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Estruturas de betão Secção Autónoma de Engenharia Civl

Esforços normais e de flexão Universidade de Aveiro

Força de pré-esforço

A força de pré-esforço não é constante uma vez que ela varia quer no espaço quer
no tempo ao longo de um determinado cabo de pré-esforço. Podem-se assim
definir as seguintes notações:
Ø P0 que corresponde à força máxima na extremidade activa no momento da
aplicação do pré-esforço;
Ø Pm0 que representa o pré-esforço inicial (t = 0) após perdas instantâneas;
Ø P¥ que corresponde ao pré-esforço final ( t = ¥ ) após a ocorrência de todas
as perdas diferidas.

As perdas instantâneas ocorrem devido à deformação instantânea do betão


quando colocado em tensão (pré-tensão), ao atrito entre os cabos e as baínhas ou à
penetração das cunhas no betão (pós-tensão).
As perdas diferidas ocorrem devido à evolução do comportamento do betão e do
aço através da retracção e fluência do betão e da relaxação do aço. As perdas de
tensão nas armaduras podem ser elevadas, podendo em fase de anteprojecto utilizar
perdas da ordem dos 15% ( P¥ » 0.85Pm0 ).

Os valores das tensões máximas a aplicar aos cabos de pré-esforço são:


ìïs o £ 0.80 f pk ìïs m 0 £ 0.75 f pk
í e í
ïîs o £ 0.90 f p 0.1k ïîs m 0 £ 0.85 f p 0.1k
Algumas normas (por exemplo a norma Suiça SIA162-1989) impõe ainda um valor
mínimo para o pré-esforço ( s ¥ ³ 0.45 f pk ) de forma a garantir que as perdas
diferidas permaneçam relativamente pequenas e que em estado limite último os
aços atinjam o patamar de cedência.

As secções em betão pré-esforçado são dimensionadas, calculando o pré-esforço


necessário de forma a verificar as condições de serviço, isto é, Estado Limite de
Utilização (verificação da compressão no betão na altura da aplicação do
pré-esforço utilizando Pm0 e verificação da abertura de fendas ou descompressão
utilizando P¥ ).
A armadura assim dimensionada é posteriormente verificada em Estado Limite
Último, sendo complementada com armadura ordinária se necessário.

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Pré-esforço centrado – comportamento de um tirante

Considere-se um prisma de betão de área Acn, sem armadura ordinária que no seu
interior tem uma bainha que permite enfiar varão de aço de pré-esforço e munida
de uma porca que se apoia numa placa de ancoragem.
1. numa fase inicial nenhuma força é transmitida pelas superfícies de contacto
(parafuso/placa e placa betão);
2. a colocação em tracção do varão através de um macaco hidráulico
apoiando-se na placa de ancoragem é acompanhado por deformações (e l);
admitindo-se que l s = l c = l obtém-se:
Dl s = (s s / Es ) l

Dl c
(-)
(
= sc
(-)
)
/ Ec l

o deslocamento total do macaco vale então:

(
Dl = Dl s + Dl c = l s s / Es - s c
(-)
/ Ec )
s s = P / As s c ( - ) = - P / Acn

3. quando o macaco é retirado, a barra apoia-se na ancoragem através da porca,


mantendo-se o estado de tensão inalterado;

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4. aplicando-se uma tracção exterior Q, o tirante pré-esforçado sofre os


esforços adicionais:
s c ( Q ) = Q / Aci , Aci = Acn + a As , a = Es / Ec
s s ( Q ) = as c

estas novas tensões vão somar-se às já existentes;


s c ( - ) = - P / Acn + Q / Aci
s s ( + ) = P / As + a Q / Aci
5. o alongamento sofrido pelo tirante pode ser obtido por:
Q
Dl ( Q ) = (s ( Q ) / E ) l
c c =
Aci Ec
l

aQ
(s ( Q ) / E ) l
s s =
Aci Es
l

a rigidez à tracção dum tirante pré-esforçado é assim AciEc que é


sensivelmente superior à de um tirante de betão armado AsEs;
6. continuando a aumentar a carga Q atinge-se o ponto de descompressão que
corresponde ao ponto no qual se anulam as tensões de compressão no betão;
Aci
Qlim = P >P
Acn
7. supondo, como é corrente, que a bainha é injectada de forma a garantir
aderência entre o varão e o betão, a partir do valor de descompressão é ainda

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