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Universidade Federal do Paraná


Setor de Educação - Departamento de Teoria e Prática de Ensino
Disciplina: Prática Pedagógica A - Estágio em Docência na Educação Infantil

A importância da leitura, da escrita e da oralidade para os alunos das classes de EJA1

Karen Alessandra Deniz2


Bárbara Bianca Gomes Medeiros3

1. JUSTIFICATIVA

Este artigo trata sobre a importância da leitura, da escrita e da oralidade para os estudantes que
frequentam as classes da Educação de Jovens e Adultos. O interesse surgiu após discussões realizadas durante
a disciplina de Prática Pedagógica B – Estágio em Docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e a
observações desse estágio, realizadas na Escola Municipal Padre João Cruciani, em Curitiba.
Durante um semestre letivo, foram realizadas observações numa turma de ciclo II, da Fase I do Ensino
Fundamental, com alunos de diversas idades, trajetórias de vida e diferentes necessidades educacionais. A
Fase I do Ensino Fundamental na modalidade da Educação de Jovens e Adultos, corresponde aos Anos Finais
do Ensino Fundamental, na modalidade de Ensino Regular, Na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, o
Ensino Fundamental é organizado em ciclos, e o ciclo II, corresponde ao 4º e 5º ano do Ensino Fundamental.
Acreditamos que a abordagem dessa temática, trará grande significado para a formação acadêmica, o que
poderá resultar numa melhor prática docente, caso venhamos a atuar nessas classes, que merecem uma
proposta pedagógica própria e estratégias de ensino diferenciadas das do ensino regular, levando em conta a
trajetória de vida e as necessidades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos. Um maior aprofundamento
no que diz respeito às práticas cotidianas, como por exemplo, a relação que um aluno tem com seu professor,
as dificuldades que esses educandos enfrentam para conseguirem, terminar seus estudos, os diferentes níveis
de aprendizagem entre um e outro, e os direitos que esses indivíduos possuem, e a valorização da trajetória de
vida individual, devem ser levados em conta no processo de aprendizagem.

Brandão (1985), afirma que:

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Este texto foi produzido como parte das atividades da disciplina “Prática Pedagógica B - Estágio em Docência na Séries Iniciais
do Ensino Fundamental”, do Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná. Curitiba/ 2016
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Aluna do Curso de Pedagogia, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná, na disciplina “Prática Pedagógica B -
Estágio em Docência na Séries Iniciais do Ensino Fundamental” sob orientação da Professora Thalita Folmann da Silva.
karendeniz@gmail.com
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Aluna do Curso de Pedagogia, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná, na disciplina “Prática Pedagógica B
Estágio em Docência na Séries Iniciais do Ensino Fundamental” sob orientação da Professora Thalita Folmann da Silva.
barbaragomesmedeiros93@gmail.com
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Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja, ou na escola, de um modo ou de muitos, todos
nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar. Para
saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação.
(BRANDÃO, 1985. p. 7)

Nossa sociedade é capitalista, dessa forma cada vez mais evidencia-se a desigualdade social, onde os
mais favorecidos são os privilegiados economicamente. A educação é vista como um meio de ascensão social,
dessa forma, é por esse pensamento que os estudantes da EJA acreditam que ao conseguir um diploma serão
recompensados futuramente. Contudo, somente por meio da aquisição e apropriação dos códigos da língua
escrita, que esses indivíduos são capazes de se sentirem incluídos numa sociedade totalmente letrada, na qual
a cultura escrita é muito mais valorizada em detrimento da oralidade. Sob essa perspectiva, analisaremos a
importância da leitura, da escrita e da oralidade, na trajetória dos alunos da EJA.
Usaremos para a elaboração deste artigo, documentos que priorizam o assunto, textos utilizados
durante a disciplina Prática Pedagógica B – Estágio em Docência no Ensino Fundamental e durante as demais
já cursadas, referencial teórico de autores que abordam a temática, bem como, nossas impressões sobre as
observações que fizemos na sala de aula, com alunos da Educação de Jovens e Adultos.

2. TEORIZAÇÃO E ANÁLISE

Por se compreender a necessidade de compensar grande parte da população, que por diversos fatores,
não teve sua permanência assegurada na escola, e desta forma não concluiu sua trajetória escolar, que desde a
década de 1970, vem sido criadas classes noturnas para a Educação de Jovens e Adultos. Ao longo dos anos,
a cultura escrita tem sido mais e mais reconhecida, e aqueles que não são capazes de compreender esse código,
veem-se a margem da sociedade. O processo de exclusão, pode-se dar por diversos meios, alguns deles vem
sendo legitimado pelas vias do analfabetismo real, do analfabetismo funcional e até mesmo do analfabetismo
digital. Nesta síntese, vamos buscar compreender os diversos fatores que levam aos estudantes das classes de
EJA retornarem para dentro das escolas, em busca da sua formação inicial.
Quando analisamos o retorno dos estudantes que se encontram fora da faixa etária (considerada ideal),
para as salas de aulas, precisamos primeiramente apontar alguns indicadores do porquê, desses estudantes
terem sido excluídos do processo de ensino na modalidade regular. Como bem sabemos, a escola nem sempre
foi um espaço para todos. Com os antigos exames de admissão, os processos classificatórios, o alto índice de
repetência e evasão, o ambiente escolar, era um ambiente excludente, e legitimador das desigualdades sociais.
Não que hoje seja diferente, mas atualmente, por meio de políticas educacionais, a escola busca ser um espaço
de inclusão, garantindo o acesso e à permanência aos estudantes, de maneira laica e gratuita.
Na Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº 9394/96, a Educação de Jovens e Adultos é
assegurada, conforme consta no “Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não
tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria” (BRASIL,1996),
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com isso o Estado garante o acesso e a continuidade de estudos para aqueles que foram historicamente
excluídos. Dessa forma, os estudantes retornam as salas de aulas em busca de maior qualificação para
disputarem uma vaga no mercado de trabalho, ou simplesmente para realização pessoal.
Muitos alunos, voltam para a escola, pois sentem-se “envergonhados” pelo fato de não saberem ler ou
escrever. A atual sociedade exige que seus cidadãos estejam em constante busca de informação, este é um
processo contínuo, pois há a consciência de que sem ela a exclusão da sociedade é certa. Este trabalho
apresentará a importância da leitura, da escrita e da oralidade, na construção da escolaridade do indivíduo.
Com referência a leitura e a educação na modalidade da EJA, não se pode deixar de falar sobre Paulo
Freire. Freire (1989), é um educador que exerceu influência muito positiva na educação dos que não tiveram
acesso à educação na idade considerada normal. Quando se fala de libertação através da educação é o nome
de Paulo Freire que vem à cabeça, sua obra apresenta o compromisso de valorizar o diálogo e a interação
como fundamentos necessários para a libertação do educando. Na ação educativa libertadora de Freire, existe
uma relação de troca enriquecedora entre educador e educando com objetivo de uma atitude de transformação
da realidade conhecida. Sendo assim uma educação conscientizadora, pois além de conhecer a realidade, busca
transformá-la. A leitura torna-se na Educação de Jovens e Adultos uma forma de proporcionar aos alunos uma
ferramenta de uso social que lhes devolve o direito a viver nessa sociedade letrada e os coloca em pleno
exercício de sua cidadania.
Em seus primórdios, a educação de jovens e adultos era vista como uma forma de ensinar a ler e a
escrever de maneira codificada, quer dizer, os indivíduos eram ensinados realizar a leitura da palavra, a
codificação e a decodificação, lembrando assim os moldes behavioristas. Havia uma automatização e
mecanização do processo, sem uma compreensão significativa. Com as mudanças que aconteceram na própria
sociedade e no modo de perceber a educação de jovens e adultos, a EJA busca trabalhar com uma abordagem
que foca na leitura de mundo, apontando o contexto do aluno e a reflexão sobre sua ação no lugar onde ele
vive, entendendo a leitura e também a escrita com prática social, uma prática que é também libertadora.
Para Caligari (2001),

O domínio da escrita e o acesso ao saber acumulado têm sido uma das maiores fontes de poder nas
sociedades e, por isso mesmo, privilégio das classes dominantes. Por que todos os indivíduos não
passaram a ser alfabetizados desde o momento em que se inventou a escrita? Porque isso representaria
o compartilhamento do saber do poder e do poder do saber. ( p.10)

Percebe-se então que o autor atribui o poder ao ato de saber ler e escrever, quem possui estas duas
habilidades possuem o poder, porém não basta apenas codificar e decodificar os símbolos, mas ler no contexto Commented [T1]: O que é ler no contexto com significação?

com significação. Ler para além das palavras, ler o mundo, compreender o contexto e não apenas ler por
mecanização, como bem observa Freire (1989)
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Creio desnecessário me alongar mais, aqui e agora, sobre o que tenho desenvolvido, em diferentes
momentos, a propósito da complexidade deste processo. A um ponto, porém, referido várias vezes neste
texto, gostaria de voltar, pela significação que tem para a compreensão crítica do ato de ler e,
consequentemente, para a proposta de alfabetização a que me consagrei. Refiro-me a que a leitura do
mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele.
Na proposta a que me referi acima, este movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo está
sempre presente. Movimento em que a palavra dita flui do mundo mesmo através da leitura que dele
fazemos. De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é
apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescreve-lo”,
quer dizer, de transformá -lo através de nossa prática consciente. (p. 17)

A importância do ato de ler, está apara além das leituras mecanizadas, memorizadas e desconexas com
a realidade. A democratização da leitura e da escrita, é uma ferramenta de poder. Por meio dela pode-se ler o
mundo, e ler criticamente, com significação, com reflexão. No entanto, a classe dominante não aceita a
democratização deste poder, um poder que atribui autoridade aquele que fala, assim a medida de que se
aprende a falar e a ler dentro desta visão de poder, abre-se um leque de chances em todos os âmbitos sociais.
Ainda de acordo com Caligari (2001):

A instituição escola tem sido controlada pelos poderosos e não pelo povo. E são principalmente as
pessoas do povo que buscam, através do estudo condições para ganhar mais, produzir e ascender
socialmente. Mas a escola não propicia essa oportunidade a todos os indivíduos, submetendo-os, através
de variados instrumentos, a rigorosa seleção. [...] A escola como instituição social sempre selecionou
sua clientela. Já foi a escola dos filósofos, dos religiosos, da burguesa etc. e, mais recentemente, tonou-
se também a escola dos pobres. (p. 11 – 12) Commented [T2]: Após citação, inserir um parágrafo
comentando a respeito do que disse o autor.
Sob essa afirmativa, vemos nas palavras de Caligari, a instituição da escola como instrumento seletor.
Onde uns se impõem sobre outros. Onde os menos favorecidos, estão mais propícios ao fracasso, e não
conseguem desenvolver um sentimento de pertencimento, permanecendo sempre à margem da escolarização.
De acordo com a História da Educação, a educação de jovens e adultos no Brasil se inicia
precariamente durante a fase colonial com os jesuítas, e levava o aluno a conhecer basicamente a Língua
Portuguesa. Tinha cunho mais forte a respeito da salvação da alma humana e não com a formação do cidadão
crítico que a sociedade necessita hoje, pois se fosse desta maneira seriam cidadãos que exigiriam seus direitos
e isso não é de interesse da classe dominante. Por isso vê-se necessário, garantir esse direito de acesso,
permanência e continuidade aos estudos, para aqueles que não tiveram a oportunidade de concluir sua
trajetória escolar no período regular.

De acordo com o artigo da LDB – Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96,

A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de
estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 1º - Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam
efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º - O Poder público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola
mediante ações integradas e complementares entre si.
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Como já exposto anteriormente, no artigo 37 está disposto que o estado deve ofertar aos que não
tiveram oportunidade de estudar na idade própria, de forma gratuita, pensando não somente na oferta assim
como também em suas peculiaridades, interesses e características, implementando ações com objetivo de
manter o aluno trabalhador na escola. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e
Adultos, Resolução CNE n° 1/2000, falam da EJA como modalidade da Educação Básica e sendo um direito
do cidadão, deixando de lado a ideia de que se tinha até então que era uma forma de compensação e
suprimento, agora ela assume uma característica de reparação, equidade e qualificação representando assim
um grande avanço rumo a qualidade na educação de jovens e adultos. As Diretrizes Curriculares para a
Educação de Jovens e Adultos (2012), da Rede Municipal de Ensino de Curitiba aponta que,

O conteúdo sistematizado pelas áreas do conhecimento precisa ser significativo para a vida do
estudante, permitindo o interesse, a reflexão e a reelaboração do conhecimento em relação aos
fenômenos naturais e sociais. Cabe ao professor trabalhar a partir de experiências e vivências dos
estudantes, buscando atividades reflexivas que estimulem o processo ensino-aprendizagem. É
importante que o professor veja o estudante como uma pessoa que vive na sua comunidade, que
participa de uma determinada cultura e faz parte de um determinado processo histórico. (p. 27-28)

Na sociedade existe um número alto de jovens e adultos sem escolaridade, isto acontece por diversas
razões, ou porque ingressaram no mercado de trabalho muito cedo, sendo necessário abandonar os estudos se
tornando um analfabeto, uma mão de obra barata mola propulsora da ideologia que impera na sociedade, por
falta de oportunidade de acesso ou permanência na escola no período considerado regular, ou devido a
austeridade do ambiente escolar. Independente do motivou ou razão, a EJA veio para que a parcela da
sociedade considerada iletrada, analfabeta e excluída, seja transformada em cidadãos críticos e autônomos.
A sociedade atual obriga a uma postura de cidadania, de respeito aos semelhantes, uma educação para a
preservação do Meio Ambiente entre outros, para isto, é necessário, uma conscientização dos indivíduos que
vivem nesta sociedade.
A leitura é sem dúvida um meio que leva a uma caminhada nesta nova sociedade que se apresenta,
saber ler antigamente era uma condição para poucos, pois trazia status elevando a classe social. Porém
atualmente, a leitura se tornou uma ferramenta indispensável à vida em sociedade, o uso da leitura favorece a
formação pessoal, não apenas nos contextos educacionais elementares, mas em atividades corriqueiras do dia-
a-dia, como: tomar ônibus, fazer compras em supermercados, telefonar em uma cabine pública, utilizar carros
entre outras. Aí vemos a função social da escrita, e a sua importância na vida cotidiana.
A leitura proporciona ao leitor o desenvolvimento do senso crítico, o aprimoramento da capacidade e
das possibilidades na participação social. A leitura é fundamental não apenas para atender às necessidades do
aluno na sua formação acadêmica, mas também na formação do cidadão, do indivíduo que irá conviver dentro
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de um círculo de pessoas que além de serem diferentes pensam e agem diferentemente uma das outras. O leitor
vai aperfeiçoando suas estratégias de leitura, motivado de acordo com as necessidades externas, transformando
assim o ato de ler. Tem-se a necessidade de substituir uma ideia antiga que fundamenta a concepção de
alfabetização como sendo um ato preliminar a leitura propriamente dita. Recentes investigações apresentam
uma semelhança entre a aprendizagem da fala e a aprendizagem da leitura; se a criança aprende a falar falando
é bem provável que aprende a ler lendo.
Branco (2007, p. 168), afirma, “é interagindo com a leitura e escrita em situação ativa e real, e com os
demais usuários da leitura escrita, que as crianças, jovens e adultos aprendem a ler e a escrever”. A leitura, se
tornou uma ferramenta social, não há como viver em uma sociedade sem a utilização dela, por isso,
profissionais da educação, devem estar preocupados com a qualidade da educação que têm como objetivo a
formação de leitores não apenas automatizados, mas com uma leitura de mundo, capaz de transformar os
indivíduos, suas percepções e concepções de vida. O simples ato de ler em voz alta mostra uma função social
da leitura, era uma norma desde que a palavra escrita fora inventada, pois acreditava-se que com o som das
palavras era possível que aquele que escutava viver as palavras que estavam sendo lidas.
Frago (1993) afirma que a oralidade está indissociada da leitura, da escrita e do processo de
alfabetização como um todo. Segundo o autor, é considerado alfabetizado, não apenas aquele que reconhece
os signos da escrita, mas também os compreende dentro de uma prática social, cultural e comunicativa. Ele
enfatiza a necessidade da valorização da oralidade, pois segundo o Frago, a linguagem é um fenômeno oral.
Mesmo sem aquisição dos signos e das técnicas de escrita e leitura, o analfabeto pensa e se expressa oralmente.
Por isso, compreende-se que a alfabetização e a oralidade são indissociáveis.
Outro ponto importante se dá, quando o autor faz menção de que na alfabetização deve-se unir a
oralidade e a escrita, pois uma não é imitação da outra. Contudo, mesmo consciente de que cada uma tem seu
caráter próprio, a escrita tem uma valorização social muito maior que a oralidade. E na escola, devemos
valorizar as experiências orais, e reconhecer que todos possuem habilidades comunicativas e linguísticas,
anteriores a sua escolarização e devem ser levadas em consideração.
O analfabeto pensa e se expressa oralmente. Mas de um modo diferente do que faz um ser humano
alfabetizado que vive em uma cultura que, sim, conhece e usa a escrita. Seu órgão de recepção e
percepção não é a vista – como um homem que lê – mas o ouvido. Sua cultura é uma cultura acústica,
não linear, mas esférica. Sua mente trabalha de outro modo. (p. 19)

Por isso, se faz importante, nas turmas de EJA, valorizar a cultura oral, dando tanta importância quanto
a cultura escrita, pois a vida desses sujeitos é toda perpassada por essa cultura presente na oralidade. O uso da
linguagem escrita, legitimados por meio da leitura e escrita, nunca deve estar dissociado da cultura oral. Todos
possuem a cultura do meio em que estão inseridos, e esta cultura sempre deve ser levada em consideração. E
a alfabetização e a oralidade devem estar integradas no processo de ensino, pois uma depende da outra. Nossa
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sociedade é letrada, é visual, mas também é auditiva e oralizada. Portanto a oralidade nunca deve estar a
margem dentro do processo de alfabetização.
No campo de estágio, pudemos observar o quanto a oralidade é importante para os estudantes da EJA. Commented [T3]: Somente nesse trecho vocês trazem dados
do estágio.
Pois mesmo com a professora apresentando os códigos da escrita e da leitura, era na oralidade que se dava as Verifiquem ao longo do texto onde poderiam ilustrar com as
experiências do estágio.
riquezas de conhecimentos. Por mais que os estudantes não tivessem se apropriado do conhecimento
acadêmico, eles têm um conhecimento de vida, que quando trazido à nós pelo discurso oral, o interesse deles
se tornava mais nítido, e as aulas se tornavam mais dinâmicas.
A Rede Municipal de Curitiba, organizou uma coletânea de histórias dos alunos e em cada história de
vida, vemos a importância que a alfabetização trouxe para os indivíduos. Coisas simples, que muitas vezes
para nós não se caracterizaria como desafios, ou situações vexatórias, são obstáculos que aqueles que não
sabem ler nem escrever enfrentam cotidianamente.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio da leitura a sociedade pode descobrir mais sobre as relações sociais. Este recurso vem com
o seu aprimoramento mudando a vida de muitas pessoas. O cidadão que adquire novos conhecimentos pode
se posicionar frente os desafios que a sociedade lhe impõe. Ao criar o habito de ler, o indivíduo é capaz de
ampliar seu vocabulário, e melhorar escrita de palavras, frases e textos. Bem como aprimorar a compreensão
e reflexão sobre o mundo letrado. Com o domínio das técnicas do mundo escrito e com a valorização da cultura
oral, nossos estudantes da EJA podem aprender e compreender o mundo ao seu redor. Precisamos
compreender “a educação como um ato político, como processo de humanização é essencial para a
transformação da sociedade e dos sujeitos”. (SCHWENDLER, 2010, p. 272)
Todo processo causa uma transformação a partir de uma reorganização do comportamento. Constrói-
se novas e complexas formas culturais, e essa função social e as formações psicológicas que acabam
conduzindo ao domínio da escrita que é o instrumento mais inestimável da cultura. Isto é, se apropriar do
código da escrita é vital para desenvolver as funções sociais. Estamos cercados por letras, símbolos e códigos,
e todo esse processo de escrita alfabética e numérica são resultados de nossa construção histórico-social.
Os professores que atuam com as classes da EJA, devem compreender a importância dessa ferramenta
social que é a leitura e a escrita, mas não devem deixar de valorizar a experiência que cada um traz para as
salas de aula. Precisa-se tomar a responsabilidade de proporcionar aos nossos educandos, uma educação mais
justa, igualitária, com qualidade, tanto para o ensino regular quanto na EJA.
Dessa forma devemos valorizar todas as práticas dos sujeitos, e promover a inclusão, e garantir o direito
de cada um ao acesso à educação, e ao conhecimento, formando cidadãos capazes de viver na sociedade de
maneira autônoma, critica, promovendo práticas igualitárias e libertárias.
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4. REFERÊNCIAS

BRANCO, Veronica. A sala de aula na educação de jovens e adultos. In: Educar, n. 29, p. 157-170.
Editora UFPR, Curitiba, 2007.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que é Educação. 21ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
BRASIL, Ministério da Educação. Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases
da Educação Nacional. Diário Oficial, Brasília, 23 dez. 1996. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm

________. Ministério da Educação/Secretaria da Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para


a Educação de Jovens e Adultos, Resolução CNE n° 1/2000 de 5 de julho de 2000. Estabelece as Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação e Jovens e Adultos. Brasília/DF, 2000.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 2001.
CURITIBA, Secretaria Municipal da Educação. Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e
Adultos, Fase I. Curitiba, 2012.
FRAGO, Antonio Viñao. Oralidade e escrita: os paradoxos da alfabetização. In: Alfabetização na
sociedade e na história: vozes, palavras e textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993, p. 15-28.
textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993 FREIRE, Paulo– A importância do ato de ler: em três
artigos que se completam/ Paulo Freire. – São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1982.

_______, Paulo. Educação e Mudança. São Paulo: Paz e Terra, 1983. Commented [T4]: Não há nenhuma citação de Paulo Freire.
Aproveitem esses materiais para citarem no texto.

_______, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1989.


_______ Paulo Pedagogia do Oprimido. (1983). 13. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra. (Coleção O Mundo,
Hoje, v.21).
SCHWENDLER, Sonia Fátima. Educação e movimentos sociais: uma reflexão a partir da pedagogia do
oprimido. In: MIRANDA, S. G.; SCHWENDLER, S. F. (Eds). Educação do Campo em movimento: teoria e
prática cotidiana. Curitiba: Ed. UFPR, 2010. v. 1.