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O “PEQUENO MUNDO” DOS HISTORIDORES

Neste capítulo, a autora Ângela de Castro Gomes irá apresentar algumas


características do suplemento Autores e Livros dirigido por Múcio Leão do jornal
A Manhã.
Primeiramente, farei uma breve exposição de Mucio Leão.

SOBRE O AUTOR

Múcio Leão (Múcio Carneiro Leão), jornalista, poeta, contista, crítico, romancista,
ensaísta e orador, nasceu no Recife, PE, em 17 de fevereiro de 1898, e faleceu
no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de agosto de 1969.

Foram seus pais o Dr. Laurindo Leão e Maria Felicíssima Carneiro Leão. Fez os
estudos secundários no Recife, no Instituto Ginasial Pernambucano, de Cândido
Duarte. Bacharelou-se em Direito em 1919, e logo a seguir transferiu-se para o
Rio de Janeiro, vindo a ser redator do Correio da Manhã. Logo depois era
colaborador da primeira coluna daquela folha, publicando ali seus primeiros
artigos de apreciações críticas. Em 1923 deixou o Correio da Manhã,
transferindo-se para o Jornal do Brasil. Na coluna de crítica do Correio da
Manhã foi substituído por Humberto de Campos a quem ele, por sua vez, haveria
de substituir em 1931.

Em 1934, por morte de João Ribeiro, substituiu-o na coluna de crítica do Jornal


do Brasil. Em 1941 fundou, com Cassiano Ricardo e Ribeiro Couto, o matutino A
Manhã, onde criou o suplemento literário “Autores e Livros”, que dirigiu desde
então, e que se transformou numa vasta e preciosa história da literatura brasileira
(11 volumes de 1941 a 1950).

Múcio Leão exerceu os seguintes cargos públicos ou comissões: oficial de


gabinete do Ministro da Fazenda (1925); fiscal geral das Loterias (1926); agente
fiscal do Imposto de Consumo (1926); presidente da Comissão de Teatro do
Ministério da Educação (1939); professor do curso de Jornalismo da Faculdade
de Filosofia da Universidade do Brasil.
Na Academia Brasileira de Letras, foi segundo-secretário (1936); primeiro-
secretário (1937, 1938); secretário-geral (1942, 1943, 1946 e 1948) e presidente
(1944). Organizou inúmeras publicações, notadamente a obra crítica de João
Ribeiro: Estudos críticos (1934), Clássicos e românticos brasileiros (1952), Os
modernos (1952), Parnasianismo e Simbolismo (1957), Autores de
ficção (1959), Críticos e
ensaístas (1959), Filólogos (1961), Historiadores (1961). Em 1960, proferiu uma
série de três conferências no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sob o
título “O pensamento de João Ribeiro” (publicadas na Revista do Instituto, vol.
248, julho-setembro de 1961).

CARACTERÍSTICAS DE AUTORES E LIVROS

- Multiplicidade temporal: primeiramente a autora discute sobre a questão


temporal, onde ela demonstra que há multiplicidade temporal. Segundo ela, há
o tempo dos autores homenageados, o tempo dos seus comentaristas, o tempo
em que aludido caderno/suplemento era dirigido por Múcio Leão. Ela lembra que
apesar de muitos autores já terem morridos, no que pertine a produção
intelectual, muitos ainda continuam produzindo obras como se vivos fossem.
Inclusive é de conhecimento de todos que muitas obras são publicadas após a
morte do autor.

- Conteúdo: os escritores recorrem a uma série de “fatos”.

- Origem dos autores: Apesar de existirem exceções as quais serão


comentadas posteriormente pelas planilhas, falando politicamente, maior parte
destes autores pertenciam a alta aristocracia brasileira, ou seja, maior parte
vinham de famílias bem sucedidas, os quais podiam oferecer bons estudos aos
seus filhos. Alguns, os mais velhos foram estudar na Europa e outros (maior
parte) concluíram o ensino superior aqui no Brasil, nas tradicionais escolas de
direito, medicina e engenharia do Rio, Recife, São Paulo, Salvador e Ouro Preto.
Maior parte destes autores, passaram pelo colégio Pedro II, quer como alunos
quer como professores. Na época, estes contados com o colégio e cursos
superiores além de contribuírem na formação intelectual, pois ali poderiam trocar
idéias, era também um meio de se estabelecer contato social intelectual, o qual
trouxe a estes autores prestígios de maneira que fossem homenageados.

- A importância da atividade jornalística: outra característica relevante da


época estudada pela autora é com relação ao exercício da atividade jornalística
entre estes intelectuais, sendo que isto se dava por 02 aspectos: primeiro porque
naquele momento, o jornal servia como meio de expressão intelectual o qual
levava suas idéias à um público inusitado, segundo porque era meio de obtenção
de uma boa renda.

Isto se dava devido ao fato de que naquela época quase que inexistia
publicações de livros, eram raríssimas as publicações, sendo que quando algum
autor publicava um livro, a obra era impressa na Europa e muitas das vezes os
gastos eram por conta do próprio autor ou por patrocínio.

Naquela época o jornal era considerado um meio imprescindível para aqueles


que almejavam uma amplitude profissional, era um meio de ingresso intelectual,
expansão contatual política e social para aqueles que quisessem crescer
profissionalmente. Trabalhar num jornal era uma honra para estes intelectuais,
era o início de sua carreira.

O jornal tinha como função a formação de opinião pública. Servia para


propagação política, sendo que muitas das vezes era um meio de articulação
política utilizado por oportunistas os quais se desviavam de suas funções básicas
para discussão de suas idéias e opiniões.

Outro meio de comunicação bastante utilizado era a revista, a qual igualmente


ao jornal, além de servir como ascensão intelectual também era um meio de
divulgação/manifestação de idéias da época.

Este meio jornalístico era utilizado para debates dos problemas brasileiros
enfrentados na época.
Muitas das vezes aqueles temas polêmicos discutidos neste meio de divulgação
chegavam a tomar forma de livros.

Voltando as características de Autores e Livros, no que pertine ao “pequeno


mundo” dos historiadores, podemos dizer que por meio deste caderno
detectamos informações sobre a participação destes intelectuais neste meio
jornalístico o qual é utilizado como um meio de ascensão profissional. Para a
autora este meios eram locais de sociabilidade intelectual, trocas de idéias.

Importante também lembrar que além do jornal e da revista ser o principal meio
de divulgação de notícias, também serviam para divulgar textos literários,
históricos, antropológicos, dentre outros. Podemos citar como exemplo
Capistrano de Abreu, que durante anos publicou seus trabalhos em jornais, os
quais foram reunidos em volume – Ensaios e estudos – após sua morte.

Com relação as revistas, importante mencionar sobre a Revista Brasileira a qual


serviu como um meio organizacional para que os intelectuais criassem a ABL
(Academia Brasileira de Letras) Importante lembrar que isto ocorreu durante a
República Velha, onde o intelectual procurou ser mais neutro com relação a
assuntos políticos, religiosos e culturais, e priorizar sua afirmação profissional
sob o mundo intelectual.

Deste modo, a Revista Brasileira torna-se a base geográfica e simbólica da ABL,


cuja figura excepcional é Machado de Assis.

Falar da pagina 50 n entendi.

Segundo a autora, neste período da estabilização da República até a pós guerra


os historiadores se ascendem profissionalmente, sendo reconhecidos tanto no
mundo intelectual como social. E isto se dá devido ao fato de que neste período,
os mesmos produzem seus melhores e mais comentados trabalhos.

Todos queriam participar da ABL, pois a academia era considerada uma forma
de prestigio intelectual. Porém, como toda regra há uma exceção, ao contrário
de outros historiadores, Capistrano de Abreu o qual foi convidado por várias
vezes a participar da academia, recusa o convite, o que o torna um homem
modesto e sem apegos a coisas materiais e o faz crescer no mundo intelectual.

Neste período os intelectuais resolvem mudar a visão de mundo dominante em


finais do século XIX. Quais seriam estas mudanças?

- “passaram a produzir “teorias” de interpretação da realidade brasileira que


combinavam antigas e novas linguagens e abordagens”; (Gomes, pag. 52)

Ou seja, continuaram a produzir a história do Brasil, porém, de uma maneira a


qual acompanhassem o desenvolvimento e a trajetória dos acontecimentos os
quais eram considerados importantes para época.

Outra questão bastante importante e que não podemos esquecer, é a


participação destes historiadores junto ao Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (IHGB), como já demonstrados em outros seminários, grandes nomes
integravam o instituto. Segundo a autora, naquele período de 1890 era bem mais
fácil entrar na ABL do que no IHGB.

Segundo o texto, apesar do IHGB ser mais antigo e voltado para o campo do
saber; devido ao fato de muitos historiadores serem os fundadores da ABL,
momento em que os mesmos têm posição reconhecida e de destaque; este (o
IHGB) aparece como sendo menos significativo que a ABL.

Diferentemente do ABL, o IHGB era um instituto mais tradicional, o qual


priorizava laços e contatos direitos com a elite, com quem detinha o poder
político.

Entretanto, embora fosse diferente do IHGB, ao contrário do pregado pela ABL,


segundo informações sobre a trajetória destes historiadores por Autores e Livros,
podemos perceber que os mesmos eram ocupantes de cargos públicos, e tem
forte carreira política, o que serve como elogio e destaque pelo jornal.
A mensagem passada por Autores e Livros é a de compatibilidade entre o
desempenho intelectual e político. Todavia, existem alguns pensadores que
discordam desta idéia, ou seja, entendiam que era impossível tal
compatibilidade. Inclusive João Ribeiro menciona que quando o homem político
queria se expressar publicamente por meio da imprensa, este se utilizava de
pseudônimos. Somente aqueles que não tinham vínculo com poder, escreviam
de maneira aberta e não se preocupavam com sua identidade, como é o caso
de Machado de Assis.

PLANILHAS

A autora nos traz várias planilhas as quais podemos identificar características de


vários historiadores da época.

Segundo este dados, podemos perceber que maior parte destes historiadores
vinham de uma elite como a professora já vem abordando desde o início, que
muitos estudaram em bons colégios como o Colégio Pedro II e cursaram ensino
superior no exterior. Enfim, tinham acesso a esta elite política que facilitava no
percurso de suas pesquisas.

Porém, como já dito inicialmente, existiam exceções, sendo que neste momento
tomarei algumas destas exceções contidas nas tabelas, que são pessoas que
vieram de uma origem pobre e que conseguiram se ascender intelectualmente.

Importante lembrar que a característica que estes historiadores tem em comum,


é o fato de que todos eles passaram pelo jornal, foram jornalistas, porque como
dito no texto, era uma meio pelo qual se fazia nome no meio intelectual.

CONCLUSÃO
Diante de todos os argumentos apresentados e debatidos até então, inclusive
mencionados em todos os seminários, podemos concluir que maior parte destes
intelectuais faziam parte da diplomacia brasileira, sendo que este fator era tido
como vantajoso no meio intelectual, pois estes historiadores teriam
oportunidades para viagens exteriores o que lhes trariam amplitude na área
acadêmica, onde poderiam ter acesso a fontes históricas as quais estavam
arquivadas como por exemplo, acesso a documentos os quais se encontravam
em Portugal e Espanha.

Para a autora, o autor-historiador do caderno Autores e Livros, tem mil e uma


utilidades, pois ao mesmo tempo que é pesquisador, é professor, é jornalista,
tem carreira política e diplomática, além de integrar vários postos importantes da
época, como ABL, IHGB. Enfim, devido a sua contribuição para a construção da
história brasileira, o autor-historiador tem grande relevância no mundo social.