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THAIS HELENA DA SILVA LEITE

MACHADO, Arlindo. “A Arte do Vídeo” São Paulo: Brasiliense, 1988.

Fichamento do capítulo UMA INTRODUÇÃO A


VIDEOSFERA. Trabalho de aproveitamento do curso de
Comunicação Social- habilitação em Audiovisual, da
Universidade Federal do Espírito Santo, disciplina de
História da TV, como requisito parcial da nota da
avaliação semestral do profº.Cleber Carminatti.

VITÓRIA

2012
UMA INTRODUÇÃO A VIDEOSFERA

Arlindo Machado inicia o artigo apresentando a Tv como um tipo especial de rádio com imagem
sincronizada, nos seus primórdios, ainda nos anos 20. Dependente e gerada pela tecnologia
(iconoscópio, tubo dissecador de imagem, orthicon), o primeiro protótipo comercial de Tv foi ao ar
em 1939, NBC. Todo esse investimento veio da indústria do entretenimento, principalmente da
indústria dos aparelhos de codificação e decodificação.

Fazendo uma análise da conjuntura histórica que antecede a televisão, o autor refere-se a Revolução
Industrial e a dispersão/desestruturação das culturas rurais tradicionais, deslocando o homem do seu
vínculo com a terra. A partir do século passado, a indústria passou a produzir bens para o consumo
privado, privatizando o homem no espaço do lar, da casa, da família. Segundo WILLIAMS, 1979:
26-2, citado por A.Machado, p.17,

“a partir dos anos 20, as pessoas encontram nos serviços de radiodifusão


a “janela para o contato (simbólico) com o exterior: já que ele não vai
mais ao mundo, o mundo penetra em sua casa através do rádio (e mais
tarde da Tv)”

O modelo broadcast (transmissão por ondas eletromagnéticas) trouxe uma elemento militarista:
uma fonte para vários receptores; uma comunidade sintonizada ao mesmo tempo, no tempo da
recepção, em casas diferentes. Esse modelo foi encampado pela maioria dos governos nacionais
(das mais variadas orientações ideológicas) no que tange ao controle das emissões, criando as
condições para o que o autor chama de “homogeneização política, pasteurização cultural,
padronização dos gostos e dos comportamentos, a regulagem de toda espécie de diversidade em
torno da média comum”. (p.18). Essas características provocaram a repulsa intelectual de muitos
participantes dos movimentos sociais de 68 como também de vários cineastas como Truffaut,
Fellini ou ainda Cacá Diegues.

Ainda no campo da crítica à Tv, Herry Mander afirma que,

a Tv inibe os processos cognitivos, induz no indivíduo estados de


sonolência ou hipnose, produz a desorientação das noções de tempo e
espaço, estimula comportamentos de passividade, gera a autocracia e os
regimes autoritários. (p.19).

Ideia corroborada por Theodor Adorno, Gunther Anders ou Armand, que norteiam suas pesquisas
sobre o prisma da alienação do espectador.

Por outro lado, a mediação da audiência fornece um número aos produtores, mas não lhes informa
a opinião dos receptadores. A Tv como fenômeno vivo da cultura, acaba por refletir, mesmo a custa
de muita resistência, a diversidade das forças políticas “(p.19). Entendendo a Tv atual como aldeia
global” (conceito cunhado por McLuhan), A.Machado diz que ela

“constitui fenômeno complexo e contraditório: ao mesmo tempo que visa


pasteurizar as diferenças com sua estrutura concentracionária, as
diferenças logram também dispersar essa homogeneização com suas
exigências diversificadas” (p.19)

Democracia e Televisão

O autor parte do pressuposto que democracia é a “coexistência dialética das diferenças”,(p.21),


portanto, a ampliação dos canais (comunitários, regionais, locais) dando voz aos mais diferentes
grupos sociais, poderia desestabilizar a atual estrutura centralizadora. Claro que para tanto, também
se depende de avanços técnicos (ampliação do UHF, por exemplo) e de uma consciência de grupo
para o autofinanciamento, sem depender da publicidade comercial. Em alguns países isso já
acontece. Dos anos 60 até hoje, a Tv a cabo nos Estados Unidos foi se tornando altamente
especializada, resistindo. Por outro lado seu custo de implantação é muito caro para países pobres.

A resposta do público

Uma grande discussão atual é a bidirecionalidade, ou seja, a abertura para a resposta do espectador,
sua participação, tema sobre o qual se debruçam os estudos de recepção. O autor aborda a questão
histórica de que os processos de codificação e decodificação sempre foram os mesmos, mas não
existia interesse em desenvolver essa bidirecionalidade. A esperança está na Tv interativa? pergunta
Arlindo Machado.

Williams adverte que

“é preciso distinguir sempre uma tecnologia interativa e a simplesmente


reativa, baseado na hipótese de que a primeira deve dar total autonomia
ao espectador, enquanto a segunda pressupõe um leque de escolhas
predeterminado” (citado na p.26).

O videogame é reativo, o vídeo interativo apenas uma promessa segundo A.Machado, mas ele
reconhece que já existem redes alternativas de difusão de vídeo, a partir da proliferação de câmeras
filmadoras de baixo custo e de grupos independentes produtores, desde a área da experimentação
pura e simples, passando por trabalhos culturais mais instigantes até registro de movimentos
reivindicatórios.

Sobre a interatividade e a possibilidade de ampliação de um maior número de grupos sociais,


coletivos na difusão de uma produção independente, a questão que se apresenta é política. Em
alguns países como Holanda, por exemplo, os operadores dos sistemas de transmissão não podem
produzir sua programação; nos Estados Unidos, as redes podem ter 50% de produção própria,
devendo contratar particulares, o que amplia o número de produtores independentes.

Antegosto da televisão planetária

O enquadramento no “padrão de qualidade” exige grandes investimentos, fato possível apenas às


grandes redes. Anteriormente, a codificação analógica perdia muita qualidade a cada nova
copiagem; já a digital, é a

“mídia por excelência dos efeitos especiais. O que era apenas a solução
de um problema técnico acabou gerando uma tevê muito mais sofisticada,
verdadeira máquina de malabarismos eletrônicos” (p.30).

Os satélites de televisão com alcance cada vez maior, aliados à proliferação de antenas parabólicas,
em especial no Canadá e em muitos países da Europa, tem viabilizado programas comunitários, de
grupos sociais específicos, fato que Arlindo Machado considerada uma “reordenação do regime de
broadcasting”. Afinal, nada impede, por exemplo, que escolas, sociedades culturais e científicas,
sindicatos, partidos e a sociedade em geral utilizem o sistema de satélite com canais de livre acesso.
Por último, o autor aborda a televisão de alta definição, HDTV.

Classificação da Videosfera

Usando a classificação de René Berger, A.Machado distingue três campos de experiência televisual:
a macrotelevisão, a mesotelevisão e a microtelevisão. A primeira engloba as grandes redes, que tem
a propaganda como seu moto contínuo, é unidirecional e busca atingir o maior público possível. A
segunda é considerada um modelo intermediário, metropolitana, que mistura os papeis entre
espectador e produtor de conteúdo: interlocutores.

E por fim, a microtelevisão é a Tv dos pequenos grupos qualitativos, representando circuitos


fechados, comunidades. Interoperadores, isto é, pessoas aptas para a comunicação eletrônica
inclusive em nível de domínio da tecnologia. (p.39).

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