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Psicoterapia Breve Dinâmica

Psicoterapia breve dinâmica


❏ Origem e referência: psicanálise
❏ Se orienta a partir da teoria psicanalítica, acrescentando dois
aspectos constitutivos:
• limite de tempo estabelecido previamente
• foco de trabalho (ligado ao conflito ou à angústia que faz o
paciente buscar ajuda)

Paciente e terapeuta concordam que o problema pode ter origem


inconsciente e que a investigação por meio da psicanálise pode ser
eficaz para solucioná-lo.
Psicoterapias breve dinâmica
Malan
❏ Psicoterapia Breve Dinâmica pode levar a melhoras duradouras
em pessoas com enfermidades moderadamente graves e já
existentes há tempos.
❏ Ele corroborou a utilização de interpretações transferenciais como
instrumento terapêutico.
❏ Apontou a motivação e a focalização como elementos decisivos
para um bom prognóstico.
❏ Defendeu o tempo limitado, acordado entre as partes desde
começo do tratamento.
Psicoterapias breve dinâmica
❑ Características da Psicoterapia Breve Dinâmica:
• definição de um foco, conflito ou problema principal, acordado
com o paciente e sobre o qual se baseia a atividade psicoterápica;
• estabelecimento de uma hipótese psicodinâmica, que explica o
problema principal, faz sentido ao paciente e orienta as
• intervenções do terapeuta;
• interpretação de aspectos inconscientes;
• delimitação do tempo (12 a 40 sessões em geral);
(COPEVE/UFAL) A Psicoterapia Breve Dinâmica tem sua base teórica fundamentada na psicanálise e
surge da percepção de que um grupo de pacientes busca tratamento com objetivos definidos e
circunscritos em torno do que se poderia definir como um foco. Sobre ela, é incorreto afirmar:

(A) o terapeuta adota atividades ativas utilizando, além de intervenções que visam ao insight, outras de
caráter de apoio como: sugestão e educação, clarificação e aconselhamento.
(B) é indispensável uma boa relação terapêutica, na qual o terapeuta é ativo e o paciente um
colaborador; e associa técnicas comportamentais como exposição, associação livre, prevenção da
resposta, modelagem, role-playing, relaxação.
(C) o trabalho psicoterápico se baseia na formulação inicial de uma hipótese psicodinâmica que engloba
os sintomas apresentados pelo paciente, sua relação com o conflito atual, com o conflito nuclear, suas
possíveis manifestações na transferência e o estabelecimento dos critérios de melhora.
(D) a avaliação dos resultados obtidos na terapia implica a identificação dos mecanismos inconscientes
envolvidos nas mudanças globais de vida observáveis.
(E) embora o paciente traga o material sob a forma de associações livres, cabe ao terapeuta endereçar a
atenção para o exame do conflito principal, que constitui o foco. Assim, o uso de perguntas, clarificações
e confrontações é muito frequente neste tipo de tratamento, ao lado de interpretações que são
basicamente extratransferenciais e dirigidas ao foco.
Psicoterapias breve dinâmica
❑ Indicações da Psicoterapia Breve Psicodinâmica:
• queixa delimitada ou foco ativo e psicologicamente atual
identificável
• transtornos de ajustamento com um foco identificável de
natureza psicodinâmica
• bom nível de funcionamento egóico
• alto nível de motivação para mudança
• capacidade para estabelecer vínculo e aliança terapêutica
rapidamente
• capacidade para insight
Psicoterapias breve dinâmica
❑ Contraindicações da Psicoterapia Breve Psicodinâmica:
• funcionamento egóico prejudicado
• necessidade de modificações maiores ou mais profundas no caráter;
• problemas difusos, focos ou conflitos múltiplos.
• falta de motivação, de capacidade de visão psicológica, de controle dos impulsos
• dificuldades graves de funcionamento na vida cotidiana
• doenças clínicas graves
• psicoses/borderline
• transtornos orgânicos
• dependência química
• retardo mental
Terapia Focal
Terapia Focal
❏ A Terapia Focal é um tipo de Psicoterapia Breve Psicodinâmica que
se desenvolveu a partir das contribuições de
• S. Ferenczi (Técnica Ativa);
• F. Alexander (Experiência Emocional Corretiva);
• D. Malan (Foco e Triângulos de Interpretação);
• P. Sifneos (Psicoterapia como experiência de aprendizado) e
• L. McCullough (Integração de diferentes táticas terapêuticas).
❏ Baseia-se nos conceitos de Experiência Emocional Corretiva (EEC)
e Efeito Carambola, e possui aspectos técnicos específicos que a
diferenciam.
Terapia Focal
Experiência emocional corretiva (EEC):
❑ Ocorre na situação em que o paciente experimenta situações traumáticas passadas
reprimidas revivendo-as na relação com o terapeuta
❏ Objetivo: a ocorrência de uma nova experiência emocional na relação terapêutica
• pode ser utilizada mesmo que o paciente não tenha conhecimento total das causas
determinantes do problema atual
• os comportamentos e atitudes podem ser reestruturados e modificados por meio
das vivências da EEC, uma vez que há plasticidade neuronal que permite mudanças
de conexões sinápticas, circuitos neuronais e aprendizagem em todas as fases da
vida
❏ Vivenciar uma EEC atribui significado novo para as experiências passadas: o sujeito
ganha uma nova interpretação e surgem novas percepções e comportamentos
❏ Novas redes neuronais estabelecidas levam a novas representações internas do self e a
reestruturações emocionais internas
Terapia Focal
Efeito Carambola
❏ Analogia com jogo de sinuca (uma tacada sobre uma bola
repercute em movimentos em outras bolas que não foram
atingidas inicialmente)
❏ Potencialização de ganhos terapêuticos na terapia focal a partir de
diferentes EEC
❏ É o efeito resultante das experiências de reaprendizagem
emocional, estabelecendo novas e mais satisfatórias conexões
neuronais em relação aos conflitos do paciente
(PR-4 UFRJ) Experiência emocional corretiva, técnica focal, planejamento terapêutico,
atitude ativa do terapeuta e atenção seletiva formam um conjunto de conceitos teórico-
técnicos que caracterizam a seguinte abordagem de tratamento:
(A) psicoterapia de apoio.
(B) psicanálise.
(C) psicoterapia breve.
(D) psicoterapia comportamental.
(E) terapia sistêmica.
(QUADRIX) O conceito de Efeito Carambola está vinculado:
(A) à terapia interpessoal.
(B) à Psicanálise.
(C) ao Projeto Genoma.
(D) à experiência emocional corretiva de terapia focal.
(E) às técnicas comportamentais
(FCC) Na terapia focal espera-se que uma nova experiência emocional possa ocorrer na
relação terapêutica. A terapia focal baseia-se, com isso, no conceito de experiência
emocional
(A) potencializada.
(B) intensa.
(C) sugestiva.
(D) corretiva.
(E) atualizada.
Psicoterapias de Apoio
Psicoterapias de Apoio
❏ Terapias de apoio estruturam-se a partir das teorias psicanalíticas da
personalidade e funcionamento mental: força de ego, mecanismos de defesa,
mecanismo de identificação introjetiva, função temporária do terapeuta de
ego auxiliar e holding
❏ Se diferenciam quanto ao embasamento teórico, estratégias, técnicas,
objetivos e indicações:
• usam os princípios da teoria comportamental: reforço, aprendizagem social
• utilizam a teoria cognitiva: alteração de crenças e pensamentos
disfuncionais, técnicas de resolução de problemas
• consideram o meio social: interações, recursos, pressões
Psicoterapias de Apoio
❏ Procura identificar áreas principais de dificuldade para o paciente e
melhorá-las dentro do possível
❏ Não procura compreender causas e origens dos problemas
❏ Fortalece o paciente para usar mais suas defesas adaptativas e
menos as mal adaptativas ou imaturas
❏ Enfatiza pensamentos e sentimentos conscientes
Psicoterapias de Apoio
❑ Objetivos:
• aliviar, reduzir ou eliminar sintomas
• restabelecer ou manter nível de funcionamento anterior a uma crise
• aumentar a auto-estima
• melhorar a capacidade do indivíduo em lidar com fatores estressantes internos e
externos
• melhorar o funcionamento do ego por meio do fortalecimento e uso de defesas
adaptativas
• desenvolver habilidades para lidar com déficits e sequelas causadas por doenças
físicas
Psicoterapias de Apoio
Função do terapeuta: oferecer SUPORTE
• presença constante
• apoio empático
• interesse genuíno
• ausência de crítica
• vínculo afetivo
• postura ativa:
➢ percebe potencialidades e limitações do paciente; avalia a situação real; analisa
problemas e alternativas; responde questionamentos; aconselha; faz sugestões;
educa
❏ leva à:
➢ - ansiedade e + autoestima
➢ internalização de capacidades e aspectos positivos do terapeuta (introjeção)
Psicoterapias de Apoio
❑ Podem ser:
• de longo prazo: para pacientes com déficits crônicos de ego, com
funcionamento geral comprometido
• breves (terapias breves de apoio ou intervenção em crise):
➢ pessoas saudáveis e psicologicamente adaptadas que, temporariamente,
estejam vivenciando situações de crise, trauma ou desastre, com uma resposta
à crise abaixo de sua capacidade, sem uso adequado dos recursos de que
dispõem
Psicoterapias de Apoio
Elementos importantes:
❏ bom vínculo
❏ boa aliança terapêutica
❏ transferência positiva (mesmo que raramente interpretada)
Não usa a associação livre
❏ É uma terapia focal, centrada nos problemas, relatos do paciente, exame de dificuldades,
estabelecimento de tarefas programadas
❏ Foco no contexto atual: no aqui e agora
Frequência das sessões:
❏ variável (quinzenal, mensal, eventualmente diárias)
❏ duração da psicoterapia: dias a semanas, podendo estender-se por anos
❏ pode envolver a participação de membros da família (pacientes com comprometimento grave)
Psicoterapias de Apoio
❏ Suas intervenções procuram fortalecer certas funções do ego, utilizando a influência
que o terapeuta tem sobre o paciente, e se baseiam na sugestão, objetivando a
ampliação dos aspectos cognitivos e de autoconhecimento:
1. Sugestão
2. Persuasão
3. Controle ativo
4. Reafirmação e melhora da autoestima
5. Aconselhamento
6. Ventilação ou Ab-reação
7. Educação
8. Clarificação
9. Confrontação
Psicoterapias de Apoio
❑ Indicações da terapia de apoio de longo prazo:
• déficits crônicos de ego (funcionamento comprometido)
• avaliação de realidade comprometida (psicoses, transtorno bipolar, retardo mental)
• controle deficiente dos impulsos (transtorno de personalidade borderline, problemas cerebrais
orgânicos, TDAH)
• dificuldades para vivenciar e controlar afetos (raiva, ansiedade)
• relacionamentos interpessoais pobres
• dificuldades de realizar sublimação
• pouca capacidade de introspecção
• pouca capacidade de expressão verbal de pensamentos e sentimentos
• limitações físicas crônicas e incapacitantes
Psicoterapias de Apoio
❑ Contra-indicações da terapia de apoio de longo prazo:
• pacientes com boa estrutura e funcionamento de ego, que poderiam se beneficiar mais com
terapias dinâmicas de insight
❑ Indicações da psicoterapia breve de apoio ou intervenções em crise:
• pacientes saudáveis psiquiatricamente, bem adaptados, com suporte social bom e boas
relações interpessoais
• pacientes com prevalência de defesas maduras e flexíveis, com teste de realidade preservado
e expectativas futuras positivas
• capacidade de uso dos recursos disponíveis
• momentaneamente passam por situações de crise, trauma ou desastre natural e respondem à
crise com um funcionamento abaixo de sua potencialidade
(CESPE)
( ) A psicoterapia de apoio de longa duração está indicada para os
casos de pacientes com diagnóstico de transtornos caracterológicos
graves ou de psicose e para pacientes terminais.

C
(UFU-MG) A psicoterapia de apoio caracteriza-se por ser uma modalidade de
tratamento na qual o terapeuta mantém um relacionamento terapêutico e uma
aliança de trabalho baseados na realidade, oferecendo apoio, esclarecimento e auxílio
na solução de problemas.
A esse respeito, assinale a alternativa correta.
(A) A clarificação, técnica de intervenção da psicoterapia de apoio, define-se como a
comunicação, por parte do paciente, de emoções ou sentimentos reprimidos,
revivendo situações traumáticas e superando a repressão.
(B) Os pacientes submetidos às psicoterapias de apoio geralmente são menos
comprometidos e têm psicopatologias menos graves.
(C) A psicoterapia de apoio é indicada para pacientes com déficits significativos de
funcionamento do ego, como em casos de controle de impulsos deficiente e balanço
inadequado de afetos.
(D) Na psicoterapia de apoio, normalmente, o terapeuta mantém uma posição neutra,
é receptivo e faz uma escuta silenciosa.

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