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ISSN 2318-5104 | e-ISSN 2318-5090

CADERNO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE


Physical Education and Sport Journal
[v. 17 | n. 1 | p. 13-21 | 2019]
RECEBIDO: 21-02-2019
APROVADO: 22-04-2019

ARTIGO ORIGINAL
DOSSIÊ FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

Atividade física no lazer, capacidade aeróbia percebida


e bem-estar subjetivo de acadêmicos de educação física
em diferentes fases do curso
Physical activity in leisure, aerobic capacity perceived and subjective wellness
of physical education academics throughout the course
DOI:

Carlos Eduardo Vieira Meira1, Rubian Diego Andrade1,2


1
Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis (IESGF)
2
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

RESUMO
Objetivo: Identificar como se comportam as variáveis, atividade física no lazer, capacidade aeróbia percebida e o bem-estar
subjetivo de acadêmicos ao longo do curso de Educação Física. Método: Para esse estudo foram utilizados três instrumentos,
sendo estes a Escala de Bem-estar Pessoal (PWI), Escala de Práticas no Lazer e a Escala de Capacidade Aeróbia Percebida.
Resultados: Foram avaliados 115 acadêmicos (79 mulheres e 36 homens), com média de idade de 25,01 (6,2) anos. Identificou-
se que 87,5% dos acadêmicos foram considerados ativos fisicamente no início do curso, 95,5% no meio e 91,3% no final. Já para
elevada capacidade aeróbia percebida, os resultados foram de 41,7% no início, 40,9% no meio, e 30,4% no final. Quanto ao
bem-estar subjetivo, 25% no início, 22,7%, no meio e 34,8% no final do curso foram classificados com alta satisfação com a vida.
Conclusão: Os acadêmicos mantem-se fisicamente ativos durante todo o curso. No entanto, esses resultados não corroboraram
com a variável capacidade aeróbia percebida que apresentou tendência a diminuir na comparação entre as fases. Quanto à
variável de bem-estar subjetivo, permaneceu baixa ao longo do curso, com tendência de aumento no final da graduação.
PALAVRAS-CHAVE: Vida Acadêmica; Atividade Física de Lazer; Bem-estar Subjetivo; Capacidade Aeróbia Percebida.

ABSTRACT
Objective: To identify how the variables: physical activity in leisure, aerobic perceived capacity and the subjective well-being of
academics during the course of Physical Education. Method: For this study, three instruments were used: the Personal Welfare
Scale (PWI), Leisure Practice Scale and the Aerobic Perceived Capacity Scale. We evaluated 115 academics (79 women and 36
men), with a mean age of 25.01 (6.2) years. Results: We evaluated 115 academics (79 women and 36 men), with a mean age of
25.01 (6.2) years. It was identified that 87.5% of the students were considered physically active at the beginning of the course,
95.5% in the middle and 91.3% at the end. Already for high aerobic capacity perceived, the results were 41.7% at the beginning,
40.9% in the middle, and 30.4% at the end. Concerning subjective well-being, 25.0% at the beginning, 22.7% at the middle and
34.8% at the end of the course were classified with high satisfaction with life. Conclusions: Due to these results, it is suggested
that, during graduation, with the achievement of knowledge about Physical Education, the academics improved their subjective
perception about physical capacity and improved well-being.
KEYWORDS: Academic Life; Leisure Physical Activity; Subjective Well-being; Aerobic Perceived Capacity.

Direitos autorais são distribuídos a partir da licença


Creative Commons
(CC BY-NC-SA - 4.0)
MEIRA, C. E. V.; ANDRADE, R. D.
14 Atividade física no lazer, capacidade aeróbia percebida e bem-estar subjetivo de acadêmicos de educação física em diferentes fases do curso

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a Atividade Física (AF) apresentou uma crescente importância no universo acadêmico e social
por seus benefícios físicos, psicológicos e sociais, em consequência da sua prática (SPOHR et al., 2014; PALMA, 2017).
Caracterizada por qualquer movimento do corpo em decorrência de contração voluntária dos músculos esqueléticos, a AF
é compreendida pelas atividades realizadas no trabalho, como meio de deslocamento, como o andar a pé ou de bicicleta,
nas atividades domésticas e no lazer. Esta última, praticada durante o tempo livre, ou seja, no tempo não empregado nas
obrigações de trabalho e do lar, como por exemplo, exercícios físicos, esportes, caminhadas, pedaladas no parque, entre
outras (CASPERSEN et al., 1985).
Nesse sentido, dentre os benefícios promovidos por esta prática, um dos principais é o fator de proteção da
capacidade funcional, que pode ser compreendida como desempenho para a realização das atividades da vida diária
(SPOHR et al., 2014; PALMA, 2017). Além disso, em termos fisiológicos possuir capacidade funcional adequada está
associado a benefícios na densidade mineral óssea, nos fatores de risco cardiovascular, na força e resistência muscular e
na saúde mental (JANSSEN et al., 2010).
Além dos benefícios fisiológicos supracitados, a prática de AF também aumenta de forma expressiva capacidade
aeróbia (SOTERO et al., 2011). Esta entende-se pela capacidade máxima do corpo humano de transportar e metabolizar
oxigênio durante uma AF, ou seja, é o máximo de oxigênio que as células de uma pessoa podem captar transportar e
utilizar como fonte de energia durante uma atividade de intensidade máxima (ZAGATTO et al., 2008).
Para além das questões biológicas, componentes subjetivos como o bem-estar, também são relatados pela
literatura como modificáveis com um estilo de vida ativo. De forma geral, pessoas com níveis adequados de AF possuem
melhor percepção do bem-estar subjetivo (DAVIM et al., 2014; LIMA et al., 2018; MARTINS, 2015; RIGO et al., 2015). Este
termo ganhou interesse com o passar dos anos por pesquisadores do mundo todo, pois é um campo de estudos que
procura compreender as avaliações que as pessoas fazem de suas vidas. A avaliação é de caráter cognitivo (satisfação
geral com a vida) e permite incluir, análise de expectativas futuras (DIENER et al., 2009; MARTINS, 2015; RIGO et al., 2015).
Nesse sentido, uma das questões que pode ter influência no bem-estar, no nível de AF, e por ora, na capacidade
aeróbia percebida é a formação acadêmica superior. A transição da vida acadêmica para a vida profissional é um período
que envolve importantes decisões (MOREIRA et al., 2013). Assim, o ingresso na mesma, repercute no bem-estar, na
capacidade de concentração e memorização, e, consequentemente no seu desempenho acadêmico, interferindo em suas
relações interpessoais, bem como na própria saúde, a qual é essencial para uma aprendizagem significativa e formação
acadêmica de qualidade (BENAVENTE et al., 2011; REIS et al., 2016). Neste sentido, este estudo pretende identificar como
se comportam as variáveis AF no lazer, capacidade aeróbia percebida e o bem-estar subjetivo de acadêmicos de Educação
Física ao longo do curso.

MÉTODOS

A presente pesquisa foi caracteriza como descritiva, com abordagem quantitativa e do tipo transversal. A amostra
foi do tipo não probabilística, composta por homens e mulheres acima de 18 anos, devidamente matriculados no curso
de Educação Física de uma faculdade privada do município de São José (SC) (FERRARI, 2011; SILVA, 2011). O projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Paulista (CEPSH-UNIP), sob Parecer N°
2.718.130/2018, respeitando todos os critérios de pesquisa instruído na Resolução N°. 466/2012 do Conselho Nacional
de Saúde. Os critérios de inclusão foram constituídos pela aceitação em participar da pesquisa por meio da assinatura
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para pesquisas com Seres Humanos, além disso, o correto
preenchimento dos instrumentos, pertencer ao curso de Educação Física da instituição selecionada, ter idade acima 18
anos e acesso à mídia eletrônica. Os dados foram coletados por meio de questionários eletrônico via plataforma Google
Docs. A coleta dos dados foi realizada no mês de agosto de 2018.
A amostra foi caracterizada por meio de questões referentes ao sexo (masculino e feminino) e idade (em anos).
O curso foi segmentado em três grupos de acordo com semestre letivo em curso. O primeiro grupo, denominado início
do curso, correspondeu do 1º ao 3º semestre. O segundo, denominado meio do curso, correspondeu os alunos do 4º
ao 6º semestre. Por fim, o terceiro grupo, denominado final do curso, compreendeu os alunos matriculados nos 7º e 8º
semestres. Os participantes também responderam questão referente à atividade profissional (incluindo estágio) (sim ou
não), carga horária de trabalho (horas/semana) e turno de estudo (matutino ou noturno).

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Foram utilizados três questionários para a coleta de dados. O primeiro foi a Escala de Práticas no Lazer (EPL)
(ANDRADE et al., 2018), validado para a população brasileira de 18 a 65 anos. O instrumento é composto por questões
com respostas em escala do tipo Likert de zero (nunca) a dez (sempre) pontos, na qual o participante responde sobre seu
envolvimento com as práticas nos diversos conteúdos culturais do lazer - atividades artísticas, culturais, manuais, físico-
esportivas, sociais, virtuais, turísticas e contemplativas (ANDRADE et al., 2018). Para atender aos objetivos da pesquisa foi
utilizado apenas o domínio Físico-esportivo da EPL. Desta forma, os acadêmicos foram classificados como suficientemente
ativos (>4 pontos) e insuficientemente ativos (≤4 pontos) (ANDRADE et al., 2017).
Para avaliação do bem-estar subjetivo utilizou-se a questão “Pensando na sua própria vida e situação pessoal, qual
é o seu nível de satisfação com a sua vida como um todo?” extraída do Personal Wellbeing Index (PWI) (Índice de Bem-
estar Pessoal) (CUMMINS et al., 2003). Este instrumento tem como intuito abordar um parâmetro subjetivo da qualidade
de vida em grupos variados da população. Os autores do instrumento descrevem que esta questão tem elevado poder de
predição do bem-estar subjetivo. As opções de respostas são apresentadas em uma escala Likert de dez pontos que varia
de zero (0) (completamente insatisfeito) a dez (10) (completamente satisfeito). Considerou-se como elevada percepção
de bem-estar a mediana (8 pontos). Desta forma, categorizou-se os acadêmicos em baixo bem-estar subjetivo e elevado
bem-estar subjetivo.
O último questionário foi a Escala de Capacidade Aeróbia Percebida (Rating of Perceived Capacity) (WISÉN et
al., 2002) que foi validada no Brasil por Maranhão Neto et al. (2008), e apresentou no teste e reteste um coeficiente
de concordância linear de 0,78 (IC95% 0,55-1,00) e um coeficiente de correlação interclasses de 0,8 (IC95% 0,50-0,93).
Essa escala é composta por uma lista de atividades em que o participante seleciona o que é capaz de fazer por um
período mínimo de 30 minutos. Estas atividades são: ficar sentado; caminhar devagar; caminhar em um ritmo normal/
Pedalar devagar; correr devagar (“cooper”)/Pedalar; correr; correr rápido/Pedalar rápido; correr muito rápido (mais do
que 15km); realizar treinamento aeróbio para competição (mulheres); realizar treinamento aeróbio para competição
(homens). O ponto de corte médio (mediana) para categorização desta variável foram 10 pontos. Os acadêmicos que
relataram estar acima desta referência foram considerados como elevada capacidade aeróbia percebida, bem como com
valores inferiores a esta mediana foram considerados com baixa capacidade aeróbia percebida.
O programa estatístico utilizado para a análise dos dados foi o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®) for
Windows® versão 20.0. Foram realizadas análises descritivas e inferenciais. A normalidade da distribuição dos dados foi
analisada por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov, no qual foram confirmadas a não normalidade dos dados. Para as
análises de associação entre as variáveis categóricas utilizou-se o teste Qui-quadrado. Para comparação entre os grupos de
variáveis contínuas foram realizados os testes Kruskal-Wallis. Para todas as análises, foi considerado nível de significância
de 5%.

RESULTADOS

Os dados descritivos da amostra foram apresentados na Tabela 1. Foram avaliados 115 acadêmicos (36 mulheres
e 79 homens), com média de idade de 25,01 (6,2) anos, de um curso de Educação Física de uma Instituição de Ensino
Superior de São José (SC). A maioria dos acadêmicos (81,7%) no ato da coleta de dados, estavam matriculados no período
noturno e relataram ter emprego ou fazer estágio (80%). Quanto ao período do curso, 41,7% foram classificados em
ingressantes, 38,3% no meio e 20% no final do curso. De acordo com os critérios e instrumentos utilizados, 8,7% foram
classificados como insuficientemente ativos e 91,3% ativos fisicamente. Já com relação à capacidade aeróbia, 60,9%
relataram ter uma percepção de baixa capacidade aeróbia. Além disso, a maioria dos acadêmicos demonstrou ter uma
baixa percepção subjetiva de bem-estar (73,9%).
A Tabela 2 apresenta a diferença da pontuação das variáveis ao longo do curso. Percebe-se que nenhuma das
variáveis apresentaram diferenças significativas entre os três grupos analisados (iniciantes, meio e final do curso). Apesar
disso, a análise das Figuras 1, 2 e 3 apresenta a tendência no comportamento dessas variáveis entre os acadêmicos
avaliados. Na Figura 1 a percepção da capacidade aeróbia praticamente manteve-se estável no início (41,7%) e meio
do curso (40,9%), e no final do curso a percepção diminui (30,4%). Já na Figura 2 percebe-se que o nível de acadêmicos
fisicamente ativos praticamente manteve-se estável no início (87,5%) no meio (95,5%) e no final do curso (91,3%). Por fim,
a Figura 3 apresenta que o bem-estar subjetivo se manteve estabilizado no início (25,0%) e no meio (22,7%), e teve um
leve aumento no final do curso (34,8%).

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Tabela 1. Caracterização da amostra.


Variáveis n Valores
Sexo (%)
Masculino 79 68,7
Feminino 36 31,7
Idade (anos) 115 25,01±6,2
IMC (Kg/m2) 115 24,52±2,9
Status de peso (%)
Eutróficos 70 60,90
Sobrepeso 45 39,10
Turno de estudo (%)
Matutino 21 18,3
Noturno 94 81,7
Trabalho (%)
Sim 92 80,0
Não 23 20,0
Carga horária (horas/semana) 91 31,76±13,5
Período do curso (%)
Ingressantes 48 41,70
Meio do curso 44 38,30
Final do curso 23 20,00
Nível de Atividade Física (%)
Insuficientemente ativos 10 8,7
Ativos fisicamente 105 91,3
Capacidade aeróbia percebida (%)
Baixa 70 60,9
Elevada 45 39,1
Bem-estar subjetivo (%)
Baixo 85 73,9
Elevado 30 26,1

Tabela 2. Diferença das variáveis ao longo do curso.


Período do curso (média, dp)
Variáveis p-valor*
Iniciantes Meio Final
Atividade Física no Lazer 8,46±2,4 8,75±2,0 8,78±2,3 0,933

Capacidade aeróbia percebida 11,44±5,4 10,27±4,4 10,78±4,2 0,785

Bem-estar subjetivo 7,31±1,7 7,36±1,5 7,83±1,7 0,286


*p-valor do teste de Kruskal-Wallis.

Este estudo teve como objetivo identificar como se comportam as variáveis, atividade física no lazer, capacidade
aeróbia percebida e bem-estar subjetivo de acadêmicos em diferentes fases do curso de Educação Física. Com relação
ao nível de AF, percebeu-se uma tendência desta variável permanecer constante nas diferentes fases do curso. Foram
considerados ativos fisicamente na fase inicial do curso 87,5%, no meio do curso 95,5% e no final 91,5%. Esses resultados
corroboram com estudos de Sousa et al. (2009) e Silva et al. (2017), que avaliaram o nível de AF e qualidade de vida de
acadêmicos do curso de Educação Física. Sugere-se assim, que a escolha pelo curso de Educação Física indica que os
acadêmicos já possuíam uma vida fisicamente ativa. Além disso, outra hipótese levantada é que os ingressantes no curso

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possam ser em sua maioria, praticantes de desportos ou ex-atletas (KRUG et al., 2017).

Figura 1. Capacidade aeróbia percebida nos diferentes períodos do curso.

Figura 2. Nível de atividade física no lazer nos diferentes períodos do curso.

Figura 3. Bem-estar subjetivo nos diferentes períodos do curso.

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Tabela 3. Associação entre as variáveis com o período do curso, São José (SC), 2018.
Período do curso (n, %)
Variáveis *p-valor
Iniciantes Meio Final
Status de peso
Eutróficos 32 (66,7) 27 (61,4) 11 (47,8)
0,313
Sobrepeso 16 (33,3) 17 (38,6) 12 (52,2)
Turno de estudo
Matutino 24 (43,8) - -
-
Noturno 27 (56,2) 48 (100,0) 23 (100,0)
Trabalho
Sim 34 (70,8) 37 (84,1) 2 (8,7)
0,090
Não 14 (29,2) 7 (15,9) 21 (91,3)
*p-valor do teste de Qui-quadrado.

Os resultados quanto ao nível de capacidade aeróbia percebida mostraram que 39,1% dos acadêmicos tem um
nível elevado desta condição. Esse resultado corrobora com o estudo de Carvalho (2016) que avaliou a capacidade aeróbia
de forma indireta em acadêmicos de Educação Física por meio do teste de Cooper. Os autores identificaram que 34,7%
da amostra total apresentou capacidade aeróbia elevada. Na presente pesquisa, observou-se que ao final do curso a
capacidade aeróbia apresenta uma tendência de queda (início 41,7%, meio 40,9% e final 30,4%).
Sob a luz das teorias da aprendizagem e do comportamento social (BANDURA, 2008), sugere-se que esta
diminuição da percepção da capacidade aeróbia elevada esteja relacionada com uma auto avaliação mais criteriosa desta
capacidade nas fases finais do curso. Ainda, fazendo-se valer das teorias sociais, da mesma forma que o conhecimento
muda a perspectiva do sujeito em relação ao mundo, a mesma relação talvez possa ser representada pelo conhecimento
adquirido e a auto avaliação desta capacidade física. Isso pode ajudar a explicar o motivo pelo qual houve a tendência de
diminuição nas diferentes fases do curso, haja vista que o nível de atividade física se manteve estável no mesmo período.
Desta forma, ingressantes talvez tenham uma visão superestimada da sua capacidade aeróbia, ao passo que, na visão dos
egressos, esta percepção seja diferente.
A variável bem-estar subjetivo manteve-se baixa durante o curso (início 75,0%, meio 77,3% e final 65,2%). Segundo
Pekmezovic et al. (2011), para os acadêmicos, a universidade é a porta de entrada para a vida profissional mais promissora
no futuro, e, na prerrogativa de manter os seus empregos atuais, muitos possuem dupla jornada (trabalho e estudo).
Especialmente em se tratando do contexto de uma universidade privada. Ista limita o tempo livre para a vida pessoal
e para o lazer, e como consequência compromete ainda mais a qualidade de vida e bem-estar. Dos acadêmicos que
participaram do estudo 80% trabalham ou fazem estágio, essa dupla jornada pode ajudar a explicar a permanecia do baixo
bem-estar ao longo do curso (73,9%). Porém, ao final do curso essa variável tem um leve aumento (34,8%), sugerindo que
a perspectiva de um futuro profissional promissor, a possibilidade de ingressar em uma nova profissão possa aumentar a
“segurança com o futuro” (uma das variáveis do instrumento PWI), concomitantemente aumentando o nível de bem-estar
dos acadêmicos (PEKMEZOVIC et al., 2011).
De acordo com os resultados da presente pesquisa sobre nível de AF e capacidade aeróbia percebida, sugere-se
à comunidade científica novos estudos utilizando instrumentos que avaliem de forma direta essas variáveis, tendo em
vista que poucos estudos avaliaram essa população desta forma. Assim, seria possível melhorar a compreensão dessas
variáveis e tendo resultados mais específicos dessa população. Como limitação deste estudo, leva-se em consideração que
o instrumento pelo qual foi avaliado o nível de AF, a EPL é recente. Sendo assim, há poucos estudos com o mesmo. Sendo
utilizado na discussão estudos que utilizam outro instrumento para avaliação do nível de AF de forma subjetiva (IPAQ,
2005). Quanto ao nível de capacidade aeróbia percebida não foi encontrado nenhum estudo em acadêmicos, portanto
utilizou-se como parâmetro de comparação um estudo que avaliou essa variável de forma indireta (CARVALHO, 2016).
No que tange o bem-estar subjetivo, a análise desta variável utilizando o instrumento por completo pode explicar
em quais domínios do bem-estar estão associados a cada fase do curso (início, meio e final). Além dessas, uma limitação a
ser considerada é o delineamento da pesquisa. Na presente, um estudo transversal, comparou diferentes sujeitos. Desta

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forma, o acompanhamento dos mesmos indivíduos ao longo do curso poderia melhor explicar as variáveis analisadas e
estabelecendo possíveis relações de causa e efeito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados do presente estudo demonstraram que os acadêmicos do curso de Educação Física se mantêm ativos
fisicamente do início ao final do curso. Porém, esses resultados não corroboraram com a variável capacidade aeróbia
percebida que apresentou uma tendência de queda na comparação entre as fases, sugerindo que o conhecimento
adquirido ao longo o curso de Educação Física, pode ter melhorado o entendimento da mesma, tornando essa avaliação
mais criteriosa.
Quanto a variável bem-estar subjetivo manteve-se baixa no início ao longo do curso com tendência de aumento no
final da graduação. Sugere-se novos estudos que avaliem a variável capacidade aeróbia e atividade física de forma direta.
Além disso, recomenda-se que sejam realizados novos estudos que comparem os resultados com outros cursos. Por fim,
aponta-se a necessidade de estudos com delineamento longitudinal para a investigação de tais variáveis nesta população.

REFERÊNCIAS

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Acessado em: 22 de outubro de 2018.

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Autor correspondente: Rubian Diego Andrade
E-mail: rubian2@hotmail.com

Recebido: 21 de fevereiro de 2019.


Aceito: 22 de abril de 2019.

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Caderno de Educação Física e Esporte, Marechal Cândido Rondon, v. 17, n. 1, p. 13-21, jan./jun. 2019.
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