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GESTÃO

AMBIENTAL

TEMA: A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS


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Curso de Gestão Ambiental


Centro Universitário Leonardo da Vinci

Elaboração
Francieli Stano Torres
Claudia Sabrine Brandt
Joseane Gabriele Kryzozun Ribeiro Rubin
Maquiel Duarte Vidal
Renata Joaquim Ferraz Bianco
Thiago Roberto Schlemper

Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch

Pró-Reitora de Ensino de Graduação a Distância


Prof.ª Francieli Stano Torres

Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância


Prof. Hermínio Kloch

Diagramação e Capa
Cléo Schirmann
Maitê Karly Roeder

Revisão:
José Roberto Rodrigues
Diógenes Schweigert

Todos os direitos reservados à Editora UNIASSELVI - Uma empresa do Grupo UNIASSELVI


Fone/Fax: (47) 3281-9000/ 3281-9090
Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2011.

Proibida a reprodução total ou parcial da obra de acordo com a Lei 9.610/98.


A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 1

1 INTRODUÇÃO

A água continua sendo um “objeto de estudo” de suma importância


para a manutenção e o futuro do nosso planeta e, embora seja tão importante,
ainda é pouco pesquisada no Brasil.

Sabe-se que o consumo desse bem tão precioso vem crescendo


juntamente com a população e, em consequência, aumenta também a
quantidade de rejeitos líquidos, leia-se esgotos.

Dessa forma, torna-se indispensável a consciência não somente em


relação ao uso da água, mas também quanto ao seu tratamento e ao tratamento
de esgotos. Além da contaminação da água, outro problema são as doenças
que ocorrem pela falta de saneamento.

Ainda, temos os ambientes aquáticos, que sofrem sérios impactos


causados pela ação antrópica, uma vez que constituem o compartimento
final de vários produtos gerados pela atividade humana (AKAISHI, 2003). Isso
fica mais claro quando consideramos o ciclo hidrológico e as suas diversas
interações.

Através desse material você poderá identificar:

• A definição de água, ciclo da água e a química da água.

• As fontes de água existentes no planeta.

• A distribuição da água no planeta e no Brasil.

• O consumo da água no planeta e no Brasil.

• A classificação das águas de acordo com a Resolução 357/05 do CONAMA.

• As características dos esgotos.

• As operações unitárias que compõem uma Estação de Tratamento de


Esgoto.

• Os tipos de tratamento de esgotos.

• As doenças relacionadas à água.

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2 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

• O ambiente aquático.

• Demanda mundial pela água.

2 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

2.1 A ÁGUA

A água é um líquido indispensável para os homens, animais e plantas,


ou seja, para todos os seres vivos. A água é a substância mais abundante na
superfície terrestre, apresentando-se nos estados líquido, sólido e gasoso.

2.1.1 Ciclo da água

O ciclo da água é o fenômeno natural de circulação da água entre a


atmosfera e a superfície terrestre considerado a base para a renovação da
água em nosso planeta.

Esse processo de renovação começa com a incidência dos raios solares


sobre a água que, devido ao aquecimento dos rios, lagos, oceanos e do solo,
sofre o processo de evaporação ou, no caso das geleiras, o fenômeno de
sublimação (passagem do estado sólido para o estado gasoso).

A água evaporada é então submetida a baixas temperaturas nas regiões


mais altas da atmosfera, sofrendo o processo de condensação e formando as
nuvens e as gotículas de água. Quando essas gotículas ficam maiores e pesadas,
ocorre a sua precipitação.

A água precipitada pode receber diferentes destinos. Uma parte


precipita sobre rios, lagos e oceanos, enquanto o restante cai sobre o solo.
Nesse último caso, a água pode percorrer dois caminhos: escoar sobre
a superfície terrestre e desaguar em rios e lagos, ou ainda, infiltrar no solo
abastecendo os lençóis freáticos. Este ciclo está exemplificado na figura a

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 3

seguir.

FIGURA 1 – CICLO DA ÁGUA

FONTE: Disponívelem:<http://ga.water.usgs.gov/edu/graphics
watercycleportuguesehigh.jpg>. Acesso em: 20 maio 2013.

Concomitante ao ciclo da água, ainda temos a absorção da água pelas


plantas, através das raízes que estão no solo. Essa água também age como
solvente e reagente nas reações químicas intracelulares e, após participar
desses processos, ela é eliminada através da evapotranspiração. Nos animais
a absorção ocorre após a ingestão do líquido. Essa água, após participar dos
processos metabólicos essenciais à vida dos animais, é eliminada através da
urina e do suor.

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4 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

UNI

Diferença entre lençol freático e aquífero: Não vamos


confundir lençol freático com aquífero. Apesar de terem a
mesma origem, a água da infiltração das precipitações está
localizada em regiões diferentes no solo.
Lençol freático: Encontra-se em contato com a vegetação e
está mais próximo ao solo.
Aquífero: É a água subterrânea que ocorre abaixo da
superfície do solo e que preenche poros, fraturas, falhas ou
fissuras de rochas. Essa água é filtrada lentamente, podendo
levar séculos para os aquíferos serem formados. O aquífero
brasileiro mais conhecido é o Aquífero Guarani, que está
em constante ameaça devido à perfuração irregular de poços.

FIGURA 2 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UM AQUÍFERO

FONTE: Disponível em: <http://downloads.passeiweb.com/imagens/


newsite/saladeaula/geografia/brasil_aquifero_guarani_4.jpg>.
Acesso em: 20 maio 2013.

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A seguir apresentamos uma figura ilustrando quais os estados que


compreendem o Aquífero Guarani, no Brasil.

FIGURA 3 – O AQUÍFERO GUARANI

FONTE: Disponível em: <http://www.construirsustentavel.com.br/public/


uploads/images/agua1.jpg>. Acesso em: 20 maio 2013.

Como gestor ambiental, quais os problemas que você encontraria


na interferência deste ciclo? Ao ocorrer a interferência no ciclo da água,
a renovação deste recurso fica comprometida, causando assim secas e
desertificação em muitas áreas do globo terrestre.

Além destes problemas, quais outros também enfrentamos ao alterar o


ciclo da água? Ao alterar o solo que irá receber esta precipitação, estaremos
interferindo na recarga dos aquíferos terrestres. Aquíferos estes que são
de suma importância para a recarga dos rios e lagos, pois estes aquíferos não
estarão eternamente confinados. É deles que surgem as nascentes dos rios.
Também pode ocorrer a contaminação destes aquíferos pela lixiviação dos
agrotóxicos utilizados nas culturas agrícolas, que, muitas vezes, são aplicados
de forma excessiva.

2.1.2 Distribuição da água no planeta

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FIGURA 4 – DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO PLANETA

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/


galerias/imagem/0000001694/0000020471.jpg>. Acesso em: 25 abr. 2013.

Analisando a figura anterior, pode-se perceber que 97% da água


disponível no planeta Terra é salgada e proveniente dos oceanos. Apenas
3% é de água doce. Quanto à distribuição da água doce, nota-se que 79%
se encontram nas calotas polares, 20% em águas subterrâneas e 1% de águas
superficiais. As águas superficiais, por sua vez, distribuem-se 52% em lagos,
38% umidade do solo, 8% em vapor atmosférico, 1% água disponível para
plantas e 1% em rios.

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FIGURA 5 – DISPONIBILIDADE DE ÁGUA DOCE NO MUNDO.

FONTE: Disponível em: <http://www.ecoltec.com.br/images/agua-no-mundo.jpg>. Acesso


em: 21 maio 2013.

2.1.3 Características físico-químicas da água:

• É conhecida como solvente universal.

• É um líquido incolor, insípido e inodoro.

• Possui tensão superficial alta (0,07198 N m-1 a 25 ºC).

• Apresenta densidade acerca de 4ºC: 1 g/cm3 e tem valores de densidade


menor ao arrefecer e ao aquecer.

• É a única substância que, quando congelada, aumenta o seu volume, ou seja,


sua estrutura química expande-se.

• A água pura congela a 0ºC e entra em ebulição aos 100ºC, à pressão


atmosférica normal, 25ºC.

2.1.3.1 Química da água: Fórmula estrutural e Fórmula molecular

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• A água é uma molécula ímpar dentro da química. É uma substância composta


por dois gases, ou seja, por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio,
e à temperatura ambiente, 25ºC, encontra-se no estado líquido. Isso se deve à
sua geometria molecular.

• A molécula da água possui geometria angular, com um ângulo de ligação de


aproximadamente 104,45º. Vide figura a seguir:

FIGURA 6 – GEOMETRIA MOLECULAR E ÂNGULO DE LIGAÇÃO DA ÁGUA

FONTE: Disponível em: <http://wmnett.com.br/quimica/wp-content/


uploads/2011/11/image579.gif>. Acesso em: 24 abr. 2013.

• Devido à sua geometria molecular, ou seja, à forma como os átomos estão


posicionados espacialmente, a molécula é caracterizada como polar, isso
porque a soma do momento dipolo é diferente de zero. Vide figura a seguir:

FIGURA 7 – MOMENTO DIPOLAR DA ÁGUA

FONTE: Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/upload/conteudo/


images/momento-dipolar-da-agua.jpg>. Acesso em: 24 abr. 2013.

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Note, na figura anterior, que os vetores saem dos hidrogênios,


elementos menos eletronegativos, em direção ao oxigênio, elemento mais
eletronegativo. Assim, os vetores seguem para o mesmo sentido e direção,
somando-se e apresentando um momento dipolar resultante diferente zero.
Esta é a comprovação química da polaridade da molécula da água. Lembre-se
da regra de solubilidade: Semelhante dissolve semelhante, logo, são solúveis
em água apenas substâncias polares.

2.1.3.2 Evolução do Consumo da Água no planeta:

Observe a figura a seguir:

FIGURA 8 – CONSUMO DE ÁGUA NO PLANETA

FONTE: Disponível em: <http://www.netxplica.com/verifica.o.que.sabes/Imagem36.png>.


Acesso em: 25 abr. 2013.

Com relação à figura anterior, pode-se notar uma disparidade entre a


evolução da água no mundo, onde 70% da água é consumida na agricultura,
20% nas indústrias e 10% para o consumo humano. Comparando os países
desenvolvidos com os em desenvolvimento, verifica-se que no primeiro
caso, 59% da água é consumida na indústria contra 10% no segundo.
Enquanto nos países desenvolvidos 30% é utilizada na agricultura, nos
países em desenvolvimento chega a 82%. Finalizando, enquanto nos países
desenvolvidos gasta-se 11% da água com o consumo doméstico, nos países
em desenvolvimento consome-se 8% neste setor.

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FIGURA 9 – UTILIZAÇÃO DE ÁGUA NO BRASIL

FONTE: Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-


agua/imagens/agua-29.gif>. Acesso em: 25 abr. 2013.

A partir da figura anterior podemos verificar o cenário nacional da


utilização da água. O setor agrícola é responsável por uma grande fatia desse
gráfico. Apenas 40% da água são aplicados de forma igual no abastecimento
urbano e industrial.

2.2 CLASSES DE ÁGUAS

Art. 3º As águas doces, salobras e salinas do território nacional


são classificadas, segundo a qualidade requerida para os seus usos
preponderantes, em 13 classes de qualidade.

Parágrafo único. As águas de melhor qualidade podem ser aproveitadas


em uso menos exigente, desde que este não prejudique a qualidade da
água, atendidos outros requisitos pertinentes.

Das águas doces

Art. 4º As águas doces são classificadas em:

I - Classe especial: águas destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;

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b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e,

c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de


proteção integral.

II - Classe 1: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;

b) à proteção das comunidades aquáticas;

c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e


mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;

d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se


desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de
película; e

e) à proteção das comunidades aquáticas em terras indígenas.

III - Classe 2: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;

b) à proteção das comunidades aquáticas;

c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e


mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;

d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos


de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e

e) à aquicultura e à atividade de pesca.

IV - Classe 3: águas que podem ser destinadas:

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12 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional


ou avançado;

b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;

c) à pesca amadora;

d) à recreação de contato secundário; e

e) à dessedentação de animais.

V - Classe 4: águas que podem ser destinadas:

a) à navegação; e

b) à harmonia paisagística.

Das águas salinas

Art. 5º As águas salinas são assim classificadas:

I - Classe especial: águas destinadas:

a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de


proteção integral; e

b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas;

c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de


proteção integral.

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 13

II - Classe 1: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;

b) à proteção das comunidades aquáticas;

c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e


mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;

d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se


desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de
película; e

e) à proteção das comunidades aquáticas em terras indígenas.

III - Classe 2: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;

b) à proteção das comunidades aquáticas;

c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e


mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;

d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos


de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e

e) à aquicultura e à atividade de pesca.

IV - Classe 3: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional


ou avançado;

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b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;

c) à pesca amadora;

d) à recreação de contato secundário; e

e) à dessedentação de animais.

V - Classe 4: águas que podem ser destinadas:

a) à navegação; e

b) à harmonia paisagística.

Das águas salobras

Art. 6º As águas salobras são assim classificadas:

I - Classe especial: águas destinadas:

a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de


proteção integral; e

b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.

II - Classe 1: águas que podem ser destinadas:

a) à recreação de contato primário, conforme Resolução CONAMA nº


274, de 2000;

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b) à proteção das comunidades aquáticas;

c) à aquicultura e à atividade de pesca;

d) ao abastecimento para consumo humano após tratamento convencional


ou avançado; e

e) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se


desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de
película, e à irrigação de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com
os quais o público possa vir a ter contato direto.

III - Classe 2: águas que podem ser destinadas:

a) à pesca amadora; e

b) à recreação de contato secundário.

IV - Classe 3: águas que podem ser destinadas:

a) à navegação; e

b) à harmonia paisagística.

FONTE: Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.


pdf>. Acesso em: 5 maio 2013.

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16 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

2.3 ÁGUAS RESIDUAIS OU EFLUENTES:

• A água depois de utilizada transforma-se numa água poluída, tecnicamente


denominada de Água Residual.

• São geralmente produtos líquidos ou gasosos produzidos por indústrias


ou resultante dos esgotos domésticos urbanos que são lançados no meio
ambiente. Podem ser tratados ou não tratados.

• Efluentes Domésticos – Composição:

Água (99,9%)

Sólidos (0,1%)

Sólidos Suspensos

Sólidos Dissolvidos

Matéria Orgânica

Nutrientes (Nitrogênio, Fósforo)

Organismos Patogênicos (vírus, bactérias, protozoários, helmintos).

• Efluentes Industriais:

De acordo com a Norma Brasileira — NBR 9800/1987, efluente líquido


industrial é o despejo líquido proveniente do estabelecimento industrial,
compreendendo emanações de processo industrial, águas de refrigeração
poluídas, águas pluviais poluídas e esgoto doméstico.

• Efluentes agrícolas:

Efluentes de viveiros de engorda de gado responsáveis pela liberação

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de nutrientes, medicamentos e hormônios no ambiente e nas fontes de água


superficial e subterrânea.

Poluição resultante do fluxo de retorno de agricultura e sedimentos


resultantes da erosão dos terrenos cultivados.

Escoamento superficial da agricultura pode resultar na acumulação de


nutrientes como nitrogênio e fósforo, levando à eutrofização.

• Efluentes pluviais:

Provenientes das chuvas coletadas pelos sistemas urbanos de


saneamento básico nas chamadas galerias de águas pluviais ou esgotos pluviais,
sendo posteriormente lançadas nos cursos d'água, lagos, lagoas, baías ou no
mar.

i) Etapas de tratamento de efluentes:

FIGURA 10 – ETAPAS DE TRATAMENTOS DE EFLUENTES

FONTE: Disponível em: <http://www.c2o.pro.br/vis_int_agua/


figuras/tratamentos.jpeg>. Acesso em: 26 abr. 2013.

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18 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

Observe a seguir a descrição das etapas de tratamento citadas na figura


anterior.

1 – Pré-tratamento ou tratamento preliminar: remoção, através de um sistema


de gradeamento, de sólidos grosseiros. Também ocorre a remoção de óleos
e graxas através de caixas de gordura adaptadas com decantador, tanque
aerado ou separador.

2 – Tratamento Primário ou Clarificação: remoção de compostos inorgânicos e


metais pesados através das etapas de sedimentação, floculação ou decantação.

3 – Tratamento Secundário: consumo de matéria orgânica através de grande


quantidade de microrganismos em reatores biológicos aerados. Esse processo
biológico é conhecido como lodo ativado ou filtro biológico. Pode apresentar
até 95% de eficiência, dependendo dos processos de operação da ETE
(Estação de Tratamento de Efluentes).

4 – Terciário: remoção dos patógenos e/ou de nitrogênio (azoto) e fósforo,


evitando a eutrofização das águas receptoras, através do processo de
desinfecção das águas residuais tratadas antes de serem lançadas ao corpo
receptor.

Na figura a seguir, segue um esquema demonstrativo das etapas de


tratamento explicadas anteriormente.

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 19

FIGURA 11 – TRATAMENTO DE ESGOTO

FONTE: Disponível em: <http://www.sabesp.com.br/sabesp/filesmng.nsf/site/


tratamento_esgoto.gif/$File/tratamento_esgoto.gif?OpenElement>. Acesso em:
26 abr. 2013.

2.4 TIPOS DE TRATAMENTO:

FIGURA 12 – TIPOS DE TRATAMENTO

FONTE: Disponível em: <http://site.sabesp.com.br/site/uploads/


secao/220220132158_tipos_tratamento.jpg>. Acesso em: 26 abr. 2013.

2.4.1 Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente (RAFA)

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20 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

É um reator fechado onde o tratamento biológico ocorre por


processo sem a presença de oxigênio, ou seja, anaeróbio. A matéria orgânica é
decomposta por microrganismos presentes num manto de lodo.

O esgoto sai pela parte inferior do reator e é filtrado pela camada


de lodo. Esse processo pode apresentar até 75% de eficiência, necessitando
de um tratamento complementar mecanizado realizado através da lagoa
facultativa.

2.4.2 Lagoa facultativa

Possui cerca de 1,5 a 3 metros de profundidade com condições


aeróbias, faixa superior das águas, e anaeróbias, faixa inferior das águas (com e
sem oxigênio).

O oxigênio presente é fornecido pelo ambiente externo e pela


fotossíntese das algas. Esse oxigênio, produzido pelas algas, é usado pelas
bactérias presentes na água para oxidar a matéria orgânica liberando gás
carbônico, este que é aproveitado pelas algas durante a fotossíntese.

Este tipo de tratamento é ideal para pequenas comunidades, pois


reduz grande parte do lodo.

2.4.3 Lagoa anaeróbia

São lagoas profundas, de 3 e 5 metros, para diminuir a entrada de luz


nas camadas inferiores. Uma grande carga de matéria orgânica é depositada
para que o oxigênio consumido supere o que é produzido.

Esse processo ocorre em duas etapas. Primeiro, a matéria orgânica é


decomposta e transformada em estruturas menores. Segundo, a matéria
orgânica é transformada em metano, gás carbônico e água.

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 21

2.4.4 Lagoa aerada

O processo é aeróbio, necessitando de aeradores para gerar oxigênio


e manter os sólidos separados (em suspensão). As lagoas apresentam
profundidade que varia de 2,5 a 4,0 metros. Esse tratamento deve ser
realizado em várias lagoas aeradas, para que ocorra uma boa separação dos
sólidos.

2.4.5 Baias e valas de infiltração

Trata-se de um tratamento complementar onde o esgoto é passado


por um filtro de areia e pedregulho, que fica instalado no solo.

2.4.6 Flotação

É um processo físico-químico, que utiliza um coagulante para a formação


de flocos de sujeira, facilitando a remoção. Através de um sistema de
pressurização de água, as bolhas de ar formadas fazem com que as partículas
flutuem na superfície da água. Em seguida, o lodo formado é enviado a uma
estação de tratamento de efluentes (ETE).

2.4.7 Lagoa de maturação

São lagoas mais rasas, com profundidade que varia de 0,5 a 2,5 metros,
que complementam qualquer outro sistema de tratamento de esgotos. Neste
processo ocorre a remoção de bactérias e vírus de forma mais eficiente
devido à radiação ultravioleta, proveniente da incidência da luz solar, que atua
como agente esterilizante.

2.5 DOENÇAS

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22 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

A falta de saneamento básico traz muitas consequências prejudiciais aos


seres humanos, o que pode resultar na proliferação de vetores (ratos, insetos)
que carregam doenças. Além dos vetores, a própria falta de tratamento
da água também auxilia no aparecimento de doenças, tais como: amebíase,
ancilostomíase, ascaridíase, cisticercose, cólera, dengue, diarreia, disenterias,
elefantíase, esquistossomose, febre amarela, febre paratifoide, febre tifoide,
giardíase, hepatite, infecções na pele e nos olhos, leptospirose, malária,
poliomielite, teníase e tricuríase.

Vamos agora discorrer sobre as mais frequentes em nosso país.

A diarreia pode ser provocada por micróbios adquiridos pela comida


ou água contaminada. As mais leves normalmente acabam sozinhas. Mesmo
assim é importante a ingestão de líquidos para evitar a desidratação. Crianças
e idosos correm maior risco de desidratação. Por isso, é importante tomar
também os sais de reidratação oral, fornecidos pelos postos de saúde.

A Cólera é originária da Ásia, mas se espalhou para outros continentes


a partir de 1817, chegou ao Brasil no ano de 1885. A cólera é uma doença
infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos. A bactéria que provoca a
cólera é o Vibrio cholerae. Ao infectar o intestino humano, essa bactéria faz
com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais,
acarretando séria desidratação. Os sintomas são: náuseas e vômitos; cólicas
abdominais; diarreia abundante. A cólera é transmitida principalmente pela
água e por alimentos contaminados. A prevenção da cólera pode ser feita
através de medidas de higiene e saneamento básico.

A leptospirose é uma doença bacteriana, que afeta humanos e animais


e é causada pela bactéria do gênero Leptospira. Transmitida pela água e
alimentos contaminados pela urina de animais, principalmente o rato. É uma
doença muito frequente após as enchentes, pois as pessoas andam sem
proteção em águas contaminadas. Os sintomas da leptospirose são: febre alta,
dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular e vômito. A prevenção é não ter
contato com água de enchentes e contaminadas.

A dengue é uma virose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti,


ocorrendo a picada apenas no período diurno. A infecção pode ser causada
por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus da dengue, que
produzem as mesmas manifestações. Os sintomas são: início súbito de febre
alta, dor de cabeça e muita dor no corpo, também é comum a sensação de
intenso cansaço, falta de apetite algumas vezes, náuseas e vômitos. A dengue
não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra.

As constantes inundações e enchentes que ocorrem no país são

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 23

responsáveis pela proliferação dessas doenças. A falta de orientação no


planejamento urbano resulta, muitas vezes, em construções nas áreas de
preservação permanente (APP), afetando assim os cursos d’água e interferindo
na dinâmica do rio, ocasionando o transbordo do mesmo e assim ocorrendo as
enchentes em momentos de grande volume de precipitação. A seguir você
pode observar o leito do Rio Itajaí-açu em Blumenau-SC, antes e durante a
enchente que ocorreu em 2011 (FIGURA 13 A e B).

FIGURA 13 A - Antes FIGURA 13 B - Durante

FONTE: Disponível em: <http:// FONTE: Disponível em: <http://


www.blumenau.sc.gov.br/ www.clicrbs.com.br/rbs/
gxpfiles/site001/content/ image/11958182.jpg>. Acesso
image/source0000000011/ em: 21 maio 2013.
IMA0000010000002692.jpg>.
Acesso em: 21 maio 2013.

2.6 AMBIENTES AQUÁTICOS

O decreto do Código das Águas, de 1934, foi a primeira legislação

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24 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

referente às águas brasileiras. Esse código é utilizado até hoje, salvo algumas
alterações. Entretanto, apesar de já existir legislação referente ao meio
ambiente, apenas em meados dos anos 90 foram aplicadas as leis ambientais
brasileiras. Isto só ocorreu após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), conhecida também como ECO-92.
Nesta conferência, as questões ambientais e o desenvolvimento econômico
foram discutidos entre os países participantes, que foram cobrados quanto à
sua responsabilidade ambiental.

A falta de fiscalização resultou em construções em áreas consideradas


de preservação permanente (APP). Isso aumentou o grave problema ambiental
e social que enfrentamos hoje, isto é, na proliferação de áreas de risco, onde
muitas famílias estão instaladas erroneamente em encostas de morros ou APP,
acarretando, em momentos de grandes precipitações, deslizamentos e enchentes.

2.6.1 Mata Ciliar

As áreas que contornam os corpos d’água são chamadas de matas


ciliares. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem tão importantes para a
proteção de rios e lagos, como são os cílios para nossos olhos. As matas ciliares
são fundamentais para o equilíbrio ecológico, proporcionando proteção para
as águas e o solo, reduzindo o assoreamento e a força das águas que chegam a
rios, lagos e represas, mantendo a qualidade da água e impedindo a entrada de
poluentes para o meio aquático. Formam, além disso, corredores que contribuem
para a conservação da biodiversidade; fornecendo alimento e abrigo para a
fauna; constituem barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças
da agricultura; e, durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono,
um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que afetam o
planeta.

A principal razão da destruição dessas matas ciliares é o cultivo de


pastagens e lavouras. Por essa área possuir uma maior umidade, irá permitir um
melhor desenvolvimento de pastagens e lavouras na estação da seca e, por
essa razão, os fazendeiros recorrem a essa opção mais simples.

Outra causa é o desmatamento. A Amazônia sofre, ainda hoje, um


processo de diminuição contínua de sua floresta devido às políticas de
incentivo à pecuária e culturas de exportação (café, cacau etc.). O aumento
das populações rurais e a prática de sistemas de produção que não são
adaptados às condições locais de clima e solo têm sido fatores responsáveis

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 25

pela destruição de vastas extensões de florestas nativas na região.

Além do processo de urbanização, as matas ciliares sofrem pressão


antrópica por uma série de fatores: são as áreas diretamente mais afetadas na
construção de hidrelétricas; nas regiões com topografia acidentada, são as áreas
preferenciais para a abertura de estradas, para a implantação de culturas agrícolas
e de pastagens; para os pecuaristas, representam obstáculos de acesso do gado ao
curso d'água etc.

FIGURA 15 – AMBIENTE COM MATA CILIAR X AMBIENTE URBANIZADO

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/


galerias/imagem/0000001284/0000015239.jpg>. Acesso em: 21 maio
2013.

Portanto, as matas ciliares constituem o ambiente aquático, pois as


mesmas realizam a proteção dos corpos hídricos.

2.7 DEMANDA MUNDIAL PELA ÁGUA

A irrigação é utilizada em 40% da produção mundial de alimentos. Portanto,


perante o crescente aumento populacional mundial, a preocupação com a escassez
de alimentos aumenta cada dia mais.

Prevê-se que a população mundial aumente de 6,9 bilhões em 2010

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26 A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS

para 8,3 bilhões em 2030 e para 9,1 bilhões em 2050 (UNDESA, 2009). Em
consequência do aumento populacional, prevê-se a demanda por alimentos
aumentada em 50% e 70% até 2050 (BRUINSMA, 2009). Enquanto isso, a
demanda por fontes renováveis de energia irá aumentar em 60% (WWAP,
2009).

A produção de energia é outra grande preocupação. Conforme aumenta


a população mundial, mais recursos do planeta serão requeridos. Para tanto, a
água é o bem mais precioso para a manutenção da vida no planeta Terra.

FIGURA 16 – ÁGUA POTÁVEL

FONTE: Disponível em: <http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIME-


DIA/FIELD/Brasilia/brz_water_year_infographic_pt_2013.JPG>.
Acesso em: 21 maio 2013.

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A ÁGUA E OS EFLUENTES LÍQUIDOS 27

REFERÊNCIAS

INSTITUTO TRATA BRASIL. Manual do Saneamento Básico. 2012. Disponível


em: <www.tratabrasil.org.br>. Acesso em: 16 abr. 2013.

SERVIÇO GEOLÓGICO DOS ESTADOS UNIDOS. USGS. Disponível em:


<http://ga.water.usgs.gov/edu/watercycleportuguese.html>. Acesso em: 25
abr. 2013.

RESOLUÇÃO CONAMA 357/2005. Disponível em: <http://www.mma.gov.


br/port/conama/res/res05/res35705.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2013.

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