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Pastoral

O que é Domínio Próprio?


“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão,
domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
Quando lemos a lista de virtudes do “fruto do Espírito”, é fácil perceber que só Deus é mesmo capaz de
produzir tais coisas de modo consistente em nossas vidas. Ainda assim, a Bíblia nos orienta a buscar tais virtudes com
zelo e na dependência da ação do Espírito Santo. A última das virtudes dessa lista é o “domínio próprio”. Tal virtude
expressa a ação de exercer controle sobre si mesmo a fim de dominar os desejos em lugar de ser dominado por eles.
Tem como sinônimos a temperança e o autocontrole.
Quando pensamos em autocontrole, a primeira coisa que nos vem à mente é o necessário controle sobre os
desejos da carne, como a lascívia e a imoralidade. Na verdade, o domínio próprio é bem mais abrangente e não tem
influência apenas sobre as coisas que não podemos fazer, mas também sobre as coisas que temos de realizar e que
nossa vontade reluta em executar. A batalha do domínio próprio começa no dia da conversão a Cristo e termina no
encontro com Jesus nos céus. É uma luta que dura a vida toda e nos inflige derrotas sobre derrotas, exigindo esforço,
dependência do Espírito e amor ao Salvador Jesus.
Paulo, o apóstolo que teve a seu encargo a maior tarefa missionária da igreja apostólica e a maior
responsabilidade em termos de escritos do Novo Testamento, fala da sua luta pessoal para subjugar a vontade
pecaminosa interior a fim de servir bem a Deus. Ele diz: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma
coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como
desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não
venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.25-27). Mais do que a figura de um treino esportivo, essa é a descrição
de uma batalha pessoal interna.
Todo bom estrategista militar sabe quais os melhores campos de batalha para enfrentar o inimigo e as
melhores táticas de guerra. Nós, como guerreiros de Deus contra o mal e o pecado, também precisamos saber onde
lutar a fim de ter êxito em exercitar o autocontrole. O primeiro passo é cuidar para que o inimigo não receba
suprimentos e munições que possam ser usados contra nós. Portanto, devemos começar a batalha controlando nossa
mente e o que entra nela. Se rechearmos nossa mente com pensamentos maus, não podemos esperar combater bem a
tentação quando ela atacar justamente as áreas em que encontra as melhores condições de nos invadir, visto ter
infiltrados inimigos dentro da fonte dos pensamentos.
Você pode pensar o que quiser, mas se seus pensamentos não forem puros, dificilmente sua vida o será. Se
você não pode dominar sua mente, como espera conseguir dominar seu corpo? Não há como falar de todas as áreas da
vida e do corpo que precisamos dominar para haver real santificação. Precisaríamos de vários volumes que falassem
sobre os olhos, ouvidos, pensamentos, desejos, preguiça, gula, impulsos sexuais, ira, rancor, autocompaixão,
vanglória, cobiça e inúmeros pecados referentes à natureza humana que necessitam ser dominados.
Para exemplificar o padrão da conduta temperante e do resultado positivo que ela tem na comunhão com
Deus, lancemos mão apenas de um exemplo: a língua. É óbvio que não se trata do órgão anatômico localizado dentro
da cavidade bucal, mas daquilo que nós falamos. A mesma boca pode abençoar enormemente outras pessoas, ou pode
causar destruições sem tamanho e é incrível como a segunda opção é sempre mais frequente que a primeira. Quanto ao
controle sobre o que dizemos, a Bíblia diz: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no
falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tg 3.2). Esse é o padrão do controle sobre os desejos
de pecado e só acorrentando tais inimigos é que podemos almejar a perfeição que agrada a Deus e a santidade que ele
ordena.
Mas não é preciso dominar apenas os pecados e os desejos do ego. É necessário haver autocontrole mesmo
sobre coisas que em si mesmas são boas ou neutras. Por exemplo: o alimento, que é algo bom que Deus nos deu para o
suprimento do corpo físico. Na verdade, ele é tão importante que somos instruídos a agradecê-lo todas as vezes que o
recebermos. Entretanto, se abusamos na quantidade do que comemos e no excessivo prazer nele, cometemos pecado.
Outro caso que ilustra bem é a companhia dos amigos. Somos incentivados a ter comunhão com os bons amigos no
Senhor, mas se somos tão frequentes à sua casa, podemos enfadá-los e causar dano à comunhão sadia, ao invés de
fortalecê-la. O excesso das boas coisas geralmente é pecado e precisa ser dominado para que não nos domine. O livro
de Provérbios diz: “Achaste mel? Come apenas o que te basta, para que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo. Não
sejas frequente na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti e te aborreça” (Pv 25.16-17).
A verdade é que somos frequentemente dominados pelo que amamos. Se você ama muito alguém, alguma
coisa ou até você mesmo, é bem provável que não haverá controle sobre as circunstâncias que ferirem tais áreas.
Portanto, a melhor maneira de manter o controle pessoal e o domínio próprio é amar a Deus acima de todas as coisas
e, assim, ser dominado inteiramente pelo seu Espírito.

Pr. Thomas Tronco