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PEDRO DE ALCÂNTARA NETO - TELEFONIA – TRANSDUTORES ELETROACUSTICOS

CAPITULO SEGUNDO

TRANSDUTORES ELETROACÚSTICOS

Características Elétricas e Eletroacústicas

As interfaces entre o usuário e o sistema de transmissão são os aparelhos terminais, na rede


telefônica, portanto são os aparelhos telefônicos. Eles representam as fontes e receptores da informação a
ser processada que, no caso da rede telefônica, é basicamente a voz. A conversão desta informação,
oferecida na emissão em forma de sinais acústicos, em sinais elétricos e vice-versa na recepção novamente
em sinais acústicos, realiza-se por intermédio de transdutores telefônicos (cápsula emissora e cápsula
receptora). Eles constituem, portanto elementos terminais na grande cadeia de transmissão. Os modernos
transdutores telefônicos foram desenvolvidos de tal modo que é proporcionada uma transmissão de voz
com alta inteligibilidade sob condições ambientais extremas.
As cápsulas emissora e receptora de um aparelho telefônico são as maiores responsáveis pela
qualidade de transmissão da voz emitida e recebida. A qualidade abrange a sensibilidade, a característica
sensibilidade - freqüência, a distorção harmônica, o ruído intrínseco, a resistência efetiva e a impedância.
Outras características importantes de uma cápsula incluem ainda a estabilidade, a confiabilidade e o custo.
Ainda hoje uma parcela significativa de cerca de um bilhão de telefones instalados no mundo
utilizam microfones de carvão e cápsulas receptoras magnéticas ou dinâmicas. O microfone de carvão foi
introduzido há pouco mais de um século e desde lá vem sendo aperfeiçoado continuamente. Assim a sua
sensibilidade aumentou cerca de quarenta vezes, da mesma forma que a sua confiabilidade operação. Os
primeiros microfones com amplificador surgiram na década de 50 com o advento dos componentes de
estado sólido, utilizando o princípio magnético ou dinâmico, mas somente na década de 70, com o advento
dos circuitos integrados, foi possível construir os primeiros microfones eletrônicos comerciais, cujo custo
inicial era cerca de dez vezes o custo do microfone de carvão. Na mesma época foram também
desenvolvidos microfones com transdutores de princípio capacitivo (eletreto) e de princípio piezelétrico
(zirconato - titanato de chumbo), permitindo a construção de cápsulas emissoras mais econômicas e de
características eletroacústicas, de estabilidade e de confiabilidade superiores à cápsula de carvão. Quanto a
faixa de freqüências na emissão e na recepção, é limitada pela característica da linha. O ITU-T recomenda
uma faixa entre 300 Hz e 3.400 Hz.

Fatores de Qualidade

Em um microfone ou receptor telefônico devem ser considerados os seguintes fatores de qualidade:

- características elétricas e eletroacústicas,


- confiabilidade,
- vida,
- reversibilidade,
- custo e automação,
- manutenção.

As características elétricas e Eletroacústicas devem enquadrar-se dentro das especificações


das diferentes Administrações Telefônicas. Estas características abrangem: a sensibilidade, a
sensibilidade-freqüência, a distorção harmônica, o ruído intrínseco, o consumo, a resistência efetiva e a
impedância. Na descrição das várias tecnologias de cápsulas telefônicas feitas a seguir, estas
características serão analisadas com mais detalhes.

A Confiabilidade reflete a constância das características elétricas e eletroacústicas em função de


fatores ambientais físicos, mecânicos, elétricos, climáticos e de tempo.

A Vida indica o tempo no qual um componente não apresenta falhas. Estas falhas podem ser
defeitos graves ou simplesmente alterações de uma ou mais características elétricas e eletroacústicas,
colocando-as fora dos limites especificados. A vida é freqüentemente representada pelo termo "Mean Time
Between Failure" (MTBF), que indica o número de anos ao longo dos quais 50% das amostras apresenta
falhas.

A Reversibilidade indica a possibilidade de uma tecnologia ser utilizada eficientemente como


microfone ou receptor

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O Custo representa um fator fundamental no projeto e na fabricação de um equipamento. No caso


particular dos microfones e receptores telefônicos os fatores acima, sobretudo as características elétricas,
eletroacústicas e a confiabilidade, desempenham um papel de destaque na substituição da cápsula
emissora de carvão por microfones lineares. O custo entra aí indiretamente, pois uma vida mais longa,
suprimindo etapas de manutenção, proporciona um custo menor a longo prazo. Também a facilidade e
automação da fabricação desempenham um papel fundamental na redução do preço do produto.

Funções básicas dos Transdutores Telefônicos

Na realização de um microfone ou de um receptor com amplificador, as vantagens atualmente


proporcionadas pela microeletrônica e pelos circuitos integrados, são aproveitadas para otimizar o
desempenho destes componentes quanto ao seu comportamento eletroacústico, elétrico, de confiabilidade,
vida, proteção elétrica e custo. Entre as diversas funções consideradas podem ser destacadas:

a) Amplificador - Em virtude da pequena sensibilidade apresentada pelos transdutores


eletromagnéticos, dinâmicos, capacitivos e piezelétricos (alguns milivolts por microbar), há
necessidade de aplicar amplificadores na sua saída. No caso de transdutores de alta impedância
(capacitivos e piezelétricos), o circuito amplificador é precedido de um estágio de alta impedância,
geralmente integrado, um transistor FET, e o circuito amplificador são, neste caso, montado o mais
próximo do transdutor, dentro da própria cápsula ou no corpo do monofone.

b) Regulagem - É o comportamento pelo qual a cápsula emissora ou receptora apresenta um nível


de saída elétrico ou eletroacústico linear otimizado. Esta característica leva em conta a densidade
de assinantes, o nível de transmissão preferido com base em ensaios de opinião, as perdas
toleradas na linha, os efeitos de diafonia, etc. A regulagem proporciona uma série de vantagens
para a qualidade de transmissão telefônica, pois reduz o nível de transmissão em linhas curtas,
melhorando o efeito local para o locutor e limita a possibilidade de um nível de recepção excessivo
e distorcido para o usuário distante; aumenta o nível de emissão em linhas longas, favorecendo a
recepção do usuário distante; reduz a perda do enlace, aproximando-a do valor preferido pelo
usuário; dentro dos limites da regulagem proporciona sempre o mesmo nível de recepção para os
dois usuários envolvidos na conversação.

c) Compressão - É um outro fator considerado no projeto das cápsulas emissoras e receptoras e


tem por objetivo limitar, sem distorção adicional, os níveis excessivamente fortes na emissão e na
recepção, causados pelos picos da voz.

d) Diferenciação - Ao contrário das cápsulas de carvão, pouco sensíveis aos ruídos ambientais
abaixo de -34 dB rel 1 Pa (60 dB SPL), devido ao seu comportamento não linear, as cápsulas
lineares retransmitem todos os níveis de ruído que detectam. Para que isto não represente um
fator desfavorável para o assinante distante ou para o assinante que fala (efeito local), pode ser
agregado ao microfone um circuito diferencial que atua somente para estímulos de voz superiores
a um valor pré-estabelecido, em geral em torno de -34 dB rel 1 Pa (60 dB SPL).

e) Polarização - É uma característica da cápsula telefônica que tem por objetivo evitar uma inversão
de polaridade no circuito amplificador. Para isso o circuito eletrônico é provido de uma ponte de
diodos que assegura a polaridade correta ao mesmo.

f) Estabilização - Tendo em vista que a corrente contínua de alimentação do circuito eletrônico das
cápsulas telefônicas provém das linhas de assinante e varia de acordo com o comprimento desta,
o circuito eletrônico das cápsulas apresenta, incorporado ao mesmo, um circuito estabilizador da
tensão de alimentação.

g) Proteção - Com o objetivo de proteger o circuito eletrônico das cápsulas emissora e receptora, ele
é provido, na sua entrada, de elementos de proteção contra sobretensões e/ou transientes de até
2 kV de pico. Além da proteção contra sobretensões, o circuito da cápsula também pode
apresentar dispositivos de proteção contra interferências eletromagnéticas e/ou eletroacústicas,
em forma de blindagens e componentes de filtragem.

h) Circuitos opcionais - No caso em que o projeto envolve também a híbrida eletrônica, os


componentes desta também são incluídos no circuito eletrônico de emissão e de recepção, além
de melhorar as características elétricas do telefone, a inclusão da híbrida eletrônica proporciona
uma simplificação do circuito, redução do volume e dos custos de construção, pois todas as
funções podem ser incorporadas em um único componente de circuito integrado ("chip"). No caso
em que a cápsula emissora linear for projetada para substituir a cápsula de carvão com fins de
reposição, a maior parte das funções acima citadas podem ser omitidas. No entanto estas funções

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devem ser incorporadas ao amplificador de emissão e de recepção no caso do desenvolvimento


de um telefone eletrônico ao qual se deseja acrescentar outros serviços tais como multilinha,
recepção amplificada, transmissão de dados, PCM, etc.

Tecnologias para Emissores e Receptores

Tecnologia de Carvão

A de carvão, para emissores e microfones para telefones vem sendo utilizada desde a invenção do
telefone em 1877 e ainda hoje é empregada em larga escala pela grande maioria das Administrações
Telefônicas mundiais. Entretanto, um número crescente de países está introduzindo microfones mais
modernos em seus telefones, conhecidos por microfones lineares, a fim de atender aos crescentes
requisitos de melhor qualidade de transmissão por parte dos novos serviços que surgem, como transmissão
de dados, fac-símile, PCM e do advento das redes telefônicas digitais.
O microfone de carvão é um microfone que opera basicamente em função da variação da
resistência de contato entre superfícies de carvão. No que se refere à telefonia, as superfícies de carvão
são em geral superfícies de contato de um grande numero de grãos de carvão contidos dentro de uma
câmara e que estão ligados eletricamente a eletrodos de carvão ou eletrodos metálicos. Os movimentos do
diafragma em sincronismo com as ondas sonoras são convertidos em variações de pressão mecânica,
sobre os grãos de carvão, de onde resultam variações de resistência correspondentes nos contatos entre os
grãos de carvão. A figura 2.1 mostra um corte através de uma cápsula de carvão típica, onde são vistos o
diafragma, a câmara de grãos de carvão e os eletrodos fixo e móvel.
Os microfones são transdutores que transformam
um estímulo acústico em uma resposta elétrica. O
relacionamento entre estes dois parâmetros pode ser
proporcional ou não, o que reflete a linearidade de
resposta do microfone. Os microfones de carvão são
caracterizados pela não linearidade entre o estimulo
acústico e a saída elétrica, o que origina uma distorção
amplitude/amplitude, uma distorção amplitude/freqüência,
uma distorção harmônica e a intermodulação de
freqüências. Além disso as propriedades de transmissão e
a resistência interna da cápsula de carvão dependem da
corrente de alimentação.
Já os microfones lineares apresentam uma relação
linear entre a pressão acústica e a tensão elétrica de
saída. Em princípio, portanto, a relação deve ser
independente da freqüência, mas na prática o elemento do
FIGURA 2.1
microfone apresenta certas correções de freqüência. Com
relação a corrente contínua não há problema, pois o
microfone linear utiliza um amplificador ao qual pode ser
dada a característica desejada.
FIGURA 2.2 A relação entre a pressão acústica e a resistência
interna do microfone (resistência dos grãos de carvão) é
mostrada na figura 2.2. Além da não linearidade, a curva
mostra também um efeito de histeresis. Logo a aplicação
de um som senoidal resulta em uma resistência com ciclos
assimétricos, de onde resulta a geração de harmônicos
pares e ímpares.
As variações de resistência são utilizadas para
modular a corrente contínua através da câmara de grãos
de carvão. Logo a corrente alternada obtida é dada pela
expressão abaixo, de acordo com a figura 2.3 Nesta, as
letras minúsculas indicam os valores instantâneos das
quantidades CA. A expressão mostra que a relação entre a
corrente alternada e a resistência não é linear e origina distorção com harmônicos pares e ímpares. Para
uma dada impedância de linha RL a distorção é minimizada se R + RL >>f. Esta condição é obtida,
mantendo-se r / R baixo, porém isto reduz a tensão CA desejada. Verifica-se ainda que a corrente de voz é
diretamente proporcional à tensão da bateria, a qual deve ser portanto a mais alta possível a fim de obter a
maior eficiência possível para o microfone. A máxima tensão CC através do microfone de carvão é limitada
também pelo fato de que se formam pequenos arcos entre os grãos de carvão em movimento, que originam
ruídos na linha telefônica e também reduzem a vida do microfone.

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R
i = E
r
i +
R l + R
FIGURA 2.3

Propriedades do Microfone de Carvão

A fim de permitir uma comparação com os microfones lineares, as propriedades do microfone de carvão
serão descritas em maiores detalhes a saber:

Eficiência

A maior vantagem do microfone de carvão reside no fato de que a modulação de corrente contínua
proporciona um meio de amplificação da potência acústica. Experiências práticas mostraram que para uma
potência de voz de + 90 dB rel. 20 microPa aplicados ao microfone, o ganho de potência é de 30 dB. Já a
maioria dos microfones lineares possui uma sensibilidade tão baixa, que a sua potência de saída deve ser
aumentada em cerca de 40 dB para que seja obtido o mesmo equivalente de referência de emissão do
microfone de carvão.

Alimentação

A corrente contínua que circula através da cápsula emissora é limitada pela resistência,
basicamente da linha de assinante, existente entre o equipamento de alimentação da central e o aparelho
telefônico. Entretanto a resistência do microfone não é constante mas aumenta quando houver uma
redução na corrente contínua, causada pelo aumento da resistência da linha. Apesar do fato de que um
aumento da resistência do microfone melhora também a sonoridade de emissão, os microfones de carvão
não permitem uma regulagem automática de emissão justamente devido à dependência da sua resistência
da corrente contínua circulante.

Dependência da Amplitude

Além da já mencionada relação não linear entre o valor instantâneo da pressão acústica e da tensão
de saída, com conseqüente distorção do sinal, o microfone de carvão também apresenta uma relação não
linear entre os valores eficazes de quantidades de entrada e de saída ou, em outras palavras, o ganho do
microfone depende da pressão acústica.
No caso ideal o ganho é constante ao longo da faixa normal de trabalho (o nível de voz varia dentro
de ± 15 dB em torno do valor médio), mas na prática esta proporcionalidade não ocorre. Na prática ocorre
uma compressão em níveis acústicos mais altos, que limitam a tensão de saída e por outro lado originam
uma expansão em níveis mais baixos. Assim uma cápsula de carvão submetida a uma pressão acústica
variável de ± 10 dB em torno do valor médio da voz pode originar uma saída elétrica que corresponde a
uma variação de ± 7 dB e -17 dB em torno do valor médio correspondente. Isto explica de certa forma a
maior atenuação que sofrem os níveis sonoros mais baixos como p. ex. o ruído ambiente durante as
pausas da voz.
Já os microfones lineares, e portanto providos de amplificadores lineares, não apresentam esta
propriedade, algumas vezes desejável, da supressão ou atenuação do ruído ambiente, porém é possível
estabelecer uma limitação da sua sensibilidade como já foi mencionado anteriormente.
Também é desejável uma limitação dos níveis de vozes fortes, o que ocorre também nas cápsulas
de carvão, pois estes níveis podem provocar, além da diafonia, fortes distorções devido a sobrecarga p. ex.
nos amplificadores das cápsulas emissoras lineares. A limitação do nível de voz é em geral realizada por
meio de compressores, que limitam o nível de saída elétrica máximo em +3 dBm, a fim de prevenir o risco
de sobrecarga nos sistemas portadores.

Resistência e Impedância

Como já foram mencionadas anteriormente, as propriedades de não linearidade do microfone de


carvão incluem a dependência da resistência estática com o valor da corrente contínua. A resistência é
particularmente difícil de ser medida pois depende da posição do microfone e da pressão acústica aplicada,
e além disso varia com o tempo. Para ativar o microfone da forma correspondente à prática, ele deve ser
condicionado antes de cada medida. Entretanto, cada mudança de posição equivale a uma nova
configuração dos grãos de carvão na câmara, de modo que a rigor o mesmo microfone não deve ser
medido duas vezes. Assim, ao ser aplicado um estímulo acústico ao microfone, a variação da pressão é

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transmitida, através da membrana - eletrodo móvel, aos grãos de carvão, ocasionando uma variação de
resistência proporcional. A forma de acondicionamento está descrita na Recomendação P.75 do ITU-T.
A resistência dinâmica, também chamada resistência efetiva, é sempre menor do que a resistência
estática. O seu valor depende do tempo e da corrente, mas gira em torno de 75% do valor da resistência
CC. Logo um microfone com resistência CC de 340 ohms apresenta uma resistência dinâmica de cerca de
250 ohms. Este valor deve ser medido com auxílio de um instrumento de valor eficaz verdadeiro, devido à
presença simultânea de correntes CC eCA.
Para efeito de sinalização, a resistência CC deve ser a menor possível para poder operar os reles
de linha da central, mas para a otimização da eficiência de transmissão, a resistência deve apresentar um
valor de compromisso. O microfone linear, além de apresentar valores estáveis, permite selecionar os
valores de resistência CC e de impedância desejados.

Geração de Harmônicos

É difícil estabelecer valores confiáveis, do conteúdo harmônico de microfones de carvão, pois este
valor depende em grande parte do nível e da freqüência do estímulo acústico e também varia com o tempo,
o que torna este microfone bastante instável. Valores típicos do conteúdo harmônico são 20% a 30% de
distorção para o segundo harmônico e 5% a 8% de distorção para o terceiro harmônico. Na prática foi
verificado que o efeito negativo de harmônicos pares é cerca de seis vezes menor do que aqueles dois
harmônicos ímpares, de modo que estes últimos devem ser mantidos baixos, pois são muito mais sentidos
pelo nosso ouvido. Quanto aos harmônicos pares verificou-se que estes favorecem a inteligibilidade de
certos consoantes. Apesar de estar bem acima do limiar de percepção do ouvido (cerca de 5%), a distorção
harmônica da cápsula de carvão não chega a perturbar. Em telefones equipados com microfones lineares o
conteúdo harmônico total não deve ser maior do que 7% e o conteúdo de harmônicos ímpares não devem
exceder 3%.

Intermodulação

A intermodulação é causada pela presença simultânea de várias freqüências em um elemento não


linear, no caso o microfone de carvão. Os produtos de intermodulação originam uma deterioração da
qualidade do som de modo similar à geração de harmônicos. Este efeito passa a ser sério no caso do ruído
ambiente alto (telefones públicos), quando a intermodulação de voz e o ruído criam componentes que se
assemelham a ruídos relacionados com a voz.

Curvas de Resposta de Freqüência

Da mesma forma que os receptores, os microfones de carvão são providos de uma ou mais
ressonâncias dentro da faixa de voz, a fim de proporcionarem uma eficiência satisfatória. Paralelamente
também apresentam amortecimentos para a eliminação dos picos de ressonância. Nos dispositivos
eletromagnéticos estas compensações são difíceis de realizar, ao contrário dos microfones lineares, onde
estas correções são realizadas no amplificador.
Nos microfones de carvão há uma dependência de nível elétrico com nível acústico, já mencionado
acima, e que originou a denominação "não linear". A resposta de freqüência também depende da pressão
acústica aplicada. Assim, com uma pressão acústica baixa, a resposta de freqüência também é pior, isto é,
devido a ativação insuficiente dos grãos de carvão para pequenas amplitudes do diafragma. Neste mesmo
caso a amplitude é maior na freqüência de ressonância, o que causa intermodulação. Para o cálculo do
equivalente de referência de emissão, o ITU-T recomenda, no caso da cápsula de carvão, o uso da
envoltória superior desta característica, medida com pressões acústicas de 3 Pa, 1 Pa e 0,3 Pa.

Envelhecimento e Condições Ambientais

Além das formas de instabilidade a curto prazo discutidas acima, os microfones de carvão também
apresentam envelhecimento que reduz a eficiência de transmissão e aumenta a resistência ao longo do
período de alguns anos. O envelhecimento deve-se em parte às propriedades dos grãos de carvão, que são
afetadas de diferentes formas pelo processo de fabricação, como sejam o tempo de queima e a temperatura
e parcialmente também devido a influência da tensão CC e dos fatores ambientais durante o tempo de uso,
como sejam a temperatura e a umidade.
Os ensaios de vida acelerados, realizados em laboratórios com simulação de efeitos ambientais não
têm mostrado um relacionamento confiável com o comportamento no campo. Neste caso os levantamentos
estatísticos realizados vêm mostrando uma degradação média de 0,7 dB/ano para as cápsulas de carvão
em uso, o que comprova uma degradação contínua de eficiência. Já os microfones de amplificador se
mantém estáveis durante um longo período de anos.

Qualidade Acústica

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Foram realizados alguns ensaios de opinião comparando telefones equipados com microfones de
carvão e outros com microfones lineares, adotando-se os critérios MOS ("Mean Opinion Score") ou seja,
com base nos índices de Opinião, onde é usada uma escala de 4 a 0 respectivamente excelente, bom,
regular, mau e péssimo. Os resultados observados pela equipe foram os seguintes (Tabela 2.1).

TABELA 2.1
Perda (linha) - índice
Tipo do microfone
(0dB) (16dB) Médio
carvão 2,3 1,8 2,1
eletromagnético 3,0 2,3 2,7

Com relação ao índice máximo (4 pontos), a melhora apresentada pelas cápsulas lineares foi
sensível (0,6 pontos) mas não espetacular, pois além da perda nas altas freqüências, introduzidas pela linha
de assinante, a característica de recepção ao lado do avaliador apresenta um corte acentuado em 3 kHz, o
que limita a qualidade também nas cápsulas lineares.
A diferença entretanto é maior no caso em que os sinais não forem transmitidos em forma analógica
mas forem primeiro codificados para sinais digitais como sejam os sistemas PCM. A instabilidade a curto
prazo e a distorção harmônica dos microfones de carvão originam flutuações em degraus nos sinais digitais
codificados e isto é interpretado como ruído sobre e acima do ruído de quantização. Os sistemas que
reduzem informações como p. ex. o tipo vocoder, apresenta uma qualidade sonora inaceitavelmente ruim
quando for utilizado o microfone de carvão, pelo fato de que o sistema tem dificuldade em realizar uma
análise completa das freqüências fundamentais; resulta daí uma variação injustificável do timbre de voz do
lado da recepção.
A presença de níveis de ruído elevados no lado de emissão também provoca intermodulação entre
a voz e o ruído, que afetam o assinante no lado da recepção e o assinante que fala, através do efeito local.
Resumindo pode-se sintetizar as diferenças entre o desempenho dos microfones de carvão e
lineares através da tabela 2.2 a seguir:

TABELA 2.2
Função Microfone de Carvão Microfone Linear
1. vida 5 anos 30 anos
2. índice de falhas 3,15% 0,25%
3. reutilização não sim
4. estabilidade instável estável
5. posicionamento até 7dB 0dB
6. acomodação até 5dB 0dB
7. variação com corrente cc até 30QQ 0
8. alcance 800fi 1600Í1
9. qualidade de transmissão decrescente alta
10. distorção harmônica até 30% 1%
11. ruído intrínseco até 5000 u. V 150 u.V
12. inteligibilidade intermodulação muito boa
13. condições ambientais sensível* insensível
(*)umidade, clima, solicitação mecânica

Distorção Harmônica

Quando for aplicada uma onda pura a um microfone de carvão, o deslocamento do diafragma para
dentro é menor do que o deslocamento para fora devido a maior rigidez do sistema móvel quando os grãos
forem comprimidos. Esta não linearidade do microfone de carvão é a principal responsável pelas
freqüências estranhas.
Se for aplicada uma tensão constante E ao emissor de resistência estática R, expressa em ohms, a
corrente CC circulante será:

I=E
R
Se agora for aplicada uma onda sonora de certa intensidade, que faz variar a resistência estática de um
valor de pico x ohms, então a variação da resistência pode ser expressa por:

x sen wt → onde : w = 2πf

Admitindo-se uma linearidade perfeita. Logo a resistência efetiva do emissor em qualquer instante será:
Ref = sen wt

E a corrente instantânea:

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E E E 1
i= = = .
R + x sen wt R (1 + x sen wt ) R 1 + x sen wt
R R
O primeiro fator indica a corrente estática e é constante. O segundo fator representa a componente
alternada da corrente. Prova-se algebricamente que qualquer fração 1/(1 + a) pode ser expandida segundo
a série infinita:

1
= 1 − a + a 2 − a 3 + a 4 − a 5 + ..........
1+ a
Aplicando esta expansão à expressão acima vêm:

1 x x2 x3 x4
= 1− senwt + sen 2 wt − sen 3 wt + sen 4 wt − ...
x R R R R
1+ senwt
R

Pode ser provado matematicamente que sen2wt, sen3wt, sen4wt, etc, contém freqüências de 2w, 3w,
4w, etc, respectivamente. Logo a corrente alternada resultante consiste da onda sonora fundamental (sem
wt) mais os harmônicos de todas as freqüências. O fator x/R deve ser necessariamente menor do que 1,
sendo geralmente da ordem de 1/50. Portanto as expressões (x/r)2, (x/r)3, (x/r)4, etc. decrescem rapidamente
de amplitude. Na prática portanto o segundo harmônico é o mais importante, seguido do terceiro harmônico.
Os demais harmônicos são de pequena importância.
A equação acima assume que a resistência dos grãos de carvão varia uniformemente com o
deslocamento do diafragma. Na prática isto não é exatamente o caso, mas se o número de grãos de carvão
for muito grande, p. ex. da ordem de 3.000 grãos, o erro introduzido é desprezível.

Perspectivas futuras

Apesar dos contínuos aperfeiçoamentos que a cápsula de carvão vem apresentando no decorrer
dos cem anos de sua utilização como microfone telefônico, os inconvenientes que ainda apresenta como
sejam a degradação da eficiência com o tempo, a dependência da posição do monofone, alta distorção
harmônica, intermodulação e outros, não recomendam a sua utilização, como microfone, nos modernos
aparelhos telefônicos previstos para os novos serviços verticais como a transmissão de dados e de PCM da
telefonia digital e também nos aparelhos telefônicos eletrônicos projetados para um desempenho de
qualidade de transmissão avançado.
Por motivos econômicos e mesmo trabalhistas, tendo em vista a existência de um ferramental e de
mão-de-obra especializadas, a fabricação de cápsula de carvão ainda deve ser mantida por algum tempo
até para a manutenção dos modelos telefônicos antigos, porém nota-se nitidamente uma tendência de
redução na sua fabricação, sendo que alguns países industrializados já estabeleceram datas para cessar a
sua fabricação.
O advento de novas tecnologias de cápsulas lineares e
o seu custo cada vez mais competitivo com o das cápsulas de
carvão reduz cada vez mais a presença destas últimas no
mercado.

Tecnologia Eletromagnética

O primeiro telefone construído por Graham Bell em


1876 possuía transdutores de emissão e de recepção
baseados neste princípio. 0 transdutor eletromagnético
consiste basicamente de um ímã, peças polares e uma arma-
Figura 2.4 dura móvel, está constituída pelo diafragma como mostra a
figura 2,4. A corrente de voz que circula pelo enrolamento
estabelece um empuxo variável sobre o diafragma de acordo
com a variação do sinal. O empuxo no diafragma depende da densidade de fluxo magnético no entreferro e
o projeto deve possibilitar uma variação máxima de fluxo para determinada variação de corrente na bobina.
O circuito magnético deve ser pois o mais curto possível, com material de alta permeabilidade, a fim de
obter a relutância mínima.
A sensibilidade dos transdutores eletromagnéticos vem aumentando no decorrer dos anos em
virtude da fabricação de ímãs melhores, redução do fluxo de perdas (construção concêntrica) e redução das
resistências magnéticas da armadura, das peças polares e do entreferro. A redução do entreferro apresenta
limites, pois com a corrente continua a força de atração aumenta segundo a lei quadrática e se a força
magnética residual for maior do que a força linear da mola (figura 2.4) que atua em sentido oposto (Fs),
ocorre à colagem das peças polares. A fim de contornar este problema, os sistemas magnéticos

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apresentam circuitos em ponte (figuras 2.5 e 2.6), onde a armadura móvel não é ou é percorrida apenas
parcialmente pelo fluxo magnético residual, e portanto não fica saturada.
A vantagem deste tipo de microfone reside no fato de
que não requer corrente de energizaçâo. A construção é tal que
um diafragma é acoplado mecanicamente a uma armadura de
ferro que conduz o fluxo magnético suprido por um Imã
permanente. Quando as ondas atingirem o diafragma, a
armadura é conduzida correspondentemente e se desloca em
um entreferro entre as peças polares do imã permanente. Este
movimento varia a relutância dos circuitos magnéticos que
envolvem a bobina e isto origina variações no fluxo, o que causa
uma força eletromotriz induzida na bobina. A bobina supre então
a saída elétrica do microfone.
Figura 2.5 O microfone eletromagnético ou de ferro móvel
mostrado na figura 2.6 apresenta as características básicas do
microfone de armadura basculante. Ele possui um diafragma
enrugado, vinculado a uma extremidade da armadura. A outra
extremidade da armadura é fixada a uma extremidade das
peças polares por meio de espaçadores não magnéticos que
impedem um curto circuito do imã permanente. A saída deste
tipo de microfone é menor do que do microfone de carvão.
O transdutor de ferro móvel pode ser utilizado como
Figura 2.6 microfone ou como receptor em um aparelho telefônico.
A resposta de freqüência dos microfones de ferro
móvel, assim como dos demais tipos dependem da natureza do
diafragma metálico, do seu método de montagem e da forma do
receptáculo.
As partes móveis apresentam uma freqüência de
ressonância particular, dependendo da sua massa e da sua
rigidez. Esta ressonância "mecânica" pode ser comparada com
a ressonância elétrica, onde a massa equivale a indutância, a
recíproca da rigidez equivale à capacitância e a resistência
Figura 2.7 mecânica equivale à resistência elétrica. A figura 2.7 mostra
estas equivalências de ressonâncias.
Em geral o grau de rigidez depende da natureza do
diafragma e do método de montagem, a massa depende do peso do conjunto do diafragma e a resistência
depende do ar atrás do diafragma e da fricção devido às obturações de seda. A freqüência de ressonância
do conjunto é determinada pela relação entre a rigidez e a massa, da mesma forma que a freqüência de
ressonância no caso elétrico é determinada pela relação entre indutância e capacitância.
Um outro fator determinante da resposta de freqüência é o efeito do espaço de ar atrás do diafragma. Uma
cavidade se comporta como um ressoador de Helmholtz e possui uma freqüência natural que depende das
suas dimensões e forma.
A tensão de saída elétrica do microfone é medida em função de várias freqüências da faixa de
voz. Dali é derivada uma curva que relaciona a tensão de saída com a freqüência. A fim de permitir a
comparação entre vários tipos de microfones, deve ser adotado um nível de referência. Em geral é
estabelecidoFigura
como 2.6referência que a pressão de 1 Newton por metro quadrado (1 Pascal) proporciona uma
saída de 10 mV (10 mV/N/m2). A tensão de saída de um microfone particular, em qualquer freqüência, pode
ser também expressa em decibéis relativos a este nível de referência. O decibel (dB) é um método
logarítmico de apresentar razões de tensão, corrente ou potência, comparando-se a tensão de saída com
uma tensão de referência.
O Efeito de Polarização: Se o sistema eletromagnético não possuir um ímã permanente e se
somente for aplicada corrente alternada, a única força magnetizante é devida às próprias correntes de voz.
Alem de uma saída acústica baixa, o diafragma é atraído a cada meio ciclo, o que origina uma freqüência
dupla (uma oitava mais alta do que a freqüência original).
Considerando que a força de solicitação da armadura é:

B 2S
F =
π
onde: B - densidade de fluxo no entreferro e
S - área da superfície polar
e a expansão de um sinal senoidal é φ = b.sen wt então a força de empuxo F originada pelo ímã e o sinal
alternado sobreposto será proporcional a:

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F . A (B + b)2 A .B2 + 2 B . b + b2

A variação da força de atração devida ao sinal alternado será:

∆F .∆ ( B + b ) 2 − B 2 .∆B 2 + 2 Bb + b 2 − B 2 = 2 Bb + b 2 (max imo )


Como o valor instantâneo do fluxo φ = b.sen wt, o valor instantâneo da força de atração será:

f = 2 Bb sen wt + b2 sen2 wt + 2 Bb sen wt + + 1/2 b2 (1 –cos 2wt).

O primeiro termo representa a força de atração de freqüência correta e com amplitude igual a 2 Bb.
O segundo termo representa um segundo harmônico indesejável, cujo valor é função do quadrado da força
de magnetização ∆ (b)2. Logo a introdução de um ímã permanente produz uma saída de freqüência correta
e de amplitude muito maior. O segundo harmônico presente será pequeno se a magnetização CC for
grande.
Nos transdutores eletromagnéticos modernos o ímã é de ALNiCo e as peças polares são de uma
liga NiFe com 36% de Ni e com alta permeabilidade para correntes alternadas e baixas perdas por
correntes parasitas. Por razões acústicas o diafragma deve ser fino, leve, flexível e de alta permeabilidade
como por exemplo à liga FeCo . As peças polares devem apresentar área máxima tolerável e entreferros
reduzidos a um mínimo. A faixa de freqüência transmissível deve estar entre 200 Hz e 3.400 Hz.
A tecnologia magnética é reversível, isto é pode ser utilizada para transdutores de emissão e de
recepção. As figuras 2.6 e 2.7 mostram respectivamente o princípio de um microfone eletromagnético e o
princípio de um receptor eletromagnético, ambos de armadura móvel.
A figura 2.5 mostra a construção básica de
um microfone de armadura móvel. Ele possui um
diafragma metálico fino e enrugado, preso em uma
extremidade da armadura. A outra extremidade da
armadura está presa entre o extremo da peça polar
por intermédio de espaçadores não magnéticos que
impedem um curto circuito do imã permanente. A
saída deste microfone é menor de que a do
microfone de carvão. A sua sensibilidade é da ordem
de 0,3 mV/µBar para uma resistência interna de 1
Kohms.
Figura 2.8
A figura 2.6 mostra o princípio de construção
de um receptor eletromagnético tipo basculante
("rocking armature"). O diafragma é construído por
uma liga não magnética leve, está com o seu centro
ligado à uma extremidade da armadura através um
pino de transmissão. As forças que atuam sobre a
armadura são iguais em torno do pivô, no caso de
não haver saída de sinal de audiofreqüência e a
armadura é mantida em posição pelas duas
componentes de torção.
As duas bobinas estão ligadas em série e
estão enroladas em sentidos opostos sobre as peças
polares e portanto, dependendo do sentido da
Figura 2.9 corrente energizante, a densidade de fluxo é
aumentada em uma extremidade de armadura e é
reduzida na outra extremidade. Quando a corrente alternada energizar as bobinas, o fluxo, em um dado
instante, aumenta em uma extremidade e se reduz na outra. O empuxo sobre a armadura aumenta portanto
em uma extremidade e se reduz na outra alternadamente, resultando em um movimento basculante em
torno do seu centro, o que desloca o diafragma segundo um movimento do tipo pistão.
O tipo de construção empregado neste receptor tem a vantagem de que o fluxo magnético de
polarização possui dois caminhos, um através de cada núcleo de bobina, o que reduz a relutância total do
circuito magnético como mostra a figura 2.8.
Na figura 2.9 que representa o circuito elétrico equivalente, as relutâncias estão representadas por
meio de resistências elétricas, os ímãs são representados por baterias CC e as espiras por fontes CA. Os
fluxos contínuo e alternado do circuito magnético estão representados por correntes contínuas e alternadas
(indicadas respectivamente pelas setas cheias e tracejadas). Nas figuras 2.8 e 2.9 são mostradas apenas
as relutâncias do entreferro Rg, porque as relutâncias da armadura e das peças polares são
comparativamente pequenas, de modo que o trabalho fica limitado ao ajuste do entreferro para um valor
mínimo compatível com os requisitos de estabilidade.

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A redução de relutância global do circuito origina um grande aumento de densidade de fluxo por
unidade de força de magnetização (ampére-espiras), aumentando desta forma a sensibilidade global do
receptor. Uma outra vantagem é que o ímã permanente de alta relutância é derivado através do circuito de
fluxo CA, permitindo que este circule por um caminho de baixa relutância. Isto resulta em uma melhoria na
qualidade de voz.
A tecnologia eletromagnética é reversível e pode ser empregada para o emissor e para o receptor
telefônico. Considerando a Figura 2.5:

φ - Fluxo magnético;
F - Força de atração sobre a armadura;
Fs - Fora da mola de armadura;
l / 2 - Espaçamento do entreferro;
i - Corrente na bobina;
v - Tensão na bobina;
µ 0 - Constante de campo magnético;
Sw – Seção transversal efetiva no entreferro de ar.

A força F com a qual a armadura é atraída pelo imã é:

φ2
F=
µ 0 .S w

Circulando uma corrente alternada “i” através da bobina, então se sobrepõe ao fluxo contínuo φ –
um fluxo alternado φ ~ e a armadura é solicitada no ritmo da força que se altera periodicamente. No caso
em que
φ - >> φ ~
Resulta uma expressão para a força alternada F~ do emissor e para a tensão alternada induzida v~ do
receptor segundo uma relação aproximadamente contínua com a corrente alternada i_ ou com a
velocidade, segundo as expressões:

Para o emissor:
2φ _ φ ~ 2 Nφ _
F= = i.r
µ 0 .S w l

e para o receptor:

2 Nφ _
U ~= v
l
Onde N representa a número de espiras da bobina e v a velocidade de deslocamento da membrana.
Por intermédio da seleção φ - >> φ ~ (linearização), são mantidas reduzidas as distorções não
lineares que normalmente iriam aparecer (parcelas espectrais com freqüência dupla).
A constituição construtiva de um transdutor magnético pode ser realizada de forma bastante distinta,
como mostram o tipo basculante (figs. 2.5 e 2.6) e o tipo de armadura em anel (fig. 2.8).
Uma vantagem dos transdutores eletromagnéticos reside no fato de poder ser obtida uma
sensibilidade elevada mesmo com cápsulas pequenas. Como inconvenientes podem ser citados o ajuste
complexo, instabilidade mecânica (sensível a choques, batidas) e, sobretudo a impedância indutiva
fortemente dependente da freqüência.

Tecnologia Eletrodinâmica

Já em 1878 foi citado o telefone eletrodinâmico, onde a cápsula receptora apresentava este
princípio, mas somente nos últimos anos, com o desenvolvimento de ímãs com grande densidade de fluxo
magnético, este princípio passou a ser utilizado na fabricação, em grande escala, de cápsulas receptoras
dinâmicas para aparelhos telefônicos.
O princípio da cápsula eletrodinâmica é o mesmo do alto-falante (figura 2.10). Em uma membrana
móvel está fixada uma bobina que se desloca no campo de um ímã permanente. Na operação como
microfone, o movimento do condutor no campo magnético induz uma tensão no condutor. Na operação
como receptor o condutor desloca-se em um campo magnético constante, devido a seu próprio campo

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magnético variável. O condutor pode ter a forma de uma bobina móvel, de uma fita ou pode estar aplicado
diretamente na membrana.
De acordo com a construção, a
sensibilidade pode variar de 0,001 a 0,3 mV /
Figura 2.10 mocrobar. Uma cápsula receptora construída de
acordo com o princípio dinâmico pode ser
montada em um aparelho telefônico sem a
necessidade de amplificação. A tensão induzida
no condutor é proporcional à sua velocidade no
campo magnético e, a fim de originar uma
resposta plana de audiofreqüência, o condutor
deve ter a mesma velocidade por unidade de
pressão das ondas sonoras em todas as
freqüências. A bobina móvel consiste em um
Figura 2.11 número de espiras de fio fino e ela é fixada
rigidamente ao diafragma, de modo que ela se
desloca entre as peças polares circulares do ímã.
Na cápsula receptora (fig. 2.10) a força
que opera o diafragma é obtida através da
interação de um campo magnético, devido ao ímã permanente e o campo magnético devido à circulação da
corrente de audiofreqüência através da bobina móvel. A construção é similar a do microfone de bobina
móvel descrito acima, e uma corrente que circula na bobina móvel provoca um movimento alternado desta
bobina, à qual está ligado o diafragma.
A figura 2.11 mostra um corte através de uma cápsula receptora dinâmica. Devido ao acoplamento vertical
entre o campo magnético (B) e o sentido da força (F), a lei das forças na cápsula dinâmica é rigidamente
linear.

F = B.l.i

onde
B - a indução magnética,
I - o comprimento da bobina móvel,
i - corrente alternada.

O campo magnético não é influenciado pelo movimento da bobina. Com isso não há perigo de instabilidade.
Se for assegurado que o condutor, mesmo nas amplitudes máximas apresentadas, se desloca somente na
parte homogênea do campo magnético permanente, então não se estabelecem distorções não lineares. A
impedância praticamente constante do transdutor dinâmico melhora consideravelmente os pré-requisitos
para um melhor casamento elétrico do telefone.

Com o aumento da sensibilidade das cápsulas emissoras e receptoras, tornou-se necessário


melhorar o efeito local dos aparelhos telefônicos através da introdução de redes equalizadoras complexas.
Com isso, o ruído ambiente que se superpõe à voz é mais atenuado. Em virtude da reatância capacitiva dos
cabos, o circuito de compensação do telefone também deve ser capacitivo. Entretanto quando um aparelho
telefônico destes é ligado a um segundo telefone através de uma linha curta e considerando que a
impedância de entrada do telefone é caracteristicamente indutiva porque ele está equipado com uma
cápsula magnética, então resulta um efeito local indesejavelmente forte. A reflexão intensa pelo confronto
da impedância de cabo capacitiva com a impedância de entrada indutiva do telefone equipado com cápsula
magnética perturba além disso nas ligações com tempos de propagação maiores como por exemplo
transmissão via satélite, onde os efeitos de ecos audíveis podem prejudicar sensivelmente o fluxo de voz. A
introdução de cápsulas receptoras com tecnologia dinâmica em lugar de magnética reduz em cerca de 5 dB
o efeito local no meio da faixa de transmissão. Esta vantagem (condição de estabilidade do sistema e
impedância independente da freqüência) constitui um fator decisivo para a tendência observada atualmente
nos países industrializados de utilizar, em escala crescente, as cápsulas de tecnologia dinâmica.

Tecnologia Piezocerâmica

Esta técnica foi desenvolvida pela Siemens alemã no princípio da década de 70. 0 elemento
transdutor é uma lâmina de zirconato - titanato de chumbo contatada em ambas as faces e colada sobre um
disco suporte de alumínio. As flexões muito pequenas da placa suporte (fig. 2.12), originadas pela pressão
acústica, desenvolvem tensões de tração ou compressão reforçada na camada de material piezelétrico,
ocasionando deformações na grade de cristais polarizados. Os deslocamentos das cargas moleculares
desencadeadas originam ou suprimem cargas proporcionais nos dois eletrodos, que são em seguida
convertidas em tensões elétricas. Este material piezocerâmico tem grande sensibilidade e proporciona um
fator de transformação de cerca de 4.10-3 Vm2/N ou sejam 0,4m V/microbar.

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Com aproximadamente 18 microbar estabelecem-se


Figura 2.12
portanto cerca de 7,5 mV no microfone que, com auxilio
de um amplificador adicional, passa para cerca de 800
mV na saída; o fator de amplificação é portanto
aproximadamente igual a 100, o que corresponde a cerca
de 40 dB de ganho.
No microfone piezocerâmico a tensão é proporcional ao
som induzido, sendo portanto um dispositivo linear. Esta
relação linear entre a pressão acústica e a tensão do
sinal originou o termo "microfone linear".
No interior do microfone o bordo do elemento transdutor e suportado de forma flexível. Seu
desempenho de transmissão é compensado por meio de diferentes ressoadores que estão acoplados
acusticamente ao vibrador. Aplicando uma pressão acústica de 1 Pa (1 Pa = 1 N/m2 = 10 microbar
correspondendo a um nível de pressão sonora de 94 dB referido ao limiar de audibilidade a 1 kHz), obtem-
se uma tensão de circuito aberto de aproximadamente 3 mV na saída do elemento transdutor. A impedância
do elemento transdutor corresponde a um capacitor de aproximadamente 60 nF.

O princípio do transdutor piezelétrico é mostrado na figura 2.13. Considerando F a força que atua
sobre o cristal, v a velocidade de atuação, d a espessura do cristal piezelétrico, i a corrente circulante, V a
tensão aplicada, x o espaçamento entre os dois eletrodos, e a constante piezelétrica e ξ a constante
dielétrica, podem ser considerados dois casos : acoplamento vertical e acoplamento paralelo.

No acoplamento vertical entre a força F e o campo elétrico E é válida a seguinte expressão para o
receptor:

eE S
V = ou i = e v
jwξ d
Para o emissor existe, neste caso, uma lei força-tensão rigidamente linear ou seja:

eS
F= V
d
No caso de acoplamento paralelo entre a força e o campo elétrico é novamente linearisada a
primitiva lei quadrática força-tensão através da aplicação de uma carga contínua elevada.
Os novos materiais de
cerâmica piezelétricos (como p.
Figura 2.13 ex. zirconato - titanato de
chumbo) possuem grandes
vantagens com relação aos
cristais já conhecidos como
sejam fabricação simples e
grande sensibilidade.
Comparado aos transdutores
eletrostáticos, o transdutor
apresenta impedâncias muito
menores, o que simplifica a
adaptação aos amplificadores.
O elemento básico de
um microfone piezelétrico é
uma placa piezelétrica flexível, formada por um suporte metálico no qual é colada a piezocerâmica, que
converte o som incidente em uma tensão elétrica de saída, equivalente. Esta é amplificada para o nível
requerido através de um amplificador de microfone integrado. Para tornar a cápsula independente da
polaridade e para a proteção do amplificador do microfone contra sobretensões é utilizada uma ponte de
diodos. A característica sensibilidade - freqüência desejada é obtida com auxílio de ressoadores acústicos e
materiais amortecedores. Os ISR situam-se em torno de 0 dB ou -3 dB e o fator de transferência do
transdutor piezelétrico isolado é cerca de 3 mV/Pa.
A cápsula emissora é protegida contra interferência de RF por meio de blindagem metálica e
capacitor de isolamento.
Recentemente são conhecidos também outros materiais piezelétricos como p. ex. lâminas de
fluoreto de polivinila. Da mesma forma que os transdutores de eletreto, os transdutores com estas lâminas
podem ser sintonizados para uma freqüência de ressonância de membrana elevada, mas possuem
impedância menor do que aquela. Este princípio já é empregado em receptores mas ainda é problemática a
sua estabilidade a longo prazo.

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Ao contrário da cápsula de carvão, a cápsula emissora piezocerâmica, da mesma forma que as


demais cápsulas telefônicas de tecnologias lineares, apresentam apenas perdas de corrente alternada em
função do comprimento da linha utilizada. A amplificação incorporada no circuito da cápsula permite ajustar
o nível de sonoridade desejado. Uma outra vantagem reside no fato de que este nível varia menos de 1 dB
para uma variação de corrente CC na linha entre 10 mA e 100 mA. Isto permite aumentar o alcance de
transmissão em linhas longas e melhorar sensivelmente a qualidade do sinal transmitido.
A distorção harmônica é baixa, em geral inferior a 1% para uma pressão acústica de 1 Pa (10
microbar) e correntes acima de 15 mA. O ruído intrínseco se mantém invariável em torno de 0,15 mV. O
microfone piezocerâmico apresenta grande estabilidade e mantém os seus valores técnicos de transmissão
mesmo para uma conversação de grande duração ou para uma variação da posição do microfone. O nível
de sonoridade também varia menos de 2 dB para variações de temperatura entre 0oC e 40oC com borrifos
de vapor d'água de hora em hora, durante 7 dias.
Para a obtenção de um grau de sensibilidade suficientemente alto, a ressonância do sistema
oscilante (elemento transdutor + flexibilidade dos bordos + volume de ar acoplado) situa-se no centro da
faixa de transmissão de 200 Hz a 3.400 Hz. O excesso de sensibilidade de até 30 dB na freqüência de
ressonância básica (em torno de 1,5 kHz para um volume de acoplamento de aproximadamente 1 cm3) é
reduzido por meio da sintonização precisa de ressoadores de Helmholtz, representados neste tipo de
emissor por fendas muito estreitas no suporte (aproximadamente 70 microsegundos) atrás do elemento
transdutor e que oferecem alta fricção ao fluxo de ar.
A sensibilidade na faixa de freqüências acima de 2 kHz é reduzida por meio de um anel de
amortecimento na antecâmara, que também amortiza a sensibilidade excessiva de ressonâncias em torno
de 5 kHz.
A expectativa de vida MTBF ("Mean Time Betwen Failing") é de aproximadamente vinte anos.

Tecnologia de Eletreto

O eletreto é um material que, após receber uma carga elétrica, retém esta carga ou parte da mesma. Há
vários anos já foi observado que as propriedades do eletreto se assemelhavam àquelas de um ímã
permanente, sem que fosse possível uma comprovação prática.
Atualmente os elementos de eletreto utilizam
filmes polímeros com apenas alguns microns de espessura
e de configuração ideal para diafragmas de microfones. A
figura 2.14 mostra um diafragma da secção transversal de
um microfone utilizando o princípio do eletreto. Este
microfone compõe-se essencialmente de um diafragma de
eletreto metalizado localizado a uma distância definida (p.
ex. 70 microns) na frente de uma chapa condutora. Sua
operação lembra a de um microfone de capacitor, porém
sem a necessidade de uma tensão de polarização.

Como filmes polímeros são utilizados polímeros


Figura 2.14 fluoretados de teflon (FEP), aluminizados em uma face,
com cerca de 13 microns de espessura. O filme é
submetido a um campo eletrostático de até 100 volts por meio de uma das quatro técnicas: feixe de
elétrons, descarga - corona, termocarga ou fio de lâmina.
Princípio de Operação: A carga elétrica q está associada com a capacitância C e à uma tensão de
polarização V de acordo com a equação:
q
V =
c

A proximidade do filme de eletreto com a placa posterior resulta na variação da capacidade C


determinada pela distância d entre a placa posterior e o filme de eletreto. O flexionamento do filme de
eletreto e conseqüentemente do diafragma resulta na variação de C em concordância como movimento do
diafragma. Ocorre aí uma variação correspondente da tensão V em forma de uma força eletromotriz em
série com a capacitância. É necessário pré-tensionar o diafragma a fim de estabelecer oposição à atração
eletrostática que existe entre ela e a placa posterior. O volume de ar posterior proporciona um
amortecimento contra a ação do diafragma sob a ação da voz. Como a carga e a capacitância são ambas
proporcionais à área do diafragma, os valores assumidos por V e suas variações independem basicamente
da área do diafragma.
Como o diafragma consiste de um filme plástico muito fino, ele é muito leve. Logo a sua freqüência
de ressonância natural é alta, o que proporciona uma curva de resposta relativamente plana. É esta
característica particular que torna este microfone bastante popular para aplicações de alta fidelidade. Em
telefonia, onde a rede de telecomunicações utiliza uma faixa de 300 Hz a 3.400 Hz, torna-se necessário um
corte adequado das altas freqüências. Para isso, é introduzida uma atenuação acústica na abertura sonora

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do microfone. Na parte baixa da faixa de voz também é desejável certa declividade da curva de resposta
afim de compensar a atenuação do cabo e obter uma reprodução natural do som. O corte nas baixas
freqüências também previne a penetração de ruído de baixa freqüência.
Construção: Atualmente são conhecidos quatro métodos de carga de eletreto:

a) Processo de termocarga: neste processo o filme é colocado entre dois eletrodos e é aquecido
até próximo a ponto de amolecimento, conforme for aumentada a tensão através dos eletrodos.
Vem em seguida um ciclo de resfriamento.
b) Processo de feixe de elétrons: no processo de feixe de elétrons o filme é carregado por
intermédio de um bombardeio de elétrons.
c) Processo de descarga - corona: neste processo o filme é submetido ao efeito - corona a partir
dos eletrodos adequadamente moldados.
d) Método do fio de lâmina: neste método o filme entra em contato íntimo com o fio de uma
lâmina, o que permite injetar a carga diretamente no dielétrico em virtude do alto campo elétrico
existente através do filme.

Como proteção contra a umidade, o seu maior ofensor, é em geral utilizado um disco protetor de
melinex montado na frente da superfície aluminizada.
As dimensões dos microfones de eletreto são em geral multo pequenas e o diâmetro é cerca de
15mm. Entretanto pode ser conveniente um diâmetro
maior de por exemplo 25mm, pois uma capacitância
Figura 2.15 maior reduz a impedância mas não aumenta
necessariamente a sua sensibilidade.
O ganho do microfone de eletreto é cerca de 20
dB menor que a de um microfone de carvão típico, de
modo que ele requer amplificação. Como a impedância
do transdutor é alta, a impedância de entrada do
amplificador deve ser em torno de 10 megaohms. O
casamento de Impedância é obtido com auxílio de um
transistor de efeito de campo (FET) como estágio de
entrada sendo que o conjunto do microfone com
amplificador pode ser montado em uma só unidade que
substitui o microfone de carvão nos atuais projetos de
telefones.
No microfone de eletreto a característica de resposta de freqüência é de fácil controle por meios
eletroacústicos e elétricos. Também a distorção harmônica é muito menor no microfone de eletreto do que
no microfone de carvão.
Para a conversão da pressão sonora em uma tensão elétrica ou vice-versa é aproveitada uma
variação de capacitância entre uma membrana leve, condutora e um contra-eletrodo fixo (fig. 2.15).
Chamando do U a tensão de polarização, S a superfície, I o espaçamento entre eletrodos, i a
corrente, u a tensão e F a força entre eletrodos, pode ser afirmado que: a força F é proporcional ao
quadrado da carga eletrostática Q.
Q 2 U 2C
F= =
2ξS Zl
Ao ser aplicada uma tensão de entrada elevada (tensão de polarização) U>>u, resulta para o emissor:

U_
F =C v
l
Neste caso a força fica aproximadamente proporcional à tensão do sinal. Para o receptor resulta:

U_ U_
i=C jw ou u=v jw
l l
onde jw é a freqüência de circuito, complexa, e v é a velocidade.

A vantagem do transdutor eletrostático está no fato de que a sua membrana é muito fina e portanto
a sua ressonância própria pode ser posicionada acima da faixa de transmissão, o que possibilita uma
variação plana da freqüência nesta faixa. Conseqüentemente todos os microfones de medição de alta
qualidade são microfones de capacitor. A sua sensibilidade é relativamente baixa, enquanto a sua
impedância é alta, o que requer um amplificador de sinal com entrada de alta resistência (alguns
megaohms). No eletreto uma camada fina de fluorcarbonato dispensa a tensão de entrada alta pois a carga
fica retida pela polarização. Os microfones de eletreto são amplamente utilizados na eletrônica de
entretenimento, como p. ex. em gravadores de som.

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O ruído intrínseco medido psofometricamente é menor do que -80 dB e o microfone opera entre 10
mA e 110 mA de corrente CC sem afetar basicamente a sua eficiência. Ao contrário da cápsula de carvão, a
sua confiabilidade é alta, o que faz com que a curto e médio prazo esta tecnologia seja promissora. A longo
prazo deve dar lugar a uma tecnologia reversível ou seja, aplicável tanto a cápsula emissora como
receptora de aparelhos telefônicos.
Dadas as suas pequenas dimensões e custo baixo, esta tecnologia se presta para alguns tipos de
terminais telefônicos como o aparelho de operadora, o telefone de viva-voz e a secretária eletrônica.
Também apresentam interesse especial na substituição da cápsula emissora de carvão, também
irreversível, com a vantagem de estabilidade maior e excelentes características de transmissão.

Tecnologia Piezoplástica (PVDF)

A ação piezelétrica em plásticos sintéticos foi observada pela primeira vez em 1968 quando E.
Fukuda demonstrou o efeito piezelétrico no poliestireno metracrilato e no polipropileno. Um ano depois H.
Kawai mostrou que as películas de fluoreto de polivinilideno (PVDF) poderiam tornar-se piezelétricas se
fossem esticadas e em seguidas fossem submetidas a um campo elétrico intenso e a uma temperatura
elevada, sendo o campo elétrico mantido durante o resfriamento da película. Desta forma foram obtidos
coeficientes piezelétricos da ordem de 1 pCN-1 onde pC = picoCoulomb, N = newton.
O filme de PVDF polarizado retém também a carga elétrica superficial, da mesma forma que o
eletreto, mas não retém a carga da forma como é retida pelo teflon FEP. Entretanto o efeito piezelétrico
persiste, mesmo com o desaparecimento da carga superficial. Uma lâmina de PVDF mantém praticamente
o efeito piezelétrico constante após dois anos, em temperatura de 130°C, enquanto no teflon FEP a carga
superficial já desaparece após alguns dias, quando submetido a uma temperatura de 80°C.
Experiências realizadas na Inglaterra mostraram que uma película de PVDF com 25 microns de
espessura, esticada em dois sentidos perpendiculares segundo um fator 5 e submetida a um campo elétrico
de 5 kV a 80°C, apresenta coeficientes piezelétricos de 6 a 8 pCN-1. Estes valores são bastante estáveis,
mesmo sob temperaturas elevadas e alta umidade. Isto permite prever, para o microfone de PVDF, uma
perda menor que 5 dB em 25 anos, ao contrário do microfone de carvão, cuja perda média é de 0,7 dB/ano.
O transdutor piezoplástico de PVDF é reversível e pode ser empregado como microfone ou como receptor.
O microfone de PVDF utiliza um elemento transdutor básico que age como diafragma, consistindo
de duas películas de PVDF eletricamente polarizadas em sentidos opostos e ligadas em série (série
bimorfa). As duas películas são pressionadas uma contra a outra e são suportadas em um arranjo fixo por
pressão nas extremidades, entre duas placas de policarbonato com 3 mm de espessura e com vários furos
coincidentes, com 6 mm de diâmetro. A espessura total da película de 50 microns assegura um autosuporte
dos discos de PVDF que reagem mecanicamente como placas rígidas. Os discos são isentos de tensão e
não apresentam deformação plástica.
As ondas sonoras que incidem nos
discos provocam flexionamento e o
conseqüente efeito piezelétrico origina uma
Figura 2.16 saída elétrica em dois terminais externos. Um
circuito integrado montado em um circuito
impresso desacoplado por um capacitor de 0,22
microfaraday se encarrega da amplificação do
sinal elétrico e do casamento de impedância
com o transdutor e com o circuito telefônico.
Este circuito também incorpora regulagem
automática do ganho (cerca de 40 dB) dentro
do enlace de linha do assinante. Este microfone
é projetado de forma intercambiável com o
microfone de carvão e utiliza a mesma corrente
de alimentação assegurando desta forma a
compatibilidade com as centrais
eletromecânicas. A figura 2.16 mostra o
diagrama esquemático de um microfone de PVDF.
O desempenho eletroacústico global do microfone é controlado pelas dimensões dos discos do
transdutor plástico, do tamanho dos furos para a entrada do som e do volume e da impedância acústica da
cavidade frontal de ressonância. As cavidades possibilitam uma ressonância em torno de 2 kHz o que eleva
a resposta nas freqüências médias. A resposta de baixas freqüências é determinada eletricamente, sendo
formado um filtro passa alta constituído pela capacitância do transdutor C e a resistência de entrada R do
pré – amplificador.
A freqüência de corte para -3 dB, fc = 1/2 p RC, é cerca de 1 kHz para este microfone, para o
casamento de impedância. Isto converte a impedância de entrada intrinsecamente alta do transdutor, para
cerca de 50 kiloohms. A ligação do eletrodo central para o pré-amplificador é feita com um fio fino curto a
fim de minimizar efeitos de indução e efeitos capacitivos, permitindo ainda a montagem do circuito próximo
à caixa do microfone.

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Os microfones de gradiente de pressão são mais sensíveis a ondas esféricas do que a ondas
planas e conseqüentemente eles discriminam fontes sonoras distantes e estranhas em favor de ondas
sonoras de voz, basicamente esféricas, próximas à boca. Logo a característica polar em oito, associada aos
microfones de gradiente, também melhora a razão sinal/ruído.
A curva de resposta de um microfone de PVDF medida a 10 mm da saída de uma voz artificial. A
sensibilidade a 1 kHz é de -65 dB V/Nm2 e é função da atividade piezelétrica. A curva de resposta mostra a
declividade esperada nas baixas freqüências e um corte agudo nas altas freqüências. Caso seja desejado,
a largura da faixa de freqüências pode ser estendida para freqüências mais altas, reduzindo os diâmetros
dos discos ressonantes.
Os microfones de gradiente de pressão de baixa impedância dependem do mecanismo de
transdução eletromagnética e naturalmente tornam-se especialmente sensíveis a campos magnéticos
variáveis, o que requer providências de blindagem dispendiosas e por vezes complexas, o que não ocorre
nos microfones plásticos onde ensaios realizados mostraram que ele é insensível a campos alternados de
400 Hz até 2 GHz. A força eletromotriz situa-se bem abaixo do ruído elétrico do amplificador FET utilizado
no sistema.
A estabilidade do elemento transdutor de filme parece ser alta de acordo com experiências
realizadas, não tendo sido constatadas variações sensíveis no microfone. A massa efetiva do elemento
móvel é de somente 1,3 x 10-2 kgm2, a inércia é muito pequena e o microfone é insensível à virações de
corpos sólidos.
O transdutor de PVDF se enquadra no grupo que inclui a cerâmica piezelétrica e o eletreto de carga
superficial. Como microfones todos são insensíveis aos campos magnéticos. O microfone do polímero
piezelétrico é insensível a ruídos de fricção causados por manuseio pois a lâmina, muito fina, possui uma
impedância acústica baixa comparável e controlável pela impedância do ar. Ao contrário a cerâmica
piezelétrica tem alta impedância mecânica e precisa apresentar uma boa equiparação com a caixa onde
está montada, sendo portanto sensível a ruídos de fricção e de manuseio.

São dadas a seguir na tabela 2.3 algumas características comparativas de cápsulas da chamada
terceira geração.

TABELA 2.3
PROPRIEDADES PVDF ELETRETO PIEZOCERÂMICA
Saída do microfone com pressão de 1 Pascal 2 mV 2mV 5 mV
Saída de recepção com entrada de 1 volt Capacitância 90 dB 5.000 pF 50 pF 95 dB 50.000 pF

Uma temperatura de 70°C não afeta a cerâmica piezelétrica; o polímero piezelétrico não será
afetado se as condições de polarização estiverem de acordo com os limites convencionais de 100°C, mas o
eletreto com carga superficial tem um tempo de queda de apenas 100 dias à 70 °C.
O PVDF parece ser atualmente o material que engloba as características mais propícias para uso
como transdutor reversível de cápsulas telefônicas, por ser um transdutor praticamente ideal, de baixo custo
e com características elétricas e eletroacústicas desejáveis. Ainda persistem algumas dificuldades técnicas
o que ainda requer alguns anos para a sua implantação.

Tecnologia Eletrostática

A tecnologia eletrostática, aplicada aos microfones. capacitivos, baseia-se no princípio da


capacitância variável entre duas placas paralelas, que varia Inversamente com a distância entre as placas.
Os elementos essenciais do microfone são um
Figura 2.17 diafragma tencionado, atrás do qual existe uma placa
fixa, formando um capacitor com uma camada fina de ar
que atua como dielétrico. Quando as ondas
sonoras incidem no diafragma, o espaço de ar entre as
placas do condensador e conseqüentemente a
capacitância, sofrem variação. As placas do capacitor
são carregadas por meio de uma fonte de tensão
constante de polarização. A variação da carga é
acompanhada por um fluxo de corrente que entra e sai
do capacitor de acordo com o movimento do diafragma,
convertendo a voz original em uma onda elétrica. O
espaço de ar entre as placas é em geral igual è 0,05 mm nos tipos de microfones modernos, de modo que a
capacitância que se estabelece é pequena e qualquer variação resulta em uma saída também pequena.
Obtem-se uma boa resposta de freqüência para uma freqüência de ressonância natural do
diafragma, na situação livre no ar, entre 10 Hz e 20.000 Hz, assegurando uma resposta uniforme ao longo
de uma ampla faixa de áudio freqüências.
A figura 2.17 mostra uma forma de microfone eletrostático. O diafragma é de vidro, com espessura
em torno de 0,05 mm, em cuja superfície é aplicada, por vaporização, uma camada de ouro. A camada de

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ouro, juntamente com a superfície superior do eletrodo posterior, constitui a capacitância do microfone. O
intervalo entre o diafragma e o eletrodo posterior é cerca de 0,025 mm. O isolamento intereletrodos evita a
ocorrência de um curto-circuito mesmo em condições adversas. A capa e os furos no mesmo, servem tanto
para a proteção como também como rede acústica para altas freqüências, para a definição da impedância
acústica.
O microfone apresenta um diâmetro menor que uma polegada e portanto não perturba o
comportamento em campo livre.
Com base em uma expressão matemática pode ser apreciada a operação teórica do microfone. No
caso de placas paralelas tem-se:

ξ r E0 A
C=
d
onde
C = capacitância em Farad;
ξ r = permissividade relativa do dielétrico;
ξ 0 = permissividade do espaço livre;
A = superfície das placas em metros quadrados;
d = distância entre as placas, em metros.
ξ
Caso o dielétrico do capacitor seja de ar, r = 1 e d, à distância entre as placas, pode ser escrita
como x0 + x sen wt, onde x representa o estado de equilíbrio ou seja, a distancia estática entre as placas,
e X senwt representa a variação senoidal da distancia originada por uma onda sonora com uma freqüência
de w radianos por segundo. Portanto em cada instante t tem-se:

ξ0 A ξ0 A ⎡ x ⎤
C= = ξ 0 A( x 0 + xsenwt ) −1 = ⎢ (1 + senwt ) −1 ⎥ =
x0 + xsenwt x0 ⎣ x0 ⎦
ξ0 A ⎡ x x ⎤ ξ A x
= ⎢1 − senwt + ( 0 ) 2 sen 2 wt ...⎥ = 0 (1 + senwt )
x0 ⎣ x0 x ⎦ x0 x0

considerando x/x0 pequeno:

C0 =
ξ0 A eC1 =
x
C0
x0 x0
e portanto:

C = C 0 + C1 sen wt

Co representa a capacitância estática, enquanto C1 representa a variação na capacitância, causada pelas


ondas sonoras.

Considerando agora o microfone ligado, através um resistor, com a fonte de potencial CC como
mostra a figura 2.17:
Admitindo a corrente no circuito segundo i = I senwt e a carga Q do
capacitor Q = CV = C (E - iR).
Como:
Q = ∫ idt
Figura 2.17
Resulta:
1
C∫
E = iR = idt

que é equação fundamental do microfone capacitivo porém a sua


solução não precisa abordar este estágio.
A saída da maioria dos microfones possui um nível tão baixo, que torna necessário um pré
amplificador antes que os sinais de voz atinjam um nível de entrada suficiente para serem aplicados a um
amplificador de potência. No caso do microfone capacitivo, este pré amplificador deve estar situado na
extremidade dos fios do microfone, sendo que os fios tem um efeito de mascaramento sobre as variações
de capacitância do microfone. Conseqüentemente o estágio pré amplificador é usualmente incorporado ao

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microfone. A impedância de saída do pré amplificador é estabelecida suficientemente baixa afim de evitar
que a capacitância dos fios do microfone tenha um efeito paralelo significativo sobre a saída de alta
freqüência.
Em virtude das suas características excepcionais de estabilidade, de resposta de freqüência,
confiabilidade etc, este tipo de microfone tem largo emprego nos ensaios telefonométricos subjetivos e
objetivos assim como no instrumento utilizado na medida de ruído ambiente.

Tecnologia Piezelétrica

A tecnologia piezelétrica se baseia no fato de que certos cristais apresentam propriedades


piezelétricas, isto é, o cristal desenvolve cargas elétricas em certas superfícies quando fica sujeito a
esforços mecânicos. A construção usual do microfone é tal, que a pressão sonora origina ou uma flexão ou
uma torção do cristal. Como conseqüência da distensão mecânica devida a esta deformação, são
originadas tensões que são proporcionais à pressão das ondas sonoras. A maioria dos microfones de cristal
utiliza cristais de sal de Rochelle (tartarato de sódio e potássio). Este possui uma sensibilidade piezelétrica
muito maior do que aquele de quartzo, isto é, é gerada uma tensão muito maior entre as superfícies do
cristal, para uma dada pressão sobre o mesmo. Ele apresenta as desvantagens de menor estabilidade do
que o quartzo e também variações de sensibilidade com a temperatura. A sensibilidade diminui com o
aumento da temperatura e em 100°C a resposta fica tão pequena que o microfone fica inoperante. O cristal
pode ser ativado diretamente mas, em geral, os microfones práticos consistem em um diafragma
diretamente vinculado ao cristal, de modo que a ação de alavancagem possibilita uma força maior para
qualquer pressão sonora aplicada ao cristal.

Figura 2.18

Figura 2.19

O elemento de cristal propriamente dito é desenvolvido em forma "bimorfa", consistindo de duas


fatias finas cortadas em forma diferencial como mostra a figura 2.18 e cimentadas juntas com auxílio de
eletrodos laminados. São utilizados dois tipos a saber: tipo de torção e tipo de flexão. O tipo de flexão é
montado na caixa do microfone, tendo três de suas arestas unidas ao longo de duas arestas opostas e o
diafragma é preso no centro do conjunto bimorfo, como mostra a figura 2.30. O tipo de torção é montado na
caixa do microfone com três arestas unidas e o diafragma é ligado ao canto livre.
As saídas das duas metades do conjunto bimorfo ficam paralelas entre si, de modo que o cristal
bimorfo possui metade da impedância interna de uma fatia simples de cristal com as mesmas dimensões do
bimorfo, sendo estas dimensões determinadas em função de considerações relativas ao casamento
mecânico. Esta redução da impedância interna é importante, pelo fato de que a impedância interna do
cristal é muito alta e o cristal é usado para excitar a entrada de um amplificador. O casamento elétrico entre
o conjunto bimorfo e a entrada do circuito amplificador é realizado de forma mais simples do que no caso de
um cristal simples. A construção bimorfa também possui vantagens mecânicas importantes, originando um
ganho considerável na sensibilidade comparado com um cristal singelo e reduzindo as variações de
temperatura tanto das propriedades mecânicas como elétricas (fig. 2.19).
Em telefonia as características piezelétricas do cristal de quartzo são aproveitadas principalmente
nos osciladores mestre de circuito de oscilação para a geração de freqüências portadoras em sistemas de
multiplexação, telefonia via rádio, telefonia móvel, etc. Devido ao seu custo elevado, o cristal de quartzo é
utilizado em microfones de equipamentos de transmissão e de gravação. Nos aparelhos telefônicos o
princípio piezelétrico ocorre nas tecnológicas piezocerâmica e piezoplástica, já mencionadas anteriormente,
previstas para emissoras e receptores, pois a tecnologia piezelétrica é reversível.

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