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ZIZEK, Slavoj. Lenine 2017. Amadora: Elsinore, 2017.

Tema A vigência do Lenine


Texto Livro
Método Materialismo histórico [Idealismo dialético]
Objetivo Discorrer sobre a transcendência do Lenin hoje
Teses É necessário resgatar o Lenine.
o Como ruptura com a ortodoxia do tempo [Lenin rompeu com a II
Internacional]
o Como necessidade de um novo começo [Lenin argumentou sobre
a necessidade de retirada nos tempos da NEP]
Mudança Adiantar

 Introdução: Recordar, repetir e elaborar


▪ Recordar e Repetir
▪ Adeus Lenine na Ucrânia
▪ Violência, Terror, Disciplina
▪ Liberdade Leninista
▪ De Lenine a Estaline... e Regresso
▪ O Milagre de um Novo Mestre
▪ Mestre e Psicanalista
▪ Elaborar uma Tragédia Revolucionária

[Relatório do Krushchev] “[...] o relatório teve realmente um impacto traumático e sua


intervenção deu origem a um processo que, em última análise, derrubou o próprio sistema
– uma lição que vale a pena recordar, hoje em dia [...]”. (p. 14)

[A tragédia estalinista] “[...] a viragem estalinista tenha sido um desvio secundário, visto
que é perfeitamente possível argumentar que esta era uma possibilidade inerente ao
projeto bolchevique, o que significaria que estava condenado à partida. É por isso que o
projeto era autenticamente trágico: uma visão emancipatória genuína condenada ao
fracasso pela sua própria vitória [...]”. (p. 19)

[Repetir Lenine] “A esquerda dos nossos dias encontra-se numa situação


inacreditavelmente semelhante àquela que deu origem ao leninismo, e a sua tarefa é

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repetir Lenine. Isto não significa um regresso a Lenine. Repetir Lenine significa aceitar
que “Lenine está morto”, que a sua solução específica falhou, e até que falhou
monstruosamente. Repetir Lenine significa que é necessário distinguir entre aquilo que
Lenine efetivamente fez e o campo de possibilidades que abriu [...]”. (p. 22)

[Ucrânia] “[…] nas imagens televisivas dos protestos em massa de Kiev, vimos vezes
sem conta participantes enraivecidos a deitar abaixo estátuas de Lenine. Estes ataques
furiosos eram compreensíveis, na medida em que as estátuas serviam de símbolo da
opressão soviética, e da Rússia de Putin é vista como uma continuação da política
soviética de sujeitar nações não russas ao domínio russo [...]”. (p. 22-3)

[Política nacional Estaline] “[...] O que Estaline fez no início da década de 1930 foi,
então, um simples regresso à política externa e nacional czarista [...]”. (p. 27)

[Antiestatismo] “Se queremos renovar o projeto comunista como verdadeira alternativa


ao capitalismo global, temos de fazer uma cisão clara da experiência comunista do século
XX. Devemos ter sempre em mente que 1989 representou a derrota não só do socialismo
estatal comunista, mas também a da democracia social ocidental. A miséria da esquerda
dos nossos dias é por demais evidente na sua defesa, “por princípio”, da ideia social-
democrata do Estado social. Na ausência de um projeto radical de esquerda viável, a
esquerda não consegue mais do que bombardear o Estado como exigências de expansão
do Estado social, sabendo perfeitamente que o Estado não as poderá satisfazer [...]”. (p.
41)

[O leninismo contra o estalinismo] “Não há dúvida de que os primeiros bolcheviques


teriam ficado chocados com aquilo em que a União Soviética se transformou na década
de 1930 [...]”. (p. 65)

[Percurso] “[...] Lenine compreendeu que a situação era desesperada e inesperada, mas,
por isso mesmo, uma situação que tinha de ser explorada criativamente para operar novas
escolhas políticas. Com o conceito de “socialismo num só país”, Estaline renormalizou a
situação, trazendo-a para uma nova narrativa de desenvolvimento linear por “fases” [...]”.
(p. 68)

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[Queda do socialismo] “[...] O que arruinou os regimes comunistas, na prática, foi a sua
incapacidade de se ajustarem à nova lógica social introduzida pela “revolução da
informação” [...]”. (p. 80)

[Lenine como líder anticomunista] “[...] Lenine estava em Varsóvia nas décadas de
1970 e 1980, com o seu espírito a incentivar os protestos de trabalhadores a partir dos
quais desabrochou o movimento Solidariedade”. (p. 109)

Comentários:

A posição de Zizek é notavelmente reacionária, chega ao ponto de colocar ao Lenin como


líder espiritual dos protestos do anticomunismo polonês. Também sua posição é desonesta
intelectualmente, já que coloca ao Stálin como um russificador da URSS, esquecendo
totalmente mencionar que a maioria das repúblicas soviéticas não russas foram criadas
durante a época staliniana. Concretamente, o “Stálin” tirou do território da Rússia milhões
de quilômetros quadrados para formar novas repúblicas. O mesmo aconteceu com a
questão das línguas.