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Testemunhar a Palavra

“A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as
obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras”.

(Santo Antônio)

“ Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. Tg 1,22

“Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado. O critério
para saber se estamos com Jesus é este: quem diz que permanece nele, deve também
proceder como ele procedeu”. 1Jo 2,3-6

O que é testemunhar? Martirya , testemunho, martírio branco

Testemunhar é a missão do leigo, conferido em nosso batismo.

NOSSO TEMPO

- “sociedade líquida” (Zygmunt Bauman), “época da grande incerteza” (Julian Carrón), “mundo
de incerteza” (Tomás Halick)

- sociedade pós-cristã

- “sociedade do cansaço” (Byung-chul Han)

- “sociedade laicista”

- “ tempos ideológicos” (cuidado com o proselitismo, com a ideologização da doutrina)

DIÁLOGO

Dialogar não é passar a mão na cabeça como um dono ao cachorrinho manso. É ouvir o outro,
procurar entendê-lo, descobrir seu coração, saber suas razões e aceitá-lo, oferecer amizade, sem
deixar de ser autêntico e abrir mão das próprias crenças naquilo que elas têm de essencial.
Dialogar é jamais perder a própria identidade (senão, o que oferecer?). Quem acha que compreendeu
totalmente a verdade e sente-se seu "dono", não consegue mais conversar com ninguém, pois acha
que tem muito a ensinar e nada a aprender...
Diálogo compreende amor, que é a união dos diferentes, numa busca de sínteses (que nem sempre
são possíveis). Como disse Chesterton, conversar é discordar para concordar no final (a vida de
reflexão espiritual é feita deste caminho)
Quem não dialoga, não tenta aprender uma gramática diferente da sua, não educa, não é educado,
não é um autêntico pensador.
O Educador do Mundo é Um só. Nós, criaturas, somos todos aprendizes uns dos outros.
Os tempos estão maduros para o testemunho cristão. Numa sociedade laicista, que
quer empurrar a religião para a esfera privada (a suprema côrte do Canadá acabou de
decidir que o direito dos LGBT vêm antes das crenças religiosas) a Palavra continua sendo
“lâmpada para nossos pés” a ser colocada.“sob o alqueire”. A Palavra não pode ficar
escondida, no escuro de nossos quartos, tem que sair às ruas. É no diálogo com o outro,
com o mundo, no dia-a-dia das atividades cotidianas que testemunhamos. Não somos
“contra o mundo moderno”, nem fanáticos proselitistas e propagandistas. Temos uma
identidade, temos algo a oferecer ao mundo de hoje... Não somos um gueto: ”brilhe a
vossa luz diante dos homens”.O evangelho é relacional, o testemunho é um diálogo com o
mundo do trabalho, da educação, das artes, da cultura... Não é um fechar-se ao mundo,
mas “amar o mundo apaixonadamente” (São Josemaría Escrivá)... Como Sem abrir mão
da autenticidade cristã, “discernir” (temos que saber como o Papa Francisco entende esta
palavra), pedir ao Espírito Santo que nos dê criatividade para agir nesta selva tecnológica
de informação abundante... O testemunho cristão é o frescor que falta à esta “sociedade
do cansaço”.

Somos testemunhas da Palavra. Nós, cristãos somos tradutores da Palavra para um


mundo pós-cristão, para uma era da incerteza (onde tudo o que era sólido desabou, se
liquefez). O mundo que está diante de nós é este e não outro. E nós somos vocacionados
a este tempo.
E o que testemunhamos? Uma regra, uma ética, uma lei, uma teoria? Não... A Palavra.
Que Palavra? A Bíblia? O Livro? Não... O Verbo, do qual todos os livros da Bíblia "falam"...
O livro "escrito por dentro e por fora" (Ap 5), só pode ser aberto por Ele:
"Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?
E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar
para ele.
E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu,
para abrir o livro"
(Apocalipse 5:2-5)
Sem Ele, o livro não pode ser aberto, nossa inteligência fica fechada à Escritura, porque só Ele é
digno de abrir o livro. Ele, o Verbo, a Palavra, do qual somos testemunhas. Testemunhas de uma
Palavra que é Pessoa e não de um livro ou um manual de instruções. Nossa fé não é de almanaque,
mas de Vida. Nossos gestos são tradutores da Palavra para este mundo. Quando Santo Antônio
"cessem os discursos e falem as obras" é disso que fala. As obras "falam". Um gesto fala, um sorriso
fala, uma mão estendida fala. Nossos atos devem estar "grávidos" do Mistério de Cristo (para tanto,
devemos ter intimidade com a Palavra, ler, rezar com ela, Leccio Divina)
 Pilatos diante de Cristo = Verdade = A Verdade é uma Pessoa.

”…o testemunho mais límpido e comovente é o que as testemunhas dão sem se dar conta. Ao passo
que quem insiste demais em sua atividade de testemunha, como se fosse um papel a cumprir, muitas
vezes visa apenas fabricar um personagem para si.” (Cardeal Georges Cottier, O.P.)