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Jornal-laboratório do Curso de Comunicação Social Unisul - Tubarão outubro 2007 2

Opinião

Novas formas para o desenvolvimento Foto de Grazi Bez Batti


Texto de Giorgia Daniel

O agricultor está enfrentando


Será
alguns problemas para a produção
nas safras de arroz. Além dos
história de
habituais, como insetos e o tempo,
agora o próprio governo federal está
pescador?
deixando de comprar o produto Texto de
interno para o consumo do arroz Daiane Vieira Fernandes
externo, como o da Argentina e,
principalmente, o do Uruguai. O “Parece história de pesca-
motivo desta escolha é a baixa do dor”. Quem em alguma con-
dólar. Enquanto o saco de arroz no versa já não escutou esta
Brasil custa em média 20 reais, os famosa frase. É de nossa cultura
uruguaios vendem o produto a 16 contarmos fatos e, para dar
reais. mais graça em nossa conversa,
Assim os produtores de arroz aumentamos um pouco.
têm criado alternativas para Este famoso dito popular,
baratear a produção. Uma delas é a
conhecido como história de
criação do peixe, que é colocado no
pescador, é repassado há muitos
tanque de arroz semeado, ajudando
no cultivo do produto. O método anos. Conta a história que os
conserva o terreno em que está pescadores quando voltavam de
alojada a semente, mantém a terra suas pescarias, proseavam seus
em movimento e o peixe se ali- famosos “causos”, aumentando
menta das impurezas geradas pelo os fatos e trazendo-os para
produto. Se o dinheiro fosse investido realidade como se fossem
aqui geraria mais empregos, maior verdades.
produção e qualidade para o O que estamos presenciando
comércio do arroz em outros países. assunto é passado somente por solução e a economia nacional for em nosso país parece uma
Mas como isto não ocorre, o amigos e pessoas da área agrícola. atingida fatalmente, talvez as grande “história de pescador”.
produtor precisa arriscar. Já que não há o apoio do governo, autoridades poderão correr atrás do Fatos verdadeiros como: caos
Os agricultores estão tentando se apostam no desconhecido, mas nem prejuízo. O problema é que corrigir aéreo, governo corrupto, BR-
superar e o único apoio e conheci- sempre terão esta sorte. O dia em os erros, na maioria das vezes, é
101 (o trecho da morte), saúde
mento que apresentam sobre o que esta situação não tiver mais impossível.
e educação pública deficiente, e
mais, brasileiros vivendo em

O resgate da “Cidade Azul” estado de miséria, enquanto


40% dos alimentos produzidos
no Brasil vão parar na lata do
Texto de Adriana Duarte Silvano Tubarão e Complexo Lagunar ser feito. Todo esse descaso segue lixo. Com toda essa realidade
existir, não há divulgação de entrelaçado com jogos de poder. horrorizante, queremos acredi-
Antigamente inúmeras pessoas nenhum projeto concreto idealizado É necessário que a população
tar que tudo não passa de mais
tiravam seu sustento da pesca que e nem ao menos vestígio de tenha consciência sobre seus atos e
uma “mentirinha”.
realizavam no rio Tubarão. No esperança quanto à despoluição. que cobrem das autoridades
entanto, hoje ao olhar para a água A problemática do rio Tubarão competentes as necessidades Assim, ao invés de querermos
turva e barrenta fica difícil imaginar está caindo no esquecimento das básicas. Quando a maioria assim aumentar os fatos para
como era límpida e cristalina. pessoas. É inadmissível que em pensar a humanidade estará ca- engrandecer a história, nos
Nada se faz para reverter este pleno século XXI as pessoas não minhando para o progresso. calamos. Cruzamos nossos
quadro lastimável. Nem auto- priorizem o cuidado com a natureza, E quem sabe o rio possa voltar a braços e nos enganamos, como
ridades, nem órgãos ambientais se o bem mais precioso que temos. ser sinônimo de cartão postal, já que se tudo não passasse de mais
comprometem. Apesar do Comitê Parece que só iremos reagir à as águas de tão claras refletiam o uma “história de pescador”.
da Bacia Hidrográfica do rio poluição quando nada mais puder azul do céu.

Extra é o jornal-laboratório do Curso de Comunicação Social – Jornalismo – da Unisul, Campus Tubarão

Textos e fotos: Alunos do 6º Semestre/Professor Cláudio Toldo | Textos de opinião: Alunos do 7º Semestre/Professora Darlete
Fale com a gente! Cardoso | Edição: Alunos do 7º Semestre/Professor Ildo Silva | Diagramação: Muriel Albonico | Capa: Foto de Graziela Bez Batti,
ESPAÇO DO LEITOR pesca no Balneário Rincão.
O Extra precisa da sua opinião Coordenadora do Curso de Comunicação Social: Darlete Cardoso
agcom@unisul.br
Coordenador do Jornal-laboratório: Cláudio Toldo| Contracapa: Agcom
(48)3621-3303
Impressão: Gráfica Soller

Reitor: Gerson Luiz Joner da Silveira | Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico: Sebastião Salésio Curso de Comunicação
Herdt | Chefe de Gabinete e Secretário-Geral da Reitoria: Fabian Martins de Castro
Pró-Reitor de Administração: Marcus Vinícius Anátocles da Silva Ferreira
Social
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Gente

Eles pescaram no Rio Tubarão Foto de Ednilson Perdoná


Texto de Ednilson Perdoná os cardumes. A explosão matava
Edição de Emanuela da Silva
ou deixava os peixes tontos, faci-
litava a captura”, lamenta o pesca-
Edson Furlan, 41 anos, Luiz
dor.
Carminatti, 57 anos, Ângelo Sprí-
cigo, 72 anos. Idades diferentes com
Rio Tubarão
histórias parecidas. Todos pesca-
pede socorro
dores do Rio Laranjeiras, afluente do
Rio Tubarão que nasce no interior Em 1972 uma enchurrada
de Orleans.
próxima à nascente mata um grande
Nos fins de semana, feriados ou número peixes. Os rejeitos de carvão
depois do trabalho eles pegavam os das mineradoras de Lauro Müller
materiais de pesca e iam para o rio.
poluem as águas. A situação piora
“Era gostoso, tinha muito peixe, nin- na com a enchente de 1974 que
guém voltava para casa sem devasta a cidade e mata mais peixes.
pescado, era uma festa.” Nesta época Em 1978 alguns peixes foram vistos.
Carminatti era agricultor, hoje é A situação do Rio Tubarão é
contabilista, na cidade de Or-
grave. O desmatamento nas matas
leans.Pescar é matar saudades e ciliares, a ausência de peixes.
recordar. Problemas como escassez, poluição,
resíduos industriais esgotamento
De volta ao começo sanitário e urbano. A população
sofre as consequências. O rio de águas
O agricultor Ângelo Sprícigo, Edson Furlan relembra em meio as fotos a época de suas pescarias no rio Tubarão
límpidas ficou no passado.
lembra os velhos tempos. “Até 1972
o rio tinha bastante peixe. En- só podiam pescar acompanhados Explica os tipos de materiais
loquecia qualquer pescador. por adultos, havia locais que não usados: “caniços com anzóis,
Aguardávamos a hora de voltar de oferecia segurança. giquís, cóves, armadilhas
pescar”, recorda. A atividade pes- Segundo Edson Furlan, os fins de feitas com pedras, linha de
queira nas águas do Tubarão atraía semana eram alegres e divertidos, na varejo, balaio.
pessoas de vários lugares, Lauro época tinha 14 anos. Hoje mora no As tarrafas eram usadas
Müller, Siderópolis, Criciúma e bairro Coloninha, em Orleans. “A para tirar os peixes das tocas
outras cidades. gente pegava jundiás, traíras, carás- através do mergulho”,
O rio era conhecido pela quan- de-cupim, badejos, peixe com 40 cm esclare. Ele não esconde a pre-
tidade e variedade de peixes. “Uma de comprimento”, conta Furlan. ocupação com o rio. “As pessoas O giqui também
vez, pesquei de anzol, uns dez Luiz Carminatti pescou nas águas vindas de outros lugares usavam era usado para
do Rio Tubarão entre 1958 e 1972. pescar no rio
quilos”, diz Ângelo. Os mais jovens dinamite nos poços onde estavam

“O mar trouxe de volta meu sorriso”


Texto de Filipe Casagrande feita. E chegando em casa, ele teve esse fato era o amigo Manuel lugares deste Brasil, mas onde faz
Edição de Denise Maurício
a grata surpresa. Ele jura que é Guimarães, que o acompanhou na o seu lazer com maior freqüência é
verdade. Essa e outras histórias de festa. E foi a partir daquele no Balneário Rincão. Geremias
“Quando abri a barriga de um pescador são relatadas por Antonio momento que descobriu o lazer de sempre teve o costume de sair para
peixe achei minha dentadura, ele Frontino Geremias, popularmente que mais gosta. pescar durante a madrugada, pois
tinha engolido e, por incrível que conhecido como seu Tonico. Durante esses 40 anos de é nessa hora que a pescaria se torna
pareça, eu pesquei ele”. Seu Tonico Natural de Jaguaruna, litoral pescaria, o aposentado orgulha-se melhor.
havia saído para pescar com três catarinense, seu Tonico tem 75 em ter sido sempre generoso com
amigos na Barra do Rio Araranguá. anos e, há 40, foi fisgado pelos os amigos: “Nunca vendi
Era noite fria e por um descuido sua prazeres da pesca. sequer um quilo de peixe,
dentadura caiu no mar. A primeira vez que lançou a rede porque o que o mar me dá
Foto de Filipe Casagrande

Ele nem fez questão de procurar ao mar teve sorte de principiante. de graça, tenho que reco-
e saiu do mar sem seu “belo” sorriso, Pegou 75 anchovas de uma só vez. mpensar e distribuir da
mas com a rede cheia de peixes. Seu Tonico comemora. Quem mesma maneira”. Já
A distribuição entre os amigos foi estava presente para testemunhar pescou por muitos

Antonio Frontino Geremias, o seu Tonico, conta que a primeira vez que lançou a rede ao mar teve sorte de principiante: pegou 75 anchovas
4 Jornal-laboratório do Curso de Comunicação Social Unisul - Tubarão - outubro 2007

Economia

A vida na colônia de pescadores


Texto de Grazi Bez Batti
Edição de Adriana Silvano

O litoral sul de Santa Catarina é o


local ideal para apreciar belezas
naturais. Em meio a isso, há muitos
homens que sobrevivem da pesca e
trazem o sustento para seus lares.
Como em qualquer ambiente de
trabalho, é notável a competição
entre os profissionais. Hoje, o limite
não é apenas conhecer a arte
pesqueira. Os trabalhadores do mar
devem estar associados a colônias de
pesca, segundo as leis ambientais.
Para a maioria dos pescadores, ser
associado a uma colônia não é tão
vantajoso como muitos imaginam e
buscam. Paulo Amilton Santos, 31
anos, natural de Laguna e pescador
da Colônia Z-14, diz que esta é uma
ferramenta importante porque
oferece benefícios como seguro
desemprego, auxílio maternidade,
descontos médicos, entre outros. Já
os pescadores associados do Farol de
Santa Marta reclamam ao obterem
apenas estas vantagens.
Vários documentos são exigidos
pelo presidente da entidade, até
mesmo para dificultar a falsificação
na busca dos benefícios obtidos. Para
um pescador adquirir a carteira do
exercício da função, são necessários
alguns documentos que demoram O seguro desemprego é uma alternativa de sobrevivência para as famílias de pescadores nos períodos em que não há pesca
meses para ficarem prontos. Entre os
documentos solicitados está a há pesca. As safras ocorrem de maio
Carteira da Agricultura (antiga a dezembro e no verão eles lucram
Carteira do Ibama) e a Carteira da
Capitania dos Portos, tanto de alto
mar e de lagoas. Para manter a
com o turismo nas praias. “Muitos
querem tirar defeso, ou seja, querem
associar-se em busca apenas dos
Vírus ataca camarão
carteira da colônia efetivada, o benefícios”, lamenta Domingos Texto de Daniéli Antonello e (movimento semelhante ao da
pescador deve pagar 10 reais pela taxa Santana, presidente da Colônia de Marco Antonio Mendes
Edição de Bibiana Pignatel
maré), temperatura e iluminação
de anuidade. Pescadores da Barra do Camacho Z- poriam em cheque a sobrevivência
Segundo os três irmãos pesca- 15, que tem 443 associados. “Era uma rotina agradável e dos camarões.
dores Manoel, Antônio e José Peper O único problema da pesca, bastante animada porque todo dia O produtor tem uma fazenda
da Silva, os atritos entre as as- atualmente, é o clima alterado pelo tinha alguma coisa para ocupar desde 2002, quando se aposentou e
sociações advêm dos barcos de efeito estufa, causando tempestades nossa atenção” – lembra o achou viável investir no setor, que
arrasto e o baixo preço dos peixes no e dificuldades na pescaria. proprietário de uma fazenda de crescia consideravelmente. Dilnei só
mercado. As colônias de pescadores Segundo o presidente da Or- criação de camarão em Laguna, não perdeu tudo o que tinha com a
das praias próximas do sul não ganização Não Governamental
Dilnei Cachoeira. Desde o fim de crise da mancha branca, porque
brigam entre si. Cada qual sabe a sua Rasgamar, do Farol de Santa Marta,
2004, a carcinicultura no sul do possui outras formas de lu-
área permitida e não reclama quando João Batista de Andrade, em 2001
um pescador de uma entidade Estado está comprometida pelo cratividade.
foi feito o pedido de uma área
vizinha visita sua área de específica para pesca ao Centro vírus da mancha branca – moléstia “Mas cerca de 95% dos produtores
abrangência. Porém, não admitem Nacional de Populações Tradicionais que acabou com quase toda a de camarão tiveram grande prejuízo,
quando os pescadores de cidades (CNPT). produção. porque investiram sem ter qualquer
distantes, como Florianópolis, Itajaí O projeto foi finalizado no ano Segundo Cachoeira, antes da crise renda, somente através de emprés-
e Santos, tentam ultrapassar as três passado e hoje eles aguardam a o cultivo trazia muitas preocupações. timo com bancos. Eles nem tiveram
milhas da costa autorizada, nave- conclusão da reserva extrativista, a Se o vigilante noturno descuidasse da tempo de quitar a dívida do
gando durante a noite e não respei- fim de facilitar o trabalho dos alimentação, por exemplo, poderia investimento” – conta Cachoeira. A
tando o limite. pescadores. Mais informações podem comprometer o desenvolvimento de maioria teve que vender bens
O seguro desemprego é uma boa ser obtidas pelo endereço eletrônico todo o cativeiro. Além disso, algumas pessoais, como casa e automóvel.
alternativa de sobrevivência dos da entidade: horas sem energia e tudo estaria Rogério José Pereira, carci-
pescadores nos períodos em que não www.ong_rasgamar@hotmail.com perdido: a falta de areação nicultor desde 1998, conta que em
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Poluição ameaça futuro da pesca


Fotos de Grazi Bez Batti
Texto de Denise Mauricio do aquecimento ou não, sabemos
Edição de Luciana Peruchi
que parte da culpa vem do homem.
E é por isso que temos que tomar
Sabemos que é o homem quem
algumas providências, se não uma
destrói o próprio lar. A poluição das
das atividades mais presentes da
águas com resíduos industriais,
região, corre o risco de acabar”,
químicos, esgoto doméstico está
avalia Cristina.
gerando o caos. Mas porque ele faz
isso? Esta agressão prejudica
diversas atividades econômicas,
Tainha é a principal
especialmente a pesca e já atinge os atingida
pescadores de Santa Catarina. O
produto mais afetado é a tainha, Com a ajuda dos botos, a pesca
apesar de haver sérios danos à pesca da tainha é uma das principais
do camarão e da ostra. A fonte de atividades de fonte de renda da
renda através do mar vem caindo cidade de Laguna. É com essa
de forma acelerada a cada ano. atividade que os pescadores
Um exemplo mais recente é o sustentam suas famílias. Não
problema com a criação de ostras. somente com a venda do peixe, mas
O mar, que nesta época do ano também da ova. Essa parte do
estaria com a temperatura variando produto é muito procurada por
entre 13ºC e 15ºC, está nada menos países da Europa e pelo Japão. E
que 22ºC. Com esse forte desde a origem até o consumo no
aquecimento das águas, a exterior a iguaria aumenta em 20
proliferação de algas acaba dimi- vezes o seu valor.
nuindo a criação. Todavia, diversos Infelizmente a pesca da tainha
problemas surgem com a produção está cada vez mais difícil. Marcelo
das ostras e mexilhões, mas, Augusto Antônio dos Santos, mais
segundo a bióloga Cristina Teixeira, conhecido como Garupa, 75 anos,
poucos estudos existem sobre o um dos mais antigos e experientes
impacto ambiental e sanitário pescadores se indigna. “A poluição
causado. “Um dos maiores é um fator que todos conhecem,
problemas que afetam os cultivos e mas o que está acontecendo mesmo
bancos naturais é a contaminação é essa mudança no clima, pois uma
do produto por toxinas produzidas hora está frio e outra está quente.
pelas algas marinhas. No Brasil, não Os peixes não sabem para onde vão,
há estudos epidemiológicos rela- então fica muito complicado para
cionados às intoxicações em seres nós pescadores”, reclama Garupa.
sua fazenda eram oferecidos doze um mesmo viveiro - a policultura. humanos”, explica a bióloga. Com o aquecimento global, o
empregos diretos, desde o vigilante O engenheiro de aqüicultura As doenças causadas pela meio ambiente acaba sofrendo as
noturno até o especialista ambiental. Samuel de Oliveira afirma que a ingestão ainda não são amplamente conseqüências. O biólogo José
Dois cultivos por ano, sendo que registradas devido à descoberta Antônio dos Santos explica: “todos


recente, por isso não há estimativas nós sabemos que o aquecimento
cada um rendia quatro mil
do número de casos. “Com a global está mudando o clima do
toneladas. Quando a doença atingiu Corro o risco de expansão da maricultura, as flora- planeta, e esse problema é causado
os crustáceos, a alternativa foi secar
os viveiros e deixá-los sem ativida- perder tudo se eu ções de algas tóxicas, as chamadas principalmente pelas mãos do
homem. As queimadas, a poluição
de por um período. Depois de rea- encher os viveiros. ‘marés vermelhas’, fenômeno ligado
e a emissão de gases destróem o
ao grande crescimento de micro-
tivados, o problema retornou, cau- Com pouco não algas produtoras de toxinas, se tor- nosso universo, deixando graves
sando novos prejuízos. tenho prejuízo e o conseqüências. Não podemos ficar
nou um grande problema ambi-
Dilnei Cachoeira acredita que a assim de mãos atadas, temos que
que der certo ental, econômico e de saúde pública


produção normal poderá retornar em diversas fazer algo. Não digo somente os
daqui a quatro anos. Enquanto isso, será lucro regiões do cidadãos de Laguna, mas sim de
testa o cultivo com apenas 10% dos planeta”. todas as cidades, de todos os países”,
viveiros que antes eram utilizados. Outro caso ensina Santos.
Grande parte dos camarões está estimativa de sobrevivência do recente é o do
sobrevivendo, mas o produtor não camarão com a tilápia, que se camarão da man-
se arrisca a criar os crustáceos como alimenta de camarões que perecem cha branca, que
antes: “corro o risco de perder tudo pelo vírus da mancha branca, é de até hoje aqüi-
se eu encher os viveiros, mas com 10 a 20%. “A tilápia é uma excelente cultores e criadores
pouco não tenho prejuízo e tudo o controladora biológica. O que está da região de Laguna
que der certo será lucro”. ocasionando o vírus nos crustáceos discutem sobre seus
Uma das alternativas que está pode estar sendo combatido pelo acontecimentos.
fazendo sucesso é o cultivo de dife- peixe, mas ainda é muito cedo para “Uma coisa é certa,
rentes espécies de peixes dentro de concluirmos isto”. sendo um problema
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Saúde

Prevenção que vem do mar Foto de Laura Peruchi Mezari


Texto de Daiani Chaves protegendo contra a trombose.
Edição de Ariela Martins
Mesmo com tantos benefícios
proporcionados por esse alimento,
Rico em proteínas, vitaminas e o peixe não é um dos pratos mais
minerais, o peixe é alimento e mais apreciados, principalmente entre as
uma opção de saúde na mesa do crianças.
consumidor. Estudos recentes
revelam que os ácidos graxos (óle- Crianças
os) encontrados em peixes como incentivadas pela
salmão, atum, arenque, sardinhas, família gostam
linguado e cação auxiliam na de peixe
diminuição da enxaqueca.
A enfermeira Maidi Chaves A nutricionista hospitalar Letícia
explica: “a enxaqueca provém de Torcelli Noetzold garante que essa
uma inflamação na parede de vasos rejeição geralmente se deve à
sangüíneos, o que dificulta a influência do hábito alimentar dos
transmissão de sinais das células pais. “As crianças que forem
cerebrais entre si. Já os óleos en- habituadas a comê-los desde cedo
contrados nos peixes servem de tendem a procurá-los com maior
antiinflamatórios melhorando as freqüência”, explica.
neurotransmissões e amenizando as Outro fator importante para
crises”. aceitação do peixe na dieta das
O peixe também é conhecido por crianças e até mesmo dos adultos é Os peixes têm ácidos polinsaturados do tipo ômega 3, que benefiam o coração
reduzir os fatores de risco associados a forma de preparo. Letícia coloca
às doenças cardiovasculares, como que o alimento geralmente é SAIBA MAIS
a hipertensão, colesterol e preparado frito e isso faz com que
triglicéridios no sangue, pois, em absorva muita gordura ruim. Escolher o peixe é o primeiro passo para usufruir os
geral, são pobres em gorduras. “O certo é assar ou grelhar, sem benefícios do alimento (Fonte: llamrf.no.sapo.pt)
Mesmo os mais gordos contém falar que deste jeito ele fica muito
n O cheiro deve ser suave. Recuse pupila negra e brilhante.
quantidades apreciáveis de ácidos mais saboroso”, argumenta a o peixe com um cheiro muito n A carne deve ser rija e elástica ao
polinsaturados do tipo ômega 3, nutricionista. intenso ou de amoníaco. toque.
com um efeito benéfico ao sistema A forma de apresentação n A pele deve apresentar cor viva e n As guelras devem ser brilhantes,
cardiovascular. também é importante. Servi-lo brilhante. avermelhadas e isentas de muco.
Além disso, o iodo presente nos acompanhado de batata, farinha de
n O olho deve ser convexo, a n A coluna vertebral do peixe deve
peixes de água salgada previne a mandioca e arroz branco é uma boa córnea límpida e transparente e a quebrar-se em vez de despegar.
formação de coágulos no sangue, pedida.

Alimento saudável, tradição e sabor


Texto de Laura Peruchi Mezari quilos por ano. Contudo, há uma coa a procura aumenta signi- casa. “Gosto de fazer tainha assada.
Edição de Lucas Borges
tendência de aumento do consumo, ficativamente. “Nessa data, cres- O peixe é um alimento saboroso e
principalmente através de produtos cem as vendas de bacalhau e incluí-lo no nosso cardápio é um
Que o peixe é fonte de renda de beneficiados ou industrializados, salmão, pela tradição cristã de não hábito de vida saudável”, conclui.
muitas famílias todo mundo sabe. como filés e empanados. comer carne vermelha”. Já para Lucimar Maria Bento
Mas, depois da pesca, como é a Além de ser um alimento Diversas passagens da Bíblia Souza, o peixe é sua fonte de renda
receptividade do consumidor com saboroso, o peixe possui um alto mostram a força simbólica do e saúde. Ela não come carne
esse tipo de alimento? teor nutritivo. “As pessoas ainda peixe. Na tradição católica é vermelha há 15 anos. “Tive pro-
O Brasil produz cerca de um procuram bastante o peixe fresco, costume comer peixe na Quarta- blemas intestinais e precisei cortar
milhão de toneladas de pescado por mas a tainha congelada está feira de Cinzas, após o Carnaval, e a carne vermelha da minha dieta,
ano. Segundo o site da Embrapa, a conquistando a preferência dos na Sexta-feira Santa, antes da por ela ter uma digestão muito
média per capita de consumo de clientes”, conta Fabiano Roberto Páscoa. “Quarta-feira Santa é dia lenta”, conta Lucimar, que logo
peixe in natura no país é de seis Medeiros, que trabalha na seção de de jejum e o peixe é servido somente notou uma melhora na sua
peixes de um supermercado em às sextas-feiras, sobretudo Sexta- qualidade de vida.
Foto de Daiani Chaves Tubarão. Medeiros feira Santa. Foi o dia da Há oito anos ela e o marido
afirma que na flagelação e morte de Jesus”, abriram um estabelecimento que
época da explica Fábio Régio Bento, soció- vende frutos do mar e produtos
Pás- logo e teólogo. prontos, como salgadinhos e pizza
“Eu consumo peixe o ano todo, de camarão, siri e lula. “An-
não só em datas especiais”, afirma tigamente, não havia tanta opção
a costureira Anita Moreira Böger. de culinária com peixe. Hoje há
Anita conta que seu marido tipos de receitas para tudo: assar,
também gosta muito do fritar, ensopar. O mar oferece uma
alimento que virou hábito na diversidade enorme”, conclui.
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Esportes

Espetáculo criado pelo mar


Texto de Denise Maurício nas lagoas da cidade. Criados dentro de Paranaguá, no Paraná, é um privilégio de assistir. É maravilhoso
Edição de Giorgia Daniel do canal, em contato com deles: “Amo este lugar, esta energia sentir a integração dos pescadores
pescadores, vão perdendo o medo e, e este espetáculo que temos o com esses animais”, afirma Silva.
Em Laguna, no Sul do Estado de segundo se crê, muito deles chegam
Santa Catarina, pescadores a empurrar os peixes para serem
“tarrafeiros” e golfinhos nariz-de- capturados pelos pescadores que os
garrafa (Tursiops Trunca-tus), conhecem.
conhecidos localmente por “botos”, Esta pesca é praticada o ano
pescam juntos. Na junção das inteiro, mas entre maio e julho, na
lagoas locais e da foz do Rio desova da tainha, a atividade é mais
Tubarão, num canal que deságua no freqüente, por causa da quantidade
Atlântico, a água é escura, do peixe. Este espetáculo atrai
impedindo os nativos de verem os muitos turistas para a cidade. A
peixes. Estes botos os encontram pesca com auxílio dos botos só
facilmente por causa do próprio existe, além de Laguna, na Austrália
órgão emissor de ultrassons. e na África do Sul.
Os pescadores em pé e em fila, Estima-se que há cerca de 40
dentro da água com as tarrafas botos nas lagoas da cidade. Para
prontas para o arremesso, assistir a este espetáculo é só se
aguardam a chegada dos “botos”. dirigir aos Molhes da Barra.
Assim que os cardumes de tainhas Na época da pesca com auxílio
são cercados contra as margens da do boto, a cidade de Laguna recebe
lagoa, os pescadores acompanham muitos turistas de todos os lugares
a perseguição e atiram as redes. do país. O estudante de Marketing
Os golfinhos nascem e morrem Leandro Silva, de 21 anos, da cidade O boto auxilia pescadores e atrai turistas para a cidade de Laguna
Foto de Neka Dal Pont/P.M. Içara

Pesca submarina em SC
cumpre a legislação
Texto de Cíntia Abreu subaquático em Laguna.
Edição de Daiane Fernandes

Atividade subaquática
São 440 metros de distância da praia sobre o mar e mais 100 metros em forma de “T” A pesca submarina é um é cara e perigosa
esporte cheio de emoções.

Plataforma de pesca é atração Registros históricos mostram


que indígenas da Polinésia já se
A pesca de rede ou tarrafa
captura grandes quantidades de
Texto de Taís Pacheco
dedicavam à caça de peixe em pescado ao mesmo tempo, já na
leões-marinho e focas também
Edição de Adriana Duarte mergulho há centenas de anos. pesca subaquática há uma
podem ser vistos do local.
Atualmente, a prática é conhe- seleção por parte do praticante.
A Plataforma foi fundada em
A Plataforma da Pesca do 1985, há 22 anos. A primeira cida como “pesca subaquática” Para a prática subaquática,
Balneário Rincão, em Içara, no Sul estrutura, em forma de “T”, foi ou popularmente chamada de é preciso equipamentos como:
de Santa Catarina, é conhecida por inaugurada em 1988, teve como pescaria submarina. nadadeiras, máscaras, roupa de
muitos como “gigante da praia”. primeiro presidente Jayme Antônio O esporte foi regulamentado neopreme – chamadas roupas
Durante o ano turistas de todo o Zanatta. Em 1993, a parte lateral e incluído no Código de Caça e de borracha, cinto de lastro,
Brasil são atraídos pela paisagem. foi construída. Pesca de 1960, e dois anos após, luvas, ar balete(arma), bóias,
Os registros da administração Joelce Pedro Biff já morou em no dia 21 de março foi criada no cabos e transporte. Isso tudo
apontam que, no inverno, pelo Içara. “Quando eu cheguei aqui e estado a Federação Catarinense, torna o esporte com um custo
menos 200 pessoas visitam a dei de cara com as baleias brincando com a intenção e a preocupação elevado. “A pesca submarina é
plataforma por mês e, durante a tão pertinho da gente, fiquei emo- de manter o equilíbrio um esporte muito perigoso.
alta temporada, o número de visi- cionado”. A mesma emoção sente ecológico. “Existe um mito Temos vários exemplos de vidas
tantes chega a 500. No verão a Moacir Felício, um dos funcionários entre os vários tipos de pesca, perdidas em pescarias deste
praia cheia e o ar fresco do alto mar da associação, a cada dia de serviço.
dizem que a pesca submarina a- tipo”, alerta Farias.
são característicos. No inverno o “Aqui eu posso fazer o que gosto de
trapalha outras pescas. Mas o O pescador ainda salienta
vento é tão forte que chega a frente para uma bela criação de
estremecer a estrutura e a praia Deus. A natureza foi muito generosa que atrapalha a pescaria é a falta que o atleta precisa ter muito
parece deserta. com o Rincão”. de bom senso. É preciso cumprir cuidado e tranqüilidade, pois
A atração principal são as A Plataforma também é ponto de a legislação, e se isso for este esporte depende das
baleias, que parecem posar para os encontro de amigos, que realizam respeitado o esporte não condições do tempo, vento,
flashes dos visitantes. Outros torneios de pesca e o pescado é atrapalha”, afirma Álvaro maré e o próprio condicio-
animais como golfinhos, pingüins, doado a entidades do município. Pestana de Farias, pescador namento físico do praticante.

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