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Seminário VII

SANÇÕES, CRIMES E
PRESUNÇÕES TRIBUTÁRIAS

Questões
1.Conceituar e apresentar as principais diferenças (se existentes) entre: (i) tributo, (ii)
ilícito tributário, (iii) infração tributária, (iv) multa tributária, (v) juros de mora; (vi) da
correção monetária (vii) crime contra a ordem tributária e (viii) sanção penal
tributária:

i) O conceito de tributo vem disciplinado no art. 3º do CTN como sendo “toda


prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que
não constitui sanção por ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade
administrativa plenamente vinculada.

ii) Ilícito tributário é o ato que viola dispositivo que estatui dever jurídico estabelecido
em lei tributária, de caráter não-criminal, submetido aos princípios do Direito
administrativo.

iii) Infração tributária é toda ação comissiva ou omissiva que viola os deveres jurídicos
estabelecidos no ordenamento jurídico tributário, sujeito aos princípios do Direito.

iv) Já a multa tributária é uma espécie de penalidade tributária, que consiste em uma
prestação pecuniária compulsória prevista no ordenamento jurídico em favor do
Estado, tendo por causa a prática de um ilícito (descumprimento de um dever legal).

v) Juros de mora é uma taxa aplicada ante o atraso do pagamento de um título de


crédito em um período de tempo. Os juros moratórios são uma espécie de pena
imposta ao devedor pelo atraso no adimplemento de sua obrigação.

vi) Conceito de correção monetária é um ajuste feito periodicamente de certos valores


na economia tendo em base o valor da inflação de um período, objetivando compensar
a perda de valor da moeda.

vii) Crime contra a ordem tributária é o comportamento comissivo violador do dever


jurídico, definido na lei penal.

viii) Já a Sanção penal tributária é conceituada como sendo uma norma jurídica em
que o Estado intervém como sujeito passivo da relação, sendo sujeito ativo a pessoa
que postula a aplicação coativa da prestação descumprida.

2.Há limites constitucionais para a eleição de hipóteses sancionadoras? As sanções


tributárias sujeitam-se aos princípios constitucionais tributários? Analisar
especificamente a aplicabilidade dos princípios da legalidade, irretroatividade, não
confisco, capacidade contributiva, tipicidade, segurança jurídica, proporcionalidade,
razoabilidade e anterioridade.

Sim, existem limites constitucionais às hipóteses sancionadoras. Todavia aplica-se


apenas os princípios da legalidade, tipicidade, irretroatividade e da segurança
jurídica.

No tocante aos princípios da anterioridade, do não confisco e o da capacidade


contributiva não se aplicam às sanções, mas apenas aos tributos. São princípios
constitucionais tributários e não penais tributários.

Princípio da Legalidade: pode ser aplicado ao Direito Penal Tributário, já que o


artigo 5º, XXXIX, da CF estatue “que não há crime sem lei anterior que o defina, nem
pena sem prévia cominação legal.

O artigo 97, V do código tributário estatue que somente a lei pode estabelecer a
cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos,
ou para outras infrações nela definidas.

Irretroatividade: Conforme dispõe o artigo 106, II, do Código Tributário, a lei aplica-
se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado:

a) quando deixar de defini-lo como infração; b) quando deixar de tratá-lo como


contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido
fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
cominar pena menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.

Desta forma, apenas retroagirá a lei que determine sanções tributárias cujos efeitos
retroagidos ao caso sejam mais benéficas aos contribuintes.

O princípio do não-confisco tributário: conforme estatuído pelo o artigo 150, IV, da


CF não é admitido instituir tributos com efeito confiscatório, pelo que este princípio
não se aplica ao Direito Penal Tributário, pois a penalidade não é tributo. Todavia
existe uma corrente que entende que a partir do direito de propriedade (artigo 5º,
XXII, da CF) é possível sustentar que a penalidade também não pode ter efeitos
confiscatórios.
Já o princípio da Capacidade Contributiva é estritamente tributário e não se aplica
ao Direito Penal Tributário.

Os princípios da Tipicidade e Segurança Jurídica: aplicam-se ao Direito Penal


Tributário;
Princípio da Anterioridade: no sentido do artigo 150, III, b e c, da CF não se aplica,
já que tais dispositivos se referem à instituição ou majoração de tributos.
Todavia tratando-se de lei anterior que defina o crime tributário, o princípio seria
aplicável.

3.Diferençar infrações objetivas e infrações subjetivas. Qual a natureza jurídica da


multa tributária aplicada em razão do não pagamento do tributo e/ou não
cumprimento de dever instrumental? O descumprimento de norma tributária em
decorrência de circunstâncias de força maior ou de caso fortuito excluem a
antijuridicidade da conduta?

As infrações objetivas ocorrem quando a intenção do infrator se torna insignificante


diante da atribuição da responsabilidade tributária. Desconsidera-se a participação
do infrator. Podemos citar o não pagamento de um imposto no prazo previsto na lei,
como exemplificação de uma infração objetiva.
Já as infrações subjetivas, estas levam em consideração a intenção na conduta do
infrator, podendo a atuação do agente ser dolosa ou culposa conforme o caso
concreto. Ocorre esta situação quando o contribuinte, de forma intencional, com
intuito de recolher quantia menor de imposto de renda, omite informações em sua
declaração de rendimentos.
Para Paulo de Barros Carvalho na infração subjetiva, exige-se a lei que o autor do
ilícito tenha agido com dolo ou culpa, e e exemplifica na ação do contribuinte
imposto de renda, que ao declarar, omite, intencionalmente, algumas receitas, com
o objetivo de recolher quantia menor do que a devida. Já na infração objetiva, regra
geral do CTN, “ex vi” do art. 136 caput, não é necessária a apuração da vontade do
infrator. Caso ocorra o previsto na hipótese normativa, qualquer que seja a vontade
do praticante, estará configurado o ilícito. Exemplo seria o do não-pagamento de
determinada quantia, a título de IPTU, nos prazos fixados na notificação de
lançamento, ocasião em que serão devidos a partir do prazo de vencimento, juros
de mora e multa de mora.

4. Quanto às multas tributárias:


a) Diferencie: (i) multa de mora, (ii) multa de ofício, (iii) multa agravada, (iv) multa
qualificada e (v) multa isolada.

Multa de Mora. A multa de mora não possui caráter punitivo sendo a sua finalidade
primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Elas são
devidas quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito
vencido.

Multa isolada = sanções pecuniárias cuja exigência é desacompanhada da cobrança


do valor devido a título de tributo principal é desestimular o cumprimento da
obrigação fora de prazo.

Multa de ofício: Tem como objetivo punir o contribuinte quando ele não tiver
cumprido espontaneamente, mesmo com atraso, a obrigação tributária, seja ela
principal ou acessória. Essas multas só serão aplicadas em procedimento de ofício,
sendo denominadas multas de lançamento de ofício ou multas de ofício.

Multa agravada é aplicada quando se referir às infrações que, tem um preceito


sancionatório superior devido ao seu maior potencial lesivo para os cofres públicos
ou da maior gravidade das condutas previstas. É o caso do agravamento toma fator
determinante a reiteração da conduta pelo mesmo sujeito passivo, elevando, ou
melhor, agravando a sanção para patamares superiores ao da multa isolada ou de
ofício.

A multa qualificada é aplicada com o fim de diferençar os comportamentos que,


punidos na esfera tributária, são qualificados, considerados e sancionados pelo
direito penal. São práticas que trazem consigo o elemento subjetivo dolo – direto e,
as vezes também o eventual – agindo o sujeito com dolo, fraude ou simulação. O
direito penal-tributário só se preocupou em criminalizar as condutas dolosas contra
o Erário. Não há crime tributário culposo, apenas dolo, direto (o sujeito quer
praticar a conduta) ou eventual (o sujeito não quer praticar a conduta, mas tem
consciência da consequências e assume o risco de prosseguir em seus atos e
produzir efeitos sancionáveis).

b) O não pagamento de tributo é hipótese suficiente para a imposição de sanção


ou somente para a cobrança da mora? Os juros de mora e a multa de mora podem
ser exigidos simultaneamente?
Sim conforme estatui o art.155 A parágrafo 1º do Código Tributário, dispõe sobre o
Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à
União, Estados e Municípios.

Art. 155. A concessão da moratória de maneira individual não gera direito adquirido
e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou
deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os
requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de
mora:
Parágrafo único. No caso do inciso I, o tempo decorrido entre a concessão da
moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à
cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer
antes de prescrito o referido direito.

c) É possível aplicação concomitante da multa de ofício, pelo não pagamento de


tributo apurado no final do ano-calendário com a multa isolada, cobrada pelo não
recolhimento da estimativa do IRPJ? Caso a resposta seja negativa, qual das multas
deveria ser aplicada? Analise a jurisprudência do CARF e do STJ (anexos I e II),
levando em consideração o artigo 112 do CTN.
Não é possível. CARF Afastou a aplicação concomitante das duas multas Súmula nº
105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com
fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida
ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado
no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Súmula nº 105 Fundamentos
Impossibilidade de exigência de multas sobre a mesma base de cálculo; e com o
encerramento do ano-calendário, desaparece o dever de pagar as estimativas, o
qual é absorvido pelo dever de pagar o tributo apurado no ajuste anual.
MULTA ISOLADA. ANOS-CALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO
POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM
LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação
concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas
e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que
ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela
Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (Acórdão
9101-001.203)
Lei nº 11.488/07 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as
seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou
diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou
recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50%
(cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:
[...] b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha
sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social
sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.

d) Quais os critérios para aplicação da multa qualificada? Defina os conceitos de


sonegação, fraude e conluio (vide anexo III). O Fisco pode requalificar uma
operação realizada pelo contribuinte como ilícita, aplicando multa qualificada,
sobre a justificativa de ausência de “propósito negocial”?

São a verificação da existência de conluio, sonegação e fraude.


O conluio encontra-se previsto na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, como
um penalidade quando aplicado contra o sistema de impostos, assim como a
sonegação e a fraude.
"Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou
jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts.71 e 72" (a sonegação e a
fraude de impostos, por exemplo).
Sonegação é a ação de sonegar, ou seja, não declarar algo, escondendo de maneira
fraudulenta para o benefício próprio e agindo contra o cumprimento da lei.
Fraude é uma ação ilícita e desonesta, caracterizada pela falsificação de produtos,
documentos, marcas, etc. O propósito da fraude é de enganar outras pessoas para
garantir benefício próprio ou de terceiros.
A fraude fiscal, por exemplo, se concretiza quando não há o cumprimento dos
deveres fiscais do indivíduo ou de uma empresa, como o pagamento dos tributos
obrigatórios ou a obtenção indevida de benefícios públicos
5.Em que constitui a denúncia espontânea? Identifique se as multas tributárias
são excluídas pela denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN nos
seguintes casos: (i) tributo declarado integralmente e pago de forma parcial ou
atrasada, antes do início de um procedimento fiscalizador; (ii) tributo declarado
parcialmente e pago, depois declarado integralmente, mediante retificação, e
pago; (iii) cumprimento de obrigação acessória a destempo (vide anexos IV e V).

ART 138 do CTN estabelece a definição da denúncia espontânea:


“Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração,
acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,
ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o
montante do tributo dependa de apuração.
Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início
de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados
com a infração.”
A denúncia espontânea, somente cessará a espontaneidade no instante em que se
inicie procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a
infração. A denúncia espontânea tem o condão de excluir a responsabilidade apenas
das multas punitivas, assim, das elencadas no enunciado, apenas a multa pelo não
pagamento poderia ser afastada.
O Superior Tribunal de Justiça consolidou sua posição no sentido de que o
parcelamento não pode ser equiparado ao pagamento para efeitos de gozo dos
benefícios da denúncia espontânea.
Citado entendimento, baseia-se, fundamentalmente, na literalidade do dispositivo
que versa sobre a denúncia espontânea.
Como se vê no art. 138, realmente, a exegese literal do dispositivo dá a impressão
de uma relação de contemporaneidade entre a confissão do contribuinte e o
pagamento do tributo, o que se nota pela inclusão da palavra “acompanhada”.
Ademais, afirma o legislador que, quando o tributo depende de apuração, deve a
autoridade administrativa arbitrar a importância para que o sujeito passivo possa
depositar. Ora, é razoável entender que o arbitramento por parte do Fisco se dá
para que o contribuinte possa, desde logo, depositar a quantia, o que redunda na
impossibilidade de adimplemento postergado.
Outro argumento bastante convincente é o decorrente da leitura do §1º de artigo
155-A do CTN, incluído pela Lei Complementar nº 104/2001, que aduz que: “salvo
disposição em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a
incidência de juros e multas”.
Dessa forma, se o parcelamento, por si só, não exclui a incidência de juros e multas,
fica evidente que se diferencia do pagamento imediato, como também leva a crer
que o fato de o parcelamento ter sido requerido juntamente à declaração não teria
o condão de elidir os juros e multas.
i) tributo declarado integralmente e pago de forma parcial ou atrasada, antes do
início de um procedimento fiscalizador;

Há casos em que a confissão do sujeito passivo quanto ao descumprimento de


obrigação tributária principal não necessitará de pagamento do tributo devido e dos
juros de mora. É o caso, por exemplo, do Imposto de Renda retido na fonte, onde a
confissão posterior do sujeito passivo oportunizará apenas uma menor restituição de
valores, não se exigindo nenhum pagamento posterior à denúncia espontânea. Parcela
da doutrina entende, portanto, que a expressão “se for o caso” se refere a tais
situações excepcionais, não autorizando a aplicação da denúncia espontânea à
confissão de infração a obrigações tributárias formais.

O STJ consolidou sua posição no sentido de que não exclui a multa moratória e não se
aplica o benefício da denúncia espontânea às responsabilidades acessórias autônomas,
sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.

Das dezenas de julgados nesse sentido, pode-se destacar, por sua atualidade e clareza,
o seguinte:

“TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA


DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de
afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma
vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias
autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP
- RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010)

Importante considerar que o Superior Tribunal de Justiça teve a preocupação em


delimitar a exclusão do benefício do artigo 138 do CTN às obrigações
acessórias autônomas. Obrigações acessórias autônomas são aquelas que estão
desvinculadas da obrigação principal. É o caso, por exemplo, da obrigação de não fazer
consistente na obrigação de não rasurar a escrituração fiscal. Tais obrigações não
repercutem sobre o valor do tributo a ser cobrado. Por outro lado, há obrigações
acessórias vinculadas, que são aquelas que interferem no valor do tributo. Exemplo
dessas é a obrigação de declarar a ocorrência do fato gerador que, desrespeitada,
redunda no desfalque do tributo devido.

É importante ressaltar que prevalecendo a tese de que a denúncia espontânea exclui a


responsabilidade pelo inadimplemento das obrigações formais, os prazos para
cumprimento de obrigações acessórias não seriam respeitados. Caso fosse possível
aplicar o benefício para tais espécies e obrigações, os prazos seriam desmoralizados,
pois o contribuinte poderia deixar para entregar a declaração na semana seguinte ao
termo final, visto que seria praticamente impossível ao Fisco formalizar o início de um
procedimento contra todos os contribuintes em atraso. De fato, o contribuinte não se
preocuparia em cumprir suas obrigações no tempo adequado, causando efeitos
nefastos à organização e ao desempenho das atividades de fiscalização e cobrança por
parte da Administração Tributária.

A Súmula 360 do STJ e os tributos declarados, mas pagos a destempo.

Os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o sujeito passivo identifica a


matéria tributável, efetua declaração e antecipa o pagamento do tributo sem prévio
exame da autoridade administrativa que, tomando conhecimento da atividade do
sujeito passivo, procede à análise e expressamente a homologa.

A declaração do contribuinte que, constitui por si só o crédito tributário.


Várias são as situações onde o sujeito passivo efetua declaração, constituindo,
portanto, o crédito tributário, mas não procede ao pagamento. Inobstante, requer a
aplicação do instituto da denúncia espontânea, sob o argumento de que confessou a
existência de obrigação tributária principal.

No entanto, tal pleito tem sido reiteradamente rechaçado pelo STJ cuja redação é a
seguir expressa:

“STJ 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a
lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.”

A denúncia espontânea se aplica naquelas situações em que o contribuinte, ciente de


que cometeu infração tributária, confessa a prática do ilícito. Ante esse
arrependimento, o Fisco agracia o contribuinte, excluindo as multas aplicáveis ao caso.

Neste caso, a Administração Tributária já sabe da existência do fato gerador, posto que
o próprio contribuinte declarou a sua existência. Assim, falta a principal peculiaridade
da denúncia espontânea, qual seja, propiciar, o conhecimento pelo Fisco de fatos
geradores antes desconhecidos.

Isso somente ocorre nos casos de efetiva denúncia espontânea porque o Fisco ganha
algo em troca: o conhecimento de fatos geradores que desconhecia.

6. Com relação aos crimes contra a ordem tributária, pergunta-se:


a) Qual o momento consumativo dos crimes contra a ordem tributária
previstos no art. 1º da Lei 8.137/90? Há necessidade de esgotamento da esfera
administrativa para a propositura da ação penal? (Vide Súmula Vinculante n. 24 do
STF e anexo VI e VII).
b) A decadência e prescrição tributária são causas de extinção da punibilidade
penal dos crimes contra a ordem tributária? Fundamentar. (Vide anexo VIII).
c) O parcelamento do tributo devido é causa de extinção da punibilidade dos
crimes contra a ordem tributária? ? E a compensação com tributos pagos
indevidamente? (vide anexo X).
O momento consumativo dos crimes previstos no art. 1º da Lei supra mencionada
diz respeito ao auto de infração devidamente notificado ao contribuinte. Esta
notificação realizada pela administração ao constatar irregularidades na
formalização do crédito tributário ou a sua não constituição.

Todavia o STF diverge dessa orientação entendendo que a consumação dos


crimes penais tributários aperfeiçoa-se quando o crédito não puder mais ser
discutido pela via administrativa. Neste caso sujeito passivo tem o direito de
impugnar o lançamento, este ainda não é definitivo. Assim, a notificação ao
contribuinte de irregularidades na formalização do crédito tributário não seria
suficiente para a consumação dos delitos penais tributários, notadamente diante da
possibilidade de impugnar administrativamente eventuais distorções constatadas
pelo Fisco.
Entendo que, todo norma de lançamento é definitivo, até que outra norma o
desconstitua, assim como tudo no direito. Ora, mesmo com o término do processo
administrativo iniciado pelo contribuinte o crédito tributário ainda pode ser alterado
pela via judicial. Qualquer forma de pensar em contrário, pressuporia
compreendermos que além do término do processo administrativo, teríamos de
aguardar o lapso do prazo para impugnação judicial, ou o trânsito em julgado da
decisão judicial, ou mesmo, o prazo da ação rescisória , pois só então o crédito não
mais poderia ser modificado e estaria definitivamente constituído.

A formalização do crédito pelo individuo gera várias consequências jurídicas, já que


se inicia a relação obrigacional nos tributos lançados por homologação

Assim, após a formalização do crédito pelo particular inicial, para a administração, o


direito de fiscalização (ou homologação) dos dados fornecidos. Sendo que o direito
de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo e, em consequência, exigir
diferença ou suplementação do tributo.

Assim, se a Administração não lança qualquer diferença dentro do citado prazo


decadencial de cinco anos para a constituição do crédito, pressupõe-se a sua
concordância com a formalização efetuada pelo particular. No entanto, se dentro do
prazo decadencial para a constituição do crédito, se a Administração, verificar que
os atos cometidos pelo particular não correspondem as operações tributáveis por
ele realizadas, constitui-se o crédito tributário, o que gera a prática do crime,
ocasião em que se deve iniciar a contagem do prazo prescricional.

Entendo que o marco inicial para a contagem do prazo prescricional para aplicação da
norma penal tributária nos crimes previstos no art. 1º da Lei n.º 8.137/90, começa
com a notificação do auto de infração, que constitui como jurídico fato tributário não
formalizado pelo contribuinte e faz nascer o crédito tributário, comprovando assim a
redução ou supressão do tributo. A Administração pode lançar o seu crédito que se
extinguirá em cinco anos contados da ocorrência do fato imponível e, nos termos do
art. 173 do mesmo dispositivo, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele
em que o lançamento poderia ter se efetuado, regra aplicada aos lançamentos por
homologação, ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado
lançamento anterior, por vício formal. A prescrição representa o prazo pelo qual a
obrigação tributária se extingue, por inércia do Fisco em executar a dívida já
constituída pelo lançamento e se extingue, em regra, no prazo de cinco anos.

O parcelamento do tributo e a extinção da punibilidade dos crimes contra a ordem


tributária deve extinguir a punibilidade.

7. Que caracteriza as denominadas sanções políticas? Identifique se as seguintes


medidas constituem-se como sanções politicas e analise sua constitucionalidade: (i)
Apreensão de bens; (ii) Inscrição de créditos tributários no CADIN; (iii) Protesto de
Certidão de Dívida Ativa; (v) Cancelamento de Registro Especial de Funcionamento
(vide Decreto-Lei 1.593/1977 e ADI 3.952); (vi) regime especial para cumprimento
de obrigações nos casos de embaraço à fiscalização e prática reiterada de infrações
à legislação tributária (vide Lei 9.430/96, disciplinada pela Instrução Normativa RFB
979/09; art. 96, V da Lei n. 12.670/99 do Estado do Ceará e Decreto Estadual n.
48.494/11 do Rio Grande do Sul - vide anexos IX e X)?
As sanções políticas constituídas pelo STF reportam-se as restrições ou proibições
impostas ao contribuinte, como meio de força-lo ao pagamento do tributo, e a
apreensão de mercadorias, o regime especial de fiscalização.

Restrições estatais, que, fundadas em exigências que ferem os principios da


razoabilidade e da proporcionalidade em sentido estrito, acabam por inviabilizar,
sem justo fundamento, o exercício pelo sujeito passivo da obrigação tributária, de
atividade econômica ou profissional lícita.