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Universidade Aberta

Pós-Graduação em
Segurança, Higiene e
Saúde no Trabalho
Unidade Curricular 5: Ergonomia do Trabalho

Pedro Filipe Aguilar Brigas


2015
FICHA TÉCNICA

Título

Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho.

Unidade Curricular 5: Ergonomia do Trabalho.

Autoria

Pedro Filipe Aguilar Brigas

pbrigas9@gmail.com

Ano de Edição

2015

Entidade

Universidade Aberta

Palácio Ceia, Rua da Escola Politécnica, 141-147. 1269-001 Lisboa

Telf. 21 391 63 00

Fax. 21 391 65 167

www.uab.pt

uab@univ-ab.pt
A relação dos trabalhadores com o
seu ambiente de trabalho torna-se
cada vez mais importante neste
tempo de mudança e de
competitividade.

O aumento da produtividade, a
diminuição dos acidentes de trabalho
e a baixa do absentismo por doenças
profissionais são objectivos
perseguidos por todos os
empreendedores que se querem
manter na corrida e vencer a
concorrência.

A legislação em vigor sobre


segurança e saúde no trabalho faz
com que as empresas se preocupem
com a forma como os seus
trabalhadores se relacionam física e
emocionalmente com o seu local,
ambiente, posto e instrumentos de
trabalho.
UC 5: Ergonomia no Trabalho

Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

ÍNDICE GERAL

ÍNDICE GERAL ......................................................................................................................1


COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR / PRÉ-REQUISITOS ...........................................................3
RESUMO ...............................................................................................................................4
1. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA .................................................................................6
1.1 Evolução do conceito de Ergonomia.......................................................................6
1.2 Classificações em Ergonomia................................................................................11
1.3 Metodologia .............................................................................................................14
1.3.1 Fases da Análise Ergonómica do Trabalho .........................................................14
1.3.2 Tarefa Vs Actividade ...........................................................................................18
1.4 Técnicas utilizadas na Análise Ergonómica do Trabalho ....................................19
1.4.1 Observação ........................................................................................................19
1.4.2 Checklist .............................................................................................................21
1.4.3 Focus Group .......................................................................................................24
1.4.4 Questionários .....................................................................................................27
1.4.5 Verbalizações .....................................................................................................29
1.4.6 Entrevistas ..........................................................................................................31
2. RELAÇÃO ENTRE FISIOLOGIA E ERGONOMIA ...................................................33
2.1 Trabalho muscular ..................................................................................................33
2.2 Lesões Músculo-esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) .............35
2.2.1 Principais categorias ...........................................................................................36
2.2.2 Factores de Risco ...............................................................................................37
3. RELAÇÃO ENTRE ANTROPOMETRIA E ERGONOMIA.........................................39
3.1 Diferenças individuais ............................................................................................40
3.2 Medidas Antropométricas Estáticas ......................................................................41
3.3 Medidas Antropométricas Dinâmicas....................................................................42
4. CONCEPÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO ..........................................................44
5. CONCEPÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TRABALHO ............................................47
6. INTERFACE HOMEM-MÁQUINA .............................................................................50
7. FACTORES AMBIENTAIS DE INCOMODIDADE ....................................................55
7.1 Ruído .......................................................................................................................55
7.2 Vibrações.................................................................................................................57
7.3 Ambiente Térmico ...................................................................................................59
7.4 Qualidade do Ar ......................................................................................................61
8. SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO ..................................................................................63

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8.1 Tipos de iluminação................................................................................................65


8.2 Tipos de lâmpadas ..................................................................................................66
8.3 Riscos ......................................................................................................................67
8.4 Prevenção................................................................................................................68
9. TRABALHO COM ECRÃS DE VISUALIZAÇÃO ......................................................70
9.1 Riscos associados à interacção com e ecrãs de visualização ............................70
9.2 Medidas de prevenção e protecção .......................................................................73
9.2.1 Postos de trabalho ..............................................................................................73
9.2.2 Tipo de computador (fixo ou portátil)...................................................................74
9.2.3 Ecrã de visualização (Monitor) ............................................................................75
9.2.4 Cadeira ...............................................................................................................76
9.2.5 Rato e Teclado ...................................................................................................76
9.2.6 Acessórios ..........................................................................................................77
10. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ............................................................................79
10.1 Carga de trabalho ...................................................................................................81
10.1.1 Carga Física .......................................................................................................84
10.1.2 Carga Mental ......................................................................................................87
10.2 Trabalho nocturno ..................................................................................................89
10.3 Trabalho por turnos ................................................................................................92
11. MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCO .......................................................................94
11.1 Questionários de auto-avaliação ...........................................................................94
11.2 Métodos Directos ....................................................................................................95
11.3 Métodos Observacionais ........................................................................................96
11.3.1 Método RULA .....................................................................................................99
11.3.2 Método REBA ...................................................................................................101
11.3.3 Método OWAS ..................................................................................................103
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................106
ANEXOS ............................................................................................................................111
Aplicação do Método RULA ............................................................................................112
Aplicação do Método REBA ...........................................................................................114

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COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR / PRÉ-REQUISITOS

No final da Unidade Curricular 5, os alunos deverão ser capazes de:

 Traçar as linhas de um projecto de melhoria das condições de trabalho de uma


organização;

 Listar as situações concretas em que um ergonomista pode e deve intervir numa


organização;

 Aplicar instrumentos de análise das condições de trabalho, adaptando-os à sua


organização.

 Reconhecer quando um ambiente, posto ou local de trabalho é incorrecto ou


inadequado sob o ponto de vista da ergonomia e apontar concretamente o que está
mal e a forma como corrigir;

 Identificar e avaliar os riscos da não preocupação ergonómica;

 Propor medidas concretas de natureza preventiva e ou correctiva contra os riscos


com implicações ergonómicas detectados;

 Optimizar condições de trabalho específicas.

Cumulativamente, os alunos devem possuir:

 Habilitações académicas mínimas ao nível do 1º ciclo do ensino superior (licenciatura


ou bacharelato);

 Conhecimentos e prática de informática como utilizadores, em ambiente Windows;

 Prática de utilização de browsers de navegação na Web;

 Ter acesso à Internet e uma conta de correio electrónico activa;

 Disponibilidade de, mais ou menos, 13 horas por semana para:

o Participação nos fora de discussão e nos chats;

o Realização do autoestudo dos conteúdos disponibilizados online;

o Cumprimento das tarefas determinadas;

o Elaboração das autoavaliações e avaliações formativas e sumativas.

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RESUMO

O Módulo de Ergonomia está dividido em 11 Capítulos. Embora cada Capítulo seja


independente dos restantes, não podemos esquecer que a aprendizagem neste Módulo,
bem como o atingir dos seus objectivos, está dependente de uma abordagem transversal a
todos eles, integrando sucessivamente novos conteúdos num conhecimento geral.

O Capítulo 1 incide sobre os aspectos básicos da Ergonomia, essenciais a quem tem


uma primeira abordagem sobre esta temática. Assim sendo, será dado a conhecer o
conceito de Ergonomia, no presente e considerando a sua evolução histórica, as duas
correntes de Ergonomia existentes e as diferentes classificações que lhe estão subjacentes.
Far-se-á também a descrição das diferentes etapas da Metodologia Ergonómica e a
importante distinção entre o conceito de Tarefa e o conceito de Actividade. Por fim,
analisaremos em pormenor algumas das técnicas frequentemente aplicadas por um
Ergonomista no seu trabalho no terreno, salientando a sua importância, a forma de as
conceber, as suas vantagens e as suas desvantagens.

No Capítulo 2, a relação entre Fisiologia e Ergonomia será analisada sob o ponto de


vista do trabalho muscular, isto é, movimentos e forças, e das Lesões Músculo-esqueléticas
relacionadas com o Trabalho (LMERT), referindo as suas causas, consequências e factores
de risco. Será dado ênfase a um dos segmentos corporais mais “atacado” pelas condições
de trabalho nos dias de hoje, a coluna vertebral.

No Capítulo 3 estabelece-se a relação entre Antropometria e Ergonomia. Para além


da de se referir a forma adequada de apresentar os dados obtidos num Estudo
Antropométrico, as 4 limitações antropométricas e os 3 diferentes tipos físicos (biótipos),
serão ainda referidos e caracterizados os dois tipos de medidas antropométricas, as
medidas antropométricas estáticas e as medidas antropométricas dinâmicas

O Capítulo 4 diz respeito à concepção de Postos de Trabalho, pelo que serão dados
a conhecer alguns princípios que devem ser seguidos de forma a garantir a segurança,
saúde, conforto e bem-estar do trabalhador, não esquecendo a discussão Trabalho em Pé
Vs Trabalho Sentado.

Seguindo uma estrutura lógica, no Capítulo 5, Concepção de Equipamentos de


Trabalho, serão apresentadas algumas medidas que devem ser tomadas na concepção de

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dispositivos de comando e mostradores de modo a garantir a sua correcta utilização por


parte dos trabalhadores, contribuindo para a sua segurança e para a segurança do Sistema.

No Capítulo 6 falar-se-á da relação Homem-Máquina. Depois de referidos e


apresentados os dois momentos-chave desta relação, a entrada de dados e a
saída/compreensão da resposta, o foco será voltado para a Usabilidade de Sistemas,
apresentando o conceito e a principal forma de a avaliar, as 10 Heurísticas de Nielsen.

No Capítulo 7, os riscos físicos (Ruído, Vibrações, Ambiente Térmico e Qualidade do


Ar) serão analisados não de uma forma técnica, mas sim de acordo com os efeitos que
provocam nos trabalhadores quando se encontram fora de parâmetros considerados
normais.

No Capítulo 8, Sistemas de Iluminação, serão apresentadas e caracterizadas as


diferentes Grandezas de Luminosidade. Posteriormente centrar-nos-emos em aspectos
como os tipos de iluminação, tipos de lâmpadas, riscos e medidas de prevenção.

O Capítulo 9 é específico para o trabalho desenvolvido com ecrãs de visualização,


particularmente o trabalho informatizado, isto é, em ambiente de escritório. Depois de
caracterizar este tipo de trabalho, serão apresentados os diferentes riscos que lhe estão
associados, aprofundando os Riscos Visuais e os Riscos Psicossociais, uma vez que os
riscos ao nível músculo-esquelético foram tratados no Capítulo 2. No final serão enunciados
alguns princípios a considerar na concepção destes postos de trabalho, centrando-nos
essencialmente ao nível do mobiliário.

No capítulo 10, o elemento Organização do Trabalho será decomposto em 3 sub-


elementos, Carga de Trabalho, Trabalho Nocturno e Trabalho por Turnos. A Carga de
Trabalho será analisada de uma forma geral, passando-se depois para a análise da Carga
Física e da Carga Mental. Sobre o Trabalho Nocturno, depois de feito o enquadramento
legal, serão apresentados os seus riscos. Quanto ao Trabalho por Turnos, para além do
enquadramento legal serão apresentados alguns princípios a considerar na elaboração do
Sistema de Turnos, as diferentes modalidades e os vários sistemas de rotação.

Por fim, no Capítulo 11, o Capítulo mais “prático”, serão referidos e caracterizados os
diferentes Métodos de Análise de Risco, dando especial atenção a alguns Métodos
Observacionais, mais especificamente os Métodos RULA, REBA e OWAS, detalhando a sua
forma de aplicação.

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1. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA

O termo “ergonómico” tem vindo a ser abusivamente utilizado em manobras de


Marketing. Este facto tem contribuído em muito para que as pessoas em geral tenham uma
ideia errada acerca do que é a Ergonomia.

É comum perguntar a alguém o que é a Ergonomia e ouvir uma resposta do género:


“É aquela coisa que faz com que as cadeiras e os colchões sejam bons”. Pois bem, esta
resposta está completamente errada e muito afastada da realidade.

O conhecimento da correcta definição de Ergonomia, dos seus princípios, objectivos,


metodologias e benefícios é absolutamente fundamental nos profissionais que queiram
intervir na área, tendo estes ainda a “responsabilidade” de transmitir esses elementos à
população em geral.

O campo de intervenção da Ergonomia está muito para além dos aspectos materiais
e palpáveis, pelo que esta não deve ser confundida com “cadeirologia”. Os equipamentos e
ferramentas são apenas uma das dimensões a partir da qual podemos analisar o trabalho
humano. Reduzir a Ergonomia à “ciência da cadeira” é tão redutor como pensar que as
lesões músculo-esqueléticas (LME) podem ser completamente irradiadas com a alteração
de um único equipamento ou ferramenta.

Uma abordagem global e multidisciplinar sobre esta temática é o caminho certo a


seguir para promover a saúde, segurança e bem-estar dos indivíduos, bem como garantir a
competitividade das organizações através do aumento da produtividade e qualidade dos
serviços prestados, resultante da melhoria das condições de trabalho.

1.1 Evolução do conceito de Ergonomia

Etimologicamente, a palavra “Ergonomia” deriva da junção de duas palavras gregas,


“ergon” (trabalho) e “nomos” (regras, leis, normas). Assim sendo, de uma forma simplista,
podemos dizer que a Ergonomia é a ciência do trabalho, que tem por objectivo a definição
das leis que o regem.

A primeira referência a este termo surgiu em 1857 através do estudioso polaco


Wojciech Jastrzebowski, na obra «Précis d’Ergonomie or de la Science du Travail basée sur
de verités tirée dês sciences de la nature».

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Porém, a sociedade da altura não estava preparada nem sensibilizada para este
conceito, pelo que a Ergonomia enquanto ciência ficou esquecida durante quase um século.

Ironicamente, um dos acontecimentos mais negros da História, a Segunda Grande


Guerra Mundial, foi o grande responsável pelo ressuscitar do conceito de Ergonomia e pelo
seu alastrar no mundo da indústria. O facto dos homens se verem várias vezes confrontados
com dificuldades no manuseamento de determinados equipamentos como armas e radares
e no comando de aviões, tanques e navios, preocupava as chefias, uma vez que esses
problemas não se inseriam em nenhum campo “conhecido” pela ciência, visto não serem
problemas estritamente clínicos, médicos ou organizacionais.

Por outro lado, considerando que nos países que entraram activamente na Segunda
Grande Guerra Mundial um grande número de homens foi chamado para acções de
combate, os seus lugares, num mundo que era já cada vez mais industrializado, foi ocupado
por algumas mulheres e homens com pouca ou nenhuma informação e experiência no
desempenhar dessas actividades. Também aqui, as dificuldades sentidas na organização do
trabalho e manuseamento das máquinas e ferramentas de trabalho foram tidas pelas chefias
como uma enorme preocupação.

A Ergonomia estava de novo “viva”. Em 1949, Murrel, em colaboração com um


conjunto de pesquisadores também eles ingleses, cria a Primeira Sociedade de Ergonomia,
a Ergonomic Research Society.

A partir de 1950 a Ergonomia expande-se e assiste-se à criação de associações e


sociedades de Ergonomia, tanto na Europa como nos EUA. Deste modo, ainda hoje
podemos definir duas correntes de Ergonomia, a Corrente Americana e a Corrente
Europeia.

No que toca à Corrente Americana, ou Anglo-Saxónica, a mais antiga, em 1957 foi


criada nos Estados Unidos da América (EUA) a Human Factors Society, sendo que ainda
hoje o termo Factores Humanos continua naquele país a ser utilizado e muitas vezes tido
como sinónimo de Ergonomia. Esta corrente entende a Ergonomia como a utilização de
algumas ciências (Fisiologia, Anatomia, Psicologia, entre outras) com o propósito de
melhorar as condições do trabalho humano, através da concepção de dispositivos técnicos
(máquinas, ferramentas, ecrãs, entre outros). Assim, podemos dizer que a Ergonomia se
centra no factor humano, considerando o Homem uma componente do sistema de trabalho.

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Em relação à corrente Europeia, ou Francófona, a Ergonomia aqui é entendida como


o estudo específico do trabalho humano com vista a melhorá-lo. Assim, a Ergonomia não se
deverá preocupar com a ferramenta ou o equipamento de trabalho de forma isolada, mas
sim com a globalidade do sistema de trabalho. Deve estar orientada para a organização do
trabalho, conhecendo-o em profundidade e respondendo a questões como: “Quem faz?”,
“Como faz?”, “Porque faz?”, “O que podemos mudar para que faça de outra forma?”. Neste
caso, a Ergonomia considera o Homem um actor do sistema de trabalho. Desta forma, a
intervariabilidade humana (idade, género, formação, experiência) tem de ser considerada
como um factor decisivo no modo como compreendemos o trabalho.

No que toca à definição propriamente dita de Ergonomia, muitos têm sido os autores
e organizações que nas últimas décadas têm apresentado a sua. Actualmente é consensual
o seu entendimento como:

 “Disciplina científica relacionada com a compreensão das interacções entre os seres


humanos e os outros elementos de um sistema, e a profissão que aplica princípios
teóricos, dados e métodos para conceber com vista a optimizar o bem-estar humano
e o desempenho global do sistema. Os seus profissionais, os ergonomistas,
contribuem para o planeamento, concepção e avaliação de produtos, tarefas, postos
de trabalho, organizações e ambientes de trabalho, de modo a torná-los compatíveis
com as necessidades, habilidades e limitações dos indivíduos.”” (Associação
Internacional de Ergonomia, fundada em Oxford no ano de 1959).

De uma forma simplista, podemos afirmar que a Ergonomia é uma ciência


multidisciplinar que tem por objecto de estudo o “trabalho humano” e por objectivo
“promover e optimizar a saúde, segurança, conforto e bem-estar do indivíduo, bem como o
desempenho global do sistema”.

A ergonomia é uma ciência multidisciplinar porque se serve do conhecimento


científico de outras disciplinas, tendo, no entanto, uma metodologia própria. Entre as
disciplinas que contribuem para o conhecimento em Ergonomia, podemos fazer referência à
Psicologia, Fisiologia, Anatomia, Biomecânica, Medicina, Sociologia ou Antropometria.

Ao nível da segurança, da saúde, do conforto e do bem-estar do indivíduo, a


intervenção ergonómica procura evitar riscos a curto prazo, como por exemplo acidentes,
bem como a médio e longo prazo, como por exemplo doenças profissionais. Procura ainda
diminuir a fadiga física e mental sentida pelo trabalhador no desempenhar da tarefa.

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De realçar o facto do conceito de “Saúde”, nos domínios da Ergonomia, ter uma


definição mais ampla que no senso comum, isto é, corresponde a um estado de completo
bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade
(Organização Mundial de Saúde).

Ao nível do desempenho global dos sistemas, a intervenção ergonómica centra-se


na eficácia e eficiência dos mesmos. A eficácia está relacionada com o atingir dos
objectivos, enquanto a eficiência está relacionada com os meios/recursos (matéria-prima,
recursos humanos, temporais e económicos) utilizados para atingir os objectivos.

Concluímos então, analisando a evolução histórica do objecto de estudo na análise


do trabalho, no fundo, da Ergonomia, que se registaram três grandes momentos:

 Um primeiro, em que o estudo se centra sobre a Máquina e o seu aperfeiçoamento.


O operador tinha então de se adaptar à máquina; procurava-se seleccionar e formar
o operador de acordo com as exigências e características das máquinas, ainda que à
custa de um longo e difícil processo de aprendizagem;

 Um segundo momento, em que, face aos problemas levantados pelos erros


humanos, o estudo se começou a centrar no Homem; procurava-se uma
modificação das máquinas tendo em consideração os limites próprios do Homem;

 Um terceiro, ou seja, a actual perspectiva em que se considera a análise no conjunto


do Sistema Homem-Máquina.

A Ergonomia pode ser aplicada em várias situações domésticas do dia-a-dia, mas


existem ainda mais aplicações no domínio laboral com resultados ao nível da melhoria
significativa da eficiência, produtividade, segurança e saúde nos postos de trabalho. Por
exemplo:

 No design/concepção de equipamentos e sistemas computadorizados, para que


sejam mais fáceis de utilizar e haja menor probabilidade de ocorrência de erros
durante a sua operação (salas de controlo, onde existe elevada carga de stress);

 Na definição de tarefas, de modo a que se tenham em conta as necessidades


humanas, tais como pausas para descanso e recompensas intrínsecas do trabalho;

 Na arquitectura da informação, de modo a que a interpretação e uso de guias, sinais


e ecrãs seja mais fácil e sem ocorrência de erros;

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 No design de equipamentos e organização do trabalho de modo a melhorar a


postura e aliviar a carga de trabalho no corpo, reduzindo assim as lesões músculo-
esqueléticas dos membros superiores e lesões resultantes de trabalho repetitivo;

 Na criação de acções de formação para que todos os aspectos do trabalho sejam


compreendidos pelos trabalhadores;

 No design de equipamento militar e espacial – casos extremos de resistência do


corpo humano;

 Na concepção de ambientes de trabalho, incluindo a iluminação e a temperatura, de


modo a satisfazer as necessidades dos utilizadores e das tarefas executadas.
Sempre que necessário, na concepção de equipamentos de protecção individual em
ambientes hostis.

Por forma a atingir os seus objectivos, a Ergonomia deve centrar-se sobre um vasto
conjunto de parâmetros relativos a diferentes elementos do sistema de trabalho (Tabela 1).

Tabela 1: Os 5 elementos do Sistema de Trabalho e exemplos de alguns dos seus parâmetros.

Espaço de Ambiente Organização


Homem Máquina
Trabalho Físico do Trabalho

- Características
- Acessibilidades
físicas/biográficas: - Sinalização; - Trabalho em
(vias de acesso e
• Idade; - Localização - Ambiente equipa;
circulação);
• Sexo; de comandos; térmico; - Trabalho
- Pavimentos,
• Dados antropométricos; - Estrutura e nocturno;
paredes e tectos; - Ambiente
dimensões; - Trabalho por
• Estado saúde. sonoro;
- Zonas de
- Fontes de turnos;
armazenagem;
- Capacidades cognitivas alimentação; - Ambiente - Horários;
e intelectuais; - Meios de
- Manutenção; luminoso; - Pausas;
sinalização e
- Formação e experiência - Matérias- - Ritmos;
visualização; - Ambiente
profissional; primas e
- Planos de vibratório; - Planos de
produtos;
- Aspectos sociais: trabalho; rotatividade;
- Tarefas e - Qualidade
• Familiares; - Dimensões; - Segurança;
sequências do ar.
• Motivações; - Disposição de - Polivalência.
operacionais.
• Interesses. equipamentos.

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1.2 Classificações em Ergonomia

Podemos fazer divisões dentro da Ergonomia, se considerarmos os contextos de


intervenção, o objecto de intervenção, o objectivo de intervenção, o domínio de
especialização, e a dimensão de intervenção.

Os contextos passíveis de intervenção por parte da Ergonomia são extremamente


variados, sendo que podemos destacar a indústria, trabalho informatizado, sistemas de
informação, hospitais, transportes, escolas e obras públicas.

No que diz respeito ao objecto de intervenção, podemos distinguir a Ergonomia do


Produto e a Ergonomia de Produção:

 Ergonomia do Produto: intimamente ligada à área de pesquisa e estudos,


colaborando frequentemente com o sector comercial no desenvolvimento de estudos
de mercado, com o sector de produção na avaliação dos custos de produção e na
definição da sua finalidade, e com outros sectores de concepção do produto, como o
design ou o controlo de qualidade.

 Ergonomia de Produção: está orientada para a procura das condições de trabalho


adequadas, focando-se em parâmetros organizacionais, do ambiente de trabalho e
do próprio posto de trabalho, em função das características e capacidades dos
trabalhadores.

Quanto ao objectivo, podemos considerar a Ergonomia de Concepção (Ergonomia


Pró-activa) e a Ergonomia de Correcção (Ergonomia Reactiva):

 Ergonomia de Concepção: está presente desde a fase inicial de concepção de um


produto, posto, equipamento ou sistema de trabalho, de forma a garantir a
optimização da segurança, conforto, usabilidade e eficácia (Ergonomia Pró-activa).

 Ergonomia de Correcção: intervém ao nível de inadaptações existentes no sistema


de trabalho que colocam em causa a saúde, segurança e bem-estar do trabalhador
e/ou a qualidade e quantidade de produção, isto é, a eficácia do sistema. Esta
intervenção é muitas vezes parcial, focando-se num equipamento, num aspecto da
organização ou num elemento do ambiente físico. A sua eficácia é mais limitada,
sendo que do ponto de vista económico também não é a mais recomendada
(Ergonomia Reactiva).

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No que toca aos domínios de especialização, a International Ergonomics Association


(IEA) sugere a divisão da Ergonomia em três classes:

 Ergonomia Física: diz respeito a características como a anatomia humana,


antropometria (medidas do corpo), fisiologia (consumo energético, trabalho
muscular), biomecânica e ambiente físico (ruído, iluminação, vibrações,
temperaturas), focando-se na influência destes factores sobre a actividade de
trabalho. Nesta classe inclui-se o estudo de parâmetros como as posturas,
manuseamento de equipamentos e ferramentas, movimentos repetitivos, lesões
músculo-esqueletais (LME) relacionados com o trabalho, segurança e saúde.

 Ergonomia Cognitiva: pressupõe que os trabalhadores não são meros executantes,


mas elementos activos do sistema, que não estão imunes a erros. Centra-se nos
processos mentais, como a percepção, a memória, o raciocínio e a definição de
modelos mentais. Nesta classe inclui-se o estudo de parâmetros como a carga
mental, a tomada de decisão, a interacção Homem-Máquina, o stress e a formação.

 Ergonomia Organizacional: esta classe apresenta-se como a mais recente e


desenvolveu-se a partir do peso óbvio que a organização do trabalho tem na
actividade de trabalho propriamente dita. Nesta fase inclui-se o estudo de parâmetros
como as comunicações entre trabalhadores e entre trabalhadores e chefias, a
organização temporal do trabalho, a organização espacial dos postos de trabalho e o
trabalho em grupo.

Por fim, considerando a dimensão de intervenção, podemos dividir a Ergonomia em


três classes:

 Micro-Ergonomia: estuda os diversos elementos específicos de um sistema de


trabalho, como por exemplo o ruído ou a temperatura.

 Meso-Ergonomia: estuda os utensílios de trabalho, focando-se na interdependência


entre os dispositivos e mostradores, nas alavancas de comando e de regulação, bem
como na sua disposição em função da velocidade e sucessão de operações.

 Macro-Ergonomia: estuda a globalidade do sistema Homem-Máquina. Considera o


Homem e a Máquina como componentes que trabalham em conjunto para alcançar
um mesmo fim, relacionando-se através de uma vasta rede de comunicações.

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O conceito e a prática ergonómica, como já vimos, têm evoluído de acordo com as


situações de trabalho e o estádio da tecnologia, pelo que podemos falar ainda em:

 Ergonomia Antropométrica ou Ergonomia Gestual: ocupa-se do estudo dos


gestos e posturas do trabalhador durante o trabalho, procurando adaptar a este os
postos de trabalho, as condições ambientais e os ritmos de produção;

 Ergonomia Informacional: estuda o arranjo dos dispositivos de sinalização,


informação e de comando, de forma a melhorar as condições de percepção da
informação por parte do trabalhador;

 Ergonomia dos Sistemas: trata das interacções do trabalhador com os materiais


em qualquer sistema produtivo, procurando definir as tarefas entre os operadores, as
condições de funcionamento e cargas de trabalho de cada um;

 Ergonomia de Previsão: procura prever e estudar a forma como cada trabalhador


realizará o seu trabalho efectivo, tendo em vista a maior redução possível do número
de incidentes e acidentes.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o “acidente” pode ser definindo


como um acontecimento independente da vontade humana, provocado por uma força
exterior, agindo rapidamente e manifestando-se por dano corporal ou mental.

Falando em “acidente”, torna-se essencial fazer a distinção entre os conceitos de


“perigo” e “risco”, conceitos muitas vezes usados no dia-a-dia como sinónimos.

A Lei 102/2009, de 10 de Setembro, define o “perigo” como “a propriedade intrínseca


de uma instalação, actividade, equipamento, um agente ou outro componente material do
trabalho com potencial para provocar dano.”, sendo o “risco” definido como a “probabilidade
de concretização do dano em função das condições de utilização, exposição ou interacção
do componente material do trabalho que apresente perigo”.

Assim sendo, podemos considerar o risco como a probabilidade de um sujeito poder


sofrer um dano em consequência da exposição a um determinado perigo. O risco surge em
função de uma exposição ao perigo, pelo que um perigo isolado não constituirá um risco em
situação alguma. O risco resulta da relação que se estabelece entre o perigo e as medidas
de prevenção e de protecção adoptadas para o controlar, uma vez que a probabilidade do
perigo se transformar em risco diminui à medida que os níveis de segurança aumentam.

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1.3 Metodologia

A prática ergonómica pode ser dividida em duas fases principais:

 A primeira, a Análise Ergonómica, consiste na identificação e na compreensão das


relações existentes entre as condições organizacionais, técnicas, sociais e humanas
que determinam a actividade de trabalho e os efeitos desta sobre o operador e o
sistema produtivo. Nesta etapa são utilizadas um conjunto de técnicas, como por
exemplo questionários e entrevistas, essenciais na recolha dos dados pretendidos.

 A segunda, chamada Intervenção Ergonómica, consiste na operacionalização de


planos de acção resultantes da análise ergonómica. A intervenção ergonómica pode
ser feita ao nível da concepção e/ou reformulação dos postos, espaços,
equipamentos e ferramentas de trabalho, ao nível da formação, ao nível do ambiente
físico ou nível da organização do trabalho.

1.3.1 Fases da Análise Ergonómica do Trabalho

A estratégia de análise ergonómica é definida em função da especificidade da


situação a analisar, pelo que não é possível estabelecer um modelo rígido de actuação, nem
tão pouco uma sucessão linear de etapas a seguir. Não existe portanto nenhum quadro
normativo em relação ao processo de análise ergonómica, tratando-se este de um processo
dinâmico, que se constrói progressivamente no tempo e no local de trabalho, com a
participação do analista e dos trabalhadores.

Porém, é possível identificar um conjunto de linhas gerais de orientação às diferentes


etapas que devem ser seguidas numa análise ergonómica do trabalho.

1- Pedido

Logicamente, tem de existir um pedido na base de qualquer análise ergonómica.


Esse pedido irá influenciar a escolha da estratégia a seguir ao longo de todo o processo.
Nesta primeira etapa é possível ao analista identificar responder a duas questões, “quem
pede?” e “o que pede”?

Em relação ao “quem pede”, podemos estar a falar do director de uma empresa ou


organização, do responsável pelos trabalhadores, de médicos do trabalho ou de
responsáveis pela segurança, entre outros.

Pedro Brigas, 2015 14


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Em relação ao “o que pede?” podemos referir-nos a um vasto número de situações,


como por exemplo:

 Contribuir para a evolução das situações de trabalho, devido à introdução de novas


tecnologias e formas de organização do mesmo;

 Resolver os disfuncionamentos atribuídos ao comportamento humano;

 Contribuir para a concepção de novas situações de trabalho;

 Responder a problemas como a ocorrência de acidentes, o absentismo e a falta de


produtividade e qualidade dos serviços.

2- Análise do pedido

Esta etapa corresponde ao objectivar do pedido, isto é, o pedido tem de ser visto da
mesma forma por parte de todos os envolvidos no processo.

Durante esta etapa é feita uma primeira visita aos locais de trabalho, conversa-se com
os responsáveis, procede-se à identificação dos actores que estão envolvidos no pedido e
verifica-se se este corresponde realmente à natureza do problema, sendo que se tal não
acontecer deve fazer-se a reformulação do pedido inicial.

Posto isto, elabora-se a proposta de intervenção onde devem constar elementos


como:

 Resultados a alcançar;

 Meios humanos e materiais necessários;

 Definição de prazos.

3- Conhecimento do funcionamento da empresa

O conhecimento dos vários sectores da empresa é absolutamente necessário para


que a intervenção definitiva tenha em conta as especificidades da mesma. Assim sendo,
devem ter-se em consideração diversos parâmetros, como por exemplo:

 Económico e Comercial: mercado, concorrência e níveis de produção;

Pedro Brigas, 2015 15


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 Social: características da população trabalhadora;

 Legislativo e Regulamentar: leis e regras aplicáveis àquele sector de actividade;

 Envolvimento geográfico: condições climatéricas;

 Organizacional e Produtivo: dados quantitativos e qualitativos, padrões de


qualidade;

 Técnico: características dos equipamentos tecnológicos e ferramentas de trabalho.

4- Análise das situações de trabalho

Nesta etapa procede-se à recolha de dados relativos ao funcionamento do sistema


produtivo e à actividade propriamente dita.

A partir desses dados é possível ao analista elaborar um pré-diagnóstico, que constitui


um primeiro enunciado das relações estabelecidas entre as condições de execução da
actividade, as suas características e os seus resultados. Estes elementos vão permitir a
formulação de hipóteses que na etapa seguinte serão tidas em conta.

5- Observação global da actividade

As hipóteses formuladas vão orientar a forma como a observação global da actividade


da actividade vai ser desenvolvida. Esta pode centrar-se em diversos aspectos, como por
exemplo:

 Deslocamentos;

 Posturas;

 Direcções do olhar;

 Comunicações.

Caso todos os dados relevantes não possam ser recolhidos através da observação
da actividade, podem utilizar-se outras técnicas de recolha de dados. Mais à frente, no ponto
1.4, irá ser feita uma descrição pormenorizada de cada uma dessas técnicas.

Pedro Brigas, 2015 16


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6- Diagnóstico

Chegamos então à etapa onde se procederá ao tratamento dos dados recolhidos e


ao estabelecimento de relações entre os resultados obtidos e as hipóteses anteriormente
formuladas. Nesta etapa, para além de um diagnóstico local, pode também ser estabelecido
um diagnóstico geral.

O diagnóstico local está intimamente relacionado com a proposta de intervenção que


havia sido anteriormente elaborada.

O diagnóstico geral surge da possibilidade de, no decorrer da recolha de dados, se


ter acesso a um conjunto de variáveis, que embora não fossem contempladas na proposta
de intervenção, assume um papel importante no assegurar de um funcionamento eficaz de
todo o sistema.

7- Definição de medidas correctivas

O papel do analista não se deve limitar à descrição das situações de trabalho


analisadas. Formulado o diagnóstico, devem ser definidas as medidas correctivas a
implementar na situação de trabalho analisada.

Essas medidas devem ser apresentadas às chefias ou a outros elementos que


possam ter estado na origem do pedido de intervenção, salientando os benefícios que daí
podem advir e os custos inerentes à sua implementação. De entre os benefícios, não
podemos esquecer aquele que é objectivo da Ergonomia, isto é, promover a saúde,
segurança, o conforto e o bem-estar dos trabalhadores, assim como a eficácia dos sistemas.
É importante ter sempre em consideração o contexto de implementação e outros factores
inerentes à empresa ou organização, como por exemplo a sua capacidade financeira e as
exigências legais a que está sujeita.

As medidas correctivas podem ser orientadas para modificações ao nível da


actividade desenvolvida pelo trabalhador, ou ao nível da organização do trabalho ou ao nível
dos equipamentos e ferramentas utilizados.

A colocação em prática destas medidas correctivas corresponde à fase Intervenção


Ergonómica. A actividade do “verdadeiro” ergonomista não deve acabar neste ponto, sendo
conveniente ter um papel activo no Acompanhamento / Avaliação dessa mesma
intervenção, com o objectivo de atestar a sua positividade ou proceder a correcções.

Pedro Brigas, 2015 17


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1.3.2 Tarefa Vs Actividade

Embora no quotidiano os conceitos de “Tarefa” e “Actividade” sejam muitas vezes


usados como sinónimos, a verdade é que na Análise Ergonómica do Trabalho estes são
completamente diferentes, sendo fundamental saber distingui-los (Figura 1).

Assim sendo, a “Tarefa” deve ser entendida como o trabalho prescrito, aquilo que o
trabalhador deve fazer. Trata-se portanto de um quadro formal que engloba os objectivos, os
procedimentos, os meios técnicos, a envolvente física, as condições temporais, entre outros.

Por outro lado, a “Actividade” deve ser entendida como o trabalho real, aquilo que o
trabalhador efectivamente faz. Trata-se portanto do conjunto de acções realizadas pelo
indivíduo com vista a responder aos objectivos previamente estabelecidos, isto é, o
comportamento físico e mental resultante da redefinição da tarefa em função de
constrangimentos presentes na situação real de trabalho e no seu íntimo.

Saber diferenciar estes dois conceitos é importante na medida em que irá permitir
identificar os desvios que existem entre o que foi idealizado pela organização e o que é
verdadeiramente realizado pelos indivíduos. Posto isto, partimos para o próximo passo, isto
é, saber porque existem esses desvios e intervir de forma a encontrar um equilíbrio que
permita tirar o máximo rendimento do sistema, não abdicando da segurança, conforto e
bem-estar dos indivíduos.

Figura 1: Exemplo de diferenciação entre tarefa e actividade, numa mesma situação de trabalho.

Pedro Brigas, 2015 18


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1.4 Técnicas utilizadas na Análise Ergonómica do Trabalho

Existem diversas técnicas que podem ser apliacas quando se tem por objectivo fazer
uma análise da actividade de trabalho. Todas têm vantagens e inconvenientes. O seu modo
de aplicação e as etapas que têm de ser seguidas também variam de técnica para técnica.

A escolha da técnica a utilizar em cada análise ergonómica tem de ter em conta os


objectivos da análise, o contexto em que esta ocorre, assim como os constrangimentos em
termos económicos, técnicos, tecnológicos, ambientais, temporais e sociais.

Podemos fazer a distinção entre técnicas objectivas e subjectivas. As técnicas


objectivas (ou directas) correspondem a um registo das actividades ao longo de um período
pré-determinado de tempo, através de observações – “a olho nu” e/ou assistidas por meios
audiovisuais. As técnicas subjectivas (ou indirectas) tratam do discurso dos operadores,
sendo que delas fazem parte as entrevistas, os questionários e as verbalizações.

1.4.1 Observação

É uma técnica praticada no local de trabalho e durante o trabalho. Trata-se de um


processo que permite ao observador ter conhecimento dos elementos de uma dada situação
de trabalho.

Corresponde a um conjunto de técnicas cujo objectivo é recolher dados sobre a


actividade de trabalho em geral, ou aspectos mais específicos, como sejam os
deslocamentos.

É muitas vezes utilizada como ponto de partida e como uma referência, tendo
sempre em linha de conta que é necessário ter bem definido o que vamos observar, quando
vamos observar e porque vamos observar.

Podem também ser utilizadas em combinação com outras técnicas como os


protocolos verbais e as entrevistas estruturadas.

As observações podem ser definidas como livres ou sistemáticas. As observações


livres são realizadas de forma totalmente abertas e normalmente nas primeiras visitas aos
postos de trabalho.

Já as sistemáticas são focalizadas em categorias de informação e têm objectivos


específicos.

Pedro Brigas, 2015 19


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Dentro da observação propriamente dita podemos ainda fazer referência a técnicas


específicas como, por exemplo:

 Vídeo;
 Fotografia;
 Observação directa com registo de papel e lápis;
 Observação directa com registo em computador;
 Cronometragem.

A selecção da(s) técnica(s) de observação que se vai adoptar é condicionada pelas


propriedades das observáveis, pelas hipóteses que guiam as observações e pelos
constrangimentos e determinantes das situações de trabalho observáveis.

Qualquer que seja a técnica escolhida, devemos ter sempre em conta alguns pré-
requisitos essenciais:

 Garantir a recolha dos eventos relevantes;


 Não influenciar a actividade de trabalho, excepto quando o objectivo da análise se
centra na avaliação de novos cenários;
 Definir um período de observação que anule o efeito intrusivo do observador;
 Respeitar as questões éticas - direito à informação pelos observados.

Como já foi referenciado, é fundamental que se tenha a completa noção do que se


pretende observar. Assim sendo, podem ser definidas categorias de observáveis entre as
quais podemos fazer referência aos deslocamentos, posturas, direcções do olhar,
comunicações, acções e elementos referentes ao contexto e sistema técnico.

Etapas:

1. Definir os objectivos do estudo;


2. Elaborar um plano de observação;
3. Estruturar os instrumentos de recolha;
4. Estruturar um teste piloto;
5. Planear a análise dos dados a recolher;
6. Nas observações sistemáticas é recomendado a análise da documentação existente
relativamente à situação de trabalho a analisar (manuais de procedimentos ou de
formação, especificações do sistema ou das tarefas, análises de risco, entre outros).

Pedro Brigas, 2015 20


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Vantagens:

 Fornece uma perspectiva imediata da actividade de trabalho;


 Fornece informação que não poderia ser adquirida de outra forma;
 Fornece informação detalhada sobre as tarefas realizadas, as interacções sociais e a
influência dos factores ambientais;
 São muito usados em estudos exploratórios, como auxiliar do analista na
compreensão das variáveis envolvidas;
 Fornece informação que pode ser comparada e ratificada por outros meios, ou por
outros observadores;
 Pode ser usada para analisar as diferenças individuais;
 Muito útil na recolha de dados sobre a sequência de tarefas físicas, interacção entre
trabalhadores, erros, entre outros;
 Fácil utilização, não requerendo treino exaustivo;
 Permite a familiarização do analista com a situação de trabalho.

Desvantagens:

 Exigente em termos dos recursos humanos e temporais usados durante a recolha e


a análise;
 Intrusiva, exigindo um período de adaptação do trabalhador ao observador;
 Tendência para julgar os acontecimentos na fase de registo ou de análise;
 Não fornece informação sobre a dimensão cognitiva da actividade;
 Os equipamentos podem acarretar custos;
 Limitações ligadas à técnica utilizada, à natureza do observável e à variabilidade do
observável.

1.4.2 Checklist

Trata-se de uma técnica de papel e lápis que não requer equipamento especial.
Pode ser usada complementarmente a outras técnicas de medida e quantificação.
Frequentemente é usada para recolher informação previamente à construção de inquéritos e
também como suporte dos métodos observacionais. Uma das vantagens desta técnica é o
facto de poder ser aplicada para recolher informação sobre sistemas já existentes ou em
concepção.

Pedro Brigas, 2015 21


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Etapas de construção de uma checklist:

1. Seleccionar os critérios em relação aos quais as avaliações vão ser feitas;


2. Estes critérios têm que ser expressos de forma clara, simples e requerem apenas a
sua aceitação ou rejeição;
3. Todos os itens têm que ser redigidos de modo consistente para que a rejeição esteja
associada ao não cumprimento daquele critério, etapa ou requisito.

É também importante ter em conta alguns aspectos como por exemplo:

 À direita de cada item têm que ser apresentadas duas colunas onde se vão
apresentar as opções de resposta – sim / não; concordo / não concordo; presente /
ausente; ou semelhante. Nalgumas situações pode ser útil ter uma terceira opção de
«não se aplica»;
 Se os itens são muito directos ou a sua aplicação vai ser feita por especialistas,
então não é necessária informação adicional;
 Geralmente, é necessário fornecer informação adicional que apoie a decisão
analista;
 Se for fornecida informação adicional esta deve fazer parte integrante da lista.

Aplicação de uma checklist:

 Geralmente são preenchidas pelo analista durante a observação da tarefa e/ou dos
equipamentos, condições técnicas, espaços, condições ambientais, entre outros;
 Podem ser preenchidas durante a observação de diagramas ou documentação;
 Podem ser preenchidas globalmente para cada situação a analisar, ou item a item;
 O número de aplicações depende da variabilidade e tipo de condições,
equipamentos ou tarefas;
 Antes de iniciar o preenchimento, o analista deve familiarizar-se com os conteúdos;
 Quando as listas de verificação são muito longas, podem tornar-se monótonas no
preenchimento e conduzir a erros;
 Após uma hora de preenchimento o analista deve fazer uma pausa;
 Existem listas de verificação que levam vários dias a ser concluídas.

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Análise de resultados:

A principal preocupação quando analisamos os dados recolhidos através de uma


lista de verificação é verificar quais os itens que não correspondem aos critérios definidos.

Não é correcto utilizarmos o número de itens que não correspondem aos critérios
definidos como uma medida de inadequação do sistema, isto porque, os itens não estão
organizados por nível de importância, o grau de não cumprimento raramente é registado e
não é possível comparar as respostas aos diferentes itens sem informação adicional.

As listas de verificação são usadas em ergonomia para:

 Averiguar se determinados critérios são respeitados durante a realização da tarefa;


 Verificar se as características de espaços ou equipamentos são adequados;
 Assegurar a conformidade com determinadas regras, códigos ou práticas previstas .

Vantagens:

 Forma fácil de avaliar se um sistema cumpre com determinados critérios;


 Pode ser usada como evidência de que o sistema cumpre com requisitos relevantes
(regulamentação, normas, entre outros);
 Fácil de aplicar e de analisar;
 Custos baixos.

Desvantagens:

 Não avaliam a importância relativa dos critérios, ou o possível grau de não


concordância;
 Não têm em consideração o contexto;
 Geralmente os itens são unidimensionais e não têm em consideração a interacção
das variáveis;
 Nalguns casos podem ter um tempo de aplicação elevado;
 O desenvolvimento de uma lista de verificação pode condicionar a utilização
intensiva de recursos e tempo;
 De um modo geral é preferível usar ou adaptar um instrumento já existente.

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1.4.3 Focus Group

Trata-se uma discussão estruturada para um conjunto de pessoas com


conhecimentos sobre um tema específico - utilizadores alvo. É uma discussão
cuidadosamente planeada e concebida para obter as percepções dos membros do grupo,
numa área de interesse definida.

A discussão é conduzida por um moderador que a promove. Não dirige, mas orienta
para os temas de interesse. Na discussão os participantes devem construir conhecimento a
partir das respostas e das ideias de cada um dos outros. Enriquecem a diversidade da
informação que se vai obtendo.

Pode ser usado como técnica única ou conjuntamente, com a observação ou os


questionários. É conduzido em séries, num mínimo de três sessões, para assegurar que os
padrões e tendências identificados são consistentes. Quando se exploram as diferenças
individuais podem ser conduzidas um maior número de sessões.

Esta é uma técnica que fornece dados qualitativos.

Objectivos gerais:

 Obter informação geral para iniciar um novo projecto, como orientação para uma
pesquisa mais aprofundada;
 Avaliar ou compreender os resultados obtidos por outros métodos;
 Obter opiniões ou percepções sobre um serviço, produto, programa ou organização
existente ou proposto;
 Simular novas ideias ou conceitos.

Objectivos específicos:

 Compreender os comportamentos dos utilizadores e as tarefas realizadas;


 Identificar problemas e as necessidades dos utilizadores;
 Identificar as necessidades do sistema de trabalho;
 Estabelecer o enquadramento para futuras investigações;
 Gerar novos conceitos para a concepção de produtos;
 Influenciar e suportar os decisores.

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Vantagens:

1. Possibilitar uma visão mais aprofundada sobre o tema em estudo.

 Recolha mais fácil de informação ou conceitos que não podem ser medidos ou
quantificados de forma imediata;
 Permite identificar os motivos subjacentes a determinados comportamentos ou às
reacções a um produto, tarefa ou sistema.

2. Os analistas interagem directamente com os participantes.

 Explorar as respostas ou os comentários;


 Acrescentar ou modificar questões em tempo real para provocar respostas
inesperadas;
 Motivar os participantes, tendo em consideração as características da cada um.

3. Os membros do grupo podem reagir às respostas e comentários dos outros,


acrescentando conhecimento.

 Criação de novas ideias;


 Para assuntos delicados ou difíceis, a sensação de segurança fornecida pelo grupo
pode contribuir para uma discussão mais aberta;
 Fornecer informação que não é revelada em contactos individuais.

4. Aplicável a diversas áreas de conhecimento e diversos tipos de pessoas.

 Inclui grupos que não podem ser facilmente abrangidos por outros métodos
(crianças; pessoas com baixo nível de literacia);
 Podem ser realizados em diversos locais.

5. É uma técnica baseada em grupos de indivíduos.

6. Não requer equipamento específico na sua aplicação.

 Recolha de um elevado volume de informação de forma fácil e eficiente (em


particular quando comparado com as entrevistas cara a cara);
 Em apenas 3 ou 4 sessões é possível recolher as perspectivas de várias pessoas.

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Desvantagens:

1. Conteúdo da discussão.

 O que o grupo considera importante discutir, pode não ser útil para o estudo.
 A discussão pode seguir um rumo que em nada se relaciona com o pretendido.

2. Membros dominantes nos grupos.

 De uma forma geral, os participantes podem ser influenciados por aquilo que vêm ou
ouvem;
 Um membro dominante ou muito participativo num grupo pode monopolizar a
discussão ou influenciar os outros participantes;
 Os participantes muito reservados podem hesitar em participar na discussão.

3. Imprevisibilidade da qualidade da discussão.

 É impossível prever como o grupo vai influenciar a qualidade da discussão;


 Nalguns casos a discussão pode ser lenta e não fornecendo informação relevante.

4. Participantes voluntários.

 Há indivíduos que querem participar nas sessões, enquanto alguns dificilmente


participarão;
 Não é possível assegurar que o grupo seja representativo da população alvo.

5. Menor objectividade do moderador.

 Condução da discussão em determinado sentido;


 Fornecer pistas inadequadas;
 Falta de treino do moderador.

6. Não reflectir os cenários reais.

 Os participantes têm que relembrar ou visualizar as suas experiências prévias para a


discussão;
 Diferenças entre o que os participantes dizem que fazem e o que fazem na prática.

Pedro Brigas, 2015 26


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7. Tempo despendido para a análise dos dados.

 Esta técnica produz uma grande quantidade de dados, em vídeo ou áudio, o que
condiciona um grande consumo de tempo na fase de análise.

8. Requer uma boa preparação dos materiais e para a análise dos dados.

9. Requer tempo para recrutar as pessoas e constituir uma amostra adequada.

Etapas:

1. Planear a pesquisa - definição de objectivos, população alvo e custos;


2. Planear as sessões e Recrutar os participantes - contactar os utilizadores e
organizar as sessões;
3. Especificar o conteúdo das sessões - determinar a estrutura das sessões, as
actividades envolvidas, as questões orientadoras e os apoios visuais;
4. Preparar as sessões - definir os requisitos de espaço;
5. Moderar / conduzir as sessões - através dos tópicos seleccionados;
6. Análise dos dados - organizar, categorizar e sintetizar os resultados.

1.4.4 Questionários

Os questionários consistem num conjunto pré-determinado de questões organizadas


de forma específica e numa sequência fixa (dirigidas a um conjunto de indivíduos. Esta
técnica só deve ser usada para recolher dados sobre fenómenos que não sejam
directamente observáveis e mensuráveis do exterior, de modo objectivo: opiniões, atitudes,
informações, conhecimentos, factos passados e factos da esfera pessoal ou social.

O planeamento e desenvolvimento de um questionário englobam 5 fases:

Fase 1 - Requisitos Pré – Questionário;


Fase 2 - Construção do Questionário;
Fase 3 - Administração do Questionário;
Fase 4 - Tratamento dos Dados;
Fase 5 - Apresentação dos Resultados.

Pedro Brigas, 2015 27


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Objectivos do questionário:

 Diagnosticar as origens dos problemas organizacionais;


 Obter informação relativa à actividade de trabalho dos profissionais;
 Medir as preferências de clientes para diversos produtos ou serviços;
 Medir opiniões e atitudes chave no trabalho relativamente a assuntos específicos;
 Sondar as diferentes percepções e conhecimentos da tarefa pelos indivíduos.

Vantagens:

1. Administração Fácil.

 Podem ser respondidos simultaneamente por várias pessoas;


 Podem ser respondidos durante os tempos livres;
 Como são de fácil administração, são úteis para a compreensão das opiniões de um
grande número de utilizadores.

2. Questões Fechadas.

 Impedem o acrescentar de assuntos sem interesse;


 A questão seguinte remete o sujeito para o assunto de interesse;
 As questões fechadas são mais facilmente aplicadas e tratadas.

3. Qualidades Psicométricas.

 O uso correcto das frases e escalas permite produzir respostas que podem ser
avaliadas em termos das suas qualidades psicométricas;
 Sensibilidade, fidelidade e validade.

Desvantagens:

1. Enviesamento das respostas.

 Por diversos motivos os sujeitos podem não produzir respostas correctas:


- Influenciados por aquilo que julgam ser a resposta certa;
- O desejo de agradar ao inquiridor;
- O desejo de se conformar à norma social;
- A recusa em se deixar implicar pessoalmente;
- A sugestionabilidade em relação ao conteúdo.

Pedro Brigas, 2015 28


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2. Interpretação subjectiva das questões.

 Pode haver uma percepção diferenciada da questão por quem dá a resposta;


 As perguntas abertas requerem uma interpretação do analista.

3. Questões Amostrais.

 Os questionários requerem uma amostra com uma dimensão elevada.

1.4.5 Verbalizações

A actividade não pode ser reduzida ao observável: Os raciocínios, o tratamento da


informação, a planificação das acções são apreendidos através da sua explicitação pelos
operadores.

As observações e as medições são sempre limitadas na sua duração: Pelas


verbalizações o operador pode ajudar a situar estas observações num quadro temporal mais
geral.

Nem todas as consequências do trabalho são visíveis: A fadiga e eventuais


problemas sentidos sem manifestações visíveis, podem ser expressos pelos operadores e
colocados em relação com outras características da actividade ou das condições de
realização.

As verbalizações são essenciais para apreciar os três níveis da análise do trabalho, a


actividade de trabalho, as condições de realização e as consequências para o sistema e
para o Homem.

Duas modalidades de verbalizações:

 Verbalizações simultâneas, efectuadas durante o curso do trabalho;


 Verbalizações consecutivas, efectuadas após o trabalho.

As primeiras são vantajosas na produção de explicitações no próprio contexto da


actividade. No entanto, vão interferir com o desenrolar da actividade, a qual se vai modificar.
Não são possíveis quando o nível atencional exigido pela tarefa é muito elevado, ou quando
as exigências temporais são muito elevadas, assim como quando a dimensão cognitiva da
tarefa é muito complexa e o ambiente acústico não o permite.

Pedro Brigas, 2015 29


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Quanto às segundas, têm a vantagem de preservar o desenrolar normal da


actividade. Geralmente são recolhidas apresentando ao operador o resultado da observação
e o objecto das verbalizações pode ser estabelecido pelo ergonomista com base nos dados
recolhidos pela observação, ou pode ser deixado à iniciativa do operador, em função do que
é importante e significativo para este.

Precauções na escolha da modalidade de verbalização:

 Evitar que haja perturbação da actividade do operador com consequências negativas


para este;
 Seleccionar os momentos e as modalidades de acordo com o operador;
 Evitar a perturbação do trabalho dos colegas.

Em que momentos deve ser aplicada a técnica?

1. Durante os primeiros contactos com os operadores.

O objectivo é compreender quais as principais características da actividade, os


constrangimentos, as suas flutuações e consequências.

2. Ao longo das observações sistemáticas.

Permitem compreender melhor o desenrolar da actividade observada.

3. No momento da interpretação dos resultados.

A participação dos operadores contribui para a elaboração e validação do


diagnóstico.

Vantagens:

A linguagem constitui a figuração mais rica do pensamento, permitindo aceder aos


procedimentos cognitivos inerentes à realização da tarefa.

Desvantagens:

A verbalização é versátil, influenciada por factores relacionados com a própria


situação de trabalho, ou por factores intimamente ligados ao trabalhador, como por exemplo,
cultura, personalidade ou fadiga. Pode mascarar situações e criar distorções na informação.

Pedro Brigas, 2015 30


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1.4.6 Entrevistas

As entrevistas podem ser utilizadas como único meio de recolha de dados ou


associadas a outras técnicas de inquérito. Estão presentes na fase exploratória da maior
parte das investigações. A análise dos dados recolhidos é feita através de técnicas de
análise de conteúdo.

Diferentes questões a colocar para decidir da aplicação das entrevistas:

 Que informações que se pretendem recolher através da entrevista?


 Qual o contributo específico da entrevista, por comparação com outras técnicas
como a observação e o questionário?

A diferenciação das entrevistas segundo o grau de liberdade:

1. A entrevista semi-directiva: com base num conjunto de questões pré-estabelecidas;


2. A entrevista não directiva ou livre: exclusivamente articulada em torno de um tema
geral que se pretende que o entrevistado explore;
3. A entrevista directiva: realizada com base num questionário.

Os momentos – chave da entrevista:

1. Os aspectos preliminares.

Antes de começar a entrevista, o entrevistador deve:


 Pôr o interlocutor à vontade;
 Recordar os objectivos da investigação, o quadro institucional, o modo de selecção
dos entrevistados, a duração e o papel do entrevistador.

2. O início da entrevista.

 O entrevistador escolhe uma questão introdutória;


 Esta questão tanto pode dizer respeito a aspectos relativos à situação do
entrevistado, como aflorar o tema central do estudo.

3. O corpo da entrevista.

 Apoiado no guião da entrevista e delimitado pelo objecto de estudo;


 Quando o entrevistado se afasta do assunto tem que ser informado e retomar o foco.

Pedro Brigas, 2015 31


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4. O fim da entrevista.

 Pode ser aproveitado para perguntar se não foi omitido nada de importante;
 Pode ser aproveitado para recolher informações sobre como decorreu a entrevista -
sentiu-se à vontade? Exprimiu-se como desejava?

Duração da entrevista:

A duração é decidida em função dos objectivos, do grau de liberdade da entrevista e


do local de realização.
 Duração mínima - 20 minutos.
 Duração máxima - 40 minutos.

Vantagens:

 É bem aceite pelos respondentes, pois é uma técnica conhecida;


 Permite a recolha de uma maior flexibilidade na recolha e maior riqueza de
informação;
 É fácil de aplicar no local de trabalho.

Desvantagens:

 Maior consumo de tempo na análise, em comparação com os questionários;


 Apesar de ser considerada uma técnica económica, tem maiores custos que os
questionários;
 O efeito da presença do entrevistador pode ser uma desvantagem condicionando o
entrevistado a mencionar o que é esperado.

Pedro Brigas, 2015 32


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2. RELAÇÃO ENTRE FISIOLOGIA E ERGONOMIA

Como foi referido anteriormente, a Ergonomia é uma ciência multidisciplinar, sendo


que a Fisiologia ocupa um lugar de destaque entre as ciências que mais contribuem com o
seu conhecimento. Tal justifica-se com o facto de a qualquer actividade estar subjacente um
gasto de energia, produzida através do trabalho muscular. O trabalho muscular é necessário
tanto para a execução de movimentos como para a manutenção da postura.

A energia produzida pelo organismo é de origem química, sendo a sua produção um


dos objectos de estudo de ciências como a Bioquímica. Sinteticamente, podemos referir que
os nutrientes fornecidos pelos alimentos, depois de metabolizados, vão formar a fonte de
energia do organismo, sendo que os lípidos e os glícidos são aqueles que mais contribuem
nesta acção. No que toca aos músculos, o processo de produção de energia pode dar-se de
forma directa, através da glicose ou ácidos gordos, ou de forma indirecta, através da
decomposição de enzimas em energia.

Do ponto de vista da Ergonomia, o mais relevante é mesmo o resultado da acção,


isto é, o trabalho muscular, uma vez que através da sua descrição podemos estabelecer
relações entre o ser humano, o seu posto de trabalho, e a sua actividade de trabalho.

2.1 Trabalho muscular

O trabalho muscular resulta de uma série de contracções que podem ser de dois
tipos:

 Contracções estácticas ou isométricas;

 Contracções dinâmicas ou isotónicas.

O trabalho estático representa um trabalho realizado sem deslocamento aparente e


corresponde a contracções musculares isométricas. Este trabalho permite a manutenção
dos segmentos ósseos numa determinada atitude, sendo aplicado por exemplo aquando do
controlo postural e no acto de segurar um objecto. Apresenta baixo consumo calórico, não
se verificando qualquer variação no comprimento do músculo.

O trabalho dinâmico resulta de uma sucessão de contracções dinâmicas alternadas


com fases de relaxamento, sendo visível em tarefas como martelar, serrar, girar um volante

Pedro Brigas, 2015 33


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ou caminhar. Apresenta elevado consumo calórico, verificando-se a alteração do


comprimento dos músculos.

Dentro das contracções dinâmicas podemos ainda referir as contracções


concêntricas e as contracções excêntricas. Na concêntrica a contracção vence a resistência
e há o encurtamento muscular e na excêntrica a resistência vence a contracção havendo o
alongamento muscular. Em ambos os casos, devemos considerar a acção dos músculos
sinérgicos, vocacionados para a produção de movimento, e dos músculos de controlo,
relacionados com a precisão do gesto efectuado.

No corpo, a maioria das contracções é uma combinação de ambas contracções.

O trabalho muscular gera uma força tridimensional, isto é, pode ser avaliada em
função da intensidade, do sentido e da direcção. Esta varia em função das características do
indivíduo, do(s) músculo(s) envolvido(s) e do movimento efectuado.

Hoje em dia, em virtude das características da maioria das actividades de trabalho, a


coluna vertebral é um dos elementos corporais onde é mais susceptível a ocorrência de uma
lesão. Estamos a falar de um elemento que, por razões óbvias, é muito solicitado.

A coluna vertebral é constituída por 33 vértebras, 7 cervicais, 12 dorsais/torácicas, 5


lombares e 9 sacrococcígeas. Destas últimas, 5 estão fundidas e formam o sacro, enquanto
as 4 da extremidade inferior, menos desenvolvidas, formam o cóccix (Figura 2). Das 33
vértebras, apenas 24 são flexíveis e, destas, as que têm mais mobilidade são as cervicais e
as lombares. As vértebras dorsais estão unidas a 12 pares de costelas, formando a caixa
torácica, o que constitui uma limitação à realização de movimentos.

Figura 2: Coluna vertebral e respectivas vértebras.

Pedro Brigas, 2015 34


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As vértebras encontram-se ligadas entre si através de ligamentos, sendo que entre


uma vértebra e outra existe um disco intervertebral cartilaginoso. Os movimentos da coluna
são possíveis pela compressão e deformação dos discos e pelo deslizamento dos
ligamentos.

De entre os principais danos para a coluna, destacam-se as deformações, isto é, a


escoliose, hipercifose e hiperlordose.

 Escoliose: é um desvio lateral da coluna;

 Hipercifose: é o aumento anormal da concavidade da coluna vertebral na região


dorsal, correspondendo no senso comum a uma “corcunda”;

 Hiperlordose: é o aumento anormal da concavidade da coluna vertebral na região


lombar, acompanhado de uma inclinação dos quadris para a frente. Pode também
ocorrer na região cervical.

2.2 Lesões Músculo-esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT)

As lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) são um


processo patológico inflamatório que atinge o sistema músculo-esquelético, ao nível dos
músculos, tendões, ligamentos, nervos, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e articulações.
Surgem em consequência do efeito cumulativo do desequilíbrio entre as solicitações
mecânicas repetidas do trabalho e as capacidades de adaptação da zona do corpo atingida,
ao longo de um período em que o tempo para a recuperação da fadiga foi insuficiente.

As consequências deste tipo de lesões podem fazer-se sentir ao nível dos


trabalhadores e da empresa ou organização.

Do ponto de vista dos trabalhadores estamos a referir-nos a sensações de dor,


dormência, redução da capacidade de trabalho e incapacidades temporárias ou
permanentes. Do ponto de vista da empresa ou organização, as consequências podem
fazer-se sentir ao nível do aumento da taxa de absentismo, diminuição da produtividade e
qualidade dos produtos ou serviços prestados e aumento dos custos relacionados com o
pagamento de indemnizações e/ou baixas prolongadas.

A probabilidade de ocorrência de LMERT está relacionada com o tempo de


exposição do trabalhador às condições adversas e com a intensidade e frequência dos
esforços que lhe podem dar origem.

Pedro Brigas, 2015 35


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O aparecimento deste tipo de lesão fica a dever-se principalmente aos seguintes


factores:

 Aparecimento das novas tecnológicas de informação e comunicação;

 Produção sequencial em linha nas novas indústrias;

 Recrutamento de trabalhadores jovens sem receberem formação adequada;

 A factores psicossociais (stress, monotonia, repetitividade das tarefas, entre outros).

As LMERT podem ter múltiplas causas, mas o seu aparecimento assenta em duas
circunstâncias:

 Quando existe uma estrutura previamente lesionada por uma doença ou acidente e
os esforços incidem sobre esses elementos;

 Quando não existe tempo de recuperação de acordo com o esforço realizado,


podendo dar origem a uma ruptura dos elementos pelo ultrapassar do seu limite de
resistência.

2.2.1 Principais categorias

As LMERT podem ser classificadas segundo o elemento lesionado e segundo a zona


de origem. Segundo o elemento lesionado as LMERT podem ser:

 Patologias articulares (artroses e artrites);


 Patologias periarticulares (lesões dos tendões, lesões dos ligamentos, mialgias,
contractura);
 Patologias ósseas.

Se considerarmos a zona de origem as LMERT podem ser afectar:

 Membros superiores, zona do pescoço e ombros (síndrome de tensão cervical,


ombro congelado);
 Mãos e dedos (síndrome do túnel cárpico-pulso);
 Braço e cotovelo (epicondilite – cotovelos de tenista);
 Coluna (hérnia discal, dorsalgia, lombalgia aguda);
 Membros inferiores (tendinite do tendão de Aquiles).

Pedro Brigas, 2015 36


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2.2.2 Factores de Risco

Existem vários factores de risco que concorrem para o aparecimento de LMERT.


Quanto mais factores estiverem envolvidos e maior a exposição aos mesmos, maior a
possibilidade de vir a desenvolver esta perturbação. Podemos agrupar os factores de risco
em 3 grandes categorias: factores de risco individuais, factores de risco
psicossociais/organizacionais e factores de risco físicos. Os dois primeiros formam os
factores de risco indirectos e o terceiro corresponde a factores de risco directos.

 Factores de risco individuais

A idade, o género, a antropometria e o estado de saúde constituem os principais


factores individuais de risco. A formação e experiência profissional, bem como a prática de
determinados desportos e “hobbies” são também indicados como factores que podem
influenciar a probabilidade de ocorrência de LMERT.

 Factores de risco psicossociais/organizacionais

Os factores de risco psicossociais/organizacionais são definidos pela percepção


que o trabalhador tem dos factores organizacionais e por considerações associadas à
carreira, aos horários de trabalho e horas extraordinárias que tem de realizar. Estas
considerações podem resultar numa fonte se stress que terá como resultado manifestações
fisiológicas, como por exemplo aumento da tensão muscular, parâmetro que contribui para o
aumento do desenvolvimento de uma LMERT.

 Factores de risco físicos

o Postura: Exemplos típicos de posturas não adequadas envolvem situações em que


o objecto de trabalho se situa acima da linha do coração ou se encontra junto do
chão, obrigando o trabalhador a estar de pé com as mãos acima da cabeça ou, pelo
contrário, a trabalhar dobrado ou agachado;

o Força: A força requerida para a execução de uma tarefa depende do peso, da


inércia e das forças de reacção dos objectos de trabalho. O efeito da força é
agravado quando é exercida de uma forma dinâmica, por exemplo, em combinação
com movimentos de rotação do tronco ou associada a movimentos de precisão da
mão (preensão em pinça);

Pedro Brigas, 2015 37


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o Repetição: A repetição pode ser descrita como a utilização cíclica dos mesmos
tecidos num movimento repetido. A frequência de repetição dos movimentos
depende do ritmo de execução da tarefa. Este pode ser imposto pelo sistema
produtivo ou ser influenciado por incentivos salariais;

o Pressão directa: A pressão directa externa relaciona-se com a força exercida e com
a área de contacto. Esta pressão mecânica pode provocar lesões nos tecidos
cutâneos e nas estruturas subjacentes, como sejam nervos e vasos sanguíneos. Em
geral, estas pressões ocorrem mais frequentemente nas mãos, punhos, cotovelos e
ombros. Simultaneamente, elevadas forças de impacto, como as que resultam da
utilização da mão como martelo, podem provocar problemas vasculares;

o Vibrações: Podem considerar-se dois grupos de efeitos no corpo humano, de


acordo com o ponto de aplicação da vibração, que são os seguintes:

 Conjunto mão-antebraço-braço: advém de ferramentas manuais motorizadas, como


sejam martelos pneumáticos ou ferramentas mal equilibradas, e provocam
problemas na circulação sanguínea dos dedos, levando a alterações degenerativas
nos ossos e articulações e a problemas nos músculos e nervos;

 Corpo inteiro: estão normalmente relacionadas com o trabalho e plataformas


vibratórias ou com a condução de veículos motorizados, existindo uma evidência
epidemiológica forte que sugere que existe um aumento de nível de lombalgias entre
os trabalhadores expostos a vibrações de corpo inteiro, por longos períodos de
tempo.

o Frio: O frio pode ter uma influência directa, reduzindo a força e a coordenação
muscular, e ainda a redução da condutividade nervosa e o surgimento de dor.
Verifica-se um aumento da actividade mioeléctrica dos músculos envolvidos nas
tarefas e de outros normalmente não envolvidos, devido à adopção de posturas não
neutras involuntárias, como meio de protecção ao frio. Como influência indirecta há
que referir o efeito como consequência da utilização de luvas, uma vez que
provocam um aumento da carga músculo-esquelética devido ao aumento da força de
preensão máxima e/ou ao aumento do diâmetro da pega.

Pedro Brigas, 2015 38


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3. RELAÇÃO ENTRE ANTROPOMETRIA E ERGONOMIA

Sendo um dos ramos das ciências biológicas, a Antropometria tem por objectivo de
estudo as medidas do corpo humano, dando a conhecer um modelo do Homem
caracterizado pelas suas dimensões físicas, como por exemplo comprimentos, diâmetros e
profundidades.

Por forma a minimizar ao máximo os erros que ocorrem aquando da avaliação


antropométrica de uma população, é essencial que se proceda a uma rigorosa selecção das
técnicas e instrumentos de medida a utilizar, do tipo de medidas pretendidas e dos pontos
de referência antropométricos.

Para apresentar os dados recolhidos na avaliação antropométrica é frequente


recorre-se às propriedades de uma distribuição normal, expressando os dados em função
de percentis. Desta forma, a apresentação dos dados torna-se mais clara e a sua análise
fica facilitada.

Atendendo ao exemplo da Figura 3, que considera a dimensão “altura” dos


indivíduos, apercebemo-nos que muito poucas pessoas são muito baixas, da mesma forma
que muito poucas pessoas são muito altas. Na população em causa, só 5% dos indivíduos
medem menos de 1,525 mm, sendo que só 5% dos indivíduos medem mais de 1,802 mm.
Por conseguinte, concluímos que 90% dos indivíduos medem entre estes dois valores,
sendo que a média é de alturas é de 1,665 mm.

Figura 3: Exemplo de apresentação da avaliação da dimensão antropométrica “altura”.

Pedro Brigas, 2015 39


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A Antropometria está intimamente relacionada com a Ergonomia, principalmente no


que toca à concepção de espaços e postos de trabalho, ferramentas, utensílios, máquinas e
equipamentos de protecção individual adequados à variabilidade humana.

É necessário ter em conta algumas limitações presentes aquando da concepção de


alguns dos elementos acima referidos, designadamente:

 Espaço: é fundamental garantir as dimensões mínimas aceitáveis aquando da


projecção de um posto de trabalho, de acessos, de zonas de deslocação de
materiais e pessoas, de pegas, entre outros parâmetros. Deve ser considerado o
percentil 95 (one-way), uma vez que se os indivíduos mais altos ou largos tiverem
cómodos, os restantes forçosamente também estarão.

 Alcance: factor influenciador aquando da manipulação de uma alavanca ou no


recolher de um objecto. Neste caso devemos considerar o percentil 5 (one-way).

 Postura: a postura adoptada pelos indivíduos é influenciada pela relação entre as


suas dimensões antropométricas e as dimensões do envolvimento. Assim, ganha
relevância o conhecimento de outra ciência, a Biomecânica, para compreendermos a
amplitude de movimento das articulações e dos segmentos corporais. Neste caso
poderá ser útil considerar o percentil 5 e o percentil 95 (two-way).

 Força: estabelecer o limite aceitável de força a exercer em tarefas de controlo e


manipulação. Devemos considerar a força máxima que pode ser exercida pelos
indivíduos mais “fracos”, isto é, o percentil 5 (one-way).

3.1 Diferenças individuais

As dimensões e proporções dos diferentes segmentos corporais apresentam


diferenças entre populações, o que determina a existência de três tipos físicos (biótipos)
básicos diferentes (Figura 4):

 Endomorfo: indivíduos de formas arredondadas e macias, com grandes depósitos


de gordura. A sua forma externa é estreita em cima e larga em baixo. O abdómen é
grande e cheio e o tórax parece ser relativamente pequeno. Os braços e as pernas
são curtos e flácidos. Os ombros e a cabeça arredondados. O corpo tem baixa
densidade.

Pedro Brigas, 2015 40


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 Mesomorfo: indivíduos musculados, de formas angulosas. A cabeça é cúbica e


maciça, os ombros e o peito são largos e o abdómen pequeno. Os membros são
musculados e fortes. Possuem pouca gordura subcutânea.

 Ectomorfo: indivíduos de corpo e membros estreitos, com um mínimo de gordura e


de músculos. Os ombros são largos, mas descaídos. O pescoço é fino e comprido, o
rosto é magro e o tórax e abdómen são estreitos e finos.

Na grande maioria dos casos, os indivíduos não se enquadram exatamente em


nenhum destes três tipos físicos básicos. O comum é apresentarem características de dois
ou até mesmo dos três tipos, podendo por exemplo um individuo ser caracterizado como
meso-endomorfo ou endo-ectomórfico.

O género, a idade, a etnia e a tendência secular para o crescimento podem também


influenciar a forma, a força e as dimensões dos seres humanos.

Figura 4: Exemplificação dos três tipos físicos (biótipos) básicos diferentes.

3.2 Medidas Antropométricas Estáticas

As medidas antropométricas estáticas, também conhecidas como medidas


estruturais, dizem respeito às medidas estruturais fixas do corpo humano, sendo que
habitualmente são medidas entre pontos anatómicos fixos em posturas estereotipadas.

É possível identificar um número elevado de medidas antropométricas estáticas


(Figuras 5 e 6). Estas medidas devem ser tidas em consideração aquando da concepção de
espaços de trabalho e ferramentas ou equipamentos específicos. Não devemos esquecer a
necessidade de fazer ajustes tendo em conta o vestuário que o indivíduo vá utilizar.

Pedro Brigas, 2015 41


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Figura 5: Lista de medidas antropométricas estáticas.

Figura 6: Exemplificação de algumas medidas antropométricas estáticas.

3.3 Medidas Antropométricas Dinâmicas

As medidas antropométricas dinâmicas são avaliadas considerando o movimento de


um ou vários segmentos corporais. Incluem medidas de alcance ou amplitudes efectuadas
em condições “funcionais”, permitindo ao indivíduo um certo grau de liberdade de modo a
poder adoptar posturas “naturais” para o desempenho de uma tarefa. Assumem particular
relevância aquando da definição de áreas de trabalho e disposição de objectos, ferramentas
e equipamentos no espaço de trabalho.

Pedro Brigas, 2015 42


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Usualmente, as medidas antropométricas dinâmicas são representadas como


esferas em redor das articulações, relativas aos movimentos possíveis por parte do
segmento em questão (Figuras 7 e 8), ganhando aqui importância outra ciência, a
Cinesiologia.

Na posição sentada, a área óptima de visão situa-se entre os 0º e os 30º para os


lados e para baixo da posição neutra da cabeça. Neste espaço os objectos são observados
de forma contínua e sem esforço. A rotação máxima do olho localiza-se 25º acima e 35º
abaixo da linha média horizontal dos olhos. O movimento lateral dos olhos aproxima-se dos
80º.

Em relação aos membros superiores, a área óptima de alcance é aquela em que há


flexão do cotovelo a 90º e giro do antebraço ao redor do cotovelo. Neste espaço os
movimentos das mãos realizam-se sem esforço, pelo que é neste espaço que os devem
estar os objectos utilizados com maior frequência. Já a área de alcance máximo é definida
pelo giro dos membros superiores estendidos em torno dos ombros. Todo o “trabalho” que
se situe para além destas zonas obriga o trabalhador a movimentos anormais da coluna
vertebral e aumenta a fadiga.

Figura 7: Zonas de alcance manual.

Figura 8: Zonas de alcance manual no plano horizontal.

Pedro Brigas, 2015 43


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4. CONCEPÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO

Como vimos anteriormente, em termos de eficiência, eficácia e razão custo-


benefício, convém que as intervenções ergonómicas tenham lugar o mais cedo possível, de
preferência, na fase inicial do projecto, isto é, na fase de concepção.

A concepção/reconcepção de um posto de trabalho deve atender a factores como as


actividades de trabalho que aí serão desenvolvidas, as dimensões antropométricas dos
utilizadores e a sua inclusão na globalidade do sistema de trabalho. Devemos ter especial
atenção a factores como:

 A altura do plano de trabalho;

 A adaptação do assento e encosto às características antropométricas do indivíduo;

 A localização e disposição dos meios de comando, instrumentos, ferramentas e


utensílios, assim como dos mostradores informativos essenciais ao desenvolvimento
da actividade;

 O espaço circundante, que deve ser suficiente para executar comodamente os


movimentos da cabeça, tronco e membros.

Se nos focarmos especificamente em aspectos como as posturas, os esforços


musculares e os movimentos do corpo, devemos atender a determinados aspectos, como
por exemplo:

 Sempre que possível, o trabalhador deve poder alternar entre o trabalho em pé e o


trabalho sentado. Caso não seja possível, é recomendada a posição sentada;

 Ao longo da jornada de trabalho, deve ser possível a alternância entre diferentes


posturas por forma a não provocar fadiga resultante da tensão muscular estática
prolongada (exemplo: o trabalhador deverá desempenhar diferentes tipos de tarefas);

 As posturas adoptadas devem permitir uma repartição de forças entre as diferentes


partes do corpo;

 Os esforços físicos e mentais necessários ao executar da actividade devem ser


adaptados às capacidades e limitações dos indivíduos;

Pedro Brigas, 2015 44


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 Ao longo da jornada de trabalho deve existir um equilíbrio entre os movimentos


realizados, em termos de frequência, intensidade e amplitude, evitando ao máximo a
adopção de posturas imóveis durante longos períodos de tempo;

 Os movimentos de grande precisão não devem exigir grandes esforços musculares,


uma vez que o cansaço e tensão muscular podem levar à ocorrência de erros.

Porém, para além dos aspectos mais intimamente ligados ao funcionamento


anatómico do Homem, a concepção de um posto de trabalho tem de ser vista como uma
temática muito mais abrangente. Assim sendo, também os aspectos ambientais devem ser
tidos em conta, de modo a que as condições físicas, químicas e biológicas não tenham uma
influência negativa sobre os indivíduos, mas antes garantam a promoção da sua saúde e
capacidade de trabalho. De seguida apresentam-se alguns dos factores ambientais a
considerar na concepção de um posto de trabalho:

 A iluminação do posto de trabalho deve ser adequada à actividade aí realizada,


assegurando uma boa percepção visual e evitando ofuscamentos e cansaço visual,
factores que muitas vezes se traduzem em erros e adopção de posturas menos
correctas;

 A renovação do ar deve ser feita em função de parâmetros como o número de


trabalhadores, o esforço físico de cada um, as condições térmicas, as dimensões do
local e os poluentes existentes no ar;

 O ruído não pode ser uma fonte de perturbação, sendo que nos casos em que não
existe forma de o eliminar devemos adoptar o uso de equipamentos de protecção
individual adequados;

 Os efeitos das vibrações, um dos principais factores de risco quando falamos em


lesões músculo-esqueléticas, devem ser reduzidos ao mínimo através,
principalmente, da utilização de equipamentos de protecção individual que impeçam
a sua transmissão da “máquina” para o “corpo”;

 O ambiente térmico do posto de trabalho deve ser regulado tendo em conta factores
como a temperatura, a humidade do ar, a velocidade do ar e as condições
climatéricas exteriores.

Pedro Brigas, 2015 45


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Em termos gerais, a maioria das actividades de trabalho são desenvolvidas em duas


posturas, ou na postura em pé ou na postura sentada, sendo que as duas posturas podem
estar presentes numa mesma actividade.

No sector industrial e no comércio é muito comum que os postos de trabalho estejam


concebidos para que se adopte a postura em pé, até porque habitualmente são actividades
em que existe uma elevada frequência de deslocamentos e a necessidade de aplicar forças
significativas.

A adopção desta postura tem determinados inconvenientes, como por exemplo:

 A redução da circulação sanguínea nas pernas e o consequente aparecimento de


sinais como fadiga e dor;

 A diminuição da habilidade manual;

 A necessidade de manter o equilíbrio durante longos períodos de tempo e o


consequente aumento da tensão muscular.

Nos postos de trabalho onde se adopta a postura sentada, como postos de trabalho
informatizados (abordados no Capítulo 9) ou que exijam elevada precisão, a superfície de
apoio é muito maior, sendo que também são minimizadas as contrariedades provenientes
da tensão muscular elevada resultante da posição bípede. Porém, até nesta posição, em
virtude da adopção de posturas estáticas durante longos períodos de tempo, devemos
atender a algumas regras aquando da concepção do posto de trabalho, entre as quais se
destacam:

 O plano de trabalho deve fazer um ângulo de aproximadamente 90º com a coluna do


trabalhador;

 O apoio para os pés, caso exista, deve estar à frente do trabalhador, não devendo
para tal ser utilizada a própria cadeira, uma vez que as pernas do trabalhador devem
estar a um ângulo ligeiramente superior a 90º com as suas coxas;

 O assento deve ser almofadado e arredondado para baixo na parte frontal;

 A cadeira deve ser regulável em vários parâmetros, como a altura, o apoio para a
coluna, o apoio para os braços e a profundidade do assento.

Pedro Brigas, 2015 46


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5. CONCEPÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TRABALHO

Quando nos referimos a equipamentos de trabalho, estamos a referir-nos a qualquer


máquina, aparelho, ferramenta ou instalação utilizado no trabalho (Decreto-lei n.º 50/2005,
de 25 de Fevereiro).

Nestes casos, os princípios são semelhantes aos que foram referidos no ponto
anterior, isto é, a necessidade de considerar as características, capacidades e limitações do
trabalhador, assim como o enquadramento do equipamento na globalidade do sistema de
trabalho.

A negligência da intervenção Ergonómica no processo de concepção dos


equipamentos de trabalho pode ter consequências gravíssimas para os trabalhadores, para
a organização e, numa maior escala, até mesmo para o meio ambiente e população em
geral. Todos devemos lembrar-nos de acontecimentos como o acidente ocorrido numa
indústria de pesticidas em Bhopal, na Índia, em 1984, ou do acidente nuclear de Chernobyl,
na Ucrânia, em 1986. Apesar das investigações pouco adiantarem, uma das causas
possíveis desses acidentes foi a má interpretação por parte dos operadores dos dados
fornecidos pelos sistemas, ou até mesmo a falta desses mesmos dados.

Aqui nos apercebemos que a Ergonomia se apresenta como uma ciência transversal,
presente desde a mais simples actividade, até ao mais complexo dos sistemas.

Nos dias de hoje, os operadores são confrontados com máquinas e equipamentos


que frequentemente apresentam um elevado número mostradores e dispositivos de
comando. Agir sobre esses mostradores e dispositivos de comando é um dos campos de
intervenção do ergonomista, podendo ser essencial na prevenção de acidentes, na redução
da carga de trabalho e na adopção de posturas correctas por parte dos operadores.

Entre os parâmetros que podem ser alvo de intervenção destacam-se:

 A localização e forma dos mostradores e dispositivos de comando;

 A informação transmitida pelos mostradores, muito ligada ao tipo de linguagem


utilizado;

 Os procedimentos ligados à manipulação de dispositivos de comando.

Pedro Brigas, 2015 47


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A escolha do tipo de dispositivos de comando deve ser feita em função da natureza


do movimento a ser realizado aquando da sua “utilização” e dos músculos envolvidos nesse
processo. O dispositivo de comando deve portanto variar em função do movimento
executado pelo operador ser de natureza contínua ou descontínua, ser de esforço ou de
precisão. Deve também estar de acordo com as posições e movimentos naturais do corpo
humano.

Em relação à localização, os dispositivos de comando devem estar situados a uma


distância e altura adequadas. Os que são utilizados com maior frequência devem estar mais
próximos do alcance do operador. Não devemos também desprezar o ângulo de visão do
operador, essencial na fácil identificação do dispositivo.

Quando existe mais do que um dispositivo de comando, é fundamental garantir a


distância entre eles, não esquecendo que o operador pode utilizar determinados
equipamentos de protecção individual ou vestuário especial, como luvas. Nestes casos a
distância entre os dispositivos deve ser ainda maior. Basta pensarmos na dificuldade que
por vezes sentimos ao escrever num teclado com as teclas muito pequenas ou próximas
umas das outras.

Como vimos anteriormente, o tipo de tarefa a realizar vai influenciar o tipo de


dispositivos de comando a utilizar. Em tarefas que não exigem grande esforço, mas que
exigem grande precisão, devem ser adoptados botões, botões rotativos e interruptores. Já
nas tarefas que exigem esforço e pouca precisão, devem ser adoptadas manivelas,
alavancas, volantes ou pedais. Estes últimos devem poder ser accionados na posição de pé
ou na posição sentada e são utilizados em tarefas que exigem um grande esforço.

A localização imediata do dispositivo de comando correcto a utilizar numa


determinada acção é essencial. Para tal devemos considerar alguns estereótipos, por
exemplo em relação à cor. O verde está associado à acção de dar início, de dar permissão,
enquanto o vermelho tem uma conotação contrária.

Todos os dispositivos devem ser etiquetados segundo a sua função e, sempre que
possível, devem poder ser identificados ao toque, apresentando por exemplo superfícies
diferentes em termos de rugosidade. Quando forem concebidos para ser utilizados em
cadeia, a sua localização deve respeitar essa mesma ordem.

Pedro Brigas, 2015 48


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Centrando-nos agora nos mostradores, existem também algumas regras que devem
ser respeitadas para garantir que a informação chega ao operador e que este age de forma
adequada a cada situação. Entre essas regras podemos destacar as seguintes:

 Os mostradores devem estar localizados de modo a que o operador recolha a


informação de forma rápida e fácil;

 Numa única visualização, o operador deve recolher o máximo de informação


possível;

 A informação deve ser apresentada numa linguagem clara e concisa, evitando a


utilização de mensagens com elementos de programação informática;

 A informação deve estar expressa numa linguagem com o qual o operador esteja
familiarizado;

 O tamanho e forma dos caracteres devem ser adequados à forma e tamanho do


mostrador e às capacidades perceptivas do operador;

 Caso se justifique, o mostrador deve estar iluminado para que a informação seja
facilmente perceptível.

Este ponto merece especial atenção por parte da legislação, muito devido à
abordagem aos riscos profissionais decorrente da Directiva Quadro 891391/CEE. Esta
Directiva esteve na origem da publicação de um conjunto de outras Directivas mais
específicas, que definem as prescrições mínimas a ter em conta em vários contextos, no
que toca à segurança, higiene e saúde no trabalho. Desta forma, foi possível estabelecer,
nos diversos países da União Europeia, patamares uniformes de actuação neste domínio.

O Decreto-lei n.º 50/2005, de 25 de Fevereiro, transpõe para o direito interno a


Directiva n.º 89/655/CEE, que estabelece as prescrições mínimas de segurança e de saúde
dos trabalhadores na utilização de equipamentos de trabalho, com vista á melhoria dos
níveis de prevenção e de protecção dos trabalhadores.

Pedro Brigas, 2015 49


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6. INTERFACE HOMEM-MÁQUINA

Nos dias de hoje, muitas são as actividades de trabalho em que os operadores têm
de interagir com dispositivos electrónicos. No contexto industrial, essa interacção também é
frequentemente feita com máquinas e veículos de transporte ou de carga/descarga.
Podemos mesmo afirmar que, em muitos casos, o Homem e a Máquina formam um só
elemento do sistema, sendo muito complicado dissocia-los.

Entre o Homem e qualquer dispositivo electrónico, software ou máquina,


estabelecem-se comunicações que lhes permitem interagir com vista à obtenção de um
objectivo comum. Neste processo de interacção existem dois momentos chave, a acção do
utilizador sobre o sistema e a reacção deste.

No primeiro caso estamos a referir-nos a mecanismos de entrada (input), que


permitem ao utilizador manipular o sistema, enquanto no segundo caso estamos a referir-
nos a mecanismos de saída (output), à resposta que é dada pelo sistema. Os mecanismos
de saída (Informação, energia ou produtos) devem estar sempre em sintonia com os
mecanismos de entrada (Dados, energia ou matéria prima), sendo que é também
fundamental que exista sempre o controlo do sistema por parte do utilizador, bem como o
conhecimento do seu estado actual

Se pensarmos na acção de conduzir um veículo, como exemplos de mecanismos de


entrada temos o volante e os pedais, ou seja, os elementos que permitem ao utilizador agir
sobre o veículo. Como exemplo de mecanismos de saída temos o velocímetro e outros
elementos do painel do veículo, ou seja, elementos que reagem às acções do utilizador e
que ao mesmo tempo lhe fornecem informação sobre o estado actual do sistema. O
conjunto dos mecanismos de entrada e de saída, isto é, todos os elementos que permitem
ao indivíduo conduzir o veículo, formam a interface Homem-Máquina.

Tanto os mecanismos de entrada como as respostas do sistema devem estar de


acordo com aqueles que são os seus modelos mentais dos indivíduos. Num mundo perfeito,
todos os indivíduos conseguiriam instantaneamente perceber o modo, o momento e a forma
de accionar qualquer mecanismo de entrada, sendo que, por sua vez, a reacção do sistema
seria sempre a desejada, indo de encontro às espectativas do indivíduo e necessidades do
próprio sistema. Haveria portanto uma completa sincronização Homem-Máquina.
Infelizmente não há mundos perfeitos, pelo que os erros e acidentes continuam a acontecer,
os por má entrada de dados, ou por respostas desadequadas.

Pedro Brigas, 2015 50


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Embora estejamos a falar de algo semelhante, quando o utilizador interage com


dispositivos electrónicos e computadores, adopta-se a expressão “interface do utilizador”.
Neste caso, o teclado é um exemplo de um mecanismo de entrada, sendo que as
informações que vão aparecendo no ecrã em função das teclas premidas são um exemplo
de um mecanismo de saída.

O projecto e concepção da interface do utilizador não deve ser negligenciada, uma


vez que terá influência no esforço físico e mental que o utilizador terá ao dar entradas no
sistema, bem como na dificuldade para interpretar a respectiva resposta.

Chegamos assim a um novo campo de intervenção da Ergonomia, a usabilidade de


sistemas de informação. Ao contrário do que o termo possa sugerir, a Usabilidade não está
apenas relacionada com a facilidade de utilização de um sistema ou produto, sendo muito
mais abrangente, dizendo respeito à medida de qualidade da experiência de um utilizador
ao interagir com um produto ou um sistema. A usabilidade é uma área do design que leva
em consideração a psicologia e a fisiologia dos utilizadores para tornar os sistemas mais
eficazes, eficientes e satisfatórios.

No que diz respeito ao software utilizado nos Sistemas de Informação, as


especificações existentes na legislação nacional (Portaria nº 989/93, de 6 de Outubro), são
pouco específicas, referindo apenas algumas recomendações genéricas.

Jacob Nielsen, um dos grandes estudiosos na área, defende que a Usabilidade deve
assentar em cinco parâmetros-chave, aos quais Jennifer Preece, outro investigador da área
acrescentou mais dois:

 Eficiência;

 Facilidade de Aprendizagem;

 Facilidade de Memorização;

 Segurança;

 Satisfação;

 Eficácia;

 Utilidade.

Pedro Brigas, 2015 51


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A forma de avaliar a usabilidade pode passar por testes com utilizadores reais,
normalmente em ambiente controlado e com o recurso a técnicas complementares
(questionários, entrevistas, Focus Group), ou pela acção de peritos na área. Estes peritos
interagem com o sistema de forma a identificarem os problemas de usabilidade destes.
Neste caso, estamos perante uma avaliação heurística, sendo frequente o recurso a um
conjunto de heurísticas desenvolvidas por Jacob Nielsen:

1) Feedback.

 O sistema deve informar continuamente o usuário sobre o que este está a fazer.

 10 segundos é o limite para manter a atenção do usuário focalizada no diálogo.

2) Falar a linguagem do usuário.

 A terminologia deve ser baseada na linguagem do usuário e não orientada ao


sistema.

 As informações devem ser organizadas conforme o modelo mental do usuário.

3) Saídas claramente demarcadas.

 O usuário controla o sistema, ele pode, a qualquer momento, abortar uma tarefa, ou
desfazer uma operação e retornar ao estado anterior.

4) Consistência.

 Um mesmo comando ou ação deve ter sempre o mesmo efeito.

 A mesma operação deve ser apresentada na mesma localização e deve ser


formatada/apresentada da mesma maneira para facilitar o reconhecimento.

5) Prevenir erros.

 Evitar situações de erro.

 Conhecer as situações que mais provocam erros e modificar a interface para que
estes erros não ocorram.

Pedro Brigas, 2015 52


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6) Minimizar a sobrecarga de memória do usuário.

 O sistema deve mostrar os elementos de diálogo e permitir que o usuário faça as


suas escolhas, sem a necessidade de se lembrar de um comando específico.

7) Atalhos.

 Para usuários experientes executarem as operações mais rapidamente.

 Abreviações, teclas de função, duplo clique no rato, entre outros.

 Atalhos também servem para recuperar informações que estão numa profundidade
na árvore navegacional a partir da interface principal.

8) Diálogos simples e naturais.

 Deve-se apresentar exatamente a informação que o usuário precisa no momento,


nem mais nem menos.

 A seqüência da interação e o acesso aos objectos e operações devem ser


compatíveis com o modo pelo qual o usuário realiza as suas tarefas.

9) Boas mensagens de erro.

 Linguagem clara e sem códigos.

 Devem ajudar o usuário a entender e resolver o problema.

 Não devem culpar ou intimidar o usuário.

10) Ajuda e documentação.

 O ideal é que um software seja tão fácil de usar (intuitivo) que não necessite de ajuda
ou documentação.

 Se for necessária a ajuda deve estar facilmente acessível on-line.

Pedro Brigas, 2015 53


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Seja no caso dos sistemas de informção ou no caso de produtos, deve-se sempre ter
em consideração as capacidades físicas e mentais dos utilizadores que formam o público-
alvo.

Não é por acaso que a análise do público-alvo deve constituir o primeiro passo
aquando da concepção de um produto ou sistema. Características físicas “especiais”, ou a
idade têm grande influência na forma como se vai processar a interacção entre o Homem e
o sistema de informação ou produto.

Por exemplo, a memória de curto prazo humana é limitada e tende a variar com a
idade. Um ser humano não consegue lembrar-se instantaneamente de muito mais que sete
itens seguidos, de modo que é preciso evitar apresentar informações em excesso.

A visão e audição também se vão denegrindo com o avançar da idade. Caso o


público-alvo sejam pessoas mais idosas, devemos ter em atenção ao tamanho dos
caracteres e volume dos sinais de aviso.

Não se pode também esquecer que os utilizadores cometem erros, especialmente


quando estão sob stress. Sistemas que não funcionem bem e apresentem mensagens
podem stressar ainda mais os utilizadores, levando-os a cometerem mais erros.

Temos ainda os casos “especiais”, como por exemplo os indivíduos canhotos ou


daltónicos. É fundamental que um sistema ou produto esteja preparado e seja acessível
para lidar com a variabilidade inter-utilizadores.

Pedro Brigas, 2015 54


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7. FACTORES AMBIENTAIS DE INCOMODIDADE

Como já foi referido, os factores ligados ao ambiente físico, biológico e químico,


influenciam as condições de trabalho, podendo constituir um risco para a saúde dos
trabalhadores ou, pelo contrário, podendo facilitar a realização do trabalho e constituir um
meio para garantir a sua eficácia.

A influência desses factores sobre o indivíduo faz-se notar através de respostas


fisiológicas, susceptíveis de lhe provocar sensações de conforto ou de desconforto. Neste
segundo caso, para fazer face ao incómodo provocado, o trabalhador reage e tenta adaptar-
se, dentro das margens de liberdade de que dispõe.

O conhecimento construído por diversos campos da ciência sobre as relações que se


estabelecem entre os fenómenos físicos e químicos e os seus efeitos fisiológicos,
determinou a elaboração de normas e recomendações que fixam limites em diversos
parâmetros, para além dos quais a exposição constitui uma ameaça à saúde e segurança
dos trabalhadores. De entre esses parâmetros podemos destacar os seguintes:

 Ruído;

 Vibrações;

 Ambiente Térmico;

 Qualidade do ar.

7.1 Ruído

O som pode ser definido como um conjunto de vibrações sonoras que se propagam
através do ar. Propagam-se por meios materiais transportando energia a partir de uma fonte
em todas as direcções. Resulta de variações de pressão no ar. Estas alterações de pressão
são perceptíveis pelo ouvido e denominam-se por pressão sonora, determinando a
intensidade do som. O termo “ruído” tem uma conotação negativa, podendo ser definido
como um som indesejado, cuja intensidade é medida em decibéis (dB).

O ruído constitui uma causa de incómodo para o trabalho, uma vez que se traduz
num obstáculo às comunicações verbais, numa fonte fadiga e, em casos extremos, em
lesões auditivas permanentes. Os efeitos do ruído sobre o organismo podem ser divididos
em fisiológicos e psicológicos.

Pedro Brigas, 2015 55


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No primeiro caso, estamos a falar de lesões que podem ocorrer não apenas no
sistema auditivo mas também em diferentes funções orgânicas. O ruído pode estar na
origem de distúrbios gastrointestinais e problemas relacionados com o sistema nervoso
central, como por exemplo dificuldades na fala ou redução da memória de retenção. O ruído,
quando é súbito e intenso, acelera a frequência cardíaca, aumenta a pressão arterial e
contrai os vasos sanguíneos e os músculos estomacais.

Por outro lado, o ruído pode também perturbar o equilíbrio psicológico do


trabalhador. O ruído permanente numa situação de trabalho constitui uma fonte de tensão e
stress para o trabalhador, contribuindo assim para a sua irritabilidade e estado de angústia,
o que pode estar na origem de erros e até mesmo de estados de depressão.

Podemos afirmar portanto que o ruído pode influenciar negativamente a


produtividade dos trabalhadores, a qualidade dos produtos e serviços, estando também
muitas vezes na origem de acidentes. Para avaliar o impacto do ruído sobre o trabalhador
devemos não só ter em atenção a sua intensidade como também o tempo de exposição do
trabalhador a esse ruído.

De seguida apresentam-se alguns dos efeitos que o ruído pode ter sobre o ouvido
humano:

 Sensação auditiva e tempo de reacção: O tempo de reacção varia com o estado


físico e mental do indivíduo e com a intensidade do ruído. Quanto maior for o tempo
de reacção maior será o risco de acidente.

 Efeito de máscara: Os sons muito intensos podem ocultar os de menor intensidade


podendo tornar imperceptíveis certos sons que alertariam para sons de perigo.

 Perturbação na localização de fontes sonoras: Quanto mais intenso for o ruído


mais difícil se tornará avaliar correctamente a aproximação de um perigo.

 Fadiga auditiva: Tem como consequência uma redução da sensibilidade do ouvido.


Quanto maior for a fadiga mais intenso terá que ser o som para ser percebido. O
aparecimento da fadiga depende do tempo de duração do som e também da sua
intensidade.

Pedro Brigas, 2015 56


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Em termos legislativos, o Decreto-Lei n.º 182/2006, de 6 de Setembro, transpõe para


a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2003/10/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 6 de Fevereiro, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde em matéria de
exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído).

Este diploma, com data de entrada em vigor em vigor em 6 de Outubro de 2006, veio
revogar a anterior legislação sobre esta matéria (Decreto-Lei n.º 72/92 e o Decreto
Regulamentar n.º 9/92, ambos de 28 de Abril) e é aplicável a todas as actividades dos
sectores privado, cooperativo e social, da administração pública central, regional e local, dos
institutos públicos e das demais pessoas colectivas de direito público, bem como a
trabalhadores por conta própria. Reveste-se de particular importância para o sector
metalúrgico e metalomecânico, cujas indústrias apresentam, de uma forma geral, processos
produtivos com potencial para gerarem níveis de ruído significativos e passíveis de inferir
riscos para a saúde e segurança dos trabalhadores expostos.

Contudo, não deve existir uma preocupação com os efeitos do ruído sobre os
trabalhadores apenas nos contextos em que este pode ser potencialmente elevado. Por
exemplo, em actividades que exijam precisão ou que sejam predominantemente intelectuais,
um ruído que no contexto industrial praticamente nem seria sentido, pode ter uma influência
bastante negativa sobre o trabalhador. Essa influência traduz-se também em erros, bem
como em desconcentração e frustração.

No que toca à protecção dos trabalhadores, a medida mais eficaz consiste em


suprimir a fonte de ruído, substituindo, por exemplo, a maquinaria ruidosa por outra mais
silenciosa. Não sendo possível deve evitar-se a propagação do ruído, isolando as máquinas
ruidosas e colocando materiais absorventes nas paredes, tectos e chão. Caso não seja
possível, devemos então intervir ao nível do próprio trabalhador, reduzindo o seu tempo de
exposição ao ruído e promovendo a utilização de equipamentos de protecção individual. De
salientar ainda a importância da realização regular de exames audiométricos.

7.2 Vibrações

A vibração é um movimento oscilatório de um corpo, devido a forças desequilibradas


de componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento.
Como todo corpo com movimento oscilatório, um corpo que vibra, descreve um movimento
periódico, que envolve um deslocamento num certo tempo. Daí resulta a velocidade, bem
como a aceleração do movimento em questão.

Pedro Brigas, 2015 57


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Outro factor importante é a frequência desse movimento, isto é, o número de ciclos


(movimentos completos) realizado num período de tempo. No caso de ciclos por segundo,
utiliza-se a unidade Hertz (Hz). Ao contrário de muitos agentes ambientais, a vibração
somente será problema quando houver efectivo contacto físico entre um indivíduo e a fonte,
o que auxilia no reconhecimento da exposição. Muitas são as actividades em que as
vibrações estão presentes, como por exemplo a construção civil, a extracção florestal, os
transportes e as indústrias extractivas.

As vibrações afectam diferentes zonas do corpo, podendo inclusivamente afectá-lo


na sua totalidade. Transmitem-se ao corpo humano segundo três eixos espaciais (x, y e z)
(Figura 9), com características físicas diferentes e com um efeito combinado que é igual à
soma dos efeitos parciais. O resultado desta acção conjunta pode afectar as condições de
conforto, de segurança e de saúde do trabalhador, contribuindo ainda para a diminuição da
sua capacidade de trabalho.

Figura 9: Eixos espaciais de aplicação de forças vibratórias no corpo humano.

Entre os efeitos sobre o organismo, resultantes das localizadas, podemos destacar


os seguintes:

 Numa fase inicial, formigueiros ou adormecimentos leves, que são usualmente


ignorados por não interferirem no trabalho e outras actividades;

 Posteriormente, com a continuidade da exposição, o tacto e a sensibilidade à


temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e incapacidade para a
realização de trabalhos que exijam maior precisão. Prosseguindo a exposição, os
efeitos podem traduzir-se numa aparência cianótica dos dedos (acrocianose).

Pedro Brigas, 2015 58


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Por forma a reduzir os efeitos negativos das vibrações sobre o corpo e organismo
humano, podemos reduzir a vibração na fonte, reduzir a transmissão da vibração para o
corpo ou reduzir o tempo de exposição do trabalhador.

7.3 Ambiente Térmico

O Ambiente Térmico desempenha um papel importante no melhoramento das


condições de trabalho. O Conforto Térmico de um indivíduo representa o estado de espírito
em que esse indivíduo expressa satisfação em relação ao ambiente térmico. Este estado é
obtido quando um indivíduo está numa condição de equilíbrio com o ambiente que o rodeia,
o que significa que é possível a manutenção da temperatura dos tecidos constituintes do
corpo, num domínio de variação estreito, sem que haja esforço.

Fora dos limites do Conforto Térmico, podem registar-se alterações fisiológicas no


ser humano, que irão ter uma influência negativa sobre a sua capacidade de trabalho e até
mesmo sobre a sua segurança e saúde. Em condições normais de saúde e conforto, a
temperatura do corpo humano mantém-se aproximadamente constante, próxima de 37 +/-
0,8 ºC, graças a um equilíbrio entre a produção interna de calor devida ao metabolismo e a
perda de calor para o meio ambiente.

Quando o calor cedido ao meio ambiente, é superior ao calor recebido pelo corpo, ou
produzido por meio do metabolismo basal e da realização de actividade física, o organismo
tende a arrefecer e, para evitar esta hipotermia (descida da temperatura do corpo), põe em
marcha múltiplos mecanismos, entre os quais podemos destacar:

 Vasoconstrição sanguínea: diminuir a cedência de calor ao exterior;

 Desactivação (fecho) das glândulas sudoríparas;

 Diminuição da circulação sanguínea periférica.

As consequências da hipotermia poderão variar entre o mal-estar geral, a diminuição


da destreza manual e da sensibilidade táctil, o aparecimento de frieiras e, em casos
extremos, o enregelamento de algumas partes do corpo (temperaturas exteriores inferiores
a -20º C) e até mesmo a morte por falha cardíaca (temperatura interior inferior a 28º C).

Pedro Brigas, 2015 59


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A subida da temperatura acima da zona de conforto começa a provocar problemas,


primeiro de natureza subjectiva e depois de natureza fisiológica até atingir o limite físico de
tolerância.

Quando o calor cedido ao meio ambiente, é inferior ao calor recebido pelo corpo, ou
produzido por meio do metabolismo basal e da realização de actividade física, o organismo
tende a aquecer e, para evitar esta hipertermia (aumento da temperatura do corpo), põe em
marcha múltiplos mecanismos, entre os quais podemos destacar:

 Vasodilatação sanguínea;

 Activação das glândulas sudoríparas;

 Aumento da circulação sanguínea periférica.

As consequências da hipertermia poderão variar entre o mal-estar geral, o aumento


da sobrecarga do coração e do sistema circulatório, o surgimento de queimaduras e
erupções na pele, sendo que em casos extremos a hipertermia pode resultar na morte do
indivíduo.

O controlo do ambiente térmico pode ser feito através da aplicação de medidas


técnicas, de práticas no âmbito da organização do trabalho e da utilização de protecção
individual.

Nos ambientes frios, as medidas técnicas de controlo restringem-se praticamente ao


fornecimento de calor às áreas de trabalho frias, o que nem sempre é possível considerando
os motivos que obrigam ao trabalho nestes ambientes. A nível de organização do trabalho é
perfeitamente possível preverem-se períodos de descanso para climatização. E finalmente,
é possível, na grande maioria das situações, criar e manter-se um microclima satisfatório
utilizando-se vestuário que assegure um isolamento apropriado.

Nos ambientes quentes, quando possível, deverão reservar-se os trabalhos em


ambientes mais quentes para os últimos dias da semana, pois provocam desadaptação que
poderá ser reparada com o repouso do fim-de-semana. O limite da perda por sudação é de
4 litros nas 8 horas de trabalho, ou seja, meio litro por hora, devendo a reposição ser feita
regularmente ao longo do dia de trabalho, com bebidas frescas (12 a 13 ºC) ou mornas (chá
ou café muito fracos); não sendo permitidas as bebidas alcoólicas e limitando a ingestão de
sumos de frutos e leite a 1 litro.

Pedro Brigas, 2015 60


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As refeições destes trabalhadores devem ser ligeiras e pobres em lípidos Devem-se


afastar dos postos de trabalho em que existe exposição excessiva ao calor, os indivíduos
com afecções cardiovasculares, respiratórias, renais e os obesos.

7.4 Qualidade do Ar

Em virtude do aumento do uso de produtos químicos em diversas situações de


trabalho, nenhum tipo de ocupação está inteiramente livre da exposição a substâncias
capazes de produzir efeitos nocivos ao organismo humano. Contudo, o meio industrial
apresenta-se como aquele em que este parâmetro é mais sentido.

A Qualidade do Ar diz-se aceitável quando este se encontra sem concentrações de


contaminantes prejudiciais à saúde, de forma que uma parcela significativa de pessoas
expostas se sente satisfeita. Os diversos contaminantes susceptíveis de entrar em contacto
com o organismo dos trabalhadores podem apresentar uma acção localizada ou
generalizada (diversos órgãos). As suas principais vias de penetração no organismo são as
seguintes:

 Respiratória (inalação): ar inalado durante a jornada de trabalho;

 Cutânea/Dérmica: limitada a certas substâncias como: nitrobenzeno e nitroglicerina;

 Digestiva: problemas de higienização dos locais destinados a refeições;

 Ocular: a visão é facilmente atingida durante a manipulação de agentes químicos;

 Parenteral: directamente através do sistema circulatório (feridas, agulhas).

Podemos fazer a distinção entre dois tipos de contaminantes:

 Agentes biológicos: micro-organismos como vírus, bactérias, fungos e


protozoários;

 Agentes químicos: poeiras, fibras, fumos, neblinas, aerossóis, gases e vapores.

Os riscos biológicos são introduzidos nos processos de trabalho pela utilização de


seres vivos (em geral microorganismos) como parte integrante do processo produtivo. Tal
tipo de risco pode ser decorrente também, de deficiências na higienização do ambiente de
trabalho

Pedro Brigas, 2015 61


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 Poeiras: São partículas de forma irregular que resultam do manuseamento de


materiais sólidos ou de processos mecânicos de desintegração. Podem também ser
constituídas por aglomerados de várias partículas;

 Fumos: Partículas sólidas suspensas no ar, de pequenas dimensões, facilmente


inaláveis, procedentes de uma combustão incompleta ou resultantes da sublimação
de vapores de metais fundidos;

 Neblinas: Suspensão no ar de gotículas líquidas visíveis e produzidas por


condensação de vapor;

 Aerossóis: Suspensão no ar de gotículas cujo tamanho não é visível à vista


desarmada e provenientes da dispersão mecânica de líquidos;

 Gases: Estado físico de certas substâncias a 25 ºC e 1 atm;

 Vapores: Fase gasosa de substâncias que nas condições – padrão (25 ºC e 1 atm)
se encontram no estado sólido ou líquido.

O tempo que os aerossóis podem permanecer no ar depende do seu tamanho, peso


específico (quanto maior o peso específico, menor o tempo de permanência) e velocidade
de movimentação do ar. Evidentemente, quanto mais tempo permanecem no ar, maior é a
probabilidade de serem inalados pelo trabalhador.

Sempre que se verifica a existência de um contaminante devemos actuar, ou sobre o


seu foco, ou sobre o seu meio de difusão, ou, em último caso, sobre o indivíduo,
promovendo a utilização de equipamento de protecção individual adequado.

A via respiratória e a via cutânea representam, habitualmente, as vias de entrada dos


contaminantes químicos mais importantes e perigosos, pelo que a protecção individual deve
incidir maioritariamente nestas duas vias. Podemos definir algumas regras que devem ser
cumpridas pelos equipamentos de protecção individual utilizados, de modo a que o
resultado pretendido seja alcançado. De seguida são apresentadas algumas dessas regras:

 O equipamento deve reter o contaminante a que o indivíduo está exposto;

 O equipamento deve ser o mais confortável possível e fácil de utilizar;

 O equipamento deve ser sujeito a uma correcta manutenção;

 O equipamento deve estar devidamente homologado;

 O mesmo equipamento não deve ser utilizado por diferentes indivíduos.

Pedro Brigas, 2015 62


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8. SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO

No contexto laboral, a luz assume um papel fundamental uma vez que vai influenciar
directamente a facilidade com que o trabalhador vê os objectos no seu ângulo de visão e
como percepciona os objectos fora do seu ângulo.

Boas condições de iluminação são essenciais para maximizar a recepção/percepção


da informação, maximizar a qualidade dos serviços prestados, aproveitar todo o espaço
disponível, garantir a segurança do trabalhador, assegurar o conforto visual do trabalhador e
impedir que este adopte posturas menos correctas.

A iluminação pode ser de dois tipos, isto é, natural ou artificial. A iluminação natural diz
respeito à luz que provém do Sol e é composta por todos os comprimentos de onda do
espectro da radiação visível. A iluminação artificial provém de uma fonte de energia que não
o Sol e a gama de comprimento de onda do espectro da radiação visível abrangida varia
consoante a fonte. As fontes de iluminação artificial que interessam ao estudo da iluminação
no local de trabalho são as lâmpadas.

As características da iluminação de um espaço de trabalho em conjunto com a


capacidade visual do trabalhador, com os atributos da tarefa e com as variáveis do espaço
de trabalho, vão ter influência sobre a capacidade de trabalho do trabalhador.

Em relação à luz, podemos identificar diferentes grandezas passíveis de serem


avaliadas aquando da análise de um espaço de trabalho.

Fluxo Luminoso

 Unidade: Lúmen (lm)

 Símbolo: Φ

 Definição: Quantidade total de luz emitida por uma fonte luminosa.

Intensidade Luminosa

 Unidade: Candela (cd)

 Símbolo: I

 Definição: Fluxo luminoso emitido numa dada direcção.

Pedro Brigas, 2015 63


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Luminância

 Unidade: Candela por metro quadrado (cd/m2)

 Símbolo: L

 Definição: Densidade de intensidade de uma luz reflectida numa dada direcção.

 Representa a medida do brilho de uma superfície.

Iluminância

 Unidade: Lux (lx)

 Símbolo: E

 Definição: Fluxo luminoso incidente por unidade de superfície.

 Pode ser medida através de um aparelho, denominado Luxímetro, que basicamente


funciona com base numa célula fotoeléctrica.

Coeficiente de reflexão ou reflectância

 Razão entre o fluxo luminoso reflectido por uma dada superfície e o correspondente
fluxo incidente.

Os níveis de iluminância recomendados variam em função da natureza da actividade.


Esses valores de referência são estabelecidos pela Norma DIN 5035-2:1990. Sendo
fundamental consultar a norma, na Figura 10 vemos um dos quadros de referência por ela
estabelecido.

Figura 10: Níveis de iluminância recomendados segundo a Norma DIN 5035-2:1990.

Pedro Brigas, 2015 64


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Existem ainda outras normas que recomendam valores de iluminância em função de


diferentes parâmetros. Entre essas Normas destacamos as seguintes:

 ISO/CIE 8995-1: 2002, requisitos de iluminação para postos de trabalho interiores;

 ISO/FDIS 8995-2: 2005, requisitos de iluminação para postos de trabalho exteriores


(conforto e desempenho visual);

 ISO 8995-3: 2006, requisitos de iluminação para postos de trabalho exteriores


(segurança).

8.1 Tipos de iluminação

As luminárias são dispositivos que distribuem, filtram ou transformam a iluminação


proveniente de uma ou várias lâmpadas e que incluem os elementos necessários para fixar
e proteger essas lâmpadas e para ligá-las a uma fonte de energia. Podem também atender
a funcionalidades decorativas. Em conjunto com as cores utilizadas nas paredes e tectos, e
com a (não) utilização de matérias reflectores ou difusores, vão influenciar a forma com a
iluminação é distribuída.

Quanto à forma como a iluminação é distribuída, esta pode ser:

 Directa: O fluxo luminoso incide directamente sobre o plano de trabalho, de maneira


a que se produza a menor dispersão possível. A vantagem destas luminárias reside
no facto de haver um maior aproveitamento da energia consumida. Porém
apresentam também desvantagens, como o facto de originarem zonas muito
iluminadas e zonas de sombra nas suas imediações, o que é susceptível de causar
encandeamentos;

 Indirecta: Existe uma reflexão total da luz no tecto e nas paredes, o que significa
que nestes espaços se deve optar pela utilização de cores claras. A sua vantagem
está no facto de proporcionarem uma iluminação agradável sem encandeamentos.
No entanto, o consumo elevado de energia eléctrica, resultante de elevadas perdas
de luz por absorção nas superfícies, torna-se uma grande desvantagem.

Existem ainda outros tipos de iluminação, a difusa, a semi-directa e a semi-indirecta,


que se caracterizam por uma combinação da luz directa emitida pela fonte, com a luz
reflectida pelo tecto, paredes e equipamentos.

Pedro Brigas, 2015 65


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8.2 Tipos de lâmpadas

Quanto ao tipo de lâmpadas podemos começar por referir as lâmpadas


incandescentes ou lâmpadas de filamento. Tratam-se das tradicionais lâmpadas de luz
amarela. Embora sejam o tipo de lâmpada mais antigo, são ainda o mais comum. As suas
principais vantagens são o facto de terem pequeno volume, serem de fácil instalação, terem
um baixo custo, apresentarem uma boa distribuição de cores e a sua duração não ser
afectada pelo número de arranques. Porém, têm algumas desvantagens, como por exemplo
o facto de apresentarem baixo rendimento e curta duração, libertarem calor e poderem dar
origem a encandeamentos.

Depois temos as lâmpadas fluorescentes cuja crescente utilização se deve ao facto


de apresentarem uma luz muito próxima da natural, apresentarem um baixo consumo
energético e risco de encandeamento, não produzirem muito calor, e apresentarem um
maior rendimento e durabilidade que as lâmpadas incandescentes. No entanto não são
perfeitas, uma vez que apresentam níveis de cintilação e a sua duração é condicionada pelo
número de arranques. As lâmpadas fluorescentes funcionam de modo semelhante aos
tubos de descarga de gás néon, possuindo um par de eléctrodos em cada extremo.

As lâmpadas de halogéneo, conhecidas pela sua luz branca, à semelhança das


lâmpadas incandescentes, apresentam um filamento interno, só que nesse caso o filamento
é rodeado por halogéneo. Apresentam a particularidade de ser possível regular a
intensidade da luz emitida. As suas grandes vantagens passam pela ausência de cintilação
e pelo elevado rendimento, sendo que a desvantagem é o facto de esse rendimento ser à
custa de um altíssimo consumo energético.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento exponencial das chamadas


lâmpadas economizadoras. Como o próprio nome indica, são lâmpadas de alto rendimento
e baixo consumo energético, para além de ser de dimensões reduzidas, apresentarem uma
luz homogénea e terem grande vida útil. Ao contrário das anteriores não são reguláveis e
apresentam ainda níveis de cintilação.

As lâmpadas de vapor sódio ou de vapor de mercúrio são muito utilizadas na


iluminação de espaços amplos, como grandes armazéns, hangares, e na iluminação
exterior. Estas lâmpadas apresentam alto rendimento, pequeno volume, são fáceis de
instalar, têm uma vida longa, variedade de potências e baixos níveis de cintilação. Contudo,
o seu custo é muito elevado e a sua duração é condicionada pelo número de arranques.

Pedro Brigas, 2015 66


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8.3 Riscos

Uma má ou desadequada iluminação do local de trabalho constitui um risco para a


saúde e segurança dos trabalhadores, podendo também estar na origem de graves
acidentes.

Uma iluminação deficiente potencia a exposição do trabalhador a outros riscos.


Numa sala com máquinas em movimento, mesmo que existam sinais de perigo, ou
protecções, se a iluminação não for adequada, existe sempre o risco de um trabalhador ser
vítima de um acidente devido ao facto de não conseguir ver nem os sinais, nem o perigo do
movimento das máquinas

Como tal, dentro da filosofia de que todos os riscos existentes devem ser bem
identificados, a iluminação toma uma importância fundamental nessa identificação, pois
aquilo que não se consegue ver desconhece-se ou esquece-se.

Relacionado ainda com acidentes de trabalho existe o risco do efeito estroboscópico.


O efeito estroboscópico consiste num fenómeno que ocorre quando a frequência da
radiação luminosa num determinado espaço iguala em valor ou valores múltiplos a
frequência de uma qualquer máquina rotativa desse local. Quando essas condições são
satisfeitas a visão humana não consegue detectar o movimento da máquina em questão,
dando a falsa sensação de que esta se encontra parada. Este fenómeno é muito frequente
quando se iluminam máquinas rotativas, que funcionam a uma frequência de 50Hz, com
lâmpadas fluorescentes, que acendem e apagam a uma frequência de 100Hz.

Em síntese, ao nível da iluminação, podemos afirmar que a saúde dos trabalhadores


é influenciada pelos seguintes factores:

 Níveis de iluminação desadequados do local de trabalho (muito baixos ou muito


altos);

 Encandeamentos;

 Efeitos de sombra;

 Cor da luz;

 Funcionamento deficiente da iluminação, frequentemente resultante de uma má


manutenção.

Pedro Brigas, 2015 67


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Em termos de manutenção, é necessário ter especial atenção à deposição de


poeiras nos equipamentos e ao natural envelhecimento destes. Estes dois factores vão
influenciar negativamente o fluxo luminoso emitido, e consequentemente provocar um
decréscimo da iluminação dos espaços.

Qualquer intervenção em termos de manutenção do sistema de iluminação


(substituição ou limpeza das luminárias ou lâmpadas, por exemplo) deve ser
cuidadosamente planeada em termos técnicos e económicos, sendo que essa intervenção
deve ser preferencialmente feita fora dos horários de trabalho efectivo. Quando se sabe que
o tempo útil das lâmpadas se está a esgotar ou se verificam pequenos zumbidos,
dificuldades no arranque ou um frequente “piscar” destas, deve proceder-se imediatamente
a uma intervenção sobre o sistema.

Como já foi referido, a luz é reflectiva por elementos como as paredes, tectos e
próprios equipamentos. Assim sendo, não deve ser desprezada a limpeza ou lavagem
periódica destes elementos.

8.4 Prevenção

Devido ao facto de as cores terem um efeito psicodinâmico importante sobre o ser


humano (Tabela 2), a escolha da cor do local de trabalho é um factor de risco importante.
Na escolha das cores devemos ter em conta não só a cor da luz, mas também a cor das
paredes, chão e tecto.

Tabela 2: Efeitos psicodinâmicos de diferentes cores sobre os indivíduos.

Cor Efeito de Distância Efeito de Temperatura Efeito Psíquico

Azul Afastamento Frio Calmante

Verde Afastamento Frio e neutro Muito calmante


Muito estimulante,
Vermelho Aproximação Quente
cansativo
Laranja Muita aproximação Muito quente Excitante

Amarelo Aproximação Muito quente Excitante


Muita aproximação,
Castanho Neutro Excitante
claustrofobia
Agressivo, cansativo,
Violeta Muita aproximação Frio
deprimente

Pedro Brigas, 2015 68


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Relativamente à localização dos pontos de luz, devemos considerar os seguintes


aspectos:

 Os pontos de luz não devem estar no campo de visão do trabalhador, que em média
é 30º acima do eixo de visão;

 Os pontos de luz não devem ser colocados de forma que o seu reflexo no plano de
trabalho encandeie o trabalhador;

 Os pontos de luz devem ser colocados lateralmente, de forma a não estarem no


campo de visão do trabalhador, e não o encandearem por reflexo.

Por outro lado, se considerarmos a colocação dos pontos de luz, devemos a atender
a aspectos como:

 Devem ser colocados preferencialmente no tecto;

 Num determinado espaço ou divisão devem ser todos iguais;

 Devem ser dispostos com distâncias iguais entre eles, e metade dessa distância às
paredes.

Por fim, se tivermos em conta os valores respeitantes aos coeficientes de reflexão,


deve ser respeitado o seguinte:

 Tecto – 80% a 90%;

 Paredes – 40% a 60%;

 Mobiliário – 25% a 45%;

 Equipamentos – 30% a 50%;

 Pavimento – 20% a 40%.

Pedro Brigas, 2015 69


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9. TRABALHO COM ECRÃS DE VISUALIZAÇÃO

A introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) conduziu a


mudanças significativas nos métodos de trabalho e de lazer, nomeadamente a possibilidade
de realizar muitas tarefas de forma rápida e simples, a recolha e partilha de informação,
ultrapassando barreiras de espaço e tempo, entre outras.

A intervenção da Ergonomia no contexto do trabalho informatizado faz-se notar com


maior incidência no design de software. Em particular, A interface Homem-Computador tem
sido alvo de muita atenção. De importância crucial é a forma efectiva como a informação é
apresentada ao operador (monitores, janelas e ícones). Similarmente, precisamos de saber
qual é o melhor sistema para controlar o computador (teclados, ratos e ecrãs sensíveis ao
toque).

No entanto, com a crescente utilização destas tecnologias, tanto em casa como no


trabalho, assistimos ao desenvolvimento de novos constrangimentos que colocam em risco
a saúde e segurança das pessoas, bem como a eficácia do sistema de trabalho.

De uma forma geral o trabalho informatizado implica elevada concentração, visão a


curta distância, movimentos frequentes dos olhos postura de sentado por longos períodos
de tempo, movimentos frequentes das mãos e dos punhos e adopção de posturas estáticas.

A utilização do computador leva a uma alteração na natureza da actividade realizada,


tornando-se esta mais repetitiva, principalmente ao nível dos membros superiores
(interacção constante com o rato e/ou teclado), mais individualizada (o trabalhador interage
grande parte do tempo de trabalho com o computador) mais monótona.

Se não nos esquecermos do objectivo da Ergonomia, vemos aqui uma nova janela
de intervenção desta ciência, maioritariamente no que toca ao contexto de trabalho
administrativo, isto é, trabalho em escritório.

9.1 Riscos associados à interacção com e ecrãs de visualização

Face aos riscos existentes em ambiente de escritório, as preocupações em termos


de problemas de saúde, centram-se principalmente a três níveis: músculo-esquelético
(LME), visual (fadiga visual) e psicossocial (stress).

Pedro Brigas, 2015 70


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De seguida vamos aprofundar dois deles, o nível visual e o nível psicossocial, uma
vez que o nível músculo-esquelético já foi abordado anteriormente neste documento, mais
especificamente no ponto 2.2.

Riscos ao nível visual:

A interacção frequente com ecrãs de visualização resulta num aumento das


exigências a nível visual, o que pode contribuir para a ocorrência de patologias a este nível.
Essas exigências fazem-se notar em determinados momentos, como por exemplo a
focagem de imagens por períodos de tempo prolongados, as adaptações constantes a
mudanças de iluminância e de brilho, a existência de encandeamentos e reflexos, assim
como da falta de nitidez, contraste e legibilidade de certos caracteres.

Têm sido associados sintomas oculares e desconforto visual ao trabalho com ecrãs
de visualização, esses sintomas incluem visão turva, fadiga visual, sensação de ardor,
lacrimejo, hipersensibilidade à luz vermelhidão e dores de cabeça.

Um dos problemas que surge ao nível da interacção com o computador é a síndrome


de visão ao computador (SVC), em inglês «Computer Vision Syndrome» (CVS). A SVC
surge devido ao esforço visual exigido no trabalho com computador, por tempo prolongado,
e é caracterizada pela ocorrência de uma série de sintomas em simultâneo, relacionados
com o desconforto ou cansaço visual.

Além da interacção com o computador, a própria disposição do posto de trabalho, os


níveis de iluminação e os reflexos podem aumentar as exigências visuais. Tendo em
consideração que existe uma grande interacção com o computador para realizar o trabalho
em escritório, o trabalhador deve poder realizar a sua actividade sentindo-se confortável,
não apenas a nível músculo-esquelético mas também a nível visual – conforto visual.

O conforto visual está relacionado com o conjunto de condições, num determinado


ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver tarefas visuais com o máximo de
acuidade e precisão visual, com o menor esforço, com o menor risco de prejuízos à vista e
com reduzidos riscos de acidentes.

Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, pode verificar-se a


existência de sinais e sintomas visuais que podem servir de alerta, para intervir
antecipadamente, evitando a ocorrência de consequências graves para os trabalhadores.

Pedro Brigas, 2015 71


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Riscos ao nível psicossocial:

Os aspectos psicossociais do uso de ecrãs de visualização têm sido reconhecidos


como factores que contribuem para os problemas de saúde mentais e físicos há mais de 15
anos. Alguns dos primeiros estudos sobre ecrãs de visualização, indicaram que o uso dos
ecrãs de visualização estava correlacionado com maior insatisfação e sofrimento.

Estudos mais recentes sugerem que o design de sistemas de trabalho em escritório


influencia o planeamento do trabalho, as políticas organizacionais, as práticas de gestão e
as oportunidades de carreira, que podem ser factores determinantes no desenvolvimento de
sentimentos de angústia nos trabalhadores.

As características de trabalho, como por exemplo a organização do trabalho ou a


tecnologia, têm potencial para produzir reacções de stress imediatas que são modificadas
pelas características e susceptibilidades pessoais. Se estas reacções de stress a curto
prazo se tornarem crónicas, podem conduzir a problemas de saúde significativos.

Salientar que stress é entendido como uma resposta adversa que as pessoas têm a
pressão excessiva ou outros tipos de exigências que lhes são colocados. A pressão é parte
ou uma parcela de todo o trabalho e ajuda-nos a manter-nos motivados. Mas pressão
excessiva pode levar a stress, que enfraquece a performance, é dispendioso para os
empregadores e pode tornar as pessoas doentes.

Determinados problemas no computador como por exemplo as avarias e o próprio


uso durante longos períodos de tempo, têm efeitos indirectos no stress do trabalhador
através duma influência nas características da tarefa, como por exemplo a carga, a pressão
e o controlo sobre o trabalho.

Os factores de organização do trabalho influenciam o stress psicológico e estados de


humor, e têm também uma influência directa na dor e desconforto nas extremidades
superiores.

Em síntese, o stress, a ansiedade, a dificuldade de concentração, a alteração de


humor, entre outros, são sinais e/ou sintomas de problemas a nível psicossocial. Caso estes
problemas não sejam identificados e, posteriormente, implementadas medidas para os
eliminar/reduzir, podem constituir uma ameaça para a saúde e segurança dos
trabalhadores.

Pedro Brigas, 2015 72


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À semelhança do que se verificou em relação aos riscos a nível visual, a importância


dos vários sinais e sintomas prende-se com a possibilidade de tentar intervir o mais
antecipadamente possível, para que estes não se prolonguem e originem problemas de
maior gravidade, tanto para os trabalhadores como para a própria instituição.

9.2 Medidas de prevenção e protecção

Para que o operador tire o maior partido do posto de trabalho, bem como dos
diferentes elementos que o constituem, deverá conhecer as diferentes formas de regulação
e os efeitos que estas poderão vir a ter sobre a sua saúde, segurança, conforto e eficácia no
desempenhar da actividade.

Para além destes aspectos de regulação, entre as medidas de prevenção podemos


ainda referir as acções na organização do trabalho, como por exemplo a definição e pausas,
ou os processos de formação e informação dos trabalhadores.

A organização da actividade de trabalho deve permitir a interrupção periódica do


trabalho, através de pausas ou pela alternância de tarefas com diferentes exigências. As
pausas devem ser introduzidas após 2 horas de trabalho e ter uma duração de 15 minutos.

Todos os trabalhadores devem receber formação e informação adequadas sobre a


utilização dos equipamentos antes do inicio da sua actividade e sempre que ocorram
mudanças no posto de trabalho.

9.2.1 Postos de trabalho

Segundo o ponto 3º. da Portaria nº 989/93, de 6 de Outubro, o posto de trabalho deve:

 Ter uma dimensão que permita mudanças de posição e movimentos de trabalho;

 Ter uma iluminação correcta, com contraste adequado entre o ecrã e o ambiente,
atendendo às características do trabalho e às necessidades visuais do utilizador;

 Estar instalado de forma que as fontes de luz não provoquem reflexos encandeantes
directos nem reflexos no visor.

 Respeitar os limites fixados para os valores de ruído, calor, radiações e humidade;

Pedro Brigas, 2015 73


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 As janelas devem estar equipadas com um dispositivo ajustável que atenue a luz do
dia.

Alguns autores vão mais longe e definem mais recomendações que devem ser
consideradas ao nível do posto e superfície de trabalho. As superfícies dos postos de
trabalho devem ser anti-reflexas e os rebordos devem ser arredondados.

O posto deve estar à altura ou ligeiramente abaixo da altura do cotovelo (na posição
de sentado).

Os objectos na secretária devem ser organizados tendo em consideração o seu peso


e frequência de uso. Os objectos mais pesados devem estar entre a altura do ombro
(sentado) e a altura da cintura. Os objectos frequentemente utilizados devem estar mais
perto do trabalhador.

Uma adequada organização dos postos de trabalho em escritório, ajuda os


trabalhadores a manter uma postura confortável e neutra do corpo, com as articulações
alinhadas naturalmente, reduzindo o stress e tensão nos músculos, tendões, e sistema
esquelético, e a minimizar o risco de desenvolver LMERT.

9.2.2 Tipo de computador (fixo ou portátil)

Existem dois tipos de computador frequentemente utilizados em ambiente de


escritório, o computador fixo e o computador portátil.

Inicialmente, face à inexistência e, posteriormente, ao custo dos computadores


portáteis, os fixos eram uma opção viável para o contexto empresarial. No entanto, com o
evoluir da tecnologia generalizou-se a produção e comercialização de computadores
portáteis que vieram introduzir algumas alterações tanto em contexto laboral como em casa.

Hoje em dia, é cada vez mais frequente «levar o trabalho para casa» e o portátil veio
facilitar essa acção, devido à forma simples e prática de transportar um computador para
qualquer lado. No entanto, tem sido estudada a interacção dos trabalhadores com os
portáteis e têm-se verificado algumas desvantagens destes face aos fixos.

Nos computadores fixos, como temos o teclado e o rato dissociado do ecrã, é


possível colocar estes equipamentos a distâncias diferentes, o que permite que o
trabalhador realize a sua actividade adoptando posturas mais cómodas e seguras.

Pedro Brigas, 2015 74


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Nos computadores portáteis, como o teclado e o rato estão associados ao ecrã,


constatam-se alguns constrangimentos que podem ter consequências para a saúde dos
trabalhadores, nomeadamente: distância de visão inadequada, ângulo de visão inadequado
e adopção de posturas penosas.

9.2.3 Ecrã de visualização (Monitor)

No que diz respeito aos ecrãs de visualização, segundo o ponto 1º. da Portaria nº
989/93, de 6 de Outubro, os visores existentes nos postos de trabalho devem:

 Possuir caracteres bem definidos e delineados com clareza, de dimensão apropriada


e com espaçamento adequado, quer entre si, quer entre as linhas;

 Ter uma imagem estável, sem fenómenos de cintilação ou outras formas de


instabilidade e sem reflexos e reverberações;

 Possibilitar ao utilizador uma fácil regulação da iluminância e do contraste entre os


caracteres e o seu fundo, atendendo, nomeadamente, às condições ambientais;

 Ser de orientação e inclinação regulável de modo livre e fácil, adaptando-se às


necessidades do utilizador e, se necessário, colocado sobre suporte separado.

Por outro lado, existe uma série de recomendações a seguir aquando da interacção
com um ecrã de visualização, tais como:

 O topo do ecrã deve estar à altura ou ligeiramente abaixo do nível do olhar. No


entanto, se o trabalhador usar óculos ou lentes de contacto bifocais ou progressivas,
o ecrã deve estar mais abaixo;

 A estrutura envolvente do ecrã deve ser anti-reflexa para evitar reflexos;

 A distância entre o trabalhador e o ecrã deve ser aproximadamente o comprimento


do braço;

 O ecrã deve estar directamente de frente para o trabalhador;

 O ecrã deve estar ligeiramente inclinado para trás (até 15º);

 O ecrã deve ser colocado perpendicularmente às fontes de iluminação natural e


artificial.

Pedro Brigas, 2015 75


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9.2.4 Cadeira

Relativamente à cadeira, o ponto 3º. da Portaria nº 989/93, de 8 de Outubro, refere


que “a cadeira de trabalho deve ter uma boa estabilidade, ser de altura ajustável e possuir
um espaldar regulável em altura e inclinação”.

No entanto, alguns autores vão mais longe, e definem outras recomendações para
ter em consideração na aquisição de uma cadeira de escritório, nomeadamente:

 Permitir a liberdade de movimentos ao utilizador;

 Proporcionar uma posição confortável;

 Possuir rebordo frontal do assento arredondado para baixo;

 Fornecer suporte lombal regulável em altura e inclinação;

 Fornecer mecanismos de ajuste facilmente manipuláveis;

 Permitir adaptação à função e à estatura do trabalhador;

 Possibilitar o ajuste em altura e largura dos apoios para os braços;

 Possuir uma profundidade e altura do assento apropriada ou ajustável;

 Conter tecido respirável e antiderrapante.

9.2.5 Rato e Teclado

No que diz respeito ao rato, não existe muita informação relevante em termos de
legislação para os requisitos mínimos que este deve possuir, existindo apenas
recomendações de alguns autores nomeadamente, a importância do rato ter um tamanho e
forma adequada ao seu utilizador. Outras recomendações baseiam-se mais na interacção
com este dispositivo, como por exemplo:

 Manter uma postura neutra do pulso enquanto utiliza o rato;

 Alterar a mão com que utiliza o rato;

 Tocar ligeiramente nos botões do rato;

 Realizar movimentos com todo o braço para interagir com o rato.

Pedro Brigas, 2015 76


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De acordo o ponto 2º. da Portaria nº 989/93, os teclados devem:

 Ser inclináveis e dissociados do visor, de modo a permitir ao trabalhador adoptar


uma posição confortável que não provoque fadiga dos braços ou das mãos;

 Apresentar uma superfície baça para evitar reflexos;

 Apresentar símbolos das teclas suficientemente contrastados e legíveis a partir da


posição normal de trabalho e dispostas de forma a facilitar a sua utilização.

Relativamente a recomendações, quanto à interacção com este dispositivo, são de


salientar as seguintes:

 Digitar com os pulsos a «flutuar» por cima do teclado;

 Manter uma postura neutra do pulso enquanto estiver a digitar;

 Manter um ângulo no cotovelo aproximadamente a 90 graus;

 Posicionar o teclado à altura ou ligeiramente abaixo da altura do cotovelo;

 Relaxar os ombros e manter os cotovelos perto do corpo;

 O teclado deve ter uma espessura fina e ajudar a manter os pulsos direitos enquanto
estiver a digitar.

9.2.6 Acessórios

Com a evolução dos conhecimentos, assistimos ao aparecimento de novos


equipamentos, acessórios, que podem ser utilizados em ambiente de escritório com o
objectivo de facilitar, tornar mais confortável e/ou segura a realização da actividade. De
seguida serão abordados três acessórios frequentemente referidos na temática do trabalho
em ambiente de escritório: apoio para os pés, apoio para o pulso e suporte de documentos.

No que diz respeito aos apoios para os pés, existem algumas recomendações que
devem ser consideradas aquando da aquisição, como por exemplo:

 Devem ser largos o suficiente para ambos os pés;

 Devem ter inclinação ajustável;

 Devem ter uma superfície antiderrapante.

Pedro Brigas, 2015 77


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O apoio para o pulso deve ser feito de um material firme e confortável, alto o
suficiente para manter o pulso numa posição neutra e deve ter bordas curvas. Os apoios
para os pulsos só reduzem a pressão do contacto dos pulsos com as bordas afiadas dos
postos de trabalho quando se está a fazer uma pausa. Não devem ser utilizados enquanto
se interage com o rato, correndo-se o risco de, nessa situação, aumentar a pressão nos
pulsos e as possibilidades de dano.

Relativamente ao suporte para documentos, para actividades onde exista a leitura de


documentos em papel é necessário colocar os documentos num espaço que permita uma
correcta leitura e regulação adequada. Estes devem ser ajustáveis em altura, inclinação e
distância e situar-se junto ao ecrã, à mesma altura e distância deste.

Pedro Brigas, 2015 78


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10. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

A organização do trabalho ocupa um papel muito importante aquando da análise e


compreensão de todo o sistema de trabalho. A organização do trabalho pode ser vista sob
vários prismas, sendo que a carga de trabalho, tanto física como mental, ocupa um papel de
referência, assim como a organização do tempo de trabalho. Neste último ponto, o trabalho
nocturno e o trabalho por turnos são os temas mais frequentemente abordados.

Torna-se importante definir alguns conceitos que têm influência directa na forma
como se desenvolve o trabalho humano, sendo a sua compreensão essencial com vista à
diminuição do risco de acidentes e ao aumento da produtividade.

Monotonia e repetição

 Estão frequentemente associadas a alterações do estado de saúde, condicionando


patologias com riscos cardiovasculares, hipertensão e depressão;

 Geram descontentamento por parte dos trabalhadores, o que a curto/médio prazo


origina uma redução do desempenho, da satisfação e da realização, com efeitos
sobre a produtividade.

Motivação

 Este conceito remete para a satisfação das necessidades do sujeito;

 Ao nível organizacional, encontramos as necessidades:

o Físicas (como as condições de trabalho);

o De segurança (relacionadas com o tipo de vínculo com a empresa);

o De relacionamento (através do estabelecimento de relações interpessoais);

o De realização (passam pelo desempenho e pelo alcance de objectivos);

o De reconhecimento (recompensas, salários e prémios);

o De responsabilidade (relacionadas com a liderança e a delegação de funções);

o De desenvolvimento (associadas à informação/formação).

Pedro Brigas, 2015 79


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Autonomia

 Representa a possibilidade que um trabalhador tem de poder controlar o método de


trabalho ou ordem de execução das tarefas, dentro dos procedimentos
estabelecidos;

 Permitir um maior nível de autonomia dos trabalhadores permite aumentar o grau de


satisfação no trabalho, evitando a saturação.

Ritmo de trabalho

 Representa o tempo que o trabalhador utiliza para executar uma tarefa, devendo ser
tido em conta que o ritmo está directamente associado como esforço que o
trabalhador tem de prestar;

 Quando um indivíduo sente que não existe modo ou forma de alcançar as exigências
estabelecidas pelo ritmo de trabalho, desencadeia-se uma reacção de stress, e
consequentemente, fadiga física e cansaço psíquico.

Quantidade de trabalho

 Representada através do volume que um trabalhador tem de executar durante um


dia de trabalho, devendo esta ser ajustada a cada pessoa em função de parâmetros
como o género, a idade ou a experiência.

Responsabilidade

 É importante criar condições para o desenvolvimento de responsabilidades laborais,


tendo em consideração a articulação entre o nível exigido pela tarefa e o grau de
responsabilidade que cada trabalhador está disposto a assumir.

Automatização

 Pode permitir a redução da carga física excessiva e a diminuição das tarefas


repetitivas, podendo por outro lado apresentar desvantagens como a diminuição do
conteúdo da tarefa, especialmente no que diz respeito à autonomia e à capacidade
de tomar decisões.

Pedro Brigas, 2015 80


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Grau de atenção

 Tanto os trabalhos que requerem um elevado nível de atenção como os que


requerem um baixo nível, podem originar efeitos negativos:

o No 1º caso, podem ocorrer alterações da percepção sensorial, representando um


aumento dos riscos para a saúde;

o Enquanto no 2º caso, pode surgir uma perigosa sensação de alheamento.

10.1 Carga de trabalho

A carga de trabalho é um elemento que, dentro das condições de trabalho, permite


avaliar o aparecimento de danos para a saúde como consequência da inadaptação dos
postos de trabalho aos trabalhadores. Para podermos analisar a carga de trabalho é
necessário definir dois conceitos:

 Carga externa («pressão» de trabalho): é o conjunto das condições de trabalho e


exigências da tarefa que actuam sobre o indivíduo, ou seja, é a carga que é imposta
pela situação de trabalho;

 Carga interna (tensão provocado pelo trabalho): é o efeito ou o resultado da carga


externa sobre o indivíduo; é o conjunto das consequências de trabalho sobre o
trabalhador, estando dependente da actividade e das características individuais do
operador. É a carga vivida e sentida pelo trabalhador.

Figura 11: Exemplificação do processo de trabalho, com a influência da carga externa a ter uma resposta do
trabalhador (carga interna).

Pedro Brigas, 2015 81


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Dentro das características individuais do operador que podem influenciar a forma


como este sente a carga externa podemos destacar as seguintes:

 Idade: Na movimentação manual de cargas é um dos critérios considerados na


definição das cargas máximas permitidas, uma vez que há medida que a idade
aumenta, há uma maior probabilidade do indivíduo sofrer lesões ao nível da coluna
vertebral. Como curiosidade, é de referir que na população em geral se encontra um
aumento da frequência de lombalgias com a idade, assim como da sua cronicidade.
De destacar ainda as actuais preocupações decorrentes do envelhecimento da
população mundial, o que determina uma abordagem particular das características
específicas dos grupos etários mais elevados na sua integração no trabalho;

 Género: Em geral, as mulheres possuem uma musculatura mais fraca, uma força
muscular inferior, em 20 a 25%, à do homem, a sua capacidade física máxima é
também inferior e têm uma menor estatura. Esta característica é, também, um dos
critérios considerados relevantes na definição das cargas máximas permitidas na
movimentação manual de cargas;

 Peso: A sobrecarga ponderal poderá agravar as lombalgias e aumentar o risco de


cronicidade;

 Estado de Saúde: O estado de saúde de cada trabalhador, num dado momento,


poderá constituir-se como um factor de susceptibilidade individual que importa
conhecer. Por exemplo, indivíduos que já tenham sofrido de algum tipo de lesão a
nível da coluna vertebral, ou que tenham problemas de saúde que condicionem a
sua actividade, estão mais susceptíveis a sofrer algum tipo de lesão;

 Formação Profissional: O nível de formação do indivíduo influencia a forma como


este encara o trabalho, bem como as estratégias que adopta na sua execução;

 Experiência Profissional: Podemos estar a referir-nos a experiência profissional


naquele mesmo posto de trabalho naquela empresa ou organização, ou em
experiência em postos de trabalho semelhantes noutras empresas ou organizações.
Seja como for, a experiência profissional, um pouco à imagem do que acontece com
a formação profissional, possibilita que o trabalhador desenvolva estratégias por
forma a reduzir os efeitos resultantes da carga externa de trabalho.

Pedro Brigas, 2015 82


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Se as exigências da tarefa estão muito aquém (carga externa) das características


individuais do operador estamos perante uma situação de «subcarga de trabalho». Se, pelo
contrário, as exigências da tarefa estão muito acima das características do indivíduo
estamos perante uma situação de «sobrecarga de trabalho. Nenhuma das situações é
benéfica para a saúde biopsicossocial do indivíduo. O ideal é que as nossas capacidades
estejam de acordo com as exigências da tarefa que realizamos.

Em Ergonomia, a distinção entre carga externa e carga interna é muito importante


porque explica o facto de, num mesmo posto de trabalho, a realização de uma mesma tarefa
(mesma carga externa) poder constituir uma carga de trabalho diferente para pessoas
distintas (diferente carga interna).

Geralmente, as consequências que a carga interna tem sobre os operadores


manifestam-se inicialmente com efeitos não patológicos, locais e gerais, completamente
reversíveis mediante descanso adequado. É aquilo que denominamos por fadiga. Uma vez
ultrapassado o limiar de recuperação, começam a aparecer efeitos patológicos que
provocam danos na saúde dos trabalhadores e potenciam a ocorrência de erros e acidentes
graves.

A Ergonomia, como ciência que estuda a relação entre os operadores e os


elementos do sistema de trabalho, analisa, por um lado, as exigências do trabalho (carga
externa), e, por outro lado, o grau de mobilização que estas exigências provocam no
indivíduo, sejam elas físicas, mentais ou psicológicas (carga interna). Como resultado,
obtém-se assim a carga de trabalho que uma determinada tarefa ou função representa para
o indivíduo e que poderá estar a constituir danos para a sua saúde.

A Ergonomia estuda a carga de trabalho numa dada actividade sempre que surgem
problemas práticos e reais, tais como diminuição da performance de um ou vários
trabalhadores, aparecimento de sintomas precoces de fadiga ou o risco de ocorrerem
acidentes ou erros graves por parte dos operadores.

Podemos, de forma sintética, dizer que carga de trabalho designa o custo de um


determinado trabalho, para um dado indivíduo, tanto no plano fisiológico como psicológico,
num preciso momento e em condições determinadas.

Pedro Brigas, 2015 83


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As variações dos elementos da tarefa e do meio em que esta é realizada exigem que
o trabalhador adapte permanentemente os seus modos operatórios, concretizados através
de uma actividade física constante (colocar-se numa determinada postura ou exercer uma
determinada força) e por uma actividade mental importante (escolher a melhor opção,
controlar a postura, ou percepcionar informação).

Ou seja, em toda a actividade existem 3 tipos de exigências gerais:

 Físicas;

 Cognitivas;

 Psíquicas.

Importa destacar que nenhuma actividade apresenta um único tipo de exigência, não
obstante existem numerosas actividades nas quais se podem destacar a predominância de
uma sobre as outras. Eis alguns exemplos:

 Actividades com grande exigência física: cavar, serrar à mão e transportar de


materiais pesados;

 Actividades com grande exigência cognitiva: operador de salas de controlo, e


piloto de aviação.

 Actividades com grande exigência psíquica: guardas prisionais e coveiros.

10.1.1 Carga Física

A carga física é o grau de exigência do conjunto de requisitos físicos a que o


trabalhador se vê submetido durante a jornada de trabalho. A comparação das exigências
físicas de uma dada tarefa com as capacidades físicas individuais dá-nos a carga de
trabalho físico a que está submetido o trabalhador que realiza essa tarefa. A carga física
implica predominantemente um trabalho muscular dinâmico. Podemos considerar como
tarefas com grande exigência de trabalho físico aquelas que implicam:

 Que o trabalhador desloque o seu corpo para concretizar acções como caminhar,
mudar de posição ou saltar;

Pedro Brigas, 2015 84


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 O manuseamento de cargas, como puxar, levantar, agarrar, transportar;

 A manutenção do corpo numa determinada postura: de pé, sentado sem apoio.

São quatro os factores que determinam o aparecimento de problemas corporais


devido a carga física:

 Força utilizada: a força utilizada e o tempo de duração dessa contracção muscular


estática. Quanto maior for a força utilizada e mantida durante algum tempo maior
será o prejuízo para o indivíduo;

 Frequência de repetições: considera-se que um trabalho é repetitivo quando a


duração do ciclo de trabalho é menor que 30 segundos e quando se dedica mais de
50% do ciclo de execução na mesma acção. A importância da repetição dos
movimentos está relacionada com a força utilizada na realização da tarefa;

 Postura inadequada: é importante a análise tanto das posturas e da utilização de


movimentos com a amplitude extrema das articulações, como a manutenção da
mesma postura durante muito tempo;

 Descanso insuficiente: o descanso durante o trabalho constitui um dos factores


mais importantes. Dado que se não for adequado não permitirá a recuperação do
esforço efectuado pelas diferentes partes do corpo que intervêm no trabalho físico. A
realização contínua de trabalho, tanto dinâmico como estático, debilita as diferentes
partes do sistema músculo-esquelético, predispondo este sistema para sofre
perturbações em presença de exigências menores.

Os efeitos da carga física para o organismo podem ser classificados em dois grandes
grupos:

 Fadiga: cujo efeito é a diminuição na capacidade de realizar um determinado tipo de


trabalho. A fadiga pode ser reversível através do descanso adequado; ou crónica,
quando se mantém a capacidade diminuída como consequência de uma exposição
contínua a períodos de carga física elevada sem tempos de descanso apropriados;

 Perturbações músculo-esqueléticas em diferentes zonas do corpo: membros


superiores, coluna e membros inferiores.

Pedro Brigas, 2015 85


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Para avaliar o trabalho muscular e o seu custo para o organismo, podemos utilizar
diversos parâmetros, como por exemplo:

 Os músculos e a proporção de massa muscular utilizada pelo trabalhador;

 Os fenómenos fisiológicos provocados, isto é, o consumo de energia, a frequência


cardíaca, a ventilação pulmonar e o consumo de oxigénio, entre outros;

 As características mecânicas do trabalho durante um dado período de tempo.

Por fim, salientar ainda que existe um conjunto de factores intrínsecos e extrínsecos
ao indivíduo, que poderão ter influência sobre a carga física do trabalho. Esses factores são
os seguintes:

 Design dos equipamentos e conteúdo das tarefas: esforços físicos necessários,


movimentos repetitivos, manutenção de posturas, dimensões do posto de trabalho,
utilização incómoda de ferramentas ou equipamentos, utilização de ferramentas com
vibração ou propulsão;

 Factores do envolvimento físico: ruído, iluminação, vibração, temperatura,


humidade;

 Factores pessoais: formação dos operadores, necessidade de utilização de


equipamento de protecção individual (em particular o uso de luvas provoca na
maioria dos caso uma maior dificuldade em agarrar, o que implica um aumento das
força necessárias para realizar a tarefa), pessoas com características
antropométricas extremas (P5 ou P95) para as quais a grande maioria tem
dificuldade de ajustar o seu posto de trabalho, presença de patologias anteriores no
aparelho músculo-esquelético, o efeito do tabaco (tem-se demonstrado que o tabaco
interfere na irrigação sanguínea dificultando o aporte sanguíneo ao músculo).

 Aspectos relativos à organização do trabalho: ritmo, intensidade, quantidade de


trabalho, prémios por produtividade, períodos de descanso, pausas entre as
diferentes fases de trabalho, realização de trabalho monótono e repetitivo, realização
de movimentos muito precisos.

Pedro Brigas, 2015 86


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10.1.2 Carga Mental

O conceito de «carga mental» está a adquirir cada vez mais importância, em parte
porque a tecnologia tem contribuído para a mudança de um trabalho predominantemente
físico para um trabalho com uma componente mais mental. Sendo cada vez maior o número
de trabalhadores expostos a este factor de risco.

Relativamente à carga mental, sabemos que todo o trabalho põe em jogo actividades
cognitivas e intelectuais, como por exemplo procurar e compreender informação (sinais,
códigos), decidir e memorizar regras de actuação.

Também no caso específico da carga mental, podemos fazer a distinção entre duas
situações, como indica o Quadro 1:

Quadro 1: Diferença entre sobrecarga mental e subcarga mental.

Ao contrário do que acontece noutros riscos, como por exemplo relativamente ao


risco de contaminantes químicos, onde o nível óptimo será aquele em que não existe
nenhuma quantidade de contaminante, a carga mental não segue esta relação. Pelo
contrário, é desejável um nível mínimo de actividade que permita aos trabalhadores manter
um nível de activação e motivação adequado, reduzindo assim a probabilidade de
ocorrência de um erro ou acidente, tal como podemos ver na Figura 12.

Figura 12: Relação entre o nível de risco e a subcarga/sobrecarga mental resultante do trabalho.

Pedro Brigas, 2015 87


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Os aspectos relacionados com a carga mental de um posto de trabalho analisam-se


segundo dois grandes grupos (Figura 13):

 Relativo ao envolvimento de trabalho: exigências da tarefa, condições ambientais,


organização do trabalho e factores sociais;

 Relativos ao indivíduo: motivação, capacidade funcional, idade, personalidade,


formação, estado de saúde, entre outros.

Figura 13: Factores influenciadores da carga mental sentida pelo trabalhador.

Podemos dizer que, de uma forma resumida, a carga mental, ou melhor, a tensão
mental, produz dois tipos de efeitos sobre o indivíduo:

 Efeitos facilitadores: facilitam a adaptação entre o trabalhador e a tarefa a realizar,


considerando-se como uma consequência positiva sobre o trabalhador (experiência
numa determinada tarefa pode implicar uma diminuição do esforço aplicado no início
da actividade);

 Efeitos prejudiciais: afectam a saúde do trabalhador, destacando-se os seguintes


efeitos prejudiciais:

o Fadiga mental: diminuição transitória da eficiência funcional mental e física, que


depende da intensidade, da duração e da tensão mental anterior;
o Monotonia;
o Vigilância reduzida;
o Saturação mental.

Pedro Brigas, 2015 88


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À semelhança do que acontece com a carga física, também na carga mental temos
diferentes níveis em relação aos efeitos provocados no ser humano:

 Carga Mental Normal ou fisiológica: aparece como uma reacção homeostática do


organismo para se adaptar ao meio. O organismo procurará o repouso como meio de
recuperação deste equilíbrio. Implica a deterioração temporal do organismo, mas que
é recuperável mediante o descanso adequado. Como sintomas deste tipo de fadiga
temos a diminuição da atenção, lentidão no pensamento e diminuição da motivação;

 Carga Mental Crónica: quando o excesso de fadiga acumulada conduz a uma


destabilização geral do organismo. Aparece não por um aumento esporádico de
carga mental, mas por uma repetição de uma determinada situação de carga. Os
sintomas que aparecem podem sentir-se durante e depois do trabalho de forma
permanente e são por exemplo: instabilidade emocional (irritabilidade, ansiedade,
estados depressivos), falta de energia, insónias, perturbações de sono, alterações
psicossomáticas (vómitos, alterações cardíacas, problemas digestivos).

10.2 Trabalho nocturno

A Subsecção VI da Secção II do Código do Trabalho (Lei 7/2009 de 12 Fevereiro)


estabelece parâmetros legais em relação ao trabalho nocturno, como por exemplo a
definição do conceito, a duração do trabalho do trabalhador nocturno e as protecções legais
que assistem este trabalhador. Assim, no artigo 223º. podemos ler que:

 Considera-se trabalho nocturno o prestado num período que tenha a duração mínima
de sete horas e máxima de onze horas, compreendendo o intervalo entre as 0 e as 5
horas;

 O período de trabalho nocturno pode ser determinado por instrumento de


regulamentação colectiva de trabalho, com observância do disposto no número
anterior, considerando-se como tal, na falta daquela determinação, o compreendido
entre as 22 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte.

É geralmente aceite que o trabalho nocturno tem resultados menos positivos que o
trabalho realizado durante o dia. Assim sendo, será conveniente avaliar as consequências
do trabalho nocturno sobre o trabalhador, bem como o próprio desempenho do trabalhador
em termos de produtividade e performance.

Pedro Brigas, 2015 89


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Quando partimos para a avaliação destes parâmetros devemos considerar alguns


pressupostos, como por exemplo:

 A ritmicidade natural para diversas funções do nosso corpo segue um


comportamento periódico, definido de acordo com a sua frequência, e classificado
em 3 tipos:

 Ritmo Circadiano: tem frequência entre as 20 e as 28 horas, ou seja ritmos com um


período cerca de um dia (relógio biológico do Homem);

 Ritmo Ultradiano: tem uma duração inferior a 20 horas, logo uma frequência
elevada (Frequência cardíaca, libertação de hormonas e ventilação pulmonar);

 Ritmo Infradiano: tem duração superior a 28 horas, logo uma frequência baixa (ciclo
ovárico nas mulheres).

 O Homem é uma criatura diurna, naturalmente habituado a dormir de noite e a estar


acordado e activo durante o dia. Em condições normais, os ritmos circadianos
(relógio biológico do Homem) são alinhados de modo a estabelecerem um estado de
vigilância durante o dia e o sono durante a noite. O ser humano passa por uma fase
de performance (ergotrópica, maior vigilância e temperatura corporal) durante o dia,
e por uma fase de relaxamento e recuperação (trofotrópica, menor vigilância e
temperatura corporal) durante a noite. Estar activo durante a noite é portanto estar a
ir contra a natureza do ser humano.

 Os ritmos circadianos são lentos a adaptarem-se à rotina do trabalho nocturno,


demorando este processo cerca de uma semana.

O trabalho nocturno é um tipo de trabalho com características muito especiais e


propício ao aparecimento de diversos tipos de problemas. Trata-se porém de um tipo de
trabalho que, em regra geral, se traduz numa melhor remuneração.

Um dos problemas principais é o aumento da frequência de erros, resultado de um


estado se sonolência, bem como da maior demora da reacção e da sua própria qualidade.
Este facto tem consequências para o desempenho do trabalhador e para o próprio sistema,
reflectindo-se em níveis de produtividade inferiores. Em contextos muito específicos como
indústrias nucleares ou controlo de tráfego aérea, estas consequências podem mesmo ser
catastróficas.

Pedro Brigas, 2015 90


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Outro dos problemas associados ao trabalho nocturno, quando este se prolonga


durante largos espaços temporais, está relacionado com o défice se sono, resultado da má
qualidade do sono durante o dia e da quantidade de sono efectvo.

 Efeitos a curto prazo da insuficiência de sono: cansaço e sonolência, diminuição


da memória de curto-prazo, diminuição da criatividade, lentidão do raciocínio,
desatenção e dificuldade de concentração;

 Efeitos a longo prazo da insuficiência de sono: envelhecimento precoce,


diminuição do tonos muscular, comprometimento da memória e do sistema
imunológico, tendência a desenvolver obesidade, diabetes e doenças
cardiovasculares.

Uma maior irritabilidade e estado de má disposição são também frequentemente


apontados como problemas que advêm do trabalho nocturno, em resultado de um descanso
insuficiente e do acumular de fadiga física e mental.

Os distúrbios gastrointestinais tendem também a manifestar-se, resultado do facto


dos trabalhadores nas pausas para o efeito basearem a sua alimentação em pequenos
lanches, sendo raro o recurso a uma “comida quente”. Devemos também lembrar-nos que o
sistema digestivo vai ter de funcionar, num período que em termos biológicos deveria ser de
repouso.

O absentismo é um parâmetro que deve ser tido em conta no que diz respeito ao
garantir das condições de segurança, pois se alguém falta é pedido a outra pessoa que
desempenhe o seu trabalho, mesmo se esta tiver pouco ou nenhum conhecimento em
relação à actividade que vai desempenhar. No caso do trabalho nocturno, o absentismo
pode ser resultado das elevadas exigências do trabalho, da desmotivação que este pode
gerar e, em determinados contextos, da falta de uma correcta supervisão. Seja como for, o
absentismo apresenta uma implicação negativa para a produtividade e qualidade dos
serviços prestados.

Imaginemos ainda os casos em que o trabalhador não pode desempenhar a sua


tarefa, simplesmente porque as ferramentas e equipamentos de que necessita não se
encontram em condições, não havendo ninguém para os reparar.

Pedro Brigas, 2015 91


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Em muitos casos o trabalho nocturno é completamente diferente daquele que é


realizado durante o dia no mesmo sector, sendo particularmente útil no assegurar ao turno
da manhã das condições ideais de desenvolvimento da actividade.

A situação ideal seria a eliminação do trabalho nocturno, no entanto as necessidades


da sociedade actual não o permitem, sendo então fundamental diminuir a sua influência
sobre o trabalhador. Curiosamente, para fazer face às necessidades da sociedade, o
trabalhador nocturno sacrifica a sua própria vida social e até mesmo familiar, por exemplo
ao sair de casa na altura em que os filhos chegam, ou no não participar em actividades
diurnas de lazer porque se encontra cansado.

10.3 Trabalho por turnos

A Subsecção V da Secção II do Código do Trabalho (Lei 7/2009 de 12 Fevereiro)


estabelece parâmetros legais em relação ao trabalho por turnos, como por exemplo a
definição do conceito, a forma como estes devem ser organizados e os meios de protecção
em matéria de segurança e saúde no trabalho. Assim, no artigo 220º podemos ler que:

 Considera-se trabalho por turnos qualquer organização do trabalho em equipa em


que os trabalhadores ocupam sucessivamente os mesmos postos de trabalho, a um
determinado ritmo, incluindo o rotativo, contínuo ou descontínuo, podendo executar o
trabalho a horas diferentes num dado período de dias ou semanas.

Como vimos no ponto anterior, a inversão dos tempos em que normalmente se


trabalha, come e dorme dá origem a alterações fisiológicas, principalmente quando se
verifica a existência de actividade durante o período da noite. A organização do sistema de
turnos deve ser feita em função das necessidades dos trabalhadores e do próprio sistema.

Caso se verifique a existência de trabalho por turnos, será conveniente proceder, o


mais cedo possível, a uma análise e avaliação ergonómica dos postos de trabalho e do
sistema de trabalho em, focando parâmetros como:

 As condições do ambiente físico;

 A carga de trabalho;

 A organização do sistema de turnos.

Pedro Brigas, 2015 92


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De entre as recomendações relativas à forma como deve ser organizado o sistema


de turnos, destacam-se as seguintes:

 Evitar que o turno da manhã se inicie muito cedo e reduzir ao máximo o trabalho
nocturno;

 Evitar sequências rápidas, isto é, com um intervalo de apenas 8 horas;

 Preferir rotação para a frente, isto é, o trabalhador começa no turno da manhã, passa
para o da tarde e só depois para o da noite, seguindo-se um período de folga;

 Só em condições excepcionais devem ser aceites turnos prolongados, isto é, com


duração entre 9 e 12 horas.

Verifica-se a existência de várias modalidades de trabalho por turnos:

 Trabalho por turnos descontínuos: este tipo de organização não funciona durante
a noite nem ao fim de semana. Os equipamentos operam entre 75 e 80 horas por
semana. Implica a existência de 2 equipas de trabalho;

 Trabalho por turnos semi-contínuo: os equipamentos são utilizados, dia e noite,


durante 5 dias. Implica a existência de 3 equipas de trabalho;

 Trabalho por turnos contínuo: as equipas de trabalho distribuem-se pelos


diferentes postos de trabalho 24 horas por dia, durante toda a semana. O trabalho é
organizado em 4, 5 ou mais equipas.

O sistema de trabalho por turnos pode ainda ser classificado em relação à


velocidade de rotação:

 Rotação rápida: requer que as pessoas nunca passem mais do que 3 dias
sucessivos no turno da noite;

 Rotação Lenta: requer períodos de várias semanas ou até meses, passados no


turno da noite, a que se seguem períodos de duração correspondente ou superior
nos períodos diurnos;

 Rotação semanal: o período de rotação coincide com a semana de trabalho;

 Turno permanente: turnos fixos sem rotação.

Pedro Brigas, 2015 93


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11. MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCO

Apesar dos consideráveis recursos utilizados no estudo de possíveis factores


causais para o surgimento de LMERT, o conhecimento sobre os possíveis efeitos de danos
anteriores e sobre a progressão e persistência de LMERT, é ainda muito reduzido. Os
mecanismos que explicam a relação entre os factores psicossociais de exposição ao risco e
as LMERT ainda se mantêm, em grande parte, desconhecidos.

A atenção voltou-se para a caracterização da exposição mais crítica ao risco físico e


para o desenvolvimento de métodos válidos para medir essa exposição, de forma a
identificar postos de trabalho potencialmente perigosos ou factores de risco no trabalho.

A maioria dos métodos desenvolvidos para avaliar a exposição aos factores de risco
de LMERT foca-se na zona superior do corpo, coluna, pescoço e membros superiores. Isto
acontece porque a prevalência dos problemas músculo-esqueléticos relacionados com o
trabalho nos membros inferiores é menos frequentemente reportada do que nos segmentos
superiores do corpo.

Existe uma variedade de métodos de avaliação dos factores de risco físicos que vão
desde medições extremamente simples a complexas técnicas analíticas. Podemos referir-
nos a questionários de auto-avaliação, a métodos instrumentais ou directos e a métodos
observacionais.

Esses métodos têm em consideração diversos aspectos da actividade de trabalho,


como por exemplo a postura do trabalhador, a força exercida por este, o tipo de pega e a
repetitividade e duração de exposição.

Apesar dos diversos métodos de avaliação de risco de LMERT existentes


actualmente, a realidade é que a sua aplicação muitas vezes não é considerada, algo a que
não será alheia a dificuldade de escolha do método adequado em determinada situação.

11.1 Questionários de auto-avaliação

A avaliação da exposição aos factores de risco de LMERT pode ser efectuada


através de questionários auto-preenchidos pelos trabalhadores, normalmente através de
registos escritos, podendo ainda recorrer-se à utilização de vídeos de tarefas ou
questionários on-line

Pedro Brigas, 2015 94


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Os questionários de auto-avaliação são apelativos devido à sua relativa facilidade de


utilização, à sua aplicabilidade a muitas situações, à possibilidade de avaliar um grande
número de indivíduos num curto espaço de tempo e ao seu baixo custo. Uma desvantagem
prende-se com o facto da informação resultante poder ser, potencialmente, menos fiável e
mais facilmente influenciada por factores pessoais.

O Nordic Muskuloskeletal Questionnaire (NMQ) (Kuorinka et al., 1987) é um dos


questionários de autoavaliação mais utilizados, focalizando-se nas queixas do pescoço,
ombros, coluna e do corpo em geral. Trata-se de um método subjectivo de recolha de
dados, cuja informação recolhida possibilita avaliar a prevalência de lesões, sendo muitas
vezes utilizado como forma de despiste da necessidade de aplicação de outros métodos
mais desenvolvidos.

O NMQ tem vindo a ser traduzido e validado para várias línguas, sendo que
podemos encontrar várias adaptações em português (Fernandes, 1999; Serranheira, Uva &
Lopes, 2008; Mesquita, Ribeiro & Moreira, 2010). As adaptações mantêm a estrutura do
questionário original, embora seja possível encontrar claras diferenças entre elas.

Na estrutura original do questionário podemos identificar dois grandes conjuntos de


questões O primeiro conjunto é orientado para a recolha de informação pessoal do operador
(idade, antiguidade, lateralidade, altura, peso, estado de saúde, entre outros) e dados
referentes à organização do trabalho (sector, tipo de contrato, horário, entre outros).

O segundo conjunto incluiu três grupos de questões relativas à ocorrência de


sintomas de fadiga, desconforto ou dor em 9 segmentos corporais (coluna cervical, ombros,
cotovelos, punhos/mãos, coluna dorsal, coluna lombar, coxas, pernas e tornozelos/pés). Os
3 grupos de questões referem-se à experiência de sintomas nos últimos 12 meses e 7 dias,
bem como, aos constrangimentos que os sintomas provocaram na realização de tarefas
normais nos últimos 12 meses.

Quanto às diferenças, podemos destacar a existência ou não de escalas, a


apresentação destas e o aprofundar das questões relativas a alguns segmentos corporais.

11.2 Métodos Directos

Foram também desenvolvidos métodos baseados em sensores que são aplicados


directamente nos trabalhadores para medir as variáveis de exposição ao trabalho,
denominados métodos directos.

Pedro Brigas, 2015 95


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Estes métodos vão desde simples aparelhos manuais para medir o alcance do
movimento da articulação, até goniómetros electrónicos que gravam continuamente o
movimento das articulações durante a execução de uma tarefa.

No que respeita aos aparelhos manuais (ex: inclinómetro), estes são aplicados no
segmento do corpo e a medida angular da secção do corpo é indicada pelo aparelho.

Esta técnica apresenta como vantagens o facto de ser relativamente barata e fácil
de aplicar, podendo a postura do corpo ser detalhadamente descrita.

Por outro lado, por ser normalmente usada em situações de trabalho estático, esta
técnica não é apropriada em situações dinâmicas onde é necessário monitorizar o
movimento contínuo.

No que respeita aos métodos instrumentais electrónicos, existem diversos tipos de


métodos directos, entre os quais o sistema goniométrico. Os goniómetros são colocados no
corpo e efectuam registos continuamente.

São leves, flexíveis e permitem a medição simultânea do movimento do corpo em


duas direcções. Os dados são gravados, o que permite a aquisição de dados sem
influenciar a performance do utilizador, e posteriormente transferidos para um
computador/servidor para análise.

No entanto, apresentam também desvantagens, como o facto de a aplicação de


sensores directamente no trabalhador pode provocar desconforto, o que pode resultar em
alterações no comportamento do mesmo no trabalho. Para além disso, a recolha de uma
enorme quantidade de dados pode vir a tornar-se uma desvantagem em alguns casos, uma
vez que, por constrangimentos temporais, tornar-se-á impraticável a análise e interpretação
dos mesmos. Estes equipamentos têm um grande custo ao nível do investimento e
manutenção, sendo necessários técnicos altamente qualificados para a sua correcta
utilização.

11.3 Métodos Observacionais

Os métodos observacionais são vistos como a melhor solução para avaliar a


exposição individual ao risco físico em estudos epidemiológicos de grande escala. Estes vão
de simples métodos baseados em papel e lápis a métodos avançados, com recurso a
computador e gravação vídeo.

Pedro Brigas, 2015 96


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Alguns métodos avaliam apenas as posturas de vários segmentos corporais mas a


maioria avalia também factores críticos de exposição física, como por exemplo a força, a
duração das actividades, a repetitividade de movimentos ou o tipo de pega em actividades
que envolvam transporte manual de cargas.

Os métodos observacionais mais simples têm a vantagem de serem pouco


dispendiosos, abrangendo um grande número de diferentes postos de trabalho, nos quais
seria complicado utilizar outros métodos devido à desestabilização que causariam

Por outro lado, a sua principal desvantagem está relacionada com o procedimento
registo, que por ser intermitente tem pouca precisão, o que reduz a fiabilidade.

O facto de existirem tantos métodos observacionais simples de avaliação de risco


(Tabela 3), muitos deles similares, revela a crescente importância que se começa a atribuir à
existência real de riscos de LMERT nos postos de trabalho. No entanto, tal facto contribui
também para a dificuldade sentida pelos profissionais em escolher o método observacional
adequado para cada situação.

Para além dos métodos observacionais simples existem ainda os métodos


observacionais avançados, que recorrem à gravação vídeo e a programas informáticos.
Como exemplos podemos referir o método ARBAN, o método VIRA, o método de
Armstrong, o método ERGO_X, o método ROTA, o método TRAC, o método HARBO, o
método PEO, entre muitos outros.

De entre as vantagens destes métodos podemos destacar a possibilidade de


manusear os dados das posturas em tempo real. Por outro lado, dado que os movimentos
do corpo podem ser gravados/registados, é evitada a presença de um observador e por
consequência os constrangimentos que esta pode originar.

Como desvantagens é de apontar que a análise das gravações requer um analista


muito bem treinado de forma a poder caracterizar correctamente as posturas de trabalho, os
elevados custos associados a equipamentos, o muito tempo despendido para análise dos
dados e as dificuldades na avaliação de posturas extremas dos membros superiores no
monitor, em particular dos pulsos e dos cotovelos.

Apesar da evolução verificada nos métodos observacionais avançados, a sua


utilização é ainda muito reduzida quando comparada com a dos métodos observacionais
simples.

Pedro Brigas, 2015 97


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Tabela 3: Síntese de alguns métodos observacionais simples.

Método Referência Características Foco

(McAtamney & Análise de risco postural, dinâmico e estático. Inclui Membros


RULA
Corlett, 1993) a carga/força e a repetitividade. superiores

Medição de seis variáveis da tarefa: intensidade do


esforço, duração do esforço por ciclo de trabalho, Extremidades
(Moore & Garg,
SI número de esforços por minuto, postura da Membros
1995)
mão/pulso, velocidade de execução e duração da superiores
tarefa por dia.

Avaliação do risco considerando aspectos como as


(Occhipinti & Membros
OCRA posturas, a repetitividade, a frequência, a
Colombini, 2005) superiores
carga/força, a duração do trabalho e as pausas
Coluna,
Avaliação da postura da coluna, dos membros
(Karhu, Kansi, Membros
OWAS superiores e inferiores e da força muscular
& Kuorinka, 1977) superiores e
envolvida.
inferiores
(Hignett & Análise de risco de posturas de corpo inteiro
Corpo Inteiro
REBA McAtamney, desenvolvida para avaliar posturas de trabalhos
(postura)
2000) imprevisíveis. Inclui carga/força e “pega”.

(Kee & Avaliação de risco da carga postural dos membros


Tronco e
LUBA Karwoswski, superiores em posturas sentadas e posturas de pé,
Membros
2006) face ao tempo de manutenção e ao desconforto
superiores
percebido.

Avaliação da frequência dos movimentos da Membros


HAL (Latko et al.,
mão/pulso, picos de forças e outros factores, em superiores
1997)
ciclos de trabalho de 4 ou mais horas. distais

(Christmansson, Avaliação do risco postural das mãos e braços em


HAMA Membros
1994) tarefas e actividades que requerem o uso de
superiores
membros superiores.

OSHA (Silverstein, Lista de verificação de factores de risco para


Membros
Checklist 1997) determinação de problemas que necessitem de
superiores
avaliação mais detalhada

Lista de verificação para identificar factores de risco


de LMERT. Constituída por questões relativas a
(Kemmlert, Identificação
Plibel posturas incorrectas, movimentos de trabalho
1995) de factores
cansativos, aspectos relacionados com ferramentas
de risco
e com o posto de trabalho, condições ambientais e
condições organizacionais

Lista que avalia a exposição ao risco de LMERT


(David, Woods, providenciando informação para intervenções Coluna e
QEC Li, & Buckle, ergonómicas. Entre outros são avaliadas as Membros
2008) posturas e os movimentos repetitivos do posto de superiores
trabalho

Pedro Brigas, 2015 98


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11.3.1 Método RULA

O método RULA (Rapid Upper Limb Assessment), um dos métodos mais utilizados
em estudos ergonómicos, foi desenvolvido por E. Nigel Corlett e Lynn McAtamney
(University of Nottingham’s, Institute for Occupational Ergonomics) com o objectivo de
investigar a exposição dos trabalhadores aos factores de risco associados aos membros
superiores, embora também incorpore na sua análise outros segmentos corporais, como o
tronco, a cabeça e os membros inferiores.

O RULA é frequentemente utilizado em análises de risco em tarefas sedentárias, tais


como a utilização de computadores, manufactura ou outras onde o trabalhador se encontra
sentado ou de pé sem andar.

A aplicação propriamente dita do método (Figura 14 e Anexo 1) consiste no registo


fotográfico das diferentes posturas de trabalho a analisar, classificando-as depois através de
um sistema de pontuação, utilizando para tal diagramas de posturas do corpo e tabelas que
avaliam os factores de risco externos, como o trabalho estáctico e a repetição de
movimentos, bem como os requisitos de força ou carga associados à tarefa. A escolha das
posturas a analisar é feita em função das actividades que se julguem poder constituir um
maior risco para o trabalhador, estando portanto dependente da sensibilidade, conhecimento
e experiência do analista.

Figura 14: Esquema de Aplicação do Método RULA (adaptado).

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Deve ser registada a postura de trabalho nos planos sagital e frontal, analisando-se
depois a postura dividindo-se o corpo em 2 grupos (A e B):

 Grupo A: Braço, antebraço, pulso e rotação do pulso;

 Grupo B: Pescoço, tronco e membros inferiores.

O primeiro passo será atribuir uma pontuação a cada segmento corporal dos grupos
A e B, utilizando para tal as respectivas referências de intervalos posturais. Não devemos
esquecer de considerar possíveis alterações às pontuações anteriormente obtidas, estando
estes casos devidamente identificados.

Depois de obtidas as pontuações de cada segmento corporal dos grupos A e B,


procede-se à obtenção da pontuação postural total de cada grupo. As pontuações obtidas
pelos segmentos do Grupo A são combinadas numa tabela (Tabela A), enquanto as
pontuações obtidas pelos segmentos do Grupo B são combinadas noutra tabela (Tabela B).

De seguida, acrescenta-se a pontuação para a actividade muscular e carga/força


para cada um dos grupos, o que resulta nas pontuações finais de cada Grupo.

As duas pontuações são então combinadas na Tabela C, obtendo-se o resultado


final da aplicação do método RULA. Por fim, faz-se a correspondência entre o valor obtido
na tabela anterior e o valor do Nível de Acção, determinando-se assim a urgência de
investigação e de realização de modificações no posto de trabalho.

As principais vantagens do método RULA são o seu baixo custo, a sua elevada
precisão, a facilidade e rapidez de aplicação e a simplicidade na apresentação dos
resultados, sendo a pontuação final representada por um algarismo apenas, o que o torna a
ferramenta adequada para as equipas analistas fazerem sugestões e recomendações à
gestão.

Quanto a desvantagens podemos assinalar o muito tempo consumido pela sua


aplicação em grandes amostras de trabalhadores, para além de não ter em consideração
factores como o tempo contínuo das operações, as características individuais (idade,
experiência, estatura, resistência física e historial clínico, entre outros), a duração das
actividades, a repetição, os factores ambientais no posto de trabalho e os factores
psicossociais.

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11.3.2 Método REBA

O método REBA (Rapid Entire Body Assessment) foi desenvolvido por Hignett e
McAtamney (2000) para avaliar posturas imprevisíveis adoptadas em postos de trabalho no
sector da saúde (movimentação de doentes) e sector industrial.

Enquanto o método RULA tem sido muito utilizado em estudos de investigação


ergonómica ao nível do trabalho informatizado, o método REBA é tido como o ideal a utilizar
em avaliações a situações em que o trabalhador desenvolve a sua actividade em pé.

Uma das características deste método é o facto de considerar a importância da pega


(coupling) no manuseamento das cargas, pega essa que nem sempre é feita com as mãos.

A sua aplicação é muito semelhante à aplicação do método RULA, envolvendo:

1. A observação da tarefa;

2. A selecção das posturas a avaliar;

3. O seu registo fotográfico;

4. A atribuição de pontuações às posturas;

5. O tratamento dessas pontuações;

6. O identificar de uma pontuação final;

7. O estabelecer do nível de acção e da necessidade de intervenção.

Aprofundando um pouco mais a metodologia de aplicação do método REBA (Figura


15 e Anexo 2), podemos dizer que o primeiro passo passa por atribuir uma pontuação a
cada segmento corporal dos grupos A e B, utilizando para tal as respectivas referências de
intervalos posturais:

 Grupo A: Tronco, pescoço e pernas.

 Grupo B: Braço, antebraço e pulsos.

No método REBA também são definidos factores que quando presentes alteram a
pontuação anteriormente dada. As pontuações das posturas do grupo B são efectuadas
separadamente para o lado direito e esquerdo.

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Figura 15: Esquema de Aplicação do Método REBA.

Depois de obtidas as pontuações de cada segmento corporal dos grupos A e B,


procede-se à obtenção da pontuação postural total de cada grupo; As pontuações obtidas
pelos segmentos do Grupo A são combinadas numa tabela (Tabela A), enquanto as
pontuações obtidas pelos segmentos do Grupo B são combinadas noutra tabela /Tabela B).

De seguida, ao total postural do Grupo A soma-se o valor da carga/força, obtendo-se


a Pontuação Total A, enquanto ao total postural do Grupo B se soma o valor da pega,
obtendo-se a Pontuação Total B. A Pontuação Total A e B são então combinadas na Tabela
C, originando a Pontuação C.

À Pontuação C soma-se a pontuação da actividade, caso exista, obtendo-se assim o


resultado final da aplicação do método REBA. De notar que aqui se pode assinalar mais do
que uma opção. Caso se assinalem duas, soma-se 2, caso se assinalem as três, soma-se 3.
Caso esta pontuação não se verifique, soma-se 0.

Por fim, faz-se a correspondência entre o valor obtido na tabela anterior e o valor do
Nível de Acção, determinando-se assim a necessidade e urgência de intervenção no posto
de trabalho.

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11.3.3 Método OWAS

O método OWAS (Ovako Working Posture Analysing System) é um Método de


Análise de Risco desenvolvido pela Ovako Oy Company em conjunto com o Instituto
Finlandês de Saúde Ocupacional. Baseia-se sobretudo na análise fotográfica das principais
posturas típicas, tendo sido originalmente pensado com o objectivo de analisar posturas de
trabalho na indústria do aço.

A aplicação do método OWAS passa, numa primeira fase, por observar


detalhadamente o trabalho, identificando as actividades que se pretendem avaliar. Para tal,
devem ser observados vários ciclos de trabalho, sendo que as actividades selecionadas são
aquelas que o analista considera de maior constrangimento para o operador. Por esta razão,
a experiência e sensibilidade do analista é de extrema importância.

De seguida, procede-se ao registo vídeo das actividades selecionadas. Recorrendo a


intervalos de tempo variáveis ou constantes, identificam-se os diferentes momentos a
avaliar.

Parte-se então para a avaliação da postura e da carga / uso da força.

Após terem sido efectuadas mais de 36 mil observações em 52 actividades para


testar o método, foram definidas 84 (4x3x7) posturas típicas, que resultaram de diferentes
combinações de posições da coluna, membros superiores e membros inferiores. Se
considerarmos a carga / uso de força, podemos falar em 252 (84x3) posturas típicas.

 Coluna: 4 posições típicas;

 Braços: 3 posições típicas;

 Pernas: 7 posições típicas;

 Carga / Uso da Força: 3 valores típicos.

Para codificar as posturas atribui-se 4 pontuações, uma pontuação à coluna, outra


aos membros superiores, outra aos membros inferiores e, finalmente, outra ao critério carga
/ uso da força, conforme o estabelecido na Tabela 4. Em alguns trabalhos, de carácter mais
exaustivo, por forma a evitar confusão na apresentação dos dados, é atribuído um código
entre 00 e 99 a cada postura analisada.

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Tabela 4: Pontuação para as diferentes posturas segundo o método OWAS.

Coluna Pontuação

Erecta 1

Inclinada para a frente ou para trás 2

Erecta e torcida 3

Inclinada e torcida 4

Membros Superiores Pontuação

Os dois braços abaixo do nível dos ombros 1

Um braço ao nível ou acima do ombro 2

Os dois ao nível ou acima dos ombros 3

Membros Inferiores Pontuação

Sentado 1

De pé, apoio bilateral, joelhos estendidos 2

De pé, apoio unilateral, joelhos estendidos 3

De pé ou agachado, apoio bilateral, joelhos flectidos 4

De pé ou agachado, apoio unilateral, joelho flectido 5

Ajoelhado (um ou os dois joelhos) 6

Caminhando ou em movimento 7

Carga / Uso da Força Pontuação

Menor ou igual a 10 Kg 1

Mais de 10 Kg até 20 Kg 2

Mais de 20 Kg 3

Depois de codificadas as posturas verifica-se a categoria de risco inerente mediante


as combinações das diferentes pontuações (Tabela 5).

Por fim, de acordo com a categoria de risco anteriormente obtida, as posturas são
classificadas numa de quatro categorias de acção, conforme a Tabela 6, permitindo ao
analista avaliar a necessidade e / ou urgência das medidas correctivas a tomar.

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Tabela 5: Categorias de risco para a classificação da combinação de posturas individuais no método OWAS.

Legenda: CL – Coluna, MS – Membros Superiores, MI - Membros Inferiores, C – Carga / Uso da Força.

Tabela 6: Categorias de acção do método OWAS.

O método OWAS apresenta como principal vantagem o facto de ser extremamente


simples de aplicar, quando comparado com outros métodos, para além de não acarretar
grandes custos, pelo que pode ser considerado um bom método de “despiste”, ideal para
avaliar a necessidade de aplicar métodos mais precisos e completos. Para além disso,
proporciona uma rápida identificação da gravidade das posturas assumidas, demonstra
benefícios na monitorização das tarefas que impõem constrangimentos ao operador e indica
quais as zonas anatómicas mais atingidas bem como a urgência das acções a tomar.

Como desvantagens podemos apontar o facto de analisar a postura de forma muito


generalista, não tendo em consideração a avaliação do pescoço, dos pulsos e do antebraço,
para além de factores de risco como a vibração e o tipo de pega. A falta de precisão e a sua
menor aplicabilidade a situiações de trabalho dinâmicas, são outras críticas apontadas ao
método.

Pedro Brigas, 2015 105


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Pedro Brigas, 2015 110


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ANEXOS

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ANEXO 1
Aplicação do Método RULA

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ANEXO 2
Aplicação do Método REBA

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