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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI

Departamento de Filosofia e Métodos


Unidade Curricular: ​Renascimento
Docente: ​Prof. Dr. Adelmo José da Silva
Discente: ​Jéssica Lopes de Carvalho Lima – 180400024

Atividade avaliativa: Renascimento

O texto trabalhado em sala com o título ​Maquiavel e as tradições monárquica e


​ lucida o processo de revolução de pensamento proposto por
republicana e
Maquiavel. Desse modo, se faz necessário salientar que com o filósofo, o homem já
não conduz suas ações de acordo com as leis da consciência, mas ao contrário, se
pauta necessariamente pela conveniência que determinada atitude poderá lhe
propiciar.
Assim, é importante salientar, algumas pontuações que se tornaram evidentes
no percurso do texto, a primeira delas corresponde ao distinção entre ética e moral.
A ética deve ser compreendida como uma inspiração para a moral, ou seja, é aqui
em que o campo da moral passa a ser questionado de forma independente ao
tempo e espaço. Já a moral corresponde àqueles costumes de caráter relativo e,
por isso, não é tida como característica absoluta.
Tendo feito essa primeira distinção presente no texto, é possível perceber que
no escrito ​O príncipe, Maquiavel aplica um pressuposto até então nunca visto na
tradição filosófica. Aqui, a possibilidade para a existência de uma moral
desvinculada da ética passa a ser pressuposto para a manutenção do poder. Desse
modo, assim como Merleau-Ponty afirma que o poder não se assume de forma
absoluta1 na figura do príncipe proposto por Maquiavel, no transcorrer do texto
trabalhado em sala essa noção também se torna evidente, uma vez que há no
capítulo estudado a importância de se considerar o contexto histórico e a tradição
em que um texto é escrito.
Desse modo, o critério em que se fundamenta o texto ​O príncipe ​pressupõe
em um panorama histórico a presença de uma Itália fragmentada em que as

1
MERLEAU-PONTY, Maurice.​ Notas sobre Maquiavel.​ Seleção e tradução Gabriel Cohn. São
Paulo.​ Revista Lua Nova, ​n° 55-56, 2002.
instituições não estão funcionando de forma absoluta ao que lhe é esperada. Assim,
o filósofo deseja assistir uma Itália unificada novamente, fazendo com que a
imagem de um príncipe que consiga lidar com a ​virtú e a fortuna2 ​consiga promover
esse processo de unificação por meio de uma moral monárquica que se desvincule
de um pressuposto moral tomista. Por fim, ainda elucidando a importância de se
perceber o contexto histórico e a tradição, o texto ainda remonta aos escritos do
filósofo italiano ​Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio​, aqui percebe-se
um período que poderia ser classificado como posterior ao príncipe, em que a Itália
já se encontra em uma fase de amadurecimento político e, em razão disso a
presença de um monarca arbitrário já não se mostra como necessário, abrindo
espaço para instauração de uma constituição.
Assim, o pressuposto que percorre o texto estudado corresponde a
importância de voltar os estudos a totalidade de um autor ao invés de o
fragmentá-lo, para assim, conseguir lidar com todas as dinamicidades e sutilezas
em que seu pensamento é construído.

2
Termo presente no texto ​O príncipe ​e que corresponde a capacidade de lidar com a contingência.
Enquanto o termo fortuna desrespeito a ocasião ou oportunidade em que a virtú será manifestada.