Você está na página 1de 11

7.

IMAGEM RADIOGRÁFICA

7.1 FORMAÇÃO DA IMAGEM apresenta índices de absorção de radiação bastante


diferenciados. Isso se dá pelo fato do corpo ser com-
posto por estruturas de diferentes espessuras e tam-
Na realização de um exame radiológico, a bém de diferentes números atômicos, o que lhes
partir da interação dos raios X com a matéria, a últi- confere diferentes graus de capacidade de interação
ma etapa da cadeia de obtenção de uma imagem ra- com a radiação. Sabemos, por exemplo, que para que
diográfica é o registro da imagem da anatomia de os ossos sejam penetrados por raios X, estes preci-
interesse sobre um elemento sensível à radiação. O sam ser de maior energia do que para a penetração de
elemento sensor, que será o filme radiográfico, está tecidos moles. Após a interação da radiação com as
posicionado atrás do paciente, dentro de um acessó- diferentes estruturas do corpo, emerge destas uma ra-
rio chamado chassi, que é colocado em uma gaveta diação cuja distribuição é diferente daquela que pene-
(porta-chassi), sob a mesa de exames. Para alguns ti- trou no corpo, devido ao fato de, no trajeto, haver
pos de exames, o chassi pode ser posicionado em su- transposto estruturas de características diferenciadas.
portes verticais acoplados ao Bucky vertical (grade A essa nova distribuição de energias que compõem o
antidifusora), ou ainda sob pacientes radiografados feixe, dá-se o nome de imagem aérea.
em leitos. A partir disso, podemos definir uma grande-
Uma vez que o filme radiográfico é pouco za bastante útil quando tratamos da produção de uma
sensível à radiação X, pois somente 5% dos fótons imagem. Essa grandeza é o que chamamos de con-
incidentes são absorvidos e contribuem para a forma- traste do sujeito e é dada pela relação que existe en-
ção da imagem, é necessário utilizar outro tipo de tre a intensidade de um feixe que sai de uma parte de
sensor para detectar e registrar a imagem formada pe- um objeto e outra intensidade, proveniente de outra
la radiação ao atravessar o paciente. Os melhores e- parte adjacente com maior capacidade de absorção
lementos de interação com a radiação são os fósforos desse feixe.
(elementos que convertem ondas eletromagnéticas de
diversas freqüências em luz). Porém os fósforos não corte transversal
do braço
têm “memória”, ou seja, não tem capacidade de re-
gistrar a imagem por um longo período. Por isso, um
acessório chamado de tela intensificadora, composta
de uma lâmina plástica recoberta com fósforo, é co-
Técnica: 50 kV
locada na frente do filme para converter a radiação X 80 mA
em luz. Assim, o filme é construído para ser sensível fótons
à luz, e não à radiação. Por esse motivo, o filme deve 300
ser protegido da luz para que não vele durante o ma- 200
nuseio, antes ou após o exame radiográfico. osso músculo
A seguir, vamos tratar da relação existente 100
entre o elemento sensor da radiação, o filme radio-
largura
gráfico, suas características construtivas e sua influ-
ência na produção de uma imagem com qualidade Fig. 7.1. Intensidade relativa do feixe de raios X
diagnóstica, bem como dos acessórios necessários ao após transpassar o paciente.
registro da imagem.
Podemos exemplificar o exposto comparando
as intensidades emergentes de estruturas como osso e
músculo. Se as duas intensidades tiverem uma rela-
7.2 IMAGEM AÉREA ção de magnitude entre si de 4 vezes, podemos dizer
que o contraste do sujeito terá o valor 4. Esse con-
traste do sujeito é afetado pelos fatores que influem
Ao tratarmos das aplicações médicas dos rai- na qualidade da radiação (tensão, tipo de ânodo, fil-
os X, devemos levar em conta que o corpo humano tração). A Figura 7.1 mostra um gráfico onde se pode

Núcleo de Tecnologia Clí nica © Copyright CEFET/SC


40 Parte 2 – RADIOGRAFIA CONVENCIONAL

notar as diferentes intensidades de um feixe que e- trigonométricas sobre a geometria da formação da


merge de estruturas distintas, no caso osso e músculo imagem e o tamanho do foco anódico. Usaremos a
do braço. Assim, existem alguns fatores de exposição figura 7.2 para equacionar o problema.
que afetam a imagem aérea, cujas influências serão Há uma relação entre os triângulos formados
sintetizadas a seguir. pelo dois raios X que saem de cada extremidade do
A tensão, a corrente, a distância focal e a foco anódico e passam pelo objeto, atingindo o filme.
forma de onda da tensão de alimentação do circuito Da trigonometria, podemos dizer que os dois triângu-
de alta tensão afetam diretamente a intensidade da los são semelhantes e por isso, seus lados são propor-
imagem aérea, mas quando alteramos os valores de cionais dois a dois. Porém, como não sabemos
corrente ou distância focal, o contraste do sujeito não exatamente a distância que percorrem estes raios en-
é alterado. Porém, quando aumentamos a tensão ou tre o foco e filme, podemos extrapolar e utilizar o tri-
modificamos a forma de onda, estamos modificando ângulo eqüilátero formado pelas alturas H (distância
a intensidade do feixe mas também o contraste do su- foco-paciente) e h (distância paciente-filme) e as
jeito. Dependendo do número de fases utilizadas nos bases F e P. Assim, podemos dizer que a base P do
transformadores associados ao equipamento, teremos triângulo está para a base F assim como a altura h
uma tensão mais ou menos constante para alimentar a está para a altura H. Matematicamente, temos a i-
ampola, o que afeta substancialmente a qualidade do gualdade das frações:
feixe gerado. P h
= , que pode ser equacionada para o
F H
cálculo da penumbra P:
7.3 CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS P = F ⋅h
H
Vejamos um exemplo para verificar qual a
Existem alguns fatores que influem na quali- real dimensão da penumbra num exame radiográfico:
dade de uma imagem radiográfica e que se relacio- seja um foco anódico com 2 mm de largura e um e-
nam com agentes externos ao filme. Um dos fatores xame realizado com distância foco-paciente de 100
que exercem influência na imagem é o que chama- cm e distância paciente-filme de 10 cm. Aplicando-se
mos de efeito penumbra e tem a ver com o tamanho a equação acima, temos:
do ponto focal. A sombra que aparece na imagem, ou 10 cm
a falta de definição entre o início de uma anatomia e P = 2 mm ⋅ P = 0,2 mm
100 cm
o término de outra, é, pois, uma conseqüência inevi-
Esta relação também vale para o cálculo do
tável do tamanho do foco.
borramento total causado pelo foco, ou seja, a área
do foco e a área da penumbra. Com o mesmo exem-
Foco plo anterior, se a área do foco anódico for de 4 mm2,
então:
10 cm P = 0,4 mm 2
P = 4 mm 2 ⋅
100 cm
DiFoPa H Logo, podemos perceber que cada ponto da
anatomia do paciente aparecerá na imagem radiográ-
fica com um tamanho mínimo de 0,4 mm2.

FOCO

DiPaFi
h

penumbra
OBJETO
Fig. 7.2. Relação trigonométrica entre o foco a-
nódico e a penumbra.
FILME
O tamanho geométrico da penumbra pode ser
calculado, permitindo assim, verificar-se previamente penumbra
a qualidade da imagem e a influência do foco anódi-
co. Para tanto, basta que utilizemos algumas relações Figura 7.3. Efeito penumbra no filme devido ao
tamanho do ponto focal.

© Copyright CEFET/SC Núcleo de Tecnologia Clí nica


IMAGEM RADIOGRÁFICA 41

Quando o tamanho do foco é pequeno, a i-


magem produzida tem o efeito penumbra fortemente
reduzido, conforme mostra a Figura 7.3. Por isso, que
muitos equipamentos fixos são vendidos com a op-
ção de dois focos, conhecidos por foco fino e foco
grosso. Este recurso dá opção ao técnico em escolher
a qualidade da imagem que quer produzir, com mais
ou menos detalhes.
Assim, além das características elétricas do
equipamento a ser adquirido, como tipo de alimenta-
ção e comandos disponíveis, o técnico também deve (a) (b)
se preocupar com o tamanho do foco anódico.

7.4 GRADE ANTIDIFUSORA

Como foi visto no capítulo anterior, a grade


antidifusora exerce um papel importante na produção
da imagem, na medida em que é projetada para ate-
nuar os efeitos da radiação secundária que chega ao
filme, causando um borramento adicional, com con-
seqüente perda de nitidez. Vamos analisar abaixo os
efeitos da má utilização de grades antidifusoras, tais
como o posicionamento incorreto do raio central do (c) (d)
feixe ou ainda da distância inadequada quando utili-
zadas grades focalizadas. Fig. 7.4. Posicionamento da grade: a) uso de gra-
de não focalizada na distância incorreta; b) grade
A figura 7.4(a) mostra um desfocalização
focalizada na distância correta; c) distância e ân-
causado pela utilização de grade paralela, onde se no- gulos corretos; d) ângulo incorreto.
ta um sombreamento não uniforme na imagem, pela
absorção dos raios que tendem a chegar ao filme de
forma não perpendicular a ele. Na Figura 7.4(b), ob-
servamos a correta utilização de uma grade dita 7.5 EFEITO ANÓDICO
focalizada, onde a distância focal recomendada pelo
fabricante foi observada, fazendo com que os raios
primários sejam paralelos às lâminas de chumbo da Um fator às vezes esquecido pelos técnicos é
grade. Esta inclinação das lâminas da grade são reali- a não uniformidade do feixe de radiação ao longo do
zadas para uma certa faixa de distância do cabeçote. eixo ânodo-cátodo (eixo longitudinal da mesa). Co-
Por exemplo, uma grade focalizada foi construída pa- nhecido por efeito anódico, esta deformidade na in-
ra uma distância entre 75 cm e 120 cm, se o cabeçote tensidade do feixe pode provocar a diminuição da
for colocada fora destes limites, a imagem radiogra- qualidade da imagem radiográfica. Como o efeito
fada será afetada da mesma forma como a apresenta- anódico irá resultar num contraste do sujeito diferen-
da na figura 7.4(a). ciado ao longo do eixo ânodo-cátodo, podemos con-
Já na Figura 7.4.(c) podemos observar a uti- siderar que este efeito altera a qualidade da imagem
lização correta da grade focalizada, pela colocação da aérea. A figura 1.5 nos esclarece que para distâncias
mesma na distância padrão, onde aparecem as som- de 1 metro do ponto focal, a diferença entre a inten-
bras uniformes, produzida pelo não paralelismo dos sidade de radiação de uma extremidade para outra
raios em relação às lâminas. Porém, com a Figura pode ser de até 40 %. A inclinação do ponto focal
7.4(d) nos é mostrado uma desfocagem causada pelo quando da confecção do ânodo irá influir na absorção
posicionamento da grade de forma não perpendicular da radiação produzida pelo próprio ânodo. Por isso,
ao feixe primário e a sombra não uniforme causada na aquisição de equipamentos novos, o técnico, além
por isto. Este erro normalmente só pode ocorrer após do tamanho do foco deverá se preocupar com o ângu-
a manutenção do equipamento pelo fabricante, pois o lo de construção deste ponto focal e informar-se so-
técnico em radiologia não tem acesso e nunca deve bre a redução da intensidade do feixe devido ao
mexer na grade ou em seu mecanismo. efeito anódico.

Núcleo de Tecnologia Clí nica © Copyright CEFET/SC


42 Parte 2 – RADIOGRAFIA CONVENCIONAL

7.6 EXERCÍCIOS
ânodo
eixo 1. Defina o que você entende por imagem
central aérea e quais os fatores que influem sobre ela.
absorção da 2. O que é contraste do sujeito?
radiação pelo
próprio ânodo 3. Qual a influência da grade antidifusora na
imagem aérea?
4. Como o posicionamento do paciente em
relação ao tubo influi na produção da imagem?
5. Qual a influência do tamanho do foco a-
nódico na imagem radiográfica?
80% 100% 120%
6. Para os dados abaixo, calcule a medida da
Figura 7.5. Efeito anódico.
penumbra em cada caso.
Para exemplificar, vamos utilizar uma radio- h F H P
grafia das vértebras torácicas (Fig. 7.6), onde o paci- a 8 cm 2,5 mm 95 cm
ente foi inicialmente posicionado com as vértebras b 10 cm 4 mm 90 cm
cervicais mais próximas do cátodo e as torácicas c 4 cm 3,2 mm 80 cm
mais próximas do ânodo. Observando as imagens d 12 cm 2 mm2 100 cm
podemos notar que as vértebras cervicais, mais finas e 10 cm 3 mm2 100 cm
e menos absorventes, receberam a porção mais inten- f 15 cm 1,5 mm2 80 cm
sa do feixe, tornando a imagem mais escura do lado
das cervicais e não mostrando adequadamente as vér- 7. Sobre a imagem aérea podemos dizer que:
tebras torácicas, objetivo inicial do exame.
a. sofre influência direta da tela intensificadora.
b. depende do paciente para ser criada.
c. é influenciada pela construção do cabeçote.
d. aparece após os fótons incidirem na tela inten-
sificadora.
e. depende da técnica para existir.

8. São fatores que influenciam no tamanho


da penumbra:
a. distâncias entre foco-paciente-filme, tamanho
do foco e largura da grade anti-difusora.
b. tamanho do foco, espessura da grade anti-
difusora e tipo de tela intensificadora.
c. distâncias entre foco-paciente-filme, tamanho
do foco e espessura da grade anti-difusora.
d. tamanho do foco, distâncias entre foco-
paciente-filme e tipo de tela intensificadora.
(a) (b) e. espessura da grade anti-difusora, distâncias en-
Figura 7.6. Radiografia torácica mostrando efeito tre foco-paciente-filme, tamanho do foco e qualidade
anódico: a) paciente posicionado erroneamente; da tela intensificadora.
b) paciente corretamente posicionado.
9. Se o foco dobrar de tamanho e a distância
Neste caso, o paciente deve ser colocado com paciente-filme reduzir a metade, a penumbra:
a cabeça (tórax) do lado do cátodo, e os pés (abdo-
me) do lado do ânodo. Isto é fácil de ser lembrado a. reduz a metade do tamanho inicial.
em exames de tórax ou abdome, porém o técnico de- b. quadruplica de tamanho em relação ao inicial.
ve-se lembrar quando for realizar radiografias de ex- c. dobra de tamanho em relação ao inicial.
tremidades ou do crânio, por exemplo. d. permanece com o mesmo tamanho.
e. reduz a 1/4 do tamanho inicial.

© Copyright CEFET/SC Núcleo de Tecnologia Clí nica


8. MESA DE COMANDO

8.1 ESTRUTURA

A mesa de comando é a parte do equipamen- 8.2 COMANDOS


to que permite ao técnico ter todo o controle da parte
elétrica do exame radiográfico a ser realizado. As
mesas podem ser complexas, com várias opções para
a escolha dos parâmetros, ou mais simples, onde tudo 8.2.1. Interruptor ligado/desligado
é automático e o técnico escolhe apenas um parâme-
tro da técnica. Os controles de liga/desliga possuem coman-
Basicamente, as mesas podem ser divididas dos independentes.
em 2 tipos:
• analógicas, com botões rotativos, chaves liga e
desliga e mostradores de ponteiros; ou ON

OFF

Figura 8.3. Botões liga/desliga típicos encontra-


dos em mesas de comandos.

Quando ligado, é imediatamente iluminada a


mesa e feito um check-up nos circuitos do gerador,
ao mesmo tempo que o foco grosso do dispositivo é
ativado (permite maior carga em maior tempo. Se o
operador desejar trabalhar com o foco fino, deverá
acionar o botão correspondente, mostrado na figura
Figura 8.1. Mesa de comando analógica. (Cortesia abaixo.
Hospital Reg. de Joinville).

• digitais, com botões de pressão suave e mostra-


dores digitais.
Foco Foco
grosso fino
Figura 8.4. Botões de foco fino e grosso.

8.2.2. Seletores de KV, mA e tempo

Dependendo do tipo de equipamento, pode-


mos ter controles de funções múltiplas, como segue:
• três comandos independentes; KV, mA, tempo;
• dois comandos, KV e mAs;
• um comando, KV;
• um código de programação, para valores de téc-
Figura 8.2. Mesa de comando digital. (Cortesia Clínica
nicas já memorizadas;
São Marcos – Joinville - SC).

Núcleo de Tecnolo
Tecnologia
gia Clí nica © Copyright CEFET/SC
44 Parte 2 – RADIOGRAFIA CONVENCIONAL

• botões de seleção de projeções radiográficas. dispositivo de disparo seja construído com um botão
Se a seleção é feita independentemente entre do tipo dois estágios. Esta obrigatoriedade vem em
mA e tempo, o operador precisa fazer cálculos men- prol da segurança do paciente, do técnico e do con-
tais, de maneira a adequar esses parâmetros quando trole total que o técnico deve ter sobre o equipamen-
aplicar uma determinada dose no paciente. to. Além do sistema de botão de dois estágios, exige-
Normalmente, em equipamentos que propor- se que o disparador seja solto no equipamento móvel,
cionam dois comandos (KV e mAs), o seletor permi- com cabo de 2 metros, no mínimo.
te variar a tensão de 1 em 1 KV, sendo que a seleção
de corrente é feita em passos de 30%. Em equipa-
mentos digitais, a seleção de KV e mAs é feita por
meio de códigos, dependendo do tipo de técnica em-
pregada.
Também temos disponíveis na mesa, o ampe-
rímetro e voltímetro, que medem a intensidade de
corrente e tensão utilizadas em determinada técnica.
repouso preparo disparo
Figura 8.5. Etapas do disparo do feixe.
8.3 REALIZAÇÃO DO EXAME
Em posição de preparação, estamos ativando
o circuito de filamento, responsável pelo controle da
produção de elétrons no filamento, que se torna in-
candescente. Quando pressionamos o botão superior,
8.3.1. Preparação do Exame
estamos preparando o equipamento para o disparo,
A primeira coisa que o técnico deve fazer, ou seja, começamos a girar o rotor e, conseqüente-
após chamar o paciente e identificar o exame a ser mente, o ânodo. Poucos segundos depois (1 ou 2 se-
realizado, é posicionar o paciente. Se o exame for re- gundos), o equipamento está pronto para o disparo,
alizado na mesa, o técnico coloca o chassi no porta- pois o ânodo precisa adquirir uma velocidade mínima
chassi, posiciona o paciente e ajusta o cabeçote para para isto poder acontecer. O disparo é feito ao pres-
que o feixe esteja alinhado com a anatomia a ser ra- sionarmos o botão totalmente, ouseja, ao acionar o
diografada e o filme. Se precisar, ajusta a colimação segundo estágio.
para que apenas a anatomia seja abrangida pelo cam-
po de irradiação. 8.3.3. Exposição
Se o exame for realizado no Bucky mural,
então o paciente fica de pé, e após colocar o filme no Na posição de exposição, o equipamento está
porta-chassi, o técnico ajusta o cabeçote, girando-o com seus circuitos de temporização e de alta tensão
90o. Em seguida, ajusta a colimação e se dirige para a ativados. Após decorrido o tempo pré-selecionado, os
mesa de comando. interruptores abrem os circuitos de alta tensão e tem-
porização. Qualquer tentativa de nova exposição (a-
livio do botão) antes de terminar o tempo pré-
8.3.2. Preparação de Exposição
selecionado, causa a interrupção da exposição. Nor-
O técnico deve sempre usar a técnica mais malmente, os tempos são curtos (milisegundos) e isto
adequada na realização do exame solicitado pelo me- se torna difícil de ocorrer, porém pode ocorrer em si-
dico. Isto implica em conhecer a altura e peso do pa- tuações de grande tempo de exposição (caso de pro-
ciente, a presença de algum implante ou sonda em jeção lateral de coluna lombar em adulto obeso). Os
seu corpo e o total conhecimento do aparelho, tela circuitos de exposição e temporização são indepen-
intensificadora e filme que se está utilizando no ser- dentes.
viço radiológico. O interruptor de exposição normalmente está
Uma vez determinada a melhor técnica para colocado no primário do transformador da alta tensão
o exame, o operador deve selecionar na mesa de co- (interruptor primário). Em alguns equipamentos pro-
mando a tensão, corrente e tempo de exposição. De- jetados para exposições repetitivas em curto tempo
pois, deve selecionar a utilização ou não de grade (angiografia), ele está colocado no circuito de alta-
antidifusora, ou Bucky mural, se for o caso. Depois tensão (interruptor secundário).
de conferir todos os parâmetros, o técnico está pronto O temporizador é composto por um circuito
para realizar o disparo. eletrônico, o que permite controlar o tempo de expo-
A legislação vigente no Brasil exige que o sição de uma maneira bastante precisa.

© Copyright CEFET/SC Núcleo de Tecnologia Clí nica


MESA DE COMANDO 45

8.4 PARÂMETROS DE EXPOSIÇÃO géticos, os elétrons podem interagir com um maior


número de átomos.
Resumindo, o controle de kV afeta:
Existem alguns fatores que influem direta- • a energia cinética (velocidade) dos elétrons pro-
mente na intensidade do feixe de fótons produzidos, duzidos pelo filamento;
ou seja, na qualidade e quantidade desse feixe ener- • o tipo de raio gerado (raios mais ou menos pene-
gético. É importante que o técnico consiga associar trantes), dependendo se o valor é alto ou baixo;
os comandos da mesa com as variações da técnica • a seleção da radiação de baixa ou alta energia
radiológica. (poder de penetração).
A exposição do paciente ao feixe de raios X
está condicionada, basicamente, a três parâmetros 95 kVp
principais, que irão definir a qualidade do feixe, a sa-

No de fótons
ber:

8.4.1. Corrente (mA)


80 kVp
Quando falamos em corrente elétrica influin-
do na intensidade de um feixe de radiação, estamos
nos referindo ao número de elétrons que são produzi-
dos no filamento e que serão acelerados em direção 25 50 75 keV
ao ânodo. Logicamente, quanto maior for o número Energia dos fótons
de elétrons disponíveis no cátodo, maior será o nú-
mero de interações que ocorrerão no ânodo e mais Figura 8.7. Variação da tensão na formação
denso será o feixe de fótons gerados. do feixe.

400 mA 8.4.3. Tempo de Exposição (s)


Número de fótons

O circuito que controla o tempo de exposição


é eletrônico e permite a seleção de tempos da ordem
de milisegundos com extensa faixa de variação. O
filamento muitas vezes fica ligado o tempo todo, pré-
200 mA aquecido. O ânodo giratório é ativado alguns segun-
dos antes da exposição. A radiação só ocorre mesmo
durante o tempo em que a ampola está sob a ação de
25 50 75 100 KeV dezenas de quilovolts. E este tempo é controlado com
Energia dos fótons precisão pelo circuito temporizador.
Figura 8.6. Variação da corrente na formação O aumento do tempo de exposição implica
do feixe. num aumento do tempo de radiação, o que produzirá
imagens mais escuras. A diminuição do tempo acar-
reta em imagens mais claras.
8.4.2. Tensão (kV)

Quando estudamos eletricidade, analisamos,


entre outros assuntos, o conceito de diferença de po-
tencial elétrico (tensão). O que acontece quando apli- 8.5 DOSE DE RADIAÇÃO
camos uma grande tensão a uma ampola é que
estamos aumentando a energia dos elétrons gerados
A dose de radiação é determinada pelo pro-
no filamento do cátodo. Dessa forma, esses elétrons,
duto da corrente pelo tempo e oferece muitas possibi-
ao chegarem ao ânodo, estarão com energia cinética
lidades, mediante a variação de mA e s.
suficiente para interagirem com os átomos do metal-
alvo e, através dos processos de interação, produzi-
Exemplo: Considere que numa determinada
rem radiação cujos fótons possuem energias desde
técnica temos mAs = 200. Poderíamos obter os mes-
poucos KeV até energias do nível daquelas dos elé-
mos 200 mAs, ou seja, sem alterar a dose no pacien-
trons incidentes. Da tensão aplicada, depende a má-
te, a partir da variação dos parâmetros relativos à
xima energia dos fótons gerados. Da mesma forma,
corrente e ao tempo, de forma que o produto mAs
através da tensão estamos alterando indiretamente o
permaneça constante, conforme mostra a tabela 2.
número de fótons gerados, por que sendo mais ener-

Núcleo de Tecnologia Clí nica © Copyright CEFET/SC


46 Parte 2 – RADIOGRAFIA CONVENCIONAL

Tabela 2: Constância no valor de dose com vari- Exemplo: Um exame selecionado para 70
ações sincronizadas de mA e s. kV, 100 mA e 0,12 s produz uma imagem borrada
por movimento. Devemos reduzir o tempo de exposi-
Corrente (mA) Tempo (s) mAs
ção para 0,004 s, qual o mA que mantém a dose no
200 1 200 paciente?
Solução: Como o produto mAs deve ser
400 0,5 200
mantido constante, temos que calcular o novo valor
800 0,25 200 de corrente que compense a redução do tempo. Para
2000 0,1 200 isto, temos:
100 mA x 0,12 s = 12 mAs
O exemplo a seguir mostra como podemos O produto 12 mAs é constante. Portanto, a
eliminar o efeito produzido pelo movimento do paci- corrente é a incógnita a ser calculada da seguinte
ente durante a exposição. Isto pode ocorrer, por e- forma:
xemplo, em exames feitos em crianças. Logicamente, I x 0,04 s = 12mAs logo,
isto pode ser obtido com a redução do tempo, como
mostra a solução do problema proposto. I = 0,012 / 0,04 = 0,3 A = 300 mA

8.6 SÍMBOLOS UTILIZADOS EM EQUIPAMENTOS RADIOLÓGICOS

Símbolo Significado Símbolo Significado


Ligado, para as conexões diretas com a
Radiografia direta
rede. Circuito primário

Desligado, para as conexões diretas com


Radiografia indireta
a rede. Circuito primário
Comutação adicional para funções se-
qüenciais e grupos de funções. Circuito Fluoroscopia - Radioscopia
secundário.
Comutação de preparo de funções se-
qüenciais ou grupo de função. Circuito Foco finíssimo
secundário.
Desconexão para funções seqüenciais ou
Foco fino
grupo de função. Circuito secundário.
Aumento ou redução de um va-
lor/grandeza de forma contínua. Controle Foco grosso
deslizante.
Aumento ou redução de um va-
lor/grandeza em etapas. Controle desli- Grade antidifusora fixa
zante.
Aumento ou redução de um va-
lor/grandeza de forma contínua. Controle Grade antidifusora móvel
giratório.
Aumento ou redução de um va-
lor/grandeza em etapas. Controle girató- Sem grade antidifusora (ou desligada)
rio
Aumento ou redução de um va-
Iluminação da área ou campo limitado por
lor/grandeza de forma contínua. Controle
um colimador tipo diafragma
giratório com desconexão definida

Colimador tipo diafragma de lâminas ou


Partida, início de movimento
multiplano (aberto)

© Copyright CEFET/SC Núcleo de Tecnologia Clí nica


MESA DE COMANDO 47

Símbolo Significado Símbolo Significado

Colimador tipo diafragma de lâminas ou


Parada, fim de movimento
multiplano (fechado)

Controle manual Colimador tipo diafragma circular (aberto)

Colimador tipo diafragma circular (fecha-


Controle automático
do)

Visor luminoso (linhas projetas sobre a


Chave de pedal mesa para posicionamento do pacien-
te/tubo)

Chave manual Tubo compressor

Comutação entre mesas de comando Sem tubo compressor

Compressão

Descompressão

8.7 EXERCÍCIOS

1. Quais são os principais comandos que


uma mesa de controle deve possuir?
2. Por que o botão de disparo da ampola
tem dois estágios?
3. Na qualidade da imagem, o que influi o
aumento da corrente e o aumento da tensão?
4. Quais são as medidas de segurança que
devem ser tomadas durante a realização de um exa-
me radiográfico?

Núcleo de Tecnologia Clí nica © Copyright CEFET/SC


48 Parte 2 – RADIOGRAFIA CONVENCIONAL

© Copyright CEFET/SC Núcleo de Tecnologia Clí nica


9. BIBLIOGRAFIA

BUSHONG, Stewart C. Radiologic science for technologists: physics, biology, and protection. 6 ed.
Mosby-Year Book, Inc. St. Louis 1997, 600 pp.
EISENBERG, Ronald L. Radiology: an illustrated history. Mosby-Year Book, Inc. St. Louis 1992, 606
pp.
HOXTER, Erwin A. Introdução a técnica radiográfica. Simens AG - Editora Edgard Blücher Ltda. São
Paulo 1977, 223 pp.

Manuais de fabricantes: Philips, Siemens, General Electric.

Núcleo de Tecnologia Clí nica © Copyright CEFET/SC