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CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA IZABELA HENDRIX

Fernanda Maria Pedrosa dos Reis


Thiago Bahia Valadares

REUSO DE ÁGUAS CINZAS EM HABITAÇÕES POPULARES NO


ESTADO DE MINAS GERAIS

Belo Horizonte
2015
Fernanda Maria Pedrosa dos Reis
Thiago Bahia Valadares

REUSO DE ÁGUAS CINZAS EM HABITAÇÕES POPULARES NO


ESTADO DE MINAS GERAIS

Projeto de Pesquisa apresentado ao Centro


Universitário Metodista Izabela Hendrix como
requisito parcial para obtenção do título de
Engenheiro Civil.

Área: Sustentabilidade

Orientador: Prof.Fabiana Alves

Orientador: Prof.Marina Neiva Alvim

Belo Horizonte
2015
1 INTRODUÇÃO

Desenvolvimento sustentável pressupõe o atendimento da manutenção e


qualidade das necessidades do presente, sem comprometer às gerações
futuras (ONU, 1988).

As modificações ambientais provocadas pela ação antrópica, alteram


significativamente os ambientes naturais. A quantidade de recursos naturais,
elevam o risco de exposição à doenças e atuam negativamente na qualidade
de vida da população (MIRANDA et al., 1994).

O uso e ocupação inadequado do solo, ocorre em escala global, desde os


séculos XIX e XX, sobrecarregando os ecossistemas naturais (PHILIPPI JR. e
MALHEIROS, 2005).

Segundo Philippi Jr. e Malheiros (2005), a análise potencial dos impactos


decorrentes destas modificações pode ser feita sob o enfoque da mudança nos
padrões de consumo e de produção da população, facilitando assim a
compreensão dessa questão e das medidas necessárias para a reversão dos
problemas ambientais instaurados.

A situação do ecossistema urbano é muito mais crítica quando comparada


com outros ecossistemas, como por exemplo, ecossistemas primitivo e rural.
Nele se concentra a maioria da população e, portanto, é onde se gera grande
volume de resíduos sólidos, líquidos e gasosos (BARROS, 2005).

O mesmo autor relata também que os ecossistemas têm capacidade


limitada de captação e reciclagem destes poluentes, possibilitando, portanto, a
deteriorização e poluição dos mesmos.

De acordo com a Lei número 6.938, de 1981, poluição é o resultado de


atividades que direta ou indiretamente causam danos à saúde, à segurança e
o bem estar da população, à biota e às condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente, a partir da degradação da qualidade ambiental. Esta ainda
pode ocorrer a partir da criação de condições contrárias às atividades de cunho
social e econômico.

No Brasil, existem legislações para o monitoramento e fiscalização de


poluentes atmosféricos, sólidos e líquidos como:

 Resolução CONAMA N° 436/2011 – “Estabelece os limites máximos


de emissão de poluentes atmosféricos para fontes fixas instaladas ou
com pedido de licença de instalação anteriores a 02 de janeiro de
2007” – Data da legislação: 22/12/2011 – Publicação de 26/12/2011,
pág. 304-331 – Complementa as Resoluções n° 05, de 1989 e n°
382, de 2006 (BRASIL, 1990).

 Resolução CONAMA N° 382/2006 – “Estabelece os limites máximos


de emissão de poluentes atmosféricos para fontes fixas”- Data da
legislação: 26/12/2006 – Publicação DOU n° 1, de 02/01/2007, pág.
131 – Complementada pela Resolução n°436, de 2011 (BRASIL,
1990).

 Resolução CONAMA N° 242/1998 – “Estabelece limites máximos de


emissão de poluentes” – Data da legislação: 30/06/1998 –
Publicação DOU n° 148, de 05/08/1998, pág. 043 (BRASIL, 1990).

 Resolução CONAMA N° 241/1998 – “Estabelece limites máximos de


emissão de poluentes” – Data da legislação: 30/06/1998 –
Publicação: 30/06/1998 – Publicação DOU n° 148, de 05/08/1998,
pág. 043 (BRASIL, 1990).

 Resolução CONAMA N° 017/1995 – “Ratifica os limites máximos de


emissão de ruído por veículos automotores e o cronograma para seu
atendimento previsto na Resolução CONAMA n° 008/93 (art. 20), que
complementa a Resolução n° 018/86, que institui, em caráter
nacional, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos
Automotores – PROCONVE, estabelecendo limites máximos de
emissão de poluentes para os motores destinados a veículos
pesados novos, nacionais e importados” – Data da legislação:
13/12/1995 – Publicação DOU n° 249, de 29/12/1995, págs. 22878-
22879 (BRASIL, 1990).
 Resolução CONAMA N° 016/1995 – “Contempla a Resolução
CONAMA n° 018/86, que institui, em caráter nacional, o Programa
de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores –
PROCONVE, estabelecendo limites máximos de emissão de
poluentes para os motores destinados a veículos pesados novos,
nacionais e importados, determinando homologação e certificação de
veículos novos do ciclo Diesel quanto ao índice de fumaça em
aceleração livre” – Data da legislação: 13/12/1995 – Publicação DOU
n° 249, de 29/12/1995, págs. 22877-22878 (BRASIL, 1990).

 Resolução CONAMA N° 027/1994 – “Fixa novos prazos para


cumprimento de dispositivos da Resolução CONAMA n° 008/93, que
complementa a Resolução n° 018/86, que institui, em caráter
nacional, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos
Automotores – PROCONVE, pesados novos, nacionais e
importados” – Data da legislação: 07/12/1994 – Publicação DOU n°
248, de 30/12/1994, pág. 21348 – Finalidade Cumprida (BRASIL,
1990).

 Resolução CONAMA N° 016/1994 – “Fixa novos prazos para o


cumprimento de dispositivos da Resolução CONAMA n° 008/93, que
complementa a Resolução n° 018/86, que institui, em caráter
nacional, o programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos
Automotores – PROCONVE, estabelecendo limites máximos de
emissão de poluentes para os motores destinados a veículos
pesados novos, nacionais e importados” – Data da legislação:
29/09/1994 – Publicação DOU n° 218, de 29/09/1994, págs. 17408-
17409 – Revogada pela Resolução n° 27, de 1994 (BRASIL, 1990).
 Resolução CONAMA N° 008/1993 - “Complementa a Resolução n°
018/86, que institui, em caráter nacional, o Programa de Controle da
Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE,
estabelecendo limites máximos de emissão de poluentes para os
motores destinados a veículos pesados novos, nacionais e
importados”. – Data da legislação: 31/08/1993 – Publicação DOU n°
250, de 31/12/1993, págs. 21536-21541 – Complementada pela
Resolução n° 16, de 1994, n° 27, de 1994, n° 15, de 1995, n° 17, de
1995, e n° 241, de 1998. Complementa a Resolução n° 01, de 1993.
Revoga as Resoluções n° 04, de 1988, e n° 10, de 1989 (BRASIL,
1990).

Sendo que a Lei 9433/97 estabelece parâmetros para manutenção dos


recursos hídricos em qualidade e quantidade para a geração atual e para as
futuras gerações (BRASIL, 1997).

O monitoramento dos efluentes gerados pelo uso consutivo dos recursos


hídricos dá-se pela Resolução 430 do CONAMA de 2011, que fundamenta
parâmetros de qualidade para as devidas classes de água (BRASIL, 2011).

As residências são uma das principais fontes de consumo de água. O


consumo nos centros urbanos pode atingir até 50% do consumo total
(BAZZARELLA, 2005).

A utilização de técnicas racionalizadoras pode contribuir para uma redução


do consumo de água potável entre 30 e 40%. Algumas destas técnicas são: O
uso de dispositivos economizadores em aparelhos, as fontes alternativas de
suprimento (água da chuva, água do mar dessalinizada e o reuso de águas
servidas (águas cinza) para fins menos nobres.

Uma redução expressiva desse consumo com cerca de 30 a 40% pode ser
atingida nas residências com a utilização de técnicas racionalizadoras, como
por exemplo, o uso de dispositivos especiais de economia nos aparelhos ou
com a utilização de fontes alternativas de suprimento (água da chuva, água do
mar dessalinizada ou o reuso de águas cinza para fins menos nobres, como
lavagem de veículo, rega de jardins, descarga de vasos sanitários, etc.
(BAZZARELLA, 2005).

Ainda de acordo com o mesmo autor, o alcance á soluções ecológicas para


o saneamento será possível, somente a partir de mudanças na maneira como
os indivíduos pensam e agem com relação aos resíduos produzidos por eles.
Sendo portanto, necessários estudos sobre o desenvolvimento de tecnologias
para sistemas de reuso da água, assim como avaliação dos aspectos
referentes às características quali-quantitativas de águas cinza e ao
desenvolvimento de inovações no tratamento.

1 PRESSUPOSTOS/ HIPÓTESES

A (ONU) (2013) divulgou um relatório que prevê um aumento da população


mundial de 7,2 bilhões em 2013 para 9,6 bilhões em 2050.

Broun (2002) afirma que a grande maioria vai nascer em países que
atualmente já sofrem com problemas de escassez de água, agravando ainda
mais o problema.

Segundo Petry e Boeriu (2000), o avanço de novas tecnologias referentes


ao manejo de recursos hídricos ainda é muito precário e de extrema
importância.

O reuso de águas residuárias para fins não potáveis é uma alternativa para
driblar a escassez de recursos hídricos gerada pelo aumento do consumo,
diminuição das reservas disponíveis e o crescente aumento da poluição dos
mesmos.

3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral

Analisar o custo benefício da implantação de um sistema de reuso de águas


cinza, para residências com até quatro habitantes, em Minas Gerais.

1.1 Objetivos específicos

 Determinar e dimensionar o tipo de sistema de reuso de águas cinza.


 Levantar os custos de implantação do sistema.
 Simular a economia de recursos hídricos e financeiros, após a
implantação do sistema de reuso, utilizando dados públicos obtidos das
concessionárias de água do Estado de Minas gerais: Companhia de
Saneamento Básico de Minas Gerais (COPASA); Serviço Autônomo de
Água e Esgoto (SAAE).

4 JUSTIFICATIVA

A relação sociedade e natureza por muitas vezes constrói cenários


dicotômicos, mas absolutamente dependentes, posto que, a vida humana
necessita da disponibilidade dos recursos naturais para sua subsistência
(SEABRA e MENDONÇA, 2011).

Conforme a Declaração Universal dos Direitos da Água, publicado pela


Organização das Nações Unidas (1992), a água é parte constituinte do
patrimônio do planeta, sendo cada cidadão responsável por este recurso.

Ainda relata que, para minimizar os riscos de esgotamento ou de


deterioração da qualidade das reservas atualmente dispiníveis a água deve ser
utilizada com consciência e discernimento. No Brasil, o direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado é assegurado pela Constituição Brasileira
de 1988, artigo 225 que relata que um ambiente ecologicamente equilibrado é
indispensável para a qualidade de vida (BRASIL, 1988).

A gestão de águas no país é orientada pelo Plano Nacional de Recursos


Hídricos (PNRH) estabelecidos pela Lei 9433 de oito de janeiro de 1997 que
tem como objetivos assegurar à geração atual e as gerações subsequentes
água em quantidade e qualidade (BRASIL, 1997).
Segundo Gonçalves (2009), o consumo de água nas residências urbanas
pode constituir mais de 50% do consumo total. Em vários países
desenvolvidos o reuso de água cinza é uma técnica empregada em prol de
minimizar o consumo de água potável para fins menos nobres.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo a Agenda 21 (1992), os recursos de água doce são indispensáveis


para a manutenção e sobrevivência de todos os ecossistemas da Terra

A Organização das Nações Unidas (ONU) (1992), instituiu o dia 22 de


março como o Dia Mundial da Água com o objetivo da data garantir a reflexão,
a discussão e a busca por alternativas que solucionem os problemas com a
poluição da água, o desperdício e a escassez deste bem no mundo.

No entanto, Macedo (2007) relata que há muitos outros desafios como:


aprender a usá-la de forma racional, conhecer os critérios que devem ser
seguidos para garantir o consumo com qualidade e buscar condições para
utilizá-la adequadamente, de modo a obter o máximo aproveitamento possível.

Em 1992, a ONU redigiu a Declaração Universal dos Direitos da Água, que


caracteriza este recurso como uma doação gratuita da natureza que possui
valor econômico e é essencial as manutenções vitais dos organismos.

A sustentação da quantidade e qualidade deste recurso se dá pelas


etapas do ciclo hidrológico, que podem sofrer graves alterações decorrentes
das ações antrópicas, devido às demandas das áreas urbanas, das indústrias,
da agricultura e das alterações do solo (SETTI et al., 2001).

Os recursos hídricos de forma natural possuem capacidade de dissolver


e assimilar esgotos e resíduos, através de processos físicos, químicos e
biológicos, que auxiliam a sua autodepuração, caracterizando o seu aspecto
qualitativo. Está capacidade é limitada devido a quantidade e qualidade de
recursos hídricos existentes (SETTI et al., 2001).

Rainho (1999), afirma que o cenário do novo século será ilustrado pela
crise de falta de água e o homem precisa discutir o futuro da água e da vida.
Ainda segundo o mesmo autor,a Terra é composta por um volume total de
1.386 milhões de quilômetros cúbicos de água que compreendem os oceanos,
rios, lagos, geleiras, calotas polares, pântanos e alagados. Sendo, apenas
2,5% de água doce, fundamental para a sobrevivência, e o restante impróprio
para o consumo. A figura 1 e a figura 2 mostram os gráficos envolvendo a
disponibilidade de água.

FIGURA 1: Total disponível de água no mundo

Fonte: CLARKE, KING, 2005

FIGURA 2: Fontes de água doce por volume disponível e percentual

Fonte: CLARKE, KING, 2005


Além disso, 68,9% da água doce estão na forma sólida, em geleiras,
calotas polares e neves eternas. E as águas subterrâneas e de outros
reservatórios perfazem 30,8%, as águas acessíveis ao consumo humano,
encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneo, somam apenas
0,3%, ou 100 mil Km³ (MACEDO, 2007).

A figura 3 apresenta segundo CLARKE, KING (2005) a distribuição do


consumo per capta de água em uma residência.

FIGURA 3: Utilização da água em casa

Fonte: CLARKE, KING, 2005

De acordo com Hafner (2007) em estudos realizados no Brasil a água


utilizada em edificações é distribuída conforme a figura 4. Nota – se que o
chuveiro e a bacia sanitária são os pontos hidráulicos com maior consumo de
água compreendendo 59% do consumo total. As pias de cozinha têm um
consumo de 18%, as lavadoras de roupa 9%, os lavatórios (7%), os tanques
(4%) e o consumo de jardim e lavagem de carros (3%).

FIGURA 4: Distribuição do consumo de água em uma residência no Brasil


Fonte: Hafner (2007) apud MACHADO, SANTOS

Segundo MASCARÓ (2010) o consume de água em domicílios é


variável conforme clima, costumes e renda “per capta” das famílias, porém
pode-se ter uma ideia de sua magnitude desdobrando o consumo nos
diferentes usos que a água tem como mostra a tabela 1.
TABELA1 – Consumo mínimo de água em usos domiciliários.

Fonte: MASCARÓ, 2010

A tabela de MASCARÓ (2010) informa o uso domiciliário de água para


setores diferenciados, mostrando claramente que, quantitativamente, a grande
concentração aparece no banheiro, 80% do total. Isto é importante, pois,
excetuando os 10 litros necessários para lavagem de mãos e face, a qualidade
da água do banheiro pode ser inferior, não precisando ser totalmente potável
(MASCARÓ,2010).

Assim, do ponto de vista da qualidade da água que precisamos, na


realidade, só de 10 a 20% deve ser totalmente potabilizada( inodora, incolor,
insípida e esterilizada); os 80 a 90% restantes podem ser de qualidade inferior
(MASCARÓ, 2010).

Isto questiona o abastecimento de água encanada potablilizada em


origem nos casos de extrema dificuldade, sejam econômicas ou técnicas, e nos
obrigando a reavaliar os sistemas para decidir sobre a sua estrutura ideal
(MASCARÓ, 2010).

No Brasil, a Lei 9433 que institui a Política Nacional de Recursos


Hídricos relata que a água é um recurso natural finito, que possui valor
econômico, e deve ser mantida em qualidade e quantidade para a geração
atual e futuras gerações (BRASIL,1997). O Artigo 19º, da referida Lei,
demonstra a necessidade da racionalização no uso, como forma de reduzir os
custos com a água. Então, de acordo com Macedo (2007), surge a
necessidade do chamado reaproveitamento, ou reciclagem da água.

Além da necessidade de economia, a reciclagem e a reutilização aparecem


como alternativas para o uso racional da água. A reciclagem pode ser definida
como o reaproveitamento de uma água pra determinada função, apesar da
alteração de suas qualidades física, química e microbiológica em função do uso
(BRANDIMARTE, 1999).

A reutilização consiste no reaproveitamento de água, que já passou pela


rede de esgoto e por uma estação de tratamento. Vários países, já estão
utilizando esse tipo de reaproveitamento de água, que já passou pela rede de
esgoto e por uma estação de tratamento, em Israel, por exemplo, 70% do
esgoto é reciclado para irrigação; e na Europa já existem cidades que reusam a
água 14 vezes (VIGNOLI FILHO, 2000). No entanto, segundo Macêdo (2007),
para reutilização de água é necessário que a contaminação gerada na etapa
anterior, ou no seu uso anterior, não interfira no uso posterior.

Segundo BAKIR (2001), citado por SANTOS, MANCUSO, (2003), o volume


de esgotos deve ser minimizado, tratado, contabilizado reintegrado de forma
segura no ciclo hidrológico para nova utilização. Segundo os mesmos autores,
deve-se abandonar a preferência por sistemas centralizados e convencionais
de esgotos sanitários, porque não existem água e recursos financeiros
suficientes para tais sistemas. Poresse motivo, propõem-se sistemas
descentralizados associados a medida de conservação domestica da água e
minimização da geração de esgotos ressalvando soluções de transporte das
águas servidas para sistemas comunitários de tratamento. O uso de sistemas
centralizados é uma alternativa apenas quando as condições de sistemas
locais forem impeditivas.

De acordo com FILHO, MANCUSO (2002) pode-se classificar o reuso em:


 Reuso indireto: ocorre quando o efluente proveniente de residências ou
indústrias é descarregado nas águas superficiais e subterrâneas e utilizado na
forma diluída a jusante;
 Reciclagem interna: é a reutilização da água internamente em
instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água e o controle
da poluição.

Segundo WESTERHOFF (1984), citado por FILHO, MANCUSO (2002) o


reuso da água pode ser classificado em duas grandes categorias: potável e
não potável. O reuso de água potável pode ocorrer de duas formas: reuso
potável direto quando o efluente recebe tratamento avançado e é reutilizado
posteriormente no sistema de água potável e reuso potável indireto: caso que o
esgoto, após tratamento é lançado nas águas superficiais ou subterrâneas para
a diluição, limpeza natural e posterior captação, tratamento e utilizado como
água potável. A categoria não potável divide- se em: reuso não potável para
fins utilização na agricultura; reuso não potável para utilização nas industrias;
reuso não potável para fins recreacionais e reuso não potável para fins
domésticos.

Com a diminuição da disponibilidade de água, nos próximos anos,


sistemas de aperfeiçoamento do uso será exigido em diversos
estabelecimentos. Os dois sistemas que provavelmente serão os mais
utilizados são: aproveitamento de chuvas e reuso de água.

O reuso de água se da com o tratamento de água de uso nobre para a


reutilização em fins de nobreza menor, como descargas, lavagens de pisos e
outros.
Segundo a Resolução n°54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) (BRASIL, 2005), o reuso de água é
uma alternativa para racionalizar e conservar este recurso seguindo os
princípios estabelecidos na Agenda 21. Esta alternativa promove a redução de
efluente em corpos receptores, contribuindo para a redução dos custos de
tratamento dos recursos hídricos para o abastecimento da população e demais
usos mais exigentes quanto à qualidade. O reuso pode ser definido como uso
de água residuária ou água de qualidade inferior tratada ou não.

O artigo 2° desta resolução possui as seguintes definições:


I - água residuária: esgoto, água descartada, efluentes líquidos de
edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou
não;
II - reuso de água: utilização de água residuária;
III - água de reuso: água residuária, que se encontra dentro dos
padrões
exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas;
IV - reuso direto de água: uso planejado de água de reuso,
conduzida ao
local de utilização, sem lançamento ou diluição prévia em corpos
hídricos
superficiais ou subterrâneos;
V - produtor de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de direito
público
ou privado, que produz água de reuso;
VI - distribuidor de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de
direito
público ou privado, que distribui água de reuso; e
VII - usuário de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de direito
públicoou privado, que utiliza água de reuso.

Segundo Bernardi (2003), a reutilização de águas promove as seguintes


vantagens:

 Garante a sustentabilidade dos recursos hídricos;


 Reduz a poluição hídrica nos mananciais;
 Incentiva o uso racional de águas potável;
 Reduz a probabilidade de ocorrer erosão do solo e contribui para o
controle dos processos de desertificação, por meio da irrigação e fertilização de
cinturões verdes;
 Reduz o custo com fertilizantes e matéria orgânica;
 Eleva a produção do setor agrícola;

Os níveis de tratamento do efluente destinado ao reuso, a segurança a


ser adotada e o custo de implantação do sistema são estabelecido levando –
se em consideração a qualidade da água. O tipo de sistema de reuso adotado
depende das características de cada localidade, como decisão politica,
profissionais envolvidos, características econômicas, sociais e culturais.
(BERNARDI, 2003).

Os sistemas hidráulicos e sanitários do sistema de reuso de água cinza


têm a função de separar as águas já utilizadas pela atividade humana que
servem para a reutilização e descartam os efluentes impróprios para o reuso.
De maneira simplificada. Considera-se como água adequada ao reuso o
efluente de chuveiros, lavatórios, tanques, máquinas de lavar roupas e de
banheiras, que são caracterizadas também como águas cinza (Silva, Wilson
Marques et al 2010).

Mendonça (2004) descreve os fatores que precisam ser atendidos para


que se possa projetar um sistema de reuso de água cinza eficiente conforme a
figura 5. Os fatores são verificados a partir da análise social, econômica e
ambiental .
Figura 5: Fatores para a implantação do reuso de água

Fonte: Mendonça (2004)

May (2009), define os componente que fazem parte do sistema de reuso


de águas cinzas como :

 Coletores: tubulações sanitárias horizontais e verticais que transportam


o efluente do chuveiro, do lavatório e da máquina de lavar roupas ao sistema
de armazenamento, para posterior tratadomento;
 Armazenamento: Reservatórios destinados a armazenar a água cinza
 Tratamento: O sistema de tratamento é definido de acordo com a
qualidade da água coletada para o sistema de reuso e a sua destinação final.
De acordo com o manual da SINDUSCON (2005) após o tratamento das
águas cinzas deve- se observar para cada fim (Lavagem de pisos, descargas
das bacias sanitárias e rega de jardins) as seguintes características:

 Não deve apresentar odores desagradáveis;


 Não deve conter componentes que agridam a vegetação ou estimulem o
crescimento de parasitas
 Não deve ser áspera;
 Não deve causar danos ás superfícies;
 Não deve apresentar riscos de doenças transmitidas por vírus ou
bactérias.
 Não deve danificar os metais sanitários e máquinas;

May (2009) afirma que o uso de águas cinzas deve se restringir apenas
ao consumo não potável devido ao risco elevado para a saúde dos usuários, à
falta de norma técnica adequadas águas para o reuso de águas cinzas, á falta
de apoio e de fiscalização pelas instituições governamentais, à falta de
preparo, de controle e manutenção do processo de tratamento de águas para
fins potáveis, pelo usuário especializado, e ao custo elevado de tratamento
para fins potáveis, o que tornaria o sistema inviável.

A Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos é um dos instrumentos de


gestão da Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº
9.433/97, e tem como objetivos:

i) dar ao usuário uma indicação do real valor da água;


ii) incentivar o uso racional da água; e
iii) obter recursos financeiros para recuperação das bacias hidrográficas do
País;

Segundo a Agência Nacional de Águas (2015) a cobrança não é um


imposto,masuma remuneração pelo uso de um bem público, cujo preço é
fixado a partir de umpacto entre os usuários da água, a sociedade civil e o
poder público no âmbito dosComitês de Bacia Hidrográfica – CBHs, a quem a
Legislação Brasileira estabelece acompetência de pactuar e propor ao
respectivo Conselho de Recursos Hídricos osmecanismos e valores de
Cobrança a serem adotados na sua área de atuação.
O Instituto Mineiro de Gestão das Águas –IGAN afirma que a
implementação da Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos em Minas Gerais
ocorrerá por Bacia Hidrográfica, de forma gradativa, competindo ao respectivo
Comitê de Bacia Hidrográfica definir a metodologia de cálculo e os valores a
serem cobrados pelos usos da água.

A Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de


Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) Criada pela Lei
Estadual nº 18.309/2009, tem por objetivo editar normas técnicas, econômicas
e financeiras aos prestadores de serviço de abastecimento de água e de
esgotamento sanitário (BRASIL, 2009). Conforme art. 1° c/c os art. 2° e 3° da
Resolução ARSAE-MG 64/2015 as tarifas serão cobradas conforme a tabela3.

6 METODOLOGIA

6.1 Caracterização da pesquisa

A pesquisa em questão objetiva gerar conhecimento para a aplicação


prática à solução do problema descrito. A partir do estudo detalhado de caso,
adotam-se objetivos específicos e explicativos visando utilidade econômica e
social. É caracterizada como uma pesquisa de natureza aplicada.

6.2 Universo e amostra

O estudo detalhado de caso aborda a implantação de sistema de reuso


de águas cinza em residências populares no estado de Minas Gerais. Estas
residências representam o universo da pesquisa. Para o levantamento dos
dados necessários, será utilizada como amostra uma residência popular
unifamiliar habitada por quatro pessoas.

6.3 Instrumento de coleta

O sistema de reuso proposto é composto pelas seguintes etapas:


 Coleta dos efluentes: O dimensionamento da rede será realizado com
auxílio do software Hydros (AltoQi,BRASIL) seguindo os parâmetros propostos
pela NBR 8160 – Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução
(1997).
 Tratamento do efluente: As características físicas do filtro serão
dimensionadas com o auxílio do software Hydros (AltoQi, BRASIL) de acordo
com a NBR 13969 – Tanques Sépticos – Unidades de tratamento
complementar disposição final dos efluentes líquidos – Projeto construção e
operação (1997);
 Armazenamento Primário: As características físicas do reservatório
inferior serão calculadas pelo software Hydros (AltoQi, BRASIL).
 Bombeamento da água destinada ao reuso: A água será bombeada com
a utilização de um sistema motobomba.
 Armazenamento secundário: Armazenamento em um reservatório
superior com a utilização de um sistema de válvula e boias de nível.
 Alimentação dos pontos de uso: Distribuição da água de reuso será
dimensionada pelo software Hydros (AltoQi, BRASIL) de acordo com a NBR
5626 – Instalação predial de água fria (1997).

6.4 Análise de dados

Após o dimensionamento de todo o sistema de reuso com a utilização


do software HYDROS (AltoQi, BRASIL) serão levantados os custos de
implantação do sistema.Os custos referentes aos materiais utilizados serão
levantados a partir da pesquisa online de preços e cotações solicitadas quando
necessário.

A economia financeira gerada após a implantação do sistema será


calculada com base na tabela 3 (Tarifas aplicáveis aos usuários) Conforme art.
1° c/c os art. 2° e 3° da Resolução ARSAE-MG 64/2015. De acordo com a NBR
15575 – Edificações Habitacionais (2013) o período de análise considerado
será de 50 anos.

Tabela 3: Tarifas aplicáveis aos usuários

Considerarapenas as colunascorrespondentes aos serviços prestados

 Água :abastecimento de água


 EDC: esgotamentodinâmicocom coleta
 EDT: esgotamentodinâmicocomcoletaetratamento
Fonte: Resolução ARSAE-MG 64/2015

A economia de recursos hídricos será calculada a partir da estimativa de


consumo de água nos pontos destinados ao sistema de reuso.

Os dados de custos e de economia serão comparados para posterior avaliação


do custo benefício da implantação do sistema.
7 CRONOGRAMA

Prazos
Atividades
Jul/15 Ago/15 Set/15 Out/15 Nov/15 Dez/15

Revisar o texto de acordo com as


X
sugestões da banca de TCC 1.

Entregar ao professor de
metodologia de TCC 2 a cópia
X
final do Projeto de Pesquisa
apresentado no TCC 1.

Revisão de literatura x x x x x X

Coleta dos dados x x x

Análise dos dados x x x x

Dissertação do TCC II X X X X

Defender perante a banca


avaliadora o artigo que apresenta X
os dados do TCC 2.

Submeter o artigo com as


correções a um periódico X
científico.

Entregar a versão final do artigo e


o comprovante de submissão ao X
Orientador de Metodologia.

REFERÊNCIAS
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http://www.imbituba.sc.gov.br/f/saneamento/17991-18023.pdf.

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Edificações Habitacionais, 2013.

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