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SÍFILIS

Eduardo Oliveira - 2019

INTRODUÇÃO:
 Doença infectocontagiosa com manifestações cutâneas e
sistêmicas, evolução crônica e transmissão sexual.
 Agente: Treponema pallidum (pode simular vários processos
imunes, sendo conhecida como grande imitadora).
 Transmissão: Sexual, congênita, transfusão sanguínea e
inoculação acidental.
 Classificação: Primária (até 1 ano), secundária, latente e tardia
(após 1 ano) e gestacional.
 Inicia-se com lesão ulcerosa na genitália ou região anal.

EPIDEMIOLOGIA:
 Adultos sexualmente ativos sem prevalência de gênero ou raça.
 Associada a determinantes socioeconômicos.
 Sífilis congênita é de notificação compulsória.

PATOGÊNESE:
 Agente: Treponema pallidum (bactéria gram-negativa e formato de
espiroqueta), que penetra através de mucosas ou pele, atinge
corrente sanguínea e vasos linfáticos. Sífilis secundária. Lesões papulosas, palmoplantares e lesões erosadas nos grandes lábios e virilha.
 Incubação: 10-90 dias (média de 3 semanas).
 Período primário: Após a incubação, surge lesões primárias,
designadas de cancro duro, que regride depois de 30 dias.  As lesões da sífilis secundária também podem atingir mucosas,
 Período secundário: 4-10 semanas após o surgimento do cancro. sendo altamente
 Os pacientes podem apresentar mal-estar, febre, mialgia, contagiosa.
artralgia, rash generalizado, lesões papulosas,  Pode haver alopecia
papuloescamosas, queda de pelos e cabelos, lesões (regiões sem pelos) do
mucosas e linfadenopatia. couro cabeludo, barba e
 Nesse período, mais de 30% dos pacientes apresentam sobrancelha.
líquido cefalorraquidiano (LCR) com valores anormais,  Onicólise e distrofias.
evidenciando acometimento precoce do SNC. As  Manifestações
manifestações do secundarismo desaparecem sem oftalmológicas, auditivas,
tratamento. musculoesqueléticas,
 Período de latência: 6 meses após o período secundário, paciente renais, hepáticas, gástricas
entra em latência, no qual a sorologia é positiva sem haver evidência e cardiopulmonares podem
clínica da infecção. Em alguns pacientes, pode haver lesão. ser observadas na fase
secundária, quando
QUADRO CLÍNICO: também se observa
linfadenopatia em 50 a
SÍFILIS RECENTE: Período primário ao 80% dos casos.
latente.  Cefaleia e meningite
 Lesão indolor, com bordas (comprometimento do SNC
elevadas e endurecidas. ainda na fase secundária).
 Homens: prepúcio e
glande. SÍFILIS LATENTE: Nesse estágio
 Mulheres: canal não ocorrem manifestações clínicas Lesão secundária na língua, com presença de áreas
vaginal, colo do útero, ou alterações radiológicas; somente despapiladas.
lábios, uretra e a sorologia é positiva – os títulos são variáveis, dependendo do tempo de
períneo. evolução.
 Homossexuais: ânus e
reto. SÍFILIS TERCIÁRIA OU TARDIA:
 Extragenital: lábios e
língua.  1/3 dos pacientes com sífilis latente não tratada desenvolve sífilis
 Linfonodos infartados na região tardia.
inquinal.  Características: manifestações cutâneas, cardiovasculares e
 Após 1-5 semanas, o cancro Lesão de sífilis primária (indolor, bordas endurecidas neurosífilis.
mole desaparece e inicia o e elevadas).  Manifestações: lesões nodulares e gomosas, formando placas
estágio de sífilis secundária. indolores.
 Início do período secundário: erupção macular, de coloração  Entre as manifestações cardiovasculares mais
rósea (“roséola sifilítica”), lembrando quadro alérgico ou viral. importantes estão aortite, aneurisma aórtico, estenose
Gradualmente, essa erupção macular evolui para lesões papulosas, coronariana, insuficiência da válvula aórtica e miocardite.
papuloescamosas, placas e, às vezes, lesões papulotuberosas ou  Neurosífilis: meningite, neurosífilis parenquimatosa,
nodulares. atrofia óptica e paralisia geral.
 As lesões podem simular psoríase, hanseníase, líquen  O exame sorológico do LCR é o melhor método para
plano, sarcoidose e outras afecções dermatológicas. diagnóstico e resposta ao tratamento.
 A superfície palmoplantar é frequentemente afetada,
podendo apresentar lesões papuloceratósicas. As lesões SÍFILIS CONGÊNITA:
de localização palmoplantar são muito sugestivas de sífilis  Transmissão por via placentária ou parto.
secundária.  A infecção pelo T. pallidum durante a gravidez pode resultar em
parto prematuro, morte intrauterina, morte neonatal ou sífilis
congênita, a qual, clinicamente, pode ser dividida em precoce e
tardia.
 O bebê, nos dois primeiros anos, apresenta lesões de sífilis primária,
baixo peso, dificuldade respiratória, irritabilidade, choro débil,
rinorreia sanguinolenta, linfadenopatia, osteocondrite,
hepatoesplenomegalia, anemia, icterícia, trombocitopenia e
pseudoparalisia de Parrot, paralisia, surdez, cegueira.

Sífilis secundária (tubérculos e pápulas em várias Sífilis secundária (pápulas).


localizações.
DIAGNÓSTICO:

SÍFILIS PRIMÁRIA:
 Pesquisa de Treponema em campo escuro.
 Exame histopatológico.
 Coleta de LCR (em caso de neurosífilis).
 Teste rápido do tipo ELISA, apresentando sensibilidade de 100%.
 Exame clínico.

TRATAMENTO:

SÍFILIS PRIMÁRIA:
 Penicilina G (2.400.000 UI), 1.200.000 em cada glúteo.
 Em caso de alergia à penicilina G, eritromicina ou tetraciclina
(500mg, VO, 6/6h, 15 dias) ou ceftriaxona (250mg, 1g/dia, a cada 2
dias por 10 dias).

SÍFILIS SECUNDÁRIA:
 Penicilina G benzatina, 2.400.000 UI, por via intramuscular, uma vez
por semana, durante duas semanas, na dose total de 4.800.000 UI.
 A tetraciclina ou a eritromicina, durante 30 dias, é recomendada para
pacientes que tenham alergia à penicilina.

SÍFILIS TERCIÁRIA:
 Penicilina G benzatina 2.400.000 UI, por via intramuscular, uma vez
por semana, durante três semanas, na dose total de 7.200.000 UI.

NEUROSÍFILIS:
 Penicilina cristalina, 4 milhões de unidades, VI, de 4 em 4 horas,
durante 15 dias.
 Nos casos de neurossífilis assintomática recomenda- se tratamento
ambulatorial com penicilina G procaína – 600.000 UI, por via
intramuscular, em dose única, diária, durante 20 dias.
 Alergias à penincilina:
 Cloranfenicol: 500 mg, de 6 em 6 horas, por via oral,
durante 15 dias.
 Doxiciclina: 100 mg, 12 em 12 horas, por via oral, durante
15 dias.

O tratamento é o mesmo para grávidas, exceto o uso de tetraciclina, que


é teratogênico.