Civil de 1996

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 Lei nº 9.278/96 (Lei da União de Facto)

 Código Civil Angolano

Internet

 www.octalberto.sapo.pt

 www.ambito.juridico

 www.jusnavegandi,com.br

 www.vatican.va/roman.curia

Nelson A. Respeito
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