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TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Registro: 2014.0000448722

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Agravo de Instrumento nº


2017890-30.2014.8.26.0000, da Comarca de São Paulo, em que são agravantes
MARIA RITA FERRAGUT e CRISTIANO ROSA DE CARVALHO, é agravado
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO- USP.

ACORDAM, em 12ª Câmara de Direito Público do Tribunal de


Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao recurso. V.
U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores


EDSON FERREIRA (Presidente sem voto), OSVALDO DE OLIVEIRA E BURZA
NETO.

São Paulo, 30 de julho de 2014

ISABEL COGAN
RELATOR
Assinatura Eletrônica
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

VOTO Nº 2953
AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2017890-30.2014.8.26.0000
COMARCA: SÃO PAULO
AGRAVANTE: MARIA RITA FERRAGUT E CRISTIANO ROSA
DE CARVALHO
AGRAVADA: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO USP
JUIZ DE 1ª INSTÂNCIA: CLAUDIO CAMPOS DA SILVA

AGRAVO DE INSTRUMENTO contra decisão que, em


ação de rito ordinário, indeferiu a antecipação de tutela,
para suspender a nomeação de professor titular em
universidade pública. Presentes os requisitos do artigo 273
do Código de Processo Civil. Decisão de 1º grau
reformada. RECURSO PROVIDO.

Cuida-se de agravo de instrumento interposto


contra decisão copiada às fls.15/16 que, em ação de rito ordinário,
indeferiu a antecipação de tutela, para suspender a nomeação de
candidatos ao cargo de Professor Doutor do Departamento de Direito
Econômico, Financeiro e Tributário.

Alegam os agravantes que a r. decisão deve ser


reformada, pois estão presentes os requisitos para a concessão da
antecipação de tutela, uma vez que, a demanda pretende ver assegurado
o direito de serem participantes de concurso público calcado nos
princípios constitucionais, em especial da isonomia, da ilegalidade e da
impessoalidade. Alegam, ainda, que no transcorrer do procedimento
constataram-se diversas ilegalidades, dentre as quais, o fato de um dos
membros da banca examinadora do concurso ter sido parcial e tentando
influenciar os demais membros da banca examinadora para escolher
determinado candidato. Informara que, o fato foi esclarecido diante do

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julgamento do recurso administrativo dos agravantes.

Recurso regularmente processado, com


concessão de efeito ativo (fls.587), para suspender qualquer nomeação
de candidatos.

Informações judiciais às fls.596/597.

A agravada deixou de ser intimada, ante a falta


de recolhimento de custas (fls.591).

É O RELATÓRIO.

Nos termos do artigo 273 do Código de


Processo Civil, os requisitos para a concessão da tutela antecipada são:
a) verossimilhança da alegação, que se configura quando a prova
indica uma forte probabilidade de que são verdadeiras as alegações do
autor; b) prova inequívoca, que nas palavras de Humberto Theodoro
Júnior é aquela “clara, evidente, portadora de grau de convencimento
tal que a seu respeito não se possa levantar dúvida razoável” (RT
742/44); e c) fundado receio de dano irreparável ou de difícil
reparação, ou caracterização de abuso de direito de defesa ou o
manifesto propósito protelatório do réu.

Com efeito, as expressões "prova inequívoca"


e "verossimilhança da alegação", exigem um juízo valorativo de alta
probabilidade bem próximo da certeza do direito e completamente
afastado da situação de dúvida. Somente assim poder-se-á admitir a
presença do requisito da irreparabilidade do dano do direito alegado em

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confronto com a excludente da irreversibilidade do provimento.

Por consequência, os pressupostos da tutela


antecipada são diversos dos previstos para as medidas liminares
comuns, embora na especificação destas possa se presumir a presença
daqueles por opção do legislador.

Portanto, sem avançar nas questões não


resolvidas na decisão impugnada e/ou que envolvam o mérito
propriamente da ação principal, resta a análise, neste momento de
cognição sumária, dos requisitos necessários à concessão da medida de
urgência.

De fato, ante os elementos que instruem o


presente recurso, que demonstraram, através dos pareceres constantes
do recurso administrativo, a gravidade das alegações de pressão de
membro da Banca Examinadora para aprovação de candidato, condizem
à verossimilhança do direito alegado, devendo a r. decisão agravada ser
modificada, pelo menos até o julgamento do mérito da ação de
conhecimento, após a dilação probatória, com observância do
contraditório e da ampla defesa.

Quanto ao perigo da demora, denota-se que, os


elementos trazidos demonstram a inexistência da urgência no
provimento do cargo de professor, tendo em vista que, a cadeira de
titular encontra-se vaga desde o ano de 2012, quando da abertura do
concurso.

Por fim, consigne-se que, conforme pesquisa


realizada no site deste Tribunal de Justiça, por r. decisão proferida em

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16/06/2014, houve inclusão no pólo passivo do candidato aprovado


Renato Lopes Becho.

Nessas circunstâncias, reforma-se a r. decisão


a quo.

Ante o exposto, dá-se provimento ao recurso.

ISABEL COGAN

Relatora

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