Você está na página 1de 125

Universidade Politécnica

A POLITÉCNICA

Escola Superior Aberta

GUIA DE ESTUDO
Direito Agrário
Curso de Ciencias Jurídicas
(7º Semestre)

Moçambique
FICHA TÉCNICA

Maputo, Fevereiro de 2016

© Série de Guias de Estudo para o Curso de Ciências


Jurídicas (Ensino a Distância).

Todos os direitos reservados à Universidade Politécnica

Título: Guia de Estudo de Direito Agrário


Edição: 1ª

Organização e Edição
Escola Superior Aberta (ESA)

Elaboração
Ademar Arlindo Gume Tembe (Conteúdo)
Ademar Arlindo Gume Tembe (Revisão Textual)
UNIDADES TEMÁTICAS

UNIDADE TEMÁTICA 1: Direito Agrário: Introdução,


Visão Geral, Conceito, História

UNIDADE TEMÁTICA 2: Objecto de Direito Agrário,


Fontes, Interpretação e Aplicação do Direito Agrário.
UNIDADE TEMÁTICA 3 Princípios do Direito Agrário.

UNIDADE TEMÁTICA 4 Questão Agrária em Moçambique

UNIDADE TEMÁTICA 5 Lei de Terras Regulamento Lei de


Terras

UNIDADE TEMÁTICA 6 Transmissibilidade da Terra


(Direito de uso e Aproveitamento da Terra.
UNIDADE TEMÁTICA 7 Anexo Técnico ao Regulamento
da Lei de Terras
APRESENTAÇÃO

Caro(a) estudante

Está nas suas mãos o Guia de Estudo da disciplina de Direito Agrário que
integra a grelha curricular do Curso de Licenciatura em Ciências Jurídicas
oferecido pela Universidade Politécnica na modalidade de Educação a
Distância.

Este guia tem por finalidade orientar os seus estudos individuais neste
semestre do curso. Ao estudar a disciplina de direito agrário, você irá
entender a questão agrária, legislação que rege a gestão de terras.

Este Guia de Estudo contempla textos introdutórios para situar o assunto


que será estudado; os objectivos específicos a serem alcançados ao
término de cada unidade temática, a indicação de textos como leituras
obrigatórias que você deve realizar; as diversas actividades que favorecem
a compreensão dos textos lidos e a chave de correcção das actividades
que lhe permite verificar se você está a compreender o que está a estudar.

Vai também encontrar no guia a indicação de leituras complementares, isto


é, indicações de outros textos, livros e materiais relacionados ao tema em
estudo, para ampliar as suas possibilidades de reflectir, investigar e
dialogar sobre aspectos do seu interesse.

Esta é a nossa proposta para o estudo de cada disciplina deste curso. Ao


recebê-la, sinta-se como um actor que se apropria de um texto para
expressar a sua inteligência, sensibilidade e emoção, pois você é também
o(a) autor(a) no processo da sua formação em Gestão de Recursos
humanos. Os seus estudos individuais, a partir destes guias, nos
conduzirão a muitos diálogos e a novos encontros.

A equipa de professores que se dedicou à elaboração, adaptação e


organização deste guia sente-se honrada em te-lo como interlocutor(a) em
constantes diálogos motivados por um interesse comum a educação de
pessoas e a melhoria contínua dos negócios, base para o aumento do
emprego e renda no país.

Seja muito bem vindo(a) ao nosso convívio.

A Equipa da ESA
Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TEMÁTICA 1

Introdução, Visão Geral, Conceito, História


Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos

Caro estudante! Sendo agricultura a bese de desenvolvimento deste


país, tornas-e necessário a existência na nossa faculdade da
disciplina de Direito agrário, forma a permitir que o futuro formado
entenda melhor a origem da legislação agrária, do pensamento
jurídico agrário.

Assim no fim desta unidade o estudante deve estar em condições de:


1. Ter uma consciência jurídico agrária;
2. Conhecer o conceito e origem do Direito agrário;
3. Principais escolas de direito agrário

Introdução

Em muitos países não existe direito agrário como ramo autónomo,


em Moçambique o direito agrário tem autonomia legislativa, científica
e didáctica.

O direito agrário visto ao longo dos tempos como direito de


propriedade rústica, veio a ser dominado por um outro conceito
jurídico: o direito à exploração agrícola. Esta substituição do
fundamento do Direito agrário - a exploração em vez de propriedade
- modificou toda fisionomia legislativa, e teve influência decisiva,
como não podia deixar de ser, na própria interpretação dos textos
legais.

Por outro lado, em seguida e como consequência daquela


substituição, o Direito passou, em grande medida, no campo do
Direito privado para o campo do Direito público.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 1


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

A vontade do mais forte deixou de ter livre campo de aplicação,


porque o Estado veio limitá-la e condicioná-la.

Como resultados da referida evolução, o sujeito do Direito agrário


deixou de ser exclusivamente o proprietário, para ser em princípio
aquele que, directa e efectivamente, explora a terra. O objecto do
Direito agrário deixou de ser a propriedade no sentido napoleónico,
para passar a ser a exploração agrícola, e a garantia dos direitos e
obrigações entre os vários intervenientes das relações jurídico-
agrárias deixou de estar totalmente entregue aos tribunais comuns,
para passar a estar, em parte, adstrita a jurisdições especializadas.

À traços muito largos, procurou esquematizar-se o que há de


essencial no Direito agrário de hoje.

O problema do arrendamento da propriedade rústica, nos seus


aspectos jurídicos, não poderia ser compreendido, sem que,
primeiramente, se fizesse menção ao ramo de Direito de que faz
parte.

Quando se diz que o proprietário deixou de ser o único sujeito de


direito agrário, para ser substituído pelo explorador, não se quer
dizer que o direito de propriedade tenha sido violado, na sua
essência e nos seus caracteres fundamentais. O que se pretende
frisar é uma realidade diversa- a que no campo da produção agrária,
o mero proprietário passou a ter influência secundária. Ficam lhe
reservados todos os direitos civis concernentes ao direito de
propriedade. Mas ao servir nas relações jurídico-agrárias, deixou de
poder ditar unilateralmente a sua vontade. Em contraposição, surgiu
o direito do explorador. E, porque este direito é o que em primeiro
lugar merece a contemplação da economia agrária, o império da lei
deve surgir, para resolver o conflito de interesses.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 2


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Deste modo, no Direito agrário moderno, a evolução legislativa veio


destruir a chamada autonomia da vontade individual ou arbítrio.

Como diz o professor Giorgio Del Vecchio, “no Direito agrário, como
qualquer outro campo, o individual e o social devem equilibrar-se,
porém sem violar os direitos fundamentais da pessoa humana. A
lendária paz dos campos deve ser uma paz operosa, e à obra dos
agricultores, iluminada pela técnica, deve corresponder a dos
legisladores, iluminada pela justiça”.

Quer dizer que o social fez a sua entrada no Direito agrário e,


juntamente com a economia, forçou a evolução.

Mas esta evolução não deve ser feita, sem que se respeitem os
quadros fundamentais duma determinada ordem jurídica.

Ressalvados os aspectos de revolução - e não é o caso de que


estamos a tratar, pode afirmar-se que, no campo do Direito, a
tradição não é uma palavra que vai desenvolver os fenómenos
jurídicos é um processo de séculos.

E assim, o progresso jurídico - agrário só é possível, no aspecto


evolutivo, mediante o enquadramento dos novos conceitos na
estrutura jurídica existente.

Quando o agricultor passa a figurar em primeiro plano nas relações


jurídico-agrárias, quando se entende que, como diz ainda Del
Vecchio, “a propriedade deve ser ordenada em tal modo que
conceda a todos o uso dos instrumentos de trabalho e dos meios de
produção, de maneira que ninguém seja excluído da actividade e
dos frutos que resultam dela, em razão da sua obra”, - isto não quer
dizer que se destruam as instituições e as figuras jurídicas em vigor.

Pelo contrário, tem o jurista, como trabalho, o de procurar o


enquadramento da evolução, nos esquemas pré-existentes.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 3


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Visão geral:

A – No primeiro período do desenvolvimento histórico, o homem se


encontrava integrado à natureza, sentindo-se parte dela, tendo na
colecta de frutos a base da sua subsistência.

Num segundo momento, organizado em tribos, visando a sua


protecção e sobrevivência, o homem passou a sentir a necessidade
de normas reguladoras da vida em grupos e, consequentemente, em
relação ao uso dos bens, em especial a terra. Escritos históricos
referentes a Moisés (Bíblia), sobre a terra prometida, indicam a
existência de regras relacionadas com o adequado cultivo e
aproveitamento da terra. O Decálogo de Moisés, relacionado à terra,
com regras para as 12 tribos.

O Código de Hamurabi, do povo babilônico, que data de 1.690 AC,


pode ser considerado o 1º código agrário da humanidade. Dos 280
parágrafos (artigos), 65 eram dedicados a questões agrárias, como o
cultivo, a distribuição e a conservação da terra, além de regras de
protecção a agricultores e pastores, e a protecção do produtor diante
de situações de intempéries (no caso de perda da lavoura, o
agricultor não pagava juros no ano respectivo e não pagava o credor
naquele ano). Além disso, o referido código traz as primeiras normas
de que se tem notícia na história, correlatas a normas ainda hoje
existentes, em relação à posse, usucapião, penhor e indemnização,
locação, seguro.

Lei das XII Tábuas (450 AC) – Esta norma histórica foi resultante da
luta entre patrícios e plebeus. Também continha regras de conteúdo
agrário, entre as quais a protecção ao possuidor e a usucapião.
Assim, diversos povos da antiguidade (hebreus, judeus e romanos)
também tinham regras de combate à concentração da terra. Reis
romanos foram mortos por tentarem a reforma agrária. No império

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 4


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

romano = lei Licínia, dos irmãos Gracco; Júlio César garantiu terra
para cidadãos pobres e veteranos de guerra. Tibério Gracco, através
da Lex Semprônia, em 133 a C, fixou regras sobre reforma agrária.
Historicamente, percebe-se a preocupação geral com a apropriação
da terra apenas em áreas necessárias ao uso e exploração (para a
efectiva produção). Agora, com a sociedade mais povoada, a
preocupação e as regras deveriam ser mais rigorosas neste sentido.
Fase histórica em que ocorre a separação do trabalho manual e
intelectual.

D – Civilização Inca (América espanhola). Trata-se de uma


civilização que foi praticamente dizimada com o processo de
ocupação europeu, ignorando e destruindo técnicas avançadas de
cultivo da terra, entre as quais a irrigação, a conservação e o uso do
solo apenas dentro do necessário, num profundo respeito à terra,
mesmo porque esta era considerada sagrada e o trabalho era em
comum.

– Na história mais recente, as experiências são bastante


diversificadas no que diz respeito à distribuição e uso da terra, e com
diferentes concepções sobre a sua função social. Na Argentina e no
Uruguai foram aprovados códigos agrários ainda no final do século
XIX. No século XX, multiplicaram-se as experiências de reforma
agrária pelo mundo afora, mesmo que com concepções totalmente
diferenciadas. Na Europa o modelo predominante é de pequena
empresa rural, com forte presença do cooperativismo. Modelo dos
EUA e o modelo cubano, com perspectivas bem diferentes.

História do Direito Agrário

Oficialmente, como ciência o nascimento do direito agrário ocorreu


em 1922 na Itália com o jurista Giangastone Bolla fundador da
Rivistta di dirrito agrario, que ordenou todo o material existente

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 5


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

na época, o que deu a esse ramo de Direito um rumo e seu


reconhecimento com ramo autónomo.

Em 1954 realizou se o I congresso de direito agrário, onde Bolla


divulgou os princípios doutrinários do novo direito.

Existem 2 etapas bem definidas na evolução de uma construção de


uma ciência para a construção de uma ciência para o direito
agrário, uma delas corresponde ao período clássico, situado entre
1922 e 1962, e outra corresponde ao período moderno, cuja a
primeira etapa se situa entre 1962 e 1998.

Período Clássico 1922 – 1962

Período Moderno 1962-1998.

No período clássico encontram-se 2 escolas nascidas sob o calor


da autonomia e especialidade do Direito agrário.

2.1 O período clássico do Direito Agrário.

Foi uma discussão iniciada por Giangastone Bolla e contestada


por Ageo Arcangeli. Teve o seu ponto culminante durante o
debate sustentado nas paginas da Rivista di Direto Agrario, entre
1928 e 1931, porém a projecção desta polêmica se manteve
durante toda primeira metade do século XX, com vigência em
muitas localidades onde a disputa se manteve viva.

As escolas poderiam ser identificadas com o nome dos seus


mestres Bolla e Arcangeli, ou pelas suas teses vinculadas
autonomia ou a especialidade da matéria.

A divisão das escolas clássicas se manteve por falta de provas,


princípios gerais próprios e exclusivos do direito agrário. Nesse
sentido aceitou se certa especialidade do direito privado, mas
nunca com características de autónomo.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 6


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Bolla, no primeiro da Rivistta di diritto agrario, no principio do


século passado em 1992, com extraordinária visão do futuro, aspira
estabelecer uma coordenação entre as normas com objectivo de
revisar os institutos antiquados, preparar os novos e conduzir a
unidade e princípios gerias tudo quanto esta disperso e dessa
forma contribuir para a formação da ciência. Realmente trata ele,
de impulsionar a teste autonomista seguindo critérios impelidos por
outras disciplinas, mas no seu caso, directamente inspirados em
teses de SCIALOJA em relação ao direito marítimo. Para o efeito
sustenta o tecnicismo da matéria, tecnicismo todo particular da
actividade agrária a especial função é a consequente disciplina dos
factores aplicáveis a produção agrícola (terra/capital) além da
peculiaridades de alguns institutos jurídicos, que levados à especial
economia adquirem uma condição própria, aconselha a não
retardar mas a investigação.

Trata-se de uma ideia primitiva, mas de grande alcance para a


época, porque a tarefa do agrário assim pensada, deve ser
necessariamente se vincular com sistemática da disciplina.

A tese de um direito agrário com possibilidade de se bastar a si


mesmo, dentro do seu próprio sistema, naturalmente teve
adversários os civilistas da época. De modo particular Ageo
Arcangeli, que combateu energicamente qualquer tipo de
autonomia da disciplina baseado em sustentar a unidade de direito
privado e em evitar, a este movimento natural, o surgimento de
quaisquer obstáculos.

De maneira especial, foi quem com maior clareza conceitual, e


sobretudo, ardor, chegou a formular obstáculo mais infranqueável a
qualquer tipo de autonomia porque defendeu a incapacidade dos
autonomistas para demonstrar a existência de princípios gerais de
direito agrário.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 7


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Bolla dizia: Não podemos demonstrar a existência de princípios


gerais de direito agrário que fossem próprios e exclusivos.

Da se a tarefa de reformulou a teste sobre a base da confluência


de elementos históricos, critérios económicos e motivos ideológicos,
e, dessa forma, começar a impulsionar a necessidade de iniciar a
construção de um sistema coerente, completo e orgânico.

Neste sentido, surge o abrir do capítulo de estudo das fontes do


direito agrário, mas na sua concepção, muito vinculada ao direito
romano e ao direito comparado.

Só consegue sustentar a importância do costume como forma de


manter o ambiente histórico e económico próprio do agrário.

Porém, agrega uma serie de critérios interessantes, tal é o caso da


necessidade de não recorrer as fontes distintas do direito agrário,
por isso implicaria a desnaturação do sistema sugerindo aplicar as
próprias fontes mesmo quando possuem categorias inferior em
relação as normas de disciplinas distintas.

Incorre também no tema dos contratos agrários, aos quais lhes dá


um tratamento especial pela importância cardinal dentro da
disciplina, porque eles oferecem particularidades próprias a matéria
desde a sua génese histórica até o desenvolvimento dessa época
como manifestação técnica económica do fenómeno produtivo,
encontrando certa tipicidade da causa consistente em proveito do
complexo unitário funcional, cuja estrutura e continuidade reflectem
todo o conjunto de direitos e obrigações, para Bolla, não é só o
objecto, é um bem definido por sua função.

Por essa razão, as partes contratantes têm a obrigação de se


conduzirem segundo as boas normas técnicas e do progresso, de
onde nascem as limitações aos direitos clássicos das pessoas, pois
deve se garantir a integração do fundus institutos quando

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 8


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

constitui a base da empresa agrária, em torno do qual giram os


demais factores de produção.

Mais tarde, chega ao cerne de sua constituição científica quando


afirma a existência do ius proprium da agricultura. Nesse sentido,
estuda o tema da produção. Bolla entende que todas as normas
referentes à agricultura têm um sentido teleológico relacionado com
o momento objectivo e subjectivo da actividade económica.

Tratando-se de edificar, sob o tecnicismo, em critério sistemático e


metodológico, para demonstrar a existência e completude do
sistema.

1.2 O Período Modernos do Direito Agrário

Período moderno identifica se com a figura de Antonio Carrozza.

A tradição da universidade de Pisa, onde se funda a primeira


Cátedra de Direito Agrário do Mundo.

Carroza converteu - se em director da rivista de dirrito agrario e


impulsiona toda uma linha de estudos de direito comprado.
Enfrenta toda uma serie de temas próprios da teoria geral e
também em conseguir as bases da nova ciência agrária,
impulsiona por sua vez, a criação de organizações com particular
destaque para a união mundial de universitários rurais.

Importa lembrar que Giangastone Bolla, morre em Florença em


1972.

O novo ponto de referência passou a ser PISA com Antonio


Carrozza. Este se converte em mentor dos defensores das causas
agrárias do mundo e em fundador da escola de PISA que tem a
vantagem de estar muito vinculada ao direito di dirritto agrario
internazional e comparato de Florença fundada por Bolla, onde

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 9


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

também ocorre o encontro com Emilio Romagnoli e outro ilustres


académicos.

Neste contexto surge uma grande quantidade de estudiosos de


todas as partes do mundo com a finalidade de buscar orientação
sobre as linhas do direito comparado internacional, junto a estes
estudiosos do Direito Agrário existem inúmeros idealistas da
disciplina distribuídos por todo o mundo cujo sonho tem sido
conseguir uma espécie de direito agrário ideal, que possa
representar um modelo, uma aspiração, uma finalidade do Direito.

A essa ideia tem - se respondido de diversas formas, segundo o


grau de evolução da cultura jurídica do direito agrário e segundo os
avanços alcançados em diversas etapas.

Carrozza é o fundador do modernismo do Direito Agrário seu


mérito foi de ter começado a difundir a necessidade de se ocupar
de certa teoria geral da matéria para iniciar sua construção
sistemática, e assim conseguir um fundamento geral.

Neste aspecto, aparentemente Carrozza constitui uma espécie de


fusão com a linha de Bolla, formulando os seguintes requisitos,
desde a partir de uma perspectiva moderna de maior projecção
científica.

Porém existem muitas particularidades próprias de sua visão do


futuro, cujos elementos os distanciam consideravelmente de Bolla,
apresentando-se, dessa forma, como gestor de um movimento
distinto.

Carrozza emocionalmente identifica se com a escola de Bolla, a


qual frequenta em Florença, como todos os teóricos da questão
agrária a da época, a respeito da escolha dos elementos levados
em consideração para início do processo constitutivo da nova
ciência

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 10


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Período moderno identifica se com a figura de Antonio Carrozza.

Ao contrário da sua junção jurídica acerca-se mais da linha de


Arcangeli porque Bolla é menos exigente.

A cultura de Carrozza sustenta indissolúvel o rigor de seu mestre


Funaioli, que o conduz baseando se numa linha de análise distinta,
mais vinculada a tradição romana e a elaboração civil. Isso se
evidência nos seus primeiros trabalhos referentes a MEZZADRIA e
as terras incultas.

Nesses pode-se descobrir uma linha metodológica sobre a qual vai


trabalhar durante toda sua vida e, inclusive, já se descobre na sua
projecção em relação a temas como os Institutos”, cujo
desenvolvimento também vai ocupar toda sua existência, porque
são tratados com extraordinária disciplina, buscando seu espírito,
tentando a sistemática é, sobretudo, inserindo-os na figura dos
institutos.

Superfície beneficiando com irrigação tiveram as obras realizadas


com recursos públicos, em atendimento aos agricultores comerciais,
que não tiveram de pagar esse enorme subsídio oculto.

Esse período volta a ilustrar a falta de aplicação do espírito da


legislação se converte em factor que dificulta a mudança social. As
leis eram praticamente as mesmas que as do período precedente,
mas os rumos políticos foram outros resultados finais foi a crise de
produção agropecuária e das relações sociais no campo. Crise que
teve início de maneira silenciosa em meados dos anos 70.

CONCEITOS DE DIREITO AGRÁRIO: (e denominação)

A maioria dos autores (agraristas) apresenta conceitos de Direito


Agrário, de formulação própria, além de relacionar uma série de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 11


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

conceitos de diversos autores nacionais e estrangeiros. Isto


demonstra a diversidade de enfoques sob os quais é visto o Direito
Agrário. Contudo muitos conceitos são limitados e incompletos, não
conseguindo alcançar a amplitude do conteúdo deste novo e
importante ramo do Direito. Conceito de Paulo Torminn Borges:
“Direito Agrário é o conjunto sistemático de normas jurídicas que
visam disciplinar as relações do homem com a terra, tendo em vista
o progresso social e económico do rurícola e o enriquecimento da
comunidade”.

Direito Agrário é o ramo do Direito que visa o estudo das relações


entre o homem e a propriedade rural.

Hoje o Direito Agrário acompanha a evolução do Direito Ambiental,


na medida em que vai sendo estudado sob as novas teorias
Geopolíticas. As formas hoje existentes de direito alternativas, vem
surgindo com a evolução de novas ideias e novos estudos
interdisciplinares. Trazendo da História e dos conhecimentos
Geográficos as ideias sobre a relação entre o Homem e a terra rural,
o próprio homem foi criando regras jurídicas para disciplinar seu
comportamento sobre o meio ambiente em que vive, para que utilize
da topografia regional de maneira adequada. À Luz da Geopolítica, o
Direito Agrário se inter relaciona primeiro com o Direito Ambiental e
depois com o Direito Territorial e o Direito Internacional

Direito Agrário é o conjunto de princípios e de normas que visam


disciplinar as relações jurídicas, económicas e sociais emergentes
das actividades agrárias, as empresas agrárias, a estrutura agrária e
a política agrária, objectivando alcançar a justiça social agrária e o
cumprimento da função social da terra. Como se pode observar, os
conceitos, em termos gerais, acabam tendo seus limites fixados pelo
próprio direito positivo agrário. Contudo, há interesses, dentro da
perspectiva do “dever ser”, que não estão inseridos no ordenamento

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 12


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

jurídico oficial. De qualquer forma, cabe ter presente a dinamicidade


do Direito, de forma que se trata de um processo de constante
construção, onde as verdades de hoje se encontram superadas pela
realidade prática do dia de amanhã.

Conceito de Paulo Torminn Borges: “

Direito Agrário é

O Conjunto sistemático de normas jurídicas que visam disciplinar as


relações do homem com a terra, tendo e m v i s t a o p r o g r e s s o
social e económico do rurícola e o
e n r i q u e c i m e n t o d a comunidade”. Conceito de Fernando P.
Sodero “

Direito Agrário é o conjunto de princípios e, de normas, de


Direito Público e de Direito Privado, que visa a disciplinar as
relações emergentes da actividade rural, com base na
função social da terra”.

Quanto a este conceito, cabe ressaltar que a dicotomia


entre Direito Público e Privado está superada pelas regras
actuais onde se evidencia a interdependência Além disso, o
Direito agrário, em seu conteúdo, vai além da regulação da
actividade agrária. Conceito de Raimundo Laranjeira: “

D i r e i t o A g r á r i o é o c o n j u n t o d e p r i n c í p i o s e normas que,
visando imprimir função social, à terra, regulam relações afeitas á
sua pertença e uso, e disciplinam a prática das explorações agrárias
e da conservação dos recursos naturais.”

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 13


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

3. AUTONOMIA DO DIREITO AGRÁRIO:

O que caracteriza a autonomia de um determinado ramo do


Direito? A autonomia não pode significar a completa
independência. O Direito Agrário não se rege apenas por normas
completamente agrárias. O que caracteriza o ordenamento jurídico
actual é a sua interdependência e relação, sob vários
aspectos, com os outros ramos do direito. Ainda
assim, alguns elementos caracterizam a
a u t o n o m i a d e u m determinado ramo do Direito. A autonomia
de um ramo jurídico se caracteriza sob os aspectos legislativo,
científico, didáctico e jurisdicional.

3.1. Autonomia Legislativa

A p a r t i r d e s t a possibilidade, estabeleceu-se um conjunto de


normas próprias (um corpo jurídico, m e s m o q u e n ã o e x a u s t i v o )
de conteúdo agrário que o identificam como ramo
próprio. Assim, a Lei de terras e, posteriormente, o seu regulamento
e as leis agrárias que regulam os dispositivos constitucionais, são
actualmente as principais referências legislativas do Direito Agrário e
que lhe conferem autonomia neste campo.

3.2. Autonomia científica:

Até o advento da autonomia legislativa vigoravam também para a


realidade agrária, as regras do Direito Civil, apesar das
características próprias das actividades agrárias. Contudo, a partir
de um arcabouço legal próprio e aproveitando-se das experiências
anteriores, inclusive das referências legais e
doutrinárias de outros países, construiu-se a

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 14


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

autonomia científica do Direito Agrário. Esta autonomia


baseia-se, então, num conjunto de princípios específicos. Diferentes
do direito civil e no conjunto de normas a disciplinar as atividades
agrárias, a pertença da, terra e apolítica Agrária Os princípios
do D. Agrário encontram-se inseridos na legislação agrária
existente, servindo de norte ao processo legislativo agrário
e á efectiva e correcta aplicação das leis. (orientam a
interpretação das normas). Actualmente, possuímos um
conjunto, além da doutrina que tem feito estudo
sistematizado do Direito Agrário, o que lhe garante autonomia
científica.

3.3. Autonomia didáctica:

Esta caracteriza-se pela existência de disciplina específica


de Direito Agrário nos estabelecimentos de ensino
superior (graduação, pós-graduação), tanto como
matéria obrigatória ou como complementar e electiva, de forma que
o conjunto de normas e princípios agraristas
recebem, desta forma, estudo e divulgação
especial como verdadeiro ramo autónomo do Direito.
A l é m d i s s o , o r g a n i s m o s nacionais e internacionais (ONGs) se
encarregam do estudo e divulgação da matéria jus-agrarista em
congressos, seminários, encontros de professores, etc.. As
obras doutrinárias que vem crescendo em volume e
qualidade, por sua vez reforçam autonomia didáctica e científica
permitindo o estudo sistematizado da matéria.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 15


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

3.4. Autonomia jurisdicional = justiça agrária. (bom ou ruim?)

Neste campo, nosso ordenamento jurídico ainda carece de


um passo a mais, no sentido de estruturar a justiça agrária, com
estrutura própria, especializada para as questões agrárias.
Apesar das propostas apresentadas neste sentido quando
da elaboração discussão

Para dirimir conflitos fundiários,

Entanto, a expressão proporá, apesar de ser uma


d e t e r m i n a ç ã o , continua vaga e não garante a estruturação
destas varas especializadas. A ideia de uma justiça agrária,
portanto, de definir critérios prévios e claros para o acesso ao
cargo de juiz agrário.

Leituras Complementares
BARROS Sérgio Resende. Autonomia do Direito Agrário Brasileiro.
Disponivel em www.srbarros.com.br acessado no dia 10 de Janeiro
de 2016.

BORGES, Paulo Torminn. Institutos básicos do Direito agrário.


São Paulo: Saraiva, 1994.

Freitas. Aurélio Marques Silveira. Concepções principiológicas do


Direito Agrário. Disponível em âmbito Jurídico .co. br acessado nos
deia 16 de Fevereiro de 2016.

Santiago, Emerson Direito Agrário disponível em


www.infoescola.com/direito/direito agrário acessado no dia 15 de
Fevereiro de 2016.

Tenorio. Igor Princípios gerais de Direito Agrário R, in legis.a.16 n.


62abr./junh 1979

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 16


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Actividades

A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade.


Resolva os exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou,
conferindo a sua resposta na Chave de Correcção no final do presente
Guia de Estudo.

Resolvas as seguintes questões


1. O Direito agrário como ciência do Direito teve a sua origem na
Itália Comente.
2. Quais são as escolas de Direito Agrário que estudou? E diga
a que Universidades estavam ligadas?
3. Direito Agrário é o conjunto de princípios e, de normas,
de Direito Público e de Direito Privado, que visa a
disciplinar as relações emergentes da atividade rural,
com base na função social da terra”. Comente.

4. O direito agrário e as normas agrarias surgiram em 1922?


Comente!

5. Refira-se a autonomia do direito agrário.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 17


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TEMÁTICA 2

Objecto do Direito Agrário, Fontes, Interpretação, Aplicação do


Direito Agrário e Natureza Jurídica Das Normas De Agrário:

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos

No fim desta unidade o estudante tem que ser capaz de


conhecer as Fontes do direito agrário.
Conhecer o objecto do direito agrário;
A aplicação deste ramo;

Objecto do Direito Agrário,

O objecto do Direito Agrário é mais do que as actividades agrárias. É


correcto dizer que os f a t o s j u r í d i c o s a g r á r i o s ( a c t i v i d a d e
agrária, estrutura agrária, empreendimento agrário,
política agrária) geram as relações jurídicas agrárias, objecto do
Direito Agrário.

Para alguns o elemento terra, também denominado de ruralidade,


seria central na definição do objecto do Direito Agrário. No entanto,
este elemento por si se torna estático e foge da dinamicidade
que caracteriza o direito agrário. Assim, o núcleo central do
Direito Agrário está nas actividades agrárias. Como bem lembra
Orlando Gomes, o objecto é o bem no qual incide o poder do sujeito
ou a prestação exigível. A s s i m , a terra com seus
condicionamentos restrições e obrigações de
u s o c onservação, faz parte do objecto do Direito Agrário. Quanto
ao conteúdo, este engloba o direito de propriedade

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 18


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

condicionado pelas obrigações referentes ao cumprimento da


função social da terra, nas suas diversas dimensões, englobando a
produtividade e a busca da justiça social. O Direito agrário tem como
objecto o estudo da actividade agrária e as relações jurídicas
desenvolvidas pelos sujeitos agrários.

“O objecto do Direito Agrário seriam, assim, os fatos


jurídicos que emergem do campo, consequência de
actividade agrária, de estrutura agrária, de empresa agrária
e da política agrária;

O que caracteriza a relação jurídica agrária.”

Trata-se, portanto do estudo das normas e questões atinentes às


actividades agrárias e aquelas que regulam os direitos e
obrigações sobre o próprio elemento terra. O Direito Agrário
regula as actividades agrárias de produção, extra cção
conservação, além de actividades conexas. Contudo, os contornos
ou limites de alcance do que se denomina de direito agrário não são
totalmente nítidos, mas o elemento ruralidade é fundamental,
englobando a ideia de espaço fundiário, onde se deve desenvolver a
actividade de produção e de conservação dos recursos
naturais. Nem tudo o que ocorre ou se desenvolve no espaço
rural é de conteúdo agrário.

2.2 Fontes, Interpretação e Aplicação do Direito Agrário e

Quanto às fontes do Direito Agrário, valem as regas gerais


de qualquer ramo do D i r e i t o , A s s i m , a g r a n d e f o n t e
material (a fonte primeira) e motivadora da
elaboração e aplicação das normas é a realidade
social agrária, englobando a estrutura agrária, as
concepções de direito de propriedade, as carências sociais, a
consciência popular traduzida em reivindicações, etc. As fontes
Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 19
Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

formais tem como referência principal as leis de conteúdo agrário, e


entre estas, como já mencionado, a indicação maior está no
texto constitucional, em vários de seus dispositivos Da mesma
forma, como ocorre em outros ramos do direito, o Direito Agrário
também se serve de elementos secundários para preencher
as lacunas da lei, recorrendo á analogia, aos costumes e aos
princípios gerais. Os costumes acabam tendo grande importância na
fixação do conteúdo das relações agrárias. Resta observar que, em
qualquer circunstância, a lei, de natureza cogente, se sobrepõe aos
costumes.

Neste s e n t i d o , o Direito. Agrário traz dispositivos


e x p r e s s o s n o s e n t i d o d e e s t a b e l e c e r a irrenunciabilidade
de direitos e obrigações que visam proteger a parte mais fraca na
relação jurídica agrária, além de cláusulas obrigatórias e
irrenunciáveis referentes à conservação dos recursos naturais.

2.2.1A doutrina e a jurisprudência

Também são utilizadas na interpretação das leis, na sua


actualização diante da dinamicidade dos fa ctos da realidade
social, devendo, p o r é m estar direccionadas para o
alcance da justiça social e o cumprimento da função
social da terra, que são as referências centrais dos
objectivos do Direito Agrário e do interesse da
colectividade.

2.3Interpretação

A interpretação não se confunde com a integração da lei. Enquanto


a integração é mecanismo supletivo da lei, por ela ser omissa, na
interpretação existe a lei a ser aplicada no concreto, sendo ela o

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 20


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

procedimento de revelação do significado e do verdadeiro sentido a


norma. Assim a interpretação tem por finalidade: a) revelar o sentido
da norma; e b) revelar seu alcance.

Quanto à interpretação da lei, para se chegar a seu


alcance e melhor sentido dentro da realidade
c o n c r e t a , u t i l i z a m - s e d a s f o r m a s comuns a outros ramos do
Direito: a interpretação gramatical, lógico-sistemática, histórica e a
sociológica.

2.4 Natureza Jurídica Das Normas De Agrário:

Alguns autores, ao definir o D. Agrário, indicam tratar-se de


conjunto de normas de direito público e de direito privado. No
entanto, esta dicotomia é cada vez menos evidente. O que se
percebe é a ocorrência de uma crescente interdisciplinaridade, de
forma que o direito privado possui inúmeras normas de
ordem pública, e vice-versa. H á u m e n t r o s a m e n t o p e r f e i t o
e n t r e o s d o i s g r a n d e s r a m o s d o d i r e i t o . O u t r o s autores,
seguindo a moderna doutrina, preferem dizer que o Direito Agrário,
assim como outros ramos, compõe-se de normas imperativas
(cogentes) e normas dispositivas (supletivas, permitindo nestas
últimas o exercício da autonomia privada. É possível d i z e r q u e o
Direito Agrário caracteriza -se pela predominância de
normas de ordem pública, tese esta reforçada pelos
dispositivos constitucionais referentes à política agrária e á função
social da terra.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 21


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

2.4 Relação do Direito Agrário com Outros Ramos do Direito

Todos os ramos do direito tem um tronco comum, que é o direito, o


direito é um fenómeno humano e social, pois onde há sociedade há
direito, onde há direito há sociedade.

Segundo Flávia Silva o direito agrário relaciona-se que com os


seguinte ramos:

2.4.1 Direito Internacional Público

Procura definir os interesses comuns entre os Estados, com


objectivo de melhorar a convivência entre os povos da terra.

A relação com o direito agrário, dá se principalmente através de


agências como a FAO, ligada ONU, trata de assuntos pertinentes à
alimentação e à agricultura.

Esta relação torna-se evidente frente as terras agriculturas


existentes no mundo e a necessidade de sua conservação para
melhor produzir alimentos a humanidade.

2.4.2 Direito Constitucional

A constituição de um país define a sua politica agrária, em relação


a propriedade da terra rural, garante o acesso a terra, define a sua
propriedade, com a distribuição das terras cria diretrizes para o
desenvolvimento agrário de um determinado país.

2.4.3 Direito Comercial

Sua relação da se pela comercialização da produção agrária,


armazenamento dos produtos agrícolas, credito rural, seguro

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 22


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

agrícola, pois há empreendimentos agrários e implantação de agro-


indústrias.

2.4.4 Direito Internacional Privado

Aqui seu objectivo é regular as relações entre as pessoas e seus


interesses, em função do deslocamento de um país para o outro.

Envolve, portanto, pessoas físicas, jurídicas ou estrangeiras, no


qual o direito agrário se beneficia com venda de imóvel rural e a
comercialização a imigrantes estrangeiros.

2.4.5 Direito de Trabalho

Sua relação dá-se com o trabalho rural. Os doutrinadores se


dividem em relação ao trabalhador rural, no que concerne sua
regulamentação, se é direito de trabalho ou direito agrário.

Existe o Direito sindical para o trabalhador rural, que regula as


entidades representativas dos trabalhadores rurais.

2.4.6 Direito Administrativo

O direito administrativo instrumentaliza a política agrária que se


pretende implantar, regulando a organização e actividade agrária.

Vários órgãos da administração pública que cuidam da reforma


agrária.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 23


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

2.4.7 Direito civil

Este é o que mais se relaciona com o direito agrário, pois no direito


das obrigações há relação com os contratos agrários; no direito das
coisas há relação com o imóvel rural;

2.4. 8 Direito Penal

Sua relação dá se com a danificação dos prédios rurais, usurpação


das águas, roubo e furto de gado e outras infrações penais.

Leituras Complementares

BIDART, A.G. Princípios de direito agrário. Brasília:


CNPq/Fundação Petrônio Portella/Círculo do Livro jurídico. 1983.

BORGES, Paulo Torminn. Institutos básicos do Direito agrário.


São Paulo: Saraiva, 1994.

JÚNIOR, Vicente Gonçalves de Araújo. Direito agrário – doutrina,


jurisprudência e modelos.1ª Ed. Belo Horizonte: Inédita, 2002.

BIDART, A.G. Princípios de direito agrário. Brasília:


CNPq/Fundação Petrônio Portella/Círculo do Livro jurídico. 1983.

Actividades

A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade.


Resolva os exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou,
conferindo a sua resposta na Chave de Correcção no final do presente
Guia de Estudo.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 24


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Resolva as seguintes questões

1. O objecto do Direito. Agrário é mais do que as actividades


agrárias. É correcto dizer que os fatos jurídicos
agrários (actividade agrária, estrutura agrária,
empreendimento agrário, política agrária) geram as
relações jurídicas agrárias, objecto do Direito Agrário.
Comente.
2. Refira-se a relação entre direito agrário e Direito civil.
3. Direito agrário é um ramo de Direito público. Comente
4. A interpretação não se confunde com a integração da lei.
Porquê?

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 25


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TEMÁTICA 3

PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos

No fim desta unidade o estudante deve ser capaz de:

Entender os princípios que regem o direito agrário.


Conhecer os valores axiológicos que este ramo pretende
defender de forma a permitir uma melhor interpretação das
normas jurídicas agrárias

A indagação de princípios tem por sede o tema da autonomia. Refere Cretella Júnior
que um ramo do direito é autónomo, quando tem objeto próprio, institutos próprios,
método próprio e princípios informativos próprios (cf. CRETELLA JÚNIOR, José,
Curso de Direito Administrativo, 9. ed., Rio de Janeiro, Forense, 1987, p. 13). Em
certos casos, sobretudo quando se trata de mera setorização disciplinar (por exemplo,
um ramo do direito) e não de uma das ciências autóctones (por exemplo, o direito),
pode-se duvidar da possibilidade de existir – e, portanto, da necessidade de exigir – o
método próprio. Porém, quanto ao resto, não há dúvida de que uma disciplina
científica somente chega à sua autonomia, quando alcança o seu próprio Objeto
Material e Formal, analisando dentro de seu objecto material os seus Institutos
Originais, que aí surgem de forma espontânea e natural, para sintetizar dentro de seu
objeto formal os seus Princípios Gerais, que informam os institutos de uma disciplina
superior, não mais espontânea e original, mas cultivada e imposta pelo homem.
Assim, a complementação da autonomia de um ramo jurídico (por exemplo, o direito
agrário) inclui a elaboração de seus princípios gerais próprios, que o informem como

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 26


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

disciplina jurídica dotada de especialidade. Daí, que a tais princípios chamo


"Específicos", se bem que Cretella Júnior os prefira qualificar de "Setoriais" (cf.
CRETELLA JÚNIOR, José. ob. cit., p. 14-5).

Irrelevante o nome, importa o valor. Os princípios sectoriais valem para comunicar a


um sector científico (por exemplo, o direito agrário) uma diferença específica que lhe
completa a emancipação. Servem para transformar um ramo de uma ciência em
disciplina científica.

Assim, para a génese de uma disciplina jurídica a partir do surgimento de um ramo


jurídico, como o direito agrário, a sua autonomia se resolve, quando se desenvolve a
sua principiologia.

3.1 A PRINCIPIOLOGIA

A principiologia é o estudo dos princípios. Também se chama assim o conjunto dos


princípios estudados. Cada ciência tem a sua principiologia. Igualmente, cada sector
disciplinar, dentro de uma ciência. Se não, o sector será um ramo inacabado dessa
ciência, porque lhe falta disciplina própria.

Logo, para completar-se como disciplina autónoma, deve o direito agrário desenvolver
a sua Principiologia Agrária. Caso contrário, será ramo jurídico em emancipação, mas
não ainda emancipado como disciplina jurídica. Aqui se vê a importância da
principiologia. Não para o direito agrário, apenas. Mas para o aperfeiçoamento de
qualquer ramo jurídico.

Em si mesma, a principiologia é um sector disciplinar da lógica. É um ramo da lógica.


Como sector científico diferenciado em disciplina científica, tem a principiologia os
seus próprios princípios, os seus próprios institutos e o seu objecto próprio. Como
ocorre com qualquer ciência ou sector científico, pelo seu objecto ela se define:
principiologia é (tem por objecto) a ordenação lógica (objecto normal) dos princípios
(objecto material). Um de seus princípios é o da hierarquia dos princípios, que devem

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 27


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

escalonar-se por subsunção lógica de uns pelos outros, gerando a hierarquia: a


assunção lógica de um princípio sobre outros. Um de seus institutos é o princípio
primordial, aquele que subsume os demais princípios em uma dada ordem lógica.

Portanto, materialmente a principiologia estuda os princípios, vendo-os sob a óptica


formal de sua ordenação lógica conforme, inclusive, com um princípio de hierarquia
culminante num princípio primordial. Daí, para desenvolver a sua própria
principiologia, deve o direito agrário estudar materialmente e formalmente os seus
princípios, generalizando-os gradativamente em hierarquia até o seu princípio
primordial. Somente assim o direito agrário se terá disciplinado e poderá disciplinar.
Estará em ordem para ordenar. O quê? Os institutos presentes e vindouros no seu
objecto. Somente assim o direito agrário será uma disciplina jurídica. Terá ordenado
ex origine, e por isso estará em condições de ordenar ad finem, os seus institutos. A
partir dos institutos originados na prática do seu objecto, terá teorizado os seus
princípios. Assim, estará em condições de praticar esses princípios sobre os novos
institutos que criar ou surgirem no seu objecto, o qual ficará assim claramente –
porque disciplinadamente – definido na sua forma e no seu conteúdo material.
Somente assim será o direito agrário visto como autonomia, porque serão vistos com
clareza, e ele terá construído com método, os seus princípios conforme seus
institutos, e vice-versa, dentro do seu objecto.

Principiemos, pois, a ordenação dos princípios agrários, numa contribuição para


assegurar a autonomia do direito agrário. Mas principiemos metodicamente pelos
princípios, sua definição e sua classificação.

Princípio é aquilo de que algo procede de algum modo. Golfredo Telles Júnior, (in
Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limonad, s/d, 2º Tomo, p. 256), define ser
princípio aquilo de que algo, de qualquer maneira, procede ou resulta. Esse conceito
reproduz o de Tomás de Aquino: principium est id omne a quo aliquid procedit ...
quocumque modo in Summa Theologica, p. I, q. 45, a.2). Não há o que inovar.

Aquilo que vem do princípio se chama principiado (ou derivado). Este procede
daquele: é a relação de procedência do principiado a partir do princípio. Aquele

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 28


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

procede a este: é a relação de precedência do princípio sobre o principiado. Entre


ambos se estabelece, pois, uma correlação. Conforme o modo dessa correlação, um
princípio será um simples começo ou uma causa.]

Se a correlação se processa por mera sucessão ou continuação de um ser pelo outro,


aí se caracteriza um simples começo, que não é propriamente um princípio em sentido
estrito, embora se inclua entre os princípios em sentido lato. Por exemplo, quando se
diz que tal ponto é o princípio de tal linha, que a segunda-feira é o princípio da
semana útil, que a aurora é o princípio do dia, enunciam-se princípios que são simples
começos.

Porém, se a correlação se processa por determinação causal de um ser pelo outro, aí


se caracteriza o princípio propriamente dito, na estrita acepção do termo.

Contudo, na correlação causal, algo pode determinar algo por quatro relações
básicas: ou sendo o seu agente (relação eficiente), ou sendo a sua matéria (relação
material), ou sendo a sua forma (relação formal), ou sendo o seu fim (relação
finalística). Daí, que a causas básicas determinantes de um fenómeno sejam quatro: a
causa eficiente, a causa material, a causa formal, a causa final. Via de consequência,
- já que os princípios em sentido estrito são princípios causais, correspondendo às
causas principais de um efeito, - tais eles quais estas se especificam nessas quatro
espécies básicas: princípios eficientes, princípios materiais, princípios formais,
princípios finais, sendo estes últimos também chamados princípios teleológicos. Por
exemplo, no âmbito do direito constitucional: o poder constituinte é o princípio do
direito constitucional positivo (causa eficiente); a constituição é o princípio das leis
(causa formal); a constituição contém em princípio os direitos fundamentais (causa
material); a constituição busca o controle do poder (causa final). Igualmente, no
âmbito do direito agrário ocorrem princípios materiais, formais, eficientes, finais ou
teológicos. Exemplos: a lei agrária alcança em princípio todas as relações de
produção agropecuária (princípio material); a lei agrária impõe por princípio um
módulo mínimo à subdivisão da terra (princípio formal), a lei agrária gera em princípio
a fixação do homem no campo (princípio eficiente); a lei agrária busca, por princípio, a

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 29


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

promoção social do homem agrícola (princípio final, ou teleológico).

Como se vê acima, aí estão princípios que são causas. Ora, algo pode ser causa de
algo, ou participando intrinsecamente de sua constituição (como matéria ou forma), ou
participando extrinsecamente de sua produção (como agente ou fim). Logo, os
princípios se classificam em princípios de constituição, referentes à causa material e à
causa formal, e princípios de produção, referentes à causa eficiente e à causa final.
Os princípios de constituição são também chamados intrínsecos. Os princípios de
produção, extrínsecos. Os primeiros são principia essendi. Os segundos são principia
faciendi. Estes são factores. Aqueles são fatos.

Observe-se, porém, que o fato produzido por um factor pode tornar-se factor de
produção de outro fato. O efeito de uma causa pode ser causa de outro efeito. Por
exemplo, o módulo rural é o fato (efeito) da lei agrária, mas é factor (causa) da justiça
social agrária. Dessarte, o módulo rural é um intermediário entre a lei e a justiça, um
meio pelo qual a lei chega à justiça. Por isso, ele tem duas facetas: de um lado, é fato
constituído pela lei; de outro lado, é factor constituinte da justiça. E, já que um fato
pode ser fator de um outro fato, um princípio de constituição pode tornar-se princípio
de produção numa outra relação. Ainda exemplo, o módulo rural. Na relação do
legislador soberano com o sujeito súdito, ele é um princípio de constituição do direito,
porque – obedecido o módulo – aí se principia a constituir-se o direito do sujeito, que
se completará pelo provimento de outras condições jurídicas. Porém, desobedecido o
módulo, aí se constitui o direito, mesmo se providas outras condições. Já na relação
desse sujeito com os demais sujeitos súditos, ele é um princípio de produção da
justiça, porque – obedecido o módulo – aí se principia a produzir a justiça social entre
eles, a qual se completará pelo provimento de outras condições juridicamente
pressupostas como suficientes para esse fim. Porém, desobedecido o módulo, aí se
pressupõe não produzir-se a justiça, mesmo se providas outras condições
pressupostas. Portanto, o módulo rural é um princípio de constituição do direito em
função da produção da justiça social. É um principium essendi do direito. É um
principium faciendi da justiça. É um esse ad fecere.

Outrossim, quando se enuncia uma causa necessariamente constante no processo de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 30


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

constituição e produção de um efeito, aí se revela uma lei. Pelo que, em seu


enunciado, os princípios são leis. São as leis principais.

Por outro lado, uma causa pode constar da constituição ou produção de um efeito por
necessidade natural ou por necessidade cultural. Quer dizer: o efeito é necessário, ou
porque não pode deixar de ser o que é conforme a acção da natureza (necessidade
natural), ou porque não pode deixar de ser o que deve ser conforme os fins humanos
compostos com a acção da natureza (necessidade cultural). Pelo que, as leis –
inclusive as leis principais ou princípios – exprimem relações que são necessárias ex
natura ou ad culturam. Daí, que existem princípios naturais (do ser) e princípios
culturais (de dever).

Evidentemente, de ser o direito um processo cultural decorre que, em todos os seus


ramos e, entre eles, o direito agrário, os seus princípios se enunciam em termos de
dever: são princípios culturais. São leis humanas. Exprimem as principais causas em
que se empenha a humanidade, não acidentalmente, mas necessariamente em
função de produzir o homem pelo homem em sociedade: é a função social. A magna
função. Tão magna, que as causas nela empenhadas devem desempenhá-la
necessariamente; e não meramente podem desempenhá-la por acidente.

A propósito, observe-se que as causas podem empenhar-se num efeito, causando-o


de dois modos: ou acidentalmente, em caso particular que não se repete mais, senão
novamente por acidente; ou essencialmente, em todos os casos que se repetirem
daquele fenómeno conforme a sua essência natural ou cultural. Daí, que as causas –
como os princípios a elas correspondentes – podem ser acidentais ou essenciais,
sendo estas últimas também chamadas necessárias, eis que decorrem da
necessidade natural (leis naturais) ou da necessidade cultural (leis humanas
compostas com leis naturais). A causa essencial está predisposta a produzir o seu
efeito, o que torna o evento de algum modo previsível. A causa produz o seu efeito por
acidente do destino, mas sem destinação predispostas, o que faz o evento de algum
modo imprevisível. Exemplo: a seca matou a árvore (causa natural necessária); o raio
matou a árvore (causa natural acidental); o lenhador cortou a árvore (causa cultural

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 31


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

necessária); o jardineiro cortou a árvore (causa cultural acidental).

Facilmente se entende, agora, que nos institutos jurídicos agrários (como o módulo
rural, a propriedade familiar e outros) se encontram princípios essenciais – causas
previstas como necessárias – para constituir o direito agrário e produzir a justiça social
agrária.

3.2 – OS PRINCÍPIOS GERAIS

A causa acidental produz o fenómeno esporadicamente e aleatoriamente: uma vez só,


ou outra, incertamente, precariamente. Por isso, as causas acidentais não são
passíveis de generalização, senão de alguma generalização incerta e precária. Já as
causas essenciais, por serem necessárias, estão sempre presentes, quando o
fenómeno ocorre por sua necessidade natural de ser ou por sua necessidade cultural
de dever ser. Daí, que a causas essenciais, aparecendo com todos os casos em que o
fenómeno se constitui por sua lei natural ou se produz conforme sua lei cultural, são
por isso generalizadas e generalizáveis. São as causas genéricas do fenómeno. São
os seus princípios gerais. Assim, posso dizer que a seca e a extracção de lenha são
princípios gerais de morte das árvores. Mas o mesmo não posso dizer da tempestade
e da jardinagem. Afirmo que o lenhador, por princípio, em geral, derruba árvores. Mas
o mesmo não se pode afirmar do jardineiro, do raio, do vento e de outras causas
acidentais que, eventualmente, derrubam árvores. Pelo que, no lenhador tenho um
princípio geral de derrubada de árvores. Nos outros casos, acidentais, não. Outros
exemplos: o calor é um princípio geral de dilatação: o amor é um princípio geral de
felicidade; o desporto é um princípio geral de saúde; a eleição dos governantes pelos
governados é um princípio geral de democracia: a disciplina é um princípio geral de
eficiência.

Assim sendo, num determinado processo cultural, desprezadas eventuais causas


acidentais, os seus princípios gerais são as suas causas essenciais, generalizáveis
porque necessárias.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 32


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

O direito agrário regulamenta no seu objecto formal certos processos culturais que
estão no seu objecto material, como a divisão racional da terra rural e a fixação do
homem no campo. Daí, que os submete a certos princípios gerais. Veja-se. O módulo
rural é um princípio geral de divisão racional da terra rural. Enunciando: a terra rural
deve ser dividida com observância do módulo rural. A propriedade familiar é um
princípio geral de fixação do homem no campo. Enunciando: o homem deve ser fixado
no campo por observância da propriedade familiar, isto é, mediante esta. Assim por
diante, cada processo cultural agrário tem os seus princípios gerais. Assim também, a
cada instituto jurídico agrário corresponde, no mínimo, um princípio geral agrário,
específico dele. O princípio é informado pelo instituto na sua origem, para informar
depois na sua destinação.

Tais princípios gerais correlativos aos institutos e processos jurídicos podem ser
materiais, formais, eficientes, finais. Exemplos: a escola rural (que é um instituto
jurídico agrário) é um princípio eficiente de cultura rural: a terra rural (que é um
instituto jurídico agrário) é um princípio material de cultura rural; o módulo rural (que é
um instituto jurídico agrário) é um princípio formal de cultura rural; a colonização rural
(que é um instituto jurídico agrário) é um princípio final ou teleológico de cultura rural.
De propósito, frisei repetitivamente esses exemplos. Eles, como outras passagens
acima, mostram que o direito agrário tem os seus institutos e dos seus princípios.
Desde já, assim, abre-se vista para a sua autonomia, que melhor se enxergará com o
seguir deste trabalho principiológico.

Por ora, - além de alguns princípios já atrás aventados, como o princípio da


modulação rural, o da fixação do homem no campo, o da promoção social do homem
agrícola, o da escolarização rural, o da colonização rural, - basta percorrer o Estatuto
da Terra para ver, à evidência do texto, que o direito agrário brasileiro tem os seus
princípios gerais, correspondentes ao seus institutos e processos culturais. Por
exemplo, alguns outros: princípio de isonomia de acesso à terra rural, princípio da
função social da terra rural, princípio da posse pelas comunidades de terras rurais,
princípio de combate ao minifúndio e ao latifúndio), princípio de exploração racional da
terra rural (art. 27 da LTM, c), princípio da recuperação regional (art. 18, d), princípio
da hierarquia das medidas (art. 34, IV), princípio do zoneamento rural (art. 7 e 8 da

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 33


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

LTM), princípio da priorização de áreas (art. Art. 7 e 8), princípio do cooperativismo


rural), princípio do cadastramento rural (art. 5 da LTM e segs.), princípio da
mecanização agrícola, princípio da garantia de preços mínimos, princípio da
assistência creditícia, princípio da tecnificação do crédito rural, e muitos outros. Cabe
aos agraristas enunciar em tempos de dever esses citados princípios gerais; e outros
que extraírem e abstraírem das normas agrárias. Essa tarefa principiológica é
imprescindível ao arremate da autonomia do direito agrário.

3.3 A ORIGEM DOS PRINCÍPIOS GERAIS

Primariamente, um ramo de direito se origina na prática jurídica concreta. Não, em


abstracto, na teoria jurídica. Isso, porque a existência precede à essência.
Originariamente, é impossível ao homem abstrair e conhecer a forma essencial de um
conteúdo material, se este não exigir pelo menos em sua mente. Desse modo na
origem do conhecimento, além do sujeito cognoscente, há-de existir também a matéria
física ou mental a ser conhecida. O conhecimento teórico e abstracto principia uma
relação concreta e prática entre o sujeito e um objecto material, existente no mundo
exterior ou interior ao homem. Mas, como o mundo exterior preexiste ao homem e ao
seu mundo interior, no princípio original do conhecimento está a existência da matéria
física exterior ao homem, com a qual este, por primeiro, fisicamente e praticamente se
relacionou. Desse modo, já que a existência da matéria veio antes da existência do
homem, igualmente na origem do conhecimento do mundo pelo homem a existência
de um objecto material precede e condiciona a elaboração cultural de um respectivo
objecto formal pelo homem. A existência natural (o desenvolvimento da matéria na
sua forma espontânea) antecede e condiciona a existência cultural (o
desenvolvimento da matéria na forma cultivada pelo homem).

Assim sendo, no processo de surgimento de um ramo jurídico, primariamente nascem


os seus institutos Originais, praticados de forma espontânea, para atender a
necessidades naturais, que lhe são primariamente determinantes.

Por oportuno, observe-se que os institutos jurídicos, os originais como os derivados,

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 34


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

em um ramo do direito, podem ser primazes ou concorrentes. Nos institutos primazes


incide com primazia a ordem jurídica do ramo pertinente. Nos institutos decorrentes
coincidem ordens jurídicas convergentes de mais de um ramo.

Por exemplo, no direito agrário, são institutos primazes do módulo rural, a colonização
rural, a fazenda-modelo, o minifúndio, o latifúndio, a parceria, e outros. Já a
propriedade rural, a desapropriação rural, as zonas prioritárias, o imposto territorial
rural, o crédito rural, a dívida agrária, o sindicato rural, o contrato agrário, o imóvel
rural, a hipoteca rural, o arrendamento rural, a empresa rural, a escola rural, a
universidade rural, a censo agrícola, a posse indígena e outros são institutos
concorrentes do direito agrário com outros sectores jurídicos: constitucional, tributário,
financeiro, trabalhista, civil, comercial, administrativo e outros.

Assim como o direito agrário, todo ramo do direito tem, não apenas seus institutos
primazes, mas também institutos concorrentes. Caso contrário, seria negar a natural e
inevitável comunicação dos sectores jurídicos entre si, como partes integradas de um
mesmo todo: o direito. Por isso mesmo, a presença dos institutos concorrentes não
retira a autonomia dos ramos concorrentes. Afinal, um ramo jurídico (por exemplo, o
direito agrário) obtém e aplica os seus princípios gerais tanto nos seus institutos
primazes como nos institutos concorrentes.

Feitas tais observações oportunas, continue-se o raciocínio anterior.

Surgindo naturalmente e concretamente na realidade prática do direito, os institutos


originais são de início materialmente percebidos nessa forma espontânea em que
nasceram. Já que são novos, revelam notas inéditas, decorrentes das peculiaridades
daquelas necessidades naturais que os determinaram primariamente, a todos eles, na
sua origem. Apresentam, pois, na forma, características originais e comuns. Estas os
distinguem dos demais institutos e os integram em um novo ramo jurídico, cuja
matéria – por nascer assim circunscrita por uma forma espontânea – já tem condições
de ser vista pelo jurista como um novo objecto material para o direito.

Secundariamente, a partir dessa formação espontânea, e trabalhando sobre aquelas


notas inéditas originais, a teoria jurídica abstrai certas notas mais simples e gerais, as

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 35


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

próprias causas essenciais dos institutos originalmente verificados, as quais se erigem


em suas notas principais: os seus Princípios Gerais. Assim, a partir dos institutos
originais, agora surgem os princípios gerais específicos de tais institutos que haviam
surgido primariamente, na origem do objecto material do novo ramo jurídico; e, bem
assim, por consequência, esses princípios gerais serão também específicos de outros
institutos derivados, que depois surgirão ou serão criados, dentro do objecto do novo
ramo, já previamente delineado por institutos e princípios originais.

Tais princípios, por serem específicos, por exemplo, do direito agrário, não deixam de
ser gerais. Externamente, em relação às demais espécies jurídicas, são específicos
da espécie agrária. Internamente, em relação às demais normas agrárias, a eles
submetidas, são princípios gerais do direito agrário.

Seria tarefa incompreensível nesse estudo limitado deduzir, de todos os institutos


jurídicos agrários, todos princípios gerais a eles correlativos, originariamente ou
derivadamente. Não se comporta tamanha empreita. Mas, a indicação metodológica
que aqui desponta certamente apontará o caminho para que, nem que seja outrem,
alguém o faça.

Esses princípios gerais – materiais ou formais, eficientes ou finais – não brotam


espontaneamente, por geração natural, materialmente, como os institutos originais de
que brotam, a cujas causas essenciais correspondem. São elaborados
metodicamente, por esforço lógico, formalmente, de acordo com outros princípios
mais genéricos, para disciplinar o novo ramo jurídico no qual emanaram. Emergem os
institutos para disciplinar os institutos numa forma posterior e superior. Vêm dos
institutos. Voltam para os institutos. Do ser nasce um dever para o ser, de acordo com
deveres maiores, contidos em princípios mais gerais ainda.

Dessarte, na causação eficiente, os institutos originais antecedem os princípios gerais,


abstraindo-se estes daqueles. Já na causação final, os princípios precedem aos
institutos, concretizando-se aqueles nestes. Inicialmente, o processo prático-natural de
surgimento espontâneo do objecto material serve de princípio ao processo teórico de
abstração do objecto formal a partir desse objecto material. Posteriormente, esse

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 36


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

processo teórico serve de princípio ao processo prático-natural de concretização do


objecto formal no objecto material. No primeiro processo, verifica-se o surgimento
ontológico do direito. No segundo, a sua realização teleológica.

Na conjunção desses dois processos, uma forma jurídica criada evolve da forma
jurídica espontânea ou original, mas aquela se devolve sobre esta, para discipliná-la.
Em resultado, a forma natural ou original é disciplinada por uma forma cultivada, mas
esta, por sua vez, é disciplinada por princípios gerais específicos, que por sua vez são
disciplinados por princípios genéricos mais gerais; e assim por diante, dentro de uma
hierarquia escalonada; e somente quando ocorre essa disciplina metódica é que o
ramo do direito se torna uma disciplina jurídica, apta a disciplinar com integridade,
completando a sua autonomia.

3.4 OS PRINCÍPIOS FINAIS

Na composição dos fins do homem com as forças da natureza, processa-se o


condicionamento das causas naturais pela causa cultural. Nesse processo – a cultura
– as causas naturais agem dominadas por uma causa cultural final, que lhes imprime
uma intenção do homem a ser executada na natureza. A causa final antecede (na
Intenção) e informa (na Execução) as outras causas. O fim condiciona a acção do
homem e da natureza; e a acção do homem sobre a natureza. A causa final se torna a
rainha das causas. Desse modo, em um dado processo cultural, uma dada causa final
impera sobre as demais causas. É o princípio geral básico. É o princípio final do
processo: o seu princípio teleológico.

Por exemplo, no direito agrário, a lavoura, a pecuária, o financiamento rural, a


educação do homem, o desenvolvimento tecnológico, a colheita, o armazenamento e
tantos outros são processos culturais dominados por princípios gerais básicos, ou
seja, princípios finais – princípios teológicos, que cumpre à doutrina identificar e
enunciar. Sequer se tenta fazê-lo aqui, dada a limitação deste estudo, já referida.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 37


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

3.4.1 – O CONTEÚDO DOS PRINCÍPIOS FINAIS

No processo cultural, imperando a causa final, tudo é feito para um fim. Tudo principia
do fim. O fim se torna princípio. Portanto, o princípio final tem por conteúdo o fim
principal.

Já que no feito cultural o fim (a intenção) precede e condiciona o efeito (a execução),


aí existem dois momentos distintos, o da intenção e o da execução, que podem ser
logicamente separados em dois tempos, embora às vezes se realizem materialmente
ao mesmo tempo.

Em relação à execução, a causa final é efectivamente o fim da acção. É o termo final


do movimento. Termo em que o agente, quando chega, pára. Porém, quanto à
intenção determinante da acção, o fim é o objecto principal: é o princípio que põe o
agente em acção. Desse modo, na ordem cultural, o fim da acção se torna o princípio
da acção. A causa final, predominando sobre as demais, torna-se o princípio geral e
final da acção, contendo como "Dever-Ser" o fim que se tornará "Ser" pela execução.

Aí está o conteúdo dos princípios finais: é sempre um dever-ser: e em termos de


dever é que eles devem ser enunciados. Entretanto, note-se que, se os princípios
finais a serem teorizados na ordem do dever correspondem aos fins principais a
serem praticados na execução do ser, então o conhecimento destes deve preceder a
enunciação daqueles.

3.4.2 – OS FINS PRINCIPAIS DO DIREITO AGRÁRIO

Os processos culturais particulares e menores se envolvem em processos culturais


gerais e maiores, submetendo hierarquicamente os seus fins a fins mais principais.
Ora, em qualquer desses processos, a partir dos menores, as forças e os bens a que
se recorre são chamados Recursos, sem os quais o processo não se desenvolve. Por
isso, dentre todos e de todos os processos, são primaciais os que têm por fim principal

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 38


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

desenvolver e devolver para o processo os seus próprios recursos. Ora, no processo


cultural os recursos se resolvem e resumem em três: a natureza, o homem e a cultura
da natureza pelo homem, distinguindo-se, pois, Recursos Naturais, Recursos
Humanos, e Recursos Culturais. Isso vale, inclusive, para o processo jurídico-cultural
agrário. Logo, também aqui, como em todo processo cultural, existem três processos
que são primaciais porque seus fins são principais, a saber: a preservação dos
recursos naturais; a promoção dos recursos humanos; e o fomento dos recursos
culturais. A esses três fins principais, correspondem três princípios finais. São os três
princípios teleológicos básicos do direito agrário.

Na fixação de seus princípios-fins, o direito relaciona-se com a política. Não é


determinista, essa relação. É de influência mútua, acentuada de um lado, ora do outro,
conforme o sector jurídico-político em questão.

Antonino C. Vivanco percebeu que a influência da política sobre o direito cresce no


ramo agrário. A tal ponto, que Vivanco deu a essa influência o carácter de relação
causal entre os fins da política agrária e os princípios do direito agrário (cf. VIVANCO,
Antonino C., Teoria de Derecho Agrario, La Plata, Ed. Libreria Jurídica, 1967, v. 1, p.
199).

Inicialmente, Vivanco esclarece que a política agrária trata de achar soluções


fundamentais para os problemas relativos à actividade agrária; e persegue
determinadas metas ou fins, que podem estabelecer-se com carácter necessário. Em
seguida, assinala três fins necessários da política agrária – que ele frisa ser política
agrária científica, a de que trata. Com grave argumentação, mostra a necessidade
econômico-social-cultural de cada um desses fins, os quais são: conservação do
recurso natural renovável: incremento racional da produção; segurança e progresso
social (Cf. VIVANCO, Antonino C., ob. cit., p. 197-8). Nessa mesma passagem,
Vivanco salienta que esses fins pressupõe para seu cumprimento a existência de
princípios que lhes sejam próprios e, por fim, deduz os princípios gerais do direito
agrário em número de cinco, correspondendo a esses três fins. O primeiro princípio
corresponde ao primeiro fim. O segundo e o terceiro, ao segundo fim. O quarto e o

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 39


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

quinto, ao terceiro fim. (Cf. ob. cit., p. 200 e segs.).

Como se vê, Vivanco prima por uma metodologia rigorosamente correta nessa
passagem dos fins aos princípios, correlativamente.

O presente estudo acolheu a tripla divisão dos recursos agrários encontrada em


Vivanco, a saber. Recursos Naturais (o solo, a água, a atmosfera, a flora, a fauna e
outros), Recursos Culturais (a organização, a técnica, a pesquisa, o capital, o crédito,
o mercado e outras formas culturais aplicada à actividade agrária), Recursos
Humanos (os agricultores, os pecuaristas, os empregados e os empregadores
agrários, os proprietários e os colonos das terras, e outros seres humanos envolvidos
na actividade agrária).

Igualmente, recolheu um Vivanco os três fins principais por ele propostos. Apenas,
alterações de pouca monta. Ele disse: conservação do recurso natural renovável,
incremento racional da produção, segurança e progresso social. Aqui se diz:
preservação dos recursos naturais, fomento dos recursos culturais, promoção dos
recursos humanos.

Por fim, é acolhida aqui a grave argumentação com que Vivanco provou a
necessidade econômico-social-cultural de tais fins. Sintetizando, pode-se argumentar
que a depauperação dos recursos naturais, a insuficiência dos recursos culturais e o
desestimulo dos recursos humanos geram carências tais, que afectam a economia, a
cultura e a sociedade tão negativamente, que decorrem daí a necessidade social e o
interesse colectivo de erguer aqueles fins da política agrária como princípios do direito
agrário, a fim de gerar o dever jurídico principal de preservar os recursos naturais,
fomentar os recursos culturais e promover os recursos humanos.

Por conseguinte, vistos os fins principais, provada a sua necessidade para


desenvolver e devolver os recursos principais do processo jurídico-cultural agrário,
serão extraídos e formulados agora os princípios finais que incidem sobre esses
recursos em função desses fins. Todo princípio final, porque dispõe em função de um
fim, é princípio funcional. No processo em estudo, como são três os recursos e fins
básicos, igualmente três são os Princípios Finais ou Funcionais Básicos do direito

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 40


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

agrário, a saber.

3.4.2.1 - Princípio da Preservação Natural

Estabelece a preservação dos recursos naturais na condição de meio da produção


cultural agrária. Pode ser enunciado, dentre outras formas, assim:

"Para a produção do bem agrário, a exploração dos recursos naturais deve ser
ordenada juridicamente em função de preservá-los como próprio meio de produção,
mediante o estrito consumo do necessário na medida da produção e a ampla
reprodução do possível na medida do consumo".

O princípio-fim é instrumentado por um ou mais de um princípio-meio. Este é dito


Princípio Instrumental daquele. No caso do princípio final em tela, como os recursos
naturais a serem preservados são de dois tipos, renováveis e não renováveis, dois
serão os princípios instrumentais: Princípio do Estrito Consumo e Princípio da
Renovação Possível. Ambos actuam conjuntamente sobre o consumo de todo e
qualquer recurso natural agrário, determinando que ele deve ser consumido
estritamente no necessário à produção e deve ser renovado amplamente no possível
depois da produção. Entretanto, o princípio do consumo estrito ganha realce,
juntamente com o da renovação possível, no caso dos recursos renováveis. No caso
contrário, aplica-se apenas o estrito consumo.

3.4.2.2 – Princípio do Fomento Cultural

Estabelece o fomento dos recursos culturais como meio. Pode ser dito:

"Para a produção do bem agrário, a criação dos recursos culturais deve ser ordenada
juridicamente em função de fomentá-los como próprio meio de produção, mediante a
criação do necessário na medida do suficiente para a produção".

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 41


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Aqui, apenas um princípio instrumental: o Princípio da Suficiência Cultural, que exige


dever ser a cultura agrária suficiente para a produção agrária. É um princípio de
optimização da produção por suficiência dos meios culturais.

3.4.2.3 – Princípio da Promoção Recursos Humanos social

Estabelece a promoção dos recursos humanos à condição de fim da produção


sociocultural agrária. Enuncia-se:

"Para a produção do bem agrário, a acção dos recursos humanos deve ser ordenada
juridicamente em função de promovê-los a próprio fim da produção, mediante a acção
de cada um, na medida do necessário, em função de todos".

Instrumental aqui é o Princípio da Associação Funcional Necessária, que diz: a acção


de um deve associar-se à dos outros no necessário em função de todos, ou seja, no
necessário à colectividade. É o princípio da função social da acção humana. O
princípio da promoção social-humana promove o homem à condição de fim do próprio
homem, na sociedade de uns com outros e de todos entre si.

3.5 – O PRINCÍPIO PRIMORDIAL

Os processos culturais, além de serem considerados em particular, também podem


ser considerados no todo em que se integram. De fato, pode ocorrer aglutinação e
escalonamento de vários processos culturais segundo uma causa cultural-final, maior
e superior: uma causa última; e primeira. Desse modo, os processos se implicam uns
em outros e sistematizam, formando um sistema cultural, informado por uma causa-
mor – um princípio principal, que comunica uma finalidade global ao sistema,
ordenando-o. A esse princípio ordenador do sistema, cabe chamar Princípio
Primordial. "Primordial" significa "primeiro na ordem". Em uma ordem cultural
sistemática, aí se tem o principium primum ordinale. No escalonamento, ele é o
primeiro escalão. É o princípio dos princípios na ordem da intenção, correspondendo a

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 42


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

um dos fins na ordem da execução.

No princípio primordial se implicitam e por ele se explicitam as demais causas, que


são integradas por ele e ficam integradas nele. O princípio primordial é o sumo e o
resumo de todos os princípios do sistema cultural. Ele assume e resume os demais. É
o Princípio-Síntese. Dele, os demais são corolários, dentro do sistema.

Leituras Complementares
Barros Sérgio Resende. Autonomia do Direito Agrário Brasileiro.
Disponivel em www.srbarros.com.br acessado no dia 10 de Janeiro de
2016.

Freitas. Aurélio Marques Silveira. Concepções principiológicas do Direito


Agrário. Disponível em âmbito Jurídico .co. br acessado nos deia 16 de
Fevereiro de 2016.

Santiago, Emerson Direito Agrário disponível em


www.infoescola.com/direito/direito agrário acessado no dia 15 de
Fevereiro de 2016.

Tenorio. Igor Princípios gerais de Direito Agrário R, in legis.a.16 n.


62abr./junh 1979

Actividades

A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade.


Resolva os exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou,
conferindo a sua resposta na Chave de Correcção no final do presente
Guia de Estudo.

1. Refira-se ao Princípio da Preservação Natural.


2. Princípio da mecanização agrícola, princípio da garantia de preços
mínimos, princípio da assistência creditícia, princípio da tecnificação do

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 43


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

crédito rural, e muitos outros. Cabe aos agraristas enunciar em tempos


de dever esses citados princípios gerais; e outros que extraírem e
abstraírem das normas agrárias. Comente
3. A principiologia é o estudo dos princípios. Também se chama assim o
conjunto dos princípios estudados. Cada ciência tem a sua principiologia.
Igualmente, cada setor disciplinar, dentro de uma ciência. Se não, o
setor será um ramo inacabado dessa ciência, porque lhe falta disciplina
própria.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 44


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TÉCNICA 4

A questão Agrária Em Moçambique

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos
No fim desta unidade o estudante deve ser capaz de:

Entender a génese da lei de terras de Moçambique.


Entender o pensamento agrícola pós independência
Compreender a filosofia jurídica agrária.

4.1 A Questão Agrária Em Moçambique

Segundo Quadros, a lei de terras, aprovada na IV Sessão Ordinária


da Assembleia Popular, tem por objecto definir os princípios
fundamentais que regem o uso e aproveitamento da terra, bem
como as formas que pode revestir na República Popular de
Moçambique.

A importância da Lei de Terras explica-se por duas razões


fundamentais:

-A primeira é de ordem geral- A terra é um dos principais meios de


produção ao dispor do homem e desempenhou desde sempre um
papel fundamental ao longo da História da Humanidade, sendo o
regime da sua apropriação ou utilização um elemento essencial de
caracterização do estágio de evolução das sociedades.

-A segunda é de carácter particular- Após a revogação da legislação


colonial nesta matéria, feita pelo art.8 da Constituição, a Lei de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 45


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Terras vem substituir, com regulamentação de tipo novo, os antigos


regimes de apropriação e utilização da terra no nosso país.

Estas duas razões traduzem bem a importância e a necessidade do


estudo desta lei. Para uma correcta análise da mesma devemos
compreender primeiro o papel que a terra desempenhou nas várias
fases do processo de dominação colonial em Moçambique.

Importa lembrar que a chamada expansão da “ Fé e do império” que


serviu de bandeira ao colonialismo português teve desse os
primórdios um objectivo económico preciso: sujeitar os povos ao
domínio político para melhor explorar. No início a principal riqueza,
objecto de exploração era o próprio homem, despojado da sua
condição humana e exportação como mercadoria para as Américas.
Portugal foi então um dos principais empórios do esclavagismo,
tendo desse comércio resultado o despovoamento de largas áreas
do continente africano.

Mais tarde, quando as potências europeias perderam os seus


domínios das colónias nas Américas viraram-se para a África na
perspectiva de exploração das suas riquezas utilizando a mão – de-
obra cessada de exportar.

Tem inicio então a ocupação efectiva dos territórios pelos quais se


dividiram entre si.

Nesta fase o colonialismo procede de duas maneiras: por um lado


apropria-se das terras mais férteis, empurrando as populações para
as zonas improdutivas onde só é possível uma precária agricultura
de subsistência, e por outro cria impostos cujos montantes se situam
além do rendimento que se pode obter das novas terras menos
produtivas.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 46


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Os homens tinham então que trabalhar nas plantações onde


auferiam salários miseráveis, calculados para que não fosse curto
período de trabalho necessário para se obter a importância
suficiente ao pagamento do imposto.

Este foi um dos pilares em que assentou o sistema de trabalho


forçado imposto aos moçambicanos.

A quem eram destinadas as terras espoliadas ao povo?

Em algumas regiões do país elas foram reduzidas a prazos e dadas


em regime de concessão aos prazeiros.

Mais tarde surgiram as chamadas companhias majestáticas que


eram sociedades capitalistas com interesses de vários países, às
quais o colonialismo abandonava a soberania sobre extensas
regiões. Nesses territórios as companhias majestáticas cunhavam
moeda e cobravam impostos, organizando por sua própria conta
toda a exploração económica em troca de um determinado
pagamento ao Estado português.

São os casos da Companhia da Zambézia e da Companhia do


Niassa.

Por outro lado as grandes plantações surgiram e cresceram custa


desta usurpação de terras.

Esta história de conquista, de pilhagem e ed violência ao serviço da


exploração, foi o elemento principal caracterizador da fase de
implantação do sistema colonial português em Moçambique. Esta
era a base de todo o processo de acumulação primitiva do capital
então desencadeado.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 47


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

A Ocupação da Terra

Nos períodos mais recentes e sob pressão crescente da crítica ao


colonialismo, o governo português, a par com objectivo de uma
exploração mais sistemática aparece com a preocupação de
apresentar uma imagem de aceitabilidade assim que o
“Regulamento da Ocupação e Concessão de Terras nas Províncias
Ultramarinas “legislação que garante ao estado colonial e aos
colonos os instrumentos jurídicos para espoliar as populações e
ocupar as suas terras, pretende também, hipocritamente a “ defesa
intransigente dos interesses e direitos das populações sobre os
terrenos por elas ocupados e explorados”

De Acordo com Quadros é útil lembrar que algumas das disposições


deste regulamento de ocupação, classificava os terrenos em função
da qualidade da terra, ou do seu valor, da seguinte forma:

Terrenos de 1ª Classe - eram os terrenos abrangidos pelas


povoações classificadas e seus subúrbios, habitadas pelos colonos;

Terrenos de 2ª Classe – demarcados param atribuição conjunta às


populações, correspondendo ao quíntuplo da área ocupada por cada
regedoria;

Terrenos de 3ª Classe - eram chamados terrenos vagos que não


pertenciam nem à 1ª `a 2ª

Para este autor os terrenos de 1ª e de 3ª classe eram susceptíveis


de concessão adquirindo se sobre os mesmos direitos de
propriedade definitiva devidamente titulados - adianta dizendo que
eram terrenos destinados ao Estado colonial e aos colonos. Porque
os de 2ª classe, destinados aos indígenas, mais tarde “vizinhos de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 48


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

regedoria “ou simplesmente “autóctones”, esses não eram


susceptíveis do direito de propriedade individual.

O Regulamento determinava que as concessões fossem gratuitas


quando se tratasse de colonos ou das “missões católicas nacionais”.

Neste último caso podiam abranger áreas até 2000 há, estando esta
faculdade de concessão prevista no Acordo Missionário entre
Portugal e a Santa Sé de 1940. Este era apenas um dos aspectos
do engajamento da Igreja no colonialismo português.

A necessidade de se defender das críticas que cada vez mais


punham a nu o sistema, leva o colonialismo português `a demagogia
hipócrita de estabelecer a proibição de “sob pena de sanção, fazer
deslocar as populações para terrenos diferentes daqueles que
estejam a ocupar com o intuito de incluir estes, no todo ou em parte,
nas demarcações provisórias”.

Esta disposição mais fazia do que pretender limpar o Estado


colonial-fascista da responsabilidade pela usurpação violenta de
terras a que as empresas e os colonos procediam de forma
sistemática, com a conivência directa das estruturas coloniais, o
Administrador, os serviços Geo-cadastrais e, na cúpula, a secretaria
provincial de povoamento, que sempre promoveram ou
providenciaram a necessária cobertura político-jurídico a essas
actuações.

Torna-se assim evidente que todo o sistema se constituiu na base


de apropriação de quase todas as terras úteis existentes no País,
uma vez declaradas “terrenos vagos”, isto é, a terra de ninguém. Aos
originários donos da terra moçambicana reservava-se o quíntuplo da
área ocupada pelas regedorias- as terras de 2ª.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 49


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Luta de libertação Nacional como reacção a este estado de coisas

Foi contra este estado de coisas que se ergueu e se manteve


sempre viva a chama da Resistência. Tratava-se de resistência
contra a ocupação da terra e contra a sujeição dos homens à
dominação estrangeira.

Quando o Comité Central da Frelimo proclamou a insurreição geral


armada contra o colonialismo português, em 25 de Setembro de
1964, o objectivo central foi desde logo, a libertação da terra e dos
homens contra o domínio e a exploração a que estavam sujeitos.

Esse combate não cessaria senão com a liquidação total e completa


desta dominação e exploração.

Foi assim que no acto de Proclamação da Independência, as 0


horas do dia 25 de Junho de 1975, a Constituição Da República
Popular de Moçambique estabeleceu que “a terra e os recursos
naturais situados no solo e no subsolo, nas águas territoriais e na
plataforma continental de Moçambique, são propriedade do Estado”,
do Estado de operários e camponeses. Concretizando deste modo
um dos objectivos centrais do combate libertador, e redimia-se o
sangue vertido ao longo de gerações, o sacrifício dos combatentes
nacionalistas, e realizava-se uma das aspirações mais profundas de
todo o povo Moçambicano: voltar a ser dono da terra.

A recuperação da terra pelo povo moçambicano não é uma


consequência lógica ou natural da independência do país. Pois em
muitos países, independentes há mais tempo assistimos à
transferência da terra do colonialismo para as mãos do povo. Na
maior parte dos casos assistiu-se antes a reformas visando adaptar
o direito colonial e o direito costumeiro à nova situação em que a
burguesia nacional se substituiu à burguesia colonial.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 50


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Entre nós a recuperação da terra integra-se no processo da


revolução moçambicana. Por isso ela nunca poderia significar a
mera substituição dos nomes nos títulos de propriedade ou o retorno
a formas de apropriação e de utilização próprias da tradição feudal.

A recuperação da terra pelo povo significou a abolição definitiva da


propriedade privada da terra enquanto património do povo.

Pois segundo Quadros há duas formas possíveis para se analisar a


evolução da estrutura rural e de classes em Moçambique no período
colonial, tendo cada uma dessas posições consequências bastante
diferentes nas estratégias de transformação socialista. A primeira
posição argumentaria que ao longo do período colonial o
campesinato moçambicano permaneceu ligado a modos de
produção pré-capitalista. O capitalismo colonial serviu-se de
medidas extraeconómicas para explorar o campesinato: a força
política foi a base para o cultivo obrigatório de culturas de
rendimento tais como o algodão, para a contratação de mão-de-obra
para as plantações e para a venda de força de trabalho às minas da
África do Sul. Estas formas de exploração distorcem mas não
alteram fundamentalmente a natureza pré-capitalista da produção
camponesa. Esta primeira posição analisa portanto a economia
colonial em termos dualistas: um pequeno sector capitalista assente
na agricultura dos colonos, transportes e indústria e,
consequentemente, com uma classe operária pequena e
desorganizada, cresce em paralelo com uma economia de
subsistência pré-capitalista mantida no seu atraso por formas de
exploração colonial.

Esta visão dualista da estrutura de classes no período colonial pode


fornecer uma explicação para a participação do campesinato numa
luta nacionalista. O campesinato ter-se-ia revoltado contra o Estado
colonial que organiza tanto a sua opressão como a sua exploração.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 51


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

A teoria estabelece, no entanto, que será difícil manter a


participação do campesinato no processo de uma revolução
socialista. Logo que o Estado colonial que o explorava seja
esmagado, o campesinato ficará livre de regressar à sua economia
pré-capitalista de subsistência. Retirar-se-á portanto da produção de
excedentes e retirar-se-á do mercado, rejeitando tanto a produção
de culturas de rendimento como a migração de mão-de-obra. Tem
pouco interesse nas vantagens da produção colectiva, na maior
produtividade do trabalho e em maiores níveis de produção de
excedentes sociais.

Nestas condições só há na realidade duas formas de integrar o


campesinato em cooperativas. Ou tem de se oferecer incentivos
materiais consideráveis ou tem-se que utilizar pressão política. Esta
última estratégia implica a existência de uma relação antagónica
entre o campesinato e o Partido e Estado que se opõe totalmente
aos termos da aliança operário-camponesa. A estratégia anterior
porém, parece não ser praticável a curto prazo. A capacidade do
Estado fornecer incentivos materiais para a cooperativização em
grande escala depende em última análise da produtividade do sector
estatal, tanto machambas estatais como unidades industriais.
Pareceria assim necessário adiar em certa medida a
cooperativização do sector familiar até que seja consolidada a
produtividade das machambas estatais e fábricas.

Assim a posição dualista implica claramente que a socialização da


produção familiar seja quase necessariamente um processo lento e
prolongado que se deveria concentrar numa primeira fase em
destruir as condições de produção pré-capitalista.

Existem muitos aspectos da história da exploração imperialista em


Moçambique e em muitos aspectos da África subsahariana que
parecem corresponder à visão dualista. Nestes casos, a política

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 52


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

colonial encontrava-se bastante explicitamente envolvida na


manutenção de diversas formas de propriedade comunal e no
bloqueio do desenvolvimento de qualquer classe de trabalhador sem
terra; a força de trabalho ainda ligada à terra significava força de
trabalho barata. Existem também muitos aspectos da história
recente de Moçambique independente que aparentemente
confirmariam a visão dualista: quebras na comercialização da
produção camponesa, particularmente do algodão, uma ex cultura
forçada, falta de trabalhadores para a machambas estatais e
plantações; usualmente baixa de consolidação da produção
cooperativa. Assim, a visão dualista encontra poucas dificuldades
em tomar partido das fragilidades actuais do movimento cooperativo;
este poderia de facto sugerir que o problema consistia antes na falta
de uma base material a apoiar o problema da socialização traçado
pelas directivas do terceiro congresso.

Ainda de acordo com Conceição Quadros uma característica que


define o sector capitalista em Moçambique durante o período
colonial é a sua dependência extrema do sector familiar, não só na
agricultura mas também na indústria e transportes. Há aspectos
principais nesta dependência: mão-de- obra barata e muitas vezes
sazonal, recrutada numa base migrante a partir do sector familiar;
alimentação barata para os trabalhadores e matérias-primas
produzidas pelo sector familiar; um fundo de divisas gerado não pelo
próprio sector capitalista doméstico mas pela venda de força de
trabalho numa base migratória para a África do Sul e Rodésia.

Esta dependência para acumulação de capital de exploração de


campesinato foi construída materialmente na estrutura da produção
capitalista:

-A monocultura de chá, açúcar, algodão e arroz nas machambas e


plantações capitalistas requeria, necessariamente, grande número

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 53


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

de trabalhadores sazonais; o fornecimento destes trabalhadores e o


seu baixo salário dependia do facto de eles se conservarem
disponíveis para o sector familiar;

-O nível salarial pago aos trabalhadores no sector capitalista, era em


geral extremamente baixo; cobria apenas os custos imediatos da
sua reprodução porque estes comiam em primeiro lugar alimentos
produzidos pelo campesinato e adquiridos a preços baixos e
controlados: mandioca, feijão e mesmo arroz e milho em certas
áreas do país;

-Os capitalistas investiram em indústrias de transformação, tais


como descaroçamento de algodão e caju, precisamente porque a
sua rentabilidade estava garantida pela certeza de que
abastecimentos adequadas de matérias-primas baratas poderiam
ser fornecidas pelo sector familiar;

-Nos últimos ano do domínio colonial, Moçambique registou


consistentemente um défice na sua balança comercial, em certa
medida refletindo importações de petróleo, máquinas e matérias-
primas que entravam na expansão da base industrial. A continuação
da acumulação foi no entanto possível porque este défice era cobert
em parte, pela venda à África do Sul e Rodésia de força de trabalho
migrante.

No âmbito da transformação socialista pretendia-se quebrar a


dependência em relação a mão-de-obra barata recrutada a partir do
campesinato trabalhando no recentemente criado sector estatal. O
trabalho migratório é em si uma base fraca para o desenvolvimento
de qualificações, de disciplina e de organização produtiva entre a
classe operária para além da saída periódica dos trabalhadores mais
produtivos que também bloqueia a transformação da produção
camponesa em formas colectivas mais solidas. Romper com esta
estrutura económica é, porém, necessariamente um processo de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 54


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

transformação, pois a criação em si não transforma a estrutura de


rentabilidade do sector estatal, construído como estava na base do
capitalismo colonial. O sector estatal não consegue de um momento
para outro começar a reproduzir a sua força de trabalho, a produzir
as suas próprias matérias-primas e a gerar as suas próprias divisas
modificações estruturais deste tipo necessitam de investimento, que
por sua vez necessita de excedente, que por sua vez ainda
necessita que a produção seja rentável.

O sector Estatal tinha grandes dificuldades desde a independência


para recuperar os níveis de produção passados, e maiores
dificuldades ainda em baixar os custos de forma a tornar a produção
rentável.

Leituras Complementares

Quadros, Maria da Conceição Direito Agrário Livro II unidades 3 a 7


faculdade de Direito Fevereiro de 1997. Maputo Moçambique

Quadros, Maria da Conceição Direito Agrário Livro IV unidades 10 a


13 Faculdade de Direito Fevereiro de 1997. Maputo Moçambique.

Actividades

A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira


unidade. Resolva os exercícios propostos em cada uma e verifique
se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de correcção no
final do presente Guia de Estudo.

1. O sector Estatal tinha grandes dificuldades desde a


independência para recuperar os níveis de produção passados, e
maiores dificuldades ainda em baixar os custos de forma a tornar a
produção rentável. Comente.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 55


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

2. Segundo quadro de acordo com regulamento de ocupação


como é que estava dividida a terra.?

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 56


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Unidade Temática 5

Legislação moçambicana de terras em vigor

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos
No fim da presente unidade o estudante deve ser capaz de:

1. Dominar a lei de terras seu regulamento e anexo técnico;


2. Familiarizar se com os principais institutos jurídicos agrários
de Moçambique

Esta unidade é essencialmente legislativa, debruçaremos sobre a lei de terras,


regulamento da lei de terras e o seu anexo Técnico

Legislação moçambicana de terras em vigor

O artigo 103 da Constituição da República de Moçambique no


seu artigo 103.

1. Na República de Moçambique a agricultura é a base de


desenvolvimento nacional.
2. O Estado garante e promove o desenvolvimento rural para a
satisfação crescente e multiforme das necessidades do povo
e progresso económico e social do pais.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 57


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

5.1 Definições dos principais termos jurídicos da lei de terras

Esta lei começou por determinar o conceito operacional das


palavras principais da lei, que são as seguintes:
1. Comunidade local: agrupamento de famílias e indivíduos,
vivendo numa circunscrição territorial de nível de localidade
ou inferior, que visa a salvaguarda de interesses comuns
através da Protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas,
sejam cultivadas ou em pousio, florestas, sítios de
importância cultural, pastagens, fontes de água e áreas de
expansão;
2. Direito de uso e aproveitamento da terra: direito que as
pessoas singulares ou colectivas e as comunidades locais
adquirem sobre a terra, com as exigências e limitações da
presente lei;
3. Domínio público: áreas destinadas à satisfação do
interesse público;
4. Exploração familiar: actividade de exploração da terra
visando responder às necessidades do agregado familiar,
utilizando predominantemente a capacidade do trabalho do
mesmo;
5. Licença especial: documento que autoriza a realização de
quaisquer actividades económicas nas zonas de Protecção
total ou parcial;
6. Mapa de uso da terra: carta que mostra toda a ocupação da
terra, incluindo a localização da actividade humana e os
recursos naturais existentes numa determinada área.
7. Ocupação: forma de aquisição do direito de uso e
aproveitamento da terra por pessoas singulares nacionais
que, de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez
anos, ou pelas comunidade locais.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 58


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

8. Pessoa colectiva nacional: qualquer sociedade ou


instituição constituída e registada nos termos da legislação
moçambicana, com sede na República de Moçambique, cujo
capital social pertença, pelo menos em cinquenta por cento,
a cidadãos nacionais, sociedades ou instituições
moçambicanas, privadas ou públicas.
9. Pessoa colectiva estrangeira: qualquer sociedade ou
instituição constituída nos termos de legislação
moçambicana ou estrangeira, cujo capital social seja detido
em mais de cinquenta por cento por cidadãos, sociedades ou
instituições estrangeira.
10. Pessoa singular nacional: qualquer cidadão de
nacionalidade moçambicana.
11. Pessoa singular estrangeira: qualquer pessoa cuja
nacionalidade não seja moçambicana.
12. Plano de exploração: documento apresentado pelo
requerente do pedido de uso e aproveitamento da terra,
descrevendo o conjunto de actividades, trabalhos e
construções que se compromete a realizar, de acordo com
um determinado calendário.
13. Plano de uso da terra: documento aprovado pelo Conselho
de Ministros, que visa fornecer, de modo integrado,
orientações para o desenvolvimento geral e sectorial de
determinada área geográfica.
14. Plano de urbanização: documento que estabelece a
organização de perímetros urbanos, sua concepção e forma
„parâmetros de ocupação, destino das construções, valores
patrimoniais a proteger, locais destinados à instalação de
equipamento, espaços livres e o traço esquemático da rede
viária e das infra-estruturas principais.
15. Propriedade da terra: direito exclusivo do Estado,
consagrado na Constituição, integrando, para além de todos
os direitos do proprietário, a faculdade de determinar as
Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 59
Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

condições do seu uso e aproveitamento por pessoas


singulares ou colectivas.
16. Requerente: pessoa singular ou colectiva que solicita, por
escrito, autorização para o uso e aproveitamento da terra ao
abrigo da presente Lei.
17. Titular: pessoa singular ou colectiva que ten o direito de uso
e aproveitamento da terra ao abrigo duma autorização ou
através de ocupação.
18. Titulo: documento emitido pelos Serviços Públicos de
Cadastro, gerais ou urbanos, comprovativo do direito de uso
e aproveitamento da terra.
19. Zona de Protecção da natureza: bem de domínio público,
destinado `a conservação ou preservação de certas espécies
animais ou vegetais, da biodiversidade, de monumentos
históricos, paisagísticos e naturais, em regime de maneio
preferencialmente com a participação das comunidades
locais, determinado em legislação específica.

5.2 A terra em Moçambique

A propriedade da terra

O acesso a terra é feito nos termos da lei n° 19/97 de 1 de


Outubro lei que revoga a lei n° 6/79 de 3 de Julho, a actual lei a
19/97 foi elaborada de modo a adequar o acesso a terra à nova
conjuntura económica e social de modo a garantir o seu uso.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 60


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Artigo 3 da lei de terras

“A terra é propriedade do Estado e não pode ser vendida ou, por


qualquer outra forma, alienada, hipotecada ou penhorada.

5.2 Venda

5.2.1 Inalienabilidade

A primeira consequência que decorre do princípio de que a terra


é propriedade do Estado é que não pode ser vendida. Esta
proibição é absoluta, isto é, tanto os cidadãos como o Estado
não podem vender a terra. Por isso, a terra é um bem inalienável

A terra não pode ser vendida, arrendada, hipotecada ou


penhorada. Estas onerações são admissíveis em países em que
vigora o regime da propriedade privada da terra tais como
Portugal, Brasil, Estados Unidos de América etc.

5.2.2 Hipoteca consiste em dar a terra como garantia do


pagamento de uma dívida

No caso de não pagamento o credor pode fazer-se pagar pelo


valor da terra.

5.2.3 Penhora: Consiste na apreensão de bens para com o


valor dos mesmos a fim de obter a satisfação de uma divida.

De acordo com o código civil O proprietário goza de modo


pleno e exclusivo dos direitos de uso, fruição e disposições
das coisas que lhe pertencem, dentro dos limites da lei e com
observância das restrições por ela impostas.
O conteúdo do direito de propriedade consiste no conjunto de
poderes que o proprietário tem sobre a coisa.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 61


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

A propriedade, que é o mais amplo dos direitos reais, em


geral atribui ao seu titular, principalmente, a faculdade de
usar, gozar e dispor da coisa (iura, utendi, fruendi e
abutendi) a que se referem os autores desde a Idade Média.
No que diz respeito a terra, em Moçambique este direito
pertence apenas ao Estado
Contudo, o direito de propriedade não mais se reveste do
caráter absoluto e intangível, de que outrora se impregnava.
Está ele sujeito, na actualidade, a numerosas limitações,
impostas pelo interesse público e privado, inclusive pelos
princípios de justiça e do bem comum.‟

Importa lembrar que logo após a independência o país optou


por uma via de desenvolvimento socialista, adoptando uma
constituição inspirada na constituição da antiga União das
Repúblicas Socialista Soviéticas, facto que fez com o Estado
que nasceu em 25 de Junho de 1975 optasse por
nacionalizar grande parte das estruturas;

5.3 Cadastro Nacional de terras

O artigo 5 da lei de terras prevê a existência do Cadastro


Nacional de terras.
1. O cadastro nacional de terras compreende a totalidade dos
dados necessários, nomeadamente:
a) Conhecer a situação económico-jurídica das terras;
b) Conhecer os tipos de ocupação, uso e aproveitamento,
bem como a avaliação da fertilidade dos solos, manchas
florestais, reservas hídricas de fauna e de flora., zonas de
exploração mineira e de aproveitamento turístico;
c) Organizar eficazmente a utilização da terra, sua utilização
da terra sua Protecção e conservação;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 62


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

d) Determinar as regiões próprias para produções


especializadas.

2 O Cadastro Nacional de Terras procede à qualificação


económica dos dados definidos no número anterior do
presente artigo, de modo a permitir fundamentar a
planificação e a distribuição dos recursos do país.

O Cadastro Nacional de Terras compreende a totalidade dos


dados necessários, nomeadamente para:

a) Conhecer a situação económico-jurídica das terras;


b) Conhecer os tipos de ocupação, uso e aproveitamento,
bem como a avaliação da fertilidade dos solos, manchas
florestais, reservas hídricas, de fauna e de flora, zonas de
exploração mineira e de aproveitamento turístico;
c) Organizar eficazmente a utilização da terra, sua Protecção
e conservação;
d) Determinar as regiões próprias para produções
especializadas.

2. O cadastro Nacional de Terras procede `a qualificação


económica dos dados a planificação e distribuição dos recursos
do país.

O Cadastro Nacional de Terras é um instrumento fundamental para


auxiliar no processo de regularização das terras, rurais e urbanas
de propriedades e posses rurais. Consiste no levantamento de
informações georreferenciadas da terral, com delimitação das Áreas
de Proteção Total Parcial, Reserva Legal remanescentes de
vegetação nativa, área rural consolidada, áreas de interesse social e
de utilidade pública, com o objetivo de traçar um mapa digital a partir
do qual são calculados os valores das áreas para diagnóstico.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 63


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

ferramenta importante para auxiliar no planejamento da distribuição


de terras, com vista a mitigação de conflitos.

5.4 Dominio Público

Existe o conceito de Área protegida é um espaço geográfico


claramente definido, reconhecido, dedicado e gerido, através de
meios legais ou outros igualmente eficientes, com o fim de obter a
conservação ao longo do tempo da natureza com os serviços
associados ao ecossistema e os valores cultura.

Esta definição foi expressa pela primeira vez no workshop sobre


Categorias do 4º Congresso Mundial sobre Parques Nacionais e
Áreas Protegidas da IUCN em 1994, sob a forma:

Uma superfície de terra e/ou mar especialmente consagrada


à Protecção e manutenção da diversidade biológica, assim
como dos recursos naturais e património cultural associados,
e gerida através de meios jurídicos, ou outros meios eficazes.

A definição engloba o universo das áreas protegidas, nela se


enquadrando todas as suas categorias.

Ao aplicar o sistema de categorias a um determinado local, o


primeiro passo deverá sempre ser o de verificar se este se enquadra
nesta definição, e o segundo o de verificar em que categoria melhor
se insere.

No contexto regional africano foi criada a definição de Área de


Conservação, definida como qualquer área protegida.

Os principais objectivos na gestão de uma área protegida são:

Investigação científica

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 64


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Protecção de zonas florestais


Preservação das espécies e da diversidade genética
Manutenção dos serviços ambientais
Protecção de características naturais e culturais específicas
Turismo e recreação
Educação
Utilização sustentável dos recursos derivados de
ecossistemas naturais
Manutenção dos atributos culturais tradicionais

5.5 São de domínio público as zonas de protecção total e parcial

Segundo a lei de terras de Moçambique no seu artigo 7 consideram-


se zonas de protecção total as áreas destinadas a actividade de
conservação ou preservação da natureza e de defesa e segurança
do Estado.

O artigo 8 da lei de terras de Moçambique, elenca as zonas de


protecção parcial:
a) O leito das águas interiores, do mar territorial e da zona
económica exclusiva;
b) A plataforma continental;
c) A faixa de orla marítima e no contorno de ilhas, baías e
estuários, medida da linha das máximas preia-mares até 100
metros para o interior do território;
d) A faixa de terreno até 100 metros confinante com as
nascentes de água;
e) A faixa de terreno no contorno de barragens e albufeiras até
250 metros;
f) Os terrenos ocupados pelas linhas férreas de interesse
público e pelas respectivas estações, com uma faixa
confinante de 50 metros de cada lado do eixo da via;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 65


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

g) Os terrenos ocupados pelas auto-estradas de quatro faixas,


instalações e condutores aéres, superficiais, subterrâneos e
submarinos de electricidade, de telecomunicações, petróleo,
gás e água, com uma faixa confinante de 50 metros de cada
lado, bem como os terrenos ocupados pelas estradas, com
faixa confinante de 30 metros para as estradas primárias e de
15 metros para as estradas secundárias e terciárias;
h) A faixa de dois quilometros ao longo da fronteira terrestre;
i) Os terrenos ocupados por aeroportos ao longo da fronteira
terrestre;
j) A faixa de terreno de 100 metros confinante com instalações
militares e outras instalações de defesa e segurança do
Estado;

A lei de terras no artigo 9 clarifica que nas zonas de protecção


total e parcial não podem ser adquiridos direitos de uso e
aproveitamento da terra, podendo, no entanto, ser emitidas
licenças especiais para o exercício de actividades
determinadas.

O regulamento da lei de terras aprovado pelo decreto 66/98 de 8 de


Dezembro no seu artigo 4 afirma que o regime aplicável às áreas
destinadas a actividade de conservação ou preservação da
natureza e de defesa e segurança do Estado será definido em
regulamento próprio,

O artigo 5 do referido regulamento determina quais as zonas de


protecção parcial:
A) A faixa de terreno que orla as águas fliviais e lacustres
navegáveis até 50 metros medidos a partir da linha máxima
de tais águas;
B) A Faixa de terreno até 100 metros confinante com as
nescentes de água;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 66


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

C) A faixa da orla marítima e no controno de ilhas, baías e


estuários, medida da linha das máximas preia-mares até 100
metros para o interior do território;
D) A faixa de terra no contorno de barragens e albufeiras até 250
metros;
E) A faixa de dois quilometros ao longo da fronteira terrestre;

5.6 Direito de Uso e Aproveitamento de terra

Como já foi referenciado a terra em Moçambique é


propriedade do Estado, ela não pode ser vendida, hipotecada
nem de outra forma alienada.

O DUAT é o direito que as pessoas singulares ou


colectivas adquirem sobre a terra, é um direito real menor, na
medida que a propriedade pertence ao Estado e e este não
prescindiu dela.

Segundo o artigo 1302 do código civil o proprietário goza


de modo exclusivo dos direitos de uso, fruição disposição das
coisas que lhe pertence dentro dos limites estabelecidos pela lei.

Sujeitos de uso e aproveitamento da terra

5.6.1Sujeitos nacionais artigo 10 da lei de terras

1. Podem ser sujeitos de uso e aproveitamento da terra


as pessoas nacionais, colectivas e singulares, homens
e mulheres, bem como as comunidades locais.
2. As pessoas singulares ou colectivas nacionais podem
obter o direito de uso e aproveitamento da terra,
individualmente ou em conjunto com outras pessoas
singulares ou colectivas, sob a forma de co-titularidade.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 67


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

3. O direito de uso e aproveitamento da terra das


comunidades locais obedece aos princípios de co-
titularidade, para todos os efeitos desta lei.

5.6.2 Sujeitos estrangeiros

Foi importante fazer-se referência ao estrangeiros pois


importa lembrar que está lei surgiu num momento em
que Moçambique pretendia atrair o investimento
estrangeiro para a agricultura e fala-se muito da vinda
dos farmeiros sul-africanos, projecto que fracassou
justamente pelo facto da terra não servir de garantia
em caso de créditos bancários, juntos das instituições,
bancarias

O artigo 11 da lei determina que as pessoas singulares


ou colectivas estrangeiras podem ser sujeitas do direito
de uso e aproveitamento da terra, desde que tenham
projecto de investimento devidamente aprovado e
observem as seguintes condições:

a) Sendo pessoas singulares, desde que residam há


pelo menos cinco anos na República de
Moçambique;
b) Sendo pessoas colectivas, desde que estejam
constituídas ou registadas na República de
Moçambique.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 68


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

5.7 Aquisição do DUAT

De acordo com o artigo 12 da lei de terras o direito de uso


e aproveitamento da terra é adquirido por:

5.7.1Ocupação por pessoas singulares e pelas


comunidades locais, segundo as normas e práticas
costumeiras no que não contrariem a constituição; a
figura de comunidades locais foi uma inovação desta lei,
pois a anterior ignorava a existência de pessoas que
usavam a terra segundo prática costumeiras, facto que
originava enormes conflitos, a necessidade de tais
práticas não violarem a constituição tem que estar
explícita, pois em Moçambique existem muitas práticas
usos e costumes que são discriminatórias
principalmente para com as mulheres;

Conjugando com o artigo 9 do regulamento da lei de


terra, As comunidades locais que estejam a ocupar a
terra segundo as práticas costumeiras adquirem o
direito de uso e aproveitamento da terra; exceptuam-se
os casos em que a ocupação recai sobre áreas
reservadas legalmente para qualquer fim ou seja
exercida nas zonas de Protecção parcial.

Quando necessário ou a pedido das comunidades


locais, as áreas onde recaia o direito de uso e
aproveitamento da terra adquirido por ocupação
segundo as práticas costumeiras, poderão ser
identificadas e lançadas no cadastro Nacional de
Terras de acordo com os requisitos a serem definidos
num anexo técnico.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 69


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Segundo o documento produzido pela ORAM que foi


apresentado na Reunião Nacional Sobre Delimitação
de Terras Comunitárias realizada em Março de 2010, “
Com a entrada em vigor da lei de terras, a lei n 19/97,
de 1 de Outubro, as comunidades locais passaram a
ser tratadas como entidades jurídicas a quem lhes foi
reconhecido o direito “natural “que elas têm sobre as
terras comunitárias. Com efeito, sendo a comunidade
local um dado sociológico anterior ao surgimento do
Estado, era lógico que a elas lhe fosse reconhecido o
direito que elas ocupam enquanto um aglomerado de
pessoas que, de forma homogênea, apresentam
interesses comuns sobre a respectivas terra
comunitária.

É assim que a Lei de terras determina que as


comunidades locais adquirem o direito de uso e
aproveitamento da terra (DUAT) por ocupação. O
significado jurídico da aquisição do DUAT por
ocupação é que a atribuição deste direito às
comunidades é feita directamente por lei e não por via
de intermediação de nenhum acto administrativo a
praticar pela Administração Pública.

Portanto, com a aprovação da Lei de Terras em 1997,


as comunidades adquiriram automaticamente e por via
legislativa o DUAT, ou seja, e seguindo de perto o
pensamento do Professor José de Oliveira Ascensão, o
DUAT das comunidades locais sobre a terra é uma
posição jurídica absoluta, na medida em que ela
independente de qualquer relação jurídica; resultando
tal posição de simples aplicação directa da lei aos
pressupostos de facto nela fixados com a consequente

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 70


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

combinação legal de reconhecimento do DUAT


comunitário.

Com objectivo fundamental de evitar conflitos de terra


e de facilitar a própria administração da terra, bem
como o desenvolvimento local, a lei criou a figura de
Delimitação de Áreas Comunitárias, que culmina com a
emissão e o registo do título do DUAT das
Comunidades locais. Juridicamente, a Delimitação das
Áreas Comunitárias é um processo declarativo de um
direito já existente. Por outras palavras, quando a
Administração Pública delimita uma área comunitária
não está a atribuir nenhum direito `a comunidade local,
pois este direito já foi atribuído por lei.

Limita-se a administração a declarar para todos os


efeitos jurídicos a existência de um DUAT sobre uma
determinada área, ou conforme escreve Maria da
Conceição Quadros, “O despacho do Governador não
é de autorização, mas apenas de reconhecimento do
direito, já que este é adquirido por efeito de ocupação.”

O documento afirma ainda que no entender da ORAM,


a alteração feita no artigo 35 do Regulamento da Lei de
Terras, (artigo 35 Processo relativo ao direito de uso e
aproveitamento da terra adquirido por ocupação pelas
comunidades locais), bem como a circular n
009/DNTF/09, de 16 de Outubro de 2007, restringem o
direito comunitário atribuído por acto normativo de
valor superior, violando desse modo o princípio da
hierarquia das leis. Com efeito a exigência de que as
comunidades locais devem passar a requerer a
delimitação das áreas comunitárias, instruindo o seu

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 71


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

pedido acompanhado de um “documento contendo os


objectivos para os quais as comunidades locais
pretendem com tais áreas “é manifestamente ilegal, na
medida é que os objectivos, para que existe uma
comunidade local já se encontram estabelecidos pela
Lei de Terras, no artigo 1”a comunidade local... Visa a
salvaguarda dos interesses comuns através da
Protecção das áreas habitacionais, áreas agrícolas,
sejam cultivadas ou em pousio, florestas, sítios de
importância cultural, pastagens, fontes de água e áreas
de expansão.”

Por isso, a lei já fixou os objectivos visados pela


comunidade local e a delimitação da terra comunitária
não pode exigir a existência de um documento que
indique os objectivos da comunidade, pois ela não
pode ter outros senão os definidos por lei. E mais a
sujeição do processo de delimitação das áreas
comunitárias ao formalismo processual semelhante ao
da autorização, quanto à matéria de competências, em
resultado da alínea d do artigo 35 do Regulamento da
Lei de Terras, em função extensão das áreas onera e
torna mais difícil o exercício do direto de delimitação
das terras comunitárias. Na verdade, dizer que a
comunidade local deve apresentar documento
contendo objectivos, está-se a exigir um plano de
exploração da terra comunitária e dai pode inferir-se
que se a comunidade não cumprir tal plano corre o
risco de perder a terra comunitária. E isso é um
consenso.

O procedimento da delimitação das terras comunitárias


é um mecanismo criado para fortalecer a segurança

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 72


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

jurídica das referidas terras, bem como facilitar o


formalismo processual de titulação delas. Com a
revisão do artigo 35 da Lei de Terras, ao qual se
acrescentou a alínea d., passou a ser mais difícil às
comunidades locais procederem ao reconhecimento
das áreas comunitárias. Em termos práticos, passou-se
a dizer que na maioria dos casos, o pedido de
delimitação da terra comunitária de uma comunidade
no interior do país deve passar a ser decidido pelo
Conselho de Ministros, sabido quão carregada é a
agenda deste órgão governativo.

5.7.2 Ocupação por pessoas singulares nacionais


que, de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo
menos dez anos, também foi uma inovação;
analisando o artigo 10 do regulamento da lei de
terras, vimos que as pessoas singulares
nacionais que, de boa-fé, estejam a utilizar a
terra há pelo menos dez anos, adquirem o direito
de uso e aproveitamento da terra.

Exceptuam-se os casos em que a ocupação recaia


sobre áreas reservadas legalmente para qualquer fim
ou seja exercida nas zonas de Protecção parcial.

Quando necessário ou a pedido dos interessados, as


áreas onde recaia o direito de uso e aproveitamento da
terra adquirido por ocupação de boa-fé, poderão ser
identificadas e lançadas no cadastro nacional de terras,
de acordo com os requisitos a serem definidos num
anexo técnico.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 73


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

5.7.3 Autorização do pedido apresentado por


pessoas singulares ou colectivas na forma
estabelecida na presente lei.

5.8 Titulação

Tem que haver um documento que evidencia a existência


de um DUAT, o titular tem que usar cuidar e dispor do direito
pois o direito tem que ser oponível a terceiros

O artigo 13 de lei de terras prescreve os termos da


titulação

1. O Titulo será emitido pelos Serviços Públicos de


Cadastro, gerais ou urbanos.
2. A ausência de título não prejudica o direito de uso e
aproveitamento da terra adquirido por ocupação;
3. O processo de titulação do direito de uso e
aproveitamento da terra inclui o parecer das
autoridades administrativas locais, precedido de
consulta às comunidades, para efeitos de confirmação
de que a área está livre e não tem ocupantes
4. Os títulos emitidos para as comunidades locais são
nominativos, conforme a denominação por elas
adoptada.
5. As pessoas singulares, homens e mulheres, membros
de uma comunidade local podem solicitar títulos
individualizados, após desmembramento do respectivo
terreno das áreas da comunidade.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 74


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

O regulamento da lei de terras no seu artigo 12 fala da


co-titularidade do direito de uso e aproveitamento da
terra que se aplicam as regras da compropriedade.

O artigo 13 do mesmo regulamento fala dos direitos


dos titulares

São direitos dos titulares do direito de uso e


aproveitamento da terra, seja adquirido por ocupação,
e já por autorização de um pedido:

a) Defender-se contra qualquer intrusão de uma


segunda parte, nos termos da lei;
b) Ter acesso à sua parcela e aos recursos hídricos
de uso público através das parcelas vizinhas,
constituindo para o efeito as necessárias servidões.

Os requerentes ou titulares do direito de uso e


aproveitamento da terra podem apresentar certidão
da autorização provisória ou título às instituições de
crédito, no contexto de pedidos de empréstimos.

É importante não que não se confundam as coisas


essa apresentação do título ao banco não significa
hipoteca, mas meio de confirmação sobre a
legitimidade do requerente do crédito

O artigo 22 do regulamento da lei de terras fala do


processo de titulação:

Os serviços de cadastro prestarão aos interessados


as informações e esclarecimentos relativos:

a) À legislação aplicável;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 75


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Aos documentos necessários à instrução do


processo;
c) Aos encargos do processo e às taxas aplicáveis;
d) Às exigências do processo de demarcação;
e) Aos benefícios, impedimentos ou restrições à
pretensão dos interessados;
f) Às formas de reclamação e recurso.

5.9 Registo

O artigo 14 da lei de terras de Moçambique determina que a


constituição, modificação, transmissão e extinção do direito
de uso e aproveitamento da terra estão sujeitas a registo.

O artigo 20 do Regulamento da lei de terras no seu número1


fala do registo feito pelos serviços de cadastro

a) Das informações relativas `a identificação das terras onde


recaia o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido
por ocupação pelas comunidades locais ou por pessoas
singulares nacionais;
b) Da autorização provisória;
c) Da revogação da autorização provisória;
d) Do título;
e) Das servidões que se refere o artigo 17 do presente
regulamento (servidões de interesse público);
f) Do valor das taxas devidas e de quaisquer alterações;

2. Os titulares do direito de uso e aproveitamento da terra


devem solicitar aos Serviços de Cadastro que procedam ao
registo:

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 76


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

a) Da compra e venda e oneração de infra-estrutura,


construções e benfeitorias existentes em prédios rústicos;

b) Da compra e venda e oneração de prédios urbanos;

c) Das servidões a que se referem os artigos 13 e 14 do


presente regulamento;

d) Dos contratos de cessão de exploração celebrados para a


exploração parcial e total de prédios rústicos ou urbanos;

e) Dos restantes factos previstos na legislação aplicável.

3. O pedido de registo deve ser apresentado no prazo


máximo de um ano após a data em que ocorreu o acto sujeito
a registo.

4. No caso de transmissão por herança do direito de uso e


aproveitamento adquirido através de pedido de emissão de
um título, devem os herdeiros do(a) falecido(a), munidos de
documentos comprovativo da sua qualidade, solicitar aos
Serviços de Cadastro o registo, no prazo de um ano após a
respectivas habilitação ou sentença judicial.

5. A apresentação do pedido de registo fora dos prazos


referidos nos ns 3 e 4 do presente artigo implicará o
pagamento de multa, nos termos fixados no presente
Regulamento.

6 Prova

Artigo 15 da Lei de Terras

A comprovação do direito de uso e aproveitamento da terra pode ser


feita mediante:

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 77


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

a) Apresentação do respectivo título;


b) Prova testemunhal apresentada por membros, homens e
mulheres, das comunidades locais;
c) Peritagem e outros meios permitidos por lei

Os Drs. Antunes Varela e Henrique Mesquita pronunciaram-se sobre


esta questão ao defenderem que “ terceiros para efeitos de registo,
relativamente a determinada aquisição não registada, são não
apenas aqueles que adquiriram (e registaram) direitos incompatíveis
do mesmo transmitente, mediante negócio que com ele celebrem,
mas também aqueles que adquira (e registem) direitos incompatíveis
em relação ao mesmo transmitente, sem a cooperação da vontade
deste, através de um acto

7.Prazo

O prazo vem contigo no artigo 17 de lei de terras conjugado com


o artigo 18 do regulamento da lei de terras.

Segundo o artigo 17 n° 1 o direito da terra para fins de


actividades económicas está sujeito a um prazo de 50 anos,
renovável por igual período a pedido do interessado. Após o
período de renovação, um novo pedido deve ser apresentado.

O número 2 enumera os casos em que o direito de uso e


aproveitamento de terra não estão sujeitos a prazos:

-adquirido por ocupação pelas comunidades locais;

-destinado à habitação própria;

-destinado à exploração familiar exercida por pessoas singulares


nacionais.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 78


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

O regulamento da lei de terras no seu artigo 18 explicita no seu


número 1”o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido
para a realização de um projecto de investimento, aprovado nos
termos da legislação aplicável aos investimentos nacionais e
estrangeiros terá o prazo correspondente ao prazo fixado pela
Autorização de Investimento não podendo exceder 50 anos e
podendo ser renovado em conformidade com o disposto na Lei
de terras e com os termos de prorrogação da referida
autorização.

O número 2 afirma que o “titular deverá solicitar aos Serviços de


cadastro, doze meses antes do fim do prazo fixado no título, que
lhe seja renovado o período de exercício de direito,
demonstrando que continua a exercer a actividade económica
para a qual o pedido foi inicialmente feito”.

Número 3 ” nos casos em que o pedido de renovação dê entrada


nos Serviços de Cadastro fora do período indicado no número
anterior, o titular ficará sujeito ao pagamento de multa, nos
termos fixados no presente Regulamento.

8.Extinção do Direito de uso e aproveitamento da terra

Segundo a lei de terras no seu artigo 18 conjugado com artigo 19 do


seu regulamento:

O direito de uso e aproveitamento da terra extingue-se:

a) Pelo não cumprimento do plano de exploração ou do projecto


de investimento, sem motivo justificado, no calendário
estabelecido na aprovação do pedido, mesmo que as
obrigações fiscais estejam a ser cumpridas;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 79


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Por revogação do direito de uso e aproveitamento da terra por


motivos de interesse público, precedida de pagamento de
justa indemnização e/ou compensação;
c) No termo do prazo ou da sua renovação;
d) Pela renúncia do titular.

O seu número 2 faz questão de frisar que no caso de extinção do


direito de uso e aproveitamento da terra, as benfeitorias não
removíveis revertem a favor do Estado.

O regulamento no seu artigo 19 explicita melhor o modo como é que


a extinção ocorre:

1. No caso de aquisição do direito de uso e aproveitamento da


terra para o exercício de actividades económicas, o
incumprimento do plano de exploração, sem motivo
justificado, implica a extinção do direito de uso e
aproveitamento da terra e é constatado pelos Serviços que
superintendem a respectiva actividade económica.
2. Quando a terra não se destine ao exercício de actividades
económicas, a não realização do empreendimento proposto,
sem motivo justificado, implica a extinção do direito de uso e
aproveitamento da terra e é constatado pelos Serviços de
Cadastro.
3. O processo de extinção do direito de uso e aproveitamento da
terra, por motivo de interesse público, será paralelo ao
processo de expropriação e é precedido do pagamento de
justa indemnização/ e ou compensação.
4. A declaração da extinção do direito de uso e aproveitamento
da terra é feita pela entidade que autorizou o pedido de
emissão do título ou reconheceu o direito de uso e
aproveitamento da terra adquirido por ocupação.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 80


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

9.Exercício de actividades económicas

Importa referir que está lei surgiu num momento em que o país
pretendia atrair investidores e exigia se do legislador
moçambicano as garantias para quem pretendia investir o seu
dinheiro na actividade agrícola.

O artigo 19 da lei de terras prescreve que o requerente de um


pedido de uso e aproveitamento da terra deve apresentar um
plano de exploração.

O artigo 25 do regulamento que tem como epigrafe Projectos de


investimento privado determina que:

1. Para a realização de projectos de investimento privado que


impliquem a aquisição do direito de uso e aproveitamento da
terra, será feito um trabalho para a identificação prévia do
terreno, envolvendo os Serviços de Cadastro, as autoridades
administrativas locais e as comunidades locais, o qual será
documentado no esboço e memória descritiva, seguindo-se o
disposto no artigo 24 do presente Regulamento.
2. Nos termos da legislação sobre investimentos e do presente
Regulamento, estão excluídos os pedidos de terra destinados
à construção própria.

O artigo 26 do regulamento fala na necessidade de existência de


pareceres técnicos.

1. Compete aos Serviços que superintendem as actividades


económicas para as quais foi pedido o terreno emitir um
parecer técnico sobre o plano de exploração.
2. Se a informação contendo o parecer técnico

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 81


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

10 Licenciamento e direito de uso e aproveitamento da terra

O artigo 20 prescreve que a aprovação do pedido de uso e


aproveitamento da terra não dispensa a obtenção de licença ou
outras autorizações exigidas por:

a) Legislação aplicável ao exercício das actividades económicas


pretendidas, nomeadamente agro-pecuárias ou agro-
industriais, industriais, turísticas, comerciais, pesqueiras e
minerais e à Protecção do meio ambiente;
b) Directrizes dos planos de uso da terra;

Para obtenção de outras licenças como para actividades de


mineração, aquícola é exigida o título comprovativo do direito de uso
e aproveitamento da terra ou documentos atestando que o
requerente ocupa legalmente a área onde tal actividade será
desenvolvida.

As licenças terão o seu prazo definido de acordo com a legislação


aplicável, independentemente do prazo autorizado para o exercício
do direito de uso e aproveitamento da terra.

11. Competência para atribuição de terras de acordo com a


extensão

Aqui podíamos pedir emprestado ao direito processual o termo-


alçada

O artigo 22 da lei de terras determina que em áreas não cobertas


por planos de urbanização. Compete:

11. 1 Aos governos provinciais:

a) Autorizar pedidos de uso e aproveitamento da terra de


áreas até ao limite máximo de 1000 hectares;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 82


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Autorizar licenças especiais nas zonas de Protecção


parcial;
c) Dar parecer sobre os pedidos de uso e aproveitamento da
terra relativos a áreas que correspondam à compet6encia
do Ministro da Agricultura e Pescas (quando esta lei foi
aprovada a terra era tratada no ministério da Agricultura e
Pescas hoje existe ministério da Terra, Ambiente e
Desenvolvimento Rural.

11.2 Ao Ministro que superintende a terra:

a)Autorizar os pedidos de uso e aproveitamento da terra de áreas


entre 1000 a 10000 metros;

b) Autorizar licenças especiais nas zonas de Protecção total;

c) Dar perecer sobre os pedidos de uso e aproveitamento da


terra relativos a áreas que ultrapassem a sua competência.

11.3. Ao Conselho de Ministros:

a) Autorizar pedidos de uso e aproveitamento da terra de áreas


que ultrapassem a competência do Ministro que superintende
a área das terras, desde que inseridos num plano de uso da
terra ou cujo enquadramento seja possível num mapa de uso
da terra;

b) Criar, modificar ou extinguir zonas de Protecção total e


parcial;

c) Deliberar sobre a utilização do leito das águas territoriais e


da plataforma continental.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 83


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

12. Alçada dos Conselhos Municipais e de Povoação e


Administração do Distrito

Segundo o artigo 23 da lei de terras a lei 19/97 de 1 de Outubro,


compete aos presidentes dos Conselhos Municipais e de Povoação
e aos Administradores do Distrito, nos locais onde não existam
órgãos municipais, autorizar pedidos de uso e aproveitamento da
terra nas áreas cobertas por planos de urbanização e desde que
tenham serviços públicos de cadastro.

Tendencialmente a agricultura desenvolve-se no campo, nas zonas


rurais fora das cidades, os conselhos municipais são autarquias e as
nossas autarquias são tendencialmente urbanas e a autarcização do
país tende a ser um processo contínuo é por isso que o legislador
criou este artigo de forma a evitar um vazio legislativo.

Comunidades locais artigo 24 da lei de terras

Nas áreas rurais, as comunidades locais participam:

a) Na gestão de recursos naturais;


b) Na resolução dos conflitos;
c) No processo de titulação, conforme o estabelecido no n° 3 do
artigo 13 da presente lei;
d) No exercício das competências referidas nas alíneas a) e b) do
n° 1 do presente artigo, as comunidades locais utilizam, entre
outras, as normas e práticas costumeiras.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 84


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

12 Autorização de pedidos de uso e aproveitamento da terra

De acordo com a legislação de terras existem a autorização


provisória contida no artigo 25 de lei de terras e artigo 28 do
Regulamento da lei de terras e autorização definitiva contida no
artigo 26 da lei de terras e artigo 31 do regulamento da lei terras.

Autorização provisória artigo 25 da lei de terras.

6 Após a apresentação do pedido de uso e aproveitamento da


terra, é emitida uma autorização provisória.
7 A autorização provisória tem a duração máxima de cinco anos
para as pessoas nacionais e de dois para as pessoas
estrangeiras.

Esta distinção entre nacionais e estrangeiros tem a aua razão de


ser:

- Estimular o investimento estrangeiro;

Artigo 28 do regulamento da lei de terras.

1. Uma vez completo o processo, os Serviços de Cadastro


apresentarão ao Governador da Província para decisão, nos
casos da sua competência.
2. Nos restantes casos, após a apreciação pelo Governador da
província, o processo será enviado aos Serviços centrais de
Cadastro, que submeterá à decisão da entidade competente.
3. Em ambos os casos referidos nos números anteriores, a
autorização emitida terá carácter provisório, válida por um
período de cinco anos para estrangeiros.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 85


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Conteúdo da autorização provisória artigo 29 da lei de terras.

A autorização provisória conterá os seguintes elementos:

a) Identificação da entidade que autorizou o pedido e data do


despacho de autorização;
b) Número da autorização;
c) Identificação do requerente;
d) Esboço, área, localização e número de identificação da
parcela no registo cadastral;
e) Prazo da autorização provisória;
f) Tipo ou tipos de exploração para que foi concedida a
autorização;
g) Taxas devidas;
h) Data e local da emissão;
i) Assinatura do responsável pelos Serviços que emitem a
autorização e a respectiva chancela;

14 Demarcação

A demarcação é feita dentro da autorização provisória artigo 30 do


Regulamento da lei de terras. Conjugado com os artigos 4 e 15 do
anexo técnico ao regulamento da lei de terras.

1. Emitida a autorização provisória, no caso de um processo


relativo ao direito de uso e aproveitamento da terra adquirido
ao abrigo duma autorização, os Serviços de Cadastro
notificarão o requerente para a comunicação do despacho e
para necessidade de fazer demarcação.
2. Após a notificação, o requerente deverá proceder a
demarcação no prazo de um ano, seja por via oficial, através

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 86


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

dos Serviços de Cadastro, seja solicitando a aprovação do


contrato com um agrimensor ajuramentado.
3. Findo o prazo de um ano sem que tenha sido apresentado o
respectivo processo técnico e não tenha sido recebida uma
justificação aceitável pelos Serviços de Cadastro, estes
notificarão o requerente do iminente cancelamento da
autorização provisória.
4. O requerente poderá solicitar que, em vez do cancelamento,
lhe seja prorrogado o prazo por mais noventa dias. Este
segundo prazo é improrrogável.
5. Os requisitos para a demarcação serão definidos no anexo
técnico.

14.1 Objectivo

1. A delimitação tem como objectivo estabelecer, no terreno, aas


condições necessárias para:

a) A emissão de um título comprovativo do direito de


uso e aproveitamento da terra adquirido por
ocupação pelas comunidades locais;
b) A emissão de um título comprovativo do direito de
uso e aproveitamento da terra adquirido por
ocupação por pessoas singulares nacionais que, de
boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez
anos;
c) A determinação da área exacta da parcela na qual
uma pessoa singular ou colectiva nacional ou
estrangeira pretende exercer actividades
económicas ou realizar um empreendimento, após
a emissão da autorização provisória, nos termos
dos artigos 28 e 29 do RLT.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 87


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

14.2 A falta de demarcação não prejudica o direito de uso


e aproveitamento da terra adquirido por ocupação pelas
comunidades locais e por pessoas singulares nacionais, mas,
quando pretenderem a emissão de um título, seguem-se as regras
do presente capítulo.

15 Medições, cálculos e limites artigo 4

1. Nos pontos de limite não existentes em mapas topográficos


são efectuadas medições e calculadas as coordenadas.
2. A precisão das coordenadas e cálculos é adaptada à posição,
dimensão e tipo de utilização da área, segundo as regras
constantes nas instruções emitidas pelos Serviços de
Cadastro.
3. No caso da delimitação de áreas ocupadas pelas
comunidades locais, a precisão das medições no esboço não
deve ser inferior a um segundo, ou seja aproximadamente
trinta metros.
4. Quando não houver limites naturais ou artificiais de caráter
permanente, a direcção do limite é assegurada através de
outras marcas físicas, tais como árvores, montes de pedras
ou marcos de cimento. No caso das comunidades locais,
poderão ser feitas novas plantações de árvores ou arbustos,
na presença das comunidades vizinhas.

16 Anexo técnico Artigo 6

Realização da delimitação

Para a execução das várias fases da delimitação, observa-se o


seguinte:

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 88


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

1. As fases de informação e divulgação, diagnóstico


participativo, elaboração do esboço e sua memória
devolução, descritas nos artigos 8,10,11 e 12 do presente
Anexo Técnico, são realizadas sob a orientação de uma
equipa de trabalho com formação específica sobre os
procedimentos prescritos no presente anexo técnico.
2. Nas fases de elaboração do esboço e sua memória e
devolução, descritas nos artigos 11 e 12 do presente anexo
técnico, participa obrigatoriamente um técnico com
conhecimentos básicos em topografia, que pode ser um
funcionário dos Serviços de Cadastro ou exercer a profissão a
titulo privado, para que deve ser anexo o respectivo
certificado.

Importa frisar que neste regulamento esta patente a figura do


agrimensor ajuramentado (agri de agrícola e mensor se referindo a
medida) é o profissional que mede e divide propriedades rurais e
urbanas. Trabalha em conjunto com o topógrafo. N 2 do artigo 6 do
anexo.

ATRLT artigo 16

1. Os limites são identificados na presença do agrimensor, do


titular ou requerente e dos vizinhos.

Importa fazer um parenteses para falar da figura do


agrimensor.

O agrimensor era um funcionário nomeado pelo faraó com a


tarefa de avaliar os prejuízos das cheias e restabelecer as
fronteiras entre as diversas propriedades.

A propriedade era um bem respeitado pelos egípcios. Roubar


a terra de alguém era um dos Crimes imperdoáveis. Como
todo ano o rio Nilo inundava as terras apagando as marcas
físicas de cada propriedade, surgiu tal necessidade de medir

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 89


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

o território de cada pessoa. A medição de terras auxiliava


também na arrecadação de impostos de áreas rurais.

Os agrimensores dividiam os lotes em formas geométricas


como triângulo e retângulo.

Nos dias de hoje, o Agrimensor é integrante das engenharias,


intitulado como Engenheiro Agrimensor. Profissional que
trabalha com ciências como: Topografia, Cartografia,
Aerofotogrametria, Geodésia e também com tecnologias
como Sistema de Posicionamento Geográfico: GPS, Sistemas
de Informações Geográficas e Sensoriamento Remoto
(imagens de satélite)

Leituras Complementares

Moçambique. Lei de Terras lei n° 19/97 de 1 de Outubro;

Moçambique, Regulamento da lei de terras Decreto n° 66/98


publicado no BR n° 48, 3° Suplemento de 8 de Dezembro de 1988

Actividades

Diga quais dessas frases são verdadeiras e quais as falsas.

1. Na República de Moçambique a terra é propriedade privada----


2. O Direto de uso e aproveitamento da Terra não pode ser
transmitido por herança----

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 90


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

3. Comunidade local é qualquer sociedade ou instituição constituída


nos termos de legislação moçambicana ou estrangeira, cujo
capital social seja detido em mais de cinquenta por cento por
cidadãos, sociedades ou instituição estrangeira-----
4. O Direito Agrário como ramo do Direito não visa o estudo das
relações entre o homem e a propriedade rural-----
5. O Direito de uso e aproveitamento da terra não pode ser
transmitido nem as benfeitorias ali existentes.------

Caso 1
Sr. Nhantumbo requereu no ano de 2001 ao Conselho Municipal da
Cidade da Matola a concessão de Direito de Uso e Aproveitamento
da Terra, para a instalação de um complexo agropecuário.
Após a apresentação do pedido o Conselho municipal emitiu uma
licença provisoria em 2002.
O projecto não foi implementado Sr. Nhantumbo, foi intimado para
justificar o porquê do não aproveitamento da terra.
Em 2003 o Concelho Municipal revogou o DUAT que havia
concedido ao Sitoe? Quid Juris.

Caso 2
João titular do DUAT duma parcela situada no Bairro Triunfo,
pretende construir na referida parcela uma moradia, não dispondo
de recursos financeiros contactou o Banco Metical solicitando um
empréstimo 3 milhões de meticais.

O banco pediu garantia pelo que João apresentou o Titulo do DUAT.

Como gerente do aceitaria o terreno como garantia.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 91


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TÉMÁTICA 6

TRANSMISSIBILIDADE DA TERRA (DIREITO DE USO E


APROVEITAMENTO DA TERRA)

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos

Esta unidade merece um destaque especial pois é aqui onde reside


o cerne da questão agrária, a causa dos principais conflitos. Por isso
no fim da unidade, o estudante deve ser capaz de :

Dissipar todos os equívocos quanto a transmissibilidade do


DUAT esclarecendo em que termos se transmite o DUAT

6. Aspectos essenciais da abordagem

Para além de ter merecido mais atenção na actual lei de terras (na
antiga lei o Direito de uso e aproveitamento de terra era um direito
iminentemente pessoal intuitu personae, o que na pratica
provocava muitas injustiças e incoerências jurídicas tais como no
caso de heranças, apesar da constituição reconhecer o direito a
herança o direito de Uso e aproveitamento da terra não podia ser
transmitido. Actualmente a transmissibilidade constitui fonte
potencial de conflitos, se a mesma não estiver adequada à situação
económica, política e social do país e não estiver devidamente
regulamentada, esse potencial pode levar a grandes convulsões.

Os dispositivos legais relativos à possibilidade, termos e condições


para a transmissão de direitos sobre a terra, que constitui tema
desta apresentação, são, pois, de grande relevância, apresentando-
se a seguir alguns aspectos desta problemática, com base na

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 92


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

legislação de terras em vigor em Moçambique e a experiência da


sua aplicação ao longo destes anos.

Há quem defenda que a privatização da terra e a consequente


liberalização da transaccionabilidade dos títulos iria contribuir melhor
para acelerar o desenvolvimento do País, atraindo mais
investimento, diminuindo a burocracia e a dificuldade de acesso à
terra, em especial para fins empresariais, possibilitando mais fácil
acesso ao crédito. Por outro lado, outros consideram que se deve
manter a propriedade pública da terra, de forma a defender os
interesses dos camponeses pobres, que tem aquela como único ou
principal meio para garantir a sua subsistência. Esta apresentação
não se debruça sobre essa temática, restringindo-se ao actual
quadro constitucional e legal moçambicano.

A Lei de Terras – Lei nº 19/97 de 1 de Outubro (LT) e respectivo


Regulamento, aprovado pelo Decreto 66/98 de 8 de Dezembro
(RLT), bem como o Regulamento do Solo Urbano, aprovado pelo
Decreto 60/2006 de 26 de Dezembro (RSU), contêm os princípios e
regras fundamentais relativas à transmissibilidade de direitos sobre a
terra. Com base nestes diplomas legais, na legislação de direito civil
e demais legislação em vigor no País, abordar-se-ão as seguintes
formas de transmissão de direitos sobre a terra:

6.1 Transmissão “mortis causa” como já foi dito foi uma inovação
da lei 19/97;

6.2 Transmissão “inter vivos”

6.2.1 Por transmissão de prédios urbanos

6.2.2 Por desmembramento de áreas das comunidades

6.2.3 Por acessão

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 93


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

6.2.4 Por transmissão de infra-estruturas, construções e benfeitorias


(ICB)

6.3 O caso das licenças especiais

6.3.1. Transmissão “mortis causa”

Esta forma de transmissão está prevista no artigo 16 da Lei de


Terras, sendo-lhe aplicáveis as normas de direito sucessório em
vigor no País, constantes dos artigos 2024 e seguintes do Código
Civil. Há que referir que a possibilidade de a transmissão “mortis
causa” pode dar-se quer na sucessão legítima, quer na
testamentária. No caso de haver mais de um herdeiro relativamente
ao DUAT, o direito dos mesmos será exercido sob a forma de co-
titularidade, nos termos do nº 2 do 10 da LT e artigo 12 do RLT. No
entanto, a transmissão “mortis causa”, tratando-se de direitos sobre
a terra emergentes da titularidade de títulos mineiros, está sujeita a
autorização estatal, como resulta das disposições combinadas do
artigo 43 da 14/2002 de 26 de Junho (Lei de Minas-LM-), e artigo
104 do Regulamento da Lei de Minas, aprovado pelo Decreto
28/2003 de 17 de Junho (RLM). A entidade estatal competente pode,
inclusivamente, impor a obrigatoriedade de constituição de uma
sociedade ou associação entre os herdeiros, no caso de área sujeita
a título mineiro ser indivisível (nº 5 do artigo 104 do RLM).

6.3.2 Transmissão “inter vivos”

Por transmissão de prédios urbanos

Neste caso, a transmissão do DUAT não carece de autorização do


Estado. Embora não resulte claramente da lei, parece que a
dispensa de autorização estatal só se aplica às situações de
edifícios já concluídos, sem o que estaremos em presença de
transmissão de infra-estruturas, construções e benfeitorias, prevista
no nº 2 do artigo 16 da LT, em que aquela autorização é necessária.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 94


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

6.3.2 Por desmembramento de áreas das comunidades

As comunidades locais, que ocupem a terra segundo as práticas


costumeiras, adquirem o direito de uso e aproveitamento dessa terra
(alínea a) do artigo 12 da LT). Em conformidade com o nº 5 do artigo
13 da LT e nº 1 do artigo 15 do RLT, é lícito o desmembramento de
áreas da comunidade, emitindo-se títulos individualizados para os
membros da comunidade. Assim, esta é uma forma de transmissão
de direitos sobre a terra, a qual tem como únicas restrições a
necessidade de consulta em conformidade com a legislação sobre
terras e a proibição de serem abrangidas áreas de uso comum.

Mesmo na venda de prédios rústicos existe a transmissão do DUAT,


só que não é automática

6.4 Por acessão

Trata-se de uma via de transmissão de direitos sobre a terra pouco


tratada na doutrina. De facto, mesmo em situação em que não existe
propriedade privada da terra, é possível que por força da natureza
ou da acção do homem, as infra-estruturas, construções ou
benfeitorias de alguém se unam ou confundam com a terra ou ICB
de outrem, sem possibilidade de separação ou de cuja separação
resulte prejuízo para as partes. Imagine-se, a título de exemplo, um
caso de alguém a quem tenha sido feita a atribuição de DUAT sobre
um terreno sobre o qual já recaía um outro DUAT e tenha erguido
uma infra-estruturas ou edifício. Parece que se teria que recorrer-se
às regras e soluções sobre a acessão previstas nos artigos 1327 e
seguintes do Código Civil, podendo ter que haver lugar à
transmissão do DUAT, em particular nos casos de união ou
confusão casual ou de boa-fé.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 95


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

6.5 Por transmissão de infra-estruturas, construções e


benfeitorias

6.5.1 Critério para autorização da transmissão

Parece não existirem dúvidas que a legislação em vigor


relativamente à transmissão entre vivos de benfeitorias, construções
e infra-estruturas se tem revelado com uma série de lacunas,
tornando o processo moroso, não uniforme, complexo e pouco
transparente, o que dificulta o desenvolvimento, particularmente o do
empresariado, havendo inúmeros casos de transmissões irregulares
de terra em Moçambique. É que, não estando claramente definidos
os critérios para a autorização da transmissão pela entidade estatal
competente, os interessados ficam sujeitos a uma larga margem de
discricionariedade e de incerteza, que pode levar a aproveitamentos
ilícitos.

As questões que se levantam são relacionadas com o facto de não


estar claro se a construção de uma estrada, de um muro, de uma
dependência, de uma parte de um edifício, etc. é suficiente para a
obtenção da autorização da sua transmissão.

A aprovação de legislação fixando critérios mais objectivos de


autorização poderia obviar a este inconveniente. Por exemplo,
poder-se-ia estabelecer que, para efeitos específicos de transmissão
de benfeitorias, construções e infra-estruturas, considera-se que há
cumprimento do plano de exploração, sempre que aquelas se
inseriam no plano de exploração aprovado e que correspondam a
pelo menos um certo número de vezes o valor da taxa anual do
direito de uso e aproveitamento da terra, em vigor no momento em
que se requer a transmissão e aplicável à parcela de terra onde
estão inseridos os bens a transmitir.

Caso a transmissão fosse requerida por pessoa que seja membro de


uma comunidade local, a transmissão será paralela a um processo

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 96


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

de desmembramento e, de forma a garantir que a porção de terra


ocupada pelas comunidades locais não seja toda transmitida através
de desmembramentos para transmissão de benfeitorias, construções
ou infra-estruturas pelos seus membros, mesmo que sob
autorização da comunidade local em causa, cada membro da
comunidade só poderia desmembrar até uma certa percentagem da
parcela que lhe cabe.

A comunidade local poderia exigir que o desmembramento, em


apreciação de cada caso em concreto, seja inferior à percentagem
referida, desde que justifique que a parcela restante após o
desmembramento não será suficiente para cobrir as necessidades
do membro requerente ou da família que esteja sob os cuidados
deste.

Nos casos em que não exista plano de exploração e nos que haja
isenção do pagamento da taxa anual de direito de uso e
aproveitamento da terra, a fórmula usada para avaliação patrimonial
das benfeitorias seria a mesma indicada anteriormente,
considerando-se a taxa que se pagaria se não houvesse a isenção.

Se mostrasse necessário, a entidade competente para autorizar o


pedido de transmissão poderia decidir que fosse feita vistoria para
se confirmar o estado das benfeitorias, construções ou infra-
estruturas.

Ainda como forma de facilitar o acesso ao crédito e na linha do que


dispõe o nº 2 do artigo 13 do RLT, a legislação deveria prever a
possibilidade de, no caso alguém ter beneficiado de um empréstimo
e de sobre a parcela para a qual o mesmo foi concedido nada tiver
sido feito ou erguido, ou as benfeitorias, construções ou infra-
estruturas existentes não reunirem os requisitos legais, na linha do
acima referido, para a sua transmissão, não tendo o devedor outros
bens a serem penhorados no âmbito do processo executivo

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 97


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

instalado, ser considerado como revogado o DUAT relativo à terra


em causa e que o credor goze do direito de aquisição do mesmo.
Poderia prever que, mesmo tendo sido feitas benfeitorias,
construções ou infra-estruturas pelo devedor, e desde que tenha
sido celebrado contrato-promessa de constituição de hipoteca sobre
as mesmas, a transmissão do DUAT se efetive por força do
processo judicial que eventualmente tenha lugar, sem necessidade
de autorização estatal, caso o devedor incumpra as suas obrigações
de pagamento do empréstimo.

Artigo 31 do RLT.

Após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo antes


desse período, se o interessado assim o requerer, será feita uma
vistoria para a verificação da realização do empreendimento
proposto ou do cumprimento do plano de exploração, segundo o
calendário aprovado. Constatada a realização do empreendimento
ou o cumprimento do plano de exploração, será dada autorização
definitiva do uso e aproveitamento da terra e emitido o respectivo
título.

6.7 Autorização definitiva artigo 26 da LT

Desde que cumprido o plano de exploração dentro do período de


autorização definitiva de uso e aproveitamento da terra e emitido o
respectivo título.

Revogação da autorização provisória artigo 27 da LT

No término da autorização provisória, constatado o não cumprimento


do plano de exploração sem motivos justificados, pode a mesma ser
revogada, sem direito a indemnização pelos investimentos não
removíveis entretanto realizados.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 98


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

6.8 Revogação da autorização provisória Artigo 32 do RLT

1. No termo da autorização provisória, se constatar o não


cumprimento do plano de exploração sem motivos
justificados, no caso de aquisição do direito de uso e
aproveitamento da terra para o exercício de actividades
económicas, ou a não realização do empreendimento
proposto, nos restantes casos, os Serviços de Cadastro
promoverão a sua revogação.
2. A revogação da autorização provisória não dá direito a
indemnização pelos investimentos realizados.
3. Após o despacho de revogação da autorização provisória, os
Serviços de Cadastro procederão ao cancelamento do
processo.

O legislador pretende evitar que existam nas mãos de


pessoas extensões de terra que não estejam a ser
aproveitadas dai a inclusão da revogação da autorização.

O termo plano de exploração no sentido amplo pois inclui não


só a exploração sob ponto de vista económico com também
sob ponto de vista biológico. A terra para além de ser meio de
produção é também bem biológica.

O regulamento no artigo 33 da RLT prevê a figura da redução


da área de exploração.

No termo da autorização provisória, o interessado poderá


solicitar que lhe seja reduzida a área inicialmente autorizada.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 99


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Leituras Complementares
Moçambique. Lei de Terras lei n° 19/97 de 1 de Outubro;

Moçambique, Regulamento da lei de terras Decreto n° 66/98


publicado no BR n° 48, 3° Suplemento de 8 de Dezembro de 1988

Moçambique. Anexo Técnico Ao Regulamento da Lei de Terras


aprovado pelo Diploma Ministerial n° 29-A/2000 de 17 de Março.

Actividades
II

1. Em 2001 Luísa requereu junto do município da Manhiça a


concessão de um espaço para construção de um empreendimento
agro-pecuário para tal necessitava de 300 hectares. Em 2003 o
referido município atribuiu a parcela requerida, ao que ela procedeu
a demarcação ainda em 2003. E semeou milho, batata, construiu
pocilgas, currais para 2000 cabeças de gado bovino, furo de água,
uma vivenda.
Em 2010 recorreu ao banco Metical solicitando um
empréstimo de 3 milhões de meticais. A referida instituição
financeira (banco metical) condicionou a concessão a apresentação
de garantias, pelo que Luísa apresentou o título comprovando sua
propriedade sobre o prédio rustico.
Como gerente do banco aceitaria tal garantias? Justifique!

2 Em 1999 João requereu junto da Administração do Distrito


de Marracuene a concessão de um espaço para a implantação de

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 100


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

um complexo Hoteleiro com campo de golfe, hotel cinco estrelas,


ginásios, lojas.
Em 2002 foi-lhe atribuído uma parcela de 50 hectares, no
mesmo ano precedeu se a demarcação do espaço, construi, 5 casas,
1 ginásio, depois não fez mais nada e nem prestou esclarecimentos
sobre o cumprimento do plano e sumiu em 2007.
Em 2010 a administração retirou o DUAT que havia sido concedido
ao João e concedeu ao António que construiu um complexo
habitacional. Em 2012 João tomou conhecimento do complexo
habitacional e começou a reclamar, dizendo que era titular do DUAT.
Justificou que abandonara o espaço pois encontrava se fora do país
a estudar, apresentou documentos, justificativos, sempre pagou as
taxas.
Quid Juris!

3.João proprietário de um prédio rustico na vila de Marracuene,


necessitando de dinheiro para pagar tratamento médico da sua
esposa, decidiu vender o mesmo para sr. Muller de nacionalidade
sul-africana adquiriu o referido bem. Pagando integralmente a
importância de 3 milhões de meticais.

Sr. Muller tomou posse do lugar, vedou, a população vendo um


vizinho estranho contactou a Administração do distrito que tratou de
indicar um funcionário para deslocar se ao local afirmando que o
negocio celebrado entre João e Muller estava enfermado de diversas
irregularidades.

Quid Juris!

Assinale a afirmativa certa.

1 a) Registo: Sumário do conteúdo de documentos legais definindo o


direito de uso e aproveitamento da terra, organizado segundo o
número da parcela, consistindo numa parte textual e num mapa
cadastral, que faz parte do Cadastro Nacional de Terras;------

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 101


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Registo: Resumo de documentos legais definindo o direito de uso


e aproveitamento da terra, organizado segundo o número da parcela,
consistindo numa parte textual e num mapa cadastral, que faz parte
do Cadastro Nacional de Terras;------

c) Registo: Sumário do conteúdo de documentos legais definindo o


direito de uso e aproveitamento da terra, organizado segundo o
número da parcela, não consistindo numa parte textual e num mapa
cadastral, que faz parte do Cadastro Nacional de Terras------

2 a) De acordo com a legislação de terras de Moçambique, nas


Zonas de Protecção parcial não pode ser adquirido o direito de uso e
aproveitamento da terra, mesmo no caso de pessoas singulares
nacionais no aglomerados urbanos nas zonas fronteiriças;------

b) De acordo com a legislação de terras de Moçambique, nas Zonas


de Protecção parcial não pode ser adquirido o direito de uso e
aproveitamento da terra, exceptua-se o caso de pessoas singulares
nacionais no aglomerados urbanos nas zonas fronteiriças.-------

c) De acordo com a legislação de terras de Moçambique, nas Zonas


de Protecção parcial pode ser adquirido o direito de uso e
aproveitamento da terra, mesmo no caso de pessoas singulares
nacionais no aglomerados urbanos nas zonas fronteiriças;-----

3) a) A compra e venda de infra-estruturas, construções e


benfeitorias existentes em prédios rústicos não implica a
transmissão automática do direito de uso e aproveitamento da terra;-
----

b) A compra e venda de infra-estruturas, construções e benfeitorias


existentes em prédios rústicos implica a transmissão automática do
direito de uso e aproveitamento da terra;------

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 102


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

c) A compra e venda de infra-estruturas, construções e benfeitorias


existentes em prédios urbanos e rústicos não implica a transmissão
automática do direito de uso e aproveitamento da terra;----

4 a) Com a transmissão de prédios urbanos propriedade de pessoas


singulares não carece de prévia autorização, está exigida tratando
se de pessoas colectivas;------

b) A transmissão de prédios urbanos de propriedade de pessoas


singulares e colectivas dependem do administrador do Distrito
Urbano;---

c) A transmissão de prédios urbanos propriedade de pessoas


singulares ou colectivas não carece de prévia autorização do Estado.
Com a transmissão de prédios urbanos transmite-se o direito de uso
e aproveitamento da terra.-----

5) a) Quando por motivo de necessidade de utilização de parte de


um terreno objecto do direito de uso e aproveitamento da terra, seja
para a instalação de condutores aéreos, superficiais ou
subterr6aneos de electricidade, de telecomunicações, petróleo, gás,
água ou outros, houver restrição desse direito, em quantia que
represente o efectivo prejuízo pela não utilização da parte afectada,
constituindo se sobre ela a respectiva servidão, a qual será registada
no Cadastro nacional de Terras e Averbada no título.------

b) Quando por motivo de não necessidade de utilização de parte de


um terreno objecto do direito de uso e aproveitamento da terra, seja
para a instalação de condutores aéreos, superficiais ou
subterr6aneos de electricidade, de telecomunicações, petróleo, gás,
água ou outros, houver restrição desse direito, em quantia que
represente o efectivo prejuízo pela não utilização da parte afectada,
constituindo se sobre ela a respectiva servidão, a qual será registada
no Cadastro nacional de Terras e Averbada no título.-----

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 103


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

c)Quando por motivo de necessidade de utilização de parte de um


terreno objecto do direito de uso e aproveitamento da terra, seja
para a instalação de condutores aéreos, superficiais ou subterrâneos
de electricidade, de telecomunicações, petróleo, gás, água ou outros,
houver restrição desse direito, em quantia que represente o efectivo
prejuízo pela não utilização da parte afectada, constituindo se sobre
ela a respectiva servidão, a qual não será registada no Cadastro
nacional de Terras e Averbada no título.----

6)

a) De acordo com a legislação moçambicana a declaração de


extinção do direito de uso e aproveitamento da terra não pode ser
feita pela entidade que autorizou o pedido de emissão do título ou
reconheceu o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido por
ocupação;---

b) De acordo com a legislação moçambicana a declaração de


extinção do direito de uso e aproveitamento da terra é feita pela
entidade que autorizou o pedido de emissão do título ou reconheceu
o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido por ocupação;---

c) De acordo com a legislação moçambicana a declaração de


extinção do direito de uso e aproveitamento da terra é feita pela
entidade que autorizou o pedido de emissão do título ou reconheceu
o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido por ocupação.---

7.a) No caso de transmissão por herança do direito de uso e


aproveitamento adquirido através de pedido de emissão de um título,
podem os herdeiros do(a) falecido (a), munidos de documentos
comprovativo da sua qualidade, solicitar aos serviços de Cadastro o
registo, no prazo de um ano após a respectiva habilitação ou
sentença judicial---

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 104


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) No caso de transmissão por herança do direito de uso e


aproveitamento adquirido através de pedido de emissão de um título,
devem os herdeiros do(a) falecido (a), munidos de documentos
comprovativo da sua qualidade, solicitar aos serviços de Cadastro o
registo, no prazo de um ano após a respectiva habilitação ou
sentença judicial---

c) No caso de transmissão por herança do direito de uso e


aproveitamento adquirido através de pedido de emissão de um título,
não devem os herdeiros do(a) falecido (a), munidos de documentos
comprovativo da sua qualidade, solicitar aos serviços de Cadastro o
registo, no prazo de um ano após a respectiva habilitação ou
sentença judicial---

a)Só após o fim de período da autorização provisória, será feita uma


vistoria para a verificação da realização da realização do
empreendimento proposto ou de cumprimento do plano de
exploração, segundo calendário aprovado será dada a autorização
definitiva;---

b) Após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo antes


desse período, se o interessado assim o requerer, será feita uma
vistoria para a verificação da realização do empreendimento
proposto ou do cumprimento do plano de exploração, segundo
calendário aprovado. Constatada a realização do empreendimento
ou o cumprimento do plano de exploração, será dada autorização
definitiva do uso e aproveitamento da terra e emitido o respectivo
título---

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 105


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

c) Após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo antes


desse período, se o interessado assim o requerer, será feita uma
vistoria para a verificação da realização do empreendimento
proposto ou do cumprimento do plano de exploração, segundo
calendário aprovado. Não constatada a realização do
empreendimento ou o cumprimento do plano de exploração, será
dada autorização definitiva do uso e aproveitamento da terra e
emitido o respectivo título---

9-

a) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura
superior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias
interiores e podendo ter um ou vários pisos;---

b) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura
inferior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias
interiores e podendo ter um ou vários pisos;----

c) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura
superior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias
exteriores e podendo ter um ou vários pisos;---

10

a) A celebração do contrato de cessão de exploração está


igualmente sujeita a aprovação prévia da entidade que
autorizou o pedido de aquisição ou de reconhecimento do
direito de uso e aproveitamento da terra e, no caso das
comunidades locais, não depende do consentimento dos seus
membros----

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 106


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) A celebração do contrato de cessão de exploração não sujeita


a aprovação prévia da entidade que autorizou o pedido de
aquisição ou de reconhecimento do direito de uso e
aproveitamento da terra e, no caso das comunidades locais,
depende do consentimento dos seus membros------
c) A celebração do contrato de cessão de exploração está
igualmente sujeita a aprovação prévia da entidade que
autorizou o pedido de aquisição ou de reconhecimento do
direito de uso e aproveitamento da terra e, no caso das
comunidades locais, depende do consentimentos dos seus
membros

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 107


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

UNIDADE TEMÁTICA 7

7.1 Anexo Técnico ao Regulamento da lei de terras

Elaborado por: Ademar Arlindo Gume Tembe

Objectivos

Esta unidade merece um tratamento a parte, devido a


importância que a nova legislação deu as comunidades
locais, foi necessário clarificar o modo de actuação delas.

No fim desta unidade o estudante deve:

1. Conhecer determinados termos;


2. Conhecer o papel das comunidades na resolução de
conflitos, mecanismo de actuação.

Como já foi dito, uma das grandes inovações desta lei foi a
introdução da figura de comunidades locais que foi já definida
como agrupamento de famílias e indivíduos, vivendo numa
circunscrição territorial de nível de localidade ou inferior, que
visa a salvaguarda de interesses comuns através da
Protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas, sejam
cultivadas ou em pousio, florestas, sítios de importância
cultural, pastagens, fontes de água e áreas de expansão.

A lei de terras e o seu regulamento atribuem participação


activa no processo de concessão do DUATs pelo que era
necessário especificar o seu modo de actuação.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 108


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

O anexo foi aprovado pelo Diploma Ministerial n n° 29-A/2000


de 17 de Março e já no sem preambulo afirma”… No
cumprimento do estabelecido pelo Regulamento da Lei de
Terras, aprovado pelo Decreto n° 66/98, de 8 de Dezembro,
torna-se necessário definir os requisitos para a delimitação
das áreas ocupadas pelas comunidades locais e pessoas
singulares nacionais de boa-fé, bem como para a demarcação
no contexto da emissão de títulos relativos ao direito de uso e
aproveitamento da terra….”

O presente anexo aplica-se:

1. À delimitação de áreas ocupadas pelas comunidades


locais segundo práticas costumeiras;
2. À delimitação de áreas ocupadas de boa-fé há pelo menos
dez anos por pessoas singulares nacionais;
3. À demarcação, no âmbito de um processo de titulação, de:

a) Áreas ocupadas pelas comunidades locais segundo


práticas costumeiras;
b) Áreas ocupadas de boa-fé há pelo menos dez anos por
pessoas singulares;
c) Áreas relativamente às quais foi apresentado um pedido
de aquisição do direito de uso e aproveitamento da terra
por pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou
estrangeiras, e emitida uma autorização provisória.

O referido anexo também apresenta algumas definições no seu


artigo 2:

1. Auto de demarcação: relatório descrevendo o trabalho


executado, incluindo as informações sobre o pessoal técnico
e auxiliar envolvido, o tempo de execução, a tecnologia e
instrumentos de medição empregues, o trabalho de apoio

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 109


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

topográfico, a localização, ajustamentos e compensações, a


área total, perímetro e número de marcos implantados,
acompanhado de uma declaração de compromisso do titular
ou requerente de manutenção dos marcos;
2. Cartograma: representação gráfica aproximativa sobre a
localização da área, contendo informações topológicas e
outros dados indicados nos mapas participativos, que é o
resultado do consenso da comunidade sobre os diferentes
mapas participativos.
3. Delimitação: identificação dos limites das áreas ocupadas
pelas comunidades locais ou pelas pessoas singulares
nacionais, que de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo
menos dez anos, incluindo o lançamento da informação no
cadastro Nacional de Terras.
4. Delimitação parcial: identificação de parte do perímetro
duma determinada área, compreendendo apenas os limites
em conflito ou os limites das áreas onde se pretende lançar
novas actividades económicas e/ou projectos e planos de
desenvolvimento.
5. Demarcação: transferência, para o terreno, da informação
contida no esboço e sua memória sobre os limites duma
parcela no âmbito de um processo de titulação.
6. Diagnóstico participativo: recolha de informações,
prestadas pela comunidade local, sobre:

a) A sua história, cultura e organização social;


b) A utilização da terra e outros recursos naturais e
mecanismos para a sua gestão;
c) A ocupação espacial;
d) A dinâmica populacional;
e) Os eventuais conflitos e mecanismos para sua
resolução, com vista à elaboração do cartograma.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 110


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

7 Esboço: peça desenha representando, em escala convencional,


a configuração duma parcela, contendo referências
desenhadas ou escritas tendentes a localizá-la no Atlas
Cadastral, incluindo, quando necessário, o geo-
referencialmente de pontos e/ou linhas de limites não
visíveis em mapas topográficos existentes. O esboço é
sempre acompanhado pela sua memória.

8 Mapa participativo: desenho elaborado por um grupo de interesse


da comunidade local, nomeadamente homens, mulheres, jovens
anciões e outros, que mostra de uma forma inicial e relativa, sem
escala, os acidentes naturais ou artificiais de caráter permanente,
utilizados como limites, a identificação e localização de recursos
naturais, pontos de referência das áreas onde ocorrem conflitos
sobre recursos naturais ou limites e outros aspectos relevantes.

9. Memória do esboço: informação escrita sobre:

a) Descrição dos pontos de limites;

b) Linhas limites

c) Servidões existentes.

10. Ocupação: forma de aquisição do direito de uso e


aproveitamento da terra por pessoas singulares nacionais que, de
boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez anos, ou pelas
comunidades locais.

11. Planta topográfica: desenho duma parcela com pontos


numerados, outras particularidades para a localização das
confrontações, com servidões existentes, área, número de parcela
e das parcelas vizinhas e o número do mapa oficial em escala 1:
50 000 ou 1:250 000 que cobre a parcela.

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 111


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

12, Reconhecimento técnico: operação realizada, a partir do


esboço e da sua memória, de verificação da visibilidade entre os
pontos de limites segundo a tecnologia aplicada, localização dos
pontos geodésicos existentes, cálculo do número de marcos
necessários e elaboração do orçamento para a demarcação.

Titulo: documento emitido pelos Serviços de Cadastro, comprovativo


do direito de uso e aproveitamento da terra.

Realização de actividades económicas e outros


empreendimentos

Artigo 13

A delimitação e/ou a demarcação de áreas ocupadas pelas


comunidades locais não impede a realização de actividades
económicas ou de outros empreendimentos desde que obtenham
consentimento das comunidades.

Por exemplo dentro de um grande empreendimento agro industrial


podem existir populações locais a residirem lá dentro, a beneficiarem
de algumas infra estruturas incluindo agua, acesso a estradas etc.

Prioridade, participação e custos

Artigo 7

1. A delimitação das áreas das comunidades locais faz-se


prioritariamente nos seguintes casos:

a) Onde não há conflitos sobre os usos da terra e ou dos


recursos naturais;

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 112


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Nas comunidades locais onde o Estado e/ou outros


investidores pretendem lançar novas actividades económicas
e/ou projectos e planos de desenvolvimento;
c) A pedido das comunidades locais.

2. Nos casos referidos nas alíneas a) e b) do número anterior do


presente artigo, pode ser feita a delimitação parcial das áreas.
3. As comunidades locais participam activamente na delimitação
das áreas por elas ocupadas.
4. Os custos da delimitação serão suportados de acordo com os
seguintes critérios:

a) Quando a delimitação for efectuada por causa da


existência de conflitos, a divisão dos custos é decidida
pela Administração Pública Local;
b) Quando a delimitação for efectuada por causa de novas
actividades económicas e/ou projectos e plano de
desenvolvimento, os custos são suportados pelos
investidores.

Artigo 16 do ATRLR

N2 Em caso de divergência entre os limites das áreas das


comunidades, estabelecidos por via costumeira, e os limites das
medições, predominam os limites estabelecidos por via costumeira.

Os limites das áreas identificadas na delimitação não devem ser


alterados na demarcação, de forma a que tal acto resulte em
prejuízo para as comunidades e ocupantes de boa fé.

Se, durante a demarcação duma parcela, se verificar uma


divergência em relação aos dados da demarcação duma parcela
limítrofe, realizada anteriormente são observadas as seguintes
regras:

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 113


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

a) Predominância dos limites estabelecidos no terreno;


b) Na inexistência de limites estabelecidos no terreno recorre-se
a descrição dos limites constantes no processo cadastral;
c) Caso a descrição contida no processo cadastral não conduzir
à resolução da divergência, recorre-se a outras evidências
facturais.

Leituras Complementares

Moçambique. Lei de Terras lei n° 19/97 de 1 de Outubro;


Moçambique, Regulamento da lei de terras Decreto n° 66/98
publicado no BR n° 48, 3° Suplemento de 8 de Dezembro de
1988
Moçambique, Anexo Técnico ao Regulamento da Lei de
Terras n° 29-A/2000 de 17 de Março

Actividades

Diga qual destas afirmações é verdadeira e qual é a falsa>

1. Auto de demarcação: relatório descrevendo o trabalho


executado, incluindo as informações sobre o pessoal técnico
e auxiliar envolvido, o tempo de execução, a tecnologia e
instrumentos de medição empregues, o trabalho de apoio
topográfico, a localização, ajustamentos e compensações, a
área total, perímetro e número de marcos implantados,
acompanhado de uma declaração de compromisso do titular
ou requerente de manutenção dos marcos;------

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 114


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

2. Cartograma: representação gráfica aproximativa sobre a


localização da área, contendo informações topológicas e
outros dados indicados nos mapas participativos, que é o
resultado do consenso da comunidade sobre os diferentes
mapas participativos.--------
3. Delimitação: identificação dos limites das áreas ocupadas
pelas comunidades locais ou pelas pessoas singulares
nacionais, que de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo
menos dez anos, incluindo o lançamento da informação no
cadastro Nacional de Terras.-------
4. Delimitação parcial: identificação de parte do perímetro
duma determinada área, compreendendo apenas os limites
em conflito ou os limites das áreas onde se pretende lançar
novas actividades económicas e/ou projectos e planos de
desenvolvimento.-------
5. Demarcação: transferência, para o terreno, da informação
contida no esboço e sua memória sobre os limites duma
parcela no âmbito de um processo de titulação.-----
6. Esboço: peça desenha representando, em escala
convencional, a configuração duma parcela, contendo
referências desenhadas ou escritas tendentes a localizá-la no
Atlas Cadastral, incluindo, quando necessário, o geo-
referencialmente de pontos e/ou linhas de limites não visíveis
em mapas topográficos existentes. O esboço é sempre
acompanhado pela sua memória.-------
7. Esboço: peça desenha representando, em escala
convencional, a configuração duma parcela, contendo
referências desenhadas ou escritas tendentes a localizá-la no
Atlas Cadastral, incluindo, quando necessário, o geo-
referencialmente de pontos e/ou linhas de limites não visíveis
em mapas topográficos existentes. O esboço é sempre
acompanhado pela sua memória.-------

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 115


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

8. Mapa participativo: desenho elaborado por um grupo de


interesse da comunidade local, nomeadamente homens,
mulheres, jovens anciões e outros, que mostra de uma forma
inicial e relativa, sem escala, os acidentes naturais ou
artificiais de caráter permanente, utilizados como limites, a
identificação e localização de recursos naturais, pontos de
referência das áreas onde ocorrem conflitos sobre recursos
naturais ou limites e outros aspectos relevantes.---------
9. . Ocupação: forma de aquisição do direito de uso e
aproveitamento da terra por pessoas singulares nacionais
que, de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez
anos, ou pelas comunidades locais.--------
10. Planta topográfica: desenho duma parcela com pontos
numerados, outras particularidades para a localização das
confrontações, com servidões existentes, área, número de
parcela e das parcelas vizinhas e o número do mapa oficial
em escala 1: 50 000 ou 1:250 000 que cobre a parcela.--------
11. . Reconhecimento técnico: operação realizada, a partir do
esboço e da sua memória, de verificação da visibilidade entre
os pontos de limites segundo a tecnologia aplicada,
localização dos pontos geodésicos existentes, cálculo do
número de marcos necessários e elaboração do orçamento
para a demarcação.----------

II

Assinale a alternativa verdadeira

1. a) Demarcação: Transferência, para o terreno, da informação contida no


esboço e sua memória sobre os limites duma parcela, no âmbito de um
processo de titulação.------

;---

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 116


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

b) Demarcação: Transferência, para o papel, da informação contida no


esboço e sua memória sobre os limites duma parcela, no âmbito de um
processo de titulação.------

;----

c) Demarcação: Transferência, para o terreno, da informação contida


no esboço e sua memória sobre os limites duma parcela, no âmbito
de um processo de registo.------

.-----

2.a) Esboço: Peça desenhada representando, em escala


convencional, a configuração duma parcela, contendo referências
desenhadas ou escritas tendentes a localizá-la no Atlas Cadastral,
incluindo, quando necessário, o geo referencialmente de pontos e/ou
linhas de limites não visível em mapas topográficos existentes.

b) Esboço: Peça desenhada representando, em escala convencional,


a configuração duma parcela, contendo referências desenhadas ou
escritas tendentes a localizá-la no Atlas Cadastral, incluindo, quando
necessário, o geo referencialmente de pontos e/ou linhas de limites
não visível em mapas topográficos existentes.

c) Esboço: Peça desenhada representando, em escala convencional,


a configuração duma parcela, contendo referências desenhadas ou
escritas tendentes a localizá-la no Atlas Cadastral, incluindo, quando
necessário, o geo referencialmente de pontos e/ou linhas de limites
não visível em mapas topográficos existentes.---

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 117


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

a) Só após o fim de período da autorização provisória, será feita uma


vistoria para a verificação da realização da realização do
empreendimento proposto ou de cumprimento do plano de
exploração, segundo calendário aprovado será dada a autorização
definitiva;---

b) Após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo antes


desse período, se o interessado assim o requerer, será feita uma
vistoria para a verificação da realização do empreendimento
proposto ou do cumprimento do plano de exploração, segundo
calendário aprovado. Constatada a realização do empreendimento
ou o cumprimento do plano de exploração, será dada autorização
definitiva do uso e aproveitamento da terra e emitido o respectivo
título---

c) Após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo antes


desse período, se o interessado assim o requerer, será feita uma
vistoria para a verificação da realização do empreendimento
proposto ou do cumprimento do plano de exploração, segundo
calendário aprovado. Não constatada a realização do
empreendimento ou o cumprimento do plano de exploração, será
dada autorização definitiva do uso e aproveitamento da terra e
emitido o respectivo título---

4-

a) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura
superior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias
interiores e podendo ter um ou vários pisos;---

b) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 118


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

inferior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias


interiores e podendo ter um ou vários pisos;----

c) Edifício: Construção construída necessariamente por paredes que


delimita o solo e o espaço por todos os lados, com uma cobertura
superior (telhado ou terraço), normalmente por paredes divisórias
exteriores e podendo ter um ou vários pisos;---

d) A celebração do contrato de cessão de exploração está


igualmente sujeita a aprovação prévia da entidade que
autorizou o pedido de aquisição ou de reconhecimento do
direito de uso e aproveitamento da terra e, no caso das
comunidades locais, não depende do consentimento dos seus
membros----
e) A celebração do contrato de cessão de exploração não sujeita
a aprovação prévia da entidade que autorizou o pedido de
aquisição ou de reconhecimento do direito de uso e
aproveitamento da terra e, no caso das comunidades locais,
depende do consentimento dos seus membros------
f) A celebração do contrato de cessão de exploração está
igualmente sujeita a aprovação prévia da entidade que
autorizou o pedido de aquisição ou de reconhecimento do
direito de uso e aproveitamento da terra e, no caso das
comunidades locais, depende do consentimentos dos seus
membros

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 119


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Bibliografia

Barros Sérgio Resende. Autonomia do Direito Agrário Brasileiro.


Disponivel em www.srbarros.com.br acessado no dia 10 de Janeiro
de 2016.

BIDART, A.G. Princípios de direito agrário. Brasília:


CNPq/Fundação Petrônio Portella/Círculo do Livro jurídico. 1983.

BORGES, Paulo Torminn. Institutos básicos do Direito agrário.


São Paulo: Saraiva, 1994.

Freitas. Aurélio Marques Silveira. Concepções principiológicas do


Direito Agrário. Disponível em âmbito Jurídico. co. br acessado nos
deia 16 de Fevereiro de 2016.

JARQUE, Juan Jose Sanz. Derecho agrário: general, autonômico y


comunitário. Madrid: Reus, 1985.

JÚNIOR, Vicente Gonçalves de Araújo. Direito agrário – doutrina,


jurisprudência e modelos.1ª Ed. Belo Horizonte: Inédita, 2002.

LARANJEIRA, Raymundo. O Direito agrário como ciência no Brasil,


in: Direito Agrário Brasileiro – em homenagem à memória de
Fernando Pereira Sodero. 1ª Ed. São Paulo: LTr, 1999.

MARQUES, Benedito Ferreira. Direito Agrário Brasileiro. 4ª Ed.


Goiânia: AB editora, 2004.

Moçambique. Lei de Terras lei n° 19/97 de 1 de Outubro;

Moçambique, Regulamento da lei de terras Decreto n° 66/98


publicado no BR n° 48, 3° Suplemento de 8 de Dezembro de 1988

Moçambique Código Civil Escolar Editora , Editores e Livreiros, Lda


2011

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 120


Curso de Ciências Jurídicas – Direito Agrário – Semestre 7

Moçambique Constituição da República de Moçambique 2004 ,


Imprensa Nacional de Moçambique.

ORAM Documento de apresentado na reunião Nacional sobre


delimitação de terras comunitárias, disponível no http:// www.open.
Ac.uk.tecnology.mozambique/siteswww.openac.uk.techn.acessado no
dia 12 de Fevereiro de 2016;

Quadros, Maria da Conceição Direito Agrário Livro II unidades 3 a 7


faculdade de Direito Fevereiro de 1997. Maputo Moçambique

Quadros, Maria da Conceição Direito Agrário Livro IV unidades 10 a


13 Faculdade de Direito Fevereiro de 1997. Maputo Moçambique.

Santiago, Emerson Direito Agrário disponível em


www.infoescola.com/direito/direito agrário acessado no dia 15 de
Fevereiro de 2016.

Silva, Flávia Martins André Direito Agrário e Sua Relação Com Outros
Ramos disponível no
http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/29854-
298701-pb.pc acessado no dia 12 de Fevereiro de 2016.

Tenorio. Igor Princípios gerais de Direito Agrário R, in legis.a.16 n.


62abr./junh 1979

Escola Superior Aberta/A Politécnica – Ensino à Distância 121