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INDICE Agradecimentos...... Introdugio Ronald L. Numbers . A ascensio do cristianismo foi responsavel pela morte da ciéncia antiga.. David C. Lindberg A Igreja medieval impediu o desenvolvimento da ciéncia .... Michael H. ban! Os cristios medievais ensinaram que a Terra era plana Lesley B. Cormack A cultura islamica medieval foi hostil 4 ciéncia vs. Syed Nomanul Haq A Igreja medieval proibiu a dissecagio humana .. Katharine Park «A teoria de Copérnico desalojou os seres humanos do centro do cosmos... Dennis R, Danielson Giordano Bruno foi o primeiro martir da cigncia mo- derma av Jole Shackelford 23 44 52 61 69 79 8 GALILEU NA PRISAO Mito 8. Galileu foi preso e torturado por advogar a teoria de —=—="Copémnico. Maurice A. Finocchiaro 89 Mito 20. O cristianismo gerou a ciéncia moderna... Noab }. Efron ‘A revolucao cientifica libertou a ciéncia da religito 2 Margaret }. Osler Mito 21. Mito 22. Os cavslicos no coniribuiram pata produgto cien- tifica .. a Lawrence M. Principe 125 René Descartes criou a distingo mente-corpo Peter Harrison Mito 23. Mito 13. A cosmologia mecanicista de Newton eliminou a ne- cessidade de Deus... Edward B, Davis Mito 24. Mito 14, A Igreja denunciou, com fundamentos biblicos, a apli- cagao de anestesia nos partos . Rennie B. Schoepflin 150 Mito 25. Mito 15. A teoria da evolugdo organica baseia-se num racio- 159 cfnio circular onsen Nicolaas A, Rupke Mito 16. © evolucionismo destruiu a fé de Darwin no cristia- nismo — até aquele se reconverter no Ieito de morte 171 James Moore Mito 17. Huxley derrotou Wilberforce no debate sobre evolu- cho e religido .. David N. Livingstone 182 Mito 18. Darwin aniquilou a teologia natural .. 192 Jon H. Roberts Mito 19. Darwin ¢ Haeckel foram cimplices da ideologia nazi 201 Robert J. Richards © caso Scopes terminou em derrota do antievolu- cionismo Edward J. Larson Einstein acreditava num Deus pessoal... Matthew Stanley A fisica quintica demonstrou a doutrina do livee- -arbitrio Daniel Patrick Thurs. © design inteligente» representa um desafio cienti- fico para a evolucao Michael Ruse O criacionismo é um fenémeno exclusivamente ame- ricano .. Ronald L. Numbers A ciéncia moderna secularizou a cultura ocidental . John Hedley Brooke Notas. 7 Lista de colaboradores 7 210 230 241 251 262 273 331 rho, entdo, apresentar-vos esta noite um esboco da grandiosa uta ria pela liberdade da Cincia — lura que decorre ha tantos séculos. fe duro combate este tem sido! Uma guerra mais prolongada —com has mais ferozes, cescos mais persistentes, estratégias mais vigoro- {que qualquer das empresas gucrteiras, comparativamente insig- tes, de Alexandre, César ou Napoleio [..]. Ao longo da histé- ia moderna, a interferéncia aa Cigncia no suposto interesse da Religio = por mais conscienciosa que possa ter sido — resultou em males extre- jos tanto para a Religido como para a Citncia, ¢ invariavelmente. Axonew Dickson Ware, «The Battle-Fields of Science» (1869) antagonismo a que assistimos, assim, entze Religido e Ciencia repre- enta a continuagio de uma lua que reve inicio quando a Cristandade fomegou a alcancar poder politic [..]. A historia da Ciéncia ndo cons ui um mero registo de descobertas isoladas. & sim, a narrativa do onllito entre dois poderes em confronto, a forca expansionista do inte- ecto humano de um lado, ¢ a compressio resultante da fé tradicional ¢ , de Galileu, «torturado ¢ humi- Ihado como 0 pior dos incréus», e muito mais, finalizando com ‘0s martires cientificos mais recentes, a Universidade de Cornell ¢ seu presidente sitiado. Como White certamente tera previsto, a sua palestra desencadeou ainda mais controvérsia, originando, segundo um observador da época, «um clamor ¢ oposigio instan~ tineos». Ao longo do quarto de século seguinte, White expandiu 6 texto da stia palestra para uma extensa obra em dois volumes, de titulo A History of the Warfare of Science with Theology in Christendom (1896) profusamente traduzida ¢ frequentemente reeditada até aos nossos dias. Nela, como observou jovialmente Flizabeth Cady Stanton, demonstrou «que a Biblia tem consti- tuido 0 maior obstéculo ao progresso»'. Também Draper gerou controvérsia quando escreveu a sua obra History of the Warfare between Religion and Science (1874). Distinto médico, quimico e historiador, Draper poupou em grande medida o protestantismo e a Igreja Ortodoxa Oriental & acusa- cdo de crimes contra a ciéncia, enquanto denunciava veemente~ mente a Igreja Catélica Romana. Fé-lo, segundo escreveu, «em parte por os seus membros formarem a maioria da Cristandade, em parte por as suas exigéncias serem as mais pretensiosas, ¢ em inTRODUGAO ” por procurarem habitualmente impor essas exigéncias atra- ido poder secular». Para além de fazer a cr6nica da oposicio ‘rial da Tgreja a0 progresso cientifico, ridicularizou a dou- ya, 3 época recentemente promulgada, da infalibilidade papal, “atribuia a homens de H ainda, até as classes trabalhadoras se juntavam & contenda. ae britanico observou em 1852 que «a Ciéncia nao € ja ge 9 at%° inerte a pairar sobre as cabecas da’ mulridao, : Ta. Mistura-se com os homens. Penetra nas nossas Ca GALILEU_ NA PRISAO minas. Invade as nossas oficinas. Desloca-se a grande velocidade com 0 comboio». Os debates ocorridos a propésito da obra A Origem das Espe._ cies (1859), de Charles Darwin, na qual o naturalista britanicg | procurava «derrubar 0 dogma das criacdes separadas» e alargar © dominio da lei natural a todo 0 mundo orginico, assinalou uma | mudanca de énfase. Cada ver mais os cientistas, como agora. comegavam a ser designados, exprimiam o seu ressentimento por | fazerem de servigais da religido. Um apés outro, comecaram a apelar ndo apenas a liberdade cientifica, mas também a subordi- nagio da religiio — ¢ a reescrita da histéria com a religido no | papel de mau da fita, © ataque mais ignominioso veio do fisico irlandés John Tyndall (1820-1893) que, na sua alocugao de 1874, em Belfast, na qualidade de presidente da British Association for the Advancement of Science, declarou alto e bom sor [A posigéo inexpugnavel da ciéncia pode ser descrita em poucss. palayras, Reclamamos da teologia, ¢ arrancar-the-emos, todo 0 domi | nio da teoria cosmolégica. Todos os esquemas ¢ sistemas que assim se intrometam no dominio da ciéncia teria, enquanto 0 fizerent, que submeterse 20 seu controle, e renunciar a qualquer tencagio de 3” dominar, Agir de forma diversa revelou-se desastroso no passado, € € simplesmente insensato nos nossos dias. Dois anos depois, Tyndall escreveu um prefacio laudatério 2 | uma edicio britanica de The Warfare of Science de White. Cott tais apoios, a tese do conflito caminhava firmemente no sentid® - de se tornar 0 dogma histérico da época, pelo menos para 08 intelectuais que procuravam conquistar a sua liberdade relativ® mente & religiao®. 4 Os historiadores da ciéncia sabem ha anos que os escritos dé ‘White e Draper so mais propaganda do que histéria’. (Um equ voco inverso, segundo o qual o cristianismo, por si so, € qe | gerou a ciéncia moderna, é tratado no Mito 9). Nao obstantes 4 InTRODUGKO cm raramente se escapou da torre de marfim, O piblico se é que de todo se interessa por estes temas, sabe que a organizada sempre se ops ao progresso cientifico (vide ques a Galileu, Darwin e Scopes). © pablico religioso, por “ado, sabe que 2 ciéncia chamou a si o papel fundamental Jo da fé (através do naturalismo ¢ do antibiblicismo). ide € que, num primeiro paso para corrigitmos estas per- ‘errneas, temos que nos desfazer dos velhos mitos que ‘am a passat por verdades histéricas. Nenhum cientista, quanto € do nosso conhecimento, alguma vez perdeu a vida ‘os seus pontos de vista cientificos, embora, como vere- no Mito 7, a Inquisigao Italiana tenha, de facto, queimado iano Bruno, seguidor seiscentista de Copérnico, devido aos w pontos de vista teoldgicos heréticos. “contrario dos mestres da construgao de mitos White ¢ 1 0s colaboradores deste livro no possuem quaisquer in 8 particulares na matéria. Cerca de metade deles, doze em e cinco, declaram-se a si mesmos agnésticos ou ateus [isto é, rentes em qualquer religido). Entre os restantes treze, en- am-se cinco protestantes da linha dominante, dois protes- 8 evangélicos, um catélico romano, um judeu, um mugul- 9, um budista — e dois cujas crengas no se encaixam em juer categoria tradicional (incluindo um devoto espinosiano). § de metade dos nao crentes, incluindo eu préprio, cresceram es cristios devotos — alguns fundamentalistas ou evang: Mas vieram mais tarde a perder a fé, Nao sei exactamente Ponclusdes tirar deste facto, mas suspeito de que nos diz algo @ fossa preocupagdo em repor a verdade dos factos. a palavra final relativamente A interpretag3o que fazemos slavea Mito: embora alguns dos mitos que procuramos des- = Possam ter ajudado a dar sentido as vidas dos seus adeptos, SwHPFegamos o termo na sua acepgao académica sofisticada, es ng ‘ 7 : es na da conversacdo didria — designando uma afirma~ sa. me GALILEU NA PRISKO nivel dos oceanos sobe, enquanto as bactérias ganham resis ela realmente é uma maravilhosa criagio humana de incr complexidade e engenho, cujos efeitos tém sido tanto bons co, maus. Quando contamos com a ciéncia para conceber solugg duradouras para problemas globais (alguns dos quais foram el proprios causados por ela), é consolador que a cigncia nao MITO 10 REVOLUCAO CIENTIFICA LIBERTOU A CIENCIA DA RELIGIAO © elo menos uma (...] dimensio da Revolucao Cientfica é digna de nota — ‘um novo relacionamento entre cincia e cristianismo [.... Do ponto de vista da ‘ciencia, ndo parece excessive falar da sua libertagdo, Séculos antes, enquanto a civilizagao europeia tomava forma a partir do caos da E idade das trevas, 0 cristianismo acolhera, moldara ¢, por consequéncia, dominara todas as actividades culturais ¢ intelectuais, Em fins do século ‘Sl, a ciéncia afirmara a sua autonomia, Rictaan S. Westrait, «The Scientific Revolution Reasserted {2000} Foi inquestionavelmente o advento de novos e vigorosos sistemas filos6- ficos, fundados nos avancos cientificos do inicio do século vn, e em Particular nas teorias mecanicistas de Galileu, que fundamentalmente " Gerou essa vasta Kulturkampf entre ideias tradicionais, e teologicamente “Sdncionadas, sobre o Homem, Deus, ¢ © universo, por um lado, € por Sutro concepcdes seculares ¢ mecanicistas afirmadas independentemente e qualquer sangio teoldgica. Jonatuan L Isnast, Radical Enlightenment: Philosophy ‘and Making of Modernity, 1650-1750 (2001) Fevolucio cientifica libertou a ciéneia da religido. A nova '@ separou o espirito da matéria. Razio e experimentagdo ‘uiram a revelagio como fonte de conhecimento sobre 0