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Segundo a lei italiana, todos os descendentes de italianos têm direito à cidadania jure sanguinis (por

descendência), que é transmitida a partir do ascendente italiano aos filhos sem interrupção e sem limite de
gerações.

H á dois requisitos para obter a cidadania: conseguir comprovar com documentos legalizados que é descendente de
um italiano e mostrar que a linha de transmissão nunca foi interrompida. Se o italiano que imigrou se naturalizou no
Brasil, dependendo da época, ele pode ter perdido a cidadania e, portanto, não a transmitiu aos descendentes.

As duas principais vias para ter o direito reconhecido são a administrativa e a judicial .
O reconhecimento da cidadania italiana pode ser feito pelos consulados italianos no Brasil. A única exceção é para casos de descendência
pela via materna, para os quais é preciso recorrer à via judicial na Itália. Devido às longas filas de espera nos consulados, que chegam a mais
de uma década, muitos brasileiros optam por realizar o processo na Itália.

U ma lei italiana garante o reconhecimento da cidadania para descendentes de italianos que estabelecem residência no país. Para dar
entrada no pedido de cidadania, é preciso escolher um comune (município) onde fará o pedido e provar que reside na Itália com um
contrato de locação e um documento assinado pelo proprietário atestando a cessão da propriedade para o locatário.

D epois da declaração da residência, é necessário aguardar a visita de um vigile (fiscal do município) no endereço para comprovar que
a casa tem boas condições de moradia e que a pessoa efetivamente mora no local. Por lei, o prazo para a passagem do vigile é de 45 dias
e ele não pode avisar quando irá passar. Com a confirmação do vigile, o comune pode seguir com o pedido da cidadania no registro civil.
Quando faz o pedido da cidadania no comune, o brasileiro precisa apresentar todas as certidões de nascimento e
casamento desde o ascendente italiano, seguindo toda a linha de transmissão. Os documentos devem ser traduzidos,
juramentados e apostilados. Se a documentação estiver correta, o oficial do registro autoriza o anagrafe a receber o
pedido de residência.

Antes de viajar à Itália, é preciso ter certeza que todos os documentos estão corretos e que nenhuma retificação é
necessária. Caso contrário, a viagem terá sido em vão.
E m casos específicos, não é possível obter a cidadania italiana pela via administrativa. O mais comum é a
descendência por via materna. Uma antiga lei italiana determinava que as mulheres italianas não transmitiam a
cidadania para seus descendentes, apenas os homens. Em 1975 e 1983, a Corte Constitucional da Itália invalidou
essa regra por ser anticonstitucional, mas autoridades administrativas interpretaram que a decisão da Corte não
poderia ser aplicada a casos ocorridos antes de 1948, data de entrada em vigor da Constituição.

Devido a essa restrição, os descendentes de uma mulher italiana nascida antes de 1º de janeiro de
1948 devem recorrer ao Tribunal Civil de Roma para ter o direito à cidadania reconhecido. A
jurisprudência tem sido favorável.
N esse tipo de processo, não é necessário viajar à Itália. Os passos a serem seguidos são juntar toda a documentação e
contratar um advogado italiano para dar entrada com o processo junto ao Tribunal.

O s documentos necessários são as certidões de nascimento e casamento dos antepassados italianos; registro de
óbito (se houver, não é obrigatório); certidão de naturalização negativa dos antepassados (o documento pode ser
obtido no site do Ministério da Justiça), além das certidões de nascimento e casamento de todos os descendentes na
linhagem de transmissão.
Os documentos originais têm que ser traduzidos por um tradutor juramentado (os sites dos
consulados italianos no Brasil oferecem uma lista de tradutores legalizados) e depois apostilados no
consulado antes de serem enviados para o advogado na Itália, que vai entrar com o processo. O cliente
recebe um número de protocolo e acompanha o processo pelo site do Ministério da Justiça italiano.