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CEOGRAFIA FISICA (?) GEOGRAFIA AMBIENTAL (?

)
ou GEoGRAFTA E AMBIENTE (l)

Dirce Maria Antunce §ucrtegurey

Inicio minha intervenção nesta mesa dizendo quÊ faler de


geografia ambiental náo é necessariamente redundante, ma8 80ê, rcm
clúvida, estranho. Em primeiro lugar, minha intençáo é dircr porque
não seria redundante para, posteriormente indicar que, mcomo náÔ
sendo redundante, é inadequado.
Mais recentemente, temos sugerido uma leitura do eapeço
geográfico que o conceba como uno e múltiplo. Sua compreênleot
portanto, só se viabilizaria a partir de uma leitura calcada em difcrcn'
tes conceitos. Os conceitos que, em meu entendimenton decifrem o
espaço geográftco sáo, entre outros, regiáo, paisagem, território, rcde,
lugar e ambiente. Isto significa dizer que, quando pensâmog o e0psço
geográfico, compreendemo-lo como a conjunçáo de diferentçt c&tê'
gorias, quais sejami Ítatuteza, sociedade, espaço-tempo. Estae cstcgo'
rias transformam-se com a histórica mudança do mundo; por
consequência, transforma-se o espâço geográfico, bem como ô con'
ceito de espaço geográfico. Assim, quando fazemos a leiture do ecpe'
ço geográfico a partir de um desses conceitos, temos imbricadao todae
as demais relações. Entretanto, ao ttilizat um conceito Ê náo outro
estamos optando por enfatizar uma dimensáo passível de ser analica'
da e náo outra. Ou seja, pensando dessa forma temo§, âo fazer opção
pelo conceito de território, a análise do político; da regiâo' o econÔ'
mico, ou o cultural; da paisagem ) a nat:uÍeza, ou â cultura; do lugar,
a subjetividade humana, ou a coexistência; da rede, as conexÕes entre
nós, pontos ou lugares de diferente nat:ueza política, econÔmica, cul-
tural; enfim, ao pensarmos ambiente, temos a análise das transfigura-
ções da narureza e da naturezahumana. Estes exemplos indicam, em
meu entendimento, a persistência em todas as dimensões analíticas,
Francisco Mendonça e Salete Kozel (Orgs.)
Elementos de Epistemologia da Geografia Contemporânea

rlacluilo que fundamenta historicamente a análise geogrâfica: a rela-


mas delas é visível umâ construçáo teórico-metodológica de maior
ção natureza-sociedade, ou dito de outra forma, a busca de conexáo consistência. Este é o caso da geologia, da biologia e da geomorfologia,
entre a dimensáo natural e social. Entretanto, embora a persistêncian por exemplo, paÍa falar do que conheço mais proximamente,
essa relaçáo náo é necessariamente desvendada quando se constrói
Independentemente desta prática, alguns geógrafos busca-
uma análise do espaço geográfico. Isto porque o olhar através de um
ram construir um conhecimento mais conjuntivo. No Brasil, esta pers-
conceito constitui um filtro que ressalta o que esse conceito indica. pectivâ tomou como referência a abordagem sistêmica. O método
Sendo assim, acreditamos não ser redundante Íalar de geografia
sistêmico proveniente da biologia dos anos 20 foi adotado na geogra-
ambiental, ou seja, nem toda a análise geográÍica ressalta, ou tem
fia com o objetivo de promover uma análise integrada da natuteza.
como objetivo enfatizar a transfiguraçáo da natueza pela prática so-
Tornaram-se clássicos entre nós os textos de Sotchava (1,977), Thicart
cial, portanto, não objetiva explicitar questões ambientais. porém, náo (1,977), Bertrand (1982), entre os pesquisadores externos, e os de
consideramos apropriada a denominaçáo geograÍia ambiental, pois
Christofolettí (1,979) e Monteiro (2000) entre os geógrafos nacionais
implica em qualificar a geografia. Assim, a geografia poderia ,.id"- que buscaram a integraçáo a partir deste caminho analítico. Náo
nominada de ambiental como poderia também ser denominada de
obstante, em nossâ leitura, o que observamos é que a busca de articu-
territorial, ou regional ou das paisagens, como, inclusive, no passado laçáo na perspectiva sistêmica ultrapassou a dimensáo analítica refe-
já foi denominada.
rente à materializaçáo do que se convencionou chamar de natureza.
Sobre a questáo ambiental, outrâs reflexões são, em meu en-
Ao buscar este caminho construiram-se conceitos como o de
tendimento, significativas. Estas dizem respeito às conexões entre a geossistema, que, por sua vez, ultrapassa nâ sua construçáo a integraçáo
geografia física, a concepção de natureza e de ambienrc, Area, carego-
do conhecimento da natureza. Ultrapassa, porque inclui o homem (a
ria e conceito imbricados na dimensáo ambiental.
açáo do homem) neste contexto. Estâ concepção, ainda que naturali-
ze o açáo do homem, impóe uma outrâ discussáo que, em nosso en-
tendimento, ultrapassa a geografia física. Ultrapassa, na medida em
que resgâta para a análise a dimensáo antrópica, característicâ centrâl
Geografia física e sua superação da geografia enquanto ciência darclaçáo nat:ureza e sociedade.
Outro dado que nos parece importânte considerar quando
nos referimos à geografia física diz respeito ao advento da questáo
Uma breve análise da construção da geogr afia física, a partir ambiental. O termo ambiental, para além de todas as conceituações
de meados do sóculo XIX, tomando como ponto de partida a defini- expressas, indica a compreensáo do ser na relaçáo com seu entorno'
ção de geografia física proposra por Humboldt (1982) nos permire Este ser pode ser entendido individualmente ou coletivamente, de for-
dizer, com cetteza, causando polêmica que a geogr afia física.ráo .orrr- ma genérica e nataralizada, ou como um ser social e historicamente
tituiu um campo de conhecimento passível de ser pensado de forma construído. Estas formas de compreensão promovem leituras diferen-
conjuntiva. ciadas da questão ambiental e expressam a tensáo relativa a diferentes
Dizemos isto baseados na história do conhecimento da na- concepçóes de mundo. Resgatam a importância da compreensáo
rureza, pautado na modernidade pela compartimentação. Esta pers- socioeconômica nas transformações da flatrueza, nâs suas derivações,
pectiva analítica promoveu o esfacelamenro desta área da geogiafia, nos impactos... Daí o questionamento: esta dimensáo analitica ainda
denominada de geografia física, nas, entáo, conhecidas srrbáivisO.s. é passível de ser reconhecida como compreensão danatateza ou como
Durante o século XX, tivemos uma construçáo do conheci- geografia física? Náo estaria a questáo ambiental promovendo uma
rnento cla natureza dividido em subáreas do conhecimento. Em algu-

â L1,2 ê
Francisco Mendonça e Salete Kozel (Orgs.)
Elementos de Epistemologia da Geografia Contemporânea

construção que ultrapassa o campo especificamente da geografia


íísi, que entende a construçáo humana como natureza. Em sendo assim,
esra remática-e*igindá um repensa, *"i, .?"i""rir*
;al fo.esraria
da própria geograÍia e, paÍaalémãela, ,r- ,.p.rrru. eleriva daí a leitura de natuteza como organismo auto-eco-re-
,;;ã;i;lt
rsclpllnâr Ç" rrrganizacional (MORIN, 1.9 9 0),ou seja, nat;uitezaé a autorreproduçáo
interdisciplinar?
Enfim, num mundo que se unifica pela produção e reprodu. tfti ser/seres na sua relaçáo com o entorno. A natureza, náo sendo
cxterna ao homem, se âuto produz com â presença humana' O que
çáo da na.oreza rornada mercadoria, discutir uà^rur")^. ,
ambiental resgata a unidade da geografia. {r".tao rlistinguiria, enráo, \atúf eza de humanidade/sociedade. segundo Mil-
ton Santos, isto pode ser diferenciado pela distinçáo entre coisas (na-
tureza) e objetos (tudo o que é produzido com uma intencionalidade).
A obra de Milton Santos (1,997) expressa essa diferenciaçáo
e, ao mesmo tempo que diferencia, remete à discussáo sobre a conS-
Sobre natuÍeza
trução de outra natúÍeza. Que natureza seria essa?
ParaMilton Santos (1.997), a natuÍeza a que se refere é uma
natufezà artificial, tecnificada. Esta interpretaçáo associa-se ao con-
A geografia, ao longo de sua história, trabalha com o con- rexto arual, denominado por ele de período "Técnico CientÍfico
ceito de natureza. Este conceito enquânto construçáo
curturar é com- Informacional". Neste momento histórico, "náo nos é permitido pen-
preendido de diferentes maneiras. Fur.-o, aqui sar a natureza como primariamente natural, ou melhor, como decor-
áuas referências. A
primeira diz respeito ao conceito d.e natureza que rente de processos que advém exclusivamente de suâ auto-organíza'
está subjacente à
concepçáo de geografia desde sua autonomia, perpassando'pela
sua ção" (SUERTEGARAY, 2000)'
construçáo ao longo do sécuro XX. Thata-s. d, .o.r..pção
de nature- Isto exige uma reflexão efetiva sobre o que é natureza hoje'
z_a como algo externo ao homem.
Nesse sentido, nutirrr^é concebi_ Algumas proposiçóes encaminham a discussáo. Milton santos \1997)
da, conforme Suarr Mill apud Drouin (1991), áomo .,...a
parte que qoãtifi., a flatrfieza denominando-a de flatoreza artificial, ou
em todas as coisas e no próprio homem, escapa ao querer
Àumano,,. tecnificada, ou ainda, nat;uleza instrumental. Isto porque a técnica no
Entendida como ral, a naftreza na geografiafài ."urâ
d^ org;nir^çao seu estágio atual permite a intervençáo, náo só nas formas, como no§
social, foi possibilidade de .o.,rt.Jçaã social medianre pro..rrã, naturais. Alguns exemplos cabem para melhor ilustrar: a
o írrio, o,
menor grau de desenvolvimento técnico, foi recurso
mediado pelo intervenção no ciclo cicardiano de maneira genetalizada, seja entre o§
trabalho na produção de riqueza. homens, onde a necessidade do relógio na vida diária constitui um
. Assim, naturezapode ser compreendida de forma diferencia- exemplo expressivo, seja entre os animais e vegetais âtravés da acelera-
da, podendo ser a .rp..rião de um "sistema total das pata a consumo
coisas com to- çáo nôs processos de produçáo e reprodução destes
das suas propriedadel"l_o_, .,o que em nós ou fora ho-rro. Além deste exemplo, cabe registrar a constituiçâo de §emen-
de nós náo depende
de nossa intervençáo" (sruART MILL apwd DRorJrN, iq9rj. tes transgênicas, assim como a transmutaçáo de animais (ovelha Dolly),
.homem Na primeira leitura, podemos pensar as coisas externas ao entre tantos outros mais comumente lembrados, O efeito estufa e a
como natur eza; jâ no segundo .rro, pod.-o, p"rrrr,
,*, camadade ozônio (na climatologia), as águas superficiais contamina-
dimensáo do humano, aquilo qr.'.r.rp, d. ,or* i"r"*á"fà"
como das (na hidrologia) e os depósitos recnogênicos (na geomorfologia/
natural. Resulta desras concepções caminhos analíticos
diferenciados: geologia). Tlatar-se-ia a nat:urezL nesta circunstância, náo mais como
de um lado temos uma natureza externa ao homem, .orr,rrto-d.
to_ ú-" ài-.nsáo de interface com a sociedade, mâs como uma dimen-
d.nr *1. coisas produzidas sem a intencionalidrd"
h,r*""âl^porr"r,ro, sáo de transmuraçáo/transfiguraçáo. o termo transfiguraçáo aqui
algo dirtinto ao homem. De outro lado, remos um caminho
analítico adotado é entendido conforme apresentâ Maffesoli (1995) "transfi-

ô 1,14 &
Francisco Mendonça e Salete Kozel (Orgs.)
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guração é a passagem de uma figura para a outra. Além disso,


ela é dc perspectiva d,a geografia, retomâ-se um pensamento coniuntivo, onde
uma certâ maneira, mesmo que mínima, próxima da possessáoo
(MAFFESOLT, 1,99s). Assim, umâ narurezá possuída p.io meio ambiente vâi sendo pensado como ambiente por inteiro, na me-
horoem dida em que em sua análise exige compreensáo das práticas sociais,
transfigura-se, adquire uma ouffa dimensáo" (súrnrpceRAy,2000
. clas ideologias e das culturas envolvidas. Sob esta perspectiva, entre os
geógrafos brasileiros, cabe destacar Gonçalves (L989)-

Ambiente e geografia

Ambiente e espaço geográfico


Ao retomarmos a discussão do ambiente o fazemos, da mes-
ma forma que nos itens anteriores, a partir de uma breve construção
da geografia. Esta, como área de conheiimento, propóe
O espaço geogrâficorconforme o concebemos, é uno e múl-
historicamente tiplo. A g"og.àfir, ao longo do seu tempo de construçáo, definiu es-
para seus estudos a compreensáo da relação homem x meio. para
geógrafos, o espâço geográfico é um ionceito que expressa
os pàço geograiico de diferentes maneiras. Esras concepções, de maneira
interaçáo, ainda que tenha sido compreendida de diierentes maneiras.
essâ ámpla, trataram sempre de definir o espâço geogrâfico.como uma
Para lembrar algumas, citemos as fórmas mais clássicas de ,.riidrd" a ser lida a partir da materializaçâa da vida humana na
conceber superfície daTerta,ou seja, busca na geografia a construçáo de unida-
esta relaçáo, ou seja, o determinismo geográfico (onde a
natureza é a di natarezalsociedade. Esta busca de coniunçáo nos coloca, hoje, numa
causa); o possibilismo geográfico (onde o mundo humano constrói
possibilidades récnicas de utilizaçâo da natureza); a interaçã.o situação singular. Nossa história de construçáo teórica orientou-se na
dialética tentativa de articulaçáo, na prática (leia-se ao construir-se a geogra-
(onde o ambiental é resultado da relação contraditória
.nire natureza fia, enquanto uma leitura de mundo) tornou-se, como todas as ciên-
e sociedade mediada pelo trabalho), a compreensão fenomenológica/
hermenêutica (onde nâohâ separaçáo entre ser e ambiente). cias, fragmentada.
Náo obstante, cabe ainda esta discussáo. Particularrnente,
Na sua origem, a discussão desta relaçáo buscava uma
interação homem x meio e compreendia meio comà sinônimo após os anos 70, com o advento de discussáo ambiental, náo só a
de na- geografia,em particular, mâs a ciência de maneira geral, coloca a que§-
tural, ou seja, nesta visão o homem era entendido como externo ao
meio, ou externo à natureza. Ao longo do tempo, a geografia vai íaoÁ"relaçáo natuÍeza uersus sociedade no centro da discussâo.
Este debate está pautâdo pela análise do rnundo construÍdo
transformando sua compreensáo . prrr, , p.rr.ri o ,-Ibi.it. .o*o
sob as perspectivas que se denominavam de modernidade e que, entre
homem/sociedade e seu entorno. o homem não só está envolvido
pe- tantas consequênciai, desencadearam um processo progressivo de se-
los 'objetos e ações", mas envolve-se com eles, numa lni.graçao
paraçáo do tromem da natureza; umâ compreensâo de natureza como
conflitiva. o conceiro de ambiente, segundo alguns áurores.o-JA[rr,
e silvestre (1994), elimina, num daào momãnto de sua construção, ,..rrro a suprir as necessidades humanas inatas e me§rrlo criadas cul-
'otoda a tensão, toda a contradição e, neste particular, a tensáo
turalmente. Um desenvolvimento técnico-cientÍÍico capaz de trans-
cial qual seja, a de ser o homem sujeito. O único sujeito em um
essen- formar as condiçóes de produçáo, capaz de transformar o mundo do
mundo trabalho e aindi capaz de adensar e, portanto, artificializar/transfigu-
oposto a ele".
As tendências mais atuais, entretanto, tendem a pensar o am_
rar a natureza.
Nesta conjuntura, retoma-se o conceito de ambiente e este se
bientc sem negar as tensões sob as suas diferentes dimàsões. E, na
impóe na discussão. A geografia reroma a sua história, reavalia-se e
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Francisco Mendonça e Salete Kozel (Orgs.)
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faz sua própria críticaao desvendar


suas diferentes formas de compre-
ender a questão ambiental. tlctânto, nenhuma destas discussões prescinde das determinações ex-
Assim, retomar o conceito de espaço geográfico llressâs em uns e em outros (SUERTEGARAY 2000).
e repensar Enfim, cabe dizer, em conclusão, que, ao tratarmos do espa-
com ele o conceito cle ambiente é, do nosso
ponto de vista, tarefa que geográfico na sua face ambiental, implica conceber que: 'A presen-
se impôe aos geógrafos. ço
Objetivando contribuir com este debate, çe do homem concretâmente como ser natural e, ao mesmo tempo,
expressamos algu_ como alguém oposto à natureza promoveu/promove profundas trans-
mas ideias já esboçadas em outro momento
sobre Espaço Geográfico Íormações na natuÍeza em si mesma e nâ sua própria Íratt:ireza..."
Uno Múltiplo (SUERTEGARA! 2000).
Em nossa (SUERTEGARAY, 2000). Esta transformação vimos chamando de
espaço geográÍico é o conceito
-compreensão,
balizador da geografia. transfiguração. Significa dizer que o homem, por meio de seu desen-
aanárise g.ograÍir^se efetiva arravés cre con_
ceitos que denominamos operaciúaiã. volvimento técnico é capaz de, náo só intensificar processos naturais,
conform.;a
início deste texto' muitos são esres conceitos; ".r r.r.ii-or
a título de exempro
rro como também produzir novos. Estas práticâs, como anteriormente
costumâmos lembrar os mais evidentes: nos referimos, transfigutam a flaüJtez1 ou seja, transformam-na em
região, r.rritJrlo,-t,rg ar, pai-
sagem, redes, geossistema e ambiente. outra figura, em outra coisa, que poderá conter a fig:ua de origem,
Aqui, é nosso inreresse particular enfatizar a mas não será mais a mesma.
-
ambiental, não obstante cabe .r,pr.rrr.
discussáo Comporta pensar esta questão, ao pensar em geografia. A
como o conceito de ambiente
pode ser uma expressão do g.ográfi.o. Í7atl.ÍezL náo a sua transfiguração, recria-se em novas formas
Po9.-os pensâr o espaço geogrâficocomo um tecnificadas I artiÍicializadas, cu j a pres e nça na sup erfíci e da Ter r a já sáo
-, . .
e múltiplo aberro a múrtiplas à.i.ríri.rãçoes.
conjunto uno evidentes.
Esras podem J.. nau, . Essas novas formas indicam aos geógrafos a necessidade de
se expressam através de diferentes
conceitos. Assim, àrpuço geográfico
poderia ser entendido como um disco, reflexáo epistemológica. Caminho árduo, mas necessário, se quiser-
a exemplo do disco de Newton.
o disco serorizado em diferent.s áreás opr.rru a possib,ida mos construir um diálogo interdisciplinar que contribua para a deci-
d,e anarí- fraçáo clas coisas e dos objetos que, em interaçáo entre si e com os
tica de leitura do espaço geográfico a partir
de diferentes conceitos. homens e mulheres vivendo em sociedade, configuram a materialidade
Ou melhor, podemos ler o erprço_ g.ogra,Írro.;q;;;;;;ii]r*,
ritório, região, ambiente etc. Cada ,elo, do ,"r_ da vida.
dir;o ;.pr;;;;i", ,irao
analítica privilegiada.f?.1."T ou ourro geógrafo.
Assim, remos, nesta
representação, a possibilidade de diferente,
l.it,rrrr. Erír.t*ro, ,, .r_
paço geográfico é dinâmico. A dinamicidad.
do ;rp;;;-ã.ãgrari." e
represenrada pelo movimenro, no caso,
o girar do dircà. ó *iri_.rr_
Referências
to exp.ressa a conjunção de cores (branào), ou seja,
rnultiplicidade. O esoaço geográfico'pode
, ,rriJud. ,r,
ser lido, !ntáo, ,rr*e, a.
cl i fere,tes conceiros à. y
;;rg;;; .1..i i*rtrorio, e/ou lugar, e/ou am_
bicnte, sem desconhecermos que cada
ALIAIA, F.; SILVESTRI, G. El paisage en el arte
Centro Editor de America Latina, 1994.
las ciencias humanas. Buenos Aires:

uma destas discussões contém


its dcmais. Tsto porque .ada ,ma delas BERTRAND, G. Paisage y geograÍia física global. In: MENDOZA, J. G.; JIMINES, J. M.;
enfati za uma dimensão da
tr rntplcxiclade organizacional do espaço CANTERO, N. O. (Orgs.). El pensamiento geográfico: estudio interpretativo y antologia de
geográfico: o econômico/cul_ textos (de Humboldt a 1as tendências radicales). Madrid: Alianza Editorial, 1982.
ttrr{l (rur prisagem), o polírico lrro't...itãiã;, a exist.n.o
xtrlrjrtivir (n<r lugar), a iransfigur açao da J;ãtr, CHRISTOFOLETTI, A. Análise de sistemas em geografia. Sáo Paulo: H:ucitec, 1979.
natureza (no ambiente). En-"

,t
tl8 s:r:
I F'rancisco Mendonça e Salete Kozel (Orgs.)

l)I{OUIN, J. M. Reinuentar d ndturezd: a ecologia e a sua história. Lisboa: Instituto piaget,


t991.
(;ONÇALVES' c' §fl p os (des)caminhos do meio ambiente. sáo pauro: contexto,
19gg.
HUMBOLDT, A. von. C_gynos: ensayo de una descripción física
del mundo. Iu
MENDOZA, J. G.; .fIMENEZ, J..M.; CANTERO, N. O. (órgs.).
EL pensamiento geográ.
(go:-elyudig inrerpretativo y aniologia de textos (áe úr-boràt a las tendencias ."ai.rtes1,
Madrid: Alianza Editorial, 1,982.
MONTEIRq c. A. de F- Geossistemas: a história cre uma procura. sáo paulo: contexto,
2000.
MORIN' E' Introdução ao pensamento comprexo.2. ed. sáo paulo:
Insdtuto piaget, 1990, GEOGRAFTA S O CIOAMBIENTAL
sANTos' M' A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoçáo.
2. ed. São paulor
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TRICARI J. J. L. Ecodinâmica. No de Janeiro: IBGE - Supren, 1977.


A crise ambiental não é crise ecológica, mas cnse
da razão. Os problernas ambientais são, fwndamentalmente,
problemas do conbecimento. Daí podem ser deriuadas fortes
implicações para toda e qualqwer política ambiental - que deue
poitn po, u*o política do conbecimento -, e tambérn para a
educação. Apreender a complexidade ambiental não canstitui
urn problema de afrendizagens do meio, e sim de compreen'
sôo do conhecimento sobre o meio.
(LEFR 2001, P' 217)

Introduçáo

Cenário de intensa crise e de profundas mudanças, a mais


profunda crise da humanidade (MoNTEIRO, 19BB) e de civilização
o Texto original enviado para publicação na revista Tena Liue da AGB - Associaçáo dos
Geógrafos Brasileiros.

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